quinta-feira, 30 de agosto de 2018

A Autorrealização é uma lembrança

É importante que todos aqui compreendam que esse assunto não é algo sobre o qual você possa aprender. A Autorrealização é uma lembrança, mas o fato é que você não pode se lembrar Daquilo que Você é sem se dar um tempo para isso.
Satsang, basicamente, é estar feliz em estar desocupado de “si mesmo”, desse “mim”, desse falso “eu”. O problema é que a “pessoa” nunca tem tempo para ficar desocupada, está sempre se ocupando e buscando mais e mais ocupações; não tem tempo, nem espaço para isso, porque ela está ocupada com as “suas coisas”. Quanto mais coisas se realiza do lado de fora, mais se trabalha para manter isso. Dessa forma, a pessoa não tem tempo para investigar a natureza da Realidade, porque o seu tempo é para se ocupar com esse “si mesmo”, com o que a “pessoa” construiu e tem agora que manter, de preferência construir mais, e isso tudo é medo, sofrimento, preocupação.
Então, rico é quem tem coisas ou quem não se preocupa em ter coisas? Quem tem tempo para investigar a natureza ilusória de si mesmo é aquele que está preocupado em sustentar o que esse “eu” conseguiu ou aquele que está disposto a abrir mão desse “eu” e de tudo que ele tem, ou acredita ter? Vou colocar diferente a pergunta: quem está pronto para a Felicidade é quem tem coisas ou quem está investigando a natureza desse ilusório possuidor de coisas? Quem é verdadeiramente Sábio? É aquele que está buscando realizar-se exteriormente em coisas, pessoas e bens, ou aquele que está se ocupando exclusivamente em investigar a ilusão desse “si mesmo” e a estupidez que é conquistar coisas fora de si? Então, o que é a real ignorância e a Real Sabedoria?
Quando alguns vêm e dizem que isso não é fácil, eu olho para eles e digo: “E a sua vida é fácil?” As pessoas dizem que isso é muito difícil, mas digo para elas que o que eu acho muito difícil é viver como elas vivem. Acho muito doloroso viver sofrendo, apegado, frustrado e cheio de desejos que nunca se realizam ‒ porque eles se transformam em novos desejos. Difícil mesmo é viver no ego! É muito pesado viver pensando, viver preocupado...
Então, como eu disse no início, é uma questão de se lembrar, e não de aprender sobre ISSO. Você acredita que é uma pessoa, que nasceu e que vai morrer, e eu digo: Você é Deus! Você é Consciência! A sua Natureza é imperecível, atemporal, não espacial, pura Presença, pura Realidade. A sua Presença, que é a Presença de todos, é a Presença da Felicidade! Estou dizendo que sua Presença É, e não que a Felicidade vai chegar até você. Ela não vai ser encontrada, nem adquirida ‒ Ela é Você! Por isso que, do lado de fora, é impossível a Felicidade, o Amor, a Paz, a Liberdade; há somente frustração do lado de fora.
Basicamente, o que eu quero dizer para você é: abandone tudo! Psicologicamente, abandone tudo do lado de fora! Você pode fazer isso! Este é o meu convite para você em Satsang. Esse tempo voltado para isso é tremendamente necessário para o Despertar. Fique com a beleza desse Despertar, desse florescer da Verdade, dessa suprema Liberdade. A lembrança DISSO é o fim do sofrimento, da ilusão, da ignorância sobre si mesmo.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 23 de Fevereiro de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar, clique aqui.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

