terça-feira, 5 de janeiro de 2021

A Luz que ilumina a experiência

Nossa noção sobre a experiência que acontece é equivocada. Aquilo que está acontecendo neste instante está sendo visto de uma forma equivocada. Quando você vê algo acontecendo, acredita que é a sua mente que está abrigando isso, que é na mente que está acontecendo aquela ação, aquele acontecimento, assim como os pensamentos presentes, as sensações e as percepções. Na verdade, isso não está acontecendo na mente, mas na Consciência. Até mesmo esse elemento que acredita experienciar isso é apenas uma ideia acontecendo também na Consciência.
Por que começamos a fala dessa forma? Porque, em geral, você acredita que aquilo que ilumina a experiência é a sua mente. No entanto, essa sua mente também é algo presente nessa Consciência. Essa sensação de “mente pessoal”, de “alguém” diante da experiência, é uma ilusão. Você não é a mente, não é aquele que experimenta o que acontece. Você não é uma entidade separada, individual. É muito importante isso!
Toda confusão interna está acontecendo apenas porque você está confuso quanto à Verdade de que Você não é a mente, não é essa entidade presente produzindo e organizando os pensamentos. Os pensamentos que você tem e as experiências pelas quais você passa estão dentro dessa Consciência.
Quando você vê um objeto iluminado, a impressão é que ele tem uma luz particular, mas essa luz que incide sobre o objeto é a mesma luz presente em todo o espaço. Na verdade, quando você vê o objeto, você está diante dessa luz. Não é a luz de um específico objeto, é a luz que torna possível esse e todos os outros objetos em volta daquele ambiente serem vistos. Aqui, quando você tem pensamentos, percepções, sensações ou sentimentos, a ilusão é que tudo isso tem realidade em isso mesmo, mas, na verdade, tudo isso é possível porque a Consciência está presente; é a Consciência que torna possível toda essa experiência.
Essa é uma forma de nos aproximarmos dessa importante questão da desidentificação dessa entidade ilusória, desse “eu” que acreditamos ser. Se esse “eu”, essa sensação de “alguém” presente, é encarado como uma verdade, você está diante de uma ilusão. Esta experiência está acontecendo em razão da Consciência, e Ela é como a luz neste espaço, que torna possível os objetos serem vistos, mas ela não está vindo deles. Assim, os pensamentos que passam dentro de você, os sentimentos, as sensações, qualquer coisa que esteja acontecendo internamente ou externamente é resultado dessa Consciência presente, e essa Consciência é impessoal.
A ilusão comum é que há “alguém particular” vivendo isso – pensamentos, sentimentos, sensações, percepções, experiências –, mas não existe esse “alguém”. A Verdade é essa Consciência. Tudo que é experimentado é a Consciência, e é Ela experimentando tudo. Nada está sendo trazido de fora. Assim como os objetos não estão sendo vistos porque têm luz própria, e sim porque há uma luz sobre eles, nada está vindo de fora. Os pensamentos, as sensações, as percepções, as experiências são possíveis porque a Consciência está presente.
Você se vê como uma entidade separada, a mente se imagina como uma entidade presente no mundo – existe um mundo exterior e um “eu” interior –, e isso é pura imaginação! É como se os dois estivessem ligados e aparecessem juntos, mas isso não é verdade, essa não é a real experiência, essa é a imaginação sobre a experiência. Em nossa verdadeira experiência, como a Consciência que somos, não existe nenhum mundo externo e nenhum “eu” interior. Você tem presente o pensamento, o sentir, o ver, o ouvir, o saborear… Assim, as percepções e as sensações estão presentes, mas elas estão presentes nessa Consciência, e não na mente para um “eu” interior. É importante isso! Toda essa tagarelice interna que acontece em você, toda essa desordem emocional e psicológica está presente e sendo a cada dia confirmada porque você não está atento a essa Consciência. Você está se identificando e se perdendo na ilusão de estar vivendo, como uma entidade separada, a experiência desse “eu”.
Na razão em que você começa a observar a experiência, seja ela um pensamento, uma sensação, uma emoção, ou o ouvir, o olhar, você irá descobrir que isso não está separado dessa Consciência. Não há uma entidade presente vivendo isso! Então, quando isso ocorre, você começa a se desidentificar dessa suposta entidade pensando, sofrendo, vendo ou ouvindo. O fundo desses sentimentos que o ego conhece como tristeza, preocupação, angústia, mágoa, ressentimento, e por aí vai, é sempre a ilusão de uma entidade presente pensando, pensando sobre o passado ou sobre o futuro. Isso não é real! Nenhum pensamento é pessoal, nenhum sentimento é pessoal, assim como nenhuma sensação ou percepção é pessoal.
