quinta-feira, 15 de junho de 2023

O Eu Místico | Joel Goldsmith | União Consciente com Deus | Mestre Gualberto

Olá, pessoal! Estamos aqui no canal Luz do Despertar para mais um vídeo, um vídeo de entrevista, e esse vídeo também vai estar no canal do Mestre Gualberto, que está aqui conosco. Só tenho, primeiramente, Mestre, a agradecer a tua Presença e a tua disponibilidade para esses bate-papos.

É uma verdadeira graça estar podendo ter contato – esse contato direto – com alguém que vive essa Realidade que tanto a gente traz aqui para o canal com essas leituras do Joel, essa Realidade de Realização de Deus, de União Consciente com Deus.

Para quem não conhece o Mestre Gualberto, o Marcos Gualberto, eu o conheci há alguns meses atrás. Venho em uma busca espiritual de preenchimento, de me entender, há muitos anos e, nesses últimos meses, como até já relatei em outros vídeos, me encontrei.

A Graça, essa Divina Presença, me trouxe um vídeo do Marcos Gualberto, do canal dele, que trata, especificamente, desse assunto de Iluminação Espiritual, desse Despertar da Consciência. E, aí, olhei um vídeo, algo me chamou atenção, não soube explicar o quê, não soube entender, não soube entender o quê, mas vi que tinha encontros presenciais e encontros on-line, onde o Marcos compartilha dessa Verdade que ele vive.

E, aí, participei de um intensivo de final de semana e algo, que é sem palavras, que é sem compreensão intelectual, tocou muito forte a consciência aqui, porque pude entender que o Marcos, depois de um trabalho de muitos anos (vinte e um anos de um trabalho muito forte de autoinvestigação), através da Graça do seu Mestre, o Ramana, teve esse Despertar dessa Consciência, desse Estado Natural de Ser.

E, durante esse intensivo de final de semana que eu participei com ele, eu pude sentir o que está além das palavras, esse compartilhar de Consciência, e, nesse olhar do Marcos, algo tocou aqui dentro do meu coração, porque eu fui tomado por um estado de silêncio, de quietude, e aquilo ali me chamou muito a atenção.

E, devido a isso, venho nesses últimos meses muito próximo a esse trabalho, e tem sido algo sem palavras, porque, como todos que acompanham o canal… Joel muito enfatiza a prática da meditação, a prática de uma vida contemplativa, mas, para mim, como também já comentei em outros videocasts – inclusive, tem a playlist dos videocasts anteriores que tu podes assistir também a eles –, eu não conseguia entender o que é essa vida contemplativa, o que é estar em meditação, não apenas em determinados momentos da minha rotina, alguns minutos da manhã ou à tarde ou à noite, mas, sim, estar a cada momento presente, a cada momento consciente do que a vida me apresenta. E o Joel traz esse tema como uma vida contemplativa – contemplando a Vida e a perfeição dessa Criação Divina.

E, aí, com essa aproximação, eu posso estar agora, um pouco, vivendo isso, e isso tem sido transformador, porque essa identidade egoica, esse ego… eu tenho percebido com essa proximidade contigo, Marcos, o quanto ele é uma ideia, é um pensamento, e daqui a pouco… Posso até ter lido isso em algum livro, mas era só uma informação intelectual. Agora, com esse trabalho próximo contigo, participando principalmente dos encontros on-line e presenciais, por esse teu compartilhar de Consciência, eu tenho tido pequenos vislumbres do que é essa Realidade Unidade, essa Realidade Una, esse “Todo Somos Um”, essa Não Dualidade, e eu só tenho a agradecer a ti.

E, dentro desses encontros que a gente tem feito, desse bate-papo, onde eu faço perguntas, leio perguntas que vocês fazem aqui no canal, para o Marcos trazer muito mais do que palavras, mas trazer a vivência do que é Isso…

E, hoje, Marcos, eu tenho a pergunta aqui da Andreia, que ela fala bem assim: “Tenho uma pergunta: estar nessa Presença quando paro minhas atividades é mais fácil para mim, mas quando estou em uma atividade, nas minhas atividades diárias, essa Presença me escapa e depois sinto culpa, fico ansiosa, nervosa… Então, eu tenho que sentir que isso é natural?” – ela pergunta. “Pois eu já sei que a Presença está sempre comigo, mas dói por ter me esquecido d’Ela, por ter me esquecido de Deus. Gratidão. Parabéns por todo o trabalho. Namastê.”

Mestre, dentro dessa pergunta, passo a palavra para você falar um pouco para o pessoal que acompanha o canal, dentro das tuas falas, o que é essa Meditação Real, conforme a Andreia comenta, e é o que também acontecia comigo. A palavra é contigo, Mestre.

OK. Então, vamos lá. A situação é a seguinte: nós temos que nos deparar com a vida como ela é, sempre. Nós não podemos idealizar Aquilo que nós chamamos de Estado de Consciência ou de Presença. Nós temos que ficar com o que se mostra. Se nós realmente queremos nos aproximar da Verdade sobre quem nós somos, nós precisamos estar com o que se mostra agora aqui, neste instante.

O que é isso que se mostra? O que é isso que se apresenta? O que é isso que é, agora, aqui? Essa aproximação abre a porta para a Realidade que transcende isso que é. Esse é o contato com a Verdadeira Presença, com a Verdadeira Consciência.

Então, a gente não idealiza Isso. Nós somos muito da imaginação, da crença, da conceituação. Eu tenho enfocado muito na importância de vivenciarmos Isso, e, quando você vivencia, você dispensa as palavras, tanto as palavras do Gualberto quanto as palavras do Joel e as suas próprias palavras, porque você está vivenciando Algo que transcende a palavra, transcende a fala.

Aqui, eu me refiro a essa Presença, essa Consciência, e você só tem acesso real a essa Consciência, a essa Presença, nesse contato com o que se mostra agora aqui.

Então, eu tenho falado sobre a Real Meditação na prática. Essa Real Meditação na prática é estar cônscio de si mesmo agora. Por exemplo: ela acabou de citar que, quando não está no estado, sente culpa e dói. Esse momento de dor e de culpa é a porta. Então, se culpar... quem é esse que se culpa? E o que é essa dor? É nesse momento que você coloca Consciência para o próprio estado.

Então, se queremos acessar a Verdade d’Aquilo que transcende essa limitação de identidade egoica, nós só temos acesso a Isso através da auto-observação e desse Autoconhecimento – daquilo que está agora aqui, e não de uma ideia de como deveria ser essa Presença ou essa Consciência. Então, nós temos que aprofundar isso vivencialmente.

Quando você acessa essa dor da culpa ou essa dor do medo ou da raiva, ou quando você acessa o estado e não se separa desse estado, mas, pelo contrário, você se aproxima para observá-lo de perto, você se encontra com a porta, que eu vou aqui chamar de “a porta do que é”. Isso é o que é, e essa é a porta.

Se você se aproxima e não se separa para julgar, para tentar se livrar, para tentar corrigir isso através de ideias e crenças; se você apenas fica com isso e não se separa da própria experiência colocando um “eu” idealizado para se livrar da experiência; se você quebra essa separação, se você se desfaz dessa dualidade, entre esse “eu” e o estado, você tem a oportunidade de estar em contato direto com o que é. Isso é a porta para que esse sentido do “eu” desapareça nessa experiência e, quando isso desaparece, a experiência se desfaz e você realmente cruza esse portal, cruza essa porta.

