sábado, 31 de outubro de 2020

Sua vida no ego é uma vida de ilusão

O que você espera quando nos encontramos? Mais conhecimento? Conhecer um pouco mais? Você acha que apenas o conhecimento vai resolver a situação? Então, a Verdade, o Amor, a Paz, a Clareza e a Inteligência nascem do conhecimento? É assim?
Não há conhecimento para se ter, nada para se saber. Há apenas o Conhecimento deste momento presente, que é o não saber. Esse único Conhecimento está livre de objetos, livre da mente ilusória com toda sua informação sobre eventos, acontecimentos, incidentes e experiências. A Inteligência é possível e se encontra nesse “não há conhecimento para se ter”.
Esse “senso de pessoa”, que você acredita ser, é todo o problema imaginário que você tem. A Vida acontece neste presente momento, que é o Conhecimento do não saber. Todo o sofrimento desaparece neste momento do não saber, que é o único Conhecimento possível, real. Estou dizendo para você que tudo o que a sua mente está produzindo é falso! Você tem um falso conhecimento sobre o que está acontecendo, e acolher isso é Liberdade. Enquanto resistir a isso, o que você tem é servidão, escravidão, prisão. Você vive nessa egoidentidade, e isso não é Vida.
Se você pegar um pássaro e o colocar dentro de uma gaiola, qual será o tempo de vida dele? Não importa, porque, durante o tempo em que passar nessa gaiola, ele estará vivo, mas isso não é vida para o pássaro. A vida para o pássaro são as flores, as árvores, os galhos, o voo, a dança, o canto para atrair a parceira… Tudo isso em liberdade. Mas dentro de uma gaiola não há liberdade! Não importa o tempo de vida desse pássaro; se está em uma gaiola, ele não está verdadeiramente vivo, e assim é a existência nessa condição de “ser pessoa”.
A Vida acontece nesse não saber do presente momento, no qual existe Paz, Clareza, Plenitude, mas a “vida humana” é a identificação com o corpo, na ideia desse “eu”, o “eu-pássaro” na gaiola. Aqui, a sua gaiola é a mente, e é nela que está o seu mundo. Numa gaiola de pássaros, você encontra um poleiro, que jamais será os galhos livres de uma árvore, movendo-se ao som das folhas ao vento. Além do poleiro, é colocado um recipiente com água e outro com comida, para o pássaro poder beber água e se alimentar, mas ele não está livre. Na condição dessa egoidentidade, parece que você tem tudo: tem casa, comida e água; pode se casar e até procriar, ter seus filhotes, pois uma gaiola grande comporta tudo isso, e dá até para dar alguns saltos parecidos com voos. Porém, não tem o céu, os rios, a terra, as árvores, a amplidão do espaço, e não há Liberdade.
Essa condição de vida na mente é uma gaiola muito especializada, não uma gaiola simples de pássaros. A mente é uma gaiola que se especializou ao longo de milênios e criou esses “conhecimentos”, que você acredita existir. Acabo de dizer que não há conhecimento, mas a mente criou isso e, naturalmente, colocou ali muitos objetos, posses, que é onde está a sua identidade. Você tem apego, e, nesse medo, tem a não paz, a não clareza, a não plenitude. Esta é a condição em que você nasceu: em exílio. Como definição, exílio é quando você está fora do seu lugar de origem, expatriado, na condição de refugiado em um país estrangeiro, e ser repatriado significa voltar para casa. Aqui, a “Casa” é a extraordinária Graça, Beleza e Verdade desse não saber, neste presente momento, onde existe a Liberdade em relação a esses objetos ilusórios, a Liberdade da não mente. Isso é viver em Deus!
Estou falando que nenhum conhecimento é possível. Há somente o Conhecimento do não conhecimento, o Saber do não saber, neste momento, neste presente instante, nesta Consciência. Então, há Paz, Clareza, e surge essa Plenitude… Não há conhecimento, não há objeto, nada existe em lugar nenhum! Há presente somente Aquilo que conhece esse Vazio, esse não saber. Não há pássaro nem gaiola. Então, você não veio aqui conhecer, mas descobrir que não adianta conhecer, e que conhecer é peso.
