quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Ego: seu inimigo | Autoinvestigação: uma aproximação direta do Autoconhecimento | Livre do medo

Muito bem! Existe um assunto que eu quero considerar com vocês agora nos próximos minutos aqui: é a questão do ego. Alguns dizem: “O ego é o seu inimigo”. Mas inimigo de quem? Ao usarmos essas expressões, queremos dar a entender que existe “aquele” que nós somos e existe esse elemento que é o ego, então existe “eu” e o ego. Qual será a verdade sobre isso? Vamos investigar um pouco isso aqui com você.

Quando dizemos: “O ego é o meu inimigo”, a pergunta é: inimigo de quem? A sua resposta será naturalmente: “De mim, o ego é o meu inimigo, então ele é um inimigo meu”. Isso é como se houvesse dois presentes: o “eu” – esse “mim” – e o ego. Mas a verdade é: o que é o ego? Na resposta a essa pergunta, nós temos a verdade, e eu quero olhar com você isso aqui, nesse encontro. O ego é simplesmente um falso centro em torno do qual a nossa vida está acontecendo. Então quando nós usamos as expressões “minha vida” ou “nossa vida”, estamos falando de uma vida, que gira em torno de um centro que é ilusório, que é falso, que é o “eu”. Esse “eu” é o próprio “mim”, o ego. Então de quem esse “mim”, esse “eu”, esse ego, é o inimigo se só o que temos agora, aqui, nesse momento, é o sentido do “eu"? Se aquilo que está presente é o sentido do “eu”, o que temos presente é o sentido de separação. Esse sentido de separação está em conflito com ele próprio, com ele mesmo, como o “eu” e o “não eu”, ele está criando a ilusão do sentido de separação. Então o sentido de um “eu” presente é aquele que se separa, sim, nessa ilusão “eu” e “não eu” do mundo, “eu” e o “não eu” do pensamento.

O ego, se investigado, será claramente compreendido como uma ilusão. O ego não passa de um falso centro, é como se houvesse uma roda, e você sabe: uma roda tem um ponto central que eles chamam de eixo. Toda a força aplicada naquele eixo irá determinar a força daquela roda, a velocidade daquela roda, o movimento, o poder de movimento daquela roda. Então todo o poder de movimento da roda é aplicado ali, naquele eixo. O eixo é o centro. O ego é uma espécie de centro em torno do qual a nossa vida está acontecendo.

Então essa “nossa vida” é a vida particular desse centro, desse falso centro, que é o “eu”, o ego. A nossa vida tem se constituído de problemas, nós temos inúmeros problemas. Esses inúmeros problemas só existem, têm realidade, se sustentam, têm verdade nesse centro, nesse falso centro, nesse falso eixo dessa roda ilusória. Essa roda ilusória é todo o sentido de movimento de existência separada. Esse sentido de existência separada consiste de inúmeros problemas. Todos os problemas na sua vida estão presentes em razão da “sua vida”, ou seja, dessa particular vida que é onde ocorre tudo isso a partir desse centro, desse ilusório centro, desse falso centro. Assim, quando as pessoas dizem: “O ego é o meu inimigo” ou “O ego é o seu inimigo”, o que é que elas chamam de ego? A ideia ilusória aqui é de que existe “eu e um inimigo”, que é o ego. Isso é real? Qual é a realidade do ego? Então a pergunta é: quem sou eu?

Não existe esse “inimigo” e esse “eu”. Quando nos referimos a nós mesmos como “eu”, estamos nos referindo a esse “mim”, a esse centro, a esse eixo em torno do qual a vida está acontecendo, a particular vida de cada um de nós. Esse é o sentido do “eu” presente. Então nossa vida é realmente complexa, ela é realmente problemática, ela é realmente carente de Verdade, de Beleza, de Amor, de Paz, de Felicidade, em razão desse “eu”. Esse “eu” é nossa identidade irreal.

Quando nós investigamos a natureza do “eu”, e isso é possível através da autoinvestigação, de uma aproximação direta através do Autoconhecimento, isso lhe coloca num contato direto com a Realidade do seu Ser. A auto-observação lhe mostra que aquilo que hoje atua, trabalha, opera, se movimenta em nossas vidas particulares é um conjunto de lembranças, memórias, experiências, conhecimentos, ideias, julgamentos, opiniões, desejos e medos. É nisso que se constitui o “eu”, esse “mim”, esse ego. A observação do movimento desse “eu” desfaz com essa ilusão, que é a ilusão desse centro falso, desse falso ilusório “eu” com o qual sempre temos nos confundido.

Então não se trata de você ter um inimigo. Você é o único inimigo, o sentido de um “eu” presente é o único inimigo, o único adversário. Adversário de “alguém”? Não! É apenas o adversário no sentido de resistir à vida, à Real Vida como Ela está acontecendo, agora aqui. Então, quando as pessoas usam a expressão “o ego é o seu inimigo” é porque elas se sentem desconfortáveis com a presença do ego em suas vidas. Mas o próprio ego é a vida delas. Assim, querer se livrar desse inimigo é uma ilusão, porque é o próprio “inimigo”, é o próprio “eu”, se disfarçando de policial para prender o ladrão. Então é o “eu” que fala de um inimigo fora dele, à parte dele. Esse próprio “eu” chama esse “inimigo” de ego, mas esse “eu” é o próprio ego, esse “eu” é o próprio inimigo.

Veja como é importante nós compreendermos isso. As pessoas querem se livrar do medo, querem se livrar da inveja, do ciúme, dos “seus” apegos, mas elas são esses apegos, essas diversas formas de ciúmes, esses temores, esses medos diversos são elas mesmas. Então o “eu” quer se livrar do medo, mas o “eu” é o medo. O “eu” quer se livrar do ciúme, mas o “eu” é o ciúme. O “eu” quer se livrar da inveja, mas o “eu” é inveja. É que a ideia que se tem, criada pelo próprio “eu”, é que existe algo em nós que não é esse “eu”, mas essa é a própria imagem que o “eu” cria dele próprio, então ele mesmo se separa ideologicamente e idealiza uma libertação que ele, de fato, nunca realiza. Repito: ele é o ladrão que se disfarça de policial para prender o ladrão.

Então veja: o ego não é o seu inimigo. Você é o “eu”, o ego, e esse é o único inimigo presente. Não é o inimigo de “alguém”, é o inimigo da Vida como Ela se mostra, agora, aqui. Quando esse “eu” não está, quando esse ego não está, não há conflito, não há dilema, não há problema. A Realidade do seu Ser é a Realidade de Deus. Não idealize seu Ser, não projete uma imagem, uma ideia sobre Deus, porque essa ideia sobre Deus, essa idealização sobre o seu Ser, será apenas mais uma imaginação do próprio “eu”, que é esse ilusório sentido de “alguém” aqui presente se separando da Vida.

Então é muito interessante a gente observar isso. Nós temos muitas teorias sobre Deus, muitas teorias sobre a Verdade, muitas teorias sobre a Libertação, sobre o amor, sobre a paz, sobre a felicidade, mas são teorias tecidas pelo próprio “eu”, por essa ilusão. Portanto, nenhuma dessas teorias está em linha com a Realidade, em linha com a Verdade sobre o Ser, sobre Deus, sobre a Felicidade, sobre o Amor, sobre a Paz. Se nós aqui estamos trabalhando essa coisa de uma aproximação da Verdade do Ser ou da Verdade de Deus, precisamos começar por aquilo que apresentamos ser, aqui e agora. O que nós apresentamos ser, aqui e agora? É com isso que nós temos que trabalhar. Se há medo, é isso que nós temos agora, aqui; se há inveja, é isso que nós temos agora, aqui; ciúme, é o que temos, violência, é o que temos, desejo, é o que temos… Assim, todas essas peculiaridades desse falso centro estão presentes agora, aqui, e precisamos nos aproximar, olhando para isso sem um ideal de alguma coisa diferente disso, porque isso é o que nós temos agora, aqui. Se é o que nós temos agora, aqui, é aquilo que nós agora, aqui, somos. É aquilo que aqui somos agora que precisa ser visto. Nós não podemos trabalhar com “alguém” do passado ou com “alguém” do futuro, é só com “alguém” agora, aqui. Então essa ideia de realizar algo amanhã ou se livrar de algo de ontem, isso não tem qualquer realidade.

