Eu tenho para mim que a coisa mais importante aqui é a descoberta a respeito da Verdade sobre quem nós somos, e isso envolve uma compreensão real, direta da verdade sobre o pensamento, porque não existe um elemento mais íntimo de todos nós do que a presença do pensamento aqui, dentro de cada um de nós; ele é algo presente nesse movimento, que nós chamamos de "a mente", a "nossa mente".
Mas o que é a verdade sobre a mente? O que é a verdade sobre o pensamento? Qual é a verdade sobre mim? Qual é a verdade desse eu? É o que estamos, com você, aqui aprofundando, investigando.
Assim, a pergunta é: o que é o pensamento? Observe que o pensamento em você é a simples lembrança de coisas, de pessoas, de lugares, de situações. O seu nome é uma lembrança, a sua história é uma lembrança. A presença da sua história e do seu nome, que é uma lembrança, é a presença do pensamento.
Agora, a história é algo que aconteceu. O seu nome é uma lembrança que você tem em razão de um conhecimento que você traz. O que você traz, está trazendo do passado. O conhecimento vem do passado, a lembrança vem do passado, o pensamento vem do passado.
Assim, qual será a verdade sobre o pensamento? O pensamento é algo lincado à ideia do que já foi; é exatamente o que já foi, sendo lembrado aqui, recordado aqui. Então nós temos lincado a presença do pensamento à questão do tempo.
Agora, observem que coisa curiosa nós temos aqui: de que tempo nós estamos falando? Já que estamos falando de algo lembrado, recordado, de algo que aconteceu, esse algo aconteceu no tempo cronológico, e isso foi no passado. Assim, nós temos o tempo cronológico, onde as coisas acontecem. Então, coisas aconteceram, coisas estão acontecendo e coisas acontecerão. A lembrança dessas coisas é o resultado sempre do passado.
Você só tem lembrança porque tem o passado, mas esse passado, na lembrança, não existe. Não existe nenhum passado na lembrança. Na lembrança, o que nós temos é apenas uma representação do passado, não é o passado. Assim, olhem que coisa importante nós temos aqui para compreender, já que estamos investigando a verdade sobre nós mesmos, que estamos investigando a verdade de que o pensamento é algo muito íntimo em cada um de nós, e nós não sabemos lidar com ele.
É por isso que as pessoas perguntam: "Como lidar com os pensamentos?" Elas não sabem lidar com os pensamentos porque não compreendem o processo do pensamento nelas, como isso acontece, como isso se processa, como isso ocorre. Assim, é parte de uma visão sobre nós mesmos, é parte da visão do Autoconhecimento a compreensão do pensamento.
Assim, essa compreensão do pensamento requer que você compreenda, com clareza, que o tempo não é real - eu me refiro a esse tempo psicológico. Nós estamos lidando com a ilusão do tempo quando estamos lidando com a ideia, com a imaginação de uma entidade presente nesse instante, que é o "eu", o "mim", a " pessoa", vivendo no tempo.
A crença em nós - e essa crença é só mais um pensamento - é de que você, como "pessoa", é alguém que veio do passado, está presente nesse momento e caminhando para o futuro. Do ponto de vista psicológico, estamos lidando aqui com uma ilusão, que é a ilusão do tempo, porque não existe o tempo psicológico.
Não existe esse movimento de continuidade de uma "pessoa" presente, de uma entidade presente, que é esse "eu". Nós temos apenas a Vida acontecendo neste instante, a Vida acontecendo neste momento, e a forma como ela acontece é favorecendo instantes onde experiências estão surgindo a todo o momento.
O que tem dado formação a essa ilusão, que é a ilusão do "eu", é o contato com esse momento em uma desatenção para este instante. Quando não trazemos Atenção para este instante, ao passar por uma experiência, ela assume esse caráter de experiência para esse elemento, que é o experimentador. Esse elemento, que é o experimentador, é uma sugestão do pensamento.
O modelo do pensamento presente em nós é confuso, é desorientado, é desordenado, é problemático, gera conflitos, problemas de todos os tipos, porque ele está se processando de uma forma mecânica, inconsciente, porque, nesse instante, não existe Atenção, não existe Consciência Real sobre essas reações quando elas acontecem.
O seu contato com o momento presente é um contato de experimentar, mas quando o pensamento guarda, registra, faz isso na intenção de manter a continuidade da experiência no futuro. Assim, o pensamento estabelece a crença do amanhã psicológico, do futuro psicológico. É assim que ele tem funcionado em cada um de nós.
Nós estamos vivendo, psicologicamente, no passado ou no futuro. E este momento presente para esse modelo, que é o modelo do "eu", que é o modelo da pessoa, desse "mim", é de transformar esse momento, que é o momento de experiência, onde a presença do experimentar que está aqui - e é só o experimentar - numa experiência. Ele registra isso, isso começa a fazer parte da história desse "eu", da memória dessa pessoa, e essa pessoa está se movendo na vida dentro dessa ilusão, que é a ilusão passado, presente e futuro.