Se essa é a Verdade e se existe algo do qual você precisa se livrar, isso somente será possível se você permitir que essas ilusões se dissolvam, pois são esses ilusórios objetos da mente que constituem a sua prisão. Assim, permita que todas as ilusões construídas pela mente se dissolvam. Não se agarre a elas! O que eu tenho percebido é que você não quer acolher a Vida, não está pronto para ouvir o inesperado, não está pronto para o não saber, para essa Liberdade do imprevisível. Você não está pronto, ou não se faz pronto, para permitir que toda essa ilusão se dissolva no Nada, no Absoluto Nada, onde todas as ilusões se dissolvem.
O Nada é esse esvaziamento completo, onde esse “sonho de existência” desaparece. Estou descrevendo para você o Estado não descritível, o Estado sem ego, esse Estado de cuidado, de ação, de movimento, de atenção, e com total ausência de medo. Esse não é como um estado inerte e insensível de uma pedra, frio como um bloco de gelo; não é isso. Repito: o Estado sem ego é de ação, de atenção, de cuidado, de movimento, mas é sem medo, porque não há ilusão. Então, quando você se deparar com uma vicissitude, uma adversidade, uma complexidade, será prático, ágil, estará em movimento, tomará os cuidados, mas não haverá medo, porque não haverá ilusão.
Sua vida no ego é uma vida de ilusão, portanto é uma vida de medo. Aquilo que é prático não é feito, a atenção que precisa ter você não tem, e o cuidado que se faz necessário não acontece, porque não há Consciência. Então, permita que todas essas ilusões se dissolvam nesse absoluto Nada. Deixe se dissolver essa sensação de ser, saber... essa sensação de controle e de ordem imaginária que o pensamento produz e, assim, você liberará todas as suas dúvidas, perguntas. Quando tudo isso se vai, também se vão a ansiedade, a imaginação, o desespero e essas sensações negativas e positivas. Consegue ver a beleza disso?
Você consegue, também, ver que a vida no ego é de um medo constante, criado e sustentado pela ilusão? Você não precisa dessas perguntas, dessa ansiedade, dessa antecipação negativa, dessa esperança medíocre de realização de um sonho amanhã. Para ter essa Plenitude, Paz, Felicidade, você não precisa sonhar, pois isso é algo típico da mente medíocre, que busca treinamento em palestra de autoajuda, que acredita que o futuro pode ser mais completo do que a Completude deste instante, deste momento. Tudo isso é imaginação!
*Transcrição de uma fala em um intensivo on-line em 19 de Setembro de 2020 – Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Você não está no mundo

Estamos diante de uma palavra direta! Não é o significado das palavras que nos interessa em encontros como esse. Palavras você encontra com muita facilidade em uma conferência, lendo um livro… Nosso propósito, aqui, não é compartilhar ensinamentos; nós estamos apenas fazendo investigações. O propósito é que você compreenda, de uma forma direta, em sua própria experiência, para onde estamos apontando. Aqui, se trata de saber ou sentir diretamente, e isso cria uma mudança de perspectiva extraordinária. Isso pode lhe trazer uma nova maneira de viver, de experimentar a vida. Então, Satsang aponta para essa possibilidade – esse é o propósito dos nossos encontros.
Uma das coisas importantes a serem compreendidas sobre isso é que não é possível você ter essa Visão Real da Vida, de Si mesmo e, ao mesmo tempo, continuar tendo a visão de si mesmo e da vida nesse formato que você vem tendo. Isso é algo que pode, literalmente, virar do avesso sua perspectiva. A Realização é algo que destrói o seu mundo!
Você não está no mundo! O mundo está presente em Você, mas você não está nele! Alguns de vocês não têm investigado isso com profundidade. Então, você acorda pela manhã, se dirige para o trabalho e está vivo, mas o Universo está morto. No Despertar, algo diferente acontece: você acorda pela manhã, toma seu banho, vai para o trabalho e tudo está acontecendo, mas agora está acontecendo com ninguém e para ninguém. O Universo está vivo e “você” está morto. Há o funcionamento natural do Universo, e Isso é o Real Você; não esse “você” antigo, esse “você” da velha perspectiva, do modo antigo de ver a vida e a si mesmo, esse “você” que se vê como uma pessoa, vivendo dentro de um corpo, com questões diversas e uma quantidade inumerável de problemas (problemas emocionais, psicológicos, sociais e até políticos).
