sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Quando você me encontra, você se encontra!

Há um homem caminhando entre as flores do jardim do palácio, e você o confunde com o jardineiro. Mas ele é o rei, e não o jardineiro! Ele é o rei! Não é porque ele está no jardim que você deve confundi-lo com o jardineiro.
No mundo, você não é alguém; é a origem dele! Desse mundo, você não é um habitante, assim como aquele homem não é o jardineiro, mas o rei. O rei parece ser o jardineiro só porque está no jardim do palácio. Você parece ser uma pessoa só porque parece estar no mundo vivendo como alguém. Você parece que nasceu e está vivo no corpo. Caminhando entre as flores do jardim, você também acredita que está vendo o jardineiro, mas ali está o rei!
O que estou dando a vocês é o reconhecimento de quem vocês são! Eu não estou dando isso, de fato, a vocês; estou lhes informando! Informando a vocês que o mundo aparece quando os olhos têm luz para vê-lo, e a luz desse mundo, onde ele aparece, é Você!
Então, não é você no mundo, é o mundo em Você! Então, não é o jardineiro no jardim do palácio, mas é o rei no jardim do seu palácio, parecendo ser um jardineiro.
É o que eu posso lhe dar. Posso apenas lhe mostrar o que já está muito claro, mas você está olhando para outra direção. Eu estou apenas apontando a direção Real, que lhe possibilita ver a Verdade. Você não é o corpo e não é a mente, que são como a aparência do jardineiro, que oculta a presença do rei para olhos desatentos. Um pouco mais de atenção e você vai reconhecer quem está ali, quem está aí. Um pouco mais de atenção e você vai reconhecer que não é você que está no mundo, é o mundo que está em Você! Não é você que está no corpo, é o corpo que está em Você.
Será que isso é um ensino? Eu vou lhe dizer qual é o meu ensino: não há nenhum ensino, não há nada para aprender, não há nada para saber. Esse é o meu ensino! O meu ensino diz: não há nenhum ensino! E vocês ainda acham que vieram aqui aprender alguma coisa? É só a atenção de ver que quem caminha no jardim é o rei, e não o jardineiro. É só a atenção para perceber que você não está nesse mundo, mas esse mundo, esse corpo e todas as aparições surgem em Você.
No Cristianismo, chamam de Salvação; no Zen, chamam de Vazio; no Budismo, chamam de Nirvana. No Cristianismo, eles têm uma aproximação positiva e falam do Reino dos Céus; no Budismo, eles têm uma aproximação negativa e chamam de não-mente, não-eu, vazio.
Isso é um ensino? Não! É só um novo modo de olhar. É o que você está recebendo aqui: um novo modo de olhar. Eu não estou lhe dando olhos para ver, eu sou apenas um dedo que aponta a direção para a qual você se volta para olhar, com seus próprios olhos que já estão aí, para ver que não há jardineiro, que há só o rei caminhando no jardim do seu próprio palácio.
Se há um jardim grande, com um homem que esqueceu o que está fazendo ali, que esqueceu quem ele é, este pode ser facilmente convencido de que é o jardineiro e que possui qualquer nome que digam a ele. Então, ele se convence fácil e rapidamente do nome e de que ele é o jardineiro, porque seu ambiente é o jardim, um grande jardim. Ele começa a se comportar como jardineiro, a trabalhar no jardim e, depois de certo tempo, assume realmente aquilo, assume ser aquela pessoa, com aquele nome, ser um jardineiro. Mas o fato é que aquele jardineiro não é um jardineiro, e aquele nome não é o nome dele. Ele não é ele, mas não sabe disso, ele se esqueceu. O jardim é muito grande, e ele se considera o jardineiro no jardim do palácio do rei. Contudo, na verdade, ele é o rei, apenas caminhando em seu jardim. Ele se esqueceu de quem era, e agora está convencido de que é o jardineiro e que é uma pessoa comum. Ele jamais vai voltar ao trono enquanto estiver esquecido do fato de quem ele é.
