terça-feira, 22 de setembro de 2026

Tempo psicológico | Como encontrar Deus? | Meditação: o que é? | Aprender sobre Autoconhecimento

É de fundamental importância estudarmos isso aqui com você, essa questão do tempo psicológico. Observe que o modelo do pensamento em você se move entre o que foi e o que será. Observe que o pensamento em você não se ocupa com o que está aqui, ele se ocupa com a leitura do que está aqui com base no que foi ou com base no que será. O que foi é a imaginação do que ocorreu; o que será é a imaginação do que irá acontecer, poderá acontecer, ou não.

A base, o fundamento é a presença do pensamento, a presença do passado e do futuro. Nós usamos a expressão "presente" para aquilo que aqui está, mas a nossa inclinação maior é sempre transformar isso que aqui está em algo com base em uma referência do que foi e do que será. Assim, a nossa grande ocupação mental, nessa consciência do "eu", que é a presença da pessoa, desse "mim" que "eu sou", é a ocupação desse tempo. Esse é o movimento do tempo psicológico.

E por que chamamos de tempo psicológico? Porque é algo que envolve o modelo psíquico de ser alguém. Quando temos a presença desse alguém, desse ser alguém, temos a presença do passado, do presente e do futuro. Você como alguém, como uma pessoa, está sempre ou no passado ou no futuro. Não há nada aqui, nesse instante, para a pessoa. Observe sua ocupação interna; essa ocupação é o movimento do pensamento.

Assim, o movimento do pensamento estabelece a presença do tempo. Nós não temos a presença do futuro nem do passado sem a presença do pensamento. Sem a presença do pensamento, nós não temos o tempo; e sem o tempo, nós temos a pessoa. Reparem como é fundamental isso, ter essa direta visão, esse perceber direto de que não existe tal coisa como uma pessoa.

A nossa crença, a nossa certeza é de que estamos aqui. Mas aqui exatamente onde, já que esse tempo é algo que o pensamento está produzindo entre o passado e o futuro? Portanto, a própria ideia do presente, onde esse "aqui" está acontecendo para esse "eu", é uma crença, é uma imaginação, é uma sugestão do próprio pensamento.

Portanto, a base, a estrutura, exatamente onde se assenta essa pessoa, é algo inteiramente falso. Não existe tal coisa como alguém aqui, como uma pessoa presente. Nós temos apenas a vida acontecendo. Veja, isso aqui não é uma conclusão intelectual, é uma direta observação dos fatos, daquilo que aqui está presente se mostrando exatamente como isso é. Precisamos de uma mente quieta, de um cérebro silencioso para esta percepção.

É por isso que, na vida, aquilo que temos de maior importância consiste na ciência que revela Deus, porque Deus é a única Realidade presente; uma Realidade presente além da ideia de passado, presente e futuro. A única Realidade, que é a própria Vida, é a Realidade Divina. E a ciência que revela Isso é a presença desse aprender sobre o Autoconhecimento; isso revela a você, diretamente, a Realidade deste Ser que Você é, que é Deus.

Quando há esse aprender sobre o Autoconhecimento, o que requer esse olhar para o momento sem o pensamento e, portanto, sem o tempo, porque não existe mais o passado nem o futuro, nos deparamos com a resposta para a pergunta "O que é Meditação?" Assim, a Meditação, o que é? A Meditação é aquilo que aqui está presente revelando a Verdade do momento como a única Realidade que se revela aqui, naquilo que está fora do tempo, fora do pensamento, e isso, naturalmente, está fora do conhecido.

Assim, o que é Meditação? A Meditação, o que ela é? Ela é a presença desta compreensão do momento, que é atemporal, que está fora do tempo. Esse é o nosso verdadeiro encontro com Deus. Para a pergunta "Como encontrar Deus?", aqui está a resposta: nesta ciência de Ser, que é Meditação. Quando o pensamento não está, o "eu" não está, o tempo não está, o que está presente é a Verdade Divina.

Aqui, a boa notícia é que essa é a Verdade sobre Você. Tomar ciência, na vida, de que essa particular vida não é real - essa vida particular da pessoa é a presença da imaginação que o pensamento estabeleceu -, tomar ciência de que podemos viver a vida sem essa qualidade de mente, que é a mente condicionada, é de fato uma boa notícia.

A mente em seu Estado Natural - não a mente nesse comum estado geral, nesse contexto de condicionamento de consciência humana, de consciência egoica -, é Silêncio, é Liberdade, é Quietude. Assim, há um espaço presente; nesse espaço está a Vida. Observe que o ser humano vem há milênios em busca ou na procura de Deus, mas é o Deus que o pensamento estabeleceu em sua crença, o Deus que está longe, distante, o Deus ensinado pelas religiões organizadas.

Assim, existe essa pessoa, que "eu sou", para ter um encontro com Deus lá, no futuro. Mais uma vez, temos a presença do tempo, a ideia do tempo, a crença no tempo. Reparem: a Verdade não pode estar dentro do tempo. A Realidade Divina não pode fazer parte do tempo, Ela estaria limitada ao tempo. Aquilo que é Real - Deus, o Supremo -, Aquilo que é a Verdade é o Desconhecido. Por natureza, por estrutura, precisa ser algo além do conhecido e, naturalmente, indescritível e atemporal.

A nossa descoberta, a nossa constatação é a constatação que revela a Verdade deste Ser. Não é alguém tendo esta constatação, é a Verdade sendo assumida. Você não vai até a Realidade, a Realidade vem e se revela a Você. Se revela a você não como se revela para alguém; a Revelação da Verdade para Você é a Revelação de que Você em seu Ser, não nessa mente, que é a mente egoica, não nessa mente dentro daquilo que o pensamento conhece e reconhece em cada um de nós, não nessa mente envolvida com o tempo que o pensamento tem estabelecido, que é a noção de passado, presente e futuro. A Revelação da Verdade não é para a pessoa, não é para a mente.

Todo e qualquer movimento é o movimento do pensamento, é o movimento da própria mente. Assim, a mente precisa desse silêncio, desse espaço; ela precisa dessa quietude. Quando ela não se move, porque ficou claro que todo e qualquer movimento é o movimento ainda do tempo, porque é o movimento do pensamento, aqui se revela esta compreensão da Verdade deste Ser.

Portanto, o que é esse Aprender sobre o Autoconhecimento? É essa qualidade de olhar, de escutar, de perceber sem o movimento do pensamento, portanto, sem o movimento do passado. Observar as nossas reações, ficar ciente da inveja, do ciúme, do medo, da raiva, das preocupações, de todo e qualquer estado psicológico interno surgindo, ficar ciente disso sem se envolver, apenas constatar, observar, escutar, perceber, sem interferir com isso, nesse instante o cérebro se aquieta, a mente, de fato, silencia e essa condição psicológica se dissolve.

É quando se revela, nesse espaço, algo novo, que é a presença da Bem-aventurança, da Felicidade, da Liberdade, da ausência do sofrimento, porque não há mais o sofredor, ausência do conflito, porque não há mais alguém em conflito. Isso é ausência do medo, da inveja, do ciúme, dessa ilusão de possuir, de controlar; isso é fim da ilusão de uma identidade presente se estabelecendo aqui porque veio do passado, se estabelecendo aqui e indo para o futuro para obter coisas.

O seu Real encontro com a Vida é o encontro com Deus. Você não precisa do que o pensamento estabeleceu nessa mente condicionada, dessa ideia do que você, como alguém, precisa. Esse alguém, essa mente condicionada, esse pensamento é um único movimento ilusório de ser, arrogante de ser, que se move nesse movimento do tempo psicológico.

Perceber diretamente essas reações sem interferir, escutar diretamente aquilo que se passa dentro de você, e também externamente, sem se envolver com isso, termina com o tempo, termina com o "eu", põe fim ao ego. Portanto, a Beleza desta Realização consiste na compreensão de que não existe alguém - alguém para o movimento, alguém para a prática da meditação.

Reparem, em nenhum momento falamos aqui de alguém praticando meditação. Não existe tal coisa como a Meditação, de uma forma real, dentro de uma prática. A Real Meditação é a ciência do momento de uma forma prática, vivencial. Momento a momento, não sustentar a continuidade do passado, não alimentar uma identidade que olha para o futuro a partir do pensamento, é a presença da Meditação na prática.