Esses problemas só estão aí porque “você” está vivo e o Universo está morto. Você, em sua Natureza Verdadeira, é a Vida, o próprio Universo, e não carrega essa miséria. Esse seu “mundinho” é pequeno, carregado, pesado, difícil, de dor e sofrimento, sem Paz, com relacionamentos quebrados, casamento infeliz, falta de propósito, confusão e conflito com a família, com os pais, com a política do país, com toda a situação externa acontecendo no mundo. Isso é “você” vivo e o Universo morto! “Você” com o seu “mundinho”.
O mundo do “eu” é sempre um mundo de problemas, conflitos, dilemas, sofrimento, medo, raiva, e tudo mais. Isso está aí devido à crença nessa “pessoa” separada, por falta de uma autoinvestigação com profundidade. Você precisa ter uma intenção fervorosa, zelosa, aplicada, então poderá ver a Si mesmo, a Vida, o Universo Vivo. De outra forma, continuará em seu “mundinho”, cheio de questões que jamais se resolvem, jamais têm solução. Reparem que vocês jamais conseguirão mudar alguma coisa do lado de fora. O mundo é assim desde que ele é mundo. Logo você vai embora e tudo continuará do mesmo jeito. É um trabalho constante em vão; uma atividade psicológica de conflito, dor e contradição.
A Realidade é Absoluta, além de todas as ideias, crenças e características. Existe algo em você que conhece sua Real Natureza, além de “ser” e “não ser”, além da chamada “consciência” ou “inconsciência”, da “vida” ou “morte”. Assim, é mergulhando em Si mesmo que você conhece a Real Meditação, a Verdadeira Natureza do Ser, da Verdade, desse Universo Vivo. Então, todo o mundo – não o seu “mundinho” – pode aparecer nessa Luz da Suprema Consciência – não no que você chama de “consciência”.
A Realidade é não conceitual, não é uma ideia, não é uma crença. Quando você desperta pela manhã, essa Suprema Consciência está presente. Na verdade, antes de você despertar pela manhã, essa Suprema Consciência já estava presente. Nesse Estado de Ser, Consciência, você percebe o corpo, a mente, o mundo, esse Universo Vivo, sem o “eu”, sem o sentido de “alguém” se levantando, tomando café, indo para o trabalho... Essa é uma posição fundamental! Você pode achar muito bonito ouvir tudo isso, mas essa é só a “melodia da canção”. Não fique apenas ouvindo a “melodia da canção”! É necessário ouvir, celebrar, dançar, viver a “canção”!
Isso é como o Sol... Nenhum outro objeto faz o Sol brilhar mais ou perder seu brilho. Você é o Sol brilhando no Espaço! Você está presente e brilhando, mas, todas as vezes que se confunde com a mente, com as crenças que surgem, você termina ficando limitado.
Agora, você é uma pessoa acordando pela manhã, tomando seu banho, seu café, indo para o trabalho... Você faz isso por quarenta, cinquenta, sessenta, setenta anos, e depois morre. Você só pode morrer porque não é o Universo Vivo, mas uma “pessoa”. Você carrega sempre essa ilusão do “sentido de pessoa”, e esse é o seu medo.
A sua Essência é pura não dualidade, não separação. Quando o corpo, a mente e os objetos são percebidos nessa Consciência, é como o Sol brilhando no Espaço. Nem o corpo, nem a mente, nem o mundo, nem os objetos, nem as experiências podem ofuscar, alterar, para mais ou pra menos, o brilho desse Sol. Essa é sua Condição Natural, mesmo agora. Quando você se identifica com a mente, se perde na identidade pessoal, começa a emitir opiniões, julgamentos, a tirar conclusões, então colide, novamente, com seu pequeno mundo.
Em sua Natureza Real, Você está além de todos os estados, experiências, crenças, conceitos, acordos e desacordos. Em seu Ser, Você é a Felicidade, não pode estar revoltado, infeliz, insatisfeito, se sentir miserável. Mas, quando você colide com seu pequeno mundo, toda essa Clareza desaparece, toda essa Visão da Realidade se vai.
* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online, na noite do dia 25 de Março de 2020 – Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

terça-feira, 27 de outubro de 2020

Este é o princípio da Meditação

Aqui, temos a oportunidade de mais um contato com nós mesmos. Satsang é um contato com a Realidade, essa Realidade que somos. É muito importante que você esteja disponível, que aprenda a priorizar esse encontro consigo mesmo.
A mente está sempre enfatizando o objeto. Ela se vê como sujeito e enfatiza o objeto. Parece que todas as suas experiências acontecem nesse nível – são experiências para um sujeito, e o veículo dessa experiência é sempre o objeto. Essa sua procura por experiência é para encontrar o que você deseja, no entanto parece que isso nunca é encontrado, fica sempre faltando alguma coisa, algo continua incompleto, não importando a qualidade de experiência que você tenha ou a importância do objeto com o qual você entre em contato.
Você, como um “sujeito”, preso a essa visão da mente, nunca se vê completo, nunca se vê realmente satisfeito. Há uma constante insatisfação. Nenhuma experiência é completa para o “sujeito”. A experiência, em si, nunca é o problema; o problema é a presença ilusória de um “sujeito” na procura por um objeto. Levem isso para diversas áreas aí da sua vida. Essa observação da natureza ilusória do “eu” é essencial.
Você precisa descobrir como viver livre dessa procura. Veja que o objeto não pode lhe dar o que você realmente está procurando. Quando você percebe isso, começa a ter uma consciência de orientação. Aqui, eu uso a palavra “consciência” no sentido de um senso real de orientação. Quando você tem isso, sua vida é reorquestrada ou reorganizada.
A palavra “orquestra” lembra organização, uma perfeita organização. Então, reorquestrar é reorganizar. A vida das pessoas, em geral, não está organizada. Você precisa perceber que, quando você alcança o objeto, quando a experiência acontece, aquilo que realmente é desejado não é encontrado. O que você tem ali é apenas uma breve sensação de satisfação. Isso mostra que essa satisfação não está no próprio objeto, não está nesse encontro com o objeto, não está na experiência. Isso significa que o fundamental é Você, e não aquilo que você busca. Há algo em você que permanece sendo fundamental, independente, livre de objetos e experiências.
Você foi programado para uma busca constante – a busca do objeto, do preenchimento e de uma realização que nunca acontece. A mente está sempre presente, colocando desordem. Não há essa organização, essa orquestração, quando a mente está presente.
Quando eu uso a palavra "orquestra", a primeira coisa que vem a você é um grande salão, onde os músicos estão assentados e organizados, de uma certa forma, para que aconteça um concerto. É preciso haver ordem ali, organização. Assim é a sua vida. Quando há esse Sentido Real de Vida, essa Presença, você se depara com a Graça, com a Beleza, com a Verdade! Esse é o seu encontro com o que há de verdadeiro, que é Você! Esse encontro Consigo mesmo é o encontro com o Divino! Quando isso acontece, não está mais havendo uma dispersão aí, porque você deixou de enfatizar o objeto. Quando você deixa de enfatizar o objeto, a mente sai dessa posição (era ela que estava fazendo isso).
Eu tenho falado com você a partir dessa Ordem. Essa fala nasce e aponta para essa Ordem. Agora, é preciso maturidade para que isso aconteça, e não enfatizar mais o objeto traz essa maturidade. É quando você questiona, explora, essa “sua vida”. Quando você faz isso, não acontece essa dispersão de energia.
Você sabe o que eu chamei de “objeto”? Qualquer coisa! A relação com qualquer coisa! Uma coisa muito comum é essa dispersão pelo pensamento. Pensamento, aqui, também é um objeto. Quando você vive na esperança, você está vivendo na imaginação, nesse futuro imaginário que o pensamento produz. É uma espécie de “sonho acordado”. Isso é só um exemplo de objeto, no qual a mente está sempre buscando preenchimento e satisfação.
O fato é que enquanto há imaginação, ainda que seja esperançosa, positiva, a mente ainda está dentro de seu espaço, dentro de seu próprio território, também produzindo imaginações negativas, medo. Então, você tem a esperança e a desesperança; o desejo e o medo. Assim não pode haver esse amadurecimento.
