terça-feira, 14 de abril de 2026

O que é liberdade na psicologia? O que é liberdade? Liberdade psicológica. Ego: um falso centro.

Você já se deu conta da importância que você dá na sua vida para essa questão da liberdade? O que é liberdade? Quando você procura um espaço, esse espaço precisa ser amplo. Toda a noção que temos de conforto em um espaço é dele ser amplo. Quando você entra em um quarto, a ideia de conforto nesse quarto não consiste apenas no que está ali naquele quarto, mas no espaço presente nesse quarto. A primeira descrição sua é: "olha, era um quarto bem grande; ou: era uma sala muito espaçosa".

Nós sempre procuramos, na vida, conforto, e espaço é parte desse conforto. E por que apreciamos tanto o espaço? Uma piscina grande, um quarto grande, uma sala grande, um banheiro grande. Por que não nos contentamos com lugares estreitos e apertados? Porque nós queremos liberdade para se mover, para fazer as coisas. Assim, o que é liberdade? Liberdade é a presença do espaço. Quando você tem liberdade, você pode fazer as coisas, você tem condições de realizar coisas que você não tem em um lugar estreito e apertado, porque agora, aqui, você tem espaço.

Quando você está estressado, internamente você está sem espaço. O estado de depressão, por exemplo, é um estado de sofrimento presente, muito comum no ser humano, e ele se vê em um aperto; ele está imprensado, apertado, a condição é de aperto. Quando você está estressado, você está sem espaço. Quando as pessoas viajam para espairecer, elas querem espaço. Esse "relaxar" é se esticar, é ter espaço. Nós precisamos, internamente, de espaço. A base para uma vida livre é a presença do espaço.

Aqui, com você, nós estamos investigando a revelação de uma vida onde está presença essa Liberdade. Então, o que é Liberdade? É simples: Liberdade é espaço, onde você pode relaxar, onde você pode ser feliz, onde você pode conhecer o Amor. Se não há Liberdade, nós não temos a possibilidade desse "relaxar", dessa Paz, desse Amor. Podemos, nesta vida, realizar a Liberdade? Não essa liberdade física, que também é importante, mas, antes de tudo, essa interna Liberdade psicológica.

Então, o que é Liberdade em psicologia? Veja, não no aspecto teórico, de um estudo de psicologia a respeito da liberdade, mas aqui eu me refiro, internamente; porque internamente todo esse processo em nós, chamado de consciência, é um processo psicológico, que pode estar em confusão, em desordem, em aflição, em conflito, em sofrimento, sem qualquer liberdade. Então, o que é a Verdade dessa Liberdade interna, desta Liberdade psicológica? É a mente livre dessa complexidade que é o "eu", dessa complexidade que é o "ego".

A condição dessa egoidentidade é a condição da estreiteza, da limitação, da ausência do Amor. O que estamos juntos fazendo aqui nesses encontros? Estamos tratando com você da Verdade sobre essa Liberdade psicológica, que é a Liberação, nesta vida, desse sentido do "ego", desse sentido do "eu", que é essa visão de separação que está presente quando o pensamento afirma existir aí, dentro de você, como sendo uma identidade presente, que é esse pensador, esse experimentador, esse "mim", essa "pessoa".

Aqui, a nossa colocação é desafiadora, porque estamos dizendo que isso não é real. Isso se mostra verdadeiro em razão da confusão em que nós nos encontramos psicologicamente, internamente, porque não investigamos a natureza desse "mim", dessa "pessoa". Nós não percebemos isso ainda, não temos clareza sobre isso ainda, de que todo esse movimento interno, chamado consciência, que é a consciência desse "mim", é um conjunto de memórias, de lembranças, de história, algo que está presente em razão de todas as experiências pelas quais passamos e que o cérebro registrou nesse formato de recordação, de lembrança, de memória psicológica. Isso está dando vida a uma ilusória identidade.

Quando você afirma a pessoa que você é, dentro dos comportamentos e respostas de reações de sentimentos, de emoções e pensamentos, você está lidando apenas com uma imaginação do próprio pensamento-sentimento. Essa base de existência é uma base de processo de repetição de condicionamento mental, de condicionamento que nós chamamos de consciência. Investigar a natureza do "eu" é se dar conta dessa consciência egoica, dessa consciência que se vê separada da vida, que se vê como sendo o pensador, o experimentador, o observador de tudo o que ocorre, de tudo o que acontece.

Então, estamos nos situando a partir de um centro que é um falso centro. A partir desse centro, estamos tendo experiências. Portanto, esse "ego" é um falso centro. A partir desse centro, que é o "eu", o "ego", nós estamos vivendo constantes momentos onde o pensamento é o elemento que está norteando todo esse processo de acontecimentos, assim são as nossas ações. Toda a forma de comportamento que temos são meras atividades egoicas, meras atividades egocêntricas. Enquanto isso se mantém, não há Liberdade, porque há um espaço entre esse centro e essa periferia.

Quando você olha para um objeto, você percebe que em torno dele há um espaço. Quando você vê um objeto, você só vê esse objeto porque ele está no espaço. Você não se dá conta do espaço ao seu redor, ao redor desse objeto, mas ele está ali. Você não se dá conta da presença do espaço, você se dá conta do objeto, mas lá está o espaço; é um espaço em volta do objeto. Entre esse objeto e a presença desse espaço, nós temos uma condição; o que quer que ocorra em torno desse objeto estará ocorrendo em torno desse espaço limitado pelo objeto.

Aquilo que nós conhecemos por espaço entre você e um objeto, há um espaço. Você é o centro da experiência, o objeto é parte da experiência. Entre você e esse objeto há um espaço, e nesse espaço acontecem coisas. Aqui, juntos, estamos investigando essa questão, também, do espaço, da presença de um espaço livre desse centro, que é esse centro falso - o ego é esse centro. Haverá um espaço livre desse centro? Aqui estamos dizendo que esse espaço é o único espaço onde está presente a Verdade da Liberdade.

Enquanto houver essa limitação de espaço, ou seja, o espaço a partir de um centro, não haverá Liberdade. Quando temos a presença de um espaço sem o centro, temos a presença da Liberdade. É isso que estamos juntos, aqui, investigando, a Verdade desse espaço sem o centro, a Verdade de uma Liberdade ilimitada, algo que está presente e, no entanto, permanece desconhecida. Me refiro a essa Liberdade de Deus, a essa Liberdade de Ser, a essa Liberdade da Verdade desta Consciência Divina. Esta Consciência Real é a Consciência de Deus, n'Ela há esse espaço, esse ilimitado espaço deste Ser.

Assim, o que é a Liberdade? A Liberdade é a presença desse espaço. A Verdade d'Aquilo que é Você em sua Natureza Real, em sua Natureza Verdadeira, é Aquilo que está presente quando o modelo do pensador, do experimentador, o modelo do "eu" não está. Então, atender à vida como ela acontece - sendo a Vida a própria Realidade deste Ser - é a verdadeira ação, é a ação que não nasce do passado, que não nasce desse centro, que não nasce desse "eu".

Podemos lidar com esse momento sem o passado? O passado é o centro, o passado é o movimento conhecido, o passado é o movimento do pensamento, da memória, da lembrança; isso nos dá a ilusão de algo se processando nesse instante, que é o presente, indo em direção ao futuro. Toda essa noção do "eu", do "ego", é uma noção de vida que ocorre entre o passado e o futuro. Essa é a limitação do centro, essa é a limitação do "ego", esse é o espaço. Tudo aquilo que ocorre dentro dessa limitação de espaço para esse centro que é o "eu", o "ego", ocorre entre esse, assim chamado, passado, presente e futuro.

Aqui, a compreensão da Realidade Divina, da Realidade de Deus, é a Verdade que está fora do tempo. Apenas quando a Verdade deste Ser se revela, essa vida, agora, não é mais a vida do "ego", não é mais a vida desse "eu". Compreender que a vida desse "eu" é uma sugestão dada pelo pensamento, não é a Real Vida do seu Ser. Como seres humanos, nós podemos ter uma vida longa, mas essa vida longa a partir da ideia de uma entidade presente na experiência, de um pensador presente nos pensamentos, de alguém vivendo essa ideia de uma identidade localizada no tempo, nessa ideia de passado, presente e futuro, por mais aparentemente bem sucedida, feliz e realizada que seja, ela é ainda uma ilusória vida.

A Real Vida é a Vida de Deus, a Real Vida em Sabedoria, em Amor, em Felicidade, onde está presente a Realidade da verdadeira Liberdade. Aqui, esse encontro com o momento, sem a ideia de alguém presente nesse encontro, é o constatar da Vida livre desse "mim". Assim, podemos ter um contato real desse momento sem o passado? Sem essa ideia de presente? E sem essa crença de futuro? O contato com esse instante, livre de todo esse modelo do pensamento, é a aproximação da Realidade, da Verdade da Liberdade.

Então, o que é Liberdade? A Liberdade é a vida livre desse "mi"m, desse falso centro. Isso é algo presente nessa Ciência de Deus, isso é algo presente nessa Verdade sobre Você, quando o sentido do "eu" não está, quando a ilusão de um pensador, de um experimentador, de alguém que olha a partir de ideias, não está mais presente. Tudo o que estamos juntos, aqui, aprofundando com você diz respeito a como se aproximar disso, como se aproximar desse Natural Estado de Ser, que é a Realidade da Liberação, que é a Verdade sobre esta Liberdade Divina. Alguns chamam isso de o Despertar da Consciência ou Iluminação Espiritual. É a Ciência de que há uma única Realidade presente, e a Vida consiste nesta Realidade.

Então, aquilo que é a Verdade sobre Você é a Verdade sobre a Vida, é a Verdade sobre o outro, é a Realidade sobre Deus. Aqui, nesses encontros online nos finais de semana, nós temos dois dias juntos, sábado e domingo, onde estamos com você aprofundando essas questões, porque realizar Isso nesta vida é a coisa mais importante; na verdade, é a única coisa que importa. Quando Isso está presente, a vida flui em Alegria, em Amor, em Beleza, em Graça, em Sabedoria. Assim, são dois dias juntos: sábado e domingo. Fora esses encontros, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite.

Abril de 2025
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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Sofrimento psíquico | Sofrimento humano | O tempo psicológico | Como lidar com ego ferido?

Presentes aqui, nesses encontros, nós nos deparamos com uma oportunidade de investigar essas questões, que são as questões relativas a esse "eu". Esse "eu" é sinônimo de pessoa: a pessoa como você pensa ser, como você sente ser, a pessoa que outros estão vendo quando lidam com você, sentindo quando lidam com você e, também, com elas mesmas - essa é a pessoa.

É interessante a expressão "pessoa". Nós falamos dessa pessoa que nós somos, como se, de fato, isso fosse toda a realidade sobre nós. Nós falamos assim porque nós desconhecemos essa Verdade. A palavra "pessoa" vem de persona, do latim, é uma máscara. Aquelas máscaras usadas no teatro são essas personas, daí as palavras "personalidade" ou "pessoa". Assim, qual será a verdade sobre você? É isso que estamos com você, aqui, investigando.

Há uma Realidade presente e há uma verdade se mostrando. A verdade que se mostra é a pessoa, é a máscara, é esse personagem; enquanto que, uma Realidade presente, desconhecida, também está aqui. O nosso trabalho juntos aqui consiste nessa constatação dessa Realidade, mas isso requer a investigação da verdade que nós somos como pessoas. Todo o nosso trabalho aqui consiste em investigarmos essas questões relativas a essa "pessoa".

É bastante interessante essa compreensão da Verdade sobre nós, porque isso representa o fim para o sofrimento psíquico. Eu não me refiro a essa dor física em razão de um problema de enfermidade; sim, essa é uma forma de sofrimento, mas não é disso que tratamos aqui. Nós aqui estamos investigando a verdade da pessoa, que é a natureza desse "eu", aquilo que somos porque demonstramos ser, porque está presente aqui, nesse instante.

A visão direta dessa pessoa, a compreensão direta sobre esse personagem, é o fim dessa ilusória entidade presente, como uma máscara. Nós temos um modo de representar a vida, também, a partir de imagens, de representações mentais, de símbolos, de ideias e de conceitos. Toda essa aproximação que temos da vida nesse formato, com base nessa máscara, com base nesse personagem é um equívoco. Nós nos encontramos dentro de uma ilusão.