Então, você está diante, agora, da Realidade que transcende essa limitação, que é a limitação do que é; ou do que parece ser, colocando de uma forma mais precisa, porque esse estado é um estado de identidade egoica e, portanto, um estado ilusório.

Então, quando falamos aqui para você sobre a Meditação Real ou a Real Meditação na prática, é estar agora aqui, momento a momento, cônscio de si mesmo, de qualquer pensamento, de qualquer sentimento, de qualquer emoção, de qualquer sensação, sem se separar disso.

Percebam a beleza do que estamos colocando aqui para vocês. O problema, Gilson, que eu percebo, é que colocando isso… é até suave ou intrigante de ouvir, mas eu quero que as pessoas coloquem isso em ação… coloquem em ação e observem o que estamos dizendo.

Quando você coloca em ação isso, quando você, de verdade, efetiva isso na prática e não se separa da experiência, seja ela dolorosa, aflitiva, preocupante, enfim, não importa o estado que esteja se mostrando aqui, esse é o momento…

Notem o que estamos dizendo. A Realidade da Consciência ou da Presença, que foi a expressão que ela usou e que nós usamos… essa Realidade nunca está ausente, não importa a experiência que esteja presente: é raiva, é medo, é tristeza, é dor, é ansiedade... Não importa! Essa experiência é uma experiência que está presente porque existe um experimentador dentro dessa experiência.

Se você se aproxima trazendo luz, consciência, ciência disso, e não se separa da experiência, você se desfaz do experimentador e, quando você se desfaz do experimentador, a experiência definha, ela não pode persistir. Isso porque, Gilson, não há medo sem o medroso, não há ansiedade sem o ansioso, não há depressão sem o depressivo, não há pensamento sem o pensador.

Mestre, o Joel traz esse “eu” como um “eu” ilusório, um “eu humano”, e é esse “eu” que precisa “morrer”, que precisa desaparecer, que é só uma ideia do pensamento.

Mas, aqui, nos deparamos com uma dificuldade: quando você acredita nisso, isso não funciona! “Ah, esse ‘eu’ tem que morrer”, “ele precisa desaparecer”... Essas expressões estão sempre dentro da dualidade. O que você precisa é se tornar cônscio dele.

Se você se torna cônscio dele, de fato, ele definha e desaparece, ou “morre”, como você queira chamar, mas isso não pode ser uma ideação, não pode ser uma ideia: “tenho que me livrar desse ‘eu’ humano”, “tenho que me livrar desse ego”. Nada disso! Como: “tenho que me livrar dessa experiência”. Quem é esse que tem que se livrar? Então, já colocamos de volta o sentido de separação, o sentido de dualidade, e, assim, estamos nos afastando da Real Meditação na prática.

Então, quando você reserva um momento para meditar, você se senta, a mente já sabe: “Olha, é a hora de ficar quieta”. E, com o passar do tempo, ela vai ficando tão dócil… e, naquele momento, ela se aquieta e, aí, você sente a Presença. Só que, depois que você diz para si mesmo “acabou a meditação”, quem é que está dizendo? É o próprio sentido de separação, é o próprio “eu”. E, aí, quando ele diz “acabou a meditação”, é o mesmo que está dizendo “agora eu posso me soltar, posso voltar à minha rotina”, e, aí, tudo se processa do mesmo jeito.

Por isso que eu nunca recomendo às pessoas se sentarem para meditar; eu recomendo às pessoas olharem para si agora aqui. Tem um momento melhor para meditar do que o momento presente? Aliás, existe algum outro momento fora deste momento presente? Não há nenhum outro momento! É só ideológico qualquer outro momento fora deste instante. Fora deste instante, não existe nenhum outro momento!

Então, você, neste instante, é a Realidade da Consciência, é a Realidade da Meditação. Agora, não idealize a Meditação ou a Consciência como algo separado daquilo que está aqui. A gente se aproxima é do que está aqui! “Ah, mas eu estou tão ansioso!” – é o que você tem, meu filho! “Ah, mas eu estou tão preocupado” – é o que você tem. “Mas eu estou com raiva” – você é a raiva, você não está com raiva; você não está ansioso, você é a ansiedade; você não está preocupado, você é a preocupação. Assuma isso, se torne cônscio disso agora aqui! Porque, quando você coloca “estou”, você se separa. Isso é muito sutil, muito sutil, muito sutil.

É sempre um “eu” que está sentindo essa ansiedade e não quer sentir. Então, existe “eu” e existe a ansiedade, e [ele] quer se livrar dela. Deu! Separação!

Exatamente!

Dualidade!

Exatamente! Isso reforça o sentido de separação e, naturalmente, o estado. Quando as pessoas vêm a mim e dizem: “Olha, o que eu faço para me livrar de pensamentos repetitivos?” Não brigue com eles! Porque quem estaria brigando com os pensamentos repetitivos senão aquele que está angustiado na repetição, que é o próprio movimento do pensamento?

O problema, Gilson, é que, na nossa educação, nós aprendemos, desde crianças, que nós existimos. Então, “eu existo”, então “eu penso”...

E queremos ser alguém… e queremos ser alguém na vida, queremos “ganhar a vida”, né?

Mas é com essa base que nós queremos ser alguém, porque acreditamos que existimos e que temos que evoluir, temos que realizar, temos que fazer... Nós não percebemos que a vida está acontecendo, e ela já está acontecendo por esta Presença que faz tudo; não tem você!

Então, desde pequenos, nós fomos ensinados dentro desse modelo: “eu existo, então eu sinto, eu penso, eu me preocupo, eu me aflijo, eu faço, eu tenho…”. É sempre “eu”: “eu tenho”, “eu faço”, “eu e o meu corpo”, “eu e a minha mãe”...

“Eu sou assim”, “eu sou assado”.

“Eu sou assim”, “eu sou assado”, “eu não quero”, “eu quero”... Então, para efeitos práticos, objetivos, na vida, o pronome “eu” é funcional: “preciso escrever essa carta”; “eu preciso embarcar nesse voo”; “essa casa é minha”. Então, para efeitos práticos, OK. Mas, psicologicamente, quando colocamos esse sentido de um “eu” presente na experiência psicológica, estamos reafirmando uma fraude, uma ilusão, porque esse próprio movimento psicológico é um movimento ilusório de uma identidade, assumindo um posto, uma posição.

Todo sofrimento psicológico em nós, em qualquer nível, está sempre ao nível de um ”eu” para sentir, para viver, para experimentar aquilo e dizer “é a minha ansiedade”, “é a minha solidão”, “é a minha preocupação”, “é o meu medo”.

Mestre, é interessante como, mesmo na própria caminhada espiritual, é muito fácil cair nessa armadilha dessa separação. Inclusive, eu quero ler um trechinho, Mestre, de um livro do Joel, em que o Joel fala disso, nesse contexto espiritual mesmo, inclusive com uma fala de Jesus. Posso ler aqui, Mestre?

Sim, vamos lá. Ótimo!

No livro “O Eu Místico”, no Capítulo 3, o Joel fala: “Tudo o que existe para você é esse Eu, não no sentido limitado do “eu” que você normalmente tem e que costuma admitir para si mesmo, mas o Eu que você realmente é, o Filho de Deus, Um com o Pai. Provavelmente, o próprio fato de que o Mestre Jesus fosse hebreu ajudou a estabelecer essa separação entre Pai e sua individualização, porque Jesus usou o imaginário hebraico do pai e do filho, e isso sempre nos faz pensar em um grande pai sábio e uma pequena criança imatura: uma dualidade!

