quinta-feira, 16 de abril de 2026

O que é o pensamento? | Como alcançar a realidade desejada? | Tempo psicológico e cronológico

Na vida, nós temos que ter uma aproximação inteiramente nova. De outra forma, continuaremos dentro de diversas ilusões criadas, alimentadas e sustentadas pelo pensamento e, no final, isso irá sempre resultar em alguma forma de problema, de desordem, confusão e sofrimento. Por exemplo, nós temos essa procura, essa busca, essa intenção de encontrar alguma coisa que nós idealizamos. Notem que essa idealização nesse projeto é uma idealização do pensamento, quando, por exemplo, estamos procurando encontrar essa realidade que desejamos.

Assim, as pessoas perguntam: "Como alcançar a realidade desejada?" Antes de tudo, o que é essa realidade? Não é ela uma projeção do pensamento? O que nós sabemos, de verdade, sobre a realidade que, de fato, nós precisamos para essa completude, para essa felicidade? Nós não sabemos nada sobre felicidade. O que temos são projetos, ideias, crenças do que isso representa, do que isso significa.

A forma como nós nos organizamos na vida é a forma programada pelo contexto cultural, pelo contexto da sociedade. Assim, nós acreditamos que ser feliz, por exemplo, é ter bens materiais. Quanto mais temos coisas, maior a possibilidade de conforto, maior a possibilidade de destaque e posição dentro do contexto da sociedade. Mas notem: isso não é a Realidade da Felicidade, mas nós estamos confundindo isso com realização.

Não existe nada que você realize externamente que possa lhe dar internamente a Verdade da Paz, dessa Paz interna, dessa Paz interior. "Como alcançar a Paz interior?" Provavelmente não é realizando desejos, embora essa procura por essas realizações nos dê essa fantasia; a fantasia de encontrarmos no conforto dos bens materiais ou na suposta segurança de todos esses recursos financeiros que conseguimos, essa liberdade, essa estabilidade, essa segurança.

Aqui estamos, com você, investigando a natureza do pensamento. Qual é a verdade sobre aquilo que projetamos como ideal para as nossas vidas? Tudo aquilo que projetamos só pode ser projetado a partir de um princípio e de um programa ou fórmula. Esse programa, fórmula e princípio é o pensamento. É sempre o pensamento lhe mostrando aquilo que você "precisa" - aquilo que, na realidade, você acredita precisar. É isso que nós temos chamado de realidade desejada.

Nós estamos visualizando isso; então, existem técnicas de visualização da realidade desejada, existem técnicas de meditação para alcançar a felicidade desejada, existem ferramentas utilizadas nesta direção. Tudo isso envolve a presença do pensamento, tudo isso envolve o modelo da própria mente para alcançar aquilo que ela imagina que irá lhe completar, que irá lhe fazer feliz.

Qual será a verdade sobre o desejo? Quando você vê um objeto e você o deseja é porque você já teve alguma experiência no passado com ele, e ele lhe conferiu algum nível de satisfação, algum nível de prazer, e assim você o deseja novamente. Então, basicamente, o que é o desejo? O desejo em nós é a busca do prazer. Nós só buscamos ou desejamos aquilo que nos concede algum nível de prazer, aquilo que nos favorece esse estado sentimental, emocional de satisfação no prazer.

Assim, a base que sustenta a busca do desejo é o prazer. Mas o prazer é somente isso: a presença da lembrança, a presença da memória de uma satisfação obtida no passado. Agora, toda a satisfação termina em insatisfação. Aquilo que lhe satisfaz nesse instante, daqui a pouco não lhe satisfaz mais - assim são os prazeres, assim são as realizações.

Então nós já temos aqui algumas coisas. A primeira delas é a presença do prazer. Mas a presença do prazer requer a lembrança, a memória, o pensamento do prazer. A vida do ser humano gira em torno dessa busca; ele não sabe o que é a Realidade, ele projeta essa realidade desejada. A realidade que ele deseja é a realidade do prazer. Esse prazer é a memória, é a lembrança de uma satisfação, de um preenchimento temporário que ele teve.

Reparem a importância dessa compreensão. Tudo o que estamos fazendo na vida não é para o encontro da Felicidade, é para o encontro do prazer, da satisfação, e isso sempre será algo momentâneo. O nível de satisfação que se tira do prazer, uma vez que ele foi alcançado pelo desejo, é uma satisfação que logo se mostra insuficiente. A continuidade da vida do "eu" é a continuidade do movimento do desejo.

Nós precisamos descobrir a vida como ela acontece, tendo exatamente tudo o que ela tem, nesse sentido real de Ser um com a própria Vida. Então haverá uma completude, um nível de realização que nós desconhecemos. Nós desconhecemos esse nível de completude e realização porque nós estamos vivendo no pensamento.

Então, já tocamos aqui com você nessa questão do desejo, mas notem que um outro elemento sempre presente, como o outro lado da moeda do desejo, é a presença do medo. Você deseja algo, mas há dentro desse próprio desejo uma certa ansiedade de não alcançar, de não obter, de não conquistar: isso é medo. A busca de alguma coisa carrega uma expectativa, mesmo que velada e oculta, de que talvez aquilo não aconteça. E nenhuma certeza intelectual é convicção suficiente para eliminar a presença do medo.

Nós temos que investigar isso, colocar a nossa mente e o nosso coração para aprofundar essas questões. Aqui, juntos, estamos investigando como, nesta vida, realizar a Verdade da Felicidade, da Completude de sua Natureza Essencial, que é a Natureza Divina, que é a Natureza de Deus. Essa interna Natureza, essa verdadeira, oculta e misteriosa Natureza do seu Ser é a própria presença da Felicidade.

Assim, a Realização nesta vida não é a realização dessa, assim chamada, realidade desejada, mas é a ciência da Verdade da Realidade. A Realidade é algo que está além dos desejos, do prazer, do pensamento e, naturalmente, do medo. Aqui estamos juntos investigando a Verdade do Florescer do seu Ser, da Verdade sobre Você, assim, o descarte desse modelo do pensamento.

Por isso que estamos aqui perguntando também para você: o que é esse pensamento? Já que acabamos de perceber aqui, juntos, que essa assim chamada realidade desejada é algo que você pode visualizar, que você pode idealizar. Se pode idealizar e visualizar, isso faz parte do pensamento. Mas o que é o pensamento? Todo o pensamento presente em nós é o registro de uma memória, de uma lembrança, de algo que faz parte daquilo que se conhece nesse contexto dessa consciência.

Aquilo que temos chamado de consciência em nós, ou a mente em nós, é a presença dessa ciência do movimento do pensamento. É interessante aqui usarmos a palavra "ciência" desse movimento do pensamento, porque a grande verdade sobre isso é que todo esse processo ocorre de uma forma completamente mecânica, automática e inconsciente.

