quinta-feira, 10 de setembro de 2026

O que é a Real Consciência? | A Realização da Unidade | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast, novamente o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado "A Realização da Unidade". Em um trecho desse livro, Mestre, o Joel faz o seguinte comentário: "O erro não está no externo, o poder não está no externo. Todo o poder está na voz mansa e delicada". Neste trecho o Joel comenta sobre esse Poder interior, sobre esse Poder Divino. Dentro desse assunto, o Mestre pode compartilhar a sua visão sobre o que é a Real Consciência?

MG: Gilson, por que nós usamos, aqui, expressões como "Real Consciência" e diferenciamos esta Real Consciência daquilo que entendemos por "consciência"? Primeiro, antes de tudo, vamos compreender aqui o que é que entendemos por "consciência". O que você entende por "consciência" é a presença dessa mente: da mente consciente e inconsciente. Nós temos um movimento interno ocorrendo em cada um de nós - é o movimento de sentimentos, de emoções, de pensamentos. Esse movimento é o que entendemos por "mente". Assim, essa mente carrega lembranças ocultas e lembranças mais recentes, e essas lembranças mais recentes estão operando a nível que nós chamamos de "consciente". Então, nós dividimos a mente em consciente e inconsciente, em consciência e inconsciência.

Portanto, aquilo que compreendemos por "consciência" é esse movimento da mente, mas todo esse movimento - observe isso em você - é um movimento que se processa a partir de um modelo de resposta que, na realidade, nós chamamos de "consciente" mas é de pura inconsciência. Observe que quando você tem pensamentos a ideia de alguém presente tendo pensamentos é um sinal clássico de que você não se dá conta de que não existe esse alguém; o que temos presente é somente pensamento. Porque não existe uma separação entre o pensamento e o pensador. Essa ideia de alguém tendo pensamentos é parte desta inconsciência, porque o que está presente é apenas um movimento de pensamentos. Suas respostas são respostas do pensamento.

Se, por exemplo, eu pergunto algo para você, a sua resposta nasce do pensamento. Não é de alguém tendo um pensamento, e sim do próprio pensamento, que é memória, lembrança, recordação. Não existe esse alguém, mas a crença comum é de alguém, de alguém tendo consciência da resposta. Esse alguém é o pensador. Examine isso com calma, aqui. Quando você me dá uma resposta e eu lhe pergunto: "Quem me respondeu?", você me diz: "Eu!". Mas o que é esse "eu"? Ele também não é pensamento? Ele não é um elemento presente que está se sustentando numa imagem que o pensamento está estabelecendo sobre quem você é? Portanto, isso é ainda pensamento. O "eu" que você diz ser você é só uma imagem - essa imagem é parte do pensamento. Assim, não existe uma separação entre essa imagem, esse "eu" e o pensamento.

Tudo isso se processa em você de uma forma inconsciente. Portanto, aquilo que nós chamamos de "consciência", que implica a presença dessa mente consciente e inconsciente, é a presença da inconsciência. É a presença dessa inconsciência aquilo que nós chamamos de "consciência pessoal", aquilo que nós chamamos de "minha consciência". Qual será a Verdade sobre você? Aqui temos a Verdade sobre o "eu", sobre a pessoa, sobre este "mim". Sim, isso é visto como sendo a Verdade sobre você, mas haverá uma Realidade sobre você, além desta imagem, além deste "eu", além desta consciência pessoal? Aqui estamos colocando para você: a resposta é que sim, há uma Realidade presente, a Realidade sobre você, além deste "você" que o pensamento tem estabelecido, além desta ideia, desta imagem, além desta pessoa. Esta é a Realidade Divina!

Portanto, o que é esta Real Consciência? É Aquilo que aqui está presente além do conhecido, além dessa consciência, além desse modelo do pensamento, que é a pessoa. A Realização da Verdade ou o Despertar da Consciência, desta Real Consciência, ou Iluminação, ou Visão de Deus - ou qualquer nome que você queira para isso - consiste nessa ciência d'Aquilo que aqui está presente, que não está dentro desse contexto do "eu", desse modelo do conhecido, desse padrão de consciência pessoal. O encontro com esta Realidade consiste na constatação da Realidade presente além do pensamento, além daquilo que esta consciência limitada pelo pensamento conhece e reconhece.

A boa notícia é que você nasceu para esta ciência, para a ciência da vida. A Realidade de Deus é a Liberdade de Ser - isso é Meditação. Isso é o resultado de uma profunda compreensão de nós mesmos, de uma direta e verdadeira compreensão da Verdade sobre este "mim", sobre esta pessoa! É nisso que estamos trabalhando. Os diversos vídeos que temos aqui no canal - na realidade são centenas - todos abordam a importância desta visão, desta percepção, desta compreensão, desta qualidade de escuta, da Verdade deste olhar - algo inteiramente diferente daquilo que nós conhecemos, porque estamos lidando com a ciência da vida como ela é neste momento.

Um cérebro novo, uma mente nova, um novo coração, uma percepção da realidade do momento sem o passado: isso requer a presença dessa Inteligência Divina, da Sabedoria de Deus, da Verdade da Revelação d'Aquilo que aqui é real sem essa mente, sem esta "consciência", sem esse padrão, sem esse velho modelo de sentir, agir, pensar, responder. Esse antigo modelo tem sua estrutura nesta consciência do "eu", que é a consciência comum.

Olhar para esta vida, assumir a realidade desse momento sem a ideia de alguém neste olhar é ficar ciente de que não há uma separação. Não existe esse que observa a vida, esse olhar é o olhar da vida na própria vida. Quando fica eliminada a ilusão da dualidade, da separação deste "eu" e o "não eu" - desse "eu" que observa aquilo que está sendo observado - quando isto é eliminado, algo se revela. Este Algo é inominável, indescritível, é a Verdade Divina, a Suprema Bem-Aventurança, a Verdadeira Felicidade. Olhar para isso que aqui está, sem "alguém" nesse olhar, é o que estamos propondo para você. O seu contato com o outro, o seu contato com ele ou ela, o seu contato com a vida, o seu contato com situações, sem "alguém", sem o "mim", sem o "eu", é o Despertar desta Real Consciência, é o florescer deste Natural Estado de Ser. Ok?

GC: Mestre, nós temos uma pergunta de uma inscrita aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Tenho um padrão de vitimismo muito forte. Como mudar isso?"

MG: Gilson, a velha ideia de mudar padrões a partir de uma base é um erro, é uma ilusão! É investigando a base, é investigando o padrão. A própria base para essa mudança é ainda parte desse padrão. Quando nós queremos sair da inveja, do ciúme, do medo, da raiva, a ideia de sair é a base, mas é uma base que se separa do próprio ciúme, da própria inveja ou medo - ou, aqui no caso, do vitimismo. Nós não percebemos que essa base para sair dessa condição é parte dessa condição.

Colocando de uma outra forma: nós sempre temos ideais; são ideias sobre o que fazer, sobre como fazer para se livrar. Portanto, essa resistência ou esta base é, ainda, parte desta condição. Nós estamos constantemente no ideal do "se tornar", do "alcançar", no ideal do "se livrar". Portanto, quando a inveja está, o medo está, a raiva está, o sofrimento está presente, nós colocamos uma ideia de como nos livrar daquilo, de como se livrar desta dada coisa. Esse ideal é o "vir-a-ser", o "alcançar", o "se tornar".

Assim, nós estamos sempre projetando o futuro a partir da condição em que nós nos encontramos neste momento. Esta projeção é uma projeção do pensamento. Nós estamos lidando com a ideia do futuro como se estivéssemos lidando com um propósito real, enquanto que, na verdade, estamos lidando apenas com uma imaginação da própria condição em que nós nos encontramos. Quando você se separa do medo, isso alimenta o medo, isso sustenta o medo. Toda e qualquer resistência ao medo é a continuidade do medo, é o fortalecimento da condição do medo. O propósito de se livrar, de se defender, de resistir ou lutar nasce do medo, assim como, nesse vitimismo do qual você quer se livrar, a ideia de alguém para se livrar é a ilusão de alguém que se separa do estado do vitimismo e tem um plano de como se defender, de como se proteger, de como alcançar vitória sobre o vitimismo.

Observe que aqui estamos tratando apenas de um único movimento, que é o movimento do pensamento. O pensamento cria o pensador para ter pensamentos sobre aquilo. Nesse estado de vitimismo, o pensamento cria esse que é "o vitimizado", para se proteger, para se defender, para se livrar. Aqui a pergunta é: como podemos nos aproximar desse estado, sem a ideia desse "eu", sem a ideia do "se livrar", do "resistir"? A resposta é básica: só há uma real aproximação desse estado quando fica claro que não existe tal coisa como "alguém" para se proteger, para se defender.

