quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Aprender sobre o Autoconhecimento | Como encontrar Deus | Como encontrar a Felicidade | Jnana

Quando você vem e pergunta: "O que é jnana?" Jnana é a visão direta, é o conhecimento vivencial, divino. Essa é uma expressão em sânscrito para o conhecimento de Brahman, o conhecimento de Deus, o conhecimento da Verdade. É esse conhecimento presente na Liberação. Não é um conhecimento para a liberação, é a compreensão na Liberação, aquilo que na Índia, também, eles chamam de Moksha. Essa Liberação é a visão da jnana.

Na pergunta "como encontrar Deus", você não pode ter um conhecimento sobre Deus. Conhecer é Ser, a verdade do conhecimento está em Ser. Quando você conhece algo, existe alguém tendo o conhecimento. Se você conhece alguma coisa, aquilo que você conhece está dentro de um modelo de experiência para o experimentador, então nós temos o experimentador com o conhecimento que ele tem - o conhecimento que ele tem, a experiência guardada nele como memória, como lembranças.

A verdade da jnana, a verdade da Sabedoria não é um conhecimento assim. É um conhecer onde não há mais o conhecedor. Você não vai ter um conhecimento sobre Deus; a Realidade de Deus é a ciência deste Ser, que é Você. Portanto, o conhecedor de Deus é Deus. Deus é a Realidade em Sabedoria, em Compreensão Suprema. Então, estamos diante de Algo indescritível, inalcançável pelo pensamento. Essa é a única resposta real para a pergunta "como encontrar Deus?"

Eu digo isso porque as pessoas querem descobrir como encontrar Deus, mas pessoas não podem encontrar Deus. A ciência de Deus é a verdade de que não há pessoa presente para este encontro. Nós pensamos a partir de ideias, de crenças, conclusões no pensamento. Então, nessas conclusões, crenças, nessas ideias, o pensamento que temos é o pensamento de alguém pensando, de alguém sentindo, de alguém conhecendo. Essa é a ideia da pessoa; no entanto, não há pessoa. A Realidade da Vida é a Realidade de Deus.

Portanto, como encontrar Deus? Assumindo a Realidade da Vida, livre do "eu", livre da "pessoa". Portanto, você não vai ter um conhecimento de Deus; o conhecimento de Deus é a ciência deste Ser quando você, como pessoa, não está mais presente. Portanto, como podemos assumir esta Verdade onde esse conhecer e o conhecedor não se separam, onde não existe mais a dualidade entre o experimentador e a experiência, onde não temos mais a separação entre esse que olha e aquilo que está ali, nesse ver, onde há o experimentar, o perceber, o conhecer, sem o conhecedor, sem o observador, sem o "eu"? Isso requer a presença desse aprender sobre nós mesmos - é o que estamos enfatizando aqui.

Nós desconhecemos a Verdade deste Ser que nós somos, esta Verdade desta Realidade que trazemos. Veja, nós temos a verdade da pessoa que o pensamento nos diz, nos apresenta, nos mostra como sendo nós mesmos. Nós estamos nos identificando, nos confundindo com o modelo do pensamento; nesse modelo do pensamento, surgiu a pessoa.

O seu nome, a sua história, a sua memória é a pessoa que você descreve, que você fala sobre ela. Mas, repare: isso é algo que se assenta em memórias, em lembranças, em pensamentos. Mas qual é a Verdade deste Ser? Qual é a Verdade sobre Você sem a história, sem a memória, sem a lembrança? Assim, aprender sobre o Autoconhecimento é se deparar com a Realidade de Deus, aprender sobre o Autoconhecimento é descobrir o que é olhar para a vida como ela é, não como o pensamento diz que ela é.

Quando você olha para uma árvore, você pode olhar para a árvore ou você pode ter ideias sobre a árvore. Uma coisa é olhar para uma árvore, outra coisa é ser alguém vendo esta árvore - há uma diferença aqui. Em geral, quando olhamos para uma árvore a partir do conhecimento botânico que temos, ali nós temos o nome, temos a experiência do passado com aquela árvore. Então, nossas memórias e lembranças interferem. Nesse momento, nessa qualidade de olhar, existe alguém olhando. Quando você olha e é só o olhar, não tem alguém.

O nosso cérebro é muito rápido em classificar, nomear e trazer do passado a experiência nesta relação. É assim que nós estamos funcionando na vida o tempo todo, como alguém presente; esse alguém é o experimentador, é esse que traz do passado suas lembranças. Assim, nós estamos sempre em um contato com o momento presente a partir do passado, então há uma separação. Nesse olhar para esta árvore ou para ele ou ela, a partir do conhecimento que trazemos, há uma separação. Com essa mesma base, nós estamos tentando ter um encontro com a felicidade. Nós temos uma imagem do que é a felicidade e estamos procurando a felicidade.

"Como encontrar a felicidade?" - nós perguntamos. Assim nós perguntamos: "Como encontrar Deus?" Temos uma ideia sobre Deus e de alguém para ter esse encontro com Ele; esse alguém "sou eu". Aqui, descartar essa ilusão é descartar essa separação entre você, como o observador, e aquilo que está sendo observado. Nós descartamos por completo esta separação quando tiramos a cortina. Essa cortina que separa, que cria esta separação, é o modelo do pensamento. É o pensamento que tem o nome daquela árvore, é o pensamento que tem a imagem que eu faço daquela pessoa ou daquela dada situação. É a presença do pensamento, aqui, criando esta separação.

Podemos eliminar isso? Se pudermos eliminar isso da vida, essa particular vida da pessoa se dissolve. Essa é a proposta aqui, nesses encontros: tomar ciência da vida como ela é, como ela acontece quando o pensamento não está. Assim, olhar para essa árvore sem a separação, não existe mais o observador. Olhar para essa pessoa sem a separação, então não existe mais esse eu e ela. A Verdade da Vida se revelando, nela não existe mais esta separação. É apenas no pensamento que nos situamos na dualidade.

O que estamos sustentando na vida, nessa qualidade de mente que nós temos, é a dualidade. A dualidade é esse "eu" e o "não eu". "Eu", o observador, e aquilo que estou observando; "eu", o pensamento, e aquilo que eu estou pensando; "eu", o buscador, e Deus para ser encontrado; "eu" e a felicidade para ser encontrada. Quando nos deparamos com a Realidade Suprema, com a Realidade Divina, fica clara a inexistência do "eu". Quando nos aproximamos desse olhar, desse escutar, desse perceber, nos aproximamos desse real aprender sobre o Autoconhecimento.

O que nos dá a Revelação da Felicidade é o que nos dá a Revelação de Deus. E o que nos traz essa Revelação é a compreensão da verdade sobre esse "mim" - este "mim", que é constituído de imagens, memórias, lembranças; este "mim", que é constituído dessa mente que identificamos em nós como sendo essa "minha" consciência. Isso tudo se dissolve quando descobrimos como olhar, como escutar, como perceber nossas reações sem interferir com elas. Então, eliminamos essa separação, eliminamos esse elemento que sustenta a dualidade, que é a mente egoica, que é a mente pessoal.

Quando a mente pessoal, quando essa mente do "eu" desaparece, a Realidade como sendo a Vida se mostra, e nela o que está presente é o Supremo, é a Felicidade, é a Verdade deste Ser. O que nos mostra com clareza isso é a ciência da Meditação, quando fica claro que não existe nenhuma separação entre a vida e você, entre Deus e você. A Realidade da Meditação é a presença da Ciência da Vida, sem o "eu".

O nosso Natural Estado de Ser é de Ciência de Deus, é de Ciência da Vida, é de Ciência da Felicidade, mas não é a felicidade para alguém. Felicidade não é prazer, não é preenchimento, não é satisfação ou realização em sensações; tudo isso são estados que aparecem e desaparecem. Como é algo que ocorre no tempo, também desaparecem no tempo. Mas qual é a verdade sobre o tempo?

