quinta-feira, 30 de abril de 2026

Joel Goldsmith | A Transformação da Consciência | Espiritualidade | Vida Egoica | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast. Novamente, o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença.

Hoje, eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith, chamado "A Transformação da Consciência". Em um trecho desse livro, o Joel faz o seguinte comentário: "Dez homens justos podem salvar uma cidade. Quem são os justos? Aqueles que se entregam à oração correta. E o que é a oração justa? Aquela que não procura nada para si mesmo, mas busca apenas a Presença de Deus".

Mestre, nesse trecho, o Joel comenta sobre essa oração justa que não busca nada para si. Dentro desse assunto, o Senhor pode compartilhar a sua visão de como o ego se esconde dentro da espiritualidade?

MG: Olha, Gilson, é algo muito comum isso em todos nós. A vida em ideias, em conceitos, em crenças, o nosso grande apego às expressões, às palavras. Portanto, nós estamos vivendo dentro de uma abstração quando falamos desta vida da espiritualidade. Então, é muito comum esse disfarce para "eu", para o ego, o disfarce de uma vida espiritual.

Em geral, nós nos contentamos com crenças, com ideias. Nós nos contentamos, observe isso, em nosso descontentamento, nós nos contentamos em seguir doutrinas, práticas místicas, crenças espirituais, e acreditamos que estamos vivendo a real espiritualidade, a real vida espiritual. Até nos orgulhamos disso. Então, de fato, o ego se oculta, se esconde, ele se disfarça nesse modelo de espiritualidade.

Nós não temos olhos para ver, nem ouvidos para ouvir aquilo que está aqui, dentro de nós. Conhecer a nossa própria mente, tomar ciência de como ela trabalha, de como ela funciona. É isso que nós precisamos fazer para um contato Real com a Vida Divina, com a Vida espiritual. E isso é algo que envolve a questão do escutar.

Nós não sabemos como funcionamos. A partir de onde nos encontramos - dentro da visão particular que trazemos sobre quem somos -, nós projetamos o que desejamos ser, a partir de critérios que nós recebemos de ensinamentos, de mandamentos de doutrinas, assim chamadas espirituais. Isso não é a Real Verdade sobre nós; é o movimento, na realidade, de hipocrisia, e nós não temos ciência disso. Aliás, na mente, a partir dessa cortina de crenças, de imagens, ideias que o pensamento estabeleceu em nós, tudo que vemos a partir desse lugar, dessa cortina, é dentro dessa inconsciência. É dentro desse padrão de inconsciência da mente.

Essa inconsciência mental, que tem moldado nossas vidas, é a mente presa a padrões de comportamento - são os nossos condicionamentos. Todo esse resultado de conhecimento adquirido, de tradição que recebemos dentro da cultura, dentro desse movimento de história humana, nós estamos vivendo ainda dentro de padrões de mundanidade, ligados aos valores dos sentidos, aos valores da mente. Valores esses que nós recebemos do contexto cultural, do contexto social. Então, de fato, a nossa vida como pessoas, na espiritualidade que nós conhecemos, é uma vida no ego, é uma vida nesse "eu".

A presença desse "eu" é o elemento de separação entre você e a Realidade Divina. É a Realidade Divina, a Real Espiritualidade. Mas a Real Espiritualidade, que é essa Realidade Divina, é inalcançável pela mente, inconcebível pelo pensamento. Tudo o que nós temos feito é imaginar, é criar uma espiritualidade dentro da imaginação, do pensamento. E o pensamento em nós, é um elemento de condicionamento psicológico, de estrutura de memória, de continuidade do passado. Assim é essa nossa espiritualidade.

Não há verdade nessa espiritualidade. O que temos presente é o modelo do "eu", é o modelo do pensamento, nesse desejo de alcançar Deus, de encontrar Deus, de viver com Deus. Para a mente presente em nós, a ideia de alguém - da pessoa - é a ideia de encontrar, é a ideia de se espiritualizar. Quando aprendemos a observar a mente, isso requer que não olhemos a partir da cortina - da cortina de avaliações, de crenças, de conceitos, de ensinamentos e doutrinas. Começamos a nos tornar cientes de como a mente funciona, de como esse sentido da pessoa, que é o "eu" presente, o ego, atua. E assim, sim, de verdade, podemos nos desvencilhar desse sentido egoico, desse sentido do "eu". Só assim podemos tomar a real ciência da Verdade sobre a Vida.

Quando nos despimos do "eu" ao nos despirmos do ego, esse sentido Real de Vida se mostra. Neste sentido de Vida, não há uma entidade separada da Vida. É esse sentido de Ser, é esse Mistério se revelando. Isso é a Real Espiritualidade. De outra forma, continuaremos vivendo dentro de um padrão de hipocrisia - nessa assim chamada espiritualidade - de práticas espirituais, de seguir doutrinas e ensinamentos. Essa descoberta, essa revelação, é aquilo que aqui se revela quando temos olhos para ver e ouvidos para ouvir aquilo que está presente, neste instante, dentro de nós mesmos.

A base sempre é esse olhar: um olhar sem o passado, um olhar sem escolhas, sem conclusões, sem crenças. Quando nos tornamos cientes da inveja, do medo, da raiva, do ciúme, das posses, da ideia de possuir coisas, da ideia de alguém presente tendo essas coisas, da ideia de alguém presente não só com o que adquiriu externamente, mas com tudo o que vem adquirindo internamente, psicologicamente. A verdade sobre esse "eu" é a compreensão dessa ideia, dessa imagem que o pensamento construiu.

O trabalho todo consiste em tomar ciência, em olhar, em perceber, portanto, essa base é a base para um trabalho. É a presença desse poder Divino, dessa própria Graça Divina, que torna possível esse trabalho. Então, de verdade, esse contato com a espiritualidade não é o contato para o "eu", para o ego. É o contato se revelando quando o "eu" não está, quando o ego não está.

A vida é para ser compreendida, realizada, constatada nesse observar, nessa ciência de ser. Expressões como "autoconhecimento", o "despertar da consciência" ou a "percepção da realidade divina" são expressões que nós podemos usar dentro de teorias, dentro de conceitos, ou podemos assumir isso de uma forma real, vivencial, para uma direta compreensão.

Nessa compreensão não há hipocrisia, não há ilusão, então, não existe mais esse "eu" se ocultando, se escondendo por trás de expressões - expressões como "iluminação espiritual" ou "espiritualidade". É nisso que estamos aqui investindo o nosso tempo, a nossa mente e o nosso coração. Aqui, eu me refiro a esse investimento de momentos juntos, como este que nós temos aqui, para olhar para isso.

Momentos como os que nós temos em encontros on-line e presenciais para investigar a verdade sobre o "eu". Então, podemos ter a ciência desta Revelação, e, se Ela está presente, a ilusão termina, a ignorância se desfaz. Esta é a Verdade da Espiritualidade: não é alguém se tornando espiritual, alcançando a espiritualidade ou realizando a espiritualidade. É esta Espiritualidade assumindo este espaço, assumindo esta Realização para este corpo e para esta mente.

GC: Mestre, nós temos uma pergunta de um inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, como lidar com o ego ferido?"

MG: Gilson, a ideia de um ego ferido, para a maioria de nós, é, de fato, apenas uma ideia. Nós não temos ciência do que é esse "eu", do que é essa pessoa, a pessoa que nós somos. Tanto é assim que, quando usamos a expressão "ego", já nos separamos. Porque as pessoas, em geral, dizem: "o meu ego". Não existe tal coisa como esse "meu ego". Essa é uma ideia - a ideia de alguém que tem um ego.