A presença do estado é a única realidade aqui, neste instante. Nesse vitimismo não há aquele que está vitimizado, para se livrar do vitimismo. Nesse vitimismo não existe qualquer pensamento que não esteja nascendo do próprio estado do vitimismo. Se isso fica claro, temos aqui a real forma de nos aproximarmos do estado. E quando isso fica claro, nenhum movimento se pode fazer, se torna necessário de ser feito, porque não existe esse vitimizado separado do vitimismo, e não existe essa ideia que esteja separada desse vitimizado.

Observe isso, abandone qualquer ideia de "alguém" para se livrar. Permita que esse estado seja visto, esclarecido, compreendido sem a ideia, sem o "eu". Se isso fica claro, isso se dissolve. A continuidade do medo requer "alguém", a continuidade do vitimismo requer "alguém", a continuidade da raiva requer alguém alimentando ideias, tirando conclusões, tentando se livrar ou justificar o estado.

O que estamos aqui colocando, para você, é que não existe tal coisa como esse estado separado deste alguém - é um único fenômeno, um único acontecimento. Podemos ter a vida, aqui e agora, livre de todo este modelo de sofrimento psíquico, psicológico? A resposta fica clara quando fica claro que não existe esse "eu" que se separa do estado. Quando não temos esse "eu" se separando do estado para se defender, para se livrar, para escapar, esse estado se dissolve.

A Realidade de Ser não comporta esse movimento psicológico de continuidade, de afirmação do "eu". Seu Natural Estado de Ser não carrega esse "eu" e o "não eu", essa vítima e o vitimismo, esse vitimado e esse estado de vitimismo; não carrega esse modelo de se livrar ou de alcançar. A Realidade aqui presente é Ser. Não é algo no tempo, não é algo que nasce do passado, não é algo que se projeta no futuro para alcançar ou se livrar; é algo inteiramente novo, diferente, desconhecido.

O que lhe aproxima desta Revelação é esse olhar, esse escutar, esse perceber aquilo que aqui está presente, sem se separar. A presença desta compreensão é o que temos chamado de Autoconhecimento. Conhecer suas reações é conhecer os seus medos, desejos, conflitos, seus estados internos de vitimismo ou de raiva, ou qualquer outro estado psicológico de sofrimento para este "eu". Ficar ciente disso é o fim para esta condição, é o fim para este quadro. Então, se revela Algo que está fora das palavras, que é você em seu Natural Estado de Ser. Ok?

GC: Mestre, nós temos outra pergunta, de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, as palavras e teorizações podem funcionar como pontes para Aquilo que é inominável?"

MG: Gilson, nenhuma palavra, nenhuma teorização, nenhum conceito, nenhuma ideia pode lhe aproximar da Realidade! A Realidade está além das palavras dos conceitos, das ideias e das teorias. A Realidade é aquilo que aqui está presente além do pensamento, portanto toda forma de aproximação nesse nível - a nível do pensamento - é a nível, ainda, de um intelecto condicionado. O condicionamento presente em nós é a memória, é a lembrança, suas recordações. Todo tipo de conhecimento, que é pensamento, é algo condicionado.

Assim, nós temos um cérebro condicionado, uma mente condicionada, um intelecto condicionado, e isso é, na realidade, o grande impedimento. Sair da mente para o Coração, sair dessa teorização para a vivência direta de um experimentar a vida como ela é, como ela acontece, isso requer esta sensibilidade, esta profunda vulnerabilidade à Vida. Então sim, isso lhe aproxima de um real contato com aquilo que aqui está presente. Nós vivemos constantemente fugindo desse contato porque, de fato, ele é doloroso. Tomar ciência de suas reações, tomar ciência de como a mente, em sua ambição, inveja, medo, ciúme, desejos, a mente em suas aflições, está ocorrendo - isso é doloroso. Mas é o contato com isso, quando nós não nos separamos, em razão dessa vulnerabilidade e sensibilidade, nesse instante podemos ir além do "eu", além do ego, além desta psicológica condição, para Algo desconhecido, inominável.

Portanto, a base para esta vivência da Realidade d'Aquilo que aqui você chama de "inominável", como nós temos colocado, é ir além daquilo que é conhecido, e isso requer um contato com a Verdade sobre este "mim", sobre este "eu". Portanto, é a presença sobre o Autoconhecimento, o contato real com a Meditação, que nos libera ou nos liberta dessa ilusão de alguém presente; de alguém presente que sofre, de alguém presente na ambição, no medo, no ciúme, e em todos esses diversos quadros, nesse modelo psicológico de condicionamento que nós trazemos. Mas não há como irmos além desse "eu" sem a plena ciência de como estamos funcionando, de como esta egoidentidade está se sustentando neste velho padrão, neste velho modelo de condicionamento social, de condicionamento de cultura.

Assim, quando as pessoas tentam praticar meditação para escapar desses estados, elas não compreenderam que a ciência do Autoconhecimento é a revelação desses estados. Então, sim, quando há uma ciência desta revelação, essa ilusão de alguém que se separa desses estados se dissolve e, naturalmente, os estados também. Então Aquilo que é indescritível, que está além das palavras, que é a Verdade deste Ser, se revela. Portanto, não há como pular etapas aqui; é fundamental esta compreensão, é essencial a visão da Verdade sobre si mesmo. Sem isso, não há real Meditação, sem isso é impossível esse encontro com a Realidade Divina. Não há uma separação real entre a Realidade deste Ser e a Verdade de Deus. No entanto, esse contato só se revela quando a ilusão termina.

Portanto, precisamos investigar a natureza desse "eu", desse "mim", de todo esse movimento psicológico deste "vir-a-ser", deste "tentar se livrar" - algo tão presente no "eu", no ego. Assim, a base para o Amor, para a Verdade, para a Sabedoria, requer a presença do Autoconhecimento. É a presença desse estudar, desse compreender, nesta vulnerabilidade, nesta sensibilidade, que lhe aproxima desse Natural Estado de Meditação, onde se revela a Suprema Felicidade, a Suprema Liberdade, a Verdade de Deus, Aquilo que é inominável, indescritível. Ok?

GC: Gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais este videocast. E, para você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver estas Verdades, fica o convite para participar dos encontros intensivos de final de semana que o Mestre Gualberto proporciona. São encontros que existem no formato on-line, presencial e também retiros de vários dias. Esses encontros são muito mais profundos e transformadores do que esses vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo, diretamente às nossas perguntas; e segundo e muito mais impactante é que, pelo Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, Ele compartilha um campo de Presença à sua volta - um campo de Energia, de Poder e Graça. E, nesses encontros, a gente acaba pegando uma carona nesse campo de Presença do Mestre. E, pegando essa carona, de maneira espontânea, sem nenhum esforço, sem nenhuma técnica, entramos no Estado Meditativo, silenciamos nossas mentes e podemos ter uma visão e uma compreensão real dos assuntos que são aqui tratados. Então, fica o convite: no primeiro comentário fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o like no vídeo, se inscreve no canal. E, Mestre, mais uma vez gratidão pelo videocast.

Novembro de 2025
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terça-feira, 8 de setembro de 2026

A energia de Deus | Como encontrar Deus | Meditação: o que é? | Aprender sobre Autoconhecimento

Aqui, nesses encontros, quando nós aprendemos a escutar, esse escutar é tão natural que nele não há qualquer resistência; e, nesse escutar, nós veremos que, nesse estado de escuta, uma transformação acontece, algo que ocorre dentro de nós mesmos. E é importante que se diga: não é algo que você realiza pelo seu esforço, da sua parte, mas é algo que ocorre de uma maneira natural.

Assim, nós precisamos aprender a ouvir em atenção, ou seja, sem qualquer resistência, sem a necessidade de entrar em acordo com o que estamos ouvindo ou discordando disso. Isso nos dá esse aprender sobre nós mesmos, quando aprendemos a ouvir ele ou ela dizendo algo, quando aprendemos a ouvir os nossos próprios pensamentos, quando aprendemos a ouvir a vida acontecendo.

Aprender sobre o Autoconhecimento é a coisa mais importante na vida. Em geral, nós não escutamos de verdade, pois sempre temos uma certa intenção, um certo motivo, um certo propósito, e isso denota a presença do esforço. A presença do esforço nos torna tensos e incapazes desta compreensão.

A compreensão é a revelação daquilo que aqui está presente, e isso não depende de um ato do próprio "eu". Reparem a importância disso. Para se compreender uma coisa é necessário escutar sem esforço, sem resistência qualquer inclinação, opinião ou julgamento, e isso não é algo simples; na verdade, é muito difícil, porque o nosso hábito, o nosso modelo psicológico é outro. E se não aprendermos a escutar, não teremos esse aprender sobre nós mesmos.

O nosso problema não é de como realizar essa mudança, esse contato com a Realidade da Vida. Quem irá realizar esse contato? De que forma poderei eu realizar isso? - essa não é a questão. Quando sabemos escutar sem qualquer resistência, algo acontece. É interessante expressões como "a energia de Deus"; quando pessoas usam essa expressão, elas se referem a algo que, de fato, desconhecem, mas afirmam com base em crenças, em conceitos, em ideias. Elas afirmam com base em conclusões intelectuais que elas têm, que elas trazem.

