terça-feira, 24 de março de 2026

Tempo psicológico. A ilusão do tempo. O que é o pensamento? Como lidar com pensamentos? A dualidade.

Eu tenho para mim que a coisa mais importante aqui é a descoberta a respeito da Verdade sobre quem nós somos, e isso envolve uma compreensão real, direta da verdade sobre o pensamento, porque não existe um elemento mais íntimo de todos nós do que a presença do pensamento aqui, dentro de cada um de nós; ele é algo presente nesse movimento, que nós chamamos de "a mente", a "nossa mente".

Mas o que é a verdade sobre a mente? O que é a verdade sobre o pensamento? Qual é a verdade sobre mim? Qual é a verdade desse eu? É o que estamos, com você, aqui aprofundando, investigando.

Assim, a pergunta é: o que é o pensamento? Observe que o pensamento em você é a simples lembrança de coisas, de pessoas, de lugares, de situações. O seu nome é uma lembrança, a sua história é uma lembrança. A presença da sua história e do seu nome, que é uma lembrança, é a presença do pensamento.

Agora, a história é algo que aconteceu. O seu nome é uma lembrança que você tem em razão de um conhecimento que você traz. O que você traz, está trazendo do passado. O conhecimento vem do passado, a lembrança vem do passado, o pensamento vem do passado.

Assim, qual será a verdade sobre o pensamento? O pensamento é algo lincado à ideia do que já foi; é exatamente o que já foi, sendo lembrado aqui, recordado aqui. Então nós temos lincado a presença do pensamento à questão do tempo.

Agora, observem que coisa curiosa nós temos aqui: de que tempo nós estamos falando? Já que estamos falando de algo lembrado, recordado, de algo que aconteceu, esse algo aconteceu no tempo cronológico, e isso foi no passado. Assim, nós temos o tempo cronológico, onde as coisas acontecem. Então, coisas aconteceram, coisas estão acontecendo e coisas acontecerão. A lembrança dessas coisas é o resultado sempre do passado.

Você só tem lembrança porque tem o passado, mas esse passado, na lembrança, não existe. Não existe nenhum passado na lembrança. Na lembrança, o que nós temos é apenas uma representação do passado, não é o passado. Assim, olhem que coisa importante nós temos aqui para compreender, já que estamos investigando a verdade sobre nós mesmos, que estamos investigando a verdade de que o pensamento é algo muito íntimo em cada um de nós, e nós não sabemos lidar com ele.

É por isso que as pessoas perguntam: "Como lidar com os pensamentos?" Elas não sabem lidar com os pensamentos porque não compreendem o processo do pensamento nelas, como isso acontece, como isso se processa, como isso ocorre. Assim, é parte de uma visão sobre nós mesmos, é parte da visão do Autoconhecimento a compreensão do pensamento.

Assim, essa compreensão do pensamento requer que você compreenda, com clareza, que o tempo não é real - eu me refiro a esse tempo psicológico. Nós estamos lidando com a ilusão do tempo quando estamos lidando com a ideia, com a imaginação de uma entidade presente nesse instante, que é o "eu", o "mim", a " pessoa", vivendo no tempo.

A crença em nós - e essa crença é só mais um pensamento - é de que você, como "pessoa", é alguém que veio do passado, está presente nesse momento e caminhando para o futuro. Do ponto de vista psicológico, estamos lidando aqui com uma ilusão, que é a ilusão do tempo, porque não existe o tempo psicológico.

Não existe esse movimento de continuidade de uma "pessoa" presente, de uma entidade presente, que é esse "eu". Nós temos apenas a Vida acontecendo neste instante, a Vida acontecendo neste momento, e a forma como ela acontece é favorecendo instantes onde experiências estão surgindo a todo o momento.

O que tem dado formação a essa ilusão, que é a ilusão do "eu", é o contato com esse momento em uma desatenção para este instante. Quando não trazemos Atenção para este instante, ao passar por uma experiência, ela assume esse caráter de experiência para esse elemento, que é o experimentador. Esse elemento, que é o experimentador, é uma sugestão do pensamento.

O modelo do pensamento presente em nós é confuso, é desorientado, é desordenado, é problemático, gera conflitos, problemas de todos os tipos, porque ele está se processando de uma forma mecânica, inconsciente, porque, nesse instante, não existe Atenção, não existe Consciência Real sobre essas reações quando elas acontecem.

O seu contato com o momento presente é um contato de experimentar, mas quando o pensamento guarda, registra, faz isso na intenção de manter a continuidade da experiência no futuro. Assim, o pensamento estabelece a crença do amanhã psicológico, do futuro psicológico. É assim que ele tem funcionado em cada um de nós.

Nós estamos vivendo, psicologicamente, no passado ou no futuro. E este momento presente para esse modelo, que é o modelo do "eu", que é o modelo da pessoa, desse "mim", é de transformar esse momento, que é o momento de experiência, onde a presença do experimentar que está aqui - e é só o experimentar - numa experiência. Ele registra isso, isso começa a fazer parte da história desse "eu", da memória dessa pessoa, e essa pessoa está se movendo na vida dentro dessa ilusão, que é a ilusão passado, presente e futuro.

O que estamos colocando aqui para você é que a vida acontece neste momento, e nesse momento ela termina. A ideia de alguém tendo uma continuidade psicológica é a ilusão do tempo, porque não existe essa continuidade. O que temos presente é só a memória, a lembrança.

Lidar com a vida nesse instante como ela acontece, sem a ilusão de identificar a experiência para o experimentador, sem essa ilusão de registrar a experiência para manter a continuidade, é assumir a Verdade da Vida, sem o "eu", se o "ego". Isso requer a presença de um olhar para esse momento sem o passado.

Quando colocamos Atenção para as nossas reações neste instante, o passado, esse registro, perde relevância; e quando ele perde a relevância, o sentido do "eu", do "ego", desse "mim", perde a importância.

Assim, o que é esse "mim", esse "eu", esse "ego"? A presença desse ego, desse "eu", desse "mim" é todo esse conjunto de memórias, de lembranças, de recordações, algo presente quando o pensamento está presente. Quando o próprio pensamento sustenta a ideia de alguém presente nisso, de alguém em autoimportância nisso, em autovalorização nisso, surge a crença dessa continuidade. É isso que chamamos de "mim", de "eu";

Esse pensamento e sentimento de existir sendo alguém é algo que o pensamento está estabelecendo em cada um de nós. É o próprio pensamento que se separa e cria essa identidade, estabelece essa identidade. A vida como ela acontece neste instante é só a Vida. Nós precisamos da memória, nós precisamos do registro.

Em algumas áreas da nossa vida, desta vida, nós precisamos fazer uso do conhecimento e, portanto, da memória, que é pensamento. O seu endereço, por exemplo, o seu nome, por exemplo, isso é parte da memória, isso é parte do conhecimento, isso é parte da lembrança.

Então, nesse nível o pensamento se faz necessário, mas não precisamos é da ilusão de uma identidade presente nessa memória. E nós estamos conduzindo nossas vidas dentro desse quadro, dentro dessa forma, dentro dessa ilusão, a ilusão de alguém presente; esse alguém é esse sentimento de ser, é esse pensamento de ser, uma criação do pensamento, uma sugestão em nós implantada pelo pensamento.

Você tem sobre você uma ideia sobre quem você é. Nós estamos lidando aqui com uma abstração, isso porque você não é o seu nome, assim como você não é a sua história, mas a ideia que você faz sobre quem você é é uma imagem que o pensamento tem estabelecido como sendo você.

