quinta-feira, 7 de maio de 2026

Joel Goldsmith | Vivendo a Vida Iluminada | O que é a vida espiritual? | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast, novamente o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado "Vivendo a Vida Iluminada". Em um trecho desse livro, Mestre, o Joel faz o seguinte comentário: "Na vida espiritual não há acaso, nem eventos acidentais de qualquer natureza." Neste trecho o Joel comenta sobre a vida espiritual. Dentro deste assunto, o Mestre pode compartilhar a Sua visão sobre o que é a vida espiritual?

MG: Gilson, a vida é uma única vida. O pensamento, em nós, é o elemento que separa, que divide e subdivide. Nós falamos de vida material, falamos de vida emocional, falamos de vida espiritual. Assim, para nós, existem diversas formas de vida e podemos continuar subdividindo isso. A Realidade da vida, é isso que nos interessa aqui, nestes encontros, ter uma direta visão. Há uma diferença entre indiretamente olhar para alguma coisa - é o que geralmente nós temos feito quando a nossa aproximação sobre aquilo é intelectual, é teórica, em palavras, é verbal. É a forma indireta de abordar certas questões.

Isso tem criado diversas dificuldades para a maioria de nós. Estamos apenas pisando no terreno das ideias, no campo dos conceitos, no ambiente teórico, no espaço da abstração, quando estamos lidando apenas com teorias, com palavras, com conceitos. E é isso que nós temos feito quando falamos sobre a vida: escrevemos poesias, poemas, canções. colocamos a expressão "vida" de uma forma romântica, emocional, sentimental, em letras de música, em poesias e poemas, e achamos muito interessante a força dessa expressão, mas nós ficamos apenas nessa qualidade de campo, que é o campo teórico.

Nós desconhecemos a Realidade da vida, e esse é o nosso empenho aqui, esse é o nosso interesse aqui: estamos investigando a Verdade sobre a vida. E a Verdade sobre a vida é que não há "alguém" para viver a vida, essa é mais uma ideia que temos. Nós falamos da vida como um elemento separado de nós, como se nós fôssemos o elemento presente, vivo, para viver. Nós nos confundimos com o corpo, nos confundimos com a mente, nos vemos como entidades separadas da vida e aí falamos sobre a possibilidade de uma vida espiritual, assim como acreditamos que já estamos tendo uma vida. Então, a ideia é sair da vida material que estamos vivendo, para uma vida espiritual.

O que estamos, de fato vivendo, ou acreditando viver, é a presença de um sonho que nós chamamos de "vida". Quando as pessoas morrem, nós acreditamos que elas saíram da vida, foram tiradas na vida. Na verdade, agora temos a ausência física ou da aparência de uma pessoa dentro de um sonho, porque a pura Realidade da vida, a real vida, é a Realidade Divina, a Realidade de Deus, e assumimos essa Realidade quando deixamos a ilusão do sonho, desta assim chamada "vida" que nós chamamos de "minha vida", a ideia dessa vida particular da pessoa. Então, "eu tenho a minha vida unida à sua vida", "Eu amo a minha vida", "Estou vivendo bem minha própria vida", são expressões que usamos, são expressões sem nenhum significado real, porque estamos apenas expressando pensamentos, ideias, conceitos e crenças - e como apreciamos isso!

E agora estamos falando de alcançar uma vida espiritual. Você pergunta: "O que é essa vida espiritual?" A meu ver, a ciência da vida é a real compreensão da vida, e ela só é possível quando a vida é real, e ela só é real quando não há mais ilusão. A presença do pensamento está sustentando, para cada um de nós, a continuidade de um sonho que nós chamamos de "vida material", e nesta assim chamada "vida material" estamos perseguindo a felicidade, perseguindo a paz, perseguindo a liberdade. Estamos em uma trajetória ou jornada de perseguição para encontrar, no pensamento em nós. a ideia é amanhã encontrar: amanhã encontrar o amor, amanhã encontrar a paz, amanhã encontrar Deus, amanhã encontrar a vida espiritual, deixando de ser materialista.

A realidade daquilo que nós chamamos de "vida" é a ausência da vida real - essa é a realidade dessa vida que nós conhecemos dentro do pensamento. Aqui, investigar a questão do pensamento é compreender a natureza desse que pensa, que é a pessoa; desse que sente, que é a pessoa; desse que acredita ser a pessoa. Esse é o sonho! É um sonho presente na mente, dentro de suas ilusões. Nós precisamos ter ciência de uma mente livre, clara, lúcida, real, onde não há mais essa contaminação de crenças, conceitos, ideias, imaginações, como nós estamos vivendo. É assim que nós estamos vivendo essa particular vida da pessoa: estamos dentro de um sonho.

Portanto, você pergunta o que é a vida espiritual. É a vida real, mas essa vida real não é a vida de "alguém", não é a vida para "alguém", é a vida de Ser. Sim, é a vida neste Ser. Ser é a essencial natureza de cada um de nós, é a Verdade sobre Deus a natureza do seu Ser. Aqui está a vida, uma vida que, por mais estranho que isso nos pareça, está além do nascer e morrer. É fundamental a compreensão disso, que é a única e real vida. Não é a vida para você, é a vida que é você! Nós estamos dividindo, não só em palavras, mas sobretudo de uma forma imaginária, estamos estabelecendo no viver a ilusão desta separação. Portanto, aquilo que desaparece aqui é esta ilusão.

A vida não é algo que está ausente; no entanto, aquilo que se mostra presente falseia a Realidade desta vida que está aqui e agora, e o que está presente é a ilusão de uma identidade, é a ilusão de "alguém", de "alguém" que sente estar vivo e que pode morrer. Todo o nosso susto, medo, todo o nosso temor consiste no desaparecimento dessa história, de toda esta memória, daquilo que o pensamento acredita ter, possuir, para este "mim", para este "eu". Por isso, falamos do medo da morte. Alguns se envolvem nessa busca assim chamada "espiritual" na ideia, na ilusão do que eles também chamam de "espiritualidade": um caminho, uma forma, uma maneira de escapar do sofrimento.

A Realidade da vida é o fim do sofrimento. Sim, é o fim da ideia de alguém para morrer, mas isso é a Realização da Verdade d'Aquilo que aqui está presente, não é algo para o futuro nesta imaginária espiritualidade. Portanto, a vida espiritual consiste na ciência da Realidade deste Ser, na ciência da Realidade de Deus, aqui e agora. Você nasceu para assumir a Verdade de que não há alguém presente. Temos, aqui na vida, a Realidade de Deus e essa é a verdadeira vida espiritual. A real vida Divina é a vida deste Ser. Portanto, Amor, Felicidade, Paz, Liberdade, é a presença desta vida, desta ciência de Deus, desta vida real, desta vida Divina, desta real vida espiritual.

GC: Mestre, nós temos uma pergunta de um inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, posso encontrar Deus, mesmo com tantos pensamentos?"

MG: Gilson, a ideia de encontrar Deus ainda é um pensamento. Nós precisamos descobrir a Realidade presente, sim, fora do pensamento. Mas investigar a natureza, a estrutura do pensamento é se encontrar na possibilidade, de fato, de ir além deles. E quando estamos além dos pensamentos descobrimos esta Realidade presente; esta Realidade presente além do pensamentos é o seu natural Estado de Ser. Aqui a presença de Ser é a ausência da mente como nós conhecemos, e portanto é a ausência desse modelo de pensamentos. A sua preocupação está em ter um encontro com Deus. Aqui a recomendação é: investigue a natureza do "eu", investigue a natureza desse pensador. Uma vez esclarecido que o pensamento é o próprio pensador e esse pensador é o "eu", e este "eu" como pessoa é uma ilusão, uma vez esclarecido isso, a Realidade de Deus, que não está ausente, se mostra.

Não podemos, de fato, ter um encontro com Deus, porque a ideia de alguém tendo esse encontro é uma ilusão. É o próprio pensamento a partir da ideia desse pensador, criando essa sugestão. O real caminho direto para Deus é tomar ciência da ilusão do "eu", da ilusão desta pessoa, e isso requer a presença do Autoconhecimento, isso requer a presença de um olhar para a vida sem o modelo do passado. O modelo do passado é o modelo construído, desenhado por essa estrutura de ideias, de crenças, de palavras, que são os pensamentos. Se faz necessário e isso é fundamental, a mente livre do passado, a mente livre de todo este conteúdo de história - a história deste personagem, que é a história desta egoidentidade. Esse esvaziamento completo de todo este conteúdo nasce naturalmente quando a mente se vê livre de toda esta ocupação psicológica.

Aqui é a presença da Meditação, a real aproximação da Verdade desta revelação, desta ciência de Deus. Deus é a única Realidade presente, mas toda e qualquer ideia sobre isso é só uma crença. Nós nos vemos como pessoas, separadas da vida, separadas de Deus. A Realidade da vida é a Realidade de Deus, e essa é a Verdade deste Ser: não há pessoas! É o que nós precisamos compreender, e essa compreensão nasce, floresce, desperta naturalmente, quando descobrimos o que é aprender sobre nós mesmos, o que é aprender como a mente funciona. E isso elimina essa qualidade de vida particular neste sonho, que é o sonho de alguém presente. Isso elimina esta particular vida deste centro, deste "eu". Então, Deus se revela como a única Realidade presente quando a Verdade da Meditação está aqui. Portanto, nós precisamos aprender a ciência de Ser, precisamos aprender sobre a Meditação, a Realidade, o que é real Meditação. Nós temos uma playlist aqui no canal, trabalhando com você essa questão do Autoconhecimento e da real Meditação de uma forma prática, vivencial.

GC: Mestre, dentro desse assunto do pensamento, nós temos uma outra pergunta de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Como observar os pensamentos sem me perder neles?"

MG: Gilson, a sua pergunta é: "Como não se perder nos pensamentos?". Observe que a ideia central, a ideia básica em todos nós é de alguém presente fazendo alguma coisa, realizando alguma coisa, tendo um propósito e trabalhando por ele. Aqui sim, um trabalho se faz necessário, um propósito está presente; no entanto, não existe alguém para realizar este trabalho, nem atingir este alvo ou este propósito. Então, aqui, como resposta para a sua pergunta, que é "Como observar os pensamentos?", nós estamos diante de algo de uma simplicidade, mas ao mesmo tempo de uma complexidade incrível! Nós estamos criando essa dificuldade incrível para algo tão básico e simples, que é olhar os pensamentos.

Por força do hábito, por mania, por prática ou vício, nós estamos constantemente interferindo no momento presente, interferindo com aquilo que acontece aqui. Nós nos vemos como entidade presente neste instante para interferir. Então, estamos nos vendo como alguém capaz de intervir, de moldar e interferir no momento. Eu me refiro a interferir com a experiência deste instante, por exemplo: um pensamento está presente. Quando ele surge, de imediato, por força do hábito - é assim que nós estamos funcionando há milênios - surge o pensador. Quando um pensamento surge, de imediato surge o pensador. Esse pensador é a pessoa, que gosta do pensamento ou não gosta do pensamento.

Então, não sabemos olhar para o pensamento, porque o nosso olhar é um olhar contaminado por um observador, por um pensador, por um experimentador que quer interferir. No entanto, nós precisamos descobrir, aqui e agora, o que é olhar - apenas olhar, simplesmente olhar - nesta atenção, olhar. Olha não é interferir, olhar não é gostar ou não gostar, não é tentar fazer algo com aquilo que você observa, é apenas olhar! É como se eu lhe apresentasse, aqui, uma flor: você pode olhar para a flor ou pode criar ideias sobre ela. Eu lhe apresento a flor e você imagina essa flor em um jarro dentro da sua casa, em cima de algum móvel. Eu lhe apresento a flor e você se imagina estendendo as suas mãos, pegando essa flor e dando para alguém. Você pode ter muitas imagens sobre esta flor que eu lhe mostro. Qualquer uma dessas imagens são imaginações dentro de você, sobre esta flor.

Quando você faz isso, você perde o "olhar" - não há mais o olhar para esta flor, o que temos presente é alguém olhando para esta flor. Nós estamos constantemente colocando a intenção, a motivação, a ideia do que fazer; nós estamos fazendo isso o tempo todo com as experiências. Assim, é muito comum, diante de algo que estamos vendo, colocarmos a ideia de alguém presente. A presença desse alguém é esse que observa a partir de um ideal, de um propósito, de uma intenção.

Aqui, a Verdade desse olhar fundamental é esse olhar sem o observador, esse é o fundamental olhar sem interferir. Então, há uma observação direta, portanto, observar é apenas olhar, se dar conta, tomar ciência. não é interferir, não é fazer algo com aquilo que você está vendo. A ideia, a intenção, a motivação de fazer algo é a presença de uma separação entre aquilo que está sendo observado e alguém nesta observação. Você pergunta: "Como observar os pensamentos?". É da mesma forma que você olha para alguma coisa: você apenas olha!

Tome ciência dos pensamentos, quando um sentimento surge, tome ciência do sentimento ou da emoção, ou da sensação. Se um pensamento surge dentro você, você apenas olha. Se uma sensação aparece com esse sentimento, você apenas olha. O ponto é que estamos constantemente nos envolvendo com o pensamento ou com a sensação, ou com isso que se mostra, com isso que se apresenta. Assim, nós estamos colocando um experimentador, um observador. Não há uma real observação quando o observador está presente porque, ao olhar, esse olhar é para interferir.

Será possível apenas olhar o pensamento quando surge, o sentimento quando aparece, uma sensação?. Esse sentimento, essa sensação, esse pensamento é algo que está surgindo em razão de um estímulo - esse estímulo é o que está apresentando essa experiência. Quando há só o olhar sem interferir, nós temos o fim para a ideia de alguém presente sendo o experimentador, sendo o observador. A verdadeira observação é a observação sem o "eu", que é o observador! Essa é a real forma da aproximação da Meditação, é o olhar para este instante sem o passado, ou seja, sem a interferência do "eu", sem a interferência desse experimentador, sem a interferência desse observador.

Se aproximar deste instante requer um olhar para este momento. O verdadeiro olhar para este momento é de percepção - nesta percepção não há alguém para perceber; é de escuta para aquilo que este momento representa - nesta escuta não há alguém nesta escuta, não há alguém para interferir. Então, se revela algo além daquilo que está se mostrando aqui. Assim, estamos diante do fim da dualidade, do fim da separação. Não existe esse observador observando alguma coisa, não existe esse experimentador experimentando algo, não existe alguém ouvindo isso ou aquilo - é só o escutar, é só o observar, é só o perceber.

Esta é a real aproximação para este momento, quando o sentido de separação não está. É que, por muito tempo, tudo que temos feito estamos fazendo a partir do "eu", a partir de "alguém". Olhamos a partir da ideia, do conceito, da crença, da vontade, do desejo, do impulso para fazer algo, para alterar, para modificar. e assim colocamos sempre a presença de uma identidade aqui, que se separa deste instante, que se separa deste momento. Então, há uma qualidade de aproximação para este momento, do ponto de vista externo e também interno, sem a presença desta dualidade, sem a presença deste "eu" e o "não eu". Isso requer esta atenção.

Apenas olhar, apenas perceber, então algo novo surge. Esse algo é a ciência da não dualidade; então se revela aquilo que aqui está presente além deste "eu" e o "não eu". Essa é a real forma da aproximação com o momento presente, com este instante, com aquilo que acontece externamente ou internamente. Então, esse sentido do "eu" não se mostra, não se apresenta. Então, não existe alguém para se perder quando há só o olhar, o perceber, o constatar. Não existe alguém se perdendo nos pensamentos, o que temos presente é a presença do pensamento. Esse sentido de alguém não é real, e o que revela isso é essa qualidade de aproximação deste momento nesta atenção. Assim, o contato com este instante é a visão do momento, a simples e direta visão daquilo que aqui está presente, surgindo neste instante, internamente ou externamente.

GC: Gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais este videocast. E, para você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver essas Verdades, fica o convite para participar dos encontros intensivos de final de semana que o Mestre Gualberto proporciona. Esses encontros são muito mais profundos do que estes vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo às nossas perguntas, e segundo e muito mais impactante, é que, pelo Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, Ele compartilha um campo de presença à Sua volta, um campo de Energia de Poder e Graça. E, nesses encontros, a gente acaba entrando de carona nesse campo de Presença do Mestre. E, pegando essa carona com o Mestre, de maneira espontânea, sem nenhuma prática, sem nenhuma técnica, sem nenhum esforço, entramos no Estado Meditativo, silenciamos nossas mentes e podemos ter uma visão e uma compreensão real dos assuntos que são tratados aqui no canal.

Então, fica o convite: no primeiro comentário, fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o like no vídeo, se inscreve no canal. e, Mestre, mais uma vez gratidão pelo videocast.

Outubro de 2025
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terça-feira, 5 de maio de 2026

Como encontrar Deus? | Meditação: o que é? | Aprender sobre Autoconhecimento | Sabedoria de Deus

Nós estamos trabalhando isso com você, essa questão da visão da Vida, aquilo que nós poderíamos chamar de Sabedoria Divina ou Sabedoria de Deus. A visão da Vida é a compreensão de que não existe uma separação entre você e a Vida. Quando isso é visto, compreendido, esclarecido, realizado, toda a confusão termina.

A vida do ser humano é uma vida complicada, porque nós não estamos vivendo a verdade de uma vida simples e natural. O nosso modelo interno de consciência, de mente, é algo por demais complexo. A complexidade psicológica, o modelo de consciência e mente em nós está produzindo confusão, sustentando toda a qualidade de problemas dentro de nós mesmos. E aquilo que nós somos, internamente, infalivelmente se expressa dentro do contexto das relações produzindo caos, produzindo toda esta confusão.

Aqui nós temos enfatizado com você a beleza de uma oportunidade, que se abre para cada um de nós, de termos um real contato com o Divino, um real contato com a Vida. Sim, um real contato, porque aquilo que temos como contato, com base em crenças, em teorias e especulações sobre o que é Deus, sobre o que é a vida, não nos coloca em um real contato. Nós estamos apenas em uma abstração quando estamos presos a aspectos filosóficos sobre a vida e a aspectos religiosos sobre Deus.

Um real contato com Deus, um real contato com a Vida, se revela quando aprendemos tudo a respeito de nós mesmos. Temos que aprender sobre nós mesmos. Nos falaram da existência de Deus e colocaram Ele bem distante de cada um de nós. Nos falam sobre a vida, mas também a partir de letras de músicas e frases filosóficas. Nada sabemos de uma forma direta, vivencial, experimental sobre a vida ou sobre Deus. E nada sabemos sobre isso porque não conhecemos a Realidade sobre nós mesmos.

Não temos a compreensão da Realidade sobre quem somos porque não temos a Verdade sobre aquilo que aqui apresentamos ser. Nós nos apresentamos como pessoas, estamos nos relacionando, como pessoas, entre pessoas. Como pessoas, na relação com experiências, situações, acontecimentos. Nós não temos a verdade da pessoa, desse "eu". Nós não investigamos isso.

Aprender sobre o Autoconhecimento é o que nos aproxima da Verdade da ciência que revela onde Deus está, onde Ele se encontra, onde sua Presença se revela. Aqui, já adiantando pra você, o que temos dito é que: a Realidade da Vida, aqui e agora, não é algo que se separa da Verdade sobre Deus, neste momento. Portanto, não é algo que você encontra lá fora.

Assim, não é aonde Deus está e, sim, onde sua Presença, aqui e agora, se revela. É isso que nos importa investigar, compreender. Quando as pessoas perguntam "como encontrar Deus", elas colocam longe, distante, porque nós fomos ensinados assim. Cada um de nós tem uma visão. Aqui, uma visão é a particular opinião, ideia, crença a respeito de Deus. Fomos criados dentro de uma religião, cercados por diversas formas de doutrinas religiosas, espiritualistas.

Assim, nós temos uma formação intelectual, crédula de ideias sobre Deus. Então, para nós, Ele é algo longe, distante. Portanto, como encontrar Deus? Aqui estamos investigando isso com você. Assim, podemos fazer essas colocações, e não se trata de acreditar no que aqui está sendo colocado. Aqui se trata de investigar se há alguma verdade nisto, no que aqui apresentamos neste momento pra você. Isso requer um cérebro e uma mente capazes de olhar e, por si mesmo, se aproximar e ver de perto o que estamos tratando aqui.

A ciência que revela a Vida é a ciência que revela Deus. Esta ciência é a presença da Meditação. A Realidade deste Ser não é a pessoa como você se vê. Eu me refiro à Realidade deste Ser presente, é a Verdade sobre a Vida, é a Realidade sobre Deus. Portanto, nada é mais importante na vida do que o reconhecimento d'Aquilo que aqui está presente, além do conhecido.

É muito estranho aqui a palavra "reconhecimento", mas como se trata de algo inato, que está presente sendo Você em sua Natureza Real, não existe nada mais íntimo para ser constatado, para ser vivenciado e, portanto, reconhecido. Não são como os aspectos do pensamento, as imagens que o pensamento estabelece em nós para, nas lembranças, serem reconhecidas. É algo inteiramente diferente da Realidade deste Ser.

Você reconhece objetos porque tem um conhecimento deles na memória. Aqui, a Verdade de Deus é algo além da mente, no entanto, é algo inato, sendo a Verdade deste Ser. Por que não nos aproximamos disso? Porque nós fomos moldados dentro de uma estrutura social, coletiva, de ideias no mundo, para pensar sempre em termos de vir a ser, de alcançar. Então, nós temos essa inclinação.

A ideia é: "eu não sou, mas eu serei", é: "eu não tenho aqui, mas irei ter", "não alcancei ainda, mas irei alcançar", e isso tem nos dado uma qualidade de consciência em dualidade, de mente em dualidade, onde existe a ideia, que é um pensamento em nós, de que nos falta algo e de que precisamos daquilo. Então, nós não somos, mas nós seremos, nós não temos, mas nós teremos, não alcançamos, mas iremos alcançar. Essa é a separação.

Isso nos coloca no contexto da vida em um movimento interno, de pensamento, de orientação psicológica, onde nos vemos como entidades separadas da vida como ela acontece, do outro como ele é, e em nós mesmos. Quando um pensamento está presente, temos a ilusão de um pensador: mais uma vez temos aqui a dualidade. Quando uma emoção está presente, temos a ilusão de alguém que se separa da emoção. É isso que aqui, com você, estamos investigando: a ilusão desta dualidade.

Deus não é algo distante. Não existe tal coisa como Você, em sua Natureza Verdadeira, e Deus. Não há uma separação entre Ser e Deus. Ser é a Realidade de Deus. Então, não se trata de vir a ser. "Eu não sou feliz, mas eu serei feliz": esse vir a ser é a ilusão. "Eu não tenho o amor, mas eu terei o amor", "eu não tenho paz, mas eu terei a paz". Não, absolutamente! A Realidade de Ser é Amor. A Realidade de Ser é Paz, a Realidade de Ser é Deus.

Para alguns seres humanos já ficou claro isso. E por que não fica pra você? E por que isso não é possível para você? Aqui estamos dizendo que Você em sua Natureza Real é Isso. O nosso trabalho aqui consiste em deixarmos a ilusão desse pensamento que se sustenta na crença de um pensador, que se separa do pensamento. Quando deixamos a ilusão dessa ideia de vir a ser, de alcançar, de obter, Aquilo que é Real se mostra. Então, sim, é pra você isso, aqui e agora, nesta vida, sendo Você a pura Realidade Divina.

Tudo o que nós precisamos aqui é aprender sobre nós mesmos. Portanto, aprender sobre o Autoconhecimento é se deparar com a ciência que revela isso, que é a arte da Meditação. Portanto, o que é Meditação? A Meditação não é aquilo que alguns chamam aí fora de meditação. Quando há Meditação, se revela no espaço, que é Meditação, a não separação, a não-dualidade. Assim sendo, não é alguém meditando, é a Meditação presente, mas não existe o meditador.

Quando há a verdadeira Meditação, Real Meditação, não existe alguém meditando. Portanto, o que é Meditação? É a ciência que revela aquilo que aqui está presente, e o que está presente é aquilo que está fora do tempo. Portanto, descartamos a ilusão de Deus para ser encontrado no futuro, deste vir a ser para nos tornarmos. Então, não é a felicidade para alguém, não é a felicidade que não está aqui e será encontrada depois, o amor será encontrado depois. Não existe tal coisa como este "depois".

A eliminação do tempo é a eliminação do vir a ser, é a eliminação do futuro psicológico, desse depois psicológico. Esse depois psicológico, esse vir a ser psicológico, esse Deus sendo encontrado dentro dessa crença psicológica, isso se desfaz. Há uma Realidade presente além da crença, além da ideia, além desse psicológico tempo, desse tempo mental.

Aqui nos aproximamos para a ciência do momento, para a Revelação d'Aquilo que aqui está fora desse próprio instante, além dessa própria ideia de momento presente. Aquilo que é atemporal se revela aqui como sendo a ciência de Ser.

Portanto, como encontrar Deus? Quando temos o esvaziamento de tudo aquilo que o pensamento está produzindo e sustentando nesse modelo psicológico de consciência cultural, consciência social, consciência humana, temos a presença de uma nova visão, de uma nova percepção da Realidade. Esta é a Real Consciência Divina, onde a Realidade de Deus está presente no espaço que se abre, quando temos a presença da Revelação deste Ser.

A base para esta visão simples, direta e clara consiste na presença do Autoconhecimento, da verdadeira Meditação. Portanto, quando isso está aqui, se revela a Felicidade, o Amor, a Liberdade. A ciência de Deus é a visão da Vida aqui e agora, além da própria ideia de tempo. Aquilo que é indescritível, inominável, atemporal se revela como a Sabedoria de Deus. Você nasceu para esta visão, para esta compreensão, para esta constatação.

É o que estamos juntos, aqui, trabalhando com você. Nós temos os nossos encontros online nos finais de semana, onde nos assentamos e olhamos para isso, investigamos isso. Seu Natural Estado de Ser é a presença da Meditação, essa é a visão da Vida em Inteligência, Amor, Liberdade, Felicidade. Além dos encontros online, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido pra você, já fica aqui esse convite.

Outubro de 2025
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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Joel Goldsmith | A Transformação da Consciência | Espiritualidade | Vida Egoica | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast. Novamente, o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença.

Hoje, eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith, chamado "A Transformação da Consciência". Em um trecho desse livro, o Joel faz o seguinte comentário: "Dez homens justos podem salvar uma cidade. Quem são os justos? Aqueles que se entregam à oração correta. E o que é a oração justa? Aquela que não procura nada para si mesmo, mas busca apenas a Presença de Deus".

Mestre, nesse trecho, o Joel comenta sobre essa oração justa que não busca nada para si. Dentro desse assunto, o Senhor pode compartilhar a sua visão de como o ego se esconde dentro da espiritualidade?

MG: Olha, Gilson, é algo muito comum isso em todos nós. A vida em ideias, em conceitos, em crenças, o nosso grande apego às expressões, às palavras. Portanto, nós estamos vivendo dentro de uma abstração quando falamos desta vida da espiritualidade. Então, é muito comum esse disfarce para "eu", para o ego, o disfarce de uma vida espiritual.

Em geral, nós nos contentamos com crenças, com ideias. Nós nos contentamos, observe isso, em nosso descontentamento, nós nos contentamos em seguir doutrinas, práticas místicas, crenças espirituais, e acreditamos que estamos vivendo a real espiritualidade, a real vida espiritual. Até nos orgulhamos disso. Então, de fato, o ego se oculta, se esconde, ele se disfarça nesse modelo de espiritualidade.

Nós não temos olhos para ver, nem ouvidos para ouvir aquilo que está aqui, dentro de nós. Conhecer a nossa própria mente, tomar ciência de como ela trabalha, de como ela funciona. É isso que nós precisamos fazer para um contato Real com a Vida Divina, com a Vida espiritual. E isso é algo que envolve a questão do escutar.

Nós não sabemos como funcionamos. A partir de onde nos encontramos - dentro da visão particular que trazemos sobre quem somos -, nós projetamos o que desejamos ser, a partir de critérios que nós recebemos de ensinamentos, de mandamentos de doutrinas, assim chamadas espirituais. Isso não é a Real Verdade sobre nós; é o movimento, na realidade, de hipocrisia, e nós não temos ciência disso. Aliás, na mente, a partir dessa cortina de crenças, de imagens, ideias que o pensamento estabeleceu em nós, tudo que vemos a partir desse lugar, dessa cortina, é dentro dessa inconsciência. É dentro desse padrão de inconsciência da mente.

Essa inconsciência mental, que tem moldado nossas vidas, é a mente presa a padrões de comportamento - são os nossos condicionamentos. Todo esse resultado de conhecimento adquirido, de tradição que recebemos dentro da cultura, dentro desse movimento de história humana, nós estamos vivendo ainda dentro de padrões de mundanidade, ligados aos valores dos sentidos, aos valores da mente. Valores esses que nós recebemos do contexto cultural, do contexto social. Então, de fato, a nossa vida como pessoas, na espiritualidade que nós conhecemos, é uma vida no ego, é uma vida nesse "eu".

A presença desse "eu" é o elemento de separação entre você e a Realidade Divina. É a Realidade Divina, a Real Espiritualidade. Mas a Real Espiritualidade, que é essa Realidade Divina, é inalcançável pela mente, inconcebível pelo pensamento. Tudo o que nós temos feito é imaginar, é criar uma espiritualidade dentro da imaginação, do pensamento. E o pensamento em nós, é um elemento de condicionamento psicológico, de estrutura de memória, de continuidade do passado. Assim é essa nossa espiritualidade.

Não há verdade nessa espiritualidade. O que temos presente é o modelo do "eu", é o modelo do pensamento, nesse desejo de alcançar Deus, de encontrar Deus, de viver com Deus. Para a mente presente em nós, a ideia de alguém - da pessoa - é a ideia de encontrar, é a ideia de se espiritualizar. Quando aprendemos a observar a mente, isso requer que não olhemos a partir da cortina - da cortina de avaliações, de crenças, de conceitos, de ensinamentos e doutrinas. Começamos a nos tornar cientes de como a mente funciona, de como esse sentido da pessoa, que é o "eu" presente, o ego, atua. E assim, sim, de verdade, podemos nos desvencilhar desse sentido egoico, desse sentido do "eu". Só assim podemos tomar a real ciência da Verdade sobre a Vida.

Quando nos despimos do "eu" ao nos despirmos do ego, esse sentido Real de Vida se mostra. Neste sentido de Vida, não há uma entidade separada da Vida. É esse sentido de Ser, é esse Mistério se revelando. Isso é a Real Espiritualidade. De outra forma, continuaremos vivendo dentro de um padrão de hipocrisia - nessa assim chamada espiritualidade - de práticas espirituais, de seguir doutrinas e ensinamentos. Essa descoberta, essa revelação, é aquilo que aqui se revela quando temos olhos para ver e ouvidos para ouvir aquilo que está presente, neste instante, dentro de nós mesmos.

A base sempre é esse olhar: um olhar sem o passado, um olhar sem escolhas, sem conclusões, sem crenças. Quando nos tornamos cientes da inveja, do medo, da raiva, do ciúme, das posses, da ideia de possuir coisas, da ideia de alguém presente tendo essas coisas, da ideia de alguém presente não só com o que adquiriu externamente, mas com tudo o que vem adquirindo internamente, psicologicamente. A verdade sobre esse "eu" é a compreensão dessa ideia, dessa imagem que o pensamento construiu.

O trabalho todo consiste em tomar ciência, em olhar, em perceber, portanto, essa base é a base para um trabalho. É a presença desse poder Divino, dessa própria Graça Divina, que torna possível esse trabalho. Então, de verdade, esse contato com a espiritualidade não é o contato para o "eu", para o ego. É o contato se revelando quando o "eu" não está, quando o ego não está.

A vida é para ser compreendida, realizada, constatada nesse observar, nessa ciência de ser. Expressões como "autoconhecimento", o "despertar da consciência" ou a "percepção da realidade divina" são expressões que nós podemos usar dentro de teorias, dentro de conceitos, ou podemos assumir isso de uma forma real, vivencial, para uma direta compreensão.

Nessa compreensão não há hipocrisia, não há ilusão, então, não existe mais esse "eu" se ocultando, se escondendo por trás de expressões - expressões como "iluminação espiritual" ou "espiritualidade". É nisso que estamos aqui investindo o nosso tempo, a nossa mente e o nosso coração. Aqui, eu me refiro a esse investimento de momentos juntos, como este que nós temos aqui, para olhar para isso.

Momentos como os que nós temos em encontros on-line e presenciais para investigar a verdade sobre o "eu". Então, podemos ter a ciência desta Revelação, e, se Ela está presente, a ilusão termina, a ignorância se desfaz. Esta é a Verdade da Espiritualidade: não é alguém se tornando espiritual, alcançando a espiritualidade ou realizando a espiritualidade. É esta Espiritualidade assumindo este espaço, assumindo esta Realização para este corpo e para esta mente.

GC: Mestre, nós temos uma pergunta de um inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, como lidar com o ego ferido?"

MG: Gilson, a ideia de um ego ferido, para a maioria de nós, é, de fato, apenas uma ideia. Nós não temos ciência do que é esse "eu", do que é essa pessoa, a pessoa que nós somos. Tanto é assim que, quando usamos a expressão "ego", já nos separamos. Porque as pessoas, em geral, dizem: "o meu ego". Não existe tal coisa como esse "meu ego". Essa é uma ideia - a ideia de alguém que tem um ego.

Há uma Realidade aqui presente. Essa Realidade não é o "eu", não é o ego. No entanto, quando o pensamento assume, quando ele está presente, ele se separa como sendo o pensador, como sendo alguém - alguém que está tendo esse pensamento. E, de imediato, ele usa o pronome, o pronome "eu" ou o pronome "meu". Então, nós usamos expressões como "eu", "eu mesmo", ou "minha casa", "minha família", "o meu nome", "o meu ego". E, agora, usamos expressões como "o ego ferido". Mas qual é a verdade sobre o ego? Qual é a verdade sobre o "eu"? Nós jamais teremos ciência do que é esse "eu", do que é esse ego, sem uma investigação do próprio movimento do pensamento.

O elemento básico que sustenta a continuidade desse sentido de separação - que é o ego, que é essa pessoa, que é o "eu" - o elemento básico é a presença do pensamento. E nós não sabemos escutar o pensamento. Não sabemos observar o pensamento, ficar cientes do pensamento. Porque, quando o pensamento surge, de imediato ele já se separa. Ele se separa nesse gostar ou não gostar. Ele se separa nesse avaliar, julgar ou comparar. Esse é o movimento interno dentro de cada um de nós, nesta mente, nesta consciência, neste "eu".

Portanto, aprender a escutar, a observar o movimento do pensamento, requer esse olhar, requer esta qualidade de aproximação para escutar aquilo que se passa conosco, sem interferir, sem se envolver. Essa é a forma real da aproximação, da compreensão desse ego. E, quando temos esta compreensão, fica claro que todo o movimento do "eu", do ego, é um movimento de separação - para ficar magoado, para ficar ofendido, para ficar ferido.

Nós carregamos em nós, nesse sentido egoico, e isso de uma forma inteiramente inconsciente, a busca do prazer e a fuga da dor. É a busca da continuidade de uma identidade que precisa continuar: continuar no controle e, portanto, na insegurança e no medo. Onde há controle, há medo, há insegurança. E, no entanto, esse controle é uma projeção que o pensamento construiu para este "eu". Porque, de fato, não há controle. É a ideia de alguém que possui coisas que nos dá a ilusão da pessoa que controla essas coisas.

Assim, nós vivemos constantemente nesse centro ilusório que é o ego, sendo magoados, nesse sentimento de medo, de insegurança, como criaturas agressivas, possessivas, carregadas de ansiedade, de toda forma de desespero. Será possível rompermos com isso, para uma Vida Real livre deste "eu"? Então, não haverá mais ego ferido. Não haverá mais alguém tendo o controle ou acreditando ter o controle das coisas.

O ponto é que você nasceu para a Liberdade, mas a liberdade para você, não é a presença de alguém livre; é a Realidade deste Ser, que é Você, que não conhece prisões. Exatamente as prisões criadas pelo pensamento, construídas por essa estrutura de condicionamento psicológico, que nós recebemos do mundo e estabelecemos em nós como sendo nossa real vida. Estabelecemos em nós como sendo a vida deste mim.

Portanto, esse você que você conhece é uma ilusão. Estamos falando desta Liberdade de Ser. Isso é Você em sua Real Natureza. Esta é a Ciência de Deus. Esta é a Ciência da Vida. Não há qualquer ego ferido. É a presença do Amor, a presença da Felicidade, quando a ilusão termina, quando essa ideia de alguém não está mais.

GC: Mestre, temos outra pergunta de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Como saber se estou agindo no ego ou estou agindo livremente?".

MG: A sua pergunta é: como saber se estou agindo no ego ou não? Quem é o elemento presente nisso? Observe sua pergunta. O que é que nós sabemos? Tudo o que sabemos é algo que trazemos de um reconhecimento do passado. Todo conhecimento que você tem - a referência é a experiência que você viveu -, portanto, é algo que vem do passado.

O elemento que reconhece o passado é a presença do pensamento. É a presença do pensamento que cria essa orientação do conhecer, do saber, do entender. Quando isso está presente, o que está presente é a pessoa. É este mim, este "eu".

Portanto, quando você pergunta "Como posso saber?", quem é esse que vai saber? Não é ele parte do pensamento, da experiência, da memória e, portanto, do passado? Não é ele a conclusão da crença? Portanto, essa ideia de alguém para saber é algo presente no próprio "eu", no próprio ego. Então, precisa ficar claro isso.

A ciência da Verdade se revela em uma qualidade de ação, de sentir, de pensar, de atuar na vida. No entanto, não existe alguém presente para compreender.

A presença da compreensão é o real discernimento de uma qualidade de ação livre do "eu", livre do ego. No entanto, não há alguém como um sensor, como um experimentador, como alguém para esse discernimento.

Assim, aqui nos deparamos com algo fora do "eu", fora da mente. Portanto, jamais se preocupe com a ideia de alguém para saber. O seu trabalho é tomar ciência deste alguém. Apenas fique cônscio desse movimento do "eu". Apenas tome ciência dele. Tome ciência dos movimentos do pensamento, dos sentimentos, das sensações e também das ações.

Quando você traz consciência para este instante, atenção para este momento, há uma qualidade de escutar, de perceber, de sentir a Vida acontecendo, que está além da pessoa, além do ego, além do experimentador, além do passado.

Quando a Realidade se revela, não fica alguém para saber alguma coisa. Essa própria Realidade está em expressão, e essa expressão está em linha com a Vida, em linha com o Estado Interno de Amor, de Beleza, de Inteligência, de Presença, de Compreensão.

Portanto, não necessitamos da ideia de alguém para saber, para controlar, para entender se o que está fazendo está fazendo no "eu" ou no ego. Isso é ainda parte da ilusão. Isso é ainda parte do passado. Esse seu contato com a vida não é o contato com alguém, para saber, para controlar, para conhecer. Esse seu contato com a vida é a Vida, nesse instante se revelando. Ela sendo a única Verdade presente deste momento. Então, essa qualidade de ação não é a ação da intenção, do motivo, da razão egocêntrica. É a qualidade da ação que está livre do pensamento, livre do passado. É algo natural.

Quando a Realidade Divina está presente, essa Verdade está em expressão. Essa Verdade é a natureza de Deus. É a natureza desse Ser. É Você, sem a ideia de alguém presente, desse Você presente. Então, é natural! Toda a ação que nasce desse natural Estado de Ser tem como base a Liberdade do Amor, a Felicidade da Graça, a Liberdade desta Real Consciência, que é pura Inteligência. Não fica alguém para saber. Não fica alguém para tentar acertar.

Não existe, nesta natureza da Verdade, que é a Realidade do Amor, o equívoco, o engano, a ilusão, a ideia de alguém que se separa para sentir, para falar, para agir, para pensar. Assim, neste fazer, nesse atuar, não há mais o "eu", não há mais a ideia de alguém que se separa e, a partir do impulso do passado, do impulso da memória, procura se ajustar às suas crenças para não errar. Tudo isso se dissolve quando a Compreensão Natural de Ser floresce aqui e agora. Ok?

GC: Gratidão, gratidão, Mestre. Já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais este videocast.

E para você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver essas verdades, fica o convite para participar dos encontros que o Mestre Gualberto proporciona.

Esses encontros são muito mais profundos do que esses vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo as nossas dúvidas. E segundo, e mais impactante, é que, pelo Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, Ele compartilha um campo de Energia à sua volta, um campo de Presença, de Poder e Graça.

Nesses encontros, a gente acaba pegando entrando de carona nesse campo de Presença do Mestre. E pegando essa carona com o Mestre, de maneira espontânea, sem nenhum esforço, entramos no estado meditativo, silenciamos nossas mentes e podemos ter uma visão, uma compreensão real destes assuntos.

Então, fica o convite! No primeiro comentário fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o like no vídeo, se inscreve no canal, e Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.

Outubro de 2025
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terça-feira, 28 de abril de 2026

Como encontrar Deus? | Meditação: o que é? | Aprender sobre Autoconhecimento | Sabedoria e revelação

A Liberdade consiste em uma visão livre. Não se trata de alcançar essa Liberdade, mas em olhar a partir dela. Geralmente, nós pensamos na liberdade como um objetivo para ser alcançado, algo que está no futuro. Tomar ciência das nossas reações aqui, neste momento, a própria ciência destas reações é a presença da Liberdade.

Uma Vida em Sabedoria é a presença da Revelação daquilo que aqui está presente. Então, vamos tocar nesse assunto com você agora, aqui. O que é esta Liberdade? O que, de fato, nós precisamos para uma vida feliz, em Amor e Paz? É a presença da Sabedoria. A Sabedoria está presente quando temos a Revelação da Vida.

Como podemos nos aproximar dessa Revelação? Olhar para esse instante, para este momento, aprendendo olhar para isso que aqui está. O que de fato nós precisamos na vida quando tocamos nesta questão da necessidade da Liberdade, não é de algo para ser alcançado, nós precisamos é da aproximação, neste momento, daquilo que se passa conosco aqui, neste instante, neste momento.

É por isso que temos enfatizado com você a beleza do Autoconhecimento, a importância disso. Aprender sobre o Autoconhecimento é descobrir a Verdade sobre aquele que está envolvido no pensamento, com o pensamento, sendo o pensador, a presença do "eu". Aprender sobre o Autoconhecimento é descobrir algo além do "eu", além da "pessoa".

É o que estamos, com você, aqui investigando. É isso que nos liberta da ilusão de alguém - de alguém que tem que encontrar Deus, na pergunta "como encontrar Deus". O pensamento, a ideia é de alguém para ter um encontro com Deus. Precisamos nos livrar dessa ilusão de alguém para um encontro. Sim, a Realidade de Deus se mostra presente aqui e agora em um profundo e real encontro, mas não é um encontro de alguém tendo um encontro com Deus, é um encontro com a Vida, da própria Vida.

Nós precisamos investigar essa questão do tempo, da ideia de um pensador, dessa questão do pensamento, da imagem que o pensamento construiu sobre Deus, da ideia que o pensamento construiu sobre o "eu". Então, "eu preciso encontrar Deus", mas qual é a verdade desse "eu"? Este "eu" é a presença do próprio pensamento. É o pensamento que criou uma imagem dele próprio. Assim, ele construiu, estabeleceu a ideia do "eu" e construiu uma imagem de Deus, e colocou Deus longe, distante, para ser encontrado.

Por isso nós usamos a expressão "encontro com Deus", como se de fato fosse um encontro entre dois, enquanto que a Realidade presente, enquanto que a Verdade de Deus é a única Realidade da Vida. Não existe esse elemento que se separa, essa é a ilusão estabelecida pelo pensamento dentro de cada um de nós, construindo essa ideia, estabelecendo essa ideia.

Uma vida neste sentido de separação da própria Vida, do próprio Deus, é uma imagem que o pensamento estabeleceu dentro de você como sendo você. Quando nos aproximamos para olhar, para observar, sem se confundir com isso, o que significa olhar sem o observador, o que significa olhar sem alguém para olhar - um pensamento surge, um sentimento surge, uma emoção surge -, apenas olhar, tomar ciência, é estar diante do aprender sobre nós mesmos.

Assim, a Liberdade já está aqui, é a Liberdade de não se confundir com o pensamento colocando o pensador neste pensamento, de não se confundir com esse "eu" nesse sentimento ou emoção. É quando, desta forma, nos aproximamos da Meditação. As pessoas têm muitas dúvidas a respeito da Meditação, porque elas colocam a meditação como a técnica para ser executada, como a prática para alguém fazer. Assim, elas procuram um caminho. Afinal, qual é a técnica certa? Qual é a prática que se deve fazer? O que se deve praticar? Enquanto que a Verdade sobre a Meditação é a investigação da natureza do "eu", que é o meditador.

Ao observar nossas reações, esse pensamento que surge, esse sentimento que aparece, nos colocamos neste aprender sobre nós mesmos, neste aprender sobre o Autoconhecimento. Neste aprender se revela a ilusão do "eu", desse elemento que se separa, que se vê como alguém quando um sentimento está, quando um pensamento surge, quando uma emoção acontece. Portanto, a presença da Meditação, o que é a Meditação? É a ciência de que não existe o meditador, não existe o "eu".

Assim, nos aproximamos do momento presente para uma profunda Revelação da Vida, que é a Revelação da Sabedoria, que é a Revelação de Deus. Portanto, a Sabedoria se revelando é a Verdade se mostrando, é a Realidade de Deus presente quando o "eu" não está, quando a ilusão de uma pessoa não está mais. Portanto, esse é o verdadeiro encontro com Deus, essa é a verdadeira Revelação da Verdade, que é a Sabedoria.

A Vida Real é a Vida livre do "eu". A Vida Real é a Vida Divina, Você em seu Ser, livre de toda a forma de complicações, desordem, confusão e sofrimento. As ações acontecem, mas não há alguém nesse fazer. O pensamento surge, mas não há alguém nesse pensar. Um sentimento está presente, mas não existe alguém que se vê neste sentir e se confunde com isso. Assim, fica eliminado a ilusão da dualidade.

Nós fomos educados para a crença, para a confiança, para o pensamento comum de dualidade: "eu e o não eu", "eu e o outro", "eu e Deus". Se um pensamento está presente, a ilusão é alguém pensando; se um sentimento está aqui, é alguém sentindo; se uma emoção está presente, é alguém emocionado: nos deparamos aqui com um quadro de sugestão de pensamento, que é o quadro da separação, da dualidade.

A Vida como ela acontece é a presença da Realidade Suprema, da Realidade Divina. Essa é a Sabedoria da Revelação. Há milênios o ser humano vem buscando algo além do conhecido, além do mundo, além daquilo que ele conhece como vida. Porque, sim, como seres humanos, estamos vivendo, no ego, em uma vida tediosa, problemática, cheia de problemas, confusa, desorientada, estressada, uma vida em depressão, em ansiedade, com as diversas formas de medos que todos nós conhecemos.

Assim, o homem vem buscando ou vem procurando ter um encontro com Deus, na ideia, na imaginação de que com esse encontro, tudo isso irá desaparecer. O ponto é que não compreendemos que estamos apenas projetando algo para o futuro. Quando falamos de "alguém", acreditamos em alguém presente para, no futuro, ter esse encontro, e esse futuro não chega.

Aqui, investigar a verdade sobre o "eu" é se despir dessa ilusão de separação. Então, sim, neste momento se Revela o Amor, a Liberdade, a Felicidade, é a Ciência de Deus, a Ciência do seu Ser, e isso é Liberação nesta vida. É a presença da Bem-Aventurança a presença da verdadeira Felicidade.

Portanto, temos que aqui descobrir o que significa olhar, observar, ficar ciente de como a mente acontece, como este movimento interno se mostra - me refiro a esse movimento da consciência, que é basicamente a presença do passado, porque é a presença do pensamento. Esse é o elemento que, como um véu, nos separa da Realidade, porque cria a ilusão de uma identidade que se vê separada da Vida. A presença dessa identidade, criada pelo pensamento, nos separa. Esse é o véu da ilusão, é o véu da ignorância.

É essa ignorância, é a presença desse pensador, desse "eu" que está se projetando para, em algum momento, no futuro, ser feliz, encontrar o amor, a paz, a felicidade, enquanto que, na realidade, o que temos presente aqui e agora é Aquilo que está além do pensamento, além desse véu. Se não temos a presença deste véu, que é pensamento, não temos o pensador, não temos o "eu", o "ego".

Então, o Mistério da Vida é a Realidade de Ser. A Sabedoria e o Silêncio é a Natureza de Deus, é a Verdade sobre nós mesmos. Portanto, nós temos esse primeiro aspecto da verdade sobre o "eu", que é a verdade sobre quem esse "eu" se mostra sendo, aparece sendo. A investigação da verdade sobre o "eu" é a compreensão da ilusão da pessoa, do ego.