O Estado Natural é um estado sem esforço

Estamos juntos para que você perceba, afinal, o que significa estar em Satsang. Estou tentando lhe mostrar a importância da Consciência, da desidentificação com a mente. Estou dizendo, constantemente, que não existe nada para você controlar, alcançar, adquirir. A única coisa que importa, nesses encontros, é esta Consciência, que é a desidentificação com a mente.
Você está identificado com a mente. A única coisa que você precisa é descobrir como perceber esse movimento da mente, e isso é a chave da desidentificação com ela. Esse “perceber” significa “ouvir” a si mesmo, mas não se trata de um “ouvir” em que existe “alguém ouvindo” o que acontece, o que se passa aí dentro. Nesse próprio “ouvir”, não existe “alguém” ouvindo; é um “ouvir” que põe fim à ilusão de “alguém” na mente.
Em geral, você acredita que está pensando. Então, tem você e o pensamento ‒ essa é a crença. O que estou dizendo é que, nesse “ouvir”, você descobre a “Quietude”, que é a ausência do “pensador”.
Percebam como isso é, realmente, fascinante. Não existe o pensador e o pensamento, há somente o pensamento acontecendo. Nesse “ouvir”, o movimento do pensamento perde sua energia de sustentação, de continuidade. Então, aquilo que põe fim a esse movimento é esse “ouvir” ou esse “perceber”; é quando acontece essa Quietude, que é o Estado Natural da Meditação. Nesse “ouvir”, não existe o ouvinte nem nada para ouvir; existe somente a Quietude. Isso é Real Meditação, para a qual não existe nenhum método; não há nenhum sistema para se ficar quieto, isso acontece naturalmente.
O que andam praticando por aí, que chamam de “meditação”, não é a Real Meditação. Se aquilo que alguém busca é uma mera prática de meditação, no mercado há muitas, mas nenhuma delas pode revelar esse Estado Natural, trazer o Real Despertar. Isso porque, através de um sistema de meditação ou de aquietamento da mente, você se encontrará, ainda, em um “estado” produzido por aquela técnica, e esse “estado” não pode ser o Estado Natural.
Seu Estado Natural, o Real Estado, não é um “estado”, e isso é algo muito importante a ser compreendido — se você não compreender, vai passar os seus próximos sessenta anos em alguma técnica ou prática, mas isso não se revelará como seu Estado Natural. Repito: o Real Estado não é um “estado”, é a Presença Total, que é a completa ausência desse “si mesmo”, desse “alguém”. Quando a Real Meditação está, “você” não está! Nesse Estado Natural, não existe mais identificação com a mente e o corpo; você não está mais envolvido com a ideia “eu sou o corpo”, “eu sou uma pessoa”. Todo esse peso e tensão desaparecem.
O Estado Natural é um estado sem esforço. Agora mesmo, neste instante, há somente o “ouvir”, sem interpretação, comparação, julgamento, sem qualquer ideia. Nesse “ouvir”, revela-se o Estado Natural, que é Meditação, que é a pura Inteligência, Consciência. Assim, não tem “alguém” ouvindo e falando, nem compreendendo e não compreendendo.
Aí está o Estado Natural, que é quando você não está identificado com o corpo e a mente, nem com o ambiente externo, o mundo à sua volta. Isso acontece porque esse mundo externo, o mundo à sua volta, é somente a percepção dos cinco sentidos. Ou seja, desidentificado do corpo, você está, também, desidentificado do ambiente externo, que nada mais é do que essa percepção dos sentidos.
Assim sendo, Aquilo que Você é, no seu Natural Estado, não pode ser encontrado do lado de fora, em qualquer objeto. Isso é como a Liberdade, que você não pode pegar; é como o Amor, que você é incapaz de agarrar; é como a Paz, que você não consegue segurar. Você não pode colocar ISSO dentro de conceitos e descrições do pensamento, da mente.
Aqui, a coisa mais importante é simplesmente Ser, que é estar em seu Estado Natural, que é Meditação. A Consciência, que é essa desidentificação com o corpo e a mente, é a Real Meditação. Isso não é algo que requeira esforço por parte da “pessoa”, pois o esforço é sempre para se realizar alguma coisa e, aqui, trata-se de relaxar em seu Ser; não se trata de fazer, mas de desistir de fazer qualquer coisa.
Isso é sem esforço, porque você é, fundamental e essencialmente, ISSO! Na realidade, você precisa somente desistir do esforço de fazer algo para ser “alguém”, para ter alguma coisa. De alguma forma, isso é muito simples, mas se torna muito difícil, porque você está viciado em fazer e buscar alguma coisa.
Portanto, não pode haver qualquer intenção para essa atenção. Essa autoinvestigação requer plena atenção, mas ela não vem pela intenção pessoal, que é sempre baseada no desejo, no medo, na busca de ser alguma coisa, de ser “alguém”. Aqui, trata-se desse “ouvir”, desse “perceber”, e isso significa, simplesmente, desistir!
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 27 de Junho de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar, clique aqui.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Sua liberdade é não se identificar com os resultados

