terça-feira, 15 de setembro de 2020

Estar em Satsang é a chave!

Dentro da Visão da Realidade, não existe nada separado ou à parte do próprio Ser, da própria Consciência. Estamos apenas diante de um espetáculo, de um show.
Quando vai a uma joalheria, você vê muitas peças feitas do mesmo material. Cada uma pode até ter um valor diferente, mas você vê que foram feitas do mesmo material. Você encontra anéis, brincos, colares, pulseiras, todos feitos de ouro. Essas peças têm aparência e formas diferentes, mas são confeccionadas do mesmo tipo de material.
Na visão de um Ser Realizado, tudo é “ouro”! Esta é a beleza do Despertar, da Realização Divina: não há diferenciação. O homem comum está olhando as “peças”, mas está esquecido do “ouro”. O Sábio está vendo o “ouro” e, mesmo assim, ele não deixa de apreciar as peças. Para ele, o valor está no “ouro” e não no formato que ele assume, até porque o formato é temporário, mas o “ouro” permanece.
Se uma peça de ouro for derretida, ela voltará para a sua natureza, da qual nunca se separou. Simples isso, não é? Quando falamos do Despertar da Sabedoria, que é a Realização da Verdade sobre si mesmo, estamos falando da natureza desses ornamentos, dessas peças. Todos esses ornamentos não são nada além de ouro. Cem gramas de ouro em uma pulseira são os mesmos cem gramas de ouro em um relógio. O peso e a natureza são os mesmos; o formato é diferente.
Na mente egoica, você aprende a valorizar a forma. Na Consciência, em seu Natural Ser, sua apreciação está na não forma. Essa é a visão da Realidade! Quando isso fica Real – não como uma teoria ou uma crença –, o medo e o sofrimento desaparecem. Aliás, não se separa o sofrimento do medo. Onde há medo, há sofrimento.
Quando olha para o mundo, você vê as coisas acontecendo, aparecendo e desaparecendo. Esses acontecimentos são mudanças e isso causa medo. Para a mente, tudo tem que ser do jeito que ela quer que seja. Se for algo prazeroso, não pode mudar; se traz algum nível de satisfação, não pode desaparecer, tem que continuar lá. No entanto, a vida não é assim. Nessa caminhada, nesse trabalho de Autorrealização, você passará por muitas situações, e isso é natural. O medo é uma das coisas, atrelado à imaginação, ao desejo, e tudo isso precisará ser visto.
Enquanto você estiver acreditando na aparência e esquecendo a natureza da “joia”, enquanto estiver acreditando que é o corpo, que é a mente, a dúvida e o medo o seguirão como uma sombra, e o sofrimento como um guarda-sol. Você estará muito bem protegido com um guarda-sol desse tipo, só não sei de quê.
Assim, você tem uma proteção falsa. Enquanto for um aspirante a essa Realização, estiver dentro desse processo, desse trabalho, será natural que o medo se levante e que o sofrimento o acompanhe, exatamente porque existe essa identificação com a mente e o corpo.
Na razão em que vai se desidentificando do que o pensamento diz sobre quem você é, sobre o que a vida é, você começa a perceber que não há razão para a resistência, para essa luta contra a vida, como ela se expressa. Então, o sofrimento vai perdendo o lugar e o medo também.
O medo-sofrimento (não separamos uma coisa da outra) é uma companhia da mente egoica, dessa ilusão acerca da verdade sobre si mesmo. Isso significa que a natureza da “joia” foi esquecida e o formato dela vem sendo apreciado como algo real. Você não sabe quem é, mas acredita ser o corpo e ter uma mente. Você está em estado de esquecimento sobre a Verdade de si mesmo.
Jesus dizia que o corpo não é mais que uma vestimenta e o que você chama de “vida”, não é mais que uma provisão, um mantimento. Na verdade, se você observar, o corpo é constituído de alimento. Quando você come, o corpo cresce. Então, comida é o corpo. Sem alguma forma de comida, o corpo vai desaparecer, porque sua natureza é comida. Ele come e também é comida... Quando volta para a terra, ele se torna comida também. Na natureza é assim, tudo come tudo, tudo se alimenta de tudo, e toda aparência é como a aparência da “joia”, não é sua Natureza Essencial.
O principal problema é não acolher a vida como ela se apresenta. Essa resistência é a causa do medo, que tem como companhia o sofrimento. Quando tenta encontrar solução para esse problema criado e imaginado pelo pensamento, você busca felicidade em coisas externas. Dessa forma, você está só colecionando “joias”, colecionando formas, juntando aparências.
Repare que sua mente está sempre fixada em aparências: objetos, pessoas, situações... Então, buscar a solução para esse problema do viver – que é uma imaginação do pensamento – em coisas externas, no mundo externo, é um grande erro.
Outra coisa que acho importante dizer para você é que essas falas, como nascem do Silêncio, que é essa Consciência, como a Fonte delas é a própria Natureza da “joia”, elas têm um grande poder de recordação. Repare que, quando me escuta, você tem uma espécie de “recordação” Disso. Fica claro dentro de você que Isso não é algo estranho, que é algo que você já sabe, do qual só está sendo lembrado. Você está tão absorvido pela aparência, que esqueceu a Natureza da “joia”. Está tão absorvido pela aparência do “colar”, do “brinco”, do “anel”, que esqueceu o “ouro”. Então, vem uma voz e diz: "Aqui está o ‘ouro’! Isso não é só um ‘anel’, um ‘brinco’ ou uma ‘pulseira’”.
O propósito dessas colocações é que elas encontrem um espaço em você e criem uma correção no seu modo de ver a si mesmo, o mundo, o outro, o que está acontecendo à sua volta e dentro de você. Claro que isso acontece somado a um trabalho de Presença, de Graça, de Poder Divino, algo que só é possível dentro de Satsang. Quanto maior sua aproximação de Satsang, maior é esse Poder. Quanto maior o seu investimento nessa aproximação, maior é o retorno de resultado. É algo cumulativo. A princípio, você não vê muita coisa, mas algo vai acontecendo apesar de você.
Então, esteja em Satsang! Só estando dentro desse encontro você vai saber o que Isso significa. De longe, você pode só imaginar; dentro, você vai saber! Estar em Satsang é a chave! Apenas dessa forma, esse fundamental problema de autoesquecimento, de confundir a aparência com a Realidade, de confundir o que é externo com Aquilo que é inato e interno, se dissolve. Esse problema de autoignorância, que é autoesquecimento e, ao mesmo tempo, autolimitação, é sustentado pela ausência da Meditação, que é algo que acontece com muita naturalidade, sem qualquer esforço, dentro de Satsang.
Você tem muitas formas de fazer uma viagem, pode pegar vários meios de transporte. Dependendo do meio de transporte em que embarque, você pode chegar de forma mais rápida ou não ao destino. Não há pressa nessa Consciência. Deus não tem pressa! Você pode Realizar Isso agora ou pode deixar para daqui um bom tempo; e, quando eu falo "um bom tempo", estou dizendo um bom tempo mesmo!
Satsang é um “meio de transporte”. Não é como viajar trezentos quilômetros de bicicleta, de carro de passeio ou de avião. Qual desses três meios de transporte resolveria mais rapidamente esse seu problema? Uma bicicleta, um carro de passeio ou um avião? Pois é, Satsang não é nenhum desses três... Satsang é um foguete!
* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online, na noite do dia 24 de Junho de 2020 – Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

sábado, 12 de setembro de 2020

O princípio da Sabedoria

Estarmos juntos mais uma vez, neste encontro on-line, é uma linda oportunidade. É importante você estar aqui com uma clara disposição, com um desejo real de investigação, de averiguação, de observação. Satsang é um encontro desafiador, e sem essa interna disposição, que requer Inteligência, não é possível você descobrir o que estamos tratando aqui. Minha intenção aqui não é tentar convencê-lo da necessidade dessa Autorrealização, pois se você está aqui, aberto a esse tipo de assunto, é porque isso já ficou claro.
Assim, dizer para você que a sua vida é complicada, difícil ou infeliz não faz o menor sentido, uma vez que você já descobriu que há algo aí faltando, que há um vazio. Não estou aqui tentando convencer você de alguma coisa. O real devoto é discípulo da Verdade! Quando ele pergunta “qual é a realidade da minha vida?” ou “o que isso significa?”, isso já está nessa Inteligência que acabei de falar.
Então, não preciso lhe provar nada, até por que qual é o significado disso tudo? Qual é o significado disso que você chama de “vida”? O que é a vida? Você vive trinta, quarenta, cinquenta ou sessenta anos... Os mais afortunados (não sei se mais afortunados), ou os mais audaciosos, chegam aos oitenta, mas qual é o significado de tudo isso? Por que uma vida tão longa se ela é tão confusa, com tanta desordem, desespero e sofrimento, com apenas alguns poucos momentos de alegria, e você carregando um sentido de insatisfação profunda aí dentro?
Algumas pessoas vêm a esse encontro e têm a impressão de que eu tenho que convencê-las de que a vida delas tem algum sentido. Então, por que estamos aqui? O que é a vida? Por que esses quarenta, sessenta, oitenta anos, se você não sabe a Verdade sobre Si mesmo? O propósito aqui não é convencê-lo de que você é infeliz, até porque a mente tem fortes defesas. Se você é um discípulo da Verdade, não precisa ser convencido de que existe algo além dessa condição de “vida humana”. A única coisa que importa realmente, para você, é descobrir O que Você é.
Eu não estou dizendo para você descobrir o significado da Vida, pois Ela não carrega nenhum significado, mas carrega uma Beleza indescritível quando você descobre a Verdade sobre Si mesmo. Então, escute com atenção: você não vai descobrir o significado da Vida, porque Ela permanecerá sempre um extraordinário e belo Mistério. Se você sabe a Verdade sobre Si mesmo, sabe o que estou dizendo, mas, se você não sabe, a “sua vida” é somente confusão, com poucos momentos de satisfação e algum nível preenchimento, e, internamente, você carrega um enorme vazio. Acontece que você deixa de ser criança, torna-se adulto, casa-se, tem meia dúzia de filhos, e eles crescem sem saberem nada sobre si mesmos também. Assim, como você, eles não conseguem ver a Beleza que é a Vida e, ainda, há todo esse apego, esse medo de perdê-los, toda essa confusão.
Agora há pouco eu falei da Inteligência para investigar isso... Eu me referi à Real Inteligência, Àquela que torna possível o Despertar. A “inteligência” que você conhece − que facilita o “ganhar o pão”, fazer dinheiro ou ter sucesso no mundo − é bastante limitada. Nela, você continua, internamente, sem saber a Verdade sobre Si mesmo, portanto, sem desfrutar dessa Beleza que é a Vida. Então, não é dessa inteligência limitada que estou falando aqui. Estou apontando para a Inteligência do Sábio, daquele que descobriu a Verdade sobre Si mesmo e a Beleza de que a Vida não carrega nenhum significado, embora continue extraordinária, misteriosa, uma obra da Graça, uma obra Divina, de Deus. Essa Visão sobre Si mesmo nasce da Meditação, da ausência desse movimento caótico, complexo, em desordem, que é o movimento da mente. Quando há ausência dessa desordem, desse movimento da mente egoica, Algo se revela.
Então, quando usamos a expressão “autoconhecimento”, estamos dizendo algo completamente diferente do usual. Autoconhecimento é a Realização de que não há um “eu”. Vocês entendem? Isso é necessário ser compreendido. Repito: o Real Autoconhecimento é a Compreensão de que não existe esse “eu”, algo completamente diferente de entender a si mesmo. Eu falo em conhecer a Verdade sobre O que Você é, não em “conhecer a si mesmo”, no sentido de saber lidar com a “pessoa”, com a personalidade. O que você tem em psicologia, em terapia, é aprender a lidar com a “pessoa” que você acredita ser.
Aqui, estamos falando de outra coisa, da Verdade sobre O que Você é, não sobre o jeito de lidar com a “pessoa” que você acredita ser. Essa investigação da Verdade sobre Si mesmo é o princípio da Sabedoria, e é Isso que chamo de Real Inteligência. Sem Isso, você pode ser muito bem-sucedido no mundo, mas é infeliz, vive internamente em confusão, consigo mesmo e com o mundo, preso, cheio de desejos e medos, cheio de apegos. Quando você olha para o mundo (falo desse mundo próximo, das suas relações com esposa, filhos, parentes...), vê que as pessoas estão em desordem psicológica, em confusão interna, presas às suas crenças, aos seus conflitos, aos seus medos, e acredita que isso seja natural.
Eu tenho dito que isso é normal, mas nunca disse que é natural. Essa crença está aí porque você não tem nenhum parâmetro, nenhuma referência, pois todas as pessoas com quem convivemos estão em desordem interna, em conflito interno, não são Inteligentes, no sentido em que foi colocado aqui. Elas podem ser realizadoras, mas não são Inteligentes; conseguem até realizar alguma coisa externamente, porém isso se torna, também, uma base para alguma forma de conflito, de medo. Não há Liberdade, porque não existe Autoconhecimento. Então, essa investigação da Verdade sobre Si mesmo é o princípio da Sabedoria, dessa Inteligência. Isso está presente quando esse falso “eu”, essa ilusão sobre si mesmo, termina.
Satsang significa encontro com a Verdade. Então, você se depara aqui com esse modelo de crenças, com essa autolimitação, à qual você está se sujeitando constantemente. Você está vivendo nessa condição, dentro desse modelo, mas, quando há um raio de Inteligência, fica claro que essa não é uma condição natural, embora seja comum a todos. Então, o nosso interesse aqui não é estudar Filosofia, Religião, Psicologia ou qualquer ciência relativa a comportamentos humanos. Estamos aqui apenas para investigar a Verdade sobre nós mesmos.
O que tem mantido você nessa condição? Que espécie de limitação é essa? Que conjunto de crenças são essas? O meu Mestre sempre colocava para as pessoas a importância da pergunta: “Quem sou eu?”. Nesse momento, por exemplo, você não está ouvindo alguém que conhece coisas. Então, eu não tenho coisas para lhe ensinar. Não trato de Psicologia, Filosofia nem de Teologia. A única coisa que eu posso lhe perguntar, também, é isso: “Quem é você?”. Eu quero lhe mostrar a possibilidade de viver livre dessa autolimitação que a mente tem produzido. Então, Meditação é a arte de viver sem esse conteúdo de limitação, de crenças; sem esse fundo de condicionamento, de programação.
Vocês compreendem isso, que não existe nada para se aprender aqui? Você não aprende Meditação, não aprende Autoconhecimento... Você não aprende o Despertar; você Desperta!
* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online, na noite do dia 17 de Junho de 2020 – Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Inteligência é o Florescer da Consciência

Satsang significa estar em boa companhia, na companhia do Divino, do Sagrado. Isso é uma oportunidade para o mergulho na Compreensão de Si mesmo. A desordem interna, psicológica, de conflito, medo e sofrimento é o comum. Já a Clareza, a Inteligência, a Sabedoria, não é algo tão comum. Nesses encontros, estamos interessados em ver Isso de perto, em conhecer diretamente Isso, em reconhecer a Verdade que somos.
No entanto, esse tipo de encontro não faz muito sentido para aqueles que não estão prontos, ainda, para esse momento. Aqui, qualquer tipo de avaliação, julgamento ou comparação soa muito estranho, pois não se trata de um assunto para se ouvir com um fundo de conhecimento. Esse conhecimento é algo que apenas distorce aquilo que está sendo colocado.
Outra coisa importante é que aqui o nosso interesse não está nas palavras, em ouvir e conhecer palavras, porque a Verdade não se revela através delas, mas sim pela vivência direta. Você vive Isso quando sente diretamente o que está sendo colocado aqui; não se trata de um entendimento verbal, analítico, filosófico, intelectual. Então, tenha um pouco de paciência e descubra o significado desse ouvir sem uma base de conhecimento. Você não precisa do conhecimento aqui.
A Verdade não se trata de algo que você possa cultivar, como uma planta que você tem no jardim. A Verdade não é algo assim, não é cultivável. Em outras palavras, não existem degraus ou escalas para se alcançar Isso, não é Algo que se adquire passo a passo. Então, Isso soa completamente estranho a tudo que a mente conhece, até porque não se trata de um conhecimento da mente.
Geralmente, você vive na desatenção, e Satsang é um convite para a Vida Consciente, Inteligente, para a Liberdade de toda a confusão que a mente conhece. Você sabe que tudo que a mente conhece é a experiência da confusão. Na mente, a vida é confusão, você está em confusão, que é não clareza, não silêncio, não paz.
Os pensamentos produzem confusão. Dentro de você, as imagens, as suas crenças, valores, motivos e razões estão produzindo confusão. Ver o mundo, ver a si mesmo e a vida através da ótica do pensamento é pura confusão. Então, isso se tornou o estado comum de vida da “pessoa”, que está em confusão de toda ordem − psicológica, financeira, emocional, familiar, política, social, e por aí vai. Confusão é a maneira de se viver quando não há Inteligência. Quando não há Liberdade, o que você chama de “sua vida” está em desordem, em diversos aspectos e áreas, produzindo cada dia mais sofrimento, conflito e, naturalmente, mais desordem.
Já a Inteligência é o Florescer da Consciência, que é quando você sai do circuito da mente, que está em desordem, confusa, em conflito, no medo. Consciência é a Fonte de toda manifestação! Há um imenso e extraordinário poder Nela! Ela é a Fonte de tudo, é inexplicável e extraordinária Inteligência!
Você não pode desfrutar dessa Inteligência se está vivendo dentro da limitação da mente. Os cientistas dizem que o cérebro tem um grande potencial, que boa parte dele não vem sendo utilizada. Não sei exatamente o que eles querem dizer com isso, mas sei o que estou dizendo para você aqui: há um grande potencial de Inteligência nessa Consciência, e isso está além do próprio cérebro, dessa capacidade cerebral.
Despertar, Iluminação ou Realização de Deus é o florescer dessa Consciência, que é essa suprema e poderosa Inteligência. Você não pode aprender Isso com seus pais, com a sociedade ou seguindo os políticos, pois não existe “inteligência política”. Ciência política não é inteligente. Política é ausência de Inteligência, pois é a mente fazendo acordos. Quando há Inteligência, não existem acordos, mas sim uma clara Visão − “o que é” e “o que não é”. É simples assim.
Portanto, você não pode aprender Isso na política, com seus pais, parentes ou sociedade. Se você ama esse movimento da cultura, da sociedade, da política, se ama militar nisso, opinar, analisar, estudar acordos, ou seja, se ama a mente e o movimento dela, tudo que você tem é limitação. Você não pode conhecer a Realidade estando preso na ilusão; não pode descobrir a Verdade Divina estando preso a esses padrões de mediocridade.
Nesse espaço, chamado Satsang − o encontro com a Verdade −, é possível a descoberta dessa clara Visão da Vida, quando tudo o que a mente constrói (toda essa cultura, essa visão humanística, social, política, religiosa, filosófica, etc.) não tem mais importância. Quando descobre sua Natureza Real, sua Natureza Divina, você se vê em seu Ser, fora desse “jogo da mente”, além dessa história imaginária, desse conceito imaginário de ser “alguém” no mundo, vivendo essa chamada “história humana”, então toda a confusão, desordem e sofrimento terminam.
Satsang significa estar vulnerável a esse Florescer, a essa Inteligência. É isso que tenho chamado de Meditação. Meditação não é reflexão, nem é um silêncio imposto por uma técnica ou um método. Não é dessa técnica de meditação, que tem princípio e fim, que estou falando. Estou falando da ausência da mente e de todo movimento que ela possa fazer, incluindo-se o movimento para silenciar-se, aquietar-se, acalmar-se.
A Meditação pode revelar Isso, e o “fim do jogo” está Nisso. Quando falo “fim do jogo”, não estou dizendo que ele termina, mas que Você está além dele. Portanto, o “jogo” continua, mas agora, como está além dele, Você desfruta dele também, sem mais se confundir com ele. Na realidade, quando se vê em sua Natureza Essencial, Você é o próprio “jogo”, não está mais capturado nele.
É como se você olhasse um tabuleiro de xadrez, no qual você não é mais o peão, não é mais o rei, não é mais uma peça desse jogo. Você é o próprio jogo, mas está além dele. Em Satsang, quando nos aprofundamos, quando mergulhamos Nisso, conhecendo essa não identificação com o “jogo”, com o “eu”, com esse psicológico senso de ser “alguém”, fica claro que esse “alguém” é meramente uma fantasia, uma crença, uma aparição, apenas uma imagem.
O que é Iluminação, então? É conhecer o “jogo”, estar além dele e ser ele próprio. Em outras palavras, é descansar ou desfrutar da Vida como Ela é, sem luta, conflito, resistência, confusão e desordem. Quanto vale isso? Se você se envolver profundamente Nisso, descobrirá o preço, que será insignificante diante do valor Disso. No entanto, você não pode saber qual o valor Disso sem primeiro se aproximar e olhar de perto o que Isso representa.
Você continua identificado com essas histórias, com a história do personagem que acredita ser, com um nome, enfim, com essa presunção de ser “alguém”, uma “entidade”. Você vê o corpo no espelho e diz “eu”, mas é apenas um corpo. Quando alguém sofre um acidente e vê um dos seus membros amputado, como um dedo, uma mão ou uma parte do braço, ele nunca mais vai dizer que aquele membro é seu. Muito menos, o acidentado vai dizer: “Eu sou essa mão”, “Eu sou esse braço” ou “Eu sou esse dedo”.
Então, essa ideia de você estar dentro do corpo é completamente ilusória, pois Você é Aquilo que vê o corpo e esses objetos que estão na sua frente. Essa mão e esse corpo não são Você, assim como essa cadeira, na qual esse corpo está sentado. Tudo isso é somente uma aparição! Quando está acordado, você vê tudo isso, mas, em sono profundo, não sabe nada desse corpo nem desse mundo.
* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online, na noite do dia 10 de Junho de 2020 – Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

O Coração é a Consciência, a Presença, a Realidade!

Este é um momento de Entrega, de Autoinvestigação, de Meditação, de encontro com a Verdade Divina, com a Verdade que trazemos. Todo o seu anseio é pela Liberdade. Não importa a forma, mas todos procuram a Liberdade, a Felicidade.
A vida, nessa falsa identidade, é dramática, aborrecida e conflituosa. Quando o ser humano começa a reconhecer isso, começa a perceber como é estúpido viver na mente, então ele se volta para a busca de si mesmo e, nesse momento, por uma ação da Graça, é conduzido dentro de uma nova direção. Essa procura pelo fim dessa vida dramática, confusa, desorientada e conflituosa é a busca real, o grande objetivo.
Todo esse processo tem início quando se percebe como é estúpido continuar vivendo no antigo modelo da mente, com todo drama que o pensamento produz. Quando esse reconhecimento começa a acontecer, ocorre um chamado para a Compreensão, para o Despertar. Isso é algo que tem sido chamado, na história da humanidade, como “Liberação”, “Reino dos Céus”, “Nirvana”, “União com Deus”. É, na realidade, um reconhecimento de sua Natureza Divina, de sua Natureza Essencial, algo que se revela no Silêncio, no Silêncio da Meditação, quando acontece um completo esvaziamento do sentido do “eu”. Quando o sentido do “eu” desaparece, com ele desaparece todo o drama, toda a confusão.
Normalmente, o homem não percebe o que se passa com ele mesmo. Ele apenas vive o drama da separação, mas não percebe o peso disso, porque vem vivendo assim há muito tempo, é algo que é muito comum para ele. Ele não percebe qual é a sua real condição, como é miserável viver assim, porque está sempre distraído com novos preenchimentos externos.
Esses preenchimentos externos causam uma distração acerca da própria miséria que ele carrega, dessa condição, desse drama, e, assim, ele vai “levando” a vida – uma vida tediosa, conflituosa, aborrecida, com pequenos momentos de prazer e preenchimento, puramente egoicos, e uma enorme quantidade de momentos de ansiedade, de conflito, de medo e de diversas formas de sofrimento, os quais já está até acostumado a viver.
Então, ele não se torna consciente dessa condição, desse sentido de separação, do peso que é viver assim. Na verdade, ele até desfruta dessa condição miserável de vida, que é só o que ele conhece. Completa inconsciência! Ele não consegue observar essa condição, porque a mente está sempre ocupada com a realização de novos desejos, sempre buscando, sem parar, mais realização egoica, pessoal, para preencher esse sentido de personalidade, para completar esse sentido de separação.
Assim, o que nós vemos é que esse constante desejo, com suas diversas formas de manifestação, está baseado no próprio sentido de separação tentando curar o sentido de separação. O que eu estou dizendo é que a vida do desejo está sempre baseada no conflito da separação. A separação já aconteceu (essa é a condição do homem comum), então o desejo vem para tentar curar esse sentido de inadequação, de conflito, que surge como consequência. Contudo, não é possível ter sucesso aí. O desejo é parte do conflito, portanto, ele não pode curar o conflito. O desejo é parte do sofrimento. Ele não está fora do sofrimento como um antídoto, como uma cura, um remédio. Na realidade, ele é o próprio veneno, está circulando como tal.
Então, não há sucesso final por meio do desejo. Mesmo as chamadas “realizações espirituais” são apenas novos desejos sendo realizados, algo completamente inútil. O que as pessoas experimentam em alguns trabalhos terapêuticos ou espirituais é apenas uma temporária sensação de liberação de um determinado tipo de dor, conflito, sofrimento. Mas, no fundo, não há como escapar radicalmente desse drama, desse dilema, porque o sentido de separação, o sentido do “eu”, continua presente. O ego é a doença! Uma doença para a qual não há tratamento. O problema com a busca é que ela sempre produzirá mais busca, seja por objetos materiais ou espirituais, grosseiros ou sutis, e, por detrás de tudo isso, está esse falso “eu”, essa falsa entidade.
Você não é um “pedaço” divino, um “pedaço” de Deus sentado dentro do corpo. Não existe tal entidade aí dentro do corpo; essa aparente entidade não é real. Há somente essa Presença, essa Consciência. Essa aparente entidade está dentro da Consciência, como uma aparição imaginária, e a mente está produzindo essa aparição. Tudo que existe é Consciência! Essa é a simples e direta Compreensão da Verdade. A Liberação da ilusão é o fim do drama, o fim do conflito, o fim do sofrimento, dessa imaginação de uma entidade na Consciência.
O homem comum está inconsciente de tudo isso. Todo o seu relacionamento é com a imaginação de ser “alguém”, e isso é medo. Já aquele que está em sua Natureza Essencial, vivendo a Verdade sobre si mesmo, carrega uma Radical Compreensão. Ele está vivendo no Coração... O Coração é a Consciência, a Presença, a Realidade!
Você precisa deixar tudo ir embora para poder ser O que é! Isso é o que eu acabei de chamar de “Radical Compreensão”. Nela, sua vida é pura Inteligência! Então, esse Poder flui sem obstruções, sem obstáculos, porque não há desejos, não há medo.
Eu não estou aqui para entreter você, não sou um palestrante, um orador, um professor. Estou aqui apenas para investigar com você a confusão que é viver com todo esse drama, ou como é dramático viver em toda essa confusão.
* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online, na noite do dia 05 de Junho de 2020 – Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Não estamos prontos para encarar a dor

Participante: Ontem, o senhor nos disse que não estamos prontos para encarar a dor. O que isso significa?
Mestre Gualberto: Nós somos protegidos da dor desde pequenos. Nossos pais sempre tiveram uma amorosidade ignorante, nos protegeram demais. Eles não queriam nos ver sofrer. Eles sempre nos protegeram da dor, tanto física quanto emocional. Não sei se vocês conseguem compreender onde eu quero chegar.
Se você é protegido da frustração, você não a vê como algo natural. Se você é protegido da dor, você cresce com a ideia de que nunca deve sentir dor e, para tanto, você segue se protegendo. Então, você entra em um jogo de condicionamento psicológico. Quando recebe um “não”, isso lhe dá uma profunda dor de rejeição. O que você faz para não sentir isso? Essa dor não vai matá-lo, mas, para não sentir isso, você se torna uma criança tímida, afasta-se de pessoas que podem magoá-lo, feri-lo, ofendê-lo, rejeitá-lo.
Assim, desde criança, você carrega esse movimento interno, querendo sempre se proteger da dor. O detalhe é que, quanto mais você se protege da dor, mais sensível à dor você fica. O resultado é que você se torna um jovem e depois um adulto que se comporta como uma criança quando é rejeitado, quando é magoado, quando ninguém olha para você. Quando ninguém diz “e aí, tudo bem?”, você olha com suspeita: “Ela não olhou para mim, não gosta de mim”.
Se você observar bem, o ego é um feixe, um conjunto de manias, medos, escolhas, fantasias, imaginações. Esse é o sentido do “eu”. Toda nossa cultura é montada dentro dessa estrutura. Você não fica sozinho para observar essa dor, tem sempre um jeitinho para escapar disso, para não olhar para isso. No entanto, esse ego é uma estrutura falsa, uma mentira.
Essa dor psicológica, emocional, não é como a dor física, que é neural; ela é imaginária! E quanto mais você foge disso, mais sensível você fica a esse tipo de dor. Então, o que acontece com o ego? Ele sente dor à toa. Tudo lhe provoca dor! Se alguém fala alto com você, isso causa uma dor, então, para se proteger dessa dor, você reage, você responde ao outro. Você responde agressivamente com palavras ou com ações, tudo para não sentir dor, porque é proibido sentir dor.
Em nossa cultura, na cultura do ego, dessa egoidentidade, é proibido ficar com a dor e resolver isso sozinho aí. Você tem que descarregar, tem que jogar a dor de volta, para não senti-la. Mas agora você é uma pessoa agressiva, violenta, cheia de medo e dor. A dor continua, mas está com um outro formato: o formato da agressão, da reatividade, da violência. Aí, você não fica curado do ego, porque não o vê. Você só teria a chance de vê-lo se pudesse sentir a dor sozinho. Quando você não olha para o que sente, automaticamente, mecanicamente, inconscientemente, você já despeja isso.
