quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

Joel Goldsmith | Vivendo entre dois mundos | A natureza do pensamento | Mestre Gualberto

GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast. Mais uma vez o Mestre Gualberto se dispôs a estar aqui conosco. Gratidão, Mestre! Mestre, hoje, além de trazer algumas perguntas do pessoal que vem acompanhando os nossos videocasts, eu quero trazer também um trechinho do Joel Goldsmith, do livro chamado “Vivendo entre dois mundos”. Nesse trechinho, Mestre, o Joel fala o seguinte: “Em nossa ignorância, pensamos que há doentes e pecadores, mas não. Eles estão em nosso próprio pensamento. Esse é o único lugar. Eles não existem em outro lugar.” O Mestre pode falar um pouco mais sobre a natureza do pensamento, sobre isso? MG: Interessante a colocação do Joel, né? Ele diz “em nosso pensamento”, “em nossa visão particular”.

É sempre em nossa visão particular que esse mundo é visto nesse formato. É uma visão particular do “eu”, é uma visão particular desse pensamento. Aquilo que nós chamamos de “eu” aqui, esse “mim”, é um conjunto de ideias, de crenças, de memórias, de lembranças, de pensamentos. E é só no pensamento que estamos vendo doentes e pecadores, mas também estamos vendo pessoas saudáveis e esses assim chamados “santos”. Tudo isso são conceitos da própria mente. É na mente que nós estamos vendo tudo isso. Quando estamos além da mente, estamos além do tempo e além dessa noção de espaço, onde aparecem tanto os santos como os pecadores, tanto os saudáveis quanto os doentes. Qual é a Verdade sobre quem somos? É a Verdade de ser Consciência Pura. Então, o mundo é visto como uma aparição fenomênica, como um grande sonho, e não é mais um sonho pessoal. É exatamente nesse sonho pessoal que estamos vendo o mundo e interpretando o mundo através desse modelo de pensamento, que é o pensamento do “eu”, que é o pensamento egoico.

Sem esse modelo, o mundo, ou aquilo que vemos, que percebemos, é um grande sonho, e é só um sonho divino, um sonho de Deus, e, nele, tudo está absolutamente no lugar. É apenas o sentido de um “eu”, de uma identidade separada, que faz essas diferenciações, que se ocupa com essas interpretações. Nossa ênfase aqui, Gilson, é descobrirmos a Verdade do nosso Ser, de nossa Natureza Real, porque é Isso que lhe dá a visão desta vida segundo os olhos da Graça, segundo os olhos de Deus. Nesse olhar, não há separação, não há divisão. Então, toda essa ideia de pecadores e santos, saudáveis e doentes, e toda essa visão particular do mundo, baseada no pensamento, isso se desfaz, isso desaparece. Essa é a beleza do Despertar da Consciência, da Verdadeira Iluminação Espiritual: é que, nesse instante, o sentido ilusório de ser alguém desaparece da experiência. Então, aquilo que fica é o experimentar da Vida, dessa Vida nessa Beleza, nessa Totalidade. Sem o sentido de uma identidade, que é essa identidade do “eu”, tudo está no lugar. É o sentido de um “eu”, de uma identidade separada, que está criando situações e realizando coisas. E, nessa desordem – algo criado pelo próprio pensamento –, esse sentido de um “eu” está sofrendo, esse sentido de uma identidade ilusória está confuso, desorientado, perplexo.

São muito paradoxais estas falas nossas, porque, ao mesmo tempo em que estamos dizendo aqui para você que tudo está no lugar, quando você olha para o mundo, você vê uma tremenda balbúrdia, uma tremenda confusão. Há sofrimento, sim, em toda parte, porque essa é a condição do “eu”, essa é a condição do ego. Então, nesse sonho particular de uma identidade separada, o mundo continua sendo o que o ego tem projetado para ele ser, e, nesse mundo do ego, esse sonho de vida no “eu” – confusa, desorientada, perturbada, sofrida… Aqui, o paradoxal é isso: é descobrir a beleza de ser Pura Consciência e conseguir ver, em meio a todo esse caos, a essa confusão, desordem e sofrimento, a partir deste olhar. Nós não temos um olhar do Sábio, um olhar de um Ser Realizado, para perceber que tudo isso faz parte de um grande jogo divino, onde (nesse jogo) nós temos esses aspectos também de aparente confusão, de aparente sofrimento, de aparente abandono. O ser humano olha e diz: “O mundo está abandonado, Deus não está cuidando disso, porque olha como o mundo está”, e, na verdade, essa é uma condição do próprio “eu”, é uma visão particular do próprio ego. Tentar fazer uma conciliação é impossível. Aqui, o convite é: realize Aquilo que Você é e, a partir desse lugar, olhe para o mundo. Soa muito estranho isso, e não há como, Gilson, intelectualmente, conseguirmos fazer uma conciliação do que está sendo dito aqui, porque, intelectualmente, isso é totalmente contraditório na aparência. Por isso, precisamos ir além desse intelecto condicionado, ir além desse sentido de um “eu” separado, para uma visão fora da dualidade, fora dessa ilusão que o pensamento condicionado tem dado a cada um de nós. Então, isso se desfaz nesta Realização, e a Verdade de Deus é vista como Ela é.

GC: Como eu já comentei em vários videocasts nossos, essas falas do Mestre são revolucionárias, porque não tem como, no intelecto dual desse “pensamento e pensador”, pegar as palavras do Mestre e querer entender, querer encaixar, porque é totalmente fora de uma crença, é totalmente fora de uma visão de um “eu” presente; porque, como bem o Mestre falou, nesse “eu” presente, nessa ilusão de ser alguém, o mundo é uma balbúrdia, é uma chafurda. Agora, como é lindo e sem palavras quando – eu vou falar desse experimentar junto com o Mestre –, em Satsang, nesse com partilhar de Consciência que daqui a pouco, por essa Graça, esse olhar do Mestre se faz presente e a gente vê que, de fato, não existe pecador, não existe santo. E é algo que é sem palavras! Era muito forte aqui, Mestre, a ideia de alguém querendo ajudar o mundo, querendo melhorar isso, contribuir... É um conceito muito forte dentro de uma espiritualidade, mas que é uma completa ilusão de alguém vendo pessoas a serem ajudadas e querendo fazer alguma diferença.

MG: A nossa condição psicológica, nesse sentido de ser alguém, é ver o mundo a partir desse alguém que sentimos que somos. Veja como é bem interessante isso, Gilson. Nós não podemos negar esse sentido de ser alguém quando ele está aqui. Ele não pode ser intelectualmente negado, ele tem que ser, de uma forma direta, constatado. Constatar esse sentido de um “eu”, de uma identidade presente, desse “mim”, desse alguém, constatar isso diretamente, sem colocar identidade nessa experiência... apenas nesse constatar, essa ilusão desse “mim”, desse “alguém”, se desfaz. Mas é esse constatar que torna isso possível.

Não podemos, intelectualmente, falar daquilo que se mostra aqui como sendo esse “eu”, como se, de fato, ele não existisse. Ele existe e a sua finalidade é confusão, é desordem, é sofrimento, porque, no ego, a finalidade de ser alguém é se manter separado da vida, separado da existência, separado de Deus, e isso representa, naturalmente, confusão. Então, no ego, sim, nós somos inveja, medo, ciúme, confusão... todo tipo de luta está presente, todos esses estados internos de infelicidade estão presentes. No entanto, tudo isso está presente na ilusão desse senso de identidade egoica.

