terça-feira, 10 de março de 2026

O que é o medo? Mente condicionada. Como lidar com o pensamento? O condicionamento psicológico.

Aqui, a nossa ênfase com você consiste em uma aproximação da vida dentro de uma compreensão do significado dela. A dificuldade que nós temos na vida é de não abraçá-la como ela acontece. Nós fomos educados dentro de um modelo de mundo onde desde pequenos sempre nos foi dado projetos, objetivos, propósitos, ideias, sonhos. Nós não lidamos com a vida como ela acontece, nós estamos sempre lidando com a vida a partir desse fundo de representação mental de como ela precisa ser, deveria ser ou poderia ser para nós.

Aqui, juntos, nós estamos investigando essa questão, que é a questão desse "eu". Não há nenhum outro elemento presente que se separe da vida para avaliá-la a partir desse fundo. O único elemento presente para ser investigado não é a vida como ela acontece, mas é exatamente esse "eu" como ele aparece - e esse "eu" somos nós. Então, nós precisamos compreender algumas coisas; na verdade, nós precisamos compreender uma única coisa, e essa única coisa é a verdade sobre esse "eu"

A forma como encaramos a vida é a partir de um condicionamento psicológico, em razão da presença de uma mente condicionada. Nós não sabemos, por exemplo, lidar com o pensamento. Esse condicionamento que trazemos nos impede de ter uma compreensão daquilo que se passa conosco. Assim, nós precisamos nos aproximar da vida tendo uma nova aproximação, algo que se torna muito complexo, nada simples, em razão desse fundo de condicionamento.

Ao lidarmos com a vida, estamos lidando com aquilo que ali está. A vida representa diversos aspectos bastante complexos; essa complexidade desses aspectos ocorre em razão da forma como nós nos aproximamos da própria vida. A vida não é complexa, não é difícil, não é aquilo que acreditamos que ela é. Apesar de não ser complexa, difícil, a vida consiste em algo nesse instante acontecendo, a cada momento, como um grande mistério.

Não há como ter uma aproximação da vida a partir do pensamento. Esse formato de pensamento presente, a forma como o pensamento se processa dentro de cada um de nós, é procurando fazer uma leitura da vida. Então nós temos da vida, a partir do pensamento - nessa mente condicionada, nesse condicionamento psicológico -, uma visão equivocada.

A cada momento, nós nos deparamos com algo novo na vida; a vida é sempre algo novo surgindo. A cada momento, a cada instante, nós estamos diante de algo novo, e atender esse novo requer uma qualidade de mente que nós desconhecemos. Apenas uma mente livre, desimpedida, silenciosa, com um cérebro quieto é realmente capaz de olhar para a vida como a vida acontece, sem gerar conflito, desordem e confusão. Mas a mente que nós conhecemos é a mente que, ao olhar para a vida, carrega a sua perspectiva, a sua peculiar visão. Então, vamos ver isso aqui juntos.

Por que é que ao olharmos para a experiência da vida, ou para a vida como ela acontece, produzimos conflitos, confusão, desordem e sofrimento, não só para nós mesmos, mas para o mundo à nossa volta? Por que isso acontece? Porque olhamos a partir do passado. É o passado que não nos permite ter um contato com a vida em Liberdade.

A ausência dessa Liberdade: vamos tocar um pouquinho nisso aqui. Nós não fomos criados, educados para a Liberdade; pelo contrário, nós fomos adestrados, condicionados, programados para pensar, para sentir e para atuar na vida. Ou seja, todas as nossas ações também são moldadas por esse modelo de sentir e pensar educado pela sociedade, educado pela cultura, para um comportamento bastante peculiar, e esse comportamento é o comportamento do "eu".

Qual será a verdade desse "eu"? Esse "eu" é esse elemento presente que se move na vida a partir do pensamento. Então, é assim que estamos nos movimentando na vida. Esse movimento a partir do "eu" é o movimento da ausência da Liberdade. Nossa ideia de liberdade, em geral, é a liberdade para fazer o que desejamos, para fazer o que nós queremos, para ser quem nós acreditamos ser.

Alguns usam a expressão "precisamos ser nós mesmos". O que é "ser nós mesmos"? Tudo o que nós sabemos desse ser que nós somos é aquilo que a cultura nos ensinou a ser, nos mostrou como ser. Então, quando falamos de liberdade para fazer o que desejamos, para ser quem nós somos, nós estamos apenas sob a influência do desejo. Não é possível a visão real da Liberdade enquanto o nosso impulso de ação for o impulso da aquisição, for o impulso para obter aquilo que nós desejamos.

Porque, na verdade, o que é que nós desejamos? Nós desejamos aquilo que está presente nesse fundo de condicionamento mental. Nós tivemos experiência de prazer, e agora desejamos que esse prazer volte, esse é o nosso desejo, mesmo que esse prazer implique em sofrimento para o outro, como ocorre, no caso, desse movimento em nós, por exemplo, na ambição. Nós vivemos dentro de uma disputa, procurando superar os demais, para realizar o que desejamos para obter o que nós queremos. Esse movimento, em geral, é o que nós chamamos de liberdade, enquanto que aqui nós estamos apenas no impulso da insatisfação.

Existe um aspecto dentro dessa questão do desejo que nós não percebemos, que é a presença do medo. O mesmo impulso para obter aquilo que você deseja, como o prazer, é o mesmo que procura lhe afastar daquilo que lhe causa dor - e esse é um outro aspecto também do desejo. Nós desejamos o prazer, mas também desejamos fugir da dor. Essa questão do desejo precisa ser investigada. É natural o desejo; o desejo apenas nos mostra que estamos respondendo à vida. O problema surge é quando não compreendemos o lugar que tem o desejo.