Assim, nós carregamos, nessa ilusão do tempo, a crença de que nós viemos do passado, estamos presentes nesse momento e caminhando para o futuro. Tudo isso faz parte do modelo do "eu", do "ego", que é a forma como o pensamento está se movendo, dentro de cada um de nós, nessa mente, nessa consciência.

Agora, vamos compreender aqui uma coisa muito interessante. Em um certo nível, o pensamento se faz necessário, o conhecimento se faz necessário e, portanto, a lembrança é importante; mas em um outro nível, o modelo do pensamento, da memória, da lembrança é algo completamente desnecessário, disfuncional e que está produzindo confusão, produzindo sofrimento, produzindo desordem em nossas vidas.

Assim, nós temos o pensamento prático, objetivo, que lida com os fatos. O seu nome, a história, o seu conhecimento profissional, o seu conhecimento técnico, tudo isso faz parte do pensamento, tudo isso faz parte da memória, tudo isso faz parte daquilo que são fatos em nossas vidas, que são registrados e tem o seu lugar. Mas existe uma qualidade de pensamento em você que é completamente equivocado, é o que eu tenho chamado de pensamento psicológico.

Por exemplo, você tem amigos; esses amigos são construções dentro de você e estabelecidas pelo pensamento. Quando você gosta de alguém, você não a conhece, mas tem a ilusão de conhecer. O que você gosta nele ou nela é o comportamento, é o modo de falar, é o jeito deles; algo neles é agradável e você gosta daquilo que está vendo neles.

Então, quando você diz que gosta de alguém, você está gostando dela como ela se mostra naquele momento, e você carrega a ilusão de que você a conhece porque ela se comporta daquela forma, porque ela é agradável daquele jeito. O que você tem dele ou dela é uma imagem estabelecida dentro de você, construída pelo pensamento, registrada pelo pensamento.

Essa qualidade de registro é a experiência desse experimentador, é o pensamento desse pensador, é a visão desse observador, que é esse "mim", que é esse "eu". Essa qualidade de pensamento é a qualidade de pensamento psicológico. Nós estamos lidando com a vida a partir dessa qualidade de pensamento.

Você não conhece ele porque você também não se conhece. Da mesma forma, você tem sobre si mesmo uma imagem. Você gosta de algumas coisas, mas não gosta de outras em si mesmo. Esse elemento nesse gostar e não gostar é a imagem que você tem construído sobre quem é você, assim como você tem construído uma imagem sobre quem é o outro.

A nossa vida psicológica está exatamente dentro desse movimento, que é o movimento da experiência para o experimentador, que é o movimento do pensamento para o pensador, daquilo que está sendo visto para aquele que vê. Esse gostar, esse não gostar se assenta nessa autoimagem, nesse quadro mental, nessa sugestão do pensamento. Esse modelo do "eu" está vivendo nessa psicológica condição de ideia de vida em continuidade, nesse padrão, nesse formato.

Podemos eliminar das nossas vidas o pensamento? Eu não me refiro a esse pensamento técnico, funcional, prático, que lida com fatos, eu me refiro a essa qualidade de pensamento que lida com abstrações, com crenças, com sugestões. Notem, sugestões temporárias do pensamento, porque você gosta dele ou dela enquanto ela lhe agrada, enquanto o que ela faz, diz, atende essas expectativas do seu "ego", dessa "pessoa", desse "mim".

A compreensão da verdade sobre si mesmo é o rompimento com essa autoimagem e, portanto, com toda e qualquer imagem que você tenha sobre o outro, assim como da vida, das experiências. Isso é o fim da ilusão, é o fim da ilusão do pensamento, é o fim da ilusão do tempo, é o fim desse tempo psicológico, desse modelo de ser alguém que vive em expectativas com relação a pessoas, a eventos, a situações.

Quando o tempo termina, o pensamento termina. Lidar com esse instante, livre do passado, da ilusão desse momento presente para esse "mim", e desse futuro para si mesmo, e desse futuro para ele. Assim, a Verdade da Revelação do seu Ser é a Ciência Real de como lidar com o pensamento. Isso requer a presença de como lidar com a experiência, com a percepção, com a sensação. Requer essa ciência dessa Atenção sobre este instante, sobre este momento.

É a presença dessa Atenção o fim para esse programa, para esse modelo, que é o modelo do pensamento psicológico, que é o modelo do pensamento que se move no tempo, que vive fazendo escolhas a partir dessa autoimagem. Nós não conhecemos a beleza desse encontro real com o outro, assim como com a vida, porque não compreendemos a Verdade sobre o Amor. Desconhecemos a Realidade do Amor porque estamos vivendo, psicologicamente, no tempo, nesse modelo do "eu", nesse modelo do "ego".

Quando o Amor está presente, não existe mais esse gostar ou não gostar. Há algo presente, que é a compreensão da vida como ela acontece, nessa relação com ele ou ela, nessa relação consigo mesmo, sem o sentido do "eu", temos o contato com a Vida Divina, com a Vida de Deus.

A Verdade sobre Você é a ciência do Amor, é a ciência da Inteligência, da Sabedoria, da Verdade desse contato com o momento, sem a presença desse experimentador, do contato com o momento, sem esse padrão de sustentação de imagens, de construções do pensamento, nesse formato de memória psicológica. São essas memórias que estão dando continuidade à ilusão dessa egoidentidade carregada de problemas, carregada de todas as formas de conflitos, desordem e confusão.

Aqui, juntos estamos investigando isso, como ter da vida uma aproximação livre desse tempo psicológico, desse ilusório tempo, que é o tempo do "eu", que é o tempo do "ego", que é o tempo da mente. O contato com a vida neste instante é um contato livre da separação. Não existe esse você e a vida, não existe esse "mim" e a vida, não há esse experimentador para essa experiência, que é a vida. A verdade sobre a Vida é a verdade do experimentar.

Podemos olhar para o momento presente sem o passado, sem esse modelo da autoimagem? Nesse olhar, não existe o observador. A Verdade sobre a Vida é a Verdade do olhar sem o observador, do perceber este instante sem o percebedor, do experimentar sem o experimentador, do contato com ele ou ela sem a imagem dele ou dela.

As pessoas vivem quarenta anos dentro de um relacionamento, tendo a ilusão que conhecem o outro. Se você não tem a ciência da Verdade sobre si mesmo, que é a Vida livre desse modelo de pensamento psicológico e, portanto, livre do próprio "eu", do próprio "ego", como você pode conhecer o outro? A compreensão da Vida é a compreensão de si mesmo. É aqui que está a compreensão do outro. Se há essa compreensão, temos a presença da Verdade, a presença de Deus, a presença do Amor.

A Real Vida é a Vida livre do ego, livre dessa autoimagem, livre dessa ilusão do tempo, livre desse tempo psicológico, livre desse modelo de pensamento psicológico. Assim, está presente a Vida como ela acontece, e parte desse Mistério, chamado Vida, está, naturalmente, a presença do pensamento, mas não do pensamento psicológico, não mais esse formato de mente egoica, de consciência do "eu".

Aqui, nesses encontros, nós estamos aprofundando isso com você. Nós temos dois dias juntos. São dois dias, de uma forma on-line, aqui, onde estamos juntos aprofundando esse assunto com você. Além desses encontros on-line, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite.

