terça-feira, 18 de junho de 2024

O que é o Despertar Espiritual? | Iluminação Espiritual | Como praticar a Meditação? | Avidya

A pergunta aqui é: “O que é o Despertar Espiritual?” É comum as pessoas terem perguntas desse tipo. Nós vamos trabalhar com você aqui essa questão do fim da ilusão, da ilusão do “eu”, do ego, desse sentido de alguém presente aqui, neste instante.

Reparem que coisa interessante é o nosso comportamento: temos a ideia de que, por exemplo, assistindo um vídeo, tem alguém falando e você ouvindo. Então, há um ouvir, onde existem duas pessoas presentes dentro de uma dada experiência.

Nas relações, nesse contato que nós temos com o mundo, com a vida, a ideia central é a ideia de que a vida está acontecendo para mim. Aquilo que nós chamamos de “vida” ou “viver” é a vida para alguém ou o viver de alguém.

Então, o que é a Iluminação Espiritual, o que é o Despertar Espiritual? É a clara compreensão de que isso é um sonho. Estamos diante de um sonho acontecendo. À noite você tem um sonho, nesse sonho você está vivendo a vida. Essa vida que você vive no sonho é muito real para você. Então, tudo que acontece ali é muito verdadeiro, até que você acorda. E quando acorda, fica claro que essa vida não era real.

A vida do sonho, a vida onírica, ela relativa aquilo que esse sonhador podia vivenciar, experimentar, ser, ter, viver. Então, a vida do sonho é real para o personagem do sonho. Aquilo que nós chamamos de “vida”, aqui, nesse instante, aquilo que nós chamamos de “existência humana”, onde estamos dentro desse movimento de confiança, de certeza, de segurança, de absoluta convicção de que tudo isso aqui à nossa volta é real, isso está presente em razão da mesma condição.

Você só tem um sonho à noite quando dorme, e você só tem esse sonho aqui enquanto o sono também está acontecendo. A verdade sobre isso é que aquele sonho é tão real quanto esse sonho aqui é real. À noite você sonha porque dorme, e aqui, durante o dia, você sonha porque dorme.

Então, o Despertar Espiritual é o despertar de sua Natureza Real, algo além do sonho e, naturalmente, do sono. Vejam que coisa simples temos aqui e, ao mesmo tempo, de uma extrema gravidade quando não compreendida, quando não esclarecida.

É por isso que na Índia eles chamam de avidya. Avidya é uma palavra em sânscrito que significa a não visão. É como você olhar para um espelho e não conseguir se ver no espelho, porque o espelho está muito sujo, muito empoeirado. O que você tem ali é um embaçamento completo. Você não pode se ver claramente no espelho que está embaçado, que está empoeirado, muito empoeirado: isso é avidya.

A visão que você tem de si mesmo é avidya. Então, a palavra avidya significa ignorância. Quando há ignorância, não se tem a visão: é a não visão. Essa é a condição em que nós, como seres humanos, nos encontramos nesta vida.

Toda visão particular que você tem do mundo, notem isso, não é uma visão particular, é a visão coletiva, que agora se mostra como sendo a visão particular de alguém. Você se vê como sendo alguém com uma consciência individual e particular, tendo uma visão do mundo que, no pensamento, a ideia em você é que é uma visão sua e particular do mundo e da vida. Mas não é! O que você tem é uma visão de condicionamento de cultura, de sociedade, de mundo.

Essa, assim chamada, “consciência pessoal” é, na realidade, a consciência da humanidade. O modo como você vê a experiência da vida é o modo como todo ser humano vê a experiência da vida. Você se vê como uma entidade separada da vida – todo ser humano se vê assim –, tendo uma consciência individual. Todo ser humano tem esse sentimento de individualidade.

Há algo presente em você que está presente em todo ser humano. Todo ser humano é exatamente como você, psicologicamente. Então, no sentido de uma identidade presente na experiência, a única singularidade aqui presente são as impressões digitais, a forma do rosto, o seu particular nome, a sua particular história, o seu CPF (Cadastro de Pessoa Física).

Mas, psicologicamente, a estrutura dessa consciência do “eu”, que é a consciência humana, é a consciência presente em todos nós, e essa consciência está dormindo e sonhando. O seu mundo particular e privado, na realidade, é um mundo compartilhado por toda a humanidade.

Então, o que é o Despertar Espiritual? Repare, me refiro à verdade do Despertar Espiritual. Não se trata de contato com extraterrestres, não se trata de experiências particulares desse “eu”, experiências místicas, esotéricas, o contato com o extrafísico, com o não material, com o, assim chamado, “mundo espiritual”. Não se trata disso.

Estou falando aqui com você do Real Despertar, pelo menos no sentido que colocamos aqui, dentro do canal para esta expressão (Despertar Espiritual). O Real Despertar Espiritual é o fim do sonho com o seu sonho, é o fim do sentido de uma identidade presente se separando da vida, se vendo como alguém na experiência do viver. Esse é o fim do “eu”, do ego.

A Realidade do seu Ser está presente quando a ilusão termina. Então, isso é o fim da avidya. Essa palavra em sânscrito, como já colocamos, é ignorância. Essa condição de ignorância, quando termina, temos a Realidade do seu Ser presente.

Quando as pessoas perguntam o que é meditação ou como praticar a meditação, aqui colocamos a Meditação também de uma forma também diferente. Aqui chamamos de Real Meditação, diferente da meditação como técnica, como prática, como algo que você faz. Não, absolutamente!

A Real Meditação é o florescer do seu Ser quando há uma aproximação da verdade do Autoconhecimento na prática. A palavra Autoconhecimento também colocamos de uma forma diferente aqui. Estamos falando de uma aproximação da verdade sobre quem é você. Não para intervir ou interferir nisso, mas para tomar ciência desse você, que é o “eu”, o ego. É quando ele termina, é quando essa identidade, que é esse “mim”, esse “eu”, se desfaz, em razão dessa atenção, dessa visão clara da Meditação.

O Autoconhecimento, assim como a Meditação, é algo que está presente quando há essa atenção sobre todo esse movimento do “eu”, do pensamento, do sentimento, da emoção, da sensação, da percepção.