Nós não temos qualquer real ciência do que é o pensamento e do que é esse movimento presente em nós. Apenas nos damos conta dessa assim chamada consciência do "eu", dessa mente em nós, quando algum nível de sofrimento ou desconforto acontece; é quando nos damos conta de que nós existimos como alguém tendo essa mente, tendo esta consciência.

Quando você, por exemplo, está preocupado, você se dá conta de si mesmo, de que está sofrendo. Você se dá conta de si mesmo quando está triste, ansioso, deprimido. É quando você tem essa assim chamada consciência do "eu" ou essa mente pessoal, essa mente do "eu"; é quando você se dá conta de existir como alguém, e é exatamente quando sofre.

Porque, em geral, nós passamos pela vida sobrecarregados de pensamentos e diversas formas de complicações, sem mesmo nos darmos conta de que estamos sofrendo. Em geral, boa parte desse tempo - mesmo quando estamos envolvidos com algum nível de sofrimento - nós ocupamos para fugir dessa dor e, assim, não nos damos conta de que existimos como alguém que sofre, porque há sempre um expediente ou outro expediente de fuga dessa psicológica dor, que é a dor do "eu", do ego, desse "mim".

Assim, qual será a verdade sobre o pensamento? Porque é o pensamento que está projetando esses desejos. A verdade sobre o pensamento é que o pensamento em nós é um movimento que vem do passado, é só uma memória, uma lembrança, uma imagem que ele traz. É ele que se projeta idealizando isso, objetivando isso, sonhando sobre isso. É o próprio pensamento que visualiza, a partir desse "eu", que ainda é o pensamento - não existe qualquer separação entre o pensamento e esse pensador; esse pensador é o próprio pensamento - aquilo que ele deseja e espera encontrar em algum momento.

Essa projeção no futuro para alcançar está dentro dessa visão de um futuro criado pelo pensamento. Não existe tal coisa como o futuro, não existe tal coisa como o passado. Nós temos a vida neste instante. Esse assim chamado passado ou futuro é algo que o pensamento está produzindo. Assim, nós temos toda essa noção de tempo para alcançar.

Aqui eu tenho tocado com você na diferença entre o tempo cronológico e o tempo psicológico. Nós precisamos do tempo cronológico. Para uma fala como essa, de alguns minutos, nós estamos fazendo uso do tempo; é uma fala que está ocorrendo no tempo cronológico. Nesse nível, o tempo está presente.

O tempo cronológico não pode ser negado dentro desse contexto deste sonho de existência humana, para realizações práticas e objetivas na vida. Então, nós temos a presença do tempo cronológico. Mas não existe tal coisa como esse tempo psicológico. Não existe esse "amanhã psicológico", esse "futuro psicológico" para ser feliz, para ter Amor, para ter Paz, Liberdade, Inteligência, Verdade, Deus. Nada disso que acabamos de colocar se encontra no tempo.

A Realidade da Felicidade é algo presente, não está dentro dessa desejada realidade, ou realidade desejada. A Felicidade é a Realidade aqui, nesse instante. O Amor é a Realidade aqui, nesse instante. A Paz é a Realidade aqui, nesse instante. Deus é a Realidade aqui, nesse instante. Aqui estamos diante de Algo que está fora do pensamento e, naturalmente, fora desse tempo psicológico, uma vez que o pensamento é o tempo. É apenas o passado, nesse instante, buscando a continuidade de um futuro que ele imagina.

Assim, a presença do pensamento é a presença do tempo. Sem a presença do pensamento, não existe o pensador, não existe esse "eu", não existe esse elemento presente, que é esse "mim", essa pessoa, na ideia de encontrar o prazer, o preenchimento e a satisfação em algum desejo, em alguma realização do pensamento.

Aqui, esse encontro com a Realidade Divina, que é a Realidade deste Ser que é Você em sua Natureza Real, é exatamente o fim do pensamento, é o fim do tempo. Assim, nós temos a presença do tempo psicológico e o tempo cronológico. No tempo cronológico, as coisas acontecem, mas no tempo psicológico, o pensamento imagina coisas acontecendo. Então, nós estamos sempre vivendo, no pensamento, nessa diretriz da busca do prazer e da fuga da dor.

A presença do prazer, nós idealizamos como essa assim chamada realidade desejada; mas queremos também fugir da dor, queremos escapar do medo, e não percebemos que todo esse movimento de busca é o movimento do próprio pensamento sustentando o prazer e a dor, o desejo e o medo.

Um encontro com a Realidade Divina, com a Verdade do seu Ser, é a ciência de sua Natureza Essencial, é a Beleza da Vida, é a Beleza do Amor, é a Beleza de Deus. Realizar Isso nesta vida é realmente descobrir a verdade sobre essa ilusão, que é a ilusão do pensamento com todas essas projeções de realizações externas e supostas segurança nestas realizações. A Vida é esse grande Mistério, e uma resposta direta para a vida é a ciência da própria Vida nesta Completude, nesta Real Felicidade do seu Ser.

Portanto, nesses encontros aqui nos finais de semana, sábado e domingo, nós estamos aprofundando e trabalhando esses assuntos com você. São dois dias em um encontro online, onde podemos investigar isso, aprofundar isso. Então, fica aqui um convite para você. Fora esses encontros, temos encontros presenciais e, também, retiros.

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terça-feira, 14 de abril de 2026

O que é liberdade na psicologia? O que é liberdade? Liberdade psicológica. Ego: um falso centro.

Você já se deu conta da importância que você dá na sua vida para essa questão da liberdade? O que é liberdade? Quando você procura um espaço, esse espaço precisa ser amplo. Toda a noção que temos de conforto em um espaço é dele ser amplo. Quando você entra em um quarto, a ideia de conforto nesse quarto não consiste apenas no que está ali naquele quarto, mas no espaço presente nesse quarto. A primeira descrição sua é: "olha, era um quarto bem grande; ou: era uma sala muito espaçosa".

Nós sempre procuramos, na vida, conforto, e espaço é parte desse conforto. E por que apreciamos tanto o espaço? Uma piscina grande, um quarto grande, uma sala grande, um banheiro grande. Por que não nos contentamos com lugares estreitos e apertados? Porque nós queremos liberdade para se mover, para fazer as coisas. Assim, o que é liberdade? Liberdade é a presença do espaço. Quando você tem liberdade, você pode fazer as coisas, você tem condições de realizar coisas que você não tem em um lugar estreito e apertado, porque agora, aqui, você tem espaço.

Quando você está estressado, internamente você está sem espaço. O estado de depressão, por exemplo, é um estado de sofrimento presente, muito comum no ser humano, e ele se vê em um aperto; ele está imprensado, apertado, a condição é de aperto. Quando você está estressado, você está sem espaço. Quando as pessoas viajam para espairecer, elas querem espaço. Esse "relaxar" é se esticar, é ter espaço. Nós precisamos, internamente, de espaço. A base para uma vida livre é a presença do espaço.

Aqui, com você, nós estamos investigando a revelação de uma vida onde está presença essa Liberdade. Então, o que é Liberdade? É simples: Liberdade é espaço, onde você pode relaxar, onde você pode ser feliz, onde você pode conhecer o Amor. Se não há Liberdade, nós não temos a possibilidade desse "relaxar", dessa Paz, desse Amor. Podemos, nesta vida, realizar a Liberdade? Não essa liberdade física, que também é importante, mas, antes de tudo, essa interna Liberdade psicológica.

Então, o que é Liberdade em psicologia? Veja, não no aspecto teórico, de um estudo de psicologia a respeito da liberdade, mas aqui eu me refiro, internamente; porque internamente todo esse processo em nós, chamado de consciência, é um processo psicológico, que pode estar em confusão, em desordem, em aflição, em conflito, em sofrimento, sem qualquer liberdade. Então, o que é a Verdade dessa Liberdade interna, desta Liberdade psicológica? É a mente livre dessa complexidade que é o "eu", dessa complexidade que é o "ego".

A condição dessa egoidentidade é a condição da estreiteza, da limitação, da ausência do Amor. O que estamos juntos fazendo aqui nesses encontros? Estamos tratando com você da Verdade sobre essa Liberdade psicológica, que é a Liberação, nesta vida, desse sentido do "ego", desse sentido do "eu", que é essa visão de separação que está presente quando o pensamento afirma existir aí, dentro de você, como sendo uma identidade presente, que é esse pensador, esse experimentador, esse "mim", essa "pessoa".

Aqui, a nossa colocação é desafiadora, porque estamos dizendo que isso não é real. Isso se mostra verdadeiro em razão da confusão em que nós nos encontramos psicologicamente, internamente, porque não investigamos a natureza desse "mim", dessa "pessoa". Nós não percebemos isso ainda, não temos clareza sobre isso ainda, de que todo esse movimento interno, chamado consciência, que é a consciência desse "mim", é um conjunto de memórias, de lembranças, de história, algo que está presente em razão de todas as experiências pelas quais passamos e que o cérebro registrou nesse formato de recordação, de lembrança, de memória psicológica. Isso está dando vida a uma ilusória identidade.

Quando você afirma a pessoa que você é, dentro dos comportamentos e respostas de reações de sentimentos, de emoções e pensamentos, você está lidando apenas com uma imaginação do próprio pensamento-sentimento. Essa base de existência é uma base de processo de repetição de condicionamento mental, de condicionamento que nós chamamos de consciência. Investigar a natureza do "eu" é se dar conta dessa consciência egoica, dessa consciência que se vê separada da vida, que se vê como sendo o pensador, o experimentador, o observador de tudo o que ocorre, de tudo o que acontece.

Então, estamos nos situando a partir de um centro que é um falso centro. A partir desse centro, estamos tendo experiências. Portanto, esse "ego" é um falso centro. A partir desse centro, que é o "eu", o "ego", nós estamos vivendo constantes momentos onde o pensamento é o elemento que está norteando todo esse processo de acontecimentos, assim são as nossas ações. Toda a forma de comportamento que temos são meras atividades egoicas, meras atividades egocêntricas. Enquanto isso se mantém, não há Liberdade, porque há um espaço entre esse centro e essa periferia.

Quando você olha para um objeto, você percebe que em torno dele há um espaço. Quando você vê um objeto, você só vê esse objeto porque ele está no espaço. Você não se dá conta do espaço ao seu redor, ao redor desse objeto, mas ele está ali. Você não se dá conta da presença do espaço, você se dá conta do objeto, mas lá está o espaço; é um espaço em volta do objeto. Entre esse objeto e a presença desse espaço, nós temos uma condição; o que quer que ocorra em torno desse objeto estará ocorrendo em torno desse espaço limitado pelo objeto.

Aquilo que nós conhecemos por espaço entre você e um objeto, há um espaço. Você é o centro da experiência, o objeto é parte da experiência. Entre você e esse objeto há um espaço, e nesse espaço acontecem coisas. Aqui, juntos, estamos investigando essa questão, também, do espaço, da presença de um espaço livre desse centro, que é esse centro falso - o ego é esse centro. Haverá um espaço livre desse centro? Aqui estamos dizendo que esse espaço é o único espaço onde está presente a Verdade da Liberdade.

Enquanto houver essa limitação de espaço, ou seja, o espaço a partir de um centro, não haverá Liberdade. Quando temos a presença de um espaço sem o centro, temos a presença da Liberdade. É isso que estamos juntos, aqui, investigando, a Verdade desse espaço sem o centro, a Verdade de uma Liberdade ilimitada, algo que está presente e, no entanto, permanece desconhecida. Me refiro a essa Liberdade de Deus, a essa Liberdade de Ser, a essa Liberdade da Verdade desta Consciência Divina. Esta Consciência Real é a Consciência de Deus, n'Ela há esse espaço, esse ilimitado espaço deste Ser.

Assim, o que é a Liberdade? A Liberdade é a presença desse espaço. A Verdade d'Aquilo que é Você em sua Natureza Real, em sua Natureza Verdadeira, é Aquilo que está presente quando o modelo do pensador, do experimentador, o modelo do "eu" não está. Então, atender à vida como ela acontece - sendo a Vida a própria Realidade deste Ser - é a verdadeira ação, é a ação que não nasce do passado, que não nasce desse centro, que não nasce desse "eu".

Podemos lidar com esse momento sem o passado? O passado é o centro, o passado é o movimento conhecido, o passado é o movimento do pensamento, da memória, da lembrança; isso nos dá a ilusão de algo se processando nesse instante, que é o presente, indo em direção ao futuro. Toda essa noção do "eu", do "ego", é uma noção de vida que ocorre entre o passado e o futuro. Essa é a limitação do centro, essa é a limitação do "ego", esse é o espaço. Tudo aquilo que ocorre dentro dessa limitação de espaço para esse centro que é o "eu", o "ego", ocorre entre esse, assim chamado, passado, presente e futuro.

Aqui, a compreensão da Realidade Divina, da Realidade de Deus, é a Verdade que está fora do tempo. Apenas quando a Verdade deste Ser se revela, essa vida, agora, não é mais a vida do "ego", não é mais a vida desse "eu". Compreender que a vida desse "eu" é uma sugestão dada pelo pensamento, não é a Real Vida do seu Ser. Como seres humanos, nós podemos ter uma vida longa, mas essa vida longa a partir da ideia de uma entidade presente na experiência, de um pensador presente nos pensamentos, de alguém vivendo essa ideia de uma identidade localizada no tempo, nessa ideia de passado, presente e futuro, por mais aparentemente bem sucedida, feliz e realizada que seja, ela é ainda uma ilusória vida.

A Real Vida é a Vida de Deus, a Real Vida em Sabedoria, em Amor, em Felicidade, onde está presente a Realidade da verdadeira Liberdade. Aqui, esse encontro com o momento, sem a ideia de alguém presente nesse encontro, é o constatar da Vida livre desse "mim". Assim, podemos ter um contato real desse momento sem o passado? Sem essa ideia de presente? E sem essa crença de futuro? O contato com esse instante, livre de todo esse modelo do pensamento, é a aproximação da Realidade, da Verdade da Liberdade.

Então, o que é Liberdade? A Liberdade é a vida livre desse "mi"m, desse falso centro. Isso é algo presente nessa Ciência de Deus, isso é algo presente nessa Verdade sobre Você, quando o sentido do "eu" não está, quando a ilusão de um pensador, de um experimentador, de alguém que olha a partir de ideias, não está mais presente. Tudo o que estamos juntos, aqui, aprofundando com você diz respeito a como se aproximar disso, como se aproximar desse Natural Estado de Ser, que é a Realidade da Liberação, que é a Verdade sobre esta Liberdade Divina. Alguns chamam isso de o Despertar da Consciência ou Iluminação Espiritual. É a Ciência de que há uma única Realidade presente, e a Vida consiste nesta Realidade.

Então, aquilo que é a Verdade sobre Você é a Verdade sobre a Vida, é a Verdade sobre o outro, é a Realidade sobre Deus. Aqui, nesses encontros online nos finais de semana, nós temos dois dias juntos, sábado e domingo, onde estamos com você aprofundando essas questões, porque realizar Isso nesta vida é a coisa mais importante; na verdade, é a única coisa que importa. Quando Isso está presente, a vida flui em Alegria, em Amor, em Beleza, em Graça, em Sabedoria. Assim, são dois dias juntos: sábado e domingo. Fora esses encontros, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite.

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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Sofrimento psíquico | Sofrimento humano | O tempo psicológico | Como lidar com ego ferido?

Presentes aqui, nesses encontros, nós nos deparamos com uma oportunidade de investigar essas questões, que são as questões relativas a esse "eu". Esse "eu" é sinônimo de pessoa: a pessoa como você pensa ser, como você sente ser, a pessoa que outros estão vendo quando lidam com você, sentindo quando lidam com você e, também, com elas mesmas - essa é a pessoa.

É interessante a expressão "pessoa". Nós falamos dessa pessoa que nós somos, como se, de fato, isso fosse toda a realidade sobre nós. Nós falamos assim porque nós desconhecemos essa Verdade. A palavra "pessoa" vem de persona, do latim, é uma máscara. Aquelas máscaras usadas no teatro são essas personas, daí as palavras "personalidade" ou "pessoa". Assim, qual será a verdade sobre você? É isso que estamos com você, aqui, investigando.

Há uma Realidade presente e há uma verdade se mostrando. A verdade que se mostra é a pessoa, é a máscara, é esse personagem; enquanto que, uma Realidade presente, desconhecida, também está aqui. O nosso trabalho juntos aqui consiste nessa constatação dessa Realidade, mas isso requer a investigação da verdade que nós somos como pessoas. Todo o nosso trabalho aqui consiste em investigarmos essas questões relativas a essa "pessoa".

É bastante interessante essa compreensão da Verdade sobre nós, porque isso representa o fim para o sofrimento psíquico. Eu não me refiro a essa dor física em razão de um problema de enfermidade; sim, essa é uma forma de sofrimento, mas não é disso que tratamos aqui. Nós aqui estamos investigando a verdade da pessoa, que é a natureza desse "eu", aquilo que somos porque demonstramos ser, porque está presente aqui, nesse instante.

A visão direta dessa pessoa, a compreensão direta sobre esse personagem, é o fim dessa ilusória entidade presente, como uma máscara. Nós temos um modo de representar a vida, também, a partir de imagens, de representações mentais, de símbolos, de ideias e de conceitos. Toda essa aproximação que temos da vida nesse formato, com base nessa máscara, com base nesse personagem é um equívoco. Nós nos encontramos dentro de uma ilusão.

A forma como representamos a vida, vendo o que a vida representa para esse "mim", para esse "eu", para essa "pessoa", a vida como ela representa, o que ela significa, a verdade sobre ela, vista a partir desse pensamento presente em nós, é um olhar a partir dessas imagens, desses símbolos, dessas ideias. Aqui, juntos, nós estamos investigando a questão do Despertar da Consciência.

E por que a expressão "o Despertar da Consciência"? Esse Despertar da Consciência Espiritual, dessa Consciência Divina, dessa Consciência de Ser, é o contato com a Realidade da Vida, sem imagens, sem máscaras. É isso que nos coloca na vida sem qualquer separação entre aquilo que realmente nós somos, que é essa Realidade, que está presente e que se mantém oculta, e a própria Vida. É isso que nós estamos aqui com você investigando, aprofundando.

Precisamos compreender aquilo que nós somos, porque isso representa o fim desse sofrimento humano, desse sofrimento psíquico. Um elemento básico nesse modelo do pensamento presente em nós, que traz esses símbolos, essas representações mentais, essas ideias, esses conceitos, essas imagens, é a presença do tempo. Nós não estamos lidando com a vida nesse instante, nós estamos lidando com o pensamento sobre a vida, nesse instante.

Nós estamos vivendo de símbolos, de representações de ideias, e isso nos situa em um movimento, nesse contato com esse instante, a partir do pensamento. Assim, a verdade sobre o pensamento, a compreensão do pensamento, a perfeita visão do lugar do pensamento nas nossas vidas é algo fundamental, uma vez que o pensamento é um elemento presente aqui, que vem do passado, e esse passado está no tempo.

As experiências pelas quais você passou são experiências registradas, se assentando em uma lembrança, em uma memória; essa memória é o pensamento. Assim, como lidar com o pensamento? Por que precisamos conhecer o pensamento? Porque o pensamento em nós é o elemento que sustenta esse tempo, esse tempo que é o tempo criado por ele. Perceba que o que nós conhecemos como tempo é o pensamento.

Quando você me conta de algo que aconteceu, isso aconteceu no tempo, mas esse tempo não está separado do pensamento. Não haveria qualquer acontecimento para ser lembrado, sem a presença do pensamento; e não haveria qualquer passado, sem a ideia do que foi, do que aconteceu. Portanto, a presença do tempo é a presença do pensamento.

A nossa vida psicológica é uma vida em desordem, em confusão, em conflito, em contradição, porque estamos vivendo no tempo. Ou nós estamos lidando com o passado ou estamos lidando com o futuro. Assim, do ponto de vista psicológico, o pensamento é o tempo. Não há qualquer tempo psicológico sem a presença do pensamento, e quando o pensamento surge, ele surge nesse tempo.