Quando você vem a Satsang, não vem para ser livre, para se iluminar, para "realizar Deus", para "realizar a Verdade", mas para descobrir a Verdade que Você é, o Deus que Você é, a Liberdade que Você é. O único trabalho que eu tenho aqui é lhe informar quem Você É, é fazê-lo lembrar de quem Você É.
Você se comporta como um jardineiro no jardim do palácio do rei, enquanto você é o rei apenas passeando no jardim. Você acha que um homem que passeia pelo jardim, apesar de ter se esquecido de que é o rei, se torna, de fato, um jardineiro? Se você se esquece de quem é, deixa de ser quem é?
Você acha que vem a Satsang para encontrar Deus. Todos estão fazendo isso! Há muito tempo, em todos os caminhos da busca, você quer aquilo que, na verdade, a mente projeta como o ideal, como o objetivo, como o alvo da conquista, o alvo da realização, da iluminação, do amor, da paz, da felicidade, o que, na verdade, é um grande esquecimento.
Meu trabalho com você não é lhe dar o que Você é, mas lhe ajudar a lembrar do que Você é! Você se confunde com pensamentos, sensações e sentimentos; despreza o que Você É nesse autoesquecimento acerca de si mesmo. Você se comporta como jardineiro, acorda como jardineiro, dorme como jardineiro, fala como jardineiro...
Eu tenho algo para dizer a você: o vazio é sua Natureza Real; o vazio é o rei! Assuma seu trono! Um rei sem trono não domina, é só uma pessoa comum. Assuma o trono, domine-o! Um Buda fala como um rei, olha como um rei, caminha como um rei, se assenta como um rei, reina como um rei.
um homem simples: andava com uma bengala, uma espécie de tanga, como diríamos aqui no ocidente, e uma pequena vasilha para carregar água enquanto caminhava, dando suas voltas na montanha. Nesse pequeno quadro, dessa pequena parte do mundo, ali estava um rei, com os pés no chão, subindo a montanha. E é assim até hoje. Na Índia, todos sobem a montanha e ninguém usa tênis; todos de pés descalços.
Se você sabe quem Você É, não importa a pequena parte do mundo onde você se encontra, ou que tipo de roupa você está vestindo, ou que tipo de comida está comendo. Você come como um rei e se veste como um rei.
Meu trabalho no Satsang com você é fazê-lo reconhecer quem Você É. Estou aqui para lhe dar Consciência. Você está dormindo! A natureza da mente é tal, que ela está completamente esquecida da Realidade, da Consciência, nesse seu sonho. Eu não vou lhe dar Consciência, eu vou fazê-lo lembrar de sua Natureza Real!
O homem chamado Ramana Maharshi caminhando de pés descalços, dando voltas na montanha, recebendo outros que queriam estar com ele, era um rei que tinha como trabalho mostrar a eles quem eles eram. Meu trabalho é o mesmo! Há relatos de alguns que diziam que mesmo o sorriso da mais linda criança diante de Ramana ficava pálido, tal era a beleza daquele sorriso. O sorriso de um rei!
Nesse mundo de autoesquecimento, o valor todo está na exterioridade, nas aparências. Oculta sob as sombras, está presente a silenciosa luz autofulgente de pura Consciência, de pura Presença, de pura Realeza.
Como é estar aqui? Como é poder se deparar com essa alegria e esse reconhecimento?
Somente quando a ideia de ser alguém vai embora é possível esse reconhecimento. Só então o rei se reconhece como esse vazio, e volta ao trono. E quando ele está de volta ao trono de sua realeza, o autoesquecimento vai embora, o medo vai embora, a ilusão da separação vai embora. A natureza desse vazio – que é o rei de volta ao trono, ao reconhecimento de sua realeza – é alegria pura, felicidade pura!
Então, não se esqueça disso: a Verdade está sempre presente Naquilo que Você É, quando você reconhece isso. Quando você não reconhece, isso é mera teoria. Pare de me ouvir e viva o que estou dizendo!
