terça-feira, 17 de março de 2026

O medo da morte | Fundamentais questões da vida | Como encontrar Deus? | O que é o pensamento?

Eu quero tratar com você aqui hoje uma questão: é a questão da morte. Aqui nós temos investigado diversas questões fundamentais da vida, e uma dessas questões é a própria questão da morte. Se não temos uma visão real da vida, jamais teremos uma compreensão direta do que é morrer. Nós vamos trabalhar isso aqui com você.

Qual será a verdade desse morrer? Se isso se torna claro, nós temos o fim do medo. Então, vamos, em parte, colocar isso aqui para você. Mas nós precisamos, antes de tudo, colocar de lado todas essas ideias que nós já temos sobre essa questão da morte. As ideias em nós, observem isso, todas as ideias, sem exceção, são conceitos mentais, são formas de aproximações de imagens, de quadros que o pensamento está produzindo.

Assim, quando você tem uma ideia, na verdade, essa pode ser constituída de diversos conceitos, ou seja, de diversas formas de pensamento, é isso dá formação a uma ideia. Portanto, observem a verdade disso. Todo o pensamento em você está dentro de um contexto de ideia. Uma ideia pode ser um conjunto de pensamentos; essa ideia ou pensamento em você envolve uma imagem, um quadro mental. Assim, a nossa aproximação dessa questão da morte envolve esses quadros que o pensamento estabelece em nós como nossa experiência.

Ao longo da vida, desde pequenos, todos nós já entramos em contato com essa questão da morte: alguém conhecido, um parente, os pais, os avós, nós sempre temos presenciado, ao longo da vida, pessoas morrendo. Assim, a ideia que temos, o pensamento ou imagem que temos sobre a morte é o fim dessa existência física. Nós sabemos que o corpo morre, só que para nós não é a morte simples do corpo, é a morte de alguém que conhecemos ou de alguém que amamos, e essa morte é o desaparecimento dela, dessa pessoa, desse nosso contato de relações, de relacionamento.

Então, quando você vê o seu avô morrendo ou a sua avó morrendo já fica claro para você, dentro de você, esse sentimento de afastamento. Então, vamos ver aqui alguma coisa sobre isso. Apesar de todo esse contato que temos com essa experiência da morte, é sempre o contato da experiência da morte de "alguém". Nós não sabemos o que é lidar com nós mesmos dentro dessa questão do fim para aquilo que nós somos, o fim para esse que nós somos; nós não sabemos lidar com a própria ideia do fim de nós mesmos.

Assim, nós temos, ao longo da vida, em razão da presença de crenças religiosas, ou espiritualistas, ou filosóficas, sempre uma ideia sobre não apenas a morte como um desaparecimento, mas a ideia do pós morte, como uma continuidade ou como uma possibilidade de continuidade, e, no entanto, tudo isso está dentro de nós dentro de um formato de pensamentos.

Qual será a verdade desse encontro real com a morte? Não se trata dessa morte física, que em algum momento, infalivelmente, todos nós teremos. Ou através de um acidente, ou em razão da velhice, ou em razão de uma doença, dessas formas, ou de alguma outra forma, ocorrerá a morte para todos nós. Então, não é nesse aspecto que queremos tratar aqui com você.

Aqui queremos colocar para você a beleza desse encontro com a própria morte. Não se trata do fim do corpo, mas do fim da continuidade de um elemento presente em nós que sustenta a presença do medo. Esse elemento presente em nós é esse "mim", é esse "eu".

Podemos nos dar conta aqui, na vida, dessa ciência do que é a morte para esse sentido do "eu", desse "mim"? E será que, ao nos darmos conta disso, ainda teremos uma continuidade de medo? Será que ainda teremos uma continuidade para esse sentido do "eu", sustentando essa abstração, que é essa forma de pensamento, de ideia, de separação com essas perdas?

