segunda-feira, 6 de julho de 2020

Algo fora do tempo, do conhecido e que está além do limite da mente

Se você se depara com uma imagem diante de um espelho, nunca duvida de que ela é apenas um reflexo. Você não acredita que tem alguém dentro daquele espelho, olhando para você. É muito claro que é somente um reflexo, uma imagem, e que isso não é você. Porém, a mente, aí dentro, vê tudo de uma forma diferente.
Então, o que estamos investigando aqui? Estamos apenas nos tornando cientes de que uma imagem é apenas um reflexo, não representa a Realidade. Isto aqui não é um curso, em que você aprofunda o seu conhecimento. Este Trabalho não é de crescimento, nesse sentido. Isso porque o Ser não se aprofunda, a Consciência não se aprofunda. Quando falamos de Consciência e de Ser, estamos falando de Algo fora do tempo, do conhecido, que está além do limite da mente.
Você não pode imaginar uma rosa ou uma orquídea, em sua expressão, tornando-se mais profunda, ou seja, tornando-se mais do que ela já é, em sua manifestação de flor. Ali está a flor: simples, bela, natural... Ela não pode ser mais bela do que já é, ou complexa, ou não natural. Sua Natureza Divina, sua Natureza Essencial, carrega a marca da Eternidade, da Atemporalidade, do Desconhecido. Você, em seu Ser, já é essa Consciência e está além do tempo.
Você escuta essas palavras e pode até perguntar se elas são verdadeiras, mas não se trata de serem verdadeiras ou falsas. Nada é verdadeiro ou falso. Assim, eu faço a pergunta e lhe dou a resposta: nenhuma palavra é verdadeira. Aqui, não se trata de verdadeiro ou falso, pois, quando lidamos com palavras, estamos lidando com um apontar; é uma seta no meio da estrada.
É como quando você vem dirigindo seu carro e, ao chegar em uma encruzilhada, tem a felicidade de encontrar uma seta indicando para a direita ou esquerda. Então, palavras aqui funcionam como essa seta na encruzilhada; não são verdadeiras nem falsas, são apenas indicações. Você terá que descobrir se elas estão dizendo algo para você ou não. Esse passo na direção dessa dimensão da Verdade, da Sabedoria, é um passo na incerteza. Isso carrega uma grande beleza, porque você precisa de confiança, de rendição, daquilo que é chamado de “fé”, até você saber por si mesmo. Na verdade, esse Saber é adentrar o Desconhecido, que é o Não Saber.
Tudo bem? Podemos continuar ou fica como uma introdução? Aliás, todas as nossas falas são assim, elas nunca dizem algo, fica sempre um capítulo em aberto. Isso aqui é uma novela que não termina. Você se depara com essa seta na encruzilhada, que diz: “Tudo é ilusão”. Então, para entender a ilusão, é necessário um pouco mais de ilusão.
Participante: Aqui a seta diz “volte”; não é para direita nem para a esquerda.
Marcos Gualberto: Este Trabalho é surpreendente! Como a Verdade é fascinante! Quanto mais você se aproxima, mais percebe que não há distância, então, nunca sabe se Isso está perto ou continua longe.
Participante: A sensação é que está longe.
Mestre Gualberto: A mente diz que está longe. Então, eu chego e lhe mostro essa seta, essa indicação, e nela está escrito: “Tudo é ilusão!” Para entender essa ilusão, é necessário um pouco mais de ilusão. Você pode perguntar: “Afinal, o que você está dizendo? O que é isso que acabou de falar?” Vocês acham que podem chegar aqui e ter a Verdade. Não podem! Podem chegar aqui e ter um pouco mais de ilusão, que será colocada sobre a mesa para ser servida. Um pouco mais de ilusão para você deixar a ilusão. Vocês realmente não acreditam, mas podem acreditar que eu estou dizendo a Verdade. Contudo, se algo é falado, não é a Verdade. Se algo pode ser expresso, é algo dentro do tempo, dentro do conhecido.
