quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

A ilusão de uma existência separada

É sempre um momento importante este encontro com Aquilo que somos. ISSO é Aquilo que permanece. A única realidade é essa Pura Inteligência, que é a Absoluta Realidade. A Verdade, a Pura Inteligência, a Realidade, não pode ser explicada, é algo inefável. É necessário você compreender ISSO de uma forma direta, por você mesmo.
No Zen-budismo, eles chamam Isso de “O Vazio”. Na Índia, eles chamam de Moksha, a Liberação. Na linguagem cristã, eles chamam isso de “O Reino dos Céus”. O fato é que estamos diante de algo inefável, inexplicável, que transcende a mente e o mundo; transcende o corpo, mente e mundo. É algo que está além de tudo o que você conhece. Isso é bastante intrigante, porque nós sempre, na mente, trabalhamos pelo conhecido. Tudo o que a mente conhece, aprecia, anseia, anela, deseja, busca, está dentro do conhecido. Aqui estamos tratando de algo desconhecido, fora da mente, portanto, fora da experiência do pensamento, aquilo que se mantém e se manterá sempre desconhecido, algo inatingível. Você não pode atingir ou alcançar Isso; não pode “chegar lá”.
Essa Absoluta Realidade, Pura Inteligência, Liberação, ou esse Reino dos Céus, ou essa Verdade, tem que vir até você, pois você não pode ir até Ela. Há algo além de tudo que você conhece, algo além do pensamento, de todo e qualquer sentimento, de toda e qualquer experiência que você possa ter. Você tem uma experiência e ela pode ser a mais maravilhosa de todas as experiências, mas logo depois a única coisa que você pode fazer é lembrar-se dessa experiência. Se você pode lembrar-se é porque ela já não está mais aí, e, se não está mais aí, ela não tem nenhuma prova de permanência, ainda não é real. Não tem a prova de permanência e, ainda, tem "você" presente para, através de palavras, usando palavras, descrever essa memória. Então, isso não é essa Absoluta Realidade, nem essa Pura Inteligência, da qual estamos falando.
Aquilo que pode ser experimentado ainda não é Isso. Esse Vazio, Moksha, essa Liberação, está presente quando a “pessoa” não está presente – Isto é Liberação. Todas as formas de experiências, tudo aquilo que pode ser experimentado e alcançado através de alguma forma de prática, pode ser perdido e, se aparece, pode desaparecer também. Portanto, todas as formas de meditação, afirmações, decretos, yoga, exercícios de respiração, asanas, posturas, concentração, etc., estão dentro dessa limitação da experiência, se a mente e o corpo estão nesse processo. Eu repito: ISSO não pode fazer parte de uma experiência.
A ideia é a ideia deste “eu”, o “eu que pensa”, o “eu que sente”, desse “eu que experimenta”. Não existe nenhum ”eu”. Você está simplesmente hipnotizado, acreditando ser “alguém”. Esse “eu” é a ideia de ser “alguém”, mas não há nenhum “eu”. Primeiro, interrogue: para quem esses pensamentos aparecem? São somente pensamentos. Para quem essas sensações estão ocorrendo? São somente sensações. Para quem esses sentimentos estão acontecendo? São somente sentimentos.
Se você permanecer firme, um dia ficará claro que nunca houve “alguém”, uma “pessoa”, aí... Você compreenderá, constatará, realizará que tudo é esta única Pura Inteligência, Absoluta Realidade. Tudo é essa única Realidade, é essa Pura Inteligência. Essa é a sua Natureza Real, a sua Natureza Verdadeira. Essa sua Natureza Verdadeira, Real, é Consciência, Ser, Beatitude, Felicidade, e isso está além das palavras, dos pensamentos, das experiências, dos sentimentos e das sensações. ISSO vem e assume o lugar que é Dele, e esse “sentido de alguém” entra em colapso, desaparece completamente. As palavras autorrealização, despertar, iluminação, são apenas palavras. ISSO significa, basicamente, não estar mais nesse "sonho", nessa hipnose, nessa ilusão comum, que é a ilusão de ter uma existência separada, de estar vivendo uma existência separada.
Você assiste às notícias na televisão e vê as coisas preocupantes que andam acontecendo ao redor do mundo, as coisas terríveis, amedrontadoras, assustadoras, o tremendo estardalhaço que fazemos em torno disso, e ficamos terrivelmente assustados. Vemos a crise política no país, a crise econômica... A palavra crise tomou conta de tudo, há crise em toda parte. Nós ficamos terrivelmente assustados, tentando encontrar, procurando, um lugar nesse mundo tão conflituoso e aflitivo, tão terrível e apavorante, onde possamos ter um pouco de tranquilidade, de paz, porque estamos com muito medo. De repente você "acorda" e compreende que isso está apenas parecendo ser assim para a mente que está assustada e está em seu "sonho"... E o seu "sonho" é o seu "pesadelo". De repente você "acorda" e, quando acorda, descobre que isso é só um "sonho", não está mais ali. Todo esse medo está presente quando a ilusão da separatividade, da separação, e a ideia de “ser alguém” estão presentes, porque, quando isso, essa ilusão, não está presente, tudo é Graça, é Amor, é Liberdade, é Consciência... Tudo está acontecendo ou parecendo acontecer nesta base, que é a base da Suprema Realidade, da Suprema Verdade, da Pura Inteligência, da Absoluta Realidade.
A mente conhece o "seu mundo", que está dentro do "seu sonho". Nesse "seu sonho" do "seu mundo", o bem e o mal, o sofrimento e o prazer, a alegria e a dor, o nascimento e a morte, a tristeza e a alegria, estão dentro dessa mente, como ela se vê, porque ela assim projeta. Isso tudo está dentro dela, dentro dessa experiência. A Realidade Absoluta, essa Inteligência, que é a Consciência, essa Presença que não faz parte desse "sonho", é o Divino, Deus em você, é a Verdade em você, e Isso está presente quando essa ilusão não está. Percebem isso? É puro condicionamento. Você está condicionado a ver através do pensamento. Confunde-se com a mente e vê o mundo através dela, mas a mente não é inteligente, ou não há inteligência na mente, não essa Inteligência Absoluta.
Essa Inteligência Absoluta é Consciência, é a sua Natureza Divina, que é não dual. Quando eu digo não dual, é que essa sua Natureza Divina não conhece separação... Não conhece o sonho e o sonhador, o pensamento e o pensador, o experimentador e a experiência, o sentimento e aquele que sente... Está além disso, completamente fora disso. Ela está nesse Silêncio, nessa Consciência, nesta Presença, nesta Real Alegria de Ser, nesta Beatitude.
*Transcrito de uma fala ocorrida em 31 de outubro de 2016, num encontro aberto online.
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domingo, 1 de janeiro de 2017

