GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast, novamente o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado "A Realização da Unidade". Em um trecho desse livro, Mestre, o Joel faz o seguinte comentário: "O erro não está no externo, o poder não está no externo. Todo o poder está na voz mansa e delicada". Neste trecho o Joel comenta sobre esse Poder interior, sobre esse Poder Divino. Dentro desse assunto, o Mestre pode compartilhar a sua visão sobre o que é a Real Consciência?
MG: Gilson, por que nós usamos, aqui, expressões como "Real Consciência" e diferenciamos esta Real Consciência daquilo que entendemos por "consciência"? Primeiro, antes de tudo, vamos compreender aqui o que é que entendemos por "consciência". O que você entende por "consciência" é a presença dessa mente: da mente consciente e inconsciente. Nós temos um movimento interno ocorrendo em cada um de nós - é o movimento de sentimentos, de emoções, de pensamentos. Esse movimento é o que entendemos por "mente". Assim, essa mente carrega lembranças ocultas e lembranças mais recentes, e essas lembranças mais recentes estão operando a nível que nós chamamos de "consciente". Então, nós dividimos a mente em consciente e inconsciente, em consciência e inconsciência.
Portanto, aquilo que compreendemos por "consciência" é esse movimento da mente, mas todo esse movimento - observe isso em você - é um movimento que se processa a partir de um modelo de resposta que, na realidade, nós chamamos de "consciente" mas é de pura inconsciência. Observe que quando você tem pensamentos a ideia de alguém presente tendo pensamentos é um sinal clássico de que você não se dá conta de que não existe esse alguém; o que temos presente é somente pensamento. Porque não existe uma separação entre o pensamento e o pensador. Essa ideia de alguém tendo pensamentos é parte desta inconsciência, porque o que está presente é apenas um movimento de pensamentos. Suas respostas são respostas do pensamento.
Se, por exemplo, eu pergunto algo para você, a sua resposta nasce do pensamento. Não é de alguém tendo um pensamento, e sim do próprio pensamento, que é memória, lembrança, recordação. Não existe esse alguém, mas a crença comum é de alguém, de alguém tendo consciência da resposta. Esse alguém é o pensador. Examine isso com calma, aqui. Quando você me dá uma resposta e eu lhe pergunto: "Quem me respondeu?", você me diz: "Eu!". Mas o que é esse "eu"? Ele também não é pensamento? Ele não é um elemento presente que está se sustentando numa imagem que o pensamento está estabelecendo sobre quem você é? Portanto, isso é ainda pensamento. O "eu" que você diz ser você é só uma imagem - essa imagem é parte do pensamento. Assim, não existe uma separação entre essa imagem, esse "eu" e o pensamento.
Tudo isso se processa em você de uma forma inconsciente. Portanto, aquilo que nós chamamos de "consciência", que implica a presença dessa mente consciente e inconsciente, é a presença da inconsciência. É a presença dessa inconsciência aquilo que nós chamamos de "consciência pessoal", aquilo que nós chamamos de "minha consciência". Qual será a Verdade sobre você? Aqui temos a Verdade sobre o "eu", sobre a pessoa, sobre este "mim". Sim, isso é visto como sendo a Verdade sobre você, mas haverá uma Realidade sobre você, além desta imagem, além deste "eu", além desta consciência pessoal? Aqui estamos colocando para você: a resposta é que sim, há uma Realidade presente, a Realidade sobre você, além deste "você" que o pensamento tem estabelecido, além desta ideia, desta imagem, além desta pessoa. Esta é a Realidade Divina!
Portanto, o que é esta Real Consciência? É Aquilo que aqui está presente além do conhecido, além dessa consciência, além desse modelo do pensamento, que é a pessoa. A Realização da Verdade ou o Despertar da Consciência, desta Real Consciência, ou Iluminação, ou Visão de Deus - ou qualquer nome que você queira para isso - consiste nessa ciência d'Aquilo que aqui está presente, que não está dentro desse contexto do "eu", desse modelo do conhecido, desse padrão de consciência pessoal. O encontro com esta Realidade consiste na constatação da Realidade presente além do pensamento, além daquilo que esta consciência limitada pelo pensamento conhece e reconhece.