Tomar ciência disso é o fim dessa ignorância, é o fim para essa ilusão, que é a separação entre a Realidade, que é Você em seu Ser Real, e a vida. Essa separação está presente em razão dessa ilusória identidade, que é esse centro falso, esse centro ilusório, que é o “eu”, o ego.

Temos uma aproximação da verdade da Meditação quando temos essa aproximação, neste instante, de todo e qualquer movimento do pensamento, do sentimento, da emoção, da sensação. O fim para essa identidade presente é o fim para essa separação. Isso é real aproximação da Meditação, porque nesse momento temos presente o Autoconhecimento.

Então, Autoconhecimento aqui é a simples constatação de que esse centro é esse elemento que se separa como sendo o experimentador, o pensador, o observador, dentro da vida, no viver, na experiência. Olhar isso de perto, se aproximar disso, é eliminar essa separação, é eliminar essa dualidade. A eliminação disso é algo que ocorre naturalmente quando há essa atenção, esse olhar.

Reparem: não é alguém na prática da meditação. Então não se trata de alguém praticando a meditação. Como praticar a Meditação? A Meditação é a ciência daquilo que é Você quando o sentido do “eu”, desse “mim”, desse você, não está mais presente.

Assim, a presença da Real Meditação é a ausência daquele que medita, é a ausência do meditador. Portanto, nossa colocação aqui é bem específica a respeito dessa questão da Meditação. Não é alguém na prática da meditação, não é alguém praticando a meditação, é a ciência de que essa atenção sobre todo esse movimento do “eu”, do ego, é o fim para esse movimento. Então Algo está presente agora, neste instante.

Esse Algo é a ciência da não separação, da não dualidade, é a ciência deste Ser, que não é pessoal. Então, a realidade da Meditação é a presença d’Aquilo que está presente quando o meditador não está, quando o “eu” não está, quando o ego não está.

Assim, a coisa mais importante na vida é termos uma aproximação da Realidade, do fim do “eu”, do ego. Ou seja, a coisa mais importante na vida é o florescer de sua Natureza Divina. É nesse sentido que usamos aqui as expressões “o Despertar Espiritual” e “Iluminação Espiritual”.

O nosso trabalho aqui consiste nessa investigação, nesse estudar aquilo que se passa conosco, aquilo que somos, aquilo que demonstramos ser, que parecemos ser, e essa Realidade que está além disso, que é Algo indescritível, inominável, que é a Realidade deste Ser, deste Verdadeiro Ser, que está presente quando o sentido do “eu”, do ego, não está mais.

Esse Natural Estado de Ser é esse florescer d’Aquilo que é Você. Então está presente esta Inteligência, esta Graça, este Amor, esta Sabedoria, esta Real Completude, esta Verdadeira Felicidade. Toda a busca do ser humano é por essa Completude, é por essa Felicidade, é por esse Amor, e Isso está presente quando o seu Ser floresce, seu Ser Real assume o espaço que é d’Ele nesse corpo e nessa mente.

Maio de 2024
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quinta-feira, 13 de junho de 2024

Como vencer o medo da morte? O que é Meditação? O que é Despertar Espiritual? Iluminação Espiritual.

Aqui a pergunta é: “Como vencer o medo da morte?” A compreensão disso requer uma aproximação da verdade daquilo que a morte representa. Veja, aqui não se trata de uma aproximação com base em crenças.

As pessoas têm procurado estudar esse assunto e, em razão disso, em razão de todo o aprendizado dentro da espiritualidade ou desse movimento de vida religiosa, elas hoje carregam todo tipo de crenças a respeito do pós-morte. E isso lhes garante um certo consolo, um certo conforto, uma certa intelectual certeza. Mas isso não é o fim do medo.

O sentido de alguém presente, que é o “eu”, o ego, que tem suas coisas, ele não quer se ver livre dessas coisas. Isso é um fato, isso é uma realidade. Então, não importa a quantidade de crenças que você tenha a respeito do pós-morte ou da não verdade da morte. O fato é que, quando a morte chega, muda tudo. Muda tudo porque tudo que você tem desaparece, tudo que você é desaparece. E esse é um contato com o desconhecido.

Então, repare: esse contato com a vida, sem a compreensão do que ela é, lhe coloca numa condição onde você está preso a experiências de todos os tipos, e dando uma identidade a todo tipo de situação à sua volta e dentro de você, que você chama de “minha vida". Então, tudo que você sabe é isso que você conhece sobre você, sobre essa, assim chamada, “vida”. Qualquer coisa fora disso é o desconhecido.

Então, a verdade é que uma crença é um conceito, é uma ideia, é um pensamento. Conceito, crença, ideia, pensamento, tudo isso é algo que faz parte ainda de uma abstração. Então, a realidade da morte é compreendida quando o sentido do “eu”, do ego, com tudo que ele representa, desaparece. Repare: não é fisicamente, mas, sim, psicologicamente.

Esse sentido do “eu”, do ego, tem uma visão desse seu mundo físico a partir do seu imaginário mundo psicológico. Então, é aqui que está o problema. O ser humano não tem exatamente medo da morte, porque a morte é algo desconhecido. O medo do ser humano é o medo de perder sua segurança no que ele conhece.

O seu medo não é exatamente do desconhecido, mas é o medo de perder a segurança dentro do que ele conhece, dentro do que ele sabe. E o que ele sabe é aquilo que sua identidade egoica, esse sentido do “eu”, que é o ego em cada um de nós, carrega. Aqui está a questão do medo.

O medo está presente, e é o medo de perder tudo o que ele representa. Quando algo que é seu lhe é tirado, há uma dor envolvida nisso. E por que essa dor está presente? Em razão da vinculação psicológica, sentimental, emocional e física de apego àquele objeto, àquela pessoa, àquela dada situação, ao próprio corpo. Então, o seu medo é o apego ao conhecido. Essa é a experiência do “eu”, é a vida do “eu”, é a vida do ego.

Então, como vencer o medo da morte? Repare, tudo que você vence, tem que continuar vencendo. Mas quem é esse que está vencendo? Não é o “eu”? O que é que ele está vencendo? A verdade sobre isso é que sim, é possível o fim do medo. É isso que temos falado com você, estudado com você, explorado com você aqui.