A chave para a Realização Divina

Não importa o modo como nos aproximamos dessa fala, o objetivo é sempre o mesmo: constatarmos essa Realidade. O Real significado desse pronome que todos nós sempre usamos, o pronome “eu”, qual é o real significado disso? Esse é o primeiro pronome que nós aprendemos quando criança, mas apesar de ser o primeiro que nós aprendemos, nós de fato não aprendemos qual é o real significado dele. Qual é o significado desse pronome “eu”? Quando você se refere a si mesmo, você diz “eu” ou “mim”, “eu mesmo” ou “isso é para mim”. Mas, qual é o significado desse pronome? Qual é o significado desse “eu”? Qual é o significado desse “mim”?
Não importa como estejamos abordando esse assunto nesses encontros. O assunto principal aqui é esse “eu”, esse “mim”. Quando criança, começamos a usar esse “eu”, esse “mim”; depois desse primeiro pronome, os outros aparecem. Nós passamos a vida toda usando, sem compreender o real significado desse “mim”, desse “eu”. Você nunca, ou quase nunca, tem um interesse real em compreender o significado desse “eu”, desse “mim”. Quando por exemplo um pensamento acontece aí, dificilmente você se pergunta: Para quem é esse pensamento? Para quem ele está acontecendo? Quando um sentimento acontece aí, você dificilmente se pergunta: o que representa esse sentimento em “mim”, neste “eu”? O que é esse sentimento para “mim”? O que é esse sentimento para “eu mesmo”? Qual é o significado disso?
Nós nos importamos com os pensamentos ou com os sentimentos, nos identificamos com eles, mas nunca nos perguntamos o que é esse “mim”, o que é esse “eu”? Para quem esses pensamentos ou esses sentimentos ocorrem? E aqui está a chave dessa liberação, dessa realização de Deus, dessa Realização Divina. Percebam “essa coisa” claramente! Então quando o sentimento aparece, você não se interroga; quando o pensamento aparece, você não se interroga, não faz a si mesmo essa pergunta.
Eu quero lhe recomendar a trabalhar isso. O trabalho de Ramana Maharshi era esse. Esse é o seu legado, isso é o que Ele deixou.
Quando os pensamentos vierem a você, simplesmente pergunte a si mesmo: “para quem são esses pensamentos? Quem é esse a quem esses pensamentos estão sendo dirigidos ou estão acontecendo?” Ou você faz isso, ou você formula a pergunta de uma outra forma, com o mesmo resultado: “De onde vêm esses pensamentos? Qual é a origem? De onde estão surgindo esses pensamentos, esses sentimentos?” Então, você tem a oportunidade de seguir um rastro, uma pista. É como uma pista que um detetive segue: uma pista leva a outra, que leva a outra… e ele vai tendo sinais para encontrar a origem do crime, a base desse crime, onde ele termina chegando ao criminoso. Ele começa a ligar as peças, as pistas. Você também seguirá uma pista. A pista é: “Para quem isso ocorre? Para mim! Esse pensamento/sentimento ocorre para mim. E o que é esse “eu” para quem esses pensamentos/sentimentos estão acontecendo?” Então você volta à Fonte, você encontra a origem dos pensamentos, a origem dos sentimentos! A origem só pode ser Aqui, nessa coisa que nós denominamos, colocamos um pronome para definir… “essa coisa chamada eu”.
O seu interesse não é mais no pensamento. Nenhum deles tem importância, todos eles têm a mesma qualidade... pensamentos bons, pensamentos ruins, aparentemente verdadeiros ou falsos, são somente pensamentos. O seu interesse agora está no “lugar” onde isso acontece, está na Fonte! Então, se você observa a partir da Fonte, o pensamento perde a importância, o sentimento perde a importância. Esse é o começo da investigação. Aqui, simultaneamente, você pega todas as pistas, todos os sinais. Onde o crime acontece e quem é o criminoso, quem é o culpado. Então você encontra a Fonte! Você seguiu toda essa linha: Quem sou eu? O que é essa Fonte? De onde isso vem?
A tristeza está aqui. Não importa o que pode ser dito sobre a tristeza, mas “para quem a tristeza está acontecendo? “onde a tristeza está acontecendo?”; não a história da tristeza, a história da tristeza é um volume muito grande de pensamentos. Você tem um sentimento… Você valoriza a história de um sentimento, seja um sentimento agradável, bom, feliz, ou um sentimento ruim, desagradável, infeliz. Há uma quantidade enorme de pensamentos para dar uma história para o sentimento, e eu estou lhe dizendo: abandone a história, não se importe com a história, porque quando você se importa com a história, você se afasta da Fonte! A Fonte é uma só, os sentimentos são diversos, eles são bons, ruins, positivos, negativos, tristes, alegres... A Fonte é uma só, mas os sentimentos são diferentes. A Fonte é uma só, mas os pensamentos sobre esses sentimentos são diferentes, ou os pensamentos sobre qualquer coisa são todos diferentes. Mas Fonte é uma só, então você retorna à Fonte.
Cada pensamento, cada sentimento, cada emoção, cada sensação está “linkada”, tem um link com a Fonte, mas não é a Fonte! Aparece na Fonte! Você aqui está interessado em descobrir ou voltar à Fonte. Descobrir isso é algo espantoso, extraordinário, estupendo, maravilhoso! Então, quando você volta à Fonte descobre que esse “eu” não existe! Quando você encontra o lugar do crime e encontra o criminoso, descobre que ambos desaparecem! Tanto o lugar do crime, quanto o criminoso. Tanto a história do crime que são os pensamentos, quanto o lugar do crime que é a ideia de uma entidade presente aqui e o criminoso que é esse sentido do “eu”, do “mim”. Tudo desaparece, tudo se dissolve nesta constatação. Então tudo termina! Os pensamentos terminam, a prisão ao sentimento termina, porque o prisioneiro terminou. Então a história do sentimento termina, a prisão do sentimento termina, e esse “eu” termina. Então você descobre que você não existe. Nunca existiu! Nunca teve alguém aí! Era só o sentimento, era só o pensamento, era só a sensação. Isso tinha uma valorização na ilusão de uma entidade presente. Isso já não é mais importante. Quando isso já não é mais importante o pensamento perde a importância, o sentimento perde a importância, a emoção ou a sensação... Você constata a sua Real Natureza, que é de absoluta Liberdade!