Há uma Realidade aqui presente. Essa Realidade não é o "eu", não é o ego. No entanto, quando o pensamento assume, quando ele está presente, ele se separa como sendo o pensador, como sendo alguém - alguém que está tendo esse pensamento. E, de imediato, ele usa o pronome, o pronome "eu" ou o pronome "meu". Então, nós usamos expressões como "eu", "eu mesmo", ou "minha casa", "minha família", "o meu nome", "o meu ego". E, agora, usamos expressões como "o ego ferido". Mas qual é a verdade sobre o ego? Qual é a verdade sobre o "eu"? Nós jamais teremos ciência do que é esse "eu", do que é esse ego, sem uma investigação do próprio movimento do pensamento.

O elemento básico que sustenta a continuidade desse sentido de separação - que é o ego, que é essa pessoa, que é o "eu" - o elemento básico é a presença do pensamento. E nós não sabemos escutar o pensamento. Não sabemos observar o pensamento, ficar cientes do pensamento. Porque, quando o pensamento surge, de imediato ele já se separa. Ele se separa nesse gostar ou não gostar. Ele se separa nesse avaliar, julgar ou comparar. Esse é o movimento interno dentro de cada um de nós, nesta mente, nesta consciência, neste "eu".

Portanto, aprender a escutar, a observar o movimento do pensamento, requer esse olhar, requer esta qualidade de aproximação para escutar aquilo que se passa conosco, sem interferir, sem se envolver. Essa é a forma real da aproximação, da compreensão desse ego. E, quando temos esta compreensão, fica claro que todo o movimento do "eu", do ego, é um movimento de separação - para ficar magoado, para ficar ofendido, para ficar ferido.

Nós carregamos em nós, nesse sentido egoico, e isso de uma forma inteiramente inconsciente, a busca do prazer e a fuga da dor. É a busca da continuidade de uma identidade que precisa continuar: continuar no controle e, portanto, na insegurança e no medo. Onde há controle, há medo, há insegurança. E, no entanto, esse controle é uma projeção que o pensamento construiu para este "eu". Porque, de fato, não há controle. É a ideia de alguém que possui coisas que nos dá a ilusão da pessoa que controla essas coisas.

Assim, nós vivemos constantemente nesse centro ilusório que é o ego, sendo magoados, nesse sentimento de medo, de insegurança, como criaturas agressivas, possessivas, carregadas de ansiedade, de toda forma de desespero. Será possível rompermos com isso, para uma Vida Real livre deste "eu"? Então, não haverá mais ego ferido. Não haverá mais alguém tendo o controle ou acreditando ter o controle das coisas.

O ponto é que você nasceu para a Liberdade, mas a liberdade para você, não é a presença de alguém livre; é a Realidade deste Ser, que é Você, que não conhece prisões. Exatamente as prisões criadas pelo pensamento, construídas por essa estrutura de condicionamento psicológico, que nós recebemos do mundo e estabelecemos em nós como sendo nossa real vida. Estabelecemos em nós como sendo a vida deste mim.

Portanto, esse você que você conhece é uma ilusão. Estamos falando desta Liberdade de Ser. Isso é Você em sua Real Natureza. Esta é a Ciência de Deus. Esta é a Ciência da Vida. Não há qualquer ego ferido. É a presença do Amor, a presença da Felicidade, quando a ilusão termina, quando essa ideia de alguém não está mais.

GC: Mestre, temos outra pergunta de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Como saber se estou agindo no ego ou estou agindo livremente?".

MG: A sua pergunta é: como saber se estou agindo no ego ou não? Quem é o elemento presente nisso? Observe sua pergunta. O que é que nós sabemos? Tudo o que sabemos é algo que trazemos de um reconhecimento do passado. Todo conhecimento que você tem - a referência é a experiência que você viveu -, portanto, é algo que vem do passado.

O elemento que reconhece o passado é a presença do pensamento. É a presença do pensamento que cria essa orientação do conhecer, do saber, do entender. Quando isso está presente, o que está presente é a pessoa. É este mim, este "eu".

Portanto, quando você pergunta "Como posso saber?", quem é esse que vai saber? Não é ele parte do pensamento, da experiência, da memória e, portanto, do passado? Não é ele a conclusão da crença? Portanto, essa ideia de alguém para saber é algo presente no próprio "eu", no próprio ego. Então, precisa ficar claro isso.

A ciência da Verdade se revela em uma qualidade de ação, de sentir, de pensar, de atuar na vida. No entanto, não existe alguém presente para compreender.

A presença da compreensão é o real discernimento de uma qualidade de ação livre do "eu", livre do ego. No entanto, não há alguém como um sensor, como um experimentador, como alguém para esse discernimento.

Assim, aqui nos deparamos com algo fora do "eu", fora da mente. Portanto, jamais se preocupe com a ideia de alguém para saber. O seu trabalho é tomar ciência deste alguém. Apenas fique cônscio desse movimento do "eu". Apenas tome ciência dele. Tome ciência dos movimentos do pensamento, dos sentimentos, das sensações e também das ações.

Quando você traz consciência para este instante, atenção para este momento, há uma qualidade de escutar, de perceber, de sentir a Vida acontecendo, que está além da pessoa, além do ego, além do experimentador, além do passado.

Quando a Realidade se revela, não fica alguém para saber alguma coisa. Essa própria Realidade está em expressão, e essa expressão está em linha com a Vida, em linha com o Estado Interno de Amor, de Beleza, de Inteligência, de Presença, de Compreensão.

Portanto, não necessitamos da ideia de alguém para saber, para controlar, para entender se o que está fazendo está fazendo no "eu" ou no ego. Isso é ainda parte da ilusão. Isso é ainda parte do passado. Esse seu contato com a vida não é o contato com alguém, para saber, para controlar, para conhecer. Esse seu contato com a vida é a Vida, nesse instante se revelando. Ela sendo a única Verdade presente deste momento. Então, essa qualidade de ação não é a ação da intenção, do motivo, da razão egocêntrica. É a qualidade da ação que está livre do pensamento, livre do passado. É algo natural.

Quando a Realidade Divina está presente, essa Verdade está em expressão. Essa Verdade é a natureza de Deus. É a natureza desse Ser. É Você, sem a ideia de alguém presente, desse Você presente. Então, é natural! Toda a ação que nasce desse natural Estado de Ser tem como base a Liberdade do Amor, a Felicidade da Graça, a Liberdade desta Real Consciência, que é pura Inteligência. Não fica alguém para saber. Não fica alguém para tentar acertar.

Não existe, nesta natureza da Verdade, que é a Realidade do Amor, o equívoco, o engano, a ilusão, a ideia de alguém que se separa para sentir, para falar, para agir, para pensar. Assim, neste fazer, nesse atuar, não há mais o "eu", não há mais a ideia de alguém que se separa e, a partir do impulso do passado, do impulso da memória, procura se ajustar às suas crenças para não errar. Tudo isso se dissolve quando a Compreensão Natural de Ser floresce aqui e agora. Ok?

GC: Gratidão, gratidão, Mestre. Já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais este videocast.

E para você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver essas verdades, fica o convite para participar dos encontros que o Mestre Gualberto proporciona.

Esses encontros são muito mais profundos do que esses vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo as nossas dúvidas. E segundo, e mais impactante, é que, pelo Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, Ele compartilha um campo de Energia à sua volta, um campo de Presença, de Poder e Graça.

Nesses encontros, a gente acaba pegando entrando de carona nesse campo de Presença do Mestre. E pegando essa carona com o Mestre, de maneira espontânea, sem nenhum esforço, entramos no estado meditativo, silenciamos nossas mentes e podemos ter uma visão, uma compreensão real destes assuntos.

Então, fica o convite! No primeiro comentário fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o like no vídeo, se inscreve no canal, e Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.

Outubro de 2025
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terça-feira, 28 de abril de 2026

Como encontrar Deus? | Meditação: o que é? | Aprender sobre Autoconhecimento | Sabedoria e revelação

A Liberdade consiste em uma visão livre. Não se trata de alcançar essa Liberdade, mas em olhar a partir dela. Geralmente, nós pensamos na liberdade como um objetivo para ser alcançado, algo que está no futuro. Tomar ciência das nossas reações aqui, neste momento, a própria ciência destas reações é a presença da Liberdade.

