terça-feira, 2 de outubro de 2018

O Único Conhecimento que realmente importa

O que a entrega e a meditação representam? Esse é o nosso assunto dentro desse encontro. Não são as palavras em si que têm importância, mas aquilo que está além delas, afinal, não são as respostas a perguntas nem as próprias perguntas que têm relevância em Satsang. Em geral, você passa sua vida inteira em busca de respostas; as pessoas vivem à procura de respostas. Assim, por existir a fixação nessa busca, desde criança você vem adquirindo e acumulando conhecimento.
Que espécie de conhecimento você pode, também, adquirir aqui? Se você entra nessa sala para adquirir mais conhecimento, eu tenho uma pergunta para lhe fazer: que conhecimento pode ser mais importante para você além do fato de que você já É? Você já É! Que conhecimento pode ser mais importante do que esse? Mas, mesmo assim, você passa a vida inteira procurando mais conhecimento, e para quê?
Quando você desperta para a sua Real Identidade, para a sua Real Natureza, já não se importa mais com o conhecimento, pois ele é apenas para preencher a mente egoica. O coração do Sábio já está pleno, não precisa ser preenchido. A mente do Sábio desapareceu, então, não há necessidade de nenhum conteúdo. Em Satsang, nós temos apenas um Conhecimento que realmente interessa: o Conhecimento da Verdade do Ser!
Enquanto a mente egoica está presente, você pode continuar adquirindo conhecimento mundano e orgulhar-se disso. As pessoas se sentem muito orgulhosas de todo o conhecimento que adquiriram, mas para que serve isso? Quanto tempo esse tipo de conhecimento vai durar, dar-lhe importância e fazer você se sentir tão orgulhoso? Pode parecer que eu estou desprezando o conhecimento, mas isso não é verdade; ele também tem um certo lugar, mas não pode lhe dar Autorrealização, a Realização de Deus, a Felicidade suprema, a liberação do sofrimento, o fim do medo. Então, o seu conhecimento continuará aí até que ocorra algum problema nesse mecanismo cerebral, quando parte dessa memória poderá ser esquecida, destruída. Isso poderá acontecer durante a vida do corpo ou todo o mecanismo cerebral será destruído junto com o corpo. Porém, esse Conhecimento que Você É está além do corpo, do cérebro; está além da história e desse mundo.
Então, aqui a questão é: “Quem sou eu?” Enquanto você estiver aqui, me fale sobre quem é você e não sobre o que você sabe; fale de sua própria e direta experiência consigo mesmo; fale-me sobre Meditação. Você sabe o que é Meditação? Meditação é não perder de vista a Si mesmo!
"Você sabe o que é Meditação? Meditação é não perder de vista a Si mesmo!"
Essa Consciência, essa Presença, é a prova da Realidade Divina, Daquilo que está fora do tempo. Esse é o Despertar da Sabedoria, que é o verdadeiro Conhecimento. Então, Você sabe que É, e isso não pode ser lembrado ou esquecido, perdido ou queimado pelo fogo, nem pode desaparecer com a morte do corpo ou com o desaparecimento de objetos à sua volta. Aquilo que está além da mente não tem nascimento nem morte, é a sua Natureza Verdadeira, Real, é o seu Ser. Então, quando vem a Satsang, você se depara com a Verdade, com o real Conhecimento, que é o Conhecimento de Deus.
Sabem por que as pessoas têm medo da morte? Porque elas não conhecem a Meditação e perderam de vista a sua Verdadeira Identidade. Elas são prisioneiras do conhecido, do conhecimento, estão presas no passado, na memória, na história. Quando está em sua Natureza Real, que é Meditação, você não perde de vista sua Verdadeira Natureza e, então, não há mais o que perder, nem ganhar. Assim, você está livre, absolutamente livre. Em sua Real Natureza, você não é um homem ou uma mulher, não é um jovem ou uma criança ‒ isso tudo são meros conceitos na ilusão, no sonho, em maya. Estar agarrado a isso é a prisão.
Quando esse corpo aí nasceu, seus pais, parentes, todos comemoraram, estavam sorrindo e orgulhosos; agora, quando esse corpo morrer, todos vão lamentar, chorar e ficar de luto. Isso é maya, a ilusão. A ciência diz que mais de 80% do seu corpo é água, portanto, você é apenas uma pequena gota no oceano, no universo da água. Então, esse corpo é a água que volta para a água, mineral que volta para a terra, mas não tem ninguém dentro dessa gota. Portanto, não há porque se alegrar ou se lamentar, pois isso é somente um acontecimento em maya, no sonho divino.
Sabe porque é lindo estar aqui? Porque agora você tem a oportunidade de descobrir que não é esse corpo e se firmar no único Conhecimento que realmente importa, que é saber quem Você É. Você é O que É e isso é tudo que importa!
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 04 de Julho de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar, clique aqui.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Viva a Verdade, a Realidade do seu Ser