Todos estão ouvindo alguma voz, alguém dizer algo em algum lugar, mas isso não tem valor algum! Não quero que você me escute, quero que você se assuma como o Vazio, que se assente no trono, o domine e reine!
A felicidade de estar diante de um Mestre vivo é a alegria invisível de poder se reconhecer como Deus, como Consciência, como Verdade, como Vazio! A felicidade que gera em si uma grande realização! Poder reconhecer a Verdade presente nos olhos de um Mestre vivo é chamado, na Índia, de Darshan. Darshan é ter uma visão de Deus! Na Índia, sinceros devotos ficam loucos por isso, apenas por ter uma visão de Deus. Quando o Mestre está muito doente, seu corpo muito debilitado e não pode receber visitas, passam apenas para dar uma olhada por poucos minutos ou segundos; fazem uma fila e passam só para ter o Darshan, para ter um olhar de Deus.
Sabe o que significa isso? Significa poder lembrar que o jardineiro não é um jardineiro, não é alguém que cuida do jardim. É a possibilidade do jardineiro reconhecer que o que disseram para ele não é real. Ele não é fulano de tal, o jardineiro é o rei naquele palácio, e aquele jardim também é dele.
Como é vir aqui? Olhar para mim, se permitir que eu olhe, ter o olhar para você? Você consegue ver o mar e as ondas quebrando nas pedras, debaixo dessa luz do sol? Você percebe que a visão do mar com suas ondas quebrando nas rochas, ou se desmanchando na praia, na areia, é também um momento de Darshan? Por quanto tempo você mantém a lembrança desse silêncio, dessa graça, dessa beleza diante do mar? Quando você está aqui, o que é que lhe falta? Eu sou o mar, olhe para os meus olhos e você vai ver as ondas quebrando contra as rochas. Eu sou sua praia! Nós nos encontramos! Eu deságuo em você e você em mim! O rio que se encontra com o mar e o mar que se encontra com ele mesmo.
Não vê que eu sou esse "Eu Sou" que Você é? Você não fez uma viagem da sua cidade para estar aqui no Rio de Janeiro para ver o mar, mas você fez essa viagem para me ver. Você veio se ver! Você acha que a beleza do mar está fora daquilo que Você é? Você acha que encontra essa beleza viajando para alguma cidade? Você acha que essa é uma alegria que está fora de Você, para ser encontrada no prazer de surfar, ou de navegar, velejar, viajar ou ir para algum lugar? Não! A beleza é a sua Natureza, a única Felicidade Real! E quando você me encontra, você se encontra!
*Transcrito de uma fala ocorrida em agosto de 2015, num encontro presencial, na cidade do Rio de Janeiro/RJ. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A verdade não pode ser encontrada, porque ela não está oculta

Todo esse espaço só tem um único preenchimento. É um espaço no qual o preenchimento é a própria Presença. Porém, essa Presença que preenche esse espaço ainda é o espaço. Esse espaço não é um espaço, é a Presença, e é na Presença que esse espaço aparece.
Alguns de vocês, às vezes, me trazem perguntas como essas: "Por que o ego? Por que o sentido de separação? Como isso surgiu?" Isso que incomoda tanto é somente uma ilusão da qual a mente quer se livrar – mas a mente é essa ilusão. A ilusão de ocupar um espaço que, na verdade, a Presença ocupa, e não o ego, o sentido de separação. Para essa pergunta, a resposta é: Investigue a natureza da ilusão e você logo descobrirá que, quando a ilusão é investigada, ela não é encontrada, porque ela não está ali. Vá até as raízes do "eu", do "mim", do "ego", e você vai descobrir que as raízes não estão em nenhum solo, em nenhum terreno.
A própria Consciência, a própria Presença, se volta para Ela mesma nessa investigação da natureza da ilusão, e tudo o que Ela encontra é Ela própria. Não há nenhum ego, não há nenhuma ilusão, não há nenhum sentido de separação.
