Aqui, essa direta compreensão, essa real compreensão, é a presença de uma percepção, na vida, onde não está presente o elemento que se separa para perceber. E por que isso é essencial? Isso é essencial porque, quando há essa qualidade de percepção, sem esse "mim", esse "eu", essa "pessoa", a vida se revela como ela é, e não como o pensamento em nós imagina.
Por que esse aprender sobre o Autoconhecimento é fundamental para irmos além dessa visão de dualidade, onde temos a presença da vida e a nossa particular visão? A dualidade é essa forma de olhar para a vida a partir deste centro. O centro é a pessoa, o "mim", o "eu". Será possível irmos além disso para uma vida real, livre dessa dualidade e, portanto, uma vida livre desse antigo padrão de mudanças meramente superficiais que, em geral, nós cultivamos, nos dedicamos?
Nós queremos ter mudanças na vida, e, de fato, nós temos essas superficiais mudanças, essas periféricas mudanças, mas a vida continua confusa, caótica, desordenada, complicada, carregada de problemas. Isso ocorre porque não há uma verdadeira mudança, não ocorre uma transformação real neste centro. Aqui, esta transformação no centro é o fim dele, é o desaparecimento desse centro, que é o "eu", o ego.
Uma vida onde não mais cultivamos mudanças periféricas, superficiais, é uma vida onde não mais estamos fazendo a manutenção, a continuidade desse "eu". É nisso que estamos aqui trabalhando com você, lhe falando de uma possibilidade real, de uma mudança profunda, de uma quebra significativa nessa condição psicológica, nessa estrutura psicológica do "eu", do ego. A vida real ocorre; ela aqui está presente quando ficamos livre desse centro, livres dessa ilusão.
Portanto, temos que parar de nutrir essa memória, parar de nutrir essa continuidade de modelo de alguém no tempo; esse alguém presente que "eu sou". Quando, por exemplo, você diz: "ontem eu fui aquilo, hoje eu sou isso e amanhã eu serei outra coisa", você imagina o que você será amanhã; você aqui tem a lembrança do que você já foi e, neste instante, você imagina o que você é.
Assim, a ideia, que é a presença do pensamento, falseia a realidade do que de fato, em Realidade, Você é. O que Você é, você desconhece, porque você está vivendo neste princípio de separação, de dualidade, nessa ideia de se tornar, nessa ideia sobre quem você foi. A presença do pensamento é a presença da imaginação. Não há qualquer pensamento em você sem a memória.
A memória são registros de experiências passadas que você guarda, que você tem. Isso está nesta estrutura cerebral, é apenas e simplesmente recordação. Não é a Verdade sobre Você, é a verdade desse "eu". Eu diria que é a verdade sobre você que o pensamento construiu, que a mente estabeleceu nesse condicionamento; não é a Verdade deste Ser, que é a Natureza Real sobre Você, a Realidade deste Ser que é Você.
Por que nós temos insistido nisso aqui? Porque nós precisamos ouvir muito sobre isso. Toda a estrutura de mundo que vivemos sustenta em cada um de nós esse velho modelo de crença de separação, de dualidade. É Deus presente, distante. Repare: Deus onipresente, mas distante. Observe a contradição em nossa linguagem - em nossa linguagem comum e em nossa linguagem religiosa.
Se a Realidade Divina é onipresente, Ele não pode estar longe, Ele não pode estar distante, e, mesmo assim, acreditamos, a partir do pensamento, que há uma realidade presente e ela está distante de mim. "Eu sou alguém agora, fui alguém no passado e serei alguém no futuro; serei diferente do que sou hoje, como eu sou hoje diferente do que eu fui ontem". E paralelo a isso, nós temos a verdade de Deus que, apesar de onipresente, está distante.
Assim, nós criamos a crença de ter um encontro com Deus, o pensamento, a imaginação de um dia, ou em algum momento, ter esse encontro, o que requer a presença do tempo, o que requer a distância entre você e Deus. Aquilo que é real está presente aqui como verdadeira onipresença, sendo esta Realidade Aquilo que é eterno, Aquilo que está além dessa noção de espaço, ou seja, de distância e de tempo.