Estamos nos aproximando, dentro desses encontros, do fim da representação de “ser alguém”, para a qual fomos treinados, educados e condicionados. Isso se torna muito claro, porque na vida das pessoas não há Alegria, Amor e Liberdade. O que elas chamam de “alegria, amor e liberdade” são desejos e ações inconscientes, além de medo, muito medo.
Assim, toda a sociedade nos leva para essa direção, pois, se não nos tornarmos “alguém” nesse mundo, seremos um “ninguém”. Ser um “ninguém” é encarado como uma coisa muito negativa, dentro de nossa educação e cultura; é ser um fracassado. Então, desde crianças, somos condicionados a confiarmos nessa estrutura de “ser alguém”, a trabalharmos nessa direção. É isso que a sociedade nos ensina, e terminamos pagando um preço muito alto por estarmos enraizados nessa representação, nesse desejo de “ser alguém”.
Ao nosso redor, todos consideram isso algo muito importante. Se o propósito é “ser alguém”, o desejo é ser importante. Então, a relação entre os seres humanos é baseada na autoimportância, o que representa insegurança, ansiedade e medo. Por isso há essa preocupação com a autoimagem o tempo todo, essa busca de ser amado, o desejo de não ser esquecido.
Não é assim? Isso não é um fato? Não é isso que acontece no mundo? As pessoas estão em amor, alegria e liberdade ou estão vivendo dessa forma que acabei de colocar? Qual é o seu caso? Você está trabalhando essa “coisa” de ir além dessas conhecidas relações humanas, as quais estão carregadas dessa tremenda e terrível exigência?
Satsang é esse encontro com a Realidade, com a Verdade. Então, nosso convite é para que você viva a Verdade, a Realidade do seu Ser, indo além dessa representação, porque tudo isso é a mente egoica, o falso “eu”. Uma coisa também curiosa é que, hoje em dia, existem muitas propostas para essa Autorrealização. Eu não sei o que é considerado Autorrealização ou Iluminação para a grande maioria. Parece-me que tem muito mais a ver com uma “autoiluminação” do que com a verdadeira Realização da Verdade sobre si mesmo. Então, o que estão chamando de “autorrealização” ou “iluminação” ainda é parte dessa ilusão, dessa estrutura egoica, pois é uma coisa imaginada, uma invenção da própria mente, faz parte da antiga estrutura do “eu”, da velha mente egoica.
Então, a pergunta é: será que essas práticas de estudos, técnicas de meditação, encontros de pessoas trocando ideias sobre iluminação, compartilhando suas convicções e crenças, funcionam mesmo? A primeira coisa aqui é que você precisa ver que o relacionamento com o mundo à sua volta não pode continuar sendo baseado nesse desejo de autoimportância, nessa busca de “ser alguém”, inclusive — e principalmente — um “alguém iluminado” ou “autorrealizado”. Isso tudo ainda é parte da mentira. A cada dia teremos mais pessoas interessadas nesse assunto e, quanto mais pessoas surgirem, mais “gurus” surgirão, também. A procura pela iluminação produzirá mais oferta.
Eu quero convidá-lo a ter uma aproximação real DISSO. Assim sendo, seu relacionamento com o seu entorno precisa ser real, baseado na Verdade e não em teorias, crenças, conceitos, ideias. Você não pode se aproximar DISSO como alguém que se aproxima de um assunto que precisa ser estudado externamente. ISSO não é algo que se aprende na escola, como matemática ou qualquer uma outra ciência objetiva, externa. Você só vai saber o que, de fato, é a Verdade sobre si mesmo, investigando a si próprio, aí dentro. Isso é possível somente quando você sai dessa velha estrutura, dessa representação baseada no desejo de “ser alguém”.
"Você só vai saber o que, de fato, é a Verdade sobre si mesmo, investigando a si próprio."
Quando você é “alguém”, pode somente enxergar outro “alguém”. Em outras palavras, se você busca autoimportância, tudo o que você deseja é ver pessoas importantes e ser como elas. Assim, você termina, também, transferindo isso para esses trabalhos de autorrealização, querendo ser tão importante quanto seu “guru”, tornando isso um jogo de trapaça, de mentira. Desse modo, não há verdade nessa busca da Verdade — o “guru” e seu discípulo estão na mentira.
Isso está acontecendo porque não há uma real relação, um real encontro com a Verdade de si mesmo, mas apenas um relacionamento entre crenças. É necessária uma completa quebra de tudo isso. Quando você observa a si mesmo, você consegue também ver o seu entorno, esse jogo, essa ilusão. Somente então é possível o fim desse ego sutil, que está se disfarçando de “buscador da Verdade” ou de “professor da Verdade”.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 30 de Julho de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar, clique aqui.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

