segunda-feira, 29 de junho de 2015

Estou dando a chave para você viver sem ego!

Diante de pensamentos, não se importe com eles -são só pensamentos. A coisa mais difícil não é se livrar do sentido de virtude, mas sim livrar-se do sentido de culpa. Você fica muito mais vivo na culpa do que na virtude. O ego ama muito mais ser culpado do que ser o herói. A culpa demora muito mais tempo para ser desfrutada pelo ego. Ser herói é uma coisa rápida, pois logo todos esquecem. Porém, ao ser culpado você vai poder trabalhar muito por isso, além de ter muito ganho em cima disso.
Participante 01: Quando a gente vê a mente como uma coisa só, fica mais fácil perceber que os pensamentos não são seus. Não são produção "minha."
Mestre Gualberto: Não tem "minha" mente ou a "sua" mente. Só tem a mente. É só a mente. Não é a "sua" mente. Não foi você, pois você é uma fantasia; é essa "pessoa" que se sentiu culpada ou se sentiu mal por isso. Não tem uma pessoa sentindo-se mal por isso; é uma fantasia de "alguém" sentindo-se mal por isso.
Participante 02: Mestre, também não tem "alguém" para sentir vergonha do que pensa, não é?
Mestre Gualberto: absolutamente! Não dá para ter vergonha. Você tem que ser alguém importante demais para ter vergonha disso. Você tem que ser "alguém" muito importante e trabalhar forte por isso, para ter essa vergonha. Ao ser sem ego, você não tem ganho nenhum. Ser ego dá muito ganho; dá o ganho da vergonha, da culpa.
Participante 02: Mestre, esse pensamento vem de onde?
Mestre Gualberto: Esse pensamento vem da mente. De onde vem essa mente? Da Consciência. De qualquer forma, ainda não é problema de alguém particular.
Participante 01: Os pensamentos de culpa, de arrogância, de inveja, libido estão todos passando. Só surge o arrogante, o libidinoso e o culpado quando você se apossa de um desses pensamentos.
Participante 03: Os pensamentos estão passando, mas parece que eles são adequados a cada um, a cada mecanismo.
Mestre Gualberto: Sim, por um tempo, porque há um condicionamento de cada mecanismo para sempre acolher, como essa suposta identidade, esses pensamentos. Se esse vício começa a cair, já não são mais acolhidos, começa a haver uma configuração nova na máquina, e isso para de se repetir. Esse processo para de se repetir, e é por isso que cai, desaparece. Esses pensamentos são viciosos e estão aparecendo para um viciado, mas, se o viciado já não está mais presente, eles vão perder a força, desaparecer, procurar outro corpo. Vai haver um exorcismo aí, porque você, como Consciência, estará exorcizando essa suposta entidade separada. Sem essa entidade separada, os pensamentos são convidados não gratos, porque eles terminam não sendo aceitos, hospedados, e vão desistir de você.
Você não mata o ego. O ego é uma ilusão. Se você para de alimentar a ideia de um ego presente, os pensamentos desaparecem. Você não pode matar o ego, mas pode sustentar a vida de um ego, sustentando pensamentos – pensamentos como esses ou como aqueles.
Estou dando a chave para você viver sem ego. Agora, você tem que usar essa chave. Quanto mais você a usa, mais fácil fica para ela entrar na fechadura; ela amacia. Cada vez fica mais fácil abrir a porta, mas tem que trabalhar isso. Esse trabalho não é seu, porque você não está aí. É um trabalho da Consciência, da Graça, de Deus... um trabalho do Mestre. É um trabalho que acontece naturalmente.
Participante 02: Mestre, quando o Senhor diz que não é um trabalho nosso, eu percebo claramente que não é nosso. Mas a gente constata as coisas acontecendo. Seria a mente constatando isso? Se isso acontece pela mente, ainda, é a mente se analisando?
Mestre Gualberto: Onde o constatar acontece? Será que a mente pode constatar "ela mesma"? Constatar é uma coisa, analisar é outra. Você constata e deixa solto. Se você analisa, você captura, está aí, é o ego – e já foi capturado. O constatar é um trabalho da Consciência. Não é você, é a Consciência. Não é você ego, é você como Consciência.
Então, o trabalho, realmente, é só seu, mas não é do ego, não é da pessoa. Constatar é um trabalho da Graça. Todo o meu trabalho com você em Satsang é exercitar essa chama chamada Consciência. A gente passa dois dias aqui exercitando isso. Amanhã a gente faz um retiro, exercitando Consciência. Exercitar Consciência é só exercitar esse poder de perceber, e isso basta.
Você apenas percebe, não salta sobre esse pensamento, não veste a carapuça. Pronto! O trabalho é esse. Esses pensamentos "vindo" é o que na Índia eles chamam de vasana, que são as tendências latentes da mente. Elas podem ser acolhidas ou podem, apenas, ser presenciadas. Se forem somente presenciadas, elas vão terminar cansando de aparecer e vão desaparecer, porque elas não terão uma casa para se hospedar.
Chega um tempo em que a vasana não bate mais na porta. Enquanto ela estiver batendo na porta, OK!... paciência, paciência e paciência. Chega um momento em que ela não bate mais. Assim é quando você começa a descobrir que sumiu esse ou aquele padrão, mas nem sabe para onde foi. E por que não sabe? Porque você não estava lá... Ele nunca foi seu mesmo. Trabalho de quem? Da Graça, da Consciência ou do Mestre – dá no mesmo. Por isso quando se diz que é o Mestre quem lhe dá a Iluminação, é Ele mesmo. É a Consciência.
Então, vamos lá. Constatar é um trabalho da Consciência. Apoderar-se daquilo que está aparecendo é trabalho seu. Esse "seu trabalho" é o trabalho de ser "alguém", e é aí que fica essa coisa: "me senti mal, me senti bem". Porque passou um segundo, a "coisa" já capturou você... Aí, pronto, começa a análise...
Participante 02: Só que isso é muito rápido. Quando você vê, você já está capturado.
Mestre Gualberto: Muito rápido. Ver um pensamento e não se identificar... Ver uma sensação e não se identificar... Ver uma história e não se identificar... Isso não é trabalho seu, e sim trabalho da Graça. Aqui, você fica dizendo assim: "é muito claro diante do Mestre, é muito claro Isso!". E você pergunta: "por que lá fora não é claro?" – Porque você está muito viciado em "ser alguém" lá fora. E aqui, o poder dessa Presença é tão grande, que isso desmonta e você diz que aqui é fácil e lá não. Aqui, basta Eu olhar para os seus olhos e desmonta, porque há muita Presença aqui.
Sabe aquele fogo que vem queimando tudo? É isso. Você aqui está sob um fogareiro. Eu estou trazendo você para o fogo. Sua mente se distrai, e eu trago você para o fogo. Então, não tem espaço para o ego, porque você não me encontra no ego, você me encontra como Consciência. Você está lidando com a Consciência na forma. E isso é muito atrativo.
*Transcrito de uma fala ocorrida em dezembro de 2014, num encontro presencial, na cidade do São Paulo/SP. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