Então, é aqui que está o pecador, é aqui que está o doente, é aqui que está a ilusão da separação entre santos e profanos, entre saudáveis e doentes, é aqui que existe a ilusão de ser ajudado e de ajudar. Então, o ego vive dentro dessa condição. Nessa condição ilusória de separação, estamos vivendo as nossas práticas esotéricas, espiritualistas, seguindo religiões organizadas, estamos presos a estudos, a leitura de livros sagrados, a todo tipo de coisa, nessa confusão de ser alguém nesse mundo do “eu”. Essa é a condição da pessoa na procura de algo além disso, além desse peso, além desse sofrimento.

Então, a nossa colocação aqui é que, sim, é possível ir além disso, desde que você descubra a Verdade de sua Natureza Real, de sua Natureza Verdadeira – é quando esse sentido de dualidade desaparece. Quando ele desaparece, desaparece também essas assim chamadas práticas, essas assim chamadas crenças espiritualistas, políticas, religiosas, porque o seu Natural Estado de Ser-Consciência é Completude, é Amor, é Felicidade, está além dessa dualidade, está além desse mundo, desse corpo e dessa mente, está além, Gilson, dessa noção de tempo e espaço.

Percebam o que estamos colocando: estamos sinalizando aqui algo para você além da mente egoica e, naturalmente, além do próprio intelecto. Então, não dá para alcançarmos isso ao nível intelectual. Isso explica, Gilson, por que por mais que leiamos sobre isso, estudemos isso, por mais que estejamos ouvindo palestras e ensinamentos, tudo continua do mesmo jeito: porque o trabalho real não consiste em ouvir palestras, em ler livros, em fazer estudos, e sim em constatar, em nós mesmos, aqui e agora, diretamente, através desse Autoconhecimento, dessa percepção desse movimento do “eu”, tendo uma visão daquilo que eu tenho colocado aqui como Real Meditação, na prática, o fim para tudo isso.

Então, esta Realização é a Ciência do seu Ser se revelando agora aqui. Gilson, não é nem mesmo um resultado a ser alcançado, é uma Realização a ser constatada agora aqui. Eu sei que isso soa louco, soa estranho para esse modelo de intelecto condicionado que nós temos, condicionado religiosamente, filosoficamente, espiritualmente, politicamente e de todas as formas, mas é assim. Tem que haver um esvaziamento de tudo isso, tem que haver um fim para essa continuidade do “eu” e, portanto, dessa condição de identidade egoica, para que essa realidade fora desse tempo e, portanto, fora desse mundo, desse sonho do “eu”, se mostre.

GC: Mestre, dentro desse tema, eu queria que o Mestre falasse um pouco sobre o que se fala muito dentro dos meios espirituais, sobre missão de vida, sobre propósito de vida. E isso está atrelado exatamente ao que o Mestre acabou de falar: a um resultado.

MG: Na nossa ideia, em razão do condicionamento que recebemos já desde a infância, nós temos sempre a ideia do “vir a ser” – escute isso –, do “se tornar”, do “alcançar”, nessa coisa de se ampliar, de melhorar, de realizar propósitos. Todo esse movimento é um movimento no tempo. Na realidade, esse tempo só existe no pensamento. Não existe tal tempo! Do ponto de vista biológico, do ponto de vista histórico, nós temos o tempo: o tempo do calendário e o tempo do crescimento de uma planta até a idade adulta, o tempo de crescimento de uma criança até se tornar um adulto. Esse é o tempo, é o tempo do relógio, é o tempo cronológico, é o tempo do calendário. Esse tempo é razoável. Nós conhecemos esse tempo, e, nesse tempo, você realiza coisas. Você pega um terreno, faz um projeto, chama um engenheiro, idealiza uma casa e, depois de dois anos ou três, a casa está pronta, ou um pouco antes. Então, nesse sentido, o tempo é real, o tempo é fundamental, o tempo tem base.

Então, com base nesse princípio de tempo, nós estamos tentando aplicar aqui, no sentido dessa constatação da Realidade Divina, o mesmo princípio: “Hoje, Deus não está aqui, mas vou encontrá-Lo. Só que, hoje, Ele não está por aqui, eu vou encontrá-Lo amanhã”. Então, para nós, Deus é uma entidade que vive no tempo. Ele não está hoje, mas estará amanhã. “Eu não estou vivendo isso hoje, eu não vivo isso hoje, mas viverei isso amanhã”. Então, estamos tentando aplicar a mesma regra para algo fora do tempo. Deus não é uma realidade a ser alcançada no tempo.

Então, veja que interessante: nós acreditamos que o Amor será encontrado, a Felicidade será encontrada, a Paz será encontrada, e o pior: nós iremos realizar Isso. “Nós” quem? A ideia de um “eu” presente que está em conflito? Ele, em conflito, pode caminhar em direção à Paz? Ele, em sofrimento, pode caminhar em direção à Felicidade? Ele, em desordem emocional, pode caminhar em direção à Liberdade?

O que temos agora, aqui, é esse estado, que é o estado de ser o que somos nesse momento. Se o que somos nesse momento é tristeza, a gente não pode transformar a tristeza em alegria. Tristeza nunca se transforma em alegria, ódio nunca se transforma em amor. Ódio é ódio, amor é amor, tristeza é tristeza. Conflito não é paz, e paz não é conflito. Nós estamos tentando sair de um ponto para outro psicologicamente, emocionalmente, sentimentalmente, no entanto isso não é possível, porque isso pede tempo, e esse tempo não é real.

Não existe esse tempo psicológico, não existe esse tempo emocional, não existe esse tempo sentimental. Só existe o tempo do relógio, o tempo no calendário e o tempo da evolução de uma planta até a idade adulta, de um ser biológico evoluindo nesse tempo, que é o tempo cronológico. Mas, psicologicamente, Gilson, inveja é inveja, isso não muda; ciúme é ciúme, e isso não muda; raiva é raiva, e isso não muda. Carregados desse sentido de um “eu”, nós queremos ser diferentes de quem somos. Esse “eu” se projeta nesse “vir a ser”, nesse “se tornar”, no entanto isso nunca acontece. O “eu” sempre será um “eu”, esse ego sempre será um ego, essa tristeza sempre será tristeza.

A Realidade do seu Ser não está no tempo, mas aquilo que se mostra como sendo você aqui, nessa ideia de ser alguém, é a condição psicológica de um tempo que o pensamento tem criado. Esse tempo que o pensamento tem criado está sustentando você nessa condição de medo, inveja, ciúme, e qualquer movimento que você faça, nesse estado, é só a continuidade desse estado.

Não há qualquer movimento real ocorrendo; é a ilusão desse tempo psicológico. É nele que estamos depositando nossa confiança, acreditando que um dia seremos diferentes: “Hoje não sou feliz, mas amanhã serei feliz. Hoje não tenho paz, mas amanhã terei paz.” E, assim, nós projetamos um ideal de paz com base em conquistas, em realizações, em projetos materiais, emocionais, em projetos físicos, em projetos sentimentais sendo realizados. Isso tudo é um movimento, que é um movimento do próprio “eu”, do próprio “ego”, para se tornar, para conseguir, para realizar algo.

A Verdade sobre Você é que Aquilo que é Você não está no tempo e Aquilo que é Você está completo. É o sentido de um “eu” presente nessa ilusão de um tempo, que ele mesmo está criando – formalizando essa ideia de passado, presente e futuro –, que está nessa ansiedade, nessa busca, nessa procura e em toda essa confusão! A Verdade d'Aquilo que Somos não está no tempo, nesse psicológico tempo que o pensamento tem criado, que ele chama de “futuro”, onde um dia alcançará, um dia realizará, um dia chegará.

