terça-feira, 12 de maio de 2026

Joel Goldsmith | Além das Palavras e Pensamentos | O que é a arte de Meditar? | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast. Novamente, o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje, eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado: “Além das Palavras e Pensamentos”. Em um trecho desse livro, Mestre, o Joel faz o seguinte comentário: “O coração e a alma da vida mística é uma experiência interior, e não importa qual seja o seu caminho, ele deve levá-lo a essa experiência”. Nesse trecho, o Joel comenta sobre essa experiência interior. Dentro desse assunto, o Mestre pode compartilhar a sua visão sobre o que é a arte de meditar?

MG: Olha, Gilson, a ciência da Meditação, a arte da Meditação, é a compreensão daquele que medita. Quando as pessoas se propõem para uma prática de Meditação ou técnica de Meditação, elas não compreenderam aqui uma coisa básica. Não ficou claro para elas que toda técnica ou prática é o exercício mecânico de uma entidade que é o meditador, que tem como propósito alcançar um alvo chamado Meditação. Essa não é a verdade sobre a Meditação, porque a verdade sobre a Meditação é que, nela, não existe o meditador, uma vez que a presença da Meditação é a Ciência de Ser.

Já na prática da meditação, existe a ideia de vir a ser: “eu não estou em meditação”; “eu” quero entrar em meditação”; “eu não sei meditar”; “eu tenho que aprender a meditar”; “eu não estou em silêncio, mas eu preciso do silêncio”; “eu preciso aquietar a mente, ter uma mente silenciosa”... Repare: “eu preciso ter”; “eu desejo ter”; “eu tenho que ter”. A presença desse “vir a ser” não é a Ciência de Ser. A arte da Meditação consiste em observar aquele que medita, em ficar ciente do movimento, do impulso, da vontade, do querer, dessa intenção de vir a ser. A verdadeira aproximação da Meditação é a compreensão de si mesmo.

Nós não temos uma base real para a Meditação. Nós não temos um encontro real com a Meditação, quando alguém está envolvido nisso. Estudar a si mesmo é ficar ciente de todo esse movimento do “eu”. Reconhecer em si mesmo, nesse “mim”, a presença do vir a ser, o desejo de alcançar, o propósito de realizar. Aprender sobre si mesmo é aprender como a mente funciona, o que envolve a ciência dos pensamentos, sentimentos, sensações, emoções.

Olhar para esse instante: há uma qualidade de olhar sem alguém nesse olhar, há uma qualidade de percepção sem alguém na percepção. Quem é o elemento presente na percepção? É aquele que viveu experiências e percebe a partir do fundo, do passado, da memória. Quem é esse presente no olhar? Esse que olha. É a presença do observador.

O observador em você é o elemento que vem do passado. Ao olhar, ele olha a partir do fundo, de reconhecimento, de experiências passadas, de memórias. O real contato com a Ciência de Ser é a anulação desse vir a ser. A Ciência de Ser é a anulação desse observador, desse experimentador. Todo e qualquer contato com a vida só é um contato Real quando não há alguém para este contato.

Uma vez que este alguém é uma sugestão do pensamento, de uma identidade que se vê presente, essa identidade é o experimentador, é o observador, é exatamente aquela pessoa que se assenta para meditar; e ela se concentra, ela afasta pensamentos, ela respira, de uma certa forma, ela entoa um mantra. Ali está alguém na ação, na execução de um projeto, de um plano, de um propósito. Esse propósito, projeto, alvo, é algo que vem de uma sugestão do pensamento, para alcançar alguma coisa.

A arte da Meditação revela a presença de Ser. Não há tempo, não há futuro, não há propósito. A vida, como se revela aqui, neste instante, ela é o seu propósito. Só não temos ciência deste propósito porque estamos presentes como alguém. Se há alguém presente, esse alguém está em um movimento para o futuro. É alguém que está vindo do passado, se movendo para o futuro. Esse é o sentimento e pensamento presente na pessoa, na pessoa que medita, na pessoa que não medita, na pessoa que se volta para a busca espiritual e também na pessoa que não tem qualquer envolvimento com isso.

Todo o movimento do “eu”, do ego, da pessoa, é para o futuro. Ou na busca da espiritualidade, como o pensamento projeta, imagina, para a pessoa, isso inclui a presença de um sistema de meditação, de uma prática de meditação, ou a busca por realizações materiais, em objetivos e propósitos mundanos. Como seres humanos, nós vivemos em conflitos, em sofrimento, com problemas. Não temos a visão da Vida, a Liberdade e, portanto, o Amor. Todo o nosso movimento é o movimento que se envolve com algum tipo de intenção, de desejo. Queremos escapar do que é ruim, queremos alcançar o que é bom. É o movimento da pessoa.

Você nos pergunta sobre a arte da Meditação. A Ciência da Verdade da Vida, sem o “eu”, sem o meditador, sem a pessoa, sem o observador, sem o pensador, sem o experimentador, é a presença do Estado Natural de Ser, onde o Amor está presente, onde a Felicidade está presente. Aqui, a Felicidade não é encontrada, não é obtida, não é conquistada; Ela é assumida quando a ilusão termina. Essa é a arte da Meditação. O único Real propósito na vida é a Vida em seu propósito, e o seu propósito é a realização da Verdade de Ser.