terça-feira, 9 de junho de 2015

O que é iluminação?

Iluminação! O que é iluminação? Iluminação é o florescer do que você é. O processo do florescer é aparente. Você é como uma flor que floresce, mas não sai de botão para uma flor inteiramente aberta. É um florescer de outra ordem. Eu tenho, nessas falas, usado muito a expressão constatar. Iluminação é constatar o seu Estado Natural de Ser. Isso é florescer.

É curiosa a ideia de tempo implicada nesse, assim chamado, processo. Quando usamos aqui a palavra processo, em algumas das falas, usamos nesse sentido, nesse "jogo", que assim parece ser gradual, mas não tem nada de gradual nisso. Constatado o que você É, é algo instantâneo. Nenhum tempo se faz necessário. Nenhum trabalho, no sentido de um processo gradativo, se faz necessário; só parece ser assim.

Essa coisa de vir a Satsang, de estar presente nesses encontros, de olhar isso, não só aqui, mas também fora desse espaço, olhar de novo, de novo e de novo, Isso não é o botão se abrindo, é um florescer diferente. Isso é algo acontecendo e assentando nesse corpo-mente, que é aquilo que parece ser o impedimento sendo visto como uma aparência e desaparecendo.

Mas não há tempo na Iluminação. A mente curiosamente "diz": "chegarei lá, realizarei isso; vou fazer acontecer". E aí ela caminha, mas esse caminhar é dentro dela mesma; é como um milhão de passos, mas num lugar só. Você pode dar um milhão de passos no mesmo lugar, que você não chega a lugar nenhum. Mas com um milhão de passos, é claro, você cansa. É bom você estar cansado, porque aí você fica quieto, e descobre o que é despertar, o que é iluminação, o que é acordar. Aí você descobre que é algo presente nesse instante. Iluminação é o florescer do amor, o despertar da compaixão, o respirar da felicidade de seu Estado Natural, e isso é agora, não amanhã. É bom que milhões de passos sejam dados até que você entenda que não precisa dar um só passo e que esses milhões de passos não significaram nada.