Não sei se faz sentido isso para você, mas examine isso de perto, observe em si mesmo e você irá perceber o que estamos colocando. Não existe esse tempo! Esse é um ilusório tempo que o “eu” tem criado, que o “eu” tem sustentado; essa é a ilusão da egoidentidade, que acredita que veio do passado, está aqui agora, no presente, e caminha para o futuro. Tudo isso está nesse tempo psicológico, que é a pura imaginação do “eu”, do ego, nessa ilusória transformação que ele procura. Isso tem que desaparecer! Apenas quando isso termina, a Verdade que está fora desse tempo, que é Amor, que é Paz, que é Completude, que é Deus, se mostra.

GC: Mestre, eu acho extraordinário esse apontar do Mestre, porque o Mestre destrói com toda ideia, com toda crença, com todo conceito. Dentro de uma busca espiritual, dessa ilusão de ser alguém, na religião... daqui a pouco a gente está numa vida material, com conceitos materiais, daqui a pouco vai para uma ideia religiosa ou dentro de uma espiritualidade mais aberta, digamos assim, mas sempre muda de uma crença para outra crença, para outra crença... E sempre, bem como o Mestre falou, sempre no “vir a ser”. Dentro de um conceito espiritual, a gente quer ser melhor, a gente quer ser mais espiritual, ajudar o mundo, e o Mestre simplesmente acaba com todo esse tipo de ideia, com todo esse tipo de crença. E é algo que é aterrador para o ego, porque está exatamente fundamentado nisso, né, Mestre?

O sentido de ser alguém, Gilson, está numa base falsa. Você se vê como alguém porque você acredita no que o pensamento diz sobre quem você é. Todas as ideias que você faz sobre você estão assentadas em memórias, em lembranças, para uma suposta identidade que o pensamento diz que está aqui, que não é feliz hoje, mas será feliz amanhã, que cometeu erros no passado, que está tentando melhorar agora para não cometer novos erros, para amanhã ser uma pessoa melhor, uma pessoa virtuosa.

O que eu estou dizendo, Gilson, é que, por mais que realmente você melhore como pessoa e realize projetos, sonhos, por mais que você caminhe para esse assim chamado “futuro” idealizado pelo pensamento, você continuará sendo a mesma pessoa. Talvez, com um pouco mais de conforto, um pouco menos estressada, mas, internamente, o sentido de separação entre você e a vida, entre você e Deus, continuará presente, e, se isso continua presente, a ilusão continua presente. E nós só terminamos com isso, Gilson, quando o sentido desse tempo psicológico, que é onde esse “eu” vive, desaparece juntamente com ele.

Então, na verdade, precisamos ser verdadeiramente radicais no que diz respeito à Verdade. Não há meio-termo aqui: ou há Verdade, ou há ilusão. E o sentido de um “eu” presente, por mais espiritual, por mais justo, por mais bondoso, por mais feliz que ele pareça ser, ele ainda é, internamente, o que ele é: a ilusão do sentido de uma identidade presente na experiência, e, portanto, isso é sofrimento, isso é a ausência da Realidade do Ser. Isso é um fato! E, se isso não desaparece, a ilusão continua.

Então, não há meio-termo aqui: ou temos a Realidade, que está fora do “eu”, que está fora do tempo, que está fora do mundo, que está fora dessa noção de “vir a ser”, de “se tornar”, e que é, simplesmente é, ou estamos dentro dessa coisa toda. Ou ficamos livres da ilusão, desse senso de uma entidade separada no tempo, vivendo no espaço, e nessa ânsia e nessa procura sempre por alguma coisa... porque essa insatisfação presente está presente em todos. Não importa a condição social, não importa o que alguém já realizou na vida, se ele não realiza o seu Ser, não há Felicidade, não há Completude, não há Paz Real. Nós temos esses momentos de paz que conhecemos, esses momentos de satisfação, de prazer, esse assim chamado “amor”, mas qual é o resultado disso a curto, médio e longo prazo? Isso logo se mostra como mais um engodo, mais uma ilusão, porque o que está presente é o sentido egoico.

O trabalho sobre si mesmo é o fim disso. O reconhecimento dessa ilusão é o fim dessa ilusão. Então, temos presente Aquilo que já é, aqui e agora. Nesse sentido, não há o que evoluir, não há o que crescer, não há onde chegar, não há para onde ir. A Verdade – essa é uma maravilhosa notícia – já está agora e aqui. Deus não chegará amanhã, a Felicidade não é para amanhã, a Paz não é para amanhã, o Despertar não é para amanhã. Esse amanhã só existe psicologicamente, no pensamento. Nós só temos o amanhã do calendário, mas o amanhã do calendário não altera nada em nossas vidas. Daqui a vinte anos, se esse sentido egoico estiver presente, o sofrimento estará presente, a ignorância estará presente, a ausência da Verdade de Deus estará presente. Não importa daqui a vinte anos, daqui a quarenta anos. Compreendem isso?

O seu trabalho é constatar a Realidade agora e se tornar ciente disso. Você nasceu para descobrir que nunca nasceu, que esse sonho é um sonho de Deus. Esse sentido de um “eu” presente aí, que é o ego, interferindo, só está criando confusão. Ouviu, Gilson? (risos) É simplesmente assim. Vamos largar isso.

GC: Gratidão, gratidão, Mestre. Já deu o nosso tempo. Mais uma vez, muito obrigado por mais este videocast. E, pessoal que está acompanhando o vídeo: deixe o seu “like”, faça um comentário... isso ajuda o YouTube a reconhecer que o conteúdo é relevante e distribuir para mais pessoas, e também fica o convite para assistir à playlist com todos os videocasts. E para quem sentir o que está além das palavras, ao olhar nos olhos do Mestre, fica o convite para estar em Satsang, que são os encontros intensivos de final de semana, tanto encontros on-line, quanto encontros presenciais, inclusive retiros.

Gratidão, Mestre, por mais um videocast.

MG: Ok, até a próxima. A gente se vê.

Agosto de 2023
Gravatá-PE
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terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Despertar da Real Consciência | Condicionamento psicológico | Atenção Plena | Uma Nova Consciência

Não parece que compreendemos, ainda, muito bem o que significa uma ação na vida, uma Real ação. Para nós, a ação, necessariamente, requer a presença da luta e do esforço. Assim, não parece que nós compreendemos, ainda, claramente que a vida se torna possível completamente livre de luta, livre de esforço.

Observe que todos os momentos da sua vida onde havia esse perfume de alegria, leveza, harmonia, quietude, silêncio, paz, eram momentos que estavam acontecendo de uma forma natural. Quando eu digo natural é exatamente isso que eu quero dizer, livre da artificialidade desse movimento, que ainda é o movimento do “eu”, do ego, que é o movimento do esforço e da luta. Não há luta, não há esforço quando temos a presença da Realidade, esse é o perfume da Verdade de Deus.

O nosso objetivo na vida é encontrar a Paz, a Felicidade, o Amor. Temos um momento de Silêncio, de Quietude, de Alegria, de ausência de conflito, e nesse momento fica claro a presença desse perfume, o perfume da Realidade de Deus. O problema aqui surge porque nós queremos encontrar isso, então nós temos propósitos, objetivos, sonhos, ideais.

E aqui eu quero lhe dizer algo, que você mesmo já sabe porque já viveu, só que esqueceu disso: esses momentos surgiram na sua vida sem busca. O momento de alegria surge, mas isso não é o resultado de uma busca, de um esforço e de uma luta; o momento de Quietude, de Silêncio, de Paz, onde temos a fragrância do Amor, da Alegria, tudo isso vem sem esforço, sem luta. Quando isso está presente, o sentido desse “mim”, desse “eu” não está, então é assim que temos que aprender a lidar com a vida.