Não se trata de uma prática de meditação para alguém realizar e obter algum resultado. A presença da Vida é a presença de Deus, é a Verdade de Ser. Aqui eu me refiro à Vida, não àquilo que o pensamento, a partir de comparações e avaliações, tem qualquer leitura. A vida para o "eu", para o "ego", nesse movimento do tempo psicológico, é feita de leituras, de escolhas, predileções, gostar, não gostar, querer, não querer. Há essa sustentação da ideia do que deveria ser, do que poderia ter sido ou de como será.

A base sempre é o vir a ser, não é este Ser, aquilo que aqui está presente além do tempo, enquanto que a Verdade aqui está presente além do tempo. A ilusão se sustenta no pensamento do que deveria ser, do que poderia ter sido ou do que será. Vamos acompanhar com calma isso, investigar e olhar de perto. Todos esses encontros que temos aqui é para esta investigação, é para esta descoberta, é para esta constatação.

Então, quando a mente está livre, quando não há mais esse movimento entre o que foi e o que será, quando é eliminado esse tempo psicológico, a ideia de uma identidade não está mais. Então, lidar com o instante sem alguém presente é a presença de uma Inteligência neste cérebro, nesta mente.

Esta qualidade de mente está além da mente como nós conhecemos. Em alguns momentos eu chamo isso de não mente. Esta qualidade de Consciência agora presente eu tenho chamado de Real Consciência, mas, na verdade, é algo além da Consciência, desta Consciência: é algo Indescritível, a presença da Verdade, a presença desse Ser, a presença de Deus.

Não existe tal coisa como uma separação, não existe tal dualidade entre Você e a Vida, entre Você e o outro, entre Você e Deus. É o pensamento que estabelece, a partir desse senso de pessoa, a partir desse "mim", desse "eu", desse que surge como aquele que compara, julga, aceita, rejeita, gosta e não gosta; é a presença da pessoa, desse "mim", do "eu", do ego, esse centro ilusório que olha a partir de toda essa leitura do pensamento, que tem sua base no tempo, nesse padrão de tempo psicológico.

A sua verdadeira Revelação é a Revelação d'Aquilo que é Você quando o sentido do "eu" não está. Assim, não se trata de um movimento para alcançar, mas de um olhar direto para perceber aquilo que está presente aqui e agora; e o que está presente aqui e agora transcende toda essa noção de aqui e agora.

É o que estamos aqui trabalhando com você nesses encontros. Nós temos dois dias de uma forma on-line: sábado e domingo. Além desses encontros on-line que nós temos nos finais de semana, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite.

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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

A Vida Contemplativa | O observador e a coisa observada | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal. Estamos aqui para mais um videocast. Novamente, o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje, eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado: "A Vida Contemplativa". Em um trecho deste livro, o Joel Goldsmith faz o seguinte comentário: "Sempre, nossa salvação está nessa capacidade de despersonalizar, de viver espiritualmente em vez de pessoalmente". Neste trecho, Mestre, o Joel fala sobre essa capacidade de despersonalizar. Dentro desses assuntos, o Senhor pode compartilhar a Sua visão sobre o observador e a coisa observada?

MG: A resposta para essa pergunta requer um olhar, um direto ver ou perceber a nós mesmos como nós estamos funcionando. A não ser que você diretamente tome ciência de como a sua mente está funcionando, continuaremos presos dentro de um programa, de uma forma de observar, sem a ciência do que isso representa.

Nós temos um modo de olhar a partir de alguém que olha. A nossa crença, a velha crença que temos, é que, no olhar, há alguém olhando: existe alguém olhando. Nós acreditamos piamente que estamos presentes sendo alguém que olha, alguém que observa, alguém que interage, alguém que sente, alguém que pensa, alguém que fala. A nossa crença é a crença na separação entre o observador e a coisa observada, entre o pensador tendo seus pensamentos e o experimentador vivendo suas experiências.

Aqui, por exemplo, nós temos alguém falando e alguém ouvindo. Nós temos o som e a escuta. Observe que isso é muito razoável do ponto de vista de uma visão superficial; mas, olhando diretamente, dentro de uma ótica de realidade, toda experiência nunca se separa daquele que experimenta. Ou não seria uma experiência. Você não pode me falar de uma experiência que você não viveu.

Assim, é a presença da experiência e de alguém. Esta é a separação. Mas qual é a realidade da experiência? A realidade da experiência não é esta separação. A realidade da experiência consiste em um experimentar. Você não pode separar aquele que está na experiência da experiência que ele está tendo. Estas duas coisas, na realidade, são uma única coisa. É a presença do experimentar.

Assim, dentro da perspectiva da realidade, a vida acontece assim: dentro de um experimentar. Não existe alguém que se separa da vida. A Vida é um experimentar onde não existe esse "eu" e o "não eu"; onde não existe esse experimentador e a experiência; onde não existe esse observador e aquilo que ele observa. Isso aparece quando o pensamento surge contando o que viveu. Quando você me fala de algo que você viu, você está me falando de uma experiência passada, de uma memória, de uma lembrança, de uma recordação. Essa fala nasce do pensamento.

O pensamento, em nós, é o elemento que cria esta separação, que cria esta divisão entre o observador e a coisa observada, o experimentador e a experiência, porque o que temos presente é somente a experiência. E a experiência está no experimentar. Não se pode falar de uma experiência sem o experimentar. A nossa ênfase constante consiste nesta visão teimosa que temos de alguém que está presente sendo o experimentador, sendo o pensador, sendo o observador.

A Verdade de um contato real com a Vida é um contato no experimentar, no observar, no perceber, no escutar, no sentir, mas não há alguém presente nisso. A não ser que o pensamento surja para contar algo que viveu; ou seja, falar de uma experiência que o pensamento registrou, que ele experimentou.

Observe, Gilson, que é fundamental essa compreensão, porque isso liberta você da ilusão de que a vida está separada de você. De que o outro está separado de você; de que um pensamento, ao surgir em seu cérebro, é algo separado de você; de que um sentimento, ao surgir no corpo, é algo separado de você; e de que existe essa separação entre você e essa experiência. O que temos presente é o experimentar de um sentimento, de uma emoção, de um pensamento, de uma percepção, de uma observação. Mas não existe o "eu", não existe o ego.

E por que isso se torna fundamental? Isso é essencial, fundamental, porque isso liberta, solta a ideia de alguém presente, separado do momento, separado do que está aqui, neste instante, se revelando. Seja uma lembrança, um sentimento, uma sensação, uma percepção, uma observação. O contato com a Vida é em Amor, em Paz, em Liberdade. Mas desconhecemos a Verdade sobre o Amor, a Paz e a Liberdade quando estamos vivendo esta separação.

Quando, como alguém, como uma entidade que se separa do momento presente, olhamos para aquilo que aqui está se revelando a partir desse observador. Ao fazermos isso, nós gostamos de algumas coisas e não gostamos de outras. Nós não sabemos lidar com a vida como ela acontece porque estamos olhando para a vida a partir do observador, naturalmente, fazendo escolhas. E isso sustenta, nesta separação, o conflito, o sofrimento, esse gostar e não gostar, querer e não querer.

Nós não sabemos entrar em um contato direto com o momento presente, seja ele de prazer ou de dor. Assim, ficamos escravos da interpretação que o pensamento dá a esse momento. Ele faz isso em razão da ideia que ele cria desse pensador. Portanto: para a experiência, o experimentador; para o pensamento, o pensador; para uma emoção, aquele que sente; para uma percepção, aquele que percebe. E assim estamos constantemente vivendo esta ilusão: a ilusão da separação.

É isso que, aqui no canal, temos chamado de dualidade. Nós temos que investigar a verdade sobre a não dualidade, a visão da Advaita, da não separação. A Realidade da Vida é não dual. A Verdade é não dual. Não podemos ter um contato com a Verdade, um contato com a Realidade, a partir do pensamento. É o pensamento o elemento básico da mente como nós a conhecemos, da mente que estamos vivendo.