A verdade não pode ser encontrada, porque ela não está oculta. A ilusão não pode ser desfeita, porque a ilusão não é, nunca foi e nunca será! Assim, o que cumpre a você, nesse momento, é ir até as raízes dessa suposta identidade separada, desse suposto "eu", desse suposto "mim", dessa suposta pessoa que você acredita ser, porque tudo o que permanece é Aquilo que sempre esteve presente: essa Presença, essa Consciência, essa Verdade. Deus é a única Realidade, é a única Presença presente nesse espaço, e esse espaço é essa presente Presença, que é Deus. Você é Isso! Só tem Você!
Você é o princípio e o fim. É o meio também. Você é o alfa e o ômega, a primeira e a última letra do alfabeto grego. Você é antes do princípio e depois do fim. Você é Brahma, e é também Parabrahma. Você é Deus, e é além de Deus. A natureza da Realidade e a Presença presente neste espaço. Nenhuma aparição é possível fora desse espaço de Presença que é Você, que é Consciência. Então, não se importe com aparições, não se embole com aparições, não se confunda com aparições, não agregue valor a essas aparições, e você está livre! Você já está livre! Permaneça em seu estado inalterado de Ser: Consciência, Presença, Deus! Você já é livre! Você é Isso! Essa Liberdade de ser o que Você é, é Amor, é Paz, é Verdade, é Sabedoria, é Graça, é Felicidade. Felicidade é outra palavra para Amor. Outra palavra para Amor é Graça, que é outra palavra para Consciência, que é uma outra palavra para Deus, que é uma outra palavra para Você. Você é Deus! Não lhe informaram, e Eu estou aqui para lhe informar.
A religião lhe ensinou que você é um miserável pecador. Eu digo que Você é a pureza das purezas, e sua Presença santifica até demônios, porque Você é Deus! O perfume desta Presença, que é Você, preenche esse espaço de aparições. Você não precisa fazer nada para ser o que Você é, mas qualquer coisa que você faça vai lhe criar uma ilusão: a ilusão de que você é autor de ações, fazedor de coisas, uma pessoa no controle.
Em seu Ser, em sua Natureza Real, você não perturba essa Paz, porque essa Paz é você. O desejo, o esforço, a vontade, qualquer movimento para trazer paz a Isso que Você é, perturba essa Verdade simples e natural. Então fique quieto e não perturbe essa Paz! Ela já está aí! Meditação é seu estado de Paz, não agitado, não perturbado, não violentado pela vontade, pelo desejo, pela imaginação.
*Transcrito de uma fala ocorrida em julho de 2015, num encontro presencial, na cidade do Rio de Janeiro/RJ. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

sábado, 22 de agosto de 2015

A chave para a real libertação

O Guru, o Mestre, destrói absolutamente todas as suas crenças, inclusive, e principalmente, aquelas das quais você não tem nenhuma consciência que estão aí: todos os tabus, preconceitos, paradigmas, conceitos formados; todos os condicionamentos, absolutamente todos!
Você só é livre na sua Natureza Real. Enquanto houver uma sombra de mente, a ilusão está presente, o medo está presente. O meu trabalho, aqui, com você, é lhe mostrar o que significa ser absolutamente livre!
Aquele que é absolutamente livre não pode mais ser capturado pelo mundo, nem por este mundo, nem pelos outros mundos. Na verdade, estes outros mundos são, todos eles, um mundo da mente egoica, que cria um corpo, ou um veículo, para se expressar no "seu" mundo – o mundo de suas realizações, de suas conquistas, de seus desejos. Então, não importa que qualidade tenha esse mundo, porque, por ser fabricado pela mente, ele é uma prisão do próprio ego e algo construído por ele.
