quinta-feira, 21 de maio de 2026

Como encontrar Deus? | Meditação: o que é? | Aprender sobre Autoconhecimento | Sabedoria Espiritual

É um fato bastante simples esse, de que a vida, para a maioria de nós, consiste de problemas, de tal forma que em meio a confusões e a diversas formas de sofrimento, que são esses problemas, nós estamos em busca de uma solução. Assim, como a vida consiste em problemas, nós queremos resolver esses problemas. E aquilo que nós temos como primeiro expediente para a solução dos problemas é a ideia da busca de uma ajuda a partir do conhecimento e da experiência.

Nós sabemos que quando temos um problema técnico de algum tipo em nossas vidas, nós buscamos, no conhecimento, a solução para aquele problema. Se eu tenho um problema no carro, eu vou em busca de um mecânico, de uma ajuda de conhecimento técnico para a solução daquele problema, porque eu não sei nada sobre isso, eu não conheço mecânica de automóvel. Se eu tenho um problema de eletrônica, eu procuro também um técnico, um especialista naquela área.

Aqui, quando nos deparamos com problemas internos, psicológicos, com desordens emocionais, sentimentais, nós também vamos em busca de uma ajuda. Em geral, podemos ser ajudados, mas depois precisamos de outros atendimentos. Portanto, a busca desse suporte para lidarmos com os problemas que temos na vida é algo muito comum.

Aqui nós queremos investigar com você a não necessidade do conhecimento, uma vez que o conhecimento pode nos dar esse suporte para resolver assuntos técnicos, que naturalmente podem voltar a acontecer, e a assuntos psicológicos. Então, nos deparamos, temporariamente, com um alívio ou uma libertação deste quadro ou daquele outro quadro. Mas aqui, com você, nós estamos investigando a verdade sobre o "eu", sobre o "ego".

Aqui nós estamos investigando a possibilidade de uma Vida livre, tanto do conhecimento técnico, quanto da experiência psicológica, para lidar com os problemas dentro de cada um de nós. Todo o suporte técnico ou psicológico podem favorecer, mas não resolvem a questão do "ego", a questão do "eu".

Apenas a compreensão da Verdade, a Ciência da Realização d'Aquilo que Você é essencialmente representa o fim para todos os problemas e, portanto, para as confusões e sofrimentos diversos que nós conhecemos, que nós temos. Portanto, estamos, com você, explorando a questão do encontro com a Sabedoria. É diferente do encontro com o conhecimento e com a experiência.

Há uma diferença entre a presença da Sabedoria e a presença do conhecimento. O conhecimento é algo que se adquire, assim como a experiência. A presença do conhecimento e da experiência é a presença da memória, e isso nos dá uma formação de ação condicionada, de ação padronizada pelo saber, pelo conhecer. Nós ficamos sempre dentro de uma limitação quando estamos lidando com o conhecimento e com a experiência, enquanto que a Ciência da Verdade é a presença da Sabedoria.

A Verdade é algo definitivo, é um encontro com o Novo, é a presença do Desconhecido. Você não nasceu para simplesmente adquirir conhecimento e experiência. Essa aparição neste sonho, chamado "vida", é para o Florescer ou o Despertar da Sabedoria, desse verdadeiro encontro com a Verdade. É a compreensão da Verdade, é a Ciência da Verdade que, de fato, nos confere a Vida.

A verdadeira Vida é a Vida Divina, é a Vida deste Ser. Não há problemas aí, não há confusão e sofrimento. Você nasceu para a Bem-Aventurança, nasceu para a Felicidade, e aqui estamos, com você, a cada um desses encontros, insistindo nisso, na Verdade d'Aquilo que somos quando a ilusão não está mais presente.

Assim, nós precisamos é da Verdade, que é a presença da Sabedoria Divina, da Sabedoria de Deus. Essa é a presença da Sabedoria Espiritual. Quando você lida com a vida, esse seu "lidar com a vida" ou ele ocorre a partir do conhecimento e da experiência, desse modelo de experiência psicológica e de modelo de conhecimento técnico, ou esse "lidar com a vida" é em linha com a Vida. Em linha com a Vida, no fluir com a Vida está presente a presença da Sabedoria, que não é a presença do conhecimento, nem da experiência, mas é a visão do Desconhecido.

O Desconhecido é essa Realidade presente além da mente, uma vez que a presença do conhecimento e da experiência é a presença da memória, é a presença do condicionamento. Aqui estamos enfatizando com você, estudando isso: a possibilidade de uma mente livre do passado e, portanto, da memória, do conhecimento e da experiência; a mente capaz de atender o momento presente sem a ilusão de uma identidade que se vê presente se separando da Vida, que é o "eu", o "ego".

Essa clara visão é a Verdade da Sabedoria, da Sabedoria Espiritual. É algo presente quando há verdadeira Ciência de Deus neste encontro com o Desconhecido. Na pergunta "como encontrar Deus", a confusão para as pessoas é a ideia de que elas precisam, pelo conhecimento, lendo livros e estudando, ouvindo palestras e adquirindo mais informações, mais conceitos e teorias sobre isso, e que elas irão encontrar Deus.

Assim, para as pessoas, a ideia consiste em buscar conhecimento ou em passar por experiências. A vida, para a maioria de nós, é tediosa, complicada e bastante repetitiva, algo que nos coloca em quadros internos de constante insatisfação, dor e problemas. Assim, nós idealizamos algum nível de experiência, onde neste novo nível nós possamos ali, naquela experiência, nos enriquecermos com Deus, com algo fora do conhecido.

Mas aqui estamos dizendo para você que a presença da Realidade, da Verdade, sim, é a presença do Desconhecido, d'Aquilo que está fora do padrão do ego, do padrão da mente, do padrão dessa vida como nós conhecemos, mas isso não é uma experiência. Você não tem um encontro com Deus no futuro, Ele não é uma Realidade no futuro. Essa ideia d'Ele no futuro é uma crença presente, é parte do condicionamento que a mente tem, porque nós aprendemos isso, adquirimos isso; é parte de uma informação, assim chamada, espiritual, dos livros sagrados, de palestras que ouvimos.

Nós situamos Deus no tempo e nós mesmos aqui, como alguém presente; esse alguém é a pessoa que nós somos, que o pensamento nos diz que somos. Assim, nós estamos no tempo e Deus está no tempo, porque se Ele pode ser encontrado, Ele necessita ser encontrado por alguém, e Ele será encontrado depois; não é uma Realidade presente, é algo que está lá, em algum lugar, para ser encontrado.

Assim, está em uma base falsa a ideia de ter um encontro com Deus no futuro, porque nós estamos colocando aqui a presença do tempo. Deus não pode ser uma Realidade no tempo. Notem como isso é muito básico. A presença do tempo pressupõe aquilo que está dentro do tempo. A Realidade Divina está fora do tempo. Aquilo que está dentro do tempo está na limitação do tempo. A presença do tempo e a noção de espaço é algo presente em nós em razão da presença do pensamento.

Nós temos a distância entre um objeto e o outro, nós temos o espaço para percorrer de um ponto para o outro, então nós temos o espaço físico e o tempo cronológico neste sonho de existência, de manifestação, de universo, de mundo. No entanto, psicologicamente, toda a ideia de tempo e de espaço está dentro do pensamento. O pensamento é o autor do tempo, é o autor do espaço.

Portanto, o que é o pensamento? Nós estamos lidando com uma imagem, com uma formulação mental, estamos lidando, quando falamos do pensamento, com a memória. Quando é que você tem um pensamento? É quando você tem uma lembrança, que é uma memória. Sem a memória, sem a lembrança, não há pensamento. Esse pensamento é uma imagem; uma imagem no tempo, uma imagem no espaço.

A Realidade do encontro com Deus é a constatação d'Aquilo que aqui está presente, mas além do tempo. Aqui se trata de algo que aqui está, mas que não faz parte do conhecido e, portanto, o pensamento não pode reconhecer, porque não faz parte da memória. Você nasceu para a constatação da Realidade, da Verdade, da Vida, de Deus, a Natureza deste Ser, que é você quando a ilusão da pessoa, desse "mim", desse "eu" não está presente.

A sua pergunta é: "Como isso se torna possível?" Isso se torna possível quando aprendemos a arte da Meditação, que é se aproximar desse instante sem o velho modelo do pensamento, dessa mente que nós conhecemos, que é a mente que vive na programação do conhecimento e da experiência, da mente que está vivendo com confusão, com problemas, com sofrimento. É a mente do "eu", é a mente do "ego".

