sexta-feira, 7 de agosto de 2020

9º - O “Eu Sou” Livre

Existe uma Liberdade para todos nós, da qual tomamos conhecimento de forma direta quando aplicamos o nosso coração Nela. Não se trata, como muitos supõem, de algo a ser realizado ao final de um longo período de procura.
O que estamos dizendo, a princípio, parecerá estranho para uma mente treinada em sua ambição, que vive lutando para conquistar, que sempre acreditou no esforço de uma procura ambiciosa para realizar seus desejos.
No entanto, não é assim na Realização dessa Liberdade, pois não há nenhuma necessidade de procura ou busca para Isso. Primeiro, porque tudo aquilo que buscamos, do qual projetamos uma imagem, já faz parte do que conhecemos, é apenas parte de nossa ambição e, portanto, não é Real. A Real Liberdade não pode ser produzida pelo pensamento, pois não faz parte dele.
Em segundo lugar, essa Liberdade somente pode ter sua existência na Verdade de Deus, não na ideia sobre Ele, porque essa ideia é parte do pensamento, enquanto o Deus Real é Aquele em que vivemos, nos movemos e temos o nosso Ser. Então, abandone toda a busca, toda essa procura no exterior, pois a Verdade de Deus é a Verdade do nosso Ser.
Não podemos encontrar aquilo que nunca foi perdido. Já somos Livres desde o primeiro passo! Precisamos, sim, de uma fervorosa e ardente investigação em direção à Verdade que trazemos em nós mesmos, à Verdade de quem somos. Falo da investigação dessa ilusão da mente superficial, daquilo que acreditamos ser, nos recessos mais profundos do nosso coração, pois é ali que descobrimos quem realmente somos, descobrimos qual é o nosso Ser Verdadeiro.
Descobrindo, pela autoinvestigação, nosso Ser Real, nosso verdadeiro “Eu Sou”, passamos a viver livres do pensamento e, portanto, livres do tempo. Esse “Eu Sou” é Livre, não conhece nenhuma forma de preocupação, ansiedade, desejo e sofrimento.
*Este texto, escrito pelo Mestre Marcos Gualberto, compartilhando a visão do Sábio sobre a vida, foi veiculado pela primeira vez em 11 de outubro de 2010. Trata-se da nona publicação deste blog, fazendo parte do acervo relativo aos primeiros anos deste trabalho, cujos textos, após terem sido mantidos offline nos últimos anos, serão republicados em série, de forma comemorativa pelos dez anos de criação deste blog, este que foi o primeiro canal da internet através do qual este trabalho tornou-se público. Para mais informações, acesse o nosso site clicando aqui.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Encontrando a Paz, a Felicidade e a Liberdade!