Eu não sei se vocês já ouviram algo tão claro, de uma forma tão direta! A ilusão do sentido de “alguém” é a ilusão de um espaço onde esse alguém se move, onde a sua história acontece, onde esse alguém tem um nome... Esse alguém é o “eu”, é o mim”. E tudo isso é uma tremenda ilusão, uma grande ilusão! Esse é todo o seu problema, todo o seu sofrimento. Eu fiz aqui uma síntese de toda miséria humana, nessas poucas palavras. Isso tudo que eu acabei de colocar para você é maya, a ilusão, a grade ilusão.
Você se confunde com o sentimento, acredita ser uma entidade que está nesse sentimento. Você acredita estar amando, por exemplo. Você acredita estar odiando, mas, na verdade, se você observar esse sentimento, vai descobrir que ele tem uma história, ele tem um lugar acontecendo, e que tem “alguém nisso”, que é esse “mim”, que é esse “eu”. Então, essas três coisas aparecem juntas: a história, o lugar e a suposta entidade presente nessa experiência. Essas três coisas configuram a ilusão de uma entidade presente nessa experiência, essa experiência de amar ou de odiar, ou gostar ou de não gostar – o que na verdade dá no mesmo, porque quando se fala de amar a partir do “eu”, a partir de um experimentador, isso também é mais uma experiência egoica! O amor não é pessoal. O Amor é Consciência. O Amor é a Presença. O Amor é a Verdade do Ser! E isso não é de uma pessoa para uma pessoa ou de uma pessoa para um objeto. Isso não tem uma história.
Eu sei que isso é desanimador, porque você ama certas coisas e não ama outras. Você ama certas pessoas e não ama outras. Ou seja, o seu amor esta atrelado a pensamentos, que são imagens, imagens de prazer. Se essas mesmas pessoas o maltratarem, logo você vai descobrir que esse amor vai mudar, que esse amor vai ter uma alteração, pode até acabar. As pessoas que você ama são uma projeção dessa ilusão, dessa “pessoa” que você acredita ser, no desejo de se preencher no prazer, nessa relação com mais um objeto animado, chamado “pessoa”. Porque você também tem um amor por coisas inanimadas, mas elas não te dão tanto prazer. Você também ama a sua casa, ama a sua sala, ama o seu sofá, mas você ama um pouco mais o seu cachorro, um pouco mais a sua namorada. Porque esses objetos animados lhe dão um pouco mais de prazer. Mas qualquer objeto animado que lhe dá um pouco mais de prazer, se começar a lhe provocar dor, você vai descobrir que não é amor o que você sente por eles, por elas; é só prazer, satisfação, preenchimento.
Quando seu objeto de prazer – que você chama de “alguém que você ama” – se afasta (ou porque o traiu, ou porque fugiu de você, ou porque morreu), aquele sentimento de amor desaparece e a dor assume... a dor da falta, da perda, da carência, da falta do outro. Isso é desejo, isso é prazer, isso não é amor! Eu sei que deve ser horrível ouvir isso. Que você não ama quem acredita amar, ou que esse “amar alguém” só pode ser algo no ego. O amor não é um verbo. Não pode haver “alguém” no Amor. O Amor não tem “alguém”. Nem aqui, nem aí. Nem do lado de cá, nem do outro lado.
Estão muito sérios! Me parecem preocupados ou decepcionados… afinal o que está havendo? Talvez no caso de vocês seja diferente… (risos)
Se querem descobrir a Realidade do Amor, precisam descobrir a Natureza do Ser, a Natureza da Consciência; precisam voltar à Fonte, precisam ir além do experimentador, que é a ilusão dessa pessoa presente na experiência do amar, ou de qualquer sentimento, ou de qualquer sensação ou de qualquer emoção.
Apenas a Consciência, a Presença, a sua Real Natureza, sabe o que é o Amor! E esse Amor está na ausência do sentido desse “eu” ilusório, desse “eu” buscando algo, ou tentando se livrar de algo, ou tentando substituir algo por outro algo, ou alguém por outro alguém. É necessário descobrir aquilo que você É! Sua Verdadeira Natureza!
A sua pergunta é: Então o amor é o vazio, o nada?
Não! O Amor é a totalidade da Consciência! E a Consciência em sua totalidade inclui tudo! Não é dizer que “a consciência ama tudo”, é dizer que a Consciência é essa Realidade presente em tudo, e isso é Amor! Quando a Consciência se expressa com essa Totalidade, isso é Beleza! Na Realização, que é essa constatação de sua Verdadeira natureza que é Consciência, tudo é Amor, tudo é Alegria, tudo é Ananda. A palavra Ananda é uma palavra indiana, para Felicidade. Quando essa totalidade da Consciência presente se expressa, se expressa como Amor, como Felicidade, como pura Alegria! Então aquilo que podemos chamar de Totalidade, é a ausência de separação, a ausência de distinções. Nesse sentido, aqui estão todas as aparições, tanto o som, quanto o silêncio; tanto o todo, quanto o vazio! Esse momento por exemplo, agora, aqui, em sua Real Natureza, você é Consciência, você é Amor, você é o Todo! Você é o Vazio, você é Tudo e você é Nada!
*Transcrito de uma fala ocorrida em 24 de Outubro de 2016, num encontro aberto online.
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terça-feira, 15 de novembro de 2016