A forma como representamos a vida, vendo o que a vida representa para esse "mim", para esse "eu", para essa "pessoa", a vida como ela representa, o que ela significa, a verdade sobre ela, vista a partir desse pensamento presente em nós, é um olhar a partir dessas imagens, desses símbolos, dessas ideias. Aqui, juntos, nós estamos investigando a questão do Despertar da Consciência.

E por que a expressão "o Despertar da Consciência"? Esse Despertar da Consciência Espiritual, dessa Consciência Divina, dessa Consciência de Ser, é o contato com a Realidade da Vida, sem imagens, sem máscaras. É isso que nos coloca na vida sem qualquer separação entre aquilo que realmente nós somos, que é essa Realidade, que está presente e que se mantém oculta, e a própria Vida. É isso que nós estamos aqui com você investigando, aprofundando.

Precisamos compreender aquilo que nós somos, porque isso representa o fim desse sofrimento humano, desse sofrimento psíquico. Um elemento básico nesse modelo do pensamento presente em nós, que traz esses símbolos, essas representações mentais, essas ideias, esses conceitos, essas imagens, é a presença do tempo. Nós não estamos lidando com a vida nesse instante, nós estamos lidando com o pensamento sobre a vida, nesse instante.

Nós estamos vivendo de símbolos, de representações de ideias, e isso nos situa em um movimento, nesse contato com esse instante, a partir do pensamento. Assim, a verdade sobre o pensamento, a compreensão do pensamento, a perfeita visão do lugar do pensamento nas nossas vidas é algo fundamental, uma vez que o pensamento é um elemento presente aqui, que vem do passado, e esse passado está no tempo.

As experiências pelas quais você passou são experiências registradas, se assentando em uma lembrança, em uma memória; essa memória é o pensamento. Assim, como lidar com o pensamento? Por que precisamos conhecer o pensamento? Porque o pensamento em nós é o elemento que sustenta esse tempo, esse tempo que é o tempo criado por ele. Perceba que o que nós conhecemos como tempo é o pensamento.

Quando você me conta de algo que aconteceu, isso aconteceu no tempo, mas esse tempo não está separado do pensamento. Não haveria qualquer acontecimento para ser lembrado, sem a presença do pensamento; e não haveria qualquer passado, sem a ideia do que foi, do que aconteceu. Portanto, a presença do tempo é a presença do pensamento.

A nossa vida psicológica é uma vida em desordem, em confusão, em conflito, em contradição, porque estamos vivendo no tempo. Ou nós estamos lidando com o passado ou estamos lidando com o futuro. Assim, do ponto de vista psicológico, o pensamento é o tempo. Não há qualquer tempo psicológico sem a presença do pensamento, e quando o pensamento surge, ele surge nesse tempo.

Enquanto não eliminarmos de nossas vidas esse elemento, que é o tempo, que está sempre envolvido no que foi ou no que poderá ser, no que teria sido e no que será, nós continuaremos em algum tipo de conflito, de desordem, de confusão e sofrimento, porque a presença do tempo é a presença da imaginação do que foi e do que será.

Quando você sente medo é a presença do pensamento. É o pensamento que lhe fala de algo que poderá lhe acontecer, ruim para você. Sem a presença do pensamento não haveria esse futuro. Assim, a presença do tempo é a presença do pensamento; a presença do pensamento, a presença do tempo é a presença do sofrimento. É o sofrimento que o pensamento cria, é o sofrimento que o pensamento projeta, é o pensamento que coloca a presença dessa pessoa naquele contexto daquele momento no futuro.

O que é exatamente essa pessoa? Essa pessoa é uma representação mental, essa pessoa é uma ideia. Não existe tal pessoa aqui, nesse instante. Para que essa pessoa surja, o pensamento precisa aparecer. O pensamento é, em você, exatamente a ideia desse personagem.

Quando eu lhe pergunto o seu nome, o seu nome não é você. Quando eu lhe pergunto sua idade, sua idade não é você, sua história não é você. Quando eu pergunto como você se sente, esse sentimento não é você, essa emoção não é você. Apenas quando o pensamento surge, na ideia de alguém presente, surge você: você nesse sentir esse sentimento, essa emoção, você nesse pensar esse pensamento. A ideia, a imagem, a representação mental, tudo isso em nós é a presença dessa vida psíquica, dessa consciência psicológica.

Essa consciência psicológica é a consciência do movimento do pensamento. Não há nenhuma consciência da pessoa sem o pensamento em movimento. Esse movimento do pensamento é uma crença estabelecida em você, pelo pensamento, sobre quem você é. Como estamos lidando constantemente, na vida, com as experiências a partir do pensamento, toda essa leitura que temos é a leitura particular dessa pessoa. Essa é a vida autocentrada do "ego", do "eu", desse "mim".

Quando você me ama, eu me sinto feliz; quando você me rejeita, eu me sinto infeliz: aqui está presente o sofrimento psíquico. A angústia, o estresse, a ansiedade, a depressão, o medo, a preocupação, a dor da rejeição, todos esses elementos presentes estão presentes em razão da presença do pensamento. Essa é a nossa vida psíquica, esse é o sofrimento psíquico, esse é o sofrimento do "eu", do "ego".

Haverá uma Realidade presente além dessa "verdade" que somos nesse contexto do modelo do pensamento? É a ciência desta Realidade, é a Verdade sobre o seu Ser, sobre sua Natureza Essencial, que é a Verdade sobre Deus, que é o Despertar dessa Consciência. Me refiro à nova Consciência, não essa consciência psíquica, não essa consciência do pensamento, não essa consciência egocêntrica.

O Despertar desta Real Consciência é o fim desse "mim", desse "eu". Essa pessoa é o ego. Como lidar com uma pessoa triste, aborrecida, chateada? Como lidar com o ego ferido? Reparem, a nossa intenção é ajudar alguém ou se livrar de um problema, porque aquela pessoa naquele estado vai me prejudicar, já está me prejudicando.

Como lidar com o ego ferido? Primeiro, não compreendo que eu sou esse "ego", mas estou vendo o ego no outro. Eu quero aprender a lidar com o "ego" do outro, e não compreendo que aquilo que sou precisa ser investigado e, naturalmente, descartado por essa compreensão, por essa visão clara da verdade sobre o pensamento.

Aqui estamos, com você, trabalhando o fim para o pensamento, o fim para essa condição de pensamento, que eu tenho chamado de pensamento psicológico. Nós precisamos do pensamento prático, objetivo para lidar com assuntos nesse sonho de existência, como os assuntos profissionais, como os assuntos que se abalizam em conhecimento e experiência, para lidar com assuntos práticos neste sonho de vida. Mas não precisamos do pensamento psicológico, esse que dá formação a essa pessoa, a essa imagem.

Esse elemento em você que se ofende, se magoa, se entristece, se aborrece e fica chateado é a presença da pessoa, é a presença dessa autoimagem - esse elemento em você que se preocupa em ter prejuízos quando ofende, fere, magoa também o outro. Podemos nos libertar da ilusão dessa egoidentidade? Podemos descobrir a vida livre do "eu", livre dessa ilusão da separação?

Um trabalho direto nessa direção é aprender a olhar para si mesmo: esse é o trabalho. Aprender sobre nós mesmos, aprender como nós funcionamos, aprender como esse sentido do "eu" é formado, ver a base, a estrutura dessa egoidentidade, ver que esse elemento está presente porque estamos desatentos a esse instante, a esse momento.

Nós estamos sempre respondendo a esse momento com base nessas recordações, nessas memórias, nessas lembranças, dando continuidade a esse sentido do "eu", desse "mim", sustentando a ilusão do tempo - desse tempo mental, desse tempo psicológico. Assim nós mantemos essa continuidade dessa forma de ser alguém.

Há algo presente aqui, além do ego, para ser compreendido, para ser vivenciado. Essa é a Realização do Despertar, essa é a Realização de Deus, é a Ciência do seu Ser. Esses encontros que nós temos aqui nos finais de semana, sábado e domingo, têm esse propósito: trabalharmos isso juntos, olharmos para isso. Assim, nós temos dois dias de encontro aqui online, onde estamos com você trabalhando essa visão. Fora esses encontros, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso é algo que faz algum sentido para você, fica aqui o convite.

Abril de 2025
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terça-feira, 7 de abril de 2026

Como me livrar dos problemas? Uma vida livre deste ego. Condicionamento psicológico. A mente egoica.

A nossa forma de ver a vida é a partir de pontos de vista, de ideias, conceitos, crenças, perspectivas do pensamento. Essa é uma forma programada de lidar com a experiência desse instante, com a experiência desse momento. Assim, você vem e pergunta: "Como me livrar dos problemas? Será possível uma vida livre de problemas?" Quando você faz essa pergunta, compreenda aqui algo: enquanto a sua visão for a partir de um modelo pré ordenado de pensamento, você não será capaz de lidar com a vida como ela acontece.

Em geral, a nossa forma de nos aproximarmos da vida é a partir desse velho modelo do "eu", desse velho modelo do passado. Assim, essa é uma forma condicionada de lidar com as situações. Existe um condicionamento psicológico presente em cada um de nós. A forma como você vê a vida, a partir de uma ótica filosófica, espiritual, mística, religiosa, política, social, de tradição familiar, é a presença do modelo do pensamento.

Então, nós temos uma mente presa a uma forma de ver as coisas: essa é a mente condicionada, nesse condicionamento mental, nesse condicionamento psicológico. Assim, a verdade sobre uma mente condicionada é a presença da mente egoica, porque todo esse comportamento em nós, a partir dessa visão particular de imagens, símbolos, pensamentos, ideias e crenças, não é real.

Na vida, ou nós assumimos a ação - e essa ação assumida é a ciência da verdade sobre a vida como ela é - ou toda essa ação em nós é mera atividade egoica, é mera atividade egocêntrica. Assim, não podemos nos livrar dos problemas, porque nunca investigamos a questão dos problemas. A vida do ser humano, a vida no ser humano é a vida do problema, porque é a vida da mente, é a vida do modelo do pensamento.

O pensamento não lida com a verdade da vida nesse instante, e a vida é algo que está aqui ocorrendo nesse momento. O pensamento lida com experiências, memórias e recordações do passado. Um detalhe importante: quando você tem uma experiência e ela é registrada como memória, ela só é uma lembrança que volta porque ela não se completou. Isso é algo que nós precisamos compreender.

Quando você tem uma experiência e ela é real, esse experimentador não entra. O experimentador em nós é o elemento que vem do passado, e ele traz do passado sua memória, sua lembrança; e nesse encontro com esse instante de experiência, ele sempre acrescenta alguma coisa a essa experiência e retira dessa experiência alguma coisa.

Esse é o modelo da continuidade do "eu", do "ego", esse é o experimentador. Então, essas experiências não se completam, por isso ficam guardadas em nós, como lembrança, e é por isso que o pensamento volta. Assim, esse pensamento é incapaz de lidar com esse momento, porque esse momento é novo.

Na vida, nós não temos nenhum momento se repetindo; todo momento na vida é novo. Mas há um elemento em nós que vem do passado com essas ideias, com essas lembranças, com essas crenças e faz uma avaliação desse encontro, faz um juízo desse momento, faz uma comparação do que está aqui com o que ele já conhece. Essa qualidade de atividade, de modelo de comportamento é algo egocêntrico.

Assim, nós somos incapazes de lidar com a vida como ela é, de uma forma real, quando o pensamento está presente, quando o passado está presente - esse passado é o "eu", é o "ego", é esse velho experimentador. Podemos ter um encontro com a vida, sem o passado? Sem esse modelo de pensamento? Sem essa memória? É isso que estamos propondo aqui para você.

Nesse constatar da vida há uma Ciência de Ser, que é a própria Verdade da Vida se revelando; então, nesse instante, há um fluir de Consciência, de Presença, de Realidade. Esta Consciência não é a consciência da pessoa, não é a consciência do "eu". Aquilo que nós chamamos de consciência é o modelo do pensamento presente a partir do passado; ele reconhece a partir das experiências que já teve; esse reconhecimento é uma inadequação. Assim são as nossas ações.

Então, eu volto a dizer: jamais nos livraremos dos problemas, de toda a forma de conflito, contradição, desordem, medo, desejos conflituosos, do sofrimento psíquico, enquanto o sentido do "eu", desse "mim", desse "ego" continuar aparecendo. Podemos tomar ciência disso? É a compreensão que se faz necessária aqui; é tudo o que nós precisamos, é a única coisa que precisamos: é ter compreensão desse processo que traz esse elemento que vem do passado e que atua, nesse instante, e mantém a sua continuidade no futuro. Quando novos acontecimentos surgirem, lá estará ele de novo.