Esperar uma experiência positiva é uma posição completamente falsa, porque nunca houve nenhuma experiência negativa. Você fica na expectativa de que o mundo sofra uma mudança para encontrar sua felicidade, sua paz, mas isso é completamente sem sentido. Por exemplo: você age ou tenta agir inteligentemente, como se soubesse o que deve fazer para evitar o sofrimento. Você não entende que, quanto mais você estuda ou aprende sobre o que deve fazer, mais limitada sua vida se torna.
Todos seus interesses são da mente, e todos os seus momentos – felizes e infelizes – são apenas como experiências de sonho. Quanto mais você se move dessa forma, mais se aproxima dessa forma humana de existir, e você sabe como é a “pessoa” − ela não deixa de “ser pessoa”. Por isso, tenho enfatizado a importância de você se desligar de suas reações, porque elas são sempre premeditadas pela crença. Isso não tem nada a ver com uma Vida Divina, mas, sim, com esse modelo sofrido, conflituoso, que é “ser uma pessoa”.
Jesus costumava dizer: “Não se ocupem com o que vocês irão viver amanhã, com o que irão comer, ou vestir, ou para onde irão”. Por que ele dizia isso? Você acha que a minha insistência é muito forte quanto à necessidade de você sair dessa história, dessa imagem, desse personagem de marido, filho, esposa, mãe, e acha que isso é muito difícil, que ouvir isso é muito duro. No entanto, enquanto você estiver interessado nessas coisas, continuará somente nelas. Isso é como alguém literalmente sonhando e interessado demais no que está acontecendo no sonho. Quando você sonha e o sonho não é bom, você fica doido para sair daquela situação. Porém, quando o sonho é bom ou agradável, você quer continuar naquilo. 
A dificuldade com que a gente se depara aqui é que, para o ego, o agradável é o desagradável, então você não se move para ir além desse “sonho”. No fundo, você ama ser mãe, pai, marido, filho, namorado, ser “gente”, mas não percebe que amar isso é carregar sempre o medo. Você pensa: “Eu posso existir, viver, estar vivo, ir ao trabalho, alimentar a minha criança, levar meu filho para escola, tomar decisões, ser amado, aceito...”. Porém, cada uma dessas posições tem a posição contrária. Você fará todas essas coisas, mas, quando não puder fazer alguma delas, vai haver muita dor, muito sofrimento. Você tem essa forte sensação de que a vida é continuar lutando, mas, quando não conseguir mais lutar, você vai se sentir deprimido, sozinho, em solidão, em sofrimento.
O problema realmente não está no fazer, mas na ideia de que “você” está presente nisso. Você pensa: “Eu nasci para um grande propósito, tenho uma grande missão, farei grandes coisas. Por isso, eu tenho que lutar, tenho que batalhar muito até ter a completa vitória”. Essa é a postura da mundanidade, do modelo de ser miserável.
Assim, você não encontra beleza, encontra luta, somente. No que as pessoas pensam? Sobre o que elas conversam? O que é a vida para elas? Agora, é o caso da nomeação de um novo ministro da Saúde, as atitudes do Presidente, o coronavírus, o lockdown... Para as pessoas, a vida é isso, somado à particularidade de meia dúzia de filhos, netos e aqueles que estão em volta delas. Todos estão tratando dessas “histórias” tão importantes para eles.
Então, você se depara com Buda, com Jesus Cristo, e eles dizem: “Não ocupe sua mente com o amanhã, com o que você irá comer, vestir, se estará vivo ou não no próximo final de semana”. Eles são de outro planeta? Será que, de fato, eles são de outro mundo? Ou será que eles somente parecem estar neste mundo, mas não estão nesse “sonho” em que você acredita estar? Eles não pensam: “Eu existo!”, “Eu sou!”, “Eu farei!”, “Vou realizar coisas amanhã!”, “Quero construir uma grande história!”. Eles compreendem que não estão aqui para fazer.
Contudo, olhem as pessoas à sua volta. Elas estão com medo, porque têm decisões que ainda não tomaram e desejos que não realizaram. É assim: primeiro, o desejo era ter dois filhos e, agora, é criá-los, porque ainda não são adultos; depois, o desejo será de ver os filhos deles e, após isso, viver muito para poder ver os filhos dos filhos deles. Porém, chegou o coronavírus e elas escutam o som das ambulâncias passando... Cada vez que as escuta, alguma coisa lá dentro é afetada e elas veem a própria morte sendo cantada por uma sirene de ambulância. Eu não sei se vocês entendem o que estou dizendo… Tem pessoas em volta de vocês ficando deprimidas ao ouvir o som de ambulância passando.
Então, ser uma “pessoa” não é uma coisa gratificante. Passar por esses mesmos caminhos antigos, pisar os mesmos passos, dar as mesmas passadas na mesma direção, parece-me não ser uma coisa muito boa. Não pegue esses pensamentos como “O que eu deveria comer?” ou “O que eu deveria fazer?” Não pegue! A maioria das pessoas está tendo pensamentos desse tipo: “O que farei?”, “O que vou realizar?”, “Onde estarei?”, “Como será o futuro para mim e para os meus?”.
Jesus, se estivesse diante de você, diria: “Deixe o mundo sozinho e as coisas onde elas estão! Deixe cada coisa seguir o seu próprio destino! Deixe cada coisa ser como ela é! Olhe isso tudo como um jogo, do qual o resultado não está em suas mãos. Abandone o apego! Abandone também o abandono do apego!”. Ele diria, ainda, para você: “Vá além desse mundo, além dessa ideia de fazer algo, ou de ganhar e perder algo!”.
Então, deixe esse mundo sozinho, as coisas onde estão. Não se envolva! Eu estou dizendo para que internamente, psicologicamente, você não se envolva. Assim, você fica Livre e pode conhecer Deus, viver a Verdade, ser Feliz. Sabe o que acontece, então? Seu modelo de “sonho” termina.
Uma pessoa num estado de completa aflição psicológica se joga do sétimo andar do prédio. Sua desordem psicológica é tão dolorosamente aguda que ela acredita que pode se livrar do mundo assim, achando que tudo vai acabar dessa forma. Então, vem um Sábio indiano e diz: “Ela vai procurar um novo ventre, porque ficou devendo muito e ainda está com muitas coisas pendentes, muitos desejos que queria realizar e não conseguiu”. O Sábio diz que ela precisa voltar de novo, de novo, de novo e de novo, para resolver assuntos não acabados. Você achou dramática essa história, não foi? Você acha que a sua pequena história não é tão dramática? Enquanto você tiver dívidas, terá que resolvê-las; se você estiver devendo, vai ter que pagar; se você estiver fugindo, vai ser capturado; se você não quiser algo, vai ter isso. Então, a sua história é tão dramática quanto essa.
Se você tem alguma forma de medo, quer escapar de algo, então, terá isso. Ou seja, de alguma forma, você está devendo. Os Sábios chamam isso de “reencarnar” ou “nascer de novo”, e eu chamo de “continuação do sonho”. O “sonho” continuará! Se nada for resolvido, tudo continuará! Então, tire sua mente disso! Em outras palavras, não permita que os pensamentos presentes fiquem voltados para o externo, porque, quando é assim, essas condições começam a tomar lugar.
Se seus pensamentos voltarem à Fonte e desaparecerem no Coração, você encontrará Paz, Felicidade e Liberdade Absolutas! Portanto, tire seus pensamentos do mundo! Traga todos esses pensamentos de volta à sua Fonte, que é o Silêncio, e, então, não haverá mais dívida, “sonho” e história. Assim, o mundo acaba.
*Trecho de um Satsang intensivo online ocorrido no dia 16 de Maio de 2020. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Como ouvir a Voz de Deus?

