segunda-feira, 13 de julho de 2015

A origem de todos os problemas

Vocês escrevem para mim: "o que fazer com o desejo, com o medo, com a preocupação, com a ansiedade?" O problema não é o que fazer com isso, o problema é: quem está aí tentando fazer alguma coisa? Esse é o problema. Quem está aí, tentando fazer algo? Você não percebe que está fugindo de um perigo por uma porta que é a entrada do mesmo espaço onde o perigo está presente. Você acredita que pode escapar por esta porta, mas ela é a porta de entrada do perigo do qual você quer escapar. Você não está indo para fora e sim entrando ainda mais na situação. O problema todo é que você está procurando, no pensamento, uma solução para o problema criado no próprio pensamento. E quem é que está fazendo isso? Tudo o que você não quer, você confirma como uma verdade para si mesmo quando nega, quando rejeita, quando tenta escapar disso.
Eu vejo frases como essas: "eu não suporto esse ego"; "eu odeio esse ego"; "a mente está jogando sujo comigo". O ego não é seu inimigo. O ego é a ilusão de que você tem um inimigo. "A mente está aprontando comigo..." Não é verdade. É tão curioso esse truque, porque você culpa a mente, o ego, de alguma coisa. Você não percebe que isso é o próprio ego se separando. Você não tem um inimigo. Não há nada acontecendo na sua vida sendo provocado pelo ego. Tudo, absolutamente tudo, é Deus fazendo, para acordar você desse sonho de resistência ao que É, ao desafio, ou à expressão da Vida como Ela é. Ela é assim. Se não há essa separação, não há conflito.
Você se depara apenas com um desafio, com uma expressão da Consciência, para você despertar dentro desta Consciência, nesta Consciência, para esta Consciência... Despertar desse incidente, desse evento, desse acontecimento, que ainda é a Consciência... Despertar para a Consciência como a única coisa. Para cada um, para cada organismo, cada mecanismo, esses "desafios" se apresentam de uma forma: para um é o desafio da saúde, para outro é o desafio do dinheiro, para outros é o desafio do relacionamento, etc. E está tudo no lugar... tudo no lugar. Mas, se você continuar ouvindo o que a mente diz, em sua imaginação, aí dentro da sua cabeça, ou através da boca do outro, que é a mesma mente falando, continuará na ilusão de "ser alguém", sempre com problemas.
Pare de ouvir o que a mente diz aí dentro da sua cabeça, que, assim, você para de ouvir o que quer que a mente esteja dizendo através da boca do outro. Você tem que começar aí em você; tem que parar de acreditar aí no que a imaginação diz; tem que ser livre aí; parar de sonhar aí, e, somente então, poderá dizer para alguém: "você está sonhando, isso é só um sonho. Eu já passei por esse sonho também, e vi que isso era um sonho. Você está nele, mas é só um sonho..."
Isso é um trabalho para cada um de vocês... Um trabalho da Graça, da Consciência, da Presença, do Mestre dentro de você, do seu Guru, mas você tem que ouvi-lo. Você acha que vai conseguir me ouvir sem ouvir o seu mestre interno? Você acha que seu mestre interno está dizendo algo diferente do que eu estou dizendo? Você acha que pode, sem ouvir aí dentro, me ouvir aqui?
E agora?
Se você continuar a acreditar na pessoa que você acredita ser, vai continuar a acreditar em pessoas à sua volta, e se comprometer com elas. Pessoas do lado de fora são tão ilusórias quanto a pessoa aí do lado de dentro. É nesse sentido que esse relacionamento que nós estamos mantendo uns com os outros é uma fraude. Ego não apóia ego, não o ajuda, não torna outro ego sábio, não dá felicidade para outro ego, e vocês "estão" no ego, sendo pessoas, esperando isso dos relacionamentos. Querem até salvar o outro! Vocês querem até salvar o mundo!
Há três dias que o corpo aqui está resfriado, e você vê que a voz está diferente. Agora, o que isso tem a ver com o que Eu Sou? Isso mudou o que aqui? Se o corpo fica febril, com tosse, ou com coriza, ou um mal-estar típico dele, isso é ele, não Sou Eu. Porque a mente diz coisas aí, ela não é sua inimiga, como o corpo não é meu inimigo. O corpo é só uma limitação quando está com uma debilidade. Quando a mente diz coisas aí e produz, em sua fantasia, estados de todos os tipos, ela é sua inimiga, ou está apenas fazendo o trabalho dela? Percebem o que estou dizendo? Quando o corpo está doente, debilitado, qual o problema? O que há de errado com o corpo? O corpo vai morrer mesmo... É a natureza dele, é a natureza da mente. Isso não faz do corpo o seu inimigo; não faz da mente a sua inimiga. Agora, se você se identifica com a mente e se separa, acreditando poder mudar o que ela produz na sua imaginação, aí você tem um inimigo imaginário. E quem tem um inimigo imaginário? Quem? O próprio sentido de "alguém" presente é a ilusão de alguém querendo mudar alguma coisa que não tem conserto. A cada dez minutos, ou quinze, ou cinco, ou três, passa um avião sobre este espaço. Qual é o problema? Eu poderia tornar isso um problema: "isso vai me impedir de ouvir a fala acontecendo"; "vai me impedir de falar e vai quebrar minha linha de pensamento". Eu tenho que ter uma linha de pensamento? Eu tenho que estar aqui ouvindo, criando uma resistência ao fato de que a cada cinco ou dez, quinze minutos, passa um avião para interromper o que é tão importante para eu ouvir aqui? É assim que surgem os inimigos que vocês têm. Todos imaginários... Todos! O ego é esse inimigo imaginário, e cria todos os outros inimigos. Se faz frio, está frio, se faz calor, está calor, se o pneu fura, vou chegar atrasado. Você está lidando com a vida como ela se mostra. Para que colocar um inimigo dentro disso?
Eu posso viver sem conflito? Essa é a pergunta. É possível a vida sem conflito, sem sofrimento? No fundo, vocês estão viciados nisso. Já ouvi até alguém dizer: "ah, deve ser muito sem graça viver a sua vida, deve ser muito estranho viver assim, deve ser monótono viver como você vive". Já ouvi isso. É... deve ser.
O problema com vocês é que vocês querem mudar o que É. Eu não quero, eu estou feliz. Para mim, tudo é Deus... Tudo é Deus e nada é Deus... Nada é Deus, mas tudo é Deus (risadas).
Eu não me identifico com o que acontece. É só um jogo. O que está acontecendo agora, daqui a pouco muda, é outro modelo, outro formato, outra configuração. E daí? Eu estou colocando para você o que você precisa assumir aí, para descobrir o que é viver com sabedoria, com amor, com liberdade, com felicidade. Você faz as circunstâncias serem tão importantes que sucumbe. Quando as situações, as circunstâncias, são alegres, você está alegre; quando elas são tristes, você está triste. O problema não é estar triste ou alegre, o problema é você acreditar que está, aí, podendo mudar o mundo.
*Transcrito de uma fala ocorrida em fevereiro de 2015, num encontro presencial, na cidade de São Paulo/SP. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Um Grande Jogo Divino

A gente acredita que o mundo é uma coisa evidente. A gente não tem esta ideia de que o mundo é uma coisa evidente?

Eu quero dizer a vocês que ele não é evidente. Só é evidente Aquilo no qual o mundo aparece. Você não pode provar a existência do mundo para mim, nem para você mesmo, separado Daquilo que é Você.

É você quem fala acerca da evidência do mundo, não é o mundo que reclama evidência. O que quero dizer é que o que vemos e o que experimentamos não é real, separado Daquilo que é Você. O que estou dizendo é que não existe nenhuma experiência, nenhum mundo separado Daquilo que é Você.

Isto é importante. E por quê? Porque isto desmantela completamente a ideia que temos de que estamos vivos e podemos morrer; que o mundo existe. Nada disso é evidente. Não é uma experiência real. Nascer e morrer não são experiências reais, porque o mundo não é real.

Qualquer experiência que você viva no mundo está dentro desta ideia de que o mundo existe como algo separado de você. Porém, isso não é real, não é algo evidente. É a Presença, que é Você, que dá essa aparente evidência ao mundo e a qualquer experiência que você tenha – inclusive nascer e morrer. A experiência em si não é real.

Você não nasce e não morre exatamente por isso: porque você não existe, como forma, no mundo, e o mundo não existe, também como forma, separado Daquilo que Você É. O que estou dizendo é que só existe essa Presença, na qual tudo parece aparecer e também desaparecer.

Então, não há evidência nenhuma aí, separada Daquilo que é Você. Isso é muito simples. O que estou dizendo é que essa Presença, que é Você, dá realidade a qualquer aparente experiência que você tenha. Estou afirmando que você não pode me provar sua existência apontando para o seu corpo e dizendo "eu estou aqui", pois eu te pergunto: aqui onde? Essa sua localização no espaço e no mundo não é uma evidência para mim. Só é uma evidência para mim Aquilo que Eu Sou, e no Qual você aparece como forma. Talvez você tenha que ouvir isso de novo: o que estou dizendo é que sua altura, largura, seu peso, a cor da sua pele, e qualquer percepção sensorial que você tenha do mundo, só tem uma evidência, que é a evidência da sua Presença.

As percepções e evidências isoladas, bem como as experiências separadas, não existem. O que estou dizendo é que o mundo não reclama evidência de existência; que nenhuma sensação e percepção sensorial reclama evidência de existência – somente essa Consciência, que percebe tudo isso acontecendo. E isto tudo está acontecendo nesta Consciência, não fora Dela. Então, não há mundo fora Dela. Os sentidos – tato, audição, olfato, paladar, visão – nada está acontecendo separado Disso que É Você, que não é uma experiência, nem uma sensação; que não é uma aparição; que não nasce e não morre. Isso põe fim completamente a essa ideia "eu e o mundo".

Não há "eu" e não há "mundo". O som que você escuta, as cores que você vê, as formas, tudo isso que aparece e desaparece, antes de, aparentemente, ser assim, Isso que Você É já É – Isso que não aparece nunca. Por exemplo: nós estamos aqui, mas essa é uma aparição nessa Consciência. Antes dessa aparição aparente, isso já estava presente nessa Consciência. Tudo já está presente na Consciência, até que Ela o manifeste.

Então, não há futuro, como não há passado, para a Consciência, que é seu Estado Natural, atemporal. Estamos aqui, num grupo, e alguém novo chega..., mas isso é só uma aparição. Para a Consciência não separada, para Ela, na qual não há qualquer experiência, não tem nada novo acontecendo; isso não é uma novidade, não é o futuro se desdobrando.

Agora mesmo, estou falando essas coisas aqui, vendo isso com você, mas, na sua Real Natureza, não há nada novo. A mente, que se move na ideia de presente, passado e futuro, tempo e espaço, fica abismada com Isso, tentando entender e ajustar Isso a uma experiência; entretanto, não há como fazê-lo, pois Isso não é uma experiência. O Ser, Consciência, Presença, não é uma experiência.

Presente, passado e futuro não existem. O mundo não existe. O nascer e o morrer não existem. Formas, peso, altura, largura, profundidade... Nada disso é a Real Experiência. Podemos até dizer que o Ser é essa Real Experiência, ou poderíamos, também, dizer que o Ser não conhece nenhuma experiência. Estamos dizendo a mesma coisa, utilizando palavras diferentes. Isso é o fim da dualidade, isso é o fim da ideia "eu sou o corpo, eu estou no mundo".

Agora mesmo, o corpo sente alguma dor ou algum desconforto, mas isso é um corpo; nada disso é uma experiência para a Consciência. É somente uma aparição, porque a Consciência jamais é tocada por qualquer acontecimento – qualquer acontecimento aparente. É um grande jogo Divino. Não tem nada acontecendo, e, ao mesmo tempo, tudo está acontecendo neste presente momento.

O fundamento de tudo, de toda aparição e desaparição, de tudo o que acontece e não acontece, e, ao mesmo tempo, a liberdade de tudo isso, é essa Presença real que é Você, em sua Natureza Essencial, além do corpo e do mundo; e além do "eu", que é só uma ideia que aparece. Nessa noção de "corpo e mundo" tem sempre a ideia de um "eu" dentro do corpo, experimentando o mundo e vivendo sua vida, mas isso não é real.