Uma vez compreendido esse sentido do "eu", uma vez compreendida a verdade sobre esse "ego", sobre esse modelo de pessoa, podemos realizar, na vida, a Verdade sobre a Vida; e a Verdade sobre a Vida é uma Vida livre do "ego". A Vida livre do "ego" é a vida como ela é, sem toda essa contradição, conflito e sofrimento da vida como ela é nesse "eu", nesse "mim", a partir desse centro egoico, a partir desse personagem, dessa identidade pessoal.

Esse encontro com o momento presente é um encontro com a Realidade da Vida, sem o passado, sem essa leitura, avaliação, pensamento, ideia ou conclusão sobre o que está aqui nesse instante, sobre a Vida se revelando, sobre a Vida nesse momento. Os nossos contatos com pessoas, os nossos contatos com nós mesmos, os nossos contatos com situações, com acontecimentos são a nossa vida de relação.

Assim, nós temos a nossa vida de relação e temos a vida nos mostrando a importância das relações. A vida nos mostra a importância das relações, mas nós estamos assumindo nossas particulares relações, na vida. O pensamento nos dá uma visão particular de quem é o outro, do que ele representa para mim, de quem eu devo ser para ele.

O pensamento aqui, nesse "mim", me traz a ideia de como devo lidar com as situações que surgem na vida. Isso está dentro desse princípio equivocado, que é o princípio do pensamento. Um pensamento que envolve, também, sentimento, emoção e percepção. Eu olho a partir de um percebedor, eu penso a partir de um pensador, eu sinto a partir desse "eu" no sentir.

Aqui, estamos diante de uma perspectiva sustentada pela imaginação, pelo próprio pensamento, porque não existe esse pensador pensando, esse "eu" sentindo, esse elemento, que é o percebedor, percebendo. Reparem como é importante a compreensão disso, porque se você tem trinta, quarenta ou setenta anos de idade, por todos esses anos a sua vida tem sido uma vida norteada pelo pensamento, exatamente nesse formato.

A crença fundamental, a ideia básica da existência desse "mim", dessa "pessoa", é de que você é alguém que está pensando, fazendo, sentindo, tomando resoluções, realizando coisas e tendo o controle sobre elas. Nós estamos diante de algo imaginário, de uma construção de pensamentos que se organizaram e que lhe dão essa ideia, que lhe dão essa visão, essa perspectiva.

Qual é a verdade sobre você? Qual é a verdade sobre o pensamento, sobre o sentimento, sobre a emoção, sobre as ações que estão acontecendo aqui e agora? - Porque todas essas ideias do que aconteceu, do que você pensou, do que você sentiu, agora, aqui são só uma lembrança. Qual é a verdade sobre o que temos presente aqui? Haverá, realmente, esse "eu" e a vida? Quem é você?

Você é esse corpo? É essa mente? São esses sentimentos, essas emoções? São esses pensamentos? Observe que tudo isso gira em torno de experiências, de memórias, de lembranças, algo que vem do passado. É com isso que estamos nos confundindo, é nisso que estamos vivendo por todos esses anos.

Aqui nós estamos, de forma clara, colocando esses assuntos para você, embora isso seja desafiador - eu sei -, ouvir que aquilo que conhecemos por vida, nessa pessoa, é uma sugestão do pensamento, é uma imaginação do pensamento. Há uma Realidade, sim, presente; essa Realidade não é a pessoa, não é esse "mim", não é esse "eu", não é essa estrutura que a mente conhece, que o pensamento reconhece, aí, como sendo você.

O contato com a Realidade da Vida consiste na Ciência da Vida sem o "eu", sem o "ego". Então, estamos falando de uma Vida que é inteiramente desconhecida do pensamento, ignorada pelo pensamento, jamais alcançada pelo pensamento, discutida ou compreendida por ele. Estamos aqui tocando, sinalizando, apontando para Algo fora da mente, fora do "eu", fora do "ego". Essa é a Vida do seu Ser, essa é a Vida de Deus, para a qual você nasceu.

Alguns chamam essa Vida nova, desconhecida - fora de todo esse padrão de ideias, de pensamentos, crenças, conclusões, opiniões, fora de todo o condicionamento que nós recebemos dessa cultura, dessa ideia de mundo que temos -, de o Despertar da Consciência ou Iluminação Espiritual - é a Verdade deste Ser, é a Verdade de Deus, é a Verdade da Vida. Poder lidar com família, marido, esposa, filhos, trabalho ou o que quer que tenhamos à nossa volta ou dentro de nós mesmos, sem o sentido do "eu", sem o sentido do "ego".

Assim, quando um pensamento ou um sentimento está aí, ou uma sensação ou percepção esteja surgindo, lidar com aquilo que ocorre internamente e com a experiência aqui, nesse instante, desse mundo externo, sem o sentido do "eu", sem o sentido do "ego", é um contato novo sem o experimentador. Se não há experimentador nesse contexto de existência surgindo, aquilo que chamamos de experiência não é mais uma experiência, estamos diante de um experimentar.

A vida é para esse experimentar, a Vida está nesse experimentar; a vida faz todo o sentido nesse experimentar. Então, isso explica a grande confusão e sofrimento presente nesse velho modelo, que é a presença do "eu", desse experimentador, desse que se aproxima da vida para extrair dela uma experiência e manter a continuidade dessa vida, que é a vida do "ego", a vida desse experimentador, sempre se projetando no futuro para maiores realizações.

Aqui há uma Completude presente, há Algo pleno; essa Plenitude é a presença da Felicidade, é a presença do Amor, é a presença da Liberdade, é a presença da Verdade Divina. Então, essa é a Vida como ela é, quando o "eu" não está. Aqui nesses encontros, nós temos aprofundado esses assuntos.

Ao se aproximar da Verdade sobre si mesmo, você precisa tomar ciência de como tudo isso internamente se processa, como esse sentido do "eu" surge. Investigar este assunto é fundamental. Descobrir sobre o Autoconhecimento, tomar ciência do que é a Verdade da Meditação, é isso que lhe aproxima dessa visão da Realidade do seu Ser, da Realidade de Deus.

Nós temos aqui encontros nos finais de semana, onde estamos sábado e domingo juntos. São dois dias. Nós temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso é algo que faz algum sentido para você, fica aqui um convite.

Abril de 2025
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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Observador e coisa observada | A importância do Autoconhecimento | Como encontrar Deus?

Quando vocês perguntam sobre esse encontro com Deus ou qual é o significado real disso, é necessário termos, aqui, uma aproximação diferente desse assunto. Em geral, a ideia de encontrar Deus é para se livrar do desespero, da dor, do sofrimento, desse vazio existencial. Então, em meio a essa dor da solidão, angústia, depressão, ou em meio a alguma forma de sofrimento, o pensamento constrói em nós a ideia de um refúgio que seja permanente.

Nós já temos tentado escapar de diversas formas e não tem funcionado. Todo o movimento do ser humano em direção a busca de conquistas ou realizações externas, nessa ideia de encontrar a felicidade, o amor, a liberdade, a paz, há por detrás disso todo esse movimento de escape de uma dor que ele traz, que ele carrega dentro dele.

Nós já temos tentado isso; o ser humano já vem tentando isso há muito tempo. E quando ele cansa, ele agora começa a ter ideias, aspirações religiosas por aquilo que ele idealiza, projeta, planeja dentro desse, assim chamado, encontro com a vida espiritual ou o encontro com Deus. Então, esse idealismo é só mais uma forma, também, de fuga, de escape da dor.

Aqui, com você, nós estamos aprofundando essa questão desse real encontro com Deus; mas esse encontro com Deus é um contato possível quando a Verdade de Deus se aproxima. Você não vai até Deus sendo a pessoa que você acredita ser. A Realidade de Deus se Revela quando essa pessoa é compreendida. A Verdade de uma aproximação com Deus é Deus se Revelando, e Deus se Revela quando aprendemos a olhar para aquilo que somos, sem fugir, sem escapar.

O que as pessoas não compreendem é que estamos lidando com uma imaginação, com uma construção do pensamento, mas não é uma construção tão simples, ela é muito bem elaborada, de extrema complexidade. Essa é a condição da consciência humana, da consciência egoica, dessa consciência do "eu".

Toda essa complicação, desordem, confusão e sofrimento presentes precisam ser vistas. Você deve se aproximar de si mesmo; esta aproximação de si mesmo irá lhe revelar que esse elemento presente nessa aproximação é a ideia de alguém, é apenas uma crença, um modelo de pensamento formulado de uma forma especial, se separando do conjunto, que são os diversos pensamentos que temos.

É exatamente como quando você olha para uma fogueira. Quando você olha para uma fogueira, você não está vendo só o fogo, você está vendo também fagulhas, centelhas se desprendendo daquela fogueira. Quando você está diante de uma fogueira construída por gravetos, por madeira, por lenha, você escuta o som do fogo e, também, presencia fagulhas saltando do fogo. A presença desse "eu" é um pensamento especial, é uma fagulha que se desprendeu da fogueira; ele é um pensamento que se desprendeu de todo esse conjunto de pensamentos.

Esse pensamento que se separou é o "eu", é o "mim", é a "pessoa". Ele se vê assustado com o resto da fogueira, ele se vê amando o resto da fogueira, ele se vê gostando ou aterrorizado com o resto da fogueira. Esse sentido do "eu", esse "mim", se vê como um elemento separado, nele mesmo, dele próprio, porque o pensamento é o próprio "eu". Esse "eu" é o pensador. Esse pensador não se separa do pensamento, ele é parte do pensamento, mas se imagina como um elemento separado.

A fagulha da fogueira, a centelha da fogueira, é parte do fogo. Assim, o "eu" é parte do pensamento. Esse pensamento é o pensador, esse pensador é o "eu". Não há qualquer separação entre o pensador e o pensamento. Por que é fundamental uma compreensão disso? Porque essa clara visão da ilusão da separação entre esse "eu" e o "não eu", entre esse pensador e o pensamento, entre esse que observa e aquilo que ele está observando, é a compreensão de que nós estamos diante de uma ilusão, que é a ilusão da dualidade, que é a ilusão da separação, que nos aproxima de uma Real visão de Deus.

Nessa visão de Deus é Deus ciente, cônscio, real, é a única Realidade presente desse instante, sem qualquer separação; e Isso presente, não há mais problemas, não há mais sofrimento, não há mais busca, não há mais esse "encontrar Deus". É a Realidade que está presente aqui e agora, fora do futuro, fora dessa necessidade de um encontro amanhã. Esse manhã é mental, esse amanhã é uma imaginação do pensamento, esse amanhã é o futuro da mente.

No momento em que você aprende a observar suas reações sem se separar delas, porque há uma plena compreensão de que não existe tal coisa como essa dualidade, essas reações se dissolvem. Repare a pergunta: por quanto tempo você consegue sustentar a tristeza sem o pensamento sobre aquilo que lhe entristeceu? Por quanto tempo você consegue sustentar a raiva, que é a lembrança de alguém que você tem, quando esta lembrança é desfeita?

A lembrança é o elemento que sustenta a raiva de alguém de quem você tem raiva. Sem a lembrança de alguém, o que ocorre com a raiva? Sem a lembrança daquilo que lhe deu tristeza, que lhe produziu tristeza, o que ocorre com esse sentimento, essa sensação, essa emoção que envolve a presença dessa dor, que denominamos de tristeza?

Assim, qual será a verdade sobre o sofrimento? Descobrir a verdade sobre o sofrimento é o fim para o sofrimento, e é quando o sofrimento termina que fica claro que não existe alguém para sofrer; e se não há alguém para sofrer, Algo está presente, e esse Algo não faz parte do sofrimento, esse Algo é a Realidade desta Ser. Observe que quando você quer se livrar do sofrimento, todo o movimento que você faz é para tentar fazer algo contra o sofrimento. Essa é a ideia de se livrar.

Você não quer se livrar daquilo que está lhe dando prazer, você quer mais do que está lhe dando prazer. Ao querer mais do que está lhe dando prazer, você sustenta a continuidade de alguém no desejo. Ao querer se livrar daquilo que está lhe provocando sofrimento ou dor, você alimenta alguém presente no medo, na rejeição, na resistência.