Uma Vida em Sabedoria é a presença da Revelação daquilo que aqui está presente. Então, vamos tocar nesse assunto com você agora, aqui. O que é esta Liberdade? O que, de fato, nós precisamos para uma vida feliz, em Amor e Paz? É a presença da Sabedoria. A Sabedoria está presente quando temos a Revelação da Vida.

Como podemos nos aproximar dessa Revelação? Olhar para esse instante, para este momento, aprendendo olhar para isso que aqui está. O que de fato nós precisamos na vida quando tocamos nesta questão da necessidade da Liberdade, não é de algo para ser alcançado, nós precisamos é da aproximação, neste momento, daquilo que se passa conosco aqui, neste instante, neste momento.

É por isso que temos enfatizado com você a beleza do Autoconhecimento, a importância disso. Aprender sobre o Autoconhecimento é descobrir a Verdade sobre aquele que está envolvido no pensamento, com o pensamento, sendo o pensador, a presença do "eu". Aprender sobre o Autoconhecimento é descobrir algo além do "eu", além da "pessoa".

É o que estamos, com você, aqui investigando. É isso que nos liberta da ilusão de alguém - de alguém que tem que encontrar Deus, na pergunta "como encontrar Deus". O pensamento, a ideia é de alguém para ter um encontro com Deus. Precisamos nos livrar dessa ilusão de alguém para um encontro. Sim, a Realidade de Deus se mostra presente aqui e agora em um profundo e real encontro, mas não é um encontro de alguém tendo um encontro com Deus, é um encontro com a Vida, da própria Vida.

Nós precisamos investigar essa questão do tempo, da ideia de um pensador, dessa questão do pensamento, da imagem que o pensamento construiu sobre Deus, da ideia que o pensamento construiu sobre o "eu". Então, "eu preciso encontrar Deus", mas qual é a verdade desse "eu"? Este "eu" é a presença do próprio pensamento. É o pensamento que criou uma imagem dele próprio. Assim, ele construiu, estabeleceu a ideia do "eu" e construiu uma imagem de Deus, e colocou Deus longe, distante, para ser encontrado.

Por isso nós usamos a expressão "encontro com Deus", como se de fato fosse um encontro entre dois, enquanto que a Realidade presente, enquanto que a Verdade de Deus é a única Realidade da Vida. Não existe esse elemento que se separa, essa é a ilusão estabelecida pelo pensamento dentro de cada um de nós, construindo essa ideia, estabelecendo essa ideia.

Uma vida neste sentido de separação da própria Vida, do próprio Deus, é uma imagem que o pensamento estabeleceu dentro de você como sendo você. Quando nos aproximamos para olhar, para observar, sem se confundir com isso, o que significa olhar sem o observador, o que significa olhar sem alguém para olhar - um pensamento surge, um sentimento surge, uma emoção surge -, apenas olhar, tomar ciência, é estar diante do aprender sobre nós mesmos.

Assim, a Liberdade já está aqui, é a Liberdade de não se confundir com o pensamento colocando o pensador neste pensamento, de não se confundir com esse "eu" nesse sentimento ou emoção. É quando, desta forma, nos aproximamos da Meditação. As pessoas têm muitas dúvidas a respeito da Meditação, porque elas colocam a meditação como a técnica para ser executada, como a prática para alguém fazer. Assim, elas procuram um caminho. Afinal, qual é a técnica certa? Qual é a prática que se deve fazer? O que se deve praticar? Enquanto que a Verdade sobre a Meditação é a investigação da natureza do "eu", que é o meditador.

Ao observar nossas reações, esse pensamento que surge, esse sentimento que aparece, nos colocamos neste aprender sobre nós mesmos, neste aprender sobre o Autoconhecimento. Neste aprender se revela a ilusão do "eu", desse elemento que se separa, que se vê como alguém quando um sentimento está, quando um pensamento surge, quando uma emoção acontece. Portanto, a presença da Meditação, o que é a Meditação? É a ciência de que não existe o meditador, não existe o "eu".

Assim, nos aproximamos do momento presente para uma profunda Revelação da Vida, que é a Revelação da Sabedoria, que é a Revelação de Deus. Portanto, a Sabedoria se revelando é a Verdade se mostrando, é a Realidade de Deus presente quando o "eu" não está, quando a ilusão de uma pessoa não está mais. Portanto, esse é o verdadeiro encontro com Deus, essa é a verdadeira Revelação da Verdade, que é a Sabedoria.

A Vida Real é a Vida livre do "eu". A Vida Real é a Vida Divina, Você em seu Ser, livre de toda a forma de complicações, desordem, confusão e sofrimento. As ações acontecem, mas não há alguém nesse fazer. O pensamento surge, mas não há alguém nesse pensar. Um sentimento está presente, mas não existe alguém que se vê neste sentir e se confunde com isso. Assim, fica eliminado a ilusão da dualidade.

Nós fomos educados para a crença, para a confiança, para o pensamento comum de dualidade: "eu e o não eu", "eu e o outro", "eu e Deus". Se um pensamento está presente, a ilusão é alguém pensando; se um sentimento está aqui, é alguém sentindo; se uma emoção está presente, é alguém emocionado: nos deparamos aqui com um quadro de sugestão de pensamento, que é o quadro da separação, da dualidade.

A Vida como ela acontece é a presença da Realidade Suprema, da Realidade Divina. Essa é a Sabedoria da Revelação. Há milênios o ser humano vem buscando algo além do conhecido, além do mundo, além daquilo que ele conhece como vida. Porque, sim, como seres humanos, estamos vivendo, no ego, em uma vida tediosa, problemática, cheia de problemas, confusa, desorientada, estressada, uma vida em depressão, em ansiedade, com as diversas formas de medos que todos nós conhecemos.

Assim, o homem vem buscando ou vem procurando ter um encontro com Deus, na ideia, na imaginação de que com esse encontro, tudo isso irá desaparecer. O ponto é que não compreendemos que estamos apenas projetando algo para o futuro. Quando falamos de "alguém", acreditamos em alguém presente para, no futuro, ter esse encontro, e esse futuro não chega.

Aqui, investigar a verdade sobre o "eu" é se despir dessa ilusão de separação. Então, sim, neste momento se Revela o Amor, a Liberdade, a Felicidade, é a Ciência de Deus, a Ciência do seu Ser, e isso é Liberação nesta vida. É a presença da Bem-Aventurança a presença da verdadeira Felicidade.

Portanto, temos que aqui descobrir o que significa olhar, observar, ficar ciente de como a mente acontece, como este movimento interno se mostra - me refiro a esse movimento da consciência, que é basicamente a presença do passado, porque é a presença do pensamento. Esse é o elemento que, como um véu, nos separa da Realidade, porque cria a ilusão de uma identidade que se vê separada da Vida. A presença dessa identidade, criada pelo pensamento, nos separa. Esse é o véu da ilusão, é o véu da ignorância.

É essa ignorância, é a presença desse pensador, desse "eu" que está se projetando para, em algum momento, no futuro, ser feliz, encontrar o amor, a paz, a felicidade, enquanto que, na realidade, o que temos presente aqui e agora é Aquilo que está além do pensamento, além desse véu. Se não temos a presença deste véu, que é pensamento, não temos o pensador, não temos o "eu", o "ego".

Então, o Mistério da Vida é a Realidade de Ser. A Sabedoria e o Silêncio é a Natureza de Deus, é a Verdade sobre nós mesmos. Portanto, nós temos esse primeiro aspecto da verdade sobre o "eu", que é a verdade sobre quem esse "eu" se mostra sendo, aparece sendo. A investigação da verdade sobre o "eu" é a compreensão da ilusão da pessoa, do ego.

