Aqui, nesses encontros, quando nós aprendemos a escutar, esse escutar é tão natural que nele não há qualquer resistência; e, nesse escutar, nós veremos que, nesse estado de escuta, uma transformação acontece, algo que ocorre dentro de nós mesmos. E é importante que se diga: não é algo que você realiza pelo seu esforço, da sua parte, mas é algo que ocorre de uma maneira natural.
Assim, nós precisamos aprender a ouvir em atenção, ou seja, sem qualquer resistência, sem a necessidade de entrar em acordo com o que estamos ouvindo ou discordando disso. Isso nos dá esse aprender sobre nós mesmos, quando aprendemos a ouvir ele ou ela dizendo algo, quando aprendemos a ouvir os nossos próprios pensamentos, quando aprendemos a ouvir a vida acontecendo.
Aprender sobre o Autoconhecimento é a coisa mais importante na vida. Em geral, nós não escutamos de verdade, pois sempre temos uma certa intenção, um certo motivo, um certo propósito, e isso denota a presença do esforço. A presença do esforço nos torna tensos e incapazes desta compreensão.
A compreensão é a revelação daquilo que aqui está presente, e isso não depende de um ato do próprio "eu". Reparem a importância disso. Para se compreender uma coisa é necessário escutar sem esforço, sem resistência qualquer inclinação, opinião ou julgamento, e isso não é algo simples; na verdade, é muito difícil, porque o nosso hábito, o nosso modelo psicológico é outro. E se não aprendermos a escutar, não teremos esse aprender sobre nós mesmos.
O nosso problema não é de como realizar essa mudança, esse contato com a Realidade da Vida. Quem irá realizar esse contato? De que forma poderei eu realizar isso? - essa não é a questão. Quando sabemos escutar sem qualquer resistência, algo acontece. É interessante expressões como "a energia de Deus"; quando pessoas usam essa expressão, elas se referem a algo que, de fato, desconhecem, mas afirmam com base em crenças, em conceitos, em ideias. Elas afirmam com base em conclusões intelectuais que elas têm, que elas trazem.
Aqui estamos lhe convidando a descobrir o que é escutar a vida acontecendo, então você saberá o que é esta Realidade surgindo, aparecendo, florescendo aqui, neste momento - eu me refiro a esta Realidade Divina. Expressões como "a energia de Deus", ou "a Realidade de Deus", ou "a Verdade de Deus", isso fica apenas no campo das ideias. Aqui nós precisamos é ter um contato real com a Verdade, um contato real com essa Realidade, um contato real com Aquilo que aqui está presente.
Assim, nós não precisamos de ideias, de conceitos ou crenças; na verdade, essa mudança ou transformação, nesse contato com esta Verdade, com esta Realidade, com Aquilo que é Supremo, quer nós chamemos isso de Energia Divina, de Realidade de Deus ou Verdade Suprema, é algo que acontece independentemente de qualquer ato nosso, pessoal, ou seja, consciente. Na verdade, essa mudança não pode ocorrer dentro dessa consciência do "eu", pela vontade do "eu".
O contato com essa mudança, com essa transformação, com essa Realidade é o fim dessa condição psicológica do "eu", é o fim desse modelo de consciência pessoal, algo novo aqui está presente. Então, aqui a pergunta é: como isso se torna possível? Como podemos passar por essa transformação, por essa mudança, independente de qualquer razão, motivo ou intenção da nossa parte? A resposta para isso é bem simples: descobrir diretamente o que é olhar, escutar, perceber, sem se envolver.
Repare, a resposta é básica é simples, mas a compreensão dessa resposta é algo que requer de cada um de nós algo além da vontade, do desejo ou desse querer. Não basta querer, ter vontade ou desejar, nós precisamos ter um contato real com esse momento, com esse instante, sem interferir com ele, para que haja uma compreensão. Então, sim, se torna possível compreender isso de uma forma direta.