Quando um som é escutado, há todo um aparato tornando isso possível. Quando um pensamento acontece, existe um mecanismo que torna isso possível. Há uma forma disso acontecer. Reparem que todo pensamento é memória, você não conseguirá produzir um pensamento que não seja memória. Talvez você diga: “E se eu pensar sobre o futuro?”. Você não pode pensar sobre o futuro! O pensamento pode imaginar um futuro, mas você não pode produzir um pensamento. Nenhum pensamento você produz, ele é um evento acontecendo. Você não só não produz pensamentos como também não se livra deles. Isso deveria lhe mostrar que esses pensamentos não são seus, que não tem “você” presente.
Se eu lhe perguntar o que você irá pensar daqui a 2 minutos, você não terá a resposta, porque você, aí dentro, já percebeu que não produz pensamentos, eles só acontecem, e quando eles começam a acontecer, você também não consegue se livrar deles quando deseja, porque eles não estão sob o seu controle. E por que não? Porque pensamentos são aparições, fenômenos que surgem na Consciência, e há um aparato que torna isso possível: a memória. Pensamento é memória, que produz a imaginação do futuro e a recordação do passado.
Então, o seu sofrimento, a sua confusão, a sua desordem interna, não tem nada a ver com o que Você é. Na realidade, é uma desordem desse aparato, dessa mecânica, desse modo como esse mecanismo aí funciona. Não é Você! É uma desordem nesse corpo-mente.
Nessa Consciência, que é a sua Natureza Verdadeira, não há desordem, não há pensamentos, não há sensações, ou percepções, ou emoções. É como a luz que torna tudo visível. Compreender isso é fundamental! Todo esse desajuste interno é uma desordem do falso “eu”. Essa Consciência é a Realidade Única, é a Única “Coisa” real na experiência. Essa Consciência é a Realidade dessa Luz em todas as aparições. O que você está vendo e sentindo sobre o mundo – e aqui, quando eu digo “mundo”, me refiro às suas relações, àquilo que você está vendo e sentindo sobre o outro – não é a representação real dele. O que você está vendo e sentindo é uma representação de uma imagem, de uma ficção, de uma imaginação.
Por que será que os Sábios, esses Seres Realizados de todos os tempos, usaram sempre a palavra “Amor” para denotar essa Realidade Absoluta? Porque Amor é o nome que podemos dar à experiência livre da interpretação, das imagens, do “outro”, Aquilo que poderia ser chamado de “não alteridade”, o que significa que não há o “outro”. Amor é essa Consciência – Ela merece essa palavra! “Não há outro” é a não alteridade, é a Consciência. Isso é Amor! Amor é Paz, Liberdade, Felicidade...
Você não pode viver essa Realidade do Amor se está nessa confusão interna; se não está esclarecido sobre essa Realidade da Consciência, que é Você; se ainda se identifica com emoções, pensamentos, percepções e sensações. Esse é o estado comum da “pessoa”. A “pessoa” é a desordem, a confusão, o sofrimento, a noção do “outro”, a noção de alteridade, a ilusão do “outro” presente.
Aquilo que pode lhe revelar a Verdade dessa Consciência, dessa Verdade, desse Amor, dessa não alteridade, é a Meditação. Você em seu Estado Natural é Consciência! A minha recomendação para você é que descubra o que é viver livre dessa condição de desordem psicológica. Em outras palavras, descubra o que é viver livre da mente, de tudo que ela representa. Descubra o que é viver livre desse falso “eu”, desse sentido de egoidentidade. Então, você estará nesse Espaço, que é o seu Espaço, de Pura Consciência. De outra forma, tudo é loucura.
Sua Natureza Real não conhece sofrimento, mas sua condição artificial de vida, assentada nessa ignorância sobre a Verdade de Si mesmo, é o que sustenta o sofrimento, aquilo que você chamaria de infelicidade. Portanto, nosso trabalho juntos é para que você tome ciência Disso, da Verdade que Você é, Daquilo que Você traz como sua Verdadeira Natureza, sua Identidade Real.
Assim, essa Libertação da mente egoica, do sentido desse falso “eu”, é algo possível quando termina essa representação ilusória da Realidade. Isso é o fim para essa autoimagem, para essa falsa imagem, para essa representação desse mundo imaginário que o pensamento produz, para essa interpretação que você tem com base nessa imagem. Há algo mais para se dizer? Eu lhe recomendaria parar de pensar, então essa perturbação desaparece.
Você tem uma casa e não a limpa, então, com o tempo, ela vai ficando empoeirada. Primeiro, uma impureza delicada e não tão aparente. Depois essa impureza se torna uma sujeira, ainda não tão aparente, que facilmente se disfarça. Depois essa sujeira se torna mais pesada e, com o passar do tempo, insetos começam a se sentir muito à vontade morando com você. Primeiro as formigas, depois as baratas, depois os ratos encontram também um espaço para eles como hóspedes na sua casa, e a coisa vai ficando cada vez mais grave.