O que dá continuidade a esse sentido do "eu", desse alguém, é exatamente o movimento de reação: de reação positiva na busca por mais ou de reação negativa no rechaçar, no recusar, no tentar se livrar. Então nós temos a presença de um elemento que está separado da condição de prazer que deseja ou da condição da dor que quer se livrar. Esta separação é a continuidade do "eu", é a continuidade do "ego". É essa separação que sustenta a autenticidade de um movimento egocêntrico, de um movimento separatista, de um movimento em dualidade. Se isso está presente, não é possível a Realidade Divina se revelar.

Assim, a busca por Deus é a projeção de uma entidade que se vê separada de Deus. Essa busca, enquanto se sustentar, existirá esse elemento na busca, na procura: essa é a continuidade do "ego", essa é a continuidade do "eu". Além disso, todo esse movimento de busca é só um movimento de fuga da dor. Reparem que quando você é feliz, não há pensamento em você. No instante da Felicidade, no instante daquela Alegria, daquela intensidade de êxtase, de Liberdade, de Graça, de Quietude, há Algo presente além dessas palavras que acabamos de colocar.

A Realidade do estado não é nenhuma dessas palavras. E quando a Realidade desse estado está presente não existe esse elemento para se separar, para dizer: "Mas como sou feliz", "Que coisa maravilhosa é essa paz". Quando algum tipo de pensamento desses surge, é porque esse estado já não está mais. Veja que coisa importante nós temos aqui.

O real contato com o momento presente, com a experiência é a ausência de um experimentador, de um elemento que se separa da experiência e, neste momento, não existe o "eu", não existe o "ego", não existe esse buscador de Deus, esse que está buscando prazer, esse que está tentando se livrar da dor.

Assim, é o contato com o momento presente, com a vida como ela acontece, quando o elemento "eu" não está, a presença de uma Realidade fora do conhecido, fora do modelo das palavras, do modelo do pensamento, fora desse futuro para alcançar ou desse futuro para se livrar. Isso ocorre porque não existe qualquer separação entre o pensamento e o pensador, o observador e a coisa observada, o experimentador e a experiência.

Podemos lidar com esse momento sem colocarmos o pensamento sobre esse momento, sem colocarmos a ideia sobre esse momento? Podemos lidar com esse estado sem chamá-lo de dor ou prazer? Essa é a real aproximação do Autoconhecimento. A presença do Autoconhecimento termina com essa dualidade, termina com essa separação. A presença do Autoconhecimento revela um completo esvaziamento de todo esse conteúdo psicológico de palavras, de crenças, de ideias, de conceitos, de conclusões, e isso elimina esse sentido do "eu".

Assim, quando aprendemos a verdade da importância do Autoconhecimento, que é olhar para o que está aqui sem se envolver, sem colocar esse elemento que se separa para gostar, não gostar, concordar, discordar, pensar a respeito, tirar conclusões, quando não colocamos mais esse elemento, nós temos um esvaziamento total de todo esse conteúdo do "eu", de todo esse conteúdo da separação, da dualidade; é quando nos aproximamos da Verdade da Meditação.

Aquilo que Revela a ciência de Deus é a aproximação da não-dualidade, pelo Autoconhecimento, nessa real aproximação da Meditação. A Verdade da Meditação é algo que está se revelando nesse instante, quando há essa aproximação do momento sem o modelo do pensamento, sem o modelo desse observador se separando da coisa observada.

Reparem, o observador é a coisa observada. Essa separação é uma separação estabelecida em nós pelo pensamento. É quando esse observador se separa, que ele idealiza, no futuro, Deus como um elemento separado dele, o Amor como um elemento separado dele, a Paz como um elemento separado dele, o prazer como um elemento separado dele, o fim do medo ou do sofrimento, no futuro, algo para ser alcançado amanhã. Não existe tal coisa, porque não existe esse amanhã psicológico.

Assim, a verdade desse encontro com Deus reside na Revelação deste Ser não-dual, que está presente aqui e agora como sendo a Natureza de Deus: essa é a Natureza do seu Ser, essa é a Natureza da Verdade sobre cada um de nós, Aquilo que está presente quando o "ego" não está, quando esse pensador não está, esse observador não está, esse experimentador não está.

É isso que estamos, com você, aqui aprofundando. É isso que estamos, com você, trabalhando aqui nesses encontros. Nós temos encontros on-line nos finais de semana, onde estamos sábado e domingo juntos, aprofundando esse assunto aqui com você - são dois dias. Além desses encontros, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite.

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terça-feira, 31 de março de 2026

Praticando o Autoconhecimento. Fuga e Autoconhecimento. O que é o Autoconhecimento. Ação egocêntrica

Aqui, juntos, nós estamos abordando com você a Verdade desse Florescer, dessa Realização, dessa Ciência da Verdade Divina, d'Aquilo que é Você em sua Natureza Verdadeira, em sua Natureza Real. É necessário que você investigue todos esses aspectos ligados a esse sentido de "pessoa" que você acredita ser.

Aqui, o que estamos dizendo é que você não é quem você acredita ser, e a verdade sobre você, você despreza, em razão da presença da ignorância. Isso está alimentando, na vida - particularmente, na sua vida -, os problemas. Uma vida sem problemas é uma vida livre de questões, porque essas questões estão resolvidas.

Um problema é aquilo que nós temos que não está resolvido e precisa ser atendido, precisa ser visto, precisa ser exatamente compreendido. Aqui, a base deste trabalho consiste na compreensão do problema, na compreensão das questões - essa é a resolução para elas. Então, sim, a vida, nesse momento, a partir desse instante, é vista como de fato ela é, ou seja, sem problemas.

É por isso que soa estranho nossas colocações; dizer aqui, de uma forma tão clara que não há problema na vida, só há problema em nós. Então, os problemas que nós temos são, na verdade, o problema que nós somos, e nós somos esse problema que sustenta os demais problemas na vida; e não é na vida como ela acontece, é na particular vida de cada um de nós.

Eu quero tocar aqui com você nesse modelo de ação, que é a nossa qualidade de ação que está fomentando constante desordem, confusão e problema nessa particular vida de cada um de nós. O que será a vida livre de problemas? É a vida livre dessas ações ou atividades que nascem a partir de um centro - esse centro é o "ego", é o "eu".

As nossas ações não são ações, são atividades do "eu", atividades da mente egoica, atividades dessa consciência pessoal, são atividades egocêntricas. O olhar direto para essas atividades nos dará a visão desse elemento presente, que é o centro. O centro é esse elemento a partir do qual as ações acontecem. E o que são essas ações? São as ações que nascem do pensamento.

Acompanhem comigo aqui a importância dessa compreensão. Vamos juntos perceber isso aqui. As nossas ações são ações no esforço: no esforço para obter e no esforço para se livrar. Primeiro, nós queremos obter aquilo que a sociedade, o mundo, a coletividade, a estrutura social nos diz que nós precisamos ter para sermos felizes. Assim, nós estamos em busca disso, e essa busca implica a presença do esforço para obter.

Nós precisamos obter o que o modelo de condicionamento do mundo diz que nós precisamos e precisamos, também, nos livrar daquilo que nos faz infeliz. Nós precisamos dessas coisas para a felicidade e precisamos nos livrar dessas outras coisas também para a felicidade. Assim, a ideia é, pelo esforço, tomarmos ações para conquistas, pelo esforço, tomarmos ações para nos liberarmos, para nos libertarmos de situações que estão nos afligindo e impedindo a felicidade. Nós nunca nos questionamos quem é esse elemento no esforço. Esse elemento é esse centro.

O que é basicamente esse centro? O sentimento, o pensamento e a sensação que você tem de existir como alguém no contexto da experiência da vida como ela acontece é, basicamente, esse "eu", esse "mim", esse é o centro. Aqui, juntos, nós estamos investigando a verdade sobre tudo isso, e já começamos questionando exatamente isso. Nós precisamos ter uma clareza a respeito desse modelo de pensamento que trazemos, porque é o modelo de pensamento de cultura humana, que não tem funcionado.

Nós não encontramos o ser humano em Felicidade. Nós temos, sim, o ser humano em realizações, mas em meio a essas realizações, o medo, a ansiedade, a depressão, a angústia, a visão de maior dependência emocional, sentimental, física daquilo que ele possui, ou daquilo que ele acredita que é dele. Assim, a condição psicológica do ser humano é de sofrimento em meio ao conforto, em meio à fama, ao prestígio, à aceitação pública, em meio ao sucesso.

O que chamamos de sucesso, realização, fama é algo dentro do contexto de tudo aquilo que se alcança pelo esforço. E por que será que nada disso realmente tem funcionado? O que é que, de verdade, nós estamos querendo? Há uma diferença entre aquilo que você deseja - deseja porque lhe foi dado como objetivo alcançar - e aquilo que, de fato, você precisa. Aquilo que, de fato, você precisa, você desconhece, e aquilo que é apenas parte de um acúmulo de realizações externas, sem qualquer sentido interno, é o que você busca.

Há um vazio existencial, há uma carência, há uma real necessidade no ser humano: é a necessidade do Amor, da Paz, da Liberdade, da Verdade, da Felicidade. O ponto é que isso não se alcança pelo esforço, nem se obtém por se livrar daquilo que lhe causa desconforto. A Realidade disso se revela nesse instante quando a ilusão termina, quando a ignorância não está mais. Assim, o ser humano tem um comportamento de fuga daquilo que lhe causa desconforto.

Então, esse assunto da fuga, das diversas formas e mecanismos de fugas que nós temos, nós temos tratado aqui com você. Nós estamos fugindo daquilo que é doloroso; ou seja, depois de alcançar, a dor se mostra presente, porque tudo o que se alcança, que se obtém, que se realiza pelo esforço é parte de um ideal que nasce do modelo do pensamento, e o pensamento em nós é o elemento do equívoco, é o elemento do engano, é ele mesmo a proposta dessa ilusória paz, amor, felicidade e liberdade.

Então, em meio a essa dor, o ser humano busca escapar, fugir para novas realizações, para novos entretenimentos, para novas formas de prazer e de preenchimento psicológico. Estamos dentro de um círculo vicioso: pela busca, alcançamos, e depois que alcançamos, percebemos que não era aquilo, e aí queremos nos livrar daquilo, e entramos nessa fuga, e essa fuga é uma outra forma de busca, e depois alcançamos, e depois queremos nos livrar.

Então, estamos dentro de um círculo. Esse círculo é um círculo que está girando em torno desse "eu", desse "ego", desse centro. Podemos realizar, na vida, a Verdade sobre isso? Porque é a constatação do problema, é a compreensão do problema o fim para ele. E o fim consiste na compreensão da Verdade sobre o Autoconhecimento.

Então, nós temos tratado aqui, colocado para você, essa questão da fuga e o Autoconhecimento. É a Verdade do Autoconhecimento que precisamos. Isso é uma real e imperiosa necessidade para cada um de nós. Assim, o que é o Autoconhecimento? O Autoconhecimento é a aproximação da verdade sobre aquilo que nós somos nesse contexto - compreender a natureza do "eu", a natureza do ego.

A compreensão da natureza dessa estrutura em torno da qual tudo isso acontece é a compreensão disso para o fim dessa psicológica condição de egoidentidade. Isso é o fim da ação egocêntrica, é o fim desse modelo de atividade egoica, de atividade do "eu", que é a ação que nasce do pensamento e, pelo esforço, se ajusta, entra em modelos de autodisciplina para alcançar objetivos, que mais tarde se mostram inúteis.

Existe uma confusão também a respeito da expressão "autoconhecimento". Alguns usam a expressão "praticando o autoconhecimento". A Verdade da ciência do Autoconhecimento não é um exercício mecânico, algo que se faz de uma forma técnica; isso requer a presença de uma Atenção sobre nossas reações, sobre esse padrão de comportamento, sobre esse modelo, que é o modelo do "eu".

Aqui nós estamos trabalhando com você o Despertar da Consciência, a Iluminação Espiritual, a Ciência do seu Ser, a Verdade da Revelação de Deus. Esta Realidade não está externa, não é algo que se obtém, que se alcança. A Realidade Divina, a Realidade de Deus é a Ciência deste Ser; este Ser não é essa "pessoa", esse "mim", esse "ego". O fim para essa condição do "eu", do "ego", é a presença desta Realidade Divina.

