sexta-feira, 31 de julho de 2020

Como ouvir a Voz de Deus?

Você tem que tomar consciência da Verdade, ou seja, ir além de suas crenças e de toda imagem que você faz de si mesmo e do mundo, somente então poderá se tornar total e completamente Livre. Quando você ora a Deus e Ele está muito distante, é como se Ele não estivesse ouvindo você. Não é que Ele não o esteja ouvindo, é que você não consegue ouvi-Lo. Esse é o mundo onde você vive, e é por isso que você precisa transcendê-lo: para poder, de fato, ouvir a voz de Deus.
Então, quando a Presença do Guru chega na sua vida, é para lhe dar a Visão da Verdade sobre quem Você é e sobre o que o mundo, de fato, é. Deus é a Verdade do seu Ser, porém, você não tem acesso a Ele, até que descubra como acessá-Lo aí dentro. Assim, esse misterioso Poder assume a forma do Guru e lhe mostra como acessar Isso aí dentro. O Guru silencia a sua mente e inclina o seu coração para a Verdade. Esse é o misterioso Poder da Presença de um Mestre vivo.
Todas as pessoas à sua volta são mundanas e toda inclinação delas é para o mundo dos nomes e das formas. Elas acreditam em tudo e seguem com a “manada”. Você sabe o que é uma manada de vaca? Se você separar uma vaca ou um boi da manada, eles ficam doidos para voltar. Separado, o animal fica perdido, sem saber para onde ir, porque ele perde a direção da manada. No ego, você é assim: ao se separar da “manada”, quer voltar para ela, porque se sente perdido.
Assim, a Presença do Mestre é para lhe dar uma outra perspectiva, outra visão, para tirar você da “manada”. É precioso Isso, ou não?
Quando você se senta em silêncio e começa a observar o movimento dos pensamentos aí dentro, percebe como a mente é cheia de lixo, que são as ideias preconcebidas, crenças, conceitos, uma quantidade enorme de entulho psicológico. Quando faz isso, você pode ouvir a voz de Deus, ver o rosto de Deus, e esse espaço que nós temos juntos, aqui, é para esse propósito. Como não pode lidar com Aquilo que desconhece, você tem que adquirir uma proximidade com esse movimento interno do “eu”. Ou seja, é impossível você ir além da mente sem se tornar cônscio do movimento dela. Se você não tem intimidade com esse movimento do próprio “eu”, como você pode soltar isso?
Agora, note o que estou dizendo para você aqui: não se trata de analisar o “eu”, pois isso os psicanalistas e os psicólogos fazem; trata-se, sim, de ver o movimento dele. O analista não está separado daquilo que ele analisa. Quando aquilo que é analisado surge, é analisado somente porque tem um analista presente. Então, os dois estão sempre juntos − analista e coisa analisada. É como o pensamento e o pensador − você não pode separar o pensador de pensamento, os dois aparecem juntos. Você não pode falar de um pensamento sem a ilusão de um “pensador”. Assim, se não há pensamento, não há “pensador”; se não há coisa analisada, não existe “analista”.
É como o medo − você não separa o medo daquele que sente medo. Aquele que sente medo está aí presente com o medo. Repare que não há separação. Quando não há medo, não existe “alguém” na experiência do medo; não existe o “medroso”. Também, quando não existe o pensamento, não há “pensador”, e, quando não existe nada para ser analisado, não existe “analista”. Então, o que é ouvir Deus e ver o Seu rosto? É estar fora da ilusão dessa dualidade: pensador e pensamento, analista e coisa analisada, medroso e medo. Portanto, quando o Guru chega, é para lhe mostrar a importância de estar nesse Espaço, que não é um “espaço”.
Agora, o primeiro passo, que talvez seja o último, é observar, conhecer essa mecânica. As pessoas perguntam: “Mas, quem vai se render?" Respondo que não existe quem vai se render. Quando há rendição, não fica “alguém”! Por isso que essas perguntas que as pessoas fazem, quando se aproximam deste trabalho, são completamente equivocadas. Elas dizem: “Como faço para parar de pensar?" É impossível parar de pensar! O pensamento para, mas você não faz o pensamento parar. Agora, para descobrir essa mecânica, somente se assentando em Silêncio e olhando para isso. Porém, não pegue isso de forma literal, como muita gente faz. Assentar-se em Silêncio não significa não poder comer, caminhar, trabalhar.
Aqui, quem está assentado em Silêncio é o próprio Silêncio, não é “alguém”. Se você acreditar que é “alguém”, vai colocar o seu corpo sentado e acreditar que realmente está em Silêncio. Então, assentar-se em Silêncio para conhecer essa mecânica é o Silêncio assentado e essa mecânica sendo conhecida. É bem interessante isso, porque você diz para mim assim: “Eu quero observar a mente”. Contudo, você não pode observar a mente, mas somente se confundir com ela. Quando há observação, não há mente. Você precisa ficar expert nessa questão da Meditação, que é esse “estar assentado em Silêncio”.
*Trecho de um Satsang intensivo online ocorrido no dia 16 de Maio de 2020 através do aplicativo Zoom. Para mais informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