Ser é a Vida sem opostos. Os opostos "vida" e "morte' são só ideias, conceitos. Paz, silêncio, liberdade, felicidade e beatitude são a Natureza Essencial, não qualidades desta Presença, desta Consciência; são a própria natureza dessa Consciência, dessa Presença. Realização é ser o que Você É – beatitude, paz, felicidade, liberdade. Realização é a verificação do simples, do Natural Estado de Ser que é Você – sua Real Natureza. Não se trata de qualidades suas, mas sim de sua Natureza. Tudo aquilo que vem e vai, aparece e desaparece, e tudo o que pode ser adquirido e será perdido um dia são qualidades, não a Natureza. Qualidades se adquirem, Natureza não se adquire.

O corpo apareceu... vai desaparecer. As virtudes podem ser adquiridas, entretanto aparecem e desaparecem. Aquilo que não é você em sua Real Natureza pode até aparecer como uma qualidade, mas, como não é você, é somente uma qualidade, uma virtude, algo que você ganhou, conquistou, adquiriu; é parte da experiência do mundo, algo sem evidência real.

Real é a sua Natureza, e é Ela que dá a liberdade para que as qualidades apareçam, porém está livre dessas qualidades. Ela dá liberdade para que o mundo e o corpo apareçam, e, até mesmo, para que essa ideia do "eu" apareça. Mas isso não dá evidência nenhuma a nada disso, pois essas aparições são somente aparições. É essa Presença, Consciência, Verdade, que É Você – Aquilo ou Isso que conhece tudo o que vem e vai. Este é o Real evidente.

Não há nada separado Disso. Então, não pode ser conhecido, mas pode conhecer tudo. Repare: Isso não pode ser conhecido, mas pode conhecer tudo, porque tudo só aparece e desaparece Nisso. Assim sendo, tudo o que você experimenta – qualquer objeto, qualquer sensação – nada disso tem qualquer realidade separada dessa Presença, dessa Consciência, na qual a coisa está acontecendo ou aparecendo.

Não há nenhuma certeza de nada, e nem evidência de coisa alguma – nomes, cores, formas e assim por diante. Somente a Consciência é real, essa Presença não experimentada, não conhecida e não explicada, sem qualquer qualidade. Somente essa Consciência é real: O que conhece, sem jamais ser conhecido; O que aí está, sem jamais desaparecer.

É isso aí.

*Transcrito de uma fala ocorrida em dezembro de 2012, num encontro presencial, na cidade do Rio de Janeiro/RJ. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Não dê importância aos pensamentos