Maio de 2025
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quinta-feira, 19 de março de 2026

Você e a autoimagem. O fim da autoimagem. O que é o pensamento? O que é o pensar? Como vencer o medo

Aqui, com você, nós temos aprofundado esses assuntos; eles são colocados aqui para serem investigados. Nós investigamos isso quando estamos próximos da própria experiência. De outra forma, ficamos apenas na teoria, ficamos apenas nas ideias, e não é esse o nosso propósito.

Aqui, o único propósito que temos é de perceber diretamente. Quando nós temos uma percepção direta, nós temos algo além das formulações intelectuais, algo além dos conceitos: nós estamos diante de uma compreensão. Portanto, é da compreensão que nós precisamos.

Esses encontros aqui, esses momentos que temos, são momentos de descoberta, são momentos de constatações. Então, vamos tocar com você aqui nessa questão do medo. A pergunta é: "Como vencer o medo?" Isso envolve uma compreensão, e ela só pode ser real se for direta; envolve a compreensão do pensamento, não a teoria sobre o pensamento, não aquilo que os livros dizem sobre o pensamento, não aquilo que esse especialista ou aquele outro dizem sobre o pensamento, mas trata-se de uma constatação sua, direta.

Nenhuma teoria - e teoria é aquilo que alguém já nos disse -, nenhum conceito - conceito é aquilo que intelectualmente somos até capazes de explicar - ou opinião sobre isso é real. Se aqui estamos nos propondo a investigar essa questão do medo - e aqui a pergunta é: "Como vencer o medo?" -, precisamos, já, corrigir a nossa linguagem de aproximação desse assunto.

Aquilo que você consegue pela luta, pela autodisciplina, pelo esforço "vencer", você continuará presente tendo que vencer outras vezes. Não se trata de vencer o medo, não se trata de você presente nessa vitória, trata-se da compreensão do medo. É a compreensão do medo, é a visão sobre o medo, a liberação do medo.

Portanto, há uma diferença entre o fim do medo e a vitória sobre o medo, o vencer o medo. O interesse de vencer é o interesse de alguém tendo uma vitória. Aqui, não existe esse alguém. Aqui, a compreensão da presença do medo requer a clara visão de que é exatamente a presença desse alguém, dessa pessoa, da pessoa que você é, a presença do medo.

Uma aproximação irregular, uma aproximação insatisfatória dessa questão do medo, não resolve. Se aproximar do medo é tomar ciência de si mesmo nessa relação com essa dada experiência, e isso requer a clara visão sobre o pensamento. Aqui, estamos diante de algo que permeia nossas vidas, que está presente em tudo nessa particular vida da pessoa, desse "mim", desse alguém, que é a presença do pensamento.

O que é o pensamento? O pensamento é um elemento em você que não lhe permite o contato com o momento presente de uma forma livre, porque os nossos olhos ficam embaçados e internamente ficamos sem qualquer sensibilidade à vida nesse encontro com ela, a partir do pensamento. É o pensamento que olha, e quando ele olha, compara, aceita, rejeita, julga e colore a experiência do momento presente.

É este pensamento aqui, é esse pensamento aí, é a presença desse elemento a verdade sobre o medo. Você não tem medo sem a presença do pensamento. Apenas quando o pensamento lhe fala sobre algo, aquilo passa a ter realidade para você. Isso ocorre porque o pensamento ocorre como elemento que, ao surgir, ele mesmo cria uma separação entre você e ele.

O pensamento em nós gira, funciona, acontece avaliando para nós, julgando para nós, aceitando ou rejeitando. Esse "nós" é a própria presença do pensamento. Quando você está triste, com raiva ou com medo, é o pensamento que criou essa ideia de alguém presente nesse sentimento, nessa emoção. Essa é a continuidade em nós do modelo do pensamento; ele precisa de alguém presente, e esse alguém é esse "mim", é esse "eu".

A presença em você é de você sendo o que o pensamento diz que você é para viver isso, para sentir isso. Portanto, o pensamento construiu uma imagem; essa imagem é você. Você é a própria autoimagem. Então, você é a autoimagem; é o elemento presente para viver a experiência que o pensamento propõe nesse formato de sentimento, de sensação, de emoção ou de experiência. Então, está estabelecido em nós essa divisão, e nessa divisão está presente alguém para o medo, alguém para a tristeza, alguém para esse ou aquele tipo de sofrimento. Essa é a vida do pensamento; ele precisa de alguém envolvido nisso. Esse alguém é a presença do pensador.

Nós não sabemos lidar com o pensamento, porque nada sabemos sobre a ciência do pensar. Então, aqui, o primeiro ponto é esse: é o pensamento que nos fala de um futuro que ele não quer viver. Quando você tem a lembrança de uma doença que você teve e você não quer que isso se repita, notem que é a presença do pensamento, dessa memória, dessa lembrança que, ao surgir, nos fala sobre você, nos fala sobre esse "mim", sobre essa pessoa que viveu aquilo.

Você não teria nenhuma lembrança de si mesmo, no medo de aquela doença pudesse voltar, sem a presença do pensamento. Você lembra de si mesmo doente novamente porque o pensamento está presente trazendo esse "você", essa imagem. Essa autoimagem é você. E quando você surge, surge o medo, porque o pensamento está presente. É a presença do pensamento a presença do medo. Sem o pensamento, não existe esse você com medo.

Portanto, a presença do pensamento e você é um único fenômeno, uma única aparição. Não existe uma separação entre você, que é essa autoimagem, e essa lembrança que lhe causa medo. Portanto, não se trata de vencer o medo, trata-se de se livrar da autoimagem. É a autoimagem a presença do próprio pensamento. Não existe nenhuma separação entre essa autoimagem e essa lembrança, que é o pensamento.

Ao se livrar da autoimagem, não existe mais esse você, não existe mais esse pensamento, não há mais medo. Você não vai vencer o medo; haverá uma plena ciência aí da verdade de que não existe esse você quando o pensamento não está. Assim, nós precisamos descobrir o que é o pensar.

Quando um pensamento surge, nesse momento, se torne ciente dele, fique ciente de sua presença. É porque você não está ciente da presença do pensamento que ele se estabelece dentro de você, criando essa condição psicológica de separação, sustentando essa imagem, essa autoimagem, e sustentando essa memória. A verdade desse olhar direto para um pensamento que esteja surgindo aqui, nesse instante, termina com o pensamento.

O pensamento não pode manter sua continuidade quando é constatado, quando é observado. Mas esta observação só é observação quando não existe esse que observa; só é observação quando o pensamento não se separa, construindo esse "eu", essa autoimagem. Portanto, tudo aqui gira em torno dessa visão, da visão da verdade sobre si mesmo, sobre como você funciona, como a mente funciona. Essa é a ciência do pensar.

Nós não sabemos o que é o pensar. Nós temos o modelo do pensamento acontecendo, exatamente dessa forma como colocamos aqui, criando esta separação. A verdade sobre o pensar é a visão do que o pensamento representa, e, também, do que o sentimento, emoção ou sensação representam.

A verdade sobre o pensar é que, quando o pensar está presente, não existe o "eu", não existe esse elemento, que é o pensador, que é o experimentador, que é o observador. Então, fica claro esse olhar para o pensamento sem alguém nesse olhar. E, quando isso está presente, o pensamento cessa, o medo não surge - isso que é visto nesse instante, nessa forma de olhar, que é essa memória, que é essa lembrança, que é esse quadro, que é o quadro de uma doença, da lembrança de um dia ter passado por alguma enfermidade e essa lembrança agora está voltando.