Há uma Realidade aqui presente, e ela é constatada quando nos aproximamos desse olhar para o momento presente, sem o "eu", sem o "ego". Sem o meditador, fica clara a realidade da Meditação. Meditação é estar no momento presente neste Ser, sem o sentido do "eu". É isso que se mostra aqui e agora quando temos a presença do Autoconhecimento.

Nossa ênfase aqui consiste em aprender como a mente funciona, como nós estamos funcionando. Neste aprender sobre o Autoconhecimento, fica clara a Realidade, a Verdade do Desconhecido. E quando temos a Realidade do Desconhecido, d'Aquilo que aqui está presente, além do "eu", é que temos a presença da Sabedoria Espiritual.

Portanto, não é do conhecimento e da experiência que nós precisamos para resolver os problemas humanos, para resolver os nossos problemas, e, sim, da presença da Sabedoria Divina; é a Sabedoria Divina que nasce do Autoconhecimento e revela a Verdade desse encontro com Deus. Não há qualquer separação entre Você, a Vida e Deus neste encontro.

É o que estamos aqui, com você, enfatizando, trabalhando, tomando ciência: uma aproximação do momento sem a presença do pensador, que é a presença do pensamento. Essa qualidade de pensar que nós conhecemos, essa qualidade de ação que nós conhecemos, essa forma de nos posicionarmos na vida como uma entidade que se separa da vida que nós conhecemos, tudo isso faz parte do conhecido.

O seu Natural Estado Divino é a Verdade deste Ser, que é a presença do Novo, que é a presença do Desconhecido, que é a presença de Deus. É o que estamos aqui, com você, trabalhando, olhando de perto. Nós precisamos assumir a Realidade d'Aquilo que somos, tendo a direta compreensão da Verdade que trazemos.

Quando a mente está livre do passado, isso se mostra como sendo a única Realidade, a única Verdade, a Verdade das pessoas, a Verdade do mundo, a Verdade de todas as situações, porque toda essa ideia de pessoas, que antes trazíamos em nós, já não está mais presente. Não há pessoas lá fora, não há pessoa aqui; há uma Realidade presente e é a Vida acontecendo além do pensamento. Essa é a Bem-Aventurança Suprema, essa é a Ciência da Meditação, do verdadeiro encontro com Deus. Não há alguém presente, é Deus em expressão, é o Amor presente, é a Felicidade presente.

É o que estamos aqui, com você, trabalhando. Nós temos encontros on-line nos finais de semana onde estamos sábado e domingo com você. São dois dias de uma forma on-line. Fora os encontros on-line, nós temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite.

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terça-feira, 19 de maio de 2026

Joel Goldsmith | Os Fundamentos do Misticismo | O que é a mente condicionada? | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast, novamente o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado "Os Fundamentos do Misticismo". Em um trecho deste livro, Mestre, o Joel faz o seguinte comentário: "A vida espiritual está cedendo ao Reino de Deus. O Reino de Deus é uma renúncia aos desejos." Neste trecho o Joel comenta sobre a renúncia aos desejos. Dentro deste assunto, o Mestre pode compartilhar a Sua visão sobre o que é a mente condicionada?

MG: Gilson, qual é o instrumento, em nós, de percepção, de entendimento, de compreensão? Não é a presença daquilo que nós denominamos de "mente"? Não é a mente em nós o instrumento que percebe, que entende, que compreende? Agora, o que é essa compreensão? O que é que nós temos, realmente, como compreensão, ou entendimento, ou percepção da vida? Será verdade que a forma como você olha para a vida, ela descreve, ela relata, ela retrata com fidelidade aquilo que a vida significa, aquilo que a vida representa? O nosso modelo de consciência, que chamamos de "mente consciente e inconsciente" é a presença desse instrumento, que olha a partir de um fundo que ele traz, de uma condição em que, como um instrumento, ele se encontra.

E qual é esta condição? O que é que você sabe sobre a vida? O que é que nós sabemos sobre a vida? O que é que nós sabemos sobre o outro? O que é que nós sabemos sobre nós mesmos? Não é isso um conjunto de ideias? Quando aglomeramos ou juntamos uma quantidade enorme de pensamentos, conceitos, crenças, nós temos a presença da ideia. Um conjunto de ideias é o que nós, na mente, neste fundo, temos sobre a vida, temos sobre o outro e temos sobre nós mesmos. E todo esse conteúdo é basicamente, em nós, memória, lembrança. É a presença de experiências registradas em nós, é a presença do pensamento.

Então, o que é esta mente condicionada? É a presença de um instrumento incapaz de lidar com a realidade da vida como ela é, porque tudo que esse instrumento tem é o passado, é a memória, são as lembranças. Nós temos a vida aqui, a realidade da vida em expressão, mas temos também a presença do pensamento sobre isso. O pensamento sobre isso é a mente condicionada. Nós não estamos lidando com a vida, estamos projetando um ideal de vida, um pensamento sobre a vida. É assim que nós estamos funcionando. Você vê o mundo a partir das suas conclusões, avaliações e crenças. você vê o mundo a partir de um conceito político, filosófico, religioso, a partir de uma tradição de família, de história de país onde você nasceu. Esse é o condicionamento!

O que estamos aqui, discutindo com você, investigando com você é a possibilidade de soltarmos isso, de nos livrarmos deste condicionamento, da mente condicionada, do modelo de pensamento condicionado, programado, porque isso está nos impedindo de uma real relação com a vida. A real relação com a vida não é a relação de alguém, não é a relação deste "eu", desta pessoa, desta mente. A mente condicionada é sinônimo de pessoa programada para pensar, para sentir, para atuar na vida a partir deste programa, deste fundo. O rompimento com isso é o surgimento daquilo que aqui está presente além desta situação, desta condição. E, no entanto, isso que está presente continua se mantendo desconhecido.

O contato com a realidade é o fim da ilusão daquilo que compreendemos, entendemos e julgamos ser real. Aquilo que entendemos, compreendemos, estamos julgando como sendo real na vida tem sua base nessa velha estrutura, que é a estrutura da mente condicionada, não se trata da realidade. O contato com a realidade é o contato com o Desconhecido. A presença do desconhecido é a presença deste Ser, desta Realidade Divina. A realidade está presente, mas ela se mantém fora da mente. Como podemos acessar isso? Tomar ciência do Desconhecido, soltando a ilusão da interpretação da vida, do julgamento, da comparação, avaliação da vida a partir do passado, a partir do pensamento. Essa é a resposta!

Nós precisamos de um cérebro novo, de uma mente livre, de uma percepção sem o passado. A nossa forma de percepção não é real, é um percebimento de um percebedor; esse percebedor em nós é a pessoa que somos. E o que é esta pessoa que somos? Esse conjunto de ideias! Todas as conclusões, crenças, julgamentos, conceitos, opiniões. isso sempre é algo pessoal neste cérebro condicionado, nesta mente condicionada. É o padrão do pensamento que olha a partir do pensador. Os olhos que estão vendo a vida são os olhos deste observador - este observador é o "eu"!

O constatar da realidade é a Realidade assumindo esse espaço. Não há uma separação entre a realidade presente e a Verdade de Ser, portanto não temos mais os olhos do observador, o olhar do observador, não temos mais o perceber do percebedor; é a presença da Realidade Divina na constatação da vida, na ciência de Ser. Compreender isso, perceber isso, assumir isso não é algo para "alguém", é algo possível quando a Realidade deste Ser, que é a Verdade Divina, se mostra presente. Isso requer o fim da ilusão da mente condicionada, da forma como estamos sentindo, agindo, pensando, atuando na vida.

A velha forma de atuação aqui, de pensamento aqui, segue sempre o mesmo princípio desta consciência comum a todos, que é a consciência egoica, que é a consciência humana. Soltar isso é ir além desta condição. A Verdade está presente quando a ilusão não está mais, o Divino está presente quando não existe mais essa ideia de alguém que se vê separado, que se vê à parte, que se vê como alguém no mundo. É o que estamos, aqui com você, trabalhando. Então, uma nova mente, um novo cérebro, um novo coração, Algo está presente - esse Algo é a presença do Desconhecido, daquilo que é indescritível, que é a Verdade de Deus.

GC: Mestre, a gente tem uma pergunta de um inscrito aqui no canal que fez o seguinte comentário: "Mestre, eu sinto que meus desejos me controlam. Passo o dia todo pensando no que quero e no que não tenho. Como me libertar disso?"