Qual é a forma real de nos aproximarmos desse falso centro, desse inimigo, que é o ego? Olhando para aquilo que somos, agora, aqui, investigando a natureza do “eu”, observando todo esse movimento interno de memórias, lembranças, imagens, de gostar, não gostar, de apreciar, não apreciar. Quando você olha para esse movimento do “eu”, agora, aqui presente, sem qualquer resistência a esse movimento, você pode perceber agora, em si mesmo, a inveja, o ciúme, o medo, o desejo. E perceber em si mesmo isso é perceber esse “si mesmo” como sendo isso. Se não surge uma ideia sobre isso, uma imagem sobre isso, um conceito intelectual, ideológico sobre isso, se o que você tem agora, aqui, é o que se mostra, essa sensação, esse sentimento, esse sentir, quando você não se separa disso, o que ocorre com essa energia? O que ocorre com o medo, essa energia no corpo, no sistema nervoso, nesse mecanismo, nesse organismo? O que ocorre com esse movimento chamado “medo” quando ele não encontra o pensamento, a imagem, a ideia pra fazer alguma coisa? O que ocorre com essa energia que agora está presente aqui no corpo? Primeira coisa: ela perde o valor do nome. É um desconforto, é um mal estar, é uma espécie de dor, é uma espécie de sofrimento, mas não tem o nome. Você não dá mais o nome para essa experiência e você, também, já não se coloca como sendo o “eu” que quer se livrar da experiência. Então essa separação entre o medo, que é a experiência que agora já não tem mais o nome, é só essa sensação, esse sentimento, essa dor. Você não coloca mais o nome, não classifica, não nomeia. É algo que está presente agora, aqui, no corpo, nesse mecanismo, nesse organismo. Essa é a experiência, mas agora não tem mais o experimentador, não tem o “eu” querendo se livrar disso, querendo fazer algo contra isso, querendo se libertar disso. Não há um pensamento sobre isso, uma imagem sobre isso, uma ideia de algo no futuro, que é a libertação ideológica, a ideia de estar livre do medo. Não! Nesse momento, há só o contato com a experiência, contato com a experiência sem o “eu”, sem esse fundo que rejeita, que quer se livrar, que quer se separar disso, que quer fugir disso.

É muito comum esse movimento de fuga. Nós vivemos fugindo desses estados do “mim”, do “eu”, do ego, então nós fugimos. Esse é um assunto bastante importante aqui, bastante delicado. Nós fugimos para a bebida, para as drogas, para as diversas formas de entretenimentos, fugimos para o sexo, fugimos para as crenças religiosas, fugimos para leitura de livros, isso nos traz conforto emocional, isso nos produz esperança. E o que é a esperança? Uma ideia, um conceito, uma crença, no amanhã, uma crença no futuro e, é claro, quando isso está presente, isso nos distancia dessa dor, desse desconforto. Mas esse distanciamento não é o fim para isso, é algo provisório. Então, em razão de todas as fugas, ao longo dos anos nós adquirimos muita prática em fugir. Cada um tem uma forma específica de fuga que mais lhe agrada e isso nos distancia dessa dor, desse desconforto que pode ter diversos nomes. Nos distancia, temporariamente, dessa experiência do “eu” sofrendo, porque agora é o “eu” assumindo uma outra forma, ele foge da dor pelo prazer.

Então é assim que estamos lidando com esse falso centro, com esse “mim”, com esse “eu”, com esse ego. A mente egóica, esse centro falso, está sempre em contradição, em conflito, em algum tipo de sofrimento, e nós fazemos isso o tempo inteiro. Estamos o tempo inteiro escapando desse desconforto, escapando dessa dor, escapando desse sofrimento, substituindo isso, temporariamente, por alguma forma de fuga. Então nós estamos sempre fugindo dessas dores psicológicas. O medo é a dor, a culpa é a dor, a ansiedade é a dor, a depressão é a dor, nós damos nomes para isso, e quando damos nomes, nós classificamos, explicamos para nós mesmos o sentimento, explicamos para outros o sentimento e continuamos presos a esse modelo desse “mim”, desse “eu”, desse ego. Temporariamente escapamos, mas estamos de volta logo a seguir. Logo após, de novo, estamos de volta.

Então essa complexidade que é o “mim”, o “eu”, o ego, esse falso centro, é o inimigo. Então o ego é o inimigo, mas ele não é o inimigo, repito, de “alguém”, ele é alguém. Você é quando está sendo o medo, você é quando está sendo a ansiedade, você é quando está sendo depressão. Então não é “eu e a depressão”, “eu e o medo”, “eu e a ansiedade”. Eu sou isso se descubro como assumir isso sem fugir, sem escapar, sem me distanciar ideologicamente. Mas se olho para esses sentimentos, emoções, sensações, o que ocorre? Desde criança, nós fomos educados para escapar, para fugir da dor, da dor psicológica, da dor emocional. Então nunca aprendemos a lidar com o medo, com a angústia, com a tristeza, com estados de ansiedade, nunca aprendemos a lidar com isso, porque sempre estivemos fugindo disso. Nunca nos aproximamos para ver, para perceber o sentido de um “eu” presente rejeitando, lutando, resistindo a essa experiência que está se mostrando. Então a experiência se mostra, essa resistência se mostra agora como sendo essa dor. Nunca aprendemos a lidar com a experiência do momento presente, que é a Vida como Ela acontece, sem essa resistência. Então o sentido do “eu” sempre está presente resistindo e, portanto, sofrendo. Compreendem isso? É sempre o sentido de um “eu” presente em resistência à Vida como Ela se mostra, como Ela está acontecendo, que sustenta esse sentido de “alguém” com esses quadros internos de infelicidade e sofrimento. E depois idealizamos esse “eu” livre desses quadros, mas esse “eu” é o próprio quadro. Ok?

Esse é o assunto que nós temos investigado aqui no canal com você: a possibilidade real de ir além do “mim”, do “eu”, do ego, desse falso centro, desse falso ego, dessa falsa identidade em torno da qual nossa vida egoica está acontecendo. A Iluminação ou Despertar é o acontecimento de Algo novo, é a Realidade do seu Ser livre do sentido do “eu”, do ego, desse falso centro. Isso é Felicidade, Isso é Amor, Isso é Paz, Isso é Consciência de Deus, nessa ausência do “eu”, desse ego, desse falso centro.

Se isso é algo que faz sentido para você, aqui fica o convite, deixe aí o seu like, se inscreva no canal. Lembrando a você: nós temos encontros online, encontros presenciais e, também, retiros, onde estamos trabalhando isso com você. E aí fica o convite e a gente se vê no próximo. Ok?

Maio de 2023
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terça-feira, 1 de agosto de 2023

A natureza da mente egoica | O tempo psicológico | A paz perfeita | O movimento da infelicidade

Não está lá fora Aquilo que você busca encontrar e não sabe que está buscando; está dentro de você! Eu quero dizer algumas coisas aqui para você sobre essa questão da busca.

Nós aqui nos deparamos com um problema muito, muito básico. O problema é que tudo que estamos buscando, a nível consciente, na realidade, é parte de uma imaginação que temos. Só podemos estar à procura, na verdade, daquilo que imaginamos, e aquilo que imaginamos nós já conhecemos, então é parte do conhecido, e se é parte do conhecido, porque imaginamos, não pode ser real. Isso explica porque a felicidade não é encontrada em objetos, em experiências, nem em sensações – e aqui os objetos podem ser inanimados, como um carro, uma casa, ou animados, como o marido e depois os filhos.

Então não importa se os objetos são animados ou inanimados, não importa o ideal presente em você, nesse buscar está implícito a ilusão de sua busca, porque o que você busca é parte daquilo que você conhece, e aquilo que você conhece e está à procura pode te dar satisfação, e juntamente com a satisfação, em algum momento, essa satisfação ficará não satisfatória, porque é assim a natureza dos objetos e das sensações com esses objetos: desgasta, envelhece, entendia, cansa, perde o elã, perde a beleza, perde a alegria. Tudo é assim, e por que tudo é assim? Só em razão da natureza efêmera das experiências, das sensações e dos objetos animados e inanimados? Não! É porque a natureza daquele que está em contato com isso – que não é outra coisa a não ser a mente egoica – é, por natureza, insatisfeita. Em outras palavras: você jamais será feliz! Nada lhe dará satisfação, nada lhe satisfará. Nada! Porque a natureza da mente é permanecer insatisfeita. Temos que compreender o que é a mente, uma vez que você está se confundindo com ela, sem a compreensão do que ela é, jamais encontrará em alguma forma de busca, uma real realização!

Então, qual é a natureza da mente? A natureza da mente é um conjunto de memórias, de lembranças, de crenças, de imaginações, sempre acumulando, juntando, sempre buscando ali uma sensação. A ilusão é que há “alguém” presente nisso, porque há uma sensação na mente, então você carrega a ilusão de “alguém” que se preencherá numa sensação; esse “alguém” é a mente egoica e ela é, por natureza, infeliz, pobre, carente, desejosa por mais, ávida, invejosa, imaginativa: essa é a natureza da mente egoica – mente egoica é o “eu”, o “mim”, esse sentido de humanidade presente no ser humano. Esse sentido de ser “alguém” jamais se preencherá com alguma coisa. Todo esse movimento se processa dentro dessa não ciência de Ser, dentro dessa não percepção real de Ser, dentro dessa inconsciência, como eu tenho chamado.