Aqui estamos lhe convidando a descobrir o que é escutar a vida acontecendo, então você saberá o que é esta Realidade surgindo, aparecendo, florescendo aqui, neste momento - eu me refiro a esta Realidade Divina. Expressões como "a energia de Deus", ou "a Realidade de Deus", ou "a Verdade de Deus", isso fica apenas no campo das ideias. Aqui nós precisamos é ter um contato real com a Verdade, um contato real com essa Realidade, um contato real com Aquilo que aqui está presente.

Assim, nós não precisamos de ideias, de conceitos ou crenças; na verdade, essa mudança ou transformação, nesse contato com esta Verdade, com esta Realidade, com Aquilo que é Supremo, quer nós chamemos isso de Energia Divina, de Realidade de Deus ou Verdade Suprema, é algo que acontece independentemente de qualquer ato nosso, pessoal, ou seja, consciente. Na verdade, essa mudança não pode ocorrer dentro dessa consciência do "eu", pela vontade do "eu".

O contato com essa mudança, com essa transformação, com essa Realidade é o fim dessa condição psicológica do "eu", é o fim desse modelo de consciência pessoal, algo novo aqui está presente. Então, aqui a pergunta é: como isso se torna possível? Como podemos passar por essa transformação, por essa mudança, independente de qualquer razão, motivo ou intenção da nossa parte? A resposta para isso é bem simples: descobrir diretamente o que é olhar, escutar, perceber, sem se envolver.

Repare, a resposta é básica é simples, mas a compreensão dessa resposta é algo que requer de cada um de nós algo além da vontade, do desejo ou desse querer. Não basta querer, ter vontade ou desejar, nós precisamos ter um contato real com esse momento, com esse instante, sem interferir com ele, para que haja uma compreensão. Então, sim, se torna possível compreender isso de uma forma direta.

Assim, essa nossa atitude precisa ser nova, uma atitude atenta nesse ouvir, nesse escutar, nesse observar aquilo que se passa dentro de cada um de nós, e também externamente. A nossa ênfase aqui consiste nesta descoberta, na descoberta deste aprender como a mente acontece, como ela funciona, como ela se processa em nós.

A princípio, o seu modo de olhar para a experiência é a partir de avaliações, comparações, aceitações e rejeições. É isso que nós precisamos aqui desaprender quando estamos lidando com o movimento interno dessa consciência do "eu". Esse movimento psicológico em nós, nesse condicionamento, nessa mente condicionada, prisioneira desse padrão, é fazer isso. Estamos constantemente avaliando, comparando, aceitando, rejeitando a partir de critérios do passado, a partir de ideias, e essas ideias nascem dessas memórias.

Essas memórias psicológicas em nós são a presença daquilo que não se concluiu, daquilo que não se completou. Se você está triste comigo, é porque está ofendido, magoado, aborrecido; isso está presente em mim, isso está presente em você. Estou constantemente criando contrariedades para você, aborrecimentos para você: é um hábito, é o modelo de ser alguém que eu tenho. Por sua vez, você tem o seu modelo de ser alguém, que é de ficar magoado, triste, aborrecido, com raiva de mim. É assim que nossas relações acontecem. Essas relações não são reais.

Não há um contato, não há uma comunhão, não há uma real comunicação entre nós. Ficamos cada um por detrás de um muro, vivendo no seu isolacionismo e tendo esses contatos centrados no próprio "eu", no próprio "ego" - assim são as nossas relações com as pessoas. E isso nos impede de ter um contato com a Vida sem conflito, sem sofrimento, sem desordem. Somos criaturas humanas confusas, desorientadas, carregadas de desejos e medos. Esse é o movimento desse "eu", desse "ego".

Portanto, essa transformação se faz fundamental em nossas vidas. Esse é o contato com essa Energia Divina, com essa Energia de Deus, com esta presença da Vida. Portanto, como encontrar Deus? Abandonando a ilusão dessa egoidentidade, abandonando esse padrão de comportamento centrado nessas memórias que não se concluíram.

Quando eu tenho um contato com você sem a imagem, sem a lembrança, sem essa memória psicológica do que você representa para mim, e do que eu acredito representar para você, nesse instante nós temos um contato com o momento sem o passado. Podemos nos permitir a vida sem essas memórias psicológicas que não se concluem?

Eu olho para você a partir do passado, você olha para mim a partir do passado. Eu olho para mim mesmo a partir do passado, eu vivo em alta autoestima, eu vivo em baixa autoestima. É a forma como o pensamento configura a imagem que eu construí sobre mim mesmo, é a forma como o pensamento configura a imagem que eu construí sobre você que sustenta esse nível de relacionamento, onde está presente essa qualidade de memória, que é a memória que não se concluiu, que é a memória que justifica a presença desse "mim", desse "eu", desse "ego".

Podemos assumir a vida sem essa qualidade de memória? - essa é a pergunta. Podemos lidar com o outro sem a ideia desse mim? - lidar com o outro sem a imagem que esse "mim", que "eu" tenho dele ou dela. É dessa transformação que estamos falando aqui. Esse é o seu contato com a Vida; esse contato com a Vida, sem o "eu", é a Revelação desse encontro com Deus.

Assim, como encontrar Deus? - a pergunta é essa. A resposta é, basicamente: livre-se do "eu", livre-se do "ego", livre-se da ideia do modelo do pensamento, do pensamento condicionado, do pensamento psicológico, do pensamento, que é basicamente registros do passado dentro das relações. Olhar para ele ou ela sem o passado - o que requer viver este momento permitindo que cada momento se conclua nesse instante -, isso é a morte da memória psicológica. É a memória do "eu" a continuidade desse nível de relação onde o conflito está estabelecido, se sustenta.

Assim, nos livramos da ilusão do "eu" quando, a cada momento, permitimos que o pensamento se conclua. Então não existe mais essa continuidade, que é a continuidade desse padrão de reconhecimento no futuro daquilo que o pensamento está trazendo do passado. Isso é o fim do tempo, quando permitimos que a cada momento e a cada instante o pensamento se conclua.

Quando estamos atentos às nossas reações, nesse observar como a mente funciona, nesse olhar sem a separação entre esse "eu" e o "não eu", que é o pensamento e o pensador, quando trazemos essa Atenção para esse instante, o pensamento perde essa relevância para essa identidade, que é o "eu", então ele não se estabelece como uma memória psicológica, como uma recordação, como um registro em nós, nessa mente e nesse cérebro.

Quando não há mais o registro, porque não há esta memória psicológica, não há mais essa continuidade nesse tempo. Assim, o seu contato com o momento, seja com ele ou ela, seja com a vida, não é mais o contato de alguém que está vindo do passado. Não há mais esse alguém. Isso requer que você descubra o que significa morrer para cada instante, para cada momento, do ponto de vista psicológico.

Quando não cultivamos mais a continuidade dessa imagem, dessa autoimagem, dessa pessoa, desse "mim", a Vida assume esse espaço como ela é. Até esse dado momento, o que nós temos feito nessa desatenção, nessa ausência da ciência de Ser - é aqui que entra a presença da Meditação -, é manter a continuidade desse movimento, que é o movimento do pensamento psicológico, que são essas lembranças boas e ruins que eu tenho dele ou dela.

O que é Meditação? Qual é a Realidade que se revela aqui quando a Meditação está presente? A Meditação, o que ela é? Ela é a presença desta Ciência de Ser, sem esse fundo psicológico, sem esse modelo de memória, de registros do passado. Olhar para esse instante, para esse momento, sem as conclusões, crenças e avaliações daquilo que se revela aqui e agora é se deparar com o que está aqui sem a ideia do que deveria isso ser, ou isso teria sido.

Deixamos o ideal, a crença, a opinião, o julgamento, a avaliação particular do pensamento, abandonamos por completo isso para ficarmos com a Vida, com o instante, com o momento, com aquilo que aqui está presente, e isso requer uma mente livre. Assim, a presença da Meditação não é alguém em uma determinada prática de meditação ou em um exercício de meditação, ou o que quer que você considere como meditação. A Meditação é simplesmente Ser, é olhar para aquilo que aqui está presente sem ideia, avaliação, conceito ou crença.

Seja a presença de um pensamento, de um sentimento, de uma emoção, seja a presença dele ou dela, ou de algo ocorrendo na vida, quando não colocamos esse sensor, esse "mim", esse "eu", esse elemento que vem do passado e que, pelos pensamentos, conclusões, opiniões e crenças faz leituras e assume conclusões, nós estamos diante do momento, sem o "eu", sem esse "mim". É quando a mente e o cérebro se aquietam.