O nosso enfoque aqui consiste nessa aproximação, nessa Real Visão da Vida como ela acontece, sem esse sentido do "eu", sem esse sentido do "ego". Quando você aprende a se aproximar de si mesmo e olhar todo esse movimento interno de pensamentos, sentimentos, emoções, sensações, fica claro esse movimento interno de programa, de condicionamento.

Olhar para isso, ficar ciente disso, tomar ciência desse movimento é ficar ciente de suas reações, é quando elas têm a possibilidade de sofrerem uma profunda mudança, uma radical transformação. É uma mudança, é uma transformação não nelas, é o fim delas; é o fim dessas reações, é o início de algo novo, porque, nesse instante, a mente se aquieta, há um espaço novo que se abre de Silêncio, que é a presença da Meditação.

A verdade da Meditação, a Ciência da Meditação requer a presença do Autoconhecimento; então, sim, a Realidade se apresenta, ela se mostra. Essa é a nossa real necessidade. A Ciência do Despertar, a Verdade dessa Revelação da Sabedoria, dessa Revelação daquilo que está presente nesse instante se Revelando como a Natureza do seu Ser, que é a Verdade Divina. Apenas isso, e somente isso, é a Verdade.

A presença da Verdade é a presença da Felicidade, é a presença desta Realidade Divina. Não se trata de alguém que alcançou a felicidade, trata-se da Revelação da Verdade quando não tem alguém, quando não existe mais esse "eu", quando esse centro, que é a base do "eu", que é a base do "ego", que é a base desse sentido de separação, que sustenta a ilusão de alguém separado da Vida, separado de Deus, separado da Verdade; quando esse centro se dissolve, nós temos o fim dessa ilusão.

Toda essa aproximação que nós temos aqui é para a compreensão direta daquilo que realmente nós somos, disso que demonstramos ser, parecemos ser e somos no contexto do "eu", do "ego", desse centro e, ao mesmo tempo, o fim desta condição revela Algo, que é a presença do Novo, que é a presença do Desconhecido, que é a presença da verdadeira Natureza de Deus em Você, sendo Você a Realidade dessa Real Consciência, dessa Divina Consciência. Estamos diante de Algo indescritível.

É isso que estamos, com você, aqui trabalhando nesses finais de semana. São dois dias juntos: sábado e domingo. É uma oportunidade de aprofundarmos isso! Fora esses encontros, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite.

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quinta-feira, 26 de março de 2026

Como se livrar do ciúmes e insegurança? Como se livrar do medo? Tempo psicológico. A ilusão do tempo

Aqui a pergunta é: "Como se livrar do ciúme e da insegurança?" A presença do ciúme é a presença de alguém envolvido dentro de uma relação, onde está presente a autoimagem. A ideia de que o outro está lá, a partir da crença de que você está aqui com suas expectativas, esperanças, desejos, aguardando dele ou dela algo, a ideia de estar presente como sendo alguém nesse contexto de relações, é a base do ciúmes.

A não ser que você compreenda, a não ser que se torne claro para você isso, tudo continuará da mesma forma. Compreender a verdade sobre você é eliminar a ilusão de alguém nessa dependência. O seu problema não é porque o outro é como ele é, o seu problema é porque você tem de si mesma, de si mesmo uma ideia, um quadro mental, uma representação do que a vida deveria ser para você, de como o mundo deveria acontecer para você.

A não ser que você se livre dessa autoimagem, o medo estará presente. E o medo tem diversas formas de expressões, uma delas é a insegurança nas relações. Isso está presente porque nos falta a Verdade da Liberdade. Existe uma coisa aqui muito importante para ser compreendida. Nós estamos tendo falta de Liberdade. Não há Liberdade! Nós não temos espaço interno, dentro de nós, para essa Liberdade; e a ausência dessa Liberdade é a presença da contração, do medo.

Quando há Liberdade, nós temos a possibilidade da presença do Amor. Onde houver alguma forma de dependência, de carência, de projeção, de prazer, de preenchimento e satisfação na relação com o outro, o que temos presente é ausência da Liberdade, não é a presença do Amor.

O Amor não está presente na posse, no controle, na inveja, na suspeita, na dependência, no ciúme. O Amor está presente quando a Verdade está presente, e a Verdade é a presença da Liberdade. Sem Liberdade, não temos Verdade, não há como o Amor Real acontecer. Uma coisa que nós não compreendemos, ainda não ficou claro para maioria das pessoas, é que esse sentido de pessoa é uma ilusão.

Ao se libertar da ilusão da pessoa, ao se libertar da ideia desse "mim", desse "eu", desse ego, temos a presença dessa Liberdade, porque a Verdade está presente, então o Amor Floresce. Você jamais terá Amor nas relações enquanto não compreender o que é essa relação. As nossas relações humanas se sustentam dentro de um padrão de imagens estabelecidas pelo pensamento - é assim que estão acontecendo nossas relações.

A imagem estabelecida pelo pensamento é a imagem que eu tenho sobre quem eu sou; esta é a minha autoimagem. A imagem que eu tenho nessa relação é a imagem que eu tenho sobre quem o outro é. Quando nos encontramos, esse encontro é um encontro entre imagens, é a expectativa que eu tenho dele e que ele tem de mim, que eu tenho dela e ela tem de mim. Essa expectativa nasce dessa carência, dessa dor; essa expectativa nasce dessa carência, desse sofrimento, dessa dependência de busca de realização no outro.

É muito comum a ideia de encontrar o amor. O Amor não é algo que se encontra, o Amor é aquilo que se revela neste instante; não é algo que se encontra no futuro, no tempo. Isso porque nunca investigamos essa questão do tempo, então nós falamos de encontrar isso no futuro. Não existe tal coisa como o tempo. O tempo é uma ilusão.

Nós precisamos do tempo para construir uma casa, nós precisamos do tempo para fazer um curso, para aprender uma profissão. Nós precisamos do tempo para aprender a cantar, precisamos do tempo para aprender uma técnica. Aqui o tempo existe, é o tempo cronológico, é o tempo do calendário. Muitas horas de estudo, dedicação e aplicação lhe darão esse resultado.

Mas não existe o tempo para o Amor, não existe o tempo para a Felicidade, não existe o tempo para a Liberdade, não existe o tempo para a Paz: ou Isso está presente neste instante ou não estará. Não é algo que se alcança no tempo, que irá se estabelecer em algum momento no futuro. Não existe esse tempo psicológico.

O tempo psicológico é uma fantasia criada pelo pensamento. O pensamento criou o tempo; ele está adiando quando cria esse tempo. O pensamento em você diz "amanhã serei feliz, amanhã terei paz". Da mesma forma, o pensamento diz "amanhã eu vou começar essa dieta", "amanhã eu vou começar a fazer exercícios". O que o pensamento está dizendo é que ele não vai fazer absolutamente nada disso. O que ele está dizendo é que ele não vai alcançar a paz amanhã, ele não vai alcançar a felicidade amanhã, ele não vai alcançar o amor amanhã.

No fundo, no fundo o pensamento sabe que Amor não tem nada a ver com ele, que Paz não tem nada a ver com a presença dele, Felicidade não tem nada a ver com a presença dele, fazer exercícios também não e começar uma dieta também não. Percebam o jogo. O pensamento criou o tempo psicológico para adiar; ele está assumindo o lugar da ação quando diz "amanhã", quando diz "no futuro", quando imagina o que irá fazer.

A Verdade consiste na presença da ação, e ela é agora. O Amor é agora, a Paz é agora, a Felicidade é agora, a dieta é agora, o exercício é aqui. Ou há presença de exercício ou não existe nenhum exercício acontecendo agora. Ou temos a presença da dieta neste instante ou não temos, neste instante, a dieta; temos a imaginação da dieta, o pensamento sobre a dieta. O pensamento não é a ação, o pensamento é a adiação.

Nós temos uma vida profundamente equivocada, que é a vida do pensamento. Não existe vida no pensamento. O pensamento em nós é a presença da memória, é a presença do que foi, é a presença do passado. É o passado que se projeta para o futuro na imaginação do exercício, na imaginação da paz, do amor, na imaginação de emagrecer ou na imaginação da saúde.

O pensamento imagina todas as coisas. Algumas coisas são boas e outras coisas são ruins. Essas coisas ruins e essas coisas boas são sempre da perspectiva do próprio pensamento, mas é a presença da adiação, do adiamento, a presença dele. Assim, as pessoas perguntam como se livrar do ciúme e da insegurança, como se livrar do medo. É sempre o pensamento procurando um caminho, uma fórmula, um método, uma maneira de lidar com isso no futuro.

Percebem como o pensamento se move dentro de você. Ele lhe fala do passado e ele lhe fala do futuro; ele não tem qualquer ciência deste instante, ou dá qualquer valor para esse momento, tudo o que ele faz é procurar, desse momento, alguma coisa para se lembrar, para guardar, para registrar nesse assim chamado passado. Tudo o que ele faz nesse momento é se projetar, a partir, também, do pensamento, nesse assim chamado futuro.

A vida centrada no pensamento é uma vida onde vivemos em um mundo de abstração, onde vivemos em um mundo de imaginação, que é o mundo das ideias, das conclusões, das opiniões, das crenças. Não estamos lidando com os fatos, estamos lidando com idealismos, com projetos, com sonhos. "Como se livrar do medo?" Entrar em contato com este instante, na experiência do fato, é algo diferente de ter ideia sobre o medo, imaginação sobre o medo, pensamento sobre o medo, e de como se livrar do medo.

Observe que, por exemplo, essa questão do medo não é outra coisa dentro de nós senão o pensamento. Aqui, neste instante, nós estamos lidando com a vida como ela acontece. Como ela acontece nesse instante nós não temos a presença do pensamento, mas para ela acontecer no futuro precisamos do pensamento. Observe que todos os medos em nós são medos explicáveis, justificáveis, que se fazem notórios, que se mostram em razão da presença do pensamento.

Do que é que você tem medo? Da esposa. Mas o que é a esposa? É um pensamento que você tem agora sobre ela. Você tem medo do marido? Mas o que é o marido? É um pensamento que você tem agora sobre ele. O seu medo é do futuro. Ele não lida com o que está aqui, neste instante, ele lida com o futuro psicológico, ele lida com a imaginação, ele lida com o passado, ele lida com o futuro.

Você tem medo de adoecer: esse é o futuro. Você tem medo de envelhecer: esse é o futuro. Você tem medo de que algo que você fez no passado seja descoberto: você está com medo do futuro com base no passado. É sempre a presença do tempo psicológico, que é o pensamento. Estamos diante da ilusão do tempo.

A vida é o que acontece aqui, neste instante e, no entanto, você está sustentando a ilusão de uma identidade presente, que é o "eu", vivendo no pensamento, vivendo pelo pensamento, sendo o próprio pensador. Esse pensador é o próprio pensamento, porque não existe tal coisa como o pensador quando o pensamento não está. Mais uma vez estamos diante de uma abstração, de uma ilusão, de uma crença. Essa é a imagem que o pensamento tem estabelecido em você como sendo você. Essa autoimagem é o pensador. É o pensador que está querendo se livrar do que não gosta e se agarrar, se prender ao que gosta, ao que lhe dá prazer.

Aqui, com você, nós estamos descobrindo o que é a eliminação desse pensamento, o que é a eliminação desse "eu", desse ego, dessa autoimagem, para o contato com a Vida neste instante, livre do medo, livre da insegurança, livre do ciúme, livre dessa ilusão de amar e ser amado, com base em uma construção mental, em uma construção do pensamento.

O contato com a Vida neste instante é o contato com a Liberdade de Ser. Temos aqui a presença do Amor agora, da Felicidade agora, da Liberdade agora, da Paz agora. A Vida sendo assumida como ela é neste instante não requer a presença do pensamento. Nós precisamos do pensamento técnico para lidar com assuntos como, por exemplo, exercer uma profissão; precisamos do pensamento para construir uma casa. O pensamento, quando de forma técnica, se faz necessário como sendo conhecimento e experiência.

O tempo se faz necessário para construir uma casa ou fazer um curso, ou para lidar com assuntos ligados à questão do calendário. Então, o tempo cronológico está presente em nossas vidas, mas não precisamos do tempo psicológico, não precisamos, também, do pensamento. Me refiro a esse pensamento psicológico, a esse pensamento de imagens que o sentido do "eu", do ego, está estabelecendo, alicerçando sua própria estrutura de identidade nele e fazendo do mundo uma projeção a partir dele, e do outro a partir dele.