Quando não há espaço, porque não há pureza (pureza é limpeza) interna, seu cérebro se torna um hospedeiro também, de emoções, sentimentos, sensações, pensamentos. Eu lhe recomendo uma faxina rápida! Existem aqueles que não conseguem nem mesmo se aproximar do que estamos falando aqui, tem uma grande dificuldade até de acompanhar uma fala dessa. Soa tão abstrato, tão fora do senso comum deles! Por que será que isso acontece? Porque não há ressonância. E por que não ressoa? Por falta de uma faxina. Em geral, o ego é muito barulhento, desordeiro e empoeirado.
*Transcrito de uma fala ocorrida em 21 de setembro de 2020, num encontro aberto online. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

sábado, 26 de dezembro de 2020

Encontre essa Liberdade de “ser ninguém”

Quando você para de viajar, de se projetar psicologicamente, Você está aqui, então se abre esse Espaço... Ele está presente! Isso é como a Verdade, a Consciência, Deus, que não pode estar ausente, está sempre presente, mas você não dá o seu coração a Isso. Aqui, quando a gente se encontra, parece que algo se abre dentro de você, e você encontra essa Liberdade de “ser ninguém”. Então, fique aqui, não vá para outro lugar.
Porém, o ego está sempre se movimentando, e esse é um movimento vicioso. Quando você acredita que terá outro dia, já começa a imaginar o sol nascendo. É assim que funciona. Então, o que é essa “Coisa” chamada Despertar? É estar nesse Espaço, que é o Silêncio, que é a Liberdade da Inteligência, a ausência dessa identidade falsa, desse personagem que você sempre apresenta diante de seus “eleitores”, para ver se ganha “votos” e consegue ser “eleito”. Semelhante ao que acontece com um desses candidatos (estamos no período de eleições, não é?), o seu ego se move querendo ser muito importante, querendo receber “votos”, ser reconhecido, e esse é o problema.
Quando há Amor, Liberdade, Inteligência, Verdade, não se busca apreciação. Se você é Real em seu Ser, você está Feliz, mas é Feliz em Si mesmo, e não esperando “ganhar as eleições”, esperando os “votos” de aprovação dos outros. É típica da mente egoica essa dependência psicológica de viver se medindo pelos aplausos, desejando ser bonito para ser apreciado. Eu desisti disso! Tem um momento em que você tem que desistir dessas fantasias, pois isso é pura fantasia! O ego vive sempre na fantasia de “ser alguém”, ser importante, bonito, famoso, e isso tudo é muito infantil.
Permaneça em seu Ser, permaneça na Consciência, nesse Silêncio, e Isso é possível quando há Meditação. Assim, Deus se revela! É só aí que Ele está presente, não quando você está cantando mantras ou citando as palavras de Jesus, Maomé, Buda ou Ramana.
O que, basicamente, estou recomendando você fazer? Estou lhe recomendando a colocar seu coração Nisso! Coloque a sua vida Nisso! Aliás, você tem somente esta vida, ou melhor, só este momento para colocar sua vida Nisso! Então, abandone a ilusão do futuro, a ilusão do tempo. “Ah! Eu quero chegar ao Despertar, quero chegar à Iluminação” – isso também é uma fantasia, é mais uma imaginação sua.
Quando você se joga nessa imaginação, está perdendo a oportunidade de observar o que está se passando com você, agora, aqui, neste instante. Sua mente está lhe pregando uma peça, enganando você de novo. Você tem tudo para descobrir, agora! Não tem nada para realizar amanhã, nem para fazer daqui a meia hora, pois é tudo agora! Ou é agora, ou nunca! O tempo é uma ilusão. Então, você está fazendo a coisa errada: está se ocupando na tentativa de fazer algo para depois deste momento, e existe essa preocupação, que é mais uma ideia, de chegar a algum lugar, de “chegar a esse Estado”.
Você se preocupa: “Ah! Eu quero viver nesse Estado. Quero viver nesse Estado de Marcos Gualberto”. Gente, esse “Estado de Marcos Gualberto” não é um estado, muito menos “de Marcos Gualberto”; é a ausência de um estado e a ausência de Marcos Gualberto. Isso coloca você no mesmo pé de igualdade, porque Você, também, não é uma “pessoa”, assim como não existe nenhum estado para Você, porque Você é Consciência. Assim, não coloque o futuro como um fator real. Trabalhe agora isso! Observe suas reações agora, esses estados internos de conflito, de medo, pois tudo isso é criado pelo pensamento, pela rejeição da Vida como Ela se mostra, se apresenta.
Então, este não é o momento de mudar as coisas; é o momento de descobrir que tudo está no lugar! A Verdade não se mostra na mudança; Ela se mostra na Constatação de que está tudo no lugar, de que Deus é completo, de que a Presença, a Consciência, é completa. É preciso que você compreenda isso com o seu coração, não com a sua cabeça.
