terça-feira, 17 de março de 2026

O medo da morte | Fundamentais questões da vida | Como encontrar Deus? | O que é o pensamento?

Eu quero tratar com você aqui hoje uma questão: é a questão da morte. Aqui nós temos investigado diversas questões fundamentais da vida, e uma dessas questões é a própria questão da morte. Se não temos uma visão real da vida, jamais teremos uma compreensão direta do que é morrer. Nós vamos trabalhar isso aqui com você.

Qual será a verdade desse morrer? Se isso se torna claro, nós temos o fim do medo. Então, vamos, em parte, colocar isso aqui para você. Mas nós precisamos, antes de tudo, colocar de lado todas essas ideias que nós já temos sobre essa questão da morte. As ideias em nós, observem isso, todas as ideias, sem exceção, são conceitos mentais, são formas de aproximações de imagens, de quadros que o pensamento está produzindo.

Assim, quando você tem uma ideia, na verdade, essa pode ser constituída de diversos conceitos, ou seja, de diversas formas de pensamento, é isso dá formação a uma ideia. Portanto, observem a verdade disso. Todo o pensamento em você está dentro de um contexto de ideia. Uma ideia pode ser um conjunto de pensamentos; essa ideia ou pensamento em você envolve uma imagem, um quadro mental. Assim, a nossa aproximação dessa questão da morte envolve esses quadros que o pensamento estabelece em nós como nossa experiência.

Ao longo da vida, desde pequenos, todos nós já entramos em contato com essa questão da morte: alguém conhecido, um parente, os pais, os avós, nós sempre temos presenciado, ao longo da vida, pessoas morrendo. Assim, a ideia que temos, o pensamento ou imagem que temos sobre a morte é o fim dessa existência física. Nós sabemos que o corpo morre, só que para nós não é a morte simples do corpo, é a morte de alguém que conhecemos ou de alguém que amamos, e essa morte é o desaparecimento dela, dessa pessoa, desse nosso contato de relações, de relacionamento.

Então, quando você vê o seu avô morrendo ou a sua avó morrendo já fica claro para você, dentro de você, esse sentimento de afastamento. Então, vamos ver aqui alguma coisa sobre isso. Apesar de todo esse contato que temos com essa experiência da morte, é sempre o contato da experiência da morte de "alguém". Nós não sabemos o que é lidar com nós mesmos dentro dessa questão do fim para aquilo que nós somos, o fim para esse que nós somos; nós não sabemos lidar com a própria ideia do fim de nós mesmos.

Assim, nós temos, ao longo da vida, em razão da presença de crenças religiosas, ou espiritualistas, ou filosóficas, sempre uma ideia sobre não apenas a morte como um desaparecimento, mas a ideia do pós morte, como uma continuidade ou como uma possibilidade de continuidade, e, no entanto, tudo isso está dentro de nós dentro de um formato de pensamentos.

Qual será a verdade desse encontro real com a morte? Não se trata dessa morte física, que em algum momento, infalivelmente, todos nós teremos. Ou através de um acidente, ou em razão da velhice, ou em razão de uma doença, dessas formas, ou de alguma outra forma, ocorrerá a morte para todos nós. Então, não é nesse aspecto que queremos tratar aqui com você.

Aqui queremos colocar para você a beleza desse encontro com a própria morte. Não se trata do fim do corpo, mas do fim da continuidade de um elemento presente em nós que sustenta a presença do medo. Esse elemento presente em nós é esse "mim", é esse "eu".

Podemos nos dar conta aqui, na vida, dessa ciência do que é a morte para esse sentido do "eu", desse "mim"? E será que, ao nos darmos conta disso, ainda teremos uma continuidade de medo? Será que ainda teremos uma continuidade para esse sentido do "eu", sustentando essa abstração, que é essa forma de pensamento, de ideia, de separação com essas perdas?

Quando você teme, você teme perder. Veja, você não teme exatamente uma outra coisa, é somente essa. O seu medo é perder, é perder o contato com esse ente querido, é perder alguém, é não poder ter mais a presença dele ou dela. O seu medo, nessa particular morte de si mesma, de si mesmo, também é de perder, é de perder o que você tem, o que você obteve, as relações de prazer, de satisfação e alegria que você tem nesse contato com objetos, com pessoas, com situações.

Portanto, todo esse sentimento aprazível, satisfatório, feliz, preenchedor e de prazer que você tem é exatamente isso, e é somente isso que você teme que desapareça, que não possa ser mais desfrutado. É isso que nós chamamos de amor à vida. O que chamamos de amor à vida - é bem interessante essa expressão também -, aquilo que chamamos de amor está sempre associado a uma forma ou outra de prazer, dentro das relações. A isso estamos dando o nome de amor.

Assim, o que é a verdade sobre o medo da morte? Nós não temos exatamente o medo da morte. O contato com a morte é o contato com o desaparecimento daquilo que nós temos, daquilo que representa para nós parte da "nossa vida", esse é o medo. É o medo de perder isso que conhecemos, de não ter mais isso, esse é o medo da morte; de não ter mais essa ou aquela pessoa, de não ter mais essa vida do "eu", essa "minha vida", para desfrutar toda a forma de prazer que eu tenho tido até hoje.

Portanto, a verdade sobre o medo da morte é a verdade de ter que lidar com uma condição nova, onde não teremos nada daquilo que nós já conhecemos. Portanto, não se trata de um contato com o desconhecido, trata-se do fim daquilo que nós conhecemos. Assim, nós estamos sempre sustentando essa continuidade daquilo que conhecemos, fazemos de tudo para não perder o que temos, porque a nossa vida consiste nisso, nessa continuidade do prazer, o que nós chamamos de amor nas relações.

O nosso amor nas relações, associado ao prazer, é relativo à satisfação que aquilo me dá, que aquilo me traz. Enquanto isso estiver me trazendo satisfação, prazer e alegria, eu amo, se isso parar de me trazer isso, eu não quero mais perto de mim, e posso passar a odiar também. Então, aquilo que nós chamamos de amor é algo circunstancial, é relativo a preenchimento, prazer e satisfação que temos com aquele objeto, ou naquele lugar, ou com aquela pessoa.

Então, aqui, o primeiro ponto é esse: nós não temos nenhum problema com a morte, nós temos, sim, um grande problema em perder coisas, em perder tudo aquilo que nós juntamos, acumulamos. Isso porque tudo isso faz parte, agora, desse contexto psicológico de existência do "eu". Assim, o medo em perder tudo isso é o fato de que sem isso, quem sou eu? São essas coisas, são essas pessoas, é isso que traz sentido para a minha vida.

Portanto, o que é "minha vida"? A "minha vida" é a continuidade do pensamento sobre tudo isso. Percebam que coisa interessante nós temos aqui quando investigamos também essa questão sobre o que é o pensamento. Tudo o que você tem está dentro de você, como uma imagem que o pensamento está sustentando, como uma ideia que o pensamento trás.