No ego, nessa ilusão, você está vinculado ao objeto do desejo: a família é um objeto do desejo; bens materiais são objetos do desejo; a busca da autoafirmação e do autopreenchimento, desta ou daquela forma, é objeto do desejo. Essa vinculação cria necessidades ilusórias para uma suposta identidade. É a ilusão do desejo, do prazer, e de encontrar preenchimento no objeto. Seu "amor" é uma prisão e não precisa ser inteligente para perceber isso, porque, quando esse amor é afastado, a dor está presente. Se a dor está presente naquilo que você chama de "amor", é apenas mais um objeto vinculado ao autopreenchimento; é mais um objeto do desejo.
Todas as relações que vocês têm, sem exceção, são armadilhas da mente; algo criado pela mente para satisfazer e preencher a si própria.
A mente, em sua prisão, vincula-se a uma autossatisfação egoica, se preenchendo nessas, assim chamadas, relações. Há relações com coisas, seja com o carro, a casa de praia, o apartamento; seja com um presente que ganhou, um jarro, um jogo de talheres de prata, ou com joias. Há a relação com espaços geográficos, essa forte necessidade de se preencher estando em lugares especiais, em ambientes especiais, fazendo a diferença no que você sente estando no campo e na cidade; você gosta desta cidade e não gosta daquela outra; ou nesta daqui você se sente bem, na outra sente-se mal.
E há a famosa relação com gente, e com animais, também. Existem aqueles que não gostam de pessoas, não gostam de gente, mas amam os animais; como, por exemplo, aquela madame que cria quinze cachorros, mas não suporta crianças.
Aquela senhora que tem quinze cachorros sabe que nenhum deles vai ofender o ego dela; podem até irritá-la, ao fazer xixi, ou cocô, e ela ter que cuidar disso, mas não irão irritar o seu ego a nível pessoal – isso não vai afrontar a pessoa que ela acredita ser. É assim a relação com animais, ambientes, espaços, lugares: enquanto eles nos oferecem algo, nós queremos. É assim a relação com coisas: enquanto há prazer, você guarda aquilo; quando para de lhe dar prazer você despreza. Todas as relações são assim, e assim são as relações pessoais.
Não há verdade, não há liberdade, não há amor em relações humanas; só há medo, e esse medo se expressa na ambição, na posse, no domínio, no poder etc. Eu sei que é um quadro triste, negativo, mas é assim. Você não pode ter nada além disso, neste mundo construído pela mente, pelo ego; estou falando deste mundo que a mente egoica produz.
Chamei isso de "labirinto da mente": não tem entrada, nem saída; um labirinto sem porta... só um labirinto. A mente é somente um labirinto sem entrada e sem saída.
Talvez você, escutando isso, não veja o quanto isso é prático, mas isso é absolutamente prático. No pensamento, você pode buscar uma resposta, ou pode desistir do pensamento e nunca mais confiar em nada, que se passa aí dentro, produzido pela mente. Aí, nesse momento, você deu um salto em sua sadhana, em seu trabalho do despertar.
Eu tenho esse primeiro passo, como o último passo. Você não tem que dar mais nenhum passo, só esse: nunca mais, absolutamente nunca mais, confiar em construções mentais.
Todo pensamento na sua cabeça é uma mentira, porque o pensador por trás dele está mentindo; todas as certezas e incertezas, avaliações e conclusões, também. É uma mentira toda confiança que se dá nessas relações diversas, com coisas, pessoas e lugares; com sentimentos, emoções e pensamentos. Ou seja, todas as relações ligadas e atreladas a essa ilusão básica: a mente é uma falácia; tudo nela é uma mentira.
O que há de positivo nisso, em toda essa abordagem, que nos parece, tão negativa da vida? O que há de positivo nisso é que o agricultor, antes de semear a semente, tem que limpar, afofar e adubar a terra, além de tirar as pedras, deixando-a preparada para que a vida possa florescer, que a semente possa germinar ali.
