sexta-feira, 31 de julho de 2020

Como ouvir a Voz de Deus?

Você tem que tomar consciência da Verdade, ou seja, ir além de suas crenças e de toda imagem que você faz de si mesmo e do mundo, somente então poderá se tornar total e completamente Livre. Quando você ora a Deus e Ele está muito distante, é como se Ele não estivesse ouvindo você. Não é que Ele não o esteja ouvindo, é que você não consegue ouvi-Lo. Esse é o mundo onde você vive, e é por isso que você precisa transcendê-lo: para poder, de fato, ouvir a voz de Deus.
Então, quando a Presença do Guru chega na sua vida, é para lhe dar a Visão da Verdade sobre quem Você é e sobre o que o mundo, de fato, é. Deus é a Verdade do seu Ser, porém, você não tem acesso a Ele, até que descubra como acessá-Lo aí dentro. Assim, esse misterioso Poder assume a forma do Guru e lhe mostra como acessar Isso aí dentro. O Guru silencia a sua mente e inclina o seu coração para a Verdade. Esse é o misterioso Poder da Presença de um Mestre vivo.
Todas as pessoas à sua volta são mundanas e toda inclinação delas é para o mundo dos nomes e das formas. Elas acreditam em tudo e seguem com a “manada”. Você sabe o que é uma manada de vaca? Se você separar uma vaca ou um boi da manada, eles ficam doidos para voltar. Separado, o animal fica perdido, sem saber para onde ir, porque ele perde a direção da manada. No ego, você é assim: ao se separar da “manada”, quer voltar para ela, porque se sente perdido.
Assim, a Presença do Mestre é para lhe dar uma outra perspectiva, outra visão, para tirar você da “manada”. É precioso Isso, ou não?
Quando você se senta em silêncio e começa a observar o movimento dos pensamentos aí dentro, percebe como a mente é cheia de lixo, que são as ideias preconcebidas, crenças, conceitos, uma quantidade enorme de entulho psicológico. Quando faz isso, você pode ouvir a voz de Deus, ver o rosto de Deus, e esse espaço que nós temos juntos, aqui, é para esse propósito. Como não pode lidar com Aquilo que desconhece, você tem que adquirir uma proximidade com esse movimento interno do “eu”. Ou seja, é impossível você ir além da mente sem se tornar cônscio do movimento dela. Se você não tem intimidade com esse movimento do próprio “eu”, como você pode soltar isso?
Agora, note o que estou dizendo para você aqui: não se trata de analisar o “eu”, pois isso os psicanalistas e os psicólogos fazem; trata-se, sim, de ver o movimento dele. O analista não está separado daquilo que ele analisa. Quando aquilo que é analisado surge, é analisado somente porque tem um analista presente. Então, os dois estão sempre juntos − analista e coisa analisada. É como o pensamento e o pensador − você não pode separar o pensador de pensamento, os dois aparecem juntos. Você não pode falar de um pensamento sem a ilusão de um “pensador”. Assim, se não há pensamento, não há “pensador”; se não há coisa analisada, não existe “analista”.
É como o medo − você não separa o medo daquele que sente medo. Aquele que sente medo está aí presente com o medo. Repare que não há separação. Quando não há medo, não existe “alguém” na experiência do medo; não existe o “medroso”. Também, quando não existe o pensamento, não há “pensador”, e, quando não existe nada para ser analisado, não existe “analista”. Então, o que é ouvir Deus e ver o Seu rosto? É estar fora da ilusão dessa dualidade: pensador e pensamento, analista e coisa analisada, medroso e medo. Portanto, quando o Guru chega, é para lhe mostrar a importância de estar nesse Espaço, que não é um “espaço”.
Agora, o primeiro passo, que talvez seja o último, é observar, conhecer essa mecânica. As pessoas perguntam: “Mas, quem vai se render?" Respondo que não existe quem vai se render. Quando há rendição, não fica “alguém”! Por isso que essas perguntas que as pessoas fazem, quando se aproximam deste trabalho, são completamente equivocadas. Elas dizem: “Como faço para parar de pensar?" É impossível parar de pensar! O pensamento para, mas você não faz o pensamento parar. Agora, para descobrir essa mecânica, somente se assentando em Silêncio e olhando para isso. Porém, não pegue isso de forma literal, como muita gente faz. Assentar-se em Silêncio não significa não poder comer, caminhar, trabalhar.
Aqui, quem está assentado em Silêncio é o próprio Silêncio, não é “alguém”. Se você acreditar que é “alguém”, vai colocar o seu corpo sentado e acreditar que realmente está em Silêncio. Então, assentar-se em Silêncio para conhecer essa mecânica é o Silêncio assentado e essa mecânica sendo conhecida. É bem interessante isso, porque você diz para mim assim: “Eu quero observar a mente”. Contudo, você não pode observar a mente, mas somente se confundir com ela. Quando há observação, não há mente. Você precisa ficar expert nessa questão da Meditação, que é esse “estar assentado em Silêncio”.
*Trecho de um Satsang intensivo online ocorrido no dia 16 de Maio de 2020 através do aplicativo Zoom. Para mais informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

quarta-feira, 29 de julho de 2020

8º - Vivendo sem conflito

Hoje é mais um dia para estarmos atentos a nós mesmos, para não sermos enganados pelos pensamentos com seus movimentos confusos e desorientados, pois quando eles estão no controle da nossa vida, refletem aquilo que são: perplexidade, medo, confusão e desespero. Isso está constantemente criando conflito em nossas relações com a esposa, marido, filhos, namorado, noiva, noivo, patrão, empregado, etc.
Sempre culpamos os outros, mas é preciso estarmos atentos. No começo, essa atenção sobre nós mesmos não é nada simples, requer um profundo amor à Verdade, um interesse ardente de não mais gerarmos sofrimento para nós mesmos nem para os outros. Observe o quanto isso não é simples na prática, pois por muitos anos temos sido condicionados, treinados a sermos agressivos, violentos, interessados apenas em nós mesmos, em nossos desejos e realizações.
Portanto, tenho dito às pessoas para que tenham paciência, muita paciência com todos à sua volta; esse é o passo número um. Elas estão viciosamente preocupadas consigo mesmas e, portanto, não são piores que nós em sua agressividade, possessividade e autointeresse. O passo número dois é termos paciência com nós mesmos. Não se puna, não se condene, apenas fique atento às suas reações. Agora, estamos trabalhando em nós próprios.
Lembre-se: você não pode mudar os outros, não está na cabeça das pessoas, no controle do que elas pensam ou sentem sobre você. Você só tem acesso a si mesmo, portanto, abandone essa ilusão de se preocupar com o que pensam ou o que sentem a seu respeito. Essa tem sido uma terrível doença generalizada entre nós, seres humanos, uma doença exclusivamente humana. Tenha certeza de uma coisa: o seu cãozinho de estimação nunca se preocupa com isso, é só observá-lo.
Portanto, abandone completamente a autopiedade e a autocomplacência. Assuma a responsabilidade por si mesmo, fique alerta às suas próprias palavras, aos seus próprios gestos e reações emocionais. Essa é a chave da mudança, da transformação que se faz necessária à nossa vida.
Essa atenção só é possível se aprendermos a observar o que se passa em nossa cabeça e coração. Assim, quando descobrimos, com paciência e através da experiência, que não precisamos ser vítimas ou um joguete desses pensamentos, podemos vivenciar nossa Real Natureza, Aquilo em nós que está muito além dessa limitação criada pelo "eu". Ali podemos descansar na Consciência da Presença de Deus e, então, ser Felizes e Livres... E Isso está aqui e agora!
*Este texto, escrito pelo Mestre Marcos Gualberto, compartilhando a visão do Sábio sobre a vida, foi veiculado pela primeira vez em 09 de outubro de 2010. Trata-se da oitava publicação deste blog, fazendo parte do acervo relativo aos primeiros anos deste trabalho, cujos textos, após terem sido mantidos offline nos últimos anos, serão republicados em série, de forma comemorativa pelos dez anos de criação deste blog, este que foi o primeiro canal da internet através do qual este trabalho tornou-se público. Para mais informações, acesse o nosso site, clique aqui.

