quinta-feira, 3 de setembro de 2026

O que é a busca espiritual? | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal. Estamos aqui para mais um videocast. Novamente, o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje, eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado: "A Palavra do Mestre". Em um trecho desse livro, ele faz o seguinte comentário: "Pare de procurar por algum bem que o mundo lhe dê". Mestre, neste trecho, o Joel comenta sobre a busca. Dentro desse assunto, o Mestre pode compartilhar a sua visão sobre o que é a busca espiritual?

MG: Olha, Gilson, aqui, a velha ideia da busca é o equívoco. Seja a busca por algo material ou a busca por algo espiritual. E por que há um grande equívoco aqui? Porque já nos baseamos em um princípio inteiramente errôneo, em uma ideia de alguém presente, para encontrar algo. Qual é a verdade sobre este "eu", este "mim", este alguém? Quem é esse elemento que se prontifica a buscar? E por que ele busca?

Haveria alguma busca sem a presença da insatisfação? Você estaria buscando algo do qual não sente falta? A sua busca não consiste na falta daquilo que você busca, daquilo que você procura? Quando você não está com fome, por que buscar comida? Quando não há fome, não existe busca de comida. Quando não há sede, não existe a menor lembrança da água. Isso porque não há insatisfação.

É a presença da insatisfação a presença daquele que busca. Não há separação entre essa insatisfação e o "eu", a pessoa. Agora, nós temos que investigar isso. O que é essa insatisfação, que é o "eu"? Repare: não há separação entre a insatisfação e o insatisfeito. Não há separação entre esse "eu" e a insatisfação. Agora, o que é que esse insatisfeito, que é o "eu", pode buscar, se tudo que ele tem são ideias sobre o que necessita?

Aqui, quando tocamos nesse aspecto da Espiritualidade, ou daquilo que é Espiritual, nós, primeiro, antes de tudo, temos que descartar essa ideia daquilo que acreditamos ser espiritual. Aquilo que acreditamos ser espiritual está dentro da imagem que o pensamento está estabelecendo dentro de cada um de nós, nesta insatisfação. Portanto, nasce da insatisfação a ideia do que irá nos fazer satisfeitos, do que irá nos fazer felizes. Está dentro da insatisfação a imagem daquilo que é espiritual.

Portanto, estamos lidando com uma ilusão. Temos que descartar, por completo, essa ideia. Se, de fato, queremos descobrir se há alguma coisa além desse estado em que nos encontramos - de incompletude, de insatisfação -, nós temos que investigar a natureza do "eu", a natureza desta insatisfação, e não ir em busca de algo que o pensamento está imaginando, projetando.

É aqui que nós temos falhado. É aqui que estamos equivocados. Portanto, todo esse movimento de busca para esse que busca, todo esse movimento que nasce da insatisfação, é um movimento equivocado, errôneo. Não há um Real propósito, ou o propósito é ainda o propósito deste ego, deste "eu".

Sim, há uma Realidade presente, mas esta Realidade está além do pensamento, além deste "eu", além desta insatisfação. E nenhum movimento pode levar você a esta Realidade. Ela é algo que já está presente. E todo esse movimento do buscador é o movimento da insatisfação, movendo-se para mais projeções daquilo que ele imagina dentro do pensamento.

A grande Verdade deste encontro com o Espiritual consiste na revelação daquilo que é Espiritual, se revelando aqui e agora, quando não há mais ilusão. E a busca para esse buscador está dentro da ilusão. O projeto, a ideia, a imagem sobre a espiritualidade desse buscador estão dentro da ilusão. O que, de fato, nós precisamos na vida é da revelação daquilo que é realmente Espiritual.

No entanto, isso não irá se revelar para o "eu", para a pessoa, para o ego, para esse buscador, para este que está insatisfeito. Esta revelação se revela quando investigamos a natureza do "eu", a natureza desta insatisfação. Portanto, existem conceitos muito equivocados que envolvem essa procura ou busca pela real espiritualidade. Esses conceitos são doutrinas, ensinamentos, aprendizados que recebemos sobre aquilo que a espiritualidade significa. São construções do próprio pensamento, idealizações desta própria insatisfação do "eu", do ego.

É quando investigamos a natureza do pensador, desse buscador, desse insatisfeito, que há o descarte desta ilusão, que é o descarte da continuidade do pensador, do experimentador, do buscador. Então, sim, um espaço se revela. Nesse espaço se mostra aquilo que é realmente Espiritual. Não é algo que é espiritual para alguém se espiritualizar. É algo que aqui está presente, sendo a Realidade deste Ser que é Você em Sua Natureza Verdadeira. Isso é Real Espiritualidade. Não é a espiritualidade de alguém; é a Espiritualidade Divina, é a Verdade de Deus.

Portanto, toda essa ideia, toda essa crença, toda essa motivação, todo esse impulso que nasce desta condição interna - dor, conflito, contradição, medo, decepção - tudo isso que envolve essa frustração existencial, esse vazio, essa insatisfação. Investigar a natureza disso, ter a plena ciência de que todo e qualquer movimento deste "eu", desse ego, é ainda de maior afastamento desta Realidade.

É esta Visão, é esta Compreensão o fim desta busca, o fim desse buscador. Aquilo que é Real já está aqui quando a ilusão não está mais. E a ilusão não está mais presente quando a Realidade se mostra. E Ela se mostra quando há esta clareza. Portanto, a presença do Autoconhecimento torna possível esse espaço onde Nele se revela a Realidade deste Ser.

Então, não se trata de, pela busca, encontrar a espiritualidade; trata-se de constatar a Verdade d'Aquilo que é Divino, que está aqui e agora, quando não há mais a ilusão. É isso que estamos aqui com você, aprofundando a cada vídeo, a cada encontro que temos - encontros on-line e encontros presenciais.

GC: Mestre, nós temos uma pergunta de um inscrito aqui no canal que fez o seguinte comentário: "Eu baseei toda a minha vida em conquistas externas e agora sinto um vazio enorme, uma angústia que não passa. Por que essa busca por coisas no mundo gera tanto sofrimento?"

MG: Olha, Gilson, toda e qualquer procura nasce, como acabamos de colocar, de uma condição interna de incompletude, de carência, de falta, de insatisfação. E essa busca, como nasce desse estado, é apenas a projeção idealizada pelo pensamento do que irá lhe fazer feliz. Mas essa felicidade que o pensamento projeta, como nasce da insatisfação, ainda é parte do que o pensamento identifica e projeta. Portanto, não é Real.

Assim, toda essa procura ou busca projetada pelo pensamento em realizações externas é parte da frustração, é parte desse sofrimento. A verdade é que nada neste mundo irá lhe fazer feliz, porque tudo está dentro desse contexto de preenchimento temporário, de realização em afirmação de ideias criadas pelo próprio pensamento.

O pensamento é a base da insatisfação e tudo o que ele projeta está dentro dele. A Verdadeira Vida está fora do pensamento. Está além do pensamento. Além do pensamento, fora do pensamento, a Realidade da Vida é a Realidade de Ser. Em Ser não há incompletude, não há insatisfação, não há sofrimento. Nós desconhecemos a Realidade de Ser porque tudo que conhecemos está no vir a ser. É tudo que podemos saber, é tudo que podemos conhecer. Está dentro do modelo do conhecido, que é o modelo do pensamento.

O seu Real contato com o Ser, o seu Real contato com Deus, o seu Real contato com a Vida, é a Verdade da Felicidade se revelando aqui e agora, quando o pensamento não está, quando todo esse movimento externo de realização não tem mais a menor importância. No entanto, enquanto houver esse impulso, essa busca, pela inveja, pela ambição, pela comparação, observe que é exatamente assim que ocorre.

Você, como uma pessoa, se compara com outra que tem aquilo que você imagina que irá lhe fazer feliz. No entanto, ela, mesmo tendo aquilo, continua sendo infeliz. Mas você, em sua ideia, acredita que ela é mais feliz que você. Então, você se compara. E, por isso, você quer ter o que outros têm. Você quer ter o sucesso, a fama, a aceitação pública, as realizações materiais. Porque, dentro de você, essa ideia de "vir a ser", de "se tornar", requer a presença de ter coisas, de alcançar coisas.

Assim, nós estamos vivendo "neste ter" e "neste vir a ser", afastados completamente da simples Realidade da Vida, em Ser, em assumir a beleza de um contato com o momento, sem a ambição, sem a comparação, sem a inveja, porque estamos vivendo neste "eu", neste ego, e ele jamais será feliz. É da estrutura, é da natureza do pensamento, a insatisfação, a ânsia por mais, o desejo de se livrar e o desejo de obter. E é isso que sustenta essa pessoa, e é isso que sustenta este "eu", esta ideia de alguém presente. É isso que sustenta esse movimento de continuidade, de carência, de insuficiência.