MG: Gilson, quando os desejos nos controlam, quando você diz: "Boa parte do dia estou desejando, querendo o que não tenho.", quem é esse que está sob o controle dos desejos? Quem é esse elemento presente que está desejando o que não tem? Qual é a Verdade sobre o "eu"? Você vê um grande conflito entre os desejos que você tem e a pessoa que você é. Esse conflito está estabelecido exatamente em razão de um outro desejo, que é o desejo de deixar de ser como você é. Portanto, você tem o conflito entre o desejo de possuir o que não tem, de realizar o que não realizou. esse desejo em conflito com o desejo de deixar de ser assim, de não querer ser mais assim. A base da mente em nós é a base do "eu", do ego - esse é o elemento que está em contradição, no conflito dos desejos, no conflito entre os desejos.

Nós fomos educados, moldados, para um padrão de cultura onde a crença é que, realizando desejos, você será feliz. mas chega o momento em que queremos nos livrar dos desejos, e isso se torna um outro desejo, que conflita com o desejo de ter, com o desejo de possuir. Nós colocamos esta condição do pensador, do experimentador, deste "eu", no pensamento, nesse modelo de vir a ser. Nós estamos vivendo neste conflito porque não olhamos para as nossas reações. Nós precisamos nos livrar da ilusão da ideia de "alguém". É a ideia de alguém presente, é isso que nos aprisiona no desejo, inclusive no desejo de se livrar. Então, tudo que se faz necessário para o fim do conflito, para o fim do sofrimento é a ciência deste "eu". Apenas constate, fique ciente, tome ciência de suas reações, fique cônscio de seus desejos, inclusive desse desejo de se livrar dos desejos. Olhe para isso!

Todo e qualquer movimento - e esse é o padrão de comportamento em nós: é sempre o movimento para se livrar ou para alcançar. Alcançar o resultado de se livrar dos desejos - o que é um outro desejo - ou obter o livramento dos desejos. Esse "obter" ainda é um propósito, ainda é um alvo ou um outro desejo. Aqui, olhar para as nossas reações é ficar ciente de como a mente está acontecendo; então você se torna ciente desse "eu", desse que quer se livrar, desse que quer alcançar. Então, isso se dissolve. É a presença desse aprender sobre nós mesmos o fim para esta condição interna de identidade presente, se movendo em propósitos. Enquanto o desejo estiver presente, aquele no desejo irá se separar dele para fazer alguma coisa: ou para ir em busca do que almeja, do que deseja, ou para se livrar desse mesmo desejo, e tudo isso é, ainda, o movimento do próprio ego, do próprio "eu".

Não há uma separação entre o desejo e o "eu"; ele cria essa separação quando coloca esse "alcançar", esse "vir a ser", esse "obter" ou esse "se livrar". Olhar para isso requer a presença de uma atenção sobre as nossas reações. Assim rompemos com o "eu", rompemos com o ego; então Algo novo está presente. Esse Algo novo não faz parte do "eu", não faz parte desta condição de propósito de alcançar ou propósito de se livrar, desejo de obter ou medo de não conseguir. O medo é um outro aspecto do próprio desejo, assim como o sofrimento e o conflito. É a compreensão de nós mesmos o fim deste "eu".

Temos que investigar a Verdade sobre essa pessoa que somos. Para nós o desejo é o problema; a realidade do problema é esse no problema. Esse no problema não se separa do desejo - é a presença do "eu" a presença do desejo, a presença do problema. Olhar para as nossas reações, olhar para todo e qualquer movimento do pensamento, do sentimento, da emoção, deste anseio ou anelo por mais - o olhar é o fim para isso, é o fim para o "eu", é o fim para o desejo. Ok?

GC: Mestre, nós temos outra pergunta de outro inscrito aqui no canal, que comentou o seguinte: "Marcos, como ir além do 'gostar' e 'desgostar'?"

MG: Gilson, esse "gostar" ou "desgostar", "querer" ou "não querer", é a presença do pensamento. Quando o pensamento se move em você, ele se move em projeção. A presença do pensamento é um movimento, em nós, entre o passado e o futuro. Todo pensamento agora, aqui, aparecendo, é um retrato do passado. Portanto, estamos envolvidos com o que o passado representa quando o pensamento está aqui. Algumas vezes o pensamento, aqui, se projeta para o futuro. Todo o interesse do pensamento em nós é a continuidade, é a manutenção, é a perpetuação de sua presença. Notem como isso é fundamental nós compreendermos: quando você tem um pensamento, ele não se contenta apenas em aparecer, ele tem que dar continuidade a si mesmo. Ele mantém a sua continuidade reforçando o passado, ele mantém a sua continuidade se projetando para o futuro - é assim que o pensamento funciona.

Então, nós vivemos sempre dentro de um constante modelo de aceitação ou rejeição, de gostar ou não gostar, de buscar algo no futuro, de se livrar de algo do passado. Esse é o movimento da mente em nós, esse é o movimento da consciência, da presença do "eu". Você pergunta como se livrar desse "gostar" ou "não gostar". a própria ideia de se livrar, o próprio propósito de se livrar tem que ser investigado. Nós estamos diante, ainda, de um pensamento quando acreditamos que podemos alcançar essa Liberdade no futuro: a Liberdade de querer ou não querer, de gostar ou desgostar.

Aqui é fundamental a visão da compreensão do pensamento, então ele termina. E, quando ele termina, essa escolha termina, essa ideia de alguém presente tirando conclusões, fazendo avaliações, se determinando a querer ou a não querer; isso se desfaz em razão da presença da compreensão de que o pensamento é apenas uma lembrança. É que nós estamos dando a uma lembrança - que é o pensamento presente, que está surgindo aqui - uma identidade. Nós estamos constantemente colocando a pessoa, o "eu", e fazemos isso a partir da intenção - a intenção de obter ou a intenção de se livrar; a intenção de gostar ou de não gostar. Essa intenção coloca presente na memória - que é o pensamento que está aparecendo aqui, neste instante - uma identidade, uma identidade que está vindo do passado. Essa identidade se projeta para o futuro, ela precisa do pensamento para esse movimento. Nós não temos o "vir a ser", nós temos, aqui, a Realidade de Ser.

A presença deste "vir a ser" é a presença do "eu", da "pessoa", deste "mim". Todo e qualquer pensamento em você busca o "vir a ser". Esse "deixar de ser" também é parte deste movimento, que é o movimento do pensamento - um movimento que, eu volto a dizer, está presente porque o "eu" está presente. Quando colocamos atenção para este momento, esta atenção coloca uma visão sobre o instante que elimina esta intenção, que elimina este "eu". Todas as vezes em que você está atento, essa atenção é algo que, quando está presente, esse sentido consciente do "eu" não está! Tome ciência disso, observe isso em você: quando você se encontra em um momento de plena atenção, o sentido deste "eu" consciente, que é o movimento do pensamento, não entra. O pensamento não se projeta para o futuro e ele perde completamente a importância do que ele tem para contar do passado, quando trazemos para este momento esta atenção. Esta atenção é algo que aqui está presente, mas não temos a presença deste "eu consciente", esta mente consciente ou inconsciente. Há Algo que transcende a presença deste que escolhe gostar ou desgostar.

Portanto, a verdadeira forma de aproximação da vida é sem "alguém" nesta aproximação. Então, se revela a Verdade - a Verdade de Ser. Esta é a Liberação, está é a Liberdade de viver livre desse sentido egoico de gostar ou não gostar. Ok?

GC: Gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais este videocast. E, para você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver essas verdades, fica o convite para participar dos encontros que o Mestre Gualberto proporciona. São encontros intensivos de final de semana que existem no formato online, presencial e também retiros. Esses encontros são muito mais profundos do que estes vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo às nossas perguntas, e segundo - e muito mais impactante - é que, pelo Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, Ele compartilha um campo de Presença à Sua volta, um campo de Energia, de Poder e Graça. E, nesses encontros, a gente acaba pegando uma carona nesse campo de Presença do Mestre. E, pegando essa carona com o Mestre, de maneira espontânea, sem nenhum esforço, sem nenhuma técnica ou prática, entramos no Estado Meditativo, silenciamos a mente e podemos ter uma visão, uma compreensão real desses assuntos que são tratados aqui no canal.