A Liberdade de viver dentro das relações com o outro sem o modelo do pensamento é a Verdade da Revelação do Amor. E se o Amor está presente, não há apego; e se o Amor está presente, não existe medo, não existe insegurança, não existe dependência, não há ciúme. Esse encontro com a Realidade da Vida é um encontro com a Liberdade do Amor; e se ele está presente, essa é a Verdade de Deus. E é quando o Amor está presente que Deus se Revela, que a Liberdade está aqui, que a Verdade floresceu.

É isso que estamos trabalhando juntos nesses encontros on-line nos finais de semana. São dois dias juntos: sábado e domingo. Eu quero deixar aqui esse convite para você. Fora esses encontros, temos encontros presenciais e, também, retiros.

Maio de 2025
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terça-feira, 24 de março de 2026

Tempo psicológico. A ilusão do tempo. O que é o pensamento? Como lidar com pensamentos? A dualidade.

Eu tenho para mim que a coisa mais importante aqui é a descoberta a respeito da Verdade sobre quem nós somos, e isso envolve uma compreensão real, direta da verdade sobre o pensamento, porque não existe um elemento mais íntimo de todos nós do que a presença do pensamento aqui, dentro de cada um de nós; ele é algo presente nesse movimento, que nós chamamos de "a mente", a "nossa mente".

Mas o que é a verdade sobre a mente? O que é a verdade sobre o pensamento? Qual é a verdade sobre mim? Qual é a verdade desse eu? É o que estamos, com você, aqui aprofundando, investigando.

Assim, a pergunta é: o que é o pensamento? Observe que o pensamento em você é a simples lembrança de coisas, de pessoas, de lugares, de situações. O seu nome é uma lembrança, a sua história é uma lembrança. A presença da sua história e do seu nome, que é uma lembrança, é a presença do pensamento.

Agora, a história é algo que aconteceu. O seu nome é uma lembrança que você tem em razão de um conhecimento que você traz. O que você traz, está trazendo do passado. O conhecimento vem do passado, a lembrança vem do passado, o pensamento vem do passado.

Assim, qual será a verdade sobre o pensamento? O pensamento é algo lincado à ideia do que já foi; é exatamente o que já foi, sendo lembrado aqui, recordado aqui. Então nós temos lincado a presença do pensamento à questão do tempo.

Agora, observem que coisa curiosa nós temos aqui: de que tempo nós estamos falando? Já que estamos falando de algo lembrado, recordado, de algo que aconteceu, esse algo aconteceu no tempo cronológico, e isso foi no passado. Assim, nós temos o tempo cronológico, onde as coisas acontecem. Então, coisas aconteceram, coisas estão acontecendo e coisas acontecerão. A lembrança dessas coisas é o resultado sempre do passado.

Você só tem lembrança porque tem o passado, mas esse passado, na lembrança, não existe. Não existe nenhum passado na lembrança. Na lembrança, o que nós temos é apenas uma representação do passado, não é o passado. Assim, olhem que coisa importante nós temos aqui para compreender, já que estamos investigando a verdade sobre nós mesmos, que estamos investigando a verdade de que o pensamento é algo muito íntimo em cada um de nós, e nós não sabemos lidar com ele.

É por isso que as pessoas perguntam: "Como lidar com os pensamentos?" Elas não sabem lidar com os pensamentos porque não compreendem o processo do pensamento nelas, como isso acontece, como isso se processa, como isso ocorre. Assim, é parte de uma visão sobre nós mesmos, é parte da visão do Autoconhecimento a compreensão do pensamento.

Assim, essa compreensão do pensamento requer que você compreenda, com clareza, que o tempo não é real - eu me refiro a esse tempo psicológico. Nós estamos lidando com a ilusão do tempo quando estamos lidando com a ideia, com a imaginação de uma entidade presente nesse instante, que é o "eu", o "mim", a " pessoa", vivendo no tempo.

A crença em nós - e essa crença é só mais um pensamento - é de que você, como "pessoa", é alguém que veio do passado, está presente nesse momento e caminhando para o futuro. Do ponto de vista psicológico, estamos lidando aqui com uma ilusão, que é a ilusão do tempo, porque não existe o tempo psicológico.

Não existe esse movimento de continuidade de uma "pessoa" presente, de uma entidade presente, que é esse "eu". Nós temos apenas a Vida acontecendo neste instante, a Vida acontecendo neste momento, e a forma como ela acontece é favorecendo instantes onde experiências estão surgindo a todo o momento.

O que tem dado formação a essa ilusão, que é a ilusão do "eu", é o contato com esse momento em uma desatenção para este instante. Quando não trazemos Atenção para este instante, ao passar por uma experiência, ela assume esse caráter de experiência para esse elemento, que é o experimentador. Esse elemento, que é o experimentador, é uma sugestão do pensamento.

O modelo do pensamento presente em nós é confuso, é desorientado, é desordenado, é problemático, gera conflitos, problemas de todos os tipos, porque ele está se processando de uma forma mecânica, inconsciente, porque, nesse instante, não existe Atenção, não existe Consciência Real sobre essas reações quando elas acontecem.

O seu contato com o momento presente é um contato de experimentar, mas quando o pensamento guarda, registra, faz isso na intenção de manter a continuidade da experiência no futuro. Assim, o pensamento estabelece a crença do amanhã psicológico, do futuro psicológico. É assim que ele tem funcionado em cada um de nós.

Nós estamos vivendo, psicologicamente, no passado ou no futuro. E este momento presente para esse modelo, que é o modelo do "eu", que é o modelo da pessoa, desse "mim", é de transformar esse momento, que é o momento de experiência, onde a presença do experimentar que está aqui - e é só o experimentar - numa experiência. Ele registra isso, isso começa a fazer parte da história desse "eu", da memória dessa pessoa, e essa pessoa está se movendo na vida dentro dessa ilusão, que é a ilusão passado, presente e futuro.

O que estamos colocando aqui para você é que a vida acontece neste momento, e nesse momento ela termina. A ideia de alguém tendo uma continuidade psicológica é a ilusão do tempo, porque não existe essa continuidade. O que temos presente é só a memória, a lembrança.

Lidar com a vida nesse instante como ela acontece, sem a ilusão de identificar a experiência para o experimentador, sem essa ilusão de registrar a experiência para manter a continuidade, é assumir a Verdade da Vida, sem o "eu", se o "ego". Isso requer a presença de um olhar para esse momento sem o passado.

Quando colocamos Atenção para as nossas reações neste instante, o passado, esse registro, perde relevância; e quando ele perde a relevância, o sentido do "eu", do "ego", desse "mim", perde a importância.

Assim, o que é esse "mim", esse "eu", esse "ego"? A presença desse ego, desse "eu", desse "mim" é todo esse conjunto de memórias, de lembranças, de recordações, algo presente quando o pensamento está presente. Quando o próprio pensamento sustenta a ideia de alguém presente nisso, de alguém em autoimportância nisso, em autovalorização nisso, surge a crença dessa continuidade. É isso que chamamos de "mim", de "eu";

Esse pensamento e sentimento de existir sendo alguém é algo que o pensamento está estabelecendo em cada um de nós. É o próprio pensamento que se separa e cria essa identidade, estabelece essa identidade. A vida como ela acontece neste instante é só a Vida. Nós precisamos da memória, nós precisamos do registro.

Em algumas áreas da nossa vida, desta vida, nós precisamos fazer uso do conhecimento e, portanto, da memória, que é pensamento. O seu endereço, por exemplo, o seu nome, por exemplo, isso é parte da memória, isso é parte do conhecimento, isso é parte da lembrança.

Então, nesse nível o pensamento se faz necessário, mas não precisamos é da ilusão de uma identidade presente nessa memória. E nós estamos conduzindo nossas vidas dentro desse quadro, dentro dessa forma, dentro dessa ilusão, a ilusão de alguém presente; esse alguém é esse sentimento de ser, é esse pensamento de ser, uma criação do pensamento, uma sugestão em nós implantada pelo pensamento.

Você tem sobre você uma ideia sobre quem você é. Nós estamos lidando aqui com uma abstração, isso porque você não é o seu nome, assim como você não é a sua história, mas a ideia que você faz sobre quem você é é uma imagem que o pensamento tem estabelecido como sendo você.

Assim, nós carregamos, nessa ilusão do tempo, a crença de que nós viemos do passado, estamos presentes nesse momento e caminhando para o futuro. Tudo isso faz parte do modelo do "eu", do "ego", que é a forma como o pensamento está se movendo, dentro de cada um de nós, nessa mente, nessa consciência.

Agora, vamos compreender aqui uma coisa muito interessante. Em um certo nível, o pensamento se faz necessário, o conhecimento se faz necessário e, portanto, a lembrança é importante; mas em um outro nível, o modelo do pensamento, da memória, da lembrança é algo completamente desnecessário, disfuncional e que está produzindo confusão, produzindo sofrimento, produzindo desordem em nossas vidas.

Assim, nós temos o pensamento prático, objetivo, que lida com os fatos. O seu nome, a história, o seu conhecimento profissional, o seu conhecimento técnico, tudo isso faz parte do pensamento, tudo isso faz parte da memória, tudo isso faz parte daquilo que são fatos em nossas vidas, que são registrados e tem o seu lugar. Mas existe uma qualidade de pensamento em você que é completamente equivocado, é o que eu tenho chamado de pensamento psicológico.

Por exemplo, você tem amigos; esses amigos são construções dentro de você e estabelecidas pelo pensamento. Quando você gosta de alguém, você não a conhece, mas tem a ilusão de conhecer. O que você gosta nele ou nela é o comportamento, é o modo de falar, é o jeito deles; algo neles é agradável e você gosta daquilo que está vendo neles.

Então, quando você diz que gosta de alguém, você está gostando dela como ela se mostra naquele momento, e você carrega a ilusão de que você a conhece porque ela se comporta daquela forma, porque ela é agradável daquele jeito. O que você tem dele ou dela é uma imagem estabelecida dentro de você, construída pelo pensamento, registrada pelo pensamento.

Essa qualidade de registro é a experiência desse experimentador, é o pensamento desse pensador, é a visão desse observador, que é esse "mim", que é esse "eu". Essa qualidade de pensamento é a qualidade de pensamento psicológico. Nós estamos lidando com a vida a partir dessa qualidade de pensamento.

Você não conhece ele porque você também não se conhece. Da mesma forma, você tem sobre si mesmo uma imagem. Você gosta de algumas coisas, mas não gosta de outras em si mesmo. Esse elemento nesse gostar e não gostar é a imagem que você tem construído sobre quem é você, assim como você tem construído uma imagem sobre quem é o outro.

A nossa vida psicológica está exatamente dentro desse movimento, que é o movimento da experiência para o experimentador, que é o movimento do pensamento para o pensador, daquilo que está sendo visto para aquele que vê. Esse gostar, esse não gostar se assenta nessa autoimagem, nesse quadro mental, nessa sugestão do pensamento. Esse modelo do "eu" está vivendo nessa psicológica condição de ideia de vida em continuidade, nesse padrão, nesse formato.

Podemos eliminar das nossas vidas o pensamento? Eu não me refiro a esse pensamento técnico, funcional, prático, que lida com fatos, eu me refiro a essa qualidade de pensamento que lida com abstrações, com crenças, com sugestões. Notem, sugestões temporárias do pensamento, porque você gosta dele ou dela enquanto ela lhe agrada, enquanto o que ela faz, diz, atende essas expectativas do seu "ego", dessa "pessoa", desse "mim".

A compreensão da verdade sobre si mesmo é o rompimento com essa autoimagem e, portanto, com toda e qualquer imagem que você tenha sobre o outro, assim como da vida, das experiências. Isso é o fim da ilusão, é o fim da ilusão do pensamento, é o fim da ilusão do tempo, é o fim desse tempo psicológico, desse modelo de ser alguém que vive em expectativas com relação a pessoas, a eventos, a situações.

Quando o tempo termina, o pensamento termina. Lidar com esse instante, livre do passado, da ilusão desse momento presente para esse "mim", e desse futuro para si mesmo, e desse futuro para ele. Assim, a Verdade da Revelação do seu Ser é a Ciência Real de como lidar com o pensamento. Isso requer a presença de como lidar com a experiência, com a percepção, com a sensação. Requer essa ciência dessa Atenção sobre este instante, sobre este momento.

É a presença dessa Atenção o fim para esse programa, para esse modelo, que é o modelo do pensamento psicológico, que é o modelo do pensamento que se move no tempo, que vive fazendo escolhas a partir dessa autoimagem. Nós não conhecemos a beleza desse encontro real com o outro, assim como com a vida, porque não compreendemos a Verdade sobre o Amor. Desconhecemos a Realidade do Amor porque estamos vivendo, psicologicamente, no tempo, nesse modelo do "eu", nesse modelo do "ego".

Quando o Amor está presente, não existe mais esse gostar ou não gostar. Há algo presente, que é a compreensão da vida como ela acontece, nessa relação com ele ou ela, nessa relação consigo mesmo, sem o sentido do "eu", temos o contato com a Vida Divina, com a Vida de Deus.

A Verdade sobre Você é a ciência do Amor, é a ciência da Inteligência, da Sabedoria, da Verdade desse contato com o momento, sem a presença desse experimentador, do contato com o momento, sem esse padrão de sustentação de imagens, de construções do pensamento, nesse formato de memória psicológica. São essas memórias que estão dando continuidade à ilusão dessa egoidentidade carregada de problemas, carregada de todas as formas de conflitos, desordem e confusão.

Aqui, juntos estamos investigando isso, como ter da vida uma aproximação livre desse tempo psicológico, desse ilusório tempo, que é o tempo do "eu", que é o tempo do "ego", que é o tempo da mente. O contato com a vida neste instante é um contato livre da separação. Não existe esse você e a vida, não existe esse "mim" e a vida, não há esse experimentador para essa experiência, que é a vida. A verdade sobre a Vida é a verdade do experimentar.

Podemos olhar para o momento presente sem o passado, sem esse modelo da autoimagem? Nesse olhar, não existe o observador. A Verdade sobre a Vida é a Verdade do olhar sem o observador, do perceber este instante sem o percebedor, do experimentar sem o experimentador, do contato com ele ou ela sem a imagem dele ou dela.

As pessoas vivem quarenta anos dentro de um relacionamento, tendo a ilusão que conhecem o outro. Se você não tem a ciência da Verdade sobre si mesmo, que é a Vida livre desse modelo de pensamento psicológico e, portanto, livre do próprio "eu", do próprio "ego", como você pode conhecer o outro? A compreensão da Vida é a compreensão de si mesmo. É aqui que está a compreensão do outro. Se há essa compreensão, temos a presença da Verdade, a presença de Deus, a presença do Amor.

A Real Vida é a Vida livre do ego, livre dessa autoimagem, livre dessa ilusão do tempo, livre desse tempo psicológico, livre desse modelo de pensamento psicológico. Assim, está presente a Vida como ela acontece, e parte desse Mistério, chamado Vida, está, naturalmente, a presença do pensamento, mas não do pensamento psicológico, não mais esse formato de mente egoica, de consciência do "eu".

Aqui, nesses encontros, nós estamos aprofundando isso com você. Nós temos dois dias juntos. São dois dias, de uma forma on-line, aqui, onde estamos juntos aprofundando esse assunto com você. Além desses encontros on-line, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite.

Maio de 2025
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quinta-feira, 19 de março de 2026

Você e a autoimagem. O fim da autoimagem. O que é o pensamento? O que é o pensar? Como vencer o medo

Aqui, com você, nós temos aprofundado esses assuntos; eles são colocados aqui para serem investigados. Nós investigamos isso quando estamos próximos da própria experiência. De outra forma, ficamos apenas na teoria, ficamos apenas nas ideias, e não é esse o nosso propósito.

Aqui, o único propósito que temos é de perceber diretamente. Quando nós temos uma percepção direta, nós temos algo além das formulações intelectuais, algo além dos conceitos: nós estamos diante de uma compreensão. Portanto, é da compreensão que nós precisamos.

Esses encontros aqui, esses momentos que temos, são momentos de descoberta, são momentos de constatações. Então, vamos tocar com você aqui nessa questão do medo. A pergunta é: "Como vencer o medo?" Isso envolve uma compreensão, e ela só pode ser real se for direta; envolve a compreensão do pensamento, não a teoria sobre o pensamento, não aquilo que os livros dizem sobre o pensamento, não aquilo que esse especialista ou aquele outro dizem sobre o pensamento, mas trata-se de uma constatação sua, direta.

Nenhuma teoria - e teoria é aquilo que alguém já nos disse -, nenhum conceito - conceito é aquilo que intelectualmente somos até capazes de explicar - ou opinião sobre isso é real. Se aqui estamos nos propondo a investigar essa questão do medo - e aqui a pergunta é: "Como vencer o medo?" -, precisamos, já, corrigir a nossa linguagem de aproximação desse assunto.

Aquilo que você consegue pela luta, pela autodisciplina, pelo esforço "vencer", você continuará presente tendo que vencer outras vezes. Não se trata de vencer o medo, não se trata de você presente nessa vitória, trata-se da compreensão do medo. É a compreensão do medo, é a visão sobre o medo, a liberação do medo.

Portanto, há uma diferença entre o fim do medo e a vitória sobre o medo, o vencer o medo. O interesse de vencer é o interesse de alguém tendo uma vitória. Aqui, não existe esse alguém. Aqui, a compreensão da presença do medo requer a clara visão de que é exatamente a presença desse alguém, dessa pessoa, da pessoa que você é, a presença do medo.

Uma aproximação irregular, uma aproximação insatisfatória dessa questão do medo, não resolve. Se aproximar do medo é tomar ciência de si mesmo nessa relação com essa dada experiência, e isso requer a clara visão sobre o pensamento. Aqui, estamos diante de algo que permeia nossas vidas, que está presente em tudo nessa particular vida da pessoa, desse "mim", desse alguém, que é a presença do pensamento.

O que é o pensamento? O pensamento é um elemento em você que não lhe permite o contato com o momento presente de uma forma livre, porque os nossos olhos ficam embaçados e internamente ficamos sem qualquer sensibilidade à vida nesse encontro com ela, a partir do pensamento. É o pensamento que olha, e quando ele olha, compara, aceita, rejeita, julga e colore a experiência do momento presente.

É este pensamento aqui, é esse pensamento aí, é a presença desse elemento a verdade sobre o medo. Você não tem medo sem a presença do pensamento. Apenas quando o pensamento lhe fala sobre algo, aquilo passa a ter realidade para você. Isso ocorre porque o pensamento ocorre como elemento que, ao surgir, ele mesmo cria uma separação entre você e ele.

O pensamento em nós gira, funciona, acontece avaliando para nós, julgando para nós, aceitando ou rejeitando. Esse "nós" é a própria presença do pensamento. Quando você está triste, com raiva ou com medo, é o pensamento que criou essa ideia de alguém presente nesse sentimento, nessa emoção. Essa é a continuidade em nós do modelo do pensamento; ele precisa de alguém presente, e esse alguém é esse "mim", é esse "eu".

A presença em você é de você sendo o que o pensamento diz que você é para viver isso, para sentir isso. Portanto, o pensamento construiu uma imagem; essa imagem é você. Você é a própria autoimagem. Então, você é a autoimagem; é o elemento presente para viver a experiência que o pensamento propõe nesse formato de sentimento, de sensação, de emoção ou de experiência. Então, está estabelecido em nós essa divisão, e nessa divisão está presente alguém para o medo, alguém para a tristeza, alguém para esse ou aquele tipo de sofrimento. Essa é a vida do pensamento; ele precisa de alguém envolvido nisso. Esse alguém é a presença do pensador.

Nós não sabemos lidar com o pensamento, porque nada sabemos sobre a ciência do pensar. Então, aqui, o primeiro ponto é esse: é o pensamento que nos fala de um futuro que ele não quer viver. Quando você tem a lembrança de uma doença que você teve e você não quer que isso se repita, notem que é a presença do pensamento, dessa memória, dessa lembrança que, ao surgir, nos fala sobre você, nos fala sobre esse "mim", sobre essa pessoa que viveu aquilo.

Você não teria nenhuma lembrança de si mesmo, no medo de aquela doença pudesse voltar, sem a presença do pensamento. Você lembra de si mesmo doente novamente porque o pensamento está presente trazendo esse "você", essa imagem. Essa autoimagem é você. E quando você surge, surge o medo, porque o pensamento está presente. É a presença do pensamento a presença do medo. Sem o pensamento, não existe esse você com medo.

Portanto, a presença do pensamento e você é um único fenômeno, uma única aparição. Não existe uma separação entre você, que é essa autoimagem, e essa lembrança que lhe causa medo. Portanto, não se trata de vencer o medo, trata-se de se livrar da autoimagem. É a autoimagem a presença do próprio pensamento. Não existe nenhuma separação entre essa autoimagem e essa lembrança, que é o pensamento.

Ao se livrar da autoimagem, não existe mais esse você, não existe mais esse pensamento, não há mais medo. Você não vai vencer o medo; haverá uma plena ciência aí da verdade de que não existe esse você quando o pensamento não está. Assim, nós precisamos descobrir o que é o pensar.

Quando um pensamento surge, nesse momento, se torne ciente dele, fique ciente de sua presença. É porque você não está ciente da presença do pensamento que ele se estabelece dentro de você, criando essa condição psicológica de separação, sustentando essa imagem, essa autoimagem, e sustentando essa memória. A verdade desse olhar direto para um pensamento que esteja surgindo aqui, nesse instante, termina com o pensamento.

O pensamento não pode manter sua continuidade quando é constatado, quando é observado. Mas esta observação só é observação quando não existe esse que observa; só é observação quando o pensamento não se separa, construindo esse "eu", essa autoimagem. Portanto, tudo aqui gira em torno dessa visão, da visão da verdade sobre si mesmo, sobre como você funciona, como a mente funciona. Essa é a ciência do pensar.

Nós não sabemos o que é o pensar. Nós temos o modelo do pensamento acontecendo, exatamente dessa forma como colocamos aqui, criando esta separação. A verdade sobre o pensar é a visão do que o pensamento representa, e, também, do que o sentimento, emoção ou sensação representam.

A verdade sobre o pensar é que, quando o pensar está presente, não existe o "eu", não existe esse elemento, que é o pensador, que é o experimentador, que é o observador. Então, fica claro esse olhar para o pensamento sem alguém nesse olhar. E, quando isso está presente, o pensamento cessa, o medo não surge - isso que é visto nesse instante, nessa forma de olhar, que é essa memória, que é essa lembrança, que é esse quadro, que é o quadro de uma doença, da lembrança de um dia ter passado por alguma enfermidade e essa lembrança agora está voltando.

Reparem, isso é só um exemplo da presença, de uma forma específica, de medo. Nós temos inúmeras formas de medo, e todas estão atreladas à questão do pensamento, da memória, da lembrança, algo que vem do passado. Portanto, essa forma de olhar dissolve essa imagem, dissolve esse pensador, esse experimentador, esse "eu" do medo.

O fim do medo é algo diferente de vencer o medo - me parece que agora ficou claro isso aqui. Você não vence o medo. Não há medo nessa Atenção sobre as nossas reações. Não existe experimentador quando há essa Atenção. Não existe esse observador quando há essa Atenção: essa é a presença do pensar.

Nós não fomos ensinados, na vida, sobre o pensar. Nos foi dado o que pensar, porque nos foi dado a ilusão da continuidade de um pensador. Essa é a presença do ego, dessa falsa identidade, dessa ilusória identidade que estamos assumindo. Portanto, a compreensão da vida é a compreensão de nós mesmos, e esta compreensão termina com essa ilusória identidade presente para a experiência do viver, para a experiência do sentir, para a experiência do medo.

Em sua Natureza Verdadeira, em sua Natureza Real, aquilo que é Você em seu Ser, não está presente essa autoimagem, esse pensador, esse experimentador, esse observador. A Verdade do seu Ser, a verdade sobre você, a verdade da pessoa que você representa ser, tem que ser investigada, compreendida. Se isso se realiza, a ilusão dessa pessoa se dissolve, a ilusão dessa identidade que se separa da vida, desaparece; temos a presença da Realidade deste Ser.

Portanto, há uma Realidade sobre Você, e há essa presença da pessoa, que é a verdade sobre você, isso que você tem assumido ser nessa ilusão de separação, onde está presente essa memória trazendo, nesse instante, ainda essa identidade, que vem do passado para se projetar nesse tempo, que é o futuro, no medo ou em alguma forma de desespero, ou sofrimento psicológico.