Na verdade, não podemos conceber um pai e uma criança como uma unidade. Vemos o pai e a criança, e sabemos que são dois. Mesmo quando a criança está sendo carregada no ventre da mãe, a criança e a mãe ainda são dois, a criança é algo separado da mãe. Assim, essa imagem que foi usada no antigo ensino hebraico pode ser uma barreira, e, às vezes, é necessário nos afastarmos dessa imagem de pai e filho e aderirmos apenas ao Eu; Eu e somente Eu. Eu e a Verdade somos Um, Eu e a Vida somos Um.”

Aí, ele dá essa ênfase: como na questão espiritual ainda se tem “eu e o Pai”? Mas, aí, ele frisa “é Eu, apenas Eu”.

Sim, a gente aqui se depara com a dificuldade das palavras. A nossa linguagem, toda ela, é dualista. Não há como a gente usar a expressão “eu” sem colocar algo separado desse “eu”. Se tem o “eu”, tem o “não eu”. Então, você vê: ele termina falando de “eu e a vida”. Quer dizer, a gente coloca de volta, sempre, não tem como… a gente está sempre colocando a dualidade na expressão.

Por isso que hoje compartilho com aqueles que se aproximam a partir desta visão direta, e eu tenho encontrado minha própria linguagem para colocar isso e tenho visto a dificuldade que nós temos, porque, quando você escuta alguém falando, tem alguém dizendo e você ouvindo. Então, nós vivemos dentro desse princípio de separação, dentro desse princípio de dualidade.

Como eu disse agora há pouco, ao nível físico, ao nível prático, a gente faz uso, não tem como. A gente está num sonho de mundo, onde tudo acontece nessa dualidade aparente, mas o problema é internamente, psicologicamente; esse é o problema! A Realização d’Aquilo que Você é, é o fim desse “eu” psicológico, com esse tempo psicológico, com esses valores de princípios, de dualidade. Tudo isso é psicológico, e é isso que se desfaz na Realização.

Você continua tendo um corpo e usando o pronome “eu” após a Realização, só que você não se confunde mais com o corpo e nem coloca nesse “eu” o poder de se separar da experiência para ser o dono de qualquer coisa: dono da tristeza, dono da ansiedade, dono do medo, dono do desejo ou dono de coisas materiais. Isso desaparece quando você se torna cônscio de que a Única Realidade… e isso não é teórico.

Notem, isso não pode estar na teoria, Gilson, não pode estar no conceitual, isso tem que estar assentado. Os seus olhos têm que olhar sem o sentido de separação; o pensamento, quando aparece, tem que ser visto sem alguém pensando; o sentimento, quando surge, é o sentimento direto, como ele é nesse corpo, nesse mecanismo, sem alguém: isso é estar assentado em seu Natural Estado, que alguns chamam de Iluminação Espiritual ou Despertar Espiritual.

Talvez, você pergunte: “E qual é o treinamento para isso?” Real Meditação na prática! Comecem a colocar, de forma efetiva, no viver, momento a momento, isso. Quando alguém lhe elogiar, observe o elogio, mas não entre na experiência do elogiado. Se alguém te dá um elogio, você observa o elogio, meneia a cabeça… até agradeça pelo elogio, mas não coloque uma identidade presente se inflando, se separando do elogio, criando esse elogiado em você, [ou] você vai se sentir especial, o sentido do “eu” vai estar presente – isso é ausência da atenção sobre si neste instante, ausência da Meditação.

Isso vale para um elogio ou para uma crítica. Então, quando alguém xinga você, a quem ele está xingando? Tem alguém para receber o xingamento, para receber a crítica? Então, ser elogiado ou ser criticado não faz a menor diferença se há a consciência de que não há esse elemento “eu” na experiência. Continue, por favor, vamos lá…

Eu me lembro exatamente disso, Mestre, que, em um vídeo seu, você fez esse mesmo exemplo: quem é esse “eu” que está se sentindo lisonjeado com um elogio ou está se sentindo diminuído com uma crítica? Quem é esse “eu”?

Sim.

É o ego! Rápido vem a resposta: é óbvio que é o ego.

Agora, eu te pergunto: não é o melhor momento da Meditação?

Pois é! É o agora, né? É neste instante.

Não é agora? Não é nesse desafio com o momento presente que você se desafia com a Verdade do que é, que se mostra?

Exatamente.

Se você está no seu quarto meditando, com uma luz suave, com uma musicazinha, não tem isso! Tem que estar no viver, no dia a dia, tem que se encontrar no dia a dia.

Essa auto-observação, Mestre, como eu comentei em outro videocast, como é interessante… Para mim, falando de mim, como existia uma inconsciência muito grande! Porque é o tempo inteiro o ego dando pitaco, julgando “isso é bom”, julgando “isso é mau”. Quem é esse que julga que isso é bom ou mau? É essa ilusão de uma identidade presente que quer isso ou não quer aquilo, e isso acontece a todo instante! E, antes, eu não percebia, eu não percebia!

Sim, sim.

Agora, eu vejo essa atividade e…

E você sabe por que você não percebia? Porque você já tinha o hábito de ter o momento da meditação. Você sabia que, no momento da meditação, você tinha que estar livre disso. Quando nós chegamos, agora, e colocamos para você: “Gilson, por que você não se torna ciente agora aqui?”, aí você disse: “É mesmo!”

Então, veja que é só uma questão de a gente se aproximar, ter uma aproximação muito real do que estamos apresentando aqui para você. Coloquem na prática isso. É no viver, é quando o seu “eu”, esse “mim”, esse ego, está frustrado, com raiva, arrependido, preocupado, se sentido vítima; é quando esse “eu” é tocado.

A vida é maravilhosa, porque ela vai – não se preocupe –, momento a momento, o desafiar a esse encontro com o que é. Você vai perder isso muitas vezes, por falta de uma habilidade que vai vir com o exercício, que é a habilidade de estar olhando para si. Então, o exercício entra nesse sentido. Não é algo mecânico, por isso é que você vai perder muitas vezes. O seu estado de consciência vai ter que ser… ele vai se aprofundando para lhe trazer isso de uma forma consciente, e não de uma forma mecânica, de uma forma habitual.

Meditação é Consciência. Quanto mais você se rende a essa Presença, a esse exercício, mais essa Consciência vai assumindo o lugar d’Ela e lhe trazendo isso de uma forma presencial, em Pura Consciência; não é automático, não é mecânico. “Ah, mas eu caio muitas vezes”. Não tem problema! Você vai cair muitas vezes! Você só se levanta de novo e olha de novo para isso.

Mestre, é engraçado, porque, nesses meses acompanhando… no início, quando eu comecei a exercitar isso, eventualmente eu me dava conta, quando era uma coisa mais forte, assim… sentia uma raiva, algo mais forte, eu me dava conta: “Opa, passou”; “Opa, foi”. E eu: “Não, mas vai ter oportunidade. Daqui a pouco, vai ter outra oportunidade”. Daqui a pouco, vinha mais uma oportunidade, sempre quando era algo mais palpável, mais forte. E, agora, eu percebo que, mesmo em coisas bem sutis... já percebo aquele conflito, já percebo aquele desejo… e quem é que está desejando? É esse “eu” humano, essa identidade. Então, fica muito mais sensível essa percepção.