Você só tem este momento

Estar aqui é o objetivo. Por isso, quando você fala “agora eu vou para casa e isto tudo vai desaparecer” não está entendendo o propósito. O propósito deste trabalho é este momento. Você só tem este momento. "Ah... mas hoje é sábado e depois de amanhã é segunda-feira"... “Amanhã” já está na segunda-feira e você não tem como escapar deste momento. Você está comigo para aprender que só há este momento, que é o objetivo, seja agora ou daqui a mil dias. É este momento! Percebem a beleza disso!? Não fará diferença para você, se aprender a ficar neste momento.

O que atrai você a mim é que, quando você se aproxima, eu compartilho este momento. Não há nada para ensinar, aprender, fazer, realizar; nada do que se lamentar ou para buscar. Quando você vem, olha em meus olhos, você me encontra, neste momento. Eu trago você para este momento. Não há nenhum esforço da minha parte, porque este é o único lugar, ou o único espaço, ou o único “não tempo”, em que você está bem. Todas as vezes que você está no tempo, está na ilusão de que está fora deste momento. Quando você está assim, você não está bem, porque não está em seu Estado Natural. O seu Estado Natural é atemporal, fora do tempo; é agora, aqui, já, imediatamente, no presente, no presente momento.

Então, o propósito deste trabalho é o trabalho, assim como o propósito da caminhada é o caminhar. Isto é Meditação, Silêncio, Consciência, Presença! Isto é Deus! Isto é iluminação... Ninguém iluminado, realizado... ninguém.

Você está vendo o que é Meditação? Não é aquela coisa, nada daquilo! Você aprendeu que a Meditação vai lhe dar a iluminação, então você se põe a meditar; torna-se um hábil meditador e fica meditando. Quando está fora da meditação, a mente diz para você: "Vá meditar, porque, um belo dia, um raio vai cair na sua cabeça... Então, continue meditando”; ou diz: "Este é o objetivo da meditação – a iluminação". Mas eu digo que isto não é verdade. Digo que Iluminação é Meditação e Isto só pode ser agora. Quando eu falo Meditação, estou falando sobre a ausência do tempo, do meditador e do objetivo, do propósito. Meditação é Iluminação.

Eu estou em Meditação! Eu nunca saio da Meditação para entrar, de novo, na Meditação! Não! Eu não faço isso! Isso é muito estúpido e significaria sair deste presente momento e entrar na fantasia do tempo, na ilusão do tempo, onde o ego tem um propósito, que é estar sempre no futuro. Quando o ego está presente, não há Meditação e isso é estúpido. Eu sei que isso destrói a sua meditação, mas a sua meditação não é real, pois é, ainda, a meditação de "alguém". Na minha Meditação não tem "você", nem "eu"; não tem ninguém. Então, Meditação é comer sem "alguém"; é falar sem "alguém"; é caminhar sem "alguém"; é ouvir, como agora, sem "alguém".

Vocês me perguntaram ontem "então nós estamos meditando?"

Naturalmente! Claro! Aqui e agora, você está meditando. Você é Meditação, aqui e agora! Olhe para esta menina... Você tem dúvida? Não passa um pensamento. Há uma atenção profunda, relaxada, suave, sem esforço, aqui e agora, que varre todos os pensamentos, medos e todo o passado. Você não se lembra do cachorro, do gato, do filho, de nada, de ninguém. Você está agora, aqui, e este é o propósito... Agora, aqui, significa que não há tempo, então, daqui a mil “amanhãs”, você estará aqui; só pode estar aqui. É muito lindo: não passado, não futuro, não problema, não parentes, não cachorro, não gato, não casa, não... Seus olhos brilham de pura alegria, gratidão, pela existência. Este é o seu Estado Natural! Sat-Chit-Ananda! Felicidade!

O que mais você quer? Do que mais você precisa? Para onde mais você pode ir? Sim, você está completamente certo! Não se mova! Permaneça aqui... aqui! Hoje eu compreendo. Isso é fascinante, indescritível, sem palavras... A beleza de Deus! Permaneça em silêncio e você saberá do que eu estou falando.

