terça-feira, 9 de junho de 2015

O que é iluminação?

Iluminação! O que é iluminação? Iluminação é o florescer do que você é. O processo do florescer é aparente. Você é como uma flor que floresce, mas não sai de botão para uma flor inteiramente aberta. É um florescer de outra ordem. Eu tenho, nessas falas, usado muito a expressão constatar. Iluminação é constatar o seu Estado Natural de Ser. Isso é florescer.

É curiosa a ideia de tempo implicada nesse, assim chamado, processo. Quando usamos aqui a palavra processo, em algumas das falas, usamos nesse sentido, nesse "jogo", que assim parece ser gradual, mas não tem nada de gradual nisso. Constatado o que você É, é algo instantâneo. Nenhum tempo se faz necessário. Nenhum trabalho, no sentido de um processo gradativo, se faz necessário; só parece ser assim.

Essa coisa de vir a Satsang, de estar presente nesses encontros, de olhar isso, não só aqui, mas também fora desse espaço, olhar de novo, de novo e de novo, Isso não é o botão se abrindo, é um florescer diferente. Isso é algo acontecendo e assentando nesse corpo-mente, que é aquilo que parece ser o impedimento sendo visto como uma aparência e desaparecendo.

Mas não há tempo na Iluminação. A mente curiosamente "diz": "chegarei lá, realizarei isso; vou fazer acontecer". E aí ela caminha, mas esse caminhar é dentro dela mesma; é como um milhão de passos, mas num lugar só. Você pode dar um milhão de passos no mesmo lugar, que você não chega a lugar nenhum. Mas com um milhão de passos, é claro, você cansa. É bom você estar cansado, porque aí você fica quieto, e descobre o que é despertar, o que é iluminação, o que é acordar. Aí você descobre que é algo presente nesse instante. Iluminação é o florescer do amor, o despertar da compaixão, o respirar da felicidade de seu Estado Natural, e isso é agora, não amanhã. É bom que milhões de passos sejam dados até que você entenda que não precisa dar um só passo e que esses milhões de passos não significaram nada.

Você é Isso. Você é a suprema e natural paz, amor, felicidade, iluminação. Deixem de mitificar isso e mistificar isso que é você.

Você é o Cristo. Você é o Buda. Você é a Suprema Felicidade e simples Amor!

Você é Deus!

Não importa o que a sua mente diga. Ela pode dizer qualquer coisa, mas isso não muda o que É. Você é o som do bebê que chora no berço, a melodia da flauta soprada pelo flautista, o deslizar das nuvens no céu... Você é o sol se escondendo por trás da montanha, é o sussurro do riacho, é o canto do pássaro naquela árvore distante. Você é o sorriso e também as lágrimas. Você é aquilo que está mais próximo, aquilo que está dentro, no cerne de todas as coisas. Você é tudo, em todo instante, a todo momento. Está em toda parte e não está em lugar algum. Sem nascimento e sem morte, sem passado e sem futuro, não está nem mesmo nesse presente, que logo se torna passado. Você é Aquilo sem nome, sem forma, sem definição.

Não há "pessoa", não há "alguém", não há "mim", não há "eu". Você é esse Silêncio, essa Paz, essa Liberdade, essa Plenitude, essa Quietude. Você é Iluminação, e Isso é Deus, agora e aqui. Quando não há nenhum sentido de separação, nenhum sentido de separatividade, aí está você em sua Real Natureza. Você é Ele! Só há Ele! Só há Você! Isso é tudo, e tudo é Isso!

É tão simples, tão simples, tão simples, assim. É somente Isso... É só Isso!

*Transcrição de uma fala ocorrida em outubro de 2012, num encontro presencial, na cidade de Itaquaquecetuba/SP. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

terça-feira, 12 de maio de 2015

O que é Satsang?

Esse espaço aqui, esse tipo de encontro, na verdade, não é um encontro. Satsang é o tipo de encontro que é uma grande armadilha. Você é atraído para esse encontro, e depois que se aproxima dele e entra, logo alguns segundos depois, ou alguns minutos depois, você cai nessa armadilha. É quando você desaparece! Olhem que coisa curiosa: Satsang é o único lugar em que você vem para descobrir que você mesmo não veio, que você mesmo não está presente. Então, se algo cai nesta armadilha é a mente. Aqui a mente "desmonta".

É como quando alguém nos pergunta o que fazer com a mente. "Como silenciar a mente? Como meditar?" E por aí vai. Sempre nesta pressuposição de que exista tal coisa chamada "mente"; sempre nesta ideia de que existe "alguém". Quando alguém diz "fale-me sobre Satsang", ou quando alguém nos pergunta o que é Satsang, o que fazemos e o que acontece, todas essas perguntas têm essa base, a ilusória base de que existe "alguém" presente em Satsang, de que há algo para ser feito em Satsang, como uma mente para ser silenciada ou uma meditação, da qual, depois de certo tempo de prática, o participante se torna mestre.

Satsang é o espaço no qual você descobre que "você" não está presente. Então, é o único convite que você recebe e, depois, quando entra na festa, é convidado a se "retirar", a perceber que "você" não está presente. É quando a mente "desmonta" e "cai" nessa armadilha. É esse o instante do milagre; o milagre de perceber que tudo é uma grande ilusão! A ilusão de ser alguém, a ilusão de ter vindo, bem como a ilusão de receber, de conseguir, de obter, de ganhar e de experimentar algo em Satsang. Então, essas perguntas "o que vamos fazer?", "o que é Satsang?", e todas relativas a isso, só têm uma resposta: venha a Satsang, e logo você descobre que "você mesmo" não está presente. Isso é Satsang acontecendo!

Satsang é, basicamente, Consciência de Ser. Eu não disse ideia de ser, eu disse Consciência de Ser. Não há ideia nisso! Ser, aqui, não é ser algo, alguém ou alguma coisa; é, diretamente, Ser! Ser a Presença! E essa Presença é exatamente essa ausência de "ser alguém". É difícil ajustar essa fala a esse padrão comum do intelecto, que caminha com um objetivo, pois nele não há só o "caminhar". Para nós, só o "caminhar" é algo muito insano, despropositado, mas esse tipo de encontro é um convite apenas para o "caminhar", sem mesmo o "caminhante" nele. Então, não há objetivo, não há propósito.

Assim, Satsang é ser sem objetivo, sem propósito, e isso é o "desarmar"; é o "cair na armadilha". O que cai nessa armadilha é somente aquela crença de que havia "alguém", antes de Satsang. Em Satsang fica claro que não havia "alguém". Nunca houve alguém, nunca houve mente para ser silenciada. Então, essas respostas todas não são importantes, porque o perguntador desaparece.

Quando o Satsang está acontecendo a você, e ele está acontecendo agora, o perguntador desaparece em sua Real Natureza, bem como as respostas. Você desaparece! Tudo desaparece! Somente esta Real Natureza – de ser Isso que você É – está presente. Isso é Satsang! Esse lugar não é um lugar físico; é, essencialmente, o seu lugar interno, o seu lugar real, aquilo que você já É em seu Ser, em sua Real Natureza! É o Satsang... É o Satsang!

*Transcrição de uma fala ocorrida num encontro aberto online. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Um Encontro com a Nossa Verdadeira Natureza

Satsang é um encontro com a nossa Verdadeira Natureza – com a Beatitude, com a Paz, com o Silêncio, com a Liberdade, com o Amor de nossa Essência Divina. Temos passado muito tempo alienados acerca de nós próprios, inconscientes de nós mesmos. E aqui nós temos a oportunidade de não só ouvirmos a respeito disso, como também vivenciarmos diretamente isso, essa constatação – é assim que nós chamamos. Não se trata de mais uma crença, de mais uma doutrina, de mais uma forma de ensino, ou de mais um conhecimento. Não se trata nem mesmo de mais uma vivência, dessas vivências que, ao passarem, fica para você somente uma memória, uma lembrança.

Nós temos em Satsang a oportunidade de uma imersão, de um mergulho nesse constatar dessa Graça, dessa Verdade, dessa Beleza que trazemos. E nós aproveitamos esses encontros para, durante essas falas, investigarmos juntos, porque é através dessa investigação que podemos, diretamente, viver a meditação. E a meditação só é possível nessa incondicional entrega.

Observem que a Felicidade é tudo o que buscamos. Tudo o que buscamos profundamente é o Amor, a Paz e a Felicidade. Todos querem isso, todos sentem a importância disso. É o que todos nós profundamente desejamos. E quando compreendemos isso, porque todos desejam, desejamos de uma forma completamente inconsciente do que, de fato, significa isso; então, termina que nos perdemos. Todos se perdem nessa busca, nessa procura, porque lhes falta essa compreensão do que significa Amor, Paz e Felicidade.

Reparem que realizamos a busca em objetos, relacionamentos, estados internos. Então, aquilo que é na verdade um desejo natural, um desejo que é um anelo por nossa Real Natureza, por essa Verdade que já somos e trazemos, termina se transformando num esforço para determinadas direções, e nelas nós nos perdemos, por estarmos focados nessa busca para o lado de fora. É do lado de fora que queremos encontrar Isso, como em objetos, atividades e relacionamentos, ou em estados puramente mentais, e assim buscamos toda forma de estímulo que possa nos proporcionar um estado de paz, de amor, de felicidade.

Então, esse esforço nessa direção equivocada se confirma dia após dia, após dia, em constante decepção, frustração. E isso por quê? Porque nós não podemos conhecer a Felicidade; não podemos adquirir a Felicidade; e não podemos realizar a Felicidade. Porque Felicidade, Amor, Paz, é essencialmente aquilo que somos, agora mesmo, aqui, neste instante.

*Transcrição de uma fala ocorrida em Setembro 2013. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Seja o que você É

Participante: Há uma coisa dentro de mim que diz assim: eu não quero sofrer, não quero passar fome, não quero sentir dor.