Sim, sim. Sabe por que fica mais sensível? Porque a dor da contradição do conflito fica mais visível. Porque, a princípio, somos muito embotados, somos muito insensíveis. O estado de conflito psicológico que o ser humano vive é de tal teor de inconsciência que ele nem percebe o quanto ele está sofrendo e o quanto ele está produzindo sofrimento à sua volta.

Na razão em que você se aproxima disso, você vai ficando sensível a essa dor dentro, porque você vai se tornando cônscio de si, presente, consciente, esta Consciência vai se aprofundando, Ela vai tendo espaço para assumir esse corpo-mente.

E, aqui, a gente entra já em outros pormenores; é quando começa a acontecer o Despertar dessa Energia que é a Kundalini. Isso é um assunto dentro desse contexto, que eu tenho falado também no canal. De outra forma, não tem nada de Kundalini. O pessoal faz uma “viagem” por aí: “Ah, eu tive uma experiência, eu vi não sei o quê, eu senti isso, senti aquilo”. Não tem nada a ver com Kundalini.

Kundalini é o Despertar da Consciência, da sensibilidade desta Presença, não tem nada a ver com experiência mística, esotérica; não tem nada a ver com sensações, com calor, com nada disso; é outra coisa, embora o corpo possa até passar por algum processo, mas isso não deve ser considerado como o objetivo, como o alvo, como... porque isso é muito particular de cada organismo, de cada mecanismo.

O ponto comum do Despertar da Kundalini é o despertar da sensibilidade, da inteligência para não conflitar com o que é. Isso é o ponto comum do Despertar da Kundalini em qualquer ser humano. Agora, essas “diferençazinhas” de alguns sintomas, de algumas coisinhas que podem aparecer no corpo, até alguns assim chamados fenômenos psíquicos, isso aí é irrelevante, não tem relevância nenhuma! Isso a gente deve abandonar, não tem que se prender a isso, nem dizer que isso é a base ou o fundamento do Despertar da Kundalini, absolutamente. O Despertar da Kundalini é o Despertar desta Verdade, da Inteligência de não sofrer, de não ser “alguém” na experiência. Isso é a base Real do Despertar da Consciência, que é a Kundalini.

Como eu já compartilhei, tinha uma circunstância na minha vida, de vinte anos, acarretando sofrimento, acarretando sofrimento… e “melhorou”, tinha “melhorado” já, e, agora, nessa aproximação desse trabalho contigo, algo está consciente dessas imagens do pensamento, que acabavam gerando sofrimento, e sentindo essa dor, quando vem a dor, sem querer fugir dela, como eu já relatei. Hoje, simplesmente, quando aparece aquele padrão de pensamento que geraria um sofrimento, não existe mais a identificação. É uma coisa engraçada, porque existe aquilo ali, mas não cola mais, não tenho mais a identidade que era o sofredor com aquela imagem que gerava isso e aquilo, então só aparece e vai embora.

Então, onde está o sofrimento?

Estava só nessa identidade.

Exatamente! A identidade do “eu” é o sofrimento. Essa é a proposta do Despertar da Consciência ou da Iluminação Espiritual.

Gratidão! Gratidão, Mestre! Gratidão por mais esse encontro, mais esse “maná” que cai do céu, que é essa Graça que flui através de palavras, só que é muito mais que palavras, é esse compartilhar de Consciência, esse olhar que não é um olhar que julga, que não é um olhar que condena, é um olhar onde a gente pode se ver… ver o que está além da forma, ver essa Consciência. Então, só tenho a agradecer. Gratidão!

Pessoal, curtam aí o vídeo, comentem, podem trazer perguntas para a gente ir trazendo-as nos próximos encontros… Aqui, na descrição do vídeo, vai estar o link da playlist com os outros encontros, então acesse aí para ver os outros encontros a que você ainda não assistiu…

Gratidão, Mestre Gualberto! Muito obrigado.

Dezembro de 2022
Gravatá-PE
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terça-feira, 13 de junho de 2023

Condicionamento psicológico | Advaita, Realidade | Medo da morte | Turya | Complexidade psicológica

Colocando direto para você isso aqui: não é possível a realização da Felicidade sem a Realização de Deus. Não adianta! O que quer que você realize, o que quer que você consiga, o que quer que você conquiste, toda e qualquer conquista externa estará presente por um tempo e depois desaparecerá. A realização da Felicidade é a Realização do seu Ser, é a Realização de Deus, apenas Isso é Real, nada mais é. Somente Isso é verdadeiro, nada mais é.

Então, direto ao ponto aqui com você: neste canal estamos trabalhando com vocês a Verdade da Realização de Deus. Isso é a única coisa que é Real, tudo mais vem e vai, tudo mais aparece e desaparece. Seu Ser é a Natureza da Verdade, que é a Natureza de Deus. Isso não é uma conquista, não é algo que você alcança, não é algo que você chega lá. Assim, quando usamos a expressão “Realizar Deus” ou a “Realização do seu Ser” não é algo que você vai lá e torna possível, não é algo que você idealize, programe e consiga ir lá e tornar possível. Essa Realização de Deus não é algo no tempo. Vamos trabalhar com você isso, aqui, nos próximos minutos.

A pergunta é: como realizar a Felicidade? Como alcançar a Felicidade? Não se alcança a Felicidade, não se realiza a Felicidade. Nós nos tornamos cientes da Verdade da Felicidade, nos tornamos presentes agora, aqui. A ciência d`Aquilo que somos é a Felicidade se revelando. Não é um processo, é uma constatação aqui e agora.

Aqui no canal nós estamos trabalhando com você o fim da ilusão da “pessoa” ou da pessoa que você acredita ser. Você se vê como alguém que nasceu, você tem um nome, você tem uma história, você olha para trás e vê os seus ancestrais, você acredita que a sua origem está dentro desse contexto de história. A Verdade do seu Ser é que você nunca nasceu. É muito estranho ouvir isso, porque você se vê no corpo como sendo ‘alguém’ que tem um nome e uma história. Aqui eu me refiro à Verdade última de sua Real Natureza, de sua Real e Verdadeira individualidade.

Nós temos uma noção completamente errônea, equivocada, sobre quem somos. Nós estamos nos vendo nessa ilusória identidade, nesse ilusório “eu”. Quando nós usamos a expressão “eu”, o pronome “eu”, nos referindo a “nós mesmos”, sempre estamos identificando esse “nós mesmos” com esse corpo. Aqui está o equívoco. Quando dizemos “eu”, “mim”, “eu próprio”, “eu mesmo”, estamos apenas expressando uma palavra ou uma frase – a palavra “eu” ou uma frase “eu mesmo” –, porque é algo que nos foi ensinado, nós aprendemos isso e isso é algo que surgiu no tempo e também irá desaparecer no tempo. Todo o problema conosco está na ideia de tempo, desse psicológico tempo: “Eu fui isso ontem, sou isso hoje e serei isso amanhã”, isso é tempo. Sempre nos referimos aqui a esse corpo. Você olha para uma fotografia quando você tinha dez anos ou quinze anos de idade e olha para o seu rosto hoje no espelho e percebe que houve uma mudança, uma diferença. Então essa noção de tempo é algo muito entranhado em nosso modelo de condicionamento psicológico. Nos vemos no tempo porque nos vemos no corpo, nos vemos na forma. A realização da Felicidade, a Realização do seu Ser, a Realização de Deus, é algo fora do tempo.