Você compreendeu? Isso não requer esforço! Olha o esforço que eu faço!? Eu estou cansado, muito cansado...(risos). Pareço cansado? Eu pareço cansado para vocês? Para ser feliz, para estar em paz, para estar em amor, eu pareço cansado? Você acha que isso é um esforço muito grande para mim? Você acha que é difícil para mim? Amar você, amar tudo à minha volta? Absolutamente! Isto não é difícil para mim. Isto não é difícil para você. É uma questão de foco. É uma questão de foco. Se a mente está nos desejos, nos objetos, sua energia está no tempo. Toda essa energia, que é consciência, está dissipada no movimento da mente egoica. Essa mesma energia, focada, de forma relaxada, descontraída, nesse silêncio... e pronto! Não tem ego. Quando não há ego, só há amor. Amor por tudo, amor por todos. Amor em tudo, amor em todos. Só há amor. Sem ego, não tem você. Tudo é amor, em toda parte. Tudo é Deus. Tudo é Deus. Tudo é Deus!

As pessoas me fazem muitas perguntas e uma delas é essa: "Como permanecer nisso?" Você não tem como sair Disso! Mas, quando fica dando espaço, você cria um espaço artificial para se movimentar no mundo da mente, que são pensamentos, imaginações, desejos, coisas, pessoas, objetos. Então quando cria esse espaço artificial e se perde nisso, você está com problemas. Mas se você não se perde nisso, não há como deixar esse Lugar Real de sua Natureza Verdadeira, que é puro Amor, pura Alegria e Liberdade. Claro isto? O resto é com vocês! Irão se perder algumas vezes... dezenas, centenas, milhares, milhões de vezes... Sem problemas, não tem problema, pois essas vezes estão no tempo, mas você está fora do tempo. A sua vitória é garantida, porque você é o Buda, você é o Cristo, você é o Iluminado, você é Deus! Portanto, não desista! Não desista! Siga em frente! Olhe, olhe de novo, e de novo, e de novo! Não desista! Não pare!

*Transcrito de uma fala ocorrida em Setembro de 2016, no retiro de Tiruvannamalai, Índia.
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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Não confie em pensamentos

Todos os conflitos são sinais de resistência à vida. Conflito na vida é resistência à vida. A vida em conflito é sinal do sentido de alguém presente nesse experimentar. A vida, em si, não carrega conflito; a pessoa, em si, não vive sem conflito. Esse alguém a experimentar é a pessoa. Todas as vezes que você se deparar com a vida, você não terá conflito se não houver resistência. Quando não há resistência, não há conflito, quando, então, você é a própria vida. Mas todas as vezes que você se deparar com a vida e houver conflito, você é o conflito nessa vida pessoal.

O sinal do conflito é a presença da pessoa. Esse sentido de ser e ter é o que cria essa mente, esse “eu”, esse “mim mesmo”. Esse é o sentido da vida que jamais deixa de carregar conflito, porque você estará lá sempre resistindo ao que É, àquilo que acontece. A primeira coisa é que nada está acontecendo porque você está presente. Tudo que parece acontecer é só a vida se expressando, e a vida não é pessoal. Não é essa presença desse “você” que determina as coisas que acontecem, ou que as controla, ou que as pode mudar. Essa presença desse “você” é a resistência, é a ilusão de uma vida pessoal na Vida única, na única Realidade que é a Vida como ela é.

A ciência, ou a arte da felicidade, que é viver sem conflito, é “viver a vida” como ela é! Isso significa uma profunda confiança naquilo que acontece, como sendo Deus acontecendo, a Vida acontecendo, a Verdade acontecendo. Isso significa não ser importante, o que significa não resistir, não ser pessoal, não ser o experimentador nessa experiência que é a vida. Todas as vezes que você estiver sofrendo, é porque há a ilusão de alguém presente podendo bater de frente ou confrontar com aquilo que a vida manifesta, com aquilo que a vida é, com Aquilo que É!

Não há nenhum sofrimento, não há nenhum conflito, não há nenhum problema quando não há resistência, que é quando não há o “eu”, que é quando não há essa mente egoica, que é quando não há esse movimento separatista que cria essa dualidade: eu e a vida; eu e aquilo que acontece. Nessa separação você tem o conflito, porque nessa separação você tem a resistência.

Viver sem ego é simples; viver no ego é que é complicado! Viver no ego requer muita coisa! Para ser feliz, basta Ser! Para ser infeliz, basta ter qualquer coisa: ideias, crenças, conclusões, opiniões, julgamentos, comparações, coisas, pessoas... Resistência! Você não precisa de nada para ser feliz, porque ser feliz é a sua natureza como Ser. Agora, você precisa de qualquer coisa para ser infeliz, porque essa não é sua natureza como Ser. É a natureza da mente dualista, é a natureza da mente ilusória, é a natureza do sentido de alguém presente, tentando ajustar, consertar, reformar, controlar, determinar…

Não é simples isso?

O que é que você espera? O que você espera é a ilusão; estar nessa separação entre você e o que vai acontecer. Essa ilusão é o conflito. Isso é ser uma “pessoa”, o que, basicamente, é uma ilusão, porque não há pessoa. É só um movimento de pensamentos com o qual você se confunde, de crenças com as quais você se identifica, de opiniões, julgamentos e desejos com os quais você se identifica. Você passa a existir separado para “ser alguém” e, é claro, para sofrer. Ego não pode viver sem isso! É por isso que encontro poucos interessados no que tenho para compartilhar, porque todos querem “ser alguém”. Todos querem ter, alcançar ou realizar algo. Todos querem resistir, como se estivesse faltando alguma coisa agora! Como se estivesse faltando o controle, ou aquela coisa, ou aquela outra, ou aquele lugar, ou aquela… para serem felizes. A mente, o ego, cria isso: essa ilusão da pessoa que precisa de algo.