Aqui estamos trabalhando com você essa questão do Despertar Espiritual, porque as pessoas também perguntam: “O que é o Despertar Espiritual?” Veja, o Despertar Espiritual é a ciência da Verdade Divina, do seu Real Ser – pelo é nesse sentido que colocamos essa expressão aqui.

A Realização d’Aquilo que é Você, que é a Verdade Divina, é o Despertar Espiritual ou Iluminação Espiritual. E se Isto está presente, nós temos o fim do medo. Veja, não se trata de vencer o medo. Não existe nada que você consiga vencer que não tenha que vencer de novo, e de novo, e de novo. Aqui estamos falando de uma vitória definitiva. Mas uma vitória definitiva não significa a partir de uma luta entre você e essas coisas chamadas medo e medo da morte.

Aqui estamos falando do fim para o medo e, portanto, o fim desse “eu”, porque é assim que essa Realidade do fim do medo acontece. Enquanto houver o sentido de um “eu” presente, que é o ego, com suas coisas, se ele tem suas coisas, ele é essas coisas.

Pode parecer muito estranho você ouvir isso, mas tudo que faz parte desse centro, que é o “eu”, o ego, tudo que faz parte dele é aquilo que ele tem. Tudo que ele tem faz parte dele. É aqui que se encontra essa ilusória identidade.

O “eu” não passa de uma memória, ele não é nada além de uma ideia, de uma crença, de um conjunto de coisas que ele imagina ser, que ele imagina ter. Quando você diz “minha casa”, repare, isso é uma ilusão. Você não pode ter uma casa. Isso é uma projeção do pensamento a partir de um centro ilusório de uma autoimagem, que é o “eu”.

Veja, você tem uma imagem sobre quem é você e um pensamento, uma imaginação do que você tem. Você é só um pensamento, essa autoimagem é um pensamento. A história que você tem sobre você é uma ideia criada pelo pensamento, sustentada pelo pensamento, contada pelo pensamento, porque tudo isso faz parte de uma memória de passado que esse corpo e mente viveram.

Então, as experiências passadas que esse corpo e mente viveram, todas essas experiências fazem parte da história do “eu”. Mas esse corpo e essa mente não são a Realidade do seu Ser. Esse “eu" é um conjunto de memórias, um conjunto de lembranças, uma imagem que você faz sobre quem você é.

Essa imagem tem uma casa, tem um carro, tem uma esposa, tem uma família, tem filhos, e tudo isso desaparece na morte. Notem: tudo isso se vai. Quando essa coisa extraordinária chamada morte chega, ela não avisa, ela não negocia com você. Você não pode argumentar com ela, bater um papo com ela. Você é um conjunto de imagens, memórias, lembranças. Então, a crença está exatamente aí, na ideia de ser alguém que tem coisas. Na verdade, essas coisas fazem parte dessa autoimagem.

Não temos só o medo da morte, nós temos o medo de envelhecer, o medo de adoecer, o medo de empobrecer, o medo de não enriquecer, o medo de ser enganado, de ser traído, de ser abandonado, o medo da doença, o medo da velhice, o medo de perder o que nós conseguimos.. Há tantas formas de medo presente em cada um de nós. Por que esse medo está presente? Porque esse medo é a condição da identidade do próprio “eu”.

O medo não é algo separado do “eu”. O “eu” é o medo. Veja como é fascinante termos uma compreensão disso e como é fundamental para essa Realização Divina, que é o Despertar para Aquilo que está além de tudo isso, dessa condição humana de identidade egoica, nessa identidade do “eu”. Reparem como isso é fundamental.

Um pensamento em você está presente, então você está presente. Se não há nenhum pensamento, não existe você presente. Se, por exemplo, a casa que você tem – o pensamento “casa” –, com todos os móveis ali, onde ela se situa, a cidade, o bairro, tudo isso está dentro do pensamento. Se o pensamento está presente, você tem essa casa. Mas você está presente nessa lembrança, essa lembrança está presente nesse você: isso não se separa.

A lembrança é você, você é a lembrança. Se você não tem a lembrança, você não está presente. Então, o pensamento é o pensador. Ter, aqui, uma aproximação disso é fundamental. Todo pensamento em nós é a presença do pensador. Livre do pensamento, livre do pensador. E, se não há o pensador, porque não há o pensamento, não há casa, não há história, não há medo.

Aqui se trata da Realização d’Aquilo que é Você e seu Ser, além do “eu”, além do pensador, além da mente egoica. Isso é o fim do medo, é o fim do medo da morte, porque neste momento não há mais a continuidade do “eu”, ele já se foi.

Então, como viver a vida livre do medo da morte? Assumindo a Realidade da vida, sem o centro, que é o “eu”, o ego, o pensador, o movimento da mente egoica, com tudo que ela possui. Isso é estar livre dessa vinculação de imagens que sustenta o apego.

Repare: você está num contato direto com todas as experiências da vida, com família, com negócios, com os bens móveis e imóveis, mas sem o sentido do “eu”, do ego, desse movimento psicológico de ser alguém preso, agarrado, nessa vinculação de imagens, de apego a tudo isso, não há medo, não há sofrimento. Isso é o Despertar da Realidade do seu Ser.

Uma vida livre do ego é uma vida livre do medo, de toda forma de medo, porque nesse momento a vida está acontecendo sem o sentido de alguém nessa particular vida desse centro, que é o ego, que é o “eu”, com tudo o que ele tem, com tudo o que ele possui, com tudo o que ele é.

Nós estamos trabalhando com você aqui exatamente essa visão da Realidade da Vida, que é a Realidade do seu Ser. É nesse sentido que nós usamos aqui a expressão “o Despertar Espiritual”. Veja, em nenhum momento entrou aqui experiências místicas, extrafísicas, o contato com extraterrestres ou algo que a pessoa viveu e pode contar a respeito. Não é isso! Não é nesse sentido que investigamos isso aqui com você, não é nesse sentido que colocamos essa expressão aqui.

O Despertar do seu Ser é o verdadeiro Despertar de Deus, é o Despertar Espiritual, Iluminação Espiritual, é o fim do “eu”, é o fim do ego. Isso é o fim dessa condição ilusória de ser alguém. Isso se torna possível quando você descobre o que é Meditação, a aproximação da verdade da Meditação.

