GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast, novamente o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado "Os Fundamentos do Misticismo". Em um trecho deste livro, Mestre, o Joel faz o seguinte comentário: "A vida espiritual está cedendo ao Reino de Deus. O Reino de Deus é uma renúncia aos desejos." Neste trecho o Joel comenta sobre a renúncia aos desejos. Dentro deste assunto, o Mestre pode compartilhar a Sua visão sobre o que é a mente condicionada?
MG: Gilson, qual é o instrumento, em nós, de percepção, de entendimento, de compreensão? Não é a presença daquilo que nós denominamos de "mente"? Não é a mente em nós o instrumento que percebe, que entende, que compreende? Agora, o que é essa compreensão? O que é que nós temos, realmente, como compreensão, ou entendimento, ou percepção da vida? Será verdade que a forma como você olha para a vida, ela descreve, ela relata, ela retrata com fidelidade aquilo que a vida significa, aquilo que a vida representa? O nosso modelo de consciência, que chamamos de "mente consciente e inconsciente" é a presença desse instrumento, que olha a partir de um fundo que ele traz, de uma condição em que, como um instrumento, ele se encontra.
E qual é esta condição? O que é que você sabe sobre a vida? O que é que nós sabemos sobre a vida? O que é que nós sabemos sobre o outro? O que é que nós sabemos sobre nós mesmos? Não é isso um conjunto de ideias? Quando aglomeramos ou juntamos uma quantidade enorme de pensamentos, conceitos, crenças, nós temos a presença da ideia. Um conjunto de ideias é o que nós, na mente, neste fundo, temos sobre a vida, temos sobre o outro e temos sobre nós mesmos. E todo esse conteúdo é basicamente, em nós, memória, lembrança. É a presença de experiências registradas em nós, é a presença do pensamento.
Então, o que é esta mente condicionada? É a presença de um instrumento incapaz de lidar com a realidade da vida como ela é, porque tudo que esse instrumento tem é o passado, é a memória, são as lembranças. Nós temos a vida aqui, a realidade da vida em expressão, mas temos também a presença do pensamento sobre isso. O pensamento sobre isso é a mente condicionada. Nós não estamos lidando com a vida, estamos projetando um ideal de vida, um pensamento sobre a vida. É assim que nós estamos funcionando. Você vê o mundo a partir das suas conclusões, avaliações e crenças. você vê o mundo a partir de um conceito político, filosófico, religioso, a partir de uma tradição de família, de história de país onde você nasceu. Esse é o condicionamento!
O que estamos aqui, discutindo com você, investigando com você é a possibilidade de soltarmos isso, de nos livrarmos deste condicionamento, da mente condicionada, do modelo de pensamento condicionado, programado, porque isso está nos impedindo de uma real relação com a vida. A real relação com a vida não é a relação de alguém, não é a relação deste "eu", desta pessoa, desta mente. A mente condicionada é sinônimo de pessoa programada para pensar, para sentir, para atuar na vida a partir deste programa, deste fundo. O rompimento com isso é o surgimento daquilo que aqui está presente além desta situação, desta condição. E, no entanto, isso que está presente continua se mantendo desconhecido.
O contato com a realidade é o fim da ilusão daquilo que compreendemos, entendemos e julgamos ser real. Aquilo que entendemos, compreendemos, estamos julgando como sendo real na vida tem sua base nessa velha estrutura, que é a estrutura da mente condicionada, não se trata da realidade. O contato com a realidade é o contato com o Desconhecido. A presença do desconhecido é a presença deste Ser, desta Realidade Divina. A realidade está presente, mas ela se mantém fora da mente. Como podemos acessar isso? Tomar ciência do Desconhecido, soltando a ilusão da interpretação da vida, do julgamento, da comparação, avaliação da vida a partir do passado, a partir do pensamento. Essa é a resposta!
Nós precisamos de um cérebro novo, de uma mente livre, de uma percepção sem o passado. A nossa forma de percepção não é real, é um percebimento de um percebedor; esse percebedor em nós é a pessoa que somos. E o que é esta pessoa que somos? Esse conjunto de ideias! Todas as conclusões, crenças, julgamentos, conceitos, opiniões. isso sempre é algo pessoal neste cérebro condicionado, nesta mente condicionada. É o padrão do pensamento que olha a partir do pensador. Os olhos que estão vendo a vida são os olhos deste observador - este observador é o "eu"!
O constatar da realidade é a Realidade assumindo esse espaço. Não há uma separação entre a realidade presente e a Verdade de Ser, portanto não temos mais os olhos do observador, o olhar do observador, não temos mais o perceber do percebedor; é a presença da Realidade Divina na constatação da vida, na ciência de Ser. Compreender isso, perceber isso, assumir isso não é algo para "alguém", é algo possível quando a Realidade deste Ser, que é a Verdade Divina, se mostra presente. Isso requer o fim da ilusão da mente condicionada, da forma como estamos sentindo, agindo, pensando, atuando na vida.