Há uma qualidade de percepção, de olhar, de constatar o momento sem esse fundo, sem essa estrutura, sem essa base de condicionamento egoico, de condicionamento psicológico. Esta é a presença da Meditação. Quando ela está presente, aquilo que se revela aqui e agora é a Realidade de Deus.

Portanto, como encontrar Deus? Assumindo a Realidade do momento, sem a ideia do "eu". Esse é o seu encontro com a Vida, esse é o seu encontro com Deus, esse é o seu encontro com a Realidade deste Ser. Não é alguém tendo esse encontro; é este Ser, a Vida e Deus se Revelando. Isso requer a presença desse aprender sobre o Autoconhecimento, isso requer a presença da Verdade daquilo que aqui eu tenho chamado de Real Meditação de uma forma vivencial, ou seja, momento a momento.

Quando temos o fim do "eu", o fim do ego, o fim desse movimento que vem do passado, nos deparamos com a Vida, nos deparamos com a Realidade de Ser; e se Isso está presente, a Felicidade está presente, o Amor está presente, a Sabedoria está presente. Esta é a Real Realização.

É nisso que estamos aqui, com você, trabalhando. Nós temos dois dias, sábado e domingo, de uma forma on-line. Então, sábado e domingo estamos juntos. Além desses encontros on-line, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui esse convite.

Outubro de 2025
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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

O que é a busca espiritual? | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal. Estamos aqui para mais um videocast. Novamente, o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje, eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado: "A Palavra do Mestre". Em um trecho desse livro, ele faz o seguinte comentário: "Pare de procurar por algum bem que o mundo lhe dê". Mestre, neste trecho, o Joel comenta sobre a busca. Dentro desse assunto, o Mestre pode compartilhar a sua visão sobre o que é a busca espiritual?

MG: Olha, Gilson, aqui, a velha ideia da busca é o equívoco. Seja a busca por algo material ou a busca por algo espiritual. E por que há um grande equívoco aqui? Porque já nos baseamos em um princípio inteiramente errôneo, em uma ideia de alguém presente, para encontrar algo. Qual é a verdade sobre este "eu", este "mim", este alguém? Quem é esse elemento que se prontifica a buscar? E por que ele busca?

Haveria alguma busca sem a presença da insatisfação? Você estaria buscando algo do qual não sente falta? A sua busca não consiste na falta daquilo que você busca, daquilo que você procura? Quando você não está com fome, por que buscar comida? Quando não há fome, não existe busca de comida. Quando não há sede, não existe a menor lembrança da água. Isso porque não há insatisfação.

É a presença da insatisfação a presença daquele que busca. Não há separação entre essa insatisfação e o "eu", a pessoa. Agora, nós temos que investigar isso. O que é essa insatisfação, que é o "eu"? Repare: não há separação entre a insatisfação e o insatisfeito. Não há separação entre esse "eu" e a insatisfação. Agora, o que é que esse insatisfeito, que é o "eu", pode buscar, se tudo que ele tem são ideias sobre o que necessita?

Aqui, quando tocamos nesse aspecto da Espiritualidade, ou daquilo que é Espiritual, nós, primeiro, antes de tudo, temos que descartar essa ideia daquilo que acreditamos ser espiritual. Aquilo que acreditamos ser espiritual está dentro da imagem que o pensamento está estabelecendo dentro de cada um de nós, nesta insatisfação. Portanto, nasce da insatisfação a ideia do que irá nos fazer satisfeitos, do que irá nos fazer felizes. Está dentro da insatisfação a imagem daquilo que é espiritual.

Portanto, estamos lidando com uma ilusão. Temos que descartar, por completo, essa ideia. Se, de fato, queremos descobrir se há alguma coisa além desse estado em que nos encontramos - de incompletude, de insatisfação -, nós temos que investigar a natureza do "eu", a natureza desta insatisfação, e não ir em busca de algo que o pensamento está imaginando, projetando.

É aqui que nós temos falhado. É aqui que estamos equivocados. Portanto, todo esse movimento de busca para esse que busca, todo esse movimento que nasce da insatisfação, é um movimento equivocado, errôneo. Não há um Real propósito, ou o propósito é ainda o propósito deste ego, deste "eu".

Sim, há uma Realidade presente, mas esta Realidade está além do pensamento, além deste "eu", além desta insatisfação. E nenhum movimento pode levar você a esta Realidade. Ela é algo que já está presente. E todo esse movimento do buscador é o movimento da insatisfação, movendo-se para mais projeções daquilo que ele imagina dentro do pensamento.

A grande Verdade deste encontro com o Espiritual consiste na revelação daquilo que é Espiritual, se revelando aqui e agora, quando não há mais ilusão. E a busca para esse buscador está dentro da ilusão. O projeto, a ideia, a imagem sobre a espiritualidade desse buscador estão dentro da ilusão. O que, de fato, nós precisamos na vida é da revelação daquilo que é realmente Espiritual.

No entanto, isso não irá se revelar para o "eu", para a pessoa, para o ego, para esse buscador, para este que está insatisfeito. Esta revelação se revela quando investigamos a natureza do "eu", a natureza desta insatisfação. Portanto, existem conceitos muito equivocados que envolvem essa procura ou busca pela real espiritualidade. Esses conceitos são doutrinas, ensinamentos, aprendizados que recebemos sobre aquilo que a espiritualidade significa. São construções do próprio pensamento, idealizações desta própria insatisfação do "eu", do ego.

É quando investigamos a natureza do pensador, desse buscador, desse insatisfeito, que há o descarte desta ilusão, que é o descarte da continuidade do pensador, do experimentador, do buscador. Então, sim, um espaço se revela. Nesse espaço se mostra aquilo que é realmente Espiritual. Não é algo que é espiritual para alguém se espiritualizar. É algo que aqui está presente, sendo a Realidade deste Ser que é Você em Sua Natureza Verdadeira. Isso é Real Espiritualidade. Não é a espiritualidade de alguém; é a Espiritualidade Divina, é a Verdade de Deus.

Portanto, toda essa ideia, toda essa crença, toda essa motivação, todo esse impulso que nasce desta condição interna - dor, conflito, contradição, medo, decepção - tudo isso que envolve essa frustração existencial, esse vazio, essa insatisfação. Investigar a natureza disso, ter a plena ciência de que todo e qualquer movimento deste "eu", desse ego, é ainda de maior afastamento desta Realidade.

É esta Visão, é esta Compreensão o fim desta busca, o fim desse buscador. Aquilo que é Real já está aqui quando a ilusão não está mais. E a ilusão não está mais presente quando a Realidade se mostra. E Ela se mostra quando há esta clareza. Portanto, a presença do Autoconhecimento torna possível esse espaço onde Nele se revela a Realidade deste Ser.

Então, não se trata de, pela busca, encontrar a espiritualidade; trata-se de constatar a Verdade d'Aquilo que é Divino, que está aqui e agora, quando não há mais a ilusão. É isso que estamos aqui com você, aprofundando a cada vídeo, a cada encontro que temos - encontros on-line e encontros presenciais.

GC: Mestre, nós temos uma pergunta de um inscrito aqui no canal que fez o seguinte comentário: "Eu baseei toda a minha vida em conquistas externas e agora sinto um vazio enorme, uma angústia que não passa. Por que essa busca por coisas no mundo gera tanto sofrimento?"

MG: Olha, Gilson, toda e qualquer procura nasce, como acabamos de colocar, de uma condição interna de incompletude, de carência, de falta, de insatisfação. E essa busca, como nasce desse estado, é apenas a projeção idealizada pelo pensamento do que irá lhe fazer feliz. Mas essa felicidade que o pensamento projeta, como nasce da insatisfação, ainda é parte do que o pensamento identifica e projeta. Portanto, não é Real.

Assim, toda essa procura ou busca projetada pelo pensamento em realizações externas é parte da frustração, é parte desse sofrimento. A verdade é que nada neste mundo irá lhe fazer feliz, porque tudo está dentro desse contexto de preenchimento temporário, de realização em afirmação de ideias criadas pelo próprio pensamento.

O pensamento é a base da insatisfação e tudo o que ele projeta está dentro dele. A Verdadeira Vida está fora do pensamento. Está além do pensamento. Além do pensamento, fora do pensamento, a Realidade da Vida é a Realidade de Ser. Em Ser não há incompletude, não há insatisfação, não há sofrimento. Nós desconhecemos a Realidade de Ser porque tudo que conhecemos está no vir a ser. É tudo que podemos saber, é tudo que podemos conhecer. Está dentro do modelo do conhecido, que é o modelo do pensamento.

O seu Real contato com o Ser, o seu Real contato com Deus, o seu Real contato com a Vida, é a Verdade da Felicidade se revelando aqui e agora, quando o pensamento não está, quando todo esse movimento externo de realização não tem mais a menor importância. No entanto, enquanto houver esse impulso, essa busca, pela inveja, pela ambição, pela comparação, observe que é exatamente assim que ocorre.