Enquanto não eliminarmos de nossas vidas esse elemento, que é o tempo, que está sempre envolvido no que foi ou no que poderá ser, no que teria sido e no que será, nós continuaremos em algum tipo de conflito, de desordem, de confusão e sofrimento, porque a presença do tempo é a presença da imaginação do que foi e do que será.

Quando você sente medo é a presença do pensamento. É o pensamento que lhe fala de algo que poderá lhe acontecer, ruim para você. Sem a presença do pensamento não haveria esse futuro. Assim, a presença do tempo é a presença do pensamento; a presença do pensamento, a presença do tempo é a presença do sofrimento. É o sofrimento que o pensamento cria, é o sofrimento que o pensamento projeta, é o pensamento que coloca a presença dessa pessoa naquele contexto daquele momento no futuro.

O que é exatamente essa pessoa? Essa pessoa é uma representação mental, essa pessoa é uma ideia. Não existe tal pessoa aqui, nesse instante. Para que essa pessoa surja, o pensamento precisa aparecer. O pensamento é, em você, exatamente a ideia desse personagem.

Quando eu lhe pergunto o seu nome, o seu nome não é você. Quando eu lhe pergunto sua idade, sua idade não é você, sua história não é você. Quando eu pergunto como você se sente, esse sentimento não é você, essa emoção não é você. Apenas quando o pensamento surge, na ideia de alguém presente, surge você: você nesse sentir esse sentimento, essa emoção, você nesse pensar esse pensamento. A ideia, a imagem, a representação mental, tudo isso em nós é a presença dessa vida psíquica, dessa consciência psicológica.

Essa consciência psicológica é a consciência do movimento do pensamento. Não há nenhuma consciência da pessoa sem o pensamento em movimento. Esse movimento do pensamento é uma crença estabelecida em você, pelo pensamento, sobre quem você é. Como estamos lidando constantemente, na vida, com as experiências a partir do pensamento, toda essa leitura que temos é a leitura particular dessa pessoa. Essa é a vida autocentrada do "ego", do "eu", desse "mim".

Quando você me ama, eu me sinto feliz; quando você me rejeita, eu me sinto infeliz: aqui está presente o sofrimento psíquico. A angústia, o estresse, a ansiedade, a depressão, o medo, a preocupação, a dor da rejeição, todos esses elementos presentes estão presentes em razão da presença do pensamento. Essa é a nossa vida psíquica, esse é o sofrimento psíquico, esse é o sofrimento do "eu", do "ego".

Haverá uma Realidade presente além dessa "verdade" que somos nesse contexto do modelo do pensamento? É a ciência desta Realidade, é a Verdade sobre o seu Ser, sobre sua Natureza Essencial, que é a Verdade sobre Deus, que é o Despertar dessa Consciência. Me refiro à nova Consciência, não essa consciência psíquica, não essa consciência do pensamento, não essa consciência egocêntrica.

O Despertar desta Real Consciência é o fim desse "mim", desse "eu". Essa pessoa é o ego. Como lidar com uma pessoa triste, aborrecida, chateada? Como lidar com o ego ferido? Reparem, a nossa intenção é ajudar alguém ou se livrar de um problema, porque aquela pessoa naquele estado vai me prejudicar, já está me prejudicando.

Como lidar com o ego ferido? Primeiro, não compreendo que eu sou esse "ego", mas estou vendo o ego no outro. Eu quero aprender a lidar com o "ego" do outro, e não compreendo que aquilo que sou precisa ser investigado e, naturalmente, descartado por essa compreensão, por essa visão clara da verdade sobre o pensamento.

Aqui estamos, com você, trabalhando o fim para o pensamento, o fim para essa condição de pensamento, que eu tenho chamado de pensamento psicológico. Nós precisamos do pensamento prático, objetivo para lidar com assuntos nesse sonho de existência, como os assuntos profissionais, como os assuntos que se abalizam em conhecimento e experiência, para lidar com assuntos práticos neste sonho de vida. Mas não precisamos do pensamento psicológico, esse que dá formação a essa pessoa, a essa imagem.

Esse elemento em você que se ofende, se magoa, se entristece, se aborrece e fica chateado é a presença da pessoa, é a presença dessa autoimagem - esse elemento em você que se preocupa em ter prejuízos quando ofende, fere, magoa também o outro. Podemos nos libertar da ilusão dessa egoidentidade? Podemos descobrir a vida livre do "eu", livre dessa ilusão da separação?

Um trabalho direto nessa direção é aprender a olhar para si mesmo: esse é o trabalho. Aprender sobre nós mesmos, aprender como nós funcionamos, aprender como esse sentido do "eu" é formado, ver a base, a estrutura dessa egoidentidade, ver que esse elemento está presente porque estamos desatentos a esse instante, a esse momento.

Nós estamos sempre respondendo a esse momento com base nessas recordações, nessas memórias, nessas lembranças, dando continuidade a esse sentido do "eu", desse "mim", sustentando a ilusão do tempo - desse tempo mental, desse tempo psicológico. Assim nós mantemos essa continuidade dessa forma de ser alguém.

Há algo presente aqui, além do ego, para ser compreendido, para ser vivenciado. Essa é a Realização do Despertar, essa é a Realização de Deus, é a Ciência do seu Ser. Esses encontros que nós temos aqui nos finais de semana, sábado e domingo, têm esse propósito: trabalharmos isso juntos, olharmos para isso. Assim, nós temos dois dias de encontro aqui online, onde estamos com você trabalhando essa visão. Fora esses encontros, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso é algo que faz algum sentido para você, fica aqui o convite.

Abril de 2025
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terça-feira, 7 de abril de 2026

Como me livrar dos problemas? Uma vida livre deste ego. Condicionamento psicológico. A mente egoica.

A nossa forma de ver a vida é a partir de pontos de vista, de ideias, conceitos, crenças, perspectivas do pensamento. Essa é uma forma programada de lidar com a experiência desse instante, com a experiência desse momento. Assim, você vem e pergunta: "Como me livrar dos problemas? Será possível uma vida livre de problemas?" Quando você faz essa pergunta, compreenda aqui algo: enquanto a sua visão for a partir de um modelo pré ordenado de pensamento, você não será capaz de lidar com a vida como ela acontece.

Em geral, a nossa forma de nos aproximarmos da vida é a partir desse velho modelo do "eu", desse velho modelo do passado. Assim, essa é uma forma condicionada de lidar com as situações. Existe um condicionamento psicológico presente em cada um de nós. A forma como você vê a vida, a partir de uma ótica filosófica, espiritual, mística, religiosa, política, social, de tradição familiar, é a presença do modelo do pensamento.