Assim, essa nossa atitude precisa ser nova, uma atitude atenta nesse ouvir, nesse escutar, nesse observar aquilo que se passa dentro de cada um de nós, e também externamente. A nossa ênfase aqui consiste nesta descoberta, na descoberta deste aprender como a mente acontece, como ela funciona, como ela se processa em nós.
A princípio, o seu modo de olhar para a experiência é a partir de avaliações, comparações, aceitações e rejeições. É isso que nós precisamos aqui desaprender quando estamos lidando com o movimento interno dessa consciência do "eu". Esse movimento psicológico em nós, nesse condicionamento, nessa mente condicionada, prisioneira desse padrão, é fazer isso. Estamos constantemente avaliando, comparando, aceitando, rejeitando a partir de critérios do passado, a partir de ideias, e essas ideias nascem dessas memórias.
Essas memórias psicológicas em nós são a presença daquilo que não se concluiu, daquilo que não se completou. Se você está triste comigo, é porque está ofendido, magoado, aborrecido; isso está presente em mim, isso está presente em você. Estou constantemente criando contrariedades para você, aborrecimentos para você: é um hábito, é o modelo de ser alguém que eu tenho. Por sua vez, você tem o seu modelo de ser alguém, que é de ficar magoado, triste, aborrecido, com raiva de mim. É assim que nossas relações acontecem. Essas relações não são reais.
Não há um contato, não há uma comunhão, não há uma real comunicação entre nós. Ficamos cada um por detrás de um muro, vivendo no seu isolacionismo e tendo esses contatos centrados no próprio "eu", no próprio "ego" - assim são as nossas relações com as pessoas. E isso nos impede de ter um contato com a Vida sem conflito, sem sofrimento, sem desordem. Somos criaturas humanas confusas, desorientadas, carregadas de desejos e medos. Esse é o movimento desse "eu", desse "ego".
Portanto, essa transformação se faz fundamental em nossas vidas. Esse é o contato com essa Energia Divina, com essa Energia de Deus, com esta presença da Vida. Portanto, como encontrar Deus? Abandonando a ilusão dessa egoidentidade, abandonando esse padrão de comportamento centrado nessas memórias que não se concluíram.
Quando eu tenho um contato com você sem a imagem, sem a lembrança, sem essa memória psicológica do que você representa para mim, e do que eu acredito representar para você, nesse instante nós temos um contato com o momento sem o passado. Podemos nos permitir a vida sem essas memórias psicológicas que não se concluem?
Eu olho para você a partir do passado, você olha para mim a partir do passado. Eu olho para mim mesmo a partir do passado, eu vivo em alta autoestima, eu vivo em baixa autoestima. É a forma como o pensamento configura a imagem que eu construí sobre mim mesmo, é a forma como o pensamento configura a imagem que eu construí sobre você que sustenta esse nível de relacionamento, onde está presente essa qualidade de memória, que é a memória que não se concluiu, que é a memória que justifica a presença desse "mim", desse "eu", desse "ego".
Podemos assumir a vida sem essa qualidade de memória? - essa é a pergunta. Podemos lidar com o outro sem a ideia desse mim? - lidar com o outro sem a imagem que esse "mim", que "eu" tenho dele ou dela. É dessa transformação que estamos falando aqui. Esse é o seu contato com a Vida; esse contato com a Vida, sem o "eu", é a Revelação desse encontro com Deus.
Assim, como encontrar Deus? - a pergunta é essa. A resposta é, basicamente: livre-se do "eu", livre-se do "ego", livre-se da ideia do modelo do pensamento, do pensamento condicionado, do pensamento psicológico, do pensamento, que é basicamente registros do passado dentro das relações. Olhar para ele ou ela sem o passado - o que requer viver este momento permitindo que cada momento se conclua nesse instante -, isso é a morte da memória psicológica. É a memória do "eu" a continuidade desse nível de relação onde o conflito está estabelecido, se sustenta.
Assim, nos livramos da ilusão do "eu" quando, a cada momento, permitimos que o pensamento se conclua. Então não existe mais essa continuidade, que é a continuidade desse padrão de reconhecimento no futuro daquilo que o pensamento está trazendo do passado. Isso é o fim do tempo, quando permitimos que a cada momento e a cada instante o pensamento se conclua.
