terça-feira, 7 de abril de 2026

Como me livrar dos problemas? Uma vida livre deste ego. Condicionamento psicológico. A mente egoica.

A nossa forma de ver a vida é a partir de pontos de vista, de ideias, conceitos, crenças, perspectivas do pensamento. Essa é uma forma programada de lidar com a experiência desse instante, com a experiência desse momento. Assim, você vem e pergunta: "Como me livrar dos problemas? Será possível uma vida livre de problemas?" Quando você faz essa pergunta, compreenda aqui algo: enquanto a sua visão for a partir de um modelo pré ordenado de pensamento, você não será capaz de lidar com a vida como ela acontece.

Em geral, a nossa forma de nos aproximarmos da vida é a partir desse velho modelo do "eu", desse velho modelo do passado. Assim, essa é uma forma condicionada de lidar com as situações. Existe um condicionamento psicológico presente em cada um de nós. A forma como você vê a vida, a partir de uma ótica filosófica, espiritual, mística, religiosa, política, social, de tradição familiar, é a presença do modelo do pensamento.

Então, nós temos uma mente presa a uma forma de ver as coisas: essa é a mente condicionada, nesse condicionamento mental, nesse condicionamento psicológico. Assim, a verdade sobre uma mente condicionada é a presença da mente egoica, porque todo esse comportamento em nós, a partir dessa visão particular de imagens, símbolos, pensamentos, ideias e crenças, não é real.

Na vida, ou nós assumimos a ação - e essa ação assumida é a ciência da verdade sobre a vida como ela é - ou toda essa ação em nós é mera atividade egoica, é mera atividade egocêntrica. Assim, não podemos nos livrar dos problemas, porque nunca investigamos a questão dos problemas. A vida do ser humano, a vida no ser humano é a vida do problema, porque é a vida da mente, é a vida do modelo do pensamento.

O pensamento não lida com a verdade da vida nesse instante, e a vida é algo que está aqui ocorrendo nesse momento. O pensamento lida com experiências, memórias e recordações do passado. Um detalhe importante: quando você tem uma experiência e ela é registrada como memória, ela só é uma lembrança que volta porque ela não se completou. Isso é algo que nós precisamos compreender.

Quando você tem uma experiência e ela é real, esse experimentador não entra. O experimentador em nós é o elemento que vem do passado, e ele traz do passado sua memória, sua lembrança; e nesse encontro com esse instante de experiência, ele sempre acrescenta alguma coisa a essa experiência e retira dessa experiência alguma coisa.

Esse é o modelo da continuidade do "eu", do "ego", esse é o experimentador. Então, essas experiências não se completam, por isso ficam guardadas em nós, como lembrança, e é por isso que o pensamento volta. Assim, esse pensamento é incapaz de lidar com esse momento, porque esse momento é novo.

Na vida, nós não temos nenhum momento se repetindo; todo momento na vida é novo. Mas há um elemento em nós que vem do passado com essas ideias, com essas lembranças, com essas crenças e faz uma avaliação desse encontro, faz um juízo desse momento, faz uma comparação do que está aqui com o que ele já conhece. Essa qualidade de atividade, de modelo de comportamento é algo egocêntrico.

Assim, nós somos incapazes de lidar com a vida como ela é, de uma forma real, quando o pensamento está presente, quando o passado está presente - esse passado é o "eu", é o "ego", é esse velho experimentador. Podemos ter um encontro com a vida, sem o passado? Sem esse modelo de pensamento? Sem essa memória? É isso que estamos propondo aqui para você.

Nesse constatar da vida há uma Ciência de Ser, que é a própria Verdade da Vida se revelando; então, nesse instante, há um fluir de Consciência, de Presença, de Realidade. Esta Consciência não é a consciência da pessoa, não é a consciência do "eu". Aquilo que nós chamamos de consciência é o modelo do pensamento presente a partir do passado; ele reconhece a partir das experiências que já teve; esse reconhecimento é uma inadequação. Assim são as nossas ações.

Então, eu volto a dizer: jamais nos livraremos dos problemas, de toda a forma de conflito, contradição, desordem, medo, desejos conflituosos, do sofrimento psíquico, enquanto o sentido do "eu", desse "mim", desse "ego" continuar aparecendo. Podemos tomar ciência disso? É a compreensão que se faz necessária aqui; é tudo o que nós precisamos, é a única coisa que precisamos: é ter compreensão desse processo que traz esse elemento que vem do passado e que atua, nesse instante, e mantém a sua continuidade no futuro. Quando novos acontecimentos surgirem, lá estará ele de novo.

Uma vez compreendido esse sentido do "eu", uma vez compreendida a verdade sobre esse "ego", sobre esse modelo de pessoa, podemos realizar, na vida, a Verdade sobre a Vida; e a Verdade sobre a Vida é uma Vida livre do "ego". A Vida livre do "ego" é a vida como ela é, sem toda essa contradição, conflito e sofrimento da vida como ela é nesse "eu", nesse "mim", a partir desse centro egoico, a partir desse personagem, dessa identidade pessoal.

Esse encontro com o momento presente é um encontro com a Realidade da Vida, sem o passado, sem essa leitura, avaliação, pensamento, ideia ou conclusão sobre o que está aqui nesse instante, sobre a Vida se revelando, sobre a Vida nesse momento. Os nossos contatos com pessoas, os nossos contatos com nós mesmos, os nossos contatos com situações, com acontecimentos são a nossa vida de relação.

Assim, nós temos a nossa vida de relação e temos a vida nos mostrando a importância das relações. A vida nos mostra a importância das relações, mas nós estamos assumindo nossas particulares relações, na vida. O pensamento nos dá uma visão particular de quem é o outro, do que ele representa para mim, de quem eu devo ser para ele.

O pensamento aqui, nesse "mim", me traz a ideia de como devo lidar com as situações que surgem na vida. Isso está dentro desse princípio equivocado, que é o princípio do pensamento. Um pensamento que envolve, também, sentimento, emoção e percepção. Eu olho a partir de um percebedor, eu penso a partir de um pensador, eu sinto a partir desse "eu" no sentir.

Aqui, estamos diante de uma perspectiva sustentada pela imaginação, pelo próprio pensamento, porque não existe esse pensador pensando, esse "eu" sentindo, esse elemento, que é o percebedor, percebendo. Reparem como é importante a compreensão disso, porque se você tem trinta, quarenta ou setenta anos de idade, por todos esses anos a sua vida tem sido uma vida norteada pelo pensamento, exatamente nesse formato.

A crença fundamental, a ideia básica da existência desse "mim", dessa "pessoa", é de que você é alguém que está pensando, fazendo, sentindo, tomando resoluções, realizando coisas e tendo o controle sobre elas. Nós estamos diante de algo imaginário, de uma construção de pensamentos que se organizaram e que lhe dão essa ideia, que lhe dão essa visão, essa perspectiva.

Qual é a verdade sobre você? Qual é a verdade sobre o pensamento, sobre o sentimento, sobre a emoção, sobre as ações que estão acontecendo aqui e agora? - Porque todas essas ideias do que aconteceu, do que você pensou, do que você sentiu, agora, aqui são só uma lembrança. Qual é a verdade sobre o que temos presente aqui? Haverá, realmente, esse "eu" e a vida? Quem é você?

Você é esse corpo? É essa mente? São esses sentimentos, essas emoções? São esses pensamentos? Observe que tudo isso gira em torno de experiências, de memórias, de lembranças, algo que vem do passado. É com isso que estamos nos confundindo, é nisso que estamos vivendo por todos esses anos.

Aqui nós estamos, de forma clara, colocando esses assuntos para você, embora isso seja desafiador - eu sei -, ouvir que aquilo que conhecemos por vida, nessa pessoa, é uma sugestão do pensamento, é uma imaginação do pensamento. Há uma Realidade, sim, presente; essa Realidade não é a pessoa, não é esse "mim", não é esse "eu", não é essa estrutura que a mente conhece, que o pensamento reconhece, aí, como sendo você.

O contato com a Realidade da Vida consiste na Ciência da Vida sem o "eu", sem o "ego". Então, estamos falando de uma Vida que é inteiramente desconhecida do pensamento, ignorada pelo pensamento, jamais alcançada pelo pensamento, discutida ou compreendida por ele. Estamos aqui tocando, sinalizando, apontando para Algo fora da mente, fora do "eu", fora do "ego". Essa é a Vida do seu Ser, essa é a Vida de Deus, para a qual você nasceu.

Alguns chamam essa Vida nova, desconhecida - fora de todo esse padrão de ideias, de pensamentos, crenças, conclusões, opiniões, fora de todo o condicionamento que nós recebemos dessa cultura, dessa ideia de mundo que temos -, de o Despertar da Consciência ou Iluminação Espiritual - é a Verdade deste Ser, é a Verdade de Deus, é a Verdade da Vida. Poder lidar com família, marido, esposa, filhos, trabalho ou o que quer que tenhamos à nossa volta ou dentro de nós mesmos, sem o sentido do "eu", sem o sentido do "ego".

Assim, quando um pensamento ou um sentimento está aí, ou uma sensação ou percepção esteja surgindo, lidar com aquilo que ocorre internamente e com a experiência aqui, nesse instante, desse mundo externo, sem o sentido do "eu", sem o sentido do "ego", é um contato novo sem o experimentador. Se não há experimentador nesse contexto de existência surgindo, aquilo que chamamos de experiência não é mais uma experiência, estamos diante de um experimentar.

A vida é para esse experimentar, a Vida está nesse experimentar; a vida faz todo o sentido nesse experimentar. Então, isso explica a grande confusão e sofrimento presente nesse velho modelo, que é a presença do "eu", desse experimentador, desse que se aproxima da vida para extrair dela uma experiência e manter a continuidade dessa vida, que é a vida do "ego", a vida desse experimentador, sempre se projetando no futuro para maiores realizações.

Aqui há uma Completude presente, há Algo pleno; essa Plenitude é a presença da Felicidade, é a presença do Amor, é a presença da Liberdade, é a presença da Verdade Divina. Então, essa é a Vida como ela é, quando o "eu" não está. Aqui nesses encontros, nós temos aprofundado esses assuntos.

Ao se aproximar da Verdade sobre si mesmo, você precisa tomar ciência de como tudo isso internamente se processa, como esse sentido do "eu" surge. Investigar este assunto é fundamental. Descobrir sobre o Autoconhecimento, tomar ciência do que é a Verdade da Meditação, é isso que lhe aproxima dessa visão da Realidade do seu Ser, da Realidade de Deus.

Nós temos aqui encontros nos finais de semana, onde estamos sábado e domingo juntos. São dois dias. Nós temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso é algo que faz algum sentido para você, fica aqui um convite.

Abril de 2025
Gravatá-PE
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