Assim, esse sentido de individualidade, que é o sentido do “eu”, que é a presença da mente egoica em suas projeções, idealizando o que ela, na verdade, já conhece, colocando o rótulo de “felicidade”, “amor real”, “amor eterno” – são expressões que nós usamos –, “a verdadeira felicidade”, “a paz perfeita”, esses rótulos com os quais rotulamos nossa imaginação, nossas autoprojeções. Alguns outros rótulos existem também: “a verdade de Deus”, “o encontro com Deus”, são outros rótulos que também usamos. E aí nesse instante nos propomos a entrar nessa busca, essa autoprojeção é uma ilusão. É uma ilusão. Não está lá o que você busca e não é o que você idealiza na busca o que, na verdade, está procurando. O que você está procurando é Você, o que você está buscando é Você, mas você está indo para fora, esse “fora” é o movimento de dentro da mente – é o movimento dentro da mente esse “fora” –, você quando se confunde com esse movimento interno da mente egoica, que é, basicamente, memória, lembranças, imaginações, crenças, “felicidade”, “amor”, Deus, “Verdade”… tudo rotulado, cheio de etiquetas; esse movimento de inconsciência é, na verdade, um afastamento da Natureza Simples, Real, de Ser o que Você É.

Então nós não podemos continuar indo para fora, nós temos que parar. Mas a mente não pode parar; olhe para si mesmo, ela não para, a mente dentro de você é um movimento inquieto, agitado, que se projeta a todo instante para o futuro, ou para o passado; você precisa disso para ser “alguém”, ficar remoendo historinhas, lembranças, memórias – que é, basicamente, passado –, e precisa se projetar num ideal de mais, o que é ambição; o futuro não é outra coisa a não ser isso: a ambição de ser mais, de fazer mais, de realizar mais, de se livrar de mais alguma coisa, ou muitas outras coisas.

Então há sempre esse movimento dentro de você, o passado sendo as recordações do antigo marido, dos filhos, do que foi, do que não está mais aqui, do que você perdeu. Você precisa dessa sensação de ser “alguém”, mesmo que isso represente a dor da perda, mas isso me dá a sensação de identidade, que é, basicamente, ser “alguém”, uma pessoa, uma pessoa no tempo; e precisa do futuro, porque com o futuro você será melhor, haverá um momento melhor do que esse para “mim”, para esse “eu”, para esse “você” que o pensamento diz que é você, com o qual você se confunde. Então, ou você está no passado ou está no futuro.

Então há sempre esse movimento de infelicidade, que é o movimento do tempo produzido, sustentado, abalizado pelo pensamento. Então o tempo psicológico tem sido a base dessa estrutura de vida que estamos vivendo. Então nós temos como base dessa estrutura o elemento “pensamento”. Então notem, o elemento “pensamento” é a base e a estrutura desse tempo psicológico que nos permite ser “alguém” e usarmos com muita arrogância afirmações como: “minha casa”, “meus filhos”, “meu marido”, “meus negócios”, “meu dinheiro”. Isso é um absurdo! Você não tem o dinheiro, o Banco Central tem o dinheiro, o dinheiro passa por suas mãos; você não tem os filhos, os filhos passam, os filhos são da Vida, são de Deus; aquela pequena criança, aquele menininho de dois anos, cadê ele? Já casou e foi embora, nunca foi seu, uma outra menina, também crescida, de outros pais, roubou o coraçãozinho dele e ele foi embora, ele nunca foi seu! Cadê seu marido? Ele foi embora. Você tenta colocar outro no lugar, mas jamais será o primeiro marido. Nada se repete! “Ele não era bom”, mas eu não estou dizendo que ele era bom, eu estou dizendo que não é o mesmo. Nada se repete porque nada é da mesma forma e nada é seu, mas, arrogantemente, dizemos: “meu”, “minhas lembranças”. Não! São lembranças gravadas nesse cérebro, você leva uma pancada forte na cabeça e as lembranças desaparecem, elas não são suas. Você não tem lembranças, lembranças surgem como os filhos surgem. “Meus pensamentos”. Não! Pensamentos passam por você. Tudo passa. Você diz: “meu corpo”. Não! O corpo é uma experiência que está passando, o nariz que você tem não é o mesmo nariz que tinha quando tinha doze anos de idade, nem em seis meses de vida, é um outro nariz; a cada sete anos, o corpo é um novo corpo, porque muita mudança já aconteceu nesse corpo e tudo já é novo. Chega a Vida, a Existência, e muda sua mão, seus olhos, as células da epiderme, tudo muda, você não tem absolutamente nada. Tudo quem tem é a Vida.

As palavras “meu” e “eu” não há nenhuma verdade nisso, nenhuma verdade nisso. “Meu” e “eu”, examine isso, investigue isso, se aproxime disso, olhe para isso. Se isso não é real – o “eu” e o “meu” não são reais –, e os sonhos? E a felicidade? E a paz? E a liberdade? E Deus?

As pessoas dizem: “O meu Deus”. Como somos arrogantes, até porque dizemos: “O meu Deus é maior que o seu Deus”. Quando vamos assistir aos nossos times jogarem, eles começam a jogar e a gente reza, cada um reza para Deus, mas são times opostos; eles são de times opostos, mas cada um está rezando para o mesmo Deus, mas é o “seu Deus”, então o seu time vai ganhar, só que o outro está fazendo a mesma coisa. Olhem para a chuva, você não gosta do seu vizinho, mas quando a chuva desce, e ele tem uma horta, a chuva cai também sobre a horta do seu vizinho – dentro da sua visão particular de autoimagem, você vê ele como uma pessoa ruim –, mas não adianta você rezar para o “seu Deus” para a chuva ser “sua” e cair só na sua horta, porque vai cair na horta do vizinho, seu inimigo, também.

Então vivemos nessa ilusão, na ilusão de “alguém” para realizar, para alcançar, para ser feliz, para ter paz, para realizar lá fora alguma coisa. E aqui eu estou dizendo para você: o que você está buscando não é o que você está, de verdade, procurando; e o que você nem tem ideia de que está presente, que nem precisa procurar, você não tem a menor consciência, que é o que te fará feliz, que é a Paz que você precisa, o Amor que você precisa, a Liberdade que você precisa, Deus, o Real – aqui eu me refiro à Realidade de Deus.

Então o nosso trabalho, nosso encontro, propõe lhe mostrar Isso: a Verdade que É você em seu Ser. A realização d'Isso, que é a realização desta Verdade que está presente agora, aqui, não é um caso de procura, não é um caso de busca, não é um caso de projeção, não é um caso de algo para amanhã, é a Verdade se revelando agora, aqui, n'Aquilo que É você. Olhar para tudo aquilo que o pensamento produz e apenas se desfazer disso, nenhum momento será maior que esse momento, nenhuma felicidade será maior que a Felicidade desse momento, nenhuma liberdade será maior que a Liberdade desse momento, e nenhum Deus existirá fora desse momento.

Se você suspeita que em Deus está tudo, você está certo; e se você suspeita que em Deus não há absolutamente nada, você também está certo. A compreensão d'Isso é o Despertar Espiritual, ou a Iluminação Espiritual. Isso é, sim, sem rótulo, sem nomeação, a Paz perfeita, a Felicidade perfeita, o Amor perfeito, a Realidade do seu Ser neste momento, e Isso é o fim de toda busca, Isso é o fim de toda procura.

É isso!

Março de 2023
Gravatá-PE
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quinta-feira, 27 de julho de 2023

Uma Nova Consciência. Condicionamento psicológico. Aproximar do Autoconhecimento. Tempo psicológico.

Afinal, o que nós estamos trabalhando juntos aqui com você? Estamos trabalhando o fim da ilusão do sentido de um “eu” presente, aqui e agora, dentro dessa experiência. Nós estamos trabalhando com você o fim de uma identidade separada, a presença de “alguém” agora aqui. A ideia que você tem sobre quem você é, o conceito que você faz sobre você, sobre o outro, sobre o mundo, isso é algo que se assenta com base dentro dessa ilusão. Essa ilusão é o desconhecimento da Verdade sobre você.

Você não tem olhado, você não tem observado, você não tem visto a Verdade sobre si mesma, sobre si mesmo, porque não há uma investigação. É comum a todos nós mantermos nossas vidas de uma forma mecânica, insciente, inconsciente a respeito de quem somos. As contradições, os conflitos, dilemas, problemas, todos os medos e complicações diversas, as diversas formas de infelicidade que temos em nossas vidas estão presentes em razão deste desconhecimento.

Assim, se nós temos um interesse real de uma aproximação, de uma real mudança, de uma real transformação em nós mesmos, de nossa mente e do nosso coração, para uma vida inteiramente nova, livre de conflitos, de problemas, de dilemas e de sofrimento, precisamos compreender a Verdade sobre quem somos. É necessário compreendermos essa questão desse conteúdo da consciência em nós. Afinal, o que é essa consciência – essa consciência humana em nós?

