segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Todo pensamento é uma mentira

Você não consegue segurar um pensamento, bem como um sentimento, um desejo, uma emoção. O pensamento é uma grande fraude! O que você "pensa do outro” não é Você quem pensa; é o pensamento que pensa. É só o pensamento que pode pensar! Ou você acredita que tem outra coisa fora do pensamento pensando? É tudo pensamento. Eu vejo vocês há mais tempo comigo, em Satsang, e nem a primeira lição pegaram ainda: vocês estão dia após dia produzindo crenças – ou melhor, vocês estão reproduzindo crenças; tocando de novo, de novo e de novo as antigas, velhas, crenças. Aí eu digo para vocês: pensamento é só pensamento, só imaginação! O ego vive disso, e esse é o combustível que faz esse "carro" andar! Não é nem o sentimento, é o pensamento.
O pensamento é a base do tempo, o sentimento não. O sentimento não se repete; o pensamento, sim. O sentimento não tem nome; o pensamento nomeia o sentimento e diz que é o mesmo sentimento, e não é o mesmo. O sentimento é sempre algo novo surgindo; o pensamento é sempre algo velho aparecendo. O sentimento é sentido agora; o pensamento é produzido na ilusão do passado, do futuro, do tempo.
Está aí...! Eu não havia atentado para isso: o sentir acontece agora, o sentimento acontece agora, mas o pensamento acontece na ilusão do passado, do futuro e do presente. O pensamento é imaginado, o sentimento é sentido.
Então, percebam que é muito fácil ver o quanto o pensamento não é confiável, mais do que qualquer sentimento!
Participante: Existe algum sentimento que o pensamento traz, como uma lembrança, por exemplo?
Mestre: O sentimento que o pensamento traz é uma fraude, porque ele não tem nenhuma realidade presente naquele instante. Ele só tem a realidade do tempo da imaginação, que é a memória. Então, o ego produz o sentimento para confirmar a veracidade daquela memória, daquele pensamento. É o sentimento mais estúpido que existe, como o sentimento da saudade, da solidão, da mágoa, do rancor, do ressentimento, da perda. Ninguém está perdendo nada, pois não existe nada de real em um sentimento de rancor – rancor é uma suposta entidade presente, vivenciando uma suposta sensação chamada, agora, de sentimento, e isso não é real. Isso é o pensamento dando confirmação, através de uma história, a um sentimento que ele mesmo produziu. É só o sentimento que o pensamento pode produzir. Esse sentimento é tão ilusório quanto a ilusão do tempo, desse tempo psicológico, da memória, do passado, do que foi e do que aconteceu, do chamado assim ressentimento, mágoa, rancor. Então, é uma espécie de sentimento específico.
Mas o sentimento em si, como uma resposta fisiológica, biológica, a esse instante, é outra coisa! Por exemplo: você vê uma cena e aquilo cria um sentimento; aquilo é muito real, no sentido de estar aparecendo agora, sem uma ingerência de tempo, sem uma conotação de tempo psicológico, de passado, mas é só um sentimento. Aí, o pensamento aparece e se apropria daquele sentimento, dá continuidade àquele sentimento para poder existir como uma entidade separada, fortalecendo "alguém" nesse sentir. Porém, não tem "alguém" nesse sentir, só tem o sentimento. Uma cena emociona-o: é só a emoção. Uma cena jamais vai emocioná-lo, porque você não existe como entidade separada para viver uma emoção, para ser "alguém" numa emoção: só tem a emoção. Esse sentimento presente da emoção é algo real, naquele instante; real no sentido de ser uma aparição naquele instante, mas não é real porque não permanece, vai embora... Tudo vai embora.
O pensamento ama histórias, então cria uma história a respeito de um sentimento, de uma emoção, de uma sensação, e coloca uma entidade presente naquela assim chamada experiência. O pensamento não é real, mas o sentimento ali presente é real, pelo menos naquele instante. Contudo, no momento seguinte, ele, também, já foi embora; assim, ele também não é real, embora ainda seja mais real do que o pensamento.
Então, o sentimento como uma aparição está ok. Mas o pensamento é a coisa mais estúpida que vocês alimentam, porque todo pensamento, sem exceção, não tem verdade nenhuma fora da imaginação! O sentimento não é imaginável, mas o pensamento sim.