Aquilo que nós chamamos de tempo, o que de fato isso representa? Quando nós falamos de algo que aconteceu, isso não está aqui. Portanto, onde está a realidade do que aconteceu? Quando falamos de algo que irá acontecer, isso não está aqui. Portanto, onde está a realidade do que não aconteceu? Assim, nós estamos constantemente cultivando a ideia do tempo, e a ideia do tempo é uma imagem, uma abstração, uma ficção, uma imaginação estabelecida pelo pensamento. O que temos é a Vida como ela é, como ela acontece, é nela que está presente a Realidade Divina, a Realidade de Deus.

Assim, a expressão "encontrar" apontando para o futuro é mais uma abstração. Aqui se trata de um constatar, de um perceber, de um olhar para aquilo que aqui está presente, porque não existe tal coisa como o tempo. O pensamento construiu o tempo. Assim, é parte desse modelo psicológico dessa consciência pessoal sustentar essa identidade, que é o "eu", esse "mim", o ego, no tempo.

Nós sempre falamos de nós mesmos como alguém que fez ou que fará, que viu ou que irá ver. Nós estamos sempre usando toda essa terminologia, essa linguagem, esse modelo do pensamento para conferir a essa identidade uma existência temporal - é isso o que nós chamamos de consciência. Do que é que nós temos consciência? É do que nós nos lembramos, é do que nós imaginamos. No entanto, não existe nenhuma imaginação sem o pensamento, nenhum passado sem o pensamento, nenhum futuro sem o pensamento.

Portanto, a presença do pensamento é a presença do tempo. Quando colocamos a presença do tempo, colocamos a presença do pensamento e firmamos a presença de um elemento que se separa do pensamento, olhando para esse passado ou olhando para esse futuro. Portanto, estamos diante de um único jogo. A presença do "eu", que é o pensador, é o pensamento. A presença do pensamento é a presença do passado, da ideia do presente e do projeto do futuro. Portanto, a presença do pensamento é a presença do tempo.

Assim, o que é esse encontro com Deus? Como encontrar Deus? Assumindo a Realidade da Vida neste momento. Não há alguém para ter esse encontro; é um encontro que se revela onde não existe alguém para conhecer Deus, temos a ciência da Realidade. A ciência da Realidade é a verdade da Sabedoria, e a verdade da sabedoria é jnana - é por isso que na Índia eles chamam de jnani. Jnani é o conhecedor de Deus. Mas o conhecedor de Deus, que é o jnani, é a Realidade de Deus, é Aquilo que aqui está presente como sendo a verdade da Felicidade.

A natureza deste Ser é Consciência, Real Consciência, Divina Consciência, atemporal Consciência, é Felicidade. Não há qualquer separação entre Real Consciência e Felicidade, entre a Realidade de Deus e a Felicidade, e essa é a natureza deste Ser, que é Você quando não há mais essa ilusão da separação, quando não existe mais o observador, o experimentador, o pensador. Temos a presença da Vida como ela acontece, e nela está presente esta Bem-Aventurança, Aquilo que é indescritível, inalcançável pelo pensamento.

Assim, todas as ideias, conceitos e crenças sobre a felicidade, sobre Deus, sobre o que representa esta compreensão de si mesmo, não estão mais presentes. É a Realidade presente, e não qualquer conceito sobre isso, qualquer idéia sobre isso. É o que estamos, aqui trabalhando com você nesses encontros online que ocorrem nos finais de semana. Nós estamos sábado e domingo juntos, são dois dias de uma forma online. Além desses encontros, temos encontros presenciais e, também, retiros. Portanto, se isso é algo que faz algum sentido pra você, já fica aqui um convite para participar.

Fevereiro de 2026
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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Joel Goldsmith | Os Fundamentos do Misticismo | O que é a ação livre do ego? | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast. Novamente, o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje, eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado: "Os Fundamentos do Misticismo". Em um trecho desse livro, o Joel Goldsmith faz o seguinte comentário: "A vida espiritual é ceder ao Reino de Deus, ao próprio Reino de Deus. É uma renúncia aos desejos". Mestre, neste trecho, o Joel fala da renúncia aos desejos. Dentro desse assunto, o Mestre pode compartilhar a sua visão sobre o que é uma ação livre do ego?

MG: Gilson, a ação que nós conhecemos é a ação que nasce do passado, porque nasce do pensamento. Nós desconhecemos a ação que responde a este instante a partir da Inteligência. Nós temos uma ação que responde a partir de conceitos, de opiniões, de crenças, ideias, avaliações, a busca de resultados; tudo isso faz parte do modelo de uma ação egocêntrica, porque nasce desse fundo psicológico, de memória, de respostas reativas.

Aqui, juntos, estamos investigando uma qualidade de ação que não depende do pensamento; é a ação livre desse "eu", desse velho modelo de mente condicionada, de respostas programadas pelo pensamento. Nós temos uma maneira de responder sempre a partir do passado. Por exemplo: se eu pergunto o seu nome, você me diz o seu nome. É uma memória em você, é uma lembrança em você, é uma recordação em você; algo que nasce do pensamento e que vem do passado.

Então, essa qualidade de resposta é natural que seja assim. Então, nesse nível, o pensamento é algo funcional, prático, necessário. O seu endereço, conhecimento técnico especializado que você tem dentro de uma ocupação profissional... isso é parte dessa estrutura de conhecimento adquirido, de memória e lembranças. Sim, isso faz parte de um modelo de condicionamento, de algo que você aprendeu e que, de uma certa forma, é muito prático e útil.

Mas nós temos uma qualidade de ação que precisamos liberar isso, soltar isso. É a ação reativa do "eu", do ego. Quando, por exemplo, você me elogia, a minha resposta - porque esse "mim", esse "eu" aqui, se sente feliz no elogio - é gostar de você. Esse gostar nasce desse fundo, desse psicológico fundo de uma identidade presente. Essa identidade é algo estabelecido aqui como uma construção mental. Esse "mim" é a pessoa que "eu" acredito ser. Esse é o "eu", esse é o ego.

Essa qualidade de resposta é inadequada. Ela nasce em "mim" a partir de uma escolha. Essa escolha de gostar. Essa escolha é esse condicionamento. Eu gosto de você. É uma opção que "eu" tenho. Esse "eu" é uma ilusão. Essa escolha que nasce desse fundo é um condicionamento psicológico desnecessário. Porque, agora, "eu" gosto de você porque você me elogiou; mas, quando você me criticar ou me tratar mal, esse "mim" irá se sentir diferente.

Então, nós vivemos constantemente em uma dependência psicológica de condicionamento mental a partir desse "eu". Esse "eu", esse "mim", esse ego... com essa base, ele tem amigos e tem inimigos. Ele tem pessoas que ele gosta e tem pessoas que ele não gosta. Essa é a pessoa que "eu sou". Assim, as nossas ações são ações desse ego, ações egocêntricas.

Podemos eliminar esse "eu", esse ego, esse modelo psicológico de atuar na vida? É nisso que consiste aqui este trabalho. Nós estamos, com você, investigando a possibilidade de uma Vida livre do ego e, portanto, de uma ação que nasce do passado, de uma ação que nasce do pensamento, que nasce dessa estrutura de condicionamento psicológico. E como isso se torna possível? Isso se torna possível quando você se dá conta de que você, como uma pessoa, é uma ilusão, é uma estrutura falsa.

Quando você começa a se dar conta de que estados internos estão presentes em você, nessa estrutura psicológica - porque você não está ciente de como você funciona -, esta psicológica condição sofre uma mudança. E nós precisamos desta radical mudança interna para uma mente livre, para um cérebro livre do "eu", do ego.

Será possível uma Vida livre dessa necessidade de ser apreciado, de ser aceito, reconhecido? Será possível uma Vida livre dessa necessidade de se sentir especial, de parecer ser especial? Repare que essa condição carrega sempre o outro lado. Da mesma forma que você se sente bem, você se sente mal.

Os diversos estados psíquicos que temos são inúmeros: TDAH, ansiedade, medo, raiva, preocupações, inquietude de diversos tipos, essa mente tagarela, os pensamentos compulsivos... Os diversos estados, com diversos nomes, nessas diversas patologias de desordem emocional, psicológica, é algo presente nesse "eu", nesta qualidade de ação egocêntrica.