domingo, 26 de julho de 2020

7º - Sonhar para quê? Para sofrer?

Aceitamos como real um modo superficial de vida. Dizemos: “É preciso sonhar!”. Todos dizem isso! Assim, estamos correndo atrás de superficialidades e dando a isso o nome de "meus sonhos". Isso ocorre porque nós somos condicionados a acreditar que nossos esforços fazem as coisas acontecerem, que sem eles nada acontece.
Será isso verdade? Já paramos para observar a vida e ver se é mesmo assim? Quantas tentativas fizemos, através das quais tanto nos esforçamos, mas que não deram em nada, e, por isso, nos cobramos, nos culpamos e somos condenados pelos outros? Dizemos a nós mesmos que não nos esforçamos o suficiente e que eles também não, que nós somos os responsáveis e que poderíamos ter feito um pouco mais e, assim, teria dado certo, teríamos conquistado… Mas realmente é assim a vida? Em contrapartida, quantas coisas levaram pouco ou absolutamente nenhum esforço nosso para chegarem às nossas mãos?
O que ainda não percebemos é que não somos nós que estamos no controle, determinando qualquer coisa em nossas vidas ou na vida das outras pessoas. É estúpido nos culparmos e também culparmos os outros por aquilo que nem nós e nem eles podemos controlar, determinar. Tem sido assim por acreditarmos nesse "eu" como o Senhor Supremo do nosso tão badalado destino e tão sonhado futuro.
Nós temos esses e outros tipos de crenças porque fomos treinados ou condicionados, como costumo dizer, a viver dessa maneira. Nunca nos perguntamos por que buscamos e o que realmente estamos buscando. Assim, temos essa contínua busca. Quando uma coisa chega, logo estamos à procura de uma nova. Você já percebeu quanto tempo dura uma satisfação ou o prazer de uma realização?
Só existem sonhos porque estamos dormindo. Essa é a natureza da mente: sonhar. Acreditamos que aquilo pelo qual lutamos poderá um dia nos trazer felicidade, e que a coisa mais natural na vida é desejar ser feliz. No entanto, a coisa mais natural na vida é ser Feliz, e Isso só é possível quando não há desejos.
O fato é que não precisamos de nada, absolutamente nada, para sermos Felizes. Somos profundamente Felizes quando, diante de um por do sol, o contemplamos com a sua vermelhidão, que, aos poucos, se esconde por detrás da montanha; ou quando presenciamos o nascer do sol na praia – assentados ali, vemos aquela imensa bola de fogo subir... silenciosa, imponente, trazendo luz e calor sobre tudo o que antes estava debaixo da escuridão.
Esses são extraordinários e indescritíveis momentos, momentos de Beleza, de Alegria sem causa. Diante daquela indescritível experiência, onde estava o "eu"? Em momentos como esses, onde estão os sonhos, desejos e buscas que nos causam tanta ansiedade, aflições e sofrimento?
Veja, o nosso Ser já é plenamente Feliz, nossa Real Natureza é Felicidade! Afinal, o que aconteceu naquela praia ou diante daquela montanha? É que descansamos por alguns segundos em nosso Ser, voltamos à nossa inocência.
Se não estamos vivendo essa Felicidade é exatamente porque estamos alienados do nosso Ser, de nossa Real Natureza, longe dessa inocência da nossa Natureza Verdadeira.
*Este texto, escrito pelo Mestre Marcos Gualberto, compartilhando a visão do Sábio sobre a vida, foi veiculado pela primeira vez em 08 de outubro de 2010. Trata-se da sétima publicação deste blog, fazendo parte do acervo relativo aos primeiros anos deste trabalho, cujos textos, após terem sido mantidos offline nos últimos anos, serão republicados em série, de forma comemorativa pelos dez anos de criação deste blog, este que foi o primeiro canal da internet através do qual este trabalho tornou-se público. Para mais informações, acesse o nosso site, clique aqui.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Quando o meu Mestre apareceu

