Quando você vem e pergunta: "O que é jnana?" Jnana é a visão direta, é o conhecimento vivencial, divino. Essa é uma expressão em sânscrito para o conhecimento de Brahman, o conhecimento de Deus, o conhecimento da Verdade. É esse conhecimento presente na Liberação. Não é um conhecimento para a liberação, é a compreensão na Liberação, aquilo que na Índia, também, eles chamam de Moksha. Essa Liberação é a visão da jnana.
Na pergunta "como encontrar Deus", você não pode ter um conhecimento sobre Deus. Conhecer é Ser, a verdade do conhecimento está em Ser. Quando você conhece algo, existe alguém tendo o conhecimento. Se você conhece alguma coisa, aquilo que você conhece está dentro de um modelo de experiência para o experimentador, então nós temos o experimentador com o conhecimento que ele tem - o conhecimento que ele tem, a experiência guardada nele como memória, como lembranças.
A verdade da jnana, a verdade da Sabedoria não é um conhecimento assim. É um conhecer onde não há mais o conhecedor. Você não vai ter um conhecimento sobre Deus; a Realidade de Deus é a ciência deste Ser, que é Você. Portanto, o conhecedor de Deus é Deus. Deus é a Realidade em Sabedoria, em Compreensão Suprema. Então, estamos diante de Algo indescritível, inalcançável pelo pensamento. Essa é a única resposta real para a pergunta "como encontrar Deus?"
Eu digo isso porque as pessoas querem descobrir como encontrar Deus, mas pessoas não podem encontrar Deus. A ciência de Deus é a verdade de que não há pessoa presente para este encontro. Nós pensamos a partir de ideias, de crenças, conclusões no pensamento. Então, nessas conclusões, crenças, nessas ideias, o pensamento que temos é o pensamento de alguém pensando, de alguém sentindo, de alguém conhecendo. Essa é a ideia da pessoa; no entanto, não há pessoa. A Realidade da Vida é a Realidade de Deus.
Portanto, como encontrar Deus? Assumindo a Realidade da Vida, livre do "eu", livre da "pessoa". Portanto, você não vai ter um conhecimento de Deus; o conhecimento de Deus é a ciência deste Ser quando você, como pessoa, não está mais presente. Portanto, como podemos assumir esta Verdade onde esse conhecer e o conhecedor não se separam, onde não existe mais a dualidade entre o experimentador e a experiência, onde não temos mais a separação entre esse que olha e aquilo que está ali, nesse ver, onde há o experimentar, o perceber, o conhecer, sem o conhecedor, sem o observador, sem o "eu"? Isso requer a presença desse aprender sobre nós mesmos - é o que estamos enfatizando aqui.
Nós desconhecemos a Verdade deste Ser que nós somos, esta Verdade desta Realidade que trazemos. Veja, nós temos a verdade da pessoa que o pensamento nos diz, nos apresenta, nos mostra como sendo nós mesmos. Nós estamos nos identificando, nos confundindo com o modelo do pensamento; nesse modelo do pensamento, surgiu a pessoa.
O seu nome, a sua história, a sua memória é a pessoa que você descreve, que você fala sobre ela. Mas, repare: isso é algo que se assenta em memórias, em lembranças, em pensamentos. Mas qual é a Verdade deste Ser? Qual é a Verdade sobre Você sem a história, sem a memória, sem a lembrança? Assim, aprender sobre o Autoconhecimento é se deparar com a Realidade de Deus, aprender sobre o Autoconhecimento é descobrir o que é olhar para a vida como ela é, não como o pensamento diz que ela é.
Quando você olha para uma árvore, você pode olhar para a árvore ou você pode ter ideias sobre a árvore. Uma coisa é olhar para uma árvore, outra coisa é ser alguém vendo esta árvore - há uma diferença aqui. Em geral, quando olhamos para uma árvore a partir do conhecimento botânico que temos, ali nós temos o nome, temos a experiência do passado com aquela árvore. Então, nossas memórias e lembranças interferem. Nesse momento, nessa qualidade de olhar, existe alguém olhando. Quando você olha e é só o olhar, não tem alguém.
O nosso cérebro é muito rápido em classificar, nomear e trazer do passado a experiência nesta relação. É assim que nós estamos funcionando na vida o tempo todo, como alguém presente; esse alguém é o experimentador, é esse que traz do passado suas lembranças. Assim, nós estamos sempre em um contato com o momento presente a partir do passado, então há uma separação. Nesse olhar para esta árvore ou para ele ou ela, a partir do conhecimento que trazemos, há uma separação. Com essa mesma base, nós estamos tentando ter um encontro com a felicidade. Nós temos uma imagem do que é a felicidade e estamos procurando a felicidade.
"Como encontrar a felicidade?" - nós perguntamos. Assim nós perguntamos: "Como encontrar Deus?" Temos uma ideia sobre Deus e de alguém para ter esse encontro com Ele; esse alguém "sou eu". Aqui, descartar essa ilusão é descartar essa separação entre você, como o observador, e aquilo que está sendo observado. Nós descartamos por completo esta separação quando tiramos a cortina. Essa cortina que separa, que cria esta separação, é o modelo do pensamento. É o pensamento que tem o nome daquela árvore, é o pensamento que tem a imagem que eu faço daquela pessoa ou daquela dada situação. É a presença do pensamento, aqui, criando esta separação.
Podemos eliminar isso? Se pudermos eliminar isso da vida, essa particular vida da pessoa se dissolve. Essa é a proposta aqui, nesses encontros: tomar ciência da vida como ela é, como ela acontece quando o pensamento não está. Assim, olhar para essa árvore sem a separação, não existe mais o observador. Olhar para essa pessoa sem a separação, então não existe mais esse eu e ela. A Verdade da Vida se revelando, nela não existe mais esta separação. É apenas no pensamento que nos situamos na dualidade.
O que estamos sustentando na vida, nessa qualidade de mente que nós temos, é a dualidade. A dualidade é esse "eu" e o "não eu". "Eu", o observador, e aquilo que estou observando; "eu", o pensamento, e aquilo que eu estou pensando; "eu", o buscador, e Deus para ser encontrado; "eu" e a felicidade para ser encontrada. Quando nos deparamos com a Realidade Suprema, com a Realidade Divina, fica clara a inexistência do "eu". Quando nos aproximamos desse olhar, desse escutar, desse perceber, nos aproximamos desse real aprender sobre o Autoconhecimento.
O que nos dá a Revelação da Felicidade é o que nos dá a Revelação de Deus. E o que nos traz essa Revelação é a compreensão da verdade sobre esse "mim" - este "mim", que é constituído de imagens, memórias, lembranças; este "mim", que é constituído dessa mente que identificamos em nós como sendo essa "minha" consciência. Isso tudo se dissolve quando descobrimos como olhar, como escutar, como perceber nossas reações sem interferir com elas. Então, eliminamos essa separação, eliminamos esse elemento que sustenta a dualidade, que é a mente egoica, que é a mente pessoal.
Quando a mente pessoal, quando essa mente do "eu" desaparece, a Realidade como sendo a Vida se mostra, e nela o que está presente é o Supremo, é a Felicidade, é a Verdade deste Ser. O que nos mostra com clareza isso é a ciência da Meditação, quando fica claro que não existe nenhuma separação entre a vida e você, entre Deus e você. A Realidade da Meditação é a presença da Ciência da Vida, sem o "eu".
O nosso Natural Estado de Ser é de Ciência de Deus, é de Ciência da Vida, é de Ciência da Felicidade, mas não é a felicidade para alguém. Felicidade não é prazer, não é preenchimento, não é satisfação ou realização em sensações; tudo isso são estados que aparecem e desaparecem. Como é algo que ocorre no tempo, também desaparecem no tempo. Mas qual é a verdade sobre o tempo?
Aquilo que nós chamamos de tempo, o que de fato isso representa? Quando nós falamos de algo que aconteceu, isso não está aqui. Portanto, onde está a realidade do que aconteceu? Quando falamos de algo que irá acontecer, isso não está aqui. Portanto, onde está a realidade do que não aconteceu? Assim, nós estamos constantemente cultivando a ideia do tempo, e a ideia do tempo é uma imagem, uma abstração, uma ficção, uma imaginação estabelecida pelo pensamento. O que temos é a Vida como ela é, como ela acontece, é nela que está presente a Realidade Divina, a Realidade de Deus.
Assim, a expressão "encontrar" apontando para o futuro é mais uma abstração. Aqui se trata de um constatar, de um perceber, de um olhar para aquilo que aqui está presente, porque não existe tal coisa como o tempo. O pensamento construiu o tempo. Assim, é parte desse modelo psicológico dessa consciência pessoal sustentar essa identidade, que é o "eu", esse "mim", o ego, no tempo.
Nós sempre falamos de nós mesmos como alguém que fez ou que fará, que viu ou que irá ver. Nós estamos sempre usando toda essa terminologia, essa linguagem, esse modelo do pensamento para conferir a essa identidade uma existência temporal - é isso o que nós chamamos de consciência. Do que é que nós temos consciência? É do que nós nos lembramos, é do que nós imaginamos. No entanto, não existe nenhuma imaginação sem o pensamento, nenhum passado sem o pensamento, nenhum futuro sem o pensamento.
Portanto, a presença do pensamento é a presença do tempo. Quando colocamos a presença do tempo, colocamos a presença do pensamento e firmamos a presença de um elemento que se separa do pensamento, olhando para esse passado ou olhando para esse futuro. Portanto, estamos diante de um único jogo. A presença do "eu", que é o pensador, é o pensamento. A presença do pensamento é a presença do passado, da ideia do presente e do projeto do futuro. Portanto, a presença do pensamento é a presença do tempo.
Assim, o que é esse encontro com Deus? Como encontrar Deus? Assumindo a Realidade da Vida neste momento. Não há alguém para ter esse encontro; é um encontro que se revela onde não existe alguém para conhecer Deus, temos a ciência da Realidade. A ciência da Realidade é a verdade da Sabedoria, e a verdade da sabedoria é jnana - é por isso que na Índia eles chamam de jnani. Jnani é o conhecedor de Deus. Mas o conhecedor de Deus, que é o jnani, é a Realidade de Deus, é Aquilo que aqui está presente como sendo a verdade da Felicidade.
A natureza deste Ser é Consciência, Real Consciência, Divina Consciência, atemporal Consciência, é Felicidade. Não há qualquer separação entre Real Consciência e Felicidade, entre a Realidade de Deus e a Felicidade, e essa é a natureza deste Ser, que é Você quando não há mais essa ilusão da separação, quando não existe mais o observador, o experimentador, o pensador. Temos a presença da Vida como ela acontece, e nela está presente esta Bem-Aventurança, Aquilo que é indescritível, inalcançável pelo pensamento.
Assim, todas as ideias, conceitos e crenças sobre a felicidade, sobre Deus, sobre o que representa esta compreensão de si mesmo, não estão mais presentes. É a Realidade presente, e não qualquer conceito sobre isso, qualquer idéia sobre isso. É o que estamos, aqui trabalhando com você nesses encontros online que ocorrem nos finais de semana. Nós estamos sábado e domingo juntos, são dois dias de uma forma online. Além desses encontros, temos encontros presenciais e, também, retiros. Portanto, se isso é algo que faz algum sentido pra você, já fica aqui um convite para participar.