Estamos diante desta grande maravilha: a vida! Na natureza, o chamado “ser humano” é o único que está procurando resposta para a vida. A beleza deste encontro é a possibilidade de verificarmos a Verdade presente, que é esse Mistério.
A vida é algo que acontece, mas o homem tem um grande problema, porque a vida não tem respostas para suas perguntas: “Por que estou vivendo?”, “Por que estou respirando?”, “Por que o coração está batendo?”, “Por que as coisas estão acontecendo dessa forma?”. Algumas coisas parecem injustas e outras justas; algumas coisas parecem boas e outras más; algumas parecem certas e outras erradas. Por que alguns são bons e outros sãos maus? Por que algumas crianças nascem saudáveis e outras nascem doentes? Isso acontece com o ser humano e acontece no reino animal, mas o homem é o único que faz a pergunta e vai em busca de uma resposta. Como não a encontra, ele termina criando uma resposta bem lógica, como: “É a Lei de causa e efeito; ação e reação”. Isso é bastante lógico e, portanto, explica e equilibra tudo, mas a única resposta real para tudo isso é a presença da dualidade.
Não há o bem sem o mal; não há saúde sem doença; não há prazer sem dor. Então, percebemos que isso se aplica a tudo. Não há vida, existência, sem dualidade: o certo e o errado, o positivo e o negativo, o macho e a fêmea, o bem e o mal, o prazer e a dor, nascer e morrer... É fácil de ser observado! Sem a experiência da dor, você nunca saberia o que é realmente o prazer. Como experimenta a saúde, você sabe o que é a doença. Assim, como você experimenta a vida, sabe o que é um cadáver, o que é um corpo frio, sem respirar, morto. Isso é algo muito simples e não requer nenhuma filosofia, como a mente procura criar. A mente cria a “causa e efeito”, “a ação e reação”, Deus fazendo o bem e o Diabo fazendo o mal.
Não aceitar a dualidade da vida é estar em conflito, e isso é algo criado pela mente. A mente egoica cria o sentido de separação entre o bem e o mal, entre o positivo e o negativo, entre o prazer e a dor. Então, ela vive em uma luta, buscando uma coisa e tentando se livrar de outra. O sentido de separação é, basicamente, não acolher a vida como ela se apresenta, reconhecendo que tudo está acontecendo dentro da Divina Vontade.
Só há Deus fazendo tudo! Só há Deus acontecendo! Só existe Deus presente! Querer uma coisa e não outra é estar em conflito; é acreditar no sentido de um “eu” fazendo escolhas. Todo sofrimento humano está nesta ideia de ser uma pessoa, uma entidade separada, com o poder de escolher. Ela “decide”, “resolve” e “faz”, o que é uma ilusão.
Não existe ninguém fazendo, absolutamente, nada! Não existe alguém decidindo, absolutamente, nada! Isto é só um pensamento e você vem acreditando nele há muito tempo. A vida é só o que acontece.