Existe algo a ser observado aqui. Às vezes, nós nos sentimos incomodados com alguns pensamentos que passam, mas precisamos notar o seguinte: pensamentos apenas passam, circulam. Você não consegue deter um pensamento. Experimente isso! É interessante também colocarmos assim, porque geralmente um pensamento nos perturba e queremos nos ver livres dele, mas, na verdade, também não conseguimos deter um pensamento. Experimente deter, prender um pensamento. É como tentar se livrar dele. O pensamento dentro de cada um de nós tem uma autonomia, uma franquia, uma liberdade. Ele tem uma liberdade de ação, uma liberdade para acontecer. A maneira direta de lidarmos com os pensamentos é não nos importarmos com eles. O que dá energia a determinado tipo de pensamento que nos aflige é essa atenção que damos a ele. Eu não disse atenção no sentido de observar a sua presença, mas uma atenção relacionada a essa coisa de nos ligarmos àquilo que está ali acontecendo, a esse pensamento. Isso dá energia a ele.
A depressão, a ansiedade, o medo, o ressentimento, a mágoa – qualquer um desses sentimentos ou forma de emoção ligada a determinado pensamento – são alimentados quando esses pensamentos são alimentados. Então, a primeira coisa aqui é compreender isso: não dê importância aos pensamentos. Permita que eles sejam apenas o que eles são: pensamentos circulando. Eles têm a franquia, têm a liberdade, a garantia de uma determinada linha de ação, de um procedimento, de uma forma de acontecer. Então, você simplesmente relaxa. E quando eu digo "relaxa", estou dizendo que você é tão profundo, tão amplo, que tem uma dimensão tão extraordinária – algo que nem pode ser dimensionado – que todos os pensamentos, emoções, sentimentos, e o que quer que surja, aparecem aí, NISTO que é Você. E isso não pode perturbá-Lo, porque Você é essa amplitude, essa "dimensão não dimensionada".
O que eu estou colocando aqui é o que nós temos de mais objetivo, prático e real nessa coisa de lidar com os pensamentos, porque tudo isso aparece NAQUILO que Você É. Você é Isso! Você é esse espaço! É como se você olhasse para o céu, o visse cheio de estrelas, e o seu olhar ficasse preso a elas, mas sem perceber que as estrelas estão aparecendo em um fundo, nesse espaço infinito. Seu olhar fica preso às estrelas e perde esse espaço infinito, no qual as estrelas estão. É assim que acontece conosco nessa coisa de lidar com os pensamentos, porque nós nos confundimos com eles, e o nosso olhar fica direto nessas estrelas. Você é esse espaço no qual os pensamentos acontecem. Se a sua atenção, seu foco, sua visão está nas estrelas, você perde o espaço. Descansar em seu Estado Natural é se reconhecer como esse "espaço", no qual os pensamentos, os sentimentos e as emoções, como as estrelas, podem acontecer. Você é essa Presença, essa Consciência Ilimitada, você é esse estado de Ser, no qual tudo aparece. Tudo mesmo.
*Transcrito de uma fala ocorrida em março de 2012, num encontro presencial, na cidade do Rio de Janeiro/RJ. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Estou dando a chave para você viver sem ego!