Ações tomadas fisicamente e ações internalizadas em atitudes, que estão causando internamente sofrimento para este "mim". Se livrar, nesta vida, desta qualidade psicológica de ser alguém, é ir além do medo, é ir além desta separação entre você e a Vida; entre você e Deus, naturalmente; entre você e o outro.

Nós estamos constantemente lidando com o outro a partir da imagem que o pensamento em nós estabeleceu sobre ele. Se ele é alguém que afaga, aplaude, reconhece, elogia essa pessoa que "eu" acredito ser, "eu" gosto dele. Mas, se ele é alguém que despreza, menospreza, rejeita, não concorda comigo, com aquilo que "eu" acredito, "eu" também o desprezo, não gosto dele e posso até odiá-lo.

É assim que o ser humano está vivendo há milênios: está vivendo uma vida egocêntrica, uma vida pessoal, uma vida centrada nesse sentido de uma identidade, que se separa do momento presente para ser especial, para se ver como o centro das experiências, para se ver como o centro dos seus encontros, o centro dos momentos que ele particulariza, que ele chama de vida para "mim", vida pessoal. Essa é a vida egocêntrica. Não existe tal coisa como essa vida. Apenas uma projeção do próprio pensamento, criando uma ilusória identidade em um tempo que o próprio pensamento tem estabelecido, como alguém que veio do passado, está aqui agora, está indo para o futuro.

Acompanhem com calma isso. A compreensão de nós mesmos é o olhar para as nossas reações. É isso que nos aproxima desta liberação, ou desta libertação, desta psicológica condição de condicionamento mental, de condicionamento egoico, de condicionamento psicológico. Nós não precisamos do ego, não precisamos do "eu".

A Vida, aqui, está acontecendo para você. Não na ideia de alguém para quem a vida está acontecendo, como nós acreditamos. A vida para você é a própria Vida. Ela não acontece "para você" como alguém. Essa é a ilusão: a ideia de que a vida acontece "para mim". Não! A Vida acontece aqui e agora, como sendo a Vida, você. Não há uma separação entre você e a Vida, porque não existe esse "para mim". Mas nós carregamos essa separação e, assim, estamos acreditando que é "para mim" que a vida acontece. Não! A Vida é o que ela é. E você é a Vida. Em seu Ser, a Vida acontece como Bem-Aventurança, como Felicidade, como Amor, quando o ego não está.

Então, há uma qualidade de ação sem o "eu", sem o ego, assim como uma qualidade de pensamento, de sentimento, de sensação, com relação a si mesmo e com relação ao outro; porque não há mais essa ideia desse "mim" para esse si mesmo, nem a ideia da "pessoa" nessa relação com o outro. Não há essa pessoa aqui, nem essa pessoa lá. O seu real encontro com a Vida é um encontro inclusivista; ele inclui tudo à sua volta, sem a ideia de alguém particularizando as experiências, particularizando as ações.

GC: Mestre, nós temos uma pergunta de um inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Como posso cultivar a atenção plena?"

MG: Gilson, essa Atenção Plena não é algo que se cultiva. Isso não é uma planta que você coloca lá no seu jardim e protege dos outros animais, fazendo uma cerquinha em volta dela e colocando água todos os dias e liberando sol para ela, deixando-a sem uma cobertura, ou colocando uma cobertura, se ela não pode ficar muito exposta ao sol.

Essa questão dessa Atenção sobre as nossas reações, essa Atenção Plena, não é como uma plantinha assim, que vai crescendo quando nós cultivamos. O nosso velho modelo de aproximação, em geral, é nessa linha. Nós acreditamos em algo que cresce, que evolui. Nós acreditamos em progresso. Aqui, a Realidade deste Ser está presente. Não é algo que irá crescer.

Assim, o contato com essa Atenção lhe revela a Vida como ela acontece aqui e agora. Você não é um elemento que irá crescer nessa Atenção. A presença desta ciência da Atenção revela esta Realidade de Ser que é Você, aqui e agora. Nós não precisamos de uma técnica, de um exercício ou prática. Não é como uma musculação em academia. Não é como um exercício de natação ou de corrida. Não é como o cultivo, como acabamos de colocar, de uma pequena planta ou tratar uma semente até que um dia ela se torne uma árvore. Não é isso!

A presença do olhar para o momento presente requer apenas o olhar. Você já traz em si mesmo esse olhar, mas você está perdido na ilusão de uma identidade olhando, que é o observador. Esse é o problema. O problema é a ilusão de uma identidade que se separa para observar. Aí, olha a partir do observador.

Quando o pensamento surgir, tome ciência dele, não faça nada, não interfira. Se ele é um pensamento agradável, apenas olhe. Se ele for desagradável, apenas olhe. Se ele trouxer uma sensação de dor, apenas olhe. Uma sensação de prazer, apenas olhe. Não interfira com isso. Quando você interfere, você coloca o observador. Quando você não interfere, fica só o olhar. Neste olhar, temos a presença dessa Plena Atenção.

Há algo presente nessa qualidade de olhar, nesta Plena Atenção, que liberta o cérebro desse condicionamento do observador, desse condicionamento que é o "eu", que é o ego. Isso é a presença da Atenção. É a presença dessa Plena Atenção que lhe permite um encontro com o momento presente sem esse fundo que é o "eu", o ego, o pensador, o experimentador, o observador. E assim, o cérebro sofre uma mudança, a mente silencia. Esse real espaço se abre e se revela nele Aquilo que está além do conhecido, além do passado, além do futuro, além da ideia do presente; Aquilo que é eterno, indescritível.

A presença do Autoconhecimento requer a presença desta Atenção. E nessa Atenção se revela o seu Natural Estado de Meditação. Não é alguém praticando a Meditação. É a Meditação sendo aprendida, realizada, quando não há mais o "eu". Assim, não se trata do meditador meditando; se trata da ciência da Meditação, com base no Autoconhecimento, nesta Atenção.

Portanto, aqui nós precisamos é desta disposição. Essa disposição é o interesse para olhar, sem interferir. Esse interesse não requer esforço. Não é como algo que você tem que fazer a partir de um esforço. Não é algo que você faz a partir de um método, de um sistema, de uma técnica - isso requer esforço: o esforço a partir de uma prática com um propósito, com um objetivo. Tudo isso implica a presença de um movimento ainda egocêntrico para resultados.

É importante que compreendamos isso aqui. Algumas pessoas usam a expressão "atenção plena" associada a uma técnica, com um objetivo ou propósito. Isso é algo ainda egocêntrico. A presença dessa Atenção é algo natural. Não existe um movimento de intenção, de volição, de querer. Não há propósito. A Vida não carrega essa proposta para você. Esse você é a ilusão. A Vida é o seu propósito. Isso está presente nesta Atenção. E essa Atenção não é alguém realizando isso, objetivando isso. Isso está presente nesse direto olhar.

Volto a dizer: tudo o que nós precisamos é de uma simples intenção de observar, de ficar cônscio das nossas reações, daquilo que se processa aqui e agora. Quando você fala, gesticula; quando um pensamento surge, um sentimento, uma sensação... olhar para este momento não requer esforço. É como quando você se encontra ali diante daquele pôr do sol, naquela tarde, ou pela manhã, naquela praia, enquanto o sol vai surgindo.

Durante o nascer do sol ou durante o pôr do sol, nesse olhar não existe o tempo, não existe o "eu", não há esforço, não há nada para se obter. A Vida é algo assim, aqui e agora. Quando há essa Atenção, se revela esse Natural Estado que é a Meditação, e nele se revela Aquilo que é eterno, indescritível, que é a presença da Verdade.

GC: Mestre, nós temos outra pergunta de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, mesmo vivendo na dualidade, podemos ter um olhar para este momento?"

MG: Olha, Gilson, aqui há uma confusão. Você diz: "Mesmo vivendo na dualidade". Veja: a Vida está aqui e agora. Essa dualidade é a ideia que o pensamento forma sobre a vida. O pensamento cria uma fôrma, coloca nesta fôrma a ideia da vida. Então, surge a dualidade, que é a separação entre esse "eu" e o "não eu". Mas, de fato, nós não estamos vivendo na dualidade; é o pensamento que está nesse modelo de dualidade. Portanto, se torne ciente do pensamento. Apenas fique cônscio de como ele se processa. E, neste instante, essa dualidade desaparece.

