terça-feira, 29 de setembro de 2026

Joel Goldsmith | Os Fundamentos do Misticismo | O que é a ação livre do ego? | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast. Novamente, o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje, eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado: "Os Fundamentos do Misticismo". Em um trecho desse livro, o Joel Goldsmith faz o seguinte comentário: "A vida espiritual é ceder ao Reino de Deus, ao próprio Reino de Deus. É uma renúncia aos desejos". Mestre, neste trecho, o Joel fala da renúncia aos desejos. Dentro desse assunto, o Mestre pode compartilhar a sua visão sobre o que é uma ação livre do ego?

MG: Gilson, a ação que nós conhecemos é a ação que nasce do passado, porque nasce do pensamento. Nós desconhecemos a ação que responde a este instante a partir da Inteligência. Nós temos uma ação que responde a partir de conceitos, de opiniões, de crenças, ideias, avaliações, a busca de resultados; tudo isso faz parte do modelo de uma ação egocêntrica, porque nasce desse fundo psicológico, de memória, de respostas reativas.

Aqui, juntos, estamos investigando uma qualidade de ação que não depende do pensamento; é a ação livre desse "eu", desse velho modelo de mente condicionada, de respostas programadas pelo pensamento. Nós temos uma maneira de responder sempre a partir do passado. Por exemplo: se eu pergunto o seu nome, você me diz o seu nome. É uma memória em você, é uma lembrança em você, é uma recordação em você; algo que nasce do pensamento e que vem do passado.

Então, essa qualidade de resposta é natural que seja assim. Então, nesse nível, o pensamento é algo funcional, prático, necessário. O seu endereço, conhecimento técnico especializado que você tem dentro de uma ocupação profissional... isso é parte dessa estrutura de conhecimento adquirido, de memória e lembranças. Sim, isso faz parte de um modelo de condicionamento, de algo que você aprendeu e que, de uma certa forma, é muito prático e útil.

Mas nós temos uma qualidade de ação que precisamos liberar isso, soltar isso. É a ação reativa do "eu", do ego. Quando, por exemplo, você me elogia, a minha resposta - porque esse "mim", esse "eu" aqui, se sente feliz no elogio - é gostar de você. Esse gostar nasce desse fundo, desse psicológico fundo de uma identidade presente. Essa identidade é algo estabelecido aqui como uma construção mental. Esse "mim" é a pessoa que "eu" acredito ser. Esse é o "eu", esse é o ego.

Essa qualidade de resposta é inadequada. Ela nasce em "mim" a partir de uma escolha. Essa escolha de gostar. Essa escolha é esse condicionamento. Eu gosto de você. É uma opção que "eu" tenho. Esse "eu" é uma ilusão. Essa escolha que nasce desse fundo é um condicionamento psicológico desnecessário. Porque, agora, "eu" gosto de você porque você me elogiou; mas, quando você me criticar ou me tratar mal, esse "mim" irá se sentir diferente.

Então, nós vivemos constantemente em uma dependência psicológica de condicionamento mental a partir desse "eu". Esse "eu", esse "mim", esse ego... com essa base, ele tem amigos e tem inimigos. Ele tem pessoas que ele gosta e tem pessoas que ele não gosta. Essa é a pessoa que "eu sou". Assim, as nossas ações são ações desse ego, ações egocêntricas.

Podemos eliminar esse "eu", esse ego, esse modelo psicológico de atuar na vida? É nisso que consiste aqui este trabalho. Nós estamos, com você, investigando a possibilidade de uma Vida livre do ego e, portanto, de uma ação que nasce do passado, de uma ação que nasce do pensamento, que nasce dessa estrutura de condicionamento psicológico. E como isso se torna possível? Isso se torna possível quando você se dá conta de que você, como uma pessoa, é uma ilusão, é uma estrutura falsa.

Quando você começa a se dar conta de que estados internos estão presentes em você, nessa estrutura psicológica - porque você não está ciente de como você funciona -, esta psicológica condição sofre uma mudança. E nós precisamos desta radical mudança interna para uma mente livre, para um cérebro livre do "eu", do ego.

Será possível uma Vida livre dessa necessidade de ser apreciado, de ser aceito, reconhecido? Será possível uma Vida livre dessa necessidade de se sentir especial, de parecer ser especial? Repare que essa condição carrega sempre o outro lado. Da mesma forma que você se sente bem, você se sente mal.

Os diversos estados psíquicos que temos são inúmeros: TDAH, ansiedade, medo, raiva, preocupações, inquietude de diversos tipos, essa mente tagarela, os pensamentos compulsivos... Os diversos estados, com diversos nomes, nessas diversas patologias de desordem emocional, psicológica, é algo presente nesse "eu", nesta qualidade de ação egocêntrica.

Ações tomadas fisicamente e ações internalizadas em atitudes, que estão causando internamente sofrimento para este "mim". Se livrar, nesta vida, desta qualidade psicológica de ser alguém, é ir além do medo, é ir além desta separação entre você e a Vida; entre você e Deus, naturalmente; entre você e o outro.

Nós estamos constantemente lidando com o outro a partir da imagem que o pensamento em nós estabeleceu sobre ele. Se ele é alguém que afaga, aplaude, reconhece, elogia essa pessoa que "eu" acredito ser, "eu" gosto dele. Mas, se ele é alguém que despreza, menospreza, rejeita, não concorda comigo, com aquilo que "eu" acredito, "eu" também o desprezo, não gosto dele e posso até odiá-lo.

É assim que o ser humano está vivendo há milênios: está vivendo uma vida egocêntrica, uma vida pessoal, uma vida centrada nesse sentido de uma identidade, que se separa do momento presente para ser especial, para se ver como o centro das experiências, para se ver como o centro dos seus encontros, o centro dos momentos que ele particulariza, que ele chama de vida para "mim", vida pessoal. Essa é a vida egocêntrica. Não existe tal coisa como essa vida. Apenas uma projeção do próprio pensamento, criando uma ilusória identidade em um tempo que o próprio pensamento tem estabelecido, como alguém que veio do passado, está aqui agora, está indo para o futuro.

Acompanhem com calma isso. A compreensão de nós mesmos é o olhar para as nossas reações. É isso que nos aproxima desta liberação, ou desta libertação, desta psicológica condição de condicionamento mental, de condicionamento egoico, de condicionamento psicológico. Nós não precisamos do ego, não precisamos do "eu".

A Vida, aqui, está acontecendo para você. Não na ideia de alguém para quem a vida está acontecendo, como nós acreditamos. A vida para você é a própria Vida. Ela não acontece "para você" como alguém. Essa é a ilusão: a ideia de que a vida acontece "para mim". Não! A Vida acontece aqui e agora, como sendo a Vida, você. Não há uma separação entre você e a Vida, porque não existe esse "para mim". Mas nós carregamos essa separação e, assim, estamos acreditando que é "para mim" que a vida acontece. Não! A Vida é o que ela é. E você é a Vida. Em seu Ser, a Vida acontece como Bem-Aventurança, como Felicidade, como Amor, quando o ego não está.

Então, há uma qualidade de ação sem o "eu", sem o ego, assim como uma qualidade de pensamento, de sentimento, de sensação, com relação a si mesmo e com relação ao outro; porque não há mais essa ideia desse "mim" para esse si mesmo, nem a ideia da "pessoa" nessa relação com o outro. Não há essa pessoa aqui, nem essa pessoa lá. O seu real encontro com a Vida é um encontro inclusivista; ele inclui tudo à sua volta, sem a ideia de alguém particularizando as experiências, particularizando as ações.

GC: Mestre, nós temos uma pergunta de um inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Como posso cultivar a atenção plena?"

MG: Gilson, essa Atenção Plena não é algo que se cultiva. Isso não é uma planta que você coloca lá no seu jardim e protege dos outros animais, fazendo uma cerquinha em volta dela e colocando água todos os dias e liberando sol para ela, deixando-a sem uma cobertura, ou colocando uma cobertura, se ela não pode ficar muito exposta ao sol.