Todos nós temos diferenças uns dos outros. Essas diferenças psicológicas têm aspectos muito particulares dentro da história de cada um, no entanto, basicamente, psicologicamente, essa consciência humana, esse estado de consciência, é algo comum a todos nós. Estamos aqui nos referindo à mesma consciência em todos: é essa consciência egoica, é essa consciência do “eu” – assim nós temos chamado esse modelo de consciência que conhecemos.

Se houver uma mudança em nossa mente, em nosso coração, algo inteiramente novo estará presente nessa experiência do viver, é nisso que estamos interessados dentro desse encontro. Nós estamos gastando muita energia tentando resolver os problemas – problemas físicos, problemas intelectuais, emocionais, financeiros, diversos problemas que temos em nossas vidas –, e esses problemas estão presentes em razão dessa falta de Real Consciência. Essa Real Consciência é essa Nova Consciência, a qual eu tenho tratado aqui dentro desses encontros. A presença dessa Real Consciência é a presença da Inteligência. E quando há Inteligência, em razão dessa Nova Consciência, aquilo que nós chamamos de “problemas humanos” é algo completamente diferente – estamos diante de algo inteiramente diferente. Todos os problemas em nós, ou presentes em nós ao nível psicológico, estão presentes em razão de uma ilusão, em razão de uma identificação equivocada com esse “eu”, com esse ego – essa é a assim conhecida consciência presente em todos nós, essa consciência comum a todos nós.

Aqui eu tenho tratado com você sobre a possibilidade de uma Nova Consciência em razão dessa transformação possível a cada um de nós, em nossa mente e em nosso coração. A Realização disso é a Realização da Verdade do seu Ser, o que alguns chamam de o “Despertar da Consciência”. E por que a expressão “Despertar da Consciência”? Porque se trata da Real Consciência. Aquilo que temos chamado de consciência em nós – essa consciência comum a todos, essa consciência humana – está em um estado de sono. Na verdade, toda a insanidade psicológica presente em nós é em razão dessa consciência humana – o que nós poderemos chamar aqui de inconsciência.

A condição da mente em nós, lincada – como ela está – a um programa de condicionamento psicológico que há milênios estamos trazendo, essa condição psicológica de consciência, que é a consciência do “eu”, que é a consciência mental, é uma consciência de insanidade. Nós não conhecemos a Verdade sobre quem nós somos e nessa insanidade, nessa inconsciência ou nessa consciência egoica, o que prevalece em nós é o medo, a inveja, o ciúme, a ansiedade, todas a formas de complexos, de traumas, de angústias. Tudo isso está presente em razão desse estado comum em todos nós de inconsciência ou de consciência egoica, que é essa, assim chamada, “consciência humana”.

Aqui a proposta é a compreensão da Verdade sobre o seu Ser, a Verdade sobre a sua Real Natureza. A Verdade sobre isso é o fim dessa consciência como nós a conhecemos. Em outras palavras, é o fim dessa visão de pensamento, experiência e tempo, como nós conhecemos. Nós temos um modelo de pensamento, de experiência e tempo. Para nós existe o passado, o presente e o futuro; para nós existe o pensamento e esse pensamento nasce de um pensador em nós; para nós a experiência que vivemos, que nós experimentamos, é muito real para esse pensador que, na verdade, é apenas pensamento guardado, acumulado como parte de uma memória, e tudo isso está dentro desse condicionamento da consciência egoica, da consciência humana, dessa consciência mental.

A nossa aproximação do pensamento, da experiência e desse, assim chamado, “tempo” é algo completamente equivocado. Nossa noção de passado, presente e futuro, psicologicamente falando, é uma ilusão. Nossa noção de pensador que produz pensamentos e lida com a vida a partir desses pensamentos é uma ilusão. E essa busca de experiência para com ela adquirir mais habilidade para acertar, para fazer o que convém, para fazer a coisa certa, isso também se constitui numa ilusão. Toda a ação em nós que se baseia no passado, ou seja, na memória, na lembrança, que é pensamento, repare, tudo isso é resultado de experiências passadas e nós estamos tentando ajustar a vida nesse presente momento a uma visão de uma experiência passada, de uma lembrança, de uma memória, sempre dentro da ideia de que existe “alguém” responsável por isso, que é o “eu”, o pensador.

Nós acreditamos que podemos realizar na vida uma ação livre de complicações, problemas, dilemas, com base naquilo que esse senso do “eu” carrega. Assim, essa consciência mental é aquilo que nós temos valorizado como sendo a verdade sobre quem somos, e isso não é real. A autoinvestigação lhe aproxima do Autoconhecimento. O Autoconhecimento é a aproximação dessa observação desse “eu”; é esse “eu” que está presente dentro dessa ilusão de que ele é “aquele que está pensando”, ele é aquele que está, com base nas experiências, “sempre procurando acertar”. Não é de uma forma consciente que nós estamos procurando a infelicidade. Eu disse isso: não é de uma forma consciente que estamos procurando a infelicidade, mas todas as nossas ações, tudo aquilo que estamos fazendo com as nossas vidas é em direção a essa infelicidade, e não é de uma forma consciente, porque de uma forma consciente jamais estaríamos agindo como estamos agindo, falando o que estamos falando, nos relacionando com o mundo, com o outro como estamos nos relacionando.

Nossas ações conflituosas, que têm por base todo esse pensamento já programado em nós, já condicionado em nós, algo que vem do passado, esse comportamento, essas ações, esse modelo de vida, de existência, é algo que está produzindo em nossas vidas sofrimento, infelicidade. Nós não estamos procurando essa infelicidade de uma forma consciente. A nossa procura é pela felicidade, mas uma procura pela felicidade com base nessa inconsciência a respeito de quem somos, nos coloca dentro desse padrão de comportamento e de ação egocêntrica, de puro egocentrismo, e isso produz em nossas vidas a infelicidade que não desejamos. Então fica muito claro: o ser humano não está na procura da infelicidade, mas tudo o que ele tem feito ou o que nós andamos fazendo a partir desse centro, que é o “eu”, que é o ego, a partir dessa consciência mental – que, na verdade, é pura inconsciência –, tem nos levado a essa confusão em que nós, como seres humanos, estamos hoje, em que cada um de nós está hoje vivendo em nossas relações uns com os outros.

Assim, o nosso encontro ou nosso trabalho juntos aqui consiste na compreensão da Verdade sobre quem nós somos, e essa compreensão é aquilo que irá operar esta transformação fundamental em nossa mente e em nosso coração, para o surgimento desta Realidade, que é a Realidade do seu Ser, que é a Verdade Divina que você É. Essa é a Verdade de Deus – alguns chamam de Iluminação Espiritual ou o Despertar da Consciência –, uma vida completamente diferente, uma nova maneira de viver, sentir, agir, falar, pensar, totalmente livre desse senso de “pessoa”, desse sentido de individualidade separada. Esta individualidade é uma ilusão. Sim, a ilusão da individualidade. Nós carregamos essa ilusão: a ilusão de um sentido de um “eu” presente dentro do viver, dentro do experimentar, dentro do pensar, dentro do tempo. A Realidade do seu Ser, a Realidade Divina que você É, a Verdade de sua Natureza Essencial, não está no tempo – aqui eu me refiro a esse tempo psicológico, que é o tempo do “eu”, onde existe essa noção de “eu fui, eu sou e eu serei”.

Aqui, quando falamos dessa transformação, dessa mudança, não é a partir dessa ilusão “eu fui, eu sou e eu serei” Toda a ideia que temos sobre mudança ou transformação, em geral, nós sempre colocamos a noção ilusória desse tempo, que é o tempo do “eu”. Não existe qualquer Verdade nesse tempo psicológico e, portanto, esse sentido do “eu” pode passar por reformas, por mudanças periféricas, mas não é disso que estamos falando aqui. Estamos falando de uma radical mudança e não é a mudança do “eu”, é a mudança nessa própria estrutura cerebral, física, nesse corpo-mente. É o fim dessa estrutura psicológica, é isso que eu tenho aqui chamado de “real mudança possível” para cada um de nós. Uma mudança que se faz presente quando o sentido do ego não está mais e, portanto, o sentido do tempo não está mais, toda essa noção de “eu fui, eu sou e eu serei” não está mais.

Aqui eu tenho sinalizado para você a importância de uma aproximação fora dessa ideia de “eu serei”, “eu chegarei lá”. Afinal, o que é esse “eu”? O que é esse “mim”, esse ego? Algo se faz fundamental aqui – realmente necessário e fundamental em nossas vidas –, e esse Algo é a Realização da Verdade de Deus, que é a Verdade de seu Ser. Isso é o fim do “eu” e o início de algo inteiramente novo e desconhecido para esse modelo de pensar e sentir, para esse antigo modelo de pensamento, experiência e ação com base neste falso ego, neste falso “eu”, nessa falsa identidade.