Aprender a olhar todo esse movimento do pensamento, do sentimento, da emoção, da sensação, da percepção, nesse contato com pessoas, lugares, objetos, sem colocar uma identidade presente, que é o “eu”: isso é Meditação.

A verdade da Meditação é a ciência de Ser pura Consciência, neste instante. Então, mais uma vez, temos uma palavra aqui que nós temos colocado de uma forma muito clara para você: Meditação. Não é uma prática, não é se sentar, fechar os olhos, fazer uma visualização, repetir um mantra ou respirar de uma certa forma.

A verdade da Meditação é a desidentificação com todo esse conteúdo psicológico do “eu”, um esvaziamento de todo esse conteúdo para a simples ciência de Ser, onde não há separação, onde não há essa dualidade entre o pensamento e o pensador, a experiência e o experimentador, aquele que está presente e a presença dessa dada coisa, aqui e agora. Compreender melhor isso requer uma aproximação deste trabalho.

Maio de 2024
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terça-feira, 11 de junho de 2024

O que é Meditação? O que é o Despertar Espiritual? Iluminação Espiritual. Autoconhecimento Supremo.

Aqui, quando usamos com você a expressão “Autoconhecimento”, nós estamos falando da verdade do Autoconhecimento Supremo, não do autoconhecimento como, em geral, as pessoas usam dentro da psicologia, da filosofia. Nós estamos sinalizando para você a importância da verdade de sua Revelação Divina, da Realidade do seu Ser, de sua Natureza Essencial.

Esse autoconhecimento, onde você melhora como pessoa, onde há todo um processo de desenvolvimento pessoal, evidente que isso tem alguma importância ou uma grande importância dentro dessa história da pessoa. Quando a pessoa pode melhorar ou se desenvolver, ela consegue melhores espaços para essa ajustada vida que a pessoa conhece.

Aqui estamos apontando para algo além dessa pessoa e, portanto, além dessa necessidade de um ajustamento para essa egoidentidade, para essa personalidade. Estamos apontando para a Realização Divina, para um real encontro com o Amor, para um real encontro com a Felicidade, para o seu encontro com Deus.

E, aqui, é importante que se diga logo de passagem, que esse encontro com Deus não é você nesse encontro, é a Verdade de Deus se revelando, exatamente quando esse centro, quando esse sentido pessoal e particular de identidade egoica desaparece. Então, aqui se trata da presença da Verdade Divina.

Aqui nós estamos trabalhando com você o fim dessa ilusão; a ilusão de uma identidade presente na busca ou na procura por algo para se preencher, para ser feliz, para ter um encontro com a liberdade ou com o amor. O nosso trabalho aqui consiste em ter uma aproximação daquilo que somos.

Então, aqui, quando tratamos com você do Despertar Espiritual ou Iluminação Espiritual, estamos tratando com você do fim de uma identidade presente na experiência do viver. O florescer de sua Natureza Divina é esse Despertar Espiritual, é essa Iluminação Espiritual. É nesse sentido que nós usamos as expressões Despertar Espiritual e Iluminação Espiritual.

Não se trata de uma experiência mística ou, assim chamada, “espiritual” ou “extrafísica”. Não se trata de algo que você depois vai relatar sobre isso ou contar para outros sobre isso. Aquilo que é real, como sendo seu Natural Estado de Ser, é algo indescritível, inominável, está fora do conhecido.

Portanto, a verdade dessa ciência de Ser é o fim de todo esse movimento, que é o movimento do pensamento, para descrever, para explicar, para esclarecer, para cultivar memórias e lembranças a respeito disso. Estamos falando de algo que o pensamento não alcança. Uma aproximação real disso é a aproximação da verdade do Autoconhecimento.

A palavra “Autoconhecimento” também nesse sentido muito claro. Não se trata da melhora da pessoa, do aprimoramento da pessoa, mas da ciência dessa revelação de que o sentido de pessoa é uma ilusão. O sentido de uma identidade presente sendo experimentador da experiência, vivo na vida, é só um pensamento, uma ideia.

Todo esse sentido de identidade presente na vida, no viver, na experiência, e nesse autoaprimoramento é apenas uma modificação, uma mudança ou transformação de pessoa, de condição psicológica, desse condicionamento. Não se trata disso. Aqui estamos tratando com você da importância desse real aprender sobre nós mesmos. Isso nos revela aquilo que está além desse nós mesmos, desse “mim”.

Isso revela aquilo que é o desconhecido, que é inominável e indescritível, que é isso em nós que está além desse “nós”. Aquilo que não faz parte do tempo, aquilo que nunca nasceu, aquilo que não pode morrer. Haverá Felicidade em sua vida quando a ciência da Felicidade tiver esse espaço de assumir o lugar que é dela em sua vida.

Veja, nesse movimento, que é o movimento do centro, que é o “eu”, o ego, estamos colocando essa condição de tempo. Há sempre esse movimento de tempo para alcançar, para se livrar, para obter, para realizar. Aqui, é quando o tempo termina que isso se revela. Então, quando eu digo “haverá”, eu estou dizendo que esse “haverá” é agora.

Então, o futuro é agora, quando o sentido do tempo psicológico, que é esse tempo formulado por essa identidade egoica, não entra, não está mais presente. Aqui nós já temos a resposta para a pergunta: “O que é Meditação?” Aqui já temos uma aproximação para essa resposta desta clássica pergunta – “O que é Meditação?”

Veja, não é algo para se realizar no tempo. Então, não se trata de algo mecânico, algo que se aprende e, de uma forma mecânica, se pratica, como ocorre com as técnicas, com os sistemas, com as diversas práticas de meditação que você já ouviu falar, e que você encontra disponível aí fora.

O que é a Meditação? É a ciência, agora, aqui, da ausência do “eu”. Portanto, não se trata desse “mim”, desse “eu”, desse ego, desse meditador na prática, ou seja, meditando. É necessário que rompamos com isso, que deixemos de lado todo esse movimento, porque ainda é um movimento de condicionamento, de hábito, mecânico, algo feito por esse centro, que é o “eu”.