Assim, a primeira lição que vocês têm que tomar em Satsang é: todo pensamento é uma mentira; ele está sempre explicando, justificando, concordando, se ajustando, avaliando, julgando um outro pensamento, um outro sistema de crenças, uma outra imaginação. Lidar com o sentimento é o que vocês precisam aprender em Satsang, mas com o pensamento não. O pensamento a gente descarta, como uma casca de banana que você não come e joga no lixo. Você não vai lidar com o pensamento! Eu fico vendo o tempo que vocês ficam ainda lidando com pensamentos. O pensamento você descarta. Quanto ao sentimento, eu até compreendo você dizer “Mestre, sinto isso, sinto aquilo...”, mas você me dizer “eu estou pensando”, “eu acho que”, “eu penso que”, “não, mas eu tenho certeza que”, “eu tenho dúvida”... Como você pode ter dúvida? Como você pode ter certeza, saber o que eu estou falando, tratando com você? Em que nível isto é visto? Só em pensamento, não é?
Mas minha fala não é alcançável em nível de pensamento! Nenhuma é! Em nível de pensamento, são só palavras; pensamentos são somente pensamentos.
Então, a primeira lição é: descarte o pensamento, pois todo ele é uma mentira, e comece a trabalhar essa coisa do sentir. Observe quanto desse sentir tem o pensamento envolvido, é essa produção de uma história “pensamental”, de uma crença, de uma imaginação.
Quando você se encontra comigo, encontra-se com o presente, mas não com o presente do tempo, e sim com o presente fora do tempo. Este não é o presente entre o futuro e o passado, é o presente fora do tempo.
Eu sou Consciência, e não sou diferente do que você É, porém você acredita em coisas que eu não acredito.
Eu não preciso acreditar em nada para ser o que Sou. E você acredita que tem de acreditar em alguma coisa para ser, na verdade, o que você nem é; para viver, na verdade, o que não é real. Não há Verdade nisso.
Aceite todo o prejuízo que o pensamento "contar" para você, pois ele "vai dizer" que você vai perder isso, ou aquilo. É só o pensamento se defendendo, se autoprotegendo; protegendo uma imagem, uma crença, que é a crença de "alguém". É só o pensamento explicando que "alguém" pode sofrer, e esse "alguém" é ele mesmo, pois não tem ninguém fora ele. Então abrace, acolha isso, que aí você fica livre do medo.
Você diz assim, internamente: "ok, eu não me importo". O pensamento "diz" que você vai ser abandonado: ok, eu não me importo; que você não é amado: ok, eu não me importo; que você é bonito: ok, eu não me importo; que você é feio: ok, eu não me importo; que não gostam de você: ok, eu não me importo; que gostam: ok, eu não me importo; que você não merece: ok, eu não me importo; que você merece tudo e não recebe: ok, eu não importo. Tudo história. Tudo pensamento. Tudo isso é uma mentira. Nenhum desses pensamentos é o que Você É.
Você é essa Presença, na qual o pensamento está aparecendo. Você é essa Presença na qual o sentimento e essa sensação estão aparecendo. Então, não se importe com sentimento, nem com sensação, nem com emoção, porque tudo isso, também, não é real. O Real é esse Presente fora do futuro e do passado; o Presente livre da ideia de passado e de futuro. O Real é o que se apresenta. Isto é o Real (silêncio)! O que se apresenta não toca você. O que se apresenta, apresenta-se naquilo que você É, e não pode ferir, beliscar, morder ou espetar você; não pode produzir dor.
*Transcrito de uma fala ocorrida em agosto de 2015, num encontro presencial, na cidade de Recife/PE. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

A felicidade é a natureza da Consciência

Não há nenhum grau de alegria ou realização, em qualquer nível que seja, separado dessa Consciência Divina. A alegria desse copo de cerveja, desse orgasmo, dessa mãe que vê a criança se realizando e, assim, se realiza nela, é sempre uma alegria sagrada, uma alegria divina; é sempre um instante de encontro com o Ser, com a Consciência, com Deus.
E quando é que isso acontece? Quando a mente descansa de sua procura, de sua atividade, de seu movimento, neste espaço chamado Consciência, neste espaço que é Deus; quando a mente, por alguns segundos, por alguns minutos, interrompe todos os desejos, porque o objetivo, o alvo, o propósito está, naquele momento, sendo realizado. Então, o movimento da mente para e a Consciência aflora! Mas logo a mente volta de novo criando novos desejos, dizendo: "preciso de mais preenchimento!" Ela atribui a si mesma a realização disso, e acredita que é nela que essa felicidade está sendo encontrada. Então, ela vai em busca de mais! É simples assim! Ou seja, a busca do prazer, da realização, da felicidade é o que impede a Felicidade e a Realização Real, a Alegria dessa Realização Real.