Então, a pergunta “Por quê?” não tem resposta. “De onde eu vim?”, “O que estou fazendo aqui?”, “Para onde vou?” — isso não tem resposta. Você não veio, não está aqui e não irá a lugar nenhum, porque você não existe! Eu sei que isso destrói com a filosofia, com a religião e com a psicologia, também. Eu sinto muito, mas isso é pura fantasia. Uma fantasia criada pelo pensamento, que criou um pensador para pensar essas coisas. O que estou dizendo é que o próprio pensamento criou a ilusão de um pensador tentando desvendar o mistério da vida. É puro treinamento, puro condicionamento, um modelo de pensar que todos vocês têm desde criança, pois foram criados em uma cultura que tem alimentado isso.
Então, a questão toda se resume à ilusão de um “eu”, que não é necessário; a vida já está acontecendo sem ele! A imaginação não é necessária! A vida está acontecendo através desse mecanismo, desse organismo vivo; é essa Presença que está respirando aí, fazendo o coração bater, dando forma ao corpo, ao mundo e a todas essas aparições.
O fato é que a Vida se expressa nessa dualidade e não há nada de lógico, sensato e que tenha uma resposta. Não há nenhuma resposta!
Vocês devem agir como se tivessem toda escolha, toda liberdade e toda responsabilidade, mas devem deixar a ilusão de acreditar que o resultado disso tudo é consequência de sua escolha, de sua liberdade, de sua vontade e de sua determinação. O resultado sempre será da Consciência, o resultado que Deus quer. Deus é o resultado de tudo o que acontece! As consequências de sua escolha, de sua vontade, de sua determinação não estão sob o seu controle. Só a ilusão de sua determinação, de sua vontade é que está, como uma crença, no seu controle.
Chegará o momento que ficará claro para você que não tem “você”, nem nos resultados dessas escolhas, nem quando elas acontecem. O fato é que existem condicionamentos internos que irão determinar essas escolhas. Você pode tomar a clara decisão de que precisa fazer uma dieta rigorosa, porque tem obesidade mórbida e, mesmo assim, não conseguir fazer a dieta. Essa decisão intelectual não determinará absolutamente nada e, mesmo que consiga fazer, o resultado dessa dieta será algo que acontecerá pela Vontade Divina.
A questão toda é que todas as ações estão acontecendo em Deus. As coisas podem acontecer de três formas, sempre: você pode conseguir o que quer, não conseguir o que quer e as coisas podem acontecer de uma forma inesperada, para melhor ou para pior. Tudo isso é algo sempre determinado por Deus, por essa Consciência, por essa Vontade Divina. Só há esta Vontade e não há nenhum “eu” decidindo, escolhendo, resolvendo e fazendo acontecer.
O pensamento passa, o desejo surge, mas isso não determina absolutamente nada! Tudo acontece segundo essa Vontade Divina, e sua liberdade é não se identificar com os resultados, não perseguir o prazer, não fugir da dor, não escolher uma coisa em detrimento de outra; é abandonar a ilusão de um “eu” no controle, de um “eu” fazendo.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 23 de Maio de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar, clique aqui.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

O maior e mais extraordinário desafio da sua vida

Esta é mais uma oportunidade de nos voltarmos para a Realidade sempre presente. Satsang é a oportunidade de um encontro com a Graça. A palavra “Satsang” representa o encontro com Deus, um encontro com o "Sat" (Ser).
Todos têm um envolvimento com a ilusão, pois todos se consideram “alguém”, e estão pagando um alto preço em razão disso. A raiz do relacionamento entre pessoas é o desejo, o medo, a ansiedade, a procura de preenchimento no outro, a busca de ser reconhecido, de ser amado, de ser aceito, o que produz toda forma de exigência e miséria. Este tem sido o preço da relação baseada na ilusão – o que eu tenho chamado de “relacionamento”.
No relacionamento, não há Paz, não há Liberdade, não há Amor, não há Verdade. É uma relação em que sempre se pede algo, se busca alguma coisa, então, essa demanda é algo que está sempre produzindo conflito, sofrimento, algo bastante miserável. A pessoa sempre exige algo do outro, sendo que esse “outro” é apenas a sua própria autoinsuficiência, sua própria carência, sua própria infelicidade, sua automiséria na busca de algo, aparentemente, fora.
Não é possível a mente fazer qualquer reflexão sobre isso, porque ela não consegue ver a sua autolimitação. Desde quando você se levanta pela manhã, carrega o sentido de “pessoa”, essa exigência, essa demanda. É fundamental ver essa autolimitação, perceber toda insuficiência da mente, ver todo o movimento aflitivo, conflituoso, em que ela se encontra. Isso é profundamente necessário, pois sem isso não é possível dar o passo além dessa limitação, desse sofrimento, dessa personalidade.
Eu estou apenas retratando a você o movimento da “pessoa”, da personalidade. A mente não pode pensar além da limitação da personalidade. Ela é “bem-sucedida” nessa identificação com esse falso “eu”. Então, quando você vem a Satsang, você se depara com o maior e mais extraordinário desafio da sua vida, que é ir além da falsa vida, a vida da “pessoa”, a vida desse falso “eu”, e, assim, descobrir o que é viver em sua verdadeira Natureza Divina, em seu verdadeiro Eu.
Quando você vive em seu Ser, em sua Natureza Verdadeira, não há mais demanda, não há mais desejo ou medo. Assim, não existe mais o “pedir”, e sim o “dar”. O Amor é essa Liberdade de entrega, de doação. O Amor é rico! Ele não suplica, não pede, não busca, não deseja. Ele não tem mais qualquer sinal desse antigo movimento da mente egoica. Você, em seu Ser, é a própria Consciência, a própria Verdade… Você é Deus! Não há mais o “pedir”, porque existe essa Totalidade, essa Completude. Então, você está completamente sensível, aberto… Você está Livre!
Somente em Satsang é possível ver e perceber, claramente, todo esse jogo que o ego tem feito consigo mesmo, em uma suposta relação com outros — na verdade, é sempre ele com ele mesmo, em sua insuficiência, solidão e ignorância. Você precisa descobrir como ir além da personalidade, além desse falso “eu”, dissolvendo essa raiz. O que é mais estranho nisso tudo é falar da personalidade como se ela fosse algo real e, no entanto, não é.
Você deve chegar à absoluta e completa vivência da Verdade para descobrir que, na realidade, essa personalidade não existe. Esse “eu” é só um movimento de condicionamento, de crença, de padrão cultural, social, um falso movimento daquilo que nós chamamos de “mente egoica”. Essa personalidade que você toma como sendo real, que é essa “pessoa” que você acredita ser, é somente uma coleção de experiências, de memórias, de lembranças e de crenças. Quando você se depara com essa oportunidade de investigação e consegue ver essa ilusão, isso não o segura mais; esse “sono”, esse estado hipnótico, essa crença, desaparece.
Alguns chamam Isso de Autorrealização, de Despertar, de Iluminação… É o fim da ilusão, do senso de autoidentidade. Assim, a vida está presente, mas em sua Totalidade, nessa sensibilidade e abertura. Não tem mais esse “você”!
Esse Silêncio, essa Presença, essa Graça, essa Realidade, esse Estado Natural, na Índia, é chamado de "Sat-Chit-Ananda", que significa Ser-Consciência-Felicidade. Não há mais qualquer exigência, qualquer procura, qualquer demanda externa... Você está Livre, e nada, nem ninguém, pode puxá-lo de volta para a inconsciência, para a limitação.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 04 de Julho de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar, clique aqui.

