terça-feira, 14 de julho de 2026

Sofrimento humano. Você e a autoimagem. O fim da autoimagem. O que é o pensamento? O que é o pensar?

Toda essa dificuldade que nós temos de lidar com o sofrimento humano, com esse sofrimento em nós, é que a nossa interna condição de resposta, condicionada para essa presença da experiência do sofrimento, é a resposta da separação. Nós não aprendemos a acolher a vida como ela acontece, e isso nos impede de investigar a natureza do sofrimento, a verdade do sofrimento, o que ele é ali, o que ele representa ali.

Repare, não é para aprendermos algo com o sofrimento, mas é para descobrirmos a verdade desse elemento presente no sofrimento, que é o "eu". Não há uma real separação entre o sofrimento e aquele que sofre. No entanto, a nossa formação, a nossa educação, o nosso aprendizado foi exatamente esse, de que existe uma separação entre o sofrimento e esse que sofre.

Então, nós temos a conclusão, já estruturada em nós pelo modelo do pensamento que recebemos, de que o sofrimento é um elemento para ser rejeitado, e não para ser visto, olhado, investigado e compreendido. Aqui, o contato com o momento presente precisa ser, naturalmente, um contato de descoberta, de constatação, o que requer a presença da observação para aprender sobre isso.

Nós passamos uma vida inteira vivendo momentos de sofrimento, tendo diversas formas de sofrimento. Quando nós perdemos um ente querido para a morte, lá está o sofrimento; quando somos rejeitados, lá está o sofrimento; quando não conseguimos o que desejamos, lá está o sofrimento; quando o medo está presente, quando a raiva está presente, quando a preocupação está presente... É assim que nós temos funcionado.

Estamos funcionando nesse modo; o modo é "alguém" sofrendo. Essa é a forma, esse é o modelo dessa existência do "eu", dessa existência da "pessoa". E, no entanto, não sabemos lidar com o sofrimento, porque não aprendemos a verdade sobre o sofrimento. A verdade sobre o sofrimento é que a presença do sofrimento requer a presença desse sofredor.

É a forma como lidamos com a experiência que determina a presença de uma entidade aqui, nesse instante, em rejeição à vida como ela acontece, às experiências como elas surgem, então nós temos a presença desse sofredor. Aquele que sofre está sofrendo em razão da imagem que construiu sobre ele mesmo, sobre o que ele merece ou não merece.

Nossas frustrações, decepções, conflitos com as pessoas, com as situações são estabelecidas em nós em razão da presença dessa imagem, dessa autoimagem que o pensamento em nós construiu sobre quem nós somos - uma imagem construída pelo pensamento. Portanto, você como alguém presente é essa imagem.

Você é essa autoimagem, essa é a pessoa - a pessoa que se vê rejeitada, que se vê não amada, a pessoa que se vê perdida quando perde alguém que ama, a pessoa que se vê não merecedora, a pessoa que precisava vencer e não conseguiu, a pessoa que foi abandonada, esquecida, a pessoa de quem as pessoas não gostam, a pessoa com quem as pessoas também não querem falar. Então, a imagem que nós construímos sobre quem nós somos nos separa da experiência e nos coloca nessa condição de sofrimento.

Podemos eliminar, internamente, psicologicamente, em nossas mentes, dentro de nós mesmos, essa condição interna de autoimagem? Podemos olhar para aquilo que somos, sem a defesa de uma autoimagem? Tomando ciência daquilo que está presente nesse instante, sem a tentativa de proteger uma imagem que o pensamento tem construído? Essa é a forma real de entrarmos em um direto contato com o sofrimento, com esse aprender sobre nós mesmos, o que representa aprender sobre esse que sofre, sobre esse rejeitado, anulado, de quem não gostam, que perdeu as coisas, que foi abandonado.

Quando aprendemos a olhar para nós mesmos, sem esta autodefesa psíquica, sem essa ideia de alguém para ser protegido, defendido, sem a ilusão de alguém que não merece - aprender a olhar para si mesmo sem essa autocompaixão, sem essa autopiedade, sem essa auto comiseração -, eliminamos essa separação entre essa autoimagem e aquilo que é a causa da dor, que é a causa do conflito, que é a causa do sofrimento.

Quando não temos a separação entre essa imagem, essa autoimagem, e o sofrimento, ficamos diretamente em contato com a experiência sem o "eu", sem o experimentador, sem esse "ego", sem esse "mim", sem essa autoimagem, porque eliminamos esse espaço, eliminamos essa separação; e quando isso acontece, nós temos o fim para o sofrimento, porque temos o fim para essa autoimagem.

O seu encontro com a Vida requer a ausência da imagem e, portanto, requer a ausência do pensamento. Notem a importância disso! O que é o pensamento? O pensamento é essa estrutura de autodefesa psíquica, de imagem. São essas imagens que o pensamento tem construído, que tem colocado uma identidade presente se separando da experiência. Então, nós temos que descobrir a vida acontecendo aqui, sem o pensamento.

Nós precisamos do pensamento funcional, prático e técnico para lidarmos com assuntos bem objetivos na vida, como consertar uma máquina, encontrar a casa de alguém a partir do endereço - essa é a presença do pensamento -, ou se lembrar do nome desta ou daquela pessoa. Então, aqui está a presença do pensamento.

Mas não precisamos do pensamento que gira em torno dessa autoimagem, que produz apegos, desejos, medos, autocompaixão, autopiedade, a ambição, a inveja, o desejo de controlar, de possuir, de se agarrar, o pensamento que produz a dependência emocional, a dependência física, a dependência psicológica de ser aceita, de ser amada como "alguém", como uma "pessoa". Essa qualidade de pensamento está protegendo essa autoimagem, está nos posicionando na vida nessa ilusão, na ilusão da separação, na ilusão da dualidade.

Então, é o descarte do modelo do pensamento, esse elemento que vem do passado, que está alimentando essa ilusão, a ilusão dessa egoidentidade. Isso requer a presença de um contato com a Vida, dando uma resposta real para ela. Aqui estamos enfatizando com você a beleza desse encontro com a ação, com o sentir e também com o pensar - a verdade sobre o pensar.