Participante: “Que mágica é essa, Mestre querido, que nos faz querer rir de todos os nossos problemas aqui na sua Presença?”
Marcos Gualberto: Seus “problemas” não são problemas. Eles são suas imaginações, sua resistência, seu desacordo com a vida, uma quebra de contrato.
Quando você celebra um contrato de serviços, ele deve se dar por escrito, com assinatura e testemunhas. Isso existe somente nesse mundo de pessoas, porque pessoas são, naturalmente, infiéis, temperamentais, e elas quebram contratos.
Não sei se existe alguma profissão na qual se trabalha mais do que a jurídica. Os juízes estão sempre cheios de querelas, sempre mediando situações, porque as pessoas quebram contratos. Essa infidelidade é da natureza da mente. Então, os contratos terminam se tornando problemas. Na Existência, a quebra de contrato representa conflito. Agora mesmo, se você está vivendo alguma forma de conflito, é porque você está quebrando algum contrato. Se você quebra o contrato com a Existência, com a Vida, vivencia o conflito. Todo o seu sofrimento está baseado nesse princípio; é uma querela, uma demanda, é um choque com a Vida, com a Existência.
O meu trabalho aqui é lhe mostrar que todos os seus problemas são imaginários. Quando os pensamentos vierem até você, pergunte para quem são eles. Descubra a fonte dos seus pensamentos. É assim que se faz! “Quem sou eu? Qual é a fonte desse ‘eu’? Qual é a fonte desses pensamentos? De onde eu venho?” Assim, você perceberá que está na ilusão e, nela, a sua vida é cheia de problemas, porque está cheia de imaginação, de muitos pensamentos, ideias, crenças.
Descubra para quem esse “eu” aparece e, então, você descobrirá uma coisa maravilhosa: esse “eu” nunca existiu! Todos os seus problemas estão na imaginação. Você está contra a Existência, numa permanente luta, e essa é a causa do seu sofrimento, do seu conflito, com seus pensamentos e desejos: “Eu quero isso, não quero aquilo”; “Eu tenho certeza disso, não tenho certeza daquilo”.
No seu Ser, você é um Sábio, mas, na mente, você é estúpido, uma estúpida “pessoa”. Você não quer ser feliz! Você quer excitação! Você sabe que comer muito, comer errado, vai lhe fazer mal. Você vai ficar gordo, terá diabetes… Você não herdou essa doença, mas vai adquiri-la ao longo da vida porque os seus hábitos são prejudiciais. Então, o que você quer? A excitação! Você não quer ser feliz! Se quisesse ser feliz, não cedia à tentação de comer essas guloseimas que fazem mal. Portanto, na mente você é estúpido. Você sabe que vai lhe fazer mal e mesmo assim ainda pratica, ainda come, ainda faz. Então, o que você quer? É ser feliz? Não! Você quer excitação!
Isso vale tanto para a alimentação quanto para relacionamentos, de todos os tipos. Você sabe que estão lhe fazendo mal, mas quer a excitação, não quer a Felicidade. Você sabe que fumar vai matá-lo, mas, mesmo assim, a excitação de fumar é mais importante do que não morrer, até que a hora da morte chegue. Você sabe que comer de forma errada vai matá-lo a curto, médio ou longo prazo, mas você quer a excitação de comer errado, e prefere isso ao perigo da doença e da morte. Chega um momento em que você adoece, vai para um leito de hospital, vê que pode morrer por causa daquilo, aí vai orar a Deus.
Você vem ao meu encontro e diz: “Aqui é tudo diferente”. Claro que é, porque eu não vivo na ilusão. O que o atrai a mim é a sua percepção de que eu não vivo nesse modelo. Você está num sonho, mas ele já se tornou um pesadelo, e eu quero ajudar você a acordar. Somente quando você acorda, o sonho termina, e, quando ele termina, a Felicidade está presente. Olhe para mim, escute a minha voz, ouça o meu silêncio... Sabem o que é isso? São sinais! É o perfume da Felicidade! Por quê? Porque vivo sem imaginação, sem quebra de contratos! Estou em acordo completo com a Vida, com a Existência, e, quando se está nesse ponto, nada falta!
É exatamente o oposto da vida no mundo da mente, dessa egoidentidade, onde você deseja muito e não tem nada. Fora do ego, você nada deseja e tem tudo! Você quer o mundo e ele lhe é negado. Você vive numa luta constante para conseguir coisas do mundo, mas tem medo de perdê-las. Então, você vive desejando e tendo medo, mas, quando acorda, isso muda. Olhe para mim! Eu queria Deus, a Verdade, queria esse Amor, essa Paz, essa Alegria, essa Felicidade que eu vivo hoje. Deixei o mundo à minha volta acontecer, sem me envolver com ele. Deixei de imaginá-lo, parei de quebrar o contrato com a Existência. É assim que acontece esse encontro de você com Deus, com o seu Ser, com o seu Coração, quando então você não deseja mais nada do mundo, não tem mais medo de nada no mundo, mas tem tudo o que precisa. Na realidade, você tem muito mais do que precisa, mas nada disso produz medo ou conflito.
Você vê a foto aqui atrás [o Mestre aponta para o quadro de Ramana Maharshi]? Eu queria encontrar Cristo e Ele veio, na forma do meu Mestre, falar comigo sobre Deus. Quando eu era criança, disseram-me que Cristo estava no céu, ao lado direito de Deus, assentado num trono muito grande e que, se eu falasse com Ele, conseguiria uma vida de felicidade, sem conflito, sem sofrimento, sem problema. Assim, fui falando com Ele, cresci falando com Ele, e, quando tinha vinte e quatro anos, Ele me ouviu e apareceu para mim na forma do meu Mestre.
Lembro que, naquela época, havia um conflito interno entre a imagem que eu tinha de Jesus, como me ensinaram na igreja, e o meu Mestre, que falava ao meu coração, que tinha olhos que me tocavam profundamente. Porém, foi uma questão de clareza interna acontecendo, porque, se eu estava orando a Deus, não poderia ser o diabo que estava aparecendo para mim; se o meu desejo de infância — e cresci nesse desejo — era parar de viver pecando, fazendo coisas erradas, sentindo dor e produzindo dor à minha volta, não era possível que essas orações estavam, agora, sendo respondidas pelo diabo. Outra coisa: quando o meu Mestre apareceu, os seus olhos tinham um brilho e o seu Silêncio tinha uma voz. Era um Silêncio, mas com uma voz… Era como uma música, trazendo algo para mim que nada nesse mundo poderia trazer, então, não poderia ser do diabo, não poderia vir do mal, só poderia ser uma resposta divina para mim.
Quando Ele me encontrou, eu fiquei mais leve, e não mais pesado. Fiquei tão leve que, a princípio, não precisava mais ficar lendo tanto a Bíblia, porque a “Coisa” já estava vindo para mim, de dentro de mim. Quando eu olhava para Ele, a certeza estava lá! E sabe qual era essa certeza? “Ele me ama! Ele me compreende! Ele me aceita! Quando eu estou com Ele, tudo fica diferente”. Como um de vocês escreveu agora, aqui: “Que mágica é essa, na sua Presença, que faz com que tenhamos vontade de rir dos nossos problemas?”
Isso aqui inclina o seu coração para o Silêncio, para a ausência do desejo e do medo. Aqui, você não tem nenhum contrato para quebrar.
* Transcrito a partir de uma fala em um encontro intensivo online, no dia 16 de Maio de 2020 – Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Desidentifique-se da mente!