Então, este momento, em que estamos juntos, não é o momento de se preocupar com mudanças, mas de se descobrir que esse Espaço é completo e que a Verdade está na ausência dessa ilusão de “alguém para mudar”. É na compreensão dessa ilusão da “presença de alguém para mudar” que está a Verdade. Então, não é o momento de mudar nada, é momento de ficar com a Vida, com a Graça, com a beleza de Deus... É o momento de ficar no Silêncio. O meu trabalho é lhe mostrar que é simples viver em seu Ser e que tem sido muito complicado você se manter nessa ilusão de pensar como todo mundo, como as pessoas pensam, e de depender de infinitas crenças, tentando se ajustar, se moldar, a tudo que você espera de si mesmo, cobra de si próprio, e ao que outros esperam de você. Tudo isso é uma grande balela, uma grande fantasia, e isso sustenta apenas o medo. Olhe para você: tem medo do que os outros falam, dizem, pensam; medo do que você pensa sobre o que você fez, ou sobre o que você não conseguirá fazer, para “ser alguém melhor”, “alguém feliz”. Então, há sempre medo por detrás de tudo isso.
O meu trabalho é lhe mostrar como viver em Deus, em Consciência, em Inteligência, em Amor; como ser Real e viver uma Vida plena, que é não ter a ilusão de um futuro melhor e de um passado que gerou frustração, decepção – isso é fantasia. Está tudo no lugar, tudo deu certo, foi sempre certo; é que sua mente estava interpretando tudo lá, agora está fazendo isso aqui de novo e, quando chegar o futuro, vai continuar interpretando tudo do mesmo jeito.
No futuro, você também vai sentir que ainda não deu certo, assim como acontece hoje, quando você se lembra do passado e acha que ele foi um passado triste, que deu tudo errado. Da mesma forma, você vai pensar em relação ao futuro, que está na sua cabeça. Isso tudo é imaginação, é a mente produzindo essas fantasias todas. Então, o que você faz? Joga isso tudo fora, se livra da mente, se livra desse senso do “eu”, acorda e sai dessa condição.
* Transcrito a partir da segunda parte de uma fala em um encontro online, na noite do dia 15 de Outubro de 2020 – Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Desejo é sofrimento

O que vamos tratar aqui com você? Qual é a coisa certa aqui, se não há nada para ser ensinado, explicado ou para se aprender? O que se comunica em um encontro como este?
Nada pode ser comunicado neste encontro, a não ser a Presença deste Espaço. A gente tem muitas palavras, como “liberdade”, “verdade”, “consciência”, “presença”, “Deus”, mas nada pode ser comunicado neste Espaço; o que você pode é tomar ciência da Presença deste Espaço. Somente o Silêncio torna isso possível, e a revelação do Silêncio é a única que importa para a sua vida. Essa é a linguagem de Ramana, Cristo, Buda, de sua Natureza Essencial, de sua Natureza Divina. Na visão de Buda, o sofrimento está presente quando a agitação está presente, e o que cria a agitação é o desejo. O desejo é aquilo que cria e sustenta essa agitação. Então,o desejo é sofrimento; são dois lados da mesma moeda.
O que será que Cristo descobriu no deserto? O que foi aquele seu encontro no deserto? O que foi o encontro de Buda debaixo da árvore Bodhi? O que significa este encontro aqui? Não há nada fora desse Silêncio, desse Espaço, dessa Presença, que a gente pode chamar de Deus, Verdade, Consciência e, também, de Liberdade. Para Cristo, Isso é a entrada no Reino de Deus, no Reino dos Céus. Para Buda, é o fim do poder de maya, da ilusão, o fim do samsara. Isso é o fim, e você não precisa e não pode estudar sobre Isso. Repito: não precisa e não pode, porque você não vai descobrir essa Revelação do Silêncio do lado de fora.
Tudo que a mente pode fazer é viajar e se afastar do princípio dessa Presença, que é esse Espaço, esse Silêncio. Assim, não se trata de aprender, estudar, sobre Isso. Então, o que fazemos aqui, já que não se trata de aprender ou estudar sobre Isso? O que você aprende e estuda se torna apenas uma nova crença, somente isso. Uma crença funciona somente no nível intelectual, não toca você realmente. Repare que tudo aquilo que você tem no intelecto não trouxe nenhuma real mudança, transformação, alteração. Portanto, não estamos interessados nisso, e, se você vai aprender e estudar, jamais conhecerá a Liberação.
É necessário ver a importância de ir além da mente, que é sinônimo de crença, memória, conhecimento e experiências. Você está sempre pensando em si mesmo, e esse pensamento sempre gira em torno de uma memória. Pensamento é memória e isso é uma forma de conhecimento. As experiências pelas quais você passou se tornaram uma forma de conhecimento presente, agora. Você está sempre pensando em si mesmo como uma entidade presente somente porque valoriza esse conhecimento, essa memória, o que sustenta a ideia, a crença, de “ser alguém”.