Assim, a verdadeira aproximação da Meditação, a Realidade da Meditação, o que é a Meditação? O que é essa ciência da Meditação? É olhar para esse instante sem o observador, é ficar ciente, neste momento, da Liberdade que aqui está quando o pensador não interfere, quando o observador não se envolve, quando o experimentador não surge.

Portanto, estamos diante de um experimentar sem o experimentador, de um observar sem o observador, de um perceber sem o percebedor. É a presença desta própria Realidade Divina, porque agora não há mais a ilusão, não há mais esse véu da separação. A Realidade e Deus é a Verdade deste Ser, é a presença da Vida, a Suprema Alegria, a Suprema Felicidade - alguns chamam de Iluminação Espiritual esse direto e simples Natural Estado de Ser, livre do pensamento condicionado.

E por que pensamento condicionado? Porque é a forma como o pensamento, de uma forma mecânica, automática, inconsciente, vem funcionando nesse modelo de mente como nós conhecemos. Quando isso termina, essa qualidade de mente desaparece, temos esse espaço novo, esse espaço que Revela Deus. Assim, quando tocamos com você aqui na Verdade da Meditação, estamos falando da Real Meditação de uma forma vivencial, algo aqui e agora, momento a momento.

Assim, a Meditação revela esse Natural Estado fora da mente, fora do "eu", fora desse padrão de pensamento, desse formato de pensamento. É o que estamos trabalhando aqui, com você, em encontros on-line nos finais de semana - são dois dias de uma forma on-line. Além desses encontros, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui esse convite.

Outubro de 2025
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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Joel Goldsmith | Um Parêntese na Eternidade | O que é o sofrimento psíquico? | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast, novamente o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado "Um Parêntese na Eternidade". Em um trecho desse livro, Mestre, o Joel faz o seguinte comentário: "Nenhum homem pode tirar sua paz depois de você ter descoberto o mundo interior." Bom, neste trecho o Joel fala dessa paz deste mundo interior. Dentro desse assunto, o Mestre pode compartilhar a sua visão sobre o que é o sofrimento psíquico?

MG: Gilson, quando nós perguntamos isso, "O que é o sofrimento psíquico?", o que de fato nós esperamos? Uma definição? Ou, de fato, nós precisamos de uma direta visão do que isso representa? Você pode consultar um livro, você pode ouvir uma palestra, você pode ir a um especialista, você pode procurar alguém para lhe ajudar a entender intelectualmente, ou de alguma outra forma, o que o sofrimento psíquico significa e, no entanto, continuar preso dentro desse formato de ignorância.

Portanto, a resposta para essa pergunta requer uma direta visão, uma real compreensão, um perceber verdadeiro sobre isso. Algo que um livro não pode nos dar, que uma palestra não pode nos dar, que um especialista, por mais esclarecido que ele seja, não pode nos dar. De fato é um contato real o fim para esta ignorância, para essa condição, para essa posição interna. Essa é a resposta; é esse contato com a realidade a real compreensão do sofrimento. Nesta compreensão, termina essa dor.

Nós carregamos em nós tudo que está presente no ser humano. A descoberta está aqui, possível, a revelação está aqui, como uma possibilidade para cada um de nós, quando aprendemos a olhar, quando aprendemos a escutar a nós mesmos, porque nós somos toda a história do ser humano. Psicologicamente, nós carregamos tudo que está presente no outro; tudo que está presente na humanidade é algo presente em cada um de nós. Essa é a nossa consciência, a consciência da pessoa. Essa consciência do "eu" é a consciência humana.

Portanto, o seu contato com a ansiedade, com o medo, a angústia, preocupações, a dor da solidão, o desespero da insegurança. de todas as diversas formas de temores, todos os conflitos presentes em nossa mente e em nosso coração são parte dessa estrutura psicológica dentro do contexto desta mente humana. Esse é o sofrimento psíquico! Mas esse é o aspecto verbal, em palavras. são meras teorias! Toda essa qualidade de expressão, de definição, a gente pode encontrar em palestras, em livros, no próprio dicionário, mas nada disso resolve. A não ser que você aprenda a escutar, a observar suas próprias reações - aqui está a verdadeira revelação, aqui está o verdadeiro ensino, a verdadeira palestra, o verdadeiro livro; o livro para ser lido, a palestra para ser escutada, o especialista para ser compreendido.

Isso consiste em uma compreensão sobre você. Ter a Verdade sobe você não é algo que alguém possa lhe dar, possa lhe assegurar, lhe explicar, lhe dar a informação, lhe dar conhecimento. Nós temos insistido aqui, com você, na importância de se compreender, no valor do Autoconhecimento. É isso que lhe aproxima de algo além da mente, além do "eu", além do ego. Esse ego é essa consciência humana que está com problemas, que carrega esse sofrimento psíquico e não sabe o que fazer com isso. Nós queremos nos livrar da dor sem a compreensão da dor, queremos nos livrar do sofrimento sem a compreensão do sofrimento, da tristeza, da angústia, do medo.

Nós não investigamos a natureza disso, onde se alicerçam e se fundamentam os nossos medos, os nossos conflitos, contradições, as desordens internas que trazemos. Não investigamos essa base, não compreendemos isso e queremos nos livrar, como se houvesse alguém para se livrar - esse é o equívoco! O que estamos insistindo aqui, com você, é nesta direta Verdade que se oculta para a maioria de nós: a Verdade presente sob o "eu", sob o "mim". É o ego a presença do conflito, é o ego a presença do sofrimento psíquico. Não existe esse ego e o sofrimento, o ego é o sofrimento! Não existe o ego e o medo, o ego é o medo! Sem a presença do ego não há medo. Você não pode ter medo de algo se esse "algo" não lhe aparece no pensamento. Se esse "algo" não lhe aparece no pensamento, ele permanece inexistente para você.

Assim, o sentido do "eu" vive daquilo que ele vê, daquilo que ele presencia do lado de fora, externamente. Assim, ele vive o seu medo, ele vive a sua angústia, as suas preocupações, os seus dilemas, conflitos e problemas. Não há uma separação entre você e o medo, entre você e o conflito, entre você e o dilema. A presença do dilema requer você presente, a presença do conflito requer você em conflito, e do medo, a presença de alguém. Não há tal coisa como uma separação. E como podemos tomar ciência disso? Escutando, ouvindo!

Não é alguém ouvindo a pessoa, há só o escutar; nesse escutar se revela esse princípio de separação entre a pessoa e seu conflito, entre a pessoa e seu medo, entre a pessoa e os seus dramas. Isso requer olhar, olhar e escutar - escutar é olhar! São essas reações que surgem a cada momento, no contexto das relações com o outro, com a vida e com nós mesmos. É aqui que está a coisa, é aqui que está o segredo, é aqui que está a possibilidade da compreensão para o fim do sofrimento psíquico. É aqui que está a compreensão para o fim do "eu", para o fim do ego. Se o ego não está presente, essa pessoa, esse "eu" não está. O "eu" é o ego, o ego é a pessoa, e se ela não está presente, não há medo, não há angústia, não há sofrimento psíquico.

Assim, a compreensão do sofrimento é o fim para o sofrimento, não é a teoria. As pessoas têm se debruçado sobre os livros, estudado muitos anos. Elas estudam sociologia, filosofia, psicologia, teologia. isso fica a nível de intelecto, apenas intelectualmente adquirimos uma formação. No entanto, isso não resolve! A base do nosso intelecto é condicionamento, é formação de estrutura de conhecimento aprendido. Aquilo que é aprendido, que está reservado como uma informação que trazemos, que nós temos, é algo dentro de um condicionamento.

O condicionamento é o conhecimento adquirido, que lhe permite agir a partir desse fundo - esse é o condicionamento. Não é do condicionamento que precisamos. colocando de outra forma, não é do condicionamento e da experiência. O que, de fato, precisamos, é de ciência, e ciência é compreensão, e compreensão é aqui e agora. Esse "compreender" nasce neste instante e desaparece neste instante. Não é o compreender para alguém compreender, é a compreensão! E a compreensão está presente quando essa mecânica de registro, que dá base a esse centro que é o "eu", o ego, a pessoa, não está mais presente.