Quando temos uma aproximação da Verdade sobre quem somos, quando investigamos a natureza ilusória do “eu” – desse que se separa da experiência agora, aqui – percebemos que esse “eu” é apenas uma crença, um conceito, um conceito dentro do corpo. Percebemos, também, que esse corpo é apenas uma expressão do tempo, não é Aquilo que somos, é aquilo com o qual nós nos confundimos. Nós quem? Esse “eu”, que não passa de memória, história, lembrança, portanto, estamos de volta ao tempo. Sem o tempo, onde é que está o “eu”? Quem é você sem o seu nome? E o seu nome é história, que é tempo, é memória. Sem o seu corpo, quem é você?

Todas as noites quando dormimos entramos em sono profundo e não há corpo, não há nome, não há história, no entanto, Algo permanece desconhecido. Em sono profundo não há o mundo, não há o “eu”, não há o corpo, não há história, mas algo permanece fora desse tempo, fora desse sonho de vida que nós chamamos “vida humana”. Quando acordamos pela manhã, ao sairmos do sono profundo, estamos de volta ao tempo, ao corpo, ao mundo, ao nome, à história. A pergunta para você é: o que é essa Realidade que permanece em sono profundo, desconhecida? Essa Realidade é o seu Ser.

O seu Ser está fora do tempo, do nome, da história, do mundo. Esse seu Ser, que é vivenciado em sono profundo – percebam isso com muita clareza –, em sono profundo não há outra coisa a não ser Paz, Felicidade. Não há sensação, não há prazer, mas há Algo extraordinário em sono profundo. Todos amam, todo o ser humano ama o sono profundo, porque no sono profundo todo o sentido do “eu” com seus prazeres e dores, histórias, memórias, lembranças, todos os seus personagens, desaparecem. Então há Algo no sono profundo, que é o Desconhecido, mas é o Desconhecido em Paz, em Liberdade, em Felicidade. É curioso dizer isso: “todos amamos profundamente o sono profundo”, mas no sono profundo, quem é você?

O ser humano pode até dizer: “Eu tenho medo da morte”, ele pode sentir o medo da morte, ele pode dizer que ama viver, ele ama a vida, mas, na realidade, ele tem medo é de perder aquilo que ele conhece, que ele chama de vida, e ele chama isso de amor à vida. O que o ser humano realmente ama é a Singularidade e o Desconhecido do sono profundo. Nós amamos o sono profundo, e no sono profundo não há vida, não há “alguém” vivo. Todas as noites nós morremos psicologicamente, historicamente, em termos de memórias e lembranças. Isso acontece todas as noites quando adentramos ao sono profundo, desfrutamos da Paz, da Liberdade, da Felicidade. Então nós temos amor ao sono profundo. E por que isso está presente? Porque no sono profundo não há o ego, o “eu”, o “mim”. Se nós pudéssemos trazer a Paz, o Silêncio, a Felicidade do sono profundo para o nosso estado de vigília, que é esse “estado de mundo”, seria algo maravilhoso. Se pudéssemos viver no Amor, na Paz, na Liberdade, no Silêncio, na ausência do ego, no estado de vigília, como no sono profundo, todos nós apreciaríamos isso, com certeza.

O convite para a Realização do seu Ser, que é o convite para a Verdade da Felicidade de sua Natureza Real, é a vida no estado de vigília livre do ego e, portanto, nesta Paz, neste Silêncio, neste Desconhecido Mistério do sono profundo. A Realização do seu Ser é a Realização do Desconhecido, d`Aquilo que não tem nome, d`Aquilo que está além de tempo e espaço e, portanto, além do corpo e de toda a história de memória psicológica, além do toda a ilusão do “eu”. É impossível a vida nesta Beleza, Graça, Amor, Liberdade e Felicidade enquanto o sentido do “eu”, do ego, de toda essa complexidade psicológica, de toda essa condição de estrutura de egoidentidade permanecer presente.

Precisamos descobrir a Verdade do sono profundo. A compreensão desta Verdade sobre quem somos, aqui e agora, revela a Verdade nesse estado de vigília, no estado de sonho à noite e no estado de sono profundo. Os Sábios têm chamado isso de “o quarto estado”, o estado de Turiya, um estado possível a cada um de nós. É o estado de Sabedoria, de visão da Vida como ela se mostra, sem o sentido da dualidade. Isso é também chamado de Advaita, onde só há “esse primeiro sem o segundo”, que é a Realidade de Deus. A palavra Advaita significa “o primeiro sem o segundo”, a Realidade de Deus presente. Essa é a Realidade do seu Ser. Não há sofrimento em seu Ser, não há sofrimento em Deus, não há o sentido de separação, não há o sentido de dualidade, não há o experimentador com sua experiência, não há o observador com aquilo que ele observa, não há o pensador com os seus pensamentos. Há somente essa Realidade, que é o Desconhecido, o Inominável, a Presença da Consciência pura. O Estado de Turiya é esta Presença pura, é a pura Consciência que é Ser, Felicidade, transcendendo vigília, sonho e sono profundo.

Então no sono profundo você tem um vislumbre desse Desconhecido, d`Aquilo que aqui tratamos dentro do canal, que alguns chamam de a Iluminação Espiritual, o Despertar da Consciência ou o Despertar Espiritual. É você em seu Ser, em seu Natural Estado, livre do sentido do “eu”, do ego, desse “mim”. Assim, o nosso trabalho consiste em investigar isso, em nos aprofundarmos nisso, em termos a clareza da Verdade d`Isso que somos, aqui e agora, livre do tempo e do espaço, livre do “eu”, do ego, do “mim”, de toda a história desse personagem com o qual nós nos identificamos.

Talvez a sua pergunta seja: “E a vida?” Não há nada lá fora para mudar. A vida é o que ela é quando o sentido do “eu” não está. Aquilo que desaparece é a ilusão de um sofredor para sofrer, a ilusão de um observador para observar o mundo, a ilusão de um pensador para pensar os seus pensamentos, a ilusão desse “eu” que vê o outro como algo separado de si mesmo, que vê o mundo como algo separado de si mesmo, que vê Deus como algo longe, distante de si mesmo, é isso que desaparece – algo forjado pelo pensamento, sentimento que desaparece. Então Algo novo está presente. Esse Algo é a presença da Realidade do seu Ser, que é Felicidade. Isto é a Realização de Deus, a Iluminação Espiritual, o Despertar, os diversos nomes que têm sido dado para Isso – nenhum deles, de verdade, representa Isso, porque é Algo que transcende toda a palavra, toda a linguagem, de toda e qualquer forma de ideia, crença ou pensamento.

Assim, esse é o assunto que tratamos aqui com você dentro do canal. Nós temos diversas playlists explorando esse assunto aqui com você. É só entrar no canal e dar uma olhada nessas playlists, investigar isso e se aproximar disso. Quero lembrar a você: nós temos encontros online, encontros presenciais e, também, retiros onde estamos trabalhando isso com aqueles que se aproximam. Aí fica o convite e a gente se vê no próximo encontro.

Valeu e até a próxima!

Maio de 2023
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quinta-feira, 8 de junho de 2023

Ramana Maharshi, Eckhart Tolle, Krishnamurti. O fim da busca. Psicologia Positiva: o Estado de Flow.