Aqui, juntos, investigar isso é fundamental para irmos além da mente, além do pensamento. E, assim, o contato com o instante revela a qualidade de experimentar a Vida como ela acontece, sem alguém envolvido nisso. Seu Natural Estado de Realidade, de Verdade, é este Estado de Ser; Nele, está presente aquilo que Deus é, aquilo que o Amor representa, que a Liberdade significa. Portanto, uma mente livre do pensamento é uma qualidade de perceber, de olhar, de sentir, sem o "eu", sem o ego, sem essa ilusão da separação.

Os diversos conflitos que nós temos estão presentes em razão desta dualidade. Será possível uma vida livre do medo, do ressentimento, da mágoa, do rancor, da dor, da solidão? Será possível uma vida livre da ansiedade, depressão, angústia? O seu Natural Estado de Ser, não dual, é a Realidade Divina, é o contato com aquilo que está fora do ego, fora do "eu". Essa é a presença de um observar, de um perceber, de um sentir direto, sem o pensamento e, portanto, sem o passado.

GC: Mestre, nós temos uma pergunta de uma inscrita aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Eu sofro muito com críticas e me sinto fracassada. Como me livrar dessa autoimagem?"

MG: Então, Gilson, a presença desta autoimagem é a presença deste observador, deste pensador. É a vida daquele que está no experimentar. Veja, nós temos o experimentar, mas não temos alguém para esse experimentar. Esse alguém para experimentar é o experimentador. Se livrar dessa autoimagem é ter a compreensão direta, é ter uma visão próxima, íntima, de todo esse processo, que é o processo do pensamento. Perceber que o pensamento é o elemento que, quando chega, se aproxima a partir da memória, a partir do passado. Toda referência nele, toda referência dele, são registros de recordações.

Nós precisamos constatar isso diretamente: que nós estamos tendo dessa pessoa uma lembrança; não é ela que está aqui, e sim a memória, a recordação do que nós vivemos com ela, do que nós passamos com ela. É a recordação, é a memória. Precisamos ter ciência disso. Quando você fica ciente de que esse ressentimento, essa mágoa, essa tristeza, a presença dessa dor que você tem quando está diante dessa ou daquela pessoa, é apenas uma recordação dentro de você sobre ele ou ela.

É fundamental um contato direto com esse momento de experimentar, sem se separar disso. Quando você se separa, é que você cria essa autoimagem. Assim, nessa autoimagem, existe a ilusão de alguém - que é você - e o outro, que lhe causa dor, que lhe causa mágoa, que está criando esse estado de ressentimento, de tristeza, de pesar. Uma Atenção direta sobre esta reação elimina esta separação entre você e ele, ou você e ela. Se não temos esta separação, não temos mais a autoimagem.

Esse é o contato direto com o experimentar desse estado. Então, ele se dissolve. Agora, neste instante, você não está mais alimentando a ilusão da separação, a ilusão dessa autoimagem, dessa egoidentidade. E, quando você não alimenta mais isso, em razão desta Atenção, deste observar, deste perceber, deste sentir diretamente isso, isso termina.

Gilson, é fundamental essa visão nova, esse perceber inédito, esta clareza única. A visão deste momento, neste contato com o outro, sem a autoimagem, é quando, neste contato - porque não há mais esta separação -, temos a presença da comunhão. Uma vida sem inimigos é também uma vida sem amigos. Uma vida sem amores é uma vida sem desamores. Uma vida sem amizades e inimizades entre pessoas que "eu gosto" e pessoas que "eu não gosto".

O nosso real contato com o momento é o contato com a vida como ela aparece, como ela surge. É que, em geral, nós estamos, por muito tempo, cultivando a ilusão de uma identidade presente, que é a pessoa que nós somos. Estamos vivendo dentro de um padrão de especialismo. É como se toda experiência presente fosse para "mim". Eu me vejo como o centro dos acontecimentos.

Assim, os acontecimentos todos devem girar em torno daquilo que "eu" quero ou não, daquilo que "eu" gosto ou não, daquilo que "eu" aceito ou não. Então, "eu" vivo em minhas escolhas, desejos, predileções, aceitações e rejeições. É o padrão de um comportamento psicológico em "mim", que me posiciona na vida como um elemento que é o centro dos acontecimentos. Assim, o nosso padrão de comportamento é de uma mente condicionada, de um cérebro preso a esse padrão de referência.

A referência é a pessoa que "eu" sou, é aquilo que "eu" prefiro sentir, "eu" prefiro perceber, "eu" prefiro escolher. Esse é o condicionamento. Soltar isso é ir além do ego, é ir além desse centro que se separa, para o contato com a vida sem o "eu", sem o ego. Isso lhe confere uma Real Liberdade: de um cérebro livre, de uma mente livre, de um coração livre, para um contato com o momento presente, em um direto experimentar de cada instante, sem o passado.

O seu real encontro com a Verdade, o seu real encontro com a Liberdade é o encontro com o Divino, é o encontro com este Ser, é o que estamos aqui trabalhando com você: uma Vida livre do "eu", livre do ego, livre desta autoimagem.

GC: Mestre, nós temos outra pergunta de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, é na atenção plena que podemos descondicionar nossa mente?"

MG: Gilson, a presença de um olhar para este instante. é aqui que está a resposta. O olhar para este instante requer uma Atenção sobre aquilo que aqui surge. Esta Atenção elimina esse elemento que se separa para fazer escolhas, para julgar o momento presente, para comparar o que está aqui surgindo com algo que ele viu no passado. Assim, eliminamos a ilusão de uma identidade presente quando colocamos Atenção sobre as nossas reações. Portanto, a presença desta Atenção Plena, desta Atenção sem escolha, desta Atenção sem o passado, elimina o elemento que surge do passado.

O elemento que surge do passado é a presença da memória nesta forma de recordação, que é o pensamento. É a presença do pensamento que coloca o pensador. Esse que surge como um censor, que aprova, desaprova, aceita, rejeita, gosta, não gosta. Torna-se fundamental, Gilson, na vida, a compreensão de nós mesmos, a compreensão de todo esse movimento do pensamento, que dá estrutura a esse pensador, que é o "eu".

O seu real contato com o instante é a eliminação da continuidade do passado. O nosso velho modelo, o nosso habitual modelo de contato com o momento, é a partir das lembranças. Num certo nível, o reconhecimento, o uso da memória - ou seja, de recordações - é fundamental; mas, em outro nível, é algo completamente problemático, que está produzindo todo tipo de situações, de complicações, de desordem e sofrimento.

O meu contato, por exemplo, com você, não é real quando o que "eu" tenho sobre você é algo além do nome e da lembrança do seu rosto. Quando "eu" trago para este encontro as lembranças agradáveis e desagradáveis que "eu" vivi com você, essas lembranças se assentam aqui, neste "eu", neste "mim". É a presença do pensamento que sustenta esse jogo de separação entre esse "mim", esse "eu", e você. Nessa separação, está estabelecido o conflito. Eu não estou num contato direto com você neste instante; eu estou num contato com a memória que "eu" tenho sobre você. Isso nos separa, nos divide.

Nós estamos nesse jogo já durante toda a nossa vida. Todas as pessoas que você conhece, você não tem apenas o nome e o rosto, a direta e simples lembrança delas; você tem uma imagem sobre elas, uma ideia, uma construção mental, um modelo de gostar ou não delas. Na verdade, nesse gostar ou não gostar, está presente esta projeção, que é a projeção do seu próprio "eu", do seu próprio ego dentro dessas relações.

Observem as implicações disso. Nós nunca entramos num contato direto com ele ou ela. Nós sempre estamos, nesse contato, numa separação. Porque não é um contato real; é um contato entre imagens. As pessoas são imagens. Podemos ter uma vida livre de imagens para o contato com ele ou ela, sem o passado? Sem o passado dele ou dela, sem a ideia, aqui, de quem ele ou ela é. Repare: estamos diante de uma ilusão, de uma construção do pensamento. A eliminação do modelo psicológico de ser alguém, de ser este "eu", esta pessoa aqui. isso põe fim à ilusão da pessoa lá.

O nosso real contato com a vida não é com pessoas, não é com imagens estabelecidas em nós pelo pensamento. Nosso real contato com a vida é o contato com a totalidade da Vida, como ela é. Isso inclui eles, elas. Inclui o outro. Então, essa imagem que nós chamamos de pessoa precisa desaparecer. O que temos na vida são seres humanos: ele ou ela, o marido, a esposa, os filhos.