A boa notícia é que você nasceu para esta ciência, para a ciência da vida. A Realidade de Deus é a Liberdade de Ser - isso é Meditação. Isso é o resultado de uma profunda compreensão de nós mesmos, de uma direta e verdadeira compreensão da Verdade sobre este "mim", sobre esta pessoa! É nisso que estamos trabalhando. Os diversos vídeos que temos aqui no canal - na realidade são centenas - todos abordam a importância desta visão, desta percepção, desta compreensão, desta qualidade de escuta, da Verdade deste olhar - algo inteiramente diferente daquilo que nós conhecemos, porque estamos lidando com a ciência da vida como ela é neste momento.
Um cérebro novo, uma mente nova, um novo coração, uma percepção da realidade do momento sem o passado: isso requer a presença dessa Inteligência Divina, da Sabedoria de Deus, da Verdade da Revelação d'Aquilo que aqui é real sem essa mente, sem esta "consciência", sem esse padrão, sem esse velho modelo de sentir, agir, pensar, responder. Esse antigo modelo tem sua estrutura nesta consciência do "eu", que é a consciência comum.
Olhar para esta vida, assumir a realidade desse momento sem a ideia de alguém neste olhar é ficar ciente de que não há uma separação. Não existe esse que observa a vida, esse olhar é o olhar da vida na própria vida. Quando fica eliminada a ilusão da dualidade, da separação deste "eu" e o "não eu" - desse "eu" que observa aquilo que está sendo observado - quando isto é eliminado, algo se revela. Este Algo é inominável, indescritível, é a Verdade Divina, a Suprema Bem-Aventurança, a Verdadeira Felicidade. Olhar para isso que aqui está, sem "alguém" nesse olhar, é o que estamos propondo para você. O seu contato com o outro, o seu contato com ele ou ela, o seu contato com a vida, o seu contato com situações, sem "alguém", sem o "mim", sem o "eu", é o Despertar desta Real Consciência, é o florescer deste Natural Estado de Ser. Ok?
GC: Mestre, nós temos uma pergunta de uma inscrita aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Tenho um padrão de vitimismo muito forte. Como mudar isso?"
MG: Gilson, a velha ideia de mudar padrões a partir de uma base é um erro, é uma ilusão! É investigando a base, é investigando o padrão. A própria base para essa mudança é ainda parte desse padrão. Quando nós queremos sair da inveja, do ciúme, do medo, da raiva, a ideia de sair é a base, mas é uma base que se separa do próprio ciúme, da própria inveja ou medo - ou, aqui no caso, do vitimismo. Nós não percebemos que essa base para sair dessa condição é parte dessa condição.
Colocando de uma outra forma: nós sempre temos ideais; são ideias sobre o que fazer, sobre como fazer para se livrar. Portanto, essa resistência ou esta base é, ainda, parte desta condição. Nós estamos constantemente no ideal do "se tornar", do "alcançar", no ideal do "se livrar". Portanto, quando a inveja está, o medo está, a raiva está, o sofrimento está presente, nós colocamos uma ideia de como nos livrar daquilo, de como se livrar desta dada coisa. Esse ideal é o "vir-a-ser", o "alcançar", o "se tornar".
Assim, nós estamos sempre projetando o futuro a partir da condição em que nós nos encontramos neste momento. Esta projeção é uma projeção do pensamento. Nós estamos lidando com a ideia do futuro como se estivéssemos lidando com um propósito real, enquanto que, na verdade, estamos lidando apenas com uma imaginação da própria condição em que nós nos encontramos. Quando você se separa do medo, isso alimenta o medo, isso sustenta o medo. Toda e qualquer resistência ao medo é a continuidade do medo, é o fortalecimento da condição do medo. O propósito de se livrar, de se defender, de resistir ou lutar nasce do medo, assim como, nesse vitimismo do qual você quer se livrar, a ideia de alguém para se livrar é a ilusão de alguém que se separa do estado do vitimismo e tem um plano de como se defender, de como se proteger, de como alcançar vitória sobre o vitimismo.