Todo tipo de sofrimento psicológico está presente na mente, quando a mente é esse instrumento, o instrumento deste psicológico modelo de pensamento. É assim que estamos vivendo. É isso que compreendemos ou entendemos por vida. É a vida particular da pessoa. Portanto, quando você pergunta por que há tanta insatisfação, por que nada que possamos conseguir, realizar, obter, irá nos fazer felizes? A base aqui é muito simples. Nada disso irá lhe fazer feliz, porque nada disso é Real. É algo que está dentro do pensamento.

A Realidade, a Verdade, é a Felicidade. Isso não está dentro do pensamento; está além da mente. Além desta mente que tem todo esse padrão de comportamento, desta mente que, como um instrumento desta ilusória identidade, que é o "eu", que, por sua vez, está presente em razão do próprio movimento do pensamento. A presença desta mente é a presença desta confusão. A Realidade do seu Ser é a Realidade Divina, é a Realidade de Deus. Isso é Felicidade, isso é Amor.

Aquilo que é inalcançável pelo pensamento, indescritível dentro do contexto do conhecido, dentro do contexto de uma visão de mundo, de uma visão construída pelo intelecto, estabelecida por esta mente condicionada - tudo aquilo que está dentro desta limitação está dentro deste pensamento. Não é Real. É esse contato com a Vida, a Realização da Verdade, a ciência deste Ser. A presença do Amor, a Compreensão Divina. Isso é Você quando não há mais o "eu", quando uma nova mente está presente, um novo coração, um novo sentido de Ser, onde não há alguém neste sentir. Ok.

GC: Mestre, nós temos outra pergunta de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, qual o caminho para encontrar Deus em mim?"

MG: Quando você pergunta aqui, Gilson, qual é o caminho para encontrar Deus, e aqui você usa a expressão "em mim", vamos investigar isso? Primeiro, antes de tudo: o que é esse "mim"? Qual é a Realidade da Vida? Quando você fala em encontrar Deus, o que é que entendemos por Deus? O que é que entendemos por este "mim"? O que é que você chama de "eu", de pessoa, de "mim"? O que é que você chama de Deus? E o que é que se entende por encontro?

O encontro não é entre duas coisas? Ou entre duas pessoas? Ou uma pessoa indo para algum lugar, tendo um encontro com esse lugar? Mas o que é esse movimento? Onde é que ele está presente? Ele não está presente no espaço? Não é entre o ponto A e o ponto B que encontramos um espaço? Esse espaço não é o espaço que se determina para ser cruzado entre um ponto para o outro pelo tempo? Não é o tempo o elemento? Não é nesse movimento do ponto A para o ponto B que temos a presença do tempo?

Repare: não existe uma separação entre esse tempo e também esse espaço. A Realidade Divina é algo que está lá, no ponto B, para ser encontrada por você, que está no ponto A? Você quer encontrar Deus em você. O que é esse movimento de encontro? O que é a verdade deste "eu"? Ele é algo Real? Que está, de fato, no ponto A? Esta Realidade de Deus é algo que está no ponto B? Ou estamos lidando apenas com imagens que o pensamento está estabelecendo?

Mas, se pudermos descartar esses pensamentos, essa ideia de alguém para encontrar algo que ele procura ou busca, o que ocorre se investigarmos a natureza deste "eu"? Se você entra fundo em si mesmo, percebe, toma ciência de que esse "si mesmo", esse "eu", é um conjunto de ideias, de lembranças, de memórias. Quando você usa o seu nome e conta a sua história, é só o que você tem sobre si mesmo. Esse si mesmo, portanto, é o nome e a história. Mas qual é a Realidade sobre você? É o que estamos aqui investigando.

Repare: haverá realmente uma separação entre a Realidade daquilo que é você e a Verdade de Deus? Ou esse movimento é exatamente um movimento de afastamento? Eu me refiro a esse movimento de busca desse encontro. A ideia de um encontro pressupõe esta dualidade, esta separação. Ela é Real ou ela está estabelecida em um modelo de construção mental e, portanto, no próprio pensamento? Não é o pensamento que nos fala as coisas? Se não houvesse pensamento, o que você saberia?

Observe que o pensamento é o elemento que sabe, que conhece, que reconhece, que nomeia. É ele que cria a ideia de uma separação entre a Realidade de Deus para ser encontrada e alguém presente, que é você, para encontrar. Investigar a Natureza do "eu" requer a presença do Autoconhecimento. Isso lhe revela seu Natural Estado de Ser. Esse Natural Estado de Ser é Felicidade, é Amor, é Liberdade.

Não há uma separação real entre Você, em seu Ser, em sua Natureza Verdadeira, e a Verdade Divina. Portanto, não se trata de um encontro; se trata de uma percepção, de uma constatação. É a presença da Compreensão, a visão da Vida nesse olhar de Deus, nesse olhar de Ser. Não há alguém presente como sendo um elemento que tem uma história, que tem um nome, que se vê, na relação com o outro, com a Vida e com as situações, como um elemento que se separa.

A Realidade presente é uma Única Realidade. Nela, não existe tal coisa como o outro para "mim". Sim, nesse contexto, deste sonho de existência, tudo é visto a partir dos sentidos físicos como objetos separados, como percepções diferentes, como experiências diferentes. Mas não existe tal coisa como um experimentador real, como um percebedor real, como alguém presente. É a Totalidade da Vida, esta ciência de Ser. Não há qualquer separação que seja real. Assumir a Realidade do seu Ser é ter o Verdadeiro encontro com Deus. Esse encontro é a ciência de uma Comunhão. Esse Verdadeiro encontro é a ciência da constatação.

Aqui, a expressão "encontro" já não é mais usada nesse sentido, "entre duas coisas, entre duas pessoas, entre esta aproximação de um ponto para o outro, neste intervalo de espaço e tempo". É a ciência da Vida, a ciência de Ser, o Real encontro com Deus, a Realidade desta Comunhão com a Liberdade, com o Amor, com a Verdade. Ok.

GC: Gratidão, gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais este videocast.

E, para você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver essas Verdades, fica o convite para participar dos encontros intensivos que o Mestre Gualberto proporciona. São encontros que existem no formato on-line, presenciais e também retiros de vários dias.

Esses encontros são muito mais profundos do que esses vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo às nossas dúvidas. E, segundo - e muito mais impactante -, é que, por o Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, ele compartilha um campo de Presença à sua volta. E, nesses encontros, a gente acaba entrando de carona nesse campo de Presença do Mestre. E, pegando essa carona com o Mestre, de maneira espontânea, sem nenhum esforço, sem nenhuma prática, entramos no estado meditativo, silenciamos nossas mentes e podemos ter uma visão e uma compreensão real desses assuntos.

Então, fica o convite! No primeiro comentário fixado tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o "like" no vídeo e se inscreve no canal. E, Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.

Outubro de 2025
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terça-feira, 1 de setembro de 2026

A dualidade | Como encontrar Deus | Meditação: o que é? | Aprender sobre Autoconhecimento

Aqui, essa direta compreensão, essa real compreensão, é a presença de uma percepção, na vida, onde não está presente o elemento que se separa para perceber. E por que isso é essencial? Isso é essencial porque, quando há essa qualidade de percepção, sem esse "mim", esse "eu", essa "pessoa", a vida se revela como ela é, e não como o pensamento em nós imagina.

Por que esse aprender sobre o Autoconhecimento é fundamental para irmos além dessa visão de dualidade, onde temos a presença da vida e a nossa particular visão? A dualidade é essa forma de olhar para a vida a partir deste centro. O centro é a pessoa, o "mim", o "eu". Será possível irmos além disso para uma vida real, livre dessa dualidade e, portanto, uma vida livre desse antigo padrão de mudanças meramente superficiais que, em geral, nós cultivamos, nos dedicamos?

Nós queremos ter mudanças na vida, e, de fato, nós temos essas superficiais mudanças, essas periféricas mudanças, mas a vida continua confusa, caótica, desordenada, complicada, carregada de problemas. Isso ocorre porque não há uma verdadeira mudança, não ocorre uma transformação real neste centro. Aqui, esta transformação no centro é o fim dele, é o desaparecimento desse centro, que é o "eu", o ego.

