GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast. Novamente, o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje, eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado: "Os Fundamentos do Misticismo". Em um trecho desse livro, o Joel Goldsmith faz o seguinte comentário: "A vida espiritual é ceder ao Reino de Deus, ao próprio Reino de Deus. É uma renúncia aos desejos". Mestre, neste trecho, o Joel fala da renúncia aos desejos. Dentro desse assunto, o Mestre pode compartilhar a sua visão sobre o que é uma ação livre do ego?
MG: Gilson, a ação que nós conhecemos é a ação que nasce do passado, porque nasce do pensamento. Nós desconhecemos a ação que responde a este instante a partir da Inteligência. Nós temos uma ação que responde a partir de conceitos, de opiniões, de crenças, ideias, avaliações, a busca de resultados; tudo isso faz parte do modelo de uma ação egocêntrica, porque nasce desse fundo psicológico, de memória, de respostas reativas.
Aqui, juntos, estamos investigando uma qualidade de ação que não depende do pensamento; é a ação livre desse "eu", desse velho modelo de mente condicionada, de respostas programadas pelo pensamento. Nós temos uma maneira de responder sempre a partir do passado. Por exemplo: se eu pergunto o seu nome, você me diz o seu nome. É uma memória em você, é uma lembrança em você, é uma recordação em você; algo que nasce do pensamento e que vem do passado.
Então, essa qualidade de resposta é natural que seja assim. Então, nesse nível, o pensamento é algo funcional, prático, necessário. O seu endereço, conhecimento técnico especializado que você tem dentro de uma ocupação profissional... isso é parte dessa estrutura de conhecimento adquirido, de memória e lembranças. Sim, isso faz parte de um modelo de condicionamento, de algo que você aprendeu e que, de uma certa forma, é muito prático e útil.
Mas nós temos uma qualidade de ação que precisamos liberar isso, soltar isso. É a ação reativa do "eu", do ego. Quando, por exemplo, você me elogia, a minha resposta - porque esse "mim", esse "eu" aqui, se sente feliz no elogio - é gostar de você. Esse gostar nasce desse fundo, desse psicológico fundo de uma identidade presente. Essa identidade é algo estabelecido aqui como uma construção mental. Esse "mim" é a pessoa que "eu" acredito ser. Esse é o "eu", esse é o ego.
Essa qualidade de resposta é inadequada. Ela nasce em "mim" a partir de uma escolha. Essa escolha de gostar. Essa escolha é esse condicionamento. Eu gosto de você. É uma opção que "eu" tenho. Esse "eu" é uma ilusão. Essa escolha que nasce desse fundo é um condicionamento psicológico desnecessário. Porque, agora, "eu" gosto de você porque você me elogiou; mas, quando você me criticar ou me tratar mal, esse "mim" irá se sentir diferente.
Então, nós vivemos constantemente em uma dependência psicológica de condicionamento mental a partir desse "eu". Esse "eu", esse "mim", esse ego... com essa base, ele tem amigos e tem inimigos. Ele tem pessoas que ele gosta e tem pessoas que ele não gosta. Essa é a pessoa que "eu sou". Assim, as nossas ações são ações desse ego, ações egocêntricas.
Podemos eliminar esse "eu", esse ego, esse modelo psicológico de atuar na vida? É nisso que consiste aqui este trabalho. Nós estamos, com você, investigando a possibilidade de uma Vida livre do ego e, portanto, de uma ação que nasce do passado, de uma ação que nasce do pensamento, que nasce dessa estrutura de condicionamento psicológico. E como isso se torna possível? Isso se torna possível quando você se dá conta de que você, como uma pessoa, é uma ilusão, é uma estrutura falsa.
Quando você começa a se dar conta de que estados internos estão presentes em você, nessa estrutura psicológica - porque você não está ciente de como você funciona -, esta psicológica condição sofre uma mudança. E nós precisamos desta radical mudança interna para uma mente livre, para um cérebro livre do "eu", do ego.
Será possível uma Vida livre dessa necessidade de ser apreciado, de ser aceito, reconhecido? Será possível uma Vida livre dessa necessidade de se sentir especial, de parecer ser especial? Repare que essa condição carrega sempre o outro lado. Da mesma forma que você se sente bem, você se sente mal.