quarta-feira, 29 de julho de 2020

8º - Vivendo sem conflito

Hoje é mais um dia para estarmos atentos a nós mesmos, para não sermos enganados pelos pensamentos com seus movimentos confusos e desorientados, pois quando eles estão no controle da nossa vida, refletem aquilo que são: perplexidade, medo, confusão e desespero. Isso está constantemente criando conflito em nossas relações com a esposa, marido, filhos, namorado, noiva, noivo, patrão, empregado, etc.
Sempre culpamos os outros, mas é preciso estarmos atentos. No começo, essa atenção sobre nós mesmos não é nada simples, requer um profundo amor à Verdade, um interesse ardente de não mais gerarmos sofrimento para nós mesmos nem para os outros. Observe o quanto isso não é simples na prática, pois por muitos anos temos sido condicionados, treinados a sermos agressivos, violentos, interessados apenas em nós mesmos, em nossos desejos e realizações.
Portanto, tenho dito às pessoas para que tenham paciência, muita paciência com todos à sua volta; esse é o passo número um. Elas estão viciosamente preocupadas consigo mesmas e, portanto, não são piores que nós em sua agressividade, possessividade e autointeresse. O passo número dois é termos paciência com nós mesmos. Não se puna, não se condene, apenas fique atento às suas reações. Agora, estamos trabalhando em nós próprios.
Lembre-se: você não pode mudar os outros, não está na cabeça das pessoas, no controle do que elas pensam ou sentem sobre você. Você só tem acesso a si mesmo, portanto, abandone essa ilusão de se preocupar com o que pensam ou o que sentem a seu respeito. Essa tem sido uma terrível doença generalizada entre nós, seres humanos, uma doença exclusivamente humana. Tenha certeza de uma coisa: o seu cãozinho de estimação nunca se preocupa com isso, é só observá-lo.
Portanto, abandone completamente a autopiedade e a autocomplacência. Assuma a responsabilidade por si mesmo, fique alerta às suas próprias palavras, aos seus próprios gestos e reações emocionais. Essa é a chave da mudança, da transformação que se faz necessária à nossa vida.
Essa atenção só é possível se aprendermos a observar o que se passa em nossa cabeça e coração. Assim, quando descobrimos, com paciência e através da experiência, que não precisamos ser vítimas ou um joguete desses pensamentos, podemos vivenciar nossa Real Natureza, Aquilo em nós que está muito além dessa limitação criada pelo "eu". Ali podemos descansar na Consciência da Presença de Deus e, então, ser Felizes e Livres... E Isso está aqui e agora!
*Este texto, escrito pelo Mestre Marcos Gualberto, compartilhando a visão do Sábio sobre a vida, foi veiculado pela primeira vez em 09 de outubro de 2010. Trata-se da oitava publicação deste blog, fazendo parte do acervo relativo aos primeiros anos deste trabalho, cujos textos, após terem sido mantidos offline nos últimos anos, serão republicados em série, de forma comemorativa pelos dez anos de criação deste blog, este que foi o primeiro canal da internet através do qual este trabalho tornou-se público. Para mais informações, acesse o nosso site, clique aqui.

domingo, 26 de julho de 2020

7º - Sonhar para quê? Para sofrer?