Assumir a Realidade do seu Ser só é possível quando você compreende a verdade sobre esse "mim", sobre essa "pessoa", sobre esse "eu". O nosso convite aqui é para um olhar direto para esse instante. Um olhar possível é esse olhar direto, livre do pensamento e, portanto, livre do passado, então não há medo, não há conflito, contradição ou sofrimento.

É o que estamos propondo aqui para você, trabalhando com você nesses encontros on-line nos finais de semana. São dois dias juntos, sábado e domingo, onde estamos aprofundando isso. Esses encontros revelam a Verdade d'Aquilo que é Você em sua Natureza Essencial, em sua Natureza Real.

A Realidade deste Ser precisa ser compreendida. Portanto, são dois dias que estamos juntos. Fora esses encontros on-line, nós temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite.

Junho de 2025
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terça-feira, 17 de março de 2026

O medo da morte | Fundamentais questões da vida | Como encontrar Deus? | O que é o pensamento?

Eu quero tratar com você aqui hoje uma questão: é a questão da morte. Aqui nós temos investigado diversas questões fundamentais da vida, e uma dessas questões é a própria questão da morte. Se não temos uma visão real da vida, jamais teremos uma compreensão direta do que é morrer. Nós vamos trabalhar isso aqui com você.

Qual será a verdade desse morrer? Se isso se torna claro, nós temos o fim do medo. Então, vamos, em parte, colocar isso aqui para você. Mas nós precisamos, antes de tudo, colocar de lado todas essas ideias que nós já temos sobre essa questão da morte. As ideias em nós, observem isso, todas as ideias, sem exceção, são conceitos mentais, são formas de aproximações de imagens, de quadros que o pensamento está produzindo.

Assim, quando você tem uma ideia, na verdade, essa pode ser constituída de diversos conceitos, ou seja, de diversas formas de pensamento, é isso dá formação a uma ideia. Portanto, observem a verdade disso. Todo o pensamento em você está dentro de um contexto de ideia. Uma ideia pode ser um conjunto de pensamentos; essa ideia ou pensamento em você envolve uma imagem, um quadro mental. Assim, a nossa aproximação dessa questão da morte envolve esses quadros que o pensamento estabelece em nós como nossa experiência.

Ao longo da vida, desde pequenos, todos nós já entramos em contato com essa questão da morte: alguém conhecido, um parente, os pais, os avós, nós sempre temos presenciado, ao longo da vida, pessoas morrendo. Assim, a ideia que temos, o pensamento ou imagem que temos sobre a morte é o fim dessa existência física. Nós sabemos que o corpo morre, só que para nós não é a morte simples do corpo, é a morte de alguém que conhecemos ou de alguém que amamos, e essa morte é o desaparecimento dela, dessa pessoa, desse nosso contato de relações, de relacionamento.

Então, quando você vê o seu avô morrendo ou a sua avó morrendo já fica claro para você, dentro de você, esse sentimento de afastamento. Então, vamos ver aqui alguma coisa sobre isso. Apesar de todo esse contato que temos com essa experiência da morte, é sempre o contato da experiência da morte de "alguém". Nós não sabemos o que é lidar com nós mesmos dentro dessa questão do fim para aquilo que nós somos, o fim para esse que nós somos; nós não sabemos lidar com a própria ideia do fim de nós mesmos.

Assim, nós temos, ao longo da vida, em razão da presença de crenças religiosas, ou espiritualistas, ou filosóficas, sempre uma ideia sobre não apenas a morte como um desaparecimento, mas a ideia do pós morte, como uma continuidade ou como uma possibilidade de continuidade, e, no entanto, tudo isso está dentro de nós dentro de um formato de pensamentos.

Qual será a verdade desse encontro real com a morte? Não se trata dessa morte física, que em algum momento, infalivelmente, todos nós teremos. Ou através de um acidente, ou em razão da velhice, ou em razão de uma doença, dessas formas, ou de alguma outra forma, ocorrerá a morte para todos nós. Então, não é nesse aspecto que queremos tratar aqui com você.

Aqui queremos colocar para você a beleza desse encontro com a própria morte. Não se trata do fim do corpo, mas do fim da continuidade de um elemento presente em nós que sustenta a presença do medo. Esse elemento presente em nós é esse "mim", é esse "eu".

Podemos nos dar conta aqui, na vida, dessa ciência do que é a morte para esse sentido do "eu", desse "mim"? E será que, ao nos darmos conta disso, ainda teremos uma continuidade de medo? Será que ainda teremos uma continuidade para esse sentido do "eu", sustentando essa abstração, que é essa forma de pensamento, de ideia, de separação com essas perdas?

Quando você teme, você teme perder. Veja, você não teme exatamente uma outra coisa, é somente essa. O seu medo é perder, é perder o contato com esse ente querido, é perder alguém, é não poder ter mais a presença dele ou dela. O seu medo, nessa particular morte de si mesma, de si mesmo, também é de perder, é de perder o que você tem, o que você obteve, as relações de prazer, de satisfação e alegria que você tem nesse contato com objetos, com pessoas, com situações.

Portanto, todo esse sentimento aprazível, satisfatório, feliz, preenchedor e de prazer que você tem é exatamente isso, e é somente isso que você teme que desapareça, que não possa ser mais desfrutado. É isso que nós chamamos de amor à vida. O que chamamos de amor à vida - é bem interessante essa expressão também -, aquilo que chamamos de amor está sempre associado a uma forma ou outra de prazer, dentro das relações. A isso estamos dando o nome de amor.

Assim, o que é a verdade sobre o medo da morte? Nós não temos exatamente o medo da morte. O contato com a morte é o contato com o desaparecimento daquilo que nós temos, daquilo que representa para nós parte da "nossa vida", esse é o medo. É o medo de perder isso que conhecemos, de não ter mais isso, esse é o medo da morte; de não ter mais essa ou aquela pessoa, de não ter mais essa vida do "eu", essa "minha vida", para desfrutar toda a forma de prazer que eu tenho tido até hoje.

Portanto, a verdade sobre o medo da morte é a verdade de ter que lidar com uma condição nova, onde não teremos nada daquilo que nós já conhecemos. Portanto, não se trata de um contato com o desconhecido, trata-se do fim daquilo que nós conhecemos. Assim, nós estamos sempre sustentando essa continuidade daquilo que conhecemos, fazemos de tudo para não perder o que temos, porque a nossa vida consiste nisso, nessa continuidade do prazer, o que nós chamamos de amor nas relações.

O nosso amor nas relações, associado ao prazer, é relativo à satisfação que aquilo me dá, que aquilo me traz. Enquanto isso estiver me trazendo satisfação, prazer e alegria, eu amo, se isso parar de me trazer isso, eu não quero mais perto de mim, e posso passar a odiar também. Então, aquilo que nós chamamos de amor é algo circunstancial, é relativo a preenchimento, prazer e satisfação que temos com aquele objeto, ou naquele lugar, ou com aquela pessoa.

Então, aqui, o primeiro ponto é esse: nós não temos nenhum problema com a morte, nós temos, sim, um grande problema em perder coisas, em perder tudo aquilo que nós juntamos, acumulamos. Isso porque tudo isso faz parte, agora, desse contexto psicológico de existência do "eu". Assim, o medo em perder tudo isso é o fato de que sem isso, quem sou eu? São essas coisas, são essas pessoas, é isso que traz sentido para a minha vida.

Portanto, o que é "minha vida"? A "minha vida" é a continuidade do pensamento sobre tudo isso. Percebam que coisa interessante nós temos aqui quando investigamos também essa questão sobre o que é o pensamento. Tudo o que você tem está dentro de você, como uma imagem que o pensamento está sustentando, como uma ideia que o pensamento trás.

Quando você fala de alguém, você está me falando de um pensamento que tem sobre ele ou ela; quando você se lembra de alguém, a sua lembrança é de uma imagem que você tem sobre ele ou ela. Veja, não se trata da pessoa, trata-se do pensamento sobre ela; não se trata dela, trata-se da ideia que você faz sobre ela. Assim são todas as coisas que nós temos; todas essas coisas que temos estão apenas dentro do pensamento.

E o que é o pensamento? É a presença da memória, da imagem, do quadro mental que você tem. Então, o que é que nós temos aqui como verdade de tudo o que nós temos? A verdade é que nós não temos absolutamente nada, e tudo o que nós temos consiste em uma imagem, em um pensamento. O seu carro é uma imagem dentro de você, o seu marido, a sua esposa, sua família, o seu nome, a sua história, a sua memória, tudo isso faz parte do pensamento. Veja, essa é a verdade do pensamento. Portanto, é o pensamento que dá continuidade a esse "mim", e esse "eu".

O que será a Vida Real? A Vida Real é aquela onde temos a ciência da morte. Essa ciência da morte é a ciência do fim do pensamento nesse instante, nesse momento. É quando o pensamento termina, aqui e agora, que nós temos um real encontro com a Vida Real, com a Realidade da Vida como ela acontece. Isso é a morte, a morte para essa psicológica condição de identidade egoica, que é a identidade do "eu".

Aquilo que nós chamamos de "eu", de "mim", é um conjunto de pensamentos. Então, esses pensamentos estão dando identidade a esse sentimento, pensamento e sensação de posse, de controle, de vida. Talvez você não consiga perceber de imediato, mas aqui nos deparamos com um desafio. A ciência desse encontro com a Vida Real, que é a vida livre do pensamento, que é a vida nesse contato com a ciência da verdade sobre o fim de todas as coisas, é também, simultaneamente, a verdade sobre como encontrar Deus.

A Realidade de Deus é encontrada aqui; não se trata de um movimento no futuro para se realizar, em algum momento no tempo. Esse encontro com Deus é a constatação dessa Realidade nesse instante. Essa Realidade é a Realidade da própria Vida, livre do "eu", livre do pensamento, livre de tudo aquilo que o pensamento tem dado forma e criado uma identidade nessas coisas. Olhe para si mesmo, você não tem absolutamente nada, nem mesmo esse corpo é seu. Se esse corpo fosse seu, você não deixaria ele adoecer, você não deixaria ele envelhecer, você não deixaria ele morrer - ele não é seu.

Há Algo presente, acima e além desse corpo, e, naturalmente, além de tudo aquilo que o pensamento representa aí, inclusive essa ideia desse "mim", desse "eu". A verdade sobre isso é que essa única Realidade é a Realidade da Vida, é a Realidade de Deus, é a Realidade desse "não eu". Então você pergunta: "Como vencer o medo da morte?" Se livre da ilusão de se ver como alguém na vida tendo coisas a partir do pensamento, a partir das imagens que o pensamento constrói.

Assim, o desprendimento de toda essa sensação e experiência e pensamentos, que dão formação a essa identidade que é o "eu", é o encontro com a Verdade de Deus. A Realidade do seu Ser é a Vida; essa é a Realidade de Deus. Então, a única coisa real que você tem é a Realidade d'Aquilo que é Você, e, no entanto, nem mesmo isso você tem. Essa Realidade que Você é não é a realidade de alguém, não é algo seu, é algo de Deus, é a Realidade de Deus.

Essa é a verdade sobre a morte, essa é a verdade sobre a Vida, essa é a verdade sobre Deus, essa é a verdade sobre Você, Aquilo que é inominável e indescritível e que está presente além desse chegar e partir, desse nascer e morrer, além desse corpo, dessa mente e desse mundo.

O ser humano passa uma vida inteira acumulando bens, móveis e imóveis, teres e haveres, e esse movimento é um movimento de aquisição desse "eu". Estamos dentro de uma ilusão, porque nada disso é real. O fim para essa condição é o contato com a Realidade que está além do conhecido e, portanto, está além do pensamento.

Aqui, nos encontros online, que ocorrem aos finais de semana - sábado e domingo -, nós estamos investigando isso, tomando ciência da verdade sobre tudo isso. Ter a revelação, a verdade d'Aquilo que é Você, que é a ciência de Deus, aquilo que os Sábios chamam de Advaita, a não separação, a não dualidade, a verdade dessa Realidade presente, que é a Real Vida, que é a Vida Divina. Fora esses encontros, nós temos encontros presenciais e, também, retiros. Portanto, se isso é algo que faz sentido para você, fica aqui o convite.

Março de 2025
Gravatá-PE
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