Então, fica o convite: no primeiro comentário, fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o like no vídeo, já se inscreve no canal e faz comentários aqui, trazendo perguntas para a gente trazer para os próximos videocasts. E, Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.

Setembro de 2025
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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Como encontrar Deus | Meditação: o que é? | Aprender sobre Autoconhecimento | Sofrimento mental

Aqui a questão é: "Por que existe este sofrimento psicológico presente em cada um de nós?" Ele é algo presente porque não estudamos a verdade sobre quem nós somos, sobre como a mente em nós acontece, como ela funciona; é a ausência da compreensão.

Nós estamos vivendo em um padrão de comportamento que se sustenta naquilo que o pensamento avalia. O pensamento é o elemento que faz avaliações, ele olha para o momento presente dentro de conclusões que ele tem. A vida no pensamento é a presença de uma vida dentro do reconhecimento que o pensamento pode alcançar, pode perceber, pode lidar com isso.

É interessante saber aqui, compreender aqui, algo fundamental: o pensamento é um elemento dentro de uma limitação, ele não abarca a visão da totalidade da vida. Assim, suas avaliações são avaliações limitadas, e nós estamos vivendo dentro destas limitações como pessoas. Então, por que existe tal coisa como esse sofrimento mental? Porque estamos vivendo na mente.

Mas o que é a mente? Qual é a verdade sobre a mente? O interno movimento de consciência em nós, o que isso significa? É a presença do reconhecimento; um reconhecimento que, como nasce do pensamento, vem do passado. Reparem as implicações disso. O que você sabe sobre o outro? Tudo o que você pode saber sobre ele se baseia naquilo que o pensamento tem a dizer sobre ele.

O que você pode saber sobre si mesmo, a não ser aquilo que o pensamento lhe conta? É isso que faz com que você não tenha apenas uma ideia sobre quem você é, mas também uma ideia sobre quem o outro é. Você não tem a verdade sobre ele, você não tem a verdade sobre si mesmo; você tem o que o pensamento conta. Nós temos que investigar isso, ter uma clara compreensão dessa limitação.

Se aqui, por exemplo, eu faço uso de uma expressão, de uma palavra, de imediato, no seu cérebro, isso cria uma representação mental; essa representação mental no seu cérebro não é a realidade, é a imagem que o pensamento está produzindo sobre aquilo que aqui estamos falando.

Observe que cada palavra no dicionário tem inúmeros significados. Então, do que exatamente estamos falando aqui? Se qualquer uma dessas palavras tem diversos significados, o pensamento pode criar uma imagem específica de uma dada palavra e, no entanto, não é isso que aqui estamos comunicando.

Então, como é que podemos nos aproximar da vida, como é que podemos nos aproximar do outro, ou de nós mesmos, a partir da palavra? A palavra é um elemento de comunicação, mas ela está limitada a essa condição de diversas interpretações. Essas são as avaliações do pensamento. Nós não temos um contato com a vida como ela acontece, com nós mesmos, como nós somos, com o outro, como ele é; e não temos porque não aprendemos a observar, apenas observar.

O nosso olhar fica contaminado pelo pensamento, por esta avaliação, por estas diversas interpretações que a imagem cria - nós estamos fazendo isso o tempo todo. Portanto, se eu uso aqui uma palavra, seja ela qual for, como por exemplo a palavra cadeira, você tem logo uma imagem, mas não sabe de que cadeira eu estou falando, porque há inúmeras cadeiras, são variadas as formas de cadeiras; e você tem uma imagem particular de uma cadeira, mas você não sabe se é dessa cadeira que eu estou falando. Então, essa é a dificuldade.

Nós estamos lidando com a vida a partir do pensamento, a partir da avaliação que em nós o pensamento está fazendo sobre aquela dada coisa. Todo o nosso contato com o outro, com nós mesmos, com as situações na vida, a partir do pensamento, é a partir de um pensador, de alguém que está avaliando, ou seja, tirando conclusões, formando imagens, tendo ideias a respeito daquilo.

Aqui a pergunta é: será possível um contato com a vida sem ideias, sem imagens, sem avaliações e, portanto, sem os pensamentos? Uma qualidade de contato assim seria fundamental para uma compreensão real. Nós não sabemos o que é essa compreensão real, porque estamos vivendo no pensamento.

Por que nós precisamos aprender sobre o Autoconhecimento? Porque é isso que irá nos revelar a Verdade da Vida como ela é. Você não pode ter a Realidade da Vida como ela é a partir da ideia equivocada sobre quem você é. E essa ideia equivocada é a ideia que o pensamento tem formado sobre quem você é, e nós estamos vivendo neste pensamento.

Não podemos ter uma compreensão da vida sem antes termos uma compreensão da verdade sobre o pensamento, sobre esse modelo de imagem que o pensamento estabeleceu sobre quem nós somos. Mais uma vez: esta imagem é uma imagem particular de uma avaliação, de uma comparação, de uma autoaceitação ou autorrejeição.

Notem a implicação disso: nós não estamos lidando com a verdade sobre nós mesmos, estamos apenas lidando com uma imaginação sobre quem nós somos, quando estamos assentando nossa particular pessoa presente, que é a imagem que o pensamento está estabelecendo - estabelecendo dentro das nossas relações, com nós mesmos e com o mundo à nossa volta. Repare o quanto isso é complicado.

Aprender sobre o Autoconhecimento é investigar a natureza desse "eu", a natureza dessa autoimagem, a natureza dessa qualidade de pensamento. Uma real aproximação de si mesmo é uma nova visão da vida, sem o "eu", sem esse que pensa, que sente, que faz, que avalia, sem esse que compara ou julga. E quem é esse? Esse é a presença do pensamento, nessa autoimagem. É isso que nós temos como sendo nós mesmos, a pessoa. A pessoa é essa autoimagem.

Aprender sobre nós mesmos é descobrir a verdade sobre isso; e quando temos a plena ciência da verdade sobre isso, aquilo que nós conhecemos como pensamento em nós sofre uma profunda, significativa e radical mudança. É quando temos o encontro com Algo além do pensamento, e isso é o fim do sofrimento mental. Esse sofrimento mental é a presença daquele que sofre. Não há uma separação entre esse sofrimento e aquele que sofre.

Agora, o que é basicamente esse sofrimento? Se não há uma separação entre o sofrimento e aquele que sofre, e se já ficou claro que este que sofre é o próprio pensamento, que é essa autoimagem, este é o "eu", o "eu" que sofre. Portanto, o fim para o pensamento psicológico, o fim para o pensamento, é o fim para o sofrimento. Assim, o contato com a Realidade elimina a ilusão, e a ilusão é essa pessoa, a autoimagem, o "eu", e isso não é outra coisa a não ser o pensamento nesse formato.

Assim, nós deixamos de viver no pensamento para assumir a Realidade de Ser. Esse é o nosso verdadeiro encontro com a Verdade. O encontro com a Verdade é o encontro com Deus. Reparem que coisa extraordinária nós temos agora aqui: como encontrar Deus? Assumindo a Realidade da Vida sem o "eu". Não é algo para o futuro, não é algo para o amanhã, não é algo para depois.

Deus não está lá esperando você. A Realidade de Deus, a Verdade Divina, a Verdade sobre a Vida, está aqui e agora, quando o "eu" não está. Essa ciência, esta Revelação, é a presença da Meditação. Portanto, quando nos aproximamos desse aprender sobre nós mesmos, estamos tendo uma resposta para a pergunta: "O que é Meditação? A Meditação, o que é?" Teremos alguém na prática? Teremos alguém presente no exercício, na técnica, quando temos a presença da Meditação? A resposta é simples: não existe alguém presente quando a Realidade está presente.

Portanto, a presença da Meditação é a ausência do meditador. Quando temos a Revelação deste Ser, o que requer a presença do Autoconhecimento, aqui está a resposta para a pergunta: "A Meditação, o que é?" É a Revelação deste instante, quando o "eu" não está. Assim sendo, nós estamos diante desta ciência da Vida quando aprendemos a olhar para ela sem o velho modelo do pensamento, que avalia, julga, compara, tira conclusões, interpreta.

Estamos em um direto contato com a Vida quando o pensamento, ou a palavra, ou o símbolo, ou a imagem, não estão mais presentes. Portanto, aqui nesses encontros, investigar isso é assumir a Verdade daquilo que aqui está presente, sem o "eu". Esse momento aqui, por exemplo, é algo que requer um encontro além da palavra e, portanto, além do pensamento, além desses diversos significados que estamos dando para cada palavra, para cada imagem, para cada símbolo.