Então, o propósito aqui não é encontrar, nessas palavras, a Verdade. O propósito nesse encontro é ter a constatação da Natureza da Verdade, que é o Desconhecido. Assim, Ela não está no tempo, não está nas palavras. Sinto muito... Por isso é que minha ênfase está na Meditação e não no estudo. Eu poderia pedir a vocês que estudassem o Vedanta, os Upanishads (livros sagrados da Índia), a Bíblia, os filósofos gregos, o Curso em Milagres, ou algum outro livro, outra escritura, mas a Verdade não está ali, não está na palavra, não está no que é dito.
Então, quando digo que esse aqui é um encontro onde, para se ver a ilusão, é necessário um pouco mais de ilusão, estou dizendo que essas palavras ou esse encontro com o professor, que a gente chama de Guru ou Mestre, é algo que também ocorre dentro dessa ilusão. Esse é como um encontro em um sonho, no qual uma pessoa lhe comunica muitas coisas. Aí você acorda e descobre que tudo o que ela disse tinha relação com o sonho, servia somente para dentro do sonho. Ou seja, ela estava dentro do sonho falando coisas sobre o sonho. Aqui estamos fazendo algo parecido com isso.
Participante: Aquilo que o senhor está dizendo comunica algo e para tudo.
Marcos Gualberto: Sua observação é interessante. Não é aquilo que é dito, mas é de onde vem essa fala, essa comunicação. Daí a beleza e a importância desse espaço chamado Satsang, que é o encontro com a Consciência, na forma do professor, do Mestre. Isso é Algo fora da mente sendo colocado numa linguagem de dentro da mente. A fala está dentro da mente, e a Realidade está além dela. Então, encontrar o Mestre é aceitar o ensino no “sonho”. Isso ainda está dentro da ilusão, mas há um encontro. Por isso eu disse que, para compreender Aquilo que está fora da ilusão, é necessário um pouco mais de ilusão, para que você aplique isso em si mesmo, investigue essa questão do “conhecimento” e, passada essa fase, atravesse essa ilusão.
Assim, as palavras nunca traduzem algo essencialmente verdadeiro, mas são uma forma de você, como aspirante à Realização, investigar em si mesmo o que é dito e ir além disso. Elas são úteis? Sim, são úteis. Mesmo estando dentro da ilusão? Sim. Porém, elas ainda estão dentro da ilusão, eu sei, por isso não são, em última instância, verdadeiras. Contudo, havendo esse acolhimento, essa confiança e aceitação desse “ensinamento” do Guru, do Mestre, em razão da fé e dessa confiança, um Trabalho real pode acontecer. Vocês compreendem isso?
Então, apesar de não estarmos lidando com a Verdade nas palavras, essa Autorrealização ocorre, e, a partir desse momento, o ensinamento do Guru, do Mestre, não é mais necessário. Isso porque, agora, você sabe que nenhum desses ensinamentos eram verdadeiros, mas você precisou da “canoa” para atravessar o “lago”. Depois que atravessa o lago, você não pega a canoa coloca nas costas e sai com ela, pois já atravessou o lago. Compreendem isso? Esse “lago da ilusão” requer “a canoa da ilusão”. Depois que se está na outra margem, percebe-se que não há lago, portanto, não existe margem do lado de cá e do lado de lá, e não existe canoa.
Essa é a beleza da Presença do Guru, do Mestre. Somente ele pode lhe mostrar a Verdade de que ele não é real, que qualquer conclusão sua sobre isso será falsa, ainda baseada na mente. Alguns vivem nesse debate: “A Presença do Guru é necessária ou não? Ela é Real ou não”? Eu concordo com eles quando dizem que não é necessária, mas, dentro da minha visão, não é necessária apenas quando não há mais ilusão. Enquanto a ilusão estiver presente, toda forma especial de ilusão se faz necessária. Existem ilusões e ilusões: ilusões especiais ou especializadas (vamos colocar assim) e ilusões não especializadas.