O que é o pensar? O pensar é resposta inteligente a esse instante, sem o modelo do passado, sem o modelo do pensamento. Nós nada sabemos sobre a importância do real contato inteligente e livre com o momento presente, o que requer a presença de uma ação livre do "eu", de um sentir também livre do "eu", de um pensar livre do ego, livre dessa autoimagem. E é isso que nós estamos aqui explorando com você, aprofundando com você, tendo essa descoberta.

A Realidade de Deus, a Realidade da Vida, a Realidade deste Ser verdadeiro não é essa autoimagem, não é esse "mim", esse "eu", essa "pessoa". Podemos atender à vida como ela acontece, sem colocarmos a presença de um pensador, de um experimentador, desse elemento que vem do passado e olha para o mundo a partir das suas escolhas, predileções, aceitações e rejeições? Portanto, esse é o contato real, lúcido, verdadeiro, inteligente; estamos diante da Vida como de fato ela é, e não como o "eu", o "ego", esse "mim" deseja, espera, busca.

Portanto, a Verdade da Vida é a Verdade d'Aquilo que está presente quando o pensamento não está mais construindo histórias em torno de uma identidade que ele construiu. O seu contato com as pessoas a partir dessa autoimagem, o seu contato com objetos, com situações, com incidentes, com acidentes a partir dessa autoimagem é o contato da separação. Então está presente essa divisão entre você e a vida como ela acontece; e nesta divisão está estabelecido esse espaço de separação, e nesse espaço o conflito está presente, o sofrimento está presente, a desordem está presente.

Aqui, juntos, estamos olhando diretamente para tudo isso para irmos além dessa ilusão, investigando essa questão do "eu", desse "mim", dessa "pessoa". A Vida é Real quando não temos mais essa abstração de uma ilusória identidade que se vê separada dela, fazendo exigências, tendo escolhas e procurando se reafirmar, vez após vez, após vez.

Toda essa movimentação da autoimagem, desse centro, que é o "eu", que é o "ego", é a movimentação do isolacionismo egocêntrico; e se isso está presente, não importa o que o ser humano tenha realizado externamente, essa realização ainda está dentro da ilusão de uma identidade presente que acredita ter realizado, que acredita poder segurar, controlar, possuir, e, assim, não há Amor, não há Paz, não há Liberdade, não há Real Felicidade, porque o sentido ilusório de "alguém" separado da vida está presente.

Não existe esse "alguém"! Nós estamos diante da Vida; a Vida é essa Realidade Divina, e esta Realidade é a Verdade do seu Ser, esta Realização nesta vida é a Realização de Deus. É o que estamos trabalhando aqui com você nesses encontros on-line nos finais de semana. São dois dias juntos: sábado e domingo. Fora esses encontros on-line, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite.

Julho de 2025
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quinta-feira, 9 de julho de 2026

Você e a autoimagem. O fim da autoimagem. O que é o pensamento? O que é o pensar? Consciência Real.

O ponto é que: presos dentro dessa rotina - eu me refiro a essa rotina da continuidade desse padrão de pensamento que nós temos, que nós conhecemos - é algo como que impossível vivermos a verdade de uma cura para esses padrões internos de sofrimentos psíquicos. Nós precisamos descobrir o que é ter um contato novo com a vida que, nesse instante, está presente, aparecendo neste momento. Nós temos aqui, com você, discutido essas questões.

Há uma Verdade presente, e esta Verdade é a Real Consciência, a Realidade d'Aquilo que é Você em sua Natureza Divina, em sua Natureza Verdadeira. Isso permanece desconhecido. E é interessante dizermos isto aqui para você: esta Realidade Divina se Revela, mas ela não se Revela para se tornar conhecida por alguém, que é esse "eu"; ela se Revela como sendo a própria Vida em expressão, em Revelação. Nessa autorrevelação nós temos o fim da mente egoica, o fim dessa autoimagem, como eu tenho chamado, que é a pessoa.

Você e a autoimagem: é o nosso assunto aqui - entre outros. Em uma fala como essa, nós desenvolvemos com você diversos temas. Nós estamos aqui, por exemplo, nesta fala trabalhando, também, o fim da autoimagem, dessa autoimagem, que é a pessoa, que é você. Essa é a presença da mente, da mente conhecida, da mente presente em nós. A presença da mente é a presença do passado. Nós estamos vivendo no passado, permanecendo no passado.

É interessante a permanência do passado. A permanência do passado é a continuidade; uma continuidade em um tempo bem particular, bem especial, que é o tempo psicológico. A base da estrutura dessa consciência, que é a consciência da pessoa, desse "mim", é essa mente egoica; ela vive dentro de um modelo de tempo psicológico, então, de uma forma paralela, nós temos o tempo para o corpo. Nós envelhecemos com o passar dos anos.

Então, nós temos esse fenômeno, que é o tempo cronológico. Paralelo a esse tempo, nós temos esse tempo da continuidade do "eu" psicológico, dessa egoidentidade. Assim, jamais haverá uma cura para esse "eu". O que nós precisamos investigar aqui é a verdade sobre isto. O fato de que, psicologicamente, internamente, essa mente egoica não tem cura. Nós podemos tomar ciência da verdade sobre isto, e esta ciência da Verdade liberta.

A Libertação não é a cura. Quando você tem um paciente, ele pode ser tratado e recebe alta. Então, ele volta para casa depois que o médico lhe dá alta. O ego não é um paciente internado, sendo tratado e esperando, depois disso, a alta acontecer. Nós estamos lidando com um elemento presente que se sustenta no imaginário mundo do pensamento, da construção de ideias, opiniões, crenças, condicionamento, padrão de resposta, de memória, de lembrança: isto é o "eu", isto é o "ego". Não há cura para essa condição.

Sim, é possível a Liberação desse estado, desse quadro, dessa forma de ser; é quando temos o fim da autoimagem, o fim para essa egoidentidade. É uma suposta identidade presente e, no entanto, paradoxalmente, apesar disto, tendo uma vida muito particular e real - real, na verdade, dentro dos seus termos, dentro dos seus posicionamentos.

Nós estamos vivendo os nossos dias, envelhecendo em anos e, ao mesmo tempo, psicologicamente sustentando essa repetição, essa continuidade, essa rotina de interna condição psicológica de sofrimento, de contradição, de conflito, de desordem.

Os inúmeros desejos - boa parte deles contraditórios e conflituosos -, as inúmeras formas de medos, algo presente dentro de uma relação com a vida, com os acontecimentos, com as pessoas, com os próprios pensamentos que surgem dentro de cada um de nós, aqui temos a presença desses temores diversos: essa é a situação do "eu", do "ego", da "autoimagem".

Assim, ao longo dos anos vamos envelhecendo e a mente vai se tornando cada vez menos capaz, menor é a habilidade de olhar para o momento presente sem o passado. Assim, temos uma mente prisioneira, centrada no passado, sem liberdade. Não tratamos com você aqui da questão da cura para esse "eu", e, sim, do fim para essa egoidentidade. Investigar isto requer a presença de um perceber novo.

O que é o pensamento? Perceber o que é o pensamento é a base. O pensamento em nós é o elemento que está presente em razão da presença do passado; este passado é a memória em você, a psicológica memória que não se concluiu.

Nós podemos aqui dar um exemplo para você do que é o pensamento - porque essa é a pergunta: "O que é o pensamento?" Quando você me trata mal, você fere o meu "eu", o meu "ego", você me feriu. Não há uma separação entre eu e o meu ego, entre esse ferimento e o que eu sou aqui, nessa autoimagem. Portanto, você me tratou mal, é esta lembrança, é essa memória que surge como uma recordação de imagem, de pensamento e, também, de sentimento e emoção de frustração, de dor, de revolta, de raiva que tenho de você - essa é a presença do pensamento.

Nós estamos vivendo no pensamento, tendo essa qualidade de memória desagradável - podemos estender isso para diversas outras formas de representações de dor emocional, psicológica. Mas também temos as memórias agradáveis, aprazíveis, deleitosas, felizes, que também essa autoimagem cultiva e sustenta em nós. É assim que estamos vivendo os nossos dias, mantendo essa rotina de continuidade da pessoa.

Esse cérebro está viciado em viver assim, no cultivo dessa história, que é só memória, que é só lembrança. Nós não sabemos morrer para isto, permitir que isso se dissolva, para um cérebro novo, que tenha esse frescor, essa Liberdade, essa ausência de história psicológica, de memória psicológica. O contato com o pensamento neste momento, com a experiência deste instante, quando não fica registro, nós temos um contato com a presença do pensar.

Quando você me ofende, e neste instante há uma completa Atenção sobre essas reações aqui, dentro deste corpo, deste cérebro, quando a palavra de ofensa chega, a presença dessa Atenção sobre essa reação é a presença de um contato com a Ciência da Meditação, com a Verdade da Revelação dessa reação e, portanto, estou conhecendo a mim mesmo. Não é o conhecimento de alguém tendo ciência de si próprio para mudar como uma pessoa muda, não é isso.

Aqui se trata da Ciência da Revelação do próprio "eu", e isso requer a presença de uma Inteligência, que aqui eu tenho chamado "a verdade do pensar". Quando colocamos a Verdade, a Inteligência, temos a presença do pensar. Não é de alguém pensando, é a presença da Ciência do que é o pensar.

Portanto, o que é o pensar? O pensar é a ciência de olhar com Inteligência para o pensamento, sem colocar no pensamento a presença do pensador. Quando temos a verdade sobre como nós funcionamos, estamos livres do pensamento, do sentimento, da emoção, da sensação, da percepção, porque estamos em um direto contato com a Totalidade da Vida, e não com a imaginação de uma particular identidade, que é essa autoimagem, que é essa consciência do "eu".

Portanto, este é o contato com a Real Consciência; ela não é pessoal, ela não está dentro desse tempo, que é o passado, estabelecido em nós pelo pensamento para tirar conclusões, avaliações, para ficar magoado, ofendido, ferido, para ter essa autoimagem arranhada. Portanto, isto requer um olhar para este momento, que é esse olhar do perceber.

Nós não sabemos perceber. Não há o perceber. A forma de aproximação em nós é de alguém percebendo. Estamos sempre colocando a proposta pessoal, particular, individualista dentro da vida como ela acontece. Então, não sabemos perceber. Perceber o que está acontecendo não requer alguém para tirar conclusões sobre isso, para fazer escolhas, para comparar, para julgar.

Quando alguém lhe ofende, só lhe encontra para lhe ofender porque não há o perceber. Se neste momento o perceber está presente, esse perceber é Atenção; Atenção sobre esse pensamento que surge dentro, o sentimento que aparece. A própria imagem é parte dessa particular visão de mundo que resiste, que luta e, portanto, se ofende, fica magoada. A presença desse perceber é a presença dessa Atenção, livre do passado.

Quando tocamos aqui, com você, na beleza deste encontro com a Meditação, não estamos colocando a Meditação como uma técnica terapêutica, como algo para lhe curar do ego. A Meditação é a visão da Realidade da Vida como ela acontece, é a Verdade que liberta. Volto a dizer: não é a cura dessa desordem psicológica que é a presença dessa mente egoica. É a Liberação, é a Libertação da ilusão dessa autoimagem, dessa egoidentidade a presença da Meditação.

Quando a mente for expurgada, esvaziada, liberada desse psicológico conteúdo de condicionamento, de história, de memória, de pensamento psicológico, de visão particular do mundo, do outro, de si mesma, temos a presença desse espaço. Neste espaço se Revela Aquilo que está além do "eu", que não está dentro desse contexto do conhecido: é Você livre desse "mim", desse "eu", dessa autoimagem, desse você como o pensamento diz ser você.

Portanto, nestes encontros aqui nós temos esse propósito: a plena Ciência disto, a real visão desta Verdade, da Verdade que Liberta, que traz essa Ciência de Deus, que é Amor, Felicidade, Compreensão, Sabedoria. Esses encontros on-line que nós temos aqui nos finais de semana - sábado e domingo - têm este propósito. Fora esses encontros, temos encontros presenciais e, também, retiros.

Julho de 2025
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terça-feira, 7 de julho de 2026

Espiritualidade. Você e a autoimagem. O fim da autoimagem. O que é o pensamento? O que é o pensar?

Há uma grande confusão nessa ideia da espiritualidade. Qual será a verdade sobre esse contato com esta Realidade? Porque, observe uma coisa aqui: aquilo que estamos dando o nome de espiritualidade, geralmente, estamos confundindo todo o tipo de experiências extrafísicas, incomuns, misteriosas e estranhas - como, por exemplo, as experiências esotéricas ou místicas - com a Verdade da Espiritualidade.