Este encontro é mais uma oportunidade para a autoinvestigação. Trata-se de um convite da Consciência para a Consciência. Não é um convite para a mente, pois ela não pode conhecer nada.
Nós temos um tipo de consciência objetiva e, mesmo ela, não é a mente conhecendo alguma coisa. Como a mente não pode conhecer nada, ela não pode se convidar para essa investigação, pois ela é somente mais um objeto. Então, o que nós chamamos de “consciência objetiva” é apenas uma percepção dessa Consciência, que não pode ser definida ou limitada. A mente, sim, está dentro desse limite do conhecimento e da experiência. O que nós investigamos, nesses encontros, nesse convite da Consciência, é o movimento da mente.
Portanto, esse convite é da Consciência, na Consciência e para a Consciência. Tudo aquilo que pode ser, aparentemente, conhecido pela mente é um conhecimento nessa Consciência. A mente é apenas um elemento de percepção, e tudo que ela pode fazer é perceber sua limitação, o que ocorre através dessa investigação da Consciência. Então, na verdade, essa Consciência traz para a mente a percepção de que ela é limitada.
O que podemos dizer é que a mente pode explorar a sua limitação, e é isso que acontece nessa autoinvestigação: você percebe o quanto, na mente, esse sentido do “eu” é limitado, o quanto essa percepção e esse conhecimento são limitados. Então, isso é a única coisa que você pode descobrir dentro dessa autoinvestigação. Eu vejo isso de uma forma muito simples. Não sei se você consegue ver o quanto é simples a mente perceber sua própria autolimitação, suas crenças, imagens, seus conceitos, sua noção de futuro e passado.
Toda experiência do campo da mente é de percepção, porém, a sua Natureza Verdadeira, que é Consciência, está além da mente e de sua percepção. Essa constatação, por meio da autoinvestigação, consegue fazer com que a mente seja desconectada desse movimento de identificação com a experiência, da imaginação de ser uma “identidade”.
Durante toda essa percepção da mente, há algo além dela: a Realidade, que não precisa ser esquecida, mas é o que acontece quando não há atenção sobre esse movimento da mente. O homem comum está dentro desse autoesquecimento, porque está nessa identificação com a mente e com o que ela percebe. Então, isso passa a ser ele, sem ser, e essa Consciência fica travestida de pessoa. Agora, essa Clareza, o Despertar ou a completa Visão da Verdade é sempre um Mistério.
Isso é como você se olhar no espelho e dizer: “Sou eu!”. Agora, esse “sou eu” tem um significado inteiramente diferente do que a mente conhece, é algo inteiramente desconhecido, um grande Mistério. Esse Autorreconhecimento é chamado de Despertar ou Iluminação, que é a Compreensão de que a experiência e a ação não são suas, de que o pensamento, o corpo e o mundo não são seus, nem são O que Você é. Nós permanecemos Naquilo que somos quando a mente, o corpo e o mundo não têm mais importância. Em seu Natural Estado de Ser, que é Meditação, você simplesmente se permite pensar, sentir, perceber e experimentar, momento a momento, sem a ilusão de que “você” está aí, controlando, movendo, mudando e fazendo isso acontecer. Tudo isso apenas está acontecendo.
Quando não há um trabalho sobre si mesmo, você se confunde com esse pensar, sentir e perceber aparecendo, que você chama de “eu” − aqui está a sua identificação com uma imaginação. Você imagina uma sala, pessoas nessa sala, situações e coisas acontecendo, e isso sendo percebido, visto, analisado e entendido por uma “testemunha”. A mente diz que você é essa “testemunha”, mas isso é um truque, é somente uma percepção da própria mente, pois não há nenhuma testemunha aí. Há apenas esse movimento, biológico e funcional do cérebro, do corpo e dos sentidos nessa experiência. É muito fascinante isso!
A Consciência não participa disso, dessa ilusão. A participação Dela é como a base de tudo, mas não tem aí uma “pessoa”, uma “testemunha”. Ela é somente a base desse fenômeno impessoal. Tudo que aparece é somente um fenômeno impessoal dessa Consciência, nessa Consciência, para a Consciência. Então, mesmo a experiência que você chama de “medo” não está acontecendo para a “pessoa”, mas sim para um padrão de condicionamento psicológico. A sua Natureza Essencial não vivencia o medo, e sim a mente. Como você se confunde com a mente, nessa imaginação, aí está “você” com medo.
Existem pessoas inteligentes, não inteligentes, saudáveis, doentes, felizes, infelizes, altas, baixas, gordas, magras, mas isso é somente um fenômeno impessoal da Consciência, pois essas pessoas, essas formas, não carregam identidades separadas. Pessoas de todos os tipos estão dentro de uma sala, mas não tem nenhuma “pessoa” ali, porque tudo é somente um fenômeno nessa Consciência.
Consciência é O que nós somos. Assumir a sua Natureza Verdadeira é desfrutar do Amor, da Paz e da Felicidade, e não mais se confundir com o corpo, com a mente e com o mundo. Esse é o objetivo! Assim, nós permitimos tudo ser como é. Quando você permite tudo ser o que é, Você é O que é! Quando você se confunde com a mente, briga e não permite tudo ser o que é, as coisas serem como são, você está identificado com a ilusão de um falso “eu”, então, você é miserável, infeliz.
Você, em seu Ser, não pode ser infeliz! Fora do seu Ser, você sempre será miserável, haverá sempre essa luta contra a Verdade presente, aqui e agora, essa Verdade impessoal, na qual não existe “você” para controlar, opinar, julgar, comparar, avaliar, aceitar ou rejeitar.
Porém, a mente é teimosa, o ego é muito teimoso. É isso que diferencia o Sábio do tolo, o homem Realizado daqueles que não assumiram a Verdade sobre si mesmos: o tolo acredita existir e possuir o controle; o Sábio sabe que ele não está ali, não há o que controlar e “alguém” que possa controlar qualquer coisa. Então, um está relaxado em seu Ser e Feliz, e o outro está em sua mente, tenso e miserável.
E você? Onde você está nisso? Como você pode relaxar na Felicidade, na Paz e na Liberdade presentes aqui e agora se está no movimento de revolta contra o que a Vida apresenta, aquilo que Ela mostra, que é implacável, inexorável?
Então, a mente é essa série de conceitos e crenças aparecendo e assumindo um falso lugar. Olhe para isso de perto e se desidentifique da mente! Valeu pelo encontro! Namastê!
* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online, na noite do dia 23 de Março de 2020 – Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