A Verdade sobre você é o fim da ilusão sobre quem você acredita ser, é o fim da ilusão dessa individualidade. Esse sentido de individualidade é toda a confusão presente em cada um de nós. A verdadeira individualidade é algo completamente fora de tudo o que a mente pode conceber, pode idealizar. É uma vida livre do tempo psicológico, uma vida livre do sentido “eu”, desse “eu sou hoje, eu fui ontem e eu serei amanhã”; uma vida livre dessa ideia de se tornar, de realizar, de vir a ser “alguém diferente”. Estamos falando aqui do fim de toda essa ilusão. Se o medo está presente, é o que nós temos, se a inveja está presente, é o que nós temos. Inveja não se transformará em outra coisa, ela será sempre inveja; o medo será sempre o medo. Quando você observa o medo e inveja de perto, existe o fim para esse “eu”, e quando esse “eu” termina, o tempo psicológico termina. Você não precisa do tempo para estar além do medo, para estar além da inveja, precisa, sim, se tornar ciente da ilusão desse “eu” com sua inveja e seu medo.

Assim, esse é o nosso trabalho juntos e é isso que estamos tratando aqui com você dentro do canal. Se o que você está ouvindo é algo que faz sentido para você, quero lhe convidar a deixar aí o seu like e se inscrever no canal. Quero lembrar a você: nós temos encontros online e encontros presenciais, onde estamos trabalhando isso com aqueles que se aproximam. Ok?

Se isso faz sentido para você, a gente se vê no próximo. Valeu pelo encontro!

Maio de 2023
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terça-feira, 25 de julho de 2023

Despertar, Realização de Deus | Mente livre do tempo psicológico | Condicionamento psicológico

Afinal, o que estamos buscando descobrir juntos aqui? Você vê o outro e vê a vida a partir da ilusão que você tem a respeito sobre quem é você. Você não se conhece, mas acredita conhecer o outro e conhecer a vida, e olha que a vida é muito extensa, ela inclui acidentes, incidentes, acontecimentos, dificuldades, problemas, saúde e doença, morte, enfim, muitas e muitas coisas.

A ilusão sobre quem é você lhe dá uma visão completamente equivocada sobre quem é o outro e sobre o que é a vida. O problema aqui ainda é mais complicado: a ilusão sobre quem você é lhe dá a ideia equivocada de ser uma pessoa, uma pessoa que nasceu, que está vivendo sua vida, passando por vicissitudes, complexidades, dificuldades, diversas formas de problemas, passiva de adoecer, passar por um acidente, envelhecer e morrer. Algo completamente falso. Você desconhece a Verdade do seu Ser, você se confunde com a ilusão do pensamento. O pensamento criou em você o sentido de “alguém” presente. A ideia que você tem é de que você está aqui, por exemplo, nesse momento, ouvindo essa fala, podendo pensar sobre isso, tirar conclusões sobre isso e podendo aceitar ou rejeitar isso. O que, na verdade, está presente é um movimento de consciência mental, um fundo de condicionamento psicológico aí nesse corpo lhe fazendo acreditar em “alguém” presente ouvindo essa fala e entendendo essas palavras. A ideia de “alguém” pensando esses pensamentos, “alguém” sentindo esses sentimentos, “alguém” vivendo essa vida, “alguém” que nasceu e “alguém” que pode morrer, nada disso é Real. Você está num grande jogo misterioso, num grande jogo Divino, você é esta própria Presença, é essa própria Consciência em seu Ser, por detrás deste jogo. Essa é a sua Natureza Real. Aquilo que se apresenta se passando por você é esse condicionamento psicológico, esse falso “eu”, esse falso centro, essa falsa identidade, esse sentido de “alguém” presente.

Eu quero lhe propor aqui nesse canal – assim como em encontros online e presenciais – a possibilidade de ir além dessa ilusão, reconhecendo a Verdade do seu Ser, que é Plenitude, que é Amor, que é Paz, que é Felicidade, Aquilo que está além do jogo, mas que está brincando de jogar. A Realidade do seu Ser, a Realidade da Consciência, a Realidade de Deus, a Realidade desta Presença, há muitos nomes para essa Realidade. Nós deixamos os nomes de lado e nos aproximamos aqui de uma vivência direta, olhando para aquilo que se passa, agora aqui. Olhar para esse jogo enquanto ele acontece e é sempre agora, aqui, enquanto ele acontece. “Nesse momento” é quando ele acontece, é quando você pode se tornar ciente de que isso é um jogo. É quando você se torna ciente de que você está em um jogo que você vai além da ilusão de “alguém” presente dentro dessa experiência.

Não encaramos a vida como um grande jogo Divino, encaramos a vida como uma complexidade difícil de lidar, difícil de atender, isso ocorre em razão desse sentido de “alguém” presente que, de uma forma equivocada, está vendo o mundo a partir desse “mim”, desse “eu”, desse “si mesmo”. Então há uma luta constante para a continuação ou a continuidade desse “mim”, desse “eu”. Essa alienação da Verdade sobre o seu Ser lhe colocou numa condição onde o sentido do “eu” prevalece. Então o seu linque com o outro, com a vida, com o mundo, com tudo à sua volta, é um linque de resistência. Há uma ligação de conflito, porque aquilo que prevalece é a ilusão da separação, é a ilusão desse “eu”, dessa identidade autocentrada e, naturalmente, em conflito, porque ela se vê separada, ela não pode, ela não consegue ver o jogo, não consegue ver a Realidade desta Suprema e Divina Consciência nessa grande brincadeira Divina com o seu misterioso jogo. O sentido do “eu” não consegue ver isso, ele se vê como uma entidade separada, ele “não é” e quer “vir a ser”. Em nós há o pensamento, nesse sentido do “eu”, que funciona exatamente assim: “Eu sou isso hoje, fui aquilo ontem, mas serei o que desejo ser amanhã”. Então há essa noção de tempo e espaço: o “eu” presente aqui, o mundo em volta desse “eu”, o “eu” presente aqui neste presente, vindo do passado e caminhando para o futuro. A noção de tempo e espaço para essa identidade separada é aquilo que prevalece, e quando isso prevalece, o que prevalece é a ilusão da resistência e, portanto, do conflito. Esse é o sentido de separação, esse é o sentido de dualidade.

Esse sentido do “eu” está buscando a sobrevivência de sua experiência através do pensamento. O pensamento para buscar continuidade nesse tempo psicológico – criado por ele próprio – criou esse tempo psicológico, ele busca continuidade nesse tempo psicológico e ele criou uma identidade, que é esse “eu”, que é o pensador. O pensamento faz isso porque busca continuidade, é um processo de condicionamento em cada um de nós, a ideação, a crença desse “eu” presente, um “eu” que pensa, um “eu” pensando. Esse próprio pensamento criou aquele que sente essas emoções para esse “eu”. Então quando as emoções estão presentes, há sempre um “eu”, que é uma criação do próprio pensamento, sentindo essas emoções. Aquilo que esse “eu” chama de vida, é a sensação, a busca de preenchimento, de prazer, de realização externa, vivendo esse “eu” nesse autocentramento, onde aquilo que esse “eu”, que é só o pensador, idealiza a vida para ele. Então esse autocentramento é esse ego, esse “mim”.

O egocentrismo é parte desse movimento do “eu”, que é um movimento do pensamento, que ocorre a partir desse falso centro que é o “eu”. Esse é o jogo que o “eu” não enxerga, que o “eu” não percebe. Ele não percebe a ilusão desse sentido de separação, ele não percebe que está dentro desse jogo. A compreensão do movimento do pensamento, quando a mente se aproxima para compreender esse movimento – esta auto-observação, esta observação de si mesmo –, lhe faz perceber a ilusão desse “eu”, que é a ilusão desse pensador, que é a ilusão desse que sente, que é a ilusão desse que controla, que é a ilusão desse que se separa da vida para lutar, para resistir, para entrar em conflito, para viver nessa dualidade. Esta auto-observação lhe faz ver isso, que esse “eu” é uma ilusão. A compreensão dessa ilusão é a visão a partir desta Inteligência, desta Real Verdade do Ser, é quando desperta sua Natureza Divina, sua Verdadeira Consciência, que é a Consciência de Deus. Isso é Iluminação Espiritual ou Despertar Espiritual, é a Realização de Deus, é a Realização do seu Ser, é o Despertar da Sabedoria, é o Despertar e o Florescer do Amor, é o Florescer de Deus.

Tudo isso pode parecer muito, muito complicado a princípio. Não tente intelectualizar isso, apenas acompanhe essa fala, escute essas falas aqui no canal. Algo em você é capaz de perceber a Realidade que estamos dizendo. Com certeza não é esse movimento de condicionamento, esse Algo em você é a própria presença da Consciência Verdadeira, a própria presença da Inteligência, a própria presença do seu Ser. Então a ilusão que sustenta essa ignorância é a ilusão que se estabelece constantemente em nossas vidas como toda forma de complicação, sofrimento e desordem. O Despertar da Verdade Divina, o Despertar da Verdade do seu Ser é o fim para tudo isso. Isso é algo que se torna possível quando você se aproxima de si mesmo. Se aproximar de si mesmo é ter a mente capaz de olhar para ela própria para ver o seu próprio movimento.

