GC: Olá, pessoal, estamos aqui para mais um videocast. Novamente o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença.
Mestre, hoje eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado: "Deixe Suas Redes". Em um trecho desse livro, Mestre, o Joel faz o seguinte comentário: "Como você foi despojado dos seus bens materiais e revestido com o manto de Deus, então agora você encontrará segurança, bondade e satisfação, apenas no Manto Divino." Neste trecho, Joel comenta sobre encontrarmos segurança no manto de Deus. Dentro desse assunto, o Mestre pode compartilhar a sua visão sobre como podemos nos livrar do sofrimento?
MG: Gilson, sobre essa questão do sofrimento, observar, olhar de perto isso, é algo fundamental. Quando você me diz, quando você me fala, quando você me conta de um sofrimento. se ele está aqui, olhe de perto isso. Quando você diz: "Eu tenho que me livrar desse sofrimento", do que, na verdade, você está falando? De algo que está aqui neste momento, ou de algo que você sente algumas vezes? Qual é a verdade sobre o sofrimento? Qual é a verdade sobre a pessoa que sofre? Há uma separação, quando o sofrimento está presente, entre a pessoa que sofre e o sofrimento? É muito simples a resposta. Quando você me fala de um sofrimento, você está me falando de um sofrimento que está aqui, ou de um sofrimento que às vezes acontece? Você está me falando de uma lembrança, ou está me retratando um sofrimento presente?
O retrato do sofrimento presente é a presença do sofrimento real, ele está aqui, ou é a ideia de um sofrimento que pode aparecer em algum momento, ou que já esteve aqui em algum momento? A investigação da natureza do sofrimento, Gilson, nos coloca em contato direto com o que é. O que é - é a presença do sofrimento. Mas, quando o sofrimento está, não há uma separação entre a ideia do sofrimento e o sofrimento. A ideia do sofrimento é a ideia de alguém sobre o sofrimento. A presença do sofrimento não é uma ideia de alguém - a presença do sofrimento é a presença daquele que sofre. Isso não é uma ideia, não é um conceito, não é uma teoria.
Precisamos, antes de tudo, ter um discernimento claro sobre isso: quando o sofrimento está presente, não há alguém tendo uma ideia sobre o sofrimento. Quando o sofrimento está presente, aquele que sofre é o sofrimento. O sofrimento é aquele que sofre. Não há uma separação entre o sofredor e o sofrimento. Estamos diante de uma experiência única. Por que é fundamental essa compreensão? Porque, em geral, estamos presos a um mero entendimento verbal, conceitual, intelectual, sobre o assunto.
Quando você diz "eu preciso me livrar do sofrimento", eu lhe pergunto: de que sofrimento você está falando? Aí você tem um relato sobre o sofrimento. Você me conta a história do sofrimento. Você diz o que sente sobre o sofrimento. Essa descrição é a descrição do intelecto, do pensamento, é a presença da mente falando do sofrimento.
Se queremos, de fato, a ciência da verdade, da liberação do sofrimento, o que representa o fim do sofrimento, é necessário compreender que não há qualquer separação entre esse que sofre e o sofrimento, quando ele está presente. É aqui que nos deparamos com a possibilidade da compreensão da verdade sobre esse que sofre. É a presença desse que sofre a própria presença do sofrimento. Não podemos falar de alguém sofrendo sem a verdade do sofrimento. E é exatamente isso que temos feito: falamos de alguém que sofre quando o sofrimento não está. Mas, quando o sofrimento não está, não existe sofrimento. Estamos apenas com uma abstração - com uma teoria, com um conceito, com uma crença, com uma base de história e de memória.