Uma vida onde não mais cultivamos mudanças periféricas, superficiais, é uma vida onde não mais estamos fazendo a manutenção, a continuidade desse "eu". É nisso que estamos aqui trabalhando com você, lhe falando de uma possibilidade real, de uma mudança profunda, de uma quebra significativa nessa condição psicológica, nessa estrutura psicológica do "eu", do ego. A vida real ocorre; ela aqui está presente quando ficamos livre desse centro, livres dessa ilusão.

Portanto, temos que parar de nutrir essa memória, parar de nutrir essa continuidade de modelo de alguém no tempo; esse alguém presente que "eu sou". Quando, por exemplo, você diz: "ontem eu fui aquilo, hoje eu sou isso e amanhã eu serei outra coisa", você imagina o que você será amanhã; você aqui tem a lembrança do que você já foi e, neste instante, você imagina o que você é.

Assim, a ideia, que é a presença do pensamento, falseia a realidade do que de fato, em Realidade, Você é. O que Você é, você desconhece, porque você está vivendo neste princípio de separação, de dualidade, nessa ideia de se tornar, nessa ideia sobre quem você foi. A presença do pensamento é a presença da imaginação. Não há qualquer pensamento em você sem a memória.

A memória são registros de experiências passadas que você guarda, que você tem. Isso está nesta estrutura cerebral, é apenas e simplesmente recordação. Não é a Verdade sobre Você, é a verdade desse "eu". Eu diria que é a verdade sobre você que o pensamento construiu, que a mente estabeleceu nesse condicionamento; não é a Verdade deste Ser, que é a Natureza Real sobre Você, a Realidade deste Ser que é Você.

Por que nós temos insistido nisso aqui? Porque nós precisamos ouvir muito sobre isso. Toda a estrutura de mundo que vivemos sustenta em cada um de nós esse velho modelo de crença de separação, de dualidade. É Deus presente, distante. Repare: Deus onipresente, mas distante. Observe a contradição em nossa linguagem - em nossa linguagem comum e em nossa linguagem religiosa.

Se a Realidade Divina é onipresente, Ele não pode estar longe, Ele não pode estar distante, e, mesmo assim, acreditamos, a partir do pensamento, que há uma realidade presente e ela está distante de mim. "Eu sou alguém agora, fui alguém no passado e serei alguém no futuro; serei diferente do que sou hoje, como eu sou hoje diferente do que eu fui ontem". E paralelo a isso, nós temos a verdade de Deus que, apesar de onipresente, está distante.

Assim, nós criamos a crença de ter um encontro com Deus, o pensamento, a imaginação de um dia, ou em algum momento, ter esse encontro, o que requer a presença do tempo, o que requer a distância entre você e Deus. Aquilo que é real está presente aqui como verdadeira onipresença, sendo esta Realidade Aquilo que é eterno, Aquilo que está além dessa noção de espaço, ou seja, de distância e de tempo.

Portanto, a pergunta é: "Como encontrar Deus?" Observe como as pessoas trabalham essa questão; é uma questão que elas não resolvem, porque querem resolver com base na ideia de que elas existem como entidades separadas de Deus e que precisam ter um encontro com Ele, e que para isso precisam de habilidade, técnica, capacidade - aquilo que as pessoas chamam de busca espiritual, espiritualidade.

Aquilo que as pessoas chamam de técnica ou prática de meditação, tudo isso envolve a questão de alguém presente em um exercício, em uma prática, em um modelo de encontro, em uma base de uma imagem de um encontro no futuro. Aqui estamos sempre voltando aos assuntos básicos e olhando a partir de novos ângulos.

Nos deparamos aqui com uma comunicação não simples, que requer de cada um de nós uma qualidade de escuta que também não temos. Esses assuntos aqui precisam ser investigados, e eles são investigados quando escutamos, quando colocamos nossa atenção para essa escuta. Portanto, é fundamental isso. Quando sabemos escutar, temos uma percepção direta nessa escuta.

Quando um pássaro canta e você escuta, nesse escutar a totalidade daquele som se revela, e isso encontra uma intensidade tão profunda que desaparece, nesse momento, alguém ouvindo o som acontecendo. Há só o cantar, o pássaro; há só o escutar o pássaro. Não existe alguém no escutar, não existe o pássaro no cantar. É só o canto, é só o escutar. Nesse instante, o cérebro se aquieta, a mente silencia, e se revela a Verdade daquele momento.

Portanto, esse nosso encontro com o momento aqui, dentro desse contexto de fala, quando nos colocamos para escutar, não é para concordar ou discordar, não é pra aprovar o que está sendo dito ou reprovar o que aqui está sendo falado. Quando nos colocamos para escutar, aquele que fala perde a importância, aquele que escuta perde a importância, o escutar é importante.

Quando temos esse escutar, porque o cérebro se aquietou, porque a mente silenciou, nos deparamos com um espaço que se abre; esse espaço revela a ausência dessa separação. A revelação do fim dessa separação, onde há só o instante ocorrendo, só o momento acontecendo, revela Aquilo que está além da mente, além do pensamento, além desse modelo de condicionamento de dualidade. Isso é parte desse aprender sobre nós mesmos, isso é parte desse aprender sobre o Autoconhecimento, isso é parte desse aprender a arte de ser, que é Meditação.

Portanto, quando a pergunta é "o que é meditação", Meditação é aquilo que aqui está presente se revelando neste instante, como sendo a única Realidade. Não há qualquer separação entre o instante da Meditação e alguém vivendo este instante, o instante da Meditação e a experiência de Deus aqui na Meditação. A Realidade deste instante é esse experimentar Divino. A Realidade da Meditação não é alguém experimentando isso, é a presença dessa Revelação.

Repare que quando nós nos aprofundamos nessas questões, começamos a perceber que esse escutar é Meditação, e que a Meditação é a presença dessa percepção, desse real encontro com Deus, e que esse real encontro com Deus não é algo que se separa dessa visão da Verdade deste Ser que nós somos, o que se revela nesse aprender sobre nós mesmos. E tudo isso está dentro de um único contexto; esse contexto é a Revelação da Vida aqui.

Não existe outro lugar senão aqui. Não existe outro tempo, não existe tal coisa como o ontem ou o amanhã. Do ponto de vista psicológico, estamos diante de uma imaginação quando falamos desse ontem e desse amanhã. Portanto, não existe outro tempo; aquilo que chamamos de tempo é, na realidade, ausência do tempo neste agora. Agora, aqui, não há tempo.

A Revelação Divina, a Revelação desse encontro com Deus, não é alguém que saiu desse ponto, que é o ponto A, para o ponto B, que requer a presença do espaço, que requer a presença do tempo. Esse encontro é a Revelação d'Aquilo que aqui está presente fora do tempo. Essa Realidade é o Eterno, é o Indescritível, é o Inominável, é a Verdade Divina. Qualquer nome para essa Realidade é apenas um nome, uma palavra, uma expressão.

Infelizmente, nós nos apegamos às palavras porque amamos muito ter ideias; é com base nessas ideias que o movimento do "eu", do ego, se sustenta. Esse é o nosso amor às ideias; é o amor que a pessoa tem, na verdade, à sua própria continuidade.

Podemos dispensar das nossas vidas a ideia de alguém presente que se sustenta nesse modelo de existir como pessoa porque está preso a todo modelo de crença, conclusão - o que é basicamente pensamentos e ideias -, para um cérebro novo, livre, para esse contato com o instante sem a necessidade desse fundo de conhecimento, de experiência, que vive se sustentando nesse reconhecimento, que se sustenta nessa continuidade desse tempo?

Observe que esse tempo, como nós conhecemos, no pensamento, é o tempo psicológico, é o tempo que o pensamento produziu. Assim, a mente em você, essa mente do "eu", essa mente egoica, essa mente condicionada, é o resultado do tempo, porque ela é o resultado das lembranças, das recordações, de coisas que aconteceram no passado cronológico. Algo aconteceu ontem - me refiro à esse ontem do calendário - e o cérebro registrou isso como memória.

Nós estamos cultivando essa qualidade de memória e, assim, sustentando a ilusão de uma identidade presente aqui, que viveu aquilo ontem; essa entidade não se separa do próprio pensamento, da própria lembrança. Mas o que é exatamente essa lembrança, esse pensamento? Nesse instante, é apenas uma imaginação. Assim, essa identidade que surge com essa lembrança também é parte da imaginação. Acompanhe com calma isso.

A Vida aqui é a Realidade Divina; n'Ela não existe tal coisa como você e ela, você e Deus. É quando o pensamento surge, criando na imaginação uma identidade, que é o "eu" que viveu aquilo, que a ilusão se mostra presente. Será possível ter a vida simplesmente acontecendo como ela é, sem essa necessidade desse registro psicológico que sustenta a ilusão de uma identidade psicológica, que é esse fundo, que é esse centro, que é esse ego?