Você tem que tomar consciência da Verdade, ou seja, ir além de suas crenças e de toda imagem que você faz de si mesmo e do mundo, somente então poderá se tornar total e completamente Livre. Quando você ora a Deus e Ele está muito distante, é como se Ele não estivesse ouvindo você. Não é que Ele não o esteja ouvindo, é que você não consegue ouvi-Lo. Esse é o mundo onde você vive, e é por isso que você precisa transcendê-lo: para poder, de fato, ouvir a voz de Deus.
Então, quando a Presença do Guru chega na sua vida, é para lhe dar a Visão da Verdade sobre quem Você é e sobre o que o mundo, de fato, é. Deus é a Verdade do seu Ser, porém, você não tem acesso a Ele, até que descubra como acessá-Lo aí dentro. Assim, esse misterioso Poder assume a forma do Guru e lhe mostra como acessar Isso aí dentro. O Guru silencia a sua mente e inclina o seu coração para a Verdade. Esse é o misterioso Poder da Presença de um Mestre vivo.
Todas as pessoas à sua volta são mundanas e toda inclinação delas é para o mundo dos nomes e das formas. Elas acreditam em tudo e seguem com a “manada”. Você sabe o que é uma manada de vaca? Se você separar uma vaca ou um boi da manada, eles ficam doidos para voltar. Separado, o animal fica perdido, sem saber para onde ir, porque ele perde a direção da manada. No ego, você é assim: ao se separar da “manada”, quer voltar para ela, porque se sente perdido.
Assim, a Presença do Mestre é para lhe dar uma outra perspectiva, outra visão, para tirar você da “manada”. É precioso Isso, ou não?
Quando você se senta em silêncio e começa a observar o movimento dos pensamentos aí dentro, percebe como a mente é cheia de lixo, que são as ideias preconcebidas, crenças, conceitos, uma quantidade enorme de entulho psicológico. Quando faz isso, você pode ouvir a voz de Deus, ver o rosto de Deus, e esse espaço que nós temos juntos, aqui, é para esse propósito. Como não pode lidar com Aquilo que desconhece, você tem que adquirir uma proximidade com esse movimento interno do “eu”. Ou seja, é impossível você ir além da mente sem se tornar cônscio do movimento dela. Se você não tem intimidade com esse movimento do próprio “eu”, como você pode soltar isso?
Agora, note o que estou dizendo para você aqui: não se trata de analisar o “eu”, pois isso os psicanalistas e os psicólogos fazem; trata-se, sim, de ver o movimento dele. O analista não está separado daquilo que ele analisa. Quando aquilo que é analisado surge, é analisado somente porque tem um analista presente. Então, os dois estão sempre juntos − analista e coisa analisada. É como o pensamento e o pensador − você não pode separar o pensador de pensamento, os dois aparecem juntos. Você não pode falar de um pensamento sem a ilusão de um “pensador”. Assim, se não há pensamento, não há “pensador”; se não há coisa analisada, não existe “analista”.
É como o medo − você não separa o medo daquele que sente medo. Aquele que sente medo está aí presente com o medo. Repare que não há separação. Quando não há medo, não existe “alguém” na experiência do medo; não existe o “medroso”. Também, quando não existe o pensamento, não há “pensador”, e, quando não existe nada para ser analisado, não existe “analista”. Então, o que é ouvir Deus e ver o Seu rosto? É estar fora da ilusão dessa dualidade: pensador e pensamento, analista e coisa analisada, medroso e medo. Portanto, quando o Guru chega, é para lhe mostrar a importância de estar nesse Espaço, que não é um “espaço”.
Agora, o primeiro passo, que talvez seja o último, é observar, conhecer essa mecânica. As pessoas perguntam: “Mas, quem vai se render?" Respondo que não existe quem vai se render. Quando há rendição, não fica “alguém”! Por isso que essas perguntas que as pessoas fazem, quando se aproximam deste trabalho, são completamente equivocadas. Elas dizem: “Como faço para parar de pensar?" É impossível parar de pensar! O pensamento para, mas você não faz o pensamento parar. Agora, para descobrir essa mecânica, somente se assentando em Silêncio e olhando para isso. Porém, não pegue isso de forma literal, como muita gente faz. Assentar-se em Silêncio não significa não poder comer, caminhar, trabalhar.
Aqui, quem está assentado em Silêncio é o próprio Silêncio, não é “alguém”. Se você acreditar que é “alguém”, vai colocar o seu corpo sentado e acreditar que realmente está em Silêncio. Então, assentar-se em Silêncio para conhecer essa mecânica é o Silêncio assentado e essa mecânica sendo conhecida. É bem interessante isso, porque você diz para mim assim: “Eu quero observar a mente”. Contudo, você não pode observar a mente, mas somente se confundir com ela. Quando há observação, não há mente. Você precisa ficar expert nessa questão da Meditação, que é esse “estar assentado em Silêncio”.
*Trecho de um Satsang intensivo online ocorrido no dia 16 de Maio de 2020 através do aplicativo Zoom. Para mais informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