É nisso que temos insistido aqui, com você: descubra a Realidade deste Ser, vá além do "eu", vá além do ego. Tome ciência a partir desse observar, desse escutar - isso requer a presença do Autoconhecimento, isso requer a presença da Meditação.

GC: Mestre, nós temos uma pergunta de um inscrito aqui no canal que fez o seguinte comentário: "Mestre, eu vivo em constante ansiedade e preocupação com o futuro. Como parar de viver preocupado com o futuro?"

MG: A sua pergunta é "Como se livrar do futuro, em razão das preocupações?". Compreenda a Verdade do pensamento; tenha muito claro, aí, a ciência do que é o pensar, de como o pensamento se estabelece, de como ele acontece aí, e você ficará livre de "alguém" presente que se ocupa com o futuro. A sua ocupação com o futuro é a ocupação do pensamento com o que irá acontecer, com o vir a ser, com o que irá surgir. É a presença do pensamento, um elemento em você, de registro de memória, algo que vem do passado. Todo pensamento em você é a memória, é a presença do passado. É o pensamento que se projeta, criando o futuro.

Observe como é interessante isso: o pensamento surge neste instante; neste instante não existe passado, neste instante não existe futuro. Quando ele surge neste instante, você é capturado! Você é capturado para ir ao passado, para viver novamente, mais uma vez, o que o pensamento representa. Esse "você" não se separa desse pensamento, ele é o próprio passado vivendo isso, mas isso está agora, aqui, acontecendo. Então, de fato, não existe nenhum passado. É o pensamento criando a sugestão do tempo, criando a sugestão de alguém, que é o pensador, que é você, vivendo ainda essa dor - algo que ocorreu no passado, mas isso está aqui, neste instante. Da mesma forma o pensamento se projeta para o futuro; ele é algo presente aqui, mas ele está se projetando para o futuro. Assim, ele cria o tempo: ele cria o passado e ele cria o futuro.

Não existe tal coisa como o passado, não há tal coisa como o futuro, o que temos presente é o pensamento. Assim, o pensamento cria essa estrutura, é a estrutura do pensar. A presença desse pensador está envolvida com essa estrutura, assim surge aqui que nós conhecemos por "pensar". O que nós conhecemos por "pensar" é alguém pensando - pensando no passado ou pensando no futuro, enquanto que, na realidade, não existe tal coisa como o passado, não existe tal coisa como o futuro.

Se fica claro para você o que é o pensamento aqui, você não se confunde com ele, porque há só o olhar, o perceber. Quando o pensamento surgir, não coloque "alguém", ou seja: fique ciente dele aqui, fique cônscio da presença do pensamento. Essa é a presença do conhecer a si mesmo, do conhecer a Verdade sobre você, sobre aquilo que se passa dentro de você, quando você apenas olha, quando apenas escuta isso, quando apenas toma ciência disso. Então, o sentido do "eu" não surge para viver de novo o passado e para se projetar no futuro.

Assim, é a presença dessa visão que rompe com a condição psicológica deste "eu", deste ego, e observe que, quando este "eu" não está, quando a pessoa, o pensador, não está, a vida se revela neste instante; e neste instante, não existe tal coisa como o futuro nem o passado. Isso requer essa qualidade de escutar, de perceber, de observar a vida do ponto de vista externo e interno. Olhar para este instante como ele acontece, internamente ou externamente, sem se envolver com isso é não colocar o experimentador, o pensador, o sentido de alguém presente. Então temos o fim da ilusão, o fim da ideia do tempo: passado, presente e futuro.

GC: Mestre, nós temos outra pergunta, de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Estou com vários problemas em minha vida: financeiro, familiar. Como viver em paz, mesmo com problemas para resolver?"

MG: Repare o que você diz. você diz: "Tenho vários problemas na minha vida, problemas financeiros, familiares." ou seja, muitos problemas. Ao mesmo tempo, você pergunta: "Como viver em paz em meio a todos esses problemas?". Aqui o ponto é: tome ciência do que é o problema. Será que, de fato, temos muitos problemas, ou a base de todos os nossos problemas está em nosso estado interno de confusão mental, para lidar com assuntos tanto externos quanto internos? É exatamente o que estamos dizendo aqui, para você: todos esses problemas que nós temos são problemas que estão presentes na pessoa que somos. Qualquer exigência de paz é a projeção de uma imagem que o pensamento está produzindo sobre a paz é uma imaginação, uma crença.

Nós estamos vivendo dentro de ideais. Nós deixamos de olhar para aquilo que aqui está presente para olhar para aquilo que está lá longe, só que o que está lá longe é uma ideia, é um conceito, é uma imagem que o pensamento está produzindo. Observe que nós não fomos educados para nos aproximarmos da vida como ela é. O nosso modelo psicológico, a presença da mente egoica em nós, desta presença da pessoa, é algo que está sempre se projetando para o futuro. Nós vivemos ou no passado ou no futuro, arrependidos do que aconteceu, sem poder fazer nada com isso, mas projetando o futuro para tentar consertar alguma coisa, ou solucionar alguma coisa. Essa é a mente que conhecemos.

Será possível um contato direto, neste instante, com o problema, sem nos separarmos dele nesse ideal do que deveria ser? Será possível apenas estarmos com isso, olharmos diretamente para o problema? Se confrontar com o problema não é buscar um caminho para solucionar o problema, não é buscar um jeito, uma maneira para fugir do problema. Se confrontar com o problema é assumir a Verdade daquilo que está aqui, examinando, olhando de perto, e esse olhar requer que se descubra a Verdade sobre si mesmo. Apenas quando a mente está livre para observar o problema é que fica claro que esse problema não é, antes de tudo, um problema externo; é um problema que é, antes de tudo, um problema dentro de cada um de nós.

Enquanto psicologicamente, internamente, não houver Silêncio, Quietude, Paz, Serenidade e, portanto, Inteligência, não podemos, de fato, nos livrar dos problemas, porque não haverá Presença, Consciência, real Inteligência para lidar com isso. Mas aqui nós temos, ainda, um agravante: boa parte dos problemas que nós temos não são problemas para serem atendidos desta forma, porque não são problemas externos, são problemas internos. São problemas que estão presentes nesse sentido do "eu". Assim sendo, o próprio "eu", o próprio ego é o problema. Ele se separa, por exemplo, para lidar com o medo, com a raiva, com o ciúme, com a inveja. Não existe tal coisa como uma separação - isso é algo que o próprio "eu", o próprio ego, cria a partir do pensamento.

Então, o único e real problema que nós temos na vida, não está na vida, está em nós mesmos, na pessoa que nós somos, nesse sentido egoico. Você em sua Natureza Divina, que é a Natureza de Deus, aí não há problema. É a presença do pensamento, construindo um mundo à sua volta, se projetando a partir de conclusões, crenças, avaliações. é a presença do pensamento tentando mudar o que é, alterar o que é. Todo esse movimento nos afasta da compreensão daquilo que é para a Verdade além disso, para essa Verdade de Ser. A real aproximação da vida é a presença dessa Divina Inteligência, o que requer Autoconhecimento e a presença da Meditação. Quando isso está presente se revela algo além do "eu", além do ego, que é a Realidade Divina, que é a Realidade de Deus. E quando isso está presente não há problemas, a vida é como ela é!

A Realidade de Deus é a ciência deste Ser, é a Verdade de Ser, sem a ideia, sem a imaginação do "vir a ser". Então está presente a Realidade Suprema, a Realidade, a Verdade, e aqui não há problemas. É nisto que estamos trabalhando aqui, com você. Assumir a Verdade d'Aquilo que é você é Amor, Felicidade, Paz, Liberdade. não há problema aí, porque não há problema em Deus.