Descobrir como olhar para as nossas reações sem interferir com elas, assim como olhar para os pensamentos sem se envolver com eles, ou os sentimentos... isso destrói esta fôrma, esse formato de dualidade, porque o cérebro, a mente, assume uma outra condição, inteiramente nova; então, surge o silêncio neste cérebro, a mente se aquieta, e neste olhar, agora, aqui, surge Aquilo que está além da dualidade.

É por isso que é fundamental, Gilson, a presença da Meditação. A presença desse encontro com esta Arte de Ser. O único propósito, o único objetivo, aquilo que aqui estamos trabalhando - como aquilo que temos de maior importância para as nossas vidas - é a compreensão da verdade sobre nós mesmos, sobre como a mente acontece, como ela funciona. Isso lhe dá a visão da Vida sem o "eu", sem o ego. Essa é a visão da não dualidade.

Portanto, essa ideia de que estamos vivendo na dualidade é a ilusão do próprio pensamento se posicionando, falando de uma separação que ele está estabelecendo. Não existe tal coisa como essa dualidade. É a afirmação de um observador se separando; de um pensador se separando; de um experimentador se separando; de alguém que está, como experimentador, separado da experiência; de alguém presente como um observador separado daquilo que ele está vendo; de alguém que se vê como pensador tendo pensamentos. Solte isso!

Apenas tome ciência das reações, e Algo novo irá surgir. Algo fora do conhecido irá assumir esse espaço. Esse espaço está presente quando não existe esse "eu", quando não existe esse modelo de condicionamento; e ele se dissolve quando é visto. No entanto, ele se sustenta quando ele não é visto.

Portanto, a questão da dualidade e a não dualidade... o que sustenta essa dualidade é a desatenção. Tome ciência de suas reações. Fique cônscio de como a mente funciona, e haverá um rompimento para essa condição. Uma vez que isso é algo presente nesta fôrma ou formato de condicionamento psicológico, de inconsciência, de continuidade em desatenção.

Por que temos enfatizado a Beleza desse encontro com o momento? Porque esse é o momento da Revelação. Você não vai até Deus. Deus é Aquilo que vem e se revela, descartando essa ilusão desse "mim". E tudo que se faz necessário é colocarmos, neste momento, a intenção de observar, de ficar cônscio das nossas reações.

Então, a Presença desta Graça, a Presença desta Verdade, vem e assume esse espaço. Essa é a Liberdade, a Felicidade, o Amor, a Paz; Aquilo que é indescritível, inalcançável pelo pensamento, agora, aqui, neste momento, está se revelando. Portanto, esse é o nosso trabalho, esse é o nosso propósito; essa deve ser, naturalmente, a sua disposição para olhar, para observar. Os encontros que nós temos online, presenciais, têm este propósito.

GC: Gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais esse videocast. E pra você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver essas Verdades, fica o convite para participar dos encontros intensivos de final de semana que o Mestre Gualberto proporciona. Os encontros existem no formato online. Existem também encontros presenciais e retiros.

Esses encontros são muito mais profundos do que esses vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo as nossas perguntas. E segundo, e muito mais impactante, é que, por o Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, ele compartilha um Campo de Presença à sua volta, um Campo de Energia, de Poder e Graça. E nesses encontros, a gente acaba pegando uma carona nesse Campo de Presença do Mestre.

E, pegando essa carona com o Mestre, de maneira espontânea, sem nenhum esforço, sem nenhuma prática, entramos no estado meditativo, silenciamos nossas mentes e podemos ter uma compreensão real dos assuntos que são aqui tratados. Então, fica o convite!

No primeiro comentário fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o like no vídeo e se inscreve no canal. E, Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.

Novembro de 2025
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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Como encontrar Deus? Meditação: o que é? Aprender sobre Autoconhecimento. A prática da meditação.

Aqui, ao meu ver, é fundamental essa compreensão, ver essa possibilidade. Me refiro à possibilidade desta mente livre do "eu" - esse sentido do "eu" presente, desse "mim", dessa "pessoa" aqui. Na realidade, estamos lidando com uma sugestão do pensamento. Portanto, será possível, neste momento, deixarmos de projetar, de desejar, de experimentar a partir desse "eu"?

Observe que as nossas experiências, todas as experiências desse "eu", termina que representam uma completa confusão, desordem, uma completa negação desse encontro real com a vida como de fato ela é. No entanto, nós chamamos isso de ação verdadeira, ação real; é isso que nós consideramos a ação positiva da nossa parte, que é exatamente a ação da pessoa, desse "mim".

Aqui, na vida, descobrir a verdade sobre isso é se desfazer de todo esse processo, o que significa se livrar desta condição. Podemos nos livrar desse "eu", desse "mim"? Podemos nos livrar desse modelo de ação que nós consideramos como uma ação verdadeira, como uma ação real, para uma nova ação? Uma ação que agora não nasce mais do modelo do conhecido e, portanto, do pensamento, e que está em linha com a vida como ela acontece. Ao meu ver, essa é a ação livre de problemas.

No entanto, isso requer esse atingir esse "eu", esse centro, esse ego, essa "pessoa". Ao tocar nisso, podemos ir além disso. Então precisamos atingir esse "eu", tomar ciência do seu movimento. Ao meu ver, essa é a verdadeira presença da Meditação. O que é Meditação? A Meditação é ir até essa raiz e se livrar dela. É a presença desse aprender sobre nós mesmos, esse aprender sobre o Autoconhecimento que nos aproxima disso.

Portanto, não se trata da prática da meditação. A prática da meditação é ainda a projeção desse "eu" dentro de um propósito. Quando você se assenta para meditar, lá está a pessoa na prática da meditação. Isso não é Real Meditação. Não importa a técnica ou método que você empregue, lá estará você ainda se projetando em uma técnica ou prática. A presença da Meditação é a investigação da natureza do "eu".

A verdadeira Meditação, a Real Meditação - eu tenho chamado de Real Meditação prática - é diferente da prática da meditação. A Real Meditação prática é ir até essa raiz, é tocar nesse "eu" tomando ciência de seu próprio movimento. Isso revela que o movimento do "eu" é o movimento do ego, é o movimento desse autocentramento, a presença da mente se movimentando entre o passado e o futuro para "mim".

Atingir a raiz do "eu" é compreender todo esse processo, que é exatamente o que determina essa dissolução: a dissolução do ego, a dissolução desse sentido do "eu", a dissolução desse sentido de separação. Nós temos tentado isso através de práticas e técnicas místicas, esotéricas ou religiosas. Alguns têm nos oferecido isso, na tentativa de mudarmos, alterarmos essa condição desse "eu".

O pensamento presente ainda é na ideia de uma entidade aqui, então nós falamos desse "eu inferior" ou desse "eu superior", sair desse "eu humano" para esse "eu divino", mas ainda é a ideia de uma entidade presente separada da própria vida, separada da própria realidade presente aqui e agora, porque estamos dentro de um projeto, de um movimento de alcançar, de se tornar.

Um trabalho direto, real, de compreensão da verdade sobre nós mesmos, nesse aprender sobre nós mesmos, nesse aprender sobre o Autoconhecimento, consiste nesse olhar para aquilo que aqui está presente. Quando esse olhar não interfere, quando esse perceber não coloca uma identidade se projetando neste vir a ser, nesse se tornar, temos resposta para a pergunta "o que é meditação", porque se revela aquilo que aqui está presente quando esse passado, que é o "eu", o ego, perdeu a importância.

Então, olhar para o pensamento, para o sentimento, para a sensação, sem colocar uma entidade presente; olhar para os seus gestos, palavras, o seu tom de voz, olhar para aquilo que ocorre externamente e internamente sem colocar uma entidade para julgar, gostar, não gostar, fazer comparações - é apenas olhar, é apenas perceber -, isso lhe aproxima de um real encontro com algo fora do "eu", fora do ego, fora da mente.