Quando você fala de alguém, você está me falando de um pensamento que tem sobre ele ou ela; quando você se lembra de alguém, a sua lembrança é de uma imagem que você tem sobre ele ou ela. Veja, não se trata da pessoa, trata-se do pensamento sobre ela; não se trata dela, trata-se da ideia que você faz sobre ela. Assim são todas as coisas que nós temos; todas essas coisas que temos estão apenas dentro do pensamento.

E o que é o pensamento? É a presença da memória, da imagem, do quadro mental que você tem. Então, o que é que nós temos aqui como verdade de tudo o que nós temos? A verdade é que nós não temos absolutamente nada, e tudo o que nós temos consiste em uma imagem, em um pensamento. O seu carro é uma imagem dentro de você, o seu marido, a sua esposa, sua família, o seu nome, a sua história, a sua memória, tudo isso faz parte do pensamento. Veja, essa é a verdade do pensamento. Portanto, é o pensamento que dá continuidade a esse "mim", e esse "eu".

O que será a Vida Real? A Vida Real é aquela onde temos a ciência da morte. Essa ciência da morte é a ciência do fim do pensamento nesse instante, nesse momento. É quando o pensamento termina, aqui e agora, que nós temos um real encontro com a Vida Real, com a Realidade da Vida como ela acontece. Isso é a morte, a morte para essa psicológica condição de identidade egoica, que é a identidade do "eu".

Aquilo que nós chamamos de "eu", de "mim", é um conjunto de pensamentos. Então, esses pensamentos estão dando identidade a esse sentimento, pensamento e sensação de posse, de controle, de vida. Talvez você não consiga perceber de imediato, mas aqui nos deparamos com um desafio. A ciência desse encontro com a Vida Real, que é a vida livre do pensamento, que é a vida nesse contato com a ciência da verdade sobre o fim de todas as coisas, é também, simultaneamente, a verdade sobre como encontrar Deus.

A Realidade de Deus é encontrada aqui; não se trata de um movimento no futuro para se realizar, em algum momento no tempo. Esse encontro com Deus é a constatação dessa Realidade nesse instante. Essa Realidade é a Realidade da própria Vida, livre do "eu", livre do pensamento, livre de tudo aquilo que o pensamento tem dado forma e criado uma identidade nessas coisas. Olhe para si mesmo, você não tem absolutamente nada, nem mesmo esse corpo é seu. Se esse corpo fosse seu, você não deixaria ele adoecer, você não deixaria ele envelhecer, você não deixaria ele morrer - ele não é seu.

Há Algo presente, acima e além desse corpo, e, naturalmente, além de tudo aquilo que o pensamento representa aí, inclusive essa ideia desse "mim", desse "eu". A verdade sobre isso é que essa única Realidade é a Realidade da Vida, é a Realidade de Deus, é a Realidade desse "não eu". Então você pergunta: "Como vencer o medo da morte?" Se livre da ilusão de se ver como alguém na vida tendo coisas a partir do pensamento, a partir das imagens que o pensamento constrói.

Assim, o desprendimento de toda essa sensação e experiência e pensamentos, que dão formação a essa identidade que é o "eu", é o encontro com a Verdade de Deus. A Realidade do seu Ser é a Vida; essa é a Realidade de Deus. Então, a única coisa real que você tem é a Realidade d'Aquilo que é Você, e, no entanto, nem mesmo isso você tem. Essa Realidade que Você é não é a realidade de alguém, não é algo seu, é algo de Deus, é a Realidade de Deus.

Essa é a verdade sobre a morte, essa é a verdade sobre a Vida, essa é a verdade sobre Deus, essa é a verdade sobre Você, Aquilo que é inominável e indescritível e que está presente além desse chegar e partir, desse nascer e morrer, além desse corpo, dessa mente e desse mundo.

O ser humano passa uma vida inteira acumulando bens, móveis e imóveis, teres e haveres, e esse movimento é um movimento de aquisição desse "eu". Estamos dentro de uma ilusão, porque nada disso é real. O fim para essa condição é o contato com a Realidade que está além do conhecido e, portanto, está além do pensamento.

Aqui, nos encontros online, que ocorrem aos finais de semana - sábado e domingo -, nós estamos investigando isso, tomando ciência da verdade sobre tudo isso. Ter a revelação, a verdade d'Aquilo que é Você, que é a ciência de Deus, aquilo que os Sábios chamam de Advaita, a não separação, a não dualidade, a verdade dessa Realidade presente, que é a Real Vida, que é a Vida Divina. Fora esses encontros, nós temos encontros presenciais e, também, retiros. Portanto, se isso é algo que faz sentido para você, fica aqui o convite.

Março de 2025
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quinta-feira, 12 de março de 2026

O que é o pensamento? Medo: o que é? O que é o sofrimento? Como alcançar a realidade desejada?

É bem interessante a nossa aproximação da vida, ela é a aproximação da busca de alguma coisa. Isso porque nós fomos educados, condicionados, programados para ter essa forma de pensar, para se mover nesta forma de pensar. Assim, nós encaramos a vida como algo para ser realizado, como algo em que, nela, nós estamos aqui como um elemento separado dela, para encontrar nela alguma coisa para "mim", para esse "eu", para esse elemento que se vê separado dela, que se vê à parte dela.

Aqui eu gostaria, com você, de investigar essa questão dessa procura que todos nós temos. Qual será a verdade desta busca? Eu me refiro a essa busca dos desejos, das realizações nos desejos. Isso porque, em geral, nós pensamos assim. "Afinal, como alcançar a realidade desejada? Como alcançar aquilo que eu desejo?" Notem que coisa estranha é a nossa particular visão da vida, nossa particular visão da existência, do mundo. Nós olhamos para a vida, para a existência e para o mundo como se houvesse, nesse contato que temos com esta coisa, a vida, o mundo, a existência, a possibilidade de nos preenchermos em algum nível de realização, realizando o desejo certo, o desejo verdadeiro, o desejo real, essa realidade desejada. O que há por detrás disso? É isso que estamos investigando aqui, com você.

Há em todos nós uma insatisfação, uma incompletude, uma condição que está produzindo desejos. Não haveria desejos se houvesse completude, se houvesse satisfação. Reparem que, quando você não tem fome, não sente desejo do fim da fome, porque não há fome. Se você não tem fome, você não tem desejo do fim da fome e, no entanto, reparem, psicologicamente você pode ter desejo de comida, mesmo sem ter fome. Então, existe aqui uma coisa que a gente precisa estudar, compreender: nós temos necessidades; em razão da insatisfação, a necessidade surge. Nós temos necessidades, essas necessidades dão origem à insatisfação. Em razão da insatisfação surge o desejo.

Quando você está com fome, você tem a necessidade de preencher essa fome, de realizar essa insatisfação na comida. Então, é natural desejar comida quando se tem fome, é natural desejar água quando se tem sede. É natural desejar se aquecer quando você está com frio. É natural desejar se refrescar quando você está com calor. Veja, é natural o desejo. Então, nós temos esse aspecto do desejo, é um aspecto simples! Se você tem que viajar, você tem que comprar uma passagem aérea, não dá para você ir para o outro lado do continente, atravessar o mar andando. É necessário comprar uma passagem aérea, então estamos diante de um desejo básico, simples, em razão de uma necessidade. Mas nós temos desejos psicológicos, como esse que acabamos de colocar: você não está com fome, mas tem o hábito de comer, o vício de comer. Há uma condição psicológica em você, de insatisfação, produzindo o desejo.

Assim, existem dois tipos de desejos, que claramente nós somos capazes de observar. O primeiro é o desejo simples, a busca de um preenchimento de uma necessidade básica, e o segundo consiste na busca de um preenchimento psicológico. Todos os tipos de desejos que temos nesse nível, a nível psicológico, são algo para alimentar ou manter a continuidade de uma entidade presente, ilusória, que se mostra muito real em cada um de nós, que é a presença do "eu", que é a presença do ego. Nós precisamos tomar ciência disso, é por isso que a nossa ênfase, aqui, está na visão da aproximação do Autoconhecimento. Porque uma vez que você tome ciência de como você psicologicamente funciona, você se dá conta desta psicológica condição, que é a condição desta egoidentidade, que está em busca de se preencher psicologicamente, realizando coisas, realizando sonhos, objetivos, propósitos, alvos, se realizando em companhia de pessoas, nessa assim tão sonhada felicidade, no amor, nas relações. Tudo isso faz parte desse velho jogo, que é o jogo da continuidade do "eu", da continuidade do ego. Uma continuidade que se sustenta sempre nesta ânsia por mais, nesta busca por mais. Então, esse modelo psicológico de existência presente no ser humano é algo que está sustentando uma condição interna de insatisfação, de incompletude e, portanto, de sofrimento.

Assim, o que é o sofrimento? Essa é uma outra pergunta. O que é o sofrimento? É exatamente a presença dessa insatisfação, dessa incompletude, esta ânsia por se realizar, por se preencher, por alcançar algo. Nós não nos damos conta de que esse movimento é uma busca de preenchimento psicológico; nesse próprio movimento está presente o sofrimento. É porque sofremos que desejamos. A beleza de um encontro com a Realidade Divina, com a Realidade do seu Ser, é que isso é o fim do sofrimento, porque isso é o fim desta insatisfação, desta incompletude. Então nós temos o fim do desejo, dessa qualidade de desejo. Um desejo que, por sinal, está produzindo, a todo momento, algum tipo de problema. Repare que o desejo, quando se apresenta, ele se apresenta como o desejo, mas os objetos do desejo são diferentes. Você deseja uma coisa, mas simultaneamente você deseja uma outra coisa, contrária àquela primeira. Você sabe que, se obtiver aquela primeira coisa, você terá problemas. Ou seja, intelectualmente, você compreende que desejar aquilo não vai lhe fazer bem. Então, você deseja aquilo mas, ao mesmo tempo, você não quer aquilo. Intelectualmente, você não quer, mas emocionalmente você deseja. Veja, estamos diante do desejo, do desejo que se contradiz.

Assim, a condição psicológica do "eu", do ego, desse "mim", é de contradição. Essa é a presença do sofrimento. Você deseja uma determinada coisa, mas você, ao mesmo tempo, tem medo das consequências. Então, reparem que coisa interessante nós temos aqui: existe alguma separação entre o desejo e o medo? Porque, se você deseja algo mas, ao mesmo tempo, tem medo das consequências, esse desejo é, ao mesmo tempo, contraditório. E esse desejo é, ao mesmo tempo, o medo. Vejam como é importante nós investigarmos isso, esse é o estado caótico, confuso, desorientado, infeliz, do "eu", do ego. Esse sentido do "eu" é algo miserável, porque ele vive nessa insatisfação, nessa incompletude, nesse desejo e nesse medo.

Assim, quando você vem e pergunta: "O que é o medo?" O medo é a presença da insatisfação, o medo é a presença do pensamento se projetando no futuro, vendo as consequências dos seus desejos. Reparem como é importante investigar essa questão, também, do que é o medo. Um outro lado do desejo é a presença do medo, assim como um outro lado do prazer é a presença da dor. Neste momento, neste encontro com a Beleza da vida como ela acontece, há esse deleite, essa alegria. Mas quando o pensamento transforma isso em prazer e se coloca para buscar mais disso, esta ânsia por mais é a presença da dor, é a presença do desejo, é a presença do medo de não obter mais daquilo, ou daquilo trazer consequências ruins para esse "mim", para esse "eu", para esse ego, para essa pessoa. Estamos juntos?

Ter uma aproximação de tudo isso requer a presença da Inteligência. A verdade desta aproximação da vida, da real vida, livre desse modelo que acabamos de descrever, que é o modelo do ego, que é o modelo do "eu", requer a presença da Inteligência. E nós temos a presença dessa Inteligência quando nos desvencilhamos do modelo do pensamento. Nós estamos aqui, com você, investigando todas essas questões. Uma outra questão é: "O que é o pensamento?" Notem a ligação direta do pensamento com todo esse processo, com o processo do medo, do desejo, desta insatisfação, dessa incompletude. Reparem a presença do pensamento. É o pensamento que se projeta a partir da imagem que ele cria, que ele tem, ele mesmo se projeta para ir em busca daquilo.

Reparem o que está sendo colocado agora, aqui, para você. Existe a imagem que o pensamento cria do seu ideal. Nós temos a própria presença do pensamento se projetando no futuro para realizar isso, que é o seu ideal, e temos esse "eu", esse "mim" para alcançar isso. Haverá uma separação real entre esse ideal, esse pensamento e esse "eu"? A resposta é muito simples: sem a presença desse ideal não existe qualquer pensamento sobre aquilo e não existe qualquer "eu" por detrás desse pensamento. Assim, a presença do ideal é o próprio pensamento, que é o próprio "eu". Veja, estamos diante de três coisas que não são, na realidade, três coisas, estamos diante de uma única coisa: essa coisa é o próprio pensamento. É importante que você compreenda isso, não existe nenhuma separação entre esse "eu" e o pensamento, e o ideal dele; aquilo que ele procura, que ele busca, que ele idealiza, é ainda parte dele. É fundamental nós termos aqui uma compreensão de que não existe nenhuma separação entre você e o desejo, entre você e o medo. Você é a presença do desejo, você é a presença do medo. Assim, a presença do desejo, que é o ideal, é a presença desse no ideal, que é você, e isso é a presença do pensamento.

Aqui, nestes encontros, nós estamos, com você, investigando o fim desta psicológica condição, que reparem, é uma condição criada pelo pensamento. Sem a presença do pensamento, não há nenhum conflito presente nessa questão dos desejos. Então, podemos lidar com a vida como ela acontece e realizar propósitos de uma forma muito simples, sem esse fundo psicológico, que é a presença do "eu". Assim, realizar propósitos não é o problema. O problema é alguém nesta realização, é a ilusão de alguém para se preencher, para ser feliz, para se realizar, realizando esses propósitos. Assim, estamos diante de uma ilusão. As pessoas realizam coisas na vida, mas como carregam, ainda, esse sentido do "eu", do ego ali, elas continuam infelizes. Elas continuam psicologicamente, internamente miseráveis, mesmo em meio à fama, ao poder, à riqueza dentro dos bens materiais, dentro dessas realizações, também sentimentais e emocionais, nos relacionamentos. Enquanto o sentido do "eu", do ego, estiver presente, haverá infelicidade, porque aquilo que estará presente é a insuficiência, a carência, a insatisfação, a incompletude.

Aquilo que estamos com você, aqui, investigando, é o fim desta psicológica condição do "eu", do ego. Estar presente na vida, assumindo a realidade da vida como ela acontece, é estar diante da Beleza, da Completude de Ser onde realmente nada lhe falta. Isso porque a Realidade do seu Ser é a Realidade de Deus e nesta Realidade, nada falta. Essa Realidade que é você em seu Ser é Completude, ela não carrega desejos, ela não carrega conflitos, pensamentos ou problemas. Assim, o que é esta Verdade desta Realidade presente? É a Ciência Divina, é a Ciência de Deus. A verdadeira Realidade não é desejada, ela não é desejável. Ela é exatamente o fim desse elemento que se separa e que deseja e que se ocupa psicologicamente, se projetando nessa ilusão, que é a ilusão do pensamento. Pensamento de que amanhã será feliz, de que amanhã estará em paz, de que amanhã encontrará o amor, e assim por diante.

É isso que estamos trabalhando aqui, com você, nos finais de semana. O encontro com a Realidade Divina é a Completude de Ser, é a Verdade de Deus. Assim, sábado e domingo estamos juntos, aqui. São encontros on-line nos finais de semana. Você tem aqui, na descrição do vídeo, o nosso link do WhatsApp para participar desses encontros on-line nos finais de semana. Fora esses encontros, temos encontros presenciais e também retiros. Se isso é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui o convite, já deixa aqui o seu like, se inscreve no canal e coloca aqui no comentário: "Sim, isso faz sentido". Ok? E a gente se vê. Valeu por o encontro e até a próxima.

Março de 2025
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terça-feira, 10 de março de 2026

O que é o medo? Mente condicionada. Como lidar com o pensamento? O condicionamento psicológico.

Aqui, a nossa ênfase com você consiste em uma aproximação da vida dentro de uma compreensão do significado dela. A dificuldade que nós temos na vida é de não abraçá-la como ela acontece. Nós fomos educados dentro de um modelo de mundo onde desde pequenos sempre nos foi dado projetos, objetivos, propósitos, ideias, sonhos. Nós não lidamos com a vida como ela acontece, nós estamos sempre lidando com a vida a partir desse fundo de representação mental de como ela precisa ser, deveria ser ou poderia ser para nós.

Aqui, juntos, nós estamos investigando essa questão, que é a questão desse "eu". Não há nenhum outro elemento presente que se separe da vida para avaliá-la a partir desse fundo. O único elemento presente para ser investigado não é a vida como ela acontece, mas é exatamente esse "eu" como ele aparece - e esse "eu" somos nós. Então, nós precisamos compreender algumas coisas; na verdade, nós precisamos compreender uma única coisa, e essa única coisa é a verdade sobre esse "eu"

A forma como encaramos a vida é a partir de um condicionamento psicológico, em razão da presença de uma mente condicionada. Nós não sabemos, por exemplo, lidar com o pensamento. Esse condicionamento que trazemos nos impede de ter uma compreensão daquilo que se passa conosco. Assim, nós precisamos nos aproximar da vida tendo uma nova aproximação, algo que se torna muito complexo, nada simples, em razão desse fundo de condicionamento.

Ao lidarmos com a vida, estamos lidando com aquilo que ali está. A vida representa diversos aspectos bastante complexos; essa complexidade desses aspectos ocorre em razão da forma como nós nos aproximamos da própria vida. A vida não é complexa, não é difícil, não é aquilo que acreditamos que ela é. Apesar de não ser complexa, difícil, a vida consiste em algo nesse instante acontecendo, a cada momento, como um grande mistério.

Não há como ter uma aproximação da vida a partir do pensamento. Esse formato de pensamento presente, a forma como o pensamento se processa dentro de cada um de nós, é procurando fazer uma leitura da vida. Então nós temos da vida, a partir do pensamento - nessa mente condicionada, nesse condicionamento psicológico -, uma visão equivocada.

A cada momento, nós nos deparamos com algo novo na vida; a vida é sempre algo novo surgindo. A cada momento, a cada instante, nós estamos diante de algo novo, e atender esse novo requer uma qualidade de mente que nós desconhecemos. Apenas uma mente livre, desimpedida, silenciosa, com um cérebro quieto é realmente capaz de olhar para a vida como a vida acontece, sem gerar conflito, desordem e confusão. Mas a mente que nós conhecemos é a mente que, ao olhar para a vida, carrega a sua perspectiva, a sua peculiar visão. Então, vamos ver isso aqui juntos.

Por que é que ao olharmos para a experiência da vida, ou para a vida como ela acontece, produzimos conflitos, confusão, desordem e sofrimento, não só para nós mesmos, mas para o mundo à nossa volta? Por que isso acontece? Porque olhamos a partir do passado. É o passado que não nos permite ter um contato com a vida em Liberdade.

A ausência dessa Liberdade: vamos tocar um pouquinho nisso aqui. Nós não fomos criados, educados para a Liberdade; pelo contrário, nós fomos adestrados, condicionados, programados para pensar, para sentir e para atuar na vida. Ou seja, todas as nossas ações também são moldadas por esse modelo de sentir e pensar educado pela sociedade, educado pela cultura, para um comportamento bastante peculiar, e esse comportamento é o comportamento do "eu".

Qual será a verdade desse "eu"? Esse "eu" é esse elemento presente que se move na vida a partir do pensamento. Então, é assim que estamos nos movimentando na vida. Esse movimento a partir do "eu" é o movimento da ausência da Liberdade. Nossa ideia de liberdade, em geral, é a liberdade para fazer o que desejamos, para fazer o que nós queremos, para ser quem nós acreditamos ser.

Alguns usam a expressão "precisamos ser nós mesmos". O que é "ser nós mesmos"? Tudo o que nós sabemos desse ser que nós somos é aquilo que a cultura nos ensinou a ser, nos mostrou como ser. Então, quando falamos de liberdade para fazer o que desejamos, para ser quem nós somos, nós estamos apenas sob a influência do desejo. Não é possível a visão real da Liberdade enquanto o nosso impulso de ação for o impulso da aquisição, for o impulso para obter aquilo que nós desejamos.

Porque, na verdade, o que é que nós desejamos? Nós desejamos aquilo que está presente nesse fundo de condicionamento mental. Nós tivemos experiência de prazer, e agora desejamos que esse prazer volte, esse é o nosso desejo, mesmo que esse prazer implique em sofrimento para o outro, como ocorre, no caso, desse movimento em nós, por exemplo, na ambição. Nós vivemos dentro de uma disputa, procurando superar os demais, para realizar o que desejamos para obter o que nós queremos. Esse movimento, em geral, é o que nós chamamos de liberdade, enquanto que aqui nós estamos apenas no impulso da insatisfação.

Existe um aspecto dentro dessa questão do desejo que nós não percebemos, que é a presença do medo. O mesmo impulso para obter aquilo que você deseja, como o prazer, é o mesmo que procura lhe afastar daquilo que lhe causa dor - e esse é um outro aspecto também do desejo. Nós desejamos o prazer, mas também desejamos fugir da dor. Essa questão do desejo precisa ser investigada. É natural o desejo; o desejo apenas nos mostra que estamos respondendo à vida. O problema surge é quando não compreendemos o lugar que tem o desejo.

A qualidade de desejo que nós conhecemos não é o desejo simples e natural para obter aquilo que, de fato, nós precisamos. O desejo que nós conhecemos é o desejo psicológico, é aquilo que nos impulsiona em busca de um preenchimento e realização a nível do "eu", a nível do ego. Essa qualidade de desejo carrega presente também o medo. Nós vivemos nessa busca do desejo - eu me refiro a essa qualidade de desejo psicológico, que é o desejo em busca de um preenchimento e de uma satisfação egocêntrica - e também vivemos dentro desse mesmo modelo de fuga da dor.

Então, o nosso desejo também implica nesse fugir do sofrimento; um sofrimento que, por sinal, nós criamos a partir desses impulsos. Todo esse modelo de impulso do "eu", de impulso do ego, em sua busca de preenchimento e satisfação, é algo que envolve a busca do prazer e a fuga da dor. E a verdade é que todo esse movimento é o movimento egocêntrico, todo esse é o movimento que vem do passado, vem dessa psicológica condição, que é a condição do "eu", que é a condição do ego.

Assim, quando as pessoas perguntam o que é o medo, um dos aspectos do medo que, em geral, nós ignoramos é que o medo é essa fuga da dor. Mas quem é esse elemento nessa fuga da dor senão o próprio "eu", esse próprio movimento egocêntrico dentro desse desejo de escapar? Aqui, com você, nós estamos investigando o fim para essa psicológica condição, que é a condição da egoidentidade, para um real encontro com a Vida como ela acontece nesse instante, livre desse modelo, que é o modelo dessas atividades egocêntricas.

Assim, a presença da Liberdade, dessa mente livre, é algo fundamental. Como realizar essa mente livre? E como assumir a Verdade desta mente livre? Isso ocorre quando liberamos de nós essa interna condição, esse movimento interno, que é o movimento do "eu", que é esse movimento do ego. Isso se realiza pelo olhar, pelo perceber, pelo compreender todo esse movimento. Aquilo que aqui temos dado como fundamento para essa visão, para essa Verdade dessa Liberação dessa psicológica condição, que é a condição dessa egoidentidade, é realizarmos, na vida, a compreensão de nós mesmos pelo Autoconhecimento.

A não ser que você tenha uma direta compreensão de como você internamente funciona, você jamais irá compreender a vida. Como nós acabamos de colocar: a vida não é algo difícil, não é algo complexo, mas é a presença de um Mistério, que a cada momento está aqui se mostrando, se revelando, e você não pode tomar ciência desta Revelação a partir do passado, a partir do modelo do pensamento. Então, o fim dessa mente condicionada, desse psicológico condicionamento é a aproximação da vida como ela acontece, como ela é. E nesse encontro com a Vida, temos o encontro com a Felicidade.

Em geral, toda essa procura por satisfações, por realizações, por projetos, objetivos, sonhos é aquilo que tem sido dado para nós como modelo dentro desse contexto de sociedade, de valores humanos, de valores mundanos. Uma vida voltada para a Verdade é o fim dessa velha condição, para um encontro com a vida nesse instante sem o passado, sem esse padrão de mente condicionada.

A posição da pessoa no mundo, do ser humano como ele vive, apesar de todas as realizações externas que ele tem - realizações essas impulsionadas pelo modelo comum, pelo modelo de mente condicionada, de psicológico condicionamento - ainda é de infelicidade problemática, insciente da Realidade Divina presente aqui e agora, porque ele está vivendo no pensamento, vivendo nessa velha condição do "eu", do ego.

Todo o seu impulso na vida é na busca do prazer; toda essa busca do prazer carrega a presença da dor. Nós não nos damos conta disso porque nos falta uma visão de como, internamente, nós funcionamos, nos falta uma visão de que nós estamos funcionando de uma forma programada, dentro de um contexto de consciência comum a todos.

Aqui, juntos nós estamos investigando tudo isso para irmos além dessa psicológica condição egoica, para irmos além dessa ilusão desse sentido de alguém presente precisando de algo na vida. A verdade é que a Presença da Vida é a Presença do seu Ser. Este Ser é a própria Realidade Divina, essa é a Natureza Verdadeira, é a Natureza Real d'Aquilo que é Você em seu Ser. Um encontro com a Vida é um encontro com a Realidade nesse instante.

Não existe qualquer separação entre a vida como ela acontece e a Realidade do seu Ser. No entanto, enquanto esse sentido do "eu", dessa mente condicionada, estiver presente, você estará sempre perguntando: "o que é o medo", "como se livrar do sofrimento", "como vencer a depressão", "como superar o estresse e a ansiedade". Isso porque todos esses quadros são representações típicas dessa condição psicológica, que é a condição da mente egoica, dessa consciência isolacionista, separatista, desse sentido do ego, dessa presença do "eu".

Aproximar-se da Realidade da Vida, assumir esta Realidade, constatar a Beleza da Vida como ela acontece, tendo uma aproximação real desse Mistério, requer a ausência dessa velha condição. A presença do Autoconhecimento lhe abre essa porta para a ciência que Revela Deus, que Revela o seu Ser. A Felicidade é possível nesta vida quando esta Vida é Real, quando esta Vida não é mais essa ideia de "minha vida", quando esta Vida é a Vida Divina.

Aqui, nos finais de semana, sábado e domingo, estamos juntos aprofundando isso com você. São dois dias online, onde estamos trabalhando isso com você. Fora esses encontros, nós temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui esse convite para participar.

Março de 2025
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quinta-feira, 5 de março de 2026

O que é o pensamento? Medo: o que é? O que é o sofrimento? Como alcançar a realidade desejada

Nós temos por fundamento, aqui dentro destes encontros, uma aproximação para a investigação, para a descoberta do porquê desse movimento psicológico presente em cada um de nós. É isso que pode nos dar uma real resposta para essas diversas condições internas em que nós nos encontramos. Um encontro com a vida como ela acontece é algo inteiramente diferente desse encontro a partir do princípio do pensamento presente, que é o modelo que nós conhecemos. Toda esta condição de incompletude, de insatisfação presente em nós, como seres humanos, é algo que precisa ser investigado. Isso porque a natureza da Verdade sobre nós mesmos, que nós desconhecemos, é a Natureza do Amor, da Paz, da Liberdade. naturalmente, da Felicidade. E aqui a palavra Felicidade é completude; nessa completude não existe insatisfação. Assim, nós temos aqui que nos perguntar o porquê desta psicológica condição presente em cada um de nós, que nos leva a essa busca ou procura por realizações externas, por exemplo, nos desejos.

Existe uma procura em cada um de nós, em razão dessa insatisfação. Assim, as pessoas perguntam: "Como alcançar a realidade desejada?" ou seja, como alcançar aquilo que elas realmente desejam? Aqui a pergunta é: Nós sabemos o que realmente desejamos? Nós sabemos qual é a verdade sobre os desejos? O que é o desejo? Por que o desejo? Se houvesse satisfação, haveria desejo? Ou a presença do desejo é um sinal clássico de carência, de insuficiência, de insatisfação? Essa questão do desejo é bem interessante aqui, de ser investigada. Desde pequenos nós temos desejos, mas o desejo carrega dois aspectos, que a gente dificilmente atenta para eles. Ele tem um aspecto físico, em razão de uma necessidade - se, por exemplo, você sente sede, você deseja água; se você sente frio, se você deseja se aquecer; se você sente fome, você deseja comida. Então, esse é um aspecto simples dessa questão da presença do desejo nesta insatisfação, nesta não completude. Estamos diante de algo muito natural: se você precisa se transportar, precisa de um veículo. Se a distância é muito longa, você não vai fazer isso a pé, então você precisa comprar uma passagem aérea.

Então, a presença do desejo é algo bem simples, é algo bem natural, mas nós temos exigências internas que não compreendemos porque elas estão aqui. Isso cria uma qualidade de desejo, presente em nós, que é o desejo psicológico. É a busca de um preenchimento, de uma satisfação ou realização psicológica. Que elemento presente é esse, em nós, insatisfeito, que sustenta essa psicológica necessidade, essa busca de preenchimento nos desejos? Será que em algum momento esse elemento em nós ficará satisfeito, preenchido? A resposta para isso é muito simples: A condição psicológica do ser humano é a condição de uma particular visão de mundo onde há, sempre presente, essa insatisfação. Essa particular visão é a visão desse "mim", desse "eu", desse ego. Esse é o elemento presente, responsável, nesta insatisfação psicológica que tenta preencher realizando desejos.

É algo muito complexo tudo isso, porque a mente tem tornado isso algo muito complexo. Nós precisamos realizar coisas na vida, mas se realizar nessas coisas como o ego tem a intenção, como ele se vê precisando fazer, desejando fazer, é isso que alimenta a presença, em nós, do sofrimento. As realizações, os objetos, estar em lugares como, por exemplo, viajar, ou se encontrar com pessoas, ou ter a proximidade delas com você, acreditar que a realização disso deve ter esse propósito de preenchimento psicológico, é sustentar, na vida, uma condição de sofrimento. É isso que tem gerado em nossas vidas todo tipo de problemas. Nós nos apegamos a lugares, a pessoas, a objetos, a ideias, a opiniões, a conclusões, a ideologias. A esses apegos nós chamamos de "amor". Se isso nos é tirado, ou se nos sentimos ameaçados para perder isso, é típico da natureza do ego acumular, adquirir, possuir, controlar. Se ele se vê ameaçado, ele se sente ferido, magoado, entristecido, ou com raiva.

Assim, os nossos apegos são sustentados pelas nossas realizações desses desejos, desses desejos psicológicos. Aqui, com você, nós estamos investigando o fim desta psicológica condição, que é uma condição bem particular do "eu". É isso que sustenta em nós uma condição de sofrimento típico, chamado "medo". Em geral, nós separamos as duas coisas, nós vemos o desejo como algo bom. Repare, há um elemento por detrás do desejo, que é a insatisfação. Insatisfação é presença de sofrimento. Um outro elemento presente nessa questão da presença do desejo, é que ele produz, além da insatisfação presente por detrás dele, nós temos a presença de algo, que é o apego. A realização de desejos sustenta em nós a ânsia por mais, a busca por mais e, naturalmente, a preocupação de não termos mais aquilo, de não alcançarmos mais, ou daquilo nos ser tirado. Isso é o medo.

Então, o que é o medo? As pessoas querem se livrar do medo, mas não querem se livrar do desejo. Notem, podemos descobrir a vida livre nesta liberdade interna, onde não há insatisfação, apenas quando a mente está livre de todo esse velho modelo de busca, de preenchimento e realizações externas, para internamente se preencher. Apenas quando a mente está livre podemos ter uma aproximação da vida como, de fato, ela é. Nós ficamos dentro de propósitos e objetivos, construídos em nós pela cultura, pela sociedade. Eles nos dizem o que vestir, eles nos dizem o que comer, eles nos dizem o que sentir, como pensar, como agir, como realizar propósitos, como ter ideais, sonhos e desejos. É assim que nós funcionamos psicologicamente, dentro desse contexto de cultura humana. É evidente que nós estamos dentro de um programa de condicionamento. De um certo modo, algumas coisas são bem inofensivas. Por exemplo, acabamos de citar a questão, aqui, do desejo. Se você precisa de uma roupa, você procura uma roupa, e você compra a roupa que está sendo oferecida. Mas transformar aquilo num ideal psicológico. Você pode sim, optar e escolher, em razão dessa inclinação que você tem, desse simples gostar de um estilo de roupa, mas estar preso a esse modelo de modismo, para psicologicamente se preencher, é estar escravo de uma psicológica condição de cultura, de condicionamento humano, de condicionamento do "eu", de condicionamento egoico.

É necessário um claro percebimento, uma Real Inteligência, para lidar com a vida e ficar com ela como ela acontece, e não com ela a partir desse modelo do pensamento, que está escravo desse padrão de condicionamento psicológico, de cultura humana, de valores humanos, de valores mundanos. Uma ciência real da vida é a direta compreensão do que ela representa, em todo o seu contexto. Isso requer a presença da Inteligência. O ser humano procura estudar tudo, mas ele não estuda a si mesmo, e não toma ciência da vida como ela acontece - de fato como ela acontece e não como o pensamento deseja, projeta e idealiza. Nós temos vivido e nós estamos vivendo em ideais do pensamento. É isso que está sustentando em nós a ilusão, por exemplo, desta procura pela realização dos desejos. Nós acreditamos que a realização desses desejos é o que irá nos fazer felizes, preenchidos, completos. Reparem o quanto as pessoas dão importância e valor, por exemplo, para essa busca, para essa busca de preenchimentos externos. É um equívoco essa ideia de que, pela realização externa, você será feliz, pela realização de desejos você será feliz.