A dificuldade aqui é que esse sentido de um “eu” presente se vê separado da vida. Já que esse sentido de um “eu” presente é um movimento, dentro de cada um de nós, de um pensador cheio de pensamentos de como as coisas deveriam ser, nós estamos sempre rechaçando, tentando nos livrar, tentando anular aquilo que está aqui para encontrar isso que deveria ser. Então, vivemos sempre nesses projetos de idealizações criadas e sustentadas pelo “eu”, que é esse pensador, que é esse que está carregado de pensamentos, de ideias, de conclusões, de avaliações, de crenças.

Nós estamos sempre com uma ilusão presente: a ilusão de que a nossa vida não é como deveria ser. Nós temos a ideia do que deveria ser, então, anulamos aquilo que É por uma ideia do que deveria ser, e nos lançamos nessa busca, nessa procura. Para a maioria de nós, o que deveria ser pode vir a ser um dia se, através do esforço, da luta, do trabalho árduo, alcançarmos. Então, há sempre essa projeção do “eu”, do ego, no futuro, nesse ideal. Isso é parte de todo esse treinamento que recebemos, dessa forma de sentir, de pensar e agir que nós temos. Assim, esse condicionamento da mente, esse condicionamento psicológico está norteando nossa vida dessa forma, nesse modelo. Estudar a nós próprios significa que estamos nos tornando cientes de quem somos. Nós não conhecemos a nós mesmos.

Ao nascermos, nós não recebemos um manual de vida; nós recebemos um legado sobre como viver. Então, o único manual que nós recebemos é o legado da história, da cultura, da sociedade, da humanidade, e nós estamos vivendo dentro desse legado, dentro dessa herança. Nossa vida é tão invejosa, tão ambiciosa, tão ansiosa, tão preocupada, tão aflitiva, tão conflituosa, tão carregada de medo, de desejos e contradições como foram as vidas dos nossos antepassados. Nossas vidas são como a vida deles e dos que chegaram aqui antes deles. Então, nós somos a história da humanidade. Esse é o legado.

Assim, nossas ações são ações que estão assentadas no tempo. O tempo é o passado. Não há tempo sem o passado, sem a ideia de presente, sem a ideia do futuro. Não há história sem passado. Então, o passado se mostra agora como o presente, e irá se mostrar amanhã como o futuro, mas ainda continua sendo o passado. É assim que nós temos vivido, é assim que nós estamos vivendo, foi assim que eles viveram. Esse é o retrato da humanidade.

Então, psicologicamente, nós somos toda a humanidade, todo o ser humano que já pisou nesse planeta, a nossa condição psicológica é a mesma. Psicologicamente falando, nós somos como os homens que estavam aqui há dez mil anos atrás, há cinco mil anos atrás, há dois mil anos atrás. A violência, o medo, o sofrimento, a ignorância, a não compreensão da Verdade sobre quem nós somos aqui, nesse instante, isso também estava com eles ontem ou há dezenas ou centenas de anos atrás.

Nós estamos aqui trabalhando com você o fim da ilusão dessa condição de consciência humana. É isso que nós temos chamado aqui de consciência humana, a consciência do “eu”, toda essa herança psicológica de ser alguém que caminha nesse esforço, nessa luta, nessa tentativa de deixar de ser para Ser. É possível que nós vivenciemos melhoras, que passemos por mudanças, por transformações. Já passamos por algumas transformações ao longo dos séculos, mas são mudanças e transformações no âmbito da ciência, da matemática, da física, da química, no âmbito tecnológico, no entanto, internamente continuamos os mesmos.

Temos vivido em sofrimento, dando continuidade ao sofrimento, porque não resolvemos isso aqui, porque nós não nos conhecemos. Então, há todo esse movimento de luta para nos tornarmos alguém diferente de quem somos. Mas aqui estamos dizendo para você que nós não precisamos ser diferentes de quem somos, nós só precisamos tomar ciência da Verdade de quem somos, disso que demonstramos ser, porque isso que demonstramos ser é a verdade aparente daquilo que somos.

Tomar ciência desse modelo de identidade egoica, de cultura humana, indo além desse sentido do “eu”, do ego, indo além dessa condição de consciência humana para uma nova Consciência, para o Despertar da Vida Real – não dessa condição de ilusória identidade nesse “eu fui”, “eu sou” e “eu serei”. “Não estou feliz com o que sou, nunca estive feliz com o que eu fui, mas um dia serei feliz com o que serei, com aquilo que irei me tornar”, isso tudo está dentro de uma formulação ideológica, algo sustentado por um conjunto de conclusões e crenças, algo firmado pelo pensamento. Pensamento esse que, por sinal, é tudo aquilo que ainda é parte daquilo que vem do passado e, portanto, isso não pode ser real, é apenas mais uma fantasia do pensamento – essa ideia de vir a ser, de se tornar, de alcançar.

Toda a forma de autoaperfeiçoamento, de aprimoramento pessoal, de aperfeiçoamento pessoal, tudo isso ainda faz parte de uma educação ou de um condicionamento velho, é só um ajustamento do velho. Então, nós não temos algo novo quando há uma transformação nesse nível, porque é só um ajustamento. Nós precisamos de algo radical, precisamos do fim do “eu”, do fim do ego, do fim desse senso de separação e, portanto, dessa particular vida nesse princípio de dualidade, onde existe esse “eu e a vida”, “eu e o outro”, “eu e o mundo”, “eu e a cultura humana”, “eu a consciência humana”. Na realidade, “eu a consciência humana” é uma coisa só, “eu e a humanidade” é uma coisa só, “eu e essa – assim chamada – vida”, como o pensamento idealiza, é uma coisa só. É necessário ir além dessa condição de dualidade, de ilusão, de separação.

É isso que estamos propondo aqui para você, uma aproximação da Verdade do Autoconhecimento e da Realização do seu Ser pela Verdade da Real Meditação de uma forma prática. Nós temos uma playlist no nosso canal do Youtube (Mestre Gualberto) esclarecendo o que significa isso, como trabalhar isso, como tornar isso algo real na sua vida nesse momento, para que essa, assim chamada, “minha vida” seja compreendida.

Nesse Real contexto, essa particular vida é uma fraude. Tudo o que temos presente é a Realidade Divina, é a Realidade de Deus, é a Realidade da Verdade, é a Realidade d’Aquilo que está fora do conhecido, e essa dimensão livre do tempo psicológico, que é esse modelo de pensamento, de cultura, de história humana e de vida egoica como nós conhecemos, isso desaparece para essa Real Vida livre desse sentido de dualidade, de separação. Então nós temos a Verdade daquilo que somos quando o sentido desse “eu” que parecemos ser, que demonstramos ser, que é toda essa herança de consciência humana, não está mais presente.

Assim, ter uma aproximação da Verdade do seu Ser é ter uma aproximação da Verdade de quem é o outro, do que é a vida. Isso é o fim dessa condição psicológica de pensar, sentir, agir nesse modelo, nessa inconsciência, nesse programa de insatisfação com aquilo que aqui está, projetando um vir a ser, um se tornar diferente disso. Tomando ciência da Realidade daquilo que É, daquilo que está aqui, é possível o fim para isso.

A compreensão do que É requer uma investigação, um estudar a si mesmo, um compreender a si próprio, um compreender desse movimento, que é o movimento da separação, da dualidade, que é o movimento do “eu". Então, a visão daquilo que É é a compreensão, e quando há essa compreensão, isso que É passa por uma radical, profunda e verdadeira transformação. Não uma parcial mudança superficial como, em geral, o ego se propõe a fazer através de alguma técnica, através de alguma autodisciplina, através de alguma prática, assim chamada, “espiritual". Estamos falando de outra coisa aqui.