Portanto, a pergunta é: "Como encontrar Deus?" Observe como as pessoas trabalham essa questão; é uma questão que elas não resolvem, porque querem resolver com base na ideia de que elas existem como entidades separadas de Deus e que precisam ter um encontro com Ele, e que para isso precisam de habilidade, técnica, capacidade - aquilo que as pessoas chamam de busca espiritual, espiritualidade.
Aquilo que as pessoas chamam de técnica ou prática de meditação, tudo isso envolve a questão de alguém presente em um exercício, em uma prática, em um modelo de encontro, em uma base de uma imagem de um encontro no futuro. Aqui estamos sempre voltando aos assuntos básicos e olhando a partir de novos ângulos.
Nos deparamos aqui com uma comunicação não simples, que requer de cada um de nós uma qualidade de escuta que também não temos. Esses assuntos aqui precisam ser investigados, e eles são investigados quando escutamos, quando colocamos nossa atenção para essa escuta. Portanto, é fundamental isso. Quando sabemos escutar, temos uma percepção direta nessa escuta.
Quando um pássaro canta e você escuta, nesse escutar a totalidade daquele som se revela, e isso encontra uma intensidade tão profunda que desaparece, nesse momento, alguém ouvindo o som acontecendo. Há só o cantar, o pássaro; há só o escutar o pássaro. Não existe alguém no escutar, não existe o pássaro no cantar. É só o canto, é só o escutar. Nesse instante, o cérebro se aquieta, a mente silencia, e se revela a Verdade daquele momento.
Portanto, esse nosso encontro com o momento aqui, dentro desse contexto de fala, quando nos colocamos para escutar, não é para concordar ou discordar, não é pra aprovar o que está sendo dito ou reprovar o que aqui está sendo falado. Quando nos colocamos para escutar, aquele que fala perde a importância, aquele que escuta perde a importância, o escutar é importante.
Quando temos esse escutar, porque o cérebro se aquietou, porque a mente silenciou, nos deparamos com um espaço que se abre; esse espaço revela a ausência dessa separação. A revelação do fim dessa separação, onde há só o instante ocorrendo, só o momento acontecendo, revela Aquilo que está além da mente, além do pensamento, além desse modelo de condicionamento de dualidade. Isso é parte desse aprender sobre nós mesmos, isso é parte desse aprender sobre o Autoconhecimento, isso é parte desse aprender a arte de ser, que é Meditação.
Portanto, quando a pergunta é "o que é meditação", Meditação é aquilo que aqui está presente se revelando neste instante, como sendo a única Realidade. Não há qualquer separação entre o instante da Meditação e alguém vivendo este instante, o instante da Meditação e a experiência de Deus aqui na Meditação. A Realidade deste instante é esse experimentar Divino. A Realidade da Meditação não é alguém experimentando isso, é a presença dessa Revelação.
Repare que quando nós nos aprofundamos nessas questões, começamos a perceber que esse escutar é Meditação, e que a Meditação é a presença dessa percepção, desse real encontro com Deus, e que esse real encontro com Deus não é algo que se separa dessa visão da Verdade deste Ser que nós somos, o que se revela nesse aprender sobre nós mesmos. E tudo isso está dentro de um único contexto; esse contexto é a Revelação da Vida aqui.
Não existe outro lugar senão aqui. Não existe outro tempo, não existe tal coisa como o ontem ou o amanhã. Do ponto de vista psicológico, estamos diante de uma imaginação quando falamos desse ontem e desse amanhã. Portanto, não existe outro tempo; aquilo que chamamos de tempo é, na realidade, ausência do tempo neste agora. Agora, aqui, não há tempo.