A nossa pergunta, a pergunta que todo ser humano faz é se existe, sim, essa possibilidade de ter esse encontro com a Verdade Divina, se realmente isso é real. Se é assim, onde está esse encontro? Como encontrar Deus? Como podemos ter um encontro com Deus? O seu encontro com Deus não é o encontro da pessoa que você é, que você acredita ser, com aquilo que o pensamento em você imagina ser Deus. O seu verdadeiro encontro com Deus consiste na Revelação da Verdade sobre você.

Olhar diretamente para o movimento do pensamento, do sentimento, da sensação, tomar ciência de todo e qualquer movimento interno aí dentro, em sua mente, isso elimina esse modelo condicionado de sentir e pensar sobre si mesmo, sobre a vida, sobre o outro. Então se revela, sim, esse encontro. Você se depara com Aquilo que é Você em sua Natureza Essencial, em sua Natureza Divina.

Portanto, o seu real encontro com Deus é o encontro com a Verdade de si mesmo. Primeiro você se depara com a verdade sobre a pessoa, e isso se desfaz neste instante; é quando se revela a Realidade do seu Ser. Portanto, nós temos a verdade sobre a pessoa e temos a Realidade deste Ser, esse é o encontro com Deus.

A presença do Autoconhecimento é a visão de algo além do "eu". Não há qualquer separação entre a verdade deste aprender sobre nós mesmos e a presença da Meditação de uma forma real, aqui e agora, na prática. O descarte da ideia de alguém, desse "mim", dessa "pessoa", é algo inteiramente diferente dessa pessoa na prática da meditação.

Esta pessoa na prática da meditação é a projeção desse ideal, desse estado de meditação para "mim", para o "eu", enquanto que, na realidade, a presença da Meditação é esse estado livre do "eu". Você não pratica isso, você não se envolve em uma técnica ou prática.

O movimento na prática, para aquele que pratica, é o movimento apreendido, guardado no conhecimento, na memória, ainda do "eu", desse "eu" no exercício, desse "eu" na prática, enquanto que a verdade da Meditação é exatamente a anulação desse "eu", o fim da continuidade do meditador, do praticante, do buscador.

Quando há na mente esse espaço, quando há no coração esse espaço, a presença da compreensão, a lucidez e a clareza da visão estão presentes, se mostram presentes, e assim nos deparamos com aquilo que aqui é essa Realidade. É que o seu modo particular de olhar para a vida é sempre a partir desse fundo de memória, de recordações, de lembranças, é sempre a partir do modelo do pensamento, que vive reconhecendo experiências para esse experimentador. É isso que tem lhe impedido de olhar para o instante sem o passado, de olhar para o instante sem esse "eu", que é o pensador, que é o experimentador.

A Verdade sobre a Realidade de Deus, desse encontro com Ele, reside nesse perceber a vida sem esse fundo, sem esse padrão de condicionamento. Não há uma separação que seja real, como o pensamento está produzindo em nós como uma sugestão, como uma crença - isso não é real. Não há uma separação real entre a Realidade deste Ser, a Verdade da Vida, e a Presença de Deus. Nesta clareza do Autoconhecimento, há esta visão da Meditação.

O seu Natural Estado de Ser é Amor, é Liberdade, é Felicidade. Aquilo que as pessoas chamam de "a prática da meditação" é algo que dá a elas o resultado da prática; o resultado da prática é aquilo que o pensamento projeta, e o que o pensamento projeta como paz, ele alcança, ou experiência que ele tem, ainda está dentro do conhecido.

A presença da Meditação não é uma ação voluntariosa, consciente, de alguém. Quando a presença da Meditação está, não existe a consciência como nós conhecemos, a mente como nós conhecemos. Esse espaço novo é algo fora do conhecido. A Realidade deste Ser é Real Consciência para esta mente livre desse fundo psicológico. Assim, o que aqui nós chamamos de mente ou consciência é algo diferente do que nós conhecemos.

A pergunta é: como podemos nos aproximar disso? Só há uma forma real desta aproximação: é olhar para este instante, apenas olhar para este instante, escutar esse momento, simplesmente escutar esse momento. Como a vida acontece externamente, com seus eventos e acontecimentos, incidentes e acidentes, como a vida acontece internamente quando um pensamento surge ou um sentimento ou uma sensação, olhar para a vida como ela acontece, sem rejeitar, sem fazer avaliações, sem fazer comparações, sem colocar um elemento presente que julga, que aprova ou reprova a vida como ela é, essa é a forma.

Assim, a presença desse aprender sobre o Autoconhecimento consiste nessa Atenção desse olhar para esse instante, sem esse sensor, sem esse que faz escolhas, que toma decisões do tipo: "eu quero" ou "eu não quero". Assim, anulamos o sentido desse "eu" que se projeta. Insatisfeito com o que a vida é, ele se projeta naquilo que ele deseja ser, deseja obter ou deseja se livrar. Todo esse infortúnio de ser alguém, toda essa infelicidade de se sustentar na vida se separando dela como uma pessoa é algo presente em todos nós em razão da ignorância.

Nós não fomos educados, ensinados para olhar para nós mesmos, para tomar ciência de que não é a vida com problema e, sim, esse sentido desse "eu" com todo esse fundo de memória, de condicionamento, é ele o elemento, é ele o problema, é ele a continuidade dessa história, dessa memória, desse passado. Portanto, essa autodescoberta, essa revelação, é a Verdade deste encontro com Deus.

Assim, como encontrar Deus? Consiste nesse esvaziamento completo de todo esse velho conteúdo, que é o conteúdo do "eu". A verdadeira Vida Divina, a Real Vida Religiosa é a visão do momento, é a visão da Realidade daquilo que aqui está presente; esse olhar é o olhar livre dessa mente que está fora do conhecido, que está fora do tempo. Você nasceu para, nesta vida, viver essa Presença, esta percepção de Realidade, esta qualidade de Inteligência, de compreensão deste momento.

Portanto, é isso que aqui, juntos, estamos trabalhando com você nos finais de semana. Nós temos dois dias de uma forma online: sábado e domingo. É uma oportunidade de estarmos juntos olhando para tudo isso, trabalhando diretamente isso. Além desses encontros online que temos nos finais de semana, nós temos encontros presenciais e, também, retiros. Então, se isso é algo que faz algum sentido pra você, já fica aqui um convite.

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terça-feira, 22 de setembro de 2026

Tempo psicológico | Como encontrar Deus? | Meditação: o que é? | Aprender sobre Autoconhecimento

É de fundamental importância estudarmos isso aqui com você, essa questão do tempo psicológico. Observe que o modelo do pensamento em você se move entre o que foi e o que será. Observe que o pensamento em você não se ocupa com o que está aqui, ele se ocupa com a leitura do que está aqui com base no que foi ou com base no que será. O que foi é a imaginação do que ocorreu; o que será é a imaginação do que irá acontecer, poderá acontecer, ou não.

A base, o fundamento é a presença do pensamento, a presença do passado e do futuro. Nós usamos a expressão "presente" para aquilo que aqui está, mas a nossa inclinação maior é sempre transformar isso que aqui está em algo com base em uma referência do que foi e do que será. Assim, a nossa grande ocupação mental, nessa consciência do "eu", que é a presença da pessoa, desse "mim" que "eu sou", é a ocupação desse tempo. Esse é o movimento do tempo psicológico.

E por que chamamos de tempo psicológico? Porque é algo que envolve o modelo psíquico de ser alguém. Quando temos a presença desse alguém, desse ser alguém, temos a presença do passado, do presente e do futuro. Você como alguém, como uma pessoa, está sempre ou no passado ou no futuro. Não há nada aqui, nesse instante, para a pessoa. Observe sua ocupação interna; essa ocupação é o movimento do pensamento.

Assim, o movimento do pensamento estabelece a presença do tempo. Nós não temos a presença do futuro nem do passado sem a presença do pensamento. Sem a presença do pensamento, nós não temos o tempo; e sem o tempo, nós temos a pessoa. Reparem como é fundamental isso, ter essa direta visão, esse perceber direto de que não existe tal coisa como uma pessoa.