Ilusões não especializadas são ilusões da vida mundana. A ilusão especializada é aquela da inclinação do coração do devoto para o encontro com o Divino. Ainda é uma ilusão, mas é uma ilusão que somente a Graça Divina pode revelá-la como tal. Antes disso, qualquer conclusão é mera especulação intelectual e, portanto, egoica. Então, nesse sentido, eu concordo com os que dizem que o Guru é necessário, como Ramana dizia. “O Guru sempre será necessário”, Ramana dizia.
Aqui é necessário você estar diante da revelação do Sábio, da Consciência, da Presença, Daquilo que está fora do tempo psicológico, da mente psicológica, dessa egoidentidade. O Guru é essa Consciência se expressando em uma forma visível e audível, dentro desse “sonho” de mundo, no qual você acredita viver como uma pessoa. Tudo isso termina quando a ilusão termina. Quando se chega na outra margem, descobre-se que não há lago, nem margem, nem canoa, nem ensino, nenhum Guru! Tudo era somente um sonho e terminou!
* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online, na noite do dia 11 de Maio de 2020 – Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

4° - Deus Agora!

Ficar quieto e, ao mesmo tempo, alerta a tudo o que se passa no exterior e no interior de nós mesmos, é a chave que abre a porta para o momento presente, e é neste momento presente que Deus se mostra.
Por termos sido, desde pequenos, ensinados a acreditar que a busca de Deus pode ser realizada pelo pensamento, aqui estamos nós, presos aos conceitos intelectuais e sentimentais que as religiões nos impuseram, dando-nos um falso sentimento de encontro com Deus, que nunca aconteceu de fato.
O que não nos disseram é que podemos vivenciar diretamente Deus, de uma forma simples e natural, sem esforço ou qualquer busca dessas que o pensamento idealiza.
Não há nada a ser encontrado no futuro! Se aquilo que o pensamento persegue pode ser encontrado, isso também pode ser perdido, assim, não vale a pena ser buscado.
O fato é que o pensamento, isso que falsamente chamamos de “minha mente”, é limitado; é apenas um conjunto de imagens correndo na cabeça, ideias que nos foram dadas desde a infância sobre Deus.
Para uma criança, a resposta para a pergunta “Por que as árvores são verdes?” é muito simples, mas nós achamos que não temos essa resposta e, por isso, vamos consultar os especialistas, que são os cientistas. Então, repetimos para a criança o que eles nos dizem – “Meu filho, as árvores são verdes porque possuem clorofila” –, embora nós mesmos não saibamos completamente o significado que a ciência confere a esta palavra. No entanto, a resposta verdadeira seria: “As árvores são verdes porque são verdes!”.
Assim como a cor das árvores, Deus é uma vivência direta. A cor é uma experiência direta dos sentidos, que nenhuma explicação intelectual pode substituir, assim como a vivência direta de Deus. Deus é este Eterno Agora! Não estamos falando acerca dos eventos e acontecimentos que ocorrem agora, mas da indescritível Consciência do Agora, desta Presença, algo que todos nós experimentamos quando somos tocados no coração, em alguns momentos, como quando estamos diante de um quadro, de um belo cenário, do sorriso de uma criança, da imensidão do mar, contemplando um pôr do sol, ou quando temos a visão de uma paisagem pela janela de um ônibus de viagem, quando olhamos o campo coberto de orvalho em uma manhã fria e sentimos os primeiros raios de sol entrando através da janela…
Quando há Silêncio em nossa mente e coração, sentimos o Despertar da Beleza do Agora, onde está essa Coisa sem nome, sem forma, sem definições. Deus é assim, tão simples e natural, mas não pode ser encontrado pelo pensamento, porque não está no campo da mente.
Estamos perdidos quando estamos presos ao tempo, que é algo criado pelo pensamento. O tempo nos ilude dizendo que amanhã teremos um encontro com Deus. O pensamento, em sua ânsia de resposta, satisfação e segurança, está sempre ocupado com as suas pequenas coisas, criando assim os chamados “passado, presente e futuro”. No entanto, o único momento é este, o Agora!
Quando saímos da prisão da ficção do tempo, não há pensamentos, não há mente, não há conflitos, desejos, temores ou qualquer tipo de sofrimento, mas apenas a Verdade da Presença deste Eterno, do Eterno Agora, onde Deus se revela.
*Este texto, escrito pelo Mestre Marcos Gualberto, compartilhando a visão do Sábio sobre a vida, foi veiculado pela primeira vez em 05 de outubro de 2010. Trata-se da quarta publicação deste blog, fazendo parte do acervo relativo aos primeiros anos deste trabalho, cujos textos, após terem sido mantidos offline nos últimos anos, serão republicados em série, de forma comemorativa pelos dez anos de criação deste blog, este que foi o primeiro canal da internet através do qual este trabalho tornou-se público. Para maiores informações, acesse o nosso site, clique aqui.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Você é essa Absoluta Consciência

Temos mais essa bela oportunidade de estarmos juntos neste encontro, dentro desta Presença, desta Visão, deste Fundamento necessário, onde todas as coisas acontecem, tanto a ausência quanto a presença de consciência, tanto o acordar quanto o dormir e sonhar. O Fundamento de toda experiência é a sua Verdadeira Natureza, que é a Natureza Divina de toda manifestação.
Estamos aqui diante desse único, real e necessário Fundamento, que alguns chamam de Consciência, onde reside a Liberdade. Na mente, temos a prisão de uma falsa identidade, de um personagem ilusório − um prisioneiro de uma prisão, também, imaginária. Entretanto, temos o Fundamento de tudo, e é Nele que a Liberdade reside. Sua Natureza Real é Consciência! Esse é o Fundamento!
Vocês não são essa aparência, por exemplo, de um metro e sessenta e cinco, um metro e setenta e cinco, um metro e oitenta e dois, um metro e cinquenta, etc. Você é Aquele para quem as aparências surgem, e olhar isso de perto é algo fascinante! Vendo isso, você pode soltar todas essas rotulações que faz de si mesmo, como de uma “boa pessoa”, uma “pessoa ruim”, uma “pessoa traumatizada”, uma “pessoa infeliz”, uma “pessoa inteligente”, dentre outras. Então, vendo isso, você pode soltar todos esses rótulos, que são ideias, imagens, crenças, conceitos. A mente está cheia de conceitos! Você é Aquilo onde tudo isso aparece! Esse termo “Consciência” é um belo indicador do seu Estado Natural, porém, como temos falado em nossos encontros, você não pode confundir Consciência com estar consciente.
Algumas vezes, você pode estar consciente, outras vezes não, por isso não pode confundir esse estado com Consciência. Algumas vezes, você confunde estar consciente com estar identificado com imagens que o pensamento produz, e isso é estar em uma forma sutil de “sonho”, em devaneio, o que significa estar muito longe da Consciência. Quando está em devaneio, você está nessa flutuação da imaginação, em um “estado de sonho” sutil, no qual o corpo está acordado, mas a mente está produzindo esse “sonho”. Esses estados são todos da mente, os quais chamamos de “estados de consciência”, mas a Consciência real não conhece nenhum estado.
Essa Consciência, às vezes, é chamada de “Eu”. Assim, quando usamos a expressão “Eu Sou”, podemos estar nos referindo a essa Presença, entretanto, quando você faz essa afirmação, pode estar confundindo isso com um estado da mente. Também é assim quando você diz: “Estou dormindo”, “Estou sonhando”, “Estou imaginando”, “Estou sentindo isso”. Então, essa realidade da Consciência, que é o real “Eu Sou”, e o ego, que é o sentido de “pessoa”, não são a mesma coisa. O ego é essa noção de ser uma pessoa, uma entidade baseada nessa identificação de si mesmo com o corpo e a mente, ou com essa personalidade e seus vários rótulos (“pessoa boa”, “pessoa má”, “pessoa infeliz”, “pessoa feliz”) . Enquanto isso, esse “Eu Sou” − sua Condição Real, Natural − é algo anterior a essa imaginação de ser “alguém”.