Então, esse momento revela a Verdade Divina, a verdade de Deus. Isso é o resultado desse aprender sobre nós mesmos. Então há uma clara visão de que esse "mim" não é real, esse "eu" é algo que o pensamento tem fabricado, que está sustentando, alimentando e cultivando. A Vida livre do "eu", livre desse centro, livre do ego, é a vida livre do modelo do tempo psicológico.

Então, não fica agora um elemento aqui se importando com o que ele foi ou com o que ele será; não fica mais um elemento aqui para, na relação com ele ou ela, se sentir ofendido, triste, com raiva, preocupado ou com medo. Isso é o fim do sofrimento psicológico, quando temos aqui o fim do "eu", nesse contato com a vida, com o outro. Nesse próprio contato com o corpo e a mente, quando não há uma presença ilusória de uma identidade que se mostra presente em razão da imaginação, o seu contato com o corpo, com a mente, com o outro, com a vida é um contato livre da dualidade, da separação.

Essa descoberta é a constatação da Vida como ela é. Não temos aqui mais a ideia do que ela precisa ser, do que ela deveria ter sido e do que ela será, porque não temos mais aqui a presença da ilusão, de que a vida se separa entre passado, presente e futuro. Essa noção é típica desse centro ilusório, dessa egoidentidade, desse "eu" criado pela imaginação.

O que temos aqui, no momento, é a presença da Vida; Ela é a presença desse Ser, Ela é a presença de Deus. Você nasceu para esta Revelação, para esta Ciência. Os nossos encontros aqui online, nos finais de semana, sábado e domingo, têm esse propósito. São dois dias de uma forma online. Além dos encontros online, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido pra você, já fica aqui esse convite.

Outubro de 2025
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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

A Arte de Meditar | O que é a Meditação? | Marcos Gualberto | Joel Goldsmith

GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast, novamente o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado "A Arte de Meditar". Num trecho desse livro, Mestre, o Joel fez o seguinte comentário: "Quando a consciência se liberta pela meditação individual, não sofre mais as limitações de tempo e espaço." Neste trecho o Joel comenta sobre a libertação pela meditação. Dentro desse assunto, Mestre, você pode compartilhar a Sua visão sobre o que é a Meditação?

MG: A presença da Meditação envolve a questão da presença daquele que medita. Quem é esse elemento presente na meditação? É a compreensão desse elemento, é a visão clara sobre o "eu", sobre a pessoa. Não existe verdadeira Meditação como uma prática para alguém - essa é a grande confusão. É muito comum a ideia de alguém realizando alguma coisa, fazendo algo, obtendo algo ou se livrando de alguma outra coisa que não quer. Essa é a ideia. Nós carregamos em nós o sentido de uma identidade que se vê presente aqui, no momento presente, se vê ativo aqui, nesta ação.

Assim, quando existe um pensamento presente, a ideia é alguém presente sendo o autor desse pensamento. Quando há um sentimento, existe alguém envolvido nesse sentir. Assim, nós estamos, constantemente sustentando a presença do "eu". A presença do "eu" é presença de uma entidade que se vê, no momento, como o centro e o responsável das ações. Assim, é uma ideia de uma entidade que se vê presente sendo o centro das ações e de tudo que surge à sua volta. Esse centro é o "eu", o ego, a pessoa.

Assim, o que é a Meditação? É a compreensão do "eu". Essa é a base para a revelação de algo além do conhecido, uma vez que o "eu" é a presença desta mente - desta mente que conhece, que sabe, que entende, que reconhece as coisas. Haverá um estado interno livre do conhecimento, do saber, do entendimento? Haverá um estado livre da separação? É a separação na ideia de alguém que se vê separado do momento presente, sendo alguém atuando, alguém agindo, pensando, falando, sentindo.

É desse estado que estamos tratando aqui, com você. Há algo presente sendo, na vida, a própria presença da vida. Esse Algo presente é a Realidade deste Ser, desse Estado Natural livre do "eu". Esta é a presença da Meditação! O seu Natural Estado de Ser, o seu Divino Estado de Ser, a Realidade de Ser, Aquilo que aqui está presente sendo a vida é a presença da Bem-aventurança, da Felicidade, do Amor. Portanto, a Meditação é o seu Natural Estado de Ser quando assumimos a real compreensão do "eu". Portanto, nós precisamos investigar a natureza do "eu", a natureza do ego, essa inclinação do pensamento para sustentar uma entidade presente, sendo o pensador.

Portanto, qual é a base para a Meditação, para que esse Natural Estado de Ser floresça? A base para a Meditação é a compreensão de nós mesmos, é a compreensão do "eu", é a compreensão desse "mim". Quando não temos essa base nós não temos a Verdade da Meditação, nós temos uma técnica, uma prática, temos alguém realizando alguma coisa - alguém que, pelo esforço está se dedicando, por exemplo, a silenciar os pensamentos, a aquietar a mente. Esse esforço e esta separação entre a mente inquieta e esse que quer aquietar, é a dualidade. Esse esforço nesta separação entre esses movimentos, que são os movimentos internos desta consciência, que é a consciência do "eu" - me refiro a esse movimento de pensamento presente - e alguém tentando silenciar isso, esse esforço está nesse princípio da dualidade. Isso não é real Meditação!

Aqui no canal nós temos vários vídeos colocando para você a Verdade sobre a real Meditação, a Verdade da Meditação. Quando as pessoas colocam a Meditação como uma prática elas não compreendem que a Verdade da Meditação é a Meditação na prática, não é a prática da meditação; há uma diferença! A Meditação na prática é a ciência de Ser, momento a momento. Quando aprendemos a observar nossas reações, quando aprendemos a ir além destas reações, quando se transcende esse movimento do "eu", do ego, esse transcender é a revelação desse Natural Estado de Ser - isso é a Meditação na prática. Não é uma prática que irá levar você até a Meditação, é a ciência da Meditação, que de uma forma prática revela Aquilo que aqui está presente, já neste momento, como sendo a Verdade sobre você, como sendo a Verdade de Ser.

Portanto, aqui nestes encontros, o nosso propósito consiste em olhar para Aquilo que aqui está presente, se revelando momento a momento. A cada encontro que temos aqui, temos aqui um convite para esse olhar para o instante, para esse escutar o momento presente, para esta revelação da Realidade do agora. Esta é a Verdade da Meditação, esta é a Verdade de Ser. Um outro aspecto importante é que não se trata de um resultado que se realiza, que alcança, que se obtém. Todo e qualquer resultado que se realiza, que se obtém, será perdido. em algum momento ele irá desparecer. Porque o próprio esforço e o próprio elemento que se dedica naquele esforço, em direção àquele resultado, o resultado e esse elemento não se separam.

Assim, esse resultado como esforço para este "eu" é, ainda, a continuidade desse "eu". Portanto, o "eu" continua presente, esse sentido do ego continua presente, e se ele está presente, a confusão está presente, o sofrimento está presente, a ilusão permanece. O real contato com a vida é a presença da Meditação, e isso está presente quando não há mais o "eu", quando não há mais ilusão. Isso não é um resultado que se alcança, isso é a ciência da vida se revelando neste instante, neste momento. Portanto, quando tocamos aqui na questão da Meditação, estamos apontando para algo fora do conhecido, para algo fora da mente, fora do "eu", fora dos resultados, fora de qualquer esforço, intenção, motivo ou prática.

Aquilo que se faz necessário aqui é a Atenção sobre as nossas reações, e isso não requer esforço; requer o olhar, o escutar sem esforço, para todo e qualquer momento aqui, para todo e qualquer instante aqui, o que quer que esteja aqui se revelando no momento, no instante - o olhar, o escutar é algo que revela a Verdade. Não existe tal coisa como o futuro ou o passado. Toda essa estrutura de futuro e passado é a estrutura da memória. Observe como é simples isso: você não tem qualquer futuro sem a ideia de futuro, e não tem qualquer passado sem a memória do que já foi, do que já aconteceu. O que já foi, o que já aconteceu, agora, aqui, é só memória. Não é o passado, é a lembrança.

Portanto, não existe tal coisa como o passado ou o futuro. Tudo isso requer investigação, profunda e direta compreensão. Esse é o Despertar da Sabedoria, é o Despertar de uma visão livre do tempo, nesta real ciência Divina, nesta real ciência de Deus. Esta ciência é a Realidade da Meditação.