Você é Isso. Você é a suprema e natural paz, amor, felicidade, iluminação. Deixem de mitificar isso e mistificar isso que é você.

Você é o Cristo. Você é o Buda. Você é a Suprema Felicidade e simples Amor!

Você é Deus!

Não importa o que a sua mente diga. Ela pode dizer qualquer coisa, mas isso não muda o que É. Você é o som do bebê que chora no berço, a melodia da flauta soprada pelo flautista, o deslizar das nuvens no céu... Você é o sol se escondendo por trás da montanha, é o sussurro do riacho, é o canto do pássaro naquela árvore distante. Você é o sorriso e também as lágrimas. Você é aquilo que está mais próximo, aquilo que está dentro, no cerne de todas as coisas. Você é tudo, em todo instante, a todo momento. Está em toda parte e não está em lugar algum. Sem nascimento e sem morte, sem passado e sem futuro, não está nem mesmo nesse presente, que logo se torna passado. Você é Aquilo sem nome, sem forma, sem definição.

Não há "pessoa", não há "alguém", não há "mim", não há "eu". Você é esse Silêncio, essa Paz, essa Liberdade, essa Plenitude, essa Quietude. Você é Iluminação, e Isso é Deus, agora e aqui. Quando não há nenhum sentido de separação, nenhum sentido de separatividade, aí está você em sua Real Natureza. Você é Ele! Só há Ele! Só há Você! Isso é tudo, e tudo é Isso!

É tão simples, tão simples, tão simples, assim. É somente Isso... É só Isso!

*Transcrição de uma fala ocorrida em outubro de 2012, num encontro presencial, na cidade de Itaquaquecetuba/SP. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

terça-feira, 12 de maio de 2015

O que é Satsang?

Esse espaço aqui, esse tipo de encontro, na verdade, não é um encontro. Satsang é o tipo de encontro que é uma grande armadilha. Você é atraído para esse encontro, e depois que se aproxima dele e entra, logo alguns segundos depois, ou alguns minutos depois, você cai nessa armadilha. É quando você desaparece! Olhem que coisa curiosa: Satsang é o único lugar em que você vem para descobrir que você mesmo não veio, que você mesmo não está presente. Então, se algo cai nesta armadilha é a mente. Aqui a mente "desmonta".

É como quando alguém nos pergunta o que fazer com a mente. "Como silenciar a mente? Como meditar?" E por aí vai. Sempre nesta pressuposição de que exista tal coisa chamada "mente"; sempre nesta ideia de que existe "alguém". Quando alguém diz "fale-me sobre Satsang", ou quando alguém nos pergunta o que é Satsang, o que fazemos e o que acontece, todas essas perguntas têm essa base, a ilusória base de que existe "alguém" presente em Satsang, de que há algo para ser feito em Satsang, como uma mente para ser silenciada ou uma meditação, da qual, depois de certo tempo de prática, o participante se torna mestre.

Satsang é o espaço no qual você descobre que "você" não está presente. Então, é o único convite que você recebe e, depois, quando entra na festa, é convidado a se "retirar", a perceber que "você" não está presente. É quando a mente "desmonta" e "cai" nessa armadilha. É esse o instante do milagre; o milagre de perceber que tudo é uma grande ilusão! A ilusão de ser alguém, a ilusão de ter vindo, bem como a ilusão de receber, de conseguir, de obter, de ganhar e de experimentar algo em Satsang. Então, essas perguntas "o que vamos fazer?", "o que é Satsang?", e todas relativas a isso, só têm uma resposta: venha a Satsang, e logo você descobre que "você mesmo" não está presente. Isso é Satsang acontecendo!

Satsang é, basicamente, Consciência de Ser. Eu não disse ideia de ser, eu disse Consciência de Ser. Não há ideia nisso! Ser, aqui, não é ser algo, alguém ou alguma coisa; é, diretamente, Ser! Ser a Presença! E essa Presença é exatamente essa ausência de "ser alguém". É difícil ajustar essa fala a esse padrão comum do intelecto, que caminha com um objetivo, pois nele não há só o "caminhar". Para nós, só o "caminhar" é algo muito insano, despropositado, mas esse tipo de encontro é um convite apenas para o "caminhar", sem mesmo o "caminhante" nele. Então, não há objetivo, não há propósito.

Assim, Satsang é ser sem objetivo, sem propósito, e isso é o "desarmar"; é o "cair na armadilha". O que cai nessa armadilha é somente aquela crença de que havia "alguém", antes de Satsang. Em Satsang fica claro que não havia "alguém". Nunca houve alguém, nunca houve mente para ser silenciada. Então, essas respostas todas não são importantes, porque o perguntador desaparece.