No fundo, você sabe que pode testemunhar o que se passa em sua cabeça sem, necessariamente, identificar-se com isso. Portanto, essa identificação não é uma condição necessária, é apenas habitual, viciada, algo que vem da prática repetitiva de se identificar com histórias mentais, com pensamentos. Você pode se desidentificar de uma imagem, mas o ego é muito sutil e se segura em outra imagem, ou seja, troca uma imagem por outra, somente. Viver nessa condição de identificação com o que a mente produz não é algo fundamentalmente essencial, necessário; é algo dispensável. Você pode descobrir como dispensar essa identificação com a falsa identidade, e trabalhar isso é o propósito desses encontros.
Sua Condição Natural é de Amor, Paz, Liberdade e Suprema Inteligência. Isso significa não estar se identificando com estados mentais, com imagens que o pensamento produz, com uma identidade que o pensamento cria com base nessas imagens.
Contudo, para isso você precisa estar consciente desses estados mentais, desses movimentos da mente, do movimento dessas imagens. Há trinta, quarenta, cinquenta ou sessenta anos, você está preso dentro desse movimento, e agora é o momento de começar a não confiar mais no que o pensamento produz, a duvidar do que sente, pensa e fala, pois tudo isso é produzido por uma reação do pensamento.
O movimento da mente, do pensamento, é basicamente inconsciência. Você precisa dar um passo atrás. Uma vez capturado por esse movimento, não é difícil observar o pensamento, é impossível! Tudo o que a mente conhece é o seu próprio movimento, que é inconsciência. Por isso que a base, o fundamento dessa Liberação é simples. Agora, para se acolher essa Liberação é preciso um trabalho de rendição, de entrega, de Meditação.
A Realidade dessa Consciência, dessa Presença, é absoluta, incondicionada, indefinível, indescritível. Já esse mundo de experiências, esses estados mentais, no dia a dia, é algo conhecido da mente, sendo para ela mais fácil e habitual lidar com isso. Assim, para a mente, essa Realidade absoluta, incondicionada e indefinível é inatingível, inalcançável, por estar fora das suas experiências cotidianas. Percebam aí que a real dificuldade é a impossibilidade de a mente alcançar Aquilo que está fora dela.
Então, esse “passo atrás” é você mesmo quem precisa dar. Quero lembrá-lo de que você é essa Absoluta Consciência, porém, apesar disso, esse movimento da mente precisa ser constatado. Embolar-se com esse movimento é o que tenho chamado de “estar identificado” − identificado com pensamentos, sensações, sentimentos, imagens, crenças e tudo o mais, que é parte desse conhecido cotidiano da mente. Portanto, você precisa descobrir como viver em seu Natural Estado, sem essa identificação com o que o pensamento produz. Esse trabalho deve acontecer agora, aqui. Quantos pensamentos, sentimentos ou experiências você poderia ter sem essa Presença, essa Consciência Real, que Você é?
A Consciência é a Base, é o Fundamento desses pensamentos, sentimentos e experiências. Assim, vá para esse Fundamento, volte-se para Ele, para essa Base. Acorde! Acordar é sair dessa condição de identificação com tudo o que a mente produz. Então, para se experimentar qualquer uma dessas coisas, requer-se Consciência, porque Ela é o Fundamento, a Base.
Esse é um ponto simples, básico, mas geralmente esquecido. Você esquece que é Consciência, e se confunde com aquilo que o pensamento está produzindo, com as histórias que ele está produzindo sobre quem você é, sobre o que o outro é, o que o mundo é. No entanto, o outro, a mente e o mundo são somente aparições. Porém, quando se identifica com o corpo, você fica com medo de ser “assassinado” pelo Coronavírus, porque a mente produz histórias sobre a morte. Na realidade, isso somente irá tocá-lo, se você assim estiver destinado a passar por isso, mas a mente não trabalha com a realidade, e sim com ficção, imaginação. Então, ela produz o que sabe produzir bem: imaginações; sobretudo, imaginações de dor, sofrimento, perdas, conflitos, pois ela é especialista nisso, em ser miserável. Então, esse ponto simples é sempre negligenciado, esquecido. O ponto simples é: Você é Algo anterior ao corpo, à mente, ao mundo, aos pensamentos, sentimentos, experiências e objetos!