Seja prático e pare de imaginar! Pare de buscar no mundo mental através do conhecimento, através das experiências, através da esperança, da imaginação, e volte-se para a Realidade presente, que é Você, essa Consciência livre da mente, da imaginação. Se você se livra da imaginação, se livra do medo, se livra do futuro e, também, do passado. Seu passado é tão imaginário quanto o seu futuro, e vice-versa.
Então, você amadurece quando investiga, quando observa, quando compreende aquilo que se passa aí dentro, quando para de depender psicologicamente de objetos, de pensamentos. O pensamento está sempre girando em torno dessa coisa da esperança, do desejo de se livrar de alguma coisa ou conseguir uma outra.
Você faz uma diferenciação entre objetos animados e inanimados, mas eu não. Seu pequeno cachorrinho de estimação também é um objeto. O que quer que esteja servindo para alguma forma de preenchimento temporário e psicológico é apenas um objeto. Do ponto de vista da mente, as pessoas também são encaradas dessa forma – uma coisa para seu autopreenchimento.
Por isso é que há muita frustração, muito sofrimento. Há muita dependência, então há muito medo! Como é possível a felicidade em meio a tudo isso? Como é possível a paz em meio a tudo isso? Uma vida confusa, sem ordem... É como juntar muitos músicos dentro de uma sala, todos com os seus instrumentos desafinados, completamente fora de ordem, e esperar um concerto musical. Eles não estão sentados em seus lugares certos, os instrumentos estão desafinados, o maestro não veio...
Seu estado mental, sua vida, é o contrário de orquestração. Quando há Orquestração, quando há Ordem, Liberdade, Paz, Felicidade, você tem a música, você tem a arte, você tem a beleza; não a partir de um objeto, mas a partir da ausência da ilusão do “sujeito”. Quando existe essa ausência da ilusão do “sujeito”, não existe nenhum problema! Eu tenho enfatizado para você a importância de não dispersar energia, de estar ciente de si mesmo, de suas ações e reações, de suas resistências.
É muito importante que isso tudo diminua, essa ilusão de suas próprias ações, essa ilusão de se manter como um elemento de reação nas relações, e essa questão séria da resistência. É importante que isso tudo diminua, até desaparecer. Caso contrário, você permanecerá preso dentro de uma cadeia: a cadeia de suas reações, da resistência, da ignorância, da ilusão, do sofrimento. Assim, nunca haverá Liberdade, Sabedoria, Inteligência, Iluminação. Você será apenas uma “pessoa”. Temos sete bilhões no planeta, você será só mais uma delas.
Então, é importante que essa cadeia desapareça. No momento em que tudo desaparece, não há mais objeto, não há mais pensamento, não há mais tensão, apenas Quietude, Silêncio, uma sensação ilimitada de Bem-Aventurança, algo semelhante a quando você, despretensiosamente, dá um passeio em um parque cheio de árvores, com pássaros cantando e, de repente, por alguns instantes, todas as suas preocupações desaparecem, todos os objetos, em sua mente, já não estão mais presentes. O futuro e o passado não estão mais presentes, apenas o corpo caminha naquele parque.
Isso é algo indescritível! Não pertence à mente, ao tempo psicológico, ao sentido do “eu”, então não há mais nenhum objeto. Nesse momento, tudo desaparece! Então, há uma Clareza interna, uma Inteligência presente. Você não está mais agindo, reagindo, movendo-se do ponto de vista da “pessoa”, então não há mais nenhuma dispersão de energia. Um espaço se abre...
Este é o princípio da Meditação: um completo esvaziamento de todo o conteúdo interno, de toda essa bagunça que o pensamento provoca dentro de você. O pensamento é muito perturbador. Ele é a presença do objeto para esse “sujeito”. Se o pensamento se vai, o “sujeito” também se vai. Há Algo presente que não é parte da “pessoa”.
A “pessoa”, então, se mostra como uma ilusão. Todo o seu conteúdo desaparece. Nesse instante, você não tem um nome, não tem uma história, não tem memória – não tem essa “pessoa” que você conhece, esse conjunto de memória, de lembranças, de imaginações.