quarta-feira, 29 de julho de 2020

8º - Vivendo sem conflito

Hoje é mais um dia para estarmos atentos a nós mesmos, para não sermos enganados pelos pensamentos com seus movimentos confusos e desorientados, pois quando eles estão no controle da nossa vida, refletem aquilo que são: perplexidade, medo, confusão e desespero. Isso está constantemente criando conflito em nossas relações com a esposa, marido, filhos, namorado, noiva, noivo, patrão, empregado, etc.
Sempre culpamos os outros, mas é preciso estarmos atentos. No começo, essa atenção sobre nós mesmos não é nada simples, requer um profundo amor à Verdade, um interesse ardente de não mais gerarmos sofrimento para nós mesmos nem para os outros. Observe o quanto isso não é simples na prática, pois por muitos anos temos sido condicionados, treinados a sermos agressivos, violentos, interessados apenas em nós mesmos, em nossos desejos e realizações.
Portanto, tenho dito às pessoas para que tenham paciência, muita paciência com todos à sua volta; esse é o passo número um. Elas estão viciosamente preocupadas consigo mesmas e, portanto, não são piores que nós em sua agressividade, possessividade e autointeresse. O passo número dois é termos paciência com nós mesmos. Não se puna, não se condene, apenas fique atento às suas reações. Agora, estamos trabalhando em nós próprios.
Lembre-se: você não pode mudar os outros, não está na cabeça das pessoas, no controle do que elas pensam ou sentem sobre você. Você só tem acesso a si mesmo, portanto, abandone essa ilusão de se preocupar com o que pensam ou o que sentem a seu respeito. Essa tem sido uma terrível doença generalizada entre nós, seres humanos, uma doença exclusivamente humana. Tenha certeza de uma coisa: o seu cãozinho de estimação nunca se preocupa com isso, é só observá-lo.
Portanto, abandone completamente a autopiedade e a autocomplacência. Assuma a responsabilidade por si mesmo, fique alerta às suas próprias palavras, aos seus próprios gestos e reações emocionais. Essa é a chave da mudança, da transformação que se faz necessária à nossa vida.
Essa atenção só é possível se aprendermos a observar o que se passa em nossa cabeça e coração. Assim, quando descobrimos, com paciência e através da experiência, que não precisamos ser vítimas ou um joguete desses pensamentos, podemos vivenciar nossa Real Natureza, Aquilo em nós que está muito além dessa limitação criada pelo "eu". Ali podemos descansar na Consciência da Presença de Deus e, então, ser Felizes e Livres... E Isso está aqui e agora!
*Este texto, escrito pelo Mestre Marcos Gualberto, compartilhando a visão do Sábio sobre a vida, foi veiculado pela primeira vez em 09 de outubro de 2010. Trata-se da oitava publicação deste blog, fazendo parte do acervo relativo aos primeiros anos deste trabalho, cujos textos, após terem sido mantidos offline nos últimos anos, serão republicados em série, de forma comemorativa pelos dez anos de criação deste blog, este que foi o primeiro canal da internet através do qual este trabalho tornou-se público. Para mais informações, acesse o nosso site, clique aqui.