GC: Mestre, dentro desse assunto da Meditação, nós temos a pergunta de um inscrito aqui no canal: "Mestre, minha mente fica presa em preocupações com o futuro e arrependimentos do passado. Como meditar assim?"

MG: Gilson, atrelar a Meditação a qualquer outra coisa é completamente falso. A Meditação não é algo como uma técnica ou prática para você se livrar - como está implícito aqui na pergunta - do passado ou do futuro. Nós nos aproximamos da Meditação de uma forma direta, simples, real, verdadeira quando investigamos a natureza do tempo. Qual é a Verdade sobre o tempo? Aquilo que você chama de "passado" ou "futuro", como estamos colocando aqui para vocês sempre, em todas essas falas, é algo que o pensamento engendra, estabelece, constrói e sustenta. Porque não existe tal coisa como o passado, a não ser a presença de uma lembrança, de uma memória de algo que ocorreu ou de algo que você ouviu a respeito ou leu sobre aquilo, mas estamos apenas diante de pensamentos, de ideias, de imagens, de representações mentais.

Portanto, aquilo que nós chamamos de "passado" é memória, é lembrança surgindo aqui, neste instante. Neste instante não há passado; neste instante o que temos é a vida como ela é, como ela acontece, e parte daquilo que acontece está acontecendo agora como lembrança. Então, o que você chama de "passado" é a lembrança do que já foi, e o que você chama de "futuro" é a imaginação do que será. Mas repare, o que será não é real agora, e o que aconteceu não é real agora. Portanto, não existe tal coisa como o passado nem o futuro.

Assim, o que temos aqui ainda não é o presente. Quando você usa a palavra, a expressão "presente", do que exatamente você está falando? Quando você acaba de usar a expressão "presente" isso já foi. agora é só memória. Então, quando usamos o "presente" entre o passado e o futuro, estamos lidando com uma ilusão, uma abstração, um modelo de construção do pensamento para manter a continuidade de uma ilusão, que é a ilusão de alguém que é a pessoa. Esse sentido de pessoa veio do passado, está indo para o futuro e passando pelo presente. Não existe tal coisa como o passado, o presente e o futuro; assim como não existe tal coisa como alguém presente sendo a pessoa.

Não há pessoa, o que temos neste momento é a vida se revelando, e a revelação da vida neste momento é a presença da Meditação. Não é a Meditação para alguém, é a Meditação quando não existe a pessoa, quando não existe o passado, o presente e o futuro. Assim, a ideia de se livrar do passado ou do futuro para meditar é uma ilusão! É a compreensão de que não há o passado, de que não há o futuro, de que não existe o presente; é a visão do momento se revelando, sem a ideia do tempo, a Presença de Ser. É que nós estamos constantemente, Gilson, na ideia do vir-a-ser, deste alcançar, de obter coisas no futuro. Ou, se estou em desconforto agora, aqui, a ideia é me livrar no futuro, disso, desta coisa.

Portanto, ganhar ou perder, obter ou se livrar, é algo para o futuro, mas apenas na imaginação do pensamento, porque não existe tal coisa como o futuro. É a compreensão do momento, daquilo que se revela aqui e agora, a liberação do tempo. Esse tempo é o tempo que o pensamento estabeleceu, que o pensamento vem sustentando, e colocando uma identidade presente se movimentando nele, entre o que foi e o que será. A vida real está livre do tempo, porque ela está livre do "eu", livre do ego.

Portanto, não existe nada mais importante na vida do que a compreensão da Meditação, e a compreensão da Meditação floresce naturalmente, quando não há mais a ilusão, quando não há mais esta ideia, este pensamento, esse motivo que entusiasma esse sentido do "eu" para o futuro, que coloca essa ideia de um pensador tendo ideias, tendo memórias, tendo imaginações. Se isso é eliminado, a ciência Divina se revela. Esta ciência Divina é a presença da Meditação. Parte desta ciência consiste na compreensão da Verdade sobre você. Se auto-conhecer é se aproximar deste momento de uma forma real.

Assim, nós temos a eliminação da ilusão, a eliminação deste centro ilusório, deste falso centro que é a pessoa, que é o ego.

GC: Mestre, nós temos outra pergunta, de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, qual é o primeiro passo para a meditação?"

MG: Gilson, mais uma vez aqui nos deparamos com um equívoco: é a ideia de alguém querendo meditar, é a ideia de uma pessoa tentando aprender a meditar. Aprender a Meditar compreende uma outra coisa, não compreende passos para a Meditação - isso implicaria a presença de alguém para a prática, de alguém fazendo uso de um sistema, de um método. Aprender Meditação significa assumir a Verdade da investigação da natureza do "eu". É como aprender sobre nós mesmos, é como aprender sobre o Autoconhecimento. Não é alguém no exercício desta aprendizagem, é a investigação da natureza deste alguém, deste "eu" o real aprender.

Portanto, aprender sobre o Autoconhecimento, é a base para aprender Meditação. Aprender sobre o Autoconhecimento é tomar ciência da não-verdade, da não-verdade da pessoa, da não-verdade do "eu", ou desta verdade sobre o "eu", desta verdade sobre a pessoa. A verdade sobre a pessoa, a verdade sobre o "eu", é que não existe o "eu", não existe esta pessoa, e você se dá conta disso aqui e agora, quando aprende a olhar para as suas reações sem interferir com elas. Quando você está envolvido com pensamentos, se vendo como alguém separados desses pensamentos, sendo autor dos pensamentos, você está sustentando um velho modelo de existência, de padrão de condicionamento, de comportamento, que é a ideia de um pensador pensando.

Quando você está envolvido com um sentimento, se vendo como alguém neste sentir, a velha forma de sentir isso está padronizada dentro de um condicionamento, porque é assim que, como seres humanos, nesta consciência pessoal, nesta consciência do "eu", nós estamos sentindo, nós estamos pensando e nós estamos agindo. Mas estamos aqui investigando com você exatamente isso: essa ilusão! A ilusão de uma separação entre aquele que sente e o sentimento, entre aquele que pensa e o pensamento, entre aquele que toma a ação e a ação. Portanto, a real forma deste aprender Meditação, deste aprender Autoconhecimento, consiste neste olhar para as nossas reações, ficando ciente delas sem se envolver com elas.

Assim descartamos essa separação, assim descartamos essa ilusão entre o "eu" e o "não eu", entre o pensador e o pensamento, entre esse elemento que se vê separado do sentimento e o sentimento, entre esse elemento que se vê como o autor das ações e as ações acontecendo. Portanto, a Beleza de um encontro com a Verdade consiste na revelação da Meditação, e a Meditação floresce quando há compreensão neste aprender sobre nós mesmos. Assim, não há um separação entre a Meditação e o Autoconhecimento, entre o Autoconhecimento e esse aprender Meditação, entre esse aprender a cada instante. O olhar para este momento revela esse aprender.

Nós temos, na vida, a belíssima e extraordinária oportunidade de um real encontro com o momento sem o "eu", sem o ego, sem a pessoa. No entanto, nós nada sabemos sobre isso, exatamente porque nós sabemos tudo para ser alguém. A nossa vida vem sendo orientada e está estabelecida constantemente nessa ideia: na ideia do "eu", na ideia de ser alguém, neste saber. Nós estamos vivendo dentro do conhecido, dentro do conhecimento, dentro de todos os registros que guardamos em nós, que são a memória, o passado, a lembrança, a recordação. Sim, porque é isso que nós chamamos de passado: a recordação, a memória, a lembrança. Podemos descartar isso para esse real encontro com o momento?

Então sim, nos deparamos com a revelação da Meditação. Então sim, nos deparamos com a Bem-aventurança, a Felicidade, o Amor, a Liberdade de Ser. Isso é a Presença Divina, isso é a presença de Deus. Não é alguém presente, mas é a Realidade de Deus presente; não é ninguém tendo um encontro com Deus, é a Realidade de Deus se revelando neste momento. É a presença de Deus se revelando quando não há mais o "eu". É o que estamos aqui com você, aprofundando nestes encontros.

GC: Gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais um videocast. E, para você que acompanhou o videocast até o final deseja realmente aprender esta Arte de Meditar, fica o convite para participar dos encontros intensivos de final de semana que o Mestre Gualberto proporciona. Nesses encontros acontece algo muito mais profundo do que estes vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo às nossas perguntas, e segundo e muito mais impactante é que, pelo Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, ele compartilha um campo de Presença à Sua volta, um campo de Energia, de Poder e Graça. E, nesses encontros, a gente acaba pegando uma carona nesse campo de Presença do Mestre. E, pegando essa carona com o Mestre, sem nenhuma prática, sem nenhuma técnica, nós entramos nesse Estado de Meditação, aquietamos nossas mentes e podemos ter uma compreensão real dos assuntos que são tratados aqui no canal. Então, fica o convite: no primeiro comentário, fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o like no vídeo, se inscreve no canal, e Mestre, mais uma vez gratidão pelo videocast.