Nós precisamos aqui ter um encontro além da fala, onde, no coração, algo novo surge, algo novo acontece. Acontece nesse espaço entre as palavras, acontece aqui nesse olhar, nesse sentir, nesse perceber. A real comunicação é esta comunhão além do conhecido, além de todo esse simbolismo de palavras, de imagens, de representações mentais, algo além do pensamento.

Assim, esse momento aqui, como todo e qualquer momento, é sempre uma oportunidade para a Meditação, uma vez que a presença da Meditação é a ciência do momento, sem interpretações, sem avaliações, sem comparações, sem pensamento. Portanto, o que é esse aprender sobre nós mesmos? O que esta presença da Meditação? É se aproximar desse instante e apenas escutar, olhar, perceber.

Portanto, não julgue, não compare, não avalie, não interprete. Então, nesta Atenção, nesse simples e direto escutar, algo além da fala, além das palavras, acontece. Então, repare: esse é um momento aqui de Meditação, esse é um momento aqui de encontro com o Silêncio, de encontro com a Liberdade, encontro com a Paz. É a Realidade deste Ser a Verdade sobre Você. Esta é a Divina Presença, é a Real Consciência, é aquilo que aqui está presente além do "eu", além do ego.

Portanto, o nosso real encontro com Deus consiste nessa ciência de Ser, de simplesmente Ser. Isso é o fim para o sofrimento mental, isso é o fim para essa ideia de alguém presente sendo o pensador, o experimentador; isso é o fim para essa ideia da pessoa, desse "mim", desse "eu". O seu real encontro com a Vida consiste na constatação deste momento. É o que estamos aqui, juntos, trabalhando nestes encontros.

Nós temos encontros online nos finais de semana, onde estamos sábado e domingo trabalhando isso com você - são dois dias de uma forma online. Além dos encontros online, temos encontros presenciais e também retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido pra você, já fica aqui um convite.

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terça-feira, 12 de maio de 2026

Joel Goldsmith | Além das Palavras e Pensamentos | O que é a arte de Meditar? | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast. Novamente, o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje, eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado: “Além das Palavras e Pensamentos”. Em um trecho desse livro, Mestre, o Joel faz o seguinte comentário: “O coração e a alma da vida mística é uma experiência interior, e não importa qual seja o seu caminho, ele deve levá-lo a essa experiência”. Nesse trecho, o Joel comenta sobre essa experiência interior. Dentro desse assunto, o Mestre pode compartilhar a sua visão sobre o que é a arte de meditar?

MG: Olha, Gilson, a ciência da Meditação, a arte da Meditação, é a compreensão daquele que medita. Quando as pessoas se propõem para uma prática de Meditação ou técnica de Meditação, elas não compreenderam aqui uma coisa básica. Não ficou claro para elas que toda técnica ou prática é o exercício mecânico de uma entidade que é o meditador, que tem como propósito alcançar um alvo chamado Meditação. Essa não é a verdade sobre a Meditação, porque a verdade sobre a Meditação é que, nela, não existe o meditador, uma vez que a presença da Meditação é a Ciência de Ser.

Já na prática da meditação, existe a ideia de vir a ser: “eu não estou em meditação”; “eu” quero entrar em meditação”; “eu não sei meditar”; “eu tenho que aprender a meditar”; “eu não estou em silêncio, mas eu preciso do silêncio”; “eu preciso aquietar a mente, ter uma mente silenciosa”... Repare: “eu preciso ter”; “eu desejo ter”; “eu tenho que ter”. A presença desse “vir a ser” não é a Ciência de Ser. A arte da Meditação consiste em observar aquele que medita, em ficar ciente do movimento, do impulso, da vontade, do querer, dessa intenção de vir a ser. A verdadeira aproximação da Meditação é a compreensão de si mesmo.

Nós não temos uma base real para a Meditação. Nós não temos um encontro real com a Meditação, quando alguém está envolvido nisso. Estudar a si mesmo é ficar ciente de todo esse movimento do “eu”. Reconhecer em si mesmo, nesse “mim”, a presença do vir a ser, o desejo de alcançar, o propósito de realizar. Aprender sobre si mesmo é aprender como a mente funciona, o que envolve a ciência dos pensamentos, sentimentos, sensações, emoções.

Olhar para esse instante: há uma qualidade de olhar sem alguém nesse olhar, há uma qualidade de percepção sem alguém na percepção. Quem é o elemento presente na percepção? É aquele que viveu experiências e percebe a partir do fundo, do passado, da memória. Quem é esse presente no olhar? Esse que olha. É a presença do observador.

O observador em você é o elemento que vem do passado. Ao olhar, ele olha a partir do fundo, de reconhecimento, de experiências passadas, de memórias. O real contato com a Ciência de Ser é a anulação desse vir a ser. A Ciência de Ser é a anulação desse observador, desse experimentador. Todo e qualquer contato com a vida só é um contato Real quando não há alguém para este contato.

Uma vez que este alguém é uma sugestão do pensamento, de uma identidade que se vê presente, essa identidade é o experimentador, é o observador, é exatamente aquela pessoa que se assenta para meditar; e ela se concentra, ela afasta pensamentos, ela respira, de uma certa forma, ela entoa um mantra. Ali está alguém na ação, na execução de um projeto, de um plano, de um propósito. Esse propósito, projeto, alvo, é algo que vem de uma sugestão do pensamento, para alcançar alguma coisa.

A arte da Meditação revela a presença de Ser. Não há tempo, não há futuro, não há propósito. A vida, como se revela aqui, neste instante, ela é o seu propósito. Só não temos ciência deste propósito porque estamos presentes como alguém. Se há alguém presente, esse alguém está em um movimento para o futuro. É alguém que está vindo do passado, se movendo para o futuro. Esse é o sentimento e pensamento presente na pessoa, na pessoa que medita, na pessoa que não medita, na pessoa que se volta para a busca espiritual e também na pessoa que não tem qualquer envolvimento com isso.

Todo o movimento do “eu”, do ego, da pessoa, é para o futuro. Ou na busca da espiritualidade, como o pensamento projeta, imagina, para a pessoa, isso inclui a presença de um sistema de meditação, de uma prática de meditação, ou a busca por realizações materiais, em objetivos e propósitos mundanos. Como seres humanos, nós vivemos em conflitos, em sofrimento, com problemas. Não temos a visão da Vida, a Liberdade e, portanto, o Amor. Todo o nosso movimento é o movimento que se envolve com algum tipo de intenção, de desejo. Queremos escapar do que é ruim, queremos alcançar o que é bom. É o movimento da pessoa.

Você nos pergunta sobre a arte da Meditação. A Ciência da Verdade da Vida, sem o “eu”, sem o meditador, sem a pessoa, sem o observador, sem o pensador, sem o experimentador, é a presença do Estado Natural de Ser, onde o Amor está presente, onde a Felicidade está presente. Aqui, a Felicidade não é encontrada, não é obtida, não é conquistada; Ela é assumida quando a ilusão termina. Essa é a arte da Meditação. O único Real propósito na vida é a Vida em seu propósito, e o seu propósito é a realização da Verdade de Ser.

Paradoxalmente, estamos diante de algo que já está presente. É uma realização que não se realizará no futuro. É uma realização que se assume exatamente quando abandonamos a ideia do vir a ser, quando abandonamos a ideia de conquistar. Por que não sabemos a Verdade sobre a Meditação? Porque todo o nosso envolvimento no pensamento é no tempo. Como se revela a Verdade da Meditação? Quando o pensamento é anulado. Quando ele cessa, então não existe mais o tempo, não existe mais passado, presente e futuro.

Em alguns momentos na vida, você se depara com a meditação. Algo semelhante a um tropeço. Você vem andando e, de repente, tropeça em alguma coisa. Nós estamos constantemente passando por momentos de ausência do ego, de ausência do “eu”, quando somos, como que, atropelados por alguma coisa fora da consciência egoica. Algo semelhante a um tropeço. Repare que, quando você tropeça, você não espera que o tropeço aconteça. É algo que não se espera. É algo que acontece. A Meditação também é algo que acontece.

Você está na beira de um lago, olhando as águas, e, de repente, a mente se esvazia por completo de todo o passado – memórias, lembranças, pensamentos. E há algo presente ali, naquele instante, que está além de qualquer descrição. A luminosidade sobre aquele lago, a luz do sol, aquelas folhas das árvores dançando ao vento. É um encontro com o momento sem o “eu”, sem o escritório, consultório, oficina. Ali não há amigos, inimigos, parentes, família. É um instante de Silêncio, de Quietude. Uma completa desocupação psicológica, quando a mente é temporariamente esvaziada de todo o seu velho conteúdo. Nesse instante, há um encontro com a Meditação. Não há prática, técnica ou método. É algo que simplesmente acontece.

Então, o que é a ciência da Meditação? É a arte de Ser no dia a dia, também no escritório, no consultório, na clínica, dirigindo seu carro. A aproximação para esse Natural Estado de Ser requer a presença do Autoconhecimento. Temos diversos vídeos aqui no canal falando sobre isso.

GC: Mestre, dentro desse assunto da Meditação, nós temos uma pergunta de um inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: “Mestre, a Meditação que você propõe me parece fantástica, mas, por mais que eu tente, minha mente não para. São muitos pensamentos. Eles não deveriam parar?”

MG: Você diz: “É algo que parece fantástico, essa Meditação que você propõe”. Repare aqui, Gilson, mais uma vez, quando você diz: “Como fazer parar isso? Parece que os pensamentos não param”. Sim, é verdade. O modelo do pensamento presente na mente que conhecemos, que é a mente condicionada, é a mente egoica, é a mente do “eu”.

Você vai viver até os 80 anos, 90 anos, e irá morrer assim, a não ser que isso seja rompido, quebrado, desfeito aqui, neste instante. Nós precisamos de uma mente livre de todo o peso de continuidade de pensamento e, portanto, livre do condicionamento, livre do passado. Nós precisamos ter um contato com o momento presente, sem o padrão de inquietude interna. É interessante quando você diz: “esses pensamentos, eles não deveriam parar?” Não, necessariamente, não.

Na verdade, o movimento do pensamento é algo comum, continuado, repetitivo, mecânico. O pensamento está em um movimento de continuidade, de repetição. Apenas quando tomamos ciência do próprio movimento do pensamento, trazendo ciência para este instante, só então, sim, neste momento, temos a liberdade de uma mente livre, de todo esse movimento de inquietude, de tagarelice, de repetição de pensamentos. Então, o pensamento, necessariamente, não precisa parar.

Olhe para as pessoas: passam uma vida inteira nesta tagarelice. Aqui, a ciência de uma mente livre do “eu”, do ego, que é esse movimento de inquietude, de pensamentos, é o que eu tenho chamado de “luxo”. Você pode ter uma vida inteira envolvida no “eu”, no ego, nesta tagarelice. Ou você pode romper com isso aqui e agora, tomando ciência de suas reações, indo além delas, indo além desses sentimentos, emoções, sensações, e, naturalmente, também, indo além desses pensamentos, porque eles são mecânicos, inconscientes; eles se repetem, e eles se movem assim dentro de você, porque você não observa, não fica ciente, cônscio deles.

E esse é o nosso convite aqui: tome ciência de suas reações. Fique cônscio dos seus sentimentos, pensamentos, sensações, gestos. Traga para este momento a percepção sem alguém. A compreensão sem o “eu”. Traga para esse instante o perceber sem o percebedor, o olhar sem o observador. Isso é auto-observação. Isso é se aproximar de si mesmo para compreender a resposta para a pergunta: quem sou eu? Você não está formulando a pergunta. Você está investigando a natureza da resposta. Sim, a natureza da resposta.

A Ciência da Verdade é a Realidade deste Ser. É a Realidade de Deus. Aquilo que é Real Consciência não carrega esse movimento inquieto de pensamentos. Me refiro a esta Real Consciência Presente aqui e agora, quando você assume a realidade de uma mente livre, livre do pensador, do experimentador, do observador.

Agora, temos que deixar claro aqui uma coisa. É fundamental um trabalho nesta direção. Isso requer a presença de um Poder Divino, que é o Poder da Graça. Então, nos situamos fora do conhecido, fora do tempo. Quando a realidade presente em você é a Realidade deste Ser, desta Real Consciência, deste Poder Divino, desta Graça, é a presença do Autoconhecimento, a base para a Meditação, para esta qualidade de vida livre do sofrimento, da confusão e dos problemas.

É por isso que colocamos aqui para você que é um luxo uma vida em Amor, uma vida em Sanidade, uma vida em Felicidade. É uma Vida Divina. Curiosamente, esta Vida Divina é a Única Vida Real. Tudo mais que o ser humano está vivendo dentro desse velho modelo do ego, desta inquietude, não é real. Ele está em um sonho, em seu estado confuso, desorientado, perturbado de ser. Um sonho que, em alguns momentos, parece que está tudo bem, mas logo, no momento seguinte, tudo muda. Então, deixa de ser um sonho para ser um pesadelo. Esta é a vida do “eu”. Esta é a vida do ego.

GC: Mestre, dentro desse assunto, nós temos outra pergunta de um outro inscrito no canal, que fez o seguinte comentário: “Mestre, como silenciar a mente barulhenta?”

MG: Gilson, aqui a outra pergunta é: como silenciar essa mente barulhenta? O silêncio, a serenidade, a quietude, a ausência de movimento, de pensamentos e, portanto, de alguém envolvido com a ideia de passado, presente, futuro. Isso é possível? Essa é a pergunta. Será possível o que acabamos de colocar? A resposta para isso é encontrada dentro de você, quando você se envolve diretamente com um trabalho direto, específico, claro e objetivo nesta direção.

Um trabalho direto nesta direção lhe traz a clareza de uma visão da Verdade sobre você, e lhe mostra você em seu Natural Estado de Ser. Aqui não há o modelo da inquietude, da tagarelice, de todo este barulho do pensamento. Isso é algo presente nesse padrão de mente egoica: a mente que nós recebemos da cultura, a mente que nós recebemos como herança, de um modelo de mundo, de existência, onde esta existência é o existir pessoal, é o existir de alguém que se vê presente.

Descobrir a Verdade sobre si mesmo é descartar a verdade desse “mim”. Então, a mente silencia, o cérebro se aquieta. Não é você silenciando a mente, aquietando o cérebro. Não é uma quietude que você realiza, que você adquire, que você conquista. É uma Quietude, é um Silêncio que surge naturalmente, quando colocamos atenção sobre as nossas reações, quando aprendemos a aprender sobre nós mesmos.

Quando nos colocamos nesta direção, neste trabalho, a vida é Real quando você, como pessoa, como egoidentidade, não está mais presente. Então, esta mente silencia, esse Espaço Novo se abre, e essa Liberdade floresce. Então, aquilo que é a Realidade Divina está presente, aquilo que se mostra como a Verdade de Deus.

O ser humano passa uma vida inteira envolvido em seu sonho, em seu “sonho-pesadelo” de ser alguém. Florescer desse Natural Estado é algo possível para cada um de nós. No entanto, é uma descoberta, é uma constatação, é uma percepção. É o que estamos aqui trabalhando com você, lhe falando desta possibilidade, desta Liberdade, lhe falando deste Amor.

A Ciência de Deus é a Felicidade Suprema, é a Paz Suprema. A Realidade Indescritível da Vida, livre do sonho, deste “sonho-pesadelo” de ser alguém, é Bem-aventurança, é Felicidade. É Indescritível você em seu Natural Estado de Ser. No entanto, é possível assumir isso nesta vida. Se você está aqui se aproximando desse assunto, é porque este é o seu momento. É o que estamos aqui – e também nos encontros on-line e presenciais – trabalhando com você.

GC: Gratidão, gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais esse videocast.

E para você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver essas verdades e descobrir o que é a Meditação, fica o convite para participar dos encontros que o Mestre Gualberto proporciona.

Esses encontros são muito mais profundos do que esses vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde diretamente às nossas perguntas. E segundo, e mais impactante, é que, pelo Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, Ele compartilha um campo de Presença à sua volta, um campo de Energia, de Poder e Graça.

Nesses encontros, a gente acaba pegando uma carona nesse campo de Presença do Mestre. E o poder desse campo de Presença nos coloca no estado meditativo, sem fazermos nenhuma prática, sem nenhum esforço. Quando nos percebemos, estamos em total Silêncio, nesse estado de Meditação.

Então, fica o convite!

No primeiro comentário fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o “like” no vídeo, se inscreve no canal… E, Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.