Esse movimento é o impedimento, enquanto a "aquietação" é a felicidade. Por isso, em toda dor, você vai encontrar o prazer, e vice versa, porque a dor e o prazer estão nesse movimento da mente, enquanto a felicidade está na ausência da mente – que é o que acontece quando a mente silencia no orgasmo, no copo de cerveja, ou na realização de um desejo.
A Felicidade é a natureza da Consciência, é a natureza do Ser, e ela não é temporária. Temporária é a chegada e a saída da mente. Temporário é o movimento da mente, que vem e vai. Então, essa felicidade que vem e vai se apresenta dessa forma só por essa ilusão, que é a ilusão da mente nesse movimento. Em seu Estado Natural, você é Felicidade!
Você não realiza Felicidade, você não experimenta Felicidade, você não desfruta Dela. Você é Felicidade! E como Você é Felicidade, Você está liberto da suposta felicidade em objetos, em sensações, em sentimentos, em emoções. Como você é Felicidade, você não depende de sexo para ser Felicidade; você não depende de cerveja para ser Felicidade; você não depende de prazer sensorial para ser Felicidade. Essa Felicidade reside na Consciência, no Ser, nesta Liberdade do não-movimento da mente.
Por isso é que o Sábio está livre de tudo: porque ele está livre da mente. Estando livre da mente, está livre dessa busca por prazer e preenchimento, que a mente, ilusoriamente, conquista ou realiza nos seus supostos feitos.
A Felicidade é a natureza da Consciência, agora! Agora, Consciência, Felicidade, Presença, Deus, Completude e Amor são sinônimos; palavras diferentes dizendo uma única coisa. Verdade, Realidade, Salvação, Liberação, Nirvana, Felicidade, Bem-Aventurança, Ananda... qualquer palavra. Palavras diferentes, mas palavras nunca dizem nada sobre "a coisa" em si. São só palavras...
*Transcrito de uma fala ocorrida em agosto de 2015, num encontro presencial, na cidade de Fortaleza/CE. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

A ação nascida da verdade

A reação que nasce de uma atitude interna, do desejo, é esse movimento da mente na busca de algo que ela projeta como sendo a sua felicidade. A ação natural não nasce de uma premeditação, de uma intenção; não nasce de um pensamento, de um desejo. Há uma energia presente que move, que torna possível essa ação, e essa energia presente é a Clareza, é a Consciência, a Presença, a Verdade. Ela nunca é intencional, voluntariosa, desejosa; ela não procura um resultado, ela acontece... só acontece.
Se a sua pergunta é se você vai ficar inativo, a resposta é não. A ação vai acontecer, mas não será uma ação sua, será uma ação natural dessa Liberdade, dessa Consciência, dessa Clareza, uma ação dessa própria Felicidade. Sendo uma ação assim, não poderá gerar conflito, sofrimento, frustração e perturbação.
Então, a dica aqui é: fique parado, não se mova! Se você ficar parado, não se moverá nessa ação. Não pense! Mova-se e não pense! Esse movimento sem o pensamento é infalível, produz uma ação natural, não premeditada, não planejada por essa ideia de alguém para realizar algo, para obter algo, para conseguir algo. É possível essa ação sem "você". Mova-se sem "você"! Não para dar mil passos, mas para dar o próximo passo. É sempre o próximo passo, o passo seguinte. Com "mil passos" a coisa está muito certinha, contada, calculada; o passo seguinte é só o passo seguinte.
Eu tenho uma pergunta para fazer sobre isso: qual é a coisa mais importante para você fazer, e quando é que você vai fazer? Quer que eu responda? A coisa mais importante é a próxima. E quando? No momento seguinte. Esse é o momento e a coisa mais importante da sua vida, a única coisa que pode preenchê-lo, e por uma só razão: não tem "você"! É infalível porque não tem "você"; é a coisa certa porque não tem "você"; é no momento certo porque não tem "você". Agora acontece tudo, e está acontecendo a coisa mais importante! Mil passos? Eu estou lhe convidando a dar o próximo passo, não mil passos.
Se eu lhe falar: "Vamos dar mil passos!", você vai perguntar: "onde vamos chegar com mil passos?" Mas, se eu disser: "Dê o próximo passo!", você não vai ter essa pergunta para mim. No próximo passo, você não chegará a lugar algum, mas, com mil passos, você chegará em algum lugar. Para o próximo passo, você não precisa pensar, mas, para mil passos, você tem que entender o que está fazendo, saber em que direção está seguindo e para fazer o quê, e também tem que ganhar algo com isso.