Aceitamos como real um modo superficial de vida. Dizemos: “É preciso sonhar!”. Todos dizem isso! Assim, estamos correndo atrás de superficialidades e dando a isso o nome de "meus sonhos". Isso ocorre porque nós somos condicionados a acreditar que nossos esforços fazem as coisas acontecerem, que sem eles nada acontece.
Será isso verdade? Já paramos para observar a vida e ver se é mesmo assim? Quantas tentativas fizemos, através das quais tanto nos esforçamos, mas que não deram em nada, e, por isso, nos cobramos, nos culpamos e somos condenados pelos outros? Dizemos a nós mesmos que não nos esforçamos o suficiente e que eles também não, que nós somos os responsáveis e que poderíamos ter feito um pouco mais e, assim, teria dado certo, teríamos conquistado… Mas realmente é assim a vida? Em contrapartida, quantas coisas levaram pouco ou absolutamente nenhum esforço nosso para chegarem às nossas mãos?
O que ainda não percebemos é que não somos nós que estamos no controle, determinando qualquer coisa em nossas vidas ou na vida das outras pessoas. É estúpido nos culparmos e também culparmos os outros por aquilo que nem nós e nem eles podemos controlar, determinar. Tem sido assim por acreditarmos nesse "eu" como o Senhor Supremo do nosso tão badalado destino e tão sonhado futuro.
Nós temos esses e outros tipos de crenças porque fomos treinados ou condicionados, como costumo dizer, a viver dessa maneira. Nunca nos perguntamos por que buscamos e o que realmente estamos buscando. Assim, temos essa contínua busca. Quando uma coisa chega, logo estamos à procura de uma nova. Você já percebeu quanto tempo dura uma satisfação ou o prazer de uma realização?
Só existem sonhos porque estamos dormindo. Essa é a natureza da mente: sonhar. Acreditamos que aquilo pelo qual lutamos poderá um dia nos trazer felicidade, e que a coisa mais natural na vida é desejar ser feliz. No entanto, a coisa mais natural na vida é ser Feliz, e Isso só é possível quando não há desejos.
O fato é que não precisamos de nada, absolutamente nada, para sermos Felizes. Somos profundamente Felizes quando, diante de um por do sol, o contemplamos com a sua vermelhidão, que, aos poucos, se esconde por detrás da montanha; ou quando presenciamos o nascer do sol na praia – assentados ali, vemos aquela imensa bola de fogo subir... silenciosa, imponente, trazendo luz e calor sobre tudo o que antes estava debaixo da escuridão.
Esses são extraordinários e indescritíveis momentos, momentos de Beleza, de Alegria sem causa. Diante daquela indescritível experiência, onde estava o "eu"? Em momentos como esses, onde estão os sonhos, desejos e buscas que nos causam tanta ansiedade, aflições e sofrimento?
Veja, o nosso Ser já é plenamente Feliz, nossa Real Natureza é Felicidade! Afinal, o que aconteceu naquela praia ou diante daquela montanha? É que descansamos por alguns segundos em nosso Ser, voltamos à nossa inocência.
Se não estamos vivendo essa Felicidade é exatamente porque estamos alienados do nosso Ser, de nossa Real Natureza, longe dessa inocência da nossa Natureza Verdadeira.
*Este texto, escrito pelo Mestre Marcos Gualberto, compartilhando a visão do Sábio sobre a vida, foi veiculado pela primeira vez em 08 de outubro de 2010. Trata-se da sétima publicação deste blog, fazendo parte do acervo relativo aos primeiros anos deste trabalho, cujos textos, após terem sido mantidos offline nos últimos anos, serão republicados em série, de forma comemorativa pelos dez anos de criação deste blog, este que foi o primeiro canal da internet através do qual este trabalho tornou-se público. Para mais informações, acesse o nosso site, clique aqui.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Quando o meu Mestre apareceu