Outubro de 2025
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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Yoga Kundalini | Como encontrar Deus? | Meditação: o que é? | Aprender sobre Autoconhecimento

"O que você tem a nos dizer sobre Kundalini Yoga?" Na verdade, eu recebo diversas perguntas, e muitas delas são colocadas aqui no canal e, também, em encontros on-line que nós temos nos finais de semana. Então, o que é essa, assim chamada, Kundalini? A palavra "Yoga" significa união ou uma junção.

O propósito final da Yoga é esse encontro, e tem o mesmo propósito na pergunta "como encontrar Deus?; o propósito é ter uma união, um encontro. No entanto, nós temos que investigar isso com calma. Se a proposta é esta união, este encontro, a ideia comum é de duas coisas que se unem na junção ou que têm um encontro, é a presença de duas coisas se encontrando: você e Deus.

A expressão "Kundalini" significa energia, se refere à ideia de uma energia presente em nós que, ao Despertar, cria uma mudança interna nesse organismo, nesse mecanismo e, assim, coloca o cérebro em uma condição ou disposição para esse encontro. Mas vamos com calma olhar para tudo isso.

O que é esse encontro com Deus ou com a Verdade? Como isso se processa? Haverá mesmo esse alguém para esse encontro? Ou a Realidade desse encontro consiste na constatação da Vida, sem o "eu", sem a pessoa, sem o ego? Assim, a Realidade desse Florescer, desse Despertar da Kundalini é a ciência da Vida se revelando como esse encontro. A investigação da Natureza do "eu", desse "quem sou eu" irá lhe mostrar que não há alguém presente. Não existe esse alguém, não há esse "eu".

Aprender sobre o Autoconhecimento é aquilo que, de fato, lhe mostra a verdade sobre isso. Todo esse movimento de prática, sistema ou técnica com o propósito de ter um encontro com Deus, seja pela prática do Yoga ou pela prática da meditação, tem que ser investigado, porque estamos lidando com algo que está aqui e agora, e não existe esse "eu" para essa prática, não existe esse "alguém" como um agente capaz de agir nessa direção, como se houvesse de fato um caminho.

A ideia de um encontro entre dois pontos requer a presença do espaço e do tempo. A Realidade Divina não está no tempo. Você não pode ter um encontro com Deus; a Realidade deste Ser, que é Você, é esse encontro. Aquilo que está presente aqui é a Realidade deste Ser. Não existe um elemento que se separa para poder ter um encontro no futuro, indo do ponto A ao ponto B.

A mente em nós é um elemento carregado de ilusões. Esse mecanismo, a mente como um instrumento, está presente carregado de conceitos, de ideias, de desfigurações; esse elemento presente, que nós chamamos de mente, é incapaz de um encontro como esse. Nós precisamos descobrir algo além da mente, além do "eu", além dessa ideia de separação entre "eu e Deus", entre "aquele que irá praticar, a prática e o propósito". É tudo o que estamos aqui, nesses encontros, investigando com você.

Portanto, o que é esse encontro? Como encontrar Deus? Por uma prática? Por uma técnica? Por um sistema? Por algum outro meio? Ou a Revelação de Deus é Aquilo que aqui se revela nesse instante quando a ilusão não está mais presente? É nisso que aqui estamos investindo o nosso momento de pesquisa, de averiguação, de estudo, de investigação.

Aprender sobre nós mesmos, aprender como a mente, o pensamento, o sentimento, a emoção, a sensação, como nossas ações se processam, os nossos gestos também; ficar ciente de como esse momento se revela, sem a necessidade de uma identidade que se separa, que é o "eu", o ego, apenas ciência disso revela esse Despertar Real.

As expressões "Kundalini", "Real Consciência", "Verdade Divina" ou "Deus" são apenas expressões. Aqui, o que temos de importante é a necessidade da compreensão da totalidade da Vida, da visão da Realidade do momento, sem o equívoco, sem o erro, sem o engano da mente egoica, dessa mente que, como um instrumento, está se mostrando incapaz de um contato com a Realidade, porque esse próprio instrumento é desnecessário.

Há uma Realidade presente aqui. A mente, como um mecanismo ou um instrumento, pode ter alguma utilidade - sim, pode ter alguma utilidade. Para efeitos bem práticos e objetivos, nesse chamado sonho de vida humana, o conhecimento, a experiência, a memória, a lembrança, assim como sentimentos, emoções, sensações, percepções, tudo isso está dentro da mente, daquilo que nós chamamos de consciência, mas esta consciência é limitada, essa mente é limitada.

Assim, para efeitos de um contato com a vida nesse sonho de existência, ok, o pensamento é funcional, a emoção também, mas isso não abarca, não alcança a Realidade. A Verdade, a Realidade, Deus, é Aquilo que está presente além da mente e, portanto, além das nossas experiências. A experiência que a pessoa tem nesse modelo, que é o modelo do "eu", é algo circunscrito, preso, dentro dessa limitação do pensamento.

Portanto, por que o ser humano sofre? Porque ele vive nesse modelo, nessa consciência pessoal; ele vive dentro dessa mente, nesse mecanismo. Haverá algo além da mente? A ciência de Deus é a Verdade de Ser, e isso é algo além da mente. Então, temos aqui a presença de uma qualidade de Vida fora desta limitação, dessa identidade egoica, dessa mente presa aos seus conceitos, avaliações, opiniões, crenças, conclusões.

Portanto, com o Despertar desse Natural Estado de Ser, que alguns chamam de "Kundalini", sim, temos a presença desta Revelação Divina, mas não é alguém tendo esta Revelação, é a Verdade se revelando além do "eu", além do ego, além da pessoa. Todo esse movimento de busca, todo esse envolvimento com técnica ou prática de algum tipo para obter isso é uma ilusão. Você não pode obter isso, você não vai até essa Realidade, chamada Deus; é Ela que vem, é Ela que se revela quando a mente passa por uma profunda mudança, por uma radical transformação.

Aquilo que chamamos de mente, que conhecemos, reconhecemos - percebam isso - é sempre a partir do pensamento, e o pensamento está dentro desta limitação; ele lida com aquilo que ele percebe, reconhece e conhece, e isso é parte de todas as impressões do conhecido. A Realidade Divina não está dentro do conhecido, ela transcende a mente, ela transcende o pensamento.

Aqui, a boa notícia é que Você em seu Natural Estado de Ser. Veja, em seu Natural Estado de Ser, não nesse comum estado de ser; o comum estado de ser que nós conhecemos é essa ideia de "eu sou, mas eu serei", "eu ainda não tenho, mas eu terei", "eu preciso ter um encontro com Deus", "eu preciso Despertar a Kundalini": é a ideia desse "eu" no vir a ser.

Portanto, há uma diferença nessa ideia de ser, nesse ser para vir a ser, para a Realidade de Ser. A Realidade Divina é a Realidade de Ser, e isso não está no vir a ser, isso está aqui quando não há mais a ilusão do "eu", do ego, dessa pessoa. A pergunta é: como podemos nos aproximar disso? Se não é por uma técnica, se não é por uma prática, como podemos ter uma aproximação disso? Isso requer a presença desse aprender sobre nós mesmos, aprender sobre o Autoconhecimento.

Isso não é uma técnica, não é uma prática, não é algo que alguém faz; é algo que aqui está presente em uma Atenção sobre as nossas reações, então se mostra presente esta Presença Divina - nesta Atenção, que não requer técnica, que não requer prática, que não requer um esforço. É um erro colocarmos esta Atenção Plena, essa Plena Atenção como uma prática ou técnica. Aqui estamos diante de um simples e direto olhar para esse instante, nesse profundo interesse de olhar para essas reações que se passam internamente e externamente.

A presença de um pensamento pode ser observado, de um sentimento também, de uma sensação, de uma percepção. Isso é algo que nos escapa constantemente, porque estamos sempre colocando uma identidade nisso. Uma identidade quando um pensamento aparece, que é o pensador; uma identidade quando algo está sendo visto, nós colocamos o observador; uma identidade quando um sentimento está presente, nós colocamos alguém nesse sentir. Esse é o modelo de condicionamento, é a forma como essa mente condicionada, que é esse instrumento em nós, está funcionando.

