terça-feira, 20 de outubro de 2026

Joel Goldsmith | O Suprimento Invisível | Como encontrar Deus? | Marcos Gualberto

GC: Olá pessoal, estamos aqui para mais um videocast. Novamente, o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje, eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado "O Suprimento Invisível". Em um trecho desse livro, o Joel Goldsmith faz o seguinte comentário: "Logramos compreender que, embora o suprimento possa vir por esses canais, a fonte dele está dentro de nós". Bom, Mestre, neste trecho, o Joel fala que a fonte está dentro de nós. Dentro desses assuntos, Mestre, você pode compartilhar a sua visão sobre como encontrar Deus?

MG: Gilson, aqui nós nos deparamos com uma ideia equivocada. É o pensamento de ter esse encontro com Deus - essa é a ideia equivocada. A Realidade presente é a Realidade de Deus. Você, no pensamento, não pode ter um encontro com Deus. Aquilo que se torna possível aqui é a ciência dessa Realidade; a compreensão dessa Realidade presente. A não ser que você tenha essa compreensão - que é a Realidade deste Ser que aqui está presente -, não haverá esse encontro com Deus. O encontro com Deus é assumir a Realidade do Ser.

Não existe a Vida acontecendo para alguém, assim como Deus não é algo presente para a pessoa. A Realidade de Deus presente é a Realidade deste Ser que é Você. Isso não é a presença da pessoa tendo um encontro com Deus; é a ciência da Verdade de Deus aqui, neste momento. Quando você vai para um lago, você olha para aquele lago e o que você tem ali é a superfície das águas; você não tem a profundidade. A nossa relação com nós mesmos é uma relação, também, de superfície. Nós não temos a revelação desse lago, dessa Vida. Portanto, aquilo que aqui está presente está sendo visto por cada um de nós na superfície. Nós não temos a profundidade da Vida, a clareza da Vida, a verdade sobre a Vida. A Verdade da Vida é a Verdade Divina; é a Verdade de Deus.

Você pergunta: "Como encontrar Deus?". Tenha, primeiro, a revelação da verdade sobre você. Quem é você? Se você não tem a revelação da verdade sobre si mesmo, se você não sabe a verdade sobre você, como você conhecerá a verdade sobre Deus? Encontrar Deus requer a ciência de onde Ele se encontra, de onde Ele está. Para nós, Deus é uma verdade no futuro, porque, quando falamos desse encontro, a mente projeta o futuro para o encontro. A ideia é alguém tendo um encontro com Deus. Investigar a natureza da verdade sobre si mesmo é descobrir que esse "eu" não é real. Não existe alguém aqui presente para ter esse encontro com Deus. Não existe alguém aqui presente para pensar sobre a Vida, sobre o futuro, para pensar sobre o amanhã. A presença desse alguém é a presença do pensador tendo pensamentos.

Mas qual é a verdade sobre o pensamento? Para termos a ciência desse "eu", que é o pensador, temos que, antes de tudo, compreender o que é o pensamento. A ideia que você tem sobre você é um pensamento presente aí. Qual é a verdade desse pensamento? Existe tal coisa como o pensamento de alguém? Existe uma separação entre o pensamento presente aqui, neste momento, e alguém tendo esse pensamento? Ou esse alguém tendo esse pensamento é um único fenômeno, um único acontecimento?

Repare, para essa resposta - que é a resposta da pergunta "como encontrar Deus?" -, nós primeiro precisamos da resposta da pergunta "quem sou eu?". Quem é esse que pensa? Quem é esse que está tendo esse pensamento? Compreender a verdade do pensamento sobre Deus é compreender a verdade sobre esse "eu" que pensa sobre Deus. É exatamente aqui que está a resposta para essa pergunta, porque a Verdade, quando ela se revela, ela se mostra como uma única Verdade presente. A verdade de que não existe tal coisa como esse "eu", quando o pensamento está presente. O que temos presente, quando o pensamento está, é a memória, a recordação, a lembrança; é a sugestão dada pelo próprio pensamento. Portanto, é o próprio pensamento que cria esse "eu" buscando essa resposta.

O seu contato com a Realidade de Deus, com a Verdade Divina, nesse encontro com Deus, é Aquilo que se revela aqui presente quando o pensamento não está, porque esse "eu" não está. Nós só temos a Vida acontecendo. A Vida é esta Realidade Divina, aqui e agora. A ideia de alguém presente tendo pensamentos sobre a Vida, sobre Deus, sobre o mundo, é algo imaginado pelo próprio pensamento; construído, estabelecido pelo próprio pensamento.

É importante ouvir isso que estamos colocando aqui, mas não se trata de ficar apenas nessas palavras. É necessário tomar ciência disso de uma forma direta; e você pode, sim, tomar - e deve, sim, tomar - ciência disso de uma forma direta, aprendendo sobre si mesmo. É quando há esse aprender sobre si mesmo - que é o verdadeiro Autoconhecimento - que descobrimos que a presença do pensamento para esse "eu" é uma ilusão. Nesse aprender, descobrimos que, quando descartamos o pensamento, descartamos esse "eu", e a Vida se revela como sendo a Verdade de Deus. Esta é a Verdade sobre você.

Portanto, você não está para ser encontrado no futuro. Você está aqui como sendo esta a Realidade da própria Vida, para se autorrevelar. Nesta autorrevelação, você tem esse encontro com Deus. Mas, nesse encontro com Deus, não há uma separação entre a Realidade que chamamos de Deus e você. Repare, isso é algo inteiramente diferente de tudo que o pensamento colocou aí como uma crença: a ideia de Deus lá e você aqui; você como alguém, como uma pessoa, e Deus como a Realidade Suprema. A Realidade de Deus não pode estar lá, não pode estar no futuro, não pode estar no tempo. Isso é parte da imaginação do pensamento.

O pensamento em nós é o elemento que vem da memória. A presença da memória é a presença do pensamento. O pensamento é, basicamente, memória. Memória é, basicamente, o passado. Assim, o que nós temos no futuro, para o futuro, é aquilo que o pensamento estabelece. E, portanto, o futuro ainda é passado. Portanto, o que nós temos é a presença da imaginação de Deus no futuro. É o pensamento, o elemento do passado, que imagina esse encontro para esse "eu" que ele estabeleceu, que ele construiu.

A compreensão da Verdade requer o fim do pensamento, do passado e, naturalmente, do futuro. Não existe tal coisa como esse futuro sem o pensamento, sem o passado; e não existe tal coisa como esse "eu" sem a presença do pensamento. Seu contato com este instante, sem o pensamento, é o contato com a Vida sem o "eu", sem o ego, sem essa pessoa. É esse contato que revela Aquilo que está além da mente, além do pensamento, além do passado, além do futuro.

Você pergunta: "Como encontrar Deus?". Tomando ciência do momento, sem o pensamento; tomando ciência deste instante, sem o tempo, sem o passado e sem o futuro. A não ser que você, em seu Ser, assuma a Realidade da Vida neste momento, jamais haverá esse encontro com a Verdade, esse encontro com Deus. Não existe tal coisa como uma entidade aqui, que é o "eu", para ter um encontro com algo lá, em algum lugar, que o pensamento chama de Deus. Deus é a Realidade do momento se revelando quando o pensamento não está.

Portanto, estamos diante de Algo inalcançável pelo pensamento, inalcançável pelas palavras. O seu verdadeiro encontro com Deus não é uma experiência para a pessoa, para esse "mim", para esse "eu". O seu verdadeiro encontro com Deus é a ciência de que não existe tal coisa como uma separação entre Você e Ele; entre Ele, Você e a Vida; entre a Vida, Ele, Você e o Outro. Não existe tal coisa como uma separação. É o pensamento que está estabelecendo toda essa confusão. É o pensamento que estabelece em nós essa busca, procura ou projeto para o futuro. Não há futuro, não há projeto, não existe busca.

Aqui, a revelação se mostra presente, neste momento, quando aprendemos a olhar, a escutar, a perceber a Vida sem pensamento - sem o pensamento, sem o "eu". Aquilo que nos impede de ter essa real visão de Deus é a presença exatamente desse "eu", que é o observador; que é esse elemento constituído de pensamentos se situando no tempo, projetando, a partir do passado, o futuro. Espero que isso fique claro para você. A clareza real disso surgirá no momento em que você descobrir como olhar. Então, por você mesmo, fica clara a Realidade d'Aquilo que está presente, que é a Verdade do seu Ser.

GC: Mestre, nós temos uma pergunta de um inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, meus pensamentos estão sempre focados na falta e limitação. Como mudar esses pensamentos?".

MG: Repare, aqui você fala dessa limitação criada pelo pensamento, ao mesmo tempo que você fala dessa necessidade de mudar o pensamento. Mas quem é esse elemento presente que quer mudar o pensamento? Quem é esse elemento presente que está vendo a falta, a limitação? Essa ideia de mudar o pensamento requer a presença de alguém realizando esse propósito. Esse movimento de propósito desse alguém nasce do próprio desejo de mudar isso. Esse desejo é a própria presença do pensamento.

Portanto, repare como a mente funciona em nós: primeiro, ela gera a insatisfação; depois, ela produz o desejo de mudar isso. Mas é a própria mente, é o próprio movimento do pensamento na sua insatisfação, produzindo uma ideia de mudança, nesse projeto. É assim que nos posicionamos como alguém presente, como esse "eu" que quer mudar. Portanto, esse "eu" é a própria presença do pensamento em sua insatisfação, projetando uma satisfação que ele deseja.

O seu real contato com a verdade sobre você - que é olhar diretamente para essas respostas criadas pelo pensamento (veja, para esses problemas estabelecidos pelo pensamento e para essas respostas criadas pelo próprio pensamento) -, olhar para isso sem colocar um outro pensamento sobre isso é se desfazer desse "eu"; é eliminar a continuidade desse movimento de insatisfação e, portanto, de falta e limitação. O ponto é que nós estamos presos a um jogo: o jogo criado pelo próprio pensamento.

Portanto, o pensamento criou esse jogo e nos colocou como alguém presente para se livrar de um problema que o próprio pensamento estabeleceu. Não há como se livrar de um problema criado pelo pensamento no pensamento. É por isso que estamos aqui olhando, percebendo, escutando esse movimento. A ciência desse movimento - que é um movimento dentro da própria mente, que é um movimento do próprio pensamento; movimento esse que está estabelecendo problemas e criando projetos para solucionar os problemas -, olhar para isso, ficar ciente disso, sem interferir, então Algo novo surge, Algo novo acontece. É quando esse movimento do pensamento, constatado, percebido, se desfaz e, quando ele se desfaz, esse sentido do "eu", do ego, desse "mim", também se dissolve.

A Verdade deste Ser, a Realidade deste constatar, deste perceber, é a Liberação dessa condição, desse sofrimento, dessa desordem, dessa falta, dessa limitação. Portanto, tudo o que nós precisamos na Vida é descobrir como a mente está acontecendo para cada um de nós; como esse movimento está se processando aqui. Ele está se processando, ocorrendo de uma forma completamente inconsciente, mecânica. Essa inconsciência e mecanicidade desse movimento é a presença de um condicionamento, de um padrão de repetição. O descarte dessa condição psicológica é a Liberação, nesta vida, dessa confusão, dessa desordem, conflito, contradição e sofrimento.

Portanto, aquilo que desperta essa Liberação não é a tentativa ou desejo de mudar, porque tudo isso ainda está dentro do próprio projeto, do próprio ego, do próprio "eu", da própria mente, do próprio pensamento. Aquilo que traz a mudança, a real transformação (não é o desejo de mudar; aquilo que traz o Novo é, nesse sentido, que aqui temos a verdadeira mudança), é a compreensão de todo esse processo. Por isso, temos enfatizado a importância do Autoconhecimento e desse encontro com a Meditação - a Real Meditação. Temos diversos vídeos aqui no canal aprofundando essa questão da Meditação e do Autoconhecimento.

GC: Mestre, nós temos outra pergunta de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, existe uma possibilidade real de sabermos o que é o momento presente? Dá para constatar isso a partir do corpo?".

MG: Gilson, a ciência deste instante, daquilo que aqui está presente, esta é a presença do momento. Só há este momento, só há este instante. São bem curiosas as nossas perguntas. Você pergunta: "Se dá para constatar isso a partir do corpo?". Aquilo que aqui está presente é a Vida acontecendo. A presença do corpo, do mundo, é algo aqui presente, neste instante, neste momento, assim como a presença do pensamento está aqui neste momento. Não se trata de uma técnica ou de um método para constatar isso. Tudo que se faz necessário é olhar, observar as nossas reações, sejam elas físicas ou psicológicas. É trazer ciência para este momento.

Então, neste sentido, a compreensão do momento se realiza quando há essa Atenção. Quando o pensamento está presente e ele é observado, sem interagirmos com ele, sem reagirmos a ele, sem colocarmos uma identidade presente nele - que é o pensador -, é algo semelhante a um gesto. Portanto, tomar ciência dos seus gestos, do seu tom de voz, ciência da fala, do olhar, assim como ciência de um pensamento acontecendo dentro de você, ou uma sensação, apenas tomar ciência disso é o suficiente para se dar conta de que a Vida é agora e aqui. É quando nós temos a intenção de alterar alguma coisa. Esse movimento de intenção nasce desse fundo psicológico que quer mudar, transformar, modificar. Então, interferimos com o momento, interferimos com o instante. Essa interferência é a interferência do "eu"; é, de novo, a interferência do passado.

É assim que nós estamos vivendo nossas vidas: sempre envolvidos com o momento presente a partir do passado, a partir desse centro que é o "eu", que é o ego. Mas, quando descobrimos o que é olhar para este instante - apenas olhar -, é como escutar; é só o escutar. Quando você escuta algo e tece algum comentário sobre aquilo, expõe algo sobre aquilo, nesse momento o sentido do "eu" surgiu para interferir, para opinar, para aceitar ou rejeitar. Mas, quando há só o escutar, não há interferência. Quando você escuta uma música que lhe interessa, você apenas escuta; você não interfere, você apenas escuta. É só o apreciar, o perceber, o escutar.

Quando colocamos uma identidade presente para comparar aquilo que estamos ouvindo com algo que nós já ouvimos, neste momento o escutar é interrompido. A presença da comparação, da avaliação, a presença desse concordar ou discordar altera completamente a percepção do instante, porque o sentido do "eu" surge. Olhar para algo é só olhar. Mas, quando esse olhar é para criar comentários, é para fazer avaliações, neste momento surge esse "eu" com o seu fundo, com o seu passado, com o seu conceito, preconceito, com sua ideia pré-formada.

Portanto, o momento aqui e agora é autorrevelador quando o "eu" não está, quando esse sentido de alguém não interfere. É isso que aqui estamos juntos para constatar, para descobrir, para perceber. Assim, nesta percepção, se revela aquilo que está fora do conhecido, fora do tempo, fora da mente. Aquilo que está fora da mente está fora dessa ideia de ontem, hoje e amanhã. Está fora do tempo. A Realidade deste Ser, a Realidade Divina, é atemporal. Esta é a Realidade deste Ser. Esta é a Verdade sobre Deus. A ciência de si mesmo. A ciência daquilo que aqui está presente, além do "eu". Portanto, esse é o nosso trabalho juntos. É nisso que aqui estamos investindo nossa mente e o nosso coração.

GC: Gratidão, gratidão, Mestre. Já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais esse videocast. E para você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver essas Verdades, fica o convite para participar dos encontros intensivos de final de semana que o Mestre Gualberto proporciona.

Esses encontros são muito mais profundos do que esses vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo às nossas perguntas. E segundo, e muito mais impactante, é que, pelo Mestre já viver nesse estado Desperto de Consciência, Ele compartilha um campo de Energia à sua volta - um campo de Presença, de Poder e Graça.

E nesses encontros, a gente acaba pegando uma carona nesse campo de Presença do Mestre. E pegando essa carona com o Mestre, de maneira espontânea, sem nenhuma prática, sem nenhuma técnica, sem nenhum esforço, entramos no estado meditativo, silenciamos nossas mentes e podemos ter uma compreensão real dos assuntos tratados aqui no canal.

Então, fica o convite. No primeiro comentário fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dê o "like" no vídeo, se inscreva no canal e faça comentários aqui, trazendo perguntas para a gente trazer para os próximos videocasts. E Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.

Fevereiro de 2026
Gravatá-PE
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