Essa questão dessa Atenção sobre as nossas reações, essa Atenção Plena, não é como uma plantinha assim, que vai crescendo quando nós cultivamos. O nosso velho modelo de aproximação, em geral, é nessa linha. Nós acreditamos em algo que cresce, que evolui. Nós acreditamos em progresso. Aqui, a Realidade deste Ser está presente. Não é algo que irá crescer.

Assim, o contato com essa Atenção lhe revela a Vida como ela acontece aqui e agora. Você não é um elemento que irá crescer nessa Atenção. A presença desta ciência da Atenção revela esta Realidade de Ser que é Você, aqui e agora. Nós não precisamos de uma técnica, de um exercício ou prática. Não é como uma musculação em academia. Não é como um exercício de natação ou de corrida. Não é como o cultivo, como acabamos de colocar, de uma pequena planta ou tratar uma semente até que um dia ela se torne uma árvore. Não é isso!

A presença do olhar para o momento presente requer apenas o olhar. Você já traz em si mesmo esse olhar, mas você está perdido na ilusão de uma identidade olhando, que é o observador. Esse é o problema. O problema é a ilusão de uma identidade que se separa para observar. Aí, olha a partir do observador.

Quando o pensamento surgir, tome ciência dele, não faça nada, não interfira. Se ele é um pensamento agradável, apenas olhe. Se ele for desagradável, apenas olhe. Se ele trouxer uma sensação de dor, apenas olhe. Uma sensação de prazer, apenas olhe. Não interfira com isso. Quando você interfere, você coloca o observador. Quando você não interfere, fica só o olhar. Neste olhar, temos a presença dessa Plena Atenção.

Há algo presente nessa qualidade de olhar, nesta Plena Atenção, que liberta o cérebro desse condicionamento do observador, desse condicionamento que é o "eu", que é o ego. Isso é a presença da Atenção. É a presença dessa Plena Atenção que lhe permite um encontro com o momento presente sem esse fundo que é o "eu", o ego, o pensador, o experimentador, o observador. E assim, o cérebro sofre uma mudança, a mente silencia. Esse real espaço se abre e se revela nele Aquilo que está além do conhecido, além do passado, além do futuro, além da ideia do presente; Aquilo que é eterno, indescritível.

A presença do Autoconhecimento requer a presença desta Atenção. E nessa Atenção se revela o seu Natural Estado de Meditação. Não é alguém praticando a Meditação. É a Meditação sendo aprendida, realizada, quando não há mais o "eu". Assim, não se trata do meditador meditando; se trata da ciência da Meditação, com base no Autoconhecimento, nesta Atenção.

Portanto, aqui nós precisamos é desta disposição. Essa disposição é o interesse para olhar, sem interferir. Esse interesse não requer esforço. Não é como algo que você tem que fazer a partir de um esforço. Não é algo que você faz a partir de um método, de um sistema, de uma técnica - isso requer esforço: o esforço a partir de uma prática com um propósito, com um objetivo. Tudo isso implica a presença de um movimento ainda egocêntrico para resultados.

É importante que compreendamos isso aqui. Algumas pessoas usam a expressão "atenção plena" associada a uma técnica, com um objetivo ou propósito. Isso é algo ainda egocêntrico. A presença dessa Atenção é algo natural. Não existe um movimento de intenção, de volição, de querer. Não há propósito. A Vida não carrega essa proposta para você. Esse você é a ilusão. A Vida é o seu propósito. Isso está presente nesta Atenção. E essa Atenção não é alguém realizando isso, objetivando isso. Isso está presente nesse direto olhar.

Volto a dizer: tudo o que nós precisamos é de uma simples intenção de observar, de ficar cônscio das nossas reações, daquilo que se processa aqui e agora. Quando você fala, gesticula; quando um pensamento surge, um sentimento, uma sensação... olhar para este momento não requer esforço. É como quando você se encontra ali diante daquele pôr do sol, naquela tarde, ou pela manhã, naquela praia, enquanto o sol vai surgindo.

Durante o nascer do sol ou durante o pôr do sol, nesse olhar não existe o tempo, não existe o "eu", não há esforço, não há nada para se obter. A Vida é algo assim, aqui e agora. Quando há essa Atenção, se revela esse Natural Estado que é a Meditação, e nele se revela Aquilo que é eterno, indescritível, que é a presença da Verdade.

GC: Mestre, nós temos outra pergunta de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, mesmo vivendo na dualidade, podemos ter um olhar para este momento?"

MG: Olha, Gilson, aqui há uma confusão. Você diz: "Mesmo vivendo na dualidade". Veja: a Vida está aqui e agora. Essa dualidade é a ideia que o pensamento forma sobre a vida. O pensamento cria uma fôrma, coloca nesta fôrma a ideia da vida. Então, surge a dualidade, que é a separação entre esse "eu" e o "não eu". Mas, de fato, nós não estamos vivendo na dualidade; é o pensamento que está nesse modelo de dualidade. Portanto, se torne ciente do pensamento. Apenas fique cônscio de como ele se processa. E, neste instante, essa dualidade desaparece.

Descobrir como olhar para as nossas reações sem interferir com elas, assim como olhar para os pensamentos sem se envolver com eles, ou os sentimentos... isso destrói esta fôrma, esse formato de dualidade, porque o cérebro, a mente, assume uma outra condição, inteiramente nova; então, surge o silêncio neste cérebro, a mente se aquieta, e neste olhar, agora, aqui, surge Aquilo que está além da dualidade.

É por isso que é fundamental, Gilson, a presença da Meditação. A presença desse encontro com esta Arte de Ser. O único propósito, o único objetivo, aquilo que aqui estamos trabalhando - como aquilo que temos de maior importância para as nossas vidas - é a compreensão da verdade sobre nós mesmos, sobre como a mente acontece, como ela funciona. Isso lhe dá a visão da Vida sem o "eu", sem o ego. Essa é a visão da não dualidade.

Portanto, essa ideia de que estamos vivendo na dualidade é a ilusão do próprio pensamento se posicionando, falando de uma separação que ele está estabelecendo. Não existe tal coisa como essa dualidade. É a afirmação de um observador se separando; de um pensador se separando; de um experimentador se separando; de alguém que está, como experimentador, separado da experiência; de alguém presente como um observador separado daquilo que ele está vendo; de alguém que se vê como pensador tendo pensamentos. Solte isso!

Apenas tome ciência das reações, e Algo novo irá surgir. Algo fora do conhecido irá assumir esse espaço. Esse espaço está presente quando não existe esse "eu", quando não existe esse modelo de condicionamento; e ele se dissolve quando é visto. No entanto, ele se sustenta quando ele não é visto.

Portanto, a questão da dualidade e a não dualidade... o que sustenta essa dualidade é a desatenção. Tome ciência de suas reações. Fique cônscio de como a mente funciona, e haverá um rompimento para essa condição. Uma vez que isso é algo presente nesta fôrma ou formato de condicionamento psicológico, de inconsciência, de continuidade em desatenção.

Por que temos enfatizado a Beleza desse encontro com o momento? Porque esse é o momento da Revelação. Você não vai até Deus. Deus é Aquilo que vem e se revela, descartando essa ilusão desse "mim". E tudo que se faz necessário é colocarmos, neste momento, a intenção de observar, de ficar cônscio das nossas reações.

Então, a Presença desta Graça, a Presença desta Verdade, vem e assume esse espaço. Essa é a Liberdade, a Felicidade, o Amor, a Paz; Aquilo que é indescritível, inalcançável pelo pensamento, agora, aqui, neste momento, está se revelando. Portanto, esse é o nosso trabalho, esse é o nosso propósito; essa deve ser, naturalmente, a sua disposição para olhar, para observar. Os encontros que nós temos online, presenciais, têm este propósito.

GC: Gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais esse videocast. E pra você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver essas Verdades, fica o convite para participar dos encontros intensivos de final de semana que o Mestre Gualberto proporciona. Os encontros existem no formato online. Existem também encontros presenciais e retiros.

Esses encontros são muito mais profundos do que esses vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo as nossas perguntas. E segundo, e muito mais impactante, é que, por o Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, ele compartilha um Campo de Presença à sua volta, um Campo de Energia, de Poder e Graça. E nesses encontros, a gente acaba pegando uma carona nesse Campo de Presença do Mestre.