Quando a mente se torna silenciosa, e aqui silenciosa é ter essa habilidade de se aproximar para ver; ver sem o pensador, ver sem aquele que sente, olhar sem o pensador, olhar sem aquele que sente, perceber o movimento do pensamento, do sentimento, da emoção, da sensação, das idéias, das crenças, sem colocar uma identidade nisso – essa antiga e velha identidade, que é o “eu”, o “mim”, o ego. Olhar e não se confundir com isso, olhar e não se identificar com isso, se aproximar dessa forma requer uma mente capaz de olhar esse movimento a partir do silêncio. Então o pensamento aparece e ele é visto, o sentimento aparece e ele é visto, a sensação aparece e ela é vista. Estar atento, momento a momento, a cada pensamento, sentimento, sensação, percepção na experiência, sem colocar o sentido de “alguém” dentro disso, é parte da aproximação da Real Meditação. Quando nos aproximamos da Real Meditação de uma forma prática, nos aproximamos da Real aproximação da Verdade sobre quem nós somos, agora aqui, desta Real Inteligência, desta Real Consciência, desta mente livre desse movimento do tempo psicológico. Esse tempo psicológico é aquilo que é parte desse jogo de uma identidade presente se separando da vida.

Enquanto essa visão de separação, de dualidade, desse fundo psicológico – que é o fundo do “eu” – permanece presente, a contradição é aquilo que prevalece, e onde há contradição, há naturalmente o conflito. Então ver o jogo é perceber Aquilo que está além do jogo, permanecer livre em seu Ser, em sua Natureza Real, em sua Verdadeira Identidade, é permanecer livre do sentido do “eu” e dessa opressão da ilusão de uma identidade presente.

Tudo está no seu lugar quando o sentido do “eu”, desse “mim”, desse ego, não está mais presente, então é possível uma vida livre, onde a Verdade está presente, a Liberdade está presente, o Amor está presente. Essa é a Verdade sobre o seu Ser, essa é a Verdade de Deus, esse é o assunto nosso aqui no canal.

Se isso faz sentido para você, deixe ai o seu like, se inscreva no canal. Quero lembrar a você: nós temos encontros online e, também, encontros presenciais, onde estamos trabalhando isso com aqueles que se aproximam. Ok?

Valeu pelo encontro e a gente se vê. Fica aí o convite!

Maio de 2023
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quinta-feira, 20 de julho de 2023

Como dominar as emoções? Vivendo nessa Real Meditação. Joel Goldsmith. Satsang com Mestre Gualberto.

Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um bate-papo, mais um videocast com Marcos Gualberto, mais uma vez se disponibilizando para fazer esse bate-papo conosco. Agradeço, Mestre, por essa tua disponibilidade. Como a gente já vem fazendo em uma série de encontros, pessoal, a gente vai fazer um bate-papo onde vou trazer algumas perguntas que vocês têm feito para o Gualberto responder.

E, para quem não conhece o Marcos Gualberto ainda, já falei um pouco nos outros encontros… O foco do canal Luz do Despertar é sobre os ensinamentos que o Joel Goldsmith nos traz, que é o foco da Iluminação Espiritual, e o Marcos Gualberto tem um canal no Youtube, também, que trata exatamente disso, desse Despertar da Consciência, dessa Iluminação Espiritual. Mas ele trata disso não a partir do entendimento intelectual, da leitura de livros de Mestres, mas a partir de uma vivência, de algo que ele, através de um processo intenso de autoinvestigação de mais de vinte e um anos, pôde, pela Graça de seu Mestre Ramana [Maharshi], Despertar para esse Estado Natural do Ser.

E me encontrei, conheci o Mestre, como já comentei em alguns outros vídeos… Eu venho nessa busca há muitos anos e, nos últimos anos, focado integralmente nos ensinos do Joel Goldsmith. E, agora, nos últimos meses, veio algo muito forte internamente para eu me afastar, me afastar inclusive do canal, dos grupos de estudo, e, nessa quietude interior, acabou... um presente da Graça: foi aparecer um vídeo no Youtube do Mestre Gualberto… e assisti a um vídeo e algo me tocou. Não entendi no momento o que era, mas algo no olhar do Gualberto me tocou e eu fiquei com um sentimento de “o que é esse silêncio que eu senti vendo o vídeo?”.

E, aí, participei do encontro no final de semana, que é um Satsang online (têm [encontros] on-line e presencial, mas participei primeiro do on-line), e aí pude “entender mais” e sentir mais esse olhar, que é um olhar que vê além das aparências, como o Joel nos diz, porque é um olhar que não julga, que não critica, é o olhar de alguém que, pela Graça, “atingiu” essa Realização. E é uma enorme Graça poder estar tendo acesso ao Marcos Gualberto, poder estar acompanhando esse trabalho que ele vem compartilhando – o que é a vida dele hoje –, compartilhando o que é esse Estado Natural, que é extraordinário, que é simplesmente fora de tudo que eu acreditava que era, simplesmente fora de tudo o que a mente, nessa questão intelectual, acredita que é a Iluminação Espiritual, e é um verdadeiro presente… Eu só tenho a agradecer, Mestre, por essa Graça.

E, seguindo aqui em mais um videocast, Marcos, eu tenho uma pergunta. Deixe eu pegá-la aqui… Eu tenho a pergunta da Maria Verônica sobre esse processo, essa autoinvestigação. Ela pergunta bem assim… ela comentou: “Agradecida. Agora o que é necessário é perceber que tudo é tão simples, porém gostamos de complicar”. Daí, ela faz a pergunta: “A minha pergunta, por favor, para uma próxima vez é: como ter domínio das nossas emoções justamente no momento do conflito?”. Pode responder para nós, Mestre? Gratidão!

Então, vamos lá! É curiosa a pergunta dela. Ela disse “é tão simples” e, aí, ela faz uma pergunta que já começa a complicar, porque ela pergunta como ter domínio sobre as emoções, no que diz respeito a essa questão do conflito.

Veja, o nosso interesse, em geral, é muito particular, seja ele tendencioso para as inclinações do intelecto ou das emoções, e isso só complica. Querer dominar as emoções é como querer dominar o movimento dos pensamentos, que seria esse movimento intelectual, para algum objetivo. Aqui, o objetivo em dominar as emoções é eliminar os conflitos.

Mas, veja, o que nós precisamos não é dessa complicação, não é dominar as emoções nem dominar os pensamentos, mas é nos tornarmos cientes desse movimento, que é, basicamente, o movimento do “eu”. O que precisamos para estar livre dos conflitos – e desse conflito que é basicamente sofrimento nesse “eu”, nesse “mim”, nessa “pessoa” que nós acreditamos ser, é nos tornarmos cientes dessa “pessoa”, desse sentido de “pessoa” dentro desta dada experiência.

O que quer que esteja ocorrendo neste momento, seja ao nível intelectual ou ao nível emocional, pode ser visto – e precisa ser visto – sem o sentido de “alguém” presente: é isso que eu tenho chamado de Meditação, de aproximação do Autoconhecimento.

Então, a gente se aproxima do Autoconhecimento e tem acesso à direta constatação do que é Meditação. E o que é, basicamente, Meditação? É disso que nós precisamos; não é dominar nem os pensamentos nem as emoções. Nós precisamos da Meditação, porque a Meditação lhe mostra que esse sentido de identidade presente, neste momento, é o próprio conflito; é ele que se separa do que quer que esteja acontecendo para tentar mudar, e, quando ele resiste a este momento presente, a este instante agora, ele conflita. Conflita com que base? Com base na memória, que é basicamente o pensamento; esse pensamento é passado, crença, são ideias, são conceitos do que deve ser ou do que não deve ser, no que diz respeito ao que está acontecendo.

Então, há um sentido de rejeição desse intelecto, que é esse movimento egoico, que é esse movimento do pensamento para resistir a isto, resistir a este momento. E, quando você resiste, você cria a separação e, portanto, sustenta o ego, e isso é conflito.

Aquilo que está acontecendo aqui agora pode ser visto sem desejo, sem medo, sem resistência, sem luta, sem julgamento, sem comparação. E, quando isso é feito nesse formato, dessa forma, não há esse elemento, que é o elemento “eu”, dentro da experiência. Se esse elemento não está presente, as emoções assumem o lugar natural delas e o pensamento assume o lugar natural dele, porque não há uma identidade presente resistindo a este instante, então o conflito termina.

Nós precisamos, Gilson, é aprender a arte de viver sem o sentido de um “eu” presente dentro deste instante, dentro deste momento. Como esse “eu” é basicamente o passado, que é memória, que está sempre julgando, avaliando, comparando, rejeitando ou então se identificando com a experiência, estamos sempre vivendo nesse “mim”, nesse “eu”, nesse ego e, portanto, em conflito, fora do nosso Natural Estado, que é o estado livre do ego, livre do “eu”.