Você, como uma pessoa, se compara com outra que tem aquilo que você imagina que irá lhe fazer feliz. No entanto, ela, mesmo tendo aquilo, continua sendo infeliz. Mas você, em sua ideia, acredita que ela é mais feliz que você. Então, você se compara. E, por isso, você quer ter o que outros têm. Você quer ter o sucesso, a fama, a aceitação pública, as realizações materiais. Porque, dentro de você, essa ideia de "vir a ser", de "se tornar", requer a presença de ter coisas, de alcançar coisas.

Assim, nós estamos vivendo "neste ter" e "neste vir a ser", afastados completamente da simples Realidade da Vida, em Ser, em assumir a beleza de um contato com o momento, sem a ambição, sem a comparação, sem a inveja, porque estamos vivendo neste "eu", neste ego, e ele jamais será feliz. É da estrutura, é da natureza do pensamento, a insatisfação, a ânsia por mais, o desejo de se livrar e o desejo de obter. E é isso que sustenta essa pessoa, e é isso que sustenta este "eu", esta ideia de alguém presente. É isso que sustenta esse movimento de continuidade, de carência, de insuficiência.

Todo tipo de sofrimento psicológico está presente na mente, quando a mente é esse instrumento, o instrumento deste psicológico modelo de pensamento. É assim que estamos vivendo. É isso que compreendemos ou entendemos por vida. É a vida particular da pessoa. Portanto, quando você pergunta por que há tanta insatisfação, por que nada que possamos conseguir, realizar, obter, irá nos fazer felizes? A base aqui é muito simples. Nada disso irá lhe fazer feliz, porque nada disso é Real. É algo que está dentro do pensamento.

A Realidade, a Verdade, é a Felicidade. Isso não está dentro do pensamento; está além da mente. Além desta mente que tem todo esse padrão de comportamento, desta mente que, como um instrumento desta ilusória identidade, que é o "eu", que, por sua vez, está presente em razão do próprio movimento do pensamento. A presença desta mente é a presença desta confusão. A Realidade do seu Ser é a Realidade Divina, é a Realidade de Deus. Isso é Felicidade, isso é Amor.

Aquilo que é inalcançável pelo pensamento, indescritível dentro do contexto do conhecido, dentro do contexto de uma visão de mundo, de uma visão construída pelo intelecto, estabelecida por esta mente condicionada - tudo aquilo que está dentro desta limitação está dentro deste pensamento. Não é Real. É esse contato com a Vida, a Realização da Verdade, a ciência deste Ser. A presença do Amor, a Compreensão Divina. Isso é Você quando não há mais o "eu", quando uma nova mente está presente, um novo coração, um novo sentido de Ser, onde não há alguém neste sentir. Ok.

GC: Mestre, nós temos outra pergunta de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, qual o caminho para encontrar Deus em mim?"

MG: Quando você pergunta aqui, Gilson, qual é o caminho para encontrar Deus, e aqui você usa a expressão "em mim", vamos investigar isso? Primeiro, antes de tudo: o que é esse "mim"? Qual é a Realidade da Vida? Quando você fala em encontrar Deus, o que é que entendemos por Deus? O que é que entendemos por este "mim"? O que é que você chama de "eu", de pessoa, de "mim"? O que é que você chama de Deus? E o que é que se entende por encontro?

O encontro não é entre duas coisas? Ou entre duas pessoas? Ou uma pessoa indo para algum lugar, tendo um encontro com esse lugar? Mas o que é esse movimento? Onde é que ele está presente? Ele não está presente no espaço? Não é entre o ponto A e o ponto B que encontramos um espaço? Esse espaço não é o espaço que se determina para ser cruzado entre um ponto para o outro pelo tempo? Não é o tempo o elemento? Não é nesse movimento do ponto A para o ponto B que temos a presença do tempo?

Repare: não existe uma separação entre esse tempo e também esse espaço. A Realidade Divina é algo que está lá, no ponto B, para ser encontrada por você, que está no ponto A? Você quer encontrar Deus em você. O que é esse movimento de encontro? O que é a verdade deste "eu"? Ele é algo Real? Que está, de fato, no ponto A? Esta Realidade de Deus é algo que está no ponto B? Ou estamos lidando apenas com imagens que o pensamento está estabelecendo?

Mas, se pudermos descartar esses pensamentos, essa ideia de alguém para encontrar algo que ele procura ou busca, o que ocorre se investigarmos a natureza deste "eu"? Se você entra fundo em si mesmo, percebe, toma ciência de que esse "si mesmo", esse "eu", é um conjunto de ideias, de lembranças, de memórias. Quando você usa o seu nome e conta a sua história, é só o que você tem sobre si mesmo. Esse si mesmo, portanto, é o nome e a história. Mas qual é a Realidade sobre você? É o que estamos aqui investigando.

Repare: haverá realmente uma separação entre a Realidade daquilo que é você e a Verdade de Deus? Ou esse movimento é exatamente um movimento de afastamento? Eu me refiro a esse movimento de busca desse encontro. A ideia de um encontro pressupõe esta dualidade, esta separação. Ela é Real ou ela está estabelecida em um modelo de construção mental e, portanto, no próprio pensamento? Não é o pensamento que nos fala as coisas? Se não houvesse pensamento, o que você saberia?

Observe que o pensamento é o elemento que sabe, que conhece, que reconhece, que nomeia. É ele que cria a ideia de uma separação entre a Realidade de Deus para ser encontrada e alguém presente, que é você, para encontrar. Investigar a Natureza do "eu" requer a presença do Autoconhecimento. Isso lhe revela seu Natural Estado de Ser. Esse Natural Estado de Ser é Felicidade, é Amor, é Liberdade.

Não há uma separação real entre Você, em seu Ser, em sua Natureza Verdadeira, e a Verdade Divina. Portanto, não se trata de um encontro; se trata de uma percepção, de uma constatação. É a presença da Compreensão, a visão da Vida nesse olhar de Deus, nesse olhar de Ser. Não há alguém presente como sendo um elemento que tem uma história, que tem um nome, que se vê, na relação com o outro, com a Vida e com as situações, como um elemento que se separa.

A Realidade presente é uma Única Realidade. Nela, não existe tal coisa como o outro para "mim". Sim, nesse contexto, deste sonho de existência, tudo é visto a partir dos sentidos físicos como objetos separados, como percepções diferentes, como experiências diferentes. Mas não existe tal coisa como um experimentador real, como um percebedor real, como alguém presente. É a Totalidade da Vida, esta ciência de Ser. Não há qualquer separação que seja real. Assumir a Realidade do seu Ser é ter o Verdadeiro encontro com Deus. Esse encontro é a ciência de uma Comunhão. Esse Verdadeiro encontro é a ciência da constatação.

Aqui, a expressão "encontro" já não é mais usada nesse sentido, "entre duas coisas, entre duas pessoas, entre esta aproximação de um ponto para o outro, neste intervalo de espaço e tempo". É a ciência da Vida, a ciência de Ser, o Real encontro com Deus, a Realidade desta Comunhão com a Liberdade, com o Amor, com a Verdade. Ok.

GC: Gratidão, gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais este videocast.

E, para você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver essas Verdades, fica o convite para participar dos encontros intensivos que o Mestre Gualberto proporciona. São encontros que existem no formato on-line, presenciais e também retiros de vários dias.

Esses encontros são muito mais profundos do que esses vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo às nossas dúvidas. E, segundo - e muito mais impactante -, é que, por o Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, ele compartilha um campo de Presença à sua volta. E, nesses encontros, a gente acaba entrando de carona nesse campo de Presença do Mestre. E, pegando essa carona com o Mestre, de maneira espontânea, sem nenhum esforço, sem nenhuma prática, entramos no estado meditativo, silenciamos nossas mentes e podemos ter uma visão e uma compreensão real desses assuntos.

Então, fica o convite! No primeiro comentário fixado tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o "like" no vídeo e se inscreve no canal. E, Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.

Outubro de 2025
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terça-feira, 1 de setembro de 2026

A dualidade | Como encontrar Deus | Meditação: o que é? | Aprender sobre Autoconhecimento

Aqui, essa direta compreensão, essa real compreensão, é a presença de uma percepção, na vida, onde não está presente o elemento que se separa para perceber. E por que isso é essencial? Isso é essencial porque, quando há essa qualidade de percepção, sem esse "mim", esse "eu", essa "pessoa", a vida se revela como ela é, e não como o pensamento em nós imagina.

Por que esse aprender sobre o Autoconhecimento é fundamental para irmos além dessa visão de dualidade, onde temos a presença da vida e a nossa particular visão? A dualidade é essa forma de olhar para a vida a partir deste centro. O centro é a pessoa, o "mim", o "eu". Será possível irmos além disso para uma vida real, livre dessa dualidade e, portanto, uma vida livre desse antigo padrão de mudanças meramente superficiais que, em geral, nós cultivamos, nos dedicamos?

Nós queremos ter mudanças na vida, e, de fato, nós temos essas superficiais mudanças, essas periféricas mudanças, mas a vida continua confusa, caótica, desordenada, complicada, carregada de problemas. Isso ocorre porque não há uma verdadeira mudança, não ocorre uma transformação real neste centro. Aqui, esta transformação no centro é o fim dele, é o desaparecimento desse centro, que é o "eu", o ego.

Uma vida onde não mais cultivamos mudanças periféricas, superficiais, é uma vida onde não mais estamos fazendo a manutenção, a continuidade desse "eu". É nisso que estamos aqui trabalhando com você, lhe falando de uma possibilidade real, de uma mudança profunda, de uma quebra significativa nessa condição psicológica, nessa estrutura psicológica do "eu", do ego. A vida real ocorre; ela aqui está presente quando ficamos livre desse centro, livres dessa ilusão.

Portanto, temos que parar de nutrir essa memória, parar de nutrir essa continuidade de modelo de alguém no tempo; esse alguém presente que "eu sou". Quando, por exemplo, você diz: "ontem eu fui aquilo, hoje eu sou isso e amanhã eu serei outra coisa", você imagina o que você será amanhã; você aqui tem a lembrança do que você já foi e, neste instante, você imagina o que você é.

Assim, a ideia, que é a presença do pensamento, falseia a realidade do que de fato, em Realidade, Você é. O que Você é, você desconhece, porque você está vivendo neste princípio de separação, de dualidade, nessa ideia de se tornar, nessa ideia sobre quem você foi. A presença do pensamento é a presença da imaginação. Não há qualquer pensamento em você sem a memória.

A memória são registros de experiências passadas que você guarda, que você tem. Isso está nesta estrutura cerebral, é apenas e simplesmente recordação. Não é a Verdade sobre Você, é a verdade desse "eu". Eu diria que é a verdade sobre você que o pensamento construiu, que a mente estabeleceu nesse condicionamento; não é a Verdade deste Ser, que é a Natureza Real sobre Você, a Realidade deste Ser que é Você.

Por que nós temos insistido nisso aqui? Porque nós precisamos ouvir muito sobre isso. Toda a estrutura de mundo que vivemos sustenta em cada um de nós esse velho modelo de crença de separação, de dualidade. É Deus presente, distante. Repare: Deus onipresente, mas distante. Observe a contradição em nossa linguagem - em nossa linguagem comum e em nossa linguagem religiosa.

Se a Realidade Divina é onipresente, Ele não pode estar longe, Ele não pode estar distante, e, mesmo assim, acreditamos, a partir do pensamento, que há uma realidade presente e ela está distante de mim. "Eu sou alguém agora, fui alguém no passado e serei alguém no futuro; serei diferente do que sou hoje, como eu sou hoje diferente do que eu fui ontem". E paralelo a isso, nós temos a verdade de Deus que, apesar de onipresente, está distante.

Assim, nós criamos a crença de ter um encontro com Deus, o pensamento, a imaginação de um dia, ou em algum momento, ter esse encontro, o que requer a presença do tempo, o que requer a distância entre você e Deus. Aquilo que é real está presente aqui como verdadeira onipresença, sendo esta Realidade Aquilo que é eterno, Aquilo que está além dessa noção de espaço, ou seja, de distância e de tempo.

Portanto, a pergunta é: "Como encontrar Deus?" Observe como as pessoas trabalham essa questão; é uma questão que elas não resolvem, porque querem resolver com base na ideia de que elas existem como entidades separadas de Deus e que precisam ter um encontro com Ele, e que para isso precisam de habilidade, técnica, capacidade - aquilo que as pessoas chamam de busca espiritual, espiritualidade.

Aquilo que as pessoas chamam de técnica ou prática de meditação, tudo isso envolve a questão de alguém presente em um exercício, em uma prática, em um modelo de encontro, em uma base de uma imagem de um encontro no futuro. Aqui estamos sempre voltando aos assuntos básicos e olhando a partir de novos ângulos.

Nos deparamos aqui com uma comunicação não simples, que requer de cada um de nós uma qualidade de escuta que também não temos. Esses assuntos aqui precisam ser investigados, e eles são investigados quando escutamos, quando colocamos nossa atenção para essa escuta. Portanto, é fundamental isso. Quando sabemos escutar, temos uma percepção direta nessa escuta.

Quando um pássaro canta e você escuta, nesse escutar a totalidade daquele som se revela, e isso encontra uma intensidade tão profunda que desaparece, nesse momento, alguém ouvindo o som acontecendo. Há só o cantar, o pássaro; há só o escutar o pássaro. Não existe alguém no escutar, não existe o pássaro no cantar. É só o canto, é só o escutar. Nesse instante, o cérebro se aquieta, a mente silencia, e se revela a Verdade daquele momento.

Portanto, esse nosso encontro com o momento aqui, dentro desse contexto de fala, quando nos colocamos para escutar, não é para concordar ou discordar, não é pra aprovar o que está sendo dito ou reprovar o que aqui está sendo falado. Quando nos colocamos para escutar, aquele que fala perde a importância, aquele que escuta perde a importância, o escutar é importante.

Quando temos esse escutar, porque o cérebro se aquietou, porque a mente silenciou, nos deparamos com um espaço que se abre; esse espaço revela a ausência dessa separação. A revelação do fim dessa separação, onde há só o instante ocorrendo, só o momento acontecendo, revela Aquilo que está além da mente, além do pensamento, além desse modelo de condicionamento de dualidade. Isso é parte desse aprender sobre nós mesmos, isso é parte desse aprender sobre o Autoconhecimento, isso é parte desse aprender a arte de ser, que é Meditação.

Portanto, quando a pergunta é "o que é meditação", Meditação é aquilo que aqui está presente se revelando neste instante, como sendo a única Realidade. Não há qualquer separação entre o instante da Meditação e alguém vivendo este instante, o instante da Meditação e a experiência de Deus aqui na Meditação. A Realidade deste instante é esse experimentar Divino. A Realidade da Meditação não é alguém experimentando isso, é a presença dessa Revelação.

Repare que quando nós nos aprofundamos nessas questões, começamos a perceber que esse escutar é Meditação, e que a Meditação é a presença dessa percepção, desse real encontro com Deus, e que esse real encontro com Deus não é algo que se separa dessa visão da Verdade deste Ser que nós somos, o que se revela nesse aprender sobre nós mesmos. E tudo isso está dentro de um único contexto; esse contexto é a Revelação da Vida aqui.

Não existe outro lugar senão aqui. Não existe outro tempo, não existe tal coisa como o ontem ou o amanhã. Do ponto de vista psicológico, estamos diante de uma imaginação quando falamos desse ontem e desse amanhã. Portanto, não existe outro tempo; aquilo que chamamos de tempo é, na realidade, ausência do tempo neste agora. Agora, aqui, não há tempo.

A Revelação Divina, a Revelação desse encontro com Deus, não é alguém que saiu desse ponto, que é o ponto A, para o ponto B, que requer a presença do espaço, que requer a presença do tempo. Esse encontro é a Revelação d'Aquilo que aqui está presente fora do tempo. Essa Realidade é o Eterno, é o Indescritível, é o Inominável, é a Verdade Divina. Qualquer nome para essa Realidade é apenas um nome, uma palavra, uma expressão.

Infelizmente, nós nos apegamos às palavras porque amamos muito ter ideias; é com base nessas ideias que o movimento do "eu", do ego, se sustenta. Esse é o nosso amor às ideias; é o amor que a pessoa tem, na verdade, à sua própria continuidade.

Podemos dispensar das nossas vidas a ideia de alguém presente que se sustenta nesse modelo de existir como pessoa porque está preso a todo modelo de crença, conclusão - o que é basicamente pensamentos e ideias -, para um cérebro novo, livre, para esse contato com o instante sem a necessidade desse fundo de conhecimento, de experiência, que vive se sustentando nesse reconhecimento, que se sustenta nessa continuidade desse tempo?

Observe que esse tempo, como nós conhecemos, no pensamento, é o tempo psicológico, é o tempo que o pensamento produziu. Assim, a mente em você, essa mente do "eu", essa mente egoica, essa mente condicionada, é o resultado do tempo, porque ela é o resultado das lembranças, das recordações, de coisas que aconteceram no passado cronológico. Algo aconteceu ontem - me refiro à esse ontem do calendário - e o cérebro registrou isso como memória.

Nós estamos cultivando essa qualidade de memória e, assim, sustentando a ilusão de uma identidade presente aqui, que viveu aquilo ontem; essa entidade não se separa do próprio pensamento, da própria lembrança. Mas o que é exatamente essa lembrança, esse pensamento? Nesse instante, é apenas uma imaginação. Assim, essa identidade que surge com essa lembrança também é parte da imaginação. Acompanhe com calma isso.