O que estamos colocando aqui para você é que a vida acontece neste momento, e nesse momento ela termina. A ideia de alguém tendo uma continuidade psicológica é a ilusão do tempo, porque não existe essa continuidade. O que temos presente é só a memória, a lembrança.
Lidar com a vida nesse instante como ela acontece, sem a ilusão de identificar a experiência para o experimentador, sem essa ilusão de registrar a experiência para manter a continuidade, é assumir a Verdade da Vida, sem o "eu", se o "ego". Isso requer a presença de um olhar para esse momento sem o passado.
Quando colocamos Atenção para as nossas reações neste instante, o passado, esse registro, perde relevância; e quando ele perde a relevância, o sentido do "eu", do "ego", desse "mim", perde a importância.
Assim, o que é esse "mim", esse "eu", esse "ego"? A presença desse ego, desse "eu", desse "mim" é todo esse conjunto de memórias, de lembranças, de recordações, algo presente quando o pensamento está presente. Quando o próprio pensamento sustenta a ideia de alguém presente nisso, de alguém em autoimportância nisso, em autovalorização nisso, surge a crença dessa continuidade. É isso que chamamos de "mim", de "eu";
Esse pensamento e sentimento de existir sendo alguém é algo que o pensamento está estabelecendo em cada um de nós. É o próprio pensamento que se separa e cria essa identidade, estabelece essa identidade. A vida como ela acontece neste instante é só a Vida. Nós precisamos da memória, nós precisamos do registro.
Em algumas áreas da nossa vida, desta vida, nós precisamos fazer uso do conhecimento e, portanto, da memória, que é pensamento. O seu endereço, por exemplo, o seu nome, por exemplo, isso é parte da memória, isso é parte do conhecimento, isso é parte da lembrança.
Então, nesse nível o pensamento se faz necessário, mas não precisamos é da ilusão de uma identidade presente nessa memória. E nós estamos conduzindo nossas vidas dentro desse quadro, dentro dessa forma, dentro dessa ilusão, a ilusão de alguém presente; esse alguém é esse sentimento de ser, é esse pensamento de ser, uma criação do pensamento, uma sugestão em nós implantada pelo pensamento.
Você tem sobre você uma ideia sobre quem você é. Nós estamos lidando aqui com uma abstração, isso porque você não é o seu nome, assim como você não é a sua história, mas a ideia que você faz sobre quem você é é uma imagem que o pensamento tem estabelecido como sendo você.
Assim, nós carregamos, nessa ilusão do tempo, a crença de que nós viemos do passado, estamos presentes nesse momento e caminhando para o futuro. Tudo isso faz parte do modelo do "eu", do "ego", que é a forma como o pensamento está se movendo, dentro de cada um de nós, nessa mente, nessa consciência.
Agora, vamos compreender aqui uma coisa muito interessante. Em um certo nível, o pensamento se faz necessário, o conhecimento se faz necessário e, portanto, a lembrança é importante; mas em um outro nível, o modelo do pensamento, da memória, da lembrança é algo completamente desnecessário, disfuncional e que está produzindo confusão, produzindo sofrimento, produzindo desordem em nossas vidas.
Assim, nós temos o pensamento prático, objetivo, que lida com os fatos. O seu nome, a história, o seu conhecimento profissional, o seu conhecimento técnico, tudo isso faz parte do pensamento, tudo isso faz parte da memória, tudo isso faz parte daquilo que são fatos em nossas vidas, que são registrados e tem o seu lugar. Mas existe uma qualidade de pensamento em você que é completamente equivocado, é o que eu tenho chamado de pensamento psicológico.
Por exemplo, você tem amigos; esses amigos são construções dentro de você e estabelecidas pelo pensamento. Quando você gosta de alguém, você não a conhece, mas tem a ilusão de conhecer. O que você gosta nele ou nela é o comportamento, é o modo de falar, é o jeito deles; algo neles é agradável e você gosta daquilo que está vendo neles.
Então, quando você diz que gosta de alguém, você está gostando dela como ela se mostra naquele momento, e você carrega a ilusão de que você a conhece porque ela se comporta daquela forma, porque ela é agradável daquele jeito. O que você tem dele ou dela é uma imagem estabelecida dentro de você, construída pelo pensamento, registrada pelo pensamento.
Essa qualidade de registro é a experiência desse experimentador, é o pensamento desse pensador, é a visão desse observador, que é esse "mim", que é esse "eu". Essa qualidade de pensamento é a qualidade de pensamento psicológico. Nós estamos lidando com a vida a partir dessa qualidade de pensamento.
Você não conhece ele porque você também não se conhece. Da mesma forma, você tem sobre si mesmo uma imagem. Você gosta de algumas coisas, mas não gosta de outras em si mesmo. Esse elemento nesse gostar e não gostar é a imagem que você tem construído sobre quem é você, assim como você tem construído uma imagem sobre quem é o outro.
