É bem interessante a nossa aproximação da vida, ela é a aproximação da busca de alguma coisa. Isso porque nós fomos educados, condicionados, programados para ter essa forma de pensar, para se mover nesta forma de pensar. Assim, nós encaramos a vida como algo para ser realizado, como algo em que, nela, nós estamos aqui como um elemento separado dela, para encontrar nela alguma coisa para "mim", para esse "eu", para esse elemento que se vê separado dela, que se vê à parte dela.
Aqui eu gostaria, com você, de investigar essa questão dessa procura que todos nós temos. Qual será a verdade desta busca? Eu me refiro a essa busca dos desejos, das realizações nos desejos. Isso porque, em geral, nós pensamos assim. "Afinal, como alcançar a realidade desejada? Como alcançar aquilo que eu desejo?" Notem que coisa estranha é a nossa particular visão da vida, nossa particular visão da existência, do mundo. Nós olhamos para a vida, para a existência e para o mundo como se houvesse, nesse contato que temos com esta coisa, a vida, o mundo, a existência, a possibilidade de nos preenchermos em algum nível de realização, realizando o desejo certo, o desejo verdadeiro, o desejo real, essa realidade desejada. O que há por detrás disso? É isso que estamos investigando aqui, com você.
Há em todos nós uma insatisfação, uma incompletude, uma condição que está produzindo desejos. Não haveria desejos se houvesse completude, se houvesse satisfação. Reparem que, quando você não tem fome, não sente desejo do fim da fome, porque não há fome. Se você não tem fome, você não tem desejo do fim da fome e, no entanto, reparem, psicologicamente você pode ter desejo de comida, mesmo sem ter fome. Então, existe aqui uma coisa que a gente precisa estudar, compreender: nós temos necessidades; em razão da insatisfação, a necessidade surge. Nós temos necessidades, essas necessidades dão origem à insatisfação. Em razão da insatisfação surge o desejo.
Quando você está com fome, você tem a necessidade de preencher essa fome, de realizar essa insatisfação na comida. Então, é natural desejar comida quando se tem fome, é natural desejar água quando se tem sede. É natural desejar se aquecer quando você está com frio. É natural desejar se refrescar quando você está com calor. Veja, é natural o desejo. Então, nós temos esse aspecto do desejo, é um aspecto simples! Se você tem que viajar, você tem que comprar uma passagem aérea, não dá para você ir para o outro lado do continente, atravessar o mar andando. É necessário comprar uma passagem aérea, então estamos diante de um desejo básico, simples, em razão de uma necessidade. Mas nós temos desejos psicológicos, como esse que acabamos de colocar: você não está com fome, mas tem o hábito de comer, o vício de comer. Há uma condição psicológica em você, de insatisfação, produzindo o desejo.
Assim, existem dois tipos de desejos, que claramente nós somos capazes de observar. O primeiro é o desejo simples, a busca de um preenchimento de uma necessidade básica, e o segundo consiste na busca de um preenchimento psicológico. Todos os tipos de desejos que temos nesse nível, a nível psicológico, são algo para alimentar ou manter a continuidade de uma entidade presente, ilusória, que se mostra muito real em cada um de nós, que é a presença do "eu", que é a presença do ego. Nós precisamos tomar ciência disso, é por isso que a nossa ênfase, aqui, está na visão da aproximação do Autoconhecimento. Porque uma vez que você tome ciência de como você psicologicamente funciona, você se dá conta desta psicológica condição, que é a condição desta egoidentidade, que está em busca de se preencher psicologicamente, realizando coisas, realizando sonhos, objetivos, propósitos, alvos, se realizando em companhia de pessoas, nessa assim tão sonhada felicidade, no amor, nas relações. Tudo isso faz parte desse velho jogo, que é o jogo da continuidade do "eu", da continuidade do ego. Uma continuidade que se sustenta sempre nesta ânsia por mais, nesta busca por mais. Então, esse modelo psicológico de existência presente no ser humano é algo que está sustentando uma condição interna de insatisfação, de incompletude e, portanto, de sofrimento.
Assim, o que é o sofrimento? Essa é uma outra pergunta. O que é o sofrimento? É exatamente a presença dessa insatisfação, dessa incompletude, esta ânsia por se realizar, por se preencher, por alcançar algo. Nós não nos damos conta de que esse movimento é uma busca de preenchimento psicológico; nesse próprio movimento está presente o sofrimento. É porque sofremos que desejamos. A beleza de um encontro com a Realidade Divina, com a Realidade do seu Ser, é que isso é o fim do sofrimento, porque isso é o fim desta insatisfação, desta incompletude. Então nós temos o fim do desejo, dessa qualidade de desejo. Um desejo que, por sinal, está produzindo, a todo momento, algum tipo de problema. Repare que o desejo, quando se apresenta, ele se apresenta como o desejo, mas os objetos do desejo são diferentes. Você deseja uma coisa, mas simultaneamente você deseja uma outra coisa, contrária àquela primeira. Você sabe que, se obtiver aquela primeira coisa, você terá problemas. Ou seja, intelectualmente, você compreende que desejar aquilo não vai lhe fazer bem. Então, você deseja aquilo mas, ao mesmo tempo, você não quer aquilo. Intelectualmente, você não quer, mas emocionalmente você deseja. Veja, estamos diante do desejo, do desejo que se contradiz.
Assim, a condição psicológica do "eu", do ego, desse "mim", é de contradição. Essa é a presença do sofrimento. Você deseja uma determinada coisa, mas você, ao mesmo tempo, tem medo das consequências. Então, reparem que coisa interessante nós temos aqui: existe alguma separação entre o desejo e o medo? Porque, se você deseja algo mas, ao mesmo tempo, tem medo das consequências, esse desejo é, ao mesmo tempo, contraditório. E esse desejo é, ao mesmo tempo, o medo. Vejam como é importante nós investigarmos isso, esse é o estado caótico, confuso, desorientado, infeliz, do "eu", do ego. Esse sentido do "eu" é algo miserável, porque ele vive nessa insatisfação, nessa incompletude, nesse desejo e nesse medo.
Assim, quando você vem e pergunta: "O que é o medo?" O medo é a presença da insatisfação, o medo é a presença do pensamento se projetando no futuro, vendo as consequências dos seus desejos. Reparem como é importante investigar essa questão, também, do que é o medo. Um outro lado do desejo é a presença do medo, assim como um outro lado do prazer é a presença da dor. Neste momento, neste encontro com a Beleza da vida como ela acontece, há esse deleite, essa alegria. Mas quando o pensamento transforma isso em prazer e se coloca para buscar mais disso, esta ânsia por mais é a presença da dor, é a presença do desejo, é a presença do medo de não obter mais daquilo, ou daquilo trazer consequências ruins para esse "mim", para esse "eu", para esse ego, para essa pessoa. Estamos juntos?
Ter uma aproximação de tudo isso requer a presença da Inteligência. A verdade desta aproximação da vida, da real vida, livre desse modelo que acabamos de descrever, que é o modelo do ego, que é o modelo do "eu", requer a presença da Inteligência. E nós temos a presença dessa Inteligência quando nos desvencilhamos do modelo do pensamento. Nós estamos aqui, com você, investigando todas essas questões. Uma outra questão é: "O que é o pensamento?" Notem a ligação direta do pensamento com todo esse processo, com o processo do medo, do desejo, desta insatisfação, dessa incompletude. Reparem a presença do pensamento. É o pensamento que se projeta a partir da imagem que ele cria, que ele tem, ele mesmo se projeta para ir em busca daquilo.
Reparem o que está sendo colocado agora, aqui, para você. Existe a imagem que o pensamento cria do seu ideal. Nós temos a própria presença do pensamento se projetando no futuro para realizar isso, que é o seu ideal, e temos esse "eu", esse "mim" para alcançar isso. Haverá uma separação real entre esse ideal, esse pensamento e esse "eu"? A resposta é muito simples: sem a presença desse ideal não existe qualquer pensamento sobre aquilo e não existe qualquer "eu" por detrás desse pensamento. Assim, a presença do ideal é o próprio pensamento, que é o próprio "eu". Veja, estamos diante de três coisas que não são, na realidade, três coisas, estamos diante de uma única coisa: essa coisa é o próprio pensamento. É importante que você compreenda isso, não existe nenhuma separação entre esse "eu" e o pensamento, e o ideal dele; aquilo que ele procura, que ele busca, que ele idealiza, é ainda parte dele. É fundamental nós termos aqui uma compreensão de que não existe nenhuma separação entre você e o desejo, entre você e o medo. Você é a presença do desejo, você é a presença do medo. Assim, a presença do desejo, que é o ideal, é a presença desse no ideal, que é você, e isso é a presença do pensamento.
Aqui, nestes encontros, nós estamos, com você, investigando o fim desta psicológica condição, que reparem, é uma condição criada pelo pensamento. Sem a presença do pensamento, não há nenhum conflito presente nessa questão dos desejos. Então, podemos lidar com a vida como ela acontece e realizar propósitos de uma forma muito simples, sem esse fundo psicológico, que é a presença do "eu". Assim, realizar propósitos não é o problema. O problema é alguém nesta realização, é a ilusão de alguém para se preencher, para ser feliz, para se realizar, realizando esses propósitos. Assim, estamos diante de uma ilusão. As pessoas realizam coisas na vida, mas como carregam, ainda, esse sentido do "eu", do ego ali, elas continuam infelizes. Elas continuam psicologicamente, internamente miseráveis, mesmo em meio à fama, ao poder, à riqueza dentro dos bens materiais, dentro dessas realizações, também sentimentais e emocionais, nos relacionamentos. Enquanto o sentido do "eu", do ego, estiver presente, haverá infelicidade, porque aquilo que estará presente é a insuficiência, a carência, a insatisfação, a incompletude.
Aquilo que estamos com você, aqui, investigando, é o fim desta psicológica condição do "eu", do ego. Estar presente na vida, assumindo a realidade da vida como ela acontece, é estar diante da Beleza, da Completude de Ser onde realmente nada lhe falta. Isso porque a Realidade do seu Ser é a Realidade de Deus e nesta Realidade, nada falta. Essa Realidade que é você em seu Ser é Completude, ela não carrega desejos, ela não carrega conflitos, pensamentos ou problemas. Assim, o que é esta Verdade desta Realidade presente? É a Ciência Divina, é a Ciência de Deus. A verdadeira Realidade não é desejada, ela não é desejável. Ela é exatamente o fim desse elemento que se separa e que deseja e que se ocupa psicologicamente, se projetando nessa ilusão, que é a ilusão do pensamento. Pensamento de que amanhã será feliz, de que amanhã estará em paz, de que amanhã encontrará o amor, e assim por diante.
É isso que estamos trabalhando aqui, com você, nos finais de semana. O encontro com a Realidade Divina é a Completude de Ser, é a Verdade de Deus. Assim, sábado e domingo estamos juntos, aqui. São encontros on-line nos finais de semana. Você tem aqui, na descrição do vídeo, o nosso link do WhatsApp para participar desses encontros on-line nos finais de semana. Fora esses encontros, temos encontros presenciais e também retiros. Se isso é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui o convite, já deixa aqui o seu like, se inscreve no canal e coloca aqui no comentário: "Sim, isso faz sentido". Ok? E a gente se vê. Valeu por o encontro e até a próxima.
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