Então, eu tenho falado muito sobre a arte de ser Consciência. E, aqui, eu me refiro à Real Consciência, não a essa consciência egoica, essa consciência mental, essa consciência de percepção de experiência, mas à Consciência que transcende o próprio movimento do pensamento, das emoções, dos sentimentos e do próprio corpo. Então, é uma constatação de um Estado Natural em você que você não tem acesso porque não adentra a essa arte, que é a arte da Meditação.

Então, eu tenho procurado mostrar às pessoas o que é a Meditação no sentido Real, não essas práticas diversas de meditação que as pessoas praticam, as diversas práticas de meditação aí fora. Eu falo da Meditação no sentido de um esvaziamento completo de todo o conteúdo dessa consciência egoica, o que só é possível agora aqui, quando você se vê desafiado a reagir e o sentido do “eu” não entra para reagir.

A gente tem explorado esse assunto e aprofundado isso. Nós temos muito material sobre isso em playlists no canal [Mestre Gualberto] falando sobre a importância do Autoconhecimento e da Meditação.

Então, em resumo, lidar com pensamentos e lidar com emoções, assim como lidar com o corpo, é lidar com este momento sem o sentido de “alguém” presente. Isso só é possível, de uma forma verdadeira, quando há Real Meditação na prática. Compreende isso? É esse o assunto de que nós temos tratado.

Mestre, e é muito engraçado como esse próprio movimento do “eu” foge deste presente, desta constatação da vida. Ele está sempre fugindo ou resistindo ao que se apresenta, e mesmo no estudo espiritual, na busca – eu falo por mim… Pela Graça, nessa aproximação contigo, agora eu vejo o quanto a atividade do ego estava presente, mas não era vista. Então, existia a rejeição a todo instante, ou desejo, e hoje eu vejo isso acontecer, e o “ver isso acontecer” é ver essa ilusão de um “eu” que tem desejo, ou um “eu” que não quer tal circunstância. E o “ver essa ilusão”... Eu me lembro que [eu vi] – não sei se foi em um videocast ou em um Satsang contigo –, que esse próprio movimento de querer rejeitar ou desejar acaba gerando a separação, a dualidade.

Sim.

E o foco, como o próprio Joel Goldsmith fala, é essa União Consciente com Deus, é a Não Dualidade, como tu falas, né, Mestre? Então, quando há esse processo de rejeitar o que se apresenta, “pum!”: dois. Existe o “eu” que não quer ou o “eu” que quer, e ver esse movimento acaba ficando engraçado, porque é o tempo inteiro esse movimento do ego.

Esse movimento, Gilson, é o próprio movimento da continuidade da identidade separada, jamais você vai se tornar ciente desse movimento sem um real interesse de observá-lo. O ponto é que nós passamos a vida inteira sem essa observação desse movimento. Até porque, como você acabou de colocar, em geral, as pessoas estudam os assuntos espirituais, estudam Joel, estudam a Bhagavad Gita, a Bíblia, enfim, o Evangelho, mas esse estudo é um estudo intelectual, isso não lhe dá a percepção desse movimento da consciência integral, que é esse movimento da consciência egoica, porque é só uma acumulação de informações a que você tem acesso, e o intelecto guarda como palavras.

E o que você precisa é se tornar ciente do que está agora aqui presente. Basta estar cônscio de si neste instante. Não importa o movimento que esteja ocorrendo internamente em você, ele pode e precisa ser constatado, mas constatado sem reação. Aqui é que temos a dificuldade, porque tudo que surge, ou nós gostamos, ou não gostamos. E, quando você não gosta, você rejeita; e, quando você gosta, você se identifica. E quem é que está fazendo esse movimento sempre? É o elemento “eu”, é o elemento ego, exatamente esse sentido de identidade se fortalecendo na experiência do gostar ou do rejeitar o que quer que esteja surgindo. Resultado: você vive como uma entidade separada no tempo, como alguém que está presente na experiência, e isso não é real, isso é uma fantasia produzida por esse estado hipnótico de consciência egoica.

Não há “alguém” presente agora aqui, na experiência. Esse “alguém” aparece quando rejeita algo ou quando se identifica com algo e, aí, ele se particulariza como uma entidade separada, egocêntrica, onde o mundo está fora e ele está aqui, no centro dessa experiência. É isso que precisa ser visto, e isso não pode ser visto pelo intelecto. Então, não adianta estudar, tem que evidenciar isso, aqui e agora, e você só evidencia isso nessa auto-observação, nessa observação de si mesmo neste momento.

A minha ênfase é sempre a ênfase da Real Meditação na prática, porque ela é a chave para o Despertar dessa Real Consciência, porque até então você está dormindo. É dormindo que você nasce, você cresce, você se torna adolescente, casa, tem filhos, tem netos, adoece, envelhece e morre. O ser humano vive assim! Ele está dormindo nessa identificação com aquilo que ele não é, [que está] se passando por ele o tempo inteiro, que é essa identidade egoica, e isso é estar em um sentido de separação, nessa falta de União Consciente com Deus.

Outra coisa importante: a expressão “União Consciente com Deus” é uma expressão da qual a gente tem que se aproximar com cuidado, porque essa União Consciente é a ausência de “alguém” consciente, é a Consciência de Deus assumindo. Não tem “alguém”! E, em geral, o sentido do “eu” se imagina unido a Deus. O “eu” não se une a Deus! Quando Deus está, o sentido do “eu” desaparece, e Aquilo que está presente é esse Natural Estado de Ser, Consciência, Amor, Felicidade, Inteligência, Sabedoria, ausência de sofrimento.

Escutem isso! Estamos falando aqui, Gilson, de algo que o intelecto não alcança. Isso é indescritível! Isso a gente não encontra em palavras! Ou você vivencia essa Bem-Aventurança, esse Natural Estado de Pura Consciência livre do sentido do “eu”, ou então não sabe do que estamos falando. Podemos imaginar isso ou podemos descobrir isso agora, e só pode ser agora, aqui. Tudo bem?

Mestre, até tem um trechinho de um livro do Joel aqui, o livro é “A União Consciente com Deus”, e, na introdução do livro, o Joel fala bem assim: “A pregação sem prática é um dos pecados mais mortais. Por exemplo, a passagem bíblica tão fundamental para todo o ensinamento espiritual ‘exceto que o Senhor edifique a casa, trabalham em vão aqueles que edificam’ é uma bela citação, mas permanece apenas uma pregação até que, e a menos que, seja entendida e praticada”.

Se o Mestre puder falar um pouco sobre... já vinha falando, mas falar um pouco mais sobre essa vivência, viver nessa Real Meditação.

Então… Quando Isso se estabelece como seu Estado Real, como seu Estado Natural, você... o que diz, o que faz, o que não faz, tudo está dentro dessa Realidade. Não é mais uma ideia, não é mais um conceito, não é mais uma afirmação intelectual, não é mais uma intenção, ou desejo de vivência, Isso é o transbordamento de sua Natureza Divina.

O fato, Gilson, é que o seu Ser é a Consciência, é o Cristo. Uma vez que essa Consciência, que é o Cristo, está desperta, seu olhar, sua fala, seus gestos, o que quer que esteja ocorrendo estará ocorrendo dentro dessa Consciência do Cristo. Então, essa é a linguagem do Joel – essa vida Crística. Eu coloco dentro de uma linguagem bem particular, mas eu conheço o que ele coloca como o Cristo em nós, porque ele está simplesmente relatando o Evangelho. “O Reino dos Céus está em vós”. Aqui, é o relato do Cristo interno em nós, só que isso, olha... é muito conceitual, é muito teórico, é muito verbal, é muito imaginativo.

Podemos acessar essa Realidade do Cristo? Sim, pela Real Meditação. Então, não existe mais a ideia, o pensamento, a imagem “Cristo”, nem a ideia, o pensamento, as palavras, a teoria das Escrituras, mas a evidência do seu Natural Estado de Amor, de Pura Consciência. Viver Isso é ser O que Você é, que é Consciência, que é Deus. Então, Você é a própria Escritura viva, porque Você sabe – não é “sabe” porque entendeu, Você é a Sabedoria das Escrituras, em seu Ser!

As Escrituras nasceram dessa Consciência, desse Estado de Pura Consciência. Os homens santos, os sábios, os místicos… os santos, os místicos e os sábios escreveram ou deixaram escritas, ou registradas, ou foram faladas por eles e depois registradas por alguém, as palavras vindo desse “Lugar”.

Então, viver essa Consciência é viver essa Realidade das Escrituras Viva. Então, isso não é mais “papagaísse”, não é mais teoria, não é mais conceito, não é mais repetição de palavras; é a evidência do Amor, da Paz, da Liberdade, da Consciência do Cristo.

Então, olhar no olhar do Cristo, falar no falar do Cristo, sentir no sentir do Cristo, sem o sentido de um “eu” presente… Isso é Real e Isso não é uma teoria, Isso não é uma crença, Isso não é uma repetição das Escrituras, Isso é a Escritura Viva.