Participante: “Que mágica é essa, Mestre querido, que nos faz querer rir de todos os nossos problemas aqui na sua Presença?”
Marcos Gualberto: Seus “problemas” não são problemas. Eles são suas imaginações, sua resistência, seu desacordo com a vida, uma quebra de contrato.
Quando você celebra um contrato de serviços, ele deve se dar por escrito, com assinatura e testemunhas. Isso existe somente nesse mundo de pessoas, porque pessoas são, naturalmente, infiéis, temperamentais, e elas quebram contratos.
Não sei se existe alguma profissão na qual se trabalha mais do que a jurídica. Os juízes estão sempre cheios de querelas, sempre mediando situações, porque as pessoas quebram contratos. Essa infidelidade é da natureza da mente. Então, os contratos terminam se tornando problemas. Na Existência, a quebra de contrato representa conflito. Agora mesmo, se você está vivendo alguma forma de conflito, é porque você está quebrando algum contrato. Se você quebra o contrato com a Existência, com a Vida, vivencia o conflito. Todo o seu sofrimento está baseado nesse princípio; é uma querela, uma demanda, é um choque com a Vida, com a Existência.
O meu trabalho aqui é lhe mostrar que todos os seus problemas são imaginários. Quando os pensamentos vierem até você, pergunte para quem são eles. Descubra a fonte dos seus pensamentos. É assim que se faz! “Quem sou eu? Qual é a fonte desse ‘eu’? Qual é a fonte desses pensamentos? De onde eu venho?” Assim, você perceberá que está na ilusão e, nela, a sua vida é cheia de problemas, porque está cheia de imaginação, de muitos pensamentos, ideias, crenças.
Descubra para quem esse “eu” aparece e, então, você descobrirá uma coisa maravilhosa: esse “eu” nunca existiu! Todos os seus problemas estão na imaginação. Você está contra a Existência, numa permanente luta, e essa é a causa do seu sofrimento, do seu conflito, com seus pensamentos e desejos: “Eu quero isso, não quero aquilo”; “Eu tenho certeza disso, não tenho certeza daquilo”.
No seu Ser, você é um Sábio, mas, na mente, você é estúpido, uma estúpida “pessoa”. Você não quer ser feliz! Você quer excitação! Você sabe que comer muito, comer errado, vai lhe fazer mal. Você vai ficar gordo, terá diabetes… Você não herdou essa doença, mas vai adquiri-la ao longo da vida porque os seus hábitos são prejudiciais. Então, o que você quer? A excitação! Você não quer ser feliz! Se quisesse ser feliz, não cedia à tentação de comer essas guloseimas que fazem mal. Portanto, na mente você é estúpido. Você sabe que vai lhe fazer mal e mesmo assim ainda pratica, ainda come, ainda faz. Então, o que você quer? É ser feliz? Não! Você quer excitação!
Isso vale tanto para a alimentação quanto para relacionamentos, de todos os tipos. Você sabe que estão lhe fazendo mal, mas quer a excitação, não quer a Felicidade. Você sabe que fumar vai matá-lo, mas, mesmo assim, a excitação de fumar é mais importante do que não morrer, até que a hora da morte chegue. Você sabe que comer de forma errada vai matá-lo a curto, médio ou longo prazo, mas você quer a excitação de comer errado, e prefere isso ao perigo da doença e da morte. Chega um momento em que você adoece, vai para um leito de hospital, vê que pode morrer por causa daquilo, aí vai orar a Deus.