Reparem, isso é só um exemplo da presença, de uma forma específica, de medo. Nós temos inúmeras formas de medo, e todas estão atreladas à questão do pensamento, da memória, da lembrança, algo que vem do passado. Portanto, essa forma de olhar dissolve essa imagem, dissolve esse pensador, esse experimentador, esse "eu" do medo.

O fim do medo é algo diferente de vencer o medo - me parece que agora ficou claro isso aqui. Você não vence o medo. Não há medo nessa Atenção sobre as nossas reações. Não existe experimentador quando há essa Atenção. Não existe esse observador quando há essa Atenção: essa é a presença do pensar.

Nós não fomos ensinados, na vida, sobre o pensar. Nos foi dado o que pensar, porque nos foi dado a ilusão da continuidade de um pensador. Essa é a presença do ego, dessa falsa identidade, dessa ilusória identidade que estamos assumindo. Portanto, a compreensão da vida é a compreensão de nós mesmos, e esta compreensão termina com essa ilusória identidade presente para a experiência do viver, para a experiência do sentir, para a experiência do medo.

Em sua Natureza Verdadeira, em sua Natureza Real, aquilo que é Você em seu Ser, não está presente essa autoimagem, esse pensador, esse experimentador, esse observador. A Verdade do seu Ser, a verdade sobre você, a verdade da pessoa que você representa ser, tem que ser investigada, compreendida. Se isso se realiza, a ilusão dessa pessoa se dissolve, a ilusão dessa identidade que se separa da vida, desaparece; temos a presença da Realidade deste Ser.

Portanto, há uma Realidade sobre Você, e há essa presença da pessoa, que é a verdade sobre você, isso que você tem assumido ser nessa ilusão de separação, onde está presente essa memória trazendo, nesse instante, ainda essa identidade, que vem do passado para se projetar nesse tempo, que é o futuro, no medo ou em alguma forma de desespero, ou sofrimento psicológico.

Assumir a Realidade do seu Ser só é possível quando você compreende a verdade sobre esse "mim", sobre essa "pessoa", sobre esse "eu". O nosso convite aqui é para um olhar direto para esse instante. Um olhar possível é esse olhar direto, livre do pensamento e, portanto, livre do passado, então não há medo, não há conflito, contradição ou sofrimento.

É o que estamos propondo aqui para você, trabalhando com você nesses encontros on-line nos finais de semana. São dois dias juntos, sábado e domingo, onde estamos aprofundando isso. Esses encontros revelam a Verdade d'Aquilo que é Você em sua Natureza Essencial, em sua Natureza Real.

A Realidade deste Ser precisa ser compreendida. Portanto, são dois dias que estamos juntos. Fora esses encontros on-line, nós temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite.

Junho de 2025
Gravatá-PE
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terça-feira, 17 de março de 2026

O medo da morte | Fundamentais questões da vida | Como encontrar Deus? | O que é o pensamento?

Eu quero tratar com você aqui hoje uma questão: é a questão da morte. Aqui nós temos investigado diversas questões fundamentais da vida, e uma dessas questões é a própria questão da morte. Se não temos uma visão real da vida, jamais teremos uma compreensão direta do que é morrer. Nós vamos trabalhar isso aqui com você.

Qual será a verdade desse morrer? Se isso se torna claro, nós temos o fim do medo. Então, vamos, em parte, colocar isso aqui para você. Mas nós precisamos, antes de tudo, colocar de lado todas essas ideias que nós já temos sobre essa questão da morte. As ideias em nós, observem isso, todas as ideias, sem exceção, são conceitos mentais, são formas de aproximações de imagens, de quadros que o pensamento está produzindo.

Assim, quando você tem uma ideia, na verdade, essa pode ser constituída de diversos conceitos, ou seja, de diversas formas de pensamento, é isso dá formação a uma ideia. Portanto, observem a verdade disso. Todo o pensamento em você está dentro de um contexto de ideia. Uma ideia pode ser um conjunto de pensamentos; essa ideia ou pensamento em você envolve uma imagem, um quadro mental. Assim, a nossa aproximação dessa questão da morte envolve esses quadros que o pensamento estabelece em nós como nossa experiência.

Ao longo da vida, desde pequenos, todos nós já entramos em contato com essa questão da morte: alguém conhecido, um parente, os pais, os avós, nós sempre temos presenciado, ao longo da vida, pessoas morrendo. Assim, a ideia que temos, o pensamento ou imagem que temos sobre a morte é o fim dessa existência física. Nós sabemos que o corpo morre, só que para nós não é a morte simples do corpo, é a morte de alguém que conhecemos ou de alguém que amamos, e essa morte é o desaparecimento dela, dessa pessoa, desse nosso contato de relações, de relacionamento.

Então, quando você vê o seu avô morrendo ou a sua avó morrendo já fica claro para você, dentro de você, esse sentimento de afastamento. Então, vamos ver aqui alguma coisa sobre isso. Apesar de todo esse contato que temos com essa experiência da morte, é sempre o contato da experiência da morte de "alguém". Nós não sabemos o que é lidar com nós mesmos dentro dessa questão do fim para aquilo que nós somos, o fim para esse que nós somos; nós não sabemos lidar com a própria ideia do fim de nós mesmos.

Assim, nós temos, ao longo da vida, em razão da presença de crenças religiosas, ou espiritualistas, ou filosóficas, sempre uma ideia sobre não apenas a morte como um desaparecimento, mas a ideia do pós morte, como uma continuidade ou como uma possibilidade de continuidade, e, no entanto, tudo isso está dentro de nós dentro de um formato de pensamentos.

Qual será a verdade desse encontro real com a morte? Não se trata dessa morte física, que em algum momento, infalivelmente, todos nós teremos. Ou através de um acidente, ou em razão da velhice, ou em razão de uma doença, dessas formas, ou de alguma outra forma, ocorrerá a morte para todos nós. Então, não é nesse aspecto que queremos tratar aqui com você.

Aqui queremos colocar para você a beleza desse encontro com a própria morte. Não se trata do fim do corpo, mas do fim da continuidade de um elemento presente em nós que sustenta a presença do medo. Esse elemento presente em nós é esse "mim", é esse "eu".

Podemos nos dar conta aqui, na vida, dessa ciência do que é a morte para esse sentido do "eu", desse "mim"? E será que, ao nos darmos conta disso, ainda teremos uma continuidade de medo? Será que ainda teremos uma continuidade para esse sentido do "eu", sustentando essa abstração, que é essa forma de pensamento, de ideia, de separação com essas perdas?

Quando você teme, você teme perder. Veja, você não teme exatamente uma outra coisa, é somente essa. O seu medo é perder, é perder o contato com esse ente querido, é perder alguém, é não poder ter mais a presença dele ou dela. O seu medo, nessa particular morte de si mesma, de si mesmo, também é de perder, é de perder o que você tem, o que você obteve, as relações de prazer, de satisfação e alegria que você tem nesse contato com objetos, com pessoas, com situações.

Portanto, todo esse sentimento aprazível, satisfatório, feliz, preenchedor e de prazer que você tem é exatamente isso, e é somente isso que você teme que desapareça, que não possa ser mais desfrutado. É isso que nós chamamos de amor à vida. O que chamamos de amor à vida - é bem interessante essa expressão também -, aquilo que chamamos de amor está sempre associado a uma forma ou outra de prazer, dentro das relações. A isso estamos dando o nome de amor.