quarta-feira, 15 de julho de 2020

6º - Descobrindo a Real Liberdade

No que diz respeito à nossa Real Liberdade, temos conduzido nossas vidas sempre dessa maneira: perdidos, vagando sem direção.
O fato é que onde não há Paz e Liberdade, não existe Felicidade permanente. Nossos breves momentos de alegria são circunstanciais, assim, somos também jogados para o outro lado do pêndulo, para a tristeza. Estamos perdidos nessa dualidade de prazer e dor, alegria e tristeza. Não há Silêncio em nossa mente e coração. Somos como dados no jogo das circunstâncias, lançados de um lado para o outro, à mercê de qualquer probabilidade.
A verdade é que não há aceitação da vida como ela é, com os seus desafios, então, a inadequada resposta que damos nesses momentos nos coloca em terríveis sofrimentos. E por que essas respostas são inadequadas? Porque estão baseadas nessa entidade chamada "eu", aquilo que alguns chamam de "ego". Essa entidade não existe, é uma ficção que tem sua base de vida apenas no pensamento. É aquilo que a Bíblia chama de "velho homem" ou "velha criatura".
O que estamos dizendo é que é possível uma vida inteiramente diferente, acima das circunstâncias, além da dualidade, ou seja, além dessa alegria em tempos "bons" e tristeza em tempos "ruins".
Quando esse "eu" desaparece, nessa Realização de Deus, não há mais dualidade e o sofrimento termina. Mas, para Isso ser descoberto e realizado, requer-se um coração dedicado à investigação da Verdade; não em letras de livros ou palavras, por mais bonitas e sábias que nos pareçam, mas em nós mesmos, no claro percebimento do que não somos e, assim, na clara Visão de quem realmente somos.
Podemos ser livres a ponto de nunca mais sofrermos por nenhuma situação, acontecimento ou pessoa. Isso pode parecer bom demais para ser verdade, mas quero lhe dizer que isso é realmente muito bom e é a pura Verdade! Alguns já vivem desse modo e, embora sejam uma pequena minoria, estão fazendo uma grande diferença neste mundo de ignorância e sofrimento. Você quer aprender a viver assim? Isso só é possível no espelho, pois ele revela o nosso rosto.
A vida é esse espelho, com todos os seus desafios, situações, acontecimentos e pessoas com quem nos relacionamos. Assim, descubra como estar atento! Não ignore, não se afaste ou despreze esse espelho, pois a vida é uma dádiva de Deus.
*Este texto, escrito pelo Mestre Marcos Gualberto, compartilhando a visão do Sábio sobre a vida, foi veiculado pela primeira vez em 07 de outubro de 2010. Trata-se da sexta publicação deste blog, fazendo parte do acervo relativo aos primeiros anos deste trabalho, cujos textos, após terem sido mantidos offline nos últimos anos, serão republicados em série, de forma comemorativa pelos dez anos de criação deste blog, este que foi o primeiro canal da internet através do qual este trabalho tornou-se público. Para mais informações, acesse o nosso site,  clique aqui.

sábado, 11 de julho de 2020

5º - Deus como o “Eu Sou”

Durante muitos anos da minha vida, segui o padrão comum da busca de Deus. Eu fui criado em um ambiente como a maioria das pessoas, sendo treinado para falar sobre Deus como se O conhecesse. Contudo, não se conhece Deus através de palavras, conceitos e crenças, que nada mais são que afirmações verbais.
Estamos dispostos a defender qualquer imagem mental como realidade, colocando-a no lugar da própria coisa: a ideia do marido no lugar do marido; da esposa no lugar da esposa; dos filhos no lugar dos filhos... Assim também fazemos com a ideia ou a imagem de Deus, tomando-a como o próprio Deus. Então, ensinam-nos a crer, a aceitar as imagens mentais no lugar da coisa em si.
Dessa forma, ficamos limitados a crer, a novamente crer, e, depois, a crer outra vez, em uma coisa atrás de outra: doutrinas, crenças, filosofias, conceitos... Temos nossas cabeças cheias de imagens, acerca de tudo, e nada conhecemos realmente de primeira mão. Por essa razão, estamos vivendo uma vida superficial, estreita, confusa e profundamente contraditória.
Apesar de termos todas as teorias e palavras sobre como viver uma vida em paz, em amor, em liberdade e em felicidade, na verdade, não vivemos isso. Os anos passam e, com eles, a nossa capacidade física, mental e emocional, mas continuamos afirmando coisas que realmente não vivemos, não conhecemos. Dizemos uma coisa, pensamos outra e fazemos uma outra. Pura contradição! Ou seja, somos teóricos, criaturas verbais, cheios de respostas teóricas para tudo e, ainda assim, estamos confusos.
A pergunta é: podemos nos livrar inteiramente de todo esse padrão condicionado de viver? Podemos nos livrar de todas as teorias, crenças e conceitos para entrarmos em uma Visão Direta de Deus? Esse modo de dizer nos coloca em um terreno perigoso, o terreno da crença, no qual podemos pisar novamente e aceitar um “eu” capaz de enxergar um Deus separado dele, para que, depois, possa carregar essa imagem, falando Dele para todos.
No entanto, todos aqueles que têm tido esse Encontro Real falam como Moisés diante de faraó: “Eu Sou me enviou a vós”. Uma Vivência Direta com Deus destrói todas as teorias, crenças e, naturalmente, todas as imagens. Todas elas fazem parte da memória e, portanto, do pensamento, daquilo que pode ser descrito pelo pensamento, sendo, assim, limitadas. Todas as descrições são limitadas, porque todos os pensamentos assim o são.
Moisés disse que aquele que vê Deus, morre. Portanto, quando o “eu” desaparece, Ele aparece como “Eu Sou”; como Silêncio, Amor, Bem-Aventurança, Realização e Paz.
*Este texto, escrito pelo Mestre Marcos Gualberto, compartilhando a visão do Sábio sobre a vida, foi veiculado pela primeira vez em 05 de outubro de 2010. Trata-se da quinta publicação deste blog, fazendo parte do acervo relativo aos primeiros anos deste trabalho, cujos textos, após terem sido mantidos offline nos últimos anos, serão republicados em série, de forma comemorativa pelos dez anos de criação deste blog, este que foi o primeiro canal da internet através do qual este trabalho tornou-se público. Para maiores informações, acesse o nosso site,  clique aqui.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Algo fora do tempo, do conhecido e que está além do limite da mente