A origem da ilusão

Dentro desses encontros, nós estamos sempre trabalhando essa abertura, que é a capacitação para se vivenciar a Graça, a Verdade sobre você. Você é esta Presença atemporal, algo além daquilo que é eterno. Mas, sempre que um pensamento ou sentimento aparecem, com base na crença de que você é outra coisa além desta Presença atemporal, há uma limitação (que é a identificação com o corpo e a mente) e você termina vendo isso como sua verdadeira identidade.
O que acontece é que seus antigos hábitos de sentir, pensar e se ver como uma entidade separada criam todo tipo de problema. Você está aqui para tomar ciência de si mesmo, conhecendo a sua Natureza Real. Isso não significa uma luta constante contra antigos hábitos do pensamento, do sentimento, da emoção. A luta não é o caminho, não é a real forma de se aproximar deste trabalho de autoinvestigação. A real aproximação é amorosa, de rendição e de entrega, algo que acontece através da paciente observação. Você necessita da paciente observação do movimento da mente, de como surgem as inclinações da mente aí.
Cada pessoa responde de uma forma, reage de uma maneira, e isso precisa ser observado pacientemente, amorosamente, com bastante atenção. A Realização da Verdade não nasce do resultado de um esforço, de uma luta, de uma resistência, de um combate. Isso é algo que requer que você seja consistente, que você jamais desista, mas dentro dessa rendição, dessa entrega, dessa auto-observação. Não se trata de uma luta para conseguir virtudes ou experiências, mas de um profundo amor, uma consistente e persistente entrega dos antigos hábitos de pensar, sentir e agir — é aqui que a devoção à Verdade aparece. Antes, não havia atenção sobre o movimento das ações, dos pensamentos, dos sentimentos, era puro automatismo, pura inconsciência. Agora, você está trazendo Consciência a este instante, a este momento presente, desidentificando-se da experiência, do “eu” presente na experiência. Como resultado disso, os pensamentos, os sentimentos, as atividades e os relacionamentos começam a acontecer nessa Consciência. Quando há essa Consciência, surge a expressão da Verdade, da Paz.
"Não se trata de uma luta para conseguir virtudes ou experiências, mas de um profundo amor, uma consistente e persistente entrega dos antigos hábitos de pensar, sentir e agir — é aqui que a devoção à Verdade aparece."
Se seu interesse é pela Verdade, pela Paz, pela Felicidade, você precisa se tornar cônscio de suas reações, de todo movimento interno, de tudo que se passa dentro de você. Assim, será possível o perfume desta Presença atemporal; você será capaz de, naturalmente, sair dos antigos hábitos, deixar esse “eu”, essa antiga imagem de si mesmo.
Tudo é apenas parte dessa Totalidade, dessa mesma Verdade inseparável, mas você não pode ver isso enquanto estiver preso aos antigos hábitos da velha identidade ilusória; você não pode desfrutar da verdadeira Paz, Liberdade e Felicidade do seu Ser. A minha sugestão é: vá além dessa ilusão!
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 29 de Agosto de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar, clique aqui.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Como abandonar a mentira de ser uma pessoa?

