quinta-feira, 9 de abril de 2026

Sofrimento psíquico | Sofrimento humano | O tempo psicológico | Como lidar com ego ferido?

Presentes aqui, nesses encontros, nós nos deparamos com uma oportunidade de investigar essas questões, que são as questões relativas a esse "eu". Esse "eu" é sinônimo de pessoa: a pessoa como você pensa ser, como você sente ser, a pessoa que outros estão vendo quando lidam com você, sentindo quando lidam com você e, também, com elas mesmas - essa é a pessoa.

É interessante a expressão "pessoa". Nós falamos dessa pessoa que nós somos, como se, de fato, isso fosse toda a realidade sobre nós. Nós falamos assim porque nós desconhecemos essa Verdade. A palavra "pessoa" vem de persona, do latim, é uma máscara. Aquelas máscaras usadas no teatro são essas personas, daí as palavras "personalidade" ou "pessoa". Assim, qual será a verdade sobre você? É isso que estamos com você, aqui, investigando.

Há uma Realidade presente e há uma verdade se mostrando. A verdade que se mostra é a pessoa, é a máscara, é esse personagem; enquanto que, uma Realidade presente, desconhecida, também está aqui. O nosso trabalho juntos aqui consiste nessa constatação dessa Realidade, mas isso requer a investigação da verdade que nós somos como pessoas. Todo o nosso trabalho aqui consiste em investigarmos essas questões relativas a essa "pessoa".

É bastante interessante essa compreensão da Verdade sobre nós, porque isso representa o fim para o sofrimento psíquico. Eu não me refiro a essa dor física em razão de um problema de enfermidade; sim, essa é uma forma de sofrimento, mas não é disso que tratamos aqui. Nós aqui estamos investigando a verdade da pessoa, que é a natureza desse "eu", aquilo que somos porque demonstramos ser, porque está presente aqui, nesse instante.

A visão direta dessa pessoa, a compreensão direta sobre esse personagem, é o fim dessa ilusória entidade presente, como uma máscara. Nós temos um modo de representar a vida, também, a partir de imagens, de representações mentais, de símbolos, de ideias e de conceitos. Toda essa aproximação que temos da vida nesse formato, com base nessa máscara, com base nesse personagem é um equívoco. Nós nos encontramos dentro de uma ilusão.

A forma como representamos a vida, vendo o que a vida representa para esse "mim", para esse "eu", para essa "pessoa", a vida como ela representa, o que ela significa, a verdade sobre ela, vista a partir desse pensamento presente em nós, é um olhar a partir dessas imagens, desses símbolos, dessas ideias. Aqui, juntos, nós estamos investigando a questão do Despertar da Consciência.

E por que a expressão "o Despertar da Consciência"? Esse Despertar da Consciência Espiritual, dessa Consciência Divina, dessa Consciência de Ser, é o contato com a Realidade da Vida, sem imagens, sem máscaras. É isso que nos coloca na vida sem qualquer separação entre aquilo que realmente nós somos, que é essa Realidade, que está presente e que se mantém oculta, e a própria Vida. É isso que nós estamos aqui com você investigando, aprofundando.

Precisamos compreender aquilo que nós somos, porque isso representa o fim desse sofrimento humano, desse sofrimento psíquico. Um elemento básico nesse modelo do pensamento presente em nós, que traz esses símbolos, essas representações mentais, essas ideias, esses conceitos, essas imagens, é a presença do tempo. Nós não estamos lidando com a vida nesse instante, nós estamos lidando com o pensamento sobre a vida, nesse instante.

Nós estamos vivendo de símbolos, de representações de ideias, e isso nos situa em um movimento, nesse contato com esse instante, a partir do pensamento. Assim, a verdade sobre o pensamento, a compreensão do pensamento, a perfeita visão do lugar do pensamento nas nossas vidas é algo fundamental, uma vez que o pensamento é um elemento presente aqui, que vem do passado, e esse passado está no tempo.

As experiências pelas quais você passou são experiências registradas, se assentando em uma lembrança, em uma memória; essa memória é o pensamento. Assim, como lidar com o pensamento? Por que precisamos conhecer o pensamento? Porque o pensamento em nós é o elemento que sustenta esse tempo, esse tempo que é o tempo criado por ele. Perceba que o que nós conhecemos como tempo é o pensamento.

Quando você me conta de algo que aconteceu, isso aconteceu no tempo, mas esse tempo não está separado do pensamento. Não haveria qualquer acontecimento para ser lembrado, sem a presença do pensamento; e não haveria qualquer passado, sem a ideia do que foi, do que aconteceu. Portanto, a presença do tempo é a presença do pensamento.

A nossa vida psicológica é uma vida em desordem, em confusão, em conflito, em contradição, porque estamos vivendo no tempo. Ou nós estamos lidando com o passado ou estamos lidando com o futuro. Assim, do ponto de vista psicológico, o pensamento é o tempo. Não há qualquer tempo psicológico sem a presença do pensamento, e quando o pensamento surge, ele surge nesse tempo.

Enquanto não eliminarmos de nossas vidas esse elemento, que é o tempo, que está sempre envolvido no que foi ou no que poderá ser, no que teria sido e no que será, nós continuaremos em algum tipo de conflito, de desordem, de confusão e sofrimento, porque a presença do tempo é a presença da imaginação do que foi e do que será.

Quando você sente medo é a presença do pensamento. É o pensamento que lhe fala de algo que poderá lhe acontecer, ruim para você. Sem a presença do pensamento não haveria esse futuro. Assim, a presença do tempo é a presença do pensamento; a presença do pensamento, a presença do tempo é a presença do sofrimento. É o sofrimento que o pensamento cria, é o sofrimento que o pensamento projeta, é o pensamento que coloca a presença dessa pessoa naquele contexto daquele momento no futuro.

O que é exatamente essa pessoa? Essa pessoa é uma representação mental, essa pessoa é uma ideia. Não existe tal pessoa aqui, nesse instante. Para que essa pessoa surja, o pensamento precisa aparecer. O pensamento é, em você, exatamente a ideia desse personagem.

Quando eu lhe pergunto o seu nome, o seu nome não é você. Quando eu lhe pergunto sua idade, sua idade não é você, sua história não é você. Quando eu pergunto como você se sente, esse sentimento não é você, essa emoção não é você. Apenas quando o pensamento surge, na ideia de alguém presente, surge você: você nesse sentir esse sentimento, essa emoção, você nesse pensar esse pensamento. A ideia, a imagem, a representação mental, tudo isso em nós é a presença dessa vida psíquica, dessa consciência psicológica.

Essa consciência psicológica é a consciência do movimento do pensamento. Não há nenhuma consciência da pessoa sem o pensamento em movimento. Esse movimento do pensamento é uma crença estabelecida em você, pelo pensamento, sobre quem você é. Como estamos lidando constantemente, na vida, com as experiências a partir do pensamento, toda essa leitura que temos é a leitura particular dessa pessoa. Essa é a vida autocentrada do "ego", do "eu", desse "mim".

Quando você me ama, eu me sinto feliz; quando você me rejeita, eu me sinto infeliz: aqui está presente o sofrimento psíquico. A angústia, o estresse, a ansiedade, a depressão, o medo, a preocupação, a dor da rejeição, todos esses elementos presentes estão presentes em razão da presença do pensamento. Essa é a nossa vida psíquica, esse é o sofrimento psíquico, esse é o sofrimento do "eu", do "ego".

Haverá uma Realidade presente além dessa "verdade" que somos nesse contexto do modelo do pensamento? É a ciência desta Realidade, é a Verdade sobre o seu Ser, sobre sua Natureza Essencial, que é a Verdade sobre Deus, que é o Despertar dessa Consciência. Me refiro à nova Consciência, não essa consciência psíquica, não essa consciência do pensamento, não essa consciência egocêntrica.

O Despertar desta Real Consciência é o fim desse "mim", desse "eu". Essa pessoa é o ego. Como lidar com uma pessoa triste, aborrecida, chateada? Como lidar com o ego ferido? Reparem, a nossa intenção é ajudar alguém ou se livrar de um problema, porque aquela pessoa naquele estado vai me prejudicar, já está me prejudicando.

Como lidar com o ego ferido? Primeiro, não compreendo que eu sou esse "ego", mas estou vendo o ego no outro. Eu quero aprender a lidar com o "ego" do outro, e não compreendo que aquilo que sou precisa ser investigado e, naturalmente, descartado por essa compreensão, por essa visão clara da verdade sobre o pensamento.

Aqui estamos, com você, trabalhando o fim para o pensamento, o fim para essa condição de pensamento, que eu tenho chamado de pensamento psicológico. Nós precisamos do pensamento prático, objetivo para lidar com assuntos nesse sonho de existência, como os assuntos profissionais, como os assuntos que se abalizam em conhecimento e experiência, para lidar com assuntos práticos neste sonho de vida. Mas não precisamos do pensamento psicológico, esse que dá formação a essa pessoa, a essa imagem.

Esse elemento em você que se ofende, se magoa, se entristece, se aborrece e fica chateado é a presença da pessoa, é a presença dessa autoimagem - esse elemento em você que se preocupa em ter prejuízos quando ofende, fere, magoa também o outro. Podemos nos libertar da ilusão dessa egoidentidade? Podemos descobrir a vida livre do "eu", livre dessa ilusão da separação?

Um trabalho direto nessa direção é aprender a olhar para si mesmo: esse é o trabalho. Aprender sobre nós mesmos, aprender como nós funcionamos, aprender como esse sentido do "eu" é formado, ver a base, a estrutura dessa egoidentidade, ver que esse elemento está presente porque estamos desatentos a esse instante, a esse momento.

Nós estamos sempre respondendo a esse momento com base nessas recordações, nessas memórias, nessas lembranças, dando continuidade a esse sentido do "eu", desse "mim", sustentando a ilusão do tempo - desse tempo mental, desse tempo psicológico. Assim nós mantemos essa continuidade dessa forma de ser alguém.

Há algo presente aqui, além do ego, para ser compreendido, para ser vivenciado. Essa é a Realização do Despertar, essa é a Realização de Deus, é a Ciência do seu Ser. Esses encontros que nós temos aqui nos finais de semana, sábado e domingo, têm esse propósito: trabalharmos isso juntos, olharmos para isso. Assim, nós temos dois dias de encontro aqui online, onde estamos com você trabalhando essa visão. Fora esses encontros, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso é algo que faz algum sentido para você, fica aqui o convite.

Abril de 2025
Gravatá-PE
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