E, pegando essa carona com o Mestre, de maneira espontânea, sem nenhum esforço, sem nenhuma prática, entramos no estado meditativo, silenciamos nossas mentes e podemos ter uma compreensão real dos assuntos que são aqui tratados. Então, fica o convite!

No primeiro comentário fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o like no vídeo e se inscreve no canal. E, Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.

Novembro de 2025
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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Como encontrar Deus? Meditação: o que é? Aprender sobre Autoconhecimento. A prática da meditação.

Aqui, ao meu ver, é fundamental essa compreensão, ver essa possibilidade. Me refiro à possibilidade desta mente livre do "eu" - esse sentido do "eu" presente, desse "mim", dessa "pessoa" aqui. Na realidade, estamos lidando com uma sugestão do pensamento. Portanto, será possível, neste momento, deixarmos de projetar, de desejar, de experimentar a partir desse "eu"?

Observe que as nossas experiências, todas as experiências desse "eu", termina que representam uma completa confusão, desordem, uma completa negação desse encontro real com a vida como de fato ela é. No entanto, nós chamamos isso de ação verdadeira, ação real; é isso que nós consideramos a ação positiva da nossa parte, que é exatamente a ação da pessoa, desse "mim".

Aqui, na vida, descobrir a verdade sobre isso é se desfazer de todo esse processo, o que significa se livrar desta condição. Podemos nos livrar desse "eu", desse "mim"? Podemos nos livrar desse modelo de ação que nós consideramos como uma ação verdadeira, como uma ação real, para uma nova ação? Uma ação que agora não nasce mais do modelo do conhecido e, portanto, do pensamento, e que está em linha com a vida como ela acontece. Ao meu ver, essa é a ação livre de problemas.

No entanto, isso requer esse atingir esse "eu", esse centro, esse ego, essa "pessoa". Ao tocar nisso, podemos ir além disso. Então precisamos atingir esse "eu", tomar ciência do seu movimento. Ao meu ver, essa é a verdadeira presença da Meditação. O que é Meditação? A Meditação é ir até essa raiz e se livrar dela. É a presença desse aprender sobre nós mesmos, esse aprender sobre o Autoconhecimento que nos aproxima disso.

Portanto, não se trata da prática da meditação. A prática da meditação é ainda a projeção desse "eu" dentro de um propósito. Quando você se assenta para meditar, lá está a pessoa na prática da meditação. Isso não é Real Meditação. Não importa a técnica ou método que você empregue, lá estará você ainda se projetando em uma técnica ou prática. A presença da Meditação é a investigação da natureza do "eu".

A verdadeira Meditação, a Real Meditação - eu tenho chamado de Real Meditação prática - é diferente da prática da meditação. A Real Meditação prática é ir até essa raiz, é tocar nesse "eu" tomando ciência de seu próprio movimento. Isso revela que o movimento do "eu" é o movimento do ego, é o movimento desse autocentramento, a presença da mente se movimentando entre o passado e o futuro para "mim".

Atingir a raiz do "eu" é compreender todo esse processo, que é exatamente o que determina essa dissolução: a dissolução do ego, a dissolução desse sentido do "eu", a dissolução desse sentido de separação. Nós temos tentado isso através de práticas e técnicas místicas, esotéricas ou religiosas. Alguns têm nos oferecido isso, na tentativa de mudarmos, alterarmos essa condição desse "eu".

O pensamento presente ainda é na ideia de uma entidade aqui, então nós falamos desse "eu inferior" ou desse "eu superior", sair desse "eu humano" para esse "eu divino", mas ainda é a ideia de uma entidade presente separada da própria vida, separada da própria realidade presente aqui e agora, porque estamos dentro de um projeto, de um movimento de alcançar, de se tornar.

Um trabalho direto, real, de compreensão da verdade sobre nós mesmos, nesse aprender sobre nós mesmos, nesse aprender sobre o Autoconhecimento, consiste nesse olhar para aquilo que aqui está presente. Quando esse olhar não interfere, quando esse perceber não coloca uma identidade se projetando neste vir a ser, nesse se tornar, temos resposta para a pergunta "o que é meditação", porque se revela aquilo que aqui está presente quando esse passado, que é o "eu", o ego, perdeu a importância.

Então, olhar para o pensamento, para o sentimento, para a sensação, sem colocar uma entidade presente; olhar para os seus gestos, palavras, o seu tom de voz, olhar para aquilo que ocorre externamente e internamente sem colocar uma entidade para julgar, gostar, não gostar, fazer comparações - é apenas olhar, é apenas perceber -, isso lhe aproxima de um real encontro com algo fora do "eu", fora do ego, fora da mente.

A nossa pergunta, a pergunta que todo ser humano faz é se existe, sim, essa possibilidade de ter esse encontro com a Verdade Divina, se realmente isso é real. Se é assim, onde está esse encontro? Como encontrar Deus? Como podemos ter um encontro com Deus? O seu encontro com Deus não é o encontro da pessoa que você é, que você acredita ser, com aquilo que o pensamento em você imagina ser Deus. O seu verdadeiro encontro com Deus consiste na Revelação da Verdade sobre você.

Olhar diretamente para o movimento do pensamento, do sentimento, da sensação, tomar ciência de todo e qualquer movimento interno aí dentro, em sua mente, isso elimina esse modelo condicionado de sentir e pensar sobre si mesmo, sobre a vida, sobre o outro. Então se revela, sim, esse encontro. Você se depara com Aquilo que é Você em sua Natureza Essencial, em sua Natureza Divina.

Portanto, o seu real encontro com Deus é o encontro com a Verdade de si mesmo. Primeiro você se depara com a verdade sobre a pessoa, e isso se desfaz neste instante; é quando se revela a Realidade do seu Ser. Portanto, nós temos a verdade sobre a pessoa e temos a Realidade deste Ser, esse é o encontro com Deus.

A presença do Autoconhecimento é a visão de algo além do "eu". Não há qualquer separação entre a verdade deste aprender sobre nós mesmos e a presença da Meditação de uma forma real, aqui e agora, na prática. O descarte da ideia de alguém, desse "mim", dessa "pessoa", é algo inteiramente diferente dessa pessoa na prática da meditação.

Esta pessoa na prática da meditação é a projeção desse ideal, desse estado de meditação para "mim", para o "eu", enquanto que, na realidade, a presença da Meditação é esse estado livre do "eu". Você não pratica isso, você não se envolve em uma técnica ou prática.

O movimento na prática, para aquele que pratica, é o movimento apreendido, guardado no conhecimento, na memória, ainda do "eu", desse "eu" no exercício, desse "eu" na prática, enquanto que a verdade da Meditação é exatamente a anulação desse "eu", o fim da continuidade do meditador, do praticante, do buscador.

Quando há na mente esse espaço, quando há no coração esse espaço, a presença da compreensão, a lucidez e a clareza da visão estão presentes, se mostram presentes, e assim nos deparamos com aquilo que aqui é essa Realidade. É que o seu modo particular de olhar para a vida é sempre a partir desse fundo de memória, de recordações, de lembranças, é sempre a partir do modelo do pensamento, que vive reconhecendo experiências para esse experimentador. É isso que tem lhe impedido de olhar para o instante sem o passado, de olhar para o instante sem esse "eu", que é o pensador, que é o experimentador.

A Verdade sobre a Realidade de Deus, desse encontro com Ele, reside nesse perceber a vida sem esse fundo, sem esse padrão de condicionamento. Não há uma separação que seja real, como o pensamento está produzindo em nós como uma sugestão, como uma crença - isso não é real. Não há uma separação real entre a Realidade deste Ser, a Verdade da Vida, e a Presença de Deus. Nesta clareza do Autoconhecimento, há esta visão da Meditação.

O seu Natural Estado de Ser é Amor, é Liberdade, é Felicidade. Aquilo que as pessoas chamam de "a prática da meditação" é algo que dá a elas o resultado da prática; o resultado da prática é aquilo que o pensamento projeta, e o que o pensamento projeta como paz, ele alcança, ou experiência que ele tem, ainda está dentro do conhecido.