A qualidade de desejo que nós conhecemos não é o desejo simples e natural para obter aquilo que, de fato, nós precisamos. O desejo que nós conhecemos é o desejo psicológico, é aquilo que nos impulsiona em busca de um preenchimento e realização a nível do "eu", a nível do ego. Essa qualidade de desejo carrega presente também o medo. Nós vivemos nessa busca do desejo - eu me refiro a essa qualidade de desejo psicológico, que é o desejo em busca de um preenchimento e de uma satisfação egocêntrica - e também vivemos dentro desse mesmo modelo de fuga da dor.

Então, o nosso desejo também implica nesse fugir do sofrimento; um sofrimento que, por sinal, nós criamos a partir desses impulsos. Todo esse modelo de impulso do "eu", de impulso do ego, em sua busca de preenchimento e satisfação, é algo que envolve a busca do prazer e a fuga da dor. E a verdade é que todo esse movimento é o movimento egocêntrico, todo esse é o movimento que vem do passado, vem dessa psicológica condição, que é a condição do "eu", que é a condição do ego.

Assim, quando as pessoas perguntam o que é o medo, um dos aspectos do medo que, em geral, nós ignoramos é que o medo é essa fuga da dor. Mas quem é esse elemento nessa fuga da dor senão o próprio "eu", esse próprio movimento egocêntrico dentro desse desejo de escapar? Aqui, com você, nós estamos investigando o fim para essa psicológica condição, que é a condição da egoidentidade, para um real encontro com a Vida como ela acontece nesse instante, livre desse modelo, que é o modelo dessas atividades egocêntricas.

Assim, a presença da Liberdade, dessa mente livre, é algo fundamental. Como realizar essa mente livre? E como assumir a Verdade desta mente livre? Isso ocorre quando liberamos de nós essa interna condição, esse movimento interno, que é o movimento do "eu", que é esse movimento do ego. Isso se realiza pelo olhar, pelo perceber, pelo compreender todo esse movimento. Aquilo que aqui temos dado como fundamento para essa visão, para essa Verdade dessa Liberação dessa psicológica condição, que é a condição dessa egoidentidade, é realizarmos, na vida, a compreensão de nós mesmos pelo Autoconhecimento.

A não ser que você tenha uma direta compreensão de como você internamente funciona, você jamais irá compreender a vida. Como nós acabamos de colocar: a vida não é algo difícil, não é algo complexo, mas é a presença de um Mistério, que a cada momento está aqui se mostrando, se revelando, e você não pode tomar ciência desta Revelação a partir do passado, a partir do modelo do pensamento. Então, o fim dessa mente condicionada, desse psicológico condicionamento é a aproximação da vida como ela acontece, como ela é. E nesse encontro com a Vida, temos o encontro com a Felicidade.

Em geral, toda essa procura por satisfações, por realizações, por projetos, objetivos, sonhos é aquilo que tem sido dado para nós como modelo dentro desse contexto de sociedade, de valores humanos, de valores mundanos. Uma vida voltada para a Verdade é o fim dessa velha condição, para um encontro com a vida nesse instante sem o passado, sem esse padrão de mente condicionada.

A posição da pessoa no mundo, do ser humano como ele vive, apesar de todas as realizações externas que ele tem - realizações essas impulsionadas pelo modelo comum, pelo modelo de mente condicionada, de psicológico condicionamento - ainda é de infelicidade problemática, insciente da Realidade Divina presente aqui e agora, porque ele está vivendo no pensamento, vivendo nessa velha condição do "eu", do ego.

Todo o seu impulso na vida é na busca do prazer; toda essa busca do prazer carrega a presença da dor. Nós não nos damos conta disso porque nos falta uma visão de como, internamente, nós funcionamos, nos falta uma visão de que nós estamos funcionando de uma forma programada, dentro de um contexto de consciência comum a todos.

Aqui, juntos nós estamos investigando tudo isso para irmos além dessa psicológica condição egoica, para irmos além dessa ilusão desse sentido de alguém presente precisando de algo na vida. A verdade é que a Presença da Vida é a Presença do seu Ser. Este Ser é a própria Realidade Divina, essa é a Natureza Verdadeira, é a Natureza Real d'Aquilo que é Você em seu Ser. Um encontro com a Vida é um encontro com a Realidade nesse instante.

Não existe qualquer separação entre a vida como ela acontece e a Realidade do seu Ser. No entanto, enquanto esse sentido do "eu", dessa mente condicionada, estiver presente, você estará sempre perguntando: "o que é o medo", "como se livrar do sofrimento", "como vencer a depressão", "como superar o estresse e a ansiedade". Isso porque todos esses quadros são representações típicas dessa condição psicológica, que é a condição da mente egoica, dessa consciência isolacionista, separatista, desse sentido do ego, dessa presença do "eu".

Aproximar-se da Realidade da Vida, assumir esta Realidade, constatar a Beleza da Vida como ela acontece, tendo uma aproximação real desse Mistério, requer a ausência dessa velha condição. A presença do Autoconhecimento lhe abre essa porta para a ciência que Revela Deus, que Revela o seu Ser. A Felicidade é possível nesta vida quando esta Vida é Real, quando esta Vida não é mais essa ideia de "minha vida", quando esta Vida é a Vida Divina.

Aqui, nos finais de semana, sábado e domingo, estamos juntos aprofundando isso com você. São dois dias online, onde estamos trabalhando isso com você. Fora esses encontros, nós temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui esse convite para participar.

Março de 2025
Gravatá-PE
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