O que há de positivo é que a gente tem que limpar o "terreno", e é só o que a gente faz em Satsang: limpar o terreno, tirar o lixo e escombros, pois está ruindo, caindo, desabando tudo, e não podemos fazer nada. A gente vai tirando o que já desabou, caiu, vai limpando e fica olhando para aquilo que está caindo, desmontando, porque, ainda, não caiu tudo. Parece que a cada Satsang você tem uma surpresa com você mesmo, vendo o quanto ainda tem preconceitos e crenças instaladas no sistema, na "máquina"; os "programas" não podem rodar com facilidade, está cheio de vírus, e em cada Satsang você percebe o que está emperrado, o quanto ainda tem coisa emperrada aí. Parece que você tem que se dar tempo para ver isso.
*Transcrito de uma fala ocorrida em junho de 2015, num encontro presencial, na cidade de Fortaleza/CE. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Viciados no conflito, viciados em ser alguém!

Você, como o "alguém" que acredita ser, gosta muito de sofrer. Como o "alguém" que acredita ser, você busca sofrimento, porque isso confirma que você é alguém. A alegria não é interessante. Reparem que o que mais vende, o que mais é popular, o que mais atrai, é o conflito, é o drama, é a dor, é o sofrimento.
Isso é fácil de ser observado. Isso dá importância a uma nação! Como os políticos governam? Dando importância aos seus governados, e para dar importância aos seus governados oprimem. Então, a nação se sente importante quando está sob opressão; ela se sente viva.
Tudo que o oprime lhe dá um sentido de vida muito especial. Você não consegue ficar numa relação com o outro sem conflito – seja uma relação amorosa ou familiar. Você não consegue ficar bem sem conflitar. O "não-conflitar" vai incomodá-lo tanto, que você vai ter que criar alguma coisa para conflitar dentro dessa relação, para se sentir vivo, para que o outro continue considerando-o como o amor da vida dele, ou dela, nessa relação. E ele, ou ela, também gosta disso. Há uma troca. Isso é facilmente observado nas relações amorosas: você ama quem mais o maltrata, você ama quem o possui, quem tem ciúme de você, quem o domina, quem lhe faz muitas cobranças. Você ama isso! No ego, nesse sentido de ser alguém, é assim que funciona.
O sofrimento lhe dá autoimportância, o faz visível, o faz vivo. O silêncio, não; o não-conflito, não; a paz, não. Você vai apagando... Você para de brilhar para o outro quando não conflita, quando não exige, quando não cobra, quando não domina. Você vai apagando... Sabe qual é a reação do outro lado? "Você não me ama mais!" "Você deixou de me amar!" "Você está diferente!" "Você está frio!" Porque ego se alimenta de ego, e nada alimenta mais o ego, nada é mais "proteico", é mais "vitaminado" do que uma "sopa de legumes de conflito", de cobranças, de exigências, de domínio! Ego adora isso! Isso lhe dá vida!
Vai ficando cada vez mais difícil continuar cheios de amigos, cercado de relacionamentos, porque essas pessoas estão com você por lhes dar o que eles querem. Você tem opinião para dar – que é o que produz conflito na relação – você tem exigências, ideias, discordâncias... E quando é em um nível mais íntimo, como uma relação conjugal, isso vai chegando a um ponto inacreditável, como o de agressões físicas! Tem coisa que o ego goste mais do que ser agredido fisicamente? São padrões de ego, padrões de fortalecimento de autoidentidade... Tem ego que adora apanhar, fisicamente mesmo! Homem que gosta de apanhar da mulher e vice-versa. Esse subjugar, esse ferir, isso se vê em tudo. Nas relações sexuais, por exemplo: uso de chicotes, amarras etc... Isso dá vida ao ego, dá autoimportância. Sem ego, você fica invisível para o outro, e aí não é mais interessante. O ego precisa de pancada, cobrança, exigências, para se sentir vivo.
Participante: Mestre, nessa ausência de conflito, o outro o vê desaparecendo, e você também se vê desaparecendo. E isso é mais insuportável.
Mestre: Pois é, fica insuportável estarem em silêncio, estarem sem conflito. Vocês precisam perder esse vício. Vocês estão viciados no conflito, viciados em ser alguém.