A ideia de alguém presente a partir das representações que "eu" tenho é algo inteiramente falso. Se assenta nesta base ilusória, que é este próprio "eu" aqui. Não existe esse "eu" aqui. Esta é a grande revelação da Vida quando não há mais a ilusão. Quando o seu Natural Estado de Ser floresce, o outro, a Vida, os acontecimentos. tudo é esta única Realidade presente, a presença da Verdade.

Portanto, uma Vida em Amor requer a compreensão dele ou dela, o descarte da ilusão sobre ele ou ela. No entanto, isso começa aqui, neste Autoconhecimento, nesse descarte da ilusão do próprio "eu", do próprio ego. É o que estamos aqui, juntos, aprofundando para a compreensão.

GC: Gratidão, gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais esse videocast. E, pra você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver essas Verdades, fica o convite para participar dos encontros intensivos de final de semana que o Mestre Gualberto proporciona.

Esses encontros são muito mais profundos do que esses vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo as nossas dúvidas. E segundo - e muito mais impactante - é que, pelo Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, Ele compartilha um campo de Presença à sua volta, um campo de Poder, de Energia e Graça.

E, nesses encontros, a gente acaba pegando uma carona nesse campo de Presença do Mestre. E, pegando essa carona com o Mestre, de maneira natural, sem nenhum esforço, sem prática e sem técnica, entramos no Estado Meditativo, silenciamos nossas mentes e podemos ter uma Compreensão Real dos assuntos que são tratados aqui no canal.

Então, fica o convite! No primeiro comentário fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o "like" no vídeo, se inscreve no canal e, Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.

Novembro de 2025
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terça-feira, 15 de setembro de 2026

A Felicidade | Como encontrar Deus? | Meditação: o que é? | Aprender sobre Autoconhecimento

Será que nós podemos encontrar, por nós mesmos, essa fonte? Aqui a expressão é "Felicidade". Será que essa fonte perene, de Bem-Aventurança, de Alegria, de Amor, de Liberdade, que nós chamamos de Felicidade, será que nós podemos encontrar isso? Porque, repare, na verdade, é isso o que nós buscamos, sem saber que buscamos.

Em todas as nossas relações, em todos os nossos contatos, em tudo o que fazemos, lá está presente - quer tenhamos ciência disso ou não - esse motivo. Nós estamos em busca do Amor, da Alegria, da Bem-Aventurança, da Paz, da Felicidade, e fazemos isso procurando coisas, coisas que acumulamos externamente e coisas que também acumulamos em nossa mente e em nosso coração, como, por exemplo, relacionamentos e conhecimentos diversos. Tudo isso com o propósito de encontrarmos um estado interno de Felicidade.

Nós queremos encontrar um espaço seguro, livre do sofrimento. Queremos encontrar essa fonte inesgotável de Presença, de Verdade, de Liberdade, mas repare que nós não encontramos nem do lado de fora nem dentro de nós mesmos, nessas conquistas emocionais, sentimentais, nessas realizações internas de conhecimentos e experiências, sejam elas físicas, emocionais ou, assim chamadas, espirituais.

Portanto, a pergunta é: podemos, por nós mesmos, tomar ciência disso, dessa fonte, onde lá está presente essas águas? - a água do Amor, da Felicidade, da Paz, da Alegria. Por que será que isso se esconde de nós? Parece que estamos sempre perseguindo algo que não existe. É como alguém perseguindo um fantasma: parece que nós nunca temos a coisa real. Estamos lidando com algo que parece estar lá, em algum lugar, mas a gente não encontra.

Ao meu ver, o que nos falta é a ciência de uma Vida Divina; isso requer uma visão religiosa, real, e não aquilo que as pessoas entendem aí fora por vida religiosa ou visão, na espiritualidade, ou espiritual. Aqui estamos trabalhando isso com você, promovendo essa visão; e, sim, de fato, ela é algo que poderá nos levar até essa fonte. Ou melhor, ela é algo que irá nos mostrar a presença dessa fonte.

Parece que aqui já nos deparamos com o primeiro ponto fundamental para ser compreendido: nós acreditamos que aquela fonte está lá, em algum lugar. Você não pode perseguir a Verdade, você não irá encontrar a Verdade. Você não pode perseguir porque ela não está lá fugindo de você; você não pode encontrar porque ela não se separa da Realidade da Vida, que está presente aqui como sendo a Realidade do seu Ser.

Assim, essa fonte não será encontrada; ela se revelará, ela se mostrará, ela se fará perceber. É algo que surge em nossa vida como a presença da Verdade que já está presente. No entanto, isso requer uma mudança, uma transformação, requer um trabalho, porque é isso que torna possível a Revelação desse Estado; e isso é algo que depende de uma profunda compreensão da Verdade sobre nós mesmos.

Não se trata de um processo progressivo, como subir uma escada ou fazer uma escalada. Não é uma progressão, não é um passo a passo. Isso não depende de algum método. Essa mudança ocorre aqui e agora; ela é total, ela surge a partir de uma clareza, de uma percepção, a partir dessa visão. Essa transformação é a ciência desta Real Vida Divina.

Aqui a pergunta é: como encontrar Deus? A resposta é: naquilo que aqui está presente despertando quando há esse Florescer Divino, o Despertar da Inteligência, da Sabedoria, e isso requer a presença do Autoconhecimento. Portanto, aprender sobre o Autoconhecimento nos dá a base para o Florescer Divino, que é a presença desta Inteligência que nos dá essa visão, que é a visão de Deus.

Portanto, como encontrar Deus? Assumindo a Realidade de Ser, tendo a constatação da Verdade sobre você, aqui, neste momento, o que requer esse aprender sobre si mesmo, aprender sobre você. Você sabe, na vida, muitas coisas; na verdade, tudo o que você sabe, você aprendeu. A vida consiste em relações acontecendo. Relações são contatos onde há um constante aprender as coisas.

Nós estamos constantemente aprendendo alguma coisa e melhorando, e se autoaperfeiçoando naquilo que já sabemos ou acreditamos saber. Mas esse saber ainda é pequeno, ele vai crescendo. Tudo na vida nós aprendemos e estamos crescendo naquilo, ainda nesse aprender. Mas aqui estamos nos referindo a um novo aprender, a uma qualidade de aprender diferente de tudo o que conhecemos aí fora.

Para aprender a dirigir, você pratica a direção; para aprender um idioma, você pratica gramática e conversação; para aprender música, você pratica com um instrumento nas mãos e com a partitura ali, diante de você, então você aprende a fazer a leitura e a adquirir a técnica instrumental. Aqui, a ciência desse novo aprender requer esse olhar, esse escutar, esse observar. São essas três coisas: olhar, escutar, observar.

Olhar sem alguém para interferir neste olhar. E por que isso é fundamental? Porque nesta qualidade de olhar, neste aprender, neste como aprender sobre nós mesmos, neste aprender sobre o Autoconhecimento, nesta qualidade de olhar não existe o observador. Quando colocamos o observador, colocamos o "eu", o ego, a pessoa, esse "mim". E quando ele olha, olha julgando, comparando, aceitando, rejeitando, gostando, não gostando. Isso não é o olhar; é o observar a partir do observador.

Quando você olha para algo a partir daquele que olha, neste momento esse olhar é ajustado ao querer, à vontade, ao desejo daquele que olha. A partir desse momento, aquilo que ali está se mostrando é visto por um observador que está fazendo uma leitura, que aceita, que rejeita, que gosta, que não gosta. É assim que estamos lidando com as experiências da vida, sempre a partir de um experimentador. Esse experimentador é o "eu", o ego.

Assim, aquilo que estamos experimentando como um experimentador é parte do próprio experimentador, assim como aquilo que estamos vendo a partir do observador é parte do observador. Quando fazemos isso, estamos dando continuidade ao próprio "eu", ao próprio ego, e isso não nos permite a verdade deste aprender sobre as nossas reações.

Portanto, a verdade do olhar é o olhar sem o "eu", sem o observador; a verdade do escutar é o escutar sem alguém para concordar ou discordar, para gostar ou não gostar. Temos a presença do escutar, a presença do observar, mas não temos esse que escuta nem esse que observa.