Diante de pensamentos, não se importe com eles -são só pensamentos. A coisa mais difícil não é se livrar do sentido de virtude, mas sim livrar-se do sentido de culpa. Você fica muito mais vivo na culpa do que na virtude. O ego ama muito mais ser culpado do que ser o herói. A culpa demora muito mais tempo para ser desfrutada pelo ego. Ser herói é uma coisa rápida, pois logo todos esquecem. Porém, ao ser culpado você vai poder trabalhar muito por isso, além de ter muito ganho em cima disso.
Participante 01: Quando a gente vê a mente como uma coisa só, fica mais fácil perceber que os pensamentos não são seus. Não são produção "minha."
Mestre Gualberto: Não tem "minha" mente ou a "sua" mente. Só tem a mente. É só a mente. Não é a "sua" mente. Não foi você, pois você é uma fantasia; é essa "pessoa" que se sentiu culpada ou se sentiu mal por isso. Não tem uma pessoa sentindo-se mal por isso; é uma fantasia de "alguém" sentindo-se mal por isso.
Participante 02: Mestre, também não tem "alguém" para sentir vergonha do que pensa, não é?
Mestre Gualberto: absolutamente! Não dá para ter vergonha. Você tem que ser alguém importante demais para ter vergonha disso. Você tem que ser "alguém" muito importante e trabalhar forte por isso, para ter essa vergonha. Ao ser sem ego, você não tem ganho nenhum. Ser ego dá muito ganho; dá o ganho da vergonha, da culpa.
Participante 02: Mestre, esse pensamento vem de onde?
Mestre Gualberto: Esse pensamento vem da mente. De onde vem essa mente? Da Consciência. De qualquer forma, ainda não é problema de alguém particular.
Participante 01: Os pensamentos de culpa, de arrogância, de inveja, libido estão todos passando. Só surge o arrogante, o libidinoso e o culpado quando você se apossa de um desses pensamentos.
Participante 03: Os pensamentos estão passando, mas parece que eles são adequados a cada um, a cada mecanismo.
Mestre Gualberto: Sim, por um tempo, porque há um condicionamento de cada mecanismo para sempre acolher, como essa suposta identidade, esses pensamentos. Se esse vício começa a cair, já não são mais acolhidos, começa a haver uma configuração nova na máquina, e isso para de se repetir. Esse processo para de se repetir, e é por isso que cai, desaparece. Esses pensamentos são viciosos e estão aparecendo para um viciado, mas, se o viciado já não está mais presente, eles vão perder a força, desaparecer, procurar outro corpo. Vai haver um exorcismo aí, porque você, como Consciência, estará exorcizando essa suposta entidade separada. Sem essa entidade separada, os pensamentos são convidados não gratos, porque eles terminam não sendo aceitos, hospedados, e vão desistir de você.
Você não mata o ego. O ego é uma ilusão. Se você para de alimentar a ideia de um ego presente, os pensamentos desaparecem. Você não pode matar o ego, mas pode sustentar a vida de um ego, sustentando pensamentos – pensamentos como esses ou como aqueles.
Estou dando a chave para você viver sem ego. Agora, você tem que usar essa chave. Quanto mais você a usa, mais fácil fica para ela entrar na fechadura; ela amacia. Cada vez fica mais fácil abrir a porta, mas tem que trabalhar isso. Esse trabalho não é seu, porque você não está aí. É um trabalho da Consciência, da Graça, de Deus... um trabalho do Mestre. É um trabalho que acontece naturalmente.
Participante 02: Mestre, quando o Senhor diz que não é um trabalho nosso, eu percebo claramente que não é nosso. Mas a gente constata as coisas acontecendo. Seria a mente constatando isso? Se isso acontece pela mente, ainda, é a mente se analisando?
Mestre Gualberto: Onde o constatar acontece? Será que a mente pode constatar "ela mesma"? Constatar é uma coisa, analisar é outra. Você constata e deixa solto. Se você analisa, você captura, está aí, é o ego – e já foi capturado. O constatar é um trabalho da Consciência. Não é você, é a Consciência. Não é você ego, é você como Consciência.
Então, o trabalho, realmente, é só seu, mas não é do ego, não é da pessoa. Constatar é um trabalho da Graça. Todo o meu trabalho com você em Satsang é exercitar essa chama chamada Consciência. A gente passa dois dias aqui exercitando isso. Amanhã a gente faz um retiro, exercitando Consciência. Exercitar Consciência é só exercitar esse poder de perceber, e isso basta.
Você apenas percebe, não salta sobre esse pensamento, não veste a carapuça. Pronto! O trabalho é esse. Esses pensamentos "vindo" é o que na Índia eles chamam de vasana, que são as tendências latentes da mente. Elas podem ser acolhidas ou podem, apenas, ser presenciadas. Se forem somente presenciadas, elas vão terminar cansando de aparecer e vão desaparecer, porque elas não terão uma casa para se hospedar.
Chega um tempo em que a vasana não bate mais na porta. Enquanto ela estiver batendo na porta, OK!... paciência, paciência e paciência. Chega um momento em que ela não bate mais. Assim é quando você começa a descobrir que sumiu esse ou aquele padrão, mas nem sabe para onde foi. E por que não sabe? Porque você não estava lá... Ele nunca foi seu mesmo. Trabalho de quem? Da Graça, da Consciência ou do Mestre – dá no mesmo. Por isso quando se diz que é o Mestre quem lhe dá a Iluminação, é Ele mesmo. É a Consciência.
Então, vamos lá. Constatar é um trabalho da Consciência. Apoderar-se daquilo que está aparecendo é trabalho seu. Esse "seu trabalho" é o trabalho de ser "alguém", e é aí que fica essa coisa: "me senti mal, me senti bem". Porque passou um segundo, a "coisa" já capturou você... Aí, pronto, começa a análise...
Participante 02: Só que isso é muito rápido. Quando você vê, você já está capturado.
Mestre Gualberto: Muito rápido. Ver um pensamento e não se identificar... Ver uma sensação e não se identificar... Ver uma história e não se identificar... Isso não é trabalho seu, e sim trabalho da Graça. Aqui, você fica dizendo assim: "é muito claro diante do Mestre, é muito claro Isso!". E você pergunta: "por que lá fora não é claro?" – Porque você está muito viciado em "ser alguém" lá fora. E aqui, o poder dessa Presença é tão grande, que isso desmonta e você diz que aqui é fácil e lá não. Aqui, basta Eu olhar para os seus olhos e desmonta, porque há muita Presença aqui.
Sabe aquele fogo que vem queimando tudo? É isso. Você aqui está sob um fogareiro. Eu estou trazendo você para o fogo. Sua mente se distrai, e eu trago você para o fogo. Então, não tem espaço para o ego, porque você não me encontra no ego, você me encontra como Consciência. Você está lidando com a Consciência na forma. E isso é muito atrativo.
*Transcrito de uma fala ocorrida em dezembro de 2014, num encontro presencial, na cidade do São Paulo/SP. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

terça-feira, 9 de junho de 2015

O que é iluminação?