Os diversos estados psíquicos que temos são inúmeros: TDAH, ansiedade, medo, raiva, preocupações, inquietude de diversos tipos, essa mente tagarela, os pensamentos compulsivos... Os diversos estados, com diversos nomes, nessas diversas patologias de desordem emocional, psicológica, é algo presente nesse "eu", nesta qualidade de ação egocêntrica.
Ações tomadas fisicamente e ações internalizadas em atitudes, que estão causando internamente sofrimento para este "mim". Se livrar, nesta vida, desta qualidade psicológica de ser alguém, é ir além do medo, é ir além desta separação entre você e a Vida; entre você e Deus, naturalmente; entre você e o outro.
Nós estamos constantemente lidando com o outro a partir da imagem que o pensamento em nós estabeleceu sobre ele. Se ele é alguém que afaga, aplaude, reconhece, elogia essa pessoa que "eu" acredito ser, "eu" gosto dele. Mas, se ele é alguém que despreza, menospreza, rejeita, não concorda comigo, com aquilo que "eu" acredito, "eu" também o desprezo, não gosto dele e posso até odiá-lo.
É assim que o ser humano está vivendo há milênios: está vivendo uma vida egocêntrica, uma vida pessoal, uma vida centrada nesse sentido de uma identidade, que se separa do momento presente para ser especial, para se ver como o centro das experiências, para se ver como o centro dos seus encontros, o centro dos momentos que ele particulariza, que ele chama de vida para "mim", vida pessoal. Essa é a vida egocêntrica. Não existe tal coisa como essa vida. Apenas uma projeção do próprio pensamento, criando uma ilusória identidade em um tempo que o próprio pensamento tem estabelecido, como alguém que veio do passado, está aqui agora, está indo para o futuro.
Acompanhem com calma isso. A compreensão de nós mesmos é o olhar para as nossas reações. É isso que nos aproxima desta liberação, ou desta libertação, desta psicológica condição de condicionamento mental, de condicionamento egoico, de condicionamento psicológico. Nós não precisamos do ego, não precisamos do "eu".
A Vida, aqui, está acontecendo para você. Não na ideia de alguém para quem a vida está acontecendo, como nós acreditamos. A vida para você é a própria Vida. Ela não acontece "para você" como alguém. Essa é a ilusão: a ideia de que a vida acontece "para mim". Não! A Vida acontece aqui e agora, como sendo a Vida, você. Não há uma separação entre você e a Vida, porque não existe esse "para mim". Mas nós carregamos essa separação e, assim, estamos acreditando que é "para mim" que a vida acontece. Não! A Vida é o que ela é. E você é a Vida. Em seu Ser, a Vida acontece como Bem-Aventurança, como Felicidade, como Amor, quando o ego não está.
Então, há uma qualidade de ação sem o "eu", sem o ego, assim como uma qualidade de pensamento, de sentimento, de sensação, com relação a si mesmo e com relação ao outro; porque não há mais essa ideia desse "mim" para esse si mesmo, nem a ideia da "pessoa" nessa relação com o outro. Não há essa pessoa aqui, nem essa pessoa lá. O seu real encontro com a Vida é um encontro inclusivista; ele inclui tudo à sua volta, sem a ideia de alguém particularizando as experiências, particularizando as ações.
GC: Mestre, nós temos uma pergunta de um inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Como posso cultivar a atenção plena?"
MG: Gilson, essa Atenção Plena não é algo que se cultiva. Isso não é uma planta que você coloca lá no seu jardim e protege dos outros animais, fazendo uma cerquinha em volta dela e colocando água todos os dias e liberando sol para ela, deixando-a sem uma cobertura, ou colocando uma cobertura, se ela não pode ficar muito exposta ao sol.
Essa questão dessa Atenção sobre as nossas reações, essa Atenção Plena, não é como uma plantinha assim, que vai crescendo quando nós cultivamos. O nosso velho modelo de aproximação, em geral, é nessa linha. Nós acreditamos em algo que cresce, que evolui. Nós acreditamos em progresso. Aqui, a Realidade deste Ser está presente. Não é algo que irá crescer.
