GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast, novamente o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado "Vivendo a Vida Iluminada". Em um trecho desse livro, Mestre, o Joel faz o seguinte comentário: "Na vida espiritual não há acaso, nem eventos acidentais de qualquer natureza." Neste trecho o Joel comenta sobre a vida espiritual. Dentro deste assunto, o Mestre pode compartilhar a Sua visão sobre o que é a vida espiritual?
MG: Gilson, a vida é uma única vida. O pensamento, em nós, é o elemento que separa, que divide e subdivide. Nós falamos de vida material, falamos de vida emocional, falamos de vida espiritual. Assim, para nós, existem diversas formas de vida e podemos continuar subdividindo isso. A Realidade da vida, é isso que nos interessa aqui, nestes encontros, ter uma direta visão. Há uma diferença entre indiretamente olhar para alguma coisa - é o que geralmente nós temos feito quando a nossa aproximação sobre aquilo é intelectual, é teórica, em palavras, é verbal. É a forma indireta de abordar certas questões.
Isso tem criado diversas dificuldades para a maioria de nós. Estamos apenas pisando no terreno das ideias, no campo dos conceitos, no ambiente teórico, no espaço da abstração, quando estamos lidando apenas com teorias, com palavras, com conceitos. E é isso que nós temos feito quando falamos sobre a vida: escrevemos poesias, poemas, canções. colocamos a expressão "vida" de uma forma romântica, emocional, sentimental, em letras de música, em poesias e poemas, e achamos muito interessante a força dessa expressão, mas nós ficamos apenas nessa qualidade de campo, que é o campo teórico.
Nós desconhecemos a Realidade da vida, e esse é o nosso empenho aqui, esse é o nosso interesse aqui: estamos investigando a Verdade sobre a vida. E a Verdade sobre a vida é que não há "alguém" para viver a vida, essa é mais uma ideia que temos. Nós falamos da vida como um elemento separado de nós, como se nós fôssemos o elemento presente, vivo, para viver. Nós nos confundimos com o corpo, nos confundimos com a mente, nos vemos como entidades separadas da vida e aí falamos sobre a possibilidade de uma vida espiritual, assim como acreditamos que já estamos tendo uma vida. Então, a ideia é sair da vida material que estamos vivendo, para uma vida espiritual.
O que estamos, de fato vivendo, ou acreditando viver, é a presença de um sonho que nós chamamos de "vida". Quando as pessoas morrem, nós acreditamos que elas saíram da vida, foram tiradas na vida. Na verdade, agora temos a ausência física ou da aparência de uma pessoa dentro de um sonho, porque a pura Realidade da vida, a real vida, é a Realidade Divina, a Realidade de Deus, e assumimos essa Realidade quando deixamos a ilusão do sonho, desta assim chamada "vida" que nós chamamos de "minha vida", a ideia dessa vida particular da pessoa. Então, "eu tenho a minha vida unida à sua vida", "Eu amo a minha vida", "Estou vivendo bem minha própria vida", são expressões que usamos, são expressões sem nenhum significado real, porque estamos apenas expressando pensamentos, ideias, conceitos e crenças - e como apreciamos isso!
E agora estamos falando de alcançar uma vida espiritual. Você pergunta: "O que é essa vida espiritual?" A meu ver, a ciência da vida é a real compreensão da vida, e ela só é possível quando a vida é real, e ela só é real quando não há mais ilusão. A presença do pensamento está sustentando, para cada um de nós, a continuidade de um sonho que nós chamamos de "vida material", e nesta assim chamada "vida material" estamos perseguindo a felicidade, perseguindo a paz, perseguindo a liberdade. Estamos em uma trajetória ou jornada de perseguição para encontrar, no pensamento em nós. a ideia é amanhã encontrar: amanhã encontrar o amor, amanhã encontrar a paz, amanhã encontrar Deus, amanhã encontrar a vida espiritual, deixando de ser materialista.
A realidade daquilo que nós chamamos de "vida" é a ausência da vida real - essa é a realidade dessa vida que nós conhecemos dentro do pensamento. Aqui, investigar a questão do pensamento é compreender a natureza desse que pensa, que é a pessoa; desse que sente, que é a pessoa; desse que acredita ser a pessoa. Esse é o sonho! É um sonho presente na mente, dentro de suas ilusões. Nós precisamos ter ciência de uma mente livre, clara, lúcida, real, onde não há mais essa contaminação de crenças, conceitos, ideias, imaginações, como nós estamos vivendo. É assim que nós estamos vivendo essa particular vida da pessoa: estamos dentro de um sonho.