Portanto, o que é esse aprender sobre nós mesmos? É perceber esse jogo. É apenas perceber, sem interferir. Então, quando isso ocorre, a mente silencia, o cérebro se aquieta, e nesse instante se revela Algo além do "eu", além do ego, além do experimentador, além do observador, além desse "eu" que escuta. E, assim, nos deparamos com a presença, nesse aprender sobre nós mesmos, da Meditação.

Nós temos inúmeras falas aqui, e estamos colocando a partir de ângulos diferentes essa proposta: a Realidade, a Verdade, a Ciência da Meditação. A Meditação, o que ela é? O que é Meditação? É escutar, é olhar, é observar sem o observador, sem esse que escuta, sem esse que olha. Ou seja, a aproximação desse aprender sobre as nossas reações nos aproxima, de imediato, dessa ciência que revela algo além da própria mente - me refiro a essa mente condicionada, a essa consciência egoica, a essa consciência do "eu".

Então, a Meditação não é algo que alguém faz; é algo que aqui está presente quando esse "alguém", esse "mim", esse "eu", não está para interferir, para se envolver. Portanto, trata-se de um estado interno onde a mente está em silêncio e o cérebro quieto, não porque a mente foi aquietada, não porque o cérebro foi silenciado. Não é o silêncio ou a quietude de uma mente que se ajustou a um sistema, a uma prática ou técnica. Não é o silêncio ou a quietude de um cérebro que se ajustou a uma prática, a um método, a um sistema. É algo que ocorre naturalmente quando aprendemos a olhar sem o observador. Essa é a presença da Meditação.

Quando temos a presença da Meditação, não temos o meditador, não temos alguém na prática. A Meditação na prática é a ciência de Ser, sem o "eu", sem o ego, sem esse "mim". Portanto, nós temos que investigar isso com calma, temos que nos aproximar da verdade sobre essas reações, sem interferir com elas. Veja, não estamos diante de algo tão simples.

Durante toda a nossa vida, a ideia de ser alguém - alguém pensando, alguém sentindo, alguém falando, alguém ouvindo, alguém fazendo - é muito forte. Nós temos uma clara sensação, uma clara certeza da existência de alguém aqui presente, isso porque o pensamento nos traz a convicção.

O pensamento formou em você a imagem, estabeleceu em você a ideia e, portanto, a conclusão de uma identidade que gosta, não gosta, aceita, rejeita. Uma entidade presente, que é o pensador, que tem pensamentos, que tem sentimentos, que tem sensações, que tem emoções. Enquanto que, na realidade, a vida acontecendo é tudo isso, mas não tem alguém.

Não há alguém presente na vida como ela acontece, o que representa só um experimentar quando o "eu" não está, quando a ideia de uma identidade, que é esse pensador, não está. Então, o que é esse real encontro com Deus? É o encontro com a Vida como ela é. Aqui, toda a dificuldade que temos consiste na ilusão de alguém para quem a vida está acontecendo ou deveria acontecer desta ou daquela outra forma.

Você nunca questiona o fato de que no olhar é só o constatar daquilo que o cérebro presencia, percebe através dos olhos. A sua crença, a crença comum que nós recebemos dessa cultura, nesse modelo de condicionamento mental, é de alguém presente por detrás dos olhos. Sim, quando temos a ideia de alguém presente, temos a ilusão de uma identidade que gosta ou que não gosta, que nomeia, que tem uma história, uma memória sobre aquilo. Mas o fato é: aquilo que ali está presente é só uma constatação, uma observação.

Não existe esse elemento, que é o "eu", a não ser que o pensamento surja para dizer alguma coisa, para tirar conclusões, tomar posições, fazer escolhas, gostar ou não gostar. Tudo isso nasce desse modelo psicológico de ser alguém, o que é um mero condicionamento mental, uma crença comum, uma crença, sentimento, sensação, algo muito forte que lhe traz esta convicção.

Será possível a vida como ela acontece, sem a presença desse "eu"? Ou seja, a vida, neste momento, se mostrando como ela é, sem alguém para conclusões, para avaliações, para crenças, como aceitar ou rejeitar, gostar ou não gostar, aceitar como real ou falso?

O nosso modelo de pessoa é o modelo daquele que olha a partir desse fundo psicológico. Isso nos impede de ter esse real contato com Deus, que é o contato com a Vida, algo possível quando o "eu" não está. Então há um contato, há uma comunhão, mas não é a comunhão ou o contato de alguém. Não é alguém tendo uma experiência com Deus, é o experimentar a vida como ela é; então ela revela, sim, essa Felicidade.

A Felicidade não é aquilo que o pensamento imagina, projeta, idealiza e procura em suas realizações; não está em realizações externas nem em realizações internas. A verdade sobre a Felicidade é que a Felicidade é a ciência de Ser. Essa ciência de Ser é a Divina Presença, é a Real Consciência, é Aquilo que aqui está presente além do "eu", além do ego.

É nisso que estamos trabalhando aqui com você nesses encontros que temos online nos finais de semana, sábado e domingo - são dois dias juntos. Além dos encontros online nos finais de semana, nós temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido pra você, já fica aqui um convite.

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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

O que é a Real Consciência? | A Realização da Unidade | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast, novamente o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado "A Realização da Unidade". Em um trecho desse livro, Mestre, o Joel faz o seguinte comentário: "O erro não está no externo, o poder não está no externo. Todo o poder está na voz mansa e delicada". Neste trecho o Joel comenta sobre esse Poder interior, sobre esse Poder Divino. Dentro desse assunto, o Mestre pode compartilhar a sua visão sobre o que é a Real Consciência?

MG: Gilson, por que nós usamos, aqui, expressões como "Real Consciência" e diferenciamos esta Real Consciência daquilo que entendemos por "consciência"? Primeiro, antes de tudo, vamos compreender aqui o que é que entendemos por "consciência". O que você entende por "consciência" é a presença dessa mente: da mente consciente e inconsciente. Nós temos um movimento interno ocorrendo em cada um de nós - é o movimento de sentimentos, de emoções, de pensamentos. Esse movimento é o que entendemos por "mente". Assim, essa mente carrega lembranças ocultas e lembranças mais recentes, e essas lembranças mais recentes estão operando a nível que nós chamamos de "consciente". Então, nós dividimos a mente em consciente e inconsciente, em consciência e inconsciência.

Portanto, aquilo que compreendemos por "consciência" é esse movimento da mente, mas todo esse movimento - observe isso em você - é um movimento que se processa a partir de um modelo de resposta que, na realidade, nós chamamos de "consciente" mas é de pura inconsciência. Observe que quando você tem pensamentos a ideia de alguém presente tendo pensamentos é um sinal clássico de que você não se dá conta de que não existe esse alguém; o que temos presente é somente pensamento. Porque não existe uma separação entre o pensamento e o pensador. Essa ideia de alguém tendo pensamentos é parte desta inconsciência, porque o que está presente é apenas um movimento de pensamentos. Suas respostas são respostas do pensamento.

Se, por exemplo, eu pergunto algo para você, a sua resposta nasce do pensamento. Não é de alguém tendo um pensamento, e sim do próprio pensamento, que é memória, lembrança, recordação. Não existe esse alguém, mas a crença comum é de alguém, de alguém tendo consciência da resposta. Esse alguém é o pensador. Examine isso com calma, aqui. Quando você me dá uma resposta e eu lhe pergunto: "Quem me respondeu?", você me diz: "Eu!". Mas o que é esse "eu"? Ele também não é pensamento? Ele não é um elemento presente que está se sustentando numa imagem que o pensamento está estabelecendo sobre quem você é? Portanto, isso é ainda pensamento. O "eu" que você diz ser você é só uma imagem - essa imagem é parte do pensamento. Assim, não existe uma separação entre essa imagem, esse "eu" e o pensamento.

Tudo isso se processa em você de uma forma inconsciente. Portanto, aquilo que nós chamamos de "consciência", que implica a presença dessa mente consciente e inconsciente, é a presença da inconsciência. É a presença dessa inconsciência aquilo que nós chamamos de "consciência pessoal", aquilo que nós chamamos de "minha consciência". Qual será a Verdade sobre você? Aqui temos a Verdade sobre o "eu", sobre a pessoa, sobre este "mim". Sim, isso é visto como sendo a Verdade sobre você, mas haverá uma Realidade sobre você, além desta imagem, além deste "eu", além desta consciência pessoal? Aqui estamos colocando para você: a resposta é que sim, há uma Realidade presente, a Realidade sobre você, além deste "você" que o pensamento tem estabelecido, além desta ideia, desta imagem, além desta pessoa. Esta é a Realidade Divina!

