GC: Olá, pessoal. Estamos aqui para mais um videocast. Novamente, o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje, eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado: "A Palavra do Mestre". Em um trecho desse livro, ele faz o seguinte comentário: "Pare de procurar por algum bem que o mundo lhe dê". Mestre, neste trecho, o Joel comenta sobre a busca. Dentro desse assunto, o Mestre pode compartilhar a sua visão sobre o que é a busca espiritual?
MG: Olha, Gilson, aqui, a velha ideia da busca é o equívoco. Seja a busca por algo material ou a busca por algo espiritual. E por que há um grande equívoco aqui? Porque já nos baseamos em um princípio inteiramente errôneo, em uma ideia de alguém presente, para encontrar algo. Qual é a verdade sobre este "eu", este "mim", este alguém? Quem é esse elemento que se prontifica a buscar? E por que ele busca?
Haveria alguma busca sem a presença da insatisfação? Você estaria buscando algo do qual não sente falta? A sua busca não consiste na falta daquilo que você busca, daquilo que você procura? Quando você não está com fome, por que buscar comida? Quando não há fome, não existe busca de comida. Quando não há sede, não existe a menor lembrança da água. Isso porque não há insatisfação.
É a presença da insatisfação a presença daquele que busca. Não há separação entre essa insatisfação e o "eu", a pessoa. Agora, nós temos que investigar isso. O que é essa insatisfação, que é o "eu"? Repare: não há separação entre a insatisfação e o insatisfeito. Não há separação entre esse "eu" e a insatisfação. Agora, o que é que esse insatisfeito, que é o "eu", pode buscar, se tudo que ele tem são ideias sobre o que necessita?
Aqui, quando tocamos nesse aspecto da Espiritualidade, ou daquilo que é Espiritual, nós, primeiro, antes de tudo, temos que descartar essa ideia daquilo que acreditamos ser espiritual. Aquilo que acreditamos ser espiritual está dentro da imagem que o pensamento está estabelecendo dentro de cada um de nós, nesta insatisfação. Portanto, nasce da insatisfação a ideia do que irá nos fazer satisfeitos, do que irá nos fazer felizes. Está dentro da insatisfação a imagem daquilo que é espiritual.
Portanto, estamos lidando com uma ilusão. Temos que descartar, por completo, essa ideia. Se, de fato, queremos descobrir se há alguma coisa além desse estado em que nos encontramos - de incompletude, de insatisfação -, nós temos que investigar a natureza do "eu", a natureza desta insatisfação, e não ir em busca de algo que o pensamento está imaginando, projetando.
É aqui que nós temos falhado. É aqui que estamos equivocados. Portanto, todo esse movimento de busca para esse que busca, todo esse movimento que nasce da insatisfação, é um movimento equivocado, errôneo. Não há um Real propósito, ou o propósito é ainda o propósito deste ego, deste "eu".
Sim, há uma Realidade presente, mas esta Realidade está além do pensamento, além deste "eu", além desta insatisfação. E nenhum movimento pode levar você a esta Realidade. Ela é algo que já está presente. E todo esse movimento do buscador é o movimento da insatisfação, movendo-se para mais projeções daquilo que ele imagina dentro do pensamento.
A grande Verdade deste encontro com o Espiritual consiste na revelação daquilo que é Espiritual, se revelando aqui e agora, quando não há mais ilusão. E a busca para esse buscador está dentro da ilusão. O projeto, a ideia, a imagem sobre a espiritualidade desse buscador estão dentro da ilusão. O que, de fato, nós precisamos na vida é da revelação daquilo que é realmente Espiritual.
No entanto, isso não irá se revelar para o "eu", para a pessoa, para o ego, para esse buscador, para este que está insatisfeito. Esta revelação se revela quando investigamos a natureza do "eu", a natureza desta insatisfação. Portanto, existem conceitos muito equivocados que envolvem essa procura ou busca pela real espiritualidade. Esses conceitos são doutrinas, ensinamentos, aprendizados que recebemos sobre aquilo que a espiritualidade significa. São construções do próprio pensamento, idealizações desta própria insatisfação do "eu", do ego.
É quando investigamos a natureza do pensador, desse buscador, desse insatisfeito, que há o descarte desta ilusão, que é o descarte da continuidade do pensador, do experimentador, do buscador. Então, sim, um espaço se revela. Nesse espaço se mostra aquilo que é realmente Espiritual. Não é algo que é espiritual para alguém se espiritualizar. É algo que aqui está presente, sendo a Realidade deste Ser que é Você em Sua Natureza Verdadeira. Isso é Real Espiritualidade. Não é a espiritualidade de alguém; é a Espiritualidade Divina, é a Verdade de Deus.
Portanto, toda essa ideia, toda essa crença, toda essa motivação, todo esse impulso que nasce desta condição interna - dor, conflito, contradição, medo, decepção - tudo isso que envolve essa frustração existencial, esse vazio, essa insatisfação. Investigar a natureza disso, ter a plena ciência de que todo e qualquer movimento deste "eu", desse ego, é ainda de maior afastamento desta Realidade.
É esta Visão, é esta Compreensão o fim desta busca, o fim desse buscador. Aquilo que é Real já está aqui quando a ilusão não está mais. E a ilusão não está mais presente quando a Realidade se mostra. E Ela se mostra quando há esta clareza. Portanto, a presença do Autoconhecimento torna possível esse espaço onde Nele se revela a Realidade deste Ser.
Então, não se trata de, pela busca, encontrar a espiritualidade; trata-se de constatar a Verdade d'Aquilo que é Divino, que está aqui e agora, quando não há mais a ilusão. É isso que estamos aqui com você, aprofundando a cada vídeo, a cada encontro que temos - encontros on-line e encontros presenciais.
GC: Mestre, nós temos uma pergunta de um inscrito aqui no canal que fez o seguinte comentário: "Eu baseei toda a minha vida em conquistas externas e agora sinto um vazio enorme, uma angústia que não passa. Por que essa busca por coisas no mundo gera tanto sofrimento?"
MG: Olha, Gilson, toda e qualquer procura nasce, como acabamos de colocar, de uma condição interna de incompletude, de carência, de falta, de insatisfação. E essa busca, como nasce desse estado, é apenas a projeção idealizada pelo pensamento do que irá lhe fazer feliz. Mas essa felicidade que o pensamento projeta, como nasce da insatisfação, ainda é parte do que o pensamento identifica e projeta. Portanto, não é Real.
Assim, toda essa procura ou busca projetada pelo pensamento em realizações externas é parte da frustração, é parte desse sofrimento. A verdade é que nada neste mundo irá lhe fazer feliz, porque tudo está dentro desse contexto de preenchimento temporário, de realização em afirmação de ideias criadas pelo próprio pensamento.
O pensamento é a base da insatisfação e tudo o que ele projeta está dentro dele. A Verdadeira Vida está fora do pensamento. Está além do pensamento. Além do pensamento, fora do pensamento, a Realidade da Vida é a Realidade de Ser. Em Ser não há incompletude, não há insatisfação, não há sofrimento. Nós desconhecemos a Realidade de Ser porque tudo que conhecemos está no vir a ser. É tudo que podemos saber, é tudo que podemos conhecer. Está dentro do modelo do conhecido, que é o modelo do pensamento.
O seu Real contato com o Ser, o seu Real contato com Deus, o seu Real contato com a Vida, é a Verdade da Felicidade se revelando aqui e agora, quando o pensamento não está, quando todo esse movimento externo de realização não tem mais a menor importância. No entanto, enquanto houver esse impulso, essa busca, pela inveja, pela ambição, pela comparação, observe que é exatamente assim que ocorre.
Você, como uma pessoa, se compara com outra que tem aquilo que você imagina que irá lhe fazer feliz. No entanto, ela, mesmo tendo aquilo, continua sendo infeliz. Mas você, em sua ideia, acredita que ela é mais feliz que você. Então, você se compara. E, por isso, você quer ter o que outros têm. Você quer ter o sucesso, a fama, a aceitação pública, as realizações materiais. Porque, dentro de você, essa ideia de "vir a ser", de "se tornar", requer a presença de ter coisas, de alcançar coisas.
Assim, nós estamos vivendo "neste ter" e "neste vir a ser", afastados completamente da simples Realidade da Vida, em Ser, em assumir a beleza de um contato com o momento, sem a ambição, sem a comparação, sem a inveja, porque estamos vivendo neste "eu", neste ego, e ele jamais será feliz. É da estrutura, é da natureza do pensamento, a insatisfação, a ânsia por mais, o desejo de se livrar e o desejo de obter. E é isso que sustenta essa pessoa, e é isso que sustenta este "eu", esta ideia de alguém presente. É isso que sustenta esse movimento de continuidade, de carência, de insuficiência.
Todo tipo de sofrimento psicológico está presente na mente, quando a mente é esse instrumento, o instrumento deste psicológico modelo de pensamento. É assim que estamos vivendo. É isso que compreendemos ou entendemos por vida. É a vida particular da pessoa. Portanto, quando você pergunta por que há tanta insatisfação, por que nada que possamos conseguir, realizar, obter, irá nos fazer felizes? A base aqui é muito simples. Nada disso irá lhe fazer feliz, porque nada disso é Real. É algo que está dentro do pensamento.
A Realidade, a Verdade, é a Felicidade. Isso não está dentro do pensamento; está além da mente. Além desta mente que tem todo esse padrão de comportamento, desta mente que, como um instrumento desta ilusória identidade, que é o "eu", que, por sua vez, está presente em razão do próprio movimento do pensamento. A presença desta mente é a presença desta confusão. A Realidade do seu Ser é a Realidade Divina, é a Realidade de Deus. Isso é Felicidade, isso é Amor.
Aquilo que é inalcançável pelo pensamento, indescritível dentro do contexto do conhecido, dentro do contexto de uma visão de mundo, de uma visão construída pelo intelecto, estabelecida por esta mente condicionada - tudo aquilo que está dentro desta limitação está dentro deste pensamento. Não é Real. É esse contato com a Vida, a Realização da Verdade, a ciência deste Ser. A presença do Amor, a Compreensão Divina. Isso é Você quando não há mais o "eu", quando uma nova mente está presente, um novo coração, um novo sentido de Ser, onde não há alguém neste sentir. Ok.
GC: Mestre, nós temos outra pergunta de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, qual o caminho para encontrar Deus em mim?"
MG: Quando você pergunta aqui, Gilson, qual é o caminho para encontrar Deus, e aqui você usa a expressão "em mim", vamos investigar isso? Primeiro, antes de tudo: o que é esse "mim"? Qual é a Realidade da Vida? Quando você fala em encontrar Deus, o que é que entendemos por Deus? O que é que entendemos por este "mim"? O que é que você chama de "eu", de pessoa, de "mim"? O que é que você chama de Deus? E o que é que se entende por encontro?
O encontro não é entre duas coisas? Ou entre duas pessoas? Ou uma pessoa indo para algum lugar, tendo um encontro com esse lugar? Mas o que é esse movimento? Onde é que ele está presente? Ele não está presente no espaço? Não é entre o ponto A e o ponto B que encontramos um espaço? Esse espaço não é o espaço que se determina para ser cruzado entre um ponto para o outro pelo tempo? Não é o tempo o elemento? Não é nesse movimento do ponto A para o ponto B que temos a presença do tempo?
Repare: não existe uma separação entre esse tempo e também esse espaço. A Realidade Divina é algo que está lá, no ponto B, para ser encontrada por você, que está no ponto A? Você quer encontrar Deus em você. O que é esse movimento de encontro? O que é a verdade deste "eu"? Ele é algo Real? Que está, de fato, no ponto A? Esta Realidade de Deus é algo que está no ponto B? Ou estamos lidando apenas com imagens que o pensamento está estabelecendo?
Mas, se pudermos descartar esses pensamentos, essa ideia de alguém para encontrar algo que ele procura ou busca, o que ocorre se investigarmos a natureza deste "eu"? Se você entra fundo em si mesmo, percebe, toma ciência de que esse "si mesmo", esse "eu", é um conjunto de ideias, de lembranças, de memórias. Quando você usa o seu nome e conta a sua história, é só o que você tem sobre si mesmo. Esse si mesmo, portanto, é o nome e a história. Mas qual é a Realidade sobre você? É o que estamos aqui investigando.
Repare: haverá realmente uma separação entre a Realidade daquilo que é você e a Verdade de Deus? Ou esse movimento é exatamente um movimento de afastamento? Eu me refiro a esse movimento de busca desse encontro. A ideia de um encontro pressupõe esta dualidade, esta separação. Ela é Real ou ela está estabelecida em um modelo de construção mental e, portanto, no próprio pensamento? Não é o pensamento que nos fala as coisas? Se não houvesse pensamento, o que você saberia?
Observe que o pensamento é o elemento que sabe, que conhece, que reconhece, que nomeia. É ele que cria a ideia de uma separação entre a Realidade de Deus para ser encontrada e alguém presente, que é você, para encontrar. Investigar a Natureza do "eu" requer a presença do Autoconhecimento. Isso lhe revela seu Natural Estado de Ser. Esse Natural Estado de Ser é Felicidade, é Amor, é Liberdade.
Não há uma separação real entre Você, em seu Ser, em sua Natureza Verdadeira, e a Verdade Divina. Portanto, não se trata de um encontro; se trata de uma percepção, de uma constatação. É a presença da Compreensão, a visão da Vida nesse olhar de Deus, nesse olhar de Ser. Não há alguém presente como sendo um elemento que tem uma história, que tem um nome, que se vê, na relação com o outro, com a Vida e com as situações, como um elemento que se separa.
A Realidade presente é uma Única Realidade. Nela, não existe tal coisa como o outro para "mim". Sim, nesse contexto, deste sonho de existência, tudo é visto a partir dos sentidos físicos como objetos separados, como percepções diferentes, como experiências diferentes. Mas não existe tal coisa como um experimentador real, como um percebedor real, como alguém presente. É a Totalidade da Vida, esta ciência de Ser. Não há qualquer separação que seja real. Assumir a Realidade do seu Ser é ter o Verdadeiro encontro com Deus. Esse encontro é a ciência de uma Comunhão. Esse Verdadeiro encontro é a ciência da constatação.
Aqui, a expressão "encontro" já não é mais usada nesse sentido, "entre duas coisas, entre duas pessoas, entre esta aproximação de um ponto para o outro, neste intervalo de espaço e tempo". É a ciência da Vida, a ciência de Ser, o Real encontro com Deus, a Realidade desta Comunhão com a Liberdade, com o Amor, com a Verdade. Ok.
GC: Gratidão, gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais este videocast.
E, para você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver essas Verdades, fica o convite para participar dos encontros intensivos que o Mestre Gualberto proporciona. São encontros que existem no formato on-line, presenciais e também retiros de vários dias.
Esses encontros são muito mais profundos do que esses vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo às nossas dúvidas. E, segundo - e muito mais impactante -, é que, por o Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, ele compartilha um campo de Presença à sua volta. E, nesses encontros, a gente acaba entrando de carona nesse campo de Presença do Mestre. E, pegando essa carona com o Mestre, de maneira espontânea, sem nenhum esforço, sem nenhuma prática, entramos no estado meditativo, silenciamos nossas mentes e podemos ter uma visão e uma compreensão real desses assuntos.
Então, fica o convite! No primeiro comentário fixado tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o "like" no vídeo e se inscreve no canal. E, Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.
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