A presença da Meditação não é uma ação voluntariosa, consciente, de alguém. Quando a presença da Meditação está, não existe a consciência como nós conhecemos, a mente como nós conhecemos. Esse espaço novo é algo fora do conhecido. A Realidade deste Ser é Real Consciência para esta mente livre desse fundo psicológico. Assim, o que aqui nós chamamos de mente ou consciência é algo diferente do que nós conhecemos.

A pergunta é: como podemos nos aproximar disso? Só há uma forma real desta aproximação: é olhar para este instante, apenas olhar para este instante, escutar esse momento, simplesmente escutar esse momento. Como a vida acontece externamente, com seus eventos e acontecimentos, incidentes e acidentes, como a vida acontece internamente quando um pensamento surge ou um sentimento ou uma sensação, olhar para a vida como ela acontece, sem rejeitar, sem fazer avaliações, sem fazer comparações, sem colocar um elemento presente que julga, que aprova ou reprova a vida como ela é, essa é a forma.

Assim, a presença desse aprender sobre o Autoconhecimento consiste nessa Atenção desse olhar para esse instante, sem esse sensor, sem esse que faz escolhas, que toma decisões do tipo: "eu quero" ou "eu não quero". Assim, anulamos o sentido desse "eu" que se projeta. Insatisfeito com o que a vida é, ele se projeta naquilo que ele deseja ser, deseja obter ou deseja se livrar. Todo esse infortúnio de ser alguém, toda essa infelicidade de se sustentar na vida se separando dela como uma pessoa é algo presente em todos nós em razão da ignorância.

Nós não fomos educados, ensinados para olhar para nós mesmos, para tomar ciência de que não é a vida com problema e, sim, esse sentido desse "eu" com todo esse fundo de memória, de condicionamento, é ele o elemento, é ele o problema, é ele a continuidade dessa história, dessa memória, desse passado. Portanto, essa autodescoberta, essa revelação, é a Verdade deste encontro com Deus.

Assim, como encontrar Deus? Consiste nesse esvaziamento completo de todo esse velho conteúdo, que é o conteúdo do "eu". A verdadeira Vida Divina, a Real Vida Religiosa é a visão do momento, é a visão da Realidade daquilo que aqui está presente; esse olhar é o olhar livre dessa mente que está fora do conhecido, que está fora do tempo. Você nasceu para, nesta vida, viver essa Presença, esta percepção de Realidade, esta qualidade de Inteligência, de compreensão deste momento.

Portanto, é isso que aqui, juntos, estamos trabalhando com você nos finais de semana. Nós temos dois dias de uma forma online: sábado e domingo. É uma oportunidade de estarmos juntos olhando para tudo isso, trabalhando diretamente isso. Além desses encontros online que temos nos finais de semana, nós temos encontros presenciais e, também, retiros. Então, se isso é algo que faz algum sentido pra você, já fica aqui um convite.

Novembro de 2025
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terça-feira, 22 de setembro de 2026

Tempo psicológico | Como encontrar Deus? | Meditação: o que é? | Aprender sobre Autoconhecimento

É de fundamental importância estudarmos isso aqui com você, essa questão do tempo psicológico. Observe que o modelo do pensamento em você se move entre o que foi e o que será. Observe que o pensamento em você não se ocupa com o que está aqui, ele se ocupa com a leitura do que está aqui com base no que foi ou com base no que será. O que foi é a imaginação do que ocorreu; o que será é a imaginação do que irá acontecer, poderá acontecer, ou não.

A base, o fundamento é a presença do pensamento, a presença do passado e do futuro. Nós usamos a expressão "presente" para aquilo que aqui está, mas a nossa inclinação maior é sempre transformar isso que aqui está em algo com base em uma referência do que foi e do que será. Assim, a nossa grande ocupação mental, nessa consciência do "eu", que é a presença da pessoa, desse "mim" que "eu sou", é a ocupação desse tempo. Esse é o movimento do tempo psicológico.

E por que chamamos de tempo psicológico? Porque é algo que envolve o modelo psíquico de ser alguém. Quando temos a presença desse alguém, desse ser alguém, temos a presença do passado, do presente e do futuro. Você como alguém, como uma pessoa, está sempre ou no passado ou no futuro. Não há nada aqui, nesse instante, para a pessoa. Observe sua ocupação interna; essa ocupação é o movimento do pensamento.

Assim, o movimento do pensamento estabelece a presença do tempo. Nós não temos a presença do futuro nem do passado sem a presença do pensamento. Sem a presença do pensamento, nós não temos o tempo; e sem o tempo, nós temos a pessoa. Reparem como é fundamental isso, ter essa direta visão, esse perceber direto de que não existe tal coisa como uma pessoa.

A nossa crença, a nossa certeza é de que estamos aqui. Mas aqui exatamente onde, já que esse tempo é algo que o pensamento está produzindo entre o passado e o futuro? Portanto, a própria ideia do presente, onde esse "aqui" está acontecendo para esse "eu", é uma crença, é uma imaginação, é uma sugestão do próprio pensamento.

Portanto, a base, a estrutura, exatamente onde se assenta essa pessoa, é algo inteiramente falso. Não existe tal coisa como alguém aqui, como uma pessoa presente. Nós temos apenas a vida acontecendo. Veja, isso aqui não é uma conclusão intelectual, é uma direta observação dos fatos, daquilo que aqui está presente se mostrando exatamente como isso é. Precisamos de uma mente quieta, de um cérebro silencioso para esta percepção.

É por isso que, na vida, aquilo que temos de maior importância consiste na ciência que revela Deus, porque Deus é a única Realidade presente; uma Realidade presente além da ideia de passado, presente e futuro. A única Realidade, que é a própria Vida, é a Realidade Divina. E a ciência que revela Isso é a presença desse aprender sobre o Autoconhecimento; isso revela a você, diretamente, a Realidade deste Ser que Você é, que é Deus.

Quando há esse aprender sobre o Autoconhecimento, o que requer esse olhar para o momento sem o pensamento e, portanto, sem o tempo, porque não existe mais o passado nem o futuro, nos deparamos com a resposta para a pergunta "O que é Meditação?" Assim, a Meditação, o que é? A Meditação é aquilo que aqui está presente revelando a Verdade do momento como a única Realidade que se revela aqui, naquilo que está fora do tempo, fora do pensamento, e isso, naturalmente, está fora do conhecido.

Assim, o que é Meditação? A Meditação, o que ela é? Ela é a presença desta compreensão do momento, que é atemporal, que está fora do tempo. Esse é o nosso verdadeiro encontro com Deus. Para a pergunta "Como encontrar Deus?", aqui está a resposta: nesta ciência de Ser, que é Meditação. Quando o pensamento não está, o "eu" não está, o tempo não está, o que está presente é a Verdade Divina.

Aqui, a boa notícia é que essa é a Verdade sobre Você. Tomar ciência, na vida, de que essa particular vida não é real - essa vida particular da pessoa é a presença da imaginação que o pensamento estabeleceu -, tomar ciência de que podemos viver a vida sem essa qualidade de mente, que é a mente condicionada, é de fato uma boa notícia.

A mente em seu Estado Natural - não a mente nesse comum estado geral, nesse contexto de condicionamento de consciência humana, de consciência egoica -, é Silêncio, é Liberdade, é Quietude. Assim, há um espaço presente; nesse espaço está a Vida. Observe que o ser humano vem há milênios em busca ou na procura de Deus, mas é o Deus que o pensamento estabeleceu em sua crença, o Deus que está longe, distante, o Deus ensinado pelas religiões organizadas.

Assim, existe essa pessoa, que "eu sou", para ter um encontro com Deus lá, no futuro. Mais uma vez, temos a presença do tempo, a ideia do tempo, a crença no tempo. Reparem: a Verdade não pode estar dentro do tempo. A Realidade Divina não pode fazer parte do tempo, Ela estaria limitada ao tempo. Aquilo que é Real - Deus, o Supremo -, Aquilo que é a Verdade é o Desconhecido. Por natureza, por estrutura, precisa ser algo além do conhecido e, naturalmente, indescritível e atemporal.