Estamos tratando, nesses encontros, de algo bastante básico para a realização daquilo que todos procuram, de uma certa forma, que é a Felicidade.
O que eu tenho observado é a facilidade que você tem de se desorientar. Quando alguém caminha dentro de uma mata fechada, precisa tomar muito cuidado para não perder o sentido de orientação. Se isso acontece, ela pode perder a vida. Com muita facilidade, você perde este sentido de orientação, e isso acontece quando você perde a si mesmo nos fenômenos, nas aparições dos acontecimentos. Você se esquece de si mesmo, de sua Natureza Real, e se embola com qualquer fenômeno externo.
É curioso, mas o pensamento, o sentimento e a emoção também são fenômenos externos. Percebam que isso é básico para você que está trabalhando essa coisa do Despertar, da Realização de Deus — não se perder no “externo”.
Quando algo acontece do lado de fora do corpo — um parente sofre um acidente ou é hospitalizado, alguém vai embora, perde o emprego, etc. —, você se perde nesses eventos, você esquece sua Natureza Real, preocupa-se, ocupa-se com o “externo”. E o “externo” pode ser tanto acontecimentos do lado de fora como pensamentos do lado de dentro. Quando você faz isso, esquece que há algo, em você, maior que o “externo”.
Quando você chega em Satsang, eu lhe digo: “Nada disso é real!”. Talvez, seja real apenas como um fenômeno, mas não é real em seu Ser, em sua Natureza Verdadeira. Não é real porque é uma coisa que vem e vai. Pensamentos, sentimentos, emoções, empregos, acidentes, pessoas sendo internadas, morrendo e nascendo são coisas assim, mas nada disso pode tocar Você, o seu Ser. Entretanto, você não acredita em mim; você prefere acreditar nisso, então, tem problemas, sofre. Você acompanha isso?
Quando você chega em Satsang, eu lhe digo: 'Nada disso é real!'. Talvez, seja real apenas como um fenômeno, mas não é real em seu Ser, em sua Natureza Verdadeira.
A coisa mais desafiadora na vida é ficar só com ela e não inventar nada. O pensamento adora inventar! Ele interpreta, traduz e tenta manipular o que acontece. Isso é o ego! “Forçar a barra” é o ego; resistir, lutar contra o que aparece, é o ego. Você vai além dessa limitação quando acolhe seu Ser, sua Natureza Real.
A sua Natureza Verdadeira está em Paz, não tem problema. Em sono profundo, você experimenta Isso, porque você não está lá como uma egoidentidade, como uma pessoa com escolhas, desejos e medos.
Satsang o convida a ir além de toda essa limitação; é a chave que abre a porta do fim da ilusão, dessa entidade que sofre, dessa pessoa, desse perturbado. Eu não conheço uma pessoa boa, porque “pessoa” é sinal de maluquice. Quando você vai a Satsang, se depara com um Ser Realizado, então, ele olha para você e diz: “Não precisa sofrer, mas tem que se desapegar da história, do pensamento, do seu mundo, porque o ‘seu mundo’ é problemático. Onde o seu mundo aparecer, o problema aparecerá.”.
Mas, você está viciado em pensar, em sentir, em ser “alguém”; está viciado no mundo, na história. Então, não há espaço para a Consciência, que é Meditação, que é Ser. Não há mais problema se você vive em seu Ser. Isso é seu Despertar! Você tem que sair desse sono, que é o “seu mundo”, o qual está todo dentro da sua cabeça. Esse é o seu único problema!
Compreenda isso; não intelectualmente, mas de forma prática. Quando o fenômeno surgir, não salte sobre ele, não confie nisso. Quando o pensamento, o sentimento, a emoção, a sensação e os acontecimentos surgirem, deixe isso por conta de Deus. Não é seu assunto, então, não se envolva! Deixe Deus tomar conta de tudo! Se você não fizer isso, vai perder a fome, vai perder o sono, vai sonhar à noite, vai ficar mal-humorado durante o dia, vai ter muita raiva, vai ficar perturbado, um perturbado mental.
Então, você se volta para a Verdade de si mesmo, que é Consciência, que é essa Presença, que é Deus, e abandona a mente. Por isso, eu tenho recomendado às pessoas que venham a Satsang, porque é único jeito de abandonar a mentira de ser uma pessoa.
Você está muito viciado nisso, muito viciado! Você vive no meio de “drogados”, de “gente viciada”. Então, você vai a Satsang e se depara com um “sóbrio”, em meio a uma multidão de egos, de pessoas “embriagadas” de ilusão.
A mente tem a habilidade de transformar a vida em um problema. A mente é sempre pessoal! Ela pega a experiência em volta dela — pensamentos, sentimentos, emoções e tudo que acontece do lado de fora — e transforma tudo em algo particular, pessoal, para “alguém”. Quem? Você! Então, você diz: “Eu tenho um problema que ninguém tem!” — essa é a particularização da mente. Agora, fica claro o que a gente chama de “ego”. Ego é esse sentido ilusório de um centro, em torno do qual acontecem coisas. Maluquice total, porque tudo o que acontece a esse “mim” é só uma imaginação para essa autoimagem que você acredita ser. Olha que interessante: você imagina ser alguém e, então, tem problemas. Isso só existe na mente!
A Vida diz: “Eu Sou o que Sou, não estou nem aí para a sua imaginação!”. Então, essa autoimagem fica revoltada, com raiva, sofrendo, e isso não tem fim nunca! Só se o sonho terminar.
Bem-vindo a Satsang!
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 24 de Agosto de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar, clique aqui.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