GC: Gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais este videocast. E, para você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver essas Verdades, fica o convite para participar dos encontros intensivos de final de semana que o Mestre Gualberto proporciona. Esses encontros são muito mais profundos do que estes vídeos aqui no YouTube. Primeiro porque o Mestre responde diretamente às nossas perguntas, e segundo e muito mais impactante, é que, pelo Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, Ele compartilha um campo de Presença à Sua volta - um campo de Energia de Poder e Graça. E, nesses encontros, a gente acaba pegando uma carona nesse campo de Presença do Mestre. E pegando essa carona, de maneira espontânea, sem nenhum esforço, nem nenhuma prática, entramos em Estado Meditativo, silenciamos nossas mentes e podemos ter uma compreensão real dos assuntos que são aqui tratados.

Então, fica o convite: no primeiro comentário, fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o like no vídeo e se inscreve no canal. E Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.

Outubro de 2025
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terça-feira, 21 de abril de 2026

Como alcançar a realidade desejada? | A vida livre do ego | O conflito dos desejos

Aqui, a velha pergunta é: "Como alcançar aquilo que desejamos?" Colocando de uma outra forma: como alcançar a realidade desejada? Notem que coisa interessante é o uso dessa expressão "realidade" dentro desse contexto, em uma frase como essa. O que na verdade nós sabemos sobre a realidade? O que é que nós chamamos de realidade?

Quando nós nos deparamos com a vida como ela acontece, nós estamos diante da Realidade. Mas qualquer pensamento sobre isso é uma sobreposição a essa Realidade. Essa sobreposição é uma ideia, é um pensamento, é uma opinião, uma conclusão, um conceito, uma projeção. Aqui, a palavra "projeção", como sinônimo de pensamento, fica muito claro, agora, sendo colocada nesse contexto, nessa frase, nessa expressão "como alcançar a realidade desejada pelo pensamento". É assim que estamos nos movimentando na vida.

Nós não temos ciência da vida como ela é. Nós temos uma ideia sobre como ela deveria ser, como ela poderia ter sido, como ela seria. Tudo isso está dentro dessa projeção, desse modelo, que é o modelo do pensamento presente em cada um de nós. Assim, qual será a verdade dessa ideia, desse movimento, dessa projeção do pensamento, chamada desejo? Quando é que você sente desejo? Ou quando você tem uma necessidade, uma real necessidade, porque há uma falta, ou quando você tem uma psicológica necessidade, na imaginação de uma falta.

A complexidade no ser humano - eu me refiro a essa psicológica complexidade em nós -, invariavelmente, nos coloca sempre nessa segunda alternativa. Nós não estamos lidando com necessidades reais, mas, sim, com necessidades imaginárias. Assim, o que nós chamamos de realidade, de desejos, são projeções do pensamento, dentro de supostas necessidades projetadas pelo "eu", pelo ego.

Veja como nós precisamos investigar isso cuidadosamente, pacientemente, ou passaremos uma vida inteira realizando desejos e saindo de um projeto para o outro, de uma realização para a outra, sem jamais tocar na Verdade da Realidade - estaremos sempre no movimento do pensamento. Qual será a verdade sobre o desejo? A verdade sobre o desejo é que você deseja com base em uma imagem. Quando você vê um objeto, você o deseja se ele é bonito, e você o rejeita se ele lhe produz um sentimento ou uma sensação de asco, de rejeição.

O movimento do pensamento presente em nós é de acolher, querer mais e buscar constantemente mais e mais do prazer, e rejeitar, rechaçar, afastar mais e mais da dor. Esse comportamento em nós têm dois aspectos também, assim como a presença do desejo. O desejo pode ser por uma necessidade: se você sente fome, você deseja comida, se você sente sede, você deseja beber. A bebida, que é a água, é o que resolve a questão da sede. Mas você pode tomar qualquer outra bebida quando também sente sede; essa outra bebida já não é a necessidade da água, é a psicológica necessidade de uma satisfação de prazer.

Nós temos em esse movimento, um movimento da necessidade, da busca do preenchimento de uma necessidade natural, orgânica, física, ou mesmo uma necessidade de transporte. Se você tem que sair de uma cidade para outra, você não pode ir caminhando, você precisa de um veículo. Nesse momento, você opta, você escolhe: se você quer chegar mais rápido, você vai de avião. Então, é natural desejar um voo, porque você precisa de um voo, e você tem um horário, então você sabe que em um voo o seu tempo de viagem é menor.

Então, nós temos uma qualidade de desejo com base em uma necessidade e temos uma qualidade de desejo com base no pensamento, porque é exatamente no pensamento que guardamos a sensação do prazer naquele desejo. Ao se lembrar de alguma coisa, o próprio pensamento carrega uma sensação com ele, e é o próprio pensamento que liga aquilo do qual você se lembra a essa sensação de prazer que você já sentiu no passado. Reparem que é sempre um jogo do pensamento.

A memória do prazer, da sensação, é o pensamento. A imagem que você vê lá, fisicamente, está sendo tocada aqui, psicologicamente, pelo pensamento. Então, a sensação surge de novo, é uma memória, é uma lembrança. Para quem surge essa lembrança, essa memória, essa sensação? A resposta é: para mim. Mas o que é esse "mim"? Quem é você? Um conjunto de memórias, um conjunto de lembranças, um conjunto de sensações. Assim, estamos diante de um jogo, que é o jogo do pensamento.

O pensamento diz aí: "você - notem, esse você é o "eu", é o "mim", que é um pensamento - será feliz, você encontrará o amor, você encontrará a satisfação, você encontrará o preenchimento"; e o que ocorre, na realidade, é que nenhum desejo, nesse aspecto psicológico, lhe dá, de fato, o fim para essa psicológica condição de insatisfação, lhe dá, de fato, a presença do Amor, lhe dá, de fato, a Felicidade. Tudo o que o movimento do pensamento faz é sustentar a sua continuidade se projetando no futuro; ele precisa da continuidade, ele precisa da projeção.

Então, todo o desejo não só rompe com a insatisfação, com a incompletude, como reforça ainda mais esse sentido do pensamento, nesse formato do "eu", desse "mim", desse ego, em busca de continuidade. Essa busca de continuidade, essa busca de mais sensação é a presença do sofrimento. Aqui estamos investigando a verdade da vida nesse instante, e estamos também nos perguntando se é possível, nesse momento, assumirmos a Realidade da Vida como ela acontece, sem essa ilusória presença desse "eu", que não é outra coisa a não ser o pensamento se projetando dentro da própria imaginação, em uma ilusão de conquista, de completude, amor, felicidade e satisfação, nessa forma do desejo.

O contato com a vida nesse momento é Alegria, é Completude, é Amor, é Paz, é Felicidade quando o pensamento não está, quando essa projeção não se encontra, quando o desejo, que é essa ânsia por mais, lincada a essa sensação de prazer, não está mais presente. Então, estamos diante de algo novo, que se mostra presente quando o pensamento não está, uma vez que o pensamento é o elemento principal de tudo isso. Assim, podemos ter um contato com a vida nesse momento, mas sem esse sofrimento que o pensamento causa, em razão dessa ânsia por mais e mais e mais?

Será possível olhar para algo, para alguém, para um carro bonito, para uma casa bonita, para um rosto bonito, para um corpo bonito, para algo que traz, sim, a memória, a lembrança e, naturalmente, a sensação. Veja, a sensação, a memória, a lembrança é de prazer com aquela experiência, com aquele objeto, com aquela dada situação. Mas é possível, nesse momento, não colocar esse elemento, que é o pensamento, na sensação, no prazer, nessa experiência? Reparem, isso é o fim do passado, isso é o fim desse elemento que vem do passado, que é o pensamento.