Tratamos com você sempre Daquilo que é essencial e, quando você tem olhos para ver, você vê! O meu trabalho com você é para que você tenha essa Revelação direta Daquilo que está aí presente. Você é importante, e não a experiência, o objeto, o que acontece. Falo de sua Natureza Verdadeira, sua Natureza Essencial. Ela é importante!
* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online, na noite do dia 24 de Agosto de 2020 – Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Qual é o objetivo deste encontro?

Afinal, qual é o objetivo deste encontro? Você sabe que este encontro é conhecido como Satsang, que significa “encontro com a Verdade”. Mas, afinal, o que é a Verdade? Se é a Verdade, então é Algo além de toda explicação, denominação, além de todas as características, inclusive a de ser ou estar consciente, ou daquilo que representa o Vazio. Se estamos falando da Realidade, tratamos de Algo além de tudo aquilo que a mente pode compreender e, também, explicar.
O objetivo deste encontro aqui é o Despertar de sua Natureza Verdadeira, de sua Identidade Real, que é essa Realidade, mas como podemos tratar Disso com palavras? Se essa Realidade, ou Verdade, é anterior a todos os fenômenos, não podemos descrever Isso. Então, aqui o primeiro ponto é este: você precisa se livrar do conhecido e não tentar compreender com o intelecto o que estamos tratando aqui. O intelecto não pode alcançar Isso, porque não faz parte daquilo que a sua mente pode aprender. Tudo o que você conhece se move no reino dos fenômenos. A própria ideia que você tem de si mesmo é imaginária, é a ideia de uma identidade imaginada.
Então, esse espaço chamado Satsang é a forma real de nos aproximarmos do encontro com a Verdade. Há Algo em você que conhece essa sensação de estar presente e consciente, e esse Algo é a sua Natureza Verdadeira − é Disso que estamos tratando em Satsang. Essa é a Realidade, mas é claro que Isso está fora da razão, da explicação, do conhecido; é algo incognoscível como objeto, está fora da mente. Geralmente, usamos a expressão "Ser" nesses encontros, mas a Verdade não é “ser” nem é “não ser” − é incognoscível, está além disso tudo!
O seu problema aqui é a tentação de considerar a Verdade como uma ideia − a ideia de “Ser”, de “Consciência”, ou até de alguma coisa mais objetiva. Por exemplo, as pessoas procuram a paz, a sensação da paz, mas, na verdade, estão buscando a ideia que fazem da paz, como um estado. É assim, também, com a liberdade ou a felicidade. Se você conhece esse estado de paz, de liberdade, de consciência, isso é algo objetivo. Não é isso? Então, este é o ponto: o que você está procurando ainda é algo objetivo, algo que está dentro do conhecido, e não é disso que estamos tratando aqui. Estou dizendo que O que Você é está além do conhecido, e Isso não é esse estado de paz, de liberdade e de consciência que você conhece, que ainda faz parte da mente.
Esse aspecto é bem interessante, porque as pessoas praticam meditação para encontrar a paz, mas elas terminam encontrando a “paz da meditação”, que é somente um estado conhecido e, ainda, faz parte da mente. Através de alguma técnica, com um certo esvaziamento do conteúdo da mente, esse estado de paz é experimentado, e as pessoas vivem loucas atrás disso, mas é um estado que não é real ainda, porque não é a Verdade; é somente um estado. A Verdade não é um estado.
Essa paz que se conhece pela meditação é um estado que desaparece quando a meditação não está presente. Então, essa técnica ou prática de meditação favorece esse estado de paz ou de liberdade, mas isso ainda não é a Realidade, a Verdade do seu Ser, a sua Natureza Verdadeira. O que Você é está além de todos os estados e de todas experiências, de tudo aquilo que a mente pode capturar, explicar ou experimentar. Existe Algo aí antes dessa “paz” e dessa “liberdade” conhecidas, bem como antes do chamado "ser" ou "não ser".