A nossa crença, a nossa certeza é de que estamos aqui. Mas aqui exatamente onde, já que esse tempo é algo que o pensamento está produzindo entre o passado e o futuro? Portanto, a própria ideia do presente, onde esse "aqui" está acontecendo para esse "eu", é uma crença, é uma imaginação, é uma sugestão do próprio pensamento.

Portanto, a base, a estrutura, exatamente onde se assenta essa pessoa, é algo inteiramente falso. Não existe tal coisa como alguém aqui, como uma pessoa presente. Nós temos apenas a vida acontecendo. Veja, isso aqui não é uma conclusão intelectual, é uma direta observação dos fatos, daquilo que aqui está presente se mostrando exatamente como isso é. Precisamos de uma mente quieta, de um cérebro silencioso para esta percepção.

É por isso que, na vida, aquilo que temos de maior importância consiste na ciência que revela Deus, porque Deus é a única Realidade presente; uma Realidade presente além da ideia de passado, presente e futuro. A única Realidade, que é a própria Vida, é a Realidade Divina. E a ciência que revela Isso é a presença desse aprender sobre o Autoconhecimento; isso revela a você, diretamente, a Realidade deste Ser que Você é, que é Deus.

Quando há esse aprender sobre o Autoconhecimento, o que requer esse olhar para o momento sem o pensamento e, portanto, sem o tempo, porque não existe mais o passado nem o futuro, nos deparamos com a resposta para a pergunta "O que é Meditação?" Assim, a Meditação, o que é? A Meditação é aquilo que aqui está presente revelando a Verdade do momento como a única Realidade que se revela aqui, naquilo que está fora do tempo, fora do pensamento, e isso, naturalmente, está fora do conhecido.

Assim, o que é Meditação? A Meditação, o que ela é? Ela é a presença desta compreensão do momento, que é atemporal, que está fora do tempo. Esse é o nosso verdadeiro encontro com Deus. Para a pergunta "Como encontrar Deus?", aqui está a resposta: nesta ciência de Ser, que é Meditação. Quando o pensamento não está, o "eu" não está, o tempo não está, o que está presente é a Verdade Divina.

Aqui, a boa notícia é que essa é a Verdade sobre Você. Tomar ciência, na vida, de que essa particular vida não é real - essa vida particular da pessoa é a presença da imaginação que o pensamento estabeleceu -, tomar ciência de que podemos viver a vida sem essa qualidade de mente, que é a mente condicionada, é de fato uma boa notícia.

A mente em seu Estado Natural - não a mente nesse comum estado geral, nesse contexto de condicionamento de consciência humana, de consciência egoica -, é Silêncio, é Liberdade, é Quietude. Assim, há um espaço presente; nesse espaço está a Vida. Observe que o ser humano vem há milênios em busca ou na procura de Deus, mas é o Deus que o pensamento estabeleceu em sua crença, o Deus que está longe, distante, o Deus ensinado pelas religiões organizadas.

Assim, existe essa pessoa, que "eu sou", para ter um encontro com Deus lá, no futuro. Mais uma vez, temos a presença do tempo, a ideia do tempo, a crença no tempo. Reparem: a Verdade não pode estar dentro do tempo. A Realidade Divina não pode fazer parte do tempo, Ela estaria limitada ao tempo. Aquilo que é Real - Deus, o Supremo -, Aquilo que é a Verdade é o Desconhecido. Por natureza, por estrutura, precisa ser algo além do conhecido e, naturalmente, indescritível e atemporal.

A nossa descoberta, a nossa constatação é a constatação que revela a Verdade deste Ser. Não é alguém tendo esta constatação, é a Verdade sendo assumida. Você não vai até a Realidade, a Realidade vem e se revela a Você. Se revela a você não como se revela para alguém; a Revelação da Verdade para Você é a Revelação de que Você em seu Ser, não nessa mente, que é a mente egoica, não nessa mente dentro daquilo que o pensamento conhece e reconhece em cada um de nós, não nessa mente envolvida com o tempo que o pensamento tem estabelecido, que é a noção de passado, presente e futuro. A Revelação da Verdade não é para a pessoa, não é para a mente.

Todo e qualquer movimento é o movimento do pensamento, é o movimento da própria mente. Assim, a mente precisa desse silêncio, desse espaço; ela precisa dessa quietude. Quando ela não se move, porque ficou claro que todo e qualquer movimento é o movimento ainda do tempo, porque é o movimento do pensamento, aqui se revela esta compreensão da Verdade deste Ser.

Portanto, o que é esse Aprender sobre o Autoconhecimento? É essa qualidade de olhar, de escutar, de perceber sem o movimento do pensamento, portanto, sem o movimento do passado. Observar as nossas reações, ficar ciente da inveja, do ciúme, do medo, da raiva, das preocupações, de todo e qualquer estado psicológico interno surgindo, ficar ciente disso sem se envolver, apenas constatar, observar, escutar, perceber, sem interferir com isso, nesse instante o cérebro se aquieta, a mente, de fato, silencia e essa condição psicológica se dissolve.

É quando se revela, nesse espaço, algo novo, que é a presença da Bem-aventurança, da Felicidade, da Liberdade, da ausência do sofrimento, porque não há mais o sofredor, ausência do conflito, porque não há mais alguém em conflito. Isso é ausência do medo, da inveja, do ciúme, dessa ilusão de possuir, de controlar; isso é fim da ilusão de uma identidade presente se estabelecendo aqui porque veio do passado, se estabelecendo aqui e indo para o futuro para obter coisas.

O seu Real encontro com a Vida é o encontro com Deus. Você não precisa do que o pensamento estabeleceu nessa mente condicionada, dessa ideia do que você, como alguém, precisa. Esse alguém, essa mente condicionada, esse pensamento é um único movimento ilusório de ser, arrogante de ser, que se move nesse movimento do tempo psicológico.

Perceber diretamente essas reações sem interferir, escutar diretamente aquilo que se passa dentro de você, e também externamente, sem se envolver com isso, termina com o tempo, termina com o "eu", põe fim ao ego. Portanto, a Beleza desta Realização consiste na compreensão de que não existe alguém - alguém para o movimento, alguém para a prática da meditação.

Reparem, em nenhum momento falamos aqui de alguém praticando meditação. Não existe tal coisa como a Meditação, de uma forma real, dentro de uma prática. A Real Meditação é a ciência do momento de uma forma prática, vivencial. Momento a momento, não sustentar a continuidade do passado, não alimentar uma identidade que olha para o futuro a partir do pensamento, é a presença da Meditação na prática.

Não se trata de uma prática de meditação para alguém realizar e obter algum resultado. A presença da Vida é a presença de Deus, é a Verdade de Ser. Aqui eu me refiro à Vida, não àquilo que o pensamento, a partir de comparações e avaliações, tem qualquer leitura. A vida para o "eu", para o "ego", nesse movimento do tempo psicológico, é feita de leituras, de escolhas, predileções, gostar, não gostar, querer, não querer. Há essa sustentação da ideia do que deveria ser, do que poderia ter sido ou de como será.

A base sempre é o vir a ser, não é este Ser, aquilo que aqui está presente além do tempo, enquanto que a Verdade aqui está presente além do tempo. A ilusão se sustenta no pensamento do que deveria ser, do que poderia ter sido ou do que será. Vamos acompanhar com calma isso, investigar e olhar de perto. Todos esses encontros que temos aqui é para esta investigação, é para esta descoberta, é para esta constatação.

Então, quando a mente está livre, quando não há mais esse movimento entre o que foi e o que será, quando é eliminado esse tempo psicológico, a ideia de uma identidade não está mais. Então, lidar com o instante sem alguém presente é a presença de uma Inteligência neste cérebro, nesta mente.

Esta qualidade de mente está além da mente como nós conhecemos. Em alguns momentos eu chamo isso de não mente. Esta qualidade de Consciência agora presente eu tenho chamado de Real Consciência, mas, na verdade, é algo além da Consciência, desta Consciência: é algo Indescritível, a presença da Verdade, a presença desse Ser, a presença de Deus.