É necessário abrirmos mão de tudo isso para descobrirmos a verdade da Real Meditação, dessa aproximação, neste momento, de todo o pensamento, sentimento, emoção, sensação; o modo de perceber esse instante, a experiência sem o “eu”, o centro, o ego, o experimentador. Reparem, isso é algo novo para a maioria de vocês.

Para a maioria de nós, ter uma aproximação assim da Meditação, o que implica a Meditação sem o meditador, é algo muito novo ou muito estranho, porque o nosso modelo, o nosso antigo modelo, a nossa forma de perceber tudo isso é alguém no fazer, é alguém fazendo, é alguém na execução, é alguém na prática.

Esse contato com o Autoconhecimento Real é a constatação, nesse instante, da Realidade Divina, da Realidade Suprema. É por isso que nós temos chamado de Autoconhecimento Supremo, porque é o Autoconhecimento que revela Deus. Não se trata de algo que se pratica para melhorar a pessoa, como já foi colocado – e como temos colocado sempre nesses encontros.

Aqui na vida, a única coisa que importa é a ciência da Vida. E a ciência da Vida é a Vida n’Ela própria, cônscia d’Ela mesma. Não tem alguém nisso. Não há o sentido de uma identidade presente nisso, de uma pessoa nisso, de uma personalidade nisso. Isso é a verdade deste florescer Divino. Essa é a verdade do Despertar Espiritual.

O Despertar Espiritual é a ciência de sua Natureza Essencial, que aqui e agora floresce quando esse modelo, que é o modelo do “eu”, não está. É por isso que nossa ênfase está em investigar o que é o pensamento, o que é o sentimento, o que é a emoção, o que é essa forma de sentir, essa forma de se mover na vida, o que é a ação.

Reparem, tudo isso é algo que precisa ser investigado, porque a não compreensão disso nos mantém em uma condição psicológica, que é a condição comum a todos, nessa inconsciência, nessa postura de profunda ignorância. Veja, aqui, a palavra “ignorância” no sentido da não ciência do próprio movimento do “eu”.

Nós precisamos tomar ciência do movimento do “eu” para o fim do sofrimento. Quando essa ignorância prevalece, como acontece dentro da humanidade, porque esse Florescer, esse Despertar não está presente para a maioria da humanidade, o sofrimento está presente. O sinal da ausência desse Despertar Espiritual, dessa Iluminação Espiritual, é a presença da dualidade.

A dualidade implica na presença de alguém que sofre, de alguém com medo, de alguém ansioso, de alguém deprimido, de alguém nessa dor da solidão, de alguém vivendo algum nível de sofrimento interno, angústia, culpa, remorso, arrependimento.

A presença da ignorância é a presença da ilusão de uma identidade presente que se vê separada da experiência, separada da vida, separada da existência, separada de Deus; em conflito com ela mesma em razão dessa inquietude de pensamentos – pensamentos repetitivos, tagarelas, negativos, pensamentos intrusos. Reparem, tudo isso são quadros internos, psicológicos, de vida presente nessa identidade, que é a identidade egoica.

Veja, podemos buscar toda forma de ajuda na psicoterapia, na psiquiatria, na psicologia, nessa, assim chamada, “espiritualidade”, mas enquanto esse sentido de uma identidade, que é a identidade do “eu”, se sustenta em cada um de nós em razão dessa ignorância, a ilusão estará presente, esse sentido de separação estará presente e, naturalmente, o conflito estará presente, o sofrimento estará presente.

Aqui estamos trabalhando com você o fim dessa condição psicológica de ser alguém. Aqui estamos sinalizando para você o fim para essa ilusão: a ilusão de uma identidade presente, se sustentando na vida e procurando na vida, separado dela, alcançar dela, que é a vida, alguma coisa para esse centro, para esse “eu”, para essa pessoa.

Aqui estamos dizendo para você que a Realização da Verdade é possível, que é a Realização de Deus, que alguns chamam de Iluminação ou Despertar Espiritual – aquilo que alguns confundem com todo tipo de coisa que não tem nada a ver com o que estamos apontando aqui.

Aqui, esse Despertar, Iluminação, Realização de Deus, é o fim do “eu”, é o fim do ego, é o fim dessa ilusão desse centro que se separa. É a presença desta Consciência, deste Ser, desta Felicidade – isso é direto dos Vedas –, sua Natureza Real quando não há mais ignorância. A verdade deste florescer do seu Natural Estado de Ser é Ser-Consciência-Felicidade.

Assim, todo o nosso propósito aqui está em termos essa aproximação, está em nos posicionarmos diante da vida dentro de uma visão clara, sem o sentido de uma identidade presente, acreditando em todo tipo de coisa que o pensamento condicionado, o pensamento de história humana, tem colocado presente nesse cérebro.

Então, é necessária uma mudança profunda, radical, um contato real com a verdade daquilo que eu tenho chamado de uma nova mente. Uma nova mente não é uma mente nesse sentido que nós conhecemos. Estamos apontando para algo indescritível, a presença de um novo modo de pensar, de sentir, de agir, quando falamos de uma nova mente.

Maio de 2024
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quinta-feira, 6 de junho de 2024

Fugas psicológicas | Como vencer o medo? | Como lidar com pensamentos? | Ansiedade e depressão

Nós temos procurado apresentar para você esses assuntos de uma forma muito direta, porque nós precisamos urgentemente compreender aquilo que nós somos. Porque é quando há essa compreensão que a libertação dessa confusão ocorre. Eu me refiro a essa confusão do “eu”, do ego.

Nós, como criaturas humanas, agimos de uma forma muito curiosa. Nós não temos ciência da confusão em que nós nos encontramos. Perceba o que estamos dizendo aqui para você.

Nós não temos ciência clara de como estamos confusos, desorientados, desordenados, o quanto vivemos uma complexidade interna, psicológica, que nos coloca numa condição de vida externa, numa grande desordem e confusão. E, no entanto, não temos a mínima noção de que, na verdade, estamos vivendo assim.

Nós temos tantas formas, tantos mecanismos de ocultarmos isso de nós mesmos, de nos escondermos de nós próprios dentro dessas situações, que nós não temos ciência de como, de fato, nós nos encontramos.