A Vida aqui é a Realidade Divina; n'Ela não existe tal coisa como você e ela, você e Deus. É quando o pensamento surge, criando na imaginação uma identidade, que é o "eu" que viveu aquilo, que a ilusão se mostra presente. Será possível ter a vida simplesmente acontecendo como ela é, sem essa necessidade desse registro psicológico que sustenta a ilusão de uma identidade psicológica, que é esse fundo, que é esse centro, que é esse ego?

Então, esse momento revela a Verdade Divina, a verdade de Deus. Isso é o resultado desse aprender sobre nós mesmos. Então há uma clara visão de que esse "mim" não é real, esse "eu" é algo que o pensamento tem fabricado, que está sustentando, alimentando e cultivando. A Vida livre do "eu", livre desse centro, livre do ego, é a vida livre do modelo do tempo psicológico.

Então, não fica agora um elemento aqui se importando com o que ele foi ou com o que ele será; não fica mais um elemento aqui para, na relação com ele ou ela, se sentir ofendido, triste, com raiva, preocupado ou com medo. Isso é o fim do sofrimento psicológico, quando temos aqui o fim do "eu", nesse contato com a vida, com o outro. Nesse próprio contato com o corpo e a mente, quando não há uma presença ilusória de uma identidade que se mostra presente em razão da imaginação, o seu contato com o corpo, com a mente, com o outro, com a vida é um contato livre da dualidade, da separação.

Essa descoberta é a constatação da Vida como ela é. Não temos aqui mais a ideia do que ela precisa ser, do que ela deveria ter sido e do que ela será, porque não temos mais aqui a presença da ilusão, de que a vida se separa entre passado, presente e futuro. Essa noção é típica desse centro ilusório, dessa egoidentidade, desse "eu" criado pela imaginação.

O que temos aqui, no momento, é a presença da Vida; Ela é a presença desse Ser, Ela é a presença de Deus. Você nasceu para esta Revelação, para esta Ciência. Os nossos encontros aqui online, nos finais de semana, sábado e domingo, têm esse propósito. São dois dias de uma forma online. Além dos encontros online, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido pra você, já fica aqui esse convite.

Outubro de 2025
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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

A Arte de Meditar | O que é a Meditação? | Marcos Gualberto | Joel Goldsmith

GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast, novamente o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado "A Arte de Meditar". Num trecho desse livro, Mestre, o Joel fez o seguinte comentário: "Quando a consciência se liberta pela meditação individual, não sofre mais as limitações de tempo e espaço." Neste trecho o Joel comenta sobre a libertação pela meditação. Dentro desse assunto, Mestre, você pode compartilhar a Sua visão sobre o que é a Meditação?

MG: A presença da Meditação envolve a questão da presença daquele que medita. Quem é esse elemento presente na meditação? É a compreensão desse elemento, é a visão clara sobre o "eu", sobre a pessoa. Não existe verdadeira Meditação como uma prática para alguém - essa é a grande confusão. É muito comum a ideia de alguém realizando alguma coisa, fazendo algo, obtendo algo ou se livrando de alguma outra coisa que não quer. Essa é a ideia. Nós carregamos em nós o sentido de uma identidade que se vê presente aqui, no momento presente, se vê ativo aqui, nesta ação.

Assim, quando existe um pensamento presente, a ideia é alguém presente sendo o autor desse pensamento. Quando há um sentimento, existe alguém envolvido nesse sentir. Assim, nós estamos, constantemente sustentando a presença do "eu". A presença do "eu" é presença de uma entidade que se vê, no momento, como o centro e o responsável das ações. Assim, é uma ideia de uma entidade que se vê presente sendo o centro das ações e de tudo que surge à sua volta. Esse centro é o "eu", o ego, a pessoa.

Assim, o que é a Meditação? É a compreensão do "eu". Essa é a base para a revelação de algo além do conhecido, uma vez que o "eu" é a presença desta mente - desta mente que conhece, que sabe, que entende, que reconhece as coisas. Haverá um estado interno livre do conhecimento, do saber, do entendimento? Haverá um estado livre da separação? É a separação na ideia de alguém que se vê separado do momento presente, sendo alguém atuando, alguém agindo, pensando, falando, sentindo.

É desse estado que estamos tratando aqui, com você. Há algo presente sendo, na vida, a própria presença da vida. Esse Algo presente é a Realidade deste Ser, desse Estado Natural livre do "eu". Esta é a presença da Meditação! O seu Natural Estado de Ser, o seu Divino Estado de Ser, a Realidade de Ser, Aquilo que aqui está presente sendo a vida é a presença da Bem-aventurança, da Felicidade, do Amor. Portanto, a Meditação é o seu Natural Estado de Ser quando assumimos a real compreensão do "eu". Portanto, nós precisamos investigar a natureza do "eu", a natureza do ego, essa inclinação do pensamento para sustentar uma entidade presente, sendo o pensador.

Portanto, qual é a base para a Meditação, para que esse Natural Estado de Ser floresça? A base para a Meditação é a compreensão de nós mesmos, é a compreensão do "eu", é a compreensão desse "mim". Quando não temos essa base nós não temos a Verdade da Meditação, nós temos uma técnica, uma prática, temos alguém realizando alguma coisa - alguém que, pelo esforço está se dedicando, por exemplo, a silenciar os pensamentos, a aquietar a mente. Esse esforço e esta separação entre a mente inquieta e esse que quer aquietar, é a dualidade. Esse esforço nesta separação entre esses movimentos, que são os movimentos internos desta consciência, que é a consciência do "eu" - me refiro a esse movimento de pensamento presente - e alguém tentando silenciar isso, esse esforço está nesse princípio da dualidade. Isso não é real Meditação!

Aqui no canal nós temos vários vídeos colocando para você a Verdade sobre a real Meditação, a Verdade da Meditação. Quando as pessoas colocam a Meditação como uma prática elas não compreendem que a Verdade da Meditação é a Meditação na prática, não é a prática da meditação; há uma diferença! A Meditação na prática é a ciência de Ser, momento a momento. Quando aprendemos a observar nossas reações, quando aprendemos a ir além destas reações, quando se transcende esse movimento do "eu", do ego, esse transcender é a revelação desse Natural Estado de Ser - isso é a Meditação na prática. Não é uma prática que irá levar você até a Meditação, é a ciência da Meditação, que de uma forma prática revela Aquilo que aqui está presente, já neste momento, como sendo a Verdade sobre você, como sendo a Verdade de Ser.

Portanto, aqui nestes encontros, o nosso propósito consiste em olhar para Aquilo que aqui está presente, se revelando momento a momento. A cada encontro que temos aqui, temos aqui um convite para esse olhar para o instante, para esse escutar o momento presente, para esta revelação da Realidade do agora. Esta é a Verdade da Meditação, esta é a Verdade de Ser. Um outro aspecto importante é que não se trata de um resultado que se realiza, que alcança, que se obtém. Todo e qualquer resultado que se realiza, que se obtém, será perdido. em algum momento ele irá desparecer. Porque o próprio esforço e o próprio elemento que se dedica naquele esforço, em direção àquele resultado, o resultado e esse elemento não se separam.

Assim, esse resultado como esforço para este "eu" é, ainda, a continuidade desse "eu". Portanto, o "eu" continua presente, esse sentido do ego continua presente, e se ele está presente, a confusão está presente, o sofrimento está presente, a ilusão permanece. O real contato com a vida é a presença da Meditação, e isso está presente quando não há mais o "eu", quando não há mais ilusão. Isso não é um resultado que se alcança, isso é a ciência da vida se revelando neste instante, neste momento. Portanto, quando tocamos aqui na questão da Meditação, estamos apontando para algo fora do conhecido, para algo fora da mente, fora do "eu", fora dos resultados, fora de qualquer esforço, intenção, motivo ou prática.

Aquilo que se faz necessário aqui é a Atenção sobre as nossas reações, e isso não requer esforço; requer o olhar, o escutar sem esforço, para todo e qualquer momento aqui, para todo e qualquer instante aqui, o que quer que esteja aqui se revelando no momento, no instante - o olhar, o escutar é algo que revela a Verdade. Não existe tal coisa como o futuro ou o passado. Toda essa estrutura de futuro e passado é a estrutura da memória. Observe como é simples isso: você não tem qualquer futuro sem a ideia de futuro, e não tem qualquer passado sem a memória do que já foi, do que já aconteceu. O que já foi, o que já aconteceu, agora, aqui, é só memória. Não é o passado, é a lembrança.

Portanto, não existe tal coisa como o passado ou o futuro. Tudo isso requer investigação, profunda e direta compreensão. Esse é o Despertar da Sabedoria, é o Despertar de uma visão livre do tempo, nesta real ciência Divina, nesta real ciência de Deus. Esta ciência é a Realidade da Meditação.

GC: Mestre, dentro desse assunto da Meditação, nós temos a pergunta de um inscrito aqui no canal: "Mestre, minha mente fica presa em preocupações com o futuro e arrependimentos do passado. Como meditar assim?"