Portanto, o que é esta Real Consciência? É Aquilo que aqui está presente além do conhecido, além dessa consciência, além desse modelo do pensamento, que é a pessoa. A Realização da Verdade ou o Despertar da Consciência, desta Real Consciência, ou Iluminação, ou Visão de Deus - ou qualquer nome que você queira para isso - consiste nessa ciência d'Aquilo que aqui está presente, que não está dentro desse contexto do "eu", desse modelo do conhecido, desse padrão de consciência pessoal. O encontro com esta Realidade consiste na constatação da Realidade presente além do pensamento, além daquilo que esta consciência limitada pelo pensamento conhece e reconhece.

A boa notícia é que você nasceu para esta ciência, para a ciência da vida. A Realidade de Deus é a Liberdade de Ser - isso é Meditação. Isso é o resultado de uma profunda compreensão de nós mesmos, de uma direta e verdadeira compreensão da Verdade sobre este "mim", sobre esta pessoa! É nisso que estamos trabalhando. Os diversos vídeos que temos aqui no canal - na realidade são centenas - todos abordam a importância desta visão, desta percepção, desta compreensão, desta qualidade de escuta, da Verdade deste olhar - algo inteiramente diferente daquilo que nós conhecemos, porque estamos lidando com a ciência da vida como ela é neste momento.

Um cérebro novo, uma mente nova, um novo coração, uma percepção da realidade do momento sem o passado: isso requer a presença dessa Inteligência Divina, da Sabedoria de Deus, da Verdade da Revelação d'Aquilo que aqui é real sem essa mente, sem esta "consciência", sem esse padrão, sem esse velho modelo de sentir, agir, pensar, responder. Esse antigo modelo tem sua estrutura nesta consciência do "eu", que é a consciência comum.

Olhar para esta vida, assumir a realidade desse momento sem a ideia de alguém neste olhar é ficar ciente de que não há uma separação. Não existe esse que observa a vida, esse olhar é o olhar da vida na própria vida. Quando fica eliminada a ilusão da dualidade, da separação deste "eu" e o "não eu" - desse "eu" que observa aquilo que está sendo observado - quando isto é eliminado, algo se revela. Este Algo é inominável, indescritível, é a Verdade Divina, a Suprema Bem-Aventurança, a Verdadeira Felicidade. Olhar para isso que aqui está, sem "alguém" nesse olhar, é o que estamos propondo para você. O seu contato com o outro, o seu contato com ele ou ela, o seu contato com a vida, o seu contato com situações, sem "alguém", sem o "mim", sem o "eu", é o Despertar desta Real Consciência, é o florescer deste Natural Estado de Ser. Ok?

GC: Mestre, nós temos uma pergunta de uma inscrita aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Tenho um padrão de vitimismo muito forte. Como mudar isso?"

MG: Gilson, a velha ideia de mudar padrões a partir de uma base é um erro, é uma ilusão! É investigando a base, é investigando o padrão. A própria base para essa mudança é ainda parte desse padrão. Quando nós queremos sair da inveja, do ciúme, do medo, da raiva, a ideia de sair é a base, mas é uma base que se separa do próprio ciúme, da própria inveja ou medo - ou, aqui no caso, do vitimismo. Nós não percebemos que essa base para sair dessa condição é parte dessa condição.

Colocando de uma outra forma: nós sempre temos ideais; são ideias sobre o que fazer, sobre como fazer para se livrar. Portanto, essa resistência ou esta base é, ainda, parte desta condição. Nós estamos constantemente no ideal do "se tornar", do "alcançar", no ideal do "se livrar". Portanto, quando a inveja está, o medo está, a raiva está, o sofrimento está presente, nós colocamos uma ideia de como nos livrar daquilo, de como se livrar desta dada coisa. Esse ideal é o "vir-a-ser", o "alcançar", o "se tornar".

Assim, nós estamos sempre projetando o futuro a partir da condição em que nós nos encontramos neste momento. Esta projeção é uma projeção do pensamento. Nós estamos lidando com a ideia do futuro como se estivéssemos lidando com um propósito real, enquanto que, na verdade, estamos lidando apenas com uma imaginação da própria condição em que nós nos encontramos. Quando você se separa do medo, isso alimenta o medo, isso sustenta o medo. Toda e qualquer resistência ao medo é a continuidade do medo, é o fortalecimento da condição do medo. O propósito de se livrar, de se defender, de resistir ou lutar nasce do medo, assim como, nesse vitimismo do qual você quer se livrar, a ideia de alguém para se livrar é a ilusão de alguém que se separa do estado do vitimismo e tem um plano de como se defender, de como se proteger, de como alcançar vitória sobre o vitimismo.

Observe que aqui estamos tratando apenas de um único movimento, que é o movimento do pensamento. O pensamento cria o pensador para ter pensamentos sobre aquilo. Nesse estado de vitimismo, o pensamento cria esse que é "o vitimizado", para se proteger, para se defender, para se livrar. Aqui a pergunta é: como podemos nos aproximar desse estado, sem a ideia desse "eu", sem a ideia do "se livrar", do "resistir"? A resposta é básica: só há uma real aproximação desse estado quando fica claro que não existe tal coisa como "alguém" para se proteger, para se defender.

A presença do estado é a única realidade aqui, neste instante. Nesse vitimismo não há aquele que está vitimizado, para se livrar do vitimismo. Nesse vitimismo não existe qualquer pensamento que não esteja nascendo do próprio estado do vitimismo. Se isso fica claro, temos aqui a real forma de nos aproximarmos do estado. E quando isso fica claro, nenhum movimento se pode fazer, se torna necessário de ser feito, porque não existe esse vitimizado separado do vitimismo, e não existe essa ideia que esteja separada desse vitimizado.

Observe isso, abandone qualquer ideia de "alguém" para se livrar. Permita que esse estado seja visto, esclarecido, compreendido sem a ideia, sem o "eu". Se isso fica claro, isso se dissolve. A continuidade do medo requer "alguém", a continuidade do vitimismo requer "alguém", a continuidade da raiva requer alguém alimentando ideias, tirando conclusões, tentando se livrar ou justificar o estado.

O que estamos aqui colocando, para você, é que não existe tal coisa como esse estado separado deste alguém - é um único fenômeno, um único acontecimento. Podemos ter a vida, aqui e agora, livre de todo este modelo de sofrimento psíquico, psicológico? A resposta fica clara quando fica claro que não existe esse "eu" que se separa do estado. Quando não temos esse "eu" se separando do estado para se defender, para se livrar, para escapar, esse estado se dissolve.

A Realidade de Ser não comporta esse movimento psicológico de continuidade, de afirmação do "eu". Seu Natural Estado de Ser não carrega esse "eu" e o "não eu", essa vítima e o vitimismo, esse vitimado e esse estado de vitimismo; não carrega esse modelo de se livrar ou de alcançar. A Realidade aqui presente é Ser. Não é algo no tempo, não é algo que nasce do passado, não é algo que se projeta no futuro para alcançar ou se livrar; é algo inteiramente novo, diferente, desconhecido.

O que lhe aproxima desta Revelação é esse olhar, esse escutar, esse perceber aquilo que aqui está presente, sem se separar. A presença desta compreensão é o que temos chamado de Autoconhecimento. Conhecer suas reações é conhecer os seus medos, desejos, conflitos, seus estados internos de vitimismo ou de raiva, ou qualquer outro estado psicológico de sofrimento para este "eu". Ficar ciente disso é o fim para esta condição, é o fim para este quadro. Então, se revela Algo que está fora das palavras, que é você em seu Natural Estado de Ser. Ok?

GC: Mestre, nós temos outra pergunta, de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, as palavras e teorizações podem funcionar como pontes para Aquilo que é inominável?"

MG: Gilson, nenhuma palavra, nenhuma teorização, nenhum conceito, nenhuma ideia pode lhe aproximar da Realidade! A Realidade está além das palavras dos conceitos, das ideias e das teorias. A Realidade é aquilo que aqui está presente além do pensamento, portanto toda forma de aproximação nesse nível - a nível do pensamento - é a nível, ainda, de um intelecto condicionado. O condicionamento presente em nós é a memória, é a lembrança, suas recordações. Todo tipo de conhecimento, que é pensamento, é algo condicionado.

Assim, nós temos um cérebro condicionado, uma mente condicionada, um intelecto condicionado, e isso é, na realidade, o grande impedimento. Sair da mente para o Coração, sair dessa teorização para a vivência direta de um experimentar a vida como ela é, como ela acontece, isso requer esta sensibilidade, esta profunda vulnerabilidade à Vida. Então sim, isso lhe aproxima de um real contato com aquilo que aqui está presente. Nós vivemos constantemente fugindo desse contato porque, de fato, ele é doloroso. Tomar ciência de suas reações, tomar ciência de como a mente, em sua ambição, inveja, medo, ciúme, desejos, a mente em suas aflições, está ocorrendo - isso é doloroso. Mas é o contato com isso, quando nós não nos separamos, em razão dessa vulnerabilidade e sensibilidade, nesse instante podemos ir além do "eu", além do ego, além desta psicológica condição, para Algo desconhecido, inominável.

Portanto, a base para esta vivência da Realidade d'Aquilo que aqui você chama de "inominável", como nós temos colocado, é ir além daquilo que é conhecido, e isso requer um contato com a Verdade sobre este "mim", sobre este "eu". Portanto, é a presença sobre o Autoconhecimento, o contato real com a Meditação, que nos libera ou nos liberta dessa ilusão de alguém presente; de alguém presente que sofre, de alguém presente na ambição, no medo, no ciúme, e em todos esses diversos quadros, nesse modelo psicológico de condicionamento que nós trazemos. Mas não há como irmos além desse "eu" sem a plena ciência de como estamos funcionando, de como esta egoidentidade está se sustentando neste velho padrão, neste velho modelo de condicionamento social, de condicionamento de cultura.

Assim, quando as pessoas tentam praticar meditação para escapar desses estados, elas não compreenderam que a ciência do Autoconhecimento é a revelação desses estados. Então, sim, quando há uma ciência desta revelação, essa ilusão de alguém que se separa desses estados se dissolve e, naturalmente, os estados também. Então Aquilo que é indescritível, que está além das palavras, que é a Verdade deste Ser, se revela. Portanto, não há como pular etapas aqui; é fundamental esta compreensão, é essencial a visão da Verdade sobre si mesmo. Sem isso, não há real Meditação, sem isso é impossível esse encontro com a Realidade Divina. Não há uma separação real entre a Realidade deste Ser e a Verdade de Deus. No entanto, esse contato só se revela quando a ilusão termina.

Portanto, precisamos investigar a natureza desse "eu", desse "mim", de todo esse movimento psicológico deste "vir-a-ser", deste "tentar se livrar" - algo tão presente no "eu", no ego. Assim, a base para o Amor, para a Verdade, para a Sabedoria, requer a presença do Autoconhecimento. É a presença desse estudar, desse compreender, nesta vulnerabilidade, nesta sensibilidade, que lhe aproxima desse Natural Estado de Meditação, onde se revela a Suprema Felicidade, a Suprema Liberdade, a Verdade de Deus, Aquilo que é inominável, indescritível. Ok?

GC: Gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais este videocast. E, para você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver estas Verdades, fica o convite para participar dos encontros intensivos de final de semana que o Mestre Gualberto proporciona. São encontros que existem no formato on-line, presencial e também retiros de vários dias. Esses encontros são muito mais profundos e transformadores do que esses vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo, diretamente às nossas perguntas; e segundo e muito mais impactante é que, pelo Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, Ele compartilha um campo de Presença à sua volta - um campo de Energia, de Poder e Graça. E, nesses encontros, a gente acaba pegando uma carona nesse campo de Presença do Mestre. E, pegando essa carona, de maneira espontânea, sem nenhum esforço, sem nenhuma técnica, entramos no Estado Meditativo, silenciamos nossas mentes e podemos ter uma visão e uma compreensão real dos assuntos que são aqui tratados. Então, fica o convite: no primeiro comentário fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o like no vídeo, se inscreve no canal. E, Mestre, mais uma vez gratidão pelo videocast.

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terça-feira, 8 de setembro de 2026

A energia de Deus | Como encontrar Deus | Meditação: o que é? | Aprender sobre Autoconhecimento

Aqui, nesses encontros, quando nós aprendemos a escutar, esse escutar é tão natural que nele não há qualquer resistência; e, nesse escutar, nós veremos que, nesse estado de escuta, uma transformação acontece, algo que ocorre dentro de nós mesmos. E é importante que se diga: não é algo que você realiza pelo seu esforço, da sua parte, mas é algo que ocorre de uma maneira natural.

Assim, nós precisamos aprender a ouvir em atenção, ou seja, sem qualquer resistência, sem a necessidade de entrar em acordo com o que estamos ouvindo ou discordando disso. Isso nos dá esse aprender sobre nós mesmos, quando aprendemos a ouvir ele ou ela dizendo algo, quando aprendemos a ouvir os nossos próprios pensamentos, quando aprendemos a ouvir a vida acontecendo.

Aprender sobre o Autoconhecimento é a coisa mais importante na vida. Em geral, nós não escutamos de verdade, pois sempre temos uma certa intenção, um certo motivo, um certo propósito, e isso denota a presença do esforço. A presença do esforço nos torna tensos e incapazes desta compreensão.

A compreensão é a revelação daquilo que aqui está presente, e isso não depende de um ato do próprio "eu". Reparem a importância disso. Para se compreender uma coisa é necessário escutar sem esforço, sem resistência qualquer inclinação, opinião ou julgamento, e isso não é algo simples; na verdade, é muito difícil, porque o nosso hábito, o nosso modelo psicológico é outro. E se não aprendermos a escutar, não teremos esse aprender sobre nós mesmos.

O nosso problema não é de como realizar essa mudança, esse contato com a Realidade da Vida. Quem irá realizar esse contato? De que forma poderei eu realizar isso? - essa não é a questão. Quando sabemos escutar sem qualquer resistência, algo acontece. É interessante expressões como "a energia de Deus"; quando pessoas usam essa expressão, elas se referem a algo que, de fato, desconhecem, mas afirmam com base em crenças, em conceitos, em ideias. Elas afirmam com base em conclusões intelectuais que elas têm, que elas trazem.

Aqui estamos lhe convidando a descobrir o que é escutar a vida acontecendo, então você saberá o que é esta Realidade surgindo, aparecendo, florescendo aqui, neste momento - eu me refiro a esta Realidade Divina. Expressões como "a energia de Deus", ou "a Realidade de Deus", ou "a Verdade de Deus", isso fica apenas no campo das ideias. Aqui nós precisamos é ter um contato real com a Verdade, um contato real com essa Realidade, um contato real com Aquilo que aqui está presente.

Assim, nós não precisamos de ideias, de conceitos ou crenças; na verdade, essa mudança ou transformação, nesse contato com esta Verdade, com esta Realidade, com Aquilo que é Supremo, quer nós chamemos isso de Energia Divina, de Realidade de Deus ou Verdade Suprema, é algo que acontece independentemente de qualquer ato nosso, pessoal, ou seja, consciente. Na verdade, essa mudança não pode ocorrer dentro dessa consciência do "eu", pela vontade do "eu".

O contato com essa mudança, com essa transformação, com essa Realidade é o fim dessa condição psicológica do "eu", é o fim desse modelo de consciência pessoal, algo novo aqui está presente. Então, aqui a pergunta é: como isso se torna possível? Como podemos passar por essa transformação, por essa mudança, independente de qualquer razão, motivo ou intenção da nossa parte? A resposta para isso é bem simples: descobrir diretamente o que é olhar, escutar, perceber, sem se envolver.

Repare, a resposta é básica é simples, mas a compreensão dessa resposta é algo que requer de cada um de nós algo além da vontade, do desejo ou desse querer. Não basta querer, ter vontade ou desejar, nós precisamos ter um contato real com esse momento, com esse instante, sem interferir com ele, para que haja uma compreensão. Então, sim, se torna possível compreender isso de uma forma direta.

Assim, essa nossa atitude precisa ser nova, uma atitude atenta nesse ouvir, nesse escutar, nesse observar aquilo que se passa dentro de cada um de nós, e também externamente. A nossa ênfase aqui consiste nesta descoberta, na descoberta deste aprender como a mente acontece, como ela funciona, como ela se processa em nós.

A princípio, o seu modo de olhar para a experiência é a partir de avaliações, comparações, aceitações e rejeições. É isso que nós precisamos aqui desaprender quando estamos lidando com o movimento interno dessa consciência do "eu". Esse movimento psicológico em nós, nesse condicionamento, nessa mente condicionada, prisioneira desse padrão, é fazer isso. Estamos constantemente avaliando, comparando, aceitando, rejeitando a partir de critérios do passado, a partir de ideias, e essas ideias nascem dessas memórias.

Essas memórias psicológicas em nós são a presença daquilo que não se concluiu, daquilo que não se completou. Se você está triste comigo, é porque está ofendido, magoado, aborrecido; isso está presente em mim, isso está presente em você. Estou constantemente criando contrariedades para você, aborrecimentos para você: é um hábito, é o modelo de ser alguém que eu tenho. Por sua vez, você tem o seu modelo de ser alguém, que é de ficar magoado, triste, aborrecido, com raiva de mim. É assim que nossas relações acontecem. Essas relações não são reais.

Não há um contato, não há uma comunhão, não há uma real comunicação entre nós. Ficamos cada um por detrás de um muro, vivendo no seu isolacionismo e tendo esses contatos centrados no próprio "eu", no próprio "ego" - assim são as nossas relações com as pessoas. E isso nos impede de ter um contato com a Vida sem conflito, sem sofrimento, sem desordem. Somos criaturas humanas confusas, desorientadas, carregadas de desejos e medos. Esse é o movimento desse "eu", desse "ego".

Portanto, essa transformação se faz fundamental em nossas vidas. Esse é o contato com essa Energia Divina, com essa Energia de Deus, com esta presença da Vida. Portanto, como encontrar Deus? Abandonando a ilusão dessa egoidentidade, abandonando esse padrão de comportamento centrado nessas memórias que não se concluíram.

Quando eu tenho um contato com você sem a imagem, sem a lembrança, sem essa memória psicológica do que você representa para mim, e do que eu acredito representar para você, nesse instante nós temos um contato com o momento sem o passado. Podemos nos permitir a vida sem essas memórias psicológicas que não se concluem?

Eu olho para você a partir do passado, você olha para mim a partir do passado. Eu olho para mim mesmo a partir do passado, eu vivo em alta autoestima, eu vivo em baixa autoestima. É a forma como o pensamento configura a imagem que eu construí sobre mim mesmo, é a forma como o pensamento configura a imagem que eu construí sobre você que sustenta esse nível de relacionamento, onde está presente essa qualidade de memória, que é a memória que não se concluiu, que é a memória que justifica a presença desse "mim", desse "eu", desse "ego".

Podemos assumir a vida sem essa qualidade de memória? - essa é a pergunta. Podemos lidar com o outro sem a ideia desse mim? - lidar com o outro sem a imagem que esse "mim", que "eu" tenho dele ou dela. É dessa transformação que estamos falando aqui. Esse é o seu contato com a Vida; esse contato com a Vida, sem o "eu", é a Revelação desse encontro com Deus.

Assim, como encontrar Deus? - a pergunta é essa. A resposta é, basicamente: livre-se do "eu", livre-se do "ego", livre-se da ideia do modelo do pensamento, do pensamento condicionado, do pensamento psicológico, do pensamento, que é basicamente registros do passado dentro das relações. Olhar para ele ou ela sem o passado - o que requer viver este momento permitindo que cada momento se conclua nesse instante -, isso é a morte da memória psicológica. É a memória do "eu" a continuidade desse nível de relação onde o conflito está estabelecido, se sustenta.

Assim, nos livramos da ilusão do "eu" quando, a cada momento, permitimos que o pensamento se conclua. Então não existe mais essa continuidade, que é a continuidade desse padrão de reconhecimento no futuro daquilo que o pensamento está trazendo do passado. Isso é o fim do tempo, quando permitimos que a cada momento e a cada instante o pensamento se conclua.

Quando estamos atentos às nossas reações, nesse observar como a mente funciona, nesse olhar sem a separação entre esse "eu" e o "não eu", que é o pensamento e o pensador, quando trazemos essa Atenção para esse instante, o pensamento perde essa relevância para essa identidade, que é o "eu", então ele não se estabelece como uma memória psicológica, como uma recordação, como um registro em nós, nessa mente e nesse cérebro.

Quando não há mais o registro, porque não há esta memória psicológica, não há mais essa continuidade nesse tempo. Assim, o seu contato com o momento, seja com ele ou ela, seja com a vida, não é mais o contato de alguém que está vindo do passado. Não há mais esse alguém. Isso requer que você descubra o que significa morrer para cada instante, para cada momento, do ponto de vista psicológico.

Quando não cultivamos mais a continuidade dessa imagem, dessa autoimagem, dessa pessoa, desse "mim", a Vida assume esse espaço como ela é. Até esse dado momento, o que nós temos feito nessa desatenção, nessa ausência da ciência de Ser - é aqui que entra a presença da Meditação -, é manter a continuidade desse movimento, que é o movimento do pensamento psicológico, que são essas lembranças boas e ruins que eu tenho dele ou dela.

O que é Meditação? Qual é a Realidade que se revela aqui quando a Meditação está presente? A Meditação, o que ela é? Ela é a presença desta Ciência de Ser, sem esse fundo psicológico, sem esse modelo de memória, de registros do passado. Olhar para esse instante, para esse momento, sem as conclusões, crenças e avaliações daquilo que se revela aqui e agora é se deparar com o que está aqui sem a ideia do que deveria isso ser, ou isso teria sido.

Deixamos o ideal, a crença, a opinião, o julgamento, a avaliação particular do pensamento, abandonamos por completo isso para ficarmos com a Vida, com o instante, com o momento, com aquilo que aqui está presente, e isso requer uma mente livre. Assim, a presença da Meditação não é alguém em uma determinada prática de meditação ou em um exercício de meditação, ou o que quer que você considere como meditação. A Meditação é simplesmente Ser, é olhar para aquilo que aqui está presente sem ideia, avaliação, conceito ou crença.

Seja a presença de um pensamento, de um sentimento, de uma emoção, seja a presença dele ou dela, ou de algo ocorrendo na vida, quando não colocamos esse sensor, esse "mim", esse "eu", esse elemento que vem do passado e que, pelos pensamentos, conclusões, opiniões e crenças faz leituras e assume conclusões, nós estamos diante do momento, sem o "eu", sem esse "mim". É quando a mente e o cérebro se aquietam.

Há uma qualidade de percepção, de olhar, de constatar o momento sem esse fundo, sem essa estrutura, sem essa base de condicionamento egoico, de condicionamento psicológico. Esta é a presença da Meditação. Quando ela está presente, aquilo que se revela aqui e agora é a Realidade de Deus.

Portanto, como encontrar Deus? Assumindo a Realidade do momento, sem a ideia do "eu". Esse é o seu encontro com a Vida, esse é o seu encontro com Deus, esse é o seu encontro com a Realidade deste Ser. Não é alguém tendo esse encontro; é este Ser, a Vida e Deus se Revelando. Isso requer a presença desse aprender sobre o Autoconhecimento, isso requer a presença da Verdade daquilo que aqui eu tenho chamado de Real Meditação de uma forma vivencial, ou seja, momento a momento.

Quando temos o fim do "eu", o fim do ego, o fim desse movimento que vem do passado, nos deparamos com a Vida, nos deparamos com a Realidade de Ser; e se Isso está presente, a Felicidade está presente, o Amor está presente, a Sabedoria está presente. Esta é a Real Realização.

É nisso que estamos aqui, com você, trabalhando. Nós temos dois dias, sábado e domingo, de uma forma on-line. Então, sábado e domingo estamos juntos. Além desses encontros on-line, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui esse convite.

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