A eliminação da dor requer a compreensão da dor. A compreensão da dor é o fim da dor. E essa dor termina. Quando ela termina, não existe alguém na dor. Precisamos compreender a presença da verdade, da não separação, da não dualidade entre a dor e aquele que está na dor. Quando você está triste, não tem "você triste". É possível que você me fale da tristeza, mas isso não é você triste, isso é a história de alguém que se entristeceu, de alguém que irá se entristecer. Essa história é a presença do pensamento. É assim que estamos vivendo no pensamento - ou no passado ou no futuro. O pensamento é o retrato, ele não é a coisa. O pensamento é a figura, não é a coisa; é a imagem, não é a coisa. A coisa em si é a dor, é o sofrimento, é esse mal-estar, esse desconforto, esse pesar.
Não sabemos lidar com o momento presente, porque estamos lidando com o momento presente na abstração, na teoria, no conceito, na ideia. Assim, nos separamos do momento presente em razão da teoria que temos, da crença, do conceito que trazemos. Portanto, se queremos realmente a libertação do sofrimento, temos que compreender que não há separação entre esse que sofre e o sofrimento. Quando não temos esse que sofre, não há sofrimento. Quando não há sofrimento, não existe alguém para falar de um sofrimento. A real forma de uma aproximação direta do sofrimento é sem a ideia, sem o conceito, sem a crença. Aproxime-se e olhe - sem a ideia, sem o pensamento, sem a história - sobre essa dor, esse pesar, esse sofrimento. Faça isso.
No momento da dor, do sofrimento, só há dor. Não coloque alguém para se livrar. Não conte uma história sobre isso para justificar, explicar ou buscar um caminho para se livrar. Em geral, nós estamos constantemente fugindo da dor, porque estamos buscando caminhos. Essa alternativa de um caminho é um afastamento da dor a partir de um pensador, de um experimentador, a partir de um conceito, de uma ideia, de uma crença. Quando fazemos isso, não nos livramos da dor, porque mantemos a continuidade desse elemento que está constantemente se separando da experiência. A experiência é a dor; o experimentador é esse elemento - é o "eu", o ego.
O que nós aprendemos na vida, o que fomos treinados a fazer nesse contato com a dor, é fugir. É escapar. E nós confundimos essa fuga com o "se livrar da dor". O resultado final é que estamos constantemente vivendo momentos de sofrimento e nunca nos libertamos, de fato, do sofrimento. Nós não nos libertamos porque não nos libertamos da ilusão desse "eu", desse sofredor. Estamos fugindo, escapando. Não há um contato real, não há um confronto real, não há um olhar direto. É sempre a partir de crenças, de ideias, de conceitos, de fórmulas, de caminhos, para negar, justificar, explicar, racionalizar a presença do sofrimento, a presença da dor.
O que é se aproximar da vida? É se aproximar do que está aqui. Essa aproximação não é a aproximação que alguém faz - é a aproximação da constatação de que não há uma separação entre o que está aqui se revelando e alguém para quem isso se revela. Esse é o nosso contato real, o confronto real, a compreensão direta da experiência. Ela ocorre quando não colocamos o experimentador, o pensador, aquele que tem ideias, aquele que tem algo a dizer.
O nosso grande convite para a vida é assumir a Realidade da Vida sem alguém presente que se separa dela para escolher entre o prazer e a dor, entre a alegria e a tristeza. A aproximação de si mesmo requer a presença desse olhar, desse observar, desse perceber - sem essas escolhas, sem esses direcionamentos do pensamento e, portanto, sem o passado, desse pensador. Assim, olhamos para o momento presente além do pensamento, além dessa ideia, do conceito e da abstração. O sentido do "eu" é eliminado, e, quando ele é eliminado, não há sofrimento.
Assim, a resposta para a sua pergunta - "Como se livrar do sofrimento?" - é: entre em contato direto com o momento, sem a presença do experimentador. Então, a experiência se dissolve. O sofrimento desaparece, porque não temos mais a presença do sofredor. Isso requer Autoconhecimento. Isso requer a presença da Meditação. Isso requer um Real contato com a Vida como Ela é.
GC: Mestre, a gente tem uma pergunta de um inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, eu tenho muito medo de perder as coisas que conquistei - meu trabalho, minha estabilidade. Como encarar esse medo?"
MG: Olha, Gilson, esse medo de perder o que você conquistou está presente na ilusão de que você é alguém que tem coisas, que conquistou coisas. Olhe para si mesmo. Nós não temos, na vida, absolutamente nada. Aquilo que temos, por exemplo, de mais íntimo, é a presença do corpo. Mas esse corpo é seu? De fato, você o controla? Você determina a saúde, determina o bem-estar? O que é que você determina para o corpo? O que é que você controla?
Nós não temos controle sobre a vida, sobre a saúde, sobre as batidas do coração. Nós carregamos, Gilson, a ilusão de uma identidade que se vê presente - e, porque ela se vê presente fazendo uso do que está à sua volta e que a vida lhe proporcionou, ela acredita que existe como alguém separado da vida e tendo essas coisas. Não existe esse alguém. Ela não é real.
A pessoa que você é, com a vida que você tem, no controle que você faz - tudo isso é inteiramente falso. O que temos presente é a Vida. Não há alguém tendo coisas, possuindo coisas, tendo controle sobre elas. Tudo apenas acontece. Tudo apenas surge, fica por um tempo e desaparece - na Vida, não na particular vida da pessoa, porque não existe tal coisa como uma pessoa com sua particular vida. É a presença do pensamento em você contando toda essa história - a história de ser alguém possuindo coisas, tendo conquistado coisas e podendo perder coisas. Aí está a raiz, a causa do medo.
Você quer se livrar do medo, mas ainda não compreendeu que o seu medo é você. Não há uma separação entre você e o medo. Portanto, livre-se da ilusão de alguém presente. Então, as coisas continuarão aí - ou irão embora -, mas não ficará alguém para lidar com isso, para se ocupar, se preocupar, pensar sobre isso e, portanto, temer.
A Liberação, nesta vida, é a ciência de que não existe esse "eu" e que esta vida não é a vida da pessoa, é a Vida Divina. Estamos diante de um jogo em que as coisas chegam e depois se afastam, se aproximam e se distanciam. O corpo nasce e morre. Os objetos chegam e desaparecem. Não há alguém. Não existe o "eu". Não existe a pessoa. Tudo isso está dentro da imaginação, do pensamento - e nós estamos vivendo no pensamento. A ilusão de alguém é a ideia da pessoa. Solte isso, e o medo termina. O sofrimento termina. E a ilusão de apego ou desapego também termina.
Algumas pessoas falam em se desapegar das coisas. Seu grande problema não são as coisas. Você pode estar cercado de todo tipo de coisa e, ao mesmo tempo, não estar presente psicologicamente, internamente, carregando esse sentido do "eu", do ego, presente, em meio a tudo isso. Portanto, não se trata de se desapegar, ou se livrar, ou se proteger ou se defender para não perder as coisas. Aqui, trata-se de se livrar da ilusão - desse centro que é o "eu", o ego, que se vê no meio de tudo isso. O seu medo é você, a pessoa, o "eu", o ego. O que estamos trabalhando com você aqui é exatamente isso: o fim dessa ilusão, dessa condição ilusória, dessa mente egoica.
GC: Mestre, nós temos outra pergunta de outro inscrito aqui no canal. Ele fez o seguinte comentário: "Mestre, como posso perceber que a vida no ego é uma ilusão? Tudo parece tão real."
MG: Mais uma vez, Gilson, a pergunta é: como perceber isso? Como perceber essa ilusão, é isso? A pergunta é: como se livrar dessa ilusão? Tomando ciência. É necessário ter clareza, lucidez, visão, percepção. É esse compreender. É a clareza desse olhar sobre como as reações se processam dentro de você e fora de você - e isso irá lhe mostrar que a vida é assim: não há alguém na vida. Temos a Vida, a presença da percepção da Vida como Ela é. Nela, não há alguém.