domingo, 19 de agosto de 2018

A Presença da Graça na forma do Guru

Em Satsang, você está em um encontro com Você mesmo, com a Verdade. A presença de Deus, da Graça, é um movimento misterioso, desconhecido. Há uma diferença muito clara entre a palavra escrita e aquela que nasce dos lábios do Guru. No Ocidente, nós temos uma grande dificuldade de aceitar a importância e o valor da Presença, da Graça, na forma do Guru.
Não devemos nunca subestimar a Presença de Deus, que é esta Presença da Graça, quando Ela assume a forma de um Mestre. O Guru não precisa ter exatamente uma forma humana. Esse Guru, que é a Graça, Deus, pode assumir qualquer forma. Compreenda que o Guru é essa Presença dentro de você, no entanto, você não está atento a Ela; é a Presença de Deus, mas a Presença de Deus “dormindo”. Então, chega um momento em que uma prece acontece em seu coração para que essa Presença de Deus, verdadeiramente, acorde. É quando o Guru assume externamente uma forma humana, ou não humana, e acorda o Guru interno.
Deus está sempre presente, mas a presença Dele não significa, necessariamente, Ele “desperto”. Assim, você é Cristo, é Buda, mas Cristo “dormindo”, Buda “dormindo”. Então, Deus assume uma forma — humana ou não — e, em sua Graça, vem despertar o Guru interno; Deus vem despertar Deus, Cristo vem despertar Cristo, Buda vem despertar Buda! Esse é o Mistério, algo muito paradoxal, porque Deus não dorme! Ele nunca está inconsciente de Si Mesmo! Jamais tente colocar essas palavras dentro de um modelo de precisão, como algo que seja perfeitamente lógico, porque não é. A Verdade não é lógica; ela é somente a Verdade!
Assim, quando o Guru vem, é Deus vindo, em sua Graça, na forma do Guru. Quando o Guru fala a você sobre a Verdade, certamente você escuta essas palavras, mas elas desaparecem; não fica nenhuma referência dessa fala, apenas o próprio Guru permanece, e aí está o Mistério. O Guru está além da própria fala, por isso Ele permanece e a fala desaparece. O Guru é importante, não a sua fala, as suas palavras. Então, se está em dúvida, você se aproxima do Guru mais uma vez, um certo número de vezes, e cada vez que Ele fala, trata da mesma Verdade, usando palavras diferentes. Assim, você compreende e torna-se mais e mais profundamente evidente que ISSO não vem das palavras, mas sim da Presença do Guru, que é a Presença da Graça.
Eu preciso lhe dizer isso, porque você pode ler uma biblioteca inteira sobre isso, ler milhares e milhares de livros, discutir, falar e até escrever sobre esse tema, mas isso não serve para nada, porque não há Verdade nas palavras. A Verdade está na Presença da Graça! O Sábio é esse Ser Realizado, que é a Graça, que é o Guru. Está claro que existe alguma coisa a mais que acompanha as palavras do Guru, que existe algo maior que a fala de um professor, ou que as palavras de um livro, algo que penetra mais profundamente no coração do discípulo. Então, Isso realiza o Milagre, a Transformação, que podemos chamar de Real Experiência, porque essa é a Verdade que vem dos lábios do Sábio — Krishnamurti despertando Krishnamurti, Ramana despertando Ramana, Jesus despertando Jesus... É a mesma, simples e natural Verdade do Único Ser, da Única Consciência. Não é como quando você lê isso em um livro ou escuta de um professor, pois, por mais “espiritualizado” que ele seja e mais profundas sejam as suas experiências, ele ainda não é a Verdade. Ou seja, uma “pessoa” não pode lhe dar ISSO.
Existe uma fala de um Ser Realizado, uma Sábia, chamada Sri Anandamayi Ma, assim: “Uma vez que o Guru tenha aceitado um discípulo, Ele nunca o deixará até que o objetivo seja alcançado”.
Quando você escuta a palavra do Guru, a palavra da Graça, da Verdade, mesmo na primeira vez em que está diante Dele, seu ego temporariamente se afasta e você visualiza a Verdade ‒ esse é o Mistério, uma ação poderosa da Graça! Você jamais deve se esquecer de que não há diferença entre Você e o Guru. Assim, pela primeira vez, você poderá ter a Real Experiência.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 04 de Julho de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar, clique aqui.

Compartilhe com outros corações