Assim, o contato com essa Atenção lhe revela a Vida como ela acontece aqui e agora. Você não é um elemento que irá crescer nessa Atenção. A presença desta ciência da Atenção revela esta Realidade de Ser que é Você, aqui e agora. Nós não precisamos de uma técnica, de um exercício ou prática. Não é como uma musculação em academia. Não é como um exercício de natação ou de corrida. Não é como o cultivo, como acabamos de colocar, de uma pequena planta ou tratar uma semente até que um dia ela se torne uma árvore. Não é isso!
A presença do olhar para o momento presente requer apenas o olhar. Você já traz em si mesmo esse olhar, mas você está perdido na ilusão de uma identidade olhando, que é o observador. Esse é o problema. O problema é a ilusão de uma identidade que se separa para observar. Aí, olha a partir do observador.
Quando o pensamento surgir, tome ciência dele, não faça nada, não interfira. Se ele é um pensamento agradável, apenas olhe. Se ele for desagradável, apenas olhe. Se ele trouxer uma sensação de dor, apenas olhe. Uma sensação de prazer, apenas olhe. Não interfira com isso. Quando você interfere, você coloca o observador. Quando você não interfere, fica só o olhar. Neste olhar, temos a presença dessa Plena Atenção.
Há algo presente nessa qualidade de olhar, nesta Plena Atenção, que liberta o cérebro desse condicionamento do observador, desse condicionamento que é o "eu", que é o ego. Isso é a presença da Atenção. É a presença dessa Plena Atenção que lhe permite um encontro com o momento presente sem esse fundo que é o "eu", o ego, o pensador, o experimentador, o observador. E assim, o cérebro sofre uma mudança, a mente silencia. Esse real espaço se abre e se revela nele Aquilo que está além do conhecido, além do passado, além do futuro, além da ideia do presente; Aquilo que é eterno, indescritível.
A presença do Autoconhecimento requer a presença desta Atenção. E nessa Atenção se revela o seu Natural Estado de Meditação. Não é alguém praticando a Meditação. É a Meditação sendo aprendida, realizada, quando não há mais o "eu". Assim, não se trata do meditador meditando; se trata da ciência da Meditação, com base no Autoconhecimento, nesta Atenção.
Portanto, aqui nós precisamos é desta disposição. Essa disposição é o interesse para olhar, sem interferir. Esse interesse não requer esforço. Não é como algo que você tem que fazer a partir de um esforço. Não é algo que você faz a partir de um método, de um sistema, de uma técnica - isso requer esforço: o esforço a partir de uma prática com um propósito, com um objetivo. Tudo isso implica a presença de um movimento ainda egocêntrico para resultados.
É importante que compreendamos isso aqui. Algumas pessoas usam a expressão "atenção plena" associada a uma técnica, com um objetivo ou propósito. Isso é algo ainda egocêntrico. A presença dessa Atenção é algo natural. Não existe um movimento de intenção, de volição, de querer. Não há propósito. A Vida não carrega essa proposta para você. Esse você é a ilusão. A Vida é o seu propósito. Isso está presente nesta Atenção. E essa Atenção não é alguém realizando isso, objetivando isso. Isso está presente nesse direto olhar.
Volto a dizer: tudo o que nós precisamos é de uma simples intenção de observar, de ficar cônscio das nossas reações, daquilo que se processa aqui e agora. Quando você fala, gesticula; quando um pensamento surge, um sentimento, uma sensação... olhar para este momento não requer esforço. É como quando você se encontra ali diante daquele pôr do sol, naquela tarde, ou pela manhã, naquela praia, enquanto o sol vai surgindo.
Durante o nascer do sol ou durante o pôr do sol, nesse olhar não existe o tempo, não existe o "eu", não há esforço, não há nada para se obter. A Vida é algo assim, aqui e agora. Quando há essa Atenção, se revela esse Natural Estado que é a Meditação, e nele se revela Aquilo que é eterno, indescritível, que é a presença da Verdade.
GC: Mestre, nós temos outra pergunta de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, mesmo vivendo na dualidade, podemos ter um olhar para este momento?"