Eu amo essa coisa chamada Satsang, porque não fazemos nada aqui. Eu amo essa coisa chamada Satsang, porque a gente não quer nada aqui.
Sobre essa pergunta aí, a resposta é essa: fique quieto e faça a coisa mais importante! E a coisa mais importante é a próxima. Mantenha-se quieto e continue fazendo a coisa mais importante. Quieto, e dê o próximo passo. Quieto, e fale a próxima palavra. O próximo pensamento é o mais importante. Fique quieto! Não em uma sequência de pensamentos, ou em uma história, mas no próximo pensamento que surge, no próximo passo que acontece, na próxima palavra que acontece. Fique quieto! Nada de mil palavras, de mil passos. Não se mova!
O que você acha que eu estou fazendo?
*Transcrito de uma fala ocorrida em agosto de 2015, num encontro presencial, na cidade de Fortaleza/CE. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Ananda, a Alegria do Ser!

Nós estamos falando nesses encontros de algo que significa, para você, sua Real Liberdade, sua Verdadeira Liberdade, que é não sustentar nada, não segurar nada. Se você segura um sentimento, um pensamento, e se encontra uma base na qual você se sustenta, isso mais uma vez lhe escapa.
Isso é como tentar segurar um móvel dentro de um espaço, esquecendo a realidade do próprio espaço, no qual esse móvel aparece. Você se perde quando sustenta um sentimento, um pensamento, uma crença, um ideal, uma certeza, um conjunto de ideias. Você se perde desse espaço, e se situa segurando uma aparição. Quando o espaço está ocupado e você olha para ele, seus olhos se prendem nos objetos presentes neste espaço, e o espaço, em si, é esquecido. Enquanto sua atenção está no objeto que observa nesse espaço, você esquece o próprio espaço; você se perde do espaço, e deixa de reconhecê-lo.
Da mesma forma, acontece quando você se perde de si mesmo, e quando segura um pensamento, uma emoção, uma sensação, uma história, uma lembrança, uma memória, uma provocação. Quando alguém se aproxima de você e o chama de estúpido, se você segura essa ideia, então, de fato, é um estúpido; você se identifica com uma ideia, perde-se de si mesmo, situa-se numa crença e num pensamento. Você é o espaço, mas se perde desse espaço quando se prende a qualquer forma de pensamento, a qualquer crença, conceito, ideologia e imaginação.
Quando nós falamos sobre o sentido do eu, de ser "alguém", estamos falando exatamente disso: de se perder numa emoção, sensação; se perder num pensamento, numa ideia de ser "alguém". Por exemplo, alguém que se perde na ideia de "ser inteligente", que não é a real inteligência, e a crença de "ser inteligente" não é inteligente. Você jamais se ofende com alguém por ele considerá-lo uma pessoa inteligente, mas se ofende quando o considera um estúpido. Você se perde no pensamento, na crença de que é um ser estúpido, uma pessoa estúpida, e fica ofendido, com raiva, aborrecido, mas não quando alguém diz que você é inteligente. Na verdade, você é de fato uma crença e, quando você é uma crença, está dentro de uma limitação. Essa é a limitação do ego, e assim ser inteligente ou ser estúpido é estar em uma crença. Agora mesmo, você é este espaço, este espaço vazio. Neste espaço vazio, os móveis aparecem; os pensamentos, as emoções e os sentimentos aparecem; a ideia "sou inteligente" ou a ideia "sou estúpido" também aparecem.
Quando a Graça o coloca diante desta Presença, este espaço vazio chama-se Consciência! Essa Graça, essa Consciência é exatamente o que estamos colocando: um espaço vazio. A mente e o corpo aparecem neste espaço, bem como as crenças e as descrenças, as opiniões, os julgamentos e tudo mais. A Liberdade de ser é essa Consciência, a Consciência consciente das aparições. Você fica inteiramente consciente.
Quando alguém se aproxima e o chama de estúpido, você está consciente de que não foi você quem recebeu essa nomeação. Se não se prende a essa ideia, você permanece como esse Espaço Vazio, a Real Consciência, a Consciência consciente dessa crença. Entretanto, quando se perde nessa crença, você se situa no tempo e no espaço, como uma entidade separada, alguém que acredita "ser alguma coisa". Há uma grande limitação, que, agora, eu chamo de mediocridade: situar-se na mente, situar-se sendo "alguém", na crença de "ser alguém". Você é inteligente, eu aprecio sua inteligência, e nesse momento você se sente feliz, porque alguém apreciou sua capacidade, sua habilidade, sua destreza, sua capacidade de compreender, de entender, de raciocinar. Quando faz isso, você se situa no tempo, como alguém que acredita ser aquilo que outros dizem "que você é". O ego adora isso: ver confirmadas as suas crenças! Isso, apenas, fortalece em você o sentido de "ser alguém". É o que eu acabei de chamar, agora há pouco, de segurar um pensamento, segurar uma convicção, uma crença, uma ideia.