Quando o Satsang está acontecendo a você, e ele está acontecendo agora, o perguntador desaparece em sua Real Natureza, bem como as respostas. Você desaparece! Tudo desaparece! Somente esta Real Natureza – de ser Isso que você É – está presente. Isso é Satsang! Esse lugar não é um lugar físico; é, essencialmente, o seu lugar interno, o seu lugar real, aquilo que você já É em seu Ser, em sua Real Natureza! É o Satsang... É o Satsang!

*Transcrição de uma fala ocorrida num encontro aberto online. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Um Encontro com a Nossa Verdadeira Natureza

Satsang é um encontro com a nossa Verdadeira Natureza – com a Beatitude, com a Paz, com o Silêncio, com a Liberdade, com o Amor de nossa Essência Divina. Temos passado muito tempo alienados acerca de nós próprios, inconscientes de nós mesmos. E aqui nós temos a oportunidade de não só ouvirmos a respeito disso, como também vivenciarmos diretamente isso, essa constatação – é assim que nós chamamos. Não se trata de mais uma crença, de mais uma doutrina, de mais uma forma de ensino, ou de mais um conhecimento. Não se trata nem mesmo de mais uma vivência, dessas vivências que, ao passarem, fica para você somente uma memória, uma lembrança.

Nós temos em Satsang a oportunidade de uma imersão, de um mergulho nesse constatar dessa Graça, dessa Verdade, dessa Beleza que trazemos. E nós aproveitamos esses encontros para, durante essas falas, investigarmos juntos, porque é através dessa investigação que podemos, diretamente, viver a meditação. E a meditação só é possível nessa incondicional entrega.

Observem que a Felicidade é tudo o que buscamos. Tudo o que buscamos profundamente é o Amor, a Paz e a Felicidade. Todos querem isso, todos sentem a importância disso. É o que todos nós profundamente desejamos. E quando compreendemos isso, porque todos desejam, desejamos de uma forma completamente inconsciente do que, de fato, significa isso; então, termina que nos perdemos. Todos se perdem nessa busca, nessa procura, porque lhes falta essa compreensão do que significa Amor, Paz e Felicidade.

Reparem que realizamos a busca em objetos, relacionamentos, estados internos. Então, aquilo que é na verdade um desejo natural, um desejo que é um anelo por nossa Real Natureza, por essa Verdade que já somos e trazemos, termina se transformando num esforço para determinadas direções, e nelas nós nos perdemos, por estarmos focados nessa busca para o lado de fora. É do lado de fora que queremos encontrar Isso, como em objetos, atividades e relacionamentos, ou em estados puramente mentais, e assim buscamos toda forma de estímulo que possa nos proporcionar um estado de paz, de amor, de felicidade.

Então, esse esforço nessa direção equivocada se confirma dia após dia, após dia, em constante decepção, frustração. E isso por quê? Porque nós não podemos conhecer a Felicidade; não podemos adquirir a Felicidade; e não podemos realizar a Felicidade. Porque Felicidade, Amor, Paz, é essencialmente aquilo que somos, agora mesmo, aqui, neste instante.

*Transcrição de uma fala ocorrida em Setembro 2013. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Seja o que você É

Participante: Há uma coisa dentro de mim que diz assim: eu não quero sofrer, não quero passar fome, não quero sentir dor.

Mestre Gualberto: A Vida comporta isso tudo, e isso é a Vida. Agora, a Vida jamais é tocada por sua própria expressão. Isso significa que você é a Vida. Quando Isso está assentado, só há Vida fluindo. A Vida não está abandonada. A Vida só está se manifestando, uma hora de uma forma e outra hora de outra, mas isso não muda nada para a própria Vida que é Você.

A ideia de "quero" e "não quero", "gosto" e "não gosto", ainda é a ideia de "alguém vivo" na Vida e não da própria Vida. A Vida não se ocupa com crenças. São crenças sobre a dor e sobre a dor da dor; crenças sobre o sofrimento e sobre o sofrimento do sofrimento, como crenças sobre a alegria da alegria; crenças sobre a felicidade da felicidade e sobre a morte da morte. São somente crenças. Solte as crenças. Seja o que você É: a Vida.

E deixe essas questões de direito, esquerdo, cara e coroa, positivo e negativo, dor ou prazer, viver e morrer, por conta Daquilo que move tudo e põe tudo em seu devido lugar.

*Transcrição de uma fala ocorrida em setembro de 2013, num encontro presencial. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

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