Quando estamos atentos às nossas reações, nesse observar como a mente funciona, nesse olhar sem a separação entre esse "eu" e o "não eu", que é o pensamento e o pensador, quando trazemos essa Atenção para esse instante, o pensamento perde essa relevância para essa identidade, que é o "eu", então ele não se estabelece como uma memória psicológica, como uma recordação, como um registro em nós, nessa mente e nesse cérebro.
Quando não há mais o registro, porque não há esta memória psicológica, não há mais essa continuidade nesse tempo. Assim, o seu contato com o momento, seja com ele ou ela, seja com a vida, não é mais o contato de alguém que está vindo do passado. Não há mais esse alguém. Isso requer que você descubra o que significa morrer para cada instante, para cada momento, do ponto de vista psicológico.
Quando não cultivamos mais a continuidade dessa imagem, dessa autoimagem, dessa pessoa, desse "mim", a Vida assume esse espaço como ela é. Até esse dado momento, o que nós temos feito nessa desatenção, nessa ausência da ciência de Ser - é aqui que entra a presença da Meditação -, é manter a continuidade desse movimento, que é o movimento do pensamento psicológico, que são essas lembranças boas e ruins que eu tenho dele ou dela.
O que é Meditação? Qual é a Realidade que se revela aqui quando a Meditação está presente? A Meditação, o que ela é? Ela é a presença desta Ciência de Ser, sem esse fundo psicológico, sem esse modelo de memória, de registros do passado. Olhar para esse instante, para esse momento, sem as conclusões, crenças e avaliações daquilo que se revela aqui e agora é se deparar com o que está aqui sem a ideia do que deveria isso ser, ou isso teria sido.
Deixamos o ideal, a crença, a opinião, o julgamento, a avaliação particular do pensamento, abandonamos por completo isso para ficarmos com a Vida, com o instante, com o momento, com aquilo que aqui está presente, e isso requer uma mente livre. Assim, a presença da Meditação não é alguém em uma determinada prática de meditação ou em um exercício de meditação, ou o que quer que você considere como meditação. A Meditação é simplesmente Ser, é olhar para aquilo que aqui está presente sem ideia, avaliação, conceito ou crença.
Seja a presença de um pensamento, de um sentimento, de uma emoção, seja a presença dele ou dela, ou de algo ocorrendo na vida, quando não colocamos esse sensor, esse "mim", esse "eu", esse elemento que vem do passado e que, pelos pensamentos, conclusões, opiniões e crenças faz leituras e assume conclusões, nós estamos diante do momento, sem o "eu", sem esse "mim". É quando a mente e o cérebro se aquietam.
Há uma qualidade de percepção, de olhar, de constatar o momento sem esse fundo, sem essa estrutura, sem essa base de condicionamento egoico, de condicionamento psicológico. Esta é a presença da Meditação. Quando ela está presente, aquilo que se revela aqui e agora é a Realidade de Deus.
Portanto, como encontrar Deus? Assumindo a Realidade do momento, sem a ideia do "eu". Esse é o seu encontro com a Vida, esse é o seu encontro com Deus, esse é o seu encontro com a Realidade deste Ser. Não é alguém tendo esse encontro; é este Ser, a Vida e Deus se Revelando. Isso requer a presença desse aprender sobre o Autoconhecimento, isso requer a presença da Verdade daquilo que aqui eu tenho chamado de Real Meditação de uma forma vivencial, ou seja, momento a momento.
Quando temos o fim do "eu", o fim do ego, o fim desse movimento que vem do passado, nos deparamos com a Vida, nos deparamos com a Realidade de Ser; e se Isso está presente, a Felicidade está presente, o Amor está presente, a Sabedoria está presente. Esta é a Real Realização.
É nisso que estamos aqui, com você, trabalhando. Nós temos dois dias, sábado e domingo, de uma forma on-line. Então, sábado e domingo estamos juntos. Além desses encontros on-line, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui esse convite.
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