Você nunca me fala do que acontecerá, porque você não sabe nada sobre isso, pode apenas imaginar. Você sempre me fala do que aconteceu, apenas não percebe que o que aconteceu é somente uma ideia agora, aqui; somente uma crença, uma imaginação sobre quem você foi no passado. Da mesma forma, você pode imaginar quem você será no futuro. Então, observe: isso é algo que está sempre girando em torno desse sujeito fictício, imaginário, que você acredita ser.
Há interesse nisso mesmo, aqui? Por que você tem interesse nisso? Você já viu como é aborrecido, tedioso, cansativo e nostálgico viver nesse movimento da “pessoa”? Você consegue ver que a “pessoa” não está nesse Espaço, nesse Silêncio? Ela está sempre fazendo essa viagem de nostalgia, a um imaginário passado ou futuro, que, em alguns momentos, pode deprimir e, noutros momentos, pode criar uma excitação artificial de “alegria” momentânea. Percebem como é cansativo viver nesse senso do “eu”? Foi o que meu Guru, Ramana Maharshi, me mostrou.
Na mente, você está sempre pensando que hoje foi assim, mas amanhã será diferente, ou que ontem foi pior, ou melhor. Isso é completamente falso, não tem verdade, a não ser como uma idealização, uma crença, e é o pensamento que cria isso. Para Marcos Gualberto, isso já acabou. O seu futuro não será diferente porque, de repente, terá um novo casamento ou mais dois, três, cinco ou seis filhos. Aí, você acredita que seu presente, agora, é diferente do que foi o seu passado. O ego é sempre esse movimento de tempo, é a ilusão de uma entidade presente que se repete no tempo. O tempo é uma ilusão!
Essa falsa identidade assume ser real, se repete e cria novas representações de sua história, e acredita que está vivendo uma vida diferente. Contudo, não tem nada diferente acontecendo agora, nem nada diferente aconteceu no passado, nem vai acontecer no futuro; é somente uma repetição, uma história, que é memória. Então, seu passado, seu presente e o seu futuro são pensamentos de numa suposta “pessoa”, que acredita estar presente. Ou seja, não tem ninguém aí, não tem ninguém aqui, são apenas ideias. Você, como “pessoa”, vive preso a essas ideias. Sem elas, não há nenhuma pessoa! São essas ideias que deixam você alegre e triste, excitado e deprimido.
Você precisa ir além da mente, além dessas ideias, desse conjunto de crenças. Você está sempre se configurando como um especialista em computação, que constrói uma máquina, um computador, e a configura. Você está sempre assim, se configurando no tempo, na ilusão de um tempo que o pensamento imagina existir, como uma entidade presente dizendo que ontem foi assim, mas amanhã será diferente, ou que algo poderia ter sido diferente. Quando você faz isso, está sempre se reafirmando como uma fraude, uma ilusão, como uma entidade que sofre. Sua alegria é tão curta e seu sofrimento é tão longo!
Seria uma experiência interessante se você pudesse registrar numa folha em branco os seus estados internos. Fazendo essa experiência, você descobrirá o quanto sua tristeza está associada a decepções dessa entidade que você acredita ser, porque fez algo errado no passado. Descobrirá, também, as suas preocupações se fundamentando em situações que podem não vir a dar certo no futuro. Anote também os seus momentos de tranquilidade, relaxamento e alegria, momentos de estresse, tensão, preocupação e sofrimento em algum nível, ou seja, de alguma forma de conflito presente. Você vai descobrir depois, olhando para essa folha, que a maior parte do seu tempo psicológico, que é um tempo criado exatamente pelo pensamento, é para sustentar essa ilusória “identidade” que você acredita ser, sofrendo.
Você tem poucos momentos para ser uma pessoa relaxada, tranquila, confiante na Existência, na Vida, porque a maior parte do seu tempo é para se autoflagelar, se punir, sofrer. É assim que você configura, psicologicamente, esse tempo para essa suposta entidade que você acredita ser. “Amanhã será diferente. Eu não consegui até agora, mas vou conseguir!” − isso é tensão, preocupação, conflito, e o ego é esse movimento. Você espera e exige muito de si mesmo, e não consegue fazer isso sem envolver o mundo nessa sua história, nessa sua imaginação. Isso é tensão, conflito, sofrimento. Não dá para ser feliz sendo “alguém”. Ser feliz significa só Ser, puro Ser, pura Consciência! Não pode ter “alguém presente” nessa Experiência de Ser.