Estamos falando dessa ciência do próprio movimento do “eu”. Isso está presente quando há essa Atenção Plena sobre todo esse movimento. Essa Plena Atenção do movimento do “eu” é a ciência daquilo que É agora e aqui. Quando não há essa separação para tentar mudar, alterar ou fazer algo com aquilo que É, quando não há mais esse movimento do futuro, que é só um movimento de projeção do próprio pensamento nessa ideia de um tempo psicológico, se isso não está mais presente, aquilo que É sofre uma radical e profunda alteração. É quando isso se desfaz, então temos a Revelação de Algo novo, fora do tempo, fora do conhecido, fora do “eu”, fora do ego, fora dessa história da consciência humana.

Esse é o Despertar do seu Ser, é o Despertar dessa nova Consciência. Essa nova Consciência é, na realidade, o Despertar da Real Consciência. Nós usamos a expressão “nova Consciência” como sinônimo de Real Consciência. A única Realidade Divina é a Realidade dessa Consciência. Quando essa Consciência está, não existe mais o sentido de um “eu” que se separa do outro, da vida, que carrega todo esse movimento de infelicidade, de inquietude e sofrimento. Então temos a Revelação da Felicidade, do Amor, da Liberdade. Eu tenho chamado isso aqui de o Despertar da Inteligência, é o Despertar desse Ser, dessa Verdade Divina.

Janeiro de 2024
Gravatá/PE
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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Tempo psicológico | A visão do Autoconhecimento | A natureza do pensamento | Autoconhecimento

O que, na verdade, nós estamos procurando: a felicidade ou a satisfação? Parece que a maioria de nós não tem a menor ideia do que a felicidade, de verdade, representa. Nós temos uma projeção, nós temos uma ideação, nós temos uma imaginação a respeito dessa coisa misteriosa chamada felicidade. Eu digo “coisa misteriosa” porque nós não estamos lidando com algo que o pensamento consiga esclarecer, ter uma ideia, uma noção da verdade do que isso representa. Tudo que nós temos feito é idealizar, é pensar a respeito, é imaginar alguma satisfação que nos dê essa coisa chamada felicidade. Assim, qual será a verdade desse encontro? Qual será a verdade dessa constatação?

Primeiro, antes de tudo, vamos ver uma coisa aqui. É possível encontrar a felicidade? É possível encontrar essa “coisa misteriosa” ou o que nós podemos encontrar é apenas satisfação? Ao longo das nossas vidas, nós temos encontrado muitos momentos de satisfação. Em algum nível de preenchimento e realização, nós nos deparamos temporariamente satisfeitos; logo depois essa satisfação desaparece. Mas o ser humano está projetando, idealizando, imaginando uma satisfação que seja permanente, e nós estamos dando nome a esse nível de satisfação de “felicidade”. E aqui estamos dizendo para você que isso não é encontrável. Você não pode encontrar uma satisfação que seja permanente, muito menos pode se deparar com esse encontro com a felicidade, uma vez que fique claro o que a Felicidade, de verdade, significa.

Felicidade é aquilo que está presente agora, aqui. Não é algo dentro do tempo e, portanto, não é algo que você encontra numa busca, numa procura. No entanto, essa Felicidade está presente quando o sentido desse "eu" não está mais. Então, nessa procura ou nessa busca nós não estamos investigando a natureza daquele que busca, daquele que procura. Então, nesse pensamento sobre a felicidade nós não estamos investigando a natureza desse pensador. O pensamento da felicidade, será que isso é algo que se separa desse que pensa, que é o pensador? Há uma separação entre o pensador e o pensamento? Há uma separação entre esse que busca e aquilo que ele idealiza como seu propósito para ser encontrado?

Então, notem, nós não temos uma visão da Verdade sobre nós mesmos. Nós desconhecemos quem somos, desconhecemos esse que busca, desconhecemos esse que pensa, não compreendemos a natureza do pensamento, a estrutura desse pensador. Não conhecemos a natureza daquilo que está sendo procurado ou buscado, que damos o nome de felicidade, e que, na verdade, é a busca da satisfação permanente, que nós estamos dando o nome de felicidade, e não compreendemos a estrutura desse buscador.

Então, o nosso momento aqui é um momento de investigação da Verdade, daquilo que se passa agora, aqui, dentro de cada um de nós. Tomar ciência desse buscador, tomar ciência desse pensador, compreendendo a estrutura desse pensador, desse buscador, compreendendo a natureza desse pensamento, a natureza dessa, assim chamada, “felicidade” para esse "eu", para esse “mim”, é o que estamos fazendo agora, aqui.

Ter uma aproximação de si mesmo, percebendo que esse pensamento está presente em razão desse pensador, e que essa busca está presente em razão daquele que busca, tomando ciência que não há qualquer separação entre a busca e o buscador, entre o pensamento e o pensador, isso nos coloca numa posição nova, aqui, nesse instante. Agora não há mais esse movimento de busca, não há mais esse movimento de pensamento. E quando isso termina, porque ao olharmos para aquilo que está aqui presente nos tornamos cientes dessa divisão, dessa separação, a ciência disso é o fim dessa separação, é o fim dessa divisão entre pensamento e pensador, entre esse buscador e aquilo que ele está buscando. Quando isso ocorre aqui, nesse instante, se revela a visão do Autoconhecimento.

Então, o Autoconhecimento é a única coisa que se faz necessária nesse momento para a compreensão da Verdade de onde se encontra a Felicidade, de onde se encontra a Verdade, de onde Deus se encontra. A Verdade da Felicidade, a Verdade de Deus, a Verdade sobre isso está na constatação de que esse sentido desse "eu", desse “mim”, desse que é o próprio buscador, que é o próprio pensador, o descarte desse sentido do “eu” – notem que coisa importante temos aqui – é o descarte desse movimento que é o movimento do tempo.

O pensador é algo que vem do passado. Observe isso em você: todo pensamento em você é o pensamento que está presente em razão desse pensador. Então, o pensador está produzindo pensamentos – ao menos essa é a ideia que fazemos a respeito de quem nós somos: nós somos o pensador produzindo pensamentos. A realidade sobre isso, a verdade disso é que esse pensamento, que é o "eu", é o próprio pensador. Se não houvesse pensamento agora, se mostrando nesse instante, não haveria qualquer pensador.

Observe isso: quando não há pensamento, não há pensador. Então, o pensamento surge em razão do pensador presente, e o pensador surge em razão do pensamento presente, e eles aparecem nesse instante em razão do passado. Essa é a verdade sobre o "eu", sobre o “mim”, sobre o pensador. Ele é o resultado do passado. Então, é o sentido de “alguém” presente, que vem do passado; esse passado é o movimento do tempo, da experiência guardada, da experiência adquirida. Então, a memória é pensamento. Esse pensamento é o pensador, e isso é o passado. Quando o sentido do “eu” é eliminado, o movimento do passado, que é tempo, desaparece.

Então, a vida é algo que se revela agora, aqui, sempre nesse instante, sem qualquer necessidade de um experimentador que vem do passado, que é um pensador que vem do passado, que é esse “eu” que vem do passado para estar presente nesse instante. Podemos viver uma vida livre desse “eu” e, portanto, desse pensador, desse que guarda essas lembranças, desse que é o próprio movimento do pensamento, que é o próprio pensamento em movimento? Podemos aqui, nesse instante, ter a Revelação da Vida como ela se mostra sem esse sentido de um “eu” presente?