Portanto, você pergunta o que é a vida espiritual. É a vida real, mas essa vida real não é a vida de "alguém", não é a vida para "alguém", é a vida de Ser. Sim, é a vida neste Ser. Ser é a essencial natureza de cada um de nós, é a Verdade sobre Deus a natureza do seu Ser. Aqui está a vida, uma vida que, por mais estranho que isso nos pareça, está além do nascer e morrer. É fundamental a compreensão disso, que é a única e real vida. Não é a vida para você, é a vida que é você! Nós estamos dividindo, não só em palavras, mas sobretudo de uma forma imaginária, estamos estabelecendo no viver a ilusão desta separação. Portanto, aquilo que desaparece aqui é esta ilusão.
A vida não é algo que está ausente; no entanto, aquilo que se mostra presente falseia a Realidade desta vida que está aqui e agora, e o que está presente é a ilusão de uma identidade, é a ilusão de "alguém", de "alguém" que sente estar vivo e que pode morrer. Todo o nosso susto, medo, todo o nosso temor consiste no desaparecimento dessa história, de toda esta memória, daquilo que o pensamento acredita ter, possuir, para este "mim", para este "eu". Por isso, falamos do medo da morte. Alguns se envolvem nessa busca assim chamada "espiritual" na ideia, na ilusão do que eles também chamam de "espiritualidade": um caminho, uma forma, uma maneira de escapar do sofrimento.
A Realidade da vida é o fim do sofrimento. Sim, é o fim da ideia de alguém para morrer, mas isso é a Realização da Verdade d'Aquilo que aqui está presente, não é algo para o futuro nesta imaginária espiritualidade. Portanto, a vida espiritual consiste na ciência da Realidade deste Ser, na ciência da Realidade de Deus, aqui e agora. Você nasceu para assumir a Verdade de que não há alguém presente. Temos, aqui na vida, a Realidade de Deus e essa é a verdadeira vida espiritual. A real vida Divina é a vida deste Ser. Portanto, Amor, Felicidade, Paz, Liberdade, é a presença desta vida, desta ciência de Deus, desta vida real, desta vida Divina, desta real vida espiritual.
GC: Mestre, nós temos uma pergunta de um inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, posso encontrar Deus, mesmo com tantos pensamentos?"
MG: Gilson, a ideia de encontrar Deus ainda é um pensamento. Nós precisamos descobrir a Realidade presente, sim, fora do pensamento. Mas investigar a natureza, a estrutura do pensamento é se encontrar na possibilidade, de fato, de ir além deles. E quando estamos além dos pensamentos descobrimos esta Realidade presente; esta Realidade presente além do pensamentos é o seu natural Estado de Ser. Aqui a presença de Ser é a ausência da mente como nós conhecemos, e portanto é a ausência desse modelo de pensamentos. A sua preocupação está em ter um encontro com Deus. Aqui a recomendação é: investigue a natureza do "eu", investigue a natureza desse pensador. Uma vez esclarecido que o pensamento é o próprio pensador e esse pensador é o "eu", e este "eu" como pessoa é uma ilusão, uma vez esclarecido isso, a Realidade de Deus, que não está ausente, se mostra.
Não podemos, de fato, ter um encontro com Deus, porque a ideia de alguém tendo esse encontro é uma ilusão. É o próprio pensamento a partir da ideia desse pensador, criando essa sugestão. O real caminho direto para Deus é tomar ciência da ilusão do "eu", da ilusão desta pessoa, e isso requer a presença do Autoconhecimento, isso requer a presença de um olhar para a vida sem o modelo do passado. O modelo do passado é o modelo construído, desenhado por essa estrutura de ideias, de crenças, de palavras, que são os pensamentos. Se faz necessário e isso é fundamental, a mente livre do passado, a mente livre de todo este conteúdo de história - a história deste personagem, que é a história desta egoidentidade. Esse esvaziamento completo de todo este conteúdo nasce naturalmente quando a mente se vê livre de toda esta ocupação psicológica.