Será possível o contato com o momento sem o "eu", sem alguém? O contato com o pensamento, com um sentimento, com a sensação, com a percepção, sem alguém envolvido nisso? Então, a real aproximação desse aprender sobre o Autoconhecimento é esta Atenção que nos aproxima da arte de Ser Real Consciência, Divina Consciência, que é Meditação.

Portanto, a Meditação, o que é? Mais uma vez: não é uma técnica, não é uma prática, não é um exercício, não é alguém usando um sistema, como um mantra ou uma técnica de respiração - tudo isso é algo que se aprende. Aprendemos um sistema, uma técnica e fazemos uso desse sistema e técnica. A verdade sobre a Meditação é a ausência de alguém envolvido com esta ciência de Revelação.

A Meditação é a compreensão do meditador, é a compreensão do pensador, é a compreensão do observador. A compreensão nos mostra que não existe tal coisa como esse elemento para se separar do momento presente. Portanto, não existe tal coisa como um observador e a coisa observada, como um pensador tendo pensamentos, como alguém aqui presente tendo sentimentos ou emoções. Vamos nos aproximar da verdade sobre isso.

Agora, aqui, por exemplo, nesse instante, há só o escutar, mas a ilusão dentro de você lhe diz que você é alguém que está escutando. Na verdade, não há uma separação entre esse escutar e você, mas você diz: "estou escutando"; esse "eu" que está escutando é uma ideia, é uma crença.

O que nós temos feito o tempo todo na vida é sustentarmos essa dualidade, essa separação, é nos colocarmos sempre, constantemente, como o experimentador da experiência e, assim, não entramos em contato com o momento, em contato com a vida, em contato com o agora, com o instante, porque colocamos uma identidade para esse instante, para esse momento, para esse contato. O que temos presente é a Vida, sem o "eu", sem esse alguém.

Assim, o que é esse Real encontro com Deus? O que é esse verdadeiro Despertar da Kundalini? Nós temos diversos vídeos aprofundando isso, o que é esse real encontro com Deus, o que é esse real encontro com a Kundalini. As palavras "Deus", "Kundalini" são palavras. Há uma Realidade presente se revelando aqui e agora, neste encontro, mas não é alguém tendo esse encontro, é esse encontro se revelando aqui. Não é você que vai até Deus, não é você que desperta a Kundalini.

A Realidade deste Ser, a Realidade de Deus, a Realidade da Kundalini é algo que está presente quando a ciência da Vida, quando a Ciência da Verdade se revela. Nós já falamos aqui e temos diversos vídeos colocando essa questão do Despertar da Kundalini, desse "como encontrar Deus". Assim, a Verdade desta Revelação é a ciência do Amor, da Felicidade, da Liberdade, da Compreensão de Deus, da Verdade sobre este Ser, da Verdade sobre esta Realidade Divina, que é a Verdade de nós mesmos.

Aqui, os nossos encontros on-line nos finais de semana ocorrem sábado e domingo. São dois dias de uma forma on-line. Além desses encontros, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite.

Outubro de 2025
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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

A Arte da Cura pelo Espírito | O que é a Não Dualidade? | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal, estamos aqui para mais um videocast. Novamente, o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado: "A Arte da Cura pelo Espírito". Em um trecho desse livro, o Joel faz o seguinte comentário: "O Pai está em mim. Eu estou no Pai. Estamos um no outro. Esse é o segredo que conhecemos". Neste trecho, o Joel fala sobre essa Unidade com Deus. Dentro desse assunto, o Mestre pode compartilhar a sua visão sobre o que é a Não Dualidade?

MG: Gilson, a Vida como ela acontece neste instante, está dentro de uma única Realidade. Ela é esta Realidade. Ela não se separa desta Realidade. É a Realidade, a própria Vida. E esta Vida é a Realidade deste Ser. Esta é a Não Dualidade. Aquilo que é Você em seu Ser, a Vida, é a Realidade. No entanto, nós estamos nos movendo no mundo, nos movendo como pessoas, a partir da ideia, da crença, da sugestão da separação. Você se vê como alguém presente no mundo, separado da Vida, separado da Realidade. Esta é a dualidade.

Então, o que é a Não Dualidade? É a ciência da Vida como ela é. O elemento principal aqui que nos sustenta dentro desse programa ou ilusão é a presença do pensamento - do modelo do pensamento condicionado. Nós temos a crença e também o sentimento de separação. O resultado disso é a confusão na vida, é a confusão no mundo, é o sofrimento em nós.

O pensamento presente em você lida com o passado, com experiências que já foram. E é exatamente assim que você sente a vida acontecer. Sua percepção de mundo é a percepção de uma consciência que se vê presa ao padrão do pensamento dentro do tempo. Nós temos uma noção de vida no tempo: o passado, o presente e o futuro. É assim que a consciência em nós tem ciência do mundo, tem ciência da vida, tem assumido a ciência daquilo que nós somos. No entanto, isso não é Real.

É a presença do pensamento que constrói o tempo e que nos coloca como uma entidade presente na vida, vivendo experiências. Portanto, nós temos a Vida como ela acontece. O experimentar da vida é algo presente na mente. Mas a mente tem transformado todo esse experimentar em memórias. Assim, a mente criou esse experimentador, esse modelo particular de pensamento, que é o pensamento psicológico. Então, repare como tudo isso se processa. Quando você tem um momento aqui, neste instante ocorrendo, a mente, nesse experimentar, transforma isso em uma experiência, quando registra. E assim nós temos a base para esse "eu", que é a pessoa, o experimentador. O resultado dessa experiência é a memória.

Assim, nós estamos vivendo na memória e olhando o mundo a partir da memória, que é o pensamento. Assim, existe esta separação entre você e o mundo, você e a vida: você, sendo o experimentador, vivendo experiências. É assim que o pensamento nos dá a sugestão da vida, nos mostra a vida. Portanto, não existe um contato com a Vida como ela é. É o contato com a vida a partir da leitura que o pensamento faz. Essa leitura é a presença do "eu", a presença da pessoa. Portanto, existe esse "eu" e o "não eu". Temos presente, no existir de alguém, a ideia do experimentador e a sua experiência. E, assim, nós estamos em contato com o mundo à nossa volta, com as pessoas à nossa volta, com tudo o que acontece. Essa base é equivocada.

A compreensão da Vida requer a ciência deste Ser, a ausência da ilusão do pensamento. Refiro-me ao pensamento condicionado. Pensamento como registro tem um espaço, um lugar - mas apenas o lugar técnico, funcional, prático - e não psicológico, como temos feito. Aqui, por exemplo, o uso da fala é o uso de um registro de memória, e, portanto, de pensamento. A palavra é algo funcional, algo técnico. Porém, nós não ficamos com o pensamento apenas nesse nível. O pensamento, em nós, fica a serviço de uma entidade que se vê presente. Essa entidade é ilusória. Essa entidade é o "eu".

Quando eu me encontro com você, eu não me encontro com a Realidade deste Ser. Eu não me encontro com este real significado da Vida, que é Não Dual. Quando eu me encontro com você, esse encontro é o encontro desse "eu" com o "não eu". Esse é o encontro entre pessoas: a pessoa que o pensamento diz que eu sou e a pessoa que o pensamento diz que você é. Assim são os nossos encontros: em dualidade, em separação. Nesta separação se estabelece toda forma de conflito, de desordem e confusão. Porque a Vida é Não Dual, enquanto que a mente é dualista. A mente está vivendo nessa dualidade.

Haverá uma qualidade de mente para esse experimentar sem o experimentador? É o que estamos aqui com você investigando. Nós precisamos tomar ciência, na vida, desta mente livre do "eu", da mente livre do ego. Esta mente, no "eu", é a mente programada, que se repete e mantém sua continuidade de existência ou de ilusória vida em separação. Esta qualidade de mente é a mente condicionada.

O real contato com o momento é o real contato com o Ser. Não é alguém tendo um contato; é a Presença de um estado de comunhão, de constatação da Realidade, onde não temos mais a presença da separação. Então, sua resposta para o momento não é a resposta do pensamento, é a resposta em linha com a Vida.

A cada momento nós estamos vivendo um novo momento. Ou nos aproximamos desse momento a partir do pensamento condicionado, a partir do "eu", ou esse contato é o contato com a Realidade, sem o "eu". E, portanto, esse contato é a Presença da comunhão, é a Presença dessa Inteligência Divina, desta real visão da Vida.