Quando tinha quinze anos, você vivia cercado por objetos diferentes dos que estão exatamente agora, aí, na sala da sua casa, no quarto, ou onde quer que você esteja, e tinha um corpo, completamente diferente desse corpo que você tem agora. Então, o “seu mundo” quando você tinha quinze anos e o “seu mundo” agora são completamente diferentes, mas você continua sempre sendo essa Consciência que testemunha isso. Ela testemunhou aquele mundo (dos seus quinze anos) e testemunha este.
Psicologicamente, é a mesma coisa. O adolescente de quinze anos tem pensamentos, experiências psicológicas, diferentes de um adulto de trinta e cinco anos ou de alguém de meia-idade, com os seus cinquenta ou sessenta anos. Assim, a configuração de um mundo psicológico, todo baseado em pensamento, é bem diferente. Então, tanto o seu mundo externo quanto o seu mundo interno, psicológico, mudam, mas você continua sempre sendo uma testemunha, essa Consciência − esse é o único Fator continuamente presente em toda experiência.
O mundo, a mente, o corpo, tudo muda, e ignorar essa posição real de ser Pura Consciência é todo o seu problema. Quando ignora essa posição real da Verdade sobre Si mesmo, você se confunde com uma história que o pensamento produz sobre esse corpo aí, de trinta e cinco, quarenta ou cinquenta anos. Você é Aquilo que Você é, e Isso não é o corpo, não é a mente, nem está no mundo; não nasceu e não morre; não tem filho nem neto; não foi ontem, não será amanhã, não é hoje. O seu mundo externo agora é um, aquele aos quinze anos era outro, os modelos de pensamentos e crenças eram uns e hoje são outros. Tudo isso são ilusões, aparências fugazes, não substanciais, sem Verdade.
* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online, na noite do dia 1º de Maio de 2020 – Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

3º - Nossa mente, uma ilusão!

Ouvi dizer: uma criancinha estava visitando seus avós. Ela tinha apenas quatro anos de idade. A noite havia chegado e sua avó a levou para o quarto de visitas em sua casa, era hora de dormir. Deitou a criança na cama, tentando fazê-la dormir, deu-lhe um beijo no rosto, apagou a luz e já ia saindo do quarto, quando, de repente, a criança começou a chorar e gritar:
— Eu quero ir para casa, vovó! Estou com medo, estou com medo do escuro!
A avó ficou realmente curiosa e, ao olhar para o seu pequeno neto, disse:
— Mas, meu filho... Eu sei muito bem que você, em sua casa, também dorme no escuro. Afinal, qual é o problema? Por que você está com medo aqui?
O menino olhou para ela e disse:
— Sim, é verdade, mas aquela é uma escuridão que eu conheço, enquanto que essa é totalmente estranha para mim.
É exatamente assim que nos comportamos na vida: “Esta é a minha escuridão. Pode ser muito assustadora, criar muitos tormentos, mas, mesmo assim, é minha! Eu tenho alguma coisa para segurar!”
Não temos olhado suficientemente para nós mesmos, para descobrirmos esse quarto escuro de ilusão que seguramos como algo conhecido, essa falsa segurança que encontramos no padrão conhecido e repetitivo de vida que levamos, cheia de conflitos, contradições e variadas formas de sofrimento. Agarramo-nos a isso, afinal, esse é o padrão.
É verdade que nos habituamos a buscar um certo alívio dessa dor em novas conquistas e realizações emocionais, intelectuais e físicas, mas não encontramos nada que possa verdadeiramente nos libertar definitivamente dessa ilusão, a ilusão do pequeno e escuro quarto conhecido de nossas mentes, que nada mais é que um feixe de lembranças passadas, que tortura, amedronta e assusta.