Então, viver é a única coisa que importa. Chegará um momento, Gilson, para todos aqueles que estudam, em que eles irão descobrir que não é estudando, é exatamente desaprendendo… porque saber, nós já sabemos demais, já entendemos demais, já compreendemos muito! Mas onde isso está? Ao nível de intelecto ou ao nível de sentimento. A gente se sente emocionado com palavras como Cristo, Deus, amor, mas é só uma emoção que vem e, na hora do almoço, já foi embora. Então, a gente sente e, daqui a pouco, não sente mais; a coisa está aqui e, daqui a pouco, não está mais, e as pessoas dizem “para onde foi?” É porque é só uma experiência, ainda, de sentimento, de emoção e, ainda, ligada à questão do intelecto, uma coisa verbal, ainda nesse nível.

Nós precisamos é de uma vivência, precisamos nos assentar em nosso Natural Estado de Consciência Pura, o que é possível pela prática da Real Meditação, algo que é possível quando, momento a momento, você está trazendo Consciência ao que quer que esteja ocorrendo, internamente ou externamente… essa Consciência dissipando o véu da separação, o véu da dualidade. Essa dualidade é o problema: “eu e o mundo”, “eu e Deus”, “eu e o outro”, “eu e os meus pensamentos”, “eu e as minhas emoções”. Esse “eu” se desfaz e a vida se mostra como Pura Inteligência, como Pura Consciência. Essa é a Realidade do seu Ser, Isso é Iluminação Espiritual, Isso é o Real Despertar do seu Natural Estado Crístico, na linguagem do Joel, que é o Despertar da Nova Criatura em Cristo, segundo a Bíblia, ou como eu costumo dizer: Ser-Consciência-Felicidade; isso já na linguagem dos Vedas.

Então, as expressões são múltiplas, são diversas, mas isso não importa! O que importa é viver Isso, Gilson, é assumir Isso, é conhecer essa Paz que transcende toda a compreensão humana, essa Vida de Deus, que é Deus vivendo nesse corpo, compartilhando, Ele mesmo, a Verdade do que Ele é e despertando você, tirando você da ilusão, da crença de ser alguém separado d’Ele.

É o trabalho da própria Consciência, não é alguém fazendo. Uma vez que esse Natural Estado está aí, Você é essa Realidade se expressando. Você não é um mensageiro, Você não é um enviado de Deus, Você é a Verdade, o próprio Cristo se expressando. Eu não sei se isso faz sentido para vocês que estão aqui acompanhando essa conversa, mas não sei Gilson…

Mestre, enquanto tu falavas, eu me lembrei que o Joel traz muito esse “viver pela Graça” ou, trazendo dentro dos conceitos bíblicos, [foi] quando existiu a aceitação da crença do bem e do mal que aconteceu essa dualidade; e a crença do bem e do mal são esses julgamentos… [você] julgando as circunstâncias que são boas ou ruins, rejeitando, resistindo a elas ou não. E, aí, o Joel nos traz o convite de transcender, de ir além dessa crença do bem e do mal, e esse viver pela Graça, que é a própria Graça, esse fluir da Graça, essa Unidade, esse Um.

O que eu tenho dito, Gilson, com base no que você está colocando, é que... repare, é muito interessante você estar nesse Natural Estado, porque você tem essa Liberdade de fluir, de se permitir, naturalmente, dizer a partir desse próprio “Lugar” onde você está. Então, por exemplo, você citou a questão de viver pela Graça. Essa é uma expressão bíblica, mas olha como é interessante: a gente pega a expressão “viver pela Graça”... gente, isso é algo muito básico, muito simples: é viver no seu Natural Estado de Ser, é viver Aquilo que você nasceu para viver, sem contradição, sem conflito, sem sofrimento, sem medo, sem a ilusão de estar agora vivo e poder morrer a qualquer momento e perder todas as coisas que juntou, que acumulou, que guardou. Isso tudo desaparece quando o sentido de um “eu” não está.

Não existe essa separação entre vida e morte, entre ganhar e perder, entre a Verdade e a ilusão, entre o sonho e a Realidade. Isso tudo se desfaz nesse Natural Estado de Consciência, que é Pura Graça. E a gente usa expressões como “Pura Graça” sem compreender que Graça é a única Verdade de toda manifestação. Tudo é esta Graça, porque só há Deus!

É apenas, Gilson, o sentido de um “eu” presente criando toda a confusão no mundo. E esse mundo começa dentro de nós; depois, ele se estende para a nossa casa, para o nosso bairro, para a nossa cidade, para o nosso país e para o mundo. Então, toda a confusão no mundo começa nesse “mim”, nesse “eu”. Se esse “eu” se desfaz, o mundo não é mais o que ele aparenta ser nesse sonho – porque isso tudo aqui é um sonho.

Despertar é ter o olhar do Buda, o olhar do Cristo, o olhar de Deus para esse grande jogo Divino. Os sábios na Índia antiga, eu já comentei isso com vocês, ao verem tudo isso, perceberam e disseram: “Isso é um jogo, é uma Lila, é uma grande brincadeira!”. Agora, do ponto de vista do ego, Gilson, isso não é uma grande brincadeira, isso é um terror: a fome, a doença, a morte, perder os entes queridos… Isso é um terror para o ego, que possui coisas, que quer controlar, que quer entender, que quer se perpetuar no tempo… Para esse sentido de um “eu”, que vive nessa ilusão, é um terror isso aqui, não é uma Lila, não é uma brincadeira divina, não é um jogo de Deus. Mas, quando você desperta e vê o mundo como Pura Graça, é Pura Graça mesmo!

Mestre, eu estou dando risada porque foi uma pequena experiência, mas… agora passou, há algumas semanas, o retiro de final de ano, presencial com o Mestre, sete dias, e eu participei (e, inclusive, vai ter outro agora no Carnaval, outro retiro). Mas… é um intensivo, é uma imersão, é um retiro de sete dias. E, aí, teve alguns dias em que ficou muito nítido isso que o Mestre está falando, essa grande Lila, essa grande brincadeira, ficou algo vivo em mim. E, daí, é muito engraçado, porque tudo se torna, naquele momento, naquela experiência, que foi algo passageiro, porque esse “eu” está presente aqui… mas, naquele momento, a brincadeira estava estampada! Era tudo uma brincadeira, inclusive a vida como um todo, essa brincadeira. Eu só dava risada, porque… como o ego leva a sério, muito a sério tudo!

Sim.

É um grande terror, é um grande medo, mas é essa inconsciência, esse sentido de separação que eterniza isso.

Quando não há mais isso, Gilson, quando não há, tudo é só um nada! É um nada! É um nada que contém tudo!

Sem o sentido de “alguém” presente reivindicando, querendo alterar, mudar, cobrar, buscar, desejar, fazer, acontecer, se desfazer… sem esse “mim”, sem esse “eu”, a Realidade é Felicidade, a Natureza do Ser é Amor. Não o amor que o pensamento tem estruturado como o amor. O amor, para o pensamento, é posse, é controle, é apego, é desejo, é ciúme, é possuir o outro, é tomar o outro para si, é ter a lembrança do outro para amar. Ou seja, se não houver lembrança, então não há amor. Se o amor se baseia no pensamento, na lembrança de momentos felizes ou intensos, ou de intimidade, se não houver essa lembrança, então não há amor.

E que espécie de amor é esse que o ego conhece? O amor que controla, domina, o amor que se assusta, o amor que teme perder, o amor que quer segurar, que quer controlar, que quer... Ciúme é amor? É amor? Ciúme é amor? Desejo, apego… é amor? Controlar é amor? Se lembrar do outro é amor? E quando o pensamento diz “ele pode estar com outra”, aí esse amor, que é esse pensamento chamado amor, muda. Que espécie de amor é esse? Um amor que se baseia no pensamento e no sentimento. Se muda o pensamento, muda o estado. Então, o que era chamado amor, agora não é mais amor, é raiva, é violência, é agressão, é ódio, é ciúme, é posse.

Aqui, eu falo do Amor como Consciência, é a sua Natureza Real, o Amor de permanecer aí nessa visão desse grande jogo divino, desse grande jogo de Deus.

Mestre, agradeço a mais uma oportunidade. Gratidão! Gratidão!

Já foi nosso tempo.

Já foi nosso tempo.

Pessoal, comentem, curtam o vídeo, comentem com perguntas para a gente ir trazendo para novos videocasts. Para quem sentir algo além do que está nas palavras, ao olhar para os olhos do Gualberto, o convite está na descrição. Aqui também tem o link do WhatsApp para as informações dos encontros on-line. Todo mês tem encontro de Satsang presencial e, também, on-line. Então, é só pegar as informações e, se sentiu algo a mais, é se aproximar desse trabalho para ver o que é.

Mestre, gratidão! Gratidão! Até a próxima.

Dezembro de 2022
Gravatá-PE
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