A velha forma de atuação aqui, de pensamento aqui, segue sempre o mesmo princípio desta consciência comum a todos, que é a consciência egoica, que é a consciência humana. Soltar isso é ir além desta condição. A Verdade está presente quando a ilusão não está mais, o Divino está presente quando não existe mais essa ideia de alguém que se vê separado, que se vê à parte, que se vê como alguém no mundo. É o que estamos, aqui com você, trabalhando. Então, uma nova mente, um novo cérebro, um novo coração, Algo está presente - esse Algo é a presença do Desconhecido, daquilo que é indescritível, que é a Verdade de Deus.
GC: Mestre, a gente tem uma pergunta de um inscrito aqui no canal que fez o seguinte comentário: "Mestre, eu sinto que meus desejos me controlam. Passo o dia todo pensando no que quero e no que não tenho. Como me libertar disso?"
MG: Gilson, quando os desejos nos controlam, quando você diz: "Boa parte do dia estou desejando, querendo o que não tenho.", quem é esse que está sob o controle dos desejos? Quem é esse elemento presente que está desejando o que não tem? Qual é a Verdade sobre o "eu"? Você vê um grande conflito entre os desejos que você tem e a pessoa que você é. Esse conflito está estabelecido exatamente em razão de um outro desejo, que é o desejo de deixar de ser como você é. Portanto, você tem o conflito entre o desejo de possuir o que não tem, de realizar o que não realizou. esse desejo em conflito com o desejo de deixar de ser assim, de não querer ser mais assim. A base da mente em nós é a base do "eu", do ego - esse é o elemento que está em contradição, no conflito dos desejos, no conflito entre os desejos.
Nós fomos educados, moldados, para um padrão de cultura onde a crença é que, realizando desejos, você será feliz. mas chega o momento em que queremos nos livrar dos desejos, e isso se torna um outro desejo, que conflita com o desejo de ter, com o desejo de possuir. Nós colocamos esta condição do pensador, do experimentador, deste "eu", no pensamento, nesse modelo de vir a ser. Nós estamos vivendo neste conflito porque não olhamos para as nossas reações. Nós precisamos nos livrar da ilusão da ideia de "alguém". É a ideia de alguém presente, é isso que nos aprisiona no desejo, inclusive no desejo de se livrar. Então, tudo que se faz necessário para o fim do conflito, para o fim do sofrimento é a ciência deste "eu". Apenas constate, fique ciente, tome ciência de suas reações, fique cônscio de seus desejos, inclusive desse desejo de se livrar dos desejos. Olhe para isso!
Todo e qualquer movimento - e esse é o padrão de comportamento em nós: é sempre o movimento para se livrar ou para alcançar. Alcançar o resultado de se livrar dos desejos - o que é um outro desejo - ou obter o livramento dos desejos. Esse "obter" ainda é um propósito, ainda é um alvo ou um outro desejo. Aqui, olhar para as nossas reações é ficar ciente de como a mente está acontecendo; então você se torna ciente desse "eu", desse que quer se livrar, desse que quer alcançar. Então, isso se dissolve. É a presença desse aprender sobre nós mesmos o fim para esta condição interna de identidade presente, se movendo em propósitos. Enquanto o desejo estiver presente, aquele no desejo irá se separar dele para fazer alguma coisa: ou para ir em busca do que almeja, do que deseja, ou para se livrar desse mesmo desejo, e tudo isso é, ainda, o movimento do próprio ego, do próprio "eu".
Não há uma separação entre o desejo e o "eu"; ele cria essa separação quando coloca esse "alcançar", esse "vir a ser", esse "obter" ou esse "se livrar". Olhar para isso requer a presença de uma atenção sobre as nossas reações. Assim rompemos com o "eu", rompemos com o ego; então Algo novo está presente. Esse Algo novo não faz parte do "eu", não faz parte desta condição de propósito de alcançar ou propósito de se livrar, desejo de obter ou medo de não conseguir. O medo é um outro aspecto do próprio desejo, assim como o sofrimento e o conflito. É a compreensão de nós mesmos o fim deste "eu".
Temos que investigar a Verdade sobre essa pessoa que somos. Para nós o desejo é o problema; a realidade do problema é esse no problema. Esse no problema não se separa do desejo - é a presença do "eu" a presença do desejo, a presença do problema. Olhar para as nossas reações, olhar para todo e qualquer movimento do pensamento, do sentimento, da emoção, deste anseio ou anelo por mais - o olhar é o fim para isso, é o fim para o "eu", é o fim para o desejo. Ok?