Aqui nós temos usado essa expressão, investigado com você e colocado de uma forma diferente. Para nós, essa questão desse contato com a Realidade é o contato com a Espiritualidade. A Realidade é a Verdade; essa única Verdade, que é esta Realidade, é a Espiritualidade. Isso não é algo que você, a partir de uma experiência, realiza, toma ciência, apreende, compreende.

É a Verdade, é a Realidade, é a Ciência do seu Ser. Sua Natureza Essencial é a Verdade desta Realidade. Isso é Espiritualidade. Uma vez assumido o fim da ilusão, a ciência da Vida como ela é, como ela acontece, temos a presença da Espiritualidade. Não é alguém sendo espiritual, não é alguém se espiritualizando, não é alguém tendo experiências esotéricas, místicas, estranhas, extrafísicas. Tudo isso ainda é parte daquilo que pode ser - por mais estranho que pareça - ainda identificado e reconhecido pelo pensamento.

Então, nós precisamos primeiro compreender aqui essa questão do pensamento para, de fato, ter uma aproximação da Verdade da Espiritualidade, porque aquilo que é Real está além do pensamento. A Realidade, que é esta Verdade Espiritual, não é algo que o pensamento acessa, que o pensamento alcança, que o pensamento reconhece. E por que isso é impossível para ele? Porque o pensamento lida com lembranças, com memórias, com imagens, com símbolos, com representações que vêm do passado.

Não existe nenhum pensamento que esteja livre do passado. Todo pensamento está atrelado diretamente a um quadro, representação, imagem, sensação, experiência de memória, de lembrança, de recordação e, portanto, do passado. A Realidade, a Verdade, a Espiritualidade não pode ser alcançada por uma descrição. Toda essa descrição é a descrição do pensamento, através de símbolos, imagens, lembranças, recordações e experiências, memórias do passado.

Portanto, o contato com a Espiritualidade é o contato com a Beleza da Vida atemporal, da Vida indescritível, inominável. Não é possível alguém assumir a Espiritualidade, exatamente porque a Verdade da Espiritualidade, a Verdade dessa ciência da Vida atemporal está presente quando não existe o "eu", quando não existe o passado, quando não existe esse "alguém".

Quando o pensamento não está, nós temos a presença da Verdade Divina. Apenas a Realidade de Deus é Espiritual. Tudo o mais que podemos descrever, lembrar, recordar, manter como uma experiência para alguém que viveu, para alguém que está presente vivendo, tudo isso ainda está dentro da limitação, ainda está dentro desse círculo do conhecido, que é o círculo do pensamento.

A Verdade, que é esta Realidade daquilo que é a Realidade Espiritual, da Verdade da Espiritualidade, é a Presença deste Ser. Aqui se trata da Natureza de Deus; essa Natureza Divina é a Natureza deste Ser. Você em sua Realidade, Você nesta Verdade Divina é a Verdade de Deus. Não a "pessoa", não esse "mim", não esse "alguém", mas a Realidade presente aqui e agora, quando o "eu" não está, quando a "pessoa" não está, quando o "ego" não está.

Por isso nós precisamos compreender o que é viver a vida sem o modelo do pensamento. Lidar com pensamentos de uma forma prática, simples, direta e objetiva na vida, para assuntos bem práticos. Você precisa do pensamento para ter a ciência de um dado conhecimento técnico.

Falar uma língua, escrever, conhecer a técnica para dirigir um carro, para trabalhar com computadores, ou qualquer outra atividade técnica, científica. De uma forma simples e direta, o pensamento se faz necessário, mas o pensamento, quando entra no terreno psicológico, ele alimenta a ilusão de uma identidade presente que se vê separada da própria vida: essa entidade é o "eu", é esse "mim", é o "ego", é essa "pessoa".

Nós precisamos descobrir a vida acontecendo nesse instante, sem o pensamento, sem esse padrão, sem esse formato, sem esse modelo de pensamento psicológico. Portanto, o seu contato com a vida não será o contato a partir desse "você" e essa imagem que o pensamento construiu sobre quem você é.

O pensamento construiu uma imagem sobre quem você é. Como é uma imagem construída pelo pensamento, essa autoimagem e você, você e essa autoimagem são parte de uma ideia, de um conceito, são parte de uma imaginação, algo que se estabeleceu em nós como sendo a verdade sobre quem nós somos. No entanto, estamos diante de algo ilusório, que não é real. Isso está assumindo nossas vidas. Essa ilusão particularizou essa vida desse "mim" e assumiu essa vida.

Portanto, essa vida, essa "nossa vida", é a ilusória vida de uma identidade que se vê separada da Realidade da Vida, da Verdade da Vida, onde está presente a ciência de Deus, a Real Espiritualidade. O nosso enfoque aqui consiste em trabalharmos o fim da autoimagem, o fim dessa identidade ilusória, que o pensamento estabeleceu em nós como sendo nós mesmos.

Portanto, o Real encontro com Deus é a ciência da descoberta de Deus. Você não vai se encontrar com Deus, você vai tomar ciência dessa descoberta, a descoberta sobre sua Real Natureza, sobre a Verdade que Você é, sobre a Verdade que Você traz. Este momento é o momento desse encontro com a Realidade Divina. Este momento é o momento de encontro com essa descoberta, que é a descoberta da Verdade de Deus.

A Vida é Amor, Beleza, Liberdade, Felicidade quando a ilusão não está mais presente, quando essa estrutura organizada, estruturada, montada, estabelecida, firmada pelo pensamento não está mais presente; essa egoidentidade, essa ilusória identidade, esse sentido de alguém presente lidando com outras pessoas, lidando com a vida, lidando com situações, lidando com experiências. Observe que todo esse movimento é o próprio movimento do pensamento que vem do passado.

Tudo o que você reconhece, reconhece a partir do pensamento. E toda ideia que você tem sobre si mesmo está dentro do pensamento, toda a ideia que você faz sobre o outro, sobre a vida e sobre esta Realidade Divina, sobre esta Verdade Espiritual. Portanto, é parte do pensamento a construção de ideias sobre tudo. Essas ideias são apenas sugestões de imagens que o pensamento construiu.

Não estamos lidando com a Realidade quando estamos lidando com o pensamento; estamos lidando com a verdade das ideias, das imagens, algo que vem do passado, algo vem e nasce de experiências que alimentam e sustentam a continuidade da pessoa, desse "mim".