Se você se depara com uma imagem diante de um espelho, nunca duvida de que ela é apenas um reflexo. Você não acredita que tem alguém dentro daquele espelho, olhando para você. É muito claro que é somente um reflexo, uma imagem, e que isso não é você. Porém, a mente, aí dentro, vê tudo de uma forma diferente.
Então, o que estamos investigando aqui? Estamos apenas nos tornando cientes de que uma imagem é apenas um reflexo, não representa a Realidade. Isto aqui não é um curso, em que você aprofunda o seu conhecimento. Este Trabalho não é de crescimento, nesse sentido. Isso porque o Ser não se aprofunda, a Consciência não se aprofunda. Quando falamos de Consciência e de Ser, estamos falando de Algo fora do tempo, do conhecido, que está além do limite da mente.
Você não pode imaginar uma rosa ou uma orquídea, em sua expressão, tornando-se mais profunda, ou seja, tornando-se mais do que ela já é, em sua manifestação de flor. Ali está a flor: simples, bela, natural... Ela não pode ser mais bela do que já é, ou complexa, ou não natural. Sua Natureza Divina, sua Natureza Essencial, carrega a marca da Eternidade, da Atemporalidade, do Desconhecido. Você, em seu Ser, já é essa Consciência e está além do tempo.
Você escuta essas palavras e pode até perguntar se elas são verdadeiras, mas não se trata de serem verdadeiras ou falsas. Nada é verdadeiro ou falso. Assim, eu faço a pergunta e lhe dou a resposta: nenhuma palavra é verdadeira. Aqui, não se trata de verdadeiro ou falso, pois, quando lidamos com palavras, estamos lidando com um apontar; é uma seta no meio da estrada.
É como quando você vem dirigindo seu carro e, ao chegar em uma encruzilhada, tem a felicidade de encontrar uma seta indicando para a direita ou esquerda. Então, palavras aqui funcionam como essa seta na encruzilhada; não são verdadeiras nem falsas, são apenas indicações. Você terá que descobrir se elas estão dizendo algo para você ou não. Esse passo na direção dessa dimensão da Verdade, da Sabedoria, é um passo na incerteza. Isso carrega uma grande beleza, porque você precisa de confiança, de rendição, daquilo que é chamado de “fé”, até você saber por si mesmo. Na verdade, esse Saber é adentrar o Desconhecido, que é o Não Saber.
Tudo bem? Podemos continuar ou fica como uma introdução? Aliás, todas as nossas falas são assim, elas nunca dizem algo, fica sempre um capítulo em aberto. Isso aqui é uma novela que não termina. Você se depara com essa seta na encruzilhada, que diz: “Tudo é ilusão”. Então, para entender a ilusão, é necessário um pouco mais de ilusão.
Participante: Aqui a seta diz “volte”; não é para direita nem para a esquerda.
Marcos Gualberto: Este Trabalho é surpreendente! Como a Verdade é fascinante! Quanto mais você se aproxima, mais percebe que não há distância, então, nunca sabe se Isso está perto ou continua longe.
Participante: A sensação é que está longe.
Mestre Gualberto: A mente diz que está longe. Então, eu chego e lhe mostro essa seta, essa indicação, e nela está escrito: “Tudo é ilusão!” Para entender essa ilusão, é necessário um pouco mais de ilusão. Você pode perguntar: “Afinal, o que você está dizendo? O que é isso que acabou de falar?” Vocês acham que podem chegar aqui e ter a Verdade. Não podem! Podem chegar aqui e ter um pouco mais de ilusão, que será colocada sobre a mesa para ser servida. Um pouco mais de ilusão para você deixar a ilusão. Vocês realmente não acreditam, mas podem acreditar que eu estou dizendo a Verdade. Contudo, se algo é falado, não é a Verdade. Se algo pode ser expresso, é algo dentro do tempo, dentro do conhecido.
Então, o propósito aqui não é encontrar, nessas palavras, a Verdade. O propósito nesse encontro é ter a constatação da Natureza da Verdade, que é o Desconhecido. Assim, Ela não está no tempo, não está nas palavras. Sinto muito... Por isso é que minha ênfase está na Meditação e não no estudo. Eu poderia pedir a vocês que estudassem o Vedanta, os Upanishads (livros sagrados da Índia), a Bíblia, os filósofos gregos, o Curso em Milagres, ou algum outro livro, outra escritura, mas a Verdade não está ali, não está na palavra, não está no que é dito.
Então, quando digo que esse aqui é um encontro onde, para se ver a ilusão, é necessário um pouco mais de ilusão, estou dizendo que essas palavras ou esse encontro com o professor, que a gente chama de Guru ou Mestre, é algo que também ocorre dentro dessa ilusão. Esse é como um encontro em um sonho, no qual uma pessoa lhe comunica muitas coisas. Aí você acorda e descobre que tudo o que ela disse tinha relação com o sonho, servia somente para dentro do sonho. Ou seja, ela estava dentro do sonho falando coisas sobre o sonho. Aqui estamos fazendo algo parecido com isso.
Participante: Aquilo que o senhor está dizendo comunica algo e para tudo.
Marcos Gualberto: Sua observação é interessante. Não é aquilo que é dito, mas é de onde vem essa fala, essa comunicação. Daí a beleza e a importância desse espaço chamado Satsang, que é o encontro com a Consciência, na forma do professor, do Mestre. Isso é Algo fora da mente sendo colocado numa linguagem de dentro da mente. A fala está dentro da mente, e a Realidade está além dela. Então, encontrar o Mestre é aceitar o ensino no “sonho”. Isso ainda está dentro da ilusão, mas há um encontro. Por isso eu disse que, para compreender Aquilo que está fora da ilusão, é necessário um pouco mais de ilusão, para que você aplique isso em si mesmo, investigue essa questão do “conhecimento” e, passada essa fase, atravesse essa ilusão.
Assim, as palavras nunca traduzem algo essencialmente verdadeiro, mas são uma forma de você, como aspirante à Realização, investigar em si mesmo o que é dito e ir além disso. Elas são úteis? Sim, são úteis. Mesmo estando dentro da ilusão? Sim. Porém, elas ainda estão dentro da ilusão, eu sei, por isso não são, em última instância, verdadeiras. Contudo, havendo esse acolhimento, essa confiança e aceitação desse “ensinamento” do Guru, do Mestre, em razão da fé e dessa confiança, um Trabalho real pode acontecer. Vocês compreendem isso?
Então, apesar de não estarmos lidando com a Verdade nas palavras, essa Autorrealização ocorre, e, a partir desse momento, o ensinamento do Guru, do Mestre, não é mais necessário. Isso porque, agora, você sabe que nenhum desses ensinamentos eram verdadeiros, mas você precisou da “canoa” para atravessar o “lago”. Depois que atravessa o lago, você não pega a canoa coloca nas costas e sai com ela, pois já atravessou o lago. Compreendem isso? Esse “lago da ilusão” requer “a canoa da ilusão”. Depois que se está na outra margem, percebe-se que não há lago, portanto, não existe margem do lado de cá e do lado de lá, e não existe canoa.
Essa é a beleza da Presença do Guru, do Mestre. Somente ele pode lhe mostrar a Verdade de que ele não é real, que qualquer conclusão sua sobre isso será falsa, ainda baseada na mente. Alguns vivem nesse debate: “A Presença do Guru é necessária ou não? Ela é Real ou não”? Eu concordo com eles quando dizem que não é necessária, mas, dentro da minha visão, não é necessária apenas quando não há mais ilusão. Enquanto a ilusão estiver presente, toda forma especial de ilusão se faz necessária. Existem ilusões e ilusões: ilusões especiais ou especializadas (vamos colocar assim) e ilusões não especializadas.
Ilusões não especializadas são ilusões da vida mundana. A ilusão especializada é aquela da inclinação do coração do devoto para o encontro com o Divino. Ainda é uma ilusão, mas é uma ilusão que somente a Graça Divina pode revelá-la como tal. Antes disso, qualquer conclusão é mera especulação intelectual e, portanto, egoica. Então, nesse sentido, eu concordo com os que dizem que o Guru é necessário, como Ramana dizia. “O Guru sempre será necessário”, Ramana dizia.
Aqui é necessário você estar diante da revelação do Sábio, da Consciência, da Presença, Daquilo que está fora do tempo psicológico, da mente psicológica, dessa egoidentidade. O Guru é essa Consciência se expressando em uma forma visível e audível, dentro desse “sonho” de mundo, no qual você acredita viver como uma pessoa. Tudo isso termina quando a ilusão termina. Quando se chega na outra margem, descobre-se que não há lago, nem margem, nem canoa, nem ensino, nenhum Guru! Tudo era somente um sonho e terminou!
* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online, na noite do dia 11 de Maio de 2020 – Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

4° - Deus Agora!