É o momento do Despertar

O senso de separação, a ilusão da autoidentidade, não pode fazer algo para ir além dela mesma. Você não vai intensificar o calor, a força e o brilho da luz da manhã; você não pode interferir no trabalho do sol. Essa Consciência, essa Graça, essa Presença é esta “Luz”, então, não existe um meio de fazer essa Iluminação, esse Despertar, essa Realização acontecer. Estamos diante de algo que acontece naturalmente, assim como, pela manhã, o sol aparece e faz todo o trabalho que ele sabe fazer. Assim é a Luz dessa Presença, Consciência e Graça. Então, o florescer dessa Presença, dessa Realização, acontece sem esforço.
Quando há uma comunhão de coração com a Verdade, Ela é vivida, Ela é realizada, Ela floresce. Se persiste no seu sonho, que é o sonho dessa egoidentidade, você está na ilusão e não há espaço para essa comunhão de coração com a Verdade. Quando não há esse espaço, o sonho continua, a ilusão continua.
Quando nós nos encontramos, você se depara com esse momento de “luz da manhã”. A Presença de Deus é esta “luz do amanhecer”. Quando a Graça do Guru, de Deus, dessa Presença aparece, chega desta forma e, então, tudo acontece naturalmente.
O meu trabalho não é fazer alguma coisa com o sonho. Eu, simplesmente, não dou suporte e nem acredito nisto; não vivo dentro deste ponto de vista, e esta é a posição da Graça, de Deus, do Guru quando o encontra.
Você está na cama e é de manhã… É momento de Acordar! É o fim da ilusão, do sofrimento, de todo desespero, aflição, confusão. É o momento da “manhã”, é o momento do Despertar! Este é o significado deste trabalho.
Nessa comunhão de coração com a Verdade, Ela é vivida por você. Então, você pode viver a sua Natureza Verdadeira. Você, gradualmente, se torna menos e menos envolvido com o sofrimento, porque ele é todo imaginário; ele está assentado na ilusão de uma entidade separada, agarrada aos seus desejos, apegos e medos. Isto faz algum sentido para você ou isso não lhe diz nada?
Nessa comunhão de coração com a Verdade, Ela é vivida por você. Então, você pode viver a sua Natureza Verdadeira.
Esta Realização não dá suporte ao sentido de separação e a qualquer busca de realização do lado de fora. Então, o coração em comunhão com esse Eu Real é a base do fim do sofrimento e de toda a ilusão. Por isso, comecei dizendo que não é uma questão de fazer alguma coisa, mas de estar nesta comunhão, nesta entrega, nesta rendição.
As pessoas se aproximam deste encontro e se deparam com uma proposta inteiramente nova, que é a de desistir de si mesmo, de suas buscas, de suas realizações, mergulhando na Fonte, na Natureza do Ser, voltando para “casa”. Isto é uma radical “compreensão”, uma aproximação totalmente diferente da Vida, de que não há nada para se fazer neste mundo, porque ele já está no lugar em que precisa estar. Você não vai melhorar nada, só vai criar mais confusão.
Na Índia, eles chamam isso de “karma”, que é receber os frutos de boas ações ou de más ações. Mas, isto está, ainda, dentro da operação do falso “eu”, da ilusão da egoidentidade, da separação. O que eu acabei de chamar de “radical compreensão”, é a constatação de que a Vida está completa e o mundo está muito bem sem você.
Você está na fábrica da confusão, trabalhando duramente nela. Os Sábios, na Índia, chamavam essa “fábrica” de “Círculo do Samsara” — nascer, voltar para a escola, casar, ter filhos, constituir família, morrer, nascer, morrer, nascer, morrer...
Há sempre a ilusão de alguém presente no “fazer”, enquanto que não tem ninguém fazendo; é só o próprio movimento do karma. Isso está dentro da ilusão, da crença da separação: “eu e o mundo”, “eu e a vida”, “eu e os meus feitos”. Onde quer que exista relacionamento desse “eu” com o mundo, desse “eu” com o outro, desse “eu” com a vida, haverá confusão. Essa é a “fábrica”, é o Samsara.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 04 de Julho de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar, clique aqui.

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