Quando um pensamento está presente e ele é observado, e com ele você não se confunde, nem aceita, nem rejeita, ele se desfaz. Ele não se sustenta. Toda continuidade do pensamento em você requer a presença de uma desatenção sobre esse pensamento. É assim que damos continuidade ao sentido do ego. Ele vive no modelo do pensamento sobre si mesmo, sobre o outro e sobre a vida. Essa é a ilusão do ego. Mas, quando você coloca atenção sobre o pensamento - olhar sem interferir -, ele perde a importância, ele perde a valorização, perde a energia da intenção, do desejo, do medo, da continuidade. É assim que eliminamos o tempo. É assim que, de fato, lidamos com a vida. Isso ocorre quando não colocamos o experimentador, o "eu", o elemento da intenção, a pessoa.
A compreensão direta de como a mente funciona, os sentimentos também, e as sensações acontecem, as emoções surgem; como isso tudo se processa: emoções surgindo, pensamentos e sensações. Um olhar direto, sem interferir com aquilo que se passa dentro de você, assim como externamente. Nesse momento, começa a se revelar a Vida sem o "eu", sem a pessoa. A base consiste na compreensão de nós mesmos, nesse perceber de como funcionamos, de como a Vida está acontecendo.
A presença do Autoconhecimento abre esse espaço para a compreensão da Meditação. E Nela não há mais o "eu", não há mais o ego, não há mais o meditador. Aqui, a presença da Meditação não é aquilo que alguns aí fora entendem por meditação. É o constatar da Vida neste momento, sem o passado, sem o "eu". Participar dos encontros on-line, dos encontros presenciais, é algo fundamental.
Portanto, o nosso Real contato com a Vida é a verdade de um contato real, aqui e agora, com este Ser, com a Realidade Divina. Você, em sua Natureza Real, é a Verdade de Deus. É a presença desta Liberdade, desta ausência do passado. É a presença do pensamento que mantém a continuidade do passado para o pensador; a continuidade do passado para aquele que viveu experiências - o experimentador; a continuidade do elemento que observa a partir de ideias, conceitos, crenças e avaliações - que é a presença do observador.
A descoberta da Realidade sobre isso é a anulação da continuidade desse padrão de comportamento de mente egoica, de mente condicionada, de vida do "eu", de vida no ego. A descoberta consiste em um olhar, em um perceber, em um constatar direto de que a Vida é a Única Realidade presente. Não há Nela espaço para esta ilusão. Isso surge em razão do pensamento, do equívoco do pensamento, da sugestão ilusória do pensamento. Olhar para isso é o fim dessa condição. É evidente que isso requer um trabalho em si mesmo, que é o que estamos propondo aqui nos encontros on-line e presenciais.
GC: Gratidão, gratidão, Mestre. Já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais esse videocast.
E para você que está acompanhando até o final e deseja realmente viver essas verdades, fica o convite para participar dos encontros que o Mestre Gualberto proporciona. São encontros intensivos de final de semana. Esses encontros são muito mais profundos e transformadores do que esses vídeos aqui no YouTube.
Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo às nossas perguntas. E segundo, e muito mais impactante, é que, pelo fato de o Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, Ele compartilha um campo de presença à sua volta, um campo de energia, de poder e Graça. E nesses encontros, acabamos pegando uma carona nesse campo de presença do Mestre. E, pegando essa carona com o Mestre, de maneira espontânea, sem nenhum esforço, sem nenhuma técnica, nós entramos no estado meditativo, silenciamos nossas mentes e podemos ter um vislumbre, uma visão, uma compreensão dos assuntos que são tratados aqui no canal.
Então, fica o convite!
No primeiro comentário fixado há o link do WhatsApp para participar desses encontros. Além disso, já dá o like no vídeo, se inscreve no canal e faz comentários trazendo perguntas para os próximos videocasts.
E, Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.
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