Será possível ficarmos apenas com a sensação? Porque, sem o elemento, que é o pensamento, não haverá projeção, não haverá essa continuidade do desejo. Então, aquilo que chamamos aqui de sensação ou prazer, não se sustenta. Se isso não se sustenta, o desejo não se estabelece. Então ficamos com o momento, com aquele rosto bonito, com aquele corpo bonito, com aquele carro bonito, aquela casa bonita, conseguimos perceber como é bonito aquela pessoa no palco cantando, mas não haverá a inveja, porque não haverá esse elemento, que é o pensamento, criando a comparação, criando essa imagem "eu poderia estar lá também, eu poderia ser alguém tão importante, ou alguém tão bonito quanto ele ou ela, naquele lugar".

Se o pensamento não está, nós temos o fim do desejo, porque temos o fim da comparação, temos o fim da inveja, temos o fim, também, do medo. Porque quando temos a presença do desejo, reparem, existe também oculto ali a presença do medo de um dia não alcançar aquela fama, de um dia não conseguir chegar lá onde ele ou ela chegou. Reparem, é a comparação a base do medo, a base do desejo. Tudo isso se sustenta criando essa identidade, que é o "eu", aqui, nesse instante, se projetando nessa ambição, nessa inveja, nesse desejo, nesse medo.

Notem que coisa importante temos aqui: a presença do desejo carrega o medo; além disso, a presença do desejo carrega a contradição. A contradição presente no desejo é a presença do sofrimento. Quando você deseja alguma coisa e sabe que aquilo você não pode ter, isso lhe causa medo.

Ao querer alguma coisa que sabe que não deve ter, não pode ter, porque isso não é ético, porque não é moral, porque não está certo, mas, reparem, o desejo está presente, mas está presente também um elemento em você, que é esse "eu", esse sensor, que diz: "você não pode ter aquilo, porque isso vai causar problema para você". Então, esse estado é o estado interno do "eu", do ego, em contradição. Veja, temos no desejo a presença do sofrimento.

Então, notem isso: quando o desejo está presente - eu me refiro a essa condição psicológica do desejo, não aquele desejo simples, natural, de um voo ou de comida quando você tem fome, ou mesmo de comprar um carro quando você tem o dinheiro; eu me refiro ao desejo conflituoso, ao desejo que gera conflito, que é o desejo psicológico -, haverá conflito, porque teremos presente a ambição, a inveja, a contradição, ou o medo.

Reparem o problema que o desejo, essa qualidade de desejo que o ego conhece, produz em cada um de nós, nesse "mim", nesse "eu", sendo o desejo o próprio pensamento, sendo o pensamento o próprio "eu", esse "mim", esse elemento que vem do passado. Aqui estamos, com você, investigando tudo isso, lhe dizendo que a vida é possível livre do ego, livre do "eu" e, portanto, livre da questão dessa qualidade de desejo onde o sentido do "eu", onde o sentido do ego, está presente, sendo ele a base para tudo isso. Um encontro com a Realidade da Vida nesse momento é a Liberdade de uma resposta para esse instante livre do passado.

Aqui estamos dizendo para você que a Felicidade já está presente quando o sentido do "eu", do ego, não está, e todo o seu contato com a vida é de Amor, é de Paz, é de Felicidade, é de Beleza, porque esse elemento, que é o pensamento, que vem do passado, que cria essa psicológica condição de ambição, inveja, comparação, desejo, não está mais presente. Então temos aqui a Verdade Divina se Revelando, que é a Verdade do seu Ser. Isso é o fim do passado, é o fim do tempo, é o fim do "eu".

Assim, estamos trabalhando juntos isso aqui com você. A Vida Real é a vida livre do "eu", livre do ego. Então há Beleza, Graça, Amor, Felicidade n'Aquilo que é Você em seu Ser, aqui e agora. Nós temos encontros online aqui nos finais de semana, onde estamos trabalhando isso com você. Sábado e domingo estamos juntos: são dois dias em um encontro online. Fora esses encontros, temos encontros presenciais e, também, retiros.

Abril de 2025
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quinta-feira, 16 de abril de 2026

O que é o pensamento? | Como alcançar a realidade desejada? | Tempo psicológico e cronológico

Na vida, nós temos que ter uma aproximação inteiramente nova. De outra forma, continuaremos dentro de diversas ilusões criadas, alimentadas e sustentadas pelo pensamento e, no final, isso irá sempre resultar em alguma forma de problema, de desordem, confusão e sofrimento. Por exemplo, nós temos essa procura, essa busca, essa intenção de encontrar alguma coisa que nós idealizamos. Notem que essa idealização nesse projeto é uma idealização do pensamento, quando, por exemplo, estamos procurando encontrar essa realidade que desejamos.

Assim, as pessoas perguntam: "Como alcançar a realidade desejada?" Antes de tudo, o que é essa realidade? Não é ela uma projeção do pensamento? O que nós sabemos, de verdade, sobre a realidade que, de fato, nós precisamos para essa completude, para essa felicidade? Nós não sabemos nada sobre felicidade. O que temos são projetos, ideias, crenças do que isso representa, do que isso significa.

A forma como nós nos organizamos na vida é a forma programada pelo contexto cultural, pelo contexto da sociedade. Assim, nós acreditamos que ser feliz, por exemplo, é ter bens materiais. Quanto mais temos coisas, maior a possibilidade de conforto, maior a possibilidade de destaque e posição dentro do contexto da sociedade. Mas notem: isso não é a Realidade da Felicidade, mas nós estamos confundindo isso com realização.

Não existe nada que você realize externamente que possa lhe dar internamente a Verdade da Paz, dessa Paz interna, dessa Paz interior. "Como alcançar a Paz interior?" Provavelmente não é realizando desejos, embora essa procura por essas realizações nos dê essa fantasia; a fantasia de encontrarmos no conforto dos bens materiais ou na suposta segurança de todos esses recursos financeiros que conseguimos, essa liberdade, essa estabilidade, essa segurança.

Aqui estamos, com você, investigando a natureza do pensamento. Qual é a verdade sobre aquilo que projetamos como ideal para as nossas vidas? Tudo aquilo que projetamos só pode ser projetado a partir de um princípio e de um programa ou fórmula. Esse programa, fórmula e princípio é o pensamento. É sempre o pensamento lhe mostrando aquilo que você "precisa" - aquilo que, na realidade, você acredita precisar. É isso que nós temos chamado de realidade desejada.

Nós estamos visualizando isso; então, existem técnicas de visualização da realidade desejada, existem técnicas de meditação para alcançar a felicidade desejada, existem ferramentas utilizadas nesta direção. Tudo isso envolve a presença do pensamento, tudo isso envolve o modelo da própria mente para alcançar aquilo que ela imagina que irá lhe completar, que irá lhe fazer feliz.

Qual será a verdade sobre o desejo? Quando você vê um objeto e você o deseja é porque você já teve alguma experiência no passado com ele, e ele lhe conferiu algum nível de satisfação, algum nível de prazer, e assim você o deseja novamente. Então, basicamente, o que é o desejo? O desejo em nós é a busca do prazer. Nós só buscamos ou desejamos aquilo que nos concede algum nível de prazer, aquilo que nos favorece esse estado sentimental, emocional de satisfação no prazer.

Assim, a base que sustenta a busca do desejo é o prazer. Mas o prazer é somente isso: a presença da lembrança, a presença da memória de uma satisfação obtida no passado. Agora, toda a satisfação termina em insatisfação. Aquilo que lhe satisfaz nesse instante, daqui a pouco não lhe satisfaz mais - assim são os prazeres, assim são as realizações.

Então nós já temos aqui algumas coisas. A primeira delas é a presença do prazer. Mas a presença do prazer requer a lembrança, a memória, o pensamento do prazer. A vida do ser humano gira em torno dessa busca; ele não sabe o que é a Realidade, ele projeta essa realidade desejada. A realidade que ele deseja é a realidade do prazer. Esse prazer é a memória, é a lembrança de uma satisfação, de um preenchimento temporário que ele teve.