Então, percebam a beleza disso, nós temos o fim para o pensador; e se não há esse pensador, porque o tempo não está presente, não há mais esse movimento do buscador, então essa ideia da felicidade se desfaz, porque esse buscador também não está mais presente. Então, com o que nos deparamos agora? Nos deparamos com a Vida, a Vida como ela, nesse instante, se Revela: sem o tempo, sem esse passado, sem esse “mim”, sem esse pensador, sem esse buscador. Então, nesse instante, a Realidade, que é Deus, se Revela. Veja, não é algo encontrável. É uma Realidade constatável nesse instante. Essa constatação está nesse perceber; perceber a Vida sem o percebedor, sentir a Vida sem esse elemento que é o "eu" nesse sentir.

Então, nós não precisamos desse pensamento, desse movimento de pensamento que vem do passado, que vem da memória, resultado da experiência, algo que deu formação a esse “mim”, algo que sustenta e estabelece esse pensador. Todo movimento do ego é um movimento de continuidade. Para o ego se manter, ele precisa da continuidade, e a continuidade desse ego está na presença desse pensador, e essa continuidade é estabelecida pelo próprio pensamento. Assim sendo, é o pensamento, em sua continuidade de memória, que estabelece sempre a presença desse "eu" nesse instante como sendo uma identidade real, como sendo uma identidade verdadeira, como tendo uma vida própria, pessoal, particular.

Então, aqui nós estamos lhe mostrando como esse "eu", como esse ego, que é o pensador, se sustenta, se mantém. Ele se mantém exatamente nessa busca. Nessa insatisfação, ele carrega essa busca, a busca de uma satisfação permanente naquilo que ele chama de “felicidade”, que ele chama também de “paz”, de “amor”. Ele carrega esse movimento, também, de pensamento para produzir essas imagens, que são os símbolos que esse "eu" tem do que felicidade, amor, paz representam.

Nesse momento estamos eliminando esse elemento, que é o elemento do tempo. Então, nós temos o fim para o tempo. Se temos o fim para o passado, nós temos o fim para o futuro. É muito claro isso, é sempre o passado que se projeta, então, o futuro ainda é o passado se projetando. Esse é o movimento do próprio pensamento para sustentar esse "eu" em sua continuidade. Então, nós temos aqui o fim para o pensamento psicológico, que é esse pensamento de memória egocêntrica, de identidade egocêntrica, de identidade do "eu". Esse é o tempo que nós temos chamado de tempo psicológico, o tempo sustentado por essa identidade, que é o pensador, que para se manter está sempre sustentando o futuro com base no passado.

Então, o que é esse "eu"? O que é o ego? O que é esse pensador? Quem é esse que está presente sendo o experimentador, aquele que está transformando esse momento presente em algo para ele, pessoal? Que está olhando para esse momento presente e vendo nesse momento presente apenas uma oportunidade de novo e de novo e de novo se projetar no futuro, se projetar para o futuro?

Então, a compreensão do sentido do "eu", a compreensão do sentido do ego, desse ilusório estado de identidade de “alguém” presente, o fim disso é o início de algo desconhecido, que é a Realidade Divina, que é a Realidade de Deus. Essa Realidade é a Felicidade, é Aquilo que está presente agora, aqui quando esse tempo psicológico não está, quando o sentido do “eu”, do ego, não está.

Aqui nesse trabalho, nós estamos explorando esse assunto com você, tomando ciência dessa Verdade, que é a Verdade Divina, Algo que está presente agora. É agora, aqui. A Realidade de Deus é a Verdade do Amor, é a Revelação da Felicidade. Então a Vida se Revela com um experimentar livre do “eu”, do ego, livre desse movimento de psicológico tempo que o pensamento está sustentando, tem sustentado.

Janeiro de 2024
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terça-feira, 30 de janeiro de 2024

A Observação sem o observador. Como me livrar do sofrimento? A beleza da Atenção Plena. Dualidade.

Existe algo que nós precisamos ver aqui juntos. O ser humano não está à procura da Verdade, ele está numa procura para o fim dessa velha condição em que ele se encontra. O que nós temos percebido é que as pessoas nos procuram para lamentar, se queixar, olhar para a dor que estão sentindo e dela querendo se livrar.

As pessoas não nos procuram para investigar a Verdade, e isso se explica de uma forma muito simples: nós desconhecemos a Verdade sobre quem nós somos. Nós desconhecemos essa estrutura e natureza desse “eu”. A ilusão, a ignorância, a não compreensão disso nos coloca numa condição onde não temos qualquer anelo pela Verdade. Tudo o que queremos é nos livrar da dor, e aqui nós nos deparamos já com a primeira dificuldade.

Não podemos nos livrar da dor querendo nos livrar da dor. Querer se livrar da dor não é suficiente para se livrar da dor. É necessário ter a compreensão do que essa dor representa. Não é o entendimento verbal, não é uma compreensão intelectual. A compreensão intelectual é um entendimento verbal; você entende se analisa. Mas aqui analisar não resolve, ter um entendimento intelectual do assunto não resolve.

É necessário ter um constatar direto, um perceber direto, um olhar direto para essa questão da dor; é quando percebemos o elemento de dualidade presente dentro da experiência da dor, esse elemento que sustenta essa dualidade. E aqui a dualidade é esse “eu e a dor”, esse “mim e essa situação que surge, que se mostra”.

A ciência nesse olhar para a dor lhe mostra essa dualidade. Esse elemento em dualidade é o “eu”, é o ego, é ele que se separa daquilo que se mostra aqui, daquilo que está agora, aqui. Ele se separa querendo se livrar, fazer algo, querendo eliminar essa dor, não compreendendo claramente que essa dor está sustentada exatamente porque esse “eu”, esse ego está presente. Não há qualquer separação entre aquele que está na dor da própria dor.

Então, essa primeira dificuldade é a crucial dificuldade, a mais relevante dificuldade que nós temos. Por não compreendermos a nós mesmos, por nunca termos estudado a nós próprios, nunca entramos em contato direto com esse “eu”. Nós estamos sempre olhando para a experiência a partir do “eu”, mas nunca investigamos a natureza do “eu”, que é esse que está observando a experiência, então há essa separação.

Por exemplo, quando você está triste, você nunca suspeita que não há qualquer separação entre você e a tristeza, mas, repare, é tão simples: não pode haver tristeza sem alguém triste. Notem que coisa interessante temos aqui. Você nunca viveu uma tristeza sem estar presente, você não pode ter uma lembrança sem estar presente, você não pode ter uma alegria sem estar presente. Então, não há separação entre você e a alegria, você e a lembrança, você e a dor, você e essa tristeza. Não há qualquer separação. Nós temos sempre dois elementos, sendo dois elementos que estão ilusoriamente separados, supostamente separados, porque o que temos é uma experiência.

A Real aproximação da Verdade requer uma aproximação que lhe mostre que não há qualquer separação. Portanto, essa dualidade está sendo a base para a desordem, para a confusão, para o sofrimento, e isso está presente em razão da ignorância, da ilusão. Então, nós não temos uma inclinação para descobrir a Verdade e, sim, para nos livrarmos do sofrimento.

No entanto, repare bem claramente isso aqui: não podemos nos livrar do sofrimento, porque você é o sofrimento. Não podemos nos livrar da angústia, do medo, da ansiedade, da depressão, porque não há separação entre esse deprimido e a depressão, entre a angústia e esse angustiado, assim como não há separação entre essa tristeza e esse que está triste.

A compreensão disso é o contato com a Verdade. O contato com a Verdade liberta. A Verdade é a ciência daquilo que está agora, aqui. A ciência disso que está agora, aqui é a ciência do que É, do que se mostra, do que está presente. Então, o sentido do “eu”, do ego, desse “mim” nunca está separado de sua experiência e, no entanto, ele está o tempo inteiro se separando de sua experiência. É fascinante essa descoberta. Ele se separa da experiência querendo se livrar.