É assim o nosso condicionamento psicológico, a nossa limitada capacidade de lidar com a vida e seus desafios. Entretanto, não há nenhuma necessidade de vivermos assim, presos a um perpétuo sofrimento, nessa cela escura de nossas mentes, nesse quarto escuro de nossas ilusões. Todos podemos descobrir, através da autoinvestigação, quem realmente somos; o Amor, a Paz, e a Liberdade que já temos.
No entanto, é preciso despertarmos desse sono comum que nos leva a uma procura que nunca termina, por uma liberdade e felicidade que nunca são encontradas, porque a mente não é o lugar do nosso descanso, e sim o nosso Coração. Ali está a nossa Verdadeira Mente, que é a Mente de Cristo, a Mente de Deus.
*Este texto, escrito pelo Mestre Marcos Gualberto, compartilhando a visão do Sábio sobre a vida, foi veiculado pela primeira vez em 03 de outubro de 2010. Trata-se da terceira publicação deste blog, fazendo parte do acervo relativo aos primeiros anos deste trabalho, cujos textos, após terem sido mantidos offline nos últimos anos, serão republicados em série, de forma comemorativa pelos dez anos de criação deste blog, este que foi o primeiro canal da internet através do qual este trabalho se tornou público. Para maiores informações, acesse o nosso site, clique aqui.

sexta-feira, 26 de junho de 2020

2º - A felicidade que buscamos

Não há nada comparado Àquilo que somos. Toda busca humana por felicidade e liberdade, nesses caminhos criados pelo pensamento, é simplesmente inútil e desnecessária, pois é uma fuga da Realidade.
Não olhar diretamente a Vida como Ela é, ou como se apresenta a cada um de nós, é algo sem propósito, que carrega um enorme peso de dor e sofrimento. Isso faz com que fiquemos girando dentro do habitual círculo do sofrimento, o qual nos mantém nessa interminável busca de felicidade, nessa procura de alguma coisa, de alguém ou de uma situação que nos ofereça aquilo que nos tornará felizes.
Assim, temos confundido a procura do prazer, da realização e da satisfação pessoal com a busca de um Encontro Real com a Felicidade. Isso porque acreditamos que a Felicidade é uma conquista, pela qual precisamos lutar.
Nessa busca por pessoas, coisas e situações, nós encontramos algum conforto e preenchimento, mas, mesmo assim, nos falta a mais simples compreensão de que não existe nada que possa nos fazer plena e eternamente felizes, porque não existe nada que possa ser encontrado e não ser perdido. Essa é a natureza efêmera do desejo e, portanto, de toda forma de busca ou procura.
Então, podemos desfrutar do prazer por algum tempo, mas tudo aquilo que surge no tempo não tem a marca Daquilo que é verdadeiramente Eterno e, portanto, também desaparecerá com o tempo. Estamos continuamente nesse vai e vem de insegurança e frustração. Aqui está o prazer da realização que, ilusoriamente, chamamos de “felicidade”, e logo temos a dor da perda disso.
Nessas postagens, nós falaremos da Real Felicidade, que não é alguma coisa para ser alcançada, conquistada, adquirida, mas algo que nasce muito naturalmente, sem esforço, luta, busca ou procura, através do pleno Reconhecimento de quem realmente somos. Essa Real Felicidade é algo tão eterno e imutável como a Natureza do nosso Ser.
*Este texto, escrito pelo Mestre Marcos Gualberto, compartilhando a visão do Sábio sobre a vida, foi veiculado pela primeira vez em 2 de outubro de 2010. Trata-se da segunda publicação deste blog, fazendo parte do acervo relativo aos primeiros anos deste trabalho, cujos textos, após terem sido mantidos offline nos últimos anos, serão republicados em série, de forma comemorativa, neste que foi o primeiro canal da internet através do qual este trabalho se tornou público. Para maiores informações, acesse o nosso site, clique aqui.

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