Reparem a importância dessa compreensão. Tudo o que estamos fazendo na vida não é para o encontro da Felicidade, é para o encontro do prazer, da satisfação, e isso sempre será algo momentâneo. O nível de satisfação que se tira do prazer, uma vez que ele foi alcançado pelo desejo, é uma satisfação que logo se mostra insuficiente. A continuidade da vida do "eu" é a continuidade do movimento do desejo.

Nós precisamos descobrir a vida como ela acontece, tendo exatamente tudo o que ela tem, nesse sentido real de Ser um com a própria Vida. Então haverá uma completude, um nível de realização que nós desconhecemos. Nós desconhecemos esse nível de completude e realização porque nós estamos vivendo no pensamento.

Então, já tocamos aqui com você nessa questão do desejo, mas notem que um outro elemento sempre presente, como o outro lado da moeda do desejo, é a presença do medo. Você deseja algo, mas há dentro desse próprio desejo uma certa ansiedade de não alcançar, de não obter, de não conquistar: isso é medo. A busca de alguma coisa carrega uma expectativa, mesmo que velada e oculta, de que talvez aquilo não aconteça. E nenhuma certeza intelectual é convicção suficiente para eliminar a presença do medo.

Nós temos que investigar isso, colocar a nossa mente e o nosso coração para aprofundar essas questões. Aqui, juntos, estamos investigando como, nesta vida, realizar a Verdade da Felicidade, da Completude de sua Natureza Essencial, que é a Natureza Divina, que é a Natureza de Deus. Essa interna Natureza, essa verdadeira, oculta e misteriosa Natureza do seu Ser é a própria presença da Felicidade.

Assim, a Realização nesta vida não é a realização dessa, assim chamada, realidade desejada, mas é a ciência da Verdade da Realidade. A Realidade é algo que está além dos desejos, do prazer, do pensamento e, naturalmente, do medo. Aqui estamos juntos investigando a Verdade do Florescer do seu Ser, da Verdade sobre Você, assim, o descarte desse modelo do pensamento.

Por isso que estamos aqui perguntando também para você: o que é esse pensamento? Já que acabamos de perceber aqui, juntos, que essa assim chamada realidade desejada é algo que você pode visualizar, que você pode idealizar. Se pode idealizar e visualizar, isso faz parte do pensamento. Mas o que é o pensamento? Todo o pensamento presente em nós é o registro de uma memória, de uma lembrança, de algo que faz parte daquilo que se conhece nesse contexto dessa consciência.

Aquilo que temos chamado de consciência em nós, ou a mente em nós, é a presença dessa ciência do movimento do pensamento. É interessante aqui usarmos a palavra "ciência" desse movimento do pensamento, porque a grande verdade sobre isso é que todo esse processo ocorre de uma forma completamente mecânica, automática e inconsciente.

Nós não temos qualquer real ciência do que é o pensamento e do que é esse movimento presente em nós. Apenas nos damos conta dessa assim chamada consciência do "eu", dessa mente em nós, quando algum nível de sofrimento ou desconforto acontece; é quando nos damos conta de que nós existimos como alguém tendo essa mente, tendo esta consciência.

Quando você, por exemplo, está preocupado, você se dá conta de si mesmo, de que está sofrendo. Você se dá conta de si mesmo quando está triste, ansioso, deprimido. É quando você tem essa assim chamada consciência do "eu" ou essa mente pessoal, essa mente do "eu"; é quando você se dá conta de existir como alguém, e é exatamente quando sofre.

Porque, em geral, nós passamos pela vida sobrecarregados de pensamentos e diversas formas de complicações, sem mesmo nos darmos conta de que estamos sofrendo. Em geral, boa parte desse tempo - mesmo quando estamos envolvidos com algum nível de sofrimento - nós ocupamos para fugir dessa dor e, assim, não nos damos conta de que existimos como alguém que sofre, porque há sempre um expediente ou outro expediente de fuga dessa psicológica dor, que é a dor do "eu", do ego, desse "mim".

Assim, qual será a verdade sobre o pensamento? Porque é o pensamento que está projetando esses desejos. A verdade sobre o pensamento é que o pensamento em nós é um movimento que vem do passado, é só uma memória, uma lembrança, uma imagem que ele traz. É ele que se projeta idealizando isso, objetivando isso, sonhando sobre isso. É o próprio pensamento que visualiza, a partir desse "eu", que ainda é o pensamento - não existe qualquer separação entre o pensamento e esse pensador; esse pensador é o próprio pensamento - aquilo que ele deseja e espera encontrar em algum momento.

Essa projeção no futuro para alcançar está dentro dessa visão de um futuro criado pelo pensamento. Não existe tal coisa como o futuro, não existe tal coisa como o passado. Nós temos a vida neste instante. Esse assim chamado passado ou futuro é algo que o pensamento está produzindo. Assim, nós temos toda essa noção de tempo para alcançar.

Aqui eu tenho tocado com você na diferença entre o tempo cronológico e o tempo psicológico. Nós precisamos do tempo cronológico. Para uma fala como essa, de alguns minutos, nós estamos fazendo uso do tempo; é uma fala que está ocorrendo no tempo cronológico. Nesse nível, o tempo está presente.

O tempo cronológico não pode ser negado dentro desse contexto deste sonho de existência humana, para realizações práticas e objetivas na vida. Então, nós temos a presença do tempo cronológico. Mas não existe tal coisa como esse tempo psicológico. Não existe esse "amanhã psicológico", esse "futuro psicológico" para ser feliz, para ter Amor, para ter Paz, Liberdade, Inteligência, Verdade, Deus. Nada disso que acabamos de colocar se encontra no tempo.

A Realidade da Felicidade é algo presente, não está dentro dessa desejada realidade, ou realidade desejada. A Felicidade é a Realidade aqui, nesse instante. O Amor é a Realidade aqui, nesse instante. A Paz é a Realidade aqui, nesse instante. Deus é a Realidade aqui, nesse instante. Aqui estamos diante de Algo que está fora do pensamento e, naturalmente, fora desse tempo psicológico, uma vez que o pensamento é o tempo. É apenas o passado, nesse instante, buscando a continuidade de um futuro que ele imagina.

Assim, a presença do pensamento é a presença do tempo. Sem a presença do pensamento, não existe o pensador, não existe esse "eu", não existe esse elemento presente, que é esse "mim", essa pessoa, na ideia de encontrar o prazer, o preenchimento e a satisfação em algum desejo, em alguma realização do pensamento.

Aqui, esse encontro com a Realidade Divina, que é a Realidade deste Ser que é Você em sua Natureza Real, é exatamente o fim do pensamento, é o fim do tempo. Assim, nós temos a presença do tempo psicológico e o tempo cronológico. No tempo cronológico, as coisas acontecem, mas no tempo psicológico, o pensamento imagina coisas acontecendo. Então, nós estamos sempre vivendo, no pensamento, nessa diretriz da busca do prazer e da fuga da dor.

A presença do prazer, nós idealizamos como essa assim chamada realidade desejada; mas queremos também fugir da dor, queremos escapar do medo, e não percebemos que todo esse movimento de busca é o movimento do próprio pensamento sustentando o prazer e a dor, o desejo e o medo.

Um encontro com a Realidade Divina, com a Verdade do seu Ser, é a ciência de sua Natureza Essencial, é a Beleza da Vida, é a Beleza do Amor, é a Beleza de Deus. Realizar Isso nesta vida é realmente descobrir a verdade sobre essa ilusão, que é a ilusão do pensamento com todas essas projeções de realizações externas e supostas segurança nestas realizações. A Vida é esse grande Mistério, e uma resposta direta para a vida é a ciência da própria Vida nesta Completude, nesta Real Felicidade do seu Ser.

Portanto, nesses encontros aqui nos finais de semana, sábado e domingo, nós estamos aprofundando e trabalhando esses assuntos com você. São dois dias em um encontro online, onde podemos investigar isso, aprofundar isso. Então, fica aqui um convite para você. Fora esses encontros, temos encontros presenciais e, também, retiros.

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