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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Joel Goldsmith | Vivendo a Vida Iluminada | O que é a vida espiritual? | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast, novamente o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado "Vivendo a Vida Iluminada". Em um trecho desse livro, Mestre, o Joel faz o seguinte comentário: "Na vida espiritual não há acaso, nem eventos acidentais de qualquer natureza." Neste trecho o Joel comenta sobre a vida espiritual. Dentro deste assunto, o Mestre pode compartilhar a Sua visão sobre o que é a vida espiritual?

MG: Gilson, a vida é uma única vida. O pensamento, em nós, é o elemento que separa, que divide e subdivide. Nós falamos de vida material, falamos de vida emocional, falamos de vida espiritual. Assim, para nós, existem diversas formas de vida e podemos continuar subdividindo isso. A Realidade da vida, é isso que nos interessa aqui, nestes encontros, ter uma direta visão. Há uma diferença entre indiretamente olhar para alguma coisa - é o que geralmente nós temos feito quando a nossa aproximação sobre aquilo é intelectual, é teórica, em palavras, é verbal. É a forma indireta de abordar certas questões.

Isso tem criado diversas dificuldades para a maioria de nós. Estamos apenas pisando no terreno das ideias, no campo dos conceitos, no ambiente teórico, no espaço da abstração, quando estamos lidando apenas com teorias, com palavras, com conceitos. E é isso que nós temos feito quando falamos sobre a vida: escrevemos poesias, poemas, canções. colocamos a expressão "vida" de uma forma romântica, emocional, sentimental, em letras de música, em poesias e poemas, e achamos muito interessante a força dessa expressão, mas nós ficamos apenas nessa qualidade de campo, que é o campo teórico.

Nós desconhecemos a Realidade da vida, e esse é o nosso empenho aqui, esse é o nosso interesse aqui: estamos investigando a Verdade sobre a vida. E a Verdade sobre a vida é que não há "alguém" para viver a vida, essa é mais uma ideia que temos. Nós falamos da vida como um elemento separado de nós, como se nós fôssemos o elemento presente, vivo, para viver. Nós nos confundimos com o corpo, nos confundimos com a mente, nos vemos como entidades separadas da vida e aí falamos sobre a possibilidade de uma vida espiritual, assim como acreditamos que já estamos tendo uma vida. Então, a ideia é sair da vida material que estamos vivendo, para uma vida espiritual.

O que estamos, de fato vivendo, ou acreditando viver, é a presença de um sonho que nós chamamos de "vida". Quando as pessoas morrem, nós acreditamos que elas saíram da vida, foram tiradas na vida. Na verdade, agora temos a ausência física ou da aparência de uma pessoa dentro de um sonho, porque a pura Realidade da vida, a real vida, é a Realidade Divina, a Realidade de Deus, e assumimos essa Realidade quando deixamos a ilusão do sonho, desta assim chamada "vida" que nós chamamos de "minha vida", a ideia dessa vida particular da pessoa. Então, "eu tenho a minha vida unida à sua vida", "Eu amo a minha vida", "Estou vivendo bem minha própria vida", são expressões que usamos, são expressões sem nenhum significado real, porque estamos apenas expressando pensamentos, ideias, conceitos e crenças - e como apreciamos isso!

E agora estamos falando de alcançar uma vida espiritual. Você pergunta: "O que é essa vida espiritual?" A meu ver, a ciência da vida é a real compreensão da vida, e ela só é possível quando a vida é real, e ela só é real quando não há mais ilusão. A presença do pensamento está sustentando, para cada um de nós, a continuidade de um sonho que nós chamamos de "vida material", e nesta assim chamada "vida material" estamos perseguindo a felicidade, perseguindo a paz, perseguindo a liberdade. Estamos em uma trajetória ou jornada de perseguição para encontrar, no pensamento em nós. a ideia é amanhã encontrar: amanhã encontrar o amor, amanhã encontrar a paz, amanhã encontrar Deus, amanhã encontrar a vida espiritual, deixando de ser materialista.

A realidade daquilo que nós chamamos de "vida" é a ausência da vida real - essa é a realidade dessa vida que nós conhecemos dentro do pensamento. Aqui, investigar a questão do pensamento é compreender a natureza desse que pensa, que é a pessoa; desse que sente, que é a pessoa; desse que acredita ser a pessoa. Esse é o sonho! É um sonho presente na mente, dentro de suas ilusões. Nós precisamos ter ciência de uma mente livre, clara, lúcida, real, onde não há mais essa contaminação de crenças, conceitos, ideias, imaginações, como nós estamos vivendo. É assim que nós estamos vivendo essa particular vida da pessoa: estamos dentro de um sonho.

Portanto, você pergunta o que é a vida espiritual. É a vida real, mas essa vida real não é a vida de "alguém", não é a vida para "alguém", é a vida de Ser. Sim, é a vida neste Ser. Ser é a essencial natureza de cada um de nós, é a Verdade sobre Deus a natureza do seu Ser. Aqui está a vida, uma vida que, por mais estranho que isso nos pareça, está além do nascer e morrer. É fundamental a compreensão disso, que é a única e real vida. Não é a vida para você, é a vida que é você! Nós estamos dividindo, não só em palavras, mas sobretudo de uma forma imaginária, estamos estabelecendo no viver a ilusão desta separação. Portanto, aquilo que desaparece aqui é esta ilusão.

A vida não é algo que está ausente; no entanto, aquilo que se mostra presente falseia a Realidade desta vida que está aqui e agora, e o que está presente é a ilusão de uma identidade, é a ilusão de "alguém", de "alguém" que sente estar vivo e que pode morrer. Todo o nosso susto, medo, todo o nosso temor consiste no desaparecimento dessa história, de toda esta memória, daquilo que o pensamento acredita ter, possuir, para este "mim", para este "eu". Por isso, falamos do medo da morte. Alguns se envolvem nessa busca assim chamada "espiritual" na ideia, na ilusão do que eles também chamam de "espiritualidade": um caminho, uma forma, uma maneira de escapar do sofrimento.

A Realidade da vida é o fim do sofrimento. Sim, é o fim da ideia de alguém para morrer, mas isso é a Realização da Verdade d'Aquilo que aqui está presente, não é algo para o futuro nesta imaginária espiritualidade. Portanto, a vida espiritual consiste na ciência da Realidade deste Ser, na ciência da Realidade de Deus, aqui e agora. Você nasceu para assumir a Verdade de que não há alguém presente. Temos, aqui na vida, a Realidade de Deus e essa é a verdadeira vida espiritual. A real vida Divina é a vida deste Ser. Portanto, Amor, Felicidade, Paz, Liberdade, é a presença desta vida, desta ciência de Deus, desta vida real, desta vida Divina, desta real vida espiritual.

GC: Mestre, nós temos uma pergunta de um inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, posso encontrar Deus, mesmo com tantos pensamentos?"

MG: Gilson, a ideia de encontrar Deus ainda é um pensamento. Nós precisamos descobrir a Realidade presente, sim, fora do pensamento. Mas investigar a natureza, a estrutura do pensamento é se encontrar na possibilidade, de fato, de ir além deles. E quando estamos além dos pensamentos descobrimos esta Realidade presente; esta Realidade presente além do pensamentos é o seu natural Estado de Ser. Aqui a presença de Ser é a ausência da mente como nós conhecemos, e portanto é a ausência desse modelo de pensamentos. A sua preocupação está em ter um encontro com Deus. Aqui a recomendação é: investigue a natureza do "eu", investigue a natureza desse pensador. Uma vez esclarecido que o pensamento é o próprio pensador e esse pensador é o "eu", e este "eu" como pessoa é uma ilusão, uma vez esclarecido isso, a Realidade de Deus, que não está ausente, se mostra.

Não podemos, de fato, ter um encontro com Deus, porque a ideia de alguém tendo esse encontro é uma ilusão. É o próprio pensamento a partir da ideia desse pensador, criando essa sugestão. O real caminho direto para Deus é tomar ciência da ilusão do "eu", da ilusão desta pessoa, e isso requer a presença do Autoconhecimento, isso requer a presença de um olhar para a vida sem o modelo do passado. O modelo do passado é o modelo construído, desenhado por essa estrutura de ideias, de crenças, de palavras, que são os pensamentos. Se faz necessário e isso é fundamental, a mente livre do passado, a mente livre de todo este conteúdo de história - a história deste personagem, que é a história desta egoidentidade. Esse esvaziamento completo de todo este conteúdo nasce naturalmente quando a mente se vê livre de toda esta ocupação psicológica.