Iluminação! O que é iluminação? Iluminação é o florescer do que você é. O processo do florescer é aparente. Você é como uma flor que floresce, mas não sai de botão para uma flor inteiramente aberta. É um florescer de outra ordem. Eu tenho, nessas falas, usado muito a expressão constatar. Iluminação é constatar o seu Estado Natural de Ser. Isso é florescer.

É curiosa a ideia de tempo implicada nesse, assim chamado, processo. Quando usamos aqui a palavra processo, em algumas das falas, usamos nesse sentido, nesse "jogo", que assim parece ser gradual, mas não tem nada de gradual nisso. Constatado o que você É, é algo instantâneo. Nenhum tempo se faz necessário. Nenhum trabalho, no sentido de um processo gradativo, se faz necessário; só parece ser assim.

Essa coisa de vir a Satsang, de estar presente nesses encontros, de olhar isso, não só aqui, mas também fora desse espaço, olhar de novo, de novo e de novo, Isso não é o botão se abrindo, é um florescer diferente. Isso é algo acontecendo e assentando nesse corpo-mente, que é aquilo que parece ser o impedimento sendo visto como uma aparência e desaparecendo.

Mas não há tempo na Iluminação. A mente curiosamente "diz": "chegarei lá, realizarei isso; vou fazer acontecer". E aí ela caminha, mas esse caminhar é dentro dela mesma; é como um milhão de passos, mas num lugar só. Você pode dar um milhão de passos no mesmo lugar, que você não chega a lugar nenhum. Mas com um milhão de passos, é claro, você cansa. É bom você estar cansado, porque aí você fica quieto, e descobre o que é despertar, o que é iluminação, o que é acordar. Aí você descobre que é algo presente nesse instante. Iluminação é o florescer do amor, o despertar da compaixão, o respirar da felicidade de seu Estado Natural, e isso é agora, não amanhã. É bom que milhões de passos sejam dados até que você entenda que não precisa dar um só passo e que esses milhões de passos não significaram nada.

Você é Isso. Você é a suprema e natural paz, amor, felicidade, iluminação. Deixem de mitificar isso e mistificar isso que é você.

Você é o Cristo. Você é o Buda. Você é a Suprema Felicidade e simples Amor!

Você é Deus!

Não importa o que a sua mente diga. Ela pode dizer qualquer coisa, mas isso não muda o que É. Você é o som do bebê que chora no berço, a melodia da flauta soprada pelo flautista, o deslizar das nuvens no céu... Você é o sol se escondendo por trás da montanha, é o sussurro do riacho, é o canto do pássaro naquela árvore distante. Você é o sorriso e também as lágrimas. Você é aquilo que está mais próximo, aquilo que está dentro, no cerne de todas as coisas. Você é tudo, em todo instante, a todo momento. Está em toda parte e não está em lugar algum. Sem nascimento e sem morte, sem passado e sem futuro, não está nem mesmo nesse presente, que logo se torna passado. Você é Aquilo sem nome, sem forma, sem definição.

Não há "pessoa", não há "alguém", não há "mim", não há "eu". Você é esse Silêncio, essa Paz, essa Liberdade, essa Plenitude, essa Quietude. Você é Iluminação, e Isso é Deus, agora e aqui. Quando não há nenhum sentido de separação, nenhum sentido de separatividade, aí está você em sua Real Natureza. Você é Ele! Só há Ele! Só há Você! Isso é tudo, e tudo é Isso!

É tão simples, tão simples, tão simples, assim. É somente Isso... É só Isso!

*Transcrição de uma fala ocorrida em outubro de 2012, num encontro presencial, na cidade de Itaquaquecetuba/SP. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

Compartilhe com outros corações