quinta-feira, 16 de abril de 2026

O que é o pensamento? | Como alcançar a realidade desejada? | Tempo psicológico e cronológico

Na vida, nós temos que ter uma aproximação inteiramente nova. De outra forma, continuaremos dentro de diversas ilusões criadas, alimentadas e sustentadas pelo pensamento e, no final, isso irá sempre resultar em alguma forma de problema, de desordem, confusão e sofrimento. Por exemplo, nós temos essa procura, essa busca, essa intenção de encontrar alguma coisa que nós idealizamos. Notem que essa idealização nesse projeto é uma idealização do pensamento, quando, por exemplo, estamos procurando encontrar essa realidade que desejamos.

Assim, as pessoas perguntam: "Como alcançar a realidade desejada?" Antes de tudo, o que é essa realidade? Não é ela uma projeção do pensamento? O que nós sabemos, de verdade, sobre a realidade que, de fato, nós precisamos para essa completude, para essa felicidade? Nós não sabemos nada sobre felicidade. O que temos são projetos, ideias, crenças do que isso representa, do que isso significa.

A forma como nós nos organizamos na vida é a forma programada pelo contexto cultural, pelo contexto da sociedade. Assim, nós acreditamos que ser feliz, por exemplo, é ter bens materiais. Quanto mais temos coisas, maior a possibilidade de conforto, maior a possibilidade de destaque e posição dentro do contexto da sociedade. Mas notem: isso não é a Realidade da Felicidade, mas nós estamos confundindo isso com realização.

Não existe nada que você realize externamente que possa lhe dar internamente a Verdade da Paz, dessa Paz interna, dessa Paz interior. "Como alcançar a Paz interior?" Provavelmente não é realizando desejos, embora essa procura por essas realizações nos dê essa fantasia; a fantasia de encontrarmos no conforto dos bens materiais ou na suposta segurança de todos esses recursos financeiros que conseguimos, essa liberdade, essa estabilidade, essa segurança.

Aqui estamos, com você, investigando a natureza do pensamento. Qual é a verdade sobre aquilo que projetamos como ideal para as nossas vidas? Tudo aquilo que projetamos só pode ser projetado a partir de um princípio e de um programa ou fórmula. Esse programa, fórmula e princípio é o pensamento. É sempre o pensamento lhe mostrando aquilo que você "precisa" - aquilo que, na realidade, você acredita precisar. É isso que nós temos chamado de realidade desejada.

Nós estamos visualizando isso; então, existem técnicas de visualização da realidade desejada, existem técnicas de meditação para alcançar a felicidade desejada, existem ferramentas utilizadas nesta direção. Tudo isso envolve a presença do pensamento, tudo isso envolve o modelo da própria mente para alcançar aquilo que ela imagina que irá lhe completar, que irá lhe fazer feliz.

Qual será a verdade sobre o desejo? Quando você vê um objeto e você o deseja é porque você já teve alguma experiência no passado com ele, e ele lhe conferiu algum nível de satisfação, algum nível de prazer, e assim você o deseja novamente. Então, basicamente, o que é o desejo? O desejo em nós é a busca do prazer. Nós só buscamos ou desejamos aquilo que nos concede algum nível de prazer, aquilo que nos favorece esse estado sentimental, emocional de satisfação no prazer.

Assim, a base que sustenta a busca do desejo é o prazer. Mas o prazer é somente isso: a presença da lembrança, a presença da memória de uma satisfação obtida no passado. Agora, toda a satisfação termina em insatisfação. Aquilo que lhe satisfaz nesse instante, daqui a pouco não lhe satisfaz mais - assim são os prazeres, assim são as realizações.

Então nós já temos aqui algumas coisas. A primeira delas é a presença do prazer. Mas a presença do prazer requer a lembrança, a memória, o pensamento do prazer. A vida do ser humano gira em torno dessa busca; ele não sabe o que é a Realidade, ele projeta essa realidade desejada. A realidade que ele deseja é a realidade do prazer. Esse prazer é a memória, é a lembrança de uma satisfação, de um preenchimento temporário que ele teve.

Reparem a importância dessa compreensão. Tudo o que estamos fazendo na vida não é para o encontro da Felicidade, é para o encontro do prazer, da satisfação, e isso sempre será algo momentâneo. O nível de satisfação que se tira do prazer, uma vez que ele foi alcançado pelo desejo, é uma satisfação que logo se mostra insuficiente. A continuidade da vida do "eu" é a continuidade do movimento do desejo.

Nós precisamos descobrir a vida como ela acontece, tendo exatamente tudo o que ela tem, nesse sentido real de Ser um com a própria Vida. Então haverá uma completude, um nível de realização que nós desconhecemos. Nós desconhecemos esse nível de completude e realização porque nós estamos vivendo no pensamento.

Então, já tocamos aqui com você nessa questão do desejo, mas notem que um outro elemento sempre presente, como o outro lado da moeda do desejo, é a presença do medo. Você deseja algo, mas há dentro desse próprio desejo uma certa ansiedade de não alcançar, de não obter, de não conquistar: isso é medo. A busca de alguma coisa carrega uma expectativa, mesmo que velada e oculta, de que talvez aquilo não aconteça. E nenhuma certeza intelectual é convicção suficiente para eliminar a presença do medo.

Nós temos que investigar isso, colocar a nossa mente e o nosso coração para aprofundar essas questões. Aqui, juntos, estamos investigando como, nesta vida, realizar a Verdade da Felicidade, da Completude de sua Natureza Essencial, que é a Natureza Divina, que é a Natureza de Deus. Essa interna Natureza, essa verdadeira, oculta e misteriosa Natureza do seu Ser é a própria presença da Felicidade.

Assim, a Realização nesta vida não é a realização dessa, assim chamada, realidade desejada, mas é a ciência da Verdade da Realidade. A Realidade é algo que está além dos desejos, do prazer, do pensamento e, naturalmente, do medo. Aqui estamos juntos investigando a Verdade do Florescer do seu Ser, da Verdade sobre Você, assim, o descarte desse modelo do pensamento.

Por isso que estamos aqui perguntando também para você: o que é esse pensamento? Já que acabamos de perceber aqui, juntos, que essa assim chamada realidade desejada é algo que você pode visualizar, que você pode idealizar. Se pode idealizar e visualizar, isso faz parte do pensamento. Mas o que é o pensamento? Todo o pensamento presente em nós é o registro de uma memória, de uma lembrança, de algo que faz parte daquilo que se conhece nesse contexto dessa consciência.

Aquilo que temos chamado de consciência em nós, ou a mente em nós, é a presença dessa ciência do movimento do pensamento. É interessante aqui usarmos a palavra "ciência" desse movimento do pensamento, porque a grande verdade sobre isso é que todo esse processo ocorre de uma forma completamente mecânica, automática e inconsciente.

Nós não temos qualquer real ciência do que é o pensamento e do que é esse movimento presente em nós. Apenas nos damos conta dessa assim chamada consciência do "eu", dessa mente em nós, quando algum nível de sofrimento ou desconforto acontece; é quando nos damos conta de que nós existimos como alguém tendo essa mente, tendo esta consciência.

Quando você, por exemplo, está preocupado, você se dá conta de si mesmo, de que está sofrendo. Você se dá conta de si mesmo quando está triste, ansioso, deprimido. É quando você tem essa assim chamada consciência do "eu" ou essa mente pessoal, essa mente do "eu"; é quando você se dá conta de existir como alguém, e é exatamente quando sofre.

Porque, em geral, nós passamos pela vida sobrecarregados de pensamentos e diversas formas de complicações, sem mesmo nos darmos conta de que estamos sofrendo. Em geral, boa parte desse tempo - mesmo quando estamos envolvidos com algum nível de sofrimento - nós ocupamos para fugir dessa dor e, assim, não nos damos conta de que existimos como alguém que sofre, porque há sempre um expediente ou outro expediente de fuga dessa psicológica dor, que é a dor do "eu", do ego, desse "mim".

Assim, qual será a verdade sobre o pensamento? Porque é o pensamento que está projetando esses desejos. A verdade sobre o pensamento é que o pensamento em nós é um movimento que vem do passado, é só uma memória, uma lembrança, uma imagem que ele traz. É ele que se projeta idealizando isso, objetivando isso, sonhando sobre isso. É o próprio pensamento que visualiza, a partir desse "eu", que ainda é o pensamento - não existe qualquer separação entre o pensamento e esse pensador; esse pensador é o próprio pensamento - aquilo que ele deseja e espera encontrar em algum momento.

Essa projeção no futuro para alcançar está dentro dessa visão de um futuro criado pelo pensamento. Não existe tal coisa como o futuro, não existe tal coisa como o passado. Nós temos a vida neste instante. Esse assim chamado passado ou futuro é algo que o pensamento está produzindo. Assim, nós temos toda essa noção de tempo para alcançar.

Aqui eu tenho tocado com você na diferença entre o tempo cronológico e o tempo psicológico. Nós precisamos do tempo cronológico. Para uma fala como essa, de alguns minutos, nós estamos fazendo uso do tempo; é uma fala que está ocorrendo no tempo cronológico. Nesse nível, o tempo está presente.

O tempo cronológico não pode ser negado dentro desse contexto deste sonho de existência humana, para realizações práticas e objetivas na vida. Então, nós temos a presença do tempo cronológico. Mas não existe tal coisa como esse tempo psicológico. Não existe esse "amanhã psicológico", esse "futuro psicológico" para ser feliz, para ter Amor, para ter Paz, Liberdade, Inteligência, Verdade, Deus. Nada disso que acabamos de colocar se encontra no tempo.

A Realidade da Felicidade é algo presente, não está dentro dessa desejada realidade, ou realidade desejada. A Felicidade é a Realidade aqui, nesse instante. O Amor é a Realidade aqui, nesse instante. A Paz é a Realidade aqui, nesse instante. Deus é a Realidade aqui, nesse instante. Aqui estamos diante de Algo que está fora do pensamento e, naturalmente, fora desse tempo psicológico, uma vez que o pensamento é o tempo. É apenas o passado, nesse instante, buscando a continuidade de um futuro que ele imagina.

Assim, a presença do pensamento é a presença do tempo. Sem a presença do pensamento, não existe o pensador, não existe esse "eu", não existe esse elemento presente, que é esse "mim", essa pessoa, na ideia de encontrar o prazer, o preenchimento e a satisfação em algum desejo, em alguma realização do pensamento.

Aqui, esse encontro com a Realidade Divina, que é a Realidade deste Ser que é Você em sua Natureza Real, é exatamente o fim do pensamento, é o fim do tempo. Assim, nós temos a presença do tempo psicológico e o tempo cronológico. No tempo cronológico, as coisas acontecem, mas no tempo psicológico, o pensamento imagina coisas acontecendo. Então, nós estamos sempre vivendo, no pensamento, nessa diretriz da busca do prazer e da fuga da dor.

A presença do prazer, nós idealizamos como essa assim chamada realidade desejada; mas queremos também fugir da dor, queremos escapar do medo, e não percebemos que todo esse movimento de busca é o movimento do próprio pensamento sustentando o prazer e a dor, o desejo e o medo.

Um encontro com a Realidade Divina, com a Verdade do seu Ser, é a ciência de sua Natureza Essencial, é a Beleza da Vida, é a Beleza do Amor, é a Beleza de Deus. Realizar Isso nesta vida é realmente descobrir a verdade sobre essa ilusão, que é a ilusão do pensamento com todas essas projeções de realizações externas e supostas segurança nestas realizações. A Vida é esse grande Mistério, e uma resposta direta para a vida é a ciência da própria Vida nesta Completude, nesta Real Felicidade do seu Ser.

Portanto, nesses encontros aqui nos finais de semana, sábado e domingo, nós estamos aprofundando e trabalhando esses assuntos com você. São dois dias em um encontro online, onde podemos investigar isso, aprofundar isso. Então, fica aqui um convite para você. Fora esses encontros, temos encontros presenciais e, também, retiros.

Abril de 2025
Gravatá-PE
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