A real forma da aproximação da Espiritualidade, da ciência da real Espiritualidade, da verdadeira Espiritualidade, dessa ciência de Deus, consiste na arte, na descoberta da Meditação. Então, nós precisamos compreender essa questão do pensamento, perceber a limitação da presença do pensamento para irmos além dele.

A compreensão da Meditação é a Vida se mostrando, livre desse padrão, que é o padrão do pensamento. É quando, nesse encontro com o momento presente, podemos lidar com a presença do pensamento de uma forma livre. É isso que nós temos chamado aqui de pensar. Nós não sabemos o que é o pensar. Nós temos uma forma de pensamento já programada, acontecendo em nós.

A sociedade, a cultura, a visão do mundo que nós recebemos, incluindo a presença da propaganda, da forma como todos se posicionam com experiências, nós estamos apenas duplicando isso, repetindo isso. Essa é uma forma programada de pensar, algo que nos foi dado. Nós não sabemos o que é o pensar.

A Beleza desse encontro com a Vida nesse instante requer a presença do pensar, e o pensar está presente quando estamos livres do pensamento, livres dessa condução de uma identidade presente, que é o pensador, tendo pensamentos, ou acreditando estar no controle, nesse "ter pensamentos", nesse "realizar coisas" a partir do pensamento.

Assim, os sentimentos presentes a partir desse pensador, desse elemento que se vê como o elemento que está no sentir, a presença dos pensamentos a partir desse elemento que se vê como sendo o pensador que tem pensamentos - veja, estamos diante de algo completamente equivocado, ilusório -, isso está presente porque não temos a ciência do pensar.

O que é o pensar? O pensar é lidar com esse instante sem o passado, é lidar com esse momento sem o modelo do pensador, sem o modelo do pensamento, é atender à vida nesse instante com Inteligência, com Clareza, Lucidez, Liberdade. A vida acontece de uma forma real, livre, em Graça, Beleza, Amor, Inteligência, quando temos a presença da Meditação.

Com a presença da Meditação temos a verdade do pensar, temos a verdade do sentir, a verdade de atuar na vida a partir desta Realidade, desta visão Real Espiritual. Não existe mais o sentido do "eu", do "ego", não existe mais esse modelo da autoimagem; temos a presença da Realidade Divina, a presença deste Ser, Aquilo que é Você em sua Natureza Essencial.

É isso que estamos aqui, com você, aprofundando nesses encontros, trabalhando com você. Alguns chamam isso de o Despertar da Consciência ou Iluminação Espiritual. É a ciência da Vida, é a ciência da verdadeira Espiritualidade, é a ciência desse contato ou dessa real comunhão com Deus. Não é você e Deus, é esta Realidade de Deus assumindo completamente a Vida. Não há mais essa particular vida, essa vida do "eu", essa vida do "ego", essa vida da "pessoa".

Portanto, nesses encontros que nós temos aqui nos finais de semana - sábado e domingo: são dois dias juntos de uma forma on-line -, nós estamos trabalhando isso com você. Fora esses encontros, nós temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite.

Junho de 2025
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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Você e a autoimagem. O fim da autoimagem. O que é o pensamento? O que é o pensar? Como meditar certo

Aqui, o nosso empenho juntos consiste na descoberta da pessoa, da verdade da revelação dessa pessoa. O ponto importante aqui é o fato de que essa pessoa, que é a pessoa que acreditamos ser, é aquilo que o pensamento nos diz sobre quem nós somos. É basicamente isso. E tudo o que o pensamento nos diz consiste em uma imagem que ele construiu.

Se, por exemplo, eu peço para você fazer uma descrição de alguém para mim, descrever essa pessoa para mim significa que você vai me dar, nesse momento, a imagem que você tem dela. É como você pode descrever alguém pra mim; é como fazer um retrato falado - é basicamente isso, é literalmente isso.

Para fazer um retrato falado, você precisa de um quadro mental, de uma representação no pensamento do formato do nariz, do formato dos olhos, do tipo de cabeça, cabelo, queixo, se tem bigode, se não tem, e assim por diante. Então, descrever um retrato é criar uma imagem mental sobre aquele ou aquela que você quer descrever, que você precisa descrever.

Quando você lida com as pessoas, você não se dá conta de algo muito básico que nós temos trabalhado, averiguado, investigado aqui com você: o simples fato de que quando você lida com pessoas, você está lidando com representações no pensamento do que você sabe sobre elas, o que implica a presença de uma construção mental, de uma imagem em você, estabelecida em você, sobre quem ela é.

Qual será a verdade da pessoa que você é para si mesmo? A outra pessoa, para você, é somente também uma imagem. Mas e você para si mesmo, seria diferente? De forma alguma! A ideia que você tem sobre você é também uma construção mental.

Quando as pessoas lhe aborrecem, elas lhe aborrecem porque aborrecem essa imagem que você construiu sobre você. Se você tem uma imagem de si mesmo de alguém inteligente e eu te chamo de burro, de ignorante, de estúpido, nesse exato momento você se ofende, se magoa, se enraivece, fica colérico comigo, porque eu toquei nessa imagem; essa imagem está sendo ferida, está sendo arranhada.

Observem que todas as nossas relações são nesse nível, no nível de imagens. A imagem que você tem sobre você precisa ser respeitada por mim, e vice-versa, ou deixaremos a amizade, ou ficaremos inimigos e podemos até partir para a violência física, em razão da raiva que você irá me causar, que eu irei causar a você. Assim são as nossas relações.

As nossas relações com as pessoas são relações nesse nível. Então, vamos compreender aqui logo a primeira coisa. A primeira coisa é: você e a autoimagem. Você e a autoimagem são algo tão estreito e íntimo, que sem erro algum podemos dizer que você é a autoimagem. Tudo o que você tem sobre quem você é é tudo o que você sabe sobre você. Tudo o que você sabe sobre você é tudo o que o pensamento tem para lhe dizer sobre você.

Agora, percebam a ilusão presente em tudo isso, nessa condição de vida que estamos vivendo. Porque se a nossa vida se assenta na autoimagem, essa vida não é real, é uma vida de abstração, é uma vida de opinião, de comparação, de avaliação, de julgamento. Quando você concorda comigo, eu sou seu amigo; quando você discorda de mim, eu fico seu inimigo, ou me afasto de você, e vice-versa. Assim são as nossas relações humanas.