GC: Mestre, nós temos outra pergunta de outro inscrito aqui no canal, que comentou o seguinte: "Marcos, como ir além do 'gostar' e 'desgostar'?"
MG: Gilson, esse "gostar" ou "desgostar", "querer" ou "não querer", é a presença do pensamento. Quando o pensamento se move em você, ele se move em projeção. A presença do pensamento é um movimento, em nós, entre o passado e o futuro. Todo pensamento agora, aqui, aparecendo, é um retrato do passado. Portanto, estamos envolvidos com o que o passado representa quando o pensamento está aqui. Algumas vezes o pensamento, aqui, se projeta para o futuro. Todo o interesse do pensamento em nós é a continuidade, é a manutenção, é a perpetuação de sua presença. Notem como isso é fundamental nós compreendermos: quando você tem um pensamento, ele não se contenta apenas em aparecer, ele tem que dar continuidade a si mesmo. Ele mantém a sua continuidade reforçando o passado, ele mantém a sua continuidade se projetando para o futuro - é assim que o pensamento funciona.
Então, nós vivemos sempre dentro de um constante modelo de aceitação ou rejeição, de gostar ou não gostar, de buscar algo no futuro, de se livrar de algo do passado. Esse é o movimento da mente em nós, esse é o movimento da consciência, da presença do "eu". Você pergunta como se livrar desse "gostar" ou "não gostar". a própria ideia de se livrar, o próprio propósito de se livrar tem que ser investigado. Nós estamos diante, ainda, de um pensamento quando acreditamos que podemos alcançar essa Liberdade no futuro: a Liberdade de querer ou não querer, de gostar ou desgostar.
Aqui é fundamental a visão da compreensão do pensamento, então ele termina. E, quando ele termina, essa escolha termina, essa ideia de alguém presente tirando conclusões, fazendo avaliações, se determinando a querer ou a não querer; isso se desfaz em razão da presença da compreensão de que o pensamento é apenas uma lembrança. É que nós estamos dando a uma lembrança - que é o pensamento presente, que está surgindo aqui - uma identidade. Nós estamos constantemente colocando a pessoa, o "eu", e fazemos isso a partir da intenção - a intenção de obter ou a intenção de se livrar; a intenção de gostar ou de não gostar. Essa intenção coloca presente na memória - que é o pensamento que está aparecendo aqui, neste instante - uma identidade, uma identidade que está vindo do passado. Essa identidade se projeta para o futuro, ela precisa do pensamento para esse movimento. Nós não temos o "vir a ser", nós temos, aqui, a Realidade de Ser.
A presença deste "vir a ser" é a presença do "eu", da "pessoa", deste "mim". Todo e qualquer pensamento em você busca o "vir a ser". Esse "deixar de ser" também é parte deste movimento, que é o movimento do pensamento - um movimento que, eu volto a dizer, está presente porque o "eu" está presente. Quando colocamos atenção para este momento, esta atenção coloca uma visão sobre o instante que elimina esta intenção, que elimina este "eu". Todas as vezes em que você está atento, essa atenção é algo que, quando está presente, esse sentido consciente do "eu" não está! Tome ciência disso, observe isso em você: quando você se encontra em um momento de plena atenção, o sentido deste "eu" consciente, que é o movimento do pensamento, não entra. O pensamento não se projeta para o futuro e ele perde completamente a importância do que ele tem para contar do passado, quando trazemos para este momento esta atenção. Esta atenção é algo que aqui está presente, mas não temos a presença deste "eu consciente", esta mente consciente ou inconsciente. Há Algo que transcende a presença deste que escolhe gostar ou desgostar.
Portanto, a verdadeira forma de aproximação da vida é sem "alguém" nesta aproximação. Então, se revela a Verdade - a Verdade de Ser. Esta é a Liberação, está é a Liberdade de viver livre desse sentido egoico de gostar ou não gostar. Ok?
GC: Gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais este videocast. E, para você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver essas verdades, fica o convite para participar dos encontros que o Mestre Gualberto proporciona. São encontros intensivos de final de semana que existem no formato online, presencial e também retiros. Esses encontros são muito mais profundos do que estes vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde ao vivo às nossas perguntas, e segundo - e muito mais impactante - é que, pelo Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, Ele compartilha um campo de Presença à Sua volta, um campo de Energia, de Poder e Graça. E, nesses encontros, a gente acaba pegando uma carona nesse campo de Presença do Mestre. E, pegando essa carona com o Mestre, de maneira espontânea, sem nenhum esforço, sem nenhuma técnica ou prática, entramos no Estado Meditativo, silenciamos a mente e podemos ter uma visão, uma compreensão real desses assuntos que são tratados aqui no canal.
Então, fica o convite: no primeiro comentário, fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o like no vídeo, já se inscreve no canal e faz comentários aqui, trazendo perguntas para a gente trazer para os próximos videocasts. E, Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.
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