Mestre Gualberto: A Vida comporta isso tudo, e isso é a Vida. Agora, a Vida jamais é tocada por sua própria expressão. Isso significa que você é a Vida. Quando Isso está assentado, só há Vida fluindo. A Vida não está abandonada. A Vida só está se manifestando, uma hora de uma forma e outra hora de outra, mas isso não muda nada para a própria Vida que é Você.

A ideia de "quero" e "não quero", "gosto" e "não gosto", ainda é a ideia de "alguém vivo" na Vida e não da própria Vida. A Vida não se ocupa com crenças. São crenças sobre a dor e sobre a dor da dor; crenças sobre o sofrimento e sobre o sofrimento do sofrimento, como crenças sobre a alegria da alegria; crenças sobre a felicidade da felicidade e sobre a morte da morte. São somente crenças. Solte as crenças. Seja o que você É: a Vida.

E deixe essas questões de direito, esquerdo, cara e coroa, positivo e negativo, dor ou prazer, viver e morrer, por conta Daquilo que move tudo e põe tudo em seu devido lugar.

*Transcrição de uma fala ocorrida em setembro de 2013, num encontro presencial. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Apenas Fique Quieto

Essa nova atitude baseada na confiança nos parece muito estranha. É uma atitude não planejada ou programada, pois é algo não idealizado. Confiança é uma palavra proibida, assim como aquelas palavras feias que a gente não repete em público, porque fomos ensinados assim quando crianças. Confiança, segundo a mente, implica o perigo de ser "violentado". Então, desconfiar é a palavra de ordem.

Desconfiar de tudo e de todos, em um mundo profundamente violento, agressivo e egoísta parece ser um grande negócio. No entanto, quando a gente se aproxima de Satsang ocorre um retorno à pureza da infância. Somente se fica à vontade em Satsang quando as antigas lições são desaprendidas para dar lugar ao novo.

Reparem que coisa interessante é isso, pois nós mudamos o foco. O foco era aprender, mas agora é desaprender, que significa confiar na existência para experimentar diretamente. Apenas quando isso surge ocorre uma nova atitude baseada na confiança e na entrega, que pode ser desdobrada em uma postura de observação e experimentação direta, fazendo desvelar o lugar onde aparecem todos os milagres.

É o milagre da confiança de se confrontar consigo mesmo, com seus próprios desejos e com seus próprios medos – tudo aquilo que antes nos fazia fugir amedrontados. Esse tipo de nova atitude nos coloca vulneráveis, receptivos e abertos. Assim, nós estamos diante da possibilidade do milagre que é a constatação disso que somos, e então, nessa confiança, nos estabelecermos além do medo.

É uma confiança de ordem diferente, porque ela coloca você além dos opostos que decorrem da necessidade de agarrar-se a alguma coisa, que é meramente sentimental, emocional e intelectual. O que estamos dizendo é: não é possível essa compreensão direta daquilo que somos, se não nos abrirmos àquilo que se apresenta aqui e agora, e se não ficarmos expostos diante de nós mesmos. Precisamos compreender que é essa questão do medo que nos empurra para longe do confronto, este que dá azo à observação direta daquilo somos.

Essa fuga somente ocorre porque não há confiança. Quero convidá-los a ficarem expostos a si mesmos, a cada reação que vem do passado, a cada pensamento com sua bagagem e o respectivo sentimento com a sua resposta reativa, assim como gostaria de convidá-los a ficarem quietos, muito quietos, apenas olhando para isso.

É necessária uma enorme confiança para que essa dor que surge possa passar. Ela aparece pequena, e cresce até chegar a um pico, mas depois desce novamente. Se você faz isso, se você se permite, então, finalmente, descobre o que é confiança, ao se expor para si próprio, nesse olhar direto, quando ocorre a descoberta dessa Presença que testemunha a reação se manifestando no corpo e na mente.

Essa Presença é a testemunha intocada que é você, onde não há reação. Você não é o corpo e nem a mente; não é desejo, medo, culpa, remorso, trauma, nem a ansiedade. Você não é nada disso. Você é essa testemunha que olha, que presencia aquilo que aparece neste organismo, isso que vem e vai, enquanto você testemunha.

Nesse olhar confiante, despretensioso, aplicado, zeloso, cuidadoso, devotado, você encontra Aquilo que está além do corpo e da mente, além de todas essas reações ligadas a esse mecanismo, e assim você descobre Aquilo que não vem nunca, não vai embora nunca, não aparece, não cresce, e que não chega a um pico, depois diminui e some. Você descobre Aquilo que é Imutável.

Assim, quero convidá-los a esta profunda confiança de aceitar e não resistir, de abraçar diretamente aquilo que surge nesse exato momento, e ficar com isso. E Satsang é este espaço onde a real confiança pode florescer – na Presença da Graça do Guru; é a possibilidade da descoberta desta real confiança, para que possamos ir além da mente.

Isso é, na verdade, o fim, e ao mesmo tempo é o começo. É o alfa e o ômega.

Mestre Gualberto

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