Está claro isso?

No dia em que não houver mais essa imaturidade aí, esse posicionamento baseado no desejo de ser algo, de ter algo, de fazer algo, ou de poder realizar algo, de chegar a algum lugar, de chegar a alguma coisa... No dia em que isso não estiver mais presente, pronto! Aí a existência toda se derrama e nada mais lhe falta. Nada mais lhe falta quando você não deseja. Na verdade, a única forma de você ser verdadeiramente milionário, multimilionário, é não desejar nada, porque nada lhe falta. A maneira de ser pobre e profundamente miserável é ter desejos. Os pobres querem ser ricos, os ricos querem ser milionários e os milionários querem ser multimilionários. Todos são pobres! Nessa resistência, a pobreza se mantém. A pobreza é essa miséria dessa alienação de sua verdadeira natureza, que é Riqueza, Plenitude, Completude, Felicidade. Essa alienação é a verdadeira miséria, é a verdadeira pobreza, e ela se encontra em cima dessa resistência.

O que está faltando? Qualquer coisa que esteja faltando o torna miserável. Qualquer coisa! Não importa o quanto milionário, bilionário, você seja. Se tem algo faltando, você continua pobre, continua um pedinte. Mas se você não tem desejos, você é um príncipe, você é um rei.

Buda andava como um rei depois que deixou tudo, toda sua riqueza, os seus três palácios... Tudo! Era toda essa sua riqueza que o tornava miserável! Depois que ele abriu mão de tudo, de toda sua riqueza e não era mais rei, não tinha mais três palácios, não tinha mais reconhecimento público como rei, ele, então, se tornou um rei. Quando “acordou”, quando foi além do desejo, ele andou e viveu como um rei. Buda foi assim: viveu como um rei!

Ramana Maharshi também viveu como um rei. Teve um período de sua vida em que ele pedia comida em todas as casas. Ele disse que passou por todas as ruas de Tiruvannamalai, que, na época, era uma cidade muito pequena. Ele não repetia as casas. Ele ia em uma casa e pegava uma refeição; o que dessem para ele, ele comia. Era um rei! Não tinha outra necessidade, não havia nenhum outro desejo! Foi um período em que ele viveu como um sadhu, mas já não era um sadhu, era um sábio! Aí, depois da refeição, voltava para a gruta lá na montanha.

Jesus também! Uma vez, ele disse: “As raposas têm covis e as aves têm ninhos, mas o filho do homem não tem nem onde reclinar a cabeça”. Mas ele viveu como um rei! Em outra ocasião, quando Pilatos lhe perguntou se ele era um rei, Jesus respondeu: “Para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar o testemunho da Verdade. O meu reino não é deste mundo”. Ele era um rei!

Quando você é um Buda, quando você é O que Você É, você é um rei! Quando você acredita na mente, quando confia em pensamentos, você esquece que é um rei. Você continua sendo um rei, só que se esquece disso. Você está vivendo fora do reino. Na verdade, a miséria egoica é a ilusão do sentido de ser alguém, não é a verdade do sentido de ser alguém. Não há verdade nisso! Só há essa ilusão, mas ela é muito real para a mente que confia nisso. Por isso, a minha dica para você é: não confie em nenhum pensamento, em absolutamente nenhum! Todo e qualquer pensamento vai aliená-lo desse reino de Suprema Beatitude, de Suprema Liberdade, de Supremo Amor, de Suprema Felicidade. Qualquer pensamento vai fazer você deslizar para a “realidade” do tempo e do espaço, onde a pessoa vive. E pessoa sempre é miséria! Qualquer pensamento em sua cabeça não é real, é só um pensamento. São os pensamentos que criam as necessidades, que criam as crenças, os conceitos, os desejos e os medos.

Está claro isso?

Meu Guru me mostrou isso há muito tempo. Não confie em pensamentos! Se você confia em pensamentos, passa a viver como uma pessoa. Você perde esse seu olhar de realeza, esse seu porte de realeza, esse seu andar de realeza, esse sorriso de realeza, essa compaixão de realeza. Repare que o rei não tem necessidades, então, ele não olha como um pedinte, ele não age como um pedinte, ele não se comporta como um pedinte, não se senta como um pedinte, ele não se vê miserável… Ele é um rei! Ele tem um porte silencioso, majestoso; não é um sofredor… não pode ser um sofredor! Se é um sofredor, não é um rei, é alguém que sente falta de algo.

Buda descobriu isso quando era rei. Ele era um rei desses reis do mundo, um desses multimilionários. Chegou uma hora que, como multimilionário, ele descobriu que ainda estava desejando alguma coisa, ainda estava faltando algo. Então, ele olhou e disse: “Mas eu ainda sou miserável, mesmo tendo tudo! Tem que haver um reino diferente desse, porque nesse reino aqui ainda falta alguma coisa… ainda está faltando algo para mim”.

Quando ele descobriu que podia adoecer, envelhecer e morrer, ele disse: “Não! Será possível que até eu terei que passar por isso?” Então, alguém respondeu para ele: “Sim, majestade. O senhor também irá adoecer, envelhecer e morrer!” Ele disse: “Não é possível! Então, eu não sou um rei de verdade! Eu tenho que descobrir algo além desse envelhecer, adoecer e morrer!” Foi quando ele abriu mão do seu reino, onde ele era multimilionário, e se despiu dessa ilusória riqueza.