*Transcrito de uma fala ocorrida em julho de 2015, num encontro presencial, na cidade do Rio de Janeiro/RJ. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

É preciso uma entrega, um foco, uma energia total nisso!

Esse contato com um Mestre vivo vai lhe dar Liberdade, Paz, Amor Real, Felicidade Real, mas Ele não pode fazer isso – embora somente Ele possa fazer isso – enquanto o poder estiver presente, o poder dessa suposta entidade presente aí.
Então, não se engane. Ele vai, primeiro, ter que despir você desse poder, disso que lhe investe de autoridade para ser "alguém". Tudo o que está investindo você da autoridade de ser "alguém", ele vai ter que despi-lo. Você não decidiu vir, mas você pode ainda se manter, por um tempo, naquela tão comum e habitual resistência ao movimento da vida. E a vida nesse movimento, neste instante, para você é o movimento da entrega: a entrega do poder. Na sua vida, há toda uma ornamentação que investe você de poder e lhe dá essa credencial de ser "alguém" no mundo. O trabalho de um Mestre é tirar isso, porque isso é o peso de ser uma pessoa. Aqui, você precisa perder o medo, soltar o medo, porque, se você não soltá-lo, ele, que é a estrutura na qual o ego e o sentido de "alguém" se apoiam, não vai ruir, nem desabar.
Despertar, realizar Deus nessa vida é para alguns poucos. O Bhagavad Gita diz algo semelhante a isso: "De um milhão que me procuram, mil me encontram, e, desses mil, um se realiza em mim." Você não está aqui numa corrida, disputando com outros; você está aqui para ir além desse "alguém" que você acredita ser. Se você quiser algo mais light e dietético, vá assistir a vídeos de outros acordados, ler livros desses mestres, e ver um mestre a cada seis meses..., mas nesse trabalho real o medo tem que cair.
Nesse trabalho real, como o meu Guru me mostrou, é preciso uma entrega total, um foco total, uma energia total direcionada a isso, todos os seus recursos nisso. Você está aqui apenas para isto: Realizar Deus. Todo o seu tempo, toda a sua saúde, todo o seu dinheiro, toda a sua emoção e toda a energia, antes dispensada para um intelecto, preocupado com busca de informações, troca de opiniões, e julgamentos, tudo isso deverá voltar-se para essa realização. Isso terá um preço; o que eu tenho para lhe dar não tem preço, mas o que você tem para me dar vai ter um preço, custar-lhe algo, ou melhor, vai lhe custar tudo!
Essa estrutura de ser "alguém" está montada no poder, naquilo que lhe confere poder. Então, tudo na sua vida que lhe confere poder, o poder de ser "alguém", diante de um Mestre vivo tem que cair. Por isso, o que eu tenho para lhe entregar não tem preço, mas o que você tem que me entregar tem que ter um preço. Se não estiver disposto a fazer isso, essa estrutura de poder se mantém, o ego se mantém, a ilusão se mantém e não há Deus, não há Realização.
Por isso que Buda, Jesus, Ramana e todos os outros falaram, apontaram para esse desistir do poder de ser "alguém", assentado no dinheiro, na saúde, enfim, em qualquer outra coisa. Onde a estrutura de ser "alguém" estiver assentada, essa estrutura vai ter que ser explodida pela dinamite da Graça. Por isso, o tema de todas as minhas falas, pelo menos das falas mais diretas, dentro de encontros presenciais, todas giram em torno da entrega, da rendição, do se aquietar, do deixar nas mãos de Deus, do entregar à Graça, do sair do controle, do sair do volante, do sair dessa suposta liberdade de comando e ver claramente o quanto você é dependente dessa Presença Divina para cuidar de tudo.
Na prática, a teoria sempre é outra. É fácil se deleitar ouvindo uma fala, mas uma fala não resolve, ler alguns livros não resolve, ver alguns vídeos não resolve...
E, então? O que vocês vão fazer agora?
*Transcrito de uma fala ocorrida em julho de 2015, num encontro presencial, na cidade de São Paulo/SP. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

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