Quando você teme, você teme perder. Veja, você não teme exatamente uma outra coisa, é somente essa. O seu medo é perder, é perder o contato com esse ente querido, é perder alguém, é não poder ter mais a presença dele ou dela. O seu medo, nessa particular morte de si mesma, de si mesmo, também é de perder, é de perder o que você tem, o que você obteve, as relações de prazer, de satisfação e alegria que você tem nesse contato com objetos, com pessoas, com situações.

Portanto, todo esse sentimento aprazível, satisfatório, feliz, preenchedor e de prazer que você tem é exatamente isso, e é somente isso que você teme que desapareça, que não possa ser mais desfrutado. É isso que nós chamamos de amor à vida. O que chamamos de amor à vida - é bem interessante essa expressão também -, aquilo que chamamos de amor está sempre associado a uma forma ou outra de prazer, dentro das relações. A isso estamos dando o nome de amor.

Assim, o que é a verdade sobre o medo da morte? Nós não temos exatamente o medo da morte. O contato com a morte é o contato com o desaparecimento daquilo que nós temos, daquilo que representa para nós parte da "nossa vida", esse é o medo. É o medo de perder isso que conhecemos, de não ter mais isso, esse é o medo da morte; de não ter mais essa ou aquela pessoa, de não ter mais essa vida do "eu", essa "minha vida", para desfrutar toda a forma de prazer que eu tenho tido até hoje.

Portanto, a verdade sobre o medo da morte é a verdade de ter que lidar com uma condição nova, onde não teremos nada daquilo que nós já conhecemos. Portanto, não se trata de um contato com o desconhecido, trata-se do fim daquilo que nós conhecemos. Assim, nós estamos sempre sustentando essa continuidade daquilo que conhecemos, fazemos de tudo para não perder o que temos, porque a nossa vida consiste nisso, nessa continuidade do prazer, o que nós chamamos de amor nas relações.

O nosso amor nas relações, associado ao prazer, é relativo à satisfação que aquilo me dá, que aquilo me traz. Enquanto isso estiver me trazendo satisfação, prazer e alegria, eu amo, se isso parar de me trazer isso, eu não quero mais perto de mim, e posso passar a odiar também. Então, aquilo que nós chamamos de amor é algo circunstancial, é relativo a preenchimento, prazer e satisfação que temos com aquele objeto, ou naquele lugar, ou com aquela pessoa.

Então, aqui, o primeiro ponto é esse: nós não temos nenhum problema com a morte, nós temos, sim, um grande problema em perder coisas, em perder tudo aquilo que nós juntamos, acumulamos. Isso porque tudo isso faz parte, agora, desse contexto psicológico de existência do "eu". Assim, o medo em perder tudo isso é o fato de que sem isso, quem sou eu? São essas coisas, são essas pessoas, é isso que traz sentido para a minha vida.

Portanto, o que é "minha vida"? A "minha vida" é a continuidade do pensamento sobre tudo isso. Percebam que coisa interessante nós temos aqui quando investigamos também essa questão sobre o que é o pensamento. Tudo o que você tem está dentro de você, como uma imagem que o pensamento está sustentando, como uma ideia que o pensamento trás.

Quando você fala de alguém, você está me falando de um pensamento que tem sobre ele ou ela; quando você se lembra de alguém, a sua lembrança é de uma imagem que você tem sobre ele ou ela. Veja, não se trata da pessoa, trata-se do pensamento sobre ela; não se trata dela, trata-se da ideia que você faz sobre ela. Assim são todas as coisas que nós temos; todas essas coisas que temos estão apenas dentro do pensamento.

E o que é o pensamento? É a presença da memória, da imagem, do quadro mental que você tem. Então, o que é que nós temos aqui como verdade de tudo o que nós temos? A verdade é que nós não temos absolutamente nada, e tudo o que nós temos consiste em uma imagem, em um pensamento. O seu carro é uma imagem dentro de você, o seu marido, a sua esposa, sua família, o seu nome, a sua história, a sua memória, tudo isso faz parte do pensamento. Veja, essa é a verdade do pensamento. Portanto, é o pensamento que dá continuidade a esse "mim", e esse "eu".