Para “alguém”, as coisas podem dar certo ou errado, e somente isso já causa estresse e um sofrimento incrível aí dentro de você, mas, no fundo, isso tudo são pensamentos, e a mente precisa deles. Aliás, você, como entidade separada, não é real sem pensamentos; é “real” porque pensa − e pensa muito! − em perdas e ganhos, lucros e prejuízos. Por isso, comecei falando para você que a coisa mais importante neste encontro é esse Espaço onde o Silêncio se revela, e que não há nada para se aprender nem estudar. Não foi assim que eu comecei? Quando há Silêncio, não há futuro, memória, imaginação, nem há o que ganhar e perder. Silêncio é uma palavra para Consciência ou Meditação. Na Índia, eles têm uma expressão: “Samadhi”, que é o Estado Natural de Pura Consciência, fora do tempo, ou seja, fora da mente egoica, desse movimento tão conhecido, que é o movimento da mente.
Tem alguém acompanhando aí? Pois é… A “pessoa” é somente um conjunto de lembranças, de memórias, e tudo isso é um peso enorme.
* Transcrito a partir da primeira parte de uma fala em um encontro online, na noite do dia 15 de Outubro de 2020 – Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

sábado, 19 de dezembro de 2020

É fundamental permanecer nessa Fonte

Na mente, você está se movendo num reino imaginário, que é o reino dos fenômenos, como uma entidade imaginária. No entanto, há algo em você anterior à imaginação, à mente. Considerar essa Verdade de Ser como uma sensação, ou como uma ideia de consciência ou vitalidade, ou até como essa coisa objetiva chamada de “estado de paz”, é completamente falso. O que Você é, está além de tudo isso.
Em algum momento, pode surgir em você uma clara ressonância de que há algo aí fazendo-o perceber que esses estados de alegria, paz e liberdade, que a mente conhece, são todos condicionados. Você tem até mesmo uma sensação de Ser, mas isso está muito embolado com crenças sobre quem você é. Então, mesmo a ideia “eu sou” não é confiável, porque a sua Natureza Verdadeira está além da experiência de uma ideia, de um estado, de uma sensação.
Em sua mente, há algo que produz essa sensação de consciência, o que ainda é somente uma aparência, um estado fenomenal, limitado, preso a uma noção de tempo e espaço. A Verdade, a Realidade, Aquilo que é o Real Ser, não é conceitual, não é um estado, uma experiência, nem uma ideia. Simplificando: Você é Aquilo que está ciente de estar consciente, é Aquilo que está ciente do processo do pensamento e de qualquer estado que aparece e desaparece.
Alguns falam sobre essa questão do “observador”, mas ele aparece com aquilo que ele observa, então ainda é, também, somente um fenômeno. Se aparecem e desaparecem juntos, são apenas fenômenos. Aquilo que Você é está além do observador e da coisa observada, ou seja, o observador não está separado daquilo que ele observa.
Participante: O que é isso presente e independente de sujeito e objeto, de observador e coisa observada, de consciência ou não consciência?
Marcos Gualberto: Essa é uma pergunta importante, porque sinaliza a Verdade sobre Você, e Isso está completamente livre daquilo que você chama de “estado consciente” ou “consciência objetiva”. Repare que, no mundo inteiro, toda experiência surge dentro dessa consciência objetiva. Quando você toma ciência do mundo é em razão dessa consciência, mas ela ainda é parte desse mundo, dessa observação do mundo. Quando falamos de Autorrealização, estamos sinalizando Aquilo que está fora do tempo, do espaço, do mundo e de qualquer estado. Isso é algo que permanece livre de toda experiência, como sua própria Natureza Essencial, que é a Natureza Divina, a Natureza da Verdade, a pura Realidade.
Vejam que a própria prática da conhecida meditação lhe traz apenas um estado, que vem enquanto a meditação está presente. Quando para de meditar, você volta ao seu estado ordinário, seu estado comum de separação, de dualidade, de observador e coisa observada, de experiência “eu sou”. Na verdade, esse “eu sou” é a base de todas as experiências, inclusive da experiência meditativa. Sem esse “eu sou”, não pode haver qualquer experiência. O que estou dizendo nesses encontros é que Você está além de toda experiência, inclusive além dessa experiência “eu sou”.
Esse estado de “ser consciente” surge com o corpo e a mente, é naturalmente algo limitado por tempo, lugar e espaço. Então, a consciência termina surgindo como um estado transitório, dependendo da condição da mente e do corpo. É nessa consciência que as experiências humanas estão surgindo. Aquilo que você conhece como “consciência” aparece com essa presença do corpo e da mente. Portanto, essa presença do corpo e mente é um requisito necessário para que essa consciência se manifeste. Então, essa consciência é limitada, está presente nas experiências e, sem as experiências, ela não está presente.
Quando sinalizo, para você, a Autorrealização, estou falando da Consciência Real, que não depende do corpo, da mente e das experiências objetivas. Essa Consciência Real está além desse sentido ou sentimento de “eu sou”, portanto, não é algo preso a tempo e espaço. Essa é a Verdade do seu Ser, do seu Natural Ser, Daquilo que é imutável, atemporal, que não nasce, não morre e, portanto, está além do corpo e da mente, de toda experiência objetiva.