Como vencer a depressão? Como vencer o medo? Como me livrar do sofrimento? São as perguntas, mas, reparem: a separação está presente, e se essa separação está presente, está presente a ignorância, a ilusão, está presente a dualidade, então, não há Verdade, não há compreensão, não há um contato direto com a experiência. O que temos presente é esse modelo de separação, de dualidade. Então, porque não há Verdade, não há Libertação e nós não temos o fim para essa condição, que é a experiência.

Vejam como é simples isso; ao mesmo tempo, é muito novo para a maioria de nós ouvir algo assim. Você não pode se libertar, você pode tomar ciência do experimentador na experiência, e essa ciência do experimentador na experiência é o fim para esse experimentador, isso é o fim para essa experiência. Então há uma Libertação, mas não é o “eu” se libertando, é só uma Libertação acontecendo. A Libertação está presente quando o “eu” não está, quando a experiência não está.

Quando não há mais essa separação, quando o experimentador é a coisa experimentada, quando o pensamento depressivo é o próprio deprimido, quando essa separação desaparece, quando há só uma Realidade presente, que é a experiência, o que ocorre? Quando não há resistência, quando não há luta, quando não há o desejo de modificar, de alterar, de se livrar, nós temos nesse momento a ausência da separação, da dualidade, e quando a dualidade termina, a experiência passa por uma radical transformação, porque não há mais o elemento experimentador.

Diante de um pensamento, não coloque o pensador, aquele que quer se livrar, ajustar, modificar, agarrar, se envolver com o pensamento. Então, quando não há mais o elemento de separação, não temos mais a dualidade, então, nesse instante estamos diante do que É. O que É é a presença da Vida, é a presença da experiência sem o experimentador, então nesse experimentar está a Vida, está o que É. Nesse momento ocorre Algo fora do conhecido, Algo fora dessa dualidade. Essa dualidade, vou repetir, é resistência, é luta, é o desejo de se livrar, de fazer algo com aquilo que aqui está presente.

O que estamos relatando para você aqui é o contato com o Autoconhecimento. Esse Autoconhecimento é, simultaneamente, a presença da Meditação, do contato Real da Meditação, da Real Meditação presente. Então, estamos diante do fim, de verdade, para o sofrimento quando há o fim para esse sofredor; estamos em contato direto com toda essa representação que vem do passado, que diante desse momento, que é o momento da experiência, esse passado está sendo visto, porque estamos diante da pura observação sem o observador. Notem que isso requer a presença de uma Atenção sobre todo o movimento do sentimento, da emoção, do pensamento, da percepção.

A direta Atenção sobre esse movimento é o fim para essa dualidade, isso é o fim do “eu” e de sua experiência. É o fim para o medroso e o medo, para o sofredor e o sofrimento, para aquele que está triste e a sua tristeza, é o fim para o pensador e o pensamento. Investigar isso, olhar isso, tomar ciência disso é possível quando há esse “olhar” para todo esse movimento interno dentro de você. Um olhar que requer a presença dessa Atenção sem qualquer escolha, sem qualquer desejo, sem qualquer motivo, sem qualquer intenção.

Estamos lhe mostrando aqui o fim para a ansiedade, para a depressão, o fim para a angústia, o fim para o medo, o fim para a contradição dos desejos. Observe que tudo isso produz muito sofrimento. Onde há contradição entre os desejos, quando eles se opõem, quando há esse conflito de contradição interna dentro de cada um de nós em razão dessa dualidade, nós temos o sofrimento. Estamos lhe dizendo que o fim do sofrimento é possível, o fim da depressão é possível, o fim da ansiedade é possível, o fim da angústia é possível.

Tomar ciência de todo o movimento do “eu”, do ego, apenas colocar ciência nisso, sem se separar, sem se dividir pela intenção, pela motivação, pelo julgamento, pela vontade de fazer algo. Apenas constatar isso. Constatar a experiência, tomando ciência desse movimento que vem do passado para julgar, comparar, avaliar, rejeitar, querer fazer algo com isso.

Tomar ciência disso é o fim dessa separação, é o fim dessa dualidade. Isso requer essa presença dessa Atenção Plena. A beleza da Atenção Plena, a Verdade da Atenção Plena é que nela não está presente o elemento “eu”, o “mim”, o ego, aquele que quer manter a continuidade da experiência e aquele que também quer se livrar da experiência, que é o experimentador.

Então, o nosso propósito aqui nesses encontros é tomarmos ciência da Verdade, porque a Verdade liberta. A Verdade traz essa Liberdade; é a Liberdade da ausência do “eu”, da ausência do ego.

Janeiro de 2024
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quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Quem é Deus? Onde está a felicidade? A realidade da consciência do eu. Condicionamento psicológico.

É comum a pergunta: “Onde está a felicidade?” Uma outra pergunta é: “Quem é Deus?” Uma outra pergunta é: “Quem sou eu?” Então, reparem que coisa interessante: “Onde está a felicidade”, “Quem é Deus” e “Quem sou eu” parece que são perguntas diferentes. Na verdade, a resposta é a mesma; você tem a mesma resposta para essas perguntas, aparentemente, diferentes.

É muito interessante a questão da linguagem. É bem interessante a questão da fala e das palavras. Você sabe que nós temos palavras que são sinônimas, elas carregam o mesmo significado. E existem palavras que não são sinônimas e, curiosamente, trazem o mesmo significado. As palavras “Deus” e “Amor” não são sinônimas, as palavras “Felicidade” e “Verdade” não são sinônimas, mas, uma vez que você compreenda o que isso significa, você compreende que são só palavras. É bem interessante notarmos que palavras não declaram o que é a coisa, elas apenas são símbolos, são imagens, são figuras que representam a própria coisa.

Então, quando alguém pergunta onde está Deus, o pensamento logo se projeta com um símbolo, com uma imagem, com uma fotografia do que Isso representa, e isso é completamente equivocado. Uma vez que a realidade não é a palavra, a coisa real não é a palavra, pegar esse símbolo, essa imagem, essa fotografia e colocar ela no lugar da própria coisa é um equívoco. E é isso que nós temos feito com a palavra “felicidade”.

Qual é o símbolo da felicidade para a maioria de nós? São os sonhos, as realizações, a conquista do prazer, o preenchimento nisso ou naquilo; isso é sempre de ordem pessoal. Então, para nós a felicidade está no preenchimento pessoal, no prazer pessoal, na realização pessoal, no sonho pessoal. Então, para nós a felicidade está na realização de coisas; para nós a Verdade de Deus está num símbolo emocional, sentimental, espiritual. Tudo isso são representações de imagens que o pensamento cria, que o pensamento formula. A Verdade de “quem sou eu” é a mesma coisa.

Qual é a ideia que você faz sobre você? Essa ideia é um símbolo, é uma fotografia, é uma imagem, uma construção do pensamento sobre você. Então, nós não sabemos a verdade desse "quem sou eu". Temos imagens, temos crenças, temos ideias, podemos fazer uma biografia desta pessoa. Tudo que temos em uma biografia de alguém são descrições de memórias, lembranças, imagens, o que representa apenas pensamentos, ideias. Uma autobiografia ou a biografia não representa a verdade daquele que ali está sendo descrito; tudo o que temos ali são pensamentos, memórias, histórias, ideias.

Qual é a verdade sobre esse “eu sou”? Qual é a verdade sobre Deus? Qual é a verdade sobre a Felicidade? Observar o próprio movimento do pensamento em você. Você irá, nesta observação, tomar ciência de como você funciona e, assim, perceberá que esse “você” é apenas um conjunto de lembranças, de recordações, de memória.