Qual é a verdade sobre você? Você desconhece! O seu nome não é você, a sua idade não é você, a sua história não é você. Tudo isso são lembranças que você tem sobre quem você é, acerca de si mesmo. Mas sobre você, tudo o que você tem é uma construção do pensamento.

Haverá uma verdade presente além dessa verdade, que é a verdade da autoimagem? Porque você, como pessoa, é isso. Tanto é assim que você leva muito a sério tudo o que sente sobre o que falam de você. Se falam bem de você, você se sente bem; se falam mal de você, você se sente com raiva, aborrecido, isso porque você não se dá conta da verdade sobre você, ou, a verdade sobre você é somente essa. É com isso que você se identifica, é com isso que você se confunde.

Um trabalho em direção à Realização Divina, à Realização de Deus é a tomada da ciência daquilo que é a Verdade do seu Ser, aquilo que é Você livre desse "você" que o pensamento construiu, livre dessa imagem que o pensamento estabeleceu. Isso requer que você compreenda alguns elementos básicos, principais, envolvidos nessa questão desse "eu", desse "mim", dessa "pessoa". Um dos elementos básicos, que nós temos voltado aqui a ele muitas vezes, é a verdade sobre o pensamento. É o pensamento o elemento principal em tudo isso.

Então, o que é o pensamento? Você não tem uma única lembrança sem um símbolo, sem uma ideia, sem um quadro mental, sem uma imagem. Toda lembrança é basicamente isso, e isso é pensamento. Todo o pensamento em você não é algo que irá chegar. Todo o pensamento em você não é algo que irá aparecer aí a partir do futuro. Todo o pensamento em você aparece em você a partir do passado. Não é algo que irá chegar do futuro, é algo que vem do passado.

Então, aqui, nós temos duas coisas presentes nessa questão da resposta sobre o que é o pensamento. O pensamento é o passado; sendo o passado, é uma memória, é uma lembrança. A outra coisa é que o pensamento tem uma forma, uma representação mental, tem uma imagem. Então, todo o pensamento em você é algo que vem do passado e ele tem uma forma, ele tem uma imagem.

Eu só posso reconhecer o seu rosto porque eu tenho uma imagem do seu rosto nesse formato de pensamento; de outra forma, eu não poderia reconhecer o seu rosto. E eu só posso reconhecer o seu rosto porque ele já foi conhecido, ele é parte do conhecido. Assim, a presença da memória é o reconhecimento, e é o reconhecimento de uma imagem, algo que já está presente dentro de cada um de nós: essa é a presença do pensamento.

Quando as pessoas querem se ver livres de problemas elas não compreendem que a base dos problemas é a presença, nelas, desse elemento. Você não teria nenhum problema com pessoas se você não tivesse, delas, imagens, lembranças.

Quando alguém diz assim: "Ah, eu gostaria muito de não estar ainda magoado com fulano, ou com raiva dela, mas ao me lembrar." Sim, é claro que ao se lembrar isso chega, porque sem a lembrança você não tem mágoa. Você não tem raiva de alguém de quem não se lembra. É a presença do pensamento o elemento principal nessa forma psicológica de existir como alguém, como uma pessoa.

Soa estranho ouvir isso, mas não existem pessoas. As pessoas existem nas lembranças. Elas estão presentes na lembrança, elas estão presentes no reconhecimento. Quando você se esquece de alguém, a verdade é que ela não existe; ela não faz parte do seu campo de consciência, uma vez que essa consciência é a consciência mental - é o que nós chamamos de consciência.

O que chamamos de consciência é a consciência do "eu", é a consciência nessa autoimagem. Essa autoimagem, que é o "eu", tem suas lembranças; essas lembranças são a condição psicológica da existência da pessoa que eu sou. Mas onde se encontra essa pessoa quando não existe essa autoimagem? Quando você não tem uma lembrança de algo, onde é que aquilo se encontra? Onde está a verdade daquilo do qual você não se lembra?

Então, estamos diante, aqui, de algo muito básico e de grande relevância para essa visão que nos interessa nesses encontros, que é a visão da compreensão, que é a visão da libertação desse sonho, que é o sonho de existir como alguém, que é o sonho de existir como uma pessoa, uma vez que a presença da pessoa é a presença da autoimagem, e essa autoimagem é o que o pensamento estabeleceu em você sobre quem é você e, também, sobre o mundo das relações com outras pessoas. Portanto, a verdade sobre o pensamento é que o pensamento é uma memória.

Podemos descobrir o que é permanecer livre do pensamento? Livre do pensamento, nós temos a libertação dessa autoimagem. Isso é o fim dessa autoimagem, isso é o fim dessa pessoa como nós conhecemos, deste "mim", desse "eu", desse "ego".

Será possível uma vida livre de ser magoado, ofendido, livre da ilusão de dependência sentimental, emocional de outras pessoas que acreditamos amar? Livre dessa dependência emocional de outras pessoas que acreditamos odiar? Podemos nos libertar, nesta vida, desse sentido do "eu", do "ego" para estarmos além desse, assim chamado, amor, que é mera dependência emocional nas relações? - uma dependência lincada à questão da autoimagem.

Podemos descobrir o que é uma vida livre dessa ideia de gostar e não gostar? - uma vez que essa ideia é uma ideia no pensamento, na autoimagem. Se isso se torna possível, nós nos aproximamos aqui, pela primeira vez, do fim dessa autoimagem e da real aproximação da Meditação.

Quando a pergunta é: "Como meditar certo?" Em geral, a ideia é alguém se envolvendo com a prática da Meditação para encontrar o fim dos problemas. A verdade da aproximação da Meditação requer a compreensão da verdade sobre o que é o pensar. Lidar com o momento presente, livre do pensamento e, portanto, livre da imagem que eu tenho sobre quem eu sou, sobre quem o outro é, é se aproximar desse instante na compreensão sobre o pensar.

A verdade sobre o pensar é que o pensar é aquilo que está presente quando não existe mais essa autoimagem, quando não existe mais esse padrão de visão a partir da imagem, uma vez que essa visão a partir da autoimagem é a visão do pensador, desse experimentador, desse elemento que vem do passado, que é o "eu". Então, o que é pensar? É lidar com o pensamento, livre do pensador, livre do experimentador, livre dessa questão da autoimagem.