Assim, o que é a verdade sobre o medo da morte? Nós não temos exatamente o medo da morte. O contato com a morte é o contato com o desaparecimento daquilo que nós temos, daquilo que representa para nós parte da "nossa vida", esse é o medo. É o medo de perder isso que conhecemos, de não ter mais isso, esse é o medo da morte; de não ter mais essa ou aquela pessoa, de não ter mais essa vida do "eu", essa "minha vida", para desfrutar toda a forma de prazer que eu tenho tido até hoje.

Portanto, a verdade sobre o medo da morte é a verdade de ter que lidar com uma condição nova, onde não teremos nada daquilo que nós já conhecemos. Portanto, não se trata de um contato com o desconhecido, trata-se do fim daquilo que nós conhecemos. Assim, nós estamos sempre sustentando essa continuidade daquilo que conhecemos, fazemos de tudo para não perder o que temos, porque a nossa vida consiste nisso, nessa continuidade do prazer, o que nós chamamos de amor nas relações.

O nosso amor nas relações, associado ao prazer, é relativo à satisfação que aquilo me dá, que aquilo me traz. Enquanto isso estiver me trazendo satisfação, prazer e alegria, eu amo, se isso parar de me trazer isso, eu não quero mais perto de mim, e posso passar a odiar também. Então, aquilo que nós chamamos de amor é algo circunstancial, é relativo a preenchimento, prazer e satisfação que temos com aquele objeto, ou naquele lugar, ou com aquela pessoa.

Então, aqui, o primeiro ponto é esse: nós não temos nenhum problema com a morte, nós temos, sim, um grande problema em perder coisas, em perder tudo aquilo que nós juntamos, acumulamos. Isso porque tudo isso faz parte, agora, desse contexto psicológico de existência do "eu". Assim, o medo em perder tudo isso é o fato de que sem isso, quem sou eu? São essas coisas, são essas pessoas, é isso que traz sentido para a minha vida.

Portanto, o que é "minha vida"? A "minha vida" é a continuidade do pensamento sobre tudo isso. Percebam que coisa interessante nós temos aqui quando investigamos também essa questão sobre o que é o pensamento. Tudo o que você tem está dentro de você, como uma imagem que o pensamento está sustentando, como uma ideia que o pensamento trás.

Quando você fala de alguém, você está me falando de um pensamento que tem sobre ele ou ela; quando você se lembra de alguém, a sua lembrança é de uma imagem que você tem sobre ele ou ela. Veja, não se trata da pessoa, trata-se do pensamento sobre ela; não se trata dela, trata-se da ideia que você faz sobre ela. Assim são todas as coisas que nós temos; todas essas coisas que temos estão apenas dentro do pensamento.

E o que é o pensamento? É a presença da memória, da imagem, do quadro mental que você tem. Então, o que é que nós temos aqui como verdade de tudo o que nós temos? A verdade é que nós não temos absolutamente nada, e tudo o que nós temos consiste em uma imagem, em um pensamento. O seu carro é uma imagem dentro de você, o seu marido, a sua esposa, sua família, o seu nome, a sua história, a sua memória, tudo isso faz parte do pensamento. Veja, essa é a verdade do pensamento. Portanto, é o pensamento que dá continuidade a esse "mim", e esse "eu".

O que será a Vida Real? A Vida Real é aquela onde temos a ciência da morte. Essa ciência da morte é a ciência do fim do pensamento nesse instante, nesse momento. É quando o pensamento termina, aqui e agora, que nós temos um real encontro com a Vida Real, com a Realidade da Vida como ela acontece. Isso é a morte, a morte para essa psicológica condição de identidade egoica, que é a identidade do "eu".

Aquilo que nós chamamos de "eu", de "mim", é um conjunto de pensamentos. Então, esses pensamentos estão dando identidade a esse sentimento, pensamento e sensação de posse, de controle, de vida. Talvez você não consiga perceber de imediato, mas aqui nos deparamos com um desafio. A ciência desse encontro com a Vida Real, que é a vida livre do pensamento, que é a vida nesse contato com a ciência da verdade sobre o fim de todas as coisas, é também, simultaneamente, a verdade sobre como encontrar Deus.

A Realidade de Deus é encontrada aqui; não se trata de um movimento no futuro para se realizar, em algum momento no tempo. Esse encontro com Deus é a constatação dessa Realidade nesse instante. Essa Realidade é a Realidade da própria Vida, livre do "eu", livre do pensamento, livre de tudo aquilo que o pensamento tem dado forma e criado uma identidade nessas coisas. Olhe para si mesmo, você não tem absolutamente nada, nem mesmo esse corpo é seu. Se esse corpo fosse seu, você não deixaria ele adoecer, você não deixaria ele envelhecer, você não deixaria ele morrer - ele não é seu.

Há Algo presente, acima e além desse corpo, e, naturalmente, além de tudo aquilo que o pensamento representa aí, inclusive essa ideia desse "mim", desse "eu". A verdade sobre isso é que essa única Realidade é a Realidade da Vida, é a Realidade de Deus, é a Realidade desse "não eu". Então você pergunta: "Como vencer o medo da morte?" Se livre da ilusão de se ver como alguém na vida tendo coisas a partir do pensamento, a partir das imagens que o pensamento constrói.

Assim, o desprendimento de toda essa sensação e experiência e pensamentos, que dão formação a essa identidade que é o "eu", é o encontro com a Verdade de Deus. A Realidade do seu Ser é a Vida; essa é a Realidade de Deus. Então, a única coisa real que você tem é a Realidade d'Aquilo que é Você, e, no entanto, nem mesmo isso você tem. Essa Realidade que Você é não é a realidade de alguém, não é algo seu, é algo de Deus, é a Realidade de Deus.

Essa é a verdade sobre a morte, essa é a verdade sobre a Vida, essa é a verdade sobre Deus, essa é a verdade sobre Você, Aquilo que é inominável e indescritível e que está presente além desse chegar e partir, desse nascer e morrer, além desse corpo, dessa mente e desse mundo.

O ser humano passa uma vida inteira acumulando bens, móveis e imóveis, teres e haveres, e esse movimento é um movimento de aquisição desse "eu". Estamos dentro de uma ilusão, porque nada disso é real. O fim para essa condição é o contato com a Realidade que está além do conhecido e, portanto, está além do pensamento.

Aqui, nos encontros online, que ocorrem aos finais de semana - sábado e domingo -, nós estamos investigando isso, tomando ciência da verdade sobre tudo isso. Ter a revelação, a verdade d'Aquilo que é Você, que é a ciência de Deus, aquilo que os Sábios chamam de Advaita, a não separação, a não dualidade, a verdade dessa Realidade presente, que é a Real Vida, que é a Vida Divina. Fora esses encontros, nós temos encontros presenciais e, também, retiros. Portanto, se isso é algo que faz sentido para você, fica aqui o convite.

Março de 2025
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quinta-feira, 12 de março de 2026

O que é o pensamento? Medo: o que é? O que é o sofrimento? Como alcançar a realidade desejada?

É bem interessante a nossa aproximação da vida, ela é a aproximação da busca de alguma coisa. Isso porque nós fomos educados, condicionados, programados para ter essa forma de pensar, para se mover nesta forma de pensar. Assim, nós encaramos a vida como algo para ser realizado, como algo em que, nela, nós estamos aqui como um elemento separado dela, para encontrar nela alguma coisa para "mim", para esse "eu", para esse elemento que se vê separado dela, que se vê à parte dela.