Ficar quieto e, ao mesmo tempo, alerta a tudo o que se passa no exterior e no interior de nós mesmos, é a chave que abre a porta para o momento presente, e é neste momento presente que Deus se mostra.
Por termos sido, desde pequenos, ensinados a acreditar que a busca de Deus pode ser realizada pelo pensamento, aqui estamos nós, presos aos conceitos intelectuais e sentimentais que as religiões nos impuseram, dando-nos um falso sentimento de encontro com Deus, que nunca aconteceu de fato.
O que não nos disseram é que podemos vivenciar diretamente Deus, de uma forma simples e natural, sem esforço ou qualquer busca dessas que o pensamento idealiza.
Não há nada a ser encontrado no futuro! Se aquilo que o pensamento persegue pode ser encontrado, isso também pode ser perdido, assim, não vale a pena ser buscado.
O fato é que o pensamento, isso que falsamente chamamos de “minha mente”, é limitado; é apenas um conjunto de imagens correndo na cabeça, ideias que nos foram dadas desde a infância sobre Deus.
Para uma criança, a resposta para a pergunta “Por que as árvores são verdes?” é muito simples, mas nós achamos que não temos essa resposta e, por isso, vamos consultar os especialistas, que são os cientistas. Então, repetimos para a criança o que eles nos dizem – “Meu filho, as árvores são verdes porque possuem clorofila” –, embora nós mesmos não saibamos completamente o significado que a ciência confere a esta palavra. No entanto, a resposta verdadeira seria: “As árvores são verdes porque são verdes!”.
Assim como a cor das árvores, Deus é uma vivência direta. A cor é uma experiência direta dos sentidos, que nenhuma explicação intelectual pode substituir, assim como a vivência direta de Deus. Deus é este Eterno Agora! Não estamos falando acerca dos eventos e acontecimentos que ocorrem agora, mas da indescritível Consciência do Agora, desta Presença, algo que todos nós experimentamos quando somos tocados no coração, em alguns momentos, como quando estamos diante de um quadro, de um belo cenário, do sorriso de uma criança, da imensidão do mar, contemplando um pôr do sol, ou quando temos a visão de uma paisagem pela janela de um ônibus de viagem, quando olhamos o campo coberto de orvalho em uma manhã fria e sentimos os primeiros raios de sol entrando através da janela…
Quando há Silêncio em nossa mente e coração, sentimos o Despertar da Beleza do Agora, onde está essa Coisa sem nome, sem forma, sem definições. Deus é assim, tão simples e natural, mas não pode ser encontrado pelo pensamento, porque não está no campo da mente.
Estamos perdidos quando estamos presos ao tempo, que é algo criado pelo pensamento. O tempo nos ilude dizendo que amanhã teremos um encontro com Deus. O pensamento, em sua ânsia de resposta, satisfação e segurança, está sempre ocupado com as suas pequenas coisas, criando assim os chamados “passado, presente e futuro”. No entanto, o único momento é este, o Agora!
Quando saímos da prisão da ficção do tempo, não há pensamentos, não há mente, não há conflitos, desejos, temores ou qualquer tipo de sofrimento, mas apenas a Verdade da Presença deste Eterno, do Eterno Agora, onde Deus se revela.
*Este texto, escrito pelo Mestre Marcos Gualberto, compartilhando a visão do Sábio sobre a vida, foi veiculado pela primeira vez em 05 de outubro de 2010. Trata-se da quarta publicação deste blog, fazendo parte do acervo relativo aos primeiros anos deste trabalho, cujos textos, após terem sido mantidos offline nos últimos anos, serão republicados em série, de forma comemorativa pelos dez anos de criação deste blog, este que foi o primeiro canal da internet através do qual este trabalho tornou-se público. Para maiores informações, acesse o nosso site, clique aqui.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Você é essa Absoluta Consciência