Podemos lidar com a vida como ela acontece? Aqui não se trata de anular a presença do desejo, mas se trata de compreender a beleza de uma vida livre dos desejos. Realizar aquilo que é simples, realizar aquilo que, de fato, é necessário, é algo completamente diferente de ir em busca de soluções complexas para essa insatisfação do "eu", do ego, pelos desejos. Então, quando você vem e pergunta: "Como alcançar a realidade desejada?" A única Realidade é aquela que está presente aqui e agora, e a ciência desta Realidade não se alcança, não se obtém, não se deseja. É aquilo que está presente se expressando como sendo a natureza da Verdade do seu Ser. É isso que estamos com você aqui, explorando juntos, investigando juntos. É por isso que nós precisamos compreender a questão do pensamento. O que é o pensamento?

O pensamento é o elemento que liga aquela imagem a você. Então, existe uma imagem, uma percepção, uma visão, um modo de olhar para isso ou aquilo, aquela coisa, a partir do pensamento. O pensamento é essa ponte que liga você àquele objeto. Você vê algo e deseja aquilo, o pensamento é o elemento que faz essa ligação. Nós não compreendemos todo esse movimento do pensamento em nós. Sem a presença do pensamento não existe essa qualidade de desejo, porque não temos essa ponte. Você vê alguém famoso, então você tem essa visão dele ou dela, e o pensamento diz: "Seria muito bom, seria maravilhoso se eu fosse como ele ou ela." Esse é o movimento do pensamento em nós, sustentando e dando continuidade ao desejo. O pensamento diz: "Se eu alcançar a fama serei feliz, encontrarei a paz, encontrarei a felicidade." Repare, estamos apenas dentro de uma viagem. É o pensamento que está dando continuidade a essa viagem - ele é a ponte entre você, esse "eu", e aquele ideal, e aquele propósito, e aquele desejo.

Portanto, o pensamento é esse elemento que dá continuidade. Esse é apenas um dos aspectos do pensamento. Então, o que é o pensamento presente em você? É o elemento que sustenta a continuidade desse "eu" no desejo. O pensamento é o elemento em você, que sustenta a continuidade desse "eu" no medo. Sem a presença do pensamento não existe essa busca de preenchimento psicológico do desejo. Sem a presença do pensamento não existe a presença do medo. Então, o que é o pensamento? É a imagem, é a projeção, é a viagem, é essa ponte, é esse ideal, é essa fantasia sustentada por essa condição psicológica, que é o modelo do "eu", que é o modelo do ego. O pensamento em nós é um elemento que vem do passado. Toda referência dele é do passado. Ele não lida com a vida neste instante, como ela acontece. Ele está sempre lidando com o alcançar, o obter, o realizar. É um elemento presente em nós, sustentando toda essa noção de "amanhã". Eu me refiro a esse amanhã psicológico, que é o amanhã da realização da felicidade, da paz, do amor e da completude interna. Isso é algo completamente ilusório, completamente falso. E nós estamos vivendo assim há milênios, dentro desta ilusão, dentro desta condição psicológica.

É isso que alimenta a presença, em nós, do sofrimento. Repare, essa é uma outra resposta aqui, para a pergunta: "O que é o sofrimento?" O sofrimento é a presença do pensamento sustentando essa psicológica condição de projeção, de preenchimento e satisfação nessa noção de amanhã, de futuro. Um futuro que o pensamento está produzindo nessa ideia: "Eu não sou feliz agora, mas eu serei feliz amanhã.", "Eu não tenho isso agora, mas quando tiver isso ou aquilo, eu serei feliz." Existe uma expressão muito interessante em sânscrito para essa condição de ilusória busca de preenchimento e realização, felicidade, nesta condição de ignorância, de ilusória identidade que é "eu", o ego. A expressão é "avidya"; avidya é essa ignorância. Essa é uma palavra em sânscrito para "ignorância", para a ignorância que sustenta, que alimenta o sofrimento, porque alimenta essa ilusão.

Aqui estamos rompendo com isso. Precisamos ter, da vida, uma compreensão direta, livre desta psicológica condição. Assim, estes encontros que nós temos aqui, nos finais de semana, sábado e domingo, têm esse propósito. São encontros on-line que ocorrem nos finais de semana, aqui com você. Dois dias juntos, podemos trabalhar isso. Você tem, aqui na descrição do vídeo, o nosso link do WhatsApp para se aproximar desses encontros. Fora esses encontros on-line, nós temos encontros presenciais e, também, retiros. Então, se isso é algo que faz sentido para você, já deixa aqui o seu like, se inscreve no canal, coloca aqui: "Sim, isso faz sentido." Coloca aqui no comentário, ok? E a gente se vê. Valeu pelo encontro e até a próxima.

Março de 2025
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terça-feira, 3 de março de 2026

A verdade da morte. Como lidar com a morte. Sofrimento psíquico. Mente egoica e sofrimento. Avidya.

Nós achamos bastante razoável perguntas do tipo: "Como lidar com a morte?" - ou a busca, a procura da descoberta da verdade da morte. Nós acreditamos ser isso algo muito, muito razoável, mas quando a gente olha para a vida como ela acontece, e nela há essa fluidez, liberdade, quando você não está em nenhum nível de desconforto, de atrito, de conflito com a vida como ela aparece, você não faz essas perguntas.

Observe que é sempre quando o sofrimento está presente em algum nível: o desconforto, a dor, o conflito, a contradição, o problema, que essas perguntas surgem. Então, veja, já estamos aqui com você trabalhando essa questão. Vamos investigar um pouco isso aqui.

Quando é que nós nos preocupamos com a morte? É quando estamos felizes? Quando estamos festejando? Quando você está rindo de uma piada, algum pensamento sobre a morte surge, acontece? Alguma questão dessa ordem aparece para você, do tipo: "como vencer o medo da morte", "como se livrar do sofrimento", "como encontrar a paz" ou "como encontrar o amor"? O que eu quero dizer aqui é que todas essas questões estarão sempre aparecendo enquanto essa interna condição em você for a condição de algum nível de desordem emocional, de pensamento, sentimento.

Será possível descobrirmos a vida como ela acontece, sem a ideia de como ela deveria ser? Porque é aqui que se encontra esse sofrimento, esse desconforto. A base é a mesma dessas questões, nesse fundo psicológico, que é esse movimento de fundo psicológico com esse sofrimento, com essa contradição, desconforto, conflito, problema. Mas é exatamente dentro dessa condição psicológica que tudo isso aparece.

Aqui, com você, nós estamos exatamente investigando o fim dessa psicológica condição. Nós não precisamos da resposta que estamos procurando uma resposta para ela, porque estamos em conflito, em sofrimento, em desordem interna e, assim, nos colocamos nessa procura de uma resposta para a vida ou para a morte, ou para as situações, ou para aquilo que não entendemos, para aquilo que não compreendemos.

Reparem, essa psicológica condição, onde está estabelecido o conflito, a desordem, o sofrimento, o problema, é exatamente a presença do "eu", desse 'mim". É quando você se vê como alguém presente na vida e está em algum nível de resistência à vida como ela acontece que surgem essas questões, que surgem esses problemas.