Observe que aqui estamos tratando apenas de um único movimento, que é o movimento do pensamento. O pensamento cria o pensador para ter pensamentos sobre aquilo. Nesse estado de vitimismo, o pensamento cria esse que é "o vitimizado", para se proteger, para se defender, para se livrar. Aqui a pergunta é: como podemos nos aproximar desse estado, sem a ideia desse "eu", sem a ideia do "se livrar", do "resistir"? A resposta é básica: só há uma real aproximação desse estado quando fica claro que não existe tal coisa como "alguém" para se proteger, para se defender.
A presença do estado é a única realidade aqui, neste instante. Nesse vitimismo não há aquele que está vitimizado, para se livrar do vitimismo. Nesse vitimismo não existe qualquer pensamento que não esteja nascendo do próprio estado do vitimismo. Se isso fica claro, temos aqui a real forma de nos aproximarmos do estado. E quando isso fica claro, nenhum movimento se pode fazer, se torna necessário de ser feito, porque não existe esse vitimizado separado do vitimismo, e não existe essa ideia que esteja separada desse vitimizado.
Observe isso, abandone qualquer ideia de "alguém" para se livrar. Permita que esse estado seja visto, esclarecido, compreendido sem a ideia, sem o "eu". Se isso fica claro, isso se dissolve. A continuidade do medo requer "alguém", a continuidade do vitimismo requer "alguém", a continuidade da raiva requer alguém alimentando ideias, tirando conclusões, tentando se livrar ou justificar o estado.
O que estamos aqui colocando, para você, é que não existe tal coisa como esse estado separado deste alguém - é um único fenômeno, um único acontecimento. Podemos ter a vida, aqui e agora, livre de todo este modelo de sofrimento psíquico, psicológico? A resposta fica clara quando fica claro que não existe esse "eu" que se separa do estado. Quando não temos esse "eu" se separando do estado para se defender, para se livrar, para escapar, esse estado se dissolve.
A Realidade de Ser não comporta esse movimento psicológico de continuidade, de afirmação do "eu". Seu Natural Estado de Ser não carrega esse "eu" e o "não eu", essa vítima e o vitimismo, esse vitimado e esse estado de vitimismo; não carrega esse modelo de se livrar ou de alcançar. A Realidade aqui presente é Ser. Não é algo no tempo, não é algo que nasce do passado, não é algo que se projeta no futuro para alcançar ou se livrar; é algo inteiramente novo, diferente, desconhecido.
O que lhe aproxima desta Revelação é esse olhar, esse escutar, esse perceber aquilo que aqui está presente, sem se separar. A presença desta compreensão é o que temos chamado de Autoconhecimento. Conhecer suas reações é conhecer os seus medos, desejos, conflitos, seus estados internos de vitimismo ou de raiva, ou qualquer outro estado psicológico de sofrimento para este "eu". Ficar ciente disso é o fim para esta condição, é o fim para este quadro. Então, se revela Algo que está fora das palavras, que é você em seu Natural Estado de Ser. Ok?
GC: Mestre, nós temos outra pergunta, de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, as palavras e teorizações podem funcionar como pontes para Aquilo que é inominável?"
MG: Gilson, nenhuma palavra, nenhuma teorização, nenhum conceito, nenhuma ideia pode lhe aproximar da Realidade! A Realidade está além das palavras dos conceitos, das ideias e das teorias. A Realidade é aquilo que aqui está presente além do pensamento, portanto toda forma de aproximação nesse nível - a nível do pensamento - é a nível, ainda, de um intelecto condicionado. O condicionamento presente em nós é a memória, é a lembrança, suas recordações. Todo tipo de conhecimento, que é pensamento, é algo condicionado.