Temos mais essa bela oportunidade de estarmos juntos neste encontro, dentro desta Presença, desta Visão, deste Fundamento necessário, onde todas as coisas acontecem, tanto a ausência quanto a presença de consciência, tanto o acordar quanto o dormir e sonhar. O Fundamento de toda experiência é a sua Verdadeira Natureza, que é a Natureza Divina de toda manifestação.
Estamos aqui diante desse único, real e necessário Fundamento, que alguns chamam de Consciência, onde reside a Liberdade. Na mente, temos a prisão de uma falsa identidade, de um personagem ilusório − um prisioneiro de uma prisão, também, imaginária. Entretanto, temos o Fundamento de tudo, e é Nele que a Liberdade reside. Sua Natureza Real é Consciência! Esse é o Fundamento!
Vocês não são essa aparência, por exemplo, de um metro e sessenta e cinco, um metro e setenta e cinco, um metro e oitenta e dois, um metro e cinquenta, etc. Você é Aquele para quem as aparências surgem, e olhar isso de perto é algo fascinante! Vendo isso, você pode soltar todas essas rotulações que faz de si mesmo, como de uma “boa pessoa”, uma “pessoa ruim”, uma “pessoa traumatizada”, uma “pessoa infeliz”, uma “pessoa inteligente”, dentre outras. Então, vendo isso, você pode soltar todos esses rótulos, que são ideias, imagens, crenças, conceitos. A mente está cheia de conceitos! Você é Aquilo onde tudo isso aparece! Esse termo “Consciência” é um belo indicador do seu Estado Natural, porém, como temos falado em nossos encontros, você não pode confundir Consciência com estar consciente.
Algumas vezes, você pode estar consciente, outras vezes não, por isso não pode confundir esse estado com Consciência. Algumas vezes, você confunde estar consciente com estar identificado com imagens que o pensamento produz, e isso é estar em uma forma sutil de “sonho”, em devaneio, o que significa estar muito longe da Consciência. Quando está em devaneio, você está nessa flutuação da imaginação, em um “estado de sonho” sutil, no qual o corpo está acordado, mas a mente está produzindo esse “sonho”. Esses estados são todos da mente, os quais chamamos de “estados de consciência”, mas a Consciência real não conhece nenhum estado.
Essa Consciência, às vezes, é chamada de “Eu”. Assim, quando usamos a expressão “Eu Sou”, podemos estar nos referindo a essa Presença, entretanto, quando você faz essa afirmação, pode estar confundindo isso com um estado da mente. Também é assim quando você diz: “Estou dormindo”, “Estou sonhando”, “Estou imaginando”, “Estou sentindo isso”. Então, essa realidade da Consciência, que é o real “Eu Sou”, e o ego, que é o sentido de “pessoa”, não são a mesma coisa. O ego é essa noção de ser uma pessoa, uma entidade baseada nessa identificação de si mesmo com o corpo e a mente, ou com essa personalidade e seus vários rótulos (“pessoa boa”, “pessoa má”, “pessoa infeliz”, “pessoa feliz”) . Enquanto isso, esse “Eu Sou” − sua Condição Real, Natural − é algo anterior a essa imaginação de ser “alguém”.
No fundo, você sabe que pode testemunhar o que se passa em sua cabeça sem, necessariamente, identificar-se com isso. Portanto, essa identificação não é uma condição necessária, é apenas habitual, viciada, algo que vem da prática repetitiva de se identificar com histórias mentais, com pensamentos. Você pode se desidentificar de uma imagem, mas o ego é muito sutil e se segura em outra imagem, ou seja, troca uma imagem por outra, somente. Viver nessa condição de identificação com o que a mente produz não é algo fundamentalmente essencial, necessário; é algo dispensável. Você pode descobrir como dispensar essa identificação com a falsa identidade, e trabalhar isso é o propósito desses encontros.
Sua Condição Natural é de Amor, Paz, Liberdade e Suprema Inteligência. Isso significa não estar se identificando com estados mentais, com imagens que o pensamento produz, com uma identidade que o pensamento cria com base nessas imagens.
Contudo, para isso você precisa estar consciente desses estados mentais, desses movimentos da mente, do movimento dessas imagens. Há trinta, quarenta, cinquenta ou sessenta anos, você está preso dentro desse movimento, e agora é o momento de começar a não confiar mais no que o pensamento produz, a duvidar do que sente, pensa e fala, pois tudo isso é produzido por uma reação do pensamento.
O movimento da mente, do pensamento, é basicamente inconsciência. Você precisa dar um passo atrás. Uma vez capturado por esse movimento, não é difícil observar o pensamento, é impossível! Tudo o que a mente conhece é o seu próprio movimento, que é inconsciência. Por isso que a base, o fundamento dessa Liberação é simples. Agora, para se acolher essa Liberação é preciso um trabalho de rendição, de entrega, de Meditação.
A Realidade dessa Consciência, dessa Presença, é absoluta, incondicionada, indefinível, indescritível. Já esse mundo de experiências, esses estados mentais, no dia a dia, é algo conhecido da mente, sendo para ela mais fácil e habitual lidar com isso. Assim, para a mente, essa Realidade absoluta, incondicionada e indefinível é inatingível, inalcançável, por estar fora das suas experiências cotidianas. Percebam aí que a real dificuldade é a impossibilidade de a mente alcançar Aquilo que está fora dela.
Então, esse “passo atrás” é você mesmo quem precisa dar. Quero lembrá-lo de que você é essa Absoluta Consciência, porém, apesar disso, esse movimento da mente precisa ser constatado. Embolar-se com esse movimento é o que tenho chamado de “estar identificado” − identificado com pensamentos, sensações, sentimentos, imagens, crenças e tudo o mais, que é parte desse conhecido cotidiano da mente. Portanto, você precisa descobrir como viver em seu Natural Estado, sem essa identificação com o que o pensamento produz. Esse trabalho deve acontecer agora, aqui. Quantos pensamentos, sentimentos ou experiências você poderia ter sem essa Presença, essa Consciência Real, que Você é?
A Consciência é a Base, é o Fundamento desses pensamentos, sentimentos e experiências. Assim, vá para esse Fundamento, volte-se para Ele, para essa Base. Acorde! Acordar é sair dessa condição de identificação com tudo o que a mente produz. Então, para se experimentar qualquer uma dessas coisas, requer-se Consciência, porque Ela é o Fundamento, a Base.
Esse é um ponto simples, básico, mas geralmente esquecido. Você esquece que é Consciência, e se confunde com aquilo que o pensamento está produzindo, com as histórias que ele está produzindo sobre quem você é, sobre o que o outro é, o que o mundo é. No entanto, o outro, a mente e o mundo são somente aparições. Porém, quando se identifica com o corpo, você fica com medo de ser “assassinado” pelo Coronavírus, porque a mente produz histórias sobre a morte. Na realidade, isso somente irá tocá-lo, se você assim estiver destinado a passar por isso, mas a mente não trabalha com a realidade, e sim com ficção, imaginação. Então, ela produz o que sabe produzir bem: imaginações; sobretudo, imaginações de dor, sofrimento, perdas, conflitos, pois ela é especialista nisso, em ser miserável. Então, esse ponto simples é sempre negligenciado, esquecido. O ponto simples é: Você é Algo anterior ao corpo, à mente, ao mundo, aos pensamentos, sentimentos, experiências e objetos!
Quando tinha quinze anos, você vivia cercado por objetos diferentes dos que estão exatamente agora, aí, na sala da sua casa, no quarto, ou onde quer que você esteja, e tinha um corpo, completamente diferente desse corpo que você tem agora. Então, o “seu mundo” quando você tinha quinze anos e o “seu mundo” agora são completamente diferentes, mas você continua sempre sendo essa Consciência que testemunha isso. Ela testemunhou aquele mundo (dos seus quinze anos) e testemunha este.
Psicologicamente, é a mesma coisa. O adolescente de quinze anos tem pensamentos, experiências psicológicas, diferentes de um adulto de trinta e cinco anos ou de alguém de meia-idade, com os seus cinquenta ou sessenta anos. Assim, a configuração de um mundo psicológico, todo baseado em pensamento, é bem diferente. Então, tanto o seu mundo externo quanto o seu mundo interno, psicológico, mudam, mas você continua sempre sendo uma testemunha, essa Consciência − esse é o único Fator continuamente presente em toda experiência.
O mundo, a mente, o corpo, tudo muda, e ignorar essa posição real de ser Pura Consciência é todo o seu problema. Quando ignora essa posição real da Verdade sobre Si mesmo, você se confunde com uma história que o pensamento produz sobre esse corpo aí, de trinta e cinco, quarenta ou cinquenta anos. Você é Aquilo que Você é, e Isso não é o corpo, não é a mente, nem está no mundo; não nasceu e não morre; não tem filho nem neto; não foi ontem, não será amanhã, não é hoje. O seu mundo externo agora é um, aquele aos quinze anos era outro, os modelos de pensamentos e crenças eram uns e hoje são outros. Tudo isso são ilusões, aparências fugazes, não substanciais, sem Verdade.
* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online, na noite do dia 1º de Maio de 2020 – Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

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