Ao perceber que tudo é rotina, ao perceber que tudo termina em tédio e em alguma forma de insatisfação, o ser humano está à procura de algo. Há duas vertentes aí: a primeira são aqueles que procuram esse “algo” em coisas… em coisas, em lugares, em objetos, em pessoas; são os que têm uma inclinação não religiosa. E existem aqueles que estão à procura desse “algo” na religiosidade. Algo sendo buscado no mundo e algo sendo buscado fora do mundo.

Alguns de vocês já ouviram falar e, hoje em dia, está muito badalado isso. É a questão dessa linha filosófica que procura se aproximar desse encontro com algo fora desse contexto de rotina, desse contexto comum, desse contexto de repetição. Eles apontam a possibilidade de viver feliz aprendendo a lidar com o mundo: como reagimos ao mundo é algo que depende da qualidade dos nossos pensamentos, das nossas ideias, das nossas crenças, e é como reagimos ao mundo, às situações na vida, a forma como reagimos a isso, dependendo dessa qualidade de pensamento que trazemos, que irá determinar se seremos felizes ou não. Isso é chamado de estoicismo – a procura da felicidade dentro de um princípio filosófico.

Então, para o filósofo, o encontro com uma certa qualidade de vida, de harmonia de vida, de paz, de felicidade… Eu não sei bem o que se entende por felicidade dentro desse contexto, mas é algo parecido com uma espécie de ajustamento psicológico, mental, a essa condição que se apresenta. A isso nós chamamos de felicidade: um mero ajuste a determinada situação, dependendo da qualidade de pensamento que tenhamos. Isso é chamado de estoicismo, e as pessoas, hoje em dia, estão fissuradas nisso, estão loucas por isso!

Então, esse é um caminho para a felicidade dentro desse princípio, dessa busca de algo ainda no mundo. Somado a isso, nós temos a psicologia, que também vai por um caminho dizendo a você que é possível você alcançar essa paz, ou essa felicidade, ou essa “coisa”, esse “algo”, ainda mudando os seus pensamentos.

Então, dentro da psicologia, temos diversas outras vertentes. Tem, por exemplo, a psicologia positiva, que fala do “Estado de Flow” como um estado em que a mente e o corpo estão em sintonia, em harmonia, em não conflito, em não contradição com a vida como ela se mostra. Então, vamos, através de uma disciplina psicológica, através de uma técnica psicológica, alcançar… vamos alcançar isso, vamos trabalhar para alcançarmos essa condição desse assim chamado – dentro da psicologia positiva – “Estado de Flow”.

Então, é a procura de algo fora da rotina, do comum, do estresse, dessa dor que o ser humano vem enfrentando, vem vivendo há milênios, por esse caminho. Então, é a procura por algo ainda no mundo, no mundo dos objetos, nos lugares, nas pessoas, nas realizações ou nas frustrações.

A realização dentro desse desafio no mundo, tendo essa aproximação dessa procura por algo fora dessa condição pela psicologia ou pela filosofia – essa é uma vertente. A outra vertente é a busca religiosa. Então, existem aqueles que estão na procura por algo já não no mundo, mas fora do mundo – é a procura religiosa. E a procura religiosa é se ligar a uma determinada religião oficializada. Você passa um período ali para ver se você encontra essa outra coisa procurada, buscada por você, que, dentro da religião, é chamada de Verdade ou Deus. Ninguém sabe o que é Isso, mas todos usam a expressão. Se imagina algo sobre isso, como na própria filosofia se imagina algo sobre verdade. Na religião, se imagina algo como Deus. É uma ideia, é um conceito, é uma crença. Ninguém sabe o que isso significa, o que isso, de verdade, representa.

Mas, no Google, a palavra mais badalada, que é a mais procurada, que é a mais pesquisada, que é a mais estudada, que é a mais conhecida, é a palavra “Deus”. Há uma concorrência muito grande porque todos procuram, todos querem saber e todos pesquisam, e todos ensinam sobre isso. Então, o uso da palavra “Deus”... Então, na religião, existe essa procura. Então, você procura essa coisa chamada “verdade” e “Deus” dentro dessa busca religiosa, e isso não se resolve. Internamente, você continua ainda como uma criatura humana ansiosa, preocupada, estressada, entediada, vivendo num estado de confusão interna, que só você mesmo sabe.

Você tenta compartilhar isso com um profissional da área de saúde mental e ele prescreve alguma medicação, ele prescreve uma nova técnica de terapia, de psicoterapia, ou lhe indica algumas mudanças de comportamento, mas também não se resolve. E aqui estamos nós, o ser humano… todos nós aqui, olhando para isso. Já que não se encontra no mundo, nessa busca por esse algo no mundo, e nem se encontra nessa busca por algo fora do mundo… Essa busca por algo no mundo é o materialismo, é o existencialismo, e há vários nomes para isso. E, na espiritualidade – é assim que é chamada essa busca pela vida religiosa.

E, afinal, o que é que estamos buscando? Essa é a pergunta. O que é que nós estamos buscando? Aqueles que constataram – não aqueles que encontraram, mas aqueles que constataram – o fim para esse dilema, para essa confusão, o fim para esse tédio, para esse estado aborrecido de vida, onde você continua vivendo apesar de todas as conquistas no mundo ou conquistas fora do mundo – ainda continua a situação… Aqueles que encontraram, não; aqueles que constataram, neles mesmos, o fim disso, o fim dessa busca por algo lá ou do outro lado, de um lado do rio ou do outro lado do rio… aqueles que constataram Isso nos dão o seu testemunho.

Nós temos Ramana Maharshi nos dando o seu testemunho, nós temos Eckhart Tolle nos dando seu testemunho, nós temos Krishnamurti nos dando seu testemunho, e nós temos inúmeros outros que constataram o fim para isso, o fim da busca. Como é que essa busca termina? Como essa busca termina? Vocês sabem o que estamos dizendo aqui. Alguns de vocês já casaram mais de duas vezes, três vezes… Então, o homem é um desejo, a mulher é um desejo, mas uma casa também, uma casa muito bonita, sonhada, com a mobília dos sonhos. Isso tudo é um desejo! Todos nós sabemos do que estamos falando aqui.

A gente vive trocando de casa, vive trocando também de marido, vive trocando também de mulher, e a gente vai adquirindo, ao longo dos anos, através de um árduo esforço, uma luta, uma forte luta por essas realizações, por uma autodisciplina muito grande… estudar muito, alguns anos de faculdade, depois um diploma de doutorado, depois pós-doutorado, mestrado… Depois de longo trabalho, longa luta, a gente consegue tudo isso e percebe que continua trocando. Então, vamos enfatizar um pouquinho mais isso aqui para a gente ir adiante com você.

Mas há um fim para isso, há um fim para essa busca daquilo que está fora e também há um fim para essa busca daquilo que acreditamos estar dentro. Então, aqueles da ala dos que estão procurando fora dizem que está fora. Parte desse movimento de como reagir à vida, que ainda é psicológico, ainda está fora. Se é algo que depende desse “mim”, desse “eu”, desse “você”, então a ideia é de que algo está fora, é com algo fora que você tem que lidar. E existem aqueles que dizem que é algo dentro, que você vai encontrar algo dentro, e aí você projeta uma imagem de algo dentro: é o Divino, é o Ser Supremo, é o Eu Superior… Então, existem as sombras e a luz. A luz é o Eu Supremo, é o Eu Superior, é o Deus interno, que a gente vem ouvindo falar desde a infância.

Mas tudo isso ainda é parte de uma ideia, é parte ainda de uma crença. E, aí, depois que você se dedica muitos anos, percebe que a coisa não se resolveu. Desejos e conflitos ainda se mantêm. Você realizou um desejo, mas um outro logo a seguir surge. Você tem um marido, mas passa o marido da outra, mais bonito… isso é uma complicação interna para com a qual você lidar, porque, então, você descobre que não era a falta de um marido; aí, a mente diz que é trocar de marido! E, assim, a gente troca de religião, troca de carro, troca de casa, troca de Deus – é porque a gente acredita primeiro em um, depois acredita no outro, e isso não termina.

E o que os Sábios, os Seres Realizados, têm a nos dizer sobre isso? O que é que está faltando? Será que realmente está faltando algo e por isso existe essa busca? Como essa busca termina? Termina quando a gente encontra ou termina quando a gente constata que esse elemento que busca é o problema? É a falta de alguma coisa no mundo material ou no mundo espiritual? É o que está realmente faltando? É a falta de alguma coisa ou é o excesso de alguma coisa, ou é o excesso de algo?

A Verdade está na constatação daquilo que já está agora aqui, não de algo a ser acrescentado ao que está agora aqui. Não é assunto para o que está fora nem para o que está dentro. A Realidade é a Constatação de que essa ilusão, a ilusão da dualidade, é de fato uma ilusão. Encaramos a dualidade como um fato. Sim, é um fato subjetivo, psicológico, mas não é um fato de Realidade. Vamos esclarecer isso.

Nós estamos lidando com o mundo sendo “alguém”, se vendo como “alguém”, se sentindo “alguém”. Então, há essa insatisfação, há essa incompletude, há esse estado de contradição, de conflito, de sofrimento, que nos impele a buscar… “nos impele a buscar” – nós quem? Esse sentido do “eu” em cada um de nós.

Então, é um fato psicológico esse mundo do lado de fora; isso é um fato psicológico. Não é uma Realidade! Não é uma Realidade, mas é um fato psicológico. Precisamos descobrir, como lidar com isso, com esse fato psicológico. Esse fato psicológico é aquilo que sustenta o sofrimento do ser humano, como eu disse agora há pouco: o tédio, esse sentido de rotina, de repetição, de continuidade, alimentando novas expectativas de um futuro melhor, de uma realização melhor, de uma casa melhor, de um de um desejo melhor, de um desejo que vai completar...

Tudo isso ocorre em razão desse fato psicológico, que é uma fraude do ponto de vista da Realidade. Do ponto de vista da Realidade, não existe isso! O fato é… do ponto de vista da Realidade, o fato é: a Vida é o que Ela é, e Ela está completa quando essa condição subjetiva, quando essa condição de fato psicológico, que é essa condição de dualidade, desaparece. Isso é a Verdade! Não adianta citarmos Jesus, Buda… Temos que descobrir isso por nós mesmos, que é essa ilusão do sentido de “alguém” presente lidando com a vida, que irá sustentar continuamente essa busca por algo sempre do lado de fora, para se ver completo. E isso é impossível, porque é da natureza da dualidade o conflito.

Enquanto houver essa dualidade, haverá conflito; enquanto houver o sentido do “eu”, enquanto houver esse “eu”, haverá o outro para ser desejado, haverá outra coisa para ser buscada, haverá a ideia de Deus, que é só uma crença, uma imagem. Não estamos negando a Realidade de Deus, estamos negando a ideia de Deus. A ideia de Deus é um conceito, uma crença. É como olhar para a carta do baralho e dizer: “Aqui está o rei”. Não, não é o rei! Isso é uma figura, uma imagem, uma representação idealística, não é a realidade. Você pode pegar o baralho e encontrar o rei de ouros, o rei de paus – é isso? –, de copas e de espada, mas ali não está o rei. Você olha para um tabuleiro de xadrez e também encontra o rei. Qual é o rei real? Onde está o rei?

Assim representamos Deus ou a Felicidade: como um ideal. Então, não dá para encontrar a Felicidade nem na psicologia positiva, nem no que é entendido lá por “Estado de Flow”. Minha visão sobre o Estado de Flow é completamente diferente. O Estado de Flow é o Natural Estado de Pura Consciência, onde não há, de fato, separação entre Você e a Realidade, mas não é o estado que vem vai, como é proposto pela psicologia positiva; é o Estado Natural, onde o sentido “eu”, do “mim”, o ego, não está mais presente.

Então, nem pela psicologia positiva, nem pela filosofia dos estoicos, no estoicismo. A Realidade da Felicidade não é uma crença, não é uma ideia, não é um conceito. A gente pode falar mais sobre isso. Isso é algo vivencial quando o sentido de dualidade não está mais presente. E o que é necessário para que isso ocorra? O fim do buscador! O fim do buscador é a rendição, a rendição da ilusão de uma identidade presente – isso é rendido, é entregue. Você se rende, você está de verdade em Suas Mãos, você está entregando, você parou de resistir, parou de lutar.

Então, é muito básico isso, é muito simples compreender que a Vida é Onipotente, a Verdade é Onipotente, o Desconhecido, que alguém chama de Deus… eu chamo de “O Desconhecido”; chamaria de “O Sem Nome” e, às vezes, eu chamo de Deus mesmo, mas é o Mais Poderoso! Então, se a Vida lhe mostra que algo está fora, algo tem que ser entregue, algo tem que ser rendido, algo tem que desistir de continuar… e fica essa compreensão em razão desse Nascimento de uma Nova Mente, dessa Inteligência, que tem como base o Autoconhecimento. Aí fica simples compreendemos o que é rendição. Você vai render, você vai entregar, você vai desistir da ilusão desse “mim”, desse “eu”, desse ego.

Então, quando acaba isso, quando isso desaparece, aí Você, em seu Natural Estado de Ser, de Puro Ser, não está mais procurando, nem fora, nem dentro. Esse é o fim do ego, é o fim do “eu”.

Para que essa rendição ocorra, se faz necessária a visão do Autoconhecimento, e Autoconhecimento não é possível se você não se auto-observa. Não adianta continuar buscando! Essa busca tem que terminar, ou você continuará buscando pelo resto da vida! Isso acontece no materialismo e isso acontece no espiritualismo.

Na espiritualidade, as pessoas buscam para o resto da vida e continuam infelizes, continuam sofrendo, continuam sentindo essa incompletude, porque é a presença do ego nelas. Então, não adianta realizar algo na espiritualidade; também não adianta realizar algo no materialismo.

Então, não funciona! Não funciona! Enquanto houver o sentido de separação, seja na espiritualidade, seja na psicologia positiva, seja no estoicismo… enquanto houver o sentido de separação, a ilusão do “eu” estará presente, e a falácia, a mentira, de que algo o fará feliz. Nada o fará feliz! A presença desse “mim” é a ausência da Felicidade. Não adianta você ouvir isso, é necessário olhar, observar, se tornar cônscio disso agora, aqui. Isso é real rendição, isso é a real entrega desse “mim”, desse “eu”, desse ego. OK? É bem isso!

Dezembro de 2022
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terça-feira, 6 de junho de 2023

Joel Goldsmith | Praticando a Presença | Encontro com Deus | Buscar o perdão | Mestre Gualberto

GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast! Mais uma vez o Marcos Gualberto nos deu a oportunidade de estar aqui conosco para responder perguntas, para fazer comentários sobre os trechos de livros do Joel que a gente traz aqui. Gratidão, Marcos, por esta oportunidade!

Para quem não conhece o Marcos Gualberto, ou Mestre Gualberto, eu vou falar rapidamente como eu o conheci. Eu venho numa busca espiritual de muitos anos e, nos últimos anos, focado no estudo do Joel Goldsmith, inclusive fazendo as leituras para o canal. Em meados, na metade do ano passado, algo interno muito forte me fez me afastar, tanto aqui do canal Luz do Despertar, como também dos grupos de estudo. Não entendi o porquê, mas logo depois acabei descobrindo.

O Youtube me sugeriu um vídeo do canal do Mestre Gualberto, que trata exatamente sobre o mesmo tema que o Joel nos traz nos livros – que é esse Despertar da Consciência, a Iluminação Espiritual –, e aí assisti a um vídeo. Algo muito forte me chamou para assistir a outro vídeo e outro vídeo… acabei descobrindo que existiam encontros presenciais e on-line intensivos de final de semana. E como senti algo muito forte ao olhar nos olhos do Mestre Gualberto, acabei participando do encontro intensivo – por curiosidade e, também, para “entender” isso, o que tinha me chamado atenção.

E aí, no decorrer do encontro, eu pude “entender” o que eu senti ao olhar nos olhos do Mestre Gualberto. Porque, ao estar na presença dele, existe algo que está além das palavras, além dos pensamentos, que é um compartilhar de Consciência, onde a gente acaba recebendo esse Estado de Meditação, essa Quietude, esse Silêncio, e é uma verdadeira Graça.

O Mestre Gualberto compartilha no seu canal sobre esse Estado Natural de Ser que ele “atingiu” depois de um longo processo de autoinvestigação, guiado pelo seu Mestre Ramana. E, hoje, ele compartilha conosco e se dispõe a deixar essa Graça infinita fluir. E é pura Graça, é muita gratidão, Mestre, por esse trabalho lindo que “você faz”, porque não existe mais um “você”, não existe mais essa “identidade ilusória”, esse “eu”. E esse é o conteúdo que você nos traz, que é um conteúdo que é para tirar todos os conteúdos, para a gente realmente poder ir além das crenças, além dos pensamentos.

E, partindo para o videocast de hoje, eu quero trazer um trecho do livro do Joel “Praticando a Presença”, onde o Joel nos traz a seguinte frase: “Aquele que se volta para dentro de si em busca da luz interior, da graça, da compreensão e do perdão nunca falha em suas orações”. Somado a isso, Mestre, eu quero ler um comentário da Maria do Socorro da Silva, em que ela traz como sugestão que o Mestre Gualberto fale sobre o perdão. Ela comenta que o perdão traz muito sofrimento, pois é algo muito difícil, e ela agradece. Então, te passo a palavra, Mestre!

MG: Ok. Então, vamos lá! Aqui são dois assuntos: um é o assunto da busca, dessa busca interior, de se voltar para dentro nessa busca; e o outro é a questão do perdão. Vamos nos aproximar disso dessa forma… A pergunta que eu quero lhe fazer é a seguinte: você é um buscador? Se você é um buscador, quem em você é aquele que está dentro desse processo da busca? É muito simples a resposta. A resposta é: “eu”. É esse “eu” que está dentro dessa procura, ou dessa busca.

Isso pode parecer bem razoável, porque essa inquietude, essa contradição interna, esse formato de sofrimento, de vida, onde existe sempre a falta de alguma coisa, nos coloca dentro dessa assim chamada “busca” ou “procura”. E, aqui, o Joel se refere a essa busca e a esse “se voltar para dentro”. Mas continuo perguntando: quem é esse que está nessa busca? É aquele que está aflito, é aquele que está em sofrimento, é aquele que está se sentindo inquieto, insatisfeito. Então, ele está numa busca, ele está numa procura.

Vamos nos aproximar disso. Esse “eu”, em sua inquietude, em sua procura, projeta algo que seja o fim dessa inquietude, o fim desse conflito, o fim desse sofrimento, nesse encontro com Deus. Mas esse “Deus” que ele idealiza ainda está dentro dessa sua busca, dentro desse seu conceito de quem é Deus e do que Deus irá representar quando essa busca se concretizar.

Aqui, nós temos que ter um modo de olhar para essa questão da busca de uma forma diferente. Essa busca é uma ideia, é uma projeção, é uma ideação nossa. Nós estamos na procura de algo e, nessa procura de algo, nós colocamos presentes uma disciplina e um formato de caminho para seguirmos, para, no final desse caminho, no final dessa disciplina, assim realizarmos o fim dessa busca, que aqui, no caso, é esse encontro com Deus.

Aqui, eu tenho uma notícia para lhe dar: a Realidade de Deus, a Verdade Divina, é algo que já está presente, e essa procura é uma procura que nós idealizamos dentro dos nossos parâmetros, dentro do nosso próprio modelo do que seria Deus e do que seria esse encontro. Aqueles que realizaram a Verdade do seu próprio Ser estão sempre nos dizendo que essa Verdade é algo presente. Se é algo presente, todo esse formato de busca, todo esse caminho engendrado por nós mesmos dentro dessa procura, é algo completamente inútil. Isso termina nos colocando num movimento constante, na verdade; não de aproximação, e sim de afastamento, uma vez que a Verdade de Deus é algo que já está presente. Então, do que de fato nós precisamos para realizar essa busca?

É bem paradoxal o que eu vou dizer, mas o que nós precisamos para realizar o final dessa busca é deixarmos a busca e adentrarmos à investigação da Verdade que já está presente. Então, eu diria que a real busca tem início quando a ilusória busca termina. Essa ilusória busca é a busca desse “eu” por algo que ele idealiza, que ele projeta e que ele tem como sendo Deus. Notem: isso é parte de ideias nossas, é parte de crenças nossas! Olhar para a Verdade do seu Ser… Aqui, o Joel usa a expressão “ir para dentro” – é evidente que é uma linguagem figurada isso. Dentro daquilo que temos colocado, dentro desses encontros, é se tornar ciente de si mesmo agora, aqui. Isso é se aproximar de si mesmo, isso é olhar para dentro.

A Verdade de Deus, a Verdade do seu Ser, já está presente. Tudo realmente que você precisa é descartar a ilusão desse “eu” nessa busca, nessa procura. Se queremos ter um encontro com Deus, precisamos primeiro ter ciência de que a Verdade é Aquilo que já está aqui, e podemos ter ciência disso por uma aproximação direta dentro dessa auto-observação. Quando nós observamos o movimento do “eu”, nos tornamos cientes do conflito, da contradição, dos problemas que ele cria. E esse “eu” não é a Verdade sobre o seu Ser, é aquilo que se passa por Você aqui e agora, neste momento, ocupando esse Lugar, que é o Lugar de Deus. Então, a Verdade de Deus é algo presente. Tudo que você precisa é se tornar ciente da ilusão desse “eu” com o qual você se confunde.

Então, a verdadeira busca de Deus é o fim de qualquer busca idealizada pelo pensamento. Eu sempre tenho falado da importância dessa Constatação da Realidade de Deus. Não se trata de uma busca, não se trata de uma procura, não se trata de se projetar no tempo para realizar Isso em algum momento, e sim de tomar ciência d’Isso que já está aqui e agora. Através de um trabalho de Autoconhecimento Verdadeiro e de aproximação pela investigação desