GC: Olá, pessoal, estamos aqui para mais um videocast. Novamente, o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado: "A Arte da Cura pelo Espírito". Em um trecho desse livro, o Joel faz o seguinte comentário: "O Pai está em mim. Eu estou no Pai. Estamos um no outro. Esse é o segredo que conhecemos". Neste trecho, o Joel fala sobre essa Unidade com Deus. Dentro desse assunto, o Mestre pode compartilhar a sua visão sobre o que é a Não Dualidade?
MG: Gilson, a Vida como ela acontece neste instante, está dentro de uma única Realidade. Ela é esta Realidade. Ela não se separa desta Realidade. É a Realidade, a própria Vida. E esta Vida é a Realidade deste Ser. Esta é a Não Dualidade. Aquilo que é Você em seu Ser, a Vida, é a Realidade. No entanto, nós estamos nos movendo no mundo, nos movendo como pessoas, a partir da ideia, da crença, da sugestão da separação. Você se vê como alguém presente no mundo, separado da Vida, separado da Realidade. Esta é a dualidade.
Então, o que é a Não Dualidade? É a ciência da Vida como ela é. O elemento principal aqui que nos sustenta dentro desse programa ou ilusão é a presença do pensamento - do modelo do pensamento condicionado. Nós temos a crença e também o sentimento de separação. O resultado disso é a confusão na vida, é a confusão no mundo, é o sofrimento em nós.
O pensamento presente em você lida com o passado, com experiências que já foram. E é exatamente assim que você sente a vida acontecer. Sua percepção de mundo é a percepção de uma consciência que se vê presa ao padrão do pensamento dentro do tempo. Nós temos uma noção de vida no tempo: o passado, o presente e o futuro. É assim que a consciência em nós tem ciência do mundo, tem ciência da vida, tem assumido a ciência daquilo que nós somos. No entanto, isso não é Real.
É a presença do pensamento que constrói o tempo e que nos coloca como uma entidade presente na vida, vivendo experiências. Portanto, nós temos a Vida como ela acontece. O experimentar da vida é algo presente na mente. Mas a mente tem transformado todo esse experimentar em memórias. Assim, a mente criou esse experimentador, esse modelo particular de pensamento, que é o pensamento psicológico. Então, repare como tudo isso se processa. Quando você tem um momento aqui, neste instante ocorrendo, a mente, nesse experimentar, transforma isso em uma experiência, quando registra. E assim nós temos a base para esse "eu", que é a pessoa, o experimentador. O resultado dessa experiência é a memória.
Assim, nós estamos vivendo na memória e olhando o mundo a partir da memória, que é o pensamento. Assim, existe esta separação entre você e o mundo, você e a vida: você, sendo o experimentador, vivendo experiências. É assim que o pensamento nos dá a sugestão da vida, nos mostra a vida. Portanto, não existe um contato com a Vida como ela é. É o contato com a vida a partir da leitura que o pensamento faz. Essa leitura é a presença do "eu", a presença da pessoa. Portanto, existe esse "eu" e o "não eu". Temos presente, no existir de alguém, a ideia do experimentador e a sua experiência. E, assim, nós estamos em contato com o mundo à nossa volta, com as pessoas à nossa volta, com tudo o que acontece. Essa base é equivocada.
A compreensão da Vida requer a ciência deste Ser, a ausência da ilusão do pensamento. Refiro-me ao pensamento condicionado. Pensamento como registro tem um espaço, um lugar - mas apenas o lugar técnico, funcional, prático - e não psicológico, como temos feito. Aqui, por exemplo, o uso da fala é o uso de um registro de memória, e, portanto, de pensamento. A palavra é algo funcional, algo técnico. Porém, nós não ficamos com o pensamento apenas nesse nível. O pensamento, em nós, fica a serviço de uma entidade que se vê presente. Essa entidade é ilusória. Essa entidade é o "eu".
Quando eu me encontro com você, eu não me encontro com a Realidade deste Ser. Eu não me encontro com este real significado da Vida, que é Não Dual. Quando eu me encontro com você, esse encontro é o encontro desse "eu" com o "não eu". Esse é o encontro entre pessoas: a pessoa que o pensamento diz que eu sou e a pessoa que o pensamento diz que você é. Assim são os nossos encontros: em dualidade, em separação. Nesta separação se estabelece toda forma de conflito, de desordem e confusão. Porque a Vida é Não Dual, enquanto que a mente é dualista. A mente está vivendo nessa dualidade.
Haverá uma qualidade de mente para esse experimentar sem o experimentador? É o que estamos aqui com você investigando. Nós precisamos tomar ciência, na vida, desta mente livre do "eu", da mente livre do ego. Esta mente, no "eu", é a mente programada, que se repete e mantém sua continuidade de existência ou de ilusória vida em separação. Esta qualidade de mente é a mente condicionada.
O real contato com o momento é o real contato com o Ser. Não é alguém tendo um contato; é a Presença de um estado de comunhão, de constatação da Realidade, onde não temos mais a presença da separação. Então, sua resposta para o momento não é a resposta do pensamento, é a resposta em linha com a Vida.
A cada momento nós estamos vivendo um novo momento. Ou nos aproximamos desse momento a partir do pensamento condicionado, a partir do "eu", ou esse contato é o contato com a Realidade, sem o "eu". E, portanto, esse contato é a Presença da comunhão, é a Presença dessa Inteligência Divina, desta real visão da Vida.
Então, o que é a Não Dualidade? É essa Realidade presente, sem o "eu", sem a ideia de alguém presente, sendo o pensador, sendo o experimentador. É a Vida acontecendo em um experimentar onde não temos mais a presença do passado, que é o experimentador. Assim, não ficam registros. Não há qualquer necessidade de registrar o momento. Não há qualquer necessidade da presença do pensamento para fazer a leitura do instante, do que aqui está acontecendo, ou para registrar esse momento. Esse é o contato com a Vida, esse é o contato com a Verdade. Portanto, a Presença da Verdade é Não Dual. Essa Verdade é a Realidade Divina, é a Realidade deste Ser.
Portanto, a sua pergunta é: "O que é a Não Dualidade?" É se aproximar de si mesmo, quando há uma constatação direta disso, e não teórica. Não se trata de algo sobre o qual você possa teorizar ou ter ideias sobre isso. É algo que aqui está presente, sendo a única Realidade, quando a mente não está mais. Quando a mente que conhecemos, dentro do modelo do conhecido, não está mais presente.
GC: Mestre, dentro desse assunto, nós temos um comentário com uma pergunta de um inscrito aqui no canal. É o seguinte comentário: "Eu entendo a ideia da Unidade intelectualmente, mas, na prática, minha mente vive criando separação. Por que a mente funciona dessa forma?"
MG: Gilson, o entendimento intelectual é a aproximação teórica, é a aproximação de palavras, é a aproximação da base lógica. Mas isso fica no campo das ideias, no terreno ainda das abstrações. É fundamental a vivência direta disso. Aqui, você pergunta: "Por que a memória funciona dessa forma?" É porque é a mecânica da memória. O cérebro registra; ele está constantemente fazendo registros, é a forma como ele funciona.
Como podemos romper com esta memória? Nós precisamos da memória técnica, mas não precisamos da memória psicológica. Então, essa é a pergunta: como se livrar dessa memória psicológica? Essa que dá a base para a sustentação do ego, para a sustentação do "eu"? Quando colocamos Atenção neste instante, neste momento, no contato com o instante, com o momento presente, não fica registro. É apenas na desatenção que o cérebro registra.
Repare como isso é importante: quando você me elogia, na desatenção, fica registro; quando você me elogia nesta Atenção, quando o elogio acontece, quando a palavra é pronunciada, não fica registro. E por que não registramos quando há essa Atenção? É porque, quando ocorre o elogio nesta Atenção, não há espaço para uma entidade, nesta autoimagem dela, assumir esse elogio para si mesma.
Nós estamos constantemente desatentos - é a presença do "eu", a presença da desatenção. Quando colocamos Atenção para as nossas reações, não existe "esse" que se separa daquilo que ali está presente. Portanto, quando você me elogia nessa Atenção, não existe esse "mim", não existe esse "eu", não existe essa separação. E, se não há separação, o cérebro não registra. Portanto, se torna fundamental uma real Atenção para esse instante, uma verdadeira e profunda Atenção para este momento, o que requer a presença de uma qualidade de Ser, de uma qualidade de mente que não registre.
Nós estamos o tempo todo, Gilson, colocando uma identidade na experiência para vivenciar aquilo, para ser o experimentador daquilo. Aqui, o convite é trazer para este instante Ciência, Presença; é trazer Real Consciência para este momento, é estar cônscio de toda e qualquer reação. Quando há essa Atenção, essa reação não assume esse modelo de registro, de memória.
Portanto, a verdadeira aproximação da Vida Real, da Vida Não Dual, é tomar ciência dessas reações, sem se confundir com elas, sem se identificar com elas, sem se perder nelas. A identificação com elas, perder-se nelas, confundir-se com elas - essa é a qualidade da mente desatenta.
Quando não há esta Atenção, isso ocorre o tempo todo. A base para uma visão livre do "eu", livre do ego, é a presença do Autoconhecimento. Esse Autoconhecimento requer um olhar para este momento sem o observador; requer perceber este instante sem o percebedor; requer a ciência do experimentar. Portanto, a mente precisa estar em silêncio, cônscia de suas reações. Então haverá esta Atenção, esta plena Atenção, esta real Atenção.
Então, o pensamento tem o espaço dele - o espaço nesse registro técnico -, mas não temos mais o pensamento psicológico, que dá base a esse sentido do "eu", que dá base a esse sentido do ego. Isso requer a presença deste olhar, deste perceber. Portanto, aquilo que é Autoconhecimento é a base para a Meditação. Nós temos que aprofundar isso, compreender isso, ter ciência direta disso - nesse experimentar, sem teorias, sem conceitos. Não precisamos do intelecto aqui; precisamos da direta ciência desta Verdade, que é a Verdade da Meditação.
GC: Mestre, nós temos outra pergunta de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, como posso usar a auto-observação para perceber minhas ações no dia a dia?"
MG: Gilson, esta auto-observação é a presença desse olhar para suas reações nesta Atenção. Quando usamos expressões como "autoinvestigação" ou "auto-observação", estamos falando de um estado de Ser, de mente livre do experimentador, livre do pensador, livre do elemento que olha a partir do passado, que percebe a partir de conclusões e crenças, avaliações e ideias.
Então, o que é esta auto-observação? É a ciência de suas reações aqui, neste instante. Portanto, momento a momento, esse olhar direto para todo esse movimento do pensamento, do sentimento, da sensação, sem interferir com isso, é a presença desta Atenção. É quando você interfere com o que observa que surge o observador; é quando você interfere com esse sentir que surge alguém nesse sentir.
As nossas ações, em geral, nascem do modelo do pensamento, deste impulso, deste "eu", que é a presença da intenção - esse é o envolvimento. Mas, quando você não se envolve, quando não há envolvimento, uma qualidade nova de sentir, também de pensar e de agir, está presente. Não temos aqui mais a presença do "eu", a presença do ego. É quando o contato com o momento não é a partir do passado, não é a partir de memórias e lembranças do passado. É quando o contato com o momento é o contato da Vida na vida. Aquilo que é Você é a Vida em seu Ser; a Presença da Vida é a Realidade do Ser - e esta é a Verdade Divina, é a Verdade de Deus.
Portanto, o trabalho direto para esse Florescer deste Natural Estado de Ser Não Dual é esse olhar, esse perceber, é a presença desta Atenção para toda e qualquer reação que surja neste momento. Quando não nos envolvemos, esse sentido desse "mim", desse "eu", desse "nós", desta entidade que se vê presente, não está mais. Portanto, há uma única Presença, há uma única Realidade. Ela não é a sua Realidade nem a minha Realidade; não é a nossa Realidade - é a Realidade Presente. Nela, não há separação entre eu e você, entre nós e eles. Toda essa ideia de nós, de eles, de eu e você, do ponto de vista interno, do ponto de vista psicológico, é uma ilusão.
Nós temos muitas coisas - há uma multiplicidade de formas e nomes, objetos e seres humanos. No entanto, a única Realidade presente é a Realidade Divina, é a Realidade do Ser. Esse contato real com o momento é a Realidade Divina. Não existe alguém presente para este contato. Portanto, nós precisamos de uma mente capaz de perceber, de compreender, de olhar. Esta qualidade de mente está em Silêncio, em Liberdade; ela está fora do conhecido, fora do movimento de avaliação, comparação, julgamento, aceitação ou rejeição.
O que nos dá a base para tudo isso é essa qualidade de observação. Portanto, a presença da auto-observação é a observação sem o "eu". É apenas observar, ficar cônscio, tomar ciência. É quando descobrimos a beleza desse Estado Real, que revela esse Natural Estado de Ser - que é a Meditação. É nisso que estamos aqui trabalhando. Olhar para isso de uma forma direta é tomar ciência da Verdade deste Ser, é tomar ciência da Verdade Divina, da Verdade de Deus. Ok?
GC: Gratidão, gratidão, Mestre. Já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais esse videocast. E, para você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver essas Verdades, fica o convite para participar dos encontros que o Mestre Gualberto proporciona. Esses encontros são muito mais impactantes do que esses vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo às nossas perguntas. E, segundo, e muito mais transformador, é que, pelo Mestre já viver nesse estado desperto de Consciência, ele compartilha um campo de Presença à sua volta, um campo de Energia, de Poder e Graça.
E, nesses encontros, a gente acaba pegando uma carona nesse campo de Presença do Mestre. E, pegando essa carona com o Mestre, de maneira espontânea, sem nenhuma prática, sem nenhuma técnica, sem nenhum esforço, entramos no estado meditativo, silenciamos nossas mentes, esquecemos de todo e qualquer problema. Então, fica o convite!
No primeiro comentário fixado há o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o like no vídeo, se inscreve no canal e, Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.