Então, uma das coisas muito curiosas no que diz respeito ao ser humano é que ele vive fugindo. Nós temos diversos mecanismos de fugas psicológicas para não presenciarmos em nós mesmos, não tomarmos ciência em nós próprios dessa dor que representamos para nós mesmos e para o outro. Então se faz fundamental para todos nós, de grande urgência, termos uma aproximação da Revelação do nosso Ser.

O que estamos fazendo juntos aqui é investigando a natureza da verdade sobre quem nós somos. Porque não está na Real Verdade do nosso Ser toda essa confusão. Está, sim, naquilo que somos, naquilo que apresentamos ser, naquilo que manifestamos ser nesta vida, toda essa confusão. Então, a verdade sobre nós precisa ser compreendida.

Então, há duas coisas aqui: a compreensão da verdade sobre quem somos e a Realidade do nosso Ser, que é outra coisa. A verdade sobre quem nós somos é fácil ser constatada. Digo fácil, se dermos atenção para isso, o que nós não temos feito. Tudo que nós temos feito é fugir desse olhar para nós mesmos.

Quando a dor se torna muito aguda, muito intensa, nós procuramos uma ajuda. Então nós buscamos na psicoterapia, buscamos na hipnose, buscamos alguma forma de tratamento para termos, temporariamente, um alívio dessa implacável dor que está presente nesse “mim”, nesse “eu”, nesse ego.

Então, através de um tratamento ou de medicações, nós estamos sempre, de uma certa forma, tendo, temporariamente, um alívio para essa condição crucial, que é a condição do ego. Eu sei que soa desafiador ler isso aqui, mas nós temos que tornar isso claro para você.

Esse “eu”, esse ego, não tem cura. O que podemos dar a ele é um tratamento, uma condição de melhor ajustamento. Então ele se ajusta, de uma forma mais adequada, religiosamente, politicamente, socialmente, familiarmente, com ele próprio. Ele busca alternativas de ajuste. Então há um alívio temporário dessa aflição de ser alguém.

Esse “ser alguém” pode ter um alívio dessa sua aflição, mas a aflição continua. Enquanto houver esse sentido do “eu” presente, que é o sentido do ego, haverá sofrimento. Então nós temos diversas perguntas desse tipo: “Como vencer o medo?” “Como lidar com os pensamentos?” “Como atender essa questão em nós do desespero, da ansiedade, da depressão, da angústia, dessa dor existencial, dessa dor da solidão?”

Tudo o que temos feito é buscar uma forma de ajuda para minorar, para minimizar essa condição psicológica sofrida, complicada, de ser alguém. Nos falta a compreensão da verdade sobre quem nós somos aqui, nesse momento. Tomar ciência da inveja, do ciúme, da raiva, do medo, do conflito que os desejos causam. Veja, esses aspectos para nós, claramente são aspectos de sofrimento.

Embora não tenhamos ciência de que eles são aspectos presentes em cada um de nós, eles estão aí presentes. Mas temos também outros aspectos dos quais nem mesmo temos a menor aproximação para perceber que também são causas de contradições, conflitos e sofrimentos em nós. Por exemplo, a busca pelo prazer.

É nessa insatisfação que essa busca por essa ou aquela outra forma de preenchimento – emocional, sentimental, sexual, ou adquirindo bens móveis, imóveis – ocorre. Tudo isso são alternativas em nós nessa busca do prazer.

Então, há esse movimento dessa busca de prazer em razão dessa insatisfação. Isso nos leva a sustentar também, ainda, as contradições, as complicações e os conflitos existenciais para cada um de nós.

O que estamos propondo aqui para você é a tomada da ciência de uma relação com a vida, livre desse “eu”, desse ego. Uma vida assim é uma vida onde a ciência da Verdade de Deus está presente, do Amor está presente, da Liberdade está presente, da Inteligência está presente. Isso está presente quando o ego não está.

O ponto é que não podemos eliminar esse sentido do “eu”, do ego, a partir desse próprio centro se movimentando. Notem, como acabamos de colocar, tudo que esse centro faz, entre outras coisas, é ocultar de nós mesmos a confusão que ele produz.

Então, reparem como é bastante curioso o nosso comportamento. Nós estamos em conflito, mas não nos sentimos em conflito, porque estamos como que amortecidos, anestesiados, incientes desse estado conflituoso. Temos diversas formas de escaparmos desse olhar para nós mesmos.

Aqui o convite é estudar a si próprio, é colocar atenção para esse próprio movimento da mente. Sim, precisamos compreender como o pensamento funciona, como o sentimento, a emoção, o modo de perceber, a percepção na relação com o outro, com as situações diversas à nossa volta. Perceber dentro de cada um de nós o movimento do pensamento, da sensação, da emoção.

Tomar ciência, ter um contato direto, real, com a insatisfação, com a contradição, com o conflito, com toda forma de sofrimento. Olhar para tudo isso dentro de cada um de nós, nesse instante, isso é Autoconhecimento. Tomar ciência de como esse “eu” se processa, como ele se separa. E, quando ele se separa, é ele que está produzindo tudo isso.

A sua Natureza Real, a sua Natureza Verdadeira, a Realidade deste Ser Divino que trazemos não carrega nada disso. Isso é algo periférico. Mas está na periferia desse centro. Observe isso. É um centro que está sempre se mantendo dentro de uma continuidade por não ser observado, por não ser compreendido.

O Autoconhecimento, o estudar a si mesmo, é compreender essa estrutura, que é a estrutura do “eu”, desse centro. A compreensão desse centro é o fim dele com sua periferia. Essa sua periferia é o sofrimento em suas diversas formas. Esse centro é a raiz de toda essa árvore. O ponto é que, psicologicamente, o ser humano é isso. O nosso movimento psicológico de ser alguém é somente isso.

Olhar essa estrutura, tomar ciência dessa estrutura, é compreender essa raiz, é compreender essa árvore, é se ver livre dessa raiz e, portanto, dessa árvore. Então, uma Vida Divina, uma vida em Amor, uma vida em Paz, uma vida em Liberdade é algo possível quando você compreende a Verdade do seu Ser, que é a Verdade de Deus. Então o conflito termina, o sofrimento termina, esse movimento caótico de pensamento termina.