Parece que esse é o caminho proposto nessa Realização. Você tem que se despir dessa sua riqueza, dessas suas crenças, opiniões, julgamentos, desejo de controle, de possuir, de dominar, de ter coisas… Parece que você tem que se despir também do seu reino, não é? Você é, de uma certa forma, multimilionário. Um miserável multimilionário! Você tem que se despir de tudo, inclusive da ideia “eu sou o corpo”, “eu sou uma menina”, “eu sou um menino”… Despir-se de tudo atrelado a isso, à ideia, à história desse alguém. Aí você pode entrar no Reino de Deus. Jesus disse: “Quem não deixar tudo que tem, não pode entrar no Reino de Deus!” Ou seja, quem não deixar tudo não pode ser rei dessa Realidade, dessa Verdade, que é o Divino, que é o fim da pobreza, da miséria que toda essa “riqueza” do mundo dá. Um dia, ele disse para um jovem: “Vai, vende tudo que tens, dá aos pobres e me segue!” Diz o texto bíblico que aquele jovem era dono de muitos bens. Ele ficou triste e não quis mais voltar a Satsang. Virou as costas e foi embora. Ele tinha muito a perder. Ou seja, ele tinha a ilusão de que tinha muito!

Não é interessante isso?

Então, o caminho de Buda é o seu caminho; o caminho de Cristo é o seu caminho; o caminho de Ramana Maharshi é o seu caminho. Paradoxalmente, o seu caminho é o seu caminho, não é o caminho deles. O seu reino, do qual você tem que abrir mão, não é o reino que eles tiveram que abrir mão. É o seu reino! E, aqui, não se trata de abrir mão, mas de soltar a ilusão de que há alguém aí. Então, esse reino ilusório cai e o reino real se mostra presente.

Não é simples isso? É simples…

*Transcrição de uma fala ocorrida em setembro de 2016, num encontro presencial, na cidade de Fortaleza/CE. Para informações sobre os encontros e instruções de como participar, clique aqui.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Sem simplicidade é impossível

Olá, pessoal! Hoje nós estamos aqui no terraço do hotel, de onde vemos uma das entradas do templo principal daqui de Tiruvannamalai. Essa é a cidade em que Ramana Maharshi veio morar quando tinha 17 anos de idade, após o Despertar.

Ouvindo uma conversa entre os seus parentes, ele descobriu que a montanha de Arunachala estava nesta cidade. O nome ficava voltando para ele, até que ele descobriu que esse nome se tratava exatamente desta montanha. Ele achava que era um lugar celestial, que não havia esse lugar na Terra. E, agora, nós estamos aqui na Índia, visitando todos os dias esta montanha. É uma montanha sagrada! Essa montanha é um desses espaços geográficos misteriosos. Por que a Graça faz assim? Ninguém sabe. A Graça separou esse lugar, onde muitos, por vários anos, têm realizado Deus. E aqui estamos nós, nesse mesmo espaço, visitando o Ramanashram e os edifícios construídos à sua volta, tendo sua maior parte sido construída após Ramana ter deixado a forma física.

Aqueles que têm a oportunidade, concedida pela Graça, de vir a esse lugar, são trazidos por Shiva, pela Presença de Deus. Há algo em você que é Arunachala; há algo em você que é essa Presença; há algo em você que reconhece essa Presença.

Há uma inquietude em todos, que só termina quando essa Realização se assenta. Essa procura pelo Divino, essa busca por Deus, é uma coisa paradoxal. Todos têm um movimento de busca, mas alguns estão buscando Isso no prazer, em toda forma de realização pessoal: no dinheiro, no conforto material, no sexo e tudo o mais que vocês conhecem. Porém, tudo isso ainda é uma busca por Deus, é uma busca pelo Divino, porque é uma busca pela Felicidade, pelo Descanso, pela Liberdade, pela Paz, pelo Silêncio, pela Consciência. Ainda é uma busca por Deus, pois só Deus traz Quietude, só Deus traz Descanso. Só a Verdade é Silêncio, é Paz, é Felicidade.

Mas a mente não aceita isso, então ela vai buscar Deus nas coisas do lado de fora. Ela vai buscar a Verdade no conhecimento; vai buscar a Alegria no prazer; vai buscar Realização no sucesso econômico, no sucesso financeiro; vai buscar o Amor nos relacionamentos. Então, a mente faz tudo do jeito dela. O problema não está na busca, o problema está no equívoco da ilusão de alguém na busca. Esse “alguém” é a ilusão de uma identidade presente, que acredita ser capaz de realizar Isso. Mas a busca é algo natural; não há nenhum problema nela.

A questão é: quem está nessa busca? Quando você vem a Satsang, eu lhe mostro que a busca não é necessária. A busca mantém, sustenta, estabiliza, fortalece a ideia de um buscador. Então, a busca não é necessária. É necessário que a busca termine! Acabei de dizer que a busca não é o problema e agora estou dizendo que a busca é um sério problema. Compreendem isso? Deixem-me tentar tornar isso mais claro.

A minha proposta a você é para que permaneça quieto, para que pare de buscar. Contudo, se você parar de buscar e não ficar verdadeiramente quieto, e, mesmo assim, acreditar que a busca tenha terminado, a sua situação será bem pior do que a situação daquele que ainda estiver buscando. Compreendem a diferença? Eu posso simplesmente ouvir que a busca não é necessária e achar isso muito bonito, porque eu escuto os sábios todos dizendo isso... Eles dizem: “Pare de buscar!” Aí, eu paro completamente. Não quero mais saber de ir ao templo, de rezar, não quero mais saber de guru, de sadhana, não quero receber upadesa… Agora, eu digo: “Eu não preciso mais disso. Eu não preciso de nada disso. Eu sou a Consciência, eu sou a Verdade, eu sou o Buda”. Mas é o ego dizendo isso. Ainda é a velha mente dizendo: “Eu não preciso de mais nada”. Aí, eu começo a citar Buda: “Buda um dia disse: 'Seja uma luz para si mesmo'. Não dependa de nada! Não dependa de ninguém!” Buda é um mestre antigo, que disse essa coisa. Então, eu deixo ele de lado e cito um mestre mais recente – um mestre que faz a figurinha de mestre dizendo que você não precisa de mestre, e, no entanto, ele mesmo está ensinando. Aí, ele diz: “Eu não sou um mestre. Não siga nenhum mestre, mas eu estou aqui. Todas as vezes que você entrar por essas portas, você vai ouvir a minha fala. Eu não sou um mestre, mas tenho muita coisa para lhe dizer”.