Você vem ao meu encontro e diz: “Aqui é tudo diferente”. Claro que é, porque eu não vivo na ilusão. O que o atrai a mim é a sua percepção de que eu não vivo nesse modelo. Você está num sonho, mas ele já se tornou um pesadelo, e eu quero ajudar você a acordar. Somente quando você acorda, o sonho termina, e, quando ele termina, a Felicidade está presente. Olhe para mim, escute a minha voz, ouça o meu silêncio... Sabem o que é isso? São sinais! É o perfume da Felicidade! Por quê? Porque vivo sem imaginação, sem quebra de contratos! Estou em acordo completo com a Vida, com a Existência, e, quando se está nesse ponto, nada falta!
É exatamente o oposto da vida no mundo da mente, dessa egoidentidade, onde você deseja muito e não tem nada. Fora do ego, você nada deseja e tem tudo! Você quer o mundo e ele lhe é negado. Você vive numa luta constante para conseguir coisas do mundo, mas tem medo de perdê-las. Então, você vive desejando e tendo medo, mas, quando acorda, isso muda. Olhe para mim! Eu queria Deus, a Verdade, queria esse Amor, essa Paz, essa Alegria, essa Felicidade que eu vivo hoje. Deixei o mundo à minha volta acontecer, sem me envolver com ele. Deixei de imaginá-lo, parei de quebrar o contrato com a Existência. É assim que acontece esse encontro de você com Deus, com o seu Ser, com o seu Coração, quando então você não deseja mais nada do mundo, não tem mais medo de nada no mundo, mas tem tudo o que precisa. Na realidade, você tem muito mais do que precisa, mas nada disso produz medo ou conflito.
Você vê a foto aqui atrás [o Mestre aponta para o quadro de Ramana Maharshi]? Eu queria encontrar Cristo e Ele veio, na forma do meu Mestre, falar comigo sobre Deus. Quando eu era criança, disseram-me que Cristo estava no céu, ao lado direito de Deus, assentado num trono muito grande e que, se eu falasse com Ele, conseguiria uma vida de felicidade, sem conflito, sem sofrimento, sem problema. Assim, fui falando com Ele, cresci falando com Ele, e, quando tinha vinte e quatro anos, Ele me ouviu e apareceu para mim na forma do meu Mestre.
Lembro que, naquela época, havia um conflito interno entre a imagem que eu tinha de Jesus, como me ensinaram na igreja, e o meu Mestre, que falava ao meu coração, que tinha olhos que me tocavam profundamente. Porém, foi uma questão de clareza interna acontecendo, porque, se eu estava orando a Deus, não poderia ser o diabo que estava aparecendo para mim; se o meu desejo de infância — e cresci nesse desejo — era parar de viver pecando, fazendo coisas erradas, sentindo dor e produzindo dor à minha volta, não era possível que essas orações estavam, agora, sendo respondidas pelo diabo. Outra coisa: quando o meu Mestre apareceu, os seus olhos tinham um brilho e o seu Silêncio tinha uma voz. Era um Silêncio, mas com uma voz… Era como uma música, trazendo algo para mim que nada nesse mundo poderia trazer, então, não poderia ser do diabo, não poderia vir do mal, só poderia ser uma resposta divina para mim.
Quando Ele me encontrou, eu fiquei mais leve, e não mais pesado. Fiquei tão leve que, a princípio, não precisava mais ficar lendo tanto a Bíblia, porque a “Coisa” já estava vindo para mim, de dentro de mim. Quando eu olhava para Ele, a certeza estava lá! E sabe qual era essa certeza? “Ele me ama! Ele me compreende! Ele me aceita! Quando eu estou com Ele, tudo fica diferente”. Como um de vocês escreveu agora, aqui: “Que mágica é essa, na sua Presença, que faz com que tenhamos vontade de rir dos nossos problemas?”
Isso aqui inclina o seu coração para o Silêncio, para a ausência do desejo e do medo. Aqui, você não tem nenhum contrato para quebrar.
* Transcrito a partir de uma fala em um encontro intensivo online, no dia 16 de Maio de 2020 – Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Desidentifique-se da mente!