Assim, a verdadeira aproximação da Meditação, a Realidade da Meditação, o que é a Meditação? O que é essa ciência da Meditação? É olhar para esse instante sem o observador, é ficar ciente, neste momento, da Liberdade que aqui está quando o pensador não interfere, quando o observador não se envolve, quando o experimentador não surge.

Portanto, estamos diante de um experimentar sem o experimentador, de um observar sem o observador, de um perceber sem o percebedor. É a presença desta própria Realidade Divina, porque agora não há mais a ilusão, não há mais esse véu da separação. A Realidade e Deus é a Verdade deste Ser, é a presença da Vida, a Suprema Alegria, a Suprema Felicidade - alguns chamam de Iluminação Espiritual esse direto e simples Natural Estado de Ser, livre do pensamento condicionado.

E por que pensamento condicionado? Porque é a forma como o pensamento, de uma forma mecânica, automática, inconsciente, vem funcionando nesse modelo de mente como nós conhecemos. Quando isso termina, essa qualidade de mente desaparece, temos esse espaço novo, esse espaço que Revela Deus. Assim, quando tocamos com você aqui na Verdade da Meditação, estamos falando da Real Meditação de uma forma vivencial, algo aqui e agora, momento a momento.

Assim, a Meditação revela esse Natural Estado fora da mente, fora do "eu", fora desse padrão de pensamento, desse formato de pensamento. É o que estamos trabalhando aqui, com você, em encontros on-line nos finais de semana - são dois dias de uma forma on-line. Além desses encontros, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui esse convite.

Outubro de 2025
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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Joel Goldsmith | Um Parêntese na Eternidade | O que é o sofrimento psíquico? | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast, novamente o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado "Um Parêntese na Eternidade". Em um trecho desse livro, Mestre, o Joel faz o seguinte comentário: "Nenhum homem pode tirar sua paz depois de você ter descoberto o mundo interior." Bom, neste trecho o Joel fala dessa paz deste mundo interior. Dentro desse assunto, o Mestre pode compartilhar a sua visão sobre o que é o sofrimento psíquico?

MG: Gilson, quando nós perguntamos isso, "O que é o sofrimento psíquico?", o que de fato nós esperamos? Uma definição? Ou, de fato, nós precisamos de uma direta visão do que isso representa? Você pode consultar um livro, você pode ouvir uma palestra, você pode ir a um especialista, você pode procurar alguém para lhe ajudar a entender intelectualmente, ou de alguma outra forma, o que o sofrimento psíquico significa e, no entanto, continuar preso dentro desse formato de ignorância.

Portanto, a resposta para essa pergunta requer uma direta visão, uma real compreensão, um perceber verdadeiro sobre isso. Algo que um livro não pode nos dar, que uma palestra não pode nos dar, que um especialista, por mais esclarecido que ele seja, não pode nos dar. De fato é um contato real o fim para esta ignorância, para essa condição, para essa posição interna. Essa é a resposta; é esse contato com a realidade a real compreensão do sofrimento. Nesta compreensão, termina essa dor.

Nós carregamos em nós tudo que está presente no ser humano. A descoberta está aqui, possível, a revelação está aqui, como uma possibilidade para cada um de nós, quando aprendemos a olhar, quando aprendemos a escutar a nós mesmos, porque nós somos toda a história do ser humano. Psicologicamente, nós carregamos tudo que está presente no outro; tudo que está presente na humanidade é algo presente em cada um de nós. Essa é a nossa consciência, a consciência da pessoa. Essa consciência do "eu" é a consciência humana.

Portanto, o seu contato com a ansiedade, com o medo, a angústia, preocupações, a dor da solidão, o desespero da insegurança. de todas as diversas formas de temores, todos os conflitos presentes em nossa mente e em nosso coração são parte dessa estrutura psicológica dentro do contexto desta mente humana. Esse é o sofrimento psíquico! Mas esse é o aspecto verbal, em palavras. são meras teorias! Toda essa qualidade de expressão, de definição, a gente pode encontrar em palestras, em livros, no próprio dicionário, mas nada disso resolve. A não ser que você aprenda a escutar, a observar suas próprias reações - aqui está a verdadeira revelação, aqui está o verdadeiro ensino, a verdadeira palestra, o verdadeiro livro; o livro para ser lido, a palestra para ser escutada, o especialista para ser compreendido.

Isso consiste em uma compreensão sobre você. Ter a Verdade sobe você não é algo que alguém possa lhe dar, possa lhe assegurar, lhe explicar, lhe dar a informação, lhe dar conhecimento. Nós temos insistido aqui, com você, na importância de se compreender, no valor do Autoconhecimento. É isso que lhe aproxima de algo além da mente, além do "eu", além do ego. Esse ego é essa consciência humana que está com problemas, que carrega esse sofrimento psíquico e não sabe o que fazer com isso. Nós queremos nos livrar da dor sem a compreensão da dor, queremos nos livrar do sofrimento sem a compreensão do sofrimento, da tristeza, da angústia, do medo.

Nós não investigamos a natureza disso, onde se alicerçam e se fundamentam os nossos medos, os nossos conflitos, contradições, as desordens internas que trazemos. Não investigamos essa base, não compreendemos isso e queremos nos livrar, como se houvesse alguém para se livrar - esse é o equívoco! O que estamos insistindo aqui, com você, é nesta direta Verdade que se oculta para a maioria de nós: a Verdade presente sob o "eu", sob o "mim". É o ego a presença do conflito, é o ego a presença do sofrimento psíquico. Não existe esse ego e o sofrimento, o ego é o sofrimento! Não existe o ego e o medo, o ego é o medo! Sem a presença do ego não há medo. Você não pode ter medo de algo se esse "algo" não lhe aparece no pensamento. Se esse "algo" não lhe aparece no pensamento, ele permanece inexistente para você.

Assim, o sentido do "eu" vive daquilo que ele vê, daquilo que ele presencia do lado de fora, externamente. Assim, ele vive o seu medo, ele vive a sua angústia, as suas preocupações, os seus dilemas, conflitos e problemas. Não há uma separação entre você e o medo, entre você e o conflito, entre você e o dilema. A presença do dilema requer você presente, a presença do conflito requer você em conflito, e do medo, a presença de alguém. Não há tal coisa como uma separação. E como podemos tomar ciência disso? Escutando, ouvindo!

Não é alguém ouvindo a pessoa, há só o escutar; nesse escutar se revela esse princípio de separação entre a pessoa e seu conflito, entre a pessoa e seu medo, entre a pessoa e os seus dramas. Isso requer olhar, olhar e escutar - escutar é olhar! São essas reações que surgem a cada momento, no contexto das relações com o outro, com a vida e com nós mesmos. É aqui que está a coisa, é aqui que está o segredo, é aqui que está a possibilidade da compreensão para o fim do sofrimento psíquico. É aqui que está a compreensão para o fim do "eu", para o fim do ego. Se o ego não está presente, essa pessoa, esse "eu" não está. O "eu" é o ego, o ego é a pessoa, e se ela não está presente, não há medo, não há angústia, não há sofrimento psíquico.

Assim, a compreensão do sofrimento é o fim para o sofrimento, não é a teoria. As pessoas têm se debruçado sobre os livros, estudado muitos anos. Elas estudam sociologia, filosofia, psicologia, teologia. isso fica a nível de intelecto, apenas intelectualmente adquirimos uma formação. No entanto, isso não resolve! A base do nosso intelecto é condicionamento, é formação de estrutura de conhecimento aprendido. Aquilo que é aprendido, que está reservado como uma informação que trazemos, que nós temos, é algo dentro de um condicionamento.

O condicionamento é o conhecimento adquirido, que lhe permite agir a partir desse fundo - esse é o condicionamento. Não é do condicionamento que precisamos. colocando de outra forma, não é do condicionamento e da experiência. O que, de fato, precisamos, é de ciência, e ciência é compreensão, e compreensão é aqui e agora. Esse "compreender" nasce neste instante e desaparece neste instante. Não é o compreender para alguém compreender, é a compreensão! E a compreensão está presente quando essa mecânica de registro, que dá base a esse centro que é o "eu", o ego, a pessoa, não está mais presente.

É nisso que temos insistido aqui, com você: descubra a Realidade deste Ser, vá além do "eu", vá além do ego. Tome ciência a partir desse observar, desse escutar - isso requer a presença do Autoconhecimento, isso requer a presença da Meditação.

GC: Mestre, nós temos uma pergunta de um inscrito aqui no canal que fez o seguinte comentário: "Mestre, eu vivo em constante ansiedade e preocupação com o futuro. Como parar de viver preocupado com o futuro?"

MG: A sua pergunta é "Como se livrar do futuro, em razão das preocupações?". Compreenda a Verdade do pensamento; tenha muito claro, aí, a ciência do que é o pensar, de como o pensamento se estabelece, de como ele acontece aí, e você ficará livre de "alguém" presente que se ocupa com o futuro. A sua ocupação com o futuro é a ocupação do pensamento com o que irá acontecer, com o vir a ser, com o que irá surgir. É a presença do pensamento, um elemento em você, de registro de memória, algo que vem do passado. Todo pensamento em você é a memória, é a presença do passado. É o pensamento que se projeta, criando o futuro.

Observe como é interessante isso: o pensamento surge neste instante; neste instante não existe passado, neste instante não existe futuro. Quando ele surge neste instante, você é capturado! Você é capturado para ir ao passado, para viver novamente, mais uma vez, o que o pensamento representa. Esse "você" não se separa desse pensamento, ele é o próprio passado vivendo isso, mas isso está agora, aqui, acontecendo. Então, de fato, não existe nenhum passado. É o pensamento criando a sugestão do tempo, criando a sugestão de alguém, que é o pensador, que é você, vivendo ainda essa dor - algo que ocorreu no passado, mas isso está aqui, neste instante. Da mesma forma o pensamento se projeta para o futuro; ele é algo presente aqui, mas ele está se projetando para o futuro. Assim, ele cria o tempo: ele cria o passado e ele cria o futuro.

Não existe tal coisa como o passado, não há tal coisa como o futuro, o que temos presente é o pensamento. Assim, o pensamento cria essa estrutura, é a estrutura do pensar. A presença desse pensador está envolvida com essa estrutura, assim surge aqui que nós conhecemos por "pensar". O que nós conhecemos por "pensar" é alguém pensando - pensando no passado ou pensando no futuro, enquanto que, na realidade, não existe tal coisa como o passado, não existe tal coisa como o futuro.

Se fica claro para você o que é o pensamento aqui, você não se confunde com ele, porque há só o olhar, o perceber. Quando o pensamento surgir, não coloque "alguém", ou seja: fique ciente dele aqui, fique cônscio da presença do pensamento. Essa é a presença do conhecer a si mesmo, do conhecer a Verdade sobre você, sobre aquilo que se passa dentro de você, quando você apenas olha, quando apenas escuta isso, quando apenas toma ciência disso. Então, o sentido do "eu" não surge para viver de novo o passado e para se projetar no futuro.

Assim, é a presença dessa visão que rompe com a condição psicológica deste "eu", deste ego, e observe que, quando este "eu" não está, quando a pessoa, o pensador, não está, a vida se revela neste instante; e neste instante, não existe tal coisa como o futuro nem o passado. Isso requer essa qualidade de escutar, de perceber, de observar a vida do ponto de vista externo e interno. Olhar para este instante como ele acontece, internamente ou externamente, sem se envolver com isso é não colocar o experimentador, o pensador, o sentido de alguém presente. Então temos o fim da ilusão, o fim da ideia do tempo: passado, presente e futuro.

GC: Mestre, nós temos outra pergunta, de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Estou com vários problemas em minha vida: financeiro, familiar. Como viver em paz, mesmo com problemas para resolver?"

MG: Repare o que você diz. você diz: "Tenho vários problemas na minha vida, problemas financeiros, familiares." ou seja, muitos problemas. Ao mesmo tempo, você pergunta: "Como viver em paz em meio a todos esses problemas?". Aqui o ponto é: tome ciência do que é o problema. Será que, de fato, temos muitos problemas, ou a base de todos os nossos problemas está em nosso estado interno de confusão mental, para lidar com assuntos tanto externos quanto internos? É exatamente o que estamos dizendo aqui, para você: todos esses problemas que nós temos são problemas que estão presentes na pessoa que somos. Qualquer exigência de paz é a projeção de uma imagem que o pensamento está produzindo sobre a paz é uma imaginação, uma crença.

Nós estamos vivendo dentro de ideais. Nós deixamos de olhar para aquilo que aqui está presente para olhar para aquilo que está lá longe, só que o que está lá longe é uma ideia, é um conceito, é uma imagem que o pensamento está produzindo. Observe que nós não fomos educados para nos aproximarmos da vida como ela é. O nosso modelo psicológico, a presença da mente egoica em nós, desta presença da pessoa, é algo que está sempre se projetando para o futuro. Nós vivemos ou no passado ou no futuro, arrependidos do que aconteceu, sem poder fazer nada com isso, mas projetando o futuro para tentar consertar alguma coisa, ou solucionar alguma coisa. Essa é a mente que conhecemos.

Será possível um contato direto, neste instante, com o problema, sem nos separarmos dele nesse ideal do que deveria ser? Será possível apenas estarmos com isso, olharmos diretamente para o problema? Se confrontar com o problema não é buscar um caminho para solucionar o problema, não é buscar um jeito, uma maneira para fugir do problema. Se confrontar com o problema é assumir a Verdade daquilo que está aqui, examinando, olhando de perto, e esse olhar requer que se descubra a Verdade sobre si mesmo. Apenas quando a mente está livre para observar o problema é que fica claro que esse problema não é, antes de tudo, um problema externo; é um problema que é, antes de tudo, um problema dentro de cada um de nós.

Enquanto psicologicamente, internamente, não houver Silêncio, Quietude, Paz, Serenidade e, portanto, Inteligência, não podemos, de fato, nos livrar dos problemas, porque não haverá Presença, Consciência, real Inteligência para lidar com isso. Mas aqui nós temos, ainda, um agravante: boa parte dos problemas que nós temos não são problemas para serem atendidos desta forma, porque não são problemas externos, são problemas internos. São problemas que estão presentes nesse sentido do "eu". Assim sendo, o próprio "eu", o próprio ego é o problema. Ele se separa, por exemplo, para lidar com o medo, com a raiva, com o ciúme, com a inveja. Não existe tal coisa como uma separação - isso é algo que o próprio "eu", o próprio ego, cria a partir do pensamento.

Então, o único e real problema que nós temos na vida, não está na vida, está em nós mesmos, na pessoa que nós somos, nesse sentido egoico. Você em sua Natureza Divina, que é a Natureza de Deus, aí não há problema. É a presença do pensamento, construindo um mundo à sua volta, se projetando a partir de conclusões, crenças, avaliações. é a presença do pensamento tentando mudar o que é, alterar o que é. Todo esse movimento nos afasta da compreensão daquilo que é para a Verdade além disso, para essa Verdade de Ser. A real aproximação da vida é a presença dessa Divina Inteligência, o que requer Autoconhecimento e a presença da Meditação. Quando isso está presente se revela algo além do "eu", além do ego, que é a Realidade Divina, que é a Realidade de Deus. E quando isso está presente não há problemas, a vida é como ela é!

A Realidade de Deus é a ciência deste Ser, é a Verdade de Ser, sem a ideia, sem a imaginação do "vir a ser". Então está presente a Realidade Suprema, a Realidade, a Verdade, e aqui não há problemas. É nisto que estamos trabalhando aqui, com você. Assumir a Verdade d'Aquilo que é você é Amor, Felicidade, Paz, Liberdade. não há problema aí, porque não há problema em Deus.

GC: Gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais este videocast. E, para você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver essas Verdades, fica o convite para participar dos encontros intensivos de final de semana que o Mestre Gualberto proporciona. Esses encontros são muito mais profundos do que estes vídeos aqui no YouTube. Primeiro porque o Mestre responde diretamente às nossas perguntas, e segundo e muito mais impactante, é que, pelo Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, Ele compartilha um campo de Presença à Sua volta - um campo de Energia de Poder e Graça. E, nesses encontros, a gente acaba pegando uma carona nesse campo de Presença do Mestre. E pegando essa carona, de maneira espontânea, sem nenhum esforço, nem nenhuma prática, entramos em Estado Meditativo, silenciamos nossas mentes e podemos ter uma compreensão real dos assuntos que são aqui tratados.

Então, fica o convite: no primeiro comentário, fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o like no vídeo e se inscreve no canal. E Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.

Outubro de 2025
Gravatá-PE
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