Então, nós temos uma mente presa a uma forma de ver as coisas: essa é a mente condicionada, nesse condicionamento mental, nesse condicionamento psicológico. Assim, a verdade sobre uma mente condicionada é a presença da mente egoica, porque todo esse comportamento em nós, a partir dessa visão particular de imagens, símbolos, pensamentos, ideias e crenças, não é real.

Na vida, ou nós assumimos a ação - e essa ação assumida é a ciência da verdade sobre a vida como ela é - ou toda essa ação em nós é mera atividade egoica, é mera atividade egocêntrica. Assim, não podemos nos livrar dos problemas, porque nunca investigamos a questão dos problemas. A vida do ser humano, a vida no ser humano é a vida do problema, porque é a vida da mente, é a vida do modelo do pensamento.

O pensamento não lida com a verdade da vida nesse instante, e a vida é algo que está aqui ocorrendo nesse momento. O pensamento lida com experiências, memórias e recordações do passado. Um detalhe importante: quando você tem uma experiência e ela é registrada como memória, ela só é uma lembrança que volta porque ela não se completou. Isso é algo que nós precisamos compreender.

Quando você tem uma experiência e ela é real, esse experimentador não entra. O experimentador em nós é o elemento que vem do passado, e ele traz do passado sua memória, sua lembrança; e nesse encontro com esse instante de experiência, ele sempre acrescenta alguma coisa a essa experiência e retira dessa experiência alguma coisa.

Esse é o modelo da continuidade do "eu", do "ego", esse é o experimentador. Então, essas experiências não se completam, por isso ficam guardadas em nós, como lembrança, e é por isso que o pensamento volta. Assim, esse pensamento é incapaz de lidar com esse momento, porque esse momento é novo.

Na vida, nós não temos nenhum momento se repetindo; todo momento na vida é novo. Mas há um elemento em nós que vem do passado com essas ideias, com essas lembranças, com essas crenças e faz uma avaliação desse encontro, faz um juízo desse momento, faz uma comparação do que está aqui com o que ele já conhece. Essa qualidade de atividade, de modelo de comportamento é algo egocêntrico.

Assim, nós somos incapazes de lidar com a vida como ela é, de uma forma real, quando o pensamento está presente, quando o passado está presente - esse passado é o "eu", é o "ego", é esse velho experimentador. Podemos ter um encontro com a vida, sem o passado? Sem esse modelo de pensamento? Sem essa memória? É isso que estamos propondo aqui para você.

Nesse constatar da vida há uma Ciência de Ser, que é a própria Verdade da Vida se revelando; então, nesse instante, há um fluir de Consciência, de Presença, de Realidade. Esta Consciência não é a consciência da pessoa, não é a consciência do "eu". Aquilo que nós chamamos de consciência é o modelo do pensamento presente a partir do passado; ele reconhece a partir das experiências que já teve; esse reconhecimento é uma inadequação. Assim são as nossas ações.

Então, eu volto a dizer: jamais nos livraremos dos problemas, de toda a forma de conflito, contradição, desordem, medo, desejos conflituosos, do sofrimento psíquico, enquanto o sentido do "eu", desse "mim", desse "ego" continuar aparecendo. Podemos tomar ciência disso? É a compreensão que se faz necessária aqui; é tudo o que nós precisamos, é a única coisa que precisamos: é ter compreensão desse processo que traz esse elemento que vem do passado e que atua, nesse instante, e mantém a sua continuidade no futuro. Quando novos acontecimentos surgirem, lá estará ele de novo.

Uma vez compreendido esse sentido do "eu", uma vez compreendida a verdade sobre esse "ego", sobre esse modelo de pessoa, podemos realizar, na vida, a Verdade sobre a Vida; e a Verdade sobre a Vida é uma Vida livre do "ego". A Vida livre do "ego" é a vida como ela é, sem toda essa contradição, conflito e sofrimento da vida como ela é nesse "eu", nesse "mim", a partir desse centro egoico, a partir desse personagem, dessa identidade pessoal.

Esse encontro com o momento presente é um encontro com a Realidade da Vida, sem o passado, sem essa leitura, avaliação, pensamento, ideia ou conclusão sobre o que está aqui nesse instante, sobre a Vida se revelando, sobre a Vida nesse momento. Os nossos contatos com pessoas, os nossos contatos com nós mesmos, os nossos contatos com situações, com acontecimentos são a nossa vida de relação.

Assim, nós temos a nossa vida de relação e temos a vida nos mostrando a importância das relações. A vida nos mostra a importância das relações, mas nós estamos assumindo nossas particulares relações, na vida. O pensamento nos dá uma visão particular de quem é o outro, do que ele representa para mim, de quem eu devo ser para ele.

O pensamento aqui, nesse "mim", me traz a ideia de como devo lidar com as situações que surgem na vida. Isso está dentro desse princípio equivocado, que é o princípio do pensamento. Um pensamento que envolve, também, sentimento, emoção e percepção. Eu olho a partir de um percebedor, eu penso a partir de um pensador, eu sinto a partir desse "eu" no sentir.

Aqui, estamos diante de uma perspectiva sustentada pela imaginação, pelo próprio pensamento, porque não existe esse pensador pensando, esse "eu" sentindo, esse elemento, que é o percebedor, percebendo. Reparem como é importante a compreensão disso, porque se você tem trinta, quarenta ou setenta anos de idade, por todos esses anos a sua vida tem sido uma vida norteada pelo pensamento, exatamente nesse formato.

A crença fundamental, a ideia básica da existência desse "mim", dessa "pessoa", é de que você é alguém que está pensando, fazendo, sentindo, tomando resoluções, realizando coisas e tendo o controle sobre elas. Nós estamos diante de algo imaginário, de uma construção de pensamentos que se organizaram e que lhe dão essa ideia, que lhe dão essa visão, essa perspectiva.

Qual é a verdade sobre você? Qual é a verdade sobre o pensamento, sobre o sentimento, sobre a emoção, sobre as ações que estão acontecendo aqui e agora? - Porque todas essas ideias do que aconteceu, do que você pensou, do que você sentiu, agora, aqui são só uma lembrança. Qual é a verdade sobre o que temos presente aqui? Haverá, realmente, esse "eu" e a vida? Quem é você?

Você é esse corpo? É essa mente? São esses sentimentos, essas emoções? São esses pensamentos? Observe que tudo isso gira em torno de experiências, de memórias, de lembranças, algo que vem do passado. É com isso que estamos nos confundindo, é nisso que estamos vivendo por todos esses anos.

Aqui nós estamos, de forma clara, colocando esses assuntos para você, embora isso seja desafiador - eu sei -, ouvir que aquilo que conhecemos por vida, nessa pessoa, é uma sugestão do pensamento, é uma imaginação do pensamento. Há uma Realidade, sim, presente; essa Realidade não é a pessoa, não é esse "mim", não é esse "eu", não é essa estrutura que a mente conhece, que o pensamento reconhece, aí, como sendo você.