Nós não sabemos a verdade sobre o pensar, porque nós vivemos dentro de um contexto de pensamentos a partir do pensador, a partir dessa autoimagem. Então nós vivemos dentro desse contexto de criação do pensamento, de ilusório pensar, de ilusório sentir, de ilusório viver, porque estamos dentro dessa vida do "eu", dessa vida do "ego", onde temos esse que é o pensador com o seu pensamento, esse experimentador com a sua experiência, esse que gosta, esse que não gosta, esse que olha a partir dessas memórias, dessas lembranças.

Lidar com a verdade do pensamento requer a presença de um olhar para o pensamento, sem se envolver com o pensamento. Esse é o fim dessa qualidade de pensamento que está produzindo em nós essa ilusória identidade, que é a pessoa, que é esse "mim".

Haverá uma forma de pensar livre do pensamento? Haverá uma forma de sentir livre desse "eu" no sentir? Haverá uma forma de emoção livre de uma identidade presente se confundindo como sendo o experimentador dessa experiência chamada emoção? Tudo isso requer uma investigação da compreensão de nós mesmos.

O contato com a Realidade da Vida consiste no pensar, no sentir, no agir, consiste em se emocionar. Não alguém presente nisso; não esse sentido do "eu", do "ego", desse "mim", desse pensador, desse experimentador, desse observador, que é o "eu", presente nisso. Aqui, nós estamos sinalizando para você algo além do "eu", além do "ego", além daquilo que o pensamento em nós identifica como sendo real, e que, de fato, não é.

Há uma Realidade presente, e essa Realidade é a Realidade Divina, é a Realidade do seu Ser, é Aquilo que está presente além dessa autoimagem, além dessa pessoa, além deste pensador, além desse elemento no sentir. É isso que estamos trabalhando aqui com você, aprofundando aqui com você. Qual é a verdade sobre o pensar? Qual é a verdade sobre o sentir? O que é a verdade da Meditação? O que é essa Real Meditação?

Nós temos encontros on-line nos finais de semana, onde estamos, sábado e domingo, investigando isso com você. Fora esses encontros, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite.

Junho de 2025
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terça-feira, 30 de junho de 2026

Como encontrar Deus. Meditação o que é? Aprender sobre Autoconhecimento. Mente acelerada o que fazer

A mente acelerada, o que fazer? Essa é a pergunta. Por que nós temos esta questão? Essa é apenas uma das inúmeras questões que a mente apresenta. Toda questão é, na realidade, um problema. Quando você recebe uma questão, você tem um problema. Quando você vai prestar um exame, uma prova, lá lhe são apresentados os problemas, que são as questões.

A mente acelerada é uma das questões da mente. Mas o que é a mente? A mente é todo esse movimento interno presente em cada um de nós. O que nós temos chamado de consciência é o próprio movimento na mente. É esse movimento na mente o movimentar dos pensamentos. Portanto, quando os pensamentos se movem, carregando sempre, invariavelmente, algum nível de sensação, sentimento ou emoção, nós temos o movimento do pensamento, nós temos o movimento na consciência, nós temos o movimento do "eu".

A mente não é outra coisa a não ser o movimento da memória que o pensamento tem, que a lembrança contém. Todo esse movimento é um interno movimento da consciência presente em cada um de nós. Nós temos dois níveis aqui. O primeiro é esse superficial que nós conhecemos, de fácil acesso, com o qual nós nos relacionamos constantemente; a forma como você sente sobre a vida, sobre o outro, sobre si mesmo, de um modo superficial. Assim, na superfície nós temos esse primeiro aspecto da mente, da consciência, desse movimento do pensamento.

E temos também o segundo aspecto, aquilo que temos no profundo, no oculto. Nós temos essa primeira camada e temos a segunda camada. Nesta segunda camada, temos nossas memórias, lembranças, recordações, todo o impulso que ocorre, não de uma forma tão clara, visível para cada um de nós, e, no entanto, está acontecendo a todo o momento. É por isso que alguns dividem a mente em consciente e inconsciente: a consciência superficial e esse modelo de inconsciência, nessa camada oculta, nessa camada mais profunda.

Todo esse movimento interno é o movimento do "eu", da consciência. Mas aqui nós temos algo para lhe dizer: quando você nos fala de uma mente inquieta, tagarela, que a cada momento está se movendo descontroladamente, quando você nos fala dessa mente acelerada e pergunta o que fazer, a sua ideia é de alguém presente nessa mente; este alguém é a presença do "eu". É assim que sentimos ser, acreditamos ser, é assim que percebemos que somos. No entanto, a notícia é: o que temos presente neste contexto é a ideia, é a imaginação, é a própria construção do pensamento sobre quem nós somos.

Nós temos presente a realidade daquilo que aqui está acontecendo, a verdade daquilo que aqui está se mostrando, e, no entanto, nós trazemos conosco o pensamento sobre isso, a ideia sobre isso, a crença, a sugestão sobre isso, o que envolve também a explicação do pensamento sobre esse sentir que nós temos. Colocando de uma outra forma: não existe tal coisa como "esse eu", não existe tal coisa como essa mente. A ideia da consciência, que dividimos em duas camadas ou em diversas outras camadas, é a presença do pensamento - o elemento que constrói essa coisa.

A Realidade é a vida como ela acontece e as sensações presentes, apenas isso! A cada momento, o seu contato é com uma sensação. Não há alguém presente na sensação; é a presença do pensamento colocando alguém. Nós temos o movimento do pensamento, mas é típico da memória, no cérebro, se movimentar. A presença do cérebro em nós, nessa inquietude, nesse movimento acelerado de pensamentos, é algo que está presente em razão da ausência de uma Consciência Real sobre este processo.

O que nós temos como consciência é, na realidade, inconsciência. A presença desse movimento de pensamentos e como o cérebro funciona em cada um de nós é algo que está acontecendo em razão da ausência de uma Atenção, de uma Presença, de uma Real Consciência sobre este processo. É assim que temos o "eu" com os seus problemas, a mente com as suas questões diversas.

A ansiedade, a depressão, a angústia, o nervosismo, o estresse, o medo, os diversos problemas presentes em cada um de nós são problemas presentes em razão do movimento do pensamento nessa consciência que nós temos, que nós conhecemos; que é, na realidade, a forma como o pensamento se processa nesse padrão de cérebro que está presente em nós, na maior parte da humanidade. Toda essa coisa ocorre neste formato, desta maneira, porque nós não temos a ciência daquilo que se passa conosco.

A presença da pessoa que nós somos no contexto da humanidade é a presença dessa não ciência. Você é uma pessoa e se vê como um elemento separado da vida, em razão da inconsciência da verdade sobre si mesmo. Há uma Realidade aqui presente. Não é a pessoa presente, não é esse "eu", esse ego . O ego, o "eu", a pessoa, é o movimento da desordem psicológica, da confusão mental, nesse cérebro programado para funcionar dessa forma. Isso é algo assim ocorrendo há milênios.

Você tem oitenta anos; há oitenta anos você vive como uma pessoa nesse sentido de um "eu" que se vê separado da vida, que se vê separado do outro, tendo essa interna inquietude de movimento de pensamento acelerado, repetitivo, pensamentos negativos, sensações e sentimentos que acompanham esses pensamentos. Assim, como seres humanos, na "pessoa", estamos sofrendo; no ego, estamos sofrendo. O elemento presente no sofrimento - o próprio sofredor - não se separa do sofrimento que tem, do sofrimento que sente. É a vida do ego, é o existir de alguém, o que representa uma ilusão.

Eu volto a dizer: há uma Realidade presente; esta Realidade é compreendida quando há o reconhecimento da verdade sobre quem nós somos. Nós temos esse primeiro aspecto, que é o aspecto daquilo que apresentamos ser, que está dentro de um contexto de cultura humana, de humanidade, que é a presença da pessoa. Portanto, cada um de nós está vivendo como uma pessoa e estamos nos deparando com pessoas. No entanto, a pessoa, as pessoas são uma imagem que o pensamento construiu sobre quem nós somos, e aqui reside todo o tipo de problema que temos, nessa condição de mente que nós conhecemos.

Aqui nos aproximamos desse trabalho para a compreensão da verdade sobre quem nós somos, o que requer a presença desse aprender sobre o Autoconhecimento, que é o que estamos fazendo juntos aqui. Neste aprender sobre o Autoconhecimento, nos deparamos com a Realidade da presença da Ciência de Ser. A Realidade deste Ser, desta Verdade que está presente aqui, além dessa pessoa, é a Realidade Divina. Assim, nos deparamos com a possibilidade da compreensão da Verdade sobre a Meditação.

O que é Meditação? A Meditação, qual é a realidade, qual é a verdade sobre a Meditação? A presença da Meditação é a Revelação da Verdade sobre Deus. A única Realidade presente é a Vida; a Vida é a Realidade Divina. Na pergunta "como encontrar Deus", aqui temos a resposta. Na Revelação, na Ciência da Verdade sobre si mesmo, é aqui que se encontra a resposta para esta pergunta.

Deus não é uma realidade a ser encontrada no futuro, é Aquilo que aqui está presente sendo a única Realidade, a Realidade da própria Vida se revelando momento a momento. E só podemos ter um contato direto com esta Realidade quando estamos além da mente, além desse padrão de comportamento dessa consciência, que é a consciência egoica, que é a consciência do "eu".

Assim, com base no Autoconhecimento, temos a presença de um olhar direto para como a mente funciona, para como o cérebro funciona. Então ocorre uma mudança, ocorre uma transformação, nós temos o fim para esse modelo programado, condicionado de mente egoica, porque agora há uma Atenção sobre essas reações, então ocorre uma mudança interna. É quando temos o fim para essa conhecida consciência para uma visão nova, real, profunda de nós mesmos e, portanto, da Realidade deste Ser.

Temos a Vida se revelando quando há presença da Meditação. Aqui eu me refiro à verdade sobre a Meditação - não de uma técnica ou prática para alguém, para a pessoa. Aqui não se trata da pessoa meditando, trata-se de um espaço que surge quando o cérebro se aquieta, quando a mente silencia. Neste espaço temos a presença da Meditação, e ela surge em razão desta Atenção sobre as nossas reações, que é Autoconhecimento.

Assim, aprender sobre o Autoconhecimento é se deparar com a Ciência que revela esse real encontro com o Divino, com o real encontro com Deus. Aqui, a Realidade de Deus não é algo no futuro, não é algo em algum lugar para ser encontrado, para ser constatado, mas é a Realidade Divina se revelando aqui e agora, como sendo a Verdade deste Ser. Assim, a ideia de encontrar Deus é só uma ideia. A verdadeira resposta para a grande pergunta, que é "como encontrar Deus", consiste na ciência daquilo que aqui está se revelando como a Verdade do seu Ser.

Nós precisamos de uma mente livre, de um cérebro silencioso, então, sim, temos, aqui e agora, a Revelação da Vida. A presença dessa Revelação é a presença do Amor, é a presença da Liberdade, é a presença da Felicidade. Um cérebro silencioso, uma mente quieta. Não uma mente que foi aquietada através de uma técnica ou prática de Meditação, mas a mente que está quieta, o cérebro que silenciou em razão de uma Atenção sobre as nossas reações. A presença da verdadeira ciência da Meditação requer esta constatação de como a mente está acontecendo. Assim, quando a mente silencia, em razão dessa Atenção, temos a verdade do momento se revelando como Meditação.

É o que estamos propondo aqui para você, um trabalho nesta direção. Então a mente não é mais aquilo que nós conhecemos. Portanto, esses inúmeros problemas da mente desaparecem quando a ilusão da mente não está mais, quando aquilo que entendemos ou conhecemos por mente não está mais presente. A Realidade do momento é a Vida. Não há pessoa na Vida, não há esse "eu", não há este modelo de movimento, que é o movimento do pensamento como nós conhecemos, nesse novo Estado de Ser.

O ponto é que isso é possível, sim, nesta vida. Isso requer a presença da Realização Divina, da Realização de Deus. Não é alguém tendo esta Realização, é esta Realização se revelando aqui, quando a ilusão do "eu" termina, dessa mente programada nesse padrão de inquietude não está mais presente. Assim, nós queremos lhe convidar para esses encontros. Nós temos encontros on-line nos finais de semana para aprofundarmos isso com você. São dois dias juntos: sábado e domingo. Além dos encontros on-line, nós temos os encontros presenciais e, também, os retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite.

Agosto de 2025
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