Sabem o que eu tenho dito às pessoas? Descubram o que é Real Meditação! Eu vejo pessoas praticando meditação, mas sabe o que elas fazem para praticar meditação? Elas procuram por um espaço silencioso, colocam uma música suave, respiram de uma certa forma, ficam ali por 10 minutos, meia hora, 1 hora. Até aí, tudo bem. Mas, quando se levantam, vão para casa, para o trabalho ou para a faculdade, e lá o ego delas é provocado... Ali é hora da Meditação! Ali está a Meditação, e não na hora em que se está respirando fundo. Assim é fácil! A meditação, como prática, é uma coisa fácil! E na vida, no dia a dia? Esse é o exercício! É simples, mas não é fácil.
Olhar para a dor quando surge e não reagir: isso é Meditação, é trazer Consciência para este momento presente, para aquilo que está aqui e agora. Este momento é um chamado divino para você se conhecer, encontrar aquela criança que foi condicionada a não sentir dor.
Participante: Parece-me que são duas coisas: uma é sentir a dor, outra é não confiar na história que o pensamento está contando sobre ela.
Mestre Gualberto: Isso! Exatamente isso! Vocês acreditam na história que o pensamento cria sobre a dor. A dor não é o problema! A dor é como um fantasma ferido, que recebeu uma pancada. Não existe fantasma! Se a dor está ali, ok! Mas, por que criar uma história sobre isso? Para se proteger. Para aliviar essa “dor-fantasma”, seu ego reage.
Se nossos pais tivessem sido bons mestres para nós, eles teriam nos ensinado isso: a ficarmos sozinhos com a dor, a não reagirmos como crianças mimadas. Mas eles não nos ensinaram isso, não eram Seres Realizados. Agora, você é adulto e me encontrou, então teremos que corrigir isso! O que a sociedade não deu para você, um Mestre vivo pode dar! Mas você precisa ter paciência e acolher isso com profunda confiança. Por isso um Mestre vivo é importante: ele nos inspira! Sua Presença nos inspira a confiar! Então, qual é o meu trabalho com vocês? Corrigir!
O ponto aqui é: não reaja! Esteja atento a essa dor. Não reaja! Sua mulher está nervosa? Não tem problema! Seu namorado está estressado? Deixe-o sozinho, dê espaço para ele e olhe para si mesma, mas não reaja! Vocês estão aqui para aprender isso, mas é um “aprender desaprendendo”. Aqui, você vai desaprender a ser uma “pessoa”. É assim que o Sábio nasce! Quando uma pessoa desaprende a ser uma “pessoa”, descobre o seu Ser!
É como tirar a roupa. Você não é essa roupa, assim como Você não é essa programação que se ofende, se magoa, se entristece, tem raiva de tudo, tem medo de tudo. Isso não é Você! Então, isso se desaprende. É como a sua roupa, que você tira. Ninguém toma banho de roupa! Para se banhar nas águas da Sabedoria, da Consciência, da Verdade, você precisa se despir desse falso “eu”. Então, o Divino, seu Ser, se mostra em toda a sua nudez, e Ele é bonito! Ele não faz inimigos!
Então, o problema não é a dor; o problema é “alguém” com dor. “Alguém” com dor reage. A dor, em si, apenas mostra alguma coisa. Se você trabalhar isso, eu lhe prometo uma coisa: em pouco tempo, as pessoas vão parar de ofendê-lo, de irritá-lo, entristecê-lo... Isso porque não são elas que o irritam, entristecem ou aborrecem, e sim o seu ego reagindo. O seu ego faz inimigos!
Reparem no que eu disse: o seu ego faz inimigos! Quando você diz, aí dentro, “eu não gosto dele. Que chefe chato! Que trabalho horrível!”, isso não está lá; está tudo aí! Compreendem? Não é o mundo que é o seu problema, mas o seu ego, sua mente, sua interpretação, sua relação mal resolvida consigo mesmo. Resolva isso aí dentro!
O que eu digo para você aqui não é um conceito, uma crença ou uma teoria. Eu sou Isso! Eu vivo Isso! Sabe o que isso quer dizer? Que Isso é a sua Verdade! Eu não estou dizendo para você aprender a fazer isso. Estou dizendo para você assumir Isso! Desaprenda! Desaprenda o que você não é e fique com o que Você é! Desaprenda essa autoimagem, essas crenças que você tem sobre si. Fique nu, tire suas roupas, vá para o chuveiro, tome um banho de Compreensão, de Inteligência, de Verdade, de Amor Divino! Isso é Meditação!
*Transcrição de uma fala realizada em um encontro presencial na cidade de Graz, na Áustria, em 25 de Novembro de 2019 – – Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

Compartilhe com outros corações