domingo, 26 de julho de 2020

7º - Sonhar para quê? Para sofrer?

Aceitamos como real um modo superficial de vida. Dizemos: “É preciso sonhar!”. Todos dizem isso! Assim, estamos correndo atrás de superficialidades e dando a isso o nome de "meus sonhos". Isso ocorre porque nós somos condicionados a acreditar que nossos esforços fazem as coisas acontecerem, que sem eles nada acontece.
Será isso verdade? Já paramos para observar a vida e ver se é mesmo assim? Quantas tentativas fizemos, através das quais tanto nos esforçamos, mas que não deram em nada, e, por isso, nos cobramos, nos culpamos e somos condenados pelos outros? Dizemos a nós mesmos que não nos esforçamos o suficiente e que eles também não, que nós somos os responsáveis e que poderíamos ter feito um pouco mais e, assim, teria dado certo, teríamos conquistado… Mas realmente é assim a vida? Em contrapartida, quantas coisas levaram pouco ou absolutamente nenhum esforço nosso para chegarem às nossas mãos?
O que ainda não percebemos é que não somos nós que estamos no controle, determinando qualquer coisa em nossas vidas ou na vida das outras pessoas. É estúpido nos culparmos e também culparmos os outros por aquilo que nem nós e nem eles podemos controlar, determinar. Tem sido assim por acreditarmos nesse "eu" como o Senhor Supremo do nosso tão badalado destino e tão sonhado futuro.
Nós temos esses e outros tipos de crenças porque fomos treinados ou condicionados, como costumo dizer, a viver dessa maneira. Nunca nos perguntamos por que buscamos e o que realmente estamos buscando. Assim, temos essa contínua busca. Quando uma coisa chega, logo estamos à procura de uma nova. Você já percebeu quanto tempo dura uma satisfação ou o prazer de uma realização?
Só existem sonhos porque estamos dormindo. Essa é a natureza da mente: sonhar. Acreditamos que aquilo pelo qual lutamos poderá um dia nos trazer felicidade, e que a coisa mais natural na vida é desejar ser feliz. No entanto, a coisa mais natural na vida é ser Feliz, e Isso só é possível quando não há desejos.
O fato é que não precisamos de nada, absolutamente nada, para sermos Felizes. Somos profundamente Felizes quando, diante de um por do sol, o contemplamos com a sua vermelhidão, que, aos poucos, se esconde por detrás da montanha; ou quando presenciamos o nascer do sol na praia – assentados ali, vemos aquela imensa bola de fogo subir... silenciosa, imponente, trazendo luz e calor sobre tudo o que antes estava debaixo da escuridão.
Esses são extraordinários e indescritíveis momentos, momentos de Beleza, de Alegria sem causa. Diante daquela indescritível experiência, onde estava o "eu"? Em momentos como esses, onde estão os sonhos, desejos e buscas que nos causam tanta ansiedade, aflições e sofrimento?
Veja, o nosso Ser já é plenamente Feliz, nossa Real Natureza é Felicidade! Afinal, o que aconteceu naquela praia ou diante daquela montanha? É que descansamos por alguns segundos em nosso Ser, voltamos à nossa inocência.
Se não estamos vivendo essa Felicidade é exatamente porque estamos alienados do nosso Ser, de nossa Real Natureza, longe dessa inocência da nossa Natureza Verdadeira.
*Este texto, escrito pelo Mestre Marcos Gualberto, compartilhando a visão do Sábio sobre a vida, foi veiculado pela primeira vez em 08 de outubro de 2010. Trata-se da sétima publicação deste blog, fazendo parte do acervo relativo aos primeiros anos deste trabalho, cujos textos, após terem sido mantidos offline nos últimos anos, serão republicados em série, de forma comemorativa pelos dez anos de criação deste blog, este que foi o primeiro canal da internet através do qual este trabalho tornou-se público. Para mais informações, acesse o nosso site, clique aqui.

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