É algo bastante comum para alguns a ideia da necessidade de uma experiência, chamada de kundalini, para realização desse encontro com Deus. Aqui a expressão é "como encontrar", na frase "como encontrar Deus", ou "como encontrar a felicidade". Para alguns é passando por uma experiência; nós precisamos investigar isso, essa questão da experiência.
Quando é que nós temos uma experiência? É quando nos lembramos do que aconteceu. Nós só podemos falar de uma experiência como uma lembrança, como algo pelo qual nós passamos. Portanto, toda lembrança se refere a algo que já foi, que já ocorreu, que já aconteceu; requer, necessariamente, a presença, também, de um elemento falando daquela experiência que viveu. A presença desse elemento é o experimentador.
Não existe nenhuma experiência sem o experimentador, e nós estamos enfatizando isso o tempo todo, a necessidade de ter um encontro com uma experiência para um encontro com a Verdade, para um encontro com Deus ou com a felicidade. No entanto, quem é esse elemento presente para esse encontro senão a própria presença do experimentador? Mas quem é esse experimentador? É aquele que registrou no passado aquilo que viveu. Portanto, não é de uma nova experiência, chamada de encontro com Deus, que nós precisamos.
Nós precisamos tomar ciência, sim, da Realidade de Deus, esse é o real encontro, mas isso não é uma experiência. Toda experiência, porque há nessa experiência um experimentador, o que temos presente é o relato da continuidade deste experimentador. Mas a Realidade Divina, a Realidade da Felicidade não é para o "eu". Qual é a verdade desse "eu", uma vez que esse "eu" é o próprio experimentador, é o elemento que vem do passado?
Quando estamos tocando aqui, com você, nesta questão desse encontro com Deus, estamos colocando, de uma forma direta, a necessidade real do fim do modelo do passado, do fim do modelo do experimentador, que é o "eu". Portanto, a verdade do encontro com a Felicidade, do encontro com Deus, reside na compreensão da verdade sobre o "eu", que é o experimentador. Portanto, não reside em uma experiência esse encontro. Esse encontro é algo que aqui está presente quando não há mais o experimentador e, portanto, não há mais a presença da experiência.
Para a maioria das pessoas, cansadas como elas estão de uma vida tediosa, repetitiva, monótona, problemática, infeliz, elas estão projetando, idealizando um encontro com uma experiência profunda, significativa, rica para elas, que elas chamam de kundalini. A expressão "kundalini" aponta, sim, para uma experiência para a maioria das pessoas. No entanto, a verdade desse encontro com a Realidade Suprema não é uma experiência.
Portanto, a expressão "kundalini", que se refere a esta Presença ou a esta energia de Divina Consciência, de Real Consciência, não é para o experimentador. Portanto, não é algo como uma experiência, mas é algo que se revela exatamente quando não há mais o modelo da continuidade de uma identidade que volta com a sua memória, o seu passado, a sua lembrança, a sua experiência.
Então, há uma grande confusão aqui quando as pessoas usam a expressão "kundalini", porque elas identificam como uma experiência para alguém, que é o experimentador, enquanto que a Realidade Divina, a Realidade de Deus, que é esta Suprema Presença ou Energia, é a ausência do "eu", é a ausência de qualquer experiência. Isso é kundalini.
O que temos como presença real de kundalini se revela na ausência do "eu", na ausência do ego, na ausência de um experimentador. Então, uma energia, que é esta Divina Presença, assume esse espaço neste corpo e nesta mente. Então, é nesse sentido que nós temos que compreender o que significa a resposta para a pergunta "como encontrar Deus" assim como "como encontrar a felicidade", assim como "como encontrar o amor".
Estamos falando da Realidade deste Ser, que é Deus, que é esta Presença. Neste sentido, a expressão "kundalini", que aponta para esta Energia Divina, esta ausência desse centro, que é o "eu", é a Realidade da kundalini, é a Realidade de Ser, é a Realidade de Deus.
Veja, estamos lidando com expressões diferentes apontando para uma única Realidade, que aqui está presente quando não há mais a ilusão. No entanto, por mais ampla, profunda e significativa que seja uma experiência para alguém, essa experiência ainda continuará dentro dessa qualidade de experiência para o experimentador, e esse experimentador guardará essa experiência e irá precisar de novas experiências, porque nenhuma experiência é definitiva. Aquilo que temos de real não é uma experiência, não é algo que acontece no tempo e que se repete no tempo.
A verdade, portanto, de kundalini, a verdade, portanto, de Deus, da Felicidade, a verdade, portanto, deste Ser é algo que aqui está presente, mas não é o que acontece no tempo, é algo que se revela quando não há mais o tempo. A presença do tempo é a presença do modelo da continuidade. Nós nunca falamos do tempo sem a continuidade.
O tempo, para todos nós, é o que foi, o que é e o que será. É aqui que está a presença do tempo. Mas onde se situa o tempo quando nós não temos mais o pensamento? Se nenhum pensamento estiver presente em você, em que tempo você está? Você está no passado, no presente ou no futuro? Quando o pensamento não está, como é possível surgir a ideia do presente. Veja, o presente é uma ideia que surge entre o que foi e o que será, entre o passado e o futuro.
Não há tempo quando não há pensamento. Não há experiência quando não há o passado. Não há qualquer passado sem o tempo. Não há qualquer tempo sem o pensamento. Portanto, a realidade de kundalini é aquilo que está fora do tempo e, portanto, fora da experiência. E volto a dizer: se não há experiência, não há experimentador.
Esse momento aqui é um momento de contato com o que é. Sim, há uma qualidade do experimentar, mas não existe o experimentador nesta qualidade de experimentar. Não há o que dizer do que aconteceu, do que está acontecendo. Então, não existe tal coisa como que aconteceu, ou o que está acontecendo, ou o que acontecerá quando não ficam registros. Estes registros são as memórias, as lembranças, as experiências registradas para o experimentador.
Então, a grande verdade do Despertar desta Real Presença, desta atemporal Consciência, isso é kundalini, mas não é para alguém. É exatamente quando não há mais esse "mim", esse "alguém", então temos Aquilo que é atemporal, Aquilo que está fora do tempo, Aquilo que não faz parte do modelo da continuidade, que é a recordação, a lembrança, os registros neste cérebro.
A pergunta é: como se torna possível esse encontro com Deus, esse Despertar da kundalini? Compreenda, esse encontro com Deus, esse Despertar da kundalini não é algo no tempo. A ideia de encontrar está no tempo, a ideia de despertar está no tempo, mas repare como é interessante tudo isso. Quando você está dormindo e acorda, esse despertar ocorreu no tempo? O despertar é algo que acontece, mas nós não temos uma relação entre o tempo e o despertar. No despertar, fica clara a ilusão da continuidade do sono, da continuidade do sonho.
Então, a ciência do Despertar é a visão d'Aquilo que está fora da continuidade, está fora do conhecido, é algo inteiramente diferente; estamos dizendo Algo radicalmente novo, desconhecido, inominável, indescritível, assim é a presença desse Despertar, assim é a presença desta ciência d'Aquilo que é atemporal, d'Aquilo que não está no conhecido, d'Aquilo que não está na continuidade, n'Aquilo que põe fim à continuidade, ou a ideia, ou ao pensamento de continuidade.
Portanto, a pergunta é: como isso se torna possível? Isso se torna possível quando aprendemos sobre nós mesmos. É fundamental ter a ciência de como o pensamento se processa dentro de cada um de nós. Quando você descobre o que é olhar sem interferir com o pensamento, percebe que o pensamento se move dentro dessa ótica de continuidade, de permanência do tempo.
Aprender sobre o Autoconhecimento é descobrir como olhar para as nossas reações e perceber, com clareza, que o pensamento é a lembrança do que já foi. É esse pensamento que nos fala do que está aqui, a partir da ótica que ele tem, e nos fala do que será, a partir da imaginação que ele traz dele mesmo. Essa é a continuidade do modelo do pensamento. É exatamente assim que nós funcionamos
A ideia da pessoa, de ser alguém presente, é um pensamento que lhe fala desse "mim", desse "eu", que veio do passado e que está aqui, agora caminhando para o futuro. Quando aprendemos a olhar para esse movimento do pensamento, isso é aprender sobre nós mesmos. Quando aprendemos a escutar esse movimento, a perceber esse movimento, sem interferir com ele, nos aproximamos deste instante que revela Algo fora do modelo do pensamento e, portanto, algo fora do modelo da continuidade, que é a presença do tempo.
Portanto, quando termina o tempo, porque o pensamento terminou, temos a Revelação d'Aquilo que está aqui presente além do conhecido, isso é Real Consciência, Divina Consciência, Deus, Felicidade, kundalini, qualquer nome que você queira para Aquilo que está além de uma experiência, de um experimentador, de uma identidade que se move no tempo, que é esta pessoa.
Portanto, falar desse encontro com Deus, falar desse encontro com a felicidade, para a pessoa, é uma ilusão. A pessoa jamais será feliz; ela realizará momentos de prazer, momentos de satisfação, momentos de preenchimento, mas juntamente com estes momentos, outros momentos irão surgir. Então, a pessoa tem momentos de paz, do que ela entende por paz, momento de prazer, do que ela entende por prazer, que quando investigamos, quando olhamos de perto esta paz, não é paz real; este prazer está também carregado de suspeitas, de temores, de dependência, de medo.
Então, a Verdade da Felicidade não é para a pessoa; é a natureza deste Ser, é a natureza da Verdade sobre Você quando a Realidade, que é a Realidade Suprema, está aqui presente. Essa é a Realidade de Deus. Portanto, falar sobre kundalini como uma experiência é um equívoco. Portanto, falar sobre felicidade como uma experiência é um engano. Nós estamos lidando com o modelo, ainda, do pensamento projetando o que o pensamento imagina ser Deus nesse encontro, ser kundalini neste encontro, ser a felicidade, ser o amor neste encontro.
Assim, o pensamento está sempre projetando isso, e tudo o que ele projeta, na realidade, está dentro do seu contexto conhecido. Qualquer coisa que ele encontre, ainda será parte dele, estará dentro do seu próprio modelo. Assim, quando as pessoas falam de experiências que tiveram, estão falando daquilo que elas viveram, mas elas continuam lá.
A Realidade deste Ser não é uma experiência para alguém, é a Revelação d'Aquilo que aqui está presente quando alguém, esse "mim", esse "eu" não está mais. Portanto, Felicidade não é um estado para a pessoa, assim como o Amor, a Liberdade, a Paz, a ciência de Deus, a ciência deste Ser. É nisso que estamos aqui, com você, trabalhando nesses encontros.
Nós temos encontros online nos finais de semana, onde estamos sábado e domingo juntos - são dois dias de uma forma online. Além destes encontros, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso é algo que faz algum sentido pra você, já fica aqui um convite para participar.
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