Aqui eu gostaria, com você, de investigar essa questão dessa procura que todos nós temos. Qual será a verdade desta busca? Eu me refiro a essa busca dos desejos, das realizações nos desejos. Isso porque, em geral, nós pensamos assim. "Afinal, como alcançar a realidade desejada? Como alcançar aquilo que eu desejo?" Notem que coisa estranha é a nossa particular visão da vida, nossa particular visão da existência, do mundo. Nós olhamos para a vida, para a existência e para o mundo como se houvesse, nesse contato que temos com esta coisa, a vida, o mundo, a existência, a possibilidade de nos preenchermos em algum nível de realização, realizando o desejo certo, o desejo verdadeiro, o desejo real, essa realidade desejada. O que há por detrás disso? É isso que estamos investigando aqui, com você.

Há em todos nós uma insatisfação, uma incompletude, uma condição que está produzindo desejos. Não haveria desejos se houvesse completude, se houvesse satisfação. Reparem que, quando você não tem fome, não sente desejo do fim da fome, porque não há fome. Se você não tem fome, você não tem desejo do fim da fome e, no entanto, reparem, psicologicamente você pode ter desejo de comida, mesmo sem ter fome. Então, existe aqui uma coisa que a gente precisa estudar, compreender: nós temos necessidades; em razão da insatisfação, a necessidade surge. Nós temos necessidades, essas necessidades dão origem à insatisfação. Em razão da insatisfação surge o desejo.

Quando você está com fome, você tem a necessidade de preencher essa fome, de realizar essa insatisfação na comida. Então, é natural desejar comida quando se tem fome, é natural desejar água quando se tem sede. É natural desejar se aquecer quando você está com frio. É natural desejar se refrescar quando você está com calor. Veja, é natural o desejo. Então, nós temos esse aspecto do desejo, é um aspecto simples! Se você tem que viajar, você tem que comprar uma passagem aérea, não dá para você ir para o outro lado do continente, atravessar o mar andando. É necessário comprar uma passagem aérea, então estamos diante de um desejo básico, simples, em razão de uma necessidade. Mas nós temos desejos psicológicos, como esse que acabamos de colocar: você não está com fome, mas tem o hábito de comer, o vício de comer. Há uma condição psicológica em você, de insatisfação, produzindo o desejo.

Assim, existem dois tipos de desejos, que claramente nós somos capazes de observar. O primeiro é o desejo simples, a busca de um preenchimento de uma necessidade básica, e o segundo consiste na busca de um preenchimento psicológico. Todos os tipos de desejos que temos nesse nível, a nível psicológico, são algo para alimentar ou manter a continuidade de uma entidade presente, ilusória, que se mostra muito real em cada um de nós, que é a presença do "eu", que é a presença do ego. Nós precisamos tomar ciência disso, é por isso que a nossa ênfase, aqui, está na visão da aproximação do Autoconhecimento. Porque uma vez que você tome ciência de como você psicologicamente funciona, você se dá conta desta psicológica condição, que é a condição desta egoidentidade, que está em busca de se preencher psicologicamente, realizando coisas, realizando sonhos, objetivos, propósitos, alvos, se realizando em companhia de pessoas, nessa assim tão sonhada felicidade, no amor, nas relações. Tudo isso faz parte desse velho jogo, que é o jogo da continuidade do "eu", da continuidade do ego. Uma continuidade que se sustenta sempre nesta ânsia por mais, nesta busca por mais. Então, esse modelo psicológico de existência presente no ser humano é algo que está sustentando uma condição interna de insatisfação, de incompletude e, portanto, de sofrimento.

Assim, o que é o sofrimento? Essa é uma outra pergunta. O que é o sofrimento? É exatamente a presença dessa insatisfação, dessa incompletude, esta ânsia por se realizar, por se preencher, por alcançar algo. Nós não nos damos conta de que esse movimento é uma busca de preenchimento psicológico; nesse próprio movimento está presente o sofrimento. É porque sofremos que desejamos. A beleza de um encontro com a Realidade Divina, com a Realidade do seu Ser, é que isso é o fim do sofrimento, porque isso é o fim desta insatisfação, desta incompletude. Então nós temos o fim do desejo, dessa qualidade de desejo. Um desejo que, por sinal, está produzindo, a todo momento, algum tipo de problema. Repare que o desejo, quando se apresenta, ele se apresenta como o desejo, mas os objetos do desejo são diferentes. Você deseja uma coisa, mas simultaneamente você deseja uma outra coisa, contrária àquela primeira. Você sabe que, se obtiver aquela primeira coisa, você terá problemas. Ou seja, intelectualmente, você compreende que desejar aquilo não vai lhe fazer bem. Então, você deseja aquilo mas, ao mesmo tempo, você não quer aquilo. Intelectualmente, você não quer, mas emocionalmente você deseja. Veja, estamos diante do desejo, do desejo que se contradiz.

Assim, a condição psicológica do "eu", do ego, desse "mim", é de contradição. Essa é a presença do sofrimento. Você deseja uma determinada coisa, mas você, ao mesmo tempo, tem medo das consequências. Então, reparem que coisa interessante nós temos aqui: existe alguma separação entre o desejo e o medo? Porque, se você deseja algo mas, ao mesmo tempo, tem medo das consequências, esse desejo é, ao mesmo tempo, contraditório. E esse desejo é, ao mesmo tempo, o medo. Vejam como é importante nós investigarmos isso, esse é o estado caótico, confuso, desorientado, infeliz, do "eu", do ego. Esse sentido do "eu" é algo miserável, porque ele vive nessa insatisfação, nessa incompletude, nesse desejo e nesse medo.

Assim, quando você vem e pergunta: "O que é o medo?" O medo é a presença da insatisfação, o medo é a presença do pensamento se projetando no futuro, vendo as consequências dos seus desejos. Reparem como é importante investigar essa questão, também, do que é o medo. Um outro lado do desejo é a presença do medo, assim como um outro lado do prazer é a presença da dor. Neste momento, neste encontro com a Beleza da vida como ela acontece, há esse deleite, essa alegria. Mas quando o pensamento transforma isso em prazer e se coloca para buscar mais disso, esta ânsia por mais é a presença da dor, é a presença do desejo, é a presença do medo de não obter mais daquilo, ou daquilo trazer consequências ruins para esse "mim", para esse "eu", para esse ego, para essa pessoa. Estamos juntos?

Ter uma aproximação de tudo isso requer a presença da Inteligência. A verdade desta aproximação da vida, da real vida, livre desse modelo que acabamos de descrever, que é o modelo do ego, que é o modelo do "eu", requer a presença da Inteligência. E nós temos a presença dessa Inteligência quando nos desvencilhamos do modelo do pensamento. Nós estamos aqui, com você, investigando todas essas questões. Uma outra questão é: "O que é o pensamento?" Notem a ligação direta do pensamento com todo esse processo, com o processo do medo, do desejo, desta insatisfação, dessa incompletude. Reparem a presença do pensamento. É o pensamento que se projeta a partir da imagem que ele cria, que ele tem, ele mesmo se projeta para ir em busca daquilo.