A nossa descoberta, a nossa constatação é a constatação que revela a Verdade deste Ser. Não é alguém tendo esta constatação, é a Verdade sendo assumida. Você não vai até a Realidade, a Realidade vem e se revela a Você. Se revela a você não como se revela para alguém; a Revelação da Verdade para Você é a Revelação de que Você em seu Ser, não nessa mente, que é a mente egoica, não nessa mente dentro daquilo que o pensamento conhece e reconhece em cada um de nós, não nessa mente envolvida com o tempo que o pensamento tem estabelecido, que é a noção de passado, presente e futuro. A Revelação da Verdade não é para a pessoa, não é para a mente.

Todo e qualquer movimento é o movimento do pensamento, é o movimento da própria mente. Assim, a mente precisa desse silêncio, desse espaço; ela precisa dessa quietude. Quando ela não se move, porque ficou claro que todo e qualquer movimento é o movimento ainda do tempo, porque é o movimento do pensamento, aqui se revela esta compreensão da Verdade deste Ser.

Portanto, o que é esse Aprender sobre o Autoconhecimento? É essa qualidade de olhar, de escutar, de perceber sem o movimento do pensamento, portanto, sem o movimento do passado. Observar as nossas reações, ficar ciente da inveja, do ciúme, do medo, da raiva, das preocupações, de todo e qualquer estado psicológico interno surgindo, ficar ciente disso sem se envolver, apenas constatar, observar, escutar, perceber, sem interferir com isso, nesse instante o cérebro se aquieta, a mente, de fato, silencia e essa condição psicológica se dissolve.

É quando se revela, nesse espaço, algo novo, que é a presença da Bem-aventurança, da Felicidade, da Liberdade, da ausência do sofrimento, porque não há mais o sofredor, ausência do conflito, porque não há mais alguém em conflito. Isso é ausência do medo, da inveja, do ciúme, dessa ilusão de possuir, de controlar; isso é fim da ilusão de uma identidade presente se estabelecendo aqui porque veio do passado, se estabelecendo aqui e indo para o futuro para obter coisas.

O seu Real encontro com a Vida é o encontro com Deus. Você não precisa do que o pensamento estabeleceu nessa mente condicionada, dessa ideia do que você, como alguém, precisa. Esse alguém, essa mente condicionada, esse pensamento é um único movimento ilusório de ser, arrogante de ser, que se move nesse movimento do tempo psicológico.

Perceber diretamente essas reações sem interferir, escutar diretamente aquilo que se passa dentro de você, e também externamente, sem se envolver com isso, termina com o tempo, termina com o "eu", põe fim ao ego. Portanto, a Beleza desta Realização consiste na compreensão de que não existe alguém - alguém para o movimento, alguém para a prática da meditação.

Reparem, em nenhum momento falamos aqui de alguém praticando meditação. Não existe tal coisa como a Meditação, de uma forma real, dentro de uma prática. A Real Meditação é a ciência do momento de uma forma prática, vivencial. Momento a momento, não sustentar a continuidade do passado, não alimentar uma identidade que olha para o futuro a partir do pensamento, é a presença da Meditação na prática.

Não se trata de uma prática de meditação para alguém realizar e obter algum resultado. A presença da Vida é a presença de Deus, é a Verdade de Ser. Aqui eu me refiro à Vida, não àquilo que o pensamento, a partir de comparações e avaliações, tem qualquer leitura. A vida para o "eu", para o "ego", nesse movimento do tempo psicológico, é feita de leituras, de escolhas, predileções, gostar, não gostar, querer, não querer. Há essa sustentação da ideia do que deveria ser, do que poderia ter sido ou de como será.

A base sempre é o vir a ser, não é este Ser, aquilo que aqui está presente além do tempo, enquanto que a Verdade aqui está presente além do tempo. A ilusão se sustenta no pensamento do que deveria ser, do que poderia ter sido ou do que será. Vamos acompanhar com calma isso, investigar e olhar de perto. Todos esses encontros que temos aqui é para esta investigação, é para esta descoberta, é para esta constatação.

Então, quando a mente está livre, quando não há mais esse movimento entre o que foi e o que será, quando é eliminado esse tempo psicológico, a ideia de uma identidade não está mais. Então, lidar com o instante sem alguém presente é a presença de uma Inteligência neste cérebro, nesta mente.

Esta qualidade de mente está além da mente como nós conhecemos. Em alguns momentos eu chamo isso de não mente. Esta qualidade de Consciência agora presente eu tenho chamado de Real Consciência, mas, na verdade, é algo além da Consciência, desta Consciência: é algo Indescritível, a presença da Verdade, a presença desse Ser, a presença de Deus.

Não existe tal coisa como uma separação, não existe tal dualidade entre Você e a Vida, entre Você e o outro, entre Você e Deus. É o pensamento que estabelece, a partir desse senso de pessoa, a partir desse "mim", desse "eu", desse que surge como aquele que compara, julga, aceita, rejeita, gosta e não gosta; é a presença da pessoa, desse "mim", do "eu", do ego, esse centro ilusório que olha a partir de toda essa leitura do pensamento, que tem sua base no tempo, nesse padrão de tempo psicológico.

A sua verdadeira Revelação é a Revelação d'Aquilo que é Você quando o sentido do "eu" não está. Assim, não se trata de um movimento para alcançar, mas de um olhar direto para perceber aquilo que está presente aqui e agora; e o que está presente aqui e agora transcende toda essa noção de aqui e agora.

É o que estamos aqui trabalhando com você nesses encontros. Nós temos dois dias de uma forma on-line: sábado e domingo. Além desses encontros on-line que nós temos nos finais de semana, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite.

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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

A Vida Contemplativa | O observador e a coisa observada | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal. Estamos aqui para mais um videocast. Novamente, o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje, eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado: "A Vida Contemplativa". Em um trecho deste livro, o Joel Goldsmith faz o seguinte comentário: "Sempre, nossa salvação está nessa capacidade de despersonalizar, de viver espiritualmente em vez de pessoalmente". Neste trecho, Mestre, o Joel fala sobre essa capacidade de despersonalizar. Dentro desses assuntos, o Senhor pode compartilhar a Sua visão sobre o observador e a coisa observada?

MG: A resposta para essa pergunta requer um olhar, um direto ver ou perceber a nós mesmos como nós estamos funcionando. A não ser que você diretamente tome ciência de como a sua mente está funcionando, continuaremos presos dentro de um programa, de uma forma de observar, sem a ciência do que isso representa.

Nós temos um modo de olhar a partir de alguém que olha. A nossa crença, a velha crença que temos, é que, no olhar, há alguém olhando: existe alguém olhando. Nós acreditamos piamente que estamos presentes sendo alguém que olha, alguém que observa, alguém que interage, alguém que sente, alguém que pensa, alguém que fala. A nossa crença é a crença na separação entre o observador e a coisa observada, entre o pensador tendo seus pensamentos e o experimentador vivendo suas experiências.

Aqui, por exemplo, nós temos alguém falando e alguém ouvindo. Nós temos o som e a escuta. Observe que isso é muito razoável do ponto de vista de uma visão superficial; mas, olhando diretamente, dentro de uma ótica de realidade, toda experiência nunca se separa daquele que experimenta. Ou não seria uma experiência. Você não pode me falar de uma experiência que você não viveu.

Assim, é a presença da experiência e de alguém. Esta é a separação. Mas qual é a realidade da experiência? A realidade da experiência não é esta separação. A realidade da experiência consiste em um experimentar. Você não pode separar aquele que está na experiência da experiência que ele está tendo. Estas duas coisas, na realidade, são uma única coisa. É a presença do experimentar.

Assim, dentro da perspectiva da realidade, a vida acontece assim: dentro de um experimentar. Não existe alguém que se separa da vida. A Vida é um experimentar onde não existe esse "eu" e o "não eu"; onde não existe esse experimentador e a experiência; onde não existe esse observador e aquilo que ele observa. Isso aparece quando o pensamento surge contando o que viveu. Quando você me fala de algo que você viu, você está me falando de uma experiência passada, de uma memória, de uma lembrança, de uma recordação. Essa fala nasce do pensamento.