O contato com a Realidade da Vida consiste na Ciência da Vida sem o "eu", sem o "ego". Então, estamos falando de uma Vida que é inteiramente desconhecida do pensamento, ignorada pelo pensamento, jamais alcançada pelo pensamento, discutida ou compreendida por ele. Estamos aqui tocando, sinalizando, apontando para Algo fora da mente, fora do "eu", fora do "ego". Essa é a Vida do seu Ser, essa é a Vida de Deus, para a qual você nasceu.

Alguns chamam essa Vida nova, desconhecida - fora de todo esse padrão de ideias, de pensamentos, crenças, conclusões, opiniões, fora de todo o condicionamento que nós recebemos dessa cultura, dessa ideia de mundo que temos -, de o Despertar da Consciência ou Iluminação Espiritual - é a Verdade deste Ser, é a Verdade de Deus, é a Verdade da Vida. Poder lidar com família, marido, esposa, filhos, trabalho ou o que quer que tenhamos à nossa volta ou dentro de nós mesmos, sem o sentido do "eu", sem o sentido do "ego".

Assim, quando um pensamento ou um sentimento está aí, ou uma sensação ou percepção esteja surgindo, lidar com aquilo que ocorre internamente e com a experiência aqui, nesse instante, desse mundo externo, sem o sentido do "eu", sem o sentido do "ego", é um contato novo sem o experimentador. Se não há experimentador nesse contexto de existência surgindo, aquilo que chamamos de experiência não é mais uma experiência, estamos diante de um experimentar.

A vida é para esse experimentar, a Vida está nesse experimentar; a vida faz todo o sentido nesse experimentar. Então, isso explica a grande confusão e sofrimento presente nesse velho modelo, que é a presença do "eu", desse experimentador, desse que se aproxima da vida para extrair dela uma experiência e manter a continuidade dessa vida, que é a vida do "ego", a vida desse experimentador, sempre se projetando no futuro para maiores realizações.

Aqui há uma Completude presente, há Algo pleno; essa Plenitude é a presença da Felicidade, é a presença do Amor, é a presença da Liberdade, é a presença da Verdade Divina. Então, essa é a Vida como ela é, quando o "eu" não está. Aqui nesses encontros, nós temos aprofundado esses assuntos.

Ao se aproximar da Verdade sobre si mesmo, você precisa tomar ciência de como tudo isso internamente se processa, como esse sentido do "eu" surge. Investigar este assunto é fundamental. Descobrir sobre o Autoconhecimento, tomar ciência do que é a Verdade da Meditação, é isso que lhe aproxima dessa visão da Realidade do seu Ser, da Realidade de Deus.

Nós temos aqui encontros nos finais de semana, onde estamos sábado e domingo juntos. São dois dias. Nós temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso é algo que faz algum sentido para você, fica aqui um convite.

Abril de 2025
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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Observador e coisa observada | A importância do Autoconhecimento | Como encontrar Deus?

Quando vocês perguntam sobre esse encontro com Deus ou qual é o significado real disso, é necessário termos, aqui, uma aproximação diferente desse assunto. Em geral, a ideia de encontrar Deus é para se livrar do desespero, da dor, do sofrimento, desse vazio existencial. Então, em meio a essa dor da solidão, angústia, depressão, ou em meio a alguma forma de sofrimento, o pensamento constrói em nós a ideia de um refúgio que seja permanente.

Nós já temos tentado escapar de diversas formas e não tem funcionado. Todo o movimento do ser humano em direção a busca de conquistas ou realizações externas, nessa ideia de encontrar a felicidade, o amor, a liberdade, a paz, há por detrás disso todo esse movimento de escape de uma dor que ele traz, que ele carrega dentro dele.

Nós já temos tentado isso; o ser humano já vem tentando isso há muito tempo. E quando ele cansa, ele agora começa a ter ideias, aspirações religiosas por aquilo que ele idealiza, projeta, planeja dentro desse, assim chamado, encontro com a vida espiritual ou o encontro com Deus. Então, esse idealismo é só mais uma forma, também, de fuga, de escape da dor.

Aqui, com você, nós estamos aprofundando essa questão desse real encontro com Deus; mas esse encontro com Deus é um contato possível quando a Verdade de Deus se aproxima. Você não vai até Deus sendo a pessoa que você acredita ser. A Realidade de Deus se Revela quando essa pessoa é compreendida. A Verdade de uma aproximação com Deus é Deus se Revelando, e Deus se Revela quando aprendemos a olhar para aquilo que somos, sem fugir, sem escapar.

O que as pessoas não compreendem é que estamos lidando com uma imaginação, com uma construção do pensamento, mas não é uma construção tão simples, ela é muito bem elaborada, de extrema complexidade. Essa é a condição da consciência humana, da consciência egoica, dessa consciência do "eu".

Toda essa complicação, desordem, confusão e sofrimento presentes precisam ser vistas. Você deve se aproximar de si mesmo; esta aproximação de si mesmo irá lhe revelar que esse elemento presente nessa aproximação é a ideia de alguém, é apenas uma crença, um modelo de pensamento formulado de uma forma especial, se separando do conjunto, que são os diversos pensamentos que temos.

É exatamente como quando você olha para uma fogueira. Quando você olha para uma fogueira, você não está vendo só o fogo, você está vendo também fagulhas, centelhas se desprendendo daquela fogueira. Quando você está diante de uma fogueira construída por gravetos, por madeira, por lenha, você escuta o som do fogo e, também, presencia fagulhas saltando do fogo. A presença desse "eu" é um pensamento especial, é uma fagulha que se desprendeu da fogueira; ele é um pensamento que se desprendeu de todo esse conjunto de pensamentos.

Esse pensamento que se separou é o "eu", é o "mim", é a "pessoa". Ele se vê assustado com o resto da fogueira, ele se vê amando o resto da fogueira, ele se vê gostando ou aterrorizado com o resto da fogueira. Esse sentido do "eu", esse "mim", se vê como um elemento separado, nele mesmo, dele próprio, porque o pensamento é o próprio "eu". Esse "eu" é o pensador. Esse pensador não se separa do pensamento, ele é parte do pensamento, mas se imagina como um elemento separado.

A fagulha da fogueira, a centelha da fogueira, é parte do fogo. Assim, o "eu" é parte do pensamento. Esse pensamento é o pensador, esse pensador é o "eu". Não há qualquer separação entre o pensador e o pensamento. Por que é fundamental uma compreensão disso? Porque essa clara visão da ilusão da separação entre esse "eu" e o "não eu", entre esse pensador e o pensamento, entre esse que observa e aquilo que ele está observando, é a compreensão de que nós estamos diante de uma ilusão, que é a ilusão da dualidade, que é a ilusão da separação, que nos aproxima de uma Real visão de Deus.