Assim, nós temos um cérebro condicionado, uma mente condicionada, um intelecto condicionado, e isso é, na realidade, o grande impedimento. Sair da mente para o Coração, sair dessa teorização para a vivência direta de um experimentar a vida como ela é, como ela acontece, isso requer esta sensibilidade, esta profunda vulnerabilidade à Vida. Então sim, isso lhe aproxima de um real contato com aquilo que aqui está presente. Nós vivemos constantemente fugindo desse contato porque, de fato, ele é doloroso. Tomar ciência de suas reações, tomar ciência de como a mente, em sua ambição, inveja, medo, ciúme, desejos, a mente em suas aflições, está ocorrendo - isso é doloroso. Mas é o contato com isso, quando nós não nos separamos, em razão dessa vulnerabilidade e sensibilidade, nesse instante podemos ir além do "eu", além do ego, além desta psicológica condição, para Algo desconhecido, inominável.
Portanto, a base para esta vivência da Realidade d'Aquilo que aqui você chama de "inominável", como nós temos colocado, é ir além daquilo que é conhecido, e isso requer um contato com a Verdade sobre este "mim", sobre este "eu". Portanto, é a presença sobre o Autoconhecimento, o contato real com a Meditação, que nos libera ou nos liberta dessa ilusão de alguém presente; de alguém presente que sofre, de alguém presente na ambição, no medo, no ciúme, e em todos esses diversos quadros, nesse modelo psicológico de condicionamento que nós trazemos. Mas não há como irmos além desse "eu" sem a plena ciência de como estamos funcionando, de como esta egoidentidade está se sustentando neste velho padrão, neste velho modelo de condicionamento social, de condicionamento de cultura.
Assim, quando as pessoas tentam praticar meditação para escapar desses estados, elas não compreenderam que a ciência do Autoconhecimento é a revelação desses estados. Então, sim, quando há uma ciência desta revelação, essa ilusão de alguém que se separa desses estados se dissolve e, naturalmente, os estados também. Então Aquilo que é indescritível, que está além das palavras, que é a Verdade deste Ser, se revela. Portanto, não há como pular etapas aqui; é fundamental esta compreensão, é essencial a visão da Verdade sobre si mesmo. Sem isso, não há real Meditação, sem isso é impossível esse encontro com a Realidade Divina. Não há uma separação real entre a Realidade deste Ser e a Verdade de Deus. No entanto, esse contato só se revela quando a ilusão termina.
Portanto, precisamos investigar a natureza desse "eu", desse "mim", de todo esse movimento psicológico deste "vir-a-ser", deste "tentar se livrar" - algo tão presente no "eu", no ego. Assim, a base para o Amor, para a Verdade, para a Sabedoria, requer a presença do Autoconhecimento. É a presença desse estudar, desse compreender, nesta vulnerabilidade, nesta sensibilidade, que lhe aproxima desse Natural Estado de Meditação, onde se revela a Suprema Felicidade, a Suprema Liberdade, a Verdade de Deus, Aquilo que é inominável, indescritível. Ok?
GC: Gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais este videocast. E, para você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver estas Verdades, fica o convite para participar dos encontros intensivos de final de semana que o Mestre Gualberto proporciona. São encontros que existem no formato on-line, presencial e também retiros de vários dias. Esses encontros são muito mais profundos e transformadores do que esses vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo, diretamente às nossas perguntas; e segundo e muito mais impactante é que, pelo Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, Ele compartilha um campo de Presença à sua volta - um campo de Energia, de Poder e Graça. E, nesses encontros, a gente acaba pegando uma carona nesse campo de Presença do Mestre. E, pegando essa carona, de maneira espontânea, sem nenhum esforço, sem nenhuma técnica, entramos no Estado Meditativo, silenciamos nossas mentes e podemos ter uma visão e uma compreensão real dos assuntos que são aqui tratados. Então, fica o convite: no primeiro comentário fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o like no vídeo, se inscreve no canal. E, Mestre, mais uma vez gratidão pelo videocast.