MG: Gilson, atrelar a Meditação a qualquer outra coisa é completamente falso. A Meditação não é algo como uma técnica ou prática para você se livrar - como está implícito aqui na pergunta - do passado ou do futuro. Nós nos aproximamos da Meditação de uma forma direta, simples, real, verdadeira quando investigamos a natureza do tempo. Qual é a Verdade sobre o tempo? Aquilo que você chama de "passado" ou "futuro", como estamos colocando aqui para vocês sempre, em todas essas falas, é algo que o pensamento engendra, estabelece, constrói e sustenta. Porque não existe tal coisa como o passado, a não ser a presença de uma lembrança, de uma memória de algo que ocorreu ou de algo que você ouviu a respeito ou leu sobre aquilo, mas estamos apenas diante de pensamentos, de ideias, de imagens, de representações mentais.

Portanto, aquilo que nós chamamos de "passado" é memória, é lembrança surgindo aqui, neste instante. Neste instante não há passado; neste instante o que temos é a vida como ela é, como ela acontece, e parte daquilo que acontece está acontecendo agora como lembrança. Então, o que você chama de "passado" é a lembrança do que já foi, e o que você chama de "futuro" é a imaginação do que será. Mas repare, o que será não é real agora, e o que aconteceu não é real agora. Portanto, não existe tal coisa como o passado nem o futuro.

Assim, o que temos aqui ainda não é o presente. Quando você usa a palavra, a expressão "presente", do que exatamente você está falando? Quando você acaba de usar a expressão "presente" isso já foi. agora é só memória. Então, quando usamos o "presente" entre o passado e o futuro, estamos lidando com uma ilusão, uma abstração, um modelo de construção do pensamento para manter a continuidade de uma ilusão, que é a ilusão de alguém que é a pessoa. Esse sentido de pessoa veio do passado, está indo para o futuro e passando pelo presente. Não existe tal coisa como o passado, o presente e o futuro; assim como não existe tal coisa como alguém presente sendo a pessoa.

Não há pessoa, o que temos neste momento é a vida se revelando, e a revelação da vida neste momento é a presença da Meditação. Não é a Meditação para alguém, é a Meditação quando não existe a pessoa, quando não existe o passado, o presente e o futuro. Assim, a ideia de se livrar do passado ou do futuro para meditar é uma ilusão! É a compreensão de que não há o passado, de que não há o futuro, de que não existe o presente; é a visão do momento se revelando, sem a ideia do tempo, a Presença de Ser. É que nós estamos constantemente, Gilson, na ideia do vir-a-ser, deste alcançar, de obter coisas no futuro. Ou, se estou em desconforto agora, aqui, a ideia é me livrar no futuro, disso, desta coisa.

Portanto, ganhar ou perder, obter ou se livrar, é algo para o futuro, mas apenas na imaginação do pensamento, porque não existe tal coisa como o futuro. É a compreensão do momento, daquilo que se revela aqui e agora, a liberação do tempo. Esse tempo é o tempo que o pensamento estabeleceu, que o pensamento vem sustentando, e colocando uma identidade presente se movimentando nele, entre o que foi e o que será. A vida real está livre do tempo, porque ela está livre do "eu", livre do ego.

Portanto, não existe nada mais importante na vida do que a compreensão da Meditação, e a compreensão da Meditação floresce naturalmente, quando não há mais a ilusão, quando não há mais esta ideia, este pensamento, esse motivo que entusiasma esse sentido do "eu" para o futuro, que coloca essa ideia de um pensador tendo ideias, tendo memórias, tendo imaginações. Se isso é eliminado, a ciência Divina se revela. Esta ciência Divina é a presença da Meditação. Parte desta ciência consiste na compreensão da Verdade sobre você. Se auto-conhecer é se aproximar deste momento de uma forma real.

Assim, nós temos a eliminação da ilusão, a eliminação deste centro ilusório, deste falso centro que é a pessoa, que é o ego.

GC: Mestre, nós temos outra pergunta, de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, qual é o primeiro passo para a meditação?"

MG: Gilson, mais uma vez aqui nos deparamos com um equívoco: é a ideia de alguém querendo meditar, é a ideia de uma pessoa tentando aprender a meditar. Aprender a Meditar compreende uma outra coisa, não compreende passos para a Meditação - isso implicaria a presença de alguém para a prática, de alguém fazendo uso de um sistema, de um método. Aprender Meditação significa assumir a Verdade da investigação da natureza do "eu". É como aprender sobre nós mesmos, é como aprender sobre o Autoconhecimento. Não é alguém no exercício desta aprendizagem, é a investigação da natureza deste alguém, deste "eu" o real aprender.

Portanto, aprender sobre o Autoconhecimento, é a base para aprender Meditação. Aprender sobre o Autoconhecimento é tomar ciência da não-verdade, da não-verdade da pessoa, da não-verdade do "eu", ou desta verdade sobre o "eu", desta verdade sobre a pessoa. A verdade sobre a pessoa, a verdade sobre o "eu", é que não existe o "eu", não existe esta pessoa, e você se dá conta disso aqui e agora, quando aprende a olhar para as suas reações sem interferir com elas. Quando você está envolvido com pensamentos, se vendo como alguém separados desses pensamentos, sendo autor dos pensamentos, você está sustentando um velho modelo de existência, de padrão de condicionamento, de comportamento, que é a ideia de um pensador pensando.

Quando você está envolvido com um sentimento, se vendo como alguém neste sentir, a velha forma de sentir isso está padronizada dentro de um condicionamento, porque é assim que, como seres humanos, nesta consciência pessoal, nesta consciência do "eu", nós estamos sentindo, nós estamos pensando e nós estamos agindo. Mas estamos aqui investigando com você exatamente isso: essa ilusão! A ilusão de uma separação entre aquele que sente e o sentimento, entre aquele que pensa e o pensamento, entre aquele que toma a ação e a ação. Portanto, a real forma deste aprender Meditação, deste aprender Autoconhecimento, consiste neste olhar para as nossas reações, ficando ciente delas sem se envolver com elas.

Assim descartamos essa separação, assim descartamos essa ilusão entre o "eu" e o "não eu", entre o pensador e o pensamento, entre esse elemento que se vê separado do sentimento e o sentimento, entre esse elemento que se vê como o autor das ações e as ações acontecendo. Portanto, a Beleza de um encontro com a Verdade consiste na revelação da Meditação, e a Meditação floresce quando há compreensão neste aprender sobre nós mesmos. Assim, não há um separação entre a Meditação e o Autoconhecimento, entre o Autoconhecimento e esse aprender Meditação, entre esse aprender a cada instante. O olhar para este momento revela esse aprender.

Nós temos, na vida, a belíssima e extraordinária oportunidade de um real encontro com o momento sem o "eu", sem o ego, sem a pessoa. No entanto, nós nada sabemos sobre isso, exatamente porque nós sabemos tudo para ser alguém. A nossa vida vem sendo orientada e está estabelecida constantemente nessa ideia: na ideia do "eu", na ideia de ser alguém, neste saber. Nós estamos vivendo dentro do conhecido, dentro do conhecimento, dentro de todos os registros que guardamos em nós, que são a memória, o passado, a lembrança, a recordação. Sim, porque é isso que nós chamamos de passado: a recordação, a memória, a lembrança. Podemos descartar isso para esse real encontro com o momento?

Então sim, nos deparamos com a revelação da Meditação. Então sim, nos deparamos com a Bem-aventurança, a Felicidade, o Amor, a Liberdade de Ser. Isso é a Presença Divina, isso é a presença de Deus. Não é alguém presente, mas é a Realidade de Deus presente; não é ninguém tendo um encontro com Deus, é a Realidade de Deus se revelando neste momento. É a presença de Deus se revelando quando não há mais o "eu". É o que estamos aqui com você, aprofundando nestes encontros.

GC: Gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais um videocast. E, para você que acompanhou o videocast até o final deseja realmente aprender esta Arte de Meditar, fica o convite para participar dos encontros intensivos de final de semana que o Mestre Gualberto proporciona. Nesses encontros acontece algo muito mais profundo do que estes vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo às nossas perguntas, e segundo e muito mais impactante é que, pelo Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, ele compartilha um campo de Presença à Sua volta, um campo de Energia, de Poder e Graça. E, nesses encontros, a gente acaba pegando uma carona nesse campo de Presença do Mestre. E, pegando essa carona com o Mestre, sem nenhuma prática, sem nenhuma técnica, nós entramos nesse Estado de Meditação, aquietamos nossas mentes e podemos ter uma compreensão real dos assuntos que são tratados aqui no canal. Então, fica o convite: no primeiro comentário, fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o like no vídeo, se inscreve no canal, e Mestre, mais uma vez gratidão pelo videocast.

Outubro de 2025
Gravatá-PE
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