Não existe tal coisa como uma separação, não existe tal dualidade entre Você e a Vida, entre Você e o outro, entre Você e Deus. É o pensamento que estabelece, a partir desse senso de pessoa, a partir desse "mim", desse "eu", desse que surge como aquele que compara, julga, aceita, rejeita, gosta e não gosta; é a presença da pessoa, desse "mim", do "eu", do ego, esse centro ilusório que olha a partir de toda essa leitura do pensamento, que tem sua base no tempo, nesse padrão de tempo psicológico.

A sua verdadeira Revelação é a Revelação d'Aquilo que é Você quando o sentido do "eu" não está. Assim, não se trata de um movimento para alcançar, mas de um olhar direto para perceber aquilo que está presente aqui e agora; e o que está presente aqui e agora transcende toda essa noção de aqui e agora.

É o que estamos aqui trabalhando com você nesses encontros. Nós temos dois dias de uma forma on-line: sábado e domingo. Além desses encontros on-line que nós temos nos finais de semana, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite.

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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

A Vida Contemplativa | O observador e a coisa observada | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal. Estamos aqui para mais um videocast. Novamente, o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje, eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado: "A Vida Contemplativa". Em um trecho deste livro, o Joel Goldsmith faz o seguinte comentário: "Sempre, nossa salvação está nessa capacidade de despersonalizar, de viver espiritualmente em vez de pessoalmente". Neste trecho, Mestre, o Joel fala sobre essa capacidade de despersonalizar. Dentro desses assuntos, o Senhor pode compartilhar a Sua visão sobre o observador e a coisa observada?

MG: A resposta para essa pergunta requer um olhar, um direto ver ou perceber a nós mesmos como nós estamos funcionando. A não ser que você diretamente tome ciência de como a sua mente está funcionando, continuaremos presos dentro de um programa, de uma forma de observar, sem a ciência do que isso representa.

Nós temos um modo de olhar a partir de alguém que olha. A nossa crença, a velha crença que temos, é que, no olhar, há alguém olhando: existe alguém olhando. Nós acreditamos piamente que estamos presentes sendo alguém que olha, alguém que observa, alguém que interage, alguém que sente, alguém que pensa, alguém que fala. A nossa crença é a crença na separação entre o observador e a coisa observada, entre o pensador tendo seus pensamentos e o experimentador vivendo suas experiências.

Aqui, por exemplo, nós temos alguém falando e alguém ouvindo. Nós temos o som e a escuta. Observe que isso é muito razoável do ponto de vista de uma visão superficial; mas, olhando diretamente, dentro de uma ótica de realidade, toda experiência nunca se separa daquele que experimenta. Ou não seria uma experiência. Você não pode me falar de uma experiência que você não viveu.

Assim, é a presença da experiência e de alguém. Esta é a separação. Mas qual é a realidade da experiência? A realidade da experiência não é esta separação. A realidade da experiência consiste em um experimentar. Você não pode separar aquele que está na experiência da experiência que ele está tendo. Estas duas coisas, na realidade, são uma única coisa. É a presença do experimentar.

Assim, dentro da perspectiva da realidade, a vida acontece assim: dentro de um experimentar. Não existe alguém que se separa da vida. A Vida é um experimentar onde não existe esse "eu" e o "não eu"; onde não existe esse experimentador e a experiência; onde não existe esse observador e aquilo que ele observa. Isso aparece quando o pensamento surge contando o que viveu. Quando você me fala de algo que você viu, você está me falando de uma experiência passada, de uma memória, de uma lembrança, de uma recordação. Essa fala nasce do pensamento.

O pensamento, em nós, é o elemento que cria esta separação, que cria esta divisão entre o observador e a coisa observada, o experimentador e a experiência, porque o que temos presente é somente a experiência. E a experiência está no experimentar. Não se pode falar de uma experiência sem o experimentar. A nossa ênfase constante consiste nesta visão teimosa que temos de alguém que está presente sendo o experimentador, sendo o pensador, sendo o observador.

A Verdade de um contato real com a Vida é um contato no experimentar, no observar, no perceber, no escutar, no sentir, mas não há alguém presente nisso. A não ser que o pensamento surja para contar algo que viveu; ou seja, falar de uma experiência que o pensamento registrou, que ele experimentou.

Observe, Gilson, que é fundamental essa compreensão, porque isso liberta você da ilusão de que a vida está separada de você. De que o outro está separado de você; de que um pensamento, ao surgir em seu cérebro, é algo separado de você; de que um sentimento, ao surgir no corpo, é algo separado de você; e de que existe essa separação entre você e essa experiência. O que temos presente é o experimentar de um sentimento, de uma emoção, de um pensamento, de uma percepção, de uma observação. Mas não existe o "eu", não existe o ego.

E por que isso se torna fundamental? Isso é essencial, fundamental, porque isso liberta, solta a ideia de alguém presente, separado do momento, separado do que está aqui, neste instante, se revelando. Seja uma lembrança, um sentimento, uma sensação, uma percepção, uma observação. O contato com a Vida é em Amor, em Paz, em Liberdade. Mas desconhecemos a Verdade sobre o Amor, a Paz e a Liberdade quando estamos vivendo esta separação.

Quando, como alguém, como uma entidade que se separa do momento presente, olhamos para aquilo que aqui está se revelando a partir desse observador. Ao fazermos isso, nós gostamos de algumas coisas e não gostamos de outras. Nós não sabemos lidar com a vida como ela acontece porque estamos olhando para a vida a partir do observador, naturalmente, fazendo escolhas. E isso sustenta, nesta separação, o conflito, o sofrimento, esse gostar e não gostar, querer e não querer.

Nós não sabemos entrar em um contato direto com o momento presente, seja ele de prazer ou de dor. Assim, ficamos escravos da interpretação que o pensamento dá a esse momento. Ele faz isso em razão da ideia que ele cria desse pensador. Portanto: para a experiência, o experimentador; para o pensamento, o pensador; para uma emoção, aquele que sente; para uma percepção, aquele que percebe. E assim estamos constantemente vivendo esta ilusão: a ilusão da separação.

É isso que, aqui no canal, temos chamado de dualidade. Nós temos que investigar a verdade sobre a não dualidade, a visão da Advaita, da não separação. A Realidade da Vida é não dual. A Verdade é não dual. Não podemos ter um contato com a Verdade, um contato com a Realidade, a partir do pensamento. É o pensamento o elemento básico da mente como nós a conhecemos, da mente que estamos vivendo.

Aqui, juntos, investigar isso é fundamental para irmos além da mente, além do pensamento. E, assim, o contato com o instante revela a qualidade de experimentar a Vida como ela acontece, sem alguém envolvido nisso. Seu Natural Estado de Realidade, de Verdade, é este Estado de Ser; Nele, está presente aquilo que Deus é, aquilo que o Amor representa, que a Liberdade significa. Portanto, uma mente livre do pensamento é uma qualidade de perceber, de olhar, de sentir, sem o "eu", sem o ego, sem essa ilusão da separação.

Os diversos conflitos que nós temos estão presentes em razão desta dualidade. Será possível uma vida livre do medo, do ressentimento, da mágoa, do rancor, da dor, da solidão? Será possível uma vida livre da ansiedade, depressão, angústia? O seu Natural Estado de Ser, não dual, é a Realidade Divina, é o contato com aquilo que está fora do ego, fora do "eu". Essa é a presença de um observar, de um perceber, de um sentir direto, sem o pensamento e, portanto, sem o passado.

GC: Mestre, nós temos uma pergunta de uma inscrita aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Eu sofro muito com críticas e me sinto fracassada. Como me livrar dessa autoimagem?"

MG: Então, Gilson, a presença desta autoimagem é a presença deste observador, deste pensador. É a vida daquele que está no experimentar. Veja, nós temos o experimentar, mas não temos alguém para esse experimentar. Esse alguém para experimentar é o experimentador. Se livrar dessa autoimagem é ter a compreensão direta, é ter uma visão próxima, íntima, de todo esse processo, que é o processo do pensamento. Perceber que o pensamento é o elemento que, quando chega, se aproxima a partir da memória, a partir do passado. Toda referência nele, toda referência dele, são registros de recordações.