Reparem o que está sendo colocado agora, aqui, para você. Existe a imagem que o pensamento cria do seu ideal. Nós temos a própria presença do pensamento se projetando no futuro para realizar isso, que é o seu ideal, e temos esse "eu", esse "mim" para alcançar isso. Haverá uma separação real entre esse ideal, esse pensamento e esse "eu"? A resposta é muito simples: sem a presença desse ideal não existe qualquer pensamento sobre aquilo e não existe qualquer "eu" por detrás desse pensamento. Assim, a presença do ideal é o próprio pensamento, que é o próprio "eu". Veja, estamos diante de três coisas que não são, na realidade, três coisas, estamos diante de uma única coisa: essa coisa é o próprio pensamento. É importante que você compreenda isso, não existe nenhuma separação entre esse "eu" e o pensamento, e o ideal dele; aquilo que ele procura, que ele busca, que ele idealiza, é ainda parte dele. É fundamental nós termos aqui uma compreensão de que não existe nenhuma separação entre você e o desejo, entre você e o medo. Você é a presença do desejo, você é a presença do medo. Assim, a presença do desejo, que é o ideal, é a presença desse no ideal, que é você, e isso é a presença do pensamento.

Aqui, nestes encontros, nós estamos, com você, investigando o fim desta psicológica condição, que reparem, é uma condição criada pelo pensamento. Sem a presença do pensamento, não há nenhum conflito presente nessa questão dos desejos. Então, podemos lidar com a vida como ela acontece e realizar propósitos de uma forma muito simples, sem esse fundo psicológico, que é a presença do "eu". Assim, realizar propósitos não é o problema. O problema é alguém nesta realização, é a ilusão de alguém para se preencher, para ser feliz, para se realizar, realizando esses propósitos. Assim, estamos diante de uma ilusão. As pessoas realizam coisas na vida, mas como carregam, ainda, esse sentido do "eu", do ego ali, elas continuam infelizes. Elas continuam psicologicamente, internamente miseráveis, mesmo em meio à fama, ao poder, à riqueza dentro dos bens materiais, dentro dessas realizações, também sentimentais e emocionais, nos relacionamentos. Enquanto o sentido do "eu", do ego, estiver presente, haverá infelicidade, porque aquilo que estará presente é a insuficiência, a carência, a insatisfação, a incompletude.

Aquilo que estamos com você, aqui, investigando, é o fim desta psicológica condição do "eu", do ego. Estar presente na vida, assumindo a realidade da vida como ela acontece, é estar diante da Beleza, da Completude de Ser onde realmente nada lhe falta. Isso porque a Realidade do seu Ser é a Realidade de Deus e nesta Realidade, nada falta. Essa Realidade que é você em seu Ser é Completude, ela não carrega desejos, ela não carrega conflitos, pensamentos ou problemas. Assim, o que é esta Verdade desta Realidade presente? É a Ciência Divina, é a Ciência de Deus. A verdadeira Realidade não é desejada, ela não é desejável. Ela é exatamente o fim desse elemento que se separa e que deseja e que se ocupa psicologicamente, se projetando nessa ilusão, que é a ilusão do pensamento. Pensamento de que amanhã será feliz, de que amanhã estará em paz, de que amanhã encontrará o amor, e assim por diante.

É isso que estamos trabalhando aqui, com você, nos finais de semana. O encontro com a Realidade Divina é a Completude de Ser, é a Verdade de Deus. Assim, sábado e domingo estamos juntos, aqui. São encontros on-line nos finais de semana. Você tem aqui, na descrição do vídeo, o nosso link do WhatsApp para participar desses encontros on-line nos finais de semana. Fora esses encontros, temos encontros presenciais e também retiros. Se isso é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui o convite, já deixa aqui o seu like, se inscreve no canal e coloca aqui no comentário: "Sim, isso faz sentido". Ok? E a gente se vê. Valeu por o encontro e até a próxima.

Março de 2025
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terça-feira, 10 de março de 2026

O que é o medo? Mente condicionada. Como lidar com o pensamento? O condicionamento psicológico.

Aqui, a nossa ênfase com você consiste em uma aproximação da vida dentro de uma compreensão do significado dela. A dificuldade que nós temos na vida é de não abraçá-la como ela acontece. Nós fomos educados dentro de um modelo de mundo onde desde pequenos sempre nos foi dado projetos, objetivos, propósitos, ideias, sonhos. Nós não lidamos com a vida como ela acontece, nós estamos sempre lidando com a vida a partir desse fundo de representação mental de como ela precisa ser, deveria ser ou poderia ser para nós.

Aqui, juntos, nós estamos investigando essa questão, que é a questão desse "eu". Não há nenhum outro elemento presente que se separe da vida para avaliá-la a partir desse fundo. O único elemento presente para ser investigado não é a vida como ela acontece, mas é exatamente esse "eu" como ele aparece - e esse "eu" somos nós. Então, nós precisamos compreender algumas coisas; na verdade, nós precisamos compreender uma única coisa, e essa única coisa é a verdade sobre esse "eu"

A forma como encaramos a vida é a partir de um condicionamento psicológico, em razão da presença de uma mente condicionada. Nós não sabemos, por exemplo, lidar com o pensamento. Esse condicionamento que trazemos nos impede de ter uma compreensão daquilo que se passa conosco. Assim, nós precisamos nos aproximar da vida tendo uma nova aproximação, algo que se torna muito complexo, nada simples, em razão desse fundo de condicionamento.

Ao lidarmos com a vida, estamos lidando com aquilo que ali está. A vida representa diversos aspectos bastante complexos; essa complexidade desses aspectos ocorre em razão da forma como nós nos aproximamos da própria vida. A vida não é complexa, não é difícil, não é aquilo que acreditamos que ela é. Apesar de não ser complexa, difícil, a vida consiste em algo nesse instante acontecendo, a cada momento, como um grande mistério.

Não há como ter uma aproximação da vida a partir do pensamento. Esse formato de pensamento presente, a forma como o pensamento se processa dentro de cada um de nós, é procurando fazer uma leitura da vida. Então nós temos da vida, a partir do pensamento - nessa mente condicionada, nesse condicionamento psicológico -, uma visão equivocada.

A cada momento, nós nos deparamos com algo novo na vida; a vida é sempre algo novo surgindo. A cada momento, a cada instante, nós estamos diante de algo novo, e atender esse novo requer uma qualidade de mente que nós desconhecemos. Apenas uma mente livre, desimpedida, silenciosa, com um cérebro quieto é realmente capaz de olhar para a vida como a vida acontece, sem gerar conflito, desordem e confusão. Mas a mente que nós conhecemos é a mente que, ao olhar para a vida, carrega a sua perspectiva, a sua peculiar visão. Então, vamos ver isso aqui juntos.

Por que é que ao olharmos para a experiência da vida, ou para a vida como ela acontece, produzimos conflitos, confusão, desordem e sofrimento, não só para nós mesmos, mas para o mundo à nossa volta? Por que isso acontece? Porque olhamos a partir do passado. É o passado que não nos permite ter um contato com a vida em Liberdade.

A ausência dessa Liberdade: vamos tocar um pouquinho nisso aqui. Nós não fomos criados, educados para a Liberdade; pelo contrário, nós fomos adestrados, condicionados, programados para pensar, para sentir e para atuar na vida. Ou seja, todas as nossas ações também são moldadas por esse modelo de sentir e pensar educado pela sociedade, educado pela cultura, para um comportamento bastante peculiar, e esse comportamento é o comportamento do "eu".