Aqui é a presença da Meditação, a real aproximação da Verdade desta revelação, desta ciência de Deus. Deus é a única Realidade presente, mas toda e qualquer ideia sobre isso é só uma crença. Nós nos vemos como pessoas, separadas da vida, separadas de Deus. A Realidade da vida é a Realidade de Deus, e essa é a Verdade deste Ser: não há pessoas! É o que nós precisamos compreender, e essa compreensão nasce, floresce, desperta naturalmente, quando descobrimos o que é aprender sobre nós mesmos, o que é aprender como a mente funciona. E isso elimina essa qualidade de vida particular neste sonho, que é o sonho de alguém presente. Isso elimina esta particular vida deste centro, deste "eu". Então, Deus se revela como a única Realidade presente quando a Verdade da Meditação está aqui. Portanto, nós precisamos aprender a ciência de Ser, precisamos aprender sobre a Meditação, a Realidade, o que é real Meditação. Nós temos uma playlist aqui no canal, trabalhando com você essa questão do Autoconhecimento e da real Meditação de uma forma prática, vivencial.

GC: Mestre, dentro desse assunto do pensamento, nós temos uma outra pergunta de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Como observar os pensamentos sem me perder neles?"

MG: Gilson, a sua pergunta é: "Como não se perder nos pensamentos?". Observe que a ideia central, a ideia básica em todos nós é de alguém presente fazendo alguma coisa, realizando alguma coisa, tendo um propósito e trabalhando por ele. Aqui sim, um trabalho se faz necessário, um propósito está presente; no entanto, não existe alguém para realizar este trabalho, nem atingir este alvo ou este propósito. Então, aqui, como resposta para a sua pergunta, que é "Como observar os pensamentos?", nós estamos diante de algo de uma simplicidade, mas ao mesmo tempo de uma complexidade incrível! Nós estamos criando essa dificuldade incrível para algo tão básico e simples, que é olhar os pensamentos.

Por força do hábito, por mania, por prática ou vício, nós estamos constantemente interferindo no momento presente, interferindo com aquilo que acontece aqui. Nós nos vemos como entidade presente neste instante para interferir. Então, estamos nos vendo como alguém capaz de intervir, de moldar e interferir no momento. Eu me refiro a interferir com a experiência deste instante, por exemplo: um pensamento está presente. Quando ele surge, de imediato, por força do hábito - é assim que nós estamos funcionando há milênios - surge o pensador. Quando um pensamento surge, de imediato surge o pensador. Esse pensador é a pessoa, que gosta do pensamento ou não gosta do pensamento.

Então, não sabemos olhar para o pensamento, porque o nosso olhar é um olhar contaminado por um observador, por um pensador, por um experimentador que quer interferir. No entanto, nós precisamos descobrir, aqui e agora, o que é olhar - apenas olhar, simplesmente olhar - nesta atenção, olhar. Olha não é interferir, olhar não é gostar ou não gostar, não é tentar fazer algo com aquilo que você observa, é apenas olhar! É como se eu lhe apresentasse, aqui, uma flor: você pode olhar para a flor ou pode criar ideias sobre ela. Eu lhe apresento a flor e você imagina essa flor em um jarro dentro da sua casa, em cima de algum móvel. Eu lhe apresento a flor e você se imagina estendendo as suas mãos, pegando essa flor e dando para alguém. Você pode ter muitas imagens sobre esta flor que eu lhe mostro. Qualquer uma dessas imagens são imaginações dentro de você, sobre esta flor.

Quando você faz isso, você perde o "olhar" - não há mais o olhar para esta flor, o que temos presente é alguém olhando para esta flor. Nós estamos constantemente colocando a intenção, a motivação, a ideia do que fazer; nós estamos fazendo isso o tempo todo com as experiências. Assim, é muito comum, diante de algo que estamos vendo, colocarmos a ideia de alguém presente. A presença desse alguém é esse que observa a partir de um ideal, de um propósito, de uma intenção.

Aqui, a Verdade desse olhar fundamental é esse olhar sem o observador, esse é o fundamental olhar sem interferir. Então, há uma observação direta, portanto, observar é apenas olhar, se dar conta, tomar ciência. não é interferir, não é fazer algo com aquilo que você está vendo. A ideia, a intenção, a motivação de fazer algo é a presença de uma separação entre aquilo que está sendo observado e alguém nesta observação. Você pergunta: "Como observar os pensamentos?". É da mesma forma que você olha para alguma coisa: você apenas olha!

Tome ciência dos pensamentos, quando um sentimento surge, tome ciência do sentimento ou da emoção, ou da sensação. Se um pensamento surge dentro você, você apenas olha. Se uma sensação aparece com esse sentimento, você apenas olha. O ponto é que estamos constantemente nos envolvendo com o pensamento ou com a sensação, ou com isso que se mostra, com isso que se apresenta. Assim, nós estamos colocando um experimentador, um observador. Não há uma real observação quando o observador está presente porque, ao olhar, esse olhar é para interferir.

Será possível apenas olhar o pensamento quando surge, o sentimento quando aparece, uma sensação?. Esse sentimento, essa sensação, esse pensamento é algo que está surgindo em razão de um estímulo - esse estímulo é o que está apresentando essa experiência. Quando há só o olhar sem interferir, nós temos o fim para a ideia de alguém presente sendo o experimentador, sendo o observador. A verdadeira observação é a observação sem o "eu", que é o observador! Essa é a real forma da aproximação da Meditação, é o olhar para este instante sem o passado, ou seja, sem a interferência do "eu", sem a interferência desse experimentador, sem a interferência desse observador.

Se aproximar deste instante requer um olhar para este momento. O verdadeiro olhar para este momento é de percepção - nesta percepção não há alguém para perceber; é de escuta para aquilo que este momento representa - nesta escuta não há alguém nesta escuta, não há alguém para interferir. Então, se revela algo além daquilo que está se mostrando aqui. Assim, estamos diante do fim da dualidade, do fim da separação. Não existe esse observador observando alguma coisa, não existe esse experimentador experimentando algo, não existe alguém ouvindo isso ou aquilo - é só o escutar, é só o observar, é só o perceber.

Esta é a real aproximação para este momento, quando o sentido de separação não está. É que, por muito tempo, tudo que temos feito estamos fazendo a partir do "eu", a partir de "alguém". Olhamos a partir da ideia, do conceito, da crença, da vontade, do desejo, do impulso para fazer algo, para alterar, para modificar. e assim colocamos sempre a presença de uma identidade aqui, que se separa deste instante, que se separa deste momento. Então, há uma qualidade de aproximação para este momento, do ponto de vista externo e também interno, sem a presença desta dualidade, sem a presença deste "eu" e o "não eu". Isso requer esta atenção.

Apenas olhar, apenas perceber, então algo novo surge. Esse algo é a ciência da não dualidade; então se revela aquilo que aqui está presente além deste "eu" e o "não eu". Essa é a real forma da aproximação com o momento presente, com este instante, com aquilo que acontece externamente ou internamente. Então, esse sentido do "eu" não se mostra, não se apresenta. Então, não existe alguém para se perder quando há só o olhar, o perceber, o constatar. Não existe alguém se perdendo nos pensamentos, o que temos presente é a presença do pensamento. Esse sentido de alguém não é real, e o que revela isso é essa qualidade de aproximação deste momento nesta atenção. Assim, o contato com este instante é a visão do momento, a simples e direta visão daquilo que aqui está presente, surgindo neste instante, internamente ou externamente.

GC: Gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais este videocast. E, para você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver essas Verdades, fica o convite para participar dos encontros intensivos de final de semana que o Mestre Gualberto proporciona. Esses encontros são muito mais profundos do que estes vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo às nossas perguntas, e segundo e muito mais impactante, é que, pelo Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, Ele compartilha um campo de presença à Sua volta, um campo de Energia de Poder e Graça. E, nesses encontros, a gente acaba entrando de carona nesse campo de Presença do Mestre. E, pegando essa carona com o Mestre, de maneira espontânea, sem nenhuma prática, sem nenhuma técnica, sem nenhum esforço, entramos no Estado Meditativo, silenciamos nossas mentes e podemos ter uma visão e uma compreensão real dos assuntos que são tratados aqui no canal.

Então, fica o convite: no primeiro comentário, fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o like no vídeo, se inscreve no canal. e, Mestre, mais uma vez gratidão pelo videocast.

Outubro de 2025
Gravatá-PE
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