Nós precisamos constatar isso diretamente: que nós estamos tendo dessa pessoa uma lembrança; não é ela que está aqui, e sim a memória, a recordação do que nós vivemos com ela, do que nós passamos com ela. É a recordação, é a memória. Precisamos ter ciência disso. Quando você fica ciente de que esse ressentimento, essa mágoa, essa tristeza, a presença dessa dor que você tem quando está diante dessa ou daquela pessoa, é apenas uma recordação dentro de você sobre ele ou ela.

É fundamental um contato direto com esse momento de experimentar, sem se separar disso. Quando você se separa, é que você cria essa autoimagem. Assim, nessa autoimagem, existe a ilusão de alguém - que é você - e o outro, que lhe causa dor, que lhe causa mágoa, que está criando esse estado de ressentimento, de tristeza, de pesar. Uma Atenção direta sobre esta reação elimina esta separação entre você e ele, ou você e ela. Se não temos esta separação, não temos mais a autoimagem.

Esse é o contato direto com o experimentar desse estado. Então, ele se dissolve. Agora, neste instante, você não está mais alimentando a ilusão da separação, a ilusão dessa autoimagem, dessa egoidentidade. E, quando você não alimenta mais isso, em razão desta Atenção, deste observar, deste perceber, deste sentir diretamente isso, isso termina.

Gilson, é fundamental essa visão nova, esse perceber inédito, esta clareza única. A visão deste momento, neste contato com o outro, sem a autoimagem, é quando, neste contato - porque não há mais esta separação -, temos a presença da comunhão. Uma vida sem inimigos é também uma vida sem amigos. Uma vida sem amores é uma vida sem desamores. Uma vida sem amizades e inimizades entre pessoas que "eu gosto" e pessoas que "eu não gosto".

O nosso real contato com o momento é o contato com a vida como ela aparece, como ela surge. É que, em geral, nós estamos, por muito tempo, cultivando a ilusão de uma identidade presente, que é a pessoa que nós somos. Estamos vivendo dentro de um padrão de especialismo. É como se toda experiência presente fosse para "mim". Eu me vejo como o centro dos acontecimentos.

Assim, os acontecimentos todos devem girar em torno daquilo que "eu" quero ou não, daquilo que "eu" gosto ou não, daquilo que "eu" aceito ou não. Então, "eu" vivo em minhas escolhas, desejos, predileções, aceitações e rejeições. É o padrão de um comportamento psicológico em "mim", que me posiciona na vida como um elemento que é o centro dos acontecimentos. Assim, o nosso padrão de comportamento é de uma mente condicionada, de um cérebro preso a esse padrão de referência.

A referência é a pessoa que "eu" sou, é aquilo que "eu" prefiro sentir, "eu" prefiro perceber, "eu" prefiro escolher. Esse é o condicionamento. Soltar isso é ir além do ego, é ir além desse centro que se separa, para o contato com a vida sem o "eu", sem o ego. Isso lhe confere uma Real Liberdade: de um cérebro livre, de uma mente livre, de um coração livre, para um contato com o momento presente, em um direto experimentar de cada instante, sem o passado.

O seu real encontro com a Verdade, o seu real encontro com a Liberdade é o encontro com o Divino, é o encontro com este Ser, é o que estamos aqui trabalhando com você: uma Vida livre do "eu", livre do ego, livre desta autoimagem.

GC: Mestre, nós temos outra pergunta de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, é na atenção plena que podemos descondicionar nossa mente?"

MG: Gilson, a presença de um olhar para este instante. é aqui que está a resposta. O olhar para este instante requer uma Atenção sobre aquilo que aqui surge. Esta Atenção elimina esse elemento que se separa para fazer escolhas, para julgar o momento presente, para comparar o que está aqui surgindo com algo que ele viu no passado. Assim, eliminamos a ilusão de uma identidade presente quando colocamos Atenção sobre as nossas reações. Portanto, a presença desta Atenção Plena, desta Atenção sem escolha, desta Atenção sem o passado, elimina o elemento que surge do passado.

O elemento que surge do passado é a presença da memória nesta forma de recordação, que é o pensamento. É a presença do pensamento que coloca o pensador. Esse que surge como um censor, que aprova, desaprova, aceita, rejeita, gosta, não gosta. Torna-se fundamental, Gilson, na vida, a compreensão de nós mesmos, a compreensão de todo esse movimento do pensamento, que dá estrutura a esse pensador, que é o "eu".

O seu real contato com o instante é a eliminação da continuidade do passado. O nosso velho modelo, o nosso habitual modelo de contato com o momento, é a partir das lembranças. Num certo nível, o reconhecimento, o uso da memória - ou seja, de recordações - é fundamental; mas, em outro nível, é algo completamente problemático, que está produzindo todo tipo de situações, de complicações, de desordem e sofrimento.

O meu contato, por exemplo, com você, não é real quando o que "eu" tenho sobre você é algo além do nome e da lembrança do seu rosto. Quando "eu" trago para este encontro as lembranças agradáveis e desagradáveis que "eu" vivi com você, essas lembranças se assentam aqui, neste "eu", neste "mim". É a presença do pensamento que sustenta esse jogo de separação entre esse "mim", esse "eu", e você. Nessa separação, está estabelecido o conflito. Eu não estou num contato direto com você neste instante; eu estou num contato com a memória que "eu" tenho sobre você. Isso nos separa, nos divide.

Nós estamos nesse jogo já durante toda a nossa vida. Todas as pessoas que você conhece, você não tem apenas o nome e o rosto, a direta e simples lembrança delas; você tem uma imagem sobre elas, uma ideia, uma construção mental, um modelo de gostar ou não delas. Na verdade, nesse gostar ou não gostar, está presente esta projeção, que é a projeção do seu próprio "eu", do seu próprio ego dentro dessas relações.

Observem as implicações disso. Nós nunca entramos num contato direto com ele ou ela. Nós sempre estamos, nesse contato, numa separação. Porque não é um contato real; é um contato entre imagens. As pessoas são imagens. Podemos ter uma vida livre de imagens para o contato com ele ou ela, sem o passado? Sem o passado dele ou dela, sem a ideia, aqui, de quem ele ou ela é. Repare: estamos diante de uma ilusão, de uma construção do pensamento. A eliminação do modelo psicológico de ser alguém, de ser este "eu", esta pessoa aqui. isso põe fim à ilusão da pessoa lá.

O nosso real contato com a vida não é com pessoas, não é com imagens estabelecidas em nós pelo pensamento. Nosso real contato com a vida é o contato com a totalidade da Vida, como ela é. Isso inclui eles, elas. Inclui o outro. Então, essa imagem que nós chamamos de pessoa precisa desaparecer. O que temos na vida são seres humanos: ele ou ela, o marido, a esposa, os filhos.

A ideia de alguém presente a partir das representações que "eu" tenho é algo inteiramente falso. Se assenta nesta base ilusória, que é este próprio "eu" aqui. Não existe esse "eu" aqui. Esta é a grande revelação da Vida quando não há mais a ilusão. Quando o seu Natural Estado de Ser floresce, o outro, a Vida, os acontecimentos. tudo é esta única Realidade presente, a presença da Verdade.

Portanto, uma Vida em Amor requer a compreensão dele ou dela, o descarte da ilusão sobre ele ou ela. No entanto, isso começa aqui, neste Autoconhecimento, nesse descarte da ilusão do próprio "eu", do próprio ego. É o que estamos aqui, juntos, aprofundando para a compreensão.

GC: Gratidão, gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais esse videocast. E, pra você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver essas Verdades, fica o convite para participar dos encontros intensivos de final de semana que o Mestre Gualberto proporciona.

Esses encontros são muito mais profundos do que esses vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo as nossas dúvidas. E segundo - e muito mais impactante - é que, pelo Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, Ele compartilha um campo de Presença à sua volta, um campo de Poder, de Energia e Graça.

E, nesses encontros, a gente acaba pegando uma carona nesse campo de Presença do Mestre. E, pegando essa carona com o Mestre, de maneira natural, sem nenhum esforço, sem prática e sem técnica, entramos no Estado Meditativo, silenciamos nossas mentes e podemos ter uma Compreensão Real dos assuntos que são tratados aqui no canal.

Então, fica o convite! No primeiro comentário fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o "like" no vídeo, se inscreve no canal e, Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.

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