Não se trata de alguém lidando com os pensamentos, e, sim, do fim desse alguém, porque é esse alguém que é o pensador. É esse pensador sendo esse alguém que está sustentando essa continuidade de pensamento caótico, conflituoso. Nós não perguntaríamos como lidar com os pensamentos se os pensamentos não se constituíssem de problemas para cada um de nós.

Aqui, o ponto interessante para você estudar é compreender que o pensamento em si é funcional quando não é disfuncional. Ele é funcional quando você precisa da memória técnica para trabalhar em uma profissão, para se lembrar do seu próprio nome, para se lembrar do nome de uma outra pessoa, para se lembrar do endereço dela.

Essa qualidade de pensamento, que é a memória simples, nós precisamos dela, precisamos do conhecimento nesse sentido, nessa área. Então, esse pensamento simples é algo funcional.

O problema é que nós temos um modelo disfuncional de pensamento, que é esse pensamento que produz contradição, que produz conflito. É por isso que perguntamos como lidar com os pensamentos, porque essa qualidade de pensamento é qualidade de memória psicológica, no qual esse “eu”, esse ego, é constituído.

Assim, uma aproximação direta de todo esse movimento, que é o movimento do “eu”, do ego, pelo Autoconhecimento é ir à raiz dessa árvore. Então é possível haver um esvaziamento para esse conteúdo psicológico que constitui essa identidade, que é a identidade egoica.

A ciência da Verdade da Meditação, da Verdadeira Meditação, dessa arte que é parte do Autoconhecimento, é fundamental. Qual é a Realidade do seu Ser? É aquilo que está presente quando a Meditação, a Real Meditação, está presente.

Aqui eu me refiro à Verdadeira Meditação, não o que as pessoas chamam aí fora de “meditação”. Aqui eu me refiro à Verdadeira Meditação, à Real Meditação. A ciência da Real Meditação, que é parte do Autoconhecimento, revela a Natureza deste Ser Divino, desta Realidade de Deus, que está além do “eu”, que está além desse “mim”, dessa egoidentidade.

Maio de 2024
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terça-feira, 4 de junho de 2024

Despertar Espiritual | Observador e a coisa observada | Como me livrar do sofrimento? | A dualidade

Aqui a pergunta é: “Como me livrar do sofrimento?” Eu gostaria de fazer outra pergunta para você: Será verdade que existe alguma separação entre o sofrimento e aquele que sofre? Porque, geralmente, a ideia que temos – e isso é algo comum a todos nós – é que uma coisa sou eu, outra coisa é o sofrimento.

Nós temos, sim, alguns momentos onde não há sofrimento e temos momentos onde o sofrimento está. Então, qual é a ideia que se tira disso? É que, se o sofrimento está algumas vezes e outras vezes não está, eu sou uma coisa e o sofrimento é uma outra coisa.

Veja como é interessante. Isso parece bastante razoável para todos nós. No entanto, nós precisamos investigar melhor, porque, no momento do sofrimento, que separação existe entre aquele que sofre e o sofrimento? Não há qualquer separação! Quando o sofrimento está presente e há um “eu" em sofrimento, esse “eu e o sofrimento” são um.

Se, por exemplo, você sente uma dor, a dor está nesse sentir. Esse sentir não se separa da dor, esse sentir é o sentir de alguém. Alguém no sentir é a dor no sentir. Então, nós temos a dor e temos o sentir, e isso não se separa. Se não houver o sentir, não existe a dor. Sem a dor, sem o sentir, não tem alguém na dor, não tem alguém no sentir.

Repare, não há qualquer separação, mas a ideia equivocada em nós é exatamente essa. Não percebemos que não existe qualquer separação entre um pensamento presente e aquele envolvido no pensamento. Se existe um envolvimento com o pensamento, esse envolvimento com o pensamento é o próprio pensamento, e é esse que está envolvido. Então, esse que está envolvido é o próprio pensamento.

Assim, se um pensamento está presente, o pensador está presente. Não podemos separar o pensamento do pensador. O pensamento é o pensador, porque quando não há pensamento, não existe qualquer pensador. Se não há sentimento, não existe esse elemento no sentir, então não existe aquele que sente. Assim como se o sofrimento está presente, isso implica a presença de um sofredor.

Vejam como isso é muito simples e razoável – verdadeiramente razoável. O sentido de alguém presente na experiência é o experimentador da experiência. Mas a experiência e o experimentador não se separam, são um único fenômeno. Percebam a importância dessa compreensão.

Como me livrar do medo? O princípio é o mesmo. Como me livrar da ansiedade? O princípio é o mesmo. A ansiedade pressupõe a presença do ansioso, e o medo, a presença do medroso. Assim como o pensamento pressupõe a presença do pensador, e o sofrimento, a presença do sofredor.

É isso que nós precisamos compreender. Se precisamos do fim do sofrimento, precisamos, naturalmente, do fim daquele que sofre. É isso que estamos tratando aqui com você, explorando aqui com você, investigando aqui com você.

Estamos tomando ciência do fim dessa condição psicológica desse “eu”, que é o experimentador da experiência, que é o sofredor do sofrimento, que é o observador daquilo que ele está observando, que é o pensador dos seus pensamentos.

A forma real de uma aproximação para a liberdade da ansiedade, do medo, do sofrimento, de tudo aquilo que esse “eu” representa na experiência, a verdade da Libertação disso é o fim desse “eu”, porque é a presença desse “eu”, desse centro, desse modelo do experimentador, do observador, é esse modelo de ser alguém que está sustentando essa condição em cada um de nós.

Qual é a verdade sobre você? A verdade sobre você está além dessa verdade que é você, como você se mostra, como você demonstra, como você parece ser. A verdade daquilo que é o que somos quando isso que somos, porque parecemos ser, não está mais presente, a Realidade d’Aquilo que verdadeiramente somos se mostra.

Nós temos explorado esse assunto com você, investigado esse assunto com você aqui. Nós temos que tomar ciência de todo esse fundo psicológico que trazemos, porque todo o nosso problema, toda a nossa dificuldade está nessa condição psicológica de ser alguém.