Paradoxalmente, estamos diante de algo que já está presente. É uma realização que não se realizará no futuro. É uma realização que se assume exatamente quando abandonamos a ideia do vir a ser, quando abandonamos a ideia de conquistar. Por que não sabemos a Verdade sobre a Meditação? Porque todo o nosso envolvimento no pensamento é no tempo. Como se revela a Verdade da Meditação? Quando o pensamento é anulado. Quando ele cessa, então não existe mais o tempo, não existe mais passado, presente e futuro.

Em alguns momentos na vida, você se depara com a meditação. Algo semelhante a um tropeço. Você vem andando e, de repente, tropeça em alguma coisa. Nós estamos constantemente passando por momentos de ausência do ego, de ausência do “eu”, quando somos, como que, atropelados por alguma coisa fora da consciência egoica. Algo semelhante a um tropeço. Repare que, quando você tropeça, você não espera que o tropeço aconteça. É algo que não se espera. É algo que acontece. A Meditação também é algo que acontece.

Você está na beira de um lago, olhando as águas, e, de repente, a mente se esvazia por completo de todo o passado – memórias, lembranças, pensamentos. E há algo presente ali, naquele instante, que está além de qualquer descrição. A luminosidade sobre aquele lago, a luz do sol, aquelas folhas das árvores dançando ao vento. É um encontro com o momento sem o “eu”, sem o escritório, consultório, oficina. Ali não há amigos, inimigos, parentes, família. É um instante de Silêncio, de Quietude. Uma completa desocupação psicológica, quando a mente é temporariamente esvaziada de todo o seu velho conteúdo. Nesse instante, há um encontro com a Meditação. Não há prática, técnica ou método. É algo que simplesmente acontece.

Então, o que é a ciência da Meditação? É a arte de Ser no dia a dia, também no escritório, no consultório, na clínica, dirigindo seu carro. A aproximação para esse Natural Estado de Ser requer a presença do Autoconhecimento. Temos diversos vídeos aqui no canal falando sobre isso.

GC: Mestre, dentro desse assunto da Meditação, nós temos uma pergunta de um inscrito aqui no canal, que fez o seguinte comentário: “Mestre, a Meditação que você propõe me parece fantástica, mas, por mais que eu tente, minha mente não para. São muitos pensamentos. Eles não deveriam parar?”

MG: Você diz: “É algo que parece fantástico, essa Meditação que você propõe”. Repare aqui, Gilson, mais uma vez, quando você diz: “Como fazer parar isso? Parece que os pensamentos não param”. Sim, é verdade. O modelo do pensamento presente na mente que conhecemos, que é a mente condicionada, é a mente egoica, é a mente do “eu”.

Você vai viver até os 80 anos, 90 anos, e irá morrer assim, a não ser que isso seja rompido, quebrado, desfeito aqui, neste instante. Nós precisamos de uma mente livre de todo o peso de continuidade de pensamento e, portanto, livre do condicionamento, livre do passado. Nós precisamos ter um contato com o momento presente, sem o padrão de inquietude interna. É interessante quando você diz: “esses pensamentos, eles não deveriam parar?” Não, necessariamente, não.

Na verdade, o movimento do pensamento é algo comum, continuado, repetitivo, mecânico. O pensamento está em um movimento de continuidade, de repetição. Apenas quando tomamos ciência do próprio movimento do pensamento, trazendo ciência para este instante, só então, sim, neste momento, temos a liberdade de uma mente livre, de todo esse movimento de inquietude, de tagarelice, de repetição de pensamentos. Então, o pensamento, necessariamente, não precisa parar.

Olhe para as pessoas: passam uma vida inteira nesta tagarelice. Aqui, a ciência de uma mente livre do “eu”, do ego, que é esse movimento de inquietude, de pensamentos, é o que eu tenho chamado de “luxo”. Você pode ter uma vida inteira envolvida no “eu”, no ego, nesta tagarelice. Ou você pode romper com isso aqui e agora, tomando ciência de suas reações, indo além delas, indo além desses sentimentos, emoções, sensações, e, naturalmente, também, indo além desses pensamentos, porque eles são mecânicos, inconscientes; eles se repetem, e eles se movem assim dentro de você, porque você não observa, não fica ciente, cônscio deles.

E esse é o nosso convite aqui: tome ciência de suas reações. Fique cônscio dos seus sentimentos, pensamentos, sensações, gestos. Traga para este momento a percepção sem alguém. A compreensão sem o “eu”. Traga para esse instante o perceber sem o percebedor, o olhar sem o observador. Isso é auto-observação. Isso é se aproximar de si mesmo para compreender a resposta para a pergunta: quem sou eu? Você não está formulando a pergunta. Você está investigando a natureza da resposta. Sim, a natureza da resposta.

A Ciência da Verdade é a Realidade deste Ser. É a Realidade de Deus. Aquilo que é Real Consciência não carrega esse movimento inquieto de pensamentos. Me refiro a esta Real Consciência Presente aqui e agora, quando você assume a realidade de uma mente livre, livre do pensador, do experimentador, do observador.

Agora, temos que deixar claro aqui uma coisa. É fundamental um trabalho nesta direção. Isso requer a presença de um Poder Divino, que é o Poder da Graça. Então, nos situamos fora do conhecido, fora do tempo. Quando a realidade presente em você é a Realidade deste Ser, desta Real Consciência, deste Poder Divino, desta Graça, é a presença do Autoconhecimento, a base para a Meditação, para esta qualidade de vida livre do sofrimento, da confusão e dos problemas.

É por isso que colocamos aqui para você que é um luxo uma vida em Amor, uma vida em Sanidade, uma vida em Felicidade. É uma Vida Divina. Curiosamente, esta Vida Divina é a Única Vida Real. Tudo mais que o ser humano está vivendo dentro desse velho modelo do ego, desta inquietude, não é real. Ele está em um sonho, em seu estado confuso, desorientado, perturbado de ser. Um sonho que, em alguns momentos, parece que está tudo bem, mas logo, no momento seguinte, tudo muda. Então, deixa de ser um sonho para ser um pesadelo. Esta é a vida do “eu”. Esta é a vida do ego.

GC: Mestre, dentro desse assunto, nós temos outra pergunta de um outro inscrito no canal, que fez o seguinte comentário: “Mestre, como silenciar a mente barulhenta?”

MG: Gilson, aqui a outra pergunta é: como silenciar essa mente barulhenta? O silêncio, a serenidade, a quietude, a ausência de movimento, de pensamentos e, portanto, de alguém envolvido com a ideia de passado, presente, futuro. Isso é possível? Essa é a pergunta. Será possível o que acabamos de colocar? A resposta para isso é encontrada dentro de você, quando você se envolve diretamente com um trabalho direto, específico, claro e objetivo nesta direção.

Um trabalho direto nesta direção lhe traz a clareza de uma visão da Verdade sobre você, e lhe mostra você em seu Natural Estado de Ser. Aqui não há o modelo da inquietude, da tagarelice, de todo este barulho do pensamento. Isso é algo presente nesse padrão de mente egoica: a mente que nós recebemos da cultura, a mente que nós recebemos como herança, de um modelo de mundo, de existência, onde esta existência é o existir pessoal, é o existir de alguém que se vê presente.

Descobrir a Verdade sobre si mesmo é descartar a verdade desse “mim”. Então, a mente silencia, o cérebro se aquieta. Não é você silenciando a mente, aquietando o cérebro. Não é uma quietude que você realiza, que você adquire, que você conquista. É uma Quietude, é um Silêncio que surge naturalmente, quando colocamos atenção sobre as nossas reações, quando aprendemos a aprender sobre nós mesmos.

Quando nos colocamos nesta direção, neste trabalho, a vida é Real quando você, como pessoa, como egoidentidade, não está mais presente. Então, esta mente silencia, esse Espaço Novo se abre, e essa Liberdade floresce. Então, aquilo que é a Realidade Divina está presente, aquilo que se mostra como a Verdade de Deus.

O ser humano passa uma vida inteira envolvido em seu sonho, em seu “sonho-pesadelo” de ser alguém. Florescer desse Natural Estado é algo possível para cada um de nós. No entanto, é uma descoberta, é uma constatação, é uma percepção. É o que estamos aqui trabalhando com você, lhe falando desta possibilidade, desta Liberdade, lhe falando deste Amor.

A Ciência de Deus é a Felicidade Suprema, é a Paz Suprema. A Realidade Indescritível da Vida, livre do sonho, deste “sonho-pesadelo” de ser alguém, é Bem-aventurança, é Felicidade. É Indescritível você em seu Natural Estado de Ser. No entanto, é possível assumir isso nesta vida. Se você está aqui se aproximando desse assunto, é porque este é o seu momento. É o que estamos aqui – e também nos encontros on-line e presenciais – trabalhando com você.

GC: Gratidão, gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais esse videocast.

E para você que está acompanhando o videocast até o final e deseja realmente viver essas verdades e descobrir o que é a Meditação, fica o convite para participar dos encontros que o Mestre Gualberto proporciona.

Esses encontros são muito mais profundos do que esses vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde diretamente às nossas perguntas. E segundo, e mais impactante, é que, pelo Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, Ele compartilha um campo de Presença à sua volta, um campo de Energia, de Poder e Graça.

Nesses encontros, a gente acaba pegando uma carona nesse campo de Presença do Mestre. E o poder desse campo de Presença nos coloca no estado meditativo, sem fazermos nenhuma prática, sem nenhum esforço. Quando nos percebemos, estamos em total Silêncio, nesse estado de Meditação.

Então, fica o convite!

No primeiro comentário fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o “like” no vídeo, se inscreve no canal… E, Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.

Setembro de 2025
Gravatá-PE
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