Será que nós podemos encontrar, por nós mesmos, essa fonte? Aqui a expressão é "Felicidade". Será que essa fonte perene, de Bem-Aventurança, de Alegria, de Amor, de Liberdade, que nós chamamos de Felicidade, será que nós podemos encontrar isso? Porque, repare, na verdade, é isso o que nós buscamos, sem saber que buscamos.
Em todas as nossas relações, em todos os nossos contatos, em tudo o que fazemos, lá está presente - quer tenhamos ciência disso ou não - esse motivo. Nós estamos em busca do Amor, da Alegria, da Bem-Aventurança, da Paz, da Felicidade, e fazemos isso procurando coisas, coisas que acumulamos externamente e coisas que também acumulamos em nossa mente e em nosso coração, como, por exemplo, relacionamentos e conhecimentos diversos. Tudo isso com o propósito de encontrarmos um estado interno de Felicidade.
Nós queremos encontrar um espaço seguro, livre do sofrimento. Queremos encontrar essa fonte inesgotável de Presença, de Verdade, de Liberdade, mas repare que nós não encontramos nem do lado de fora nem dentro de nós mesmos, nessas conquistas emocionais, sentimentais, nessas realizações internas de conhecimentos e experiências, sejam elas físicas, emocionais ou, assim chamadas, espirituais.
Portanto, a pergunta é: podemos, por nós mesmos, tomar ciência disso, dessa fonte, onde lá está presente essas águas? - a água do Amor, da Felicidade, da Paz, da Alegria. Por que será que isso se esconde de nós? Parece que estamos sempre perseguindo algo que não existe. É como alguém perseguindo um fantasma: parece que nós nunca temos a coisa real. Estamos lidando com algo que parece estar lá, em algum lugar, mas a gente não encontra.
Ao meu ver, o que nos falta é a ciência de uma Vida Divina; isso requer uma visão religiosa, real, e não aquilo que as pessoas entendem aí fora por vida religiosa ou visão, na espiritualidade, ou espiritual. Aqui estamos trabalhando isso com você, promovendo essa visão; e, sim, de fato, ela é algo que poderá nos levar até essa fonte. Ou melhor, ela é algo que irá nos mostrar a presença dessa fonte.
Parece que aqui já nos deparamos com o primeiro ponto fundamental para ser compreendido: nós acreditamos que aquela fonte está lá, em algum lugar. Você não pode perseguir a Verdade, você não irá encontrar a Verdade. Você não pode perseguir porque ela não está lá fugindo de você; você não pode encontrar porque ela não se separa da Realidade da Vida, que está presente aqui como sendo a Realidade do seu Ser.
Assim, essa fonte não será encontrada; ela se revelará, ela se mostrará, ela se fará perceber. É algo que surge em nossa vida como a presença da Verdade que já está presente. No entanto, isso requer uma mudança, uma transformação, requer um trabalho, porque é isso que torna possível a Revelação desse Estado; e isso é algo que depende de uma profunda compreensão da Verdade sobre nós mesmos.
Não se trata de um processo progressivo, como subir uma escada ou fazer uma escalada. Não é uma progressão, não é um passo a passo. Isso não depende de algum método. Essa mudança ocorre aqui e agora; ela é total, ela surge a partir de uma clareza, de uma percepção, a partir dessa visão. Essa transformação é a ciência desta Real Vida Divina.
Aqui a pergunta é: como encontrar Deus? A resposta é: naquilo que aqui está presente despertando quando há esse Florescer Divino, o Despertar da Inteligência, da Sabedoria, e isso requer a presença do Autoconhecimento. Portanto, aprender sobre o Autoconhecimento nos dá a base para o Florescer Divino, que é a presença desta Inteligência que nos dá essa visão, que é a visão de Deus.
Portanto, como encontrar Deus? Assumindo a Realidade de Ser, tendo a constatação da Verdade sobre você, aqui, neste momento, o que requer esse aprender sobre si mesmo, aprender sobre você. Você sabe, na vida, muitas coisas; na verdade, tudo o que você sabe, você aprendeu. A vida consiste em relações acontecendo. Relações são contatos onde há um constante aprender as coisas.
Nós estamos constantemente aprendendo alguma coisa e melhorando, e se autoaperfeiçoando naquilo que já sabemos ou acreditamos saber. Mas esse saber ainda é pequeno, ele vai crescendo. Tudo na vida nós aprendemos e estamos crescendo naquilo, ainda nesse aprender. Mas aqui estamos nos referindo a um novo aprender, a uma qualidade de aprender diferente de tudo o que conhecemos aí fora.
Para aprender a dirigir, você pratica a direção; para aprender um idioma, você pratica gramática e conversação; para aprender música, você pratica com um instrumento nas mãos e com a partitura ali, diante de você, então você aprende a fazer a leitura e a adquirir a técnica instrumental. Aqui, a ciência desse novo aprender requer esse olhar, esse escutar, esse observar. São essas três coisas: olhar, escutar, observar.
Olhar sem alguém para interferir neste olhar. E por que isso é fundamental? Porque nesta qualidade de olhar, neste aprender, neste como aprender sobre nós mesmos, neste aprender sobre o Autoconhecimento, nesta qualidade de olhar não existe o observador. Quando colocamos o observador, colocamos o "eu", o ego, a pessoa, esse "mim". E quando ele olha, olha julgando, comparando, aceitando, rejeitando, gostando, não gostando. Isso não é o olhar; é o observar a partir do observador.
Quando você olha para algo a partir daquele que olha, neste momento esse olhar é ajustado ao querer, à vontade, ao desejo daquele que olha. A partir desse momento, aquilo que ali está se mostrando é visto por um observador que está fazendo uma leitura, que aceita, que rejeita, que gosta, que não gosta. É assim que estamos lidando com as experiências da vida, sempre a partir de um experimentador. Esse experimentador é o "eu", o ego.
Assim, aquilo que estamos experimentando como um experimentador é parte do próprio experimentador, assim como aquilo que estamos vendo a partir do observador é parte do observador. Quando fazemos isso, estamos dando continuidade ao próprio "eu", ao próprio ego, e isso não nos permite a verdade deste aprender sobre as nossas reações.
Portanto, a verdade do olhar é o olhar sem o "eu", sem o observador; a verdade do escutar é o escutar sem alguém para concordar ou discordar, para gostar ou não gostar. Temos a presença do escutar, a presença do observar, mas não temos esse que escuta nem esse que observa.
Portanto, o que é esse aprender sobre nós mesmos? É perceber esse jogo. É apenas perceber, sem interferir. Então, quando isso ocorre, a mente silencia, o cérebro se aquieta, e nesse instante se revela Algo além do "eu", além do ego, além do experimentador, além do observador, além desse "eu" que escuta. E, assim, nos deparamos com a presença, nesse aprender sobre nós mesmos, da Meditação.
Nós temos inúmeras falas aqui, e estamos colocando a partir de ângulos diferentes essa proposta: a Realidade, a Verdade, a Ciência da Meditação. A Meditação, o que ela é? O que é Meditação? É escutar, é olhar, é observar sem o observador, sem esse que escuta, sem esse que olha. Ou seja, a aproximação desse aprender sobre as nossas reações nos aproxima, de imediato, dessa ciência que revela algo além da própria mente - me refiro a essa mente condicionada, a essa consciência egoica, a essa consciência do "eu".
Então, a Meditação não é algo que alguém faz; é algo que aqui está presente quando esse "alguém", esse "mim", esse "eu", não está para interferir, para se envolver. Portanto, trata-se de um estado interno onde a mente está em silêncio e o cérebro quieto, não porque a mente foi aquietada, não porque o cérebro foi silenciado. Não é o silêncio ou a quietude de uma mente que se ajustou a um sistema, a uma prática ou técnica. Não é o silêncio ou a quietude de um cérebro que se ajustou a uma prática, a um método, a um sistema. É algo que ocorre naturalmente quando aprendemos a olhar sem o observador. Essa é a presença da Meditação.
Quando temos a presença da Meditação, não temos o meditador, não temos alguém na prática. A Meditação na prática é a ciência de Ser, sem o "eu", sem o ego, sem esse "mim". Portanto, nós temos que investigar isso com calma, temos que nos aproximar da verdade sobre essas reações, sem interferir com elas. Veja, não estamos diante de algo tão simples.
Durante toda a nossa vida, a ideia de ser alguém - alguém pensando, alguém sentindo, alguém falando, alguém ouvindo, alguém fazendo - é muito forte. Nós temos uma clara sensação, uma clara certeza da existência de alguém aqui presente, isso porque o pensamento nos traz a convicção.
O pensamento formou em você a imagem, estabeleceu em você a ideia e, portanto, a conclusão de uma identidade que gosta, não gosta, aceita, rejeita. Uma entidade presente, que é o pensador, que tem pensamentos, que tem sentimentos, que tem sensações, que tem emoções. Enquanto que, na realidade, a vida acontecendo é tudo isso, mas não tem alguém.
Não há alguém presente na vida como ela acontece, o que representa só um experimentar quando o "eu" não está, quando a ideia de uma identidade, que é esse pensador, não está. Então, o que é esse real encontro com Deus? É o encontro com a Vida como ela é. Aqui, toda a dificuldade que temos consiste na ilusão de alguém para quem a vida está acontecendo ou deveria acontecer desta ou daquela outra forma.
Você nunca questiona o fato de que no olhar é só o constatar daquilo que o cérebro presencia, percebe através dos olhos. A sua crença, a crença comum que nós recebemos dessa cultura, nesse modelo de condicionamento mental, é de alguém presente por detrás dos olhos. Sim, quando temos a ideia de alguém presente, temos a ilusão de uma identidade que gosta ou que não gosta, que nomeia, que tem uma história, uma memória sobre aquilo. Mas o fato é: aquilo que ali está presente é só uma constatação, uma observação.
Não existe esse elemento, que é o "eu", a não ser que o pensamento surja para dizer alguma coisa, para tirar conclusões, tomar posições, fazer escolhas, gostar ou não gostar. Tudo isso nasce desse modelo psicológico de ser alguém, o que é um mero condicionamento mental, uma crença comum, uma crença, sentimento, sensação, algo muito forte que lhe traz esta convicção.
Será possível a vida como ela acontece, sem a presença desse "eu"? Ou seja, a vida, neste momento, se mostrando como ela é, sem alguém para conclusões, para avaliações, para crenças, como aceitar ou rejeitar, gostar ou não gostar, aceitar como real ou falso?
O nosso modelo de pessoa é o modelo daquele que olha a partir desse fundo psicológico. Isso nos impede de ter esse real contato com Deus, que é o contato com a Vida, algo possível quando o "eu" não está. Então há um contato, há uma comunhão, mas não é a comunhão ou o contato de alguém. Não é alguém tendo uma experiência com Deus, é o experimentar a vida como ela é; então ela revela, sim, essa Felicidade.
A Felicidade não é aquilo que o pensamento imagina, projeta, idealiza e procura em suas realizações; não está em realizações externas nem em realizações internas. A verdade sobre a Felicidade é que a Felicidade é a ciência de Ser. Essa ciência de Ser é a Divina Presença, é a Real Consciência, é Aquilo que aqui está presente além do "eu", além do ego.
É nisso que estamos trabalhando aqui com você nesses encontros que temos online nos finais de semana, sábado e domingo - são dois dias juntos. Além dos encontros online nos finais de semana, nós temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido pra você, já fica aqui um convite.