Nessa visão de Deus é Deus ciente, cônscio, real, é a única Realidade presente desse instante, sem qualquer separação; e Isso presente, não há mais problemas, não há mais sofrimento, não há mais busca, não há mais esse "encontrar Deus". É a Realidade que está presente aqui e agora, fora do futuro, fora dessa necessidade de um encontro amanhã. Esse manhã é mental, esse amanhã é uma imaginação do pensamento, esse amanhã é o futuro da mente.

No momento em que você aprende a observar suas reações sem se separar delas, porque há uma plena compreensão de que não existe tal coisa como essa dualidade, essas reações se dissolvem. Repare a pergunta: por quanto tempo você consegue sustentar a tristeza sem o pensamento sobre aquilo que lhe entristeceu? Por quanto tempo você consegue sustentar a raiva, que é a lembrança de alguém que você tem, quando esta lembrança é desfeita?

A lembrança é o elemento que sustenta a raiva de alguém de quem você tem raiva. Sem a lembrança de alguém, o que ocorre com a raiva? Sem a lembrança daquilo que lhe deu tristeza, que lhe produziu tristeza, o que ocorre com esse sentimento, essa sensação, essa emoção que envolve a presença dessa dor, que denominamos de tristeza?

Assim, qual será a verdade sobre o sofrimento? Descobrir a verdade sobre o sofrimento é o fim para o sofrimento, e é quando o sofrimento termina que fica claro que não existe alguém para sofrer; e se não há alguém para sofrer, Algo está presente, e esse Algo não faz parte do sofrimento, esse Algo é a Realidade desta Ser. Observe que quando você quer se livrar do sofrimento, todo o movimento que você faz é para tentar fazer algo contra o sofrimento. Essa é a ideia de se livrar.

Você não quer se livrar daquilo que está lhe dando prazer, você quer mais do que está lhe dando prazer. Ao querer mais do que está lhe dando prazer, você sustenta a continuidade de alguém no desejo. Ao querer se livrar daquilo que está lhe provocando sofrimento ou dor, você alimenta alguém presente no medo, na rejeição, na resistência.

O que dá continuidade a esse sentido do "eu", desse alguém, é exatamente o movimento de reação: de reação positiva na busca por mais ou de reação negativa no rechaçar, no recusar, no tentar se livrar. Então nós temos a presença de um elemento que está separado da condição de prazer que deseja ou da condição da dor que quer se livrar. Esta separação é a continuidade do "eu", é a continuidade do "ego". É essa separação que sustenta a autenticidade de um movimento egocêntrico, de um movimento separatista, de um movimento em dualidade. Se isso está presente, não é possível a Realidade Divina se revelar.

Assim, a busca por Deus é a projeção de uma entidade que se vê separada de Deus. Essa busca, enquanto se sustentar, existirá esse elemento na busca, na procura: essa é a continuidade do "ego", essa é a continuidade do "eu". Além disso, todo esse movimento de busca é só um movimento de fuga da dor. Reparem que quando você é feliz, não há pensamento em você. No instante da Felicidade, no instante daquela Alegria, daquela intensidade de êxtase, de Liberdade, de Graça, de Quietude, há Algo presente além dessas palavras que acabamos de colocar.

A Realidade do estado não é nenhuma dessas palavras. E quando a Realidade desse estado está presente não existe esse elemento para se separar, para dizer: "Mas como sou feliz", "Que coisa maravilhosa é essa paz". Quando algum tipo de pensamento desses surge, é porque esse estado já não está mais. Veja que coisa importante nós temos aqui.

O real contato com o momento presente, com a experiência é a ausência de um experimentador, de um elemento que se separa da experiência e, neste momento, não existe o "eu", não existe o "ego", não existe esse buscador de Deus, esse que está buscando prazer, esse que está tentando se livrar da dor.

Assim, é o contato com o momento presente, com a vida como ela acontece, quando o elemento "eu" não está, a presença de uma Realidade fora do conhecido, fora do modelo das palavras, do modelo do pensamento, fora desse futuro para alcançar ou desse futuro para se livrar. Isso ocorre porque não existe qualquer separação entre o pensamento e o pensador, o observador e a coisa observada, o experimentador e a experiência.

Podemos lidar com esse momento sem colocarmos o pensamento sobre esse momento, sem colocarmos a ideia sobre esse momento? Podemos lidar com esse estado sem chamá-lo de dor ou prazer? Essa é a real aproximação do Autoconhecimento. A presença do Autoconhecimento termina com essa dualidade, termina com essa separação. A presença do Autoconhecimento revela um completo esvaziamento de todo esse conteúdo psicológico de palavras, de crenças, de ideias, de conceitos, de conclusões, e isso elimina esse sentido do "eu".

Assim, quando aprendemos a verdade da importância do Autoconhecimento, que é olhar para o que está aqui sem se envolver, sem colocar esse elemento que se separa para gostar, não gostar, concordar, discordar, pensar a respeito, tirar conclusões, quando não colocamos mais esse elemento, nós temos um esvaziamento total de todo esse conteúdo do "eu", de todo esse conteúdo da separação, da dualidade; é quando nos aproximamos da Verdade da Meditação.

Aquilo que Revela a ciência de Deus é a aproximação da não-dualidade, pelo Autoconhecimento, nessa real aproximação da Meditação. A Verdade da Meditação é algo que está se revelando nesse instante, quando há essa aproximação do momento sem o modelo do pensamento, sem o modelo desse observador se separando da coisa observada.

Reparem, o observador é a coisa observada. Essa separação é uma separação estabelecida em nós pelo pensamento. É quando esse observador se separa, que ele idealiza, no futuro, Deus como um elemento separado dele, o Amor como um elemento separado dele, a Paz como um elemento separado dele, o prazer como um elemento separado dele, o fim do medo ou do sofrimento, no futuro, algo para ser alcançado amanhã. Não existe tal coisa, porque não existe esse amanhã psicológico.

Assim, a verdade desse encontro com Deus reside na Revelação deste Ser não-dual, que está presente aqui e agora como sendo a Natureza de Deus: essa é a Natureza do seu Ser, essa é a Natureza da Verdade sobre cada um de nós, Aquilo que está presente quando o "ego" não está, quando esse pensador não está, esse observador não está, esse experimentador não está.

É isso que estamos, com você, aqui aprofundando. É isso que estamos, com você, trabalhando aqui nesses encontros. Nós temos encontros on-line nos finais de semana, onde estamos sábado e domingo juntos, aprofundando esse assunto aqui com você - são dois dias. Além desses encontros, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite.

Maio de 2025
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