Tudo isso reside nessa condição psicológica de ser alguém. Então, nós fomos educados socialmente, religiosamente, politicamente, filosoficamente, espiritualmente, dentro desse modelo – além de tudo que nós recebemos da tradição familiar e de todos aqueles que chegaram aqui antes de nós.

Tudo que nós temos recebido nesse mundo, dessa cultura, é parte daquilo que se constitui essa humanidade; essa humanidade em nós, esse modelo como o nosso cérebro funciona, como essa mente em nós acontece.

O que é essa mente? Essa mente é o resultado da raça, do grupo, da família, da história humana. Nós estamos funcionando assim na vida. Estamos transportando esse modelo de separação, de dualidade, algo totalmente ilusório. A ideia de ser o pensador está sustentando todos os problemas que o pensamento em nós está sustentando, em nós está mantendo.

Essa condição em nós, nessa ideia de ser o pensador com pensamentos, controlando pensamentos, resolvendo situações através do pensamento, tendo problemas através do pensamento, tem nos colocado numa condição psicológica de existência onde estamos sustentando uma ilusão: a ilusão da dualidade, da separação.

Então, há uma Verdade presente, mas essa verdade presente não é esse “eu”, esse “mim”, esse ego. Esse “mim”, “eu”, ego, é a “verdade” psicológica de ser alguém. É isso que conhecemos como a nossa verdade de ser uma pessoa.

Essa verdade de ser uma pessoa tem nos colocado numa tremenda confusão, numa tremenda desordem, num grande peso de existência, porque há esse padrão de sofrimento psicológico, de sofrimento humano para cada um de nós em razão dessa visão particular desse centro, que é o “eu”, o ego; isso que tem se constituído como sendo a verdade sobre cada um de nós em razão desse condicionamento psicológico, desse padrão de história de humanidade.

Tomar ciência de tudo isso, o fim para tudo isso, em razão da compreensão de como nós funcionamos, nesse estudar a nós mesmos, isso é Autoconhecimento. Se isso está presente, se isso começa a florescer, podemos ter a Revelação d’Aquilo que está fora disso que somos, para a verdade desta Realidade que está presente nesse momento, quando a ilusão não está mais, quando esse sentido de separação, de dualidade não está mais.

Quando não há mais a separação entre esse observador e a coisa observada, quando não há mais a separação entre o pensamento e o pensador, entre o sentimento e aquele que sente, entre a vida e esse, assim chamado, “ser vivo”. Quando essa separação não mais existe, então temos o fim para essa dualidade. Então temos a Revelação de Algo. Esse Algo é a presença da Verdade de Deus, a presença da Verdade Divina.

Se isso está presente, não há mais sofrimento. Se isso está presente, não há mais ansiedade. Se isso está presente, não há mais depressão, angústia, medo. Porque não existe mais esse centro, que é o “eu”, o ego, se separando da vida, se separando do outro, se separando da experiência, se mostrando sempre, invariavelmente, como o experimentador, o pensador, o controlador, o manipulador e, portanto, o sofredor, o medroso, o ansioso, o deprimido.

Ter uma aproximação da verdade daquilo que somos, tomar ciência desse modelo de separação, de dualidade, tomar ciência dessa ilusão de ser alguém fazendo escolhas, resolvendo, tomando decisões, controlando, manipulando, sempre se projetando no futuro para mudar as coisas, para alterar as coisas. Tomar ciência desse modelo de ser alguém que vive nesse tempo. Percebam a beleza disso.

Esse tempo só está presente em razão desse modelo de separação. Precisamos psicologicamente, de uma forma ilusória, desse tempo para controlar, para resolver, para fazer, para obter, para se livrar, porque se há esse sentido de um “eu” para fazer tudo isso, precisamos do tempo para isso acontecer. Esse tempo é uma invenção do próprio pensamento. Percebam isso.

Sempre o pensamento está introduzindo em nossa vida, em nossa existência, essa noção: “não tenho paz, não tenho amor, não tenho felicidade, mas eu terei”. Observem o truque do pensamento, que é esse pensador, que é esse ego, que é esse experimentador, que idealiza no futuro encontrar a paz, o amor, a liberdade, a felicidade, ou encontrar, no futuro, o fim para o sofrimento, para a ansiedade ou para a depressão.

Há sempre uma ideia equivocada de tempo. Sempre o tempo está presente. Esse “sempre” está presente porque o pensamento está se movendo a cada instante, procurando prevalecer, procurando se estabelecer, procurando manter sua continuidade. O pensamento cria esse futuro, esse amanhã. Então, o pensamento sempre se mantém nesse formato, nessa continuidade.

Aprender a arte de olhar o movimento do pensamento e pôr fim há esse modelo de pensador, então ocorre um fim para essa condição psicológica de ser alguém, porque temos o fim dessa continuidade, o fim desse modelo conhecido – tão conhecido de todos nós – de estarmos nessa ilusória noção de tempo, de alcançar no tempo ou se livrar no tempo.

Esse é o nosso trabalho aqui com você. Estamos aprofundando isso, tomando ciência desta Verdade Divina que trazemos. Isso é o fim do conhecido, é o fim do modelo de ser alguém. Isso é o fim do tempo, é o fim dessa continuidade do pensamento em você. Se isso termina, a ansiedade, que tem raízes no pensamento, termina; a depressão, que tem raízes no pensamento, termina.

Todo esse modelo de vir a ser, de alcançar, termina, porque isso tem raízes no pensamento. O ego, o “eu”, é um movimento de pensamento nesse tempo criado pelo pensamento. Aqui, nós estamos aprofundando isso. A Verdade do seu Ser é o fim dessa psicológica condição de alguém presente dentro dessa experiência, sendo ele o experimentador de tudo isso.

Assim, esse trabalho aqui com você consiste nessa ciência de Ser, de simplesmente Ser, de puramente Ser. Alguns chamam isso de o Despertar da Consciência, ou Iluminação Espiritual, ou Despertar Espiritual. É a Verdade Divina se revelando, a Verdade de Deus se mostrando. Aquilo que é Você em seu Ser é o fim para a desordem, para a confusão, para o sofrimento.

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