Por mais sutis e apreciáveis que sejam esses estados, ainda fazem parte do conhecido, portanto estão dentro da mente ainda. Esses estados são experiências que podem ser apreendidas, compreendidas ou reconhecidas, e não é disso que estamos falando em Satsang. Aqui, iremos “limpar esse terreno” completamente, pois temos que nos livrar disso tudo. Aqui, estou falando da Consciência não conceitual, não descritiva, não experiencial, não conhecida pela mente; da Consciência anterior a essa “consciência”, a essa “paz”, ou essa “liberdade”, que são estados.
Então, essa Consciência, que é sinônimo de Verdade ou Realidade, não está dentro da experiência. Ela é a base de tudo, mas está além de tudo! Você está além de toda experiência, como pura, absoluta e suprema Consciência. Essa Realidade primordial, não conceitual, não é algo limitado, condicionado, preso ao tempo. Ela é essa Consciência não conceitual, a pura e absoluta Consciência. Você é antes de estar consciente, antes de saber desse "Eu Sou".
O que estou lhe falando é a partir da vivência direta aqui. Essa é a Visão da Realidade ou da Verdade, não é a visão de Ramana Maharshi, de Nisargadatta, de Buda, de Jesus ou do Gualberto. Essa é a Visão da Realidade, Daquilo que Você é, que é anterior a absolutamente tudo! A Realidade ou a Verdade de sua Natureza Essencial não pode ser compreendida, explicada, alcançada ou perdida. O que Você é jamais deixa de ser, e o que você não é, jamais será!
Quando você acorda pela manhã, a “consciência” acordou. Nesse “estado de consciência”, que é somente um estado da Consciência, você percebe a mente, o corpo e o mundo, exatamente nessa ordem. Primeiro, a percepção "eu"; depois, o corpo e o mundo. Porém, essa percepção "eu, corpo e mundo" é apenas essa “consciência” que acordou – a consciência como um estado, como uma experiência de mente-corpo-mundo. Esses estados são somente aparências, apenas fenômenos crédulos, fenômenos da mente, na mente, não O que Você é. Nada disso é O que Você é!
Quando se identifica com qualquer uma dessas aparições (mente, corpo e mundo), você dá origem a essa noção equivocada da “pessoa” − a ilusão da identidade individual, separada, com livre-arbítrio, escolha, vontade, determinação. A própria busca de liberação é uma outra ilusão, também, para essa entidade. Essa busca é a causa de todo sofrimento, todas as dúvidas, todos os medos. Tudo isso é somente a consciência de estados que vêm e vão, de fenômenos.
Esse estado de consciência desaparece no sono profundo ou sob o efeito de uma droga, então fica claro que é um estado transitório, que vem e vai. Em algum momento, ele surge e no outro já não está mais lá, então esse estado é somente uma experiência, e O que Você é está além dele. Isto deve ficar claro para você: esse é um estado que cria a noção de tempo e espaço, a noção de corpo, mente e mundo. Tempo, espaço, corpo, mente e mundo estão atrelados a esse fenômeno chamado “estado de consciência”. O que Você é está além da mente, do corpo, do mundo e, portanto, além desse “estado de consciência”, que vem e vai, que desaparece no sono profundo ou sob o efeito de alguma droga pesada.
A maravilha desses encontros chamados Satsang é que, aqui, estamos tratando do Real Despertar, que não é o despertar de quando você sai do sono, pela manhã, e toma consciência do mundo, do corpo e da mente. A beleza desse Real Despertar é a vivência direta de sua Natureza Real, que é a Realidade, a Verdade.
Isso é como o Sol… O Sol não reflete nada, mas tudo reflete o Sol; tudo brilha com ele, mas ele não brilha com nada. Onde você identificar luz, lá estará o Sol, mas ele está sempre sozinho. Todo objeto pode ser visto sob a luz do Sol, mas ele é a luz dele próprio, é a luz de si mesmo. Se um objeto aparece, você percebe a sua luz, mas a luz desse objeto é a presença da luz do Sol nele. Esse objeto só se torna presente porque o Sol lhe dá presença, mas nada dá presença ao Sol, a não ser ele próprio. Assim é a sua Natureza Verdadeira, a Natureza de Deus em Você, a Natureza da Realidade, da Verdade, que é, por si só, autofulgente, autobrilhante, autorresplandecente e inominável.
