GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast. Novamente, o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença.
Hoje, eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith, chamado "A Transformação da Consciência". Em um trecho desse livro, o Joel faz o seguinte comentário: "Dez homens justos podem salvar uma cidade. Quem são os justos? Aqueles que se entregam à oração correta. E o que é a oração justa? Aquela que não procura nada para si mesmo, mas busca apenas a Presença de Deus".
Mestre, nesse trecho, o Joel comenta sobre essa oração justa que não busca nada para si. Dentro desse assunto, o Senhor pode compartilhar a sua visão de como o ego se esconde dentro da espiritualidade?
MG: Olha, Gilson, é algo muito comum isso em todos nós. A vida em ideias, em conceitos, em crenças, o nosso grande apego às expressões, às palavras. Portanto, nós estamos vivendo dentro de uma abstração quando falamos desta vida da espiritualidade. Então, é muito comum esse disfarce para "eu", para o ego, o disfarce de uma vida espiritual.
Em geral, nós nos contentamos com crenças, com ideias. Nós nos contentamos, observe isso, em nosso descontentamento, nós nos contentamos em seguir doutrinas, práticas místicas, crenças espirituais, e acreditamos que estamos vivendo a real espiritualidade, a real vida espiritual. Até nos orgulhamos disso. Então, de fato, o ego se oculta, se esconde, ele se disfarça nesse modelo de espiritualidade.
Nós não temos olhos para ver, nem ouvidos para ouvir aquilo que está aqui, dentro de nós. Conhecer a nossa própria mente, tomar ciência de como ela trabalha, de como ela funciona. É isso que nós precisamos fazer para um contato Real com a Vida Divina, com a Vida espiritual. E isso é algo que envolve a questão do escutar.
Nós não sabemos como funcionamos. A partir de onde nos encontramos - dentro da visão particular que trazemos sobre quem somos -, nós projetamos o que desejamos ser, a partir de critérios que nós recebemos de ensinamentos, de mandamentos de doutrinas, assim chamadas espirituais. Isso não é a Real Verdade sobre nós; é o movimento, na realidade, de hipocrisia, e nós não temos ciência disso. Aliás, na mente, a partir dessa cortina de crenças, de imagens, ideias que o pensamento estabeleceu em nós, tudo que vemos a partir desse lugar, dessa cortina, é dentro dessa inconsciência. É dentro desse padrão de inconsciência da mente.
Essa inconsciência mental, que tem moldado nossas vidas, é a mente presa a padrões de comportamento - são os nossos condicionamentos. Todo esse resultado de conhecimento adquirido, de tradição que recebemos dentro da cultura, dentro desse movimento de história humana, nós estamos vivendo ainda dentro de padrões de mundanidade, ligados aos valores dos sentidos, aos valores da mente. Valores esses que nós recebemos do contexto cultural, do contexto social. Então, de fato, a nossa vida como pessoas, na espiritualidade que nós conhecemos, é uma vida no ego, é uma vida nesse "eu".
A presença desse "eu" é o elemento de separação entre você e a Realidade Divina. É a Realidade Divina, a Real Espiritualidade. Mas a Real Espiritualidade, que é essa Realidade Divina, é inalcançável pela mente, inconcebível pelo pensamento. Tudo o que nós temos feito é imaginar, é criar uma espiritualidade dentro da imaginação, do pensamento. E o pensamento em nós, é um elemento de condicionamento psicológico, de estrutura de memória, de continuidade do passado. Assim é essa nossa espiritualidade.
Não há verdade nessa espiritualidade. O que temos presente é o modelo do "eu", é o modelo do pensamento, nesse desejo de alcançar Deus, de encontrar Deus, de viver com Deus. Para a mente presente em nós, a ideia de alguém - da pessoa - é a ideia de encontrar, é a ideia de se espiritualizar. Quando aprendemos a observar a mente, isso requer que não olhemos a partir da cortina - da cortina de avaliações, de crenças, de conceitos, de ensinamentos e doutrinas. Começamos a nos tornar cientes de como a mente funciona, de como esse sentido da pessoa, que é o "eu" presente, o ego, atua. E assim, sim, de verdade, podemos nos desvencilhar desse sentido egoico, desse sentido do "eu". Só assim podemos tomar a real ciência da Verdade sobre a Vida.
Quando nos despimos do "eu" ao nos despirmos do ego, esse sentido Real de Vida se mostra. Neste sentido de Vida, não há uma entidade separada da Vida. É esse sentido de Ser, é esse Mistério se revelando. Isso é a Real Espiritualidade. De outra forma, continuaremos vivendo dentro de um padrão de hipocrisia - nessa assim chamada espiritualidade - de práticas espirituais, de seguir doutrinas e ensinamentos. Essa descoberta, essa revelação, é aquilo que aqui se revela quando temos olhos para ver e ouvidos para ouvir aquilo que está presente, neste instante, dentro de nós mesmos.
A base sempre é esse olhar: um olhar sem o passado, um olhar sem escolhas, sem conclusões, sem crenças. Quando nos tornamos cientes da inveja, do medo, da raiva, do ciúme, das posses, da ideia de possuir coisas, da ideia de alguém presente tendo essas coisas, da ideia de alguém presente não só com o que adquiriu externamente, mas com tudo o que vem adquirindo internamente, psicologicamente. A verdade sobre esse "eu" é a compreensão dessa ideia, dessa imagem que o pensamento construiu.
O trabalho todo consiste em tomar ciência, em olhar, em perceber, portanto, essa base é a base para um trabalho. É a presença desse poder Divino, dessa própria Graça Divina, que torna possível esse trabalho. Então, de verdade, esse contato com a espiritualidade não é o contato para o "eu", para o ego. É o contato se revelando quando o "eu" não está, quando o ego não está.
A vida é para ser compreendida, realizada, constatada nesse observar, nessa ciência de ser. Expressões como "autoconhecimento", o "despertar da consciência" ou a "percepção da realidade divina" são expressões que nós podemos usar dentro de teorias, dentro de conceitos, ou podemos assumir isso de uma forma real, vivencial, para uma direta compreensão.
Nessa compreensão não há hipocrisia, não há ilusão, então, não existe mais esse "eu" se ocultando, se escondendo por trás de expressões - expressões como "iluminação espiritual" ou "espiritualidade". É nisso que estamos aqui investindo o nosso tempo, a nossa mente e o nosso coração. Aqui, eu me refiro a esse investimento de momentos juntos, como este que nós temos aqui, para olhar para isso.
Momentos como os que nós temos em encontros on-line e presenciais para investigar a verdade sobre o "eu". Então, podemos ter a ciência desta Revelação, e, se Ela está presente, a ilusão termina, a ignorância se desfaz. Esta é a Verdade da Espiritualidade: não é alguém se tornando espiritual, alcançando a espiritualidade ou realizando a espiritualidade. É esta Espiritualidade assumindo este espaço, assumindo esta Realização para este corpo e para esta mente.
GC: Mestre, nós temos uma pergunta de um inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, como lidar com o ego ferido?"
MG: Gilson, a ideia de um ego ferido, para a maioria de nós, é, de fato, apenas uma ideia. Nós não temos ciência do que é esse "eu", do que é essa pessoa, a pessoa que nós somos. Tanto é assim que, quando usamos a expressão "ego", já nos separamos. Porque as pessoas, em geral, dizem: "o meu ego". Não existe tal coisa como esse "meu ego". Essa é uma ideia - a ideia de alguém que tem um ego.
Há uma Realidade aqui presente. Essa Realidade não é o "eu", não é o ego. No entanto, quando o pensamento assume, quando ele está presente, ele se separa como sendo o pensador, como sendo alguém - alguém que está tendo esse pensamento. E, de imediato, ele usa o pronome, o pronome "eu" ou o pronome "meu". Então, nós usamos expressões como "eu", "eu mesmo", ou "minha casa", "minha família", "o meu nome", "o meu ego". E, agora, usamos expressões como "o ego ferido". Mas qual é a verdade sobre o ego? Qual é a verdade sobre o "eu"? Nós jamais teremos ciência do que é esse "eu", do que é esse ego, sem uma investigação do próprio movimento do pensamento.
O elemento básico que sustenta a continuidade desse sentido de separação - que é o ego, que é essa pessoa, que é o "eu" - o elemento básico é a presença do pensamento. E nós não sabemos escutar o pensamento. Não sabemos observar o pensamento, ficar cientes do pensamento. Porque, quando o pensamento surge, de imediato ele já se separa. Ele se separa nesse gostar ou não gostar. Ele se separa nesse avaliar, julgar ou comparar. Esse é o movimento interno dentro de cada um de nós, nesta mente, nesta consciência, neste "eu".
Portanto, aprender a escutar, a observar o movimento do pensamento, requer esse olhar, requer esta qualidade de aproximação para escutar aquilo que se passa conosco, sem interferir, sem se envolver. Essa é a forma real da aproximação, da compreensão desse ego. E, quando temos esta compreensão, fica claro que todo o movimento do "eu", do ego, é um movimento de separação - para ficar magoado, para ficar ofendido, para ficar ferido.
Nós carregamos em nós, nesse sentido egoico, e isso de uma forma inteiramente inconsciente, a busca do prazer e a fuga da dor. É a busca da continuidade de uma identidade que precisa continuar: continuar no controle e, portanto, na insegurança e no medo. Onde há controle, há medo, há insegurança. E, no entanto, esse controle é uma projeção que o pensamento construiu para este "eu". Porque, de fato, não há controle. É a ideia de alguém que possui coisas que nos dá a ilusão da pessoa que controla essas coisas.
Assim, nós vivemos constantemente nesse centro ilusório que é o ego, sendo magoados, nesse sentimento de medo, de insegurança, como criaturas agressivas, possessivas, carregadas de ansiedade, de toda forma de desespero. Será possível rompermos com isso, para uma Vida Real livre deste "eu"? Então, não haverá mais ego ferido. Não haverá mais alguém tendo o controle ou acreditando ter o controle das coisas.
O ponto é que você nasceu para a Liberdade, mas a liberdade para você, não é a presença de alguém livre; é a Realidade deste Ser, que é Você, que não conhece prisões. Exatamente as prisões criadas pelo pensamento, construídas por essa estrutura de condicionamento psicológico, que nós recebemos do mundo e estabelecemos em nós como sendo nossa real vida. Estabelecemos em nós como sendo a vida deste mim.
Portanto, esse você que você conhece é uma ilusão. Estamos falando desta Liberdade de Ser. Isso é Você em sua Real Natureza. Esta é a Ciência de Deus. Esta é a Ciência da Vida. Não há qualquer ego ferido. É a presença do Amor, a presença da Felicidade, quando a ilusão termina, quando essa ideia de alguém não está mais.
GC: Mestre, temos outra pergunta de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Como saber se estou agindo no ego ou estou agindo livremente?".
MG: A sua pergunta é: como saber se estou agindo no ego ou não? Quem é o elemento presente nisso? Observe sua pergunta. O que é que nós sabemos? Tudo o que sabemos é algo que trazemos de um reconhecimento do passado. Todo conhecimento que você tem - a referência é a experiência que você viveu -, portanto, é algo que vem do passado.
O elemento que reconhece o passado é a presença do pensamento. É a presença do pensamento que cria essa orientação do conhecer, do saber, do entender. Quando isso está presente, o que está presente é a pessoa. É este mim, este "eu".
Portanto, quando você pergunta "Como posso saber?", quem é esse que vai saber? Não é ele parte do pensamento, da experiência, da memória e, portanto, do passado? Não é ele a conclusão da crença? Portanto, essa ideia de alguém para saber é algo presente no próprio "eu", no próprio ego. Então, precisa ficar claro isso.
A ciência da Verdade se revela em uma qualidade de ação, de sentir, de pensar, de atuar na vida. No entanto, não existe alguém presente para compreender.
A presença da compreensão é o real discernimento de uma qualidade de ação livre do "eu", livre do ego. No entanto, não há alguém como um sensor, como um experimentador, como alguém para esse discernimento.
Assim, aqui nos deparamos com algo fora do "eu", fora da mente. Portanto, jamais se preocupe com a ideia de alguém para saber. O seu trabalho é tomar ciência deste alguém. Apenas fique cônscio desse movimento do "eu". Apenas tome ciência dele. Tome ciência dos movimentos do pensamento, dos sentimentos, das sensações e também das ações.
Quando você traz consciência para este instante, atenção para este momento, há uma qualidade de escutar, de perceber, de sentir a Vida acontecendo, que está além da pessoa, além do ego, além do experimentador, além do passado.
Quando a Realidade se revela, não fica alguém para saber alguma coisa. Essa própria Realidade está em expressão, e essa expressão está em linha com a Vida, em linha com o Estado Interno de Amor, de Beleza, de Inteligência, de Presença, de Compreensão.
Portanto, não necessitamos da ideia de alguém para saber, para controlar, para entender se o que está fazendo está fazendo no "eu" ou no ego. Isso é ainda parte da ilusão. Isso é ainda parte do passado. Esse seu contato com a vida não é o contato com alguém, para saber, para controlar, para conhecer. Esse seu contato com a vida é a Vida, nesse instante se revelando. Ela sendo a única Verdade presente deste momento. Então, essa qualidade de ação não é a ação da intenção, do motivo, da razão egocêntrica. É a qualidade da ação que está livre do pensamento, livre do passado. É algo natural.
Quando a Realidade Divina está presente, essa Verdade está em expressão. Essa Verdade é a natureza de Deus. É a natureza desse Ser. É Você, sem a ideia de alguém presente, desse Você presente. Então, é natural! Toda a ação que nasce desse natural Estado de Ser tem como base a Liberdade do Amor, a Felicidade da Graça, a Liberdade desta Real Consciência, que é pura Inteligência. Não fica alguém para saber. Não fica alguém para tentar acertar.
Não existe, nesta natureza da Verdade, que é a Realidade do Amor, o equívoco, o engano, a ilusão, a ideia de alguém que se separa para sentir, para falar, para agir, para pensar. Assim, neste fazer, nesse atuar, não há mais o "eu", não há mais a ideia de alguém que se separa e, a partir do impulso do passado, do impulso da memória, procura se ajustar às suas crenças para não errar. Tudo isso se dissolve quando a Compreensão Natural de Ser floresce aqui e agora. Ok?
GC: Gratidão, gratidão, Mestre. Já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais este videocast.
E para você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver essas verdades, fica o convite para participar dos encontros que o Mestre Gualberto proporciona.
Esses encontros são muito mais profundos do que esses vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo as nossas dúvidas. E segundo, e mais impactante, é que, pelo Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, Ele compartilha um campo de Energia à sua volta, um campo de Presença, de Poder e Graça.
Nesses encontros, a gente acaba pegando entrando de carona nesse campo de Presença do Mestre. E pegando essa carona com o Mestre, de maneira espontânea, sem nenhum esforço, entramos no estado meditativo, silenciamos nossas mentes e podemos ter uma visão, uma compreensão real destes assuntos.
Então, fica o convite! No primeiro comentário fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o like no vídeo, se inscreve no canal, e Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.
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