Qual será a verdade desse "eu"? Esse "eu" é esse elemento presente que se move na vida a partir do pensamento. Então, é assim que estamos nos movimentando na vida. Esse movimento a partir do "eu" é o movimento da ausência da Liberdade. Nossa ideia de liberdade, em geral, é a liberdade para fazer o que desejamos, para fazer o que nós queremos, para ser quem nós acreditamos ser.

Alguns usam a expressão "precisamos ser nós mesmos". O que é "ser nós mesmos"? Tudo o que nós sabemos desse ser que nós somos é aquilo que a cultura nos ensinou a ser, nos mostrou como ser. Então, quando falamos de liberdade para fazer o que desejamos, para ser quem nós somos, nós estamos apenas sob a influência do desejo. Não é possível a visão real da Liberdade enquanto o nosso impulso de ação for o impulso da aquisição, for o impulso para obter aquilo que nós desejamos.

Porque, na verdade, o que é que nós desejamos? Nós desejamos aquilo que está presente nesse fundo de condicionamento mental. Nós tivemos experiência de prazer, e agora desejamos que esse prazer volte, esse é o nosso desejo, mesmo que esse prazer implique em sofrimento para o outro, como ocorre, no caso, desse movimento em nós, por exemplo, na ambição. Nós vivemos dentro de uma disputa, procurando superar os demais, para realizar o que desejamos para obter o que nós queremos. Esse movimento, em geral, é o que nós chamamos de liberdade, enquanto que aqui nós estamos apenas no impulso da insatisfação.

Existe um aspecto dentro dessa questão do desejo que nós não percebemos, que é a presença do medo. O mesmo impulso para obter aquilo que você deseja, como o prazer, é o mesmo que procura lhe afastar daquilo que lhe causa dor - e esse é um outro aspecto também do desejo. Nós desejamos o prazer, mas também desejamos fugir da dor. Essa questão do desejo precisa ser investigada. É natural o desejo; o desejo apenas nos mostra que estamos respondendo à vida. O problema surge é quando não compreendemos o lugar que tem o desejo.

A qualidade de desejo que nós conhecemos não é o desejo simples e natural para obter aquilo que, de fato, nós precisamos. O desejo que nós conhecemos é o desejo psicológico, é aquilo que nos impulsiona em busca de um preenchimento e realização a nível do "eu", a nível do ego. Essa qualidade de desejo carrega presente também o medo. Nós vivemos nessa busca do desejo - eu me refiro a essa qualidade de desejo psicológico, que é o desejo em busca de um preenchimento e de uma satisfação egocêntrica - e também vivemos dentro desse mesmo modelo de fuga da dor.

Então, o nosso desejo também implica nesse fugir do sofrimento; um sofrimento que, por sinal, nós criamos a partir desses impulsos. Todo esse modelo de impulso do "eu", de impulso do ego, em sua busca de preenchimento e satisfação, é algo que envolve a busca do prazer e a fuga da dor. E a verdade é que todo esse movimento é o movimento egocêntrico, todo esse é o movimento que vem do passado, vem dessa psicológica condição, que é a condição do "eu", que é a condição do ego.

Assim, quando as pessoas perguntam o que é o medo, um dos aspectos do medo que, em geral, nós ignoramos é que o medo é essa fuga da dor. Mas quem é esse elemento nessa fuga da dor senão o próprio "eu", esse próprio movimento egocêntrico dentro desse desejo de escapar? Aqui, com você, nós estamos investigando o fim para essa psicológica condição, que é a condição da egoidentidade, para um real encontro com a Vida como ela acontece nesse instante, livre desse modelo, que é o modelo dessas atividades egocêntricas.

Assim, a presença da Liberdade, dessa mente livre, é algo fundamental. Como realizar essa mente livre? E como assumir a Verdade desta mente livre? Isso ocorre quando liberamos de nós essa interna condição, esse movimento interno, que é o movimento do "eu", que é esse movimento do ego. Isso se realiza pelo olhar, pelo perceber, pelo compreender todo esse movimento. Aquilo que aqui temos dado como fundamento para essa visão, para essa Verdade dessa Liberação dessa psicológica condição, que é a condição dessa egoidentidade, é realizarmos, na vida, a compreensão de nós mesmos pelo Autoconhecimento.

A não ser que você tenha uma direta compreensão de como você internamente funciona, você jamais irá compreender a vida. Como nós acabamos de colocar: a vida não é algo difícil, não é algo complexo, mas é a presença de um Mistério, que a cada momento está aqui se mostrando, se revelando, e você não pode tomar ciência desta Revelação a partir do passado, a partir do modelo do pensamento. Então, o fim dessa mente condicionada, desse psicológico condicionamento é a aproximação da vida como ela acontece, como ela é. E nesse encontro com a Vida, temos o encontro com a Felicidade.

Em geral, toda essa procura por satisfações, por realizações, por projetos, objetivos, sonhos é aquilo que tem sido dado para nós como modelo dentro desse contexto de sociedade, de valores humanos, de valores mundanos. Uma vida voltada para a Verdade é o fim dessa velha condição, para um encontro com a vida nesse instante sem o passado, sem esse padrão de mente condicionada.

A posição da pessoa no mundo, do ser humano como ele vive, apesar de todas as realizações externas que ele tem - realizações essas impulsionadas pelo modelo comum, pelo modelo de mente condicionada, de psicológico condicionamento - ainda é de infelicidade problemática, insciente da Realidade Divina presente aqui e agora, porque ele está vivendo no pensamento, vivendo nessa velha condição do "eu", do ego.

Todo o seu impulso na vida é na busca do prazer; toda essa busca do prazer carrega a presença da dor. Nós não nos damos conta disso porque nos falta uma visão de como, internamente, nós funcionamos, nos falta uma visão de que nós estamos funcionando de uma forma programada, dentro de um contexto de consciência comum a todos.

Aqui, juntos nós estamos investigando tudo isso para irmos além dessa psicológica condição egoica, para irmos além dessa ilusão desse sentido de alguém presente precisando de algo na vida. A verdade é que a Presença da Vida é a Presença do seu Ser. Este Ser é a própria Realidade Divina, essa é a Natureza Verdadeira, é a Natureza Real d'Aquilo que é Você em seu Ser. Um encontro com a Vida é um encontro com a Realidade nesse instante.

Não existe qualquer separação entre a vida como ela acontece e a Realidade do seu Ser. No entanto, enquanto esse sentido do "eu", dessa mente condicionada, estiver presente, você estará sempre perguntando: "o que é o medo", "como se livrar do sofrimento", "como vencer a depressão", "como superar o estresse e a ansiedade". Isso porque todos esses quadros são representações típicas dessa condição psicológica, que é a condição da mente egoica, dessa consciência isolacionista, separatista, desse sentido do ego, dessa presença do "eu".

Aproximar-se da Realidade da Vida, assumir esta Realidade, constatar a Beleza da Vida como ela acontece, tendo uma aproximação real desse Mistério, requer a ausência dessa velha condição. A presença do Autoconhecimento lhe abre essa porta para a ciência que Revela Deus, que Revela o seu Ser. A Felicidade é possível nesta vida quando esta Vida é Real, quando esta Vida não é mais essa ideia de "minha vida", quando esta Vida é a Vida Divina.

Aqui, nos finais de semana, sábado e domingo, estamos juntos aprofundando isso com você. São dois dias online, onde estamos trabalhando isso com você. Fora esses encontros, nós temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui esse convite para participar.

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