Naturalmente, essa Consciência está além de toda sensação, percepção, experiência e estados que as pessoas vivem buscando, como os estados de “paz”, “felicidade” e “liberdade”. Aquilo que Você é, não é um estado. A Real Liberdade, a Felicidade, a Real Consciência, não é um estado e não requer a presença do corpo e da mente; isso não é necessário. Na realidade, essa noção de corpo-mente desaparece completamente nesse Estado Real, nesse Estado Natural, que é pura Consciência.
Quando olha para o Sol, você não tem dúvida nenhuma de que a luz dele é própria, que ele não está pegando-a emprestada de ninguém. Se você levar uma pancada forte na cabeça e desmaiar, a sua consciência do mundo desaparece com a crença “eu sou o corpo”. O mesmo acontece em casos de anestesia geral ou em sono profundo – não existe a ideia “eu sou”, a ideia “mundo” ou o corpo. No entanto, Algo se mantém completamente livre de qualquer ideia − de vivo ou morto, consciente ou inconsciente, experiência ou não experiência − e Isso é a Luz própria do Ser, da Real Consciência.
Estou dizendo para você que o corpo, a mente, o mundo, os estados, as experiências, tudo isso recebe luz emprestada dessa Realidade, que somente Ela tem Luz própria e permanece sem alteração, sem mudança. Autorrealização é se estabelecer em sua Natureza Essencial, e Isso é Luz própria, é Real Amor, Liberdade, Verdade. Quando Isso está presente, a Inteligência e a Sabedoria também estão. O Sol consegue brilhar sem qualquer necessidade de objetos. Quer estejam presentes ou ausentes, ele continua com sua luz própria. Você, em seu Ser, é essa Luz singular, que não depende de objetos para refleti-La e confirmar, objetivamente, a Sua presença.
Toda essa experiência de mundo, todos os dias, consiste apenas nessa interação dos sentidos com objetos externos e a presença da mente fazendo esse link, e é isso que você tem chamado de “consciência”. O mesmo acontece com esse mundo interno de pensamentos, sentimentos e sensações no corpo − a mente faz esse link entre eles − e é isso que você chama de “consciência”. Estamos dentro dessa fala eliminando isso. Estou dizendo e lhe mostrando que o mundo da mente e o corpo aparecem apenas como objeto, também, ainda dentro daquilo que você chama de “consciência”. Então, isso não é real, não é você, nada disso tem existência independente, nada disso tem luz própria. Essencialmente, o corpo, a mente e o mundo são sem substância real.
Você é Aquele no qual tudo isso aparece. Voltar-se para a Fonte, para essa Real Substância, sua Fundamental Identidade, que não é isso que você chama de “consciência”, “estado” ou “experiência”, é no que estamos trabalhando aqui. Nossa Identidade Fundamental, que é anterior a essa consciência, é a Fonte. Assim, é fundamental permanecer nessa Fonte. Isso é tudo O que é, a Única Verdade! Isso é tudo que existe, que permanece em Si mesmo como Verdadeiro. Essa absoluta e incondicional Realidade é a Fonte, a suprema Fonte da Alegria sem motivo, da Verdade sem causa, da Realidade sem princípio nem fim. Esse é o último e absoluto Estado, fora de todos os estados.
* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online, na noite do dia 27 de Janeiro de 2020 – Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Na Existência tudo é Ser

O seu medo de não ser agradado impulsiona você a tentar agradar a todo mundo, assentado na ilusão de ser alguém conduzindo a vida. Você quer agradar o mundo e quer que o mundo o agrade, que ele lhe dê uma resposta satisfatória, feliz, aprazível, realizadora. Você se sente obrigado a dar ao mundo à sua volta alguma coisa para ter isso em troca. Essa é uma autoimposição imaginária de uma falsa identidade, que você acredita ser, que está aí conduzindo tudo isso, em direção a um futuro promissor, fugindo de tudo que é ruim, e eu lhe digo: isso não é verdade.
A coisa mais difícil não é agradar o outro, é ser Feliz em Si mesmo, o que significa não se ferir, não se magoar, não produzir sofrimento. Então, essa sua preocupação em agradar o mundo à sua volta não é uma coisa difícil de se conseguir. Difícil é acreditar que o mundo vai fazê-lo feliz por você fazer de tudo para os outros “serem felizes”.
O que estou dizendo é que essa coisa de tentar conduzir, controlar, para que tudo dê certo no final, já está dando errado no começo, porque você não está investigando isso claramente. Você tem muita facilidade até em acreditar que pode deixar outros felizes à sua volta, mas a coisa que vejo ser mais difícil, para você, é aceitar que você pode e precisa ser feliz, e que isso tem que acontecer primeiro, tem que vir antes de tudo.