A nossa vida psicológica está exatamente dentro desse movimento, que é o movimento da experiência para o experimentador, que é o movimento do pensamento para o pensador, daquilo que está sendo visto para aquele que vê. Esse gostar, esse não gostar se assenta nessa autoimagem, nesse quadro mental, nessa sugestão do pensamento. Esse modelo do "eu" está vivendo nessa psicológica condição de ideia de vida em continuidade, nesse padrão, nesse formato.
Podemos eliminar das nossas vidas o pensamento? Eu não me refiro a esse pensamento técnico, funcional, prático, que lida com fatos, eu me refiro a essa qualidade de pensamento que lida com abstrações, com crenças, com sugestões. Notem, sugestões temporárias do pensamento, porque você gosta dele ou dela enquanto ela lhe agrada, enquanto o que ela faz, diz, atende essas expectativas do seu "ego", dessa "pessoa", desse "mim".
A compreensão da verdade sobre si mesmo é o rompimento com essa autoimagem e, portanto, com toda e qualquer imagem que você tenha sobre o outro, assim como da vida, das experiências. Isso é o fim da ilusão, é o fim da ilusão do pensamento, é o fim da ilusão do tempo, é o fim desse tempo psicológico, desse modelo de ser alguém que vive em expectativas com relação a pessoas, a eventos, a situações.
Quando o tempo termina, o pensamento termina. Lidar com esse instante, livre do passado, da ilusão desse momento presente para esse "mim", e desse futuro para si mesmo, e desse futuro para ele. Assim, a Verdade da Revelação do seu Ser é a Ciência Real de como lidar com o pensamento. Isso requer a presença de como lidar com a experiência, com a percepção, com a sensação. Requer essa ciência dessa Atenção sobre este instante, sobre este momento.
É a presença dessa Atenção o fim para esse programa, para esse modelo, que é o modelo do pensamento psicológico, que é o modelo do pensamento que se move no tempo, que vive fazendo escolhas a partir dessa autoimagem. Nós não conhecemos a beleza desse encontro real com o outro, assim como com a vida, porque não compreendemos a Verdade sobre o Amor. Desconhecemos a Realidade do Amor porque estamos vivendo, psicologicamente, no tempo, nesse modelo do "eu", nesse modelo do "ego".
Quando o Amor está presente, não existe mais esse gostar ou não gostar. Há algo presente, que é a compreensão da vida como ela acontece, nessa relação com ele ou ela, nessa relação consigo mesmo, sem o sentido do "eu", temos o contato com a Vida Divina, com a Vida de Deus.
A Verdade sobre Você é a ciência do Amor, é a ciência da Inteligência, da Sabedoria, da Verdade desse contato com o momento, sem a presença desse experimentador, do contato com o momento, sem esse padrão de sustentação de imagens, de construções do pensamento, nesse formato de memória psicológica. São essas memórias que estão dando continuidade à ilusão dessa egoidentidade carregada de problemas, carregada de todas as formas de conflitos, desordem e confusão.
Aqui, juntos estamos investigando isso, como ter da vida uma aproximação livre desse tempo psicológico, desse ilusório tempo, que é o tempo do "eu", que é o tempo do "ego", que é o tempo da mente. O contato com a vida neste instante é um contato livre da separação. Não existe esse você e a vida, não existe esse "mim" e a vida, não há esse experimentador para essa experiência, que é a vida. A verdade sobre a Vida é a verdade do experimentar.
Podemos olhar para o momento presente sem o passado, sem esse modelo da autoimagem? Nesse olhar, não existe o observador. A Verdade sobre a Vida é a Verdade do olhar sem o observador, do perceber este instante sem o percebedor, do experimentar sem o experimentador, do contato com ele ou ela sem a imagem dele ou dela.
As pessoas vivem quarenta anos dentro de um relacionamento, tendo a ilusão que conhecem o outro. Se você não tem a ciência da Verdade sobre si mesmo, que é a Vida livre desse modelo de pensamento psicológico e, portanto, livre do próprio "eu", do próprio "ego", como você pode conhecer o outro? A compreensão da Vida é a compreensão de si mesmo. É aqui que está a compreensão do outro. Se há essa compreensão, temos a presença da Verdade, a presença de Deus, a presença do Amor.
A Real Vida é a Vida livre do ego, livre dessa autoimagem, livre dessa ilusão do tempo, livre desse tempo psicológico, livre desse modelo de pensamento psicológico. Assim, está presente a Vida como ela acontece, e parte desse Mistério, chamado Vida, está, naturalmente, a presença do pensamento, mas não do pensamento psicológico, não mais esse formato de mente egoica, de consciência do "eu".
Aqui, nesses encontros, nós estamos aprofundando isso com você. Nós temos dois dias juntos. São dois dias, de uma forma on-line, aqui, onde estamos juntos aprofundando esse assunto com você. Além desses encontros on-line, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite.