terça-feira, 21 de abril de 2026

Como alcançar a realidade desejada? | A vida livre do ego | O conflito dos desejos

Aqui, a velha pergunta é: "Como alcançar aquilo que desejamos?" Colocando de uma outra forma: como alcançar a realidade desejada? Notem que coisa interessante é o uso dessa expressão "realidade" dentro desse contexto, em uma frase como essa. O que na verdade nós sabemos sobre a realidade? O que é que nós chamamos de realidade?

Quando nós nos deparamos com a vida como ela acontece, nós estamos diante da Realidade. Mas qualquer pensamento sobre isso é uma sobreposição a essa Realidade. Essa sobreposição é uma ideia, é um pensamento, é uma opinião, uma conclusão, um conceito, uma projeção. Aqui, a palavra "projeção", como sinônimo de pensamento, fica muito claro, agora, sendo colocada nesse contexto, nessa frase, nessa expressão "como alcançar a realidade desejada pelo pensamento". É assim que estamos nos movimentando na vida.

Nós não temos ciência da vida como ela é. Nós temos uma ideia sobre como ela deveria ser, como ela poderia ter sido, como ela seria. Tudo isso está dentro dessa projeção, desse modelo, que é o modelo do pensamento presente em cada um de nós. Assim, qual será a verdade dessa ideia, desse movimento, dessa projeção do pensamento, chamada desejo? Quando é que você sente desejo? Ou quando você tem uma necessidade, uma real necessidade, porque há uma falta, ou quando você tem uma psicológica necessidade, na imaginação de uma falta.

A complexidade no ser humano - eu me refiro a essa psicológica complexidade em nós -, invariavelmente, nos coloca sempre nessa segunda alternativa. Nós não estamos lidando com necessidades reais, mas, sim, com necessidades imaginárias. Assim, o que nós chamamos de realidade, de desejos, são projeções do pensamento, dentro de supostas necessidades projetadas pelo "eu", pelo ego.

Veja como nós precisamos investigar isso cuidadosamente, pacientemente, ou passaremos uma vida inteira realizando desejos e saindo de um projeto para o outro, de uma realização para a outra, sem jamais tocar na Verdade da Realidade - estaremos sempre no movimento do pensamento. Qual será a verdade sobre o desejo? A verdade sobre o desejo é que você deseja com base em uma imagem. Quando você vê um objeto, você o deseja se ele é bonito, e você o rejeita se ele lhe produz um sentimento ou uma sensação de asco, de rejeição.

O movimento do pensamento presente em nós é de acolher, querer mais e buscar constantemente mais e mais do prazer, e rejeitar, rechaçar, afastar mais e mais da dor. Esse comportamento em nós têm dois aspectos também, assim como a presença do desejo. O desejo pode ser por uma necessidade: se você sente fome, você deseja comida, se você sente sede, você deseja beber. A bebida, que é a água, é o que resolve a questão da sede. Mas você pode tomar qualquer outra bebida quando também sente sede; essa outra bebida já não é a necessidade da água, é a psicológica necessidade de uma satisfação de prazer.

Nós temos em esse movimento, um movimento da necessidade, da busca do preenchimento de uma necessidade natural, orgânica, física, ou mesmo uma necessidade de transporte. Se você tem que sair de uma cidade para outra, você não pode ir caminhando, você precisa de um veículo. Nesse momento, você opta, você escolhe: se você quer chegar mais rápido, você vai de avião. Então, é natural desejar um voo, porque você precisa de um voo, e você tem um horário, então você sabe que em um voo o seu tempo de viagem é menor.

Então, nós temos uma qualidade de desejo com base em uma necessidade e temos uma qualidade de desejo com base no pensamento, porque é exatamente no pensamento que guardamos a sensação do prazer naquele desejo. Ao se lembrar de alguma coisa, o próprio pensamento carrega uma sensação com ele, e é o próprio pensamento que liga aquilo do qual você se lembra a essa sensação de prazer que você já sentiu no passado. Reparem que é sempre um jogo do pensamento.

A memória do prazer, da sensação, é o pensamento. A imagem que você vê lá, fisicamente, está sendo tocada aqui, psicologicamente, pelo pensamento. Então, a sensação surge de novo, é uma memória, é uma lembrança. Para quem surge essa lembrança, essa memória, essa sensação? A resposta é: para mim. Mas o que é esse "mim"? Quem é você? Um conjunto de memórias, um conjunto de lembranças, um conjunto de sensações. Assim, estamos diante de um jogo, que é o jogo do pensamento.

O pensamento diz aí: "você - notem, esse você é o "eu", é o "mim", que é um pensamento - será feliz, você encontrará o amor, você encontrará a satisfação, você encontrará o preenchimento"; e o que ocorre, na realidade, é que nenhum desejo, nesse aspecto psicológico, lhe dá, de fato, o fim para essa psicológica condição de insatisfação, lhe dá, de fato, a presença do Amor, lhe dá, de fato, a Felicidade. Tudo o que o movimento do pensamento faz é sustentar a sua continuidade se projetando no futuro; ele precisa da continuidade, ele precisa da projeção.

Então, todo o desejo não só rompe com a insatisfação, com a incompletude, como reforça ainda mais esse sentido do pensamento, nesse formato do "eu", desse "mim", desse ego, em busca de continuidade. Essa busca de continuidade, essa busca de mais sensação é a presença do sofrimento. Aqui estamos investigando a verdade da vida nesse instante, e estamos também nos perguntando se é possível, nesse momento, assumirmos a Realidade da Vida como ela acontece, sem essa ilusória presença desse "eu", que não é outra coisa a não ser o pensamento se projetando dentro da própria imaginação, em uma ilusão de conquista, de completude, amor, felicidade e satisfação, nessa forma do desejo.

O contato com a vida nesse momento é Alegria, é Completude, é Amor, é Paz, é Felicidade quando o pensamento não está, quando essa projeção não se encontra, quando o desejo, que é essa ânsia por mais, lincada a essa sensação de prazer, não está mais presente. Então, estamos diante de algo novo, que se mostra presente quando o pensamento não está, uma vez que o pensamento é o elemento principal de tudo isso. Assim, podemos ter um contato com a vida nesse momento, mas sem esse sofrimento que o pensamento causa, em razão dessa ânsia por mais e mais e mais?

Será possível olhar para algo, para alguém, para um carro bonito, para uma casa bonita, para um rosto bonito, para um corpo bonito, para algo que traz, sim, a memória, a lembrança e, naturalmente, a sensação. Veja, a sensação, a memória, a lembrança é de prazer com aquela experiência, com aquele objeto, com aquela dada situação. Mas é possível, nesse momento, não colocar esse elemento, que é o pensamento, na sensação, no prazer, nessa experiência? Reparem, isso é o fim do passado, isso é o fim desse elemento que vem do passado, que é o pensamento.

Será possível ficarmos apenas com a sensação? Porque, sem o elemento, que é o pensamento, não haverá projeção, não haverá essa continuidade do desejo. Então, aquilo que chamamos aqui de sensação ou prazer, não se sustenta. Se isso não se sustenta, o desejo não se estabelece. Então ficamos com o momento, com aquele rosto bonito, com aquele corpo bonito, com aquele carro bonito, aquela casa bonita, conseguimos perceber como é bonito aquela pessoa no palco cantando, mas não haverá a inveja, porque não haverá esse elemento, que é o pensamento, criando a comparação, criando essa imagem "eu poderia estar lá também, eu poderia ser alguém tão importante, ou alguém tão bonito quanto ele ou ela, naquele lugar".

Se o pensamento não está, nós temos o fim do desejo, porque temos o fim da comparação, temos o fim da inveja, temos o fim, também, do medo. Porque quando temos a presença do desejo, reparem, existe também oculto ali a presença do medo de um dia não alcançar aquela fama, de um dia não conseguir chegar lá onde ele ou ela chegou. Reparem, é a comparação a base do medo, a base do desejo. Tudo isso se sustenta criando essa identidade, que é o "eu", aqui, nesse instante, se projetando nessa ambição, nessa inveja, nesse desejo, nesse medo.

Notem que coisa importante temos aqui: a presença do desejo carrega o medo; além disso, a presença do desejo carrega a contradição. A contradição presente no desejo é a presença do sofrimento. Quando você deseja alguma coisa e sabe que aquilo você não pode ter, isso lhe causa medo.

Ao querer alguma coisa que sabe que não deve ter, não pode ter, porque isso não é ético, porque não é moral, porque não está certo, mas, reparem, o desejo está presente, mas está presente também um elemento em você, que é esse "eu", esse sensor, que diz: "você não pode ter aquilo, porque isso vai causar problema para você". Então, esse estado é o estado interno do "eu", do ego, em contradição. Veja, temos no desejo a presença do sofrimento.

Então, notem isso: quando o desejo está presente - eu me refiro a essa condição psicológica do desejo, não aquele desejo simples, natural, de um voo ou de comida quando você tem fome, ou mesmo de comprar um carro quando você tem o dinheiro; eu me refiro ao desejo conflituoso, ao desejo que gera conflito, que é o desejo psicológico -, haverá conflito, porque teremos presente a ambição, a inveja, a contradição, ou o medo.

Reparem o problema que o desejo, essa qualidade de desejo que o ego conhece, produz em cada um de nós, nesse "mim", nesse "eu", sendo o desejo o próprio pensamento, sendo o pensamento o próprio "eu", esse "mim", esse elemento que vem do passado. Aqui estamos, com você, investigando tudo isso, lhe dizendo que a vida é possível livre do ego, livre do "eu" e, portanto, livre da questão dessa qualidade de desejo onde o sentido do "eu", onde o sentido do ego, está presente, sendo ele a base para tudo isso. Um encontro com a Realidade da Vida nesse momento é a Liberdade de uma resposta para esse instante livre do passado.

Aqui estamos dizendo para você que a Felicidade já está presente quando o sentido do "eu", do ego, não está, e todo o seu contato com a vida é de Amor, é de Paz, é de Felicidade, é de Beleza, porque esse elemento, que é o pensamento, que vem do passado, que cria essa psicológica condição de ambição, inveja, comparação, desejo, não está mais presente. Então temos aqui a Verdade Divina se Revelando, que é a Verdade do seu Ser. Isso é o fim do passado, é o fim do tempo, é o fim do "eu".

Assim, estamos trabalhando juntos isso aqui com você. A Vida Real é a vida livre do "eu", livre do ego. Então há Beleza, Graça, Amor, Felicidade n'Aquilo que é Você em seu Ser, aqui e agora. Nós temos encontros online aqui nos finais de semana, onde estamos trabalhando isso com você. Sábado e domingo estamos juntos: são dois dias em um encontro online. Fora esses encontros, temos encontros presenciais e, também, retiros.

Abril de 2025
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