Então, o que é a Não Dualidade? É essa Realidade presente, sem o "eu", sem a ideia de alguém presente, sendo o pensador, sendo o experimentador. É a Vida acontecendo em um experimentar onde não temos mais a presença do passado, que é o experimentador. Assim, não ficam registros. Não há qualquer necessidade de registrar o momento. Não há qualquer necessidade da presença do pensamento para fazer a leitura do instante, do que aqui está acontecendo, ou para registrar esse momento. Esse é o contato com a Vida, esse é o contato com a Verdade. Portanto, a Presença da Verdade é Não Dual. Essa Verdade é a Realidade Divina, é a Realidade deste Ser.

Portanto, a sua pergunta é: "O que é a Não Dualidade?" É se aproximar de si mesmo, quando há uma constatação direta disso, e não teórica. Não se trata de algo sobre o qual você possa teorizar ou ter ideias sobre isso. É algo que aqui está presente, sendo a única Realidade, quando a mente não está mais. Quando a mente que conhecemos, dentro do modelo do conhecido, não está mais presente.

GC: Mestre, dentro desse assunto, nós temos um comentário com uma pergunta de um inscrito aqui no canal. É o seguinte comentário: "Eu entendo a ideia da Unidade intelectualmente, mas, na prática, minha mente vive criando separação. Por que a mente funciona dessa forma?"

MG: Gilson, o entendimento intelectual é a aproximação teórica, é a aproximação de palavras, é a aproximação da base lógica. Mas isso fica no campo das ideias, no terreno ainda das abstrações. É fundamental a vivência direta disso. Aqui, você pergunta: "Por que a memória funciona dessa forma?" É porque é a mecânica da memória. O cérebro registra; ele está constantemente fazendo registros, é a forma como ele funciona.

Como podemos romper com esta memória? Nós precisamos da memória técnica, mas não precisamos da memória psicológica. Então, essa é a pergunta: como se livrar dessa memória psicológica? Essa que dá a base para a sustentação do ego, para a sustentação do "eu"? Quando colocamos Atenção neste instante, neste momento, no contato com o instante, com o momento presente, não fica registro. É apenas na desatenção que o cérebro registra.

Repare como isso é importante: quando você me elogia, na desatenção, fica registro; quando você me elogia nesta Atenção, quando o elogio acontece, quando a palavra é pronunciada, não fica registro. E por que não registramos quando há essa Atenção? É porque, quando ocorre o elogio nesta Atenção, não há espaço para uma entidade, nesta autoimagem dela, assumir esse elogio para si mesma.

Nós estamos constantemente desatentos - é a presença do "eu", a presença da desatenção. Quando colocamos Atenção para as nossas reações, não existe "esse" que se separa daquilo que ali está presente. Portanto, quando você me elogia nessa Atenção, não existe esse "mim", não existe esse "eu", não existe essa separação. E, se não há separação, o cérebro não registra. Portanto, se torna fundamental uma real Atenção para esse instante, uma verdadeira e profunda Atenção para este momento, o que requer a presença de uma qualidade de Ser, de uma qualidade de mente que não registre.

Nós estamos o tempo todo, Gilson, colocando uma identidade na experiência para vivenciar aquilo, para ser o experimentador daquilo. Aqui, o convite é trazer para este instante Ciência, Presença; é trazer Real Consciência para este momento, é estar cônscio de toda e qualquer reação. Quando há essa Atenção, essa reação não assume esse modelo de registro, de memória.

Portanto, a verdadeira aproximação da Vida Real, da Vida Não Dual, é tomar ciência dessas reações, sem se confundir com elas, sem se identificar com elas, sem se perder nelas. A identificação com elas, perder-se nelas, confundir-se com elas - essa é a qualidade da mente desatenta.

Quando não há esta Atenção, isso ocorre o tempo todo. A base para uma visão livre do "eu", livre do ego, é a presença do Autoconhecimento. Esse Autoconhecimento requer um olhar para este momento sem o observador; requer perceber este instante sem o percebedor; requer a ciência do experimentar. Portanto, a mente precisa estar em silêncio, cônscia de suas reações. Então haverá esta Atenção, esta plena Atenção, esta real Atenção.

Então, o pensamento tem o espaço dele - o espaço nesse registro técnico -, mas não temos mais o pensamento psicológico, que dá base a esse sentido do "eu", que dá base a esse sentido do ego. Isso requer a presença deste olhar, deste perceber. Portanto, aquilo que é Autoconhecimento é a base para a Meditação. Nós temos que aprofundar isso, compreender isso, ter ciência direta disso - nesse experimentar, sem teorias, sem conceitos. Não precisamos do intelecto aqui; precisamos da direta ciência desta Verdade, que é a Verdade da Meditação.

GC: Mestre, nós temos outra pergunta de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, como posso usar a auto-observação para perceber minhas ações no dia a dia?"

MG: Gilson, esta auto-observação é a presença desse olhar para suas reações nesta Atenção. Quando usamos expressões como "autoinvestigação" ou "auto-observação", estamos falando de um estado de Ser, de mente livre do experimentador, livre do pensador, livre do elemento que olha a partir do passado, que percebe a partir de conclusões e crenças, avaliações e ideias.

Então, o que é esta auto-observação? É a ciência de suas reações aqui, neste instante. Portanto, momento a momento, esse olhar direto para todo esse movimento do pensamento, do sentimento, da sensação, sem interferir com isso, é a presença desta Atenção. É quando você interfere com o que observa que surge o observador; é quando você interfere com esse sentir que surge alguém nesse sentir.

As nossas ações, em geral, nascem do modelo do pensamento, deste impulso, deste "eu", que é a presença da intenção - esse é o envolvimento. Mas, quando você não se envolve, quando não há envolvimento, uma qualidade nova de sentir, também de pensar e de agir, está presente. Não temos aqui mais a presença do "eu", a presença do ego. É quando o contato com o momento não é a partir do passado, não é a partir de memórias e lembranças do passado. É quando o contato com o momento é o contato da Vida na vida. Aquilo que é Você é a Vida em seu Ser; a Presença da Vida é a Realidade do Ser - e esta é a Verdade Divina, é a Verdade de Deus.

Portanto, o trabalho direto para esse Florescer deste Natural Estado de Ser Não Dual é esse olhar, esse perceber, é a presença desta Atenção para toda e qualquer reação que surja neste momento. Quando não nos envolvemos, esse sentido desse "mim", desse "eu", desse "nós", desta entidade que se vê presente, não está mais. Portanto, há uma única Presença, há uma única Realidade. Ela não é a sua Realidade nem a minha Realidade; não é a nossa Realidade - é a Realidade Presente. Nela, não há separação entre eu e você, entre nós e eles. Toda essa ideia de nós, de eles, de eu e você, do ponto de vista interno, do ponto de vista psicológico, é uma ilusão.

Nós temos muitas coisas - há uma multiplicidade de formas e nomes, objetos e seres humanos. No entanto, a única Realidade presente é a Realidade Divina, é a Realidade do Ser. Esse contato real com o momento é a Realidade Divina. Não existe alguém presente para este contato. Portanto, nós precisamos de uma mente capaz de perceber, de compreender, de olhar. Esta qualidade de mente está em Silêncio, em Liberdade; ela está fora do conhecido, fora do movimento de avaliação, comparação, julgamento, aceitação ou rejeição.

O que nos dá a base para tudo isso é essa qualidade de observação. Portanto, a presença da auto-observação é a observação sem o "eu". É apenas observar, ficar cônscio, tomar ciência. É quando descobrimos a beleza desse Estado Real, que revela esse Natural Estado de Ser - que é a Meditação. É nisso que estamos aqui trabalhando. Olhar para isso de uma forma direta é tomar ciência da Verdade deste Ser, é tomar ciência da Verdade Divina, da Verdade de Deus. Ok?

GC: Gratidão, gratidão, Mestre. Já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais esse videocast. E, para você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver essas Verdades, fica o convite para participar dos encontros que o Mestre Gualberto proporciona. Esses encontros são muito mais impactantes do que esses vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo às nossas perguntas. E, segundo, e muito mais transformador, é que, pelo Mestre já viver nesse estado desperto de Consciência, ele compartilha um campo de Presença à sua volta, um campo de Energia, de Poder e Graça.

E, nesses encontros, a gente acaba pegando uma carona nesse campo de Presença do Mestre. E, pegando essa carona com o Mestre, de maneira espontânea, sem nenhuma prática, sem nenhuma técnica, sem nenhum esforço, entramos no estado meditativo, silenciamos nossas mentes, esquecemos de todo e qualquer problema. Então, fica o convite!

No primeiro comentário fixado há o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o like no vídeo, se inscreve no canal e, Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.

Outubro de 2025
Gravatá-PE
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