O que será a Vida Real? A Vida Real é aquela onde temos a ciência da morte. Essa ciência da morte é a ciência do fim do pensamento nesse instante, nesse momento. É quando o pensamento termina, aqui e agora, que nós temos um real encontro com a Vida Real, com a Realidade da Vida como ela acontece. Isso é a morte, a morte para essa psicológica condição de identidade egoica, que é a identidade do "eu".

Aquilo que nós chamamos de "eu", de "mim", é um conjunto de pensamentos. Então, esses pensamentos estão dando identidade a esse sentimento, pensamento e sensação de posse, de controle, de vida. Talvez você não consiga perceber de imediato, mas aqui nos deparamos com um desafio. A ciência desse encontro com a Vida Real, que é a vida livre do pensamento, que é a vida nesse contato com a ciência da verdade sobre o fim de todas as coisas, é também, simultaneamente, a verdade sobre como encontrar Deus.

A Realidade de Deus é encontrada aqui; não se trata de um movimento no futuro para se realizar, em algum momento no tempo. Esse encontro com Deus é a constatação dessa Realidade nesse instante. Essa Realidade é a Realidade da própria Vida, livre do "eu", livre do pensamento, livre de tudo aquilo que o pensamento tem dado forma e criado uma identidade nessas coisas. Olhe para si mesmo, você não tem absolutamente nada, nem mesmo esse corpo é seu. Se esse corpo fosse seu, você não deixaria ele adoecer, você não deixaria ele envelhecer, você não deixaria ele morrer - ele não é seu.

Há Algo presente, acima e além desse corpo, e, naturalmente, além de tudo aquilo que o pensamento representa aí, inclusive essa ideia desse "mim", desse "eu". A verdade sobre isso é que essa única Realidade é a Realidade da Vida, é a Realidade de Deus, é a Realidade desse "não eu". Então você pergunta: "Como vencer o medo da morte?" Se livre da ilusão de se ver como alguém na vida tendo coisas a partir do pensamento, a partir das imagens que o pensamento constrói.

Assim, o desprendimento de toda essa sensação e experiência e pensamentos, que dão formação a essa identidade que é o "eu", é o encontro com a Verdade de Deus. A Realidade do seu Ser é a Vida; essa é a Realidade de Deus. Então, a única coisa real que você tem é a Realidade d'Aquilo que é Você, e, no entanto, nem mesmo isso você tem. Essa Realidade que Você é não é a realidade de alguém, não é algo seu, é algo de Deus, é a Realidade de Deus.

Essa é a verdade sobre a morte, essa é a verdade sobre a Vida, essa é a verdade sobre Deus, essa é a verdade sobre Você, Aquilo que é inominável e indescritível e que está presente além desse chegar e partir, desse nascer e morrer, além desse corpo, dessa mente e desse mundo.

O ser humano passa uma vida inteira acumulando bens, móveis e imóveis, teres e haveres, e esse movimento é um movimento de aquisição desse "eu". Estamos dentro de uma ilusão, porque nada disso é real. O fim para essa condição é o contato com a Realidade que está além do conhecido e, portanto, está além do pensamento.

Aqui, nos encontros online, que ocorrem aos finais de semana - sábado e domingo -, nós estamos investigando isso, tomando ciência da verdade sobre tudo isso. Ter a revelação, a verdade d'Aquilo que é Você, que é a ciência de Deus, aquilo que os Sábios chamam de Advaita, a não separação, a não dualidade, a verdade dessa Realidade presente, que é a Real Vida, que é a Vida Divina. Fora esses encontros, nós temos encontros presenciais e, também, retiros. Portanto, se isso é algo que faz sentido para você, fica aqui o convite.

Março de 2025
Gravatá-PE
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