Este encontro é mais uma oportunidade para a autoinvestigação. Trata-se de um convite da Consciência para a Consciência. Não é um convite para a mente, pois ela não pode conhecer nada.
Nós temos um tipo de consciência objetiva e, mesmo ela, não é a mente conhecendo alguma coisa. Como a mente não pode conhecer nada, ela não pode se convidar para essa investigação, pois ela é somente mais um objeto. Então, o que nós chamamos de “consciência objetiva” é apenas uma percepção dessa Consciência, que não pode ser definida ou limitada. A mente, sim, está dentro desse limite do conhecimento e da experiência. O que nós investigamos, nesses encontros, nesse convite da Consciência, é o movimento da mente.
Portanto, esse convite é da Consciência, na Consciência e para a Consciência. Tudo aquilo que pode ser, aparentemente, conhecido pela mente é um conhecimento nessa Consciência. A mente é apenas um elemento de percepção, e tudo que ela pode fazer é perceber sua limitação, o que ocorre através dessa investigação da Consciência. Então, na verdade, essa Consciência traz para a mente a percepção de que ela é limitada.
O que podemos dizer é que a mente pode explorar a sua limitação, e é isso que acontece nessa autoinvestigação: você percebe o quanto, na mente, esse sentido do “eu” é limitado, o quanto essa percepção e esse conhecimento são limitados. Então, isso é a única coisa que você pode descobrir dentro dessa autoinvestigação. Eu vejo isso de uma forma muito simples. Não sei se você consegue ver o quanto é simples a mente perceber sua própria autolimitação, suas crenças, imagens, seus conceitos, sua noção de futuro e passado.
Toda experiência do campo da mente é de percepção, porém, a sua Natureza Verdadeira, que é Consciência, está além da mente e de sua percepção. Essa constatação, por meio da autoinvestigação, consegue fazer com que a mente seja desconectada desse movimento de identificação com a experiência, da imaginação de ser uma “identidade”.
Durante toda essa percepção da mente, há algo além dela: a Realidade, que não precisa ser esquecida, mas é o que acontece quando não há atenção sobre esse movimento da mente. O homem comum está dentro desse autoesquecimento, porque está nessa identificação com a mente e com o que ela percebe. Então, isso passa a ser ele, sem ser, e essa Consciência fica travestida de pessoa. Agora, essa Clareza, o Despertar ou a completa Visão da Verdade é sempre um Mistério.
Isso é como você se olhar no espelho e dizer: “Sou eu!”. Agora, esse “sou eu” tem um significado inteiramente diferente do que a mente conhece, é algo inteiramente desconhecido, um grande Mistério. Esse Autorreconhecimento é chamado de Despertar ou Iluminação, que é a Compreensão de que a experiência e a ação não são suas, de que o pensamento, o corpo e o mundo não são seus, nem são O que Você é. Nós permanecemos Naquilo que somos quando a mente, o corpo e o mundo não têm mais importância. Em seu Natural Estado de Ser, que é Meditação, você simplesmente se permite pensar, sentir, perceber e experimentar, momento a momento, sem a ilusão de que “você” está aí, controlando, movendo, mudando e fazendo isso acontecer. Tudo isso apenas está acontecendo.
Quando não há um trabalho sobre si mesmo, você se confunde com esse pensar, sentir e perceber aparecendo, que você chama de “eu” − aqui está a sua identificação com uma imaginação. Você imagina uma sala, pessoas nessa sala, situações e coisas acontecendo, e isso sendo percebido, visto, analisado e entendido por uma “testemunha”. A mente diz que você é essa “testemunha”, mas isso é um truque, é somente uma percepção da própria mente, pois não há nenhuma testemunha aí. Há apenas esse movimento, biológico e funcional do cérebro, do corpo e dos sentidos nessa experiência. É muito fascinante isso!
A Consciência não participa disso, dessa ilusão. A participação Dela é como a base de tudo, mas não tem aí uma “pessoa”, uma “testemunha”. Ela é somente a base desse fenômeno impessoal. Tudo que aparece é somente um fenômeno impessoal dessa Consciência, nessa Consciência, para a Consciência. Então, mesmo a experiência que você chama de “medo” não está acontecendo para a “pessoa”, mas sim para um padrão de condicionamento psicológico. A sua Natureza Essencial não vivencia o medo, e sim a mente. Como você se confunde com a mente, nessa imaginação, aí está “você” com medo.
Existem pessoas inteligentes, não inteligentes, saudáveis, doentes, felizes, infelizes, altas, baixas, gordas, magras, mas isso é somente um fenômeno impessoal da Consciência, pois essas pessoas, essas formas, não carregam identidades separadas. Pessoas de todos os tipos estão dentro de uma sala, mas não tem nenhuma “pessoa” ali, porque tudo é somente um fenômeno nessa Consciência.
Consciência é O que nós somos. Assumir a sua Natureza Verdadeira é desfrutar do Amor, da Paz e da Felicidade, e não mais se confundir com o corpo, com a mente e com o mundo. Esse é o objetivo! Assim, nós permitimos tudo ser como é. Quando você permite tudo ser o que é, Você é O que é! Quando você se confunde com a mente, briga e não permite tudo ser o que é, as coisas serem como são, você está identificado com a ilusão de um falso “eu”, então, você é miserável, infeliz.
Você, em seu Ser, não pode ser infeliz! Fora do seu Ser, você sempre será miserável, haverá sempre essa luta contra a Verdade presente, aqui e agora, essa Verdade impessoal, na qual não existe “você” para controlar, opinar, julgar, comparar, avaliar, aceitar ou rejeitar.
Porém, a mente é teimosa, o ego é muito teimoso. É isso que diferencia o Sábio do tolo, o homem Realizado daqueles que não assumiram a Verdade sobre si mesmos: o tolo acredita existir e possuir o controle; o Sábio sabe que ele não está ali, não há o que controlar e “alguém” que possa controlar qualquer coisa. Então, um está relaxado em seu Ser e Feliz, e o outro está em sua mente, tenso e miserável.
E você? Onde você está nisso? Como você pode relaxar na Felicidade, na Paz e na Liberdade presentes aqui e agora se está no movimento de revolta contra o que a Vida apresenta, aquilo que Ela mostra, que é implacável, inexorável?
Então, a mente é essa série de conceitos e crenças aparecendo e assumindo um falso lugar. Olhe para isso de perto e se desidentifique da mente! Valeu pelo encontro! Namastê!
* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online, na noite do dia 23 de Março de 2020 – Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

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