Primeiro você está em Paz, em Liberdade, em Pura Inteligência, Consciência, em Verdade, em Amor… Primeiro Isso, depois aquilo. Se Isso está aí, em primeiro lugar, o mundo será feliz porque não terá “alguém” para infernizá-lo, assustá-lo, torná-lo triste. Noutras palavras, primeiro você Realiza Deus, que é esse Mistério, depois compartilha essa Liberdade, Alegria e Felicidade com o mundo.
O que descobri nesse Despertar é que, quando Isso já está aí, você não tem mais o mundo, ele não é mais um assunto seu, para você cuidar, ou seja, o outro não é a sua responsabilidade. Agora, você sabe que o “outro” não existe, o “mundo” não existe, e que não existe nada nem ninguém no controle.
Viva em Meditação! Pare de guiar, conduzir, controlar; pare de se firmar e de se autoafirmar, momento a momento, como “alguém” que sabe, pode e deve fazer as coisas, para que nada dê errado. Toda sua experiência será somente a do “ser humano” enquanto você estiver tentando chegar a algum lugar, alcançar algum ponto, resolver alguma questão, consertar alguém, consertar a si mesmo, ajustar uma dada situação, para que você se sinta bem; enquanto estiver buscando o controle da experiência, apressando-se para ver os resultados que você espera ter, e não o que a Vida tem, que Ela pode manifestar.
Você não é um “ser humano”, como um cavalo não é um “ser animal”, como um peixe não é um “ser aquático”. Na Existência, tudo é Ser, é Divino! Você não nasceu para ser um “ser humano”, como um peixe não nasceu para ser um “ser aquático”, como um cavalo não nasceu para ser um “ser animal”. Toda expressão da Existência é uma expressão dessa Consciência. Tudo nasceu para Ser Deus, porque tudo é Deus como Ser! Então, enquanto você estiver procurando ganhar ou evitar, obter ou se livrar, vendo o mundo através dos óculos das ideias, dos conceitos, das crenças, dos projetos, sonhos, desejos e, também, desses cuidados, pesos, pressas e diversas formas de imaginação amedrontadoras que você carrega, você terá muita dificuldade de gostar de Si mesmo. Isso porque o seu comportamento será sempre o comportamento daquele que não está pronto para o Mistério, o Milagre, a Felicidade do Puro Ser. Vida é Puro Ser!
Se a sua preocupação é agradar o mundo e a si mesmo, ou agradar o mundo para agradar a si mesmo, ou fugir do mundo para escapar da dor, a sua visão é somente a de um mundo hostil, de uma vida injusta, e só há uma coisa envolvida nisso: a mente, os pensamentos, distorcendo a Realidade. Você está pensando muito, olhando muito para frente e para trás, “segurando com firmeza o volante”, com toda atenção para não “sofrer um acidente”, “escolhendo a velocidade” e “sabendo para onde está indo”, porque você é quem está no controle.
Logo esse corpo vai cair, vai ficar na horizontal, sem respiração – todos nesta sala terão que passar por isso, e para uns está mais perto do que para outros. Quando isso acontecer e você tiver que atravessar o portal, descobrirá que a única coisa com importância é Isso que estamos falando aqui. Tudo fica aí, exatamente no lugar onde está. Tudo já fica para trás, então relaxe. Saia da frente do “volante” e deixe tudo, antes que tudo deixe você.
Descubra a Beleza dessa Mágica, que é viver em seu Natural Estado de Ser, que é Meditação – a ausência completa de controle. Meditação é isso: parar com essa ilusão de tentar guiar, controlar e conduzir qualquer que seja a experiência.
Alguns não têm compreendido bem o que é esse Estado Natural, que chamam de Iluminação. Alguém quer tornar-se feliz “se iluminando”. No entanto, a Iluminação não é um processo para que você seja melhor do que você é, ou mais feliz. Iluminação é o desmoronamento, o esfacelamento da inverdade; é ver, através dessa fachada de fingimento, ilusão e fantasias que o pensamento cria, Aquilo que está detrás de tudo isso. Iluminação é ver que toda essa fachada é somente o que, na mente, você sempre imaginou ser a verdade dessa “sua vida”, o que é a ilusão dessa “sua vida”.
Vou terminar agora dizendo o que me parece ser a maior dificuldade que você tem, sempre terá, e é isso que você precisa superar: a dificuldade de se abrir para Si mesmo, Amar a Si Mesmo. Jamais interprete essa colocação da forma como isso vem sendo repetido em diversas falas, livros e frases. Compreenda que Amar a Si Próprio é não consentir com a ilusão, com essa ideia de que você está fazendo tudo, controlando tudo. Esse “Eu Sou”, que Você é, é a maior Maravilha! Mantenha a Presença desse “Eu sou” bem viva aí dentro de Você. Deus é Algo que a gente não esquece... Não pode esquecer!
* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online, na noite do dia 19 de Outubro de 2020 – Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

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