O pensamento, em nós, é o elemento que cria esta separação, que cria esta divisão entre o observador e a coisa observada, o experimentador e a experiência, porque o que temos presente é somente a experiência. E a experiência está no experimentar. Não se pode falar de uma experiência sem o experimentar. A nossa ênfase constante consiste nesta visão teimosa que temos de alguém que está presente sendo o experimentador, sendo o pensador, sendo o observador.

A Verdade de um contato real com a Vida é um contato no experimentar, no observar, no perceber, no escutar, no sentir, mas não há alguém presente nisso. A não ser que o pensamento surja para contar algo que viveu; ou seja, falar de uma experiência que o pensamento registrou, que ele experimentou.

Observe, Gilson, que é fundamental essa compreensão, porque isso liberta você da ilusão de que a vida está separada de você. De que o outro está separado de você; de que um pensamento, ao surgir em seu cérebro, é algo separado de você; de que um sentimento, ao surgir no corpo, é algo separado de você; e de que existe essa separação entre você e essa experiência. O que temos presente é o experimentar de um sentimento, de uma emoção, de um pensamento, de uma percepção, de uma observação. Mas não existe o "eu", não existe o ego.

E por que isso se torna fundamental? Isso é essencial, fundamental, porque isso liberta, solta a ideia de alguém presente, separado do momento, separado do que está aqui, neste instante, se revelando. Seja uma lembrança, um sentimento, uma sensação, uma percepção, uma observação. O contato com a Vida é em Amor, em Paz, em Liberdade. Mas desconhecemos a Verdade sobre o Amor, a Paz e a Liberdade quando estamos vivendo esta separação.

Quando, como alguém, como uma entidade que se separa do momento presente, olhamos para aquilo que aqui está se revelando a partir desse observador. Ao fazermos isso, nós gostamos de algumas coisas e não gostamos de outras. Nós não sabemos lidar com a vida como ela acontece porque estamos olhando para a vida a partir do observador, naturalmente, fazendo escolhas. E isso sustenta, nesta separação, o conflito, o sofrimento, esse gostar e não gostar, querer e não querer.

Nós não sabemos entrar em um contato direto com o momento presente, seja ele de prazer ou de dor. Assim, ficamos escravos da interpretação que o pensamento dá a esse momento. Ele faz isso em razão da ideia que ele cria desse pensador. Portanto: para a experiência, o experimentador; para o pensamento, o pensador; para uma emoção, aquele que sente; para uma percepção, aquele que percebe. E assim estamos constantemente vivendo esta ilusão: a ilusão da separação.

É isso que, aqui no canal, temos chamado de dualidade. Nós temos que investigar a verdade sobre a não dualidade, a visão da Advaita, da não separação. A Realidade da Vida é não dual. A Verdade é não dual. Não podemos ter um contato com a Verdade, um contato com a Realidade, a partir do pensamento. É o pensamento o elemento básico da mente como nós a conhecemos, da mente que estamos vivendo.

Aqui, juntos, investigar isso é fundamental para irmos além da mente, além do pensamento. E, assim, o contato com o instante revela a qualidade de experimentar a Vida como ela acontece, sem alguém envolvido nisso. Seu Natural Estado de Realidade, de Verdade, é este Estado de Ser; Nele, está presente aquilo que Deus é, aquilo que o Amor representa, que a Liberdade significa. Portanto, uma mente livre do pensamento é uma qualidade de perceber, de olhar, de sentir, sem o "eu", sem o ego, sem essa ilusão da separação.

Os diversos conflitos que nós temos estão presentes em razão desta dualidade. Será possível uma vida livre do medo, do ressentimento, da mágoa, do rancor, da dor, da solidão? Será possível uma vida livre da ansiedade, depressão, angústia? O seu Natural Estado de Ser, não dual, é a Realidade Divina, é o contato com aquilo que está fora do ego, fora do "eu". Essa é a presença de um observar, de um perceber, de um sentir direto, sem o pensamento e, portanto, sem o passado.

GC: Mestre, nós temos uma pergunta de uma inscrita aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Eu sofro muito com críticas e me sinto fracassada. Como me livrar dessa autoimagem?"

MG: Então, Gilson, a presença desta autoimagem é a presença deste observador, deste pensador. É a vida daquele que está no experimentar. Veja, nós temos o experimentar, mas não temos alguém para esse experimentar. Esse alguém para experimentar é o experimentador. Se livrar dessa autoimagem é ter a compreensão direta, é ter uma visão próxima, íntima, de todo esse processo, que é o processo do pensamento. Perceber que o pensamento é o elemento que, quando chega, se aproxima a partir da memória, a partir do passado. Toda referência nele, toda referência dele, são registros de recordações.

Nós precisamos constatar isso diretamente: que nós estamos tendo dessa pessoa uma lembrança; não é ela que está aqui, e sim a memória, a recordação do que nós vivemos com ela, do que nós passamos com ela. É a recordação, é a memória. Precisamos ter ciência disso. Quando você fica ciente de que esse ressentimento, essa mágoa, essa tristeza, a presença dessa dor que você tem quando está diante dessa ou daquela pessoa, é apenas uma recordação dentro de você sobre ele ou ela.

É fundamental um contato direto com esse momento de experimentar, sem se separar disso. Quando você se separa, é que você cria essa autoimagem. Assim, nessa autoimagem, existe a ilusão de alguém - que é você - e o outro, que lhe causa dor, que lhe causa mágoa, que está criando esse estado de ressentimento, de tristeza, de pesar. Uma Atenção direta sobre esta reação elimina esta separação entre você e ele, ou você e ela. Se não temos esta separação, não temos mais a autoimagem.

Esse é o contato direto com o experimentar desse estado. Então, ele se dissolve. Agora, neste instante, você não está mais alimentando a ilusão da separação, a ilusão dessa autoimagem, dessa egoidentidade. E, quando você não alimenta mais isso, em razão desta Atenção, deste observar, deste perceber, deste sentir diretamente isso, isso termina.

Gilson, é fundamental essa visão nova, esse perceber inédito, esta clareza única. A visão deste momento, neste contato com o outro, sem a autoimagem, é quando, neste contato - porque não há mais esta separação -, temos a presença da comunhão. Uma vida sem inimigos é também uma vida sem amigos. Uma vida sem amores é uma vida sem desamores. Uma vida sem amizades e inimizades entre pessoas que "eu gosto" e pessoas que "eu não gosto".

O nosso real contato com o momento é o contato com a vida como ela aparece, como ela surge. É que, em geral, nós estamos, por muito tempo, cultivando a ilusão de uma identidade presente, que é a pessoa que nós somos. Estamos vivendo dentro de um padrão de especialismo. É como se toda experiência presente fosse para "mim". Eu me vejo como o centro dos acontecimentos.

Assim, os acontecimentos todos devem girar em torno daquilo que "eu" quero ou não, daquilo que "eu" gosto ou não, daquilo que "eu" aceito ou não. Então, "eu" vivo em minhas escolhas, desejos, predileções, aceitações e rejeições. É o padrão de um comportamento psicológico em "mim", que me posiciona na vida como um elemento que é o centro dos acontecimentos. Assim, o nosso padrão de comportamento é de uma mente condicionada, de um cérebro preso a esse padrão de referência.

A referência é a pessoa que "eu" sou, é aquilo que "eu" prefiro sentir, "eu" prefiro perceber, "eu" prefiro escolher. Esse é o condicionamento. Soltar isso é ir além do ego, é ir além desse centro que se separa, para o contato com a vida sem o "eu", sem o ego. Isso lhe confere uma Real Liberdade: de um cérebro livre, de uma mente livre, de um coração livre, para um contato com o momento presente, em um direto experimentar de cada instante, sem o passado.

O seu real encontro com a Verdade, o seu real encontro com a Liberdade é o encontro com o Divino, é o encontro com este Ser, é o que estamos aqui trabalhando com você: uma Vida livre do "eu", livre do ego, livre desta autoimagem.

GC: Mestre, nós temos outra pergunta de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, é na atenção plena que podemos descondicionar nossa mente?"