Nesse Real Despertar, essa Inteligência, essa Sabedoria, essa Visão da Verdade, é autofulgente. Nele, Você agora, como Consciência, não precisa de nenhuma luz emprestada; não precisa da luz da experiência, do conhecimento, da prática, do saber, pois Você é como o Sol, tem luz própria. Ao Despertar, Você está em sua posição Incondicional, Original. Esse é seu Estado Original, seu Natural Estado de Ser! Sua Natureza é essencialmente pura, não conceitual; é a Verdade ou a Realidade absoluta!
* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online, na noite do dia 24 de Janeiro de 2020 – Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

sábado, 17 de outubro de 2020

15º - A Perfeita Compreensão

A perfeita Compreensão acerca de nós mesmos nos mostra o modo verdadeiro de lidar com os desafios da vida, sem as decepções e frustrações que, de forma comum, temos experimentado. Fomos educados para uma vida de expectativa e ambição; essa tem sido a regra geral.
Ou estamos em um passado de ressentimentos, por situações que acreditamos que poderiam ter sido diferentes, ressentidos por relacionamentos que nos decepcionaram, ou estamos no futuro, na expectativa de que as situações que virão nos satisfarão de maneira plena, de que as pessoas irão nos apreciar, amar e compreender, ou seja, as situações e as pessoas serão melhores e, assim, a vida será mais fácil.
Este tem sido o nosso sonho: situações, realizações e relacionamentos novos e mais satisfatórios. Portanto, existe em nós uma tristeza por algo não ter dado certo e, também, a esperança de que um dia algo dará certo. Assim, estamos nessa busca de preenchimento interior em realizações, em conquistas e em relacionamentos. Não conseguimos parar com esse comportamento.
Nós não nos fazemos perguntas, como: por que agimos assim? Nós nos tornaríamos pessimistas, negativistas e fugitivos da vida se deixássemos essa estrada comum? Essa é a única forma de vivermos neste mundo? Por que temos que acreditar, como todos, que a felicidade está no mundo exterior e que podemos alcançá-la pela luta e pelo esforço, por sonharmos e trabalharmos duro?
Nós perguntamos às crianças o que elas querem ser quando crescerem. É assim o nosso condicionamento – já desde pequenos devemos ter um futuro psicológico dentro de nós, uma ideia mental de como tem de ser a nossa vida para que sejamos felizes. Algo também comum é projetarmos em nossos filhos os nossos próprios desejos de conquistas. Através deles, formulamos os nossos sonhos, porque precisamos ser, também, mais importantes que eles.
Portanto, a pergunta é: você precisa ser alguém diferente do que é, em sua Real Natureza, para ser feliz? O que estamos colocando aqui é que temos a possibilidade de saber quem realmente somos, e que, nessa descoberta, temos um novo modo de lidar com a vida e os seus desafios. O que estamos dizendo é que não há necessidade de nenhuma conquista ou preenchimento externo para sermos felizes, pois isso não é alguma coisa que está fora de nós. Tudo o que experimentamos exteriormente, por mais agradável e satisfatório que possa ser, tem um sinal gravado: o sinal da impermanência.
Portanto, quando uso a expressão “Felicidade”, estou falando de algo que não depende de nada, que não tem nenhuma relação com pessoas, situações e coisas, algo que não podemos ganhar ou perder, pois é o que já somos quando não nos afastamos do nosso Ser Real, quando temos verdadeira Consciência de quem somos.
Nesse claro percebimento da Verdade sobre nós mesmos, toda ambição desaparece e, também, o medo, permanecendo em seu lugar a natural e imperturbável Paz e uma Alegria sem motivo, que nasce da perfeita Compreensão.
*Este texto, escrito pelo Mestre Marcos Gualberto, compartilhando a visão do Sábio sobre a vida, foi veiculado pela primeira vez em 18 de Outubro de 2010. Trata-se da décima quinta publicação deste blog, fazendo parte do acervo relativo aos primeiros anos deste trabalho, cujos textos, após terem sido mantidos offline nos últimos anos, serão republicados em série, de forma comemorativa pelos dez anos de criação deste blog, este que foi o primeiro canal da internet através do qual este trabalho tornou-se público. Para mais informações, acesse o nosso site clique aqui.

Compartilhe com outros corações