A Revelação Divina, a Revelação desse encontro com Deus, não é alguém que saiu desse ponto, que é o ponto A, para o ponto B, que requer a presença do espaço, que requer a presença do tempo. Esse encontro é a Revelação d'Aquilo que aqui está presente fora do tempo. Essa Realidade é o Eterno, é o Indescritível, é o Inominável, é a Verdade Divina. Qualquer nome para essa Realidade é apenas um nome, uma palavra, uma expressão.
Infelizmente, nós nos apegamos às palavras porque amamos muito ter ideias; é com base nessas ideias que o movimento do "eu", do ego, se sustenta. Esse é o nosso amor às ideias; é o amor que a pessoa tem, na verdade, à sua própria continuidade.
Podemos dispensar das nossas vidas a ideia de alguém presente que se sustenta nesse modelo de existir como pessoa porque está preso a todo modelo de crença, conclusão - o que é basicamente pensamentos e ideias -, para um cérebro novo, livre, para esse contato com o instante sem a necessidade desse fundo de conhecimento, de experiência, que vive se sustentando nesse reconhecimento, que se sustenta nessa continuidade desse tempo?
Observe que esse tempo, como nós conhecemos, no pensamento, é o tempo psicológico, é o tempo que o pensamento produziu. Assim, a mente em você, essa mente do "eu", essa mente egoica, essa mente condicionada, é o resultado do tempo, porque ela é o resultado das lembranças, das recordações, de coisas que aconteceram no passado cronológico. Algo aconteceu ontem - me refiro à esse ontem do calendário - e o cérebro registrou isso como memória.
Nós estamos cultivando essa qualidade de memória e, assim, sustentando a ilusão de uma identidade presente aqui, que viveu aquilo ontem; essa entidade não se separa do próprio pensamento, da própria lembrança. Mas o que é exatamente essa lembrança, esse pensamento? Nesse instante, é apenas uma imaginação. Assim, essa identidade que surge com essa lembrança também é parte da imaginação. Acompanhe com calma isso.
A Vida aqui é a Realidade Divina; n'Ela não existe tal coisa como você e ela, você e Deus. É quando o pensamento surge, criando na imaginação uma identidade, que é o "eu" que viveu aquilo, que a ilusão se mostra presente. Será possível ter a vida simplesmente acontecendo como ela é, sem essa necessidade desse registro psicológico que sustenta a ilusão de uma identidade psicológica, que é esse fundo, que é esse centro, que é esse ego?
Então, esse momento revela a Verdade Divina, a verdade de Deus. Isso é o resultado desse aprender sobre nós mesmos. Então há uma clara visão de que esse "mim" não é real, esse "eu" é algo que o pensamento tem fabricado, que está sustentando, alimentando e cultivando. A Vida livre do "eu", livre desse centro, livre do ego, é a vida livre do modelo do tempo psicológico.
Então, não fica agora um elemento aqui se importando com o que ele foi ou com o que ele será; não fica mais um elemento aqui para, na relação com ele ou ela, se sentir ofendido, triste, com raiva, preocupado ou com medo. Isso é o fim do sofrimento psicológico, quando temos aqui o fim do "eu", nesse contato com a vida, com o outro. Nesse próprio contato com o corpo e a mente, quando não há uma presença ilusória de uma identidade que se mostra presente em razão da imaginação, o seu contato com o corpo, com a mente, com o outro, com a vida é um contato livre da dualidade, da separação.
Essa descoberta é a constatação da Vida como ela é. Não temos aqui mais a ideia do que ela precisa ser, do que ela deveria ter sido e do que ela será, porque não temos mais aqui a presença da ilusão, de que a vida se separa entre passado, presente e futuro. Essa noção é típica desse centro ilusório, dessa egoidentidade, desse "eu" criado pela imaginação.
O que temos aqui, no momento, é a presença da Vida; Ela é a presença desse Ser, Ela é a presença de Deus. Você nasceu para esta Revelação, para esta Ciência. Os nossos encontros aqui online, nos finais de semana, sábado e domingo, têm esse propósito. São dois dias de uma forma online. Além dos encontros online, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido pra você, já fica aqui esse convite.
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