MG: Gilson, a presença de um olhar para este instante. é aqui que está a resposta. O olhar para este instante requer uma Atenção sobre aquilo que aqui surge. Esta Atenção elimina esse elemento que se separa para fazer escolhas, para julgar o momento presente, para comparar o que está aqui surgindo com algo que ele viu no passado. Assim, eliminamos a ilusão de uma identidade presente quando colocamos Atenção sobre as nossas reações. Portanto, a presença desta Atenção Plena, desta Atenção sem escolha, desta Atenção sem o passado, elimina o elemento que surge do passado.

O elemento que surge do passado é a presença da memória nesta forma de recordação, que é o pensamento. É a presença do pensamento que coloca o pensador. Esse que surge como um censor, que aprova, desaprova, aceita, rejeita, gosta, não gosta. Torna-se fundamental, Gilson, na vida, a compreensão de nós mesmos, a compreensão de todo esse movimento do pensamento, que dá estrutura a esse pensador, que é o "eu".

O seu real contato com o instante é a eliminação da continuidade do passado. O nosso velho modelo, o nosso habitual modelo de contato com o momento, é a partir das lembranças. Num certo nível, o reconhecimento, o uso da memória - ou seja, de recordações - é fundamental; mas, em outro nível, é algo completamente problemático, que está produzindo todo tipo de situações, de complicações, de desordem e sofrimento.

O meu contato, por exemplo, com você, não é real quando o que "eu" tenho sobre você é algo além do nome e da lembrança do seu rosto. Quando "eu" trago para este encontro as lembranças agradáveis e desagradáveis que "eu" vivi com você, essas lembranças se assentam aqui, neste "eu", neste "mim". É a presença do pensamento que sustenta esse jogo de separação entre esse "mim", esse "eu", e você. Nessa separação, está estabelecido o conflito. Eu não estou num contato direto com você neste instante; eu estou num contato com a memória que "eu" tenho sobre você. Isso nos separa, nos divide.

Nós estamos nesse jogo já durante toda a nossa vida. Todas as pessoas que você conhece, você não tem apenas o nome e o rosto, a direta e simples lembrança delas; você tem uma imagem sobre elas, uma ideia, uma construção mental, um modelo de gostar ou não delas. Na verdade, nesse gostar ou não gostar, está presente esta projeção, que é a projeção do seu próprio "eu", do seu próprio ego dentro dessas relações.

Observem as implicações disso. Nós nunca entramos num contato direto com ele ou ela. Nós sempre estamos, nesse contato, numa separação. Porque não é um contato real; é um contato entre imagens. As pessoas são imagens. Podemos ter uma vida livre de imagens para o contato com ele ou ela, sem o passado? Sem o passado dele ou dela, sem a ideia, aqui, de quem ele ou ela é. Repare: estamos diante de uma ilusão, de uma construção do pensamento. A eliminação do modelo psicológico de ser alguém, de ser este "eu", esta pessoa aqui. isso põe fim à ilusão da pessoa lá.

O nosso real contato com a vida não é com pessoas, não é com imagens estabelecidas em nós pelo pensamento. Nosso real contato com a vida é o contato com a totalidade da Vida, como ela é. Isso inclui eles, elas. Inclui o outro. Então, essa imagem que nós chamamos de pessoa precisa desaparecer. O que temos na vida são seres humanos: ele ou ela, o marido, a esposa, os filhos.

A ideia de alguém presente a partir das representações que "eu" tenho é algo inteiramente falso. Se assenta nesta base ilusória, que é este próprio "eu" aqui. Não existe esse "eu" aqui. Esta é a grande revelação da Vida quando não há mais a ilusão. Quando o seu Natural Estado de Ser floresce, o outro, a Vida, os acontecimentos. tudo é esta única Realidade presente, a presença da Verdade.

Portanto, uma Vida em Amor requer a compreensão dele ou dela, o descarte da ilusão sobre ele ou ela. No entanto, isso começa aqui, neste Autoconhecimento, nesse descarte da ilusão do próprio "eu", do próprio ego. É o que estamos aqui, juntos, aprofundando para a compreensão.

GC: Gratidão, gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais esse videocast. E, pra você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver essas Verdades, fica o convite para participar dos encontros intensivos de final de semana que o Mestre Gualberto proporciona.

Esses encontros são muito mais profundos do que esses vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo as nossas dúvidas. E segundo - e muito mais impactante - é que, pelo Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, Ele compartilha um campo de Presença à sua volta, um campo de Poder, de Energia e Graça.

E, nesses encontros, a gente acaba pegando uma carona nesse campo de Presença do Mestre. E, pegando essa carona com o Mestre, de maneira natural, sem nenhum esforço, sem prática e sem técnica, entramos no Estado Meditativo, silenciamos nossas mentes e podemos ter uma Compreensão Real dos assuntos que são tratados aqui no canal.

Então, fica o convite! No primeiro comentário fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o "like" no vídeo, se inscreve no canal e, Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.

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terça-feira, 15 de setembro de 2026

A Felicidade | Como encontrar Deus? | Meditação: o que é? | Aprender sobre Autoconhecimento

Será que nós podemos encontrar, por nós mesmos, essa fonte? Aqui a expressão é "Felicidade". Será que essa fonte perene, de Bem-Aventurança, de Alegria, de Amor, de Liberdade, que nós chamamos de Felicidade, será que nós podemos encontrar isso? Porque, repare, na verdade, é isso o que nós buscamos, sem saber que buscamos.

Em todas as nossas relações, em todos os nossos contatos, em tudo o que fazemos, lá está presente - quer tenhamos ciência disso ou não - esse motivo. Nós estamos em busca do Amor, da Alegria, da Bem-Aventurança, da Paz, da Felicidade, e fazemos isso procurando coisas, coisas que acumulamos externamente e coisas que também acumulamos em nossa mente e em nosso coração, como, por exemplo, relacionamentos e conhecimentos diversos. Tudo isso com o propósito de encontrarmos um estado interno de Felicidade.

Nós queremos encontrar um espaço seguro, livre do sofrimento. Queremos encontrar essa fonte inesgotável de Presença, de Verdade, de Liberdade, mas repare que nós não encontramos nem do lado de fora nem dentro de nós mesmos, nessas conquistas emocionais, sentimentais, nessas realizações internas de conhecimentos e experiências, sejam elas físicas, emocionais ou, assim chamadas, espirituais.

Portanto, a pergunta é: podemos, por nós mesmos, tomar ciência disso, dessa fonte, onde lá está presente essas águas? - a água do Amor, da Felicidade, da Paz, da Alegria. Por que será que isso se esconde de nós? Parece que estamos sempre perseguindo algo que não existe. É como alguém perseguindo um fantasma: parece que nós nunca temos a coisa real. Estamos lidando com algo que parece estar lá, em algum lugar, mas a gente não encontra.

Ao meu ver, o que nos falta é a ciência de uma Vida Divina; isso requer uma visão religiosa, real, e não aquilo que as pessoas entendem aí fora por vida religiosa ou visão, na espiritualidade, ou espiritual. Aqui estamos trabalhando isso com você, promovendo essa visão; e, sim, de fato, ela é algo que poderá nos levar até essa fonte. Ou melhor, ela é algo que irá nos mostrar a presença dessa fonte.

Parece que aqui já nos deparamos com o primeiro ponto fundamental para ser compreendido: nós acreditamos que aquela fonte está lá, em algum lugar. Você não pode perseguir a Verdade, você não irá encontrar a Verdade. Você não pode perseguir porque ela não está lá fugindo de você; você não pode encontrar porque ela não se separa da Realidade da Vida, que está presente aqui como sendo a Realidade do seu Ser.

Assim, essa fonte não será encontrada; ela se revelará, ela se mostrará, ela se fará perceber. É algo que surge em nossa vida como a presença da Verdade que já está presente. No entanto, isso requer uma mudança, uma transformação, requer um trabalho, porque é isso que torna possível a Revelação desse Estado; e isso é algo que depende de uma profunda compreensão da Verdade sobre nós mesmos.

Não se trata de um processo progressivo, como subir uma escada ou fazer uma escalada. Não é uma progressão, não é um passo a passo. Isso não depende de algum método. Essa mudança ocorre aqui e agora; ela é total, ela surge a partir de uma clareza, de uma percepção, a partir dessa visão. Essa transformação é a ciência desta Real Vida Divina.