Algumas vezes eu provoco isso nesses encontros. Eu digo: você é arrogante – e você acredita nisso. Ao acreditar nisso, você abandona esse Espaço que não tem nome, que não pode ser nomeado, classificado, julgado, avaliado. Você abandona esse Espaço e se situa na crença de "ser alguém", e "alguém" arrogante. Porém, o ego não se considera arrogante, mas sábio, inteligente, e isso fere esta autoimagem que você tem de si mesmo, de si mesma.
Percebem isso?
Tudo isso é somente uma crença, e você acaba de se situar numa ideia, que é a ideia de ser arrogante. Então, no ego, nessa crença, nesse hábito, vício, de sustentar ideias sobre si mesmo, você não é real, e sim um joguete de fácil manipulação. Você acredita facilmente em qualquer coisa, mas quem acredita? Essa pessoa, que você acredita ser, é o ego.
Eu estou desafiando você a permanecer jamais tocado por qualquer opinião, julgamento, avaliação, pensamento – os seus pensamentos ou os pensamentos dos outros sobre você. Eu estou dizendo que isso é possível. Não estou dizendo que isso é algo fácil, mas estou dizendo que é possível.
Seu trabalho em Satsang é reconhecer a Verdade sobre si mesmo, e eu estou apontando isto para você! Quando eu aponto para você, eu digo: Você é real. Mas eu não estou falando desse "você" que você acredita ser; eu estou falando do Vazio, do Espaço, deste imensurável Espaço! Estou falando dessa Coisa sem nome, sem forma, que não é arrogante, não é estúpida e não é inteligente. Estou falando Daquilo que permanece como pura Consciência, Presença, Realidade.
Como é que soa isso para vocês?
Não há nada de misterioso nisso... É somente o reconhecimento Daquilo que Você É! Um reconhecimento que não pode ser capturado pelo intelecto, porque o intelecto não entra nisso! Você pode capturar isso, mas não pode prender isso como uma aquisição, também, do intelecto.
Você é o Buda, o Cristo, é a Consciência, é a Verdade! Quando eu aponto para você, eu digo: Você É! Eu não estou afirmando nada. Eu estou dizendo: Você É esse Vazio. Esqueça o termo Buda, Cristo, Deus. Permaneça sem ideias sobre isso, presente aqui, agora, e somente olhe você capturado, mais uma vez, pelo mesmo velho padrão de "ser alguém", que depende da opinião, do julgamento, da avaliação dos outros; da ideia que os outros têm sobre você.
Você pergunta: "sou o espaço onde toda experiência acontece?" Eu estou dizendo exatamente que você é todo o Espaço, não somente o espaço onde toda experiência acontece. Você é todo o Espaço... É somente Espaço. O corpo e a mente são aparições, como as ideias, as crenças, "inteligente", "arrogante" e "estúpido" são aparições, e você permanece aí.
Quando vêm a esses encontros, vocês acham que vão descobrir algo mágico. Porém, se vocês descobrirem algo mágico, será um truque, pois aquilo que chamam de magia é somente mais uma ilusão. Esse Espaço é só o espaço. É interessante falarmos, um pouco, sobre isso. Alguém tem essa coisa chamada despertar, realização de Deus, Iluminação, como algo que vai torná-las pessoas especiais; alguns acreditam nisso. Você não é especial na Realização! Nesta Realização, você "não é"! Quando essa Realização está, você não está! Você não está mais, para ser elogiado ou difamado; não está mais para se ofender, quando lhe chamam de arrogante ou estúpido, nem para se vangloriar ou se sentir especial, quando dizem que você é safo, inteligente, pois isso não faz a menor diferença.
Alguns dizem, já disseram para mim: você é uma fraude. Alguns já disseram para mim: você é o Guruji. Alguns já disseram para mim "eu não acredito em você", e outros já disseram "Você é o meu Mestre". Ok, eu digo para eles. Isso é com eles, não é comigo. EU SOU O QUE SOU e isto continuará assim. Está claro isso, que são somente ideias, crenças? Jamais se ofenda, magoe-se, ou fique triste, com o que pensam sobre você, ou falam de você. Todo e qualquer pensamento é só pensamento, e tem, somente, a realidade que o pensamento tem, nada além disso. Mas, quando você segura isso, isso assume uma realidade para esse "você" que você acredita ser.
Participante: O fato de ser Iluminado, ou Desperto, tem a ver com a alegria interna que jorra do coração, sem necessidade externa ou meios externos para isso?
Mestre: Deixe-me colocar de uma outra forma, dando resposta a sua pergunta, naturalmente. A natureza dessa Consciência, desse Vazio, dessa Presença, é a natureza do Ser, Aquilo que podemos chamar de alegria. Mas, compreenda, alegria de uma qualidade inteiramente diferente da alegria que a mente conhece. A mente conhece a alegria quando ganha um prêmio, um presente, ou passa em um concurso público, numa prova. Porém, esta alegria da conquista, da realização de algo, é uma alegria circunstancial, momentânea; é uma alegria causada. A alegria do Ser, da Consciência, da Presença, de sua Natureza Verdadeira não tem causa.
Na Índia eles chamam de Ananda, que é uma palavra sânscrita para Felicidade – uma alegria sem causa, não dependente, não circunstancial. É uma alegria que não pode ser roubada, tirada de você, porque você é esta alegria. Não é algo que você sente, é algo que você É. A natureza desta Alegria é Ananda, Felicidade, Beatitude.
Quando você está diante de um Mestre vivo, fica claro o que estamos falando: há algo que emana de Sua Presença, do Seu Silêncio; há algo presente em Seus olhos, e por trás da Sua voz; algo que silencia e aquieta você; algo que, também, lhe permite desfrutar dessa mesma alegria de sua Natureza Real, de sua Natureza Verdadeira, Algo que É você. Tudo o que você está para fazer, aqui, nessa vida, é desfrutar desta Alegria, que é a Alegria de sua Natureza Real.
Uma outra palavra para esta Alegria é Amor, que não é algo motivado pela forma, ou ligado a ela; não tem nada a ver, absolutamente nada, com a forma masculina ou feminina, ou com a forma animal. Não é amor às pessoas, aos animais ou às plantas... É algo além da forma... É a fragrância presente em todas as direções, que caminha para todas as direções. Assim, como esta Alegria sem causa, é este Amor sem causa: algo que não tem contrário, não tem oposto, não pode mudar. Você não pode transformar esta Alegria em uma outra coisa.
O Sábio é pura Alegria, é puro Amor, e você não pode entristecê-lo; você não pode fazer isso. Ele não vai amá-lo porque você O ama. Ele vai amá-lo porque Ele não pode deixar de amá-lo. O seu amor é condicional, o do Sábio é incondicional! Sua alegria é condicional, a Dele é incondicional!
É isso. Vamos ficar por aqui. Boa noite!
*Transcrito de uma fala ocorrida em agosto de 2015, num encontro presencial, na cidade do Rio de Janeiro/RJ. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Quando você me encontra, você se encontra!

Há um homem caminhando entre as flores do jardim do palácio, e você o confunde com o jardineiro. Mas ele é o rei, e não o jardineiro! Ele é o rei! Não é porque ele está no jardim que você deve confundi-lo com o jardineiro.
No mundo, você não é alguém; é a origem dele! Desse mundo, você não é um habitante, assim como aquele homem não é o jardineiro, mas o rei. O rei parece ser o jardineiro só porque está no jardim do palácio. Você parece ser uma pessoa só porque parece estar no mundo vivendo como alguém. Você parece que nasceu e está vivo no corpo. Caminhando entre as flores do jardim, você também acredita que está vendo o jardineiro, mas ali está o rei!
O que estou dando a vocês é o reconhecimento de quem vocês são! Eu não estou dando isso, de fato, a vocês; estou lhes informando! Informando a vocês que o mundo aparece quando os olhos têm luz para vê-lo, e a luz desse mundo, onde ele aparece, é Você!
Então, não é você no mundo, é o mundo em Você! Então, não é o jardineiro no jardim do palácio, mas é o rei no jardim do seu palácio, parecendo ser um jardineiro.
É o que eu posso lhe dar. Posso apenas lhe mostrar o que já está muito claro, mas você está olhando para outra direção. Eu estou apenas apontando a direção Real, que lhe possibilita ver a Verdade. Você não é o corpo e não é a mente, que são como a aparência do jardineiro, que oculta a presença do rei para olhos desatentos. Um pouco mais de atenção e você vai reconhecer quem está ali, quem está aí. Um pouco mais de atenção e você vai reconhecer que não é você que está no mundo, é o mundo que está em Você! Não é você que está no corpo, é o corpo que está em Você.