MG: Olha, Gilson, aqui há uma confusão. Você diz: "Mesmo vivendo na dualidade". Veja: a Vida está aqui e agora. Essa dualidade é a ideia que o pensamento forma sobre a vida. O pensamento cria uma fôrma, coloca nesta fôrma a ideia da vida. Então, surge a dualidade, que é a separação entre esse "eu" e o "não eu". Mas, de fato, nós não estamos vivendo na dualidade; é o pensamento que está nesse modelo de dualidade. Portanto, se torne ciente do pensamento. Apenas fique cônscio de como ele se processa. E, neste instante, essa dualidade desaparece.
Descobrir como olhar para as nossas reações sem interferir com elas, assim como olhar para os pensamentos sem se envolver com eles, ou os sentimentos... isso destrói esta fôrma, esse formato de dualidade, porque o cérebro, a mente, assume uma outra condição, inteiramente nova; então, surge o silêncio neste cérebro, a mente se aquieta, e neste olhar, agora, aqui, surge Aquilo que está além da dualidade.
É por isso que é fundamental, Gilson, a presença da Meditação. A presença desse encontro com esta Arte de Ser. O único propósito, o único objetivo, aquilo que aqui estamos trabalhando - como aquilo que temos de maior importância para as nossas vidas - é a compreensão da verdade sobre nós mesmos, sobre como a mente acontece, como ela funciona. Isso lhe dá a visão da Vida sem o "eu", sem o ego. Essa é a visão da não dualidade.
Portanto, essa ideia de que estamos vivendo na dualidade é a ilusão do próprio pensamento se posicionando, falando de uma separação que ele está estabelecendo. Não existe tal coisa como essa dualidade. É a afirmação de um observador se separando; de um pensador se separando; de um experimentador se separando; de alguém que está, como experimentador, separado da experiência; de alguém presente como um observador separado daquilo que ele está vendo; de alguém que se vê como pensador tendo pensamentos. Solte isso!
Apenas tome ciência das reações, e Algo novo irá surgir. Algo fora do conhecido irá assumir esse espaço. Esse espaço está presente quando não existe esse "eu", quando não existe esse modelo de condicionamento; e ele se dissolve quando é visto. No entanto, ele se sustenta quando ele não é visto.
Portanto, a questão da dualidade e a não dualidade... o que sustenta essa dualidade é a desatenção. Tome ciência de suas reações. Fique cônscio de como a mente funciona, e haverá um rompimento para essa condição. Uma vez que isso é algo presente nesta fôrma ou formato de condicionamento psicológico, de inconsciência, de continuidade em desatenção.
Por que temos enfatizado a Beleza desse encontro com o momento? Porque esse é o momento da Revelação. Você não vai até Deus. Deus é Aquilo que vem e se revela, descartando essa ilusão desse "mim". E tudo que se faz necessário é colocarmos, neste momento, a intenção de observar, de ficar cônscio das nossas reações.
Então, a Presença desta Graça, a Presença desta Verdade, vem e assume esse espaço. Essa é a Liberdade, a Felicidade, o Amor, a Paz; Aquilo que é indescritível, inalcançável pelo pensamento, agora, aqui, neste momento, está se revelando. Portanto, esse é o nosso trabalho, esse é o nosso propósito; essa deve ser, naturalmente, a sua disposição para olhar, para observar. Os encontros que nós temos online, presenciais, têm este propósito.
GC: Gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais esse videocast. E pra você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver essas Verdades, fica o convite para participar dos encontros intensivos de final de semana que o Mestre Gualberto proporciona. Os encontros existem no formato online. Existem também encontros presenciais e retiros.
Esses encontros são muito mais profundos do que esses vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo as nossas perguntas. E segundo, e muito mais impactante, é que, por o Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, ele compartilha um Campo de Presença à sua volta, um Campo de Energia, de Poder e Graça. E nesses encontros, a gente acaba pegando uma carona nesse Campo de Presença do Mestre.
E, pegando essa carona com o Mestre, de maneira espontânea, sem nenhum esforço, sem nenhuma prática, entramos no estado meditativo, silenciamos nossas mentes e podemos ter uma compreensão real dos assuntos que são aqui tratados. Então, fica o convite!
No primeiro comentário fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o like no vídeo e se inscreve no canal. E, Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.