Qual é a verdade desse “eu”? Observem isso aqui, agora. Quando você descreve quem você é, o que você está descrevendo? Quando você escreve sobre esse “você” que você é, o que você está escrevendo? Pensamentos, memórias, lembranças, imagens. Então, o que é o eu? O "eu" é aquele que está presente em razão da memória. Sem a memória, não há esse "eu". Se você não pode ter uma lembrança clara do seu próprio nome, você não tem nome. Alguém pode ter a ideia, a imagem, a lembrança do seu nome, mas isso é uma memória dele ou dela. Se você não tem a memória, a lembrança do seu nome, você continua sem nome.

Esse sentido de um "eu" presente é apenas uma história que se pode lembrar. Se você pode lembrar, você tem história. Se você não pode lembrar, você não tem história. É simples. Se você pode lembrar o seu nome, você tem um nome; se você não pode lembrar, você não tem nome. Essa é a realidade dessa consciência do "eu" em você. Assim, esse sentido de um “eu” presente é um conjunto de lembranças, memórias, recordações. Isso demonstra a presença do experimentador.

O experimentador é esse presente que, ao passar por experiências, registrou isso em algum momento – registrou o nome, registrou a história. É isso que nós chamamos de “consciência”, a consciência do “eu”, é apenas isso. Você não pode ter consciência do que não se lembra. Você não pode ter consciência do que não se recorda. Assim, a presença da consciência é a lembrança, é a recordação. Esse é o sentido de consciência que nós conhecemos, de autoconsciência, de ego consciência, de "eu" consciência.

Assim, reparem como é interessante tudo isso: o que você pode ter sobre Deus é apenas uma imagem, uma ideia, uma crença. Isso é memória, algo que você aprendeu, que você tem como um pensamento presente, mas você não conhece a Realidade além do pensamento, a Realidade chamada Deus. Essa Realidade que nós chamamos de Deus, Ela não tem nome, Ela não faz parte da história, não faz parte da memória, não faz parte da lembrança ou do esquecimento, Ela não faz parte dessa consciência, que é só lembrança.

Então, qual é a Realidade de Deus? Qual é a Realidade da Verdade deste Ser que somos quando essa consciência do "eu" não está, quando esse nome não está, quando essa história não está? Percebem o que queremos colocar aqui para você? Então, onde está Deus? Onde podemos encontrá-Lo? Podemos encontrá-Lo ou a Realidade de Deus é a Única Realidade?

A presença desse "eu" é uma coisa aprendida, faz parte da memória. Esse nome, essa história, essa consciência do “eu”, tudo isso apareceu no tempo e, também, no tempo isso desaparece, enquanto que a Realidade de Deus é Aquilo que aqui está, fora do tempo, fora da história, fora da memória. Percebam para onde estamos sinalizando, para onde estamos apontando. Então, para a resposta “Onde está Deus?”, temos a Verdade de que só há Deus. Para a resposta desse “Quem sou eu?”, qual é a verdade desse "eu"? O fim para a ilusão desse “eu” é a resposta de onde está Deus, onde Deus se encontra”.

Então, estamos falando da mesma Realidade, da mesma Verdade. E aqui, a palavra “Deus” e a palavra “eu” não são sinônimos, mas a Verdade da Realidade Divina, a Realidade da Verdade Divina é a Realidade que está aqui, nesse instante, além desse sentido do “eu”, do ego, além desse sentido de uma identidade separada, se vendo separada do outro, do mundo, da vida e de Deus. Tudo isso faz parte das crenças, tudo isso é parte, ainda, do pensamento.

Assim, descobrir a Verdade d’Aquilo que somos é descobrir a Verdade de onde Deus está. A compreensão disso é a compreensão do Amor. Para nós, amor é sensação, é prazer, é alegria de estar com o outro. Há nesse, assim chamado, “amor” a relação entre duas coisas: aquele que ama e aquilo que é amado. Então, amor pra nós é sensação, é prazer, é relação sempre entre duas coisas. Não compreendemos a Verdade do Amor.

Aquilo que nós chamamos de “amor” está carregado de ciúme, de posse, de controle, de desejo e, portanto, de medo, de violência, de sofrimento. Isso não é amor, mas nós chamamos de amor porque de alguma forma isso dá um certo preenchimento para esse “eu”, isso traz algum nível de sensação para esse “eu”. A verdade é que esse “eu” depende sempre da outra coisa para se sustentar como sendo uma identidade separada.

Assim sendo, a presença desse “eu” é a ausência do Amor, porque quando o Amor está presente, não fica o outro, não fica a busca dessa ou daquela sensação, desse ou daquele preenchimento. É algo completamente diferente daquilo que o “eu”, o ego, a pessoa conhece. A questão da felicidade é a mesma coisa. A Felicidade não é algo no tempo, não é algo alcançável, realizável, não é a felicidade para “mim”, não é a felicidade para o “eu”. A presença da Felicidade é a Verdade do Amor, que é a Verdade de Deus, que é a Verdade desse Não eu.

A presença do seu Ser, desse Ser Real, que está fora do conhecido, que está fora dessa limitação do pensamento é a Verdade de Deus, é a Verdade da Felicidade, é a Verdade do Amor. Se aproximar disso é possível, sim, quando há uma compreensão de todo esse movimento, que é o movimento do “eu”, e quando há um esvaziamento de todo esse interno movimento que sustenta a ilusão desse experimentador, desse que está sempre cultivando o movimento do pensamento e se sustentando como sendo experimentador de suas experiências pessoais e particulares.

Aqui estamos lhe dizendo que existe uma qualidade de vida nova, livre do senso do “eu” e nessa plena ciência da Realidade do Amor, da Realidade de Deus, da Realidade da Felicidade. Essa Realidade de Deus, essa Realidade do Amor, a Verdade da Felicidade é a Natureza de Deus, é a Natureza desse Ser que somos. Isso se torna possível quando há um esvaziamento de todo esse conteúdo psicológico, de todo esse condicionamento psicológico que trazemos, que tem nos dado essa ilusória identidade, que é a ilusória identidade do “eu”.

Percebam que esse "eu" está sempre vivendo dentro de sua insatisfação, dentro de seu conjunto de crenças, ideias, conceitos, opiniões, julgamentos e avaliações do que é a vida, de quem ele é, de quem é o outro. Esse sentido do “eu”, que é o ego, está carregado de inveja, medo, ciúme, vivendo nessa insatisfação, porque lhe falta a clara compreensão de que a Única Realidade não é ele. Quando a mente se torna pronta, quando aprendemos a tomar ciência do próprio movimento do “eu”, quando a mente começa a se auto-observar, começa a ficar claro essa interna confusão, essa interna desordem.

Quando há essa Atenção Plena, essa Plena Atenção para essa observação do próprio movimento do “eu”, esse ego, esse sentido de separação, esse experimentador perde relevância, então há um esvaziamento de todo esse conteúdo psicológico. Esse experimentador, esse pensador, esse que se coloca na ação para buscar, para realizar coisas, isso perde relevância. Então, o sentido do "eu" se desfaz quando há ciência da Verdade do Autoconhecimento.

Quando há uma verdadeira aproximação da Verdade da Real Meditação, que é essa ciência de todo esse movimento interno, então, o cérebro se aquieta, a mente de uma forma muito natural silencia e Algo novo, indescritível, inominável se revela. Esse Algo novo está além de todo o nome, de toda a formulação verbal, embora nós também chamamos de Deus, de Verdade, de Consciência, mas é Algo indescritível, inominável. Essa é a Realidade do seu Ser, da Felicidade, do Amor.

Dezembro de 2023
Gravatá/PE
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