Será que isso é um ensino? Eu vou lhe dizer qual é o meu ensino: não há nenhum ensino, não há nada para aprender, não há nada para saber. Esse é o meu ensino! O meu ensino diz: não há nenhum ensino! E vocês ainda acham que vieram aqui aprender alguma coisa? É só a atenção de ver que quem caminha no jardim é o rei, e não o jardineiro. É só a atenção para perceber que você não está nesse mundo, mas esse mundo, esse corpo e todas as aparições surgem em Você.
No Cristianismo, chamam de Salvação; no Zen, chamam de Vazio; no Budismo, chamam de Nirvana. No Cristianismo, eles têm uma aproximação positiva e falam do Reino dos Céus; no Budismo, eles têm uma aproximação negativa e chamam de não-mente, não-eu, vazio.
Isso é um ensino? Não! É só um novo modo de olhar. É o que você está recebendo aqui: um novo modo de olhar. Eu não estou lhe dando olhos para ver, eu sou apenas um dedo que aponta a direção para a qual você se volta para olhar, com seus próprios olhos que já estão aí, para ver que não há jardineiro, que há só o rei caminhando no jardim do seu próprio palácio.
Se há um jardim grande, com um homem que esqueceu o que está fazendo ali, que esqueceu quem ele é, este pode ser facilmente convencido de que é o jardineiro e que possui qualquer nome que digam a ele. Então, ele se convence fácil e rapidamente do nome e de que ele é o jardineiro, porque seu ambiente é o jardim, um grande jardim. Ele começa a se comportar como jardineiro, a trabalhar no jardim e, depois de certo tempo, assume realmente aquilo, assume ser aquela pessoa, com aquele nome, ser um jardineiro. Mas o fato é que aquele jardineiro não é um jardineiro, e aquele nome não é o nome dele. Ele não é ele, mas não sabe disso, ele se esqueceu. O jardim é muito grande, e ele se considera o jardineiro no jardim do palácio do rei. Contudo, na verdade, ele é o rei, apenas caminhando em seu jardim. Ele se esqueceu de quem era, e agora está convencido de que é o jardineiro e que é uma pessoa comum. Ele jamais vai voltar ao trono enquanto estiver esquecido do fato de quem ele é.
Quando você vem a Satsang, não vem para ser livre, para se iluminar, para "realizar Deus", para "realizar a Verdade", mas para descobrir a Verdade que Você é, o Deus que Você é, a Liberdade que Você é. O único trabalho que eu tenho aqui é lhe informar quem Você É, é fazê-lo lembrar de quem Você É.
Você se comporta como um jardineiro no jardim do palácio do rei, enquanto você é o rei apenas passeando no jardim. Você acha que um homem que passeia pelo jardim, apesar de ter se esquecido de que é o rei, se torna, de fato, um jardineiro? Se você se esquece de quem é, deixa de ser quem é?
Você acha que vem a Satsang para encontrar Deus. Todos estão fazendo isso! Há muito tempo, em todos os caminhos da busca, você quer aquilo que, na verdade, a mente projeta como o ideal, como o objetivo, como o alvo da conquista, o alvo da realização, da iluminação, do amor, da paz, da felicidade, o que, na verdade, é um grande esquecimento.
Meu trabalho com você não é lhe dar o que Você é, mas lhe ajudar a lembrar do que Você é! Você se confunde com pensamentos, sensações e sentimentos; despreza o que Você É nesse autoesquecimento acerca de si mesmo. Você se comporta como jardineiro, acorda como jardineiro, dorme como jardineiro, fala como jardineiro...
Eu tenho algo para dizer a você: o vazio é sua Natureza Real; o vazio é o rei! Assuma seu trono! Um rei sem trono não domina, é só uma pessoa comum. Assuma o trono, domine-o! Um Buda fala como um rei, olha como um rei, caminha como um rei, se assenta como um rei, reina como um rei.
um homem simples: andava com uma bengala, uma espécie de tanga, como diríamos aqui no ocidente, e uma pequena vasilha para carregar água enquanto caminhava, dando suas voltas na montanha. Nesse pequeno quadro, dessa pequena parte do mundo, ali estava um rei, com os pés no chão, subindo a montanha. E é assim até hoje. Na Índia, todos sobem a montanha e ninguém usa tênis; todos de pés descalços.
Se você sabe quem Você É, não importa a pequena parte do mundo onde você se encontra, ou que tipo de roupa você está vestindo, ou que tipo de comida está comendo. Você come como um rei e se veste como um rei.
Meu trabalho no Satsang com você é fazê-lo reconhecer quem Você É. Estou aqui para lhe dar Consciência. Você está dormindo! A natureza da mente é tal, que ela está completamente esquecida da Realidade, da Consciência, nesse seu sonho. Eu não vou lhe dar Consciência, eu vou fazê-lo lembrar de sua Natureza Real!
O homem chamado Ramana Maharshi caminhando de pés descalços, dando voltas na montanha, recebendo outros que queriam estar com ele, era um rei que tinha como trabalho mostrar a eles quem eles eram. Meu trabalho é o mesmo! Há relatos de alguns que diziam que mesmo o sorriso da mais linda criança diante de Ramana ficava pálido, tal era a beleza daquele sorriso. O sorriso de um rei!
Nesse mundo de autoesquecimento, o valor todo está na exterioridade, nas aparências. Oculta sob as sombras, está presente a silenciosa luz autofulgente de pura Consciência, de pura Presença, de pura Realeza.
Como é estar aqui? Como é poder se deparar com essa alegria e esse reconhecimento?
Somente quando a ideia de ser alguém vai embora é possível esse reconhecimento. Só então o rei se reconhece como esse vazio, e volta ao trono. E quando ele está de volta ao trono de sua realeza, o autoesquecimento vai embora, o medo vai embora, a ilusão da separação vai embora. A natureza desse vazio – que é o rei de volta ao trono, ao reconhecimento de sua realeza – é alegria pura, felicidade pura!
Então, não se esqueça disso: a Verdade está sempre presente Naquilo que Você É, quando você reconhece isso. Quando você não reconhece, isso é mera teoria. Pare de me ouvir e viva o que estou dizendo!
Todos estão ouvindo alguma voz, alguém dizer algo em algum lugar, mas isso não tem valor algum! Não quero que você me escute, quero que você se assuma como o Vazio, que se assente no trono, o domine e reine!
A felicidade de estar diante de um Mestre vivo é a alegria invisível de poder se reconhecer como Deus, como Consciência, como Verdade, como Vazio! A felicidade que gera em si uma grande realização! Poder reconhecer a Verdade presente nos olhos de um Mestre vivo é chamado, na Índia, de Darshan. Darshan é ter uma visão de Deus! Na Índia, sinceros devotos ficam loucos por isso, apenas por ter uma visão de Deus. Quando o Mestre está muito doente, seu corpo muito debilitado e não pode receber visitas, passam apenas para dar uma olhada por poucos minutos ou segundos; fazem uma fila e passam só para ter o Darshan, para ter um olhar de Deus.
Sabe o que significa isso? Significa poder lembrar que o jardineiro não é um jardineiro, não é alguém que cuida do jardim. É a possibilidade do jardineiro reconhecer que o que disseram para ele não é real. Ele não é fulano de tal, o jardineiro é o rei naquele palácio, e aquele jardim também é dele.
Como é vir aqui? Olhar para mim, se permitir que eu olhe, ter o olhar para você? Você consegue ver o mar e as ondas quebrando nas pedras, debaixo dessa luz do sol? Você percebe que a visão do mar com suas ondas quebrando nas rochas, ou se desmanchando na praia, na areia, é também um momento de Darshan? Por quanto tempo você mantém a lembrança desse silêncio, dessa graça, dessa beleza diante do mar? Quando você está aqui, o que é que lhe falta? Eu sou o mar, olhe para os meus olhos e você vai ver as ondas quebrando contra as rochas. Eu sou sua praia! Nós nos encontramos! Eu deságuo em você e você em mim! O rio que se encontra com o mar e o mar que se encontra com ele mesmo.
Não vê que eu sou esse "Eu Sou" que Você é? Você não fez uma viagem da sua cidade para estar aqui no Rio de Janeiro para ver o mar, mas você fez essa viagem para me ver. Você veio se ver! Você acha que a beleza do mar está fora daquilo que Você é? Você acha que encontra essa beleza viajando para alguma cidade? Você acha que essa é uma alegria que está fora de Você, para ser encontrada no prazer de surfar, ou de navegar, velejar, viajar ou ir para algum lugar? Não! A beleza é a sua Natureza, a única Felicidade Real! E quando você me encontra, você se encontra!
*Transcrito de uma fala ocorrida em agosto de 2015, num encontro presencial, na cidade do Rio de Janeiro/RJ. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

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