Aqui a pergunta é: como encontrar Deus? A resposta é: naquilo que aqui está presente despertando quando há esse Florescer Divino, o Despertar da Inteligência, da Sabedoria, e isso requer a presença do Autoconhecimento. Portanto, aprender sobre o Autoconhecimento nos dá a base para o Florescer Divino, que é a presença desta Inteligência que nos dá essa visão, que é a visão de Deus.

Portanto, como encontrar Deus? Assumindo a Realidade de Ser, tendo a constatação da Verdade sobre você, aqui, neste momento, o que requer esse aprender sobre si mesmo, aprender sobre você. Você sabe, na vida, muitas coisas; na verdade, tudo o que você sabe, você aprendeu. A vida consiste em relações acontecendo. Relações são contatos onde há um constante aprender as coisas.

Nós estamos constantemente aprendendo alguma coisa e melhorando, e se autoaperfeiçoando naquilo que já sabemos ou acreditamos saber. Mas esse saber ainda é pequeno, ele vai crescendo. Tudo na vida nós aprendemos e estamos crescendo naquilo, ainda nesse aprender. Mas aqui estamos nos referindo a um novo aprender, a uma qualidade de aprender diferente de tudo o que conhecemos aí fora.

Para aprender a dirigir, você pratica a direção; para aprender um idioma, você pratica gramática e conversação; para aprender música, você pratica com um instrumento nas mãos e com a partitura ali, diante de você, então você aprende a fazer a leitura e a adquirir a técnica instrumental. Aqui, a ciência desse novo aprender requer esse olhar, esse escutar, esse observar. São essas três coisas: olhar, escutar, observar.

Olhar sem alguém para interferir neste olhar. E por que isso é fundamental? Porque nesta qualidade de olhar, neste aprender, neste como aprender sobre nós mesmos, neste aprender sobre o Autoconhecimento, nesta qualidade de olhar não existe o observador. Quando colocamos o observador, colocamos o "eu", o ego, a pessoa, esse "mim". E quando ele olha, olha julgando, comparando, aceitando, rejeitando, gostando, não gostando. Isso não é o olhar; é o observar a partir do observador.

Quando você olha para algo a partir daquele que olha, neste momento esse olhar é ajustado ao querer, à vontade, ao desejo daquele que olha. A partir desse momento, aquilo que ali está se mostrando é visto por um observador que está fazendo uma leitura, que aceita, que rejeita, que gosta, que não gosta. É assim que estamos lidando com as experiências da vida, sempre a partir de um experimentador. Esse experimentador é o "eu", o ego.

Assim, aquilo que estamos experimentando como um experimentador é parte do próprio experimentador, assim como aquilo que estamos vendo a partir do observador é parte do observador. Quando fazemos isso, estamos dando continuidade ao próprio "eu", ao próprio ego, e isso não nos permite a verdade deste aprender sobre as nossas reações.

Portanto, a verdade do olhar é o olhar sem o "eu", sem o observador; a verdade do escutar é o escutar sem alguém para concordar ou discordar, para gostar ou não gostar. Temos a presença do escutar, a presença do observar, mas não temos esse que escuta nem esse que observa.

Portanto, o que é esse aprender sobre nós mesmos? É perceber esse jogo. É apenas perceber, sem interferir. Então, quando isso ocorre, a mente silencia, o cérebro se aquieta, e nesse instante se revela Algo além do "eu", além do ego, além do experimentador, além do observador, além desse "eu" que escuta. E, assim, nos deparamos com a presença, nesse aprender sobre nós mesmos, da Meditação.

Nós temos inúmeras falas aqui, e estamos colocando a partir de ângulos diferentes essa proposta: a Realidade, a Verdade, a Ciência da Meditação. A Meditação, o que ela é? O que é Meditação? É escutar, é olhar, é observar sem o observador, sem esse que escuta, sem esse que olha. Ou seja, a aproximação desse aprender sobre as nossas reações nos aproxima, de imediato, dessa ciência que revela algo além da própria mente - me refiro a essa mente condicionada, a essa consciência egoica, a essa consciência do "eu".

Então, a Meditação não é algo que alguém faz; é algo que aqui está presente quando esse "alguém", esse "mim", esse "eu", não está para interferir, para se envolver. Portanto, trata-se de um estado interno onde a mente está em silêncio e o cérebro quieto, não porque a mente foi aquietada, não porque o cérebro foi silenciado. Não é o silêncio ou a quietude de uma mente que se ajustou a um sistema, a uma prática ou técnica. Não é o silêncio ou a quietude de um cérebro que se ajustou a uma prática, a um método, a um sistema. É algo que ocorre naturalmente quando aprendemos a olhar sem o observador. Essa é a presença da Meditação.

Quando temos a presença da Meditação, não temos o meditador, não temos alguém na prática. A Meditação na prática é a ciência de Ser, sem o "eu", sem o ego, sem esse "mim". Portanto, nós temos que investigar isso com calma, temos que nos aproximar da verdade sobre essas reações, sem interferir com elas. Veja, não estamos diante de algo tão simples.

Durante toda a nossa vida, a ideia de ser alguém - alguém pensando, alguém sentindo, alguém falando, alguém ouvindo, alguém fazendo - é muito forte. Nós temos uma clara sensação, uma clara certeza da existência de alguém aqui presente, isso porque o pensamento nos traz a convicção.

O pensamento formou em você a imagem, estabeleceu em você a ideia e, portanto, a conclusão de uma identidade que gosta, não gosta, aceita, rejeita. Uma entidade presente, que é o pensador, que tem pensamentos, que tem sentimentos, que tem sensações, que tem emoções. Enquanto que, na realidade, a vida acontecendo é tudo isso, mas não tem alguém.

Não há alguém presente na vida como ela acontece, o que representa só um experimentar quando o "eu" não está, quando a ideia de uma identidade, que é esse pensador, não está. Então, o que é esse real encontro com Deus? É o encontro com a Vida como ela é. Aqui, toda a dificuldade que temos consiste na ilusão de alguém para quem a vida está acontecendo ou deveria acontecer desta ou daquela outra forma.

Você nunca questiona o fato de que no olhar é só o constatar daquilo que o cérebro presencia, percebe através dos olhos. A sua crença, a crença comum que nós recebemos dessa cultura, nesse modelo de condicionamento mental, é de alguém presente por detrás dos olhos. Sim, quando temos a ideia de alguém presente, temos a ilusão de uma identidade que gosta ou que não gosta, que nomeia, que tem uma história, uma memória sobre aquilo. Mas o fato é: aquilo que ali está presente é só uma constatação, uma observação.

Não existe esse elemento, que é o "eu", a não ser que o pensamento surja para dizer alguma coisa, para tirar conclusões, tomar posições, fazer escolhas, gostar ou não gostar. Tudo isso nasce desse modelo psicológico de ser alguém, o que é um mero condicionamento mental, uma crença comum, uma crença, sentimento, sensação, algo muito forte que lhe traz esta convicção.

Será possível a vida como ela acontece, sem a presença desse "eu"? Ou seja, a vida, neste momento, se mostrando como ela é, sem alguém para conclusões, para avaliações, para crenças, como aceitar ou rejeitar, gostar ou não gostar, aceitar como real ou falso?

O nosso modelo de pessoa é o modelo daquele que olha a partir desse fundo psicológico. Isso nos impede de ter esse real contato com Deus, que é o contato com a Vida, algo possível quando o "eu" não está. Então há um contato, há uma comunhão, mas não é a comunhão ou o contato de alguém. Não é alguém tendo uma experiência com Deus, é o experimentar a vida como ela é; então ela revela, sim, essa Felicidade.

A Felicidade não é aquilo que o pensamento imagina, projeta, idealiza e procura em suas realizações; não está em realizações externas nem em realizações internas. A verdade sobre a Felicidade é que a Felicidade é a ciência de Ser. Essa ciência de Ser é a Divina Presença, é a Real Consciência, é Aquilo que aqui está presente além do "eu", além do ego.

É nisso que estamos trabalhando aqui com você nesses encontros que temos online nos finais de semana, sábado e domingo - são dois dias juntos. Além dos encontros online nos finais de semana, nós temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido pra você, já fica aqui um convite.

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