Compreendem o que eu quero dizer? Compreendem o truque? Uma grande brincadeira divina. Não estou dizendo que isso está certo nem que isso está errado. Eu estou dizendo que Deus está brincando, brincando com vocês, brincando com todos nós.

Portanto, se eu repito como um papagaio a não necessidade da busca, a não necessidade do guru, porque eu aprendi isso, porque eu decorei isso, então isso, agora, é apenas parte de um condicionamento novo. Tudo continua da mesma forma. “Eu não necessito de um guru; eu não necessito de um ensino; eu não necessito de busca...” E agora? O que acontece? Nada. Absolutamente nada. Essa é uma outra ilusão, uma ilusão nova… se é que existe ilusão nova. O que é que vocês vão fazer para sair disso? Essa fala explica. Ela diz: “Não faça nada!” Aí, você não faz nada. E quando você não faz nada, o que acontece? Também não acontece nada.

Um dia desses, alguém falou comigo que tinha descoberto que não era necessário guru. Ele esteve em alguns dos nossos encontros e depois descobriu que não era necessário mais. Eu perguntei para ele: “O que aconteceu?” Ele disse: “Eu não necessito mais”. Então, indaguei: “E agora?” Ele respondeu: “Agora está tudo bem!” Eu disse: “Tudo bem como?” Ele disse: “Estou apenas aguardando”. Eu disse: “Aguardando?” E ele: “É... Eu aprendi que isso é como um raio. Isso vem e atinge a sua cabeça, e eu não posso fazer nada”. Então, eu disse: “Ok. Compreendo”.

Assim, esse menino está aguardando o raio. Enquanto aguarda o raio, ele continua na sua antiga vida, no seu antigo modelo, nas suas antigas práticas. Não quer saber da autoinvestigação, não quer saber dessa entrega ao divino, e continua tocando o seu violão. Ele é músico. Enquanto toca o violão, aguarda o raio da iluminação atingi-lo. Esse menino aprendeu muito bem. Ele tem na ponta da língua todo o ensinamento que diz que não é preciso fazer nada. Então, se você vai ouvi-lo, ele olha para você e você percebe que seus olhos estão opacos, sua mente está agitada... Ele não gosta da palavra Deus, não suporta a ideia de um guru e detesta tudo aquilo que é sagrado. Se falarmos para ele de uma montanha que é a manifestação da Graça numa forma de rocha, ou de rochas, árvores, macacos e cobras, ele vai rir. Compreendem o que eu quero dizer?

O próprio Ramana Maharshi disse que essa montanha era Deus para ele! Era o Guru para ele! Ele considerava sagrado cada palmo e cada pedra dessa montanha. E esse menino com o seu violão, carregando todos os conflitos da ilusão da separatividade, diz que Ramana estava errado; não só Ramana, mas milhares e milhares de homens e mulheres que realizaram Deus e terminaram os seus dias livres do sentido de separação, livres do sofrimento, livres da ilusão de uma identidade separada. Isso para mim é muito engraçado (risos). A mente é muito estúpida, em sua arrogância, em sua vaidade, em sua presunção de saber.

Assim, eu tenho algo pra lhe dizer nesse encontro: sem humildade é impossível. Se você já sabe, há uma muralha na sua frente. Eu lhe recomendo ter uma real aproximação: olhar sem preconceito, olhar sem medo, olhar sem conclusões. Você pode recusar tudo e se fechar para tudo, mas isso não passará de um comportamento estúpido.

Vou lhe contar uma coisa, como ilustração:

Dizem que um homem vinha descendo uma ladeira dirigindo o seu carro, quando, de repente, na outra mão, uma mulher passa, também em seu carro, abre o vidro, olha para ele e grita bem forte: “PORCO!” Ele olha para aquela mulher e diz: “Mas como pode? O que é que eu fiz?” Naquele momento, ele é tomado pela ira. Aquela mulher o chamou de porco e ele não fez nada! Ele fica muito irritado e começa a xingar. Ele agora está com raiva e continua descendo. Lá na frente, ele pega uma próxima curva, e, quando sai dela, se depara com um enorme porco na sua pista e, aí, não tem mais tempo... Ele se acaba no porco! Isso se chama reatividade. Mente reativa.

Se você está fechado, há uma muralha. Não dá para realizar Deus assim, sem humildade. Eu não uso muito essa palavra. A minha palavra predileta para isso é simplicidade. Humildade pode ser uma coisa cultivada e não é disso que estou tratando; estou falando de simplicidade: viver sem reatividade, sem uma mente reativa, sem preconceitos, sem conclusões, sem opiniões formadas, permanecendo aberto, com o coração aberto para ouvir, para ser ensinado, para descobrir, para investigar.

Ok? Vamos ficar por aqui? Valeu pelo encontro. Namastê!

*Transcrito de uma fala num encontro aberto online transmitido de Tiruvannamalai, Índia, em Setembro de 2016.
Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

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