Aqui, juntos, estamos trabalhando exatamente o fim desse elemento, que é o "eu", o "mim". Vamos compreender com clareza isso. Esse elemento não é outra coisa senão esse próprio estado conflituoso, psicológico de ser; é ele que, em sua confusão, sofrimento, desconforto, cria essas questões. Descobrir a vida acontecendo, sem esse elemento, é não ter mais perguntas sobre o que é a vida, o que é a morte, como vencer os problemas, como vencer a morte, como se livrar do sofrimento, e assim por diante.

A vida é aquilo que acontece, ela tem o seu próprio movimento, mas quando você olha a partir desse velho modelo, que é o modelo do pensamento, onde você vive dentro de princípios de escolhas do que quer e do que não quer, do que gosta e do que não gosta, do que aceita e do que rejeita sobre a vida, que o conflito se estabelece, o desconforto surge, a desordem acontece, dentro de você.

Não há problema na vida como ela acontece, e é parte da vida o aparecimento e o desaparecimento das coisas. A nossa ideia de morte antagonizando com a vida, brigando com a vida é uma ideia. Isso, sim, está dentro de um princípio do aparecimento e do desaparecimento, mas é a vida como ela acontece. Tudo o que está aqui, agora, sofre mudança: está aqui agora e logo se vai.

Toda essa noção de tempo que nos causa tanto desconforto, que é onde ocorre a mudança, esse desconforto não é causado pela mudança em si, mas por esse padrão de pensamento que quer dar estrutura fixa à vida como ela acontece. Então nós rejeitamos a morte, rejeitamos o fim das coisas, rejeitamos o desaparecimento. Há todo um movimento em cada um de nós, nesse padrão de pensamento, que é um movimento de possuir e segurar e não permitir a mudança.

Então, estamos sempre dentro de uma vã tentativa de sustentar, de uma forma imutável, aquilo que muda, aquilo que, por natureza, já está mudando. Você não consegue segurar com você qualquer coisa, por mais que tente. Tudo vai embora, tudo desaparece, é uma questão de tempo. Quando aqui temos o tempo para a mudança, também esse não é o problema, mas é a ilusão do pensamento resistindo à mudança. É isso que fundamenta o problema, é isso que dá base ao sofrimento psicológico em cada um de nós.

Uma real aproximação da verdade sobre si mesmo irá lhe mostrar que todo o sofrimento presente em você é psíquico. É apenas o pensamento que está sustentando esse sofrimento, quando resiste à vida como ela acontece, quando quer controlar os acontecimentos, os eventos, as pessoas, os sentimentos, os pensamentos; é sempre o movimento interno do pensamento, nesse formato do pensador, do experimentador, desse que se separa para observar e está vendo a partir dele, a partir do que ele pode ver. Invariavelmente, sempre é assim. É esse sentido desse "mim", desse "eu', avaliando, julgando, comparando, algumas vezes aceitando, outras vezes rejeitando. Essa é a proposta particular desse centro, que é o "mim", a "pessoa".

Assim, toda a forma de sofrimento psíquico é aquilo que está presente em razão desse modelo psicológico de ser alguém na vida, na experiência, no acontecimento, naquilo que surge. É por isso que estamos investigando com você aqui o fim para essa mente egoica e o sofrimento. Não há separação entre essa mente do "eu", essa mente egocêntrica, esse modelo que olha a partir desse centro ilusório, e o sofrimento. Enquanto isso persiste, a ilusão permanece.

Na Índia eles têm uma expressão para essa ilusão, para essa condição psicológica de afirmação dessa identidade; essa condição psicológica de afirmação dessa identidade na vida, se vendo separado da vida, como sendo o experimentador daquilo que está vivendo - ele se vê como o experimentador e como alguém vivendo aquilo -, essa condição na Índia eles chamam de avidya. Avidya é uma palavra para ignorância; a condição de ilusão que sustenta o sofrimento é avidya. Então, o que é essa ilusão? O que é essa avidya? É a presença dessa mente egoica, dessa mente do "eu".

Quando você usa afirmações do tipo "minha casa", "meu carro", "minha família", "meus negócios", "minha vida", "minha história", aqui estamos diante de uma particular visão, centrada no "eu". Nós temos a vida acontecendo, mas não temos a verdade desse "eu" tendo essas coisas. Essa ideia de ter, de possuir, é de controlar, é de manter, é de segurar, de sustentar. Então, é inevitável essa psicológica condição de sofrimento quando a vida como ela é se mostra. As coisas desaparecem, se dissolvem, são tiradas desse "mim", desse "eu", então está presente o sofrimento, então surgem as questões: "Como lidar com a morte? Como lidar com esse 'perder' as coisas que se tem, que se possui?"

A vida nesse instante é algo que está mudando. Nada é permanente e nada se sustenta como o pensamento fotografa. Em nós, o pensamento fotografa, registra e tenta dar uma fixação a isso, àquilo, àquela outra coisa. O que o pensamento faz é construir uma entidade presente, sendo a gerenciadora disso tudo, a dona disso tudo. Então, toda essa condição psicológica do "eu" é de controle, é de apego, é de domínio; a isso o "eu" chama de amor.

Assim, todo o sofrimento surge em razão desse, assim chamado, amor. No entanto, não existe tal coisa, é apenas um nome bonito que o ego dá, que esse "eu" dá, que esse pensamento dá para as coisas que ele tenta dar estabilidade, segurança, com ele. Assim, a condição psicológica da pessoa é de apego. Então o medo é inevitável, a posse é inevitável, o sofrimento é inevitável. Não há como se livrar disso. Então, não existe tal coisa como se livrar do sofrimento enquanto o sentido do "eu" estiver presente, desse ego permanecer, dessa visão equivocada da vida como ela acontece estiver presente.

Um olhar direto para as suas reações irá lhe mostrar que essas reações em você são reações que nascem do pensamento, desse modelo estruturado no passado, buscando manter a sua continuidade, segurando as coisas, segurando objetos, segurando posições, segurando pessoas, se segurando dentro das relações para que elas não sofram mudanças, para que não ocorram as perdas. A ideia central é de possuir, controlar, dominar e sustentar o próprio "eu", o próprio ego nessas coisas, nessas posições, nessas ideologias, crenças e, também, nesses relacionamentos entre pessoas.

Então, toda essa preocupação sobre a morte é algo que está presente porque o sentido do "eu" quer manter a sua continuidade. Aqui estamos lhe convidando para a ciência do seu Ser, para a ciência da Vida, para a ciência do Amor, para a ciência da Liberdade de sua Real Natureza, que é a Natureza de Deus, onde nada disso está presente. Esse é o Real encontro com a Felicidade.

É por isso que nós temos esses encontros aqui nos finais de semana, onde estamos sábado e domingo com você. São encontros online nos finais de semana. Fora esses encontros, nós temos encontros presenciais e, também, retiros. Então, se isso é algo que faz algum sentido para você, fica aqui o convite.

Março de 2025
Gravatá-PE
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