quinta-feira, 23 de abril de 2026

Joel Goldsmith | Um Parêntese na Eternidade | O que é o sofrimento psíquico? | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast, novamente o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado "Um Parêntese na Eternidade". Em um trecho desse livro, Mestre, o Joel faz o seguinte comentário: "Nenhum homem pode tirar sua paz depois de você ter descoberto o mundo interior." Bom, neste trecho o Joel fala dessa paz deste mundo interior. Dentro desse assunto, o Mestre pode compartilhar a sua visão sobre o que é o sofrimento psíquico?

MG: Gilson, quando nós perguntamos isso, "O que é o sofrimento psíquico?", o que de fato nós esperamos? Uma definição? Ou, de fato, nós precisamos de uma direta visão do que isso representa? Você pode consultar um livro, você pode ouvir uma palestra, você pode ir a um especialista, você pode procurar alguém para lhe ajudar a entender intelectualmente, ou de alguma outra forma, o que o sofrimento psíquico significa e, no entanto, continuar preso dentro desse formato de ignorância.

Portanto, a resposta para essa pergunta requer uma direta visão, uma real compreensão, um perceber verdadeiro sobre isso. Algo que um livro não pode nos dar, que uma palestra não pode nos dar, que um especialista, por mais esclarecido que ele seja, não pode nos dar. De fato é um contato real o fim para esta ignorância, para essa condição, para essa posição interna. Essa é a resposta; é esse contato com a realidade a real compreensão do sofrimento. Nesta compreensão, termina essa dor.

Nós carregamos em nós tudo que está presente no ser humano. A descoberta está aqui, possível, a revelação está aqui, como uma possibilidade para cada um de nós, quando aprendemos a olhar, quando aprendemos a escutar a nós mesmos, porque nós somos toda a história do ser humano. Psicologicamente, nós carregamos tudo que está presente no outro; tudo que está presente na humanidade é algo presente em cada um de nós. Essa é a nossa consciência, a consciência da pessoa. Essa consciência do "eu" é a consciência humana.

Portanto, o seu contato com a ansiedade, com o medo, a angústia, preocupações, a dor da solidão, o desespero da insegurança. de todas as diversas formas de temores, todos os conflitos presentes em nossa mente e em nosso coração são parte dessa estrutura psicológica dentro do contexto desta mente humana. Esse é o sofrimento psíquico! Mas esse é o aspecto verbal, em palavras. são meras teorias! Toda essa qualidade de expressão, de definição, a gente pode encontrar em palestras, em livros, no próprio dicionário, mas nada disso resolve. A não ser que você aprenda a escutar, a observar suas próprias reações - aqui está a verdadeira revelação, aqui está o verdadeiro ensino, a verdadeira palestra, o verdadeiro livro; o livro para ser lido, a palestra para ser escutada, o especialista para ser compreendido.

Isso consiste em uma compreensão sobre você. Ter a Verdade sobe você não é algo que alguém possa lhe dar, possa lhe assegurar, lhe explicar, lhe dar a informação, lhe dar conhecimento. Nós temos insistido aqui, com você, na importância de se compreender, no valor do Autoconhecimento. É isso que lhe aproxima de algo além da mente, além do "eu", além do ego. Esse ego é essa consciência humana que está com problemas, que carrega esse sofrimento psíquico e não sabe o que fazer com isso. Nós queremos nos livrar da dor sem a compreensão da dor, queremos nos livrar do sofrimento sem a compreensão do sofrimento, da tristeza, da angústia, do medo.

Nós não investigamos a natureza disso, onde se alicerçam e se fundamentam os nossos medos, os nossos conflitos, contradições, as desordens internas que trazemos. Não investigamos essa base, não compreendemos isso e queremos nos livrar, como se houvesse alguém para se livrar - esse é o equívoco! O que estamos insistindo aqui, com você, é nesta direta Verdade que se oculta para a maioria de nós: a Verdade presente sob o "eu", sob o "mim". É o ego a presença do conflito, é o ego a presença do sofrimento psíquico. Não existe esse ego e o sofrimento, o ego é o sofrimento! Não existe o ego e o medo, o ego é o medo! Sem a presença do ego não há medo. Você não pode ter medo de algo se esse "algo" não lhe aparece no pensamento. Se esse "algo" não lhe aparece no pensamento, ele permanece inexistente para você.

Assim, o sentido do "eu" vive daquilo que ele vê, daquilo que ele presencia do lado de fora, externamente. Assim, ele vive o seu medo, ele vive a sua angústia, as suas preocupações, os seus dilemas, conflitos e problemas. Não há uma separação entre você e o medo, entre você e o conflito, entre você e o dilema. A presença do dilema requer você presente, a presença do conflito requer você em conflito, e do medo, a presença de alguém. Não há tal coisa como uma separação. E como podemos tomar ciência disso? Escutando, ouvindo!

Não é alguém ouvindo a pessoa, há só o escutar; nesse escutar se revela esse princípio de separação entre a pessoa e seu conflito, entre a pessoa e seu medo, entre a pessoa e os seus dramas. Isso requer olhar, olhar e escutar - escutar é olhar! São essas reações que surgem a cada momento, no contexto das relações com o outro, com a vida e com nós mesmos. É aqui que está a coisa, é aqui que está o segredo, é aqui que está a possibilidade da compreensão para o fim do sofrimento psíquico. É aqui que está a compreensão para o fim do "eu", para o fim do ego. Se o ego não está presente, essa pessoa, esse "eu" não está. O "eu" é o ego, o ego é a pessoa, e se ela não está presente, não há medo, não há angústia, não há sofrimento psíquico.

Assim, a compreensão do sofrimento é o fim para o sofrimento, não é a teoria. As pessoas têm se debruçado sobre os livros, estudado muitos anos. Elas estudam sociologia, filosofia, psicologia, teologia. isso fica a nível de intelecto, apenas intelectualmente adquirimos uma formação. No entanto, isso não resolve! A base do nosso intelecto é condicionamento, é formação de estrutura de conhecimento aprendido. Aquilo que é aprendido, que está reservado como uma informação que trazemos, que nós temos, é algo dentro de um condicionamento.

O condicionamento é o conhecimento adquirido, que lhe permite agir a partir desse fundo - esse é o condicionamento. Não é do condicionamento que precisamos. colocando de outra forma, não é do condicionamento e da experiência. O que, de fato, precisamos, é de ciência, e ciência é compreensão, e compreensão é aqui e agora. Esse "compreender" nasce neste instante e desaparece neste instante. Não é o compreender para alguém compreender, é a compreensão! E a compreensão está presente quando essa mecânica de registro, que dá base a esse centro que é o "eu", o ego, a pessoa, não está mais presente.

É nisso que temos insistido aqui, com você: descubra a Realidade deste Ser, vá além do "eu", vá além do ego. Tome ciência a partir desse observar, desse escutar - isso requer a presença do Autoconhecimento, isso requer a presença da Meditação.

GC: Mestre, nós temos uma pergunta de um inscrito aqui no canal que fez o seguinte comentário: "Mestre, eu vivo em constante ansiedade e preocupação com o futuro. Como parar de viver preocupado com o futuro?"

MG: A sua pergunta é "Como se livrar do futuro, em razão das preocupações?". Compreenda a Verdade do pensamento; tenha muito claro, aí, a ciência do que é o pensar, de como o pensamento se estabelece, de como ele acontece aí, e você ficará livre de "alguém" presente que se ocupa com o futuro. A sua ocupação com o futuro é a ocupação do pensamento com o que irá acontecer, com o vir a ser, com o que irá surgir. É a presença do pensamento, um elemento em você, de registro de memória, algo que vem do passado. Todo pensamento em você é a memória, é a presença do passado. É o pensamento que se projeta, criando o futuro.

Observe como é interessante isso: o pensamento surge neste instante; neste instante não existe passado, neste instante não existe futuro. Quando ele surge neste instante, você é capturado! Você é capturado para ir ao passado, para viver novamente, mais uma vez, o que o pensamento representa. Esse "você" não se separa desse pensamento, ele é o próprio passado vivendo isso, mas isso está agora, aqui, acontecendo. Então, de fato, não existe nenhum passado. É o pensamento criando a sugestão do tempo, criando a sugestão de alguém, que é o pensador, que é você, vivendo ainda essa dor - algo que ocorreu no passado, mas isso está aqui, neste instante. Da mesma forma o pensamento se projeta para o futuro; ele é algo presente aqui, mas ele está se projetando para o futuro. Assim, ele cria o tempo: ele cria o passado e ele cria o futuro.

Não existe tal coisa como o passado, não há tal coisa como o futuro, o que temos presente é o pensamento. Assim, o pensamento cria essa estrutura, é a estrutura do pensar. A presença desse pensador está envolvida com essa estrutura, assim surge aqui que nós conhecemos por "pensar". O que nós conhecemos por "pensar" é alguém pensando - pensando no passado ou pensando no futuro, enquanto que, na realidade, não existe tal coisa como o passado, não existe tal coisa como o futuro.

Se fica claro para você o que é o pensamento aqui, você não se confunde com ele, porque há só o olhar, o perceber. Quando o pensamento surgir, não coloque "alguém", ou seja: fique ciente dele aqui, fique cônscio da presença do pensamento. Essa é a presença do conhecer a si mesmo, do conhecer a Verdade sobre você, sobre aquilo que se passa dentro de você, quando você apenas olha, quando apenas escuta isso, quando apenas toma ciência disso. Então, o sentido do "eu" não surge para viver de novo o passado e para se projetar no futuro.

Assim, é a presença dessa visão que rompe com a condição psicológica deste "eu", deste ego, e observe que, quando este "eu" não está, quando a pessoa, o pensador, não está, a vida se revela neste instante; e neste instante, não existe tal coisa como o futuro nem o passado. Isso requer essa qualidade de escutar, de perceber, de observar a vida do ponto de vista externo e interno. Olhar para este instante como ele acontece, internamente ou externamente, sem se envolver com isso é não colocar o experimentador, o pensador, o sentido de alguém presente. Então temos o fim da ilusão, o fim da ideia do tempo: passado, presente e futuro.

GC: Mestre, nós temos outra pergunta, de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Estou com vários problemas em minha vida: financeiro, familiar. Como viver em paz, mesmo com problemas para resolver?"

MG: Repare o que você diz. você diz: "Tenho vários problemas na minha vida, problemas financeiros, familiares." ou seja, muitos problemas. Ao mesmo tempo, você pergunta: "Como viver em paz em meio a todos esses problemas?". Aqui o ponto é: tome ciência do que é o problema. Será que, de fato, temos muitos problemas, ou a base de todos os nossos problemas está em nosso estado interno de confusão mental, para lidar com assuntos tanto externos quanto internos? É exatamente o que estamos dizendo aqui, para você: todos esses problemas que nós temos são problemas que estão presentes na pessoa que somos. Qualquer exigência de paz é a projeção de uma imagem que o pensamento está produzindo sobre a paz é uma imaginação, uma crença.

Nós estamos vivendo dentro de ideais. Nós deixamos de olhar para aquilo que aqui está presente para olhar para aquilo que está lá longe, só que o que está lá longe é uma ideia, é um conceito, é uma imagem que o pensamento está produzindo. Observe que nós não fomos educados para nos aproximarmos da vida como ela é. O nosso modelo psicológico, a presença da mente egoica em nós, desta presença da pessoa, é algo que está sempre se projetando para o futuro. Nós vivemos ou no passado ou no futuro, arrependidos do que aconteceu, sem poder fazer nada com isso, mas projetando o futuro para tentar consertar alguma coisa, ou solucionar alguma coisa. Essa é a mente que conhecemos.

Será possível um contato direto, neste instante, com o problema, sem nos separarmos dele nesse ideal do que deveria ser? Será possível apenas estarmos com isso, olharmos diretamente para o problema? Se confrontar com o problema não é buscar um caminho para solucionar o problema, não é buscar um jeito, uma maneira para fugir do problema. Se confrontar com o problema é assumir a Verdade daquilo que está aqui, examinando, olhando de perto, e esse olhar requer que se descubra a Verdade sobre si mesmo. Apenas quando a mente está livre para observar o problema é que fica claro que esse problema não é, antes de tudo, um problema externo; é um problema que é, antes de tudo, um problema dentro de cada um de nós.

Enquanto psicologicamente, internamente, não houver Silêncio, Quietude, Paz, Serenidade e, portanto, Inteligência, não podemos, de fato, nos livrar dos problemas, porque não haverá Presença, Consciência, real Inteligência para lidar com isso. Mas aqui nós temos, ainda, um agravante: boa parte dos problemas que nós temos não são problemas para serem atendidos desta forma, porque não são problemas externos, são problemas internos. São problemas que estão presentes nesse sentido do "eu". Assim sendo, o próprio "eu", o próprio ego é o problema. Ele se separa, por exemplo, para lidar com o medo, com a raiva, com o ciúme, com a inveja. Não existe tal coisa como uma separação - isso é algo que o próprio "eu", o próprio ego, cria a partir do pensamento.

Então, o único e real problema que nós temos na vida, não está na vida, está em nós mesmos, na pessoa que nós somos, nesse sentido egoico. Você em sua Natureza Divina, que é a Natureza de Deus, aí não há problema. É a presença do pensamento, construindo um mundo à sua volta, se projetando a partir de conclusões, crenças, avaliações. é a presença do pensamento tentando mudar o que é, alterar o que é. Todo esse movimento nos afasta da compreensão daquilo que é para a Verdade além disso, para essa Verdade de Ser. A real aproximação da vida é a presença dessa Divina Inteligência, o que requer Autoconhecimento e a presença da Meditação. Quando isso está presente se revela algo além do "eu", além do ego, que é a Realidade Divina, que é a Realidade de Deus. E quando isso está presente não há problemas, a vida é como ela é!

A Realidade de Deus é a ciência deste Ser, é a Verdade de Ser, sem a ideia, sem a imaginação do "vir a ser". Então está presente a Realidade Suprema, a Realidade, a Verdade, e aqui não há problemas. É nisto que estamos trabalhando aqui, com você. Assumir a Verdade d'Aquilo que é você é Amor, Felicidade, Paz, Liberdade. não há problema aí, porque não há problema em Deus.

GC: Gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais este videocast. E, para você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver essas Verdades, fica o convite para participar dos encontros intensivos de final de semana que o Mestre Gualberto proporciona. Esses encontros são muito mais profundos do que estes vídeos aqui no YouTube. Primeiro porque o Mestre responde diretamente às nossas perguntas, e segundo e muito mais impactante, é que, pelo Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, Ele compartilha um campo de Presença à Sua volta - um campo de Energia de Poder e Graça. E, nesses encontros, a gente acaba pegando uma carona nesse campo de Presença do Mestre. E pegando essa carona, de maneira espontânea, sem nenhum esforço, nem nenhuma prática, entramos em Estado Meditativo, silenciamos nossas mentes e podemos ter uma compreensão real dos assuntos que são aqui tratados.

Então, fica o convite: no primeiro comentário, fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o like no vídeo e se inscreve no canal. E Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.

Outubro de 2025
Gravatá-PE
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