Aqui é a presença da Meditação, a real aproximação da Verdade desta revelação, desta ciência de Deus. Deus é a única Realidade presente, mas toda e qualquer ideia sobre isso é só uma crença. Nós nos vemos como pessoas, separadas da vida, separadas de Deus. A Realidade da vida é a Realidade de Deus, e essa é a Verdade deste Ser: não há pessoas! É o que nós precisamos compreender, e essa compreensão nasce, floresce, desperta naturalmente, quando descobrimos o que é aprender sobre nós mesmos, o que é aprender como a mente funciona. E isso elimina essa qualidade de vida particular neste sonho, que é o sonho de alguém presente. Isso elimina esta particular vida deste centro, deste "eu". Então, Deus se revela como a única Realidade presente quando a Verdade da Meditação está aqui. Portanto, nós precisamos aprender a ciência de Ser, precisamos aprender sobre a Meditação, a Realidade, o que é real Meditação. Nós temos uma playlist aqui no canal, trabalhando com você essa questão do Autoconhecimento e da real Meditação de uma forma prática, vivencial.
GC: Mestre, dentro desse assunto do pensamento, nós temos uma outra pergunta de outro inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Como observar os pensamentos sem me perder neles?"
MG: Gilson, a sua pergunta é: "Como não se perder nos pensamentos?". Observe que a ideia central, a ideia básica em todos nós é de alguém presente fazendo alguma coisa, realizando alguma coisa, tendo um propósito e trabalhando por ele. Aqui sim, um trabalho se faz necessário, um propósito está presente; no entanto, não existe alguém para realizar este trabalho, nem atingir este alvo ou este propósito. Então, aqui, como resposta para a sua pergunta, que é "Como observar os pensamentos?", nós estamos diante de algo de uma simplicidade, mas ao mesmo tempo de uma complexidade incrível! Nós estamos criando essa dificuldade incrível para algo tão básico e simples, que é olhar os pensamentos.
Por força do hábito, por mania, por prática ou vício, nós estamos constantemente interferindo no momento presente, interferindo com aquilo que acontece aqui. Nós nos vemos como entidade presente neste instante para interferir. Então, estamos nos vendo como alguém capaz de intervir, de moldar e interferir no momento. Eu me refiro a interferir com a experiência deste instante, por exemplo: um pensamento está presente. Quando ele surge, de imediato, por força do hábito - é assim que nós estamos funcionando há milênios - surge o pensador. Quando um pensamento surge, de imediato surge o pensador. Esse pensador é a pessoa, que gosta do pensamento ou não gosta do pensamento.
Então, não sabemos olhar para o pensamento, porque o nosso olhar é um olhar contaminado por um observador, por um pensador, por um experimentador que quer interferir. No entanto, nós precisamos descobrir, aqui e agora, o que é olhar - apenas olhar, simplesmente olhar - nesta atenção, olhar. Olha não é interferir, olhar não é gostar ou não gostar, não é tentar fazer algo com aquilo que você observa, é apenas olhar! É como se eu lhe apresentasse, aqui, uma flor: você pode olhar para a flor ou pode criar ideias sobre ela. Eu lhe apresento a flor e você imagina essa flor em um jarro dentro da sua casa, em cima de algum móvel. Eu lhe apresento a flor e você se imagina estendendo as suas mãos, pegando essa flor e dando para alguém. Você pode ter muitas imagens sobre esta flor que eu lhe mostro. Qualquer uma dessas imagens são imaginações dentro de você, sobre esta flor.
Quando você faz isso, você perde o "olhar" - não há mais o olhar para esta flor, o que temos presente é alguém olhando para esta flor. Nós estamos constantemente colocando a intenção, a motivação, a ideia do que fazer; nós estamos fazendo isso o tempo todo com as experiências. Assim, é muito comum, diante de algo que estamos vendo, colocarmos a ideia de alguém presente. A presença desse alguém é esse que observa a partir de um ideal, de um propósito, de uma intenção.
Aqui, a Verdade desse olhar fundamental é esse olhar sem o observador, esse é o fundamental olhar sem interferir. Então, há uma observação direta, portanto, observar é apenas olhar, se dar conta, tomar ciência. não é interferir, não é fazer algo com aquilo que você está vendo. A ideia, a intenção, a motivação de fazer algo é a presença de uma separação entre aquilo que está sendo observado e alguém nesta observação. Você pergunta: "Como observar os pensamentos?". É da mesma forma que você olha para alguma coisa: você apenas olha!
Tome ciência dos pensamentos, quando um sentimento surge, tome ciência do sentimento ou da emoção, ou da sensação. Se um pensamento surge dentro você, você apenas olha. Se uma sensação aparece com esse sentimento, você apenas olha. O ponto é que estamos constantemente nos envolvendo com o pensamento ou com a sensação, ou com isso que se mostra, com isso que se apresenta. Assim, nós estamos colocando um experimentador, um observador. Não há uma real observação quando o observador está presente porque, ao olhar, esse olhar é para interferir.
Será possível apenas olhar o pensamento quando surge, o sentimento quando aparece, uma sensação?. Esse sentimento, essa sensação, esse pensamento é algo que está surgindo em razão de um estímulo - esse estímulo é o que está apresentando essa experiência. Quando há só o olhar sem interferir, nós temos o fim para a ideia de alguém presente sendo o experimentador, sendo o observador. A verdadeira observação é a observação sem o "eu", que é o observador! Essa é a real forma da aproximação da Meditação, é o olhar para este instante sem o passado, ou seja, sem a interferência do "eu", sem a interferência desse experimentador, sem a interferência desse observador.
Se aproximar deste instante requer um olhar para este momento. O verdadeiro olhar para este momento é de percepção - nesta percepção não há alguém para perceber; é de escuta para aquilo que este momento representa - nesta escuta não há alguém nesta escuta, não há alguém para interferir. Então, se revela algo além daquilo que está se mostrando aqui. Assim, estamos diante do fim da dualidade, do fim da separação. Não existe esse observador observando alguma coisa, não existe esse experimentador experimentando algo, não existe alguém ouvindo isso ou aquilo - é só o escutar, é só o observar, é só o perceber.
Esta é a real aproximação para este momento, quando o sentido de separação não está. É que, por muito tempo, tudo que temos feito estamos fazendo a partir do "eu", a partir de "alguém". Olhamos a partir da ideia, do conceito, da crença, da vontade, do desejo, do impulso para fazer algo, para alterar, para modificar. e assim colocamos sempre a presença de uma identidade aqui, que se separa deste instante, que se separa deste momento. Então, há uma qualidade de aproximação para este momento, do ponto de vista externo e também interno, sem a presença desta dualidade, sem a presença deste "eu" e o "não eu". Isso requer esta atenção.
Apenas olhar, apenas perceber, então algo novo surge. Esse algo é a ciência da não dualidade; então se revela aquilo que aqui está presente além deste "eu" e o "não eu". Essa é a real forma da aproximação com o momento presente, com este instante, com aquilo que acontece externamente ou internamente. Então, esse sentido do "eu" não se mostra, não se apresenta. Então, não existe alguém para se perder quando há só o olhar, o perceber, o constatar. Não existe alguém se perdendo nos pensamentos, o que temos presente é a presença do pensamento. Esse sentido de alguém não é real, e o que revela isso é essa qualidade de aproximação deste momento nesta atenção. Assim, o contato com este instante é a visão do momento, a simples e direta visão daquilo que aqui está presente, surgindo neste instante, internamente ou externamente.
GC: Gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais este videocast. E, para você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver essas Verdades, fica o convite para participar dos encontros intensivos de final de semana que o Mestre Gualberto proporciona. Esses encontros são muito mais profundos do que estes vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo às nossas perguntas, e segundo e muito mais impactante, é que, pelo Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, Ele compartilha um campo de presença à Sua volta, um campo de Energia de Poder e Graça. E, nesses encontros, a gente acaba entrando de carona nesse campo de Presença do Mestre. E, pegando essa carona com o Mestre, de maneira espontânea, sem nenhuma prática, sem nenhuma técnica, sem nenhum esforço, entramos no Estado Meditativo, silenciamos nossas mentes e podemos ter uma visão e uma compreensão real dos assuntos que são tratados aqui no canal.
Então, fica o convite: no primeiro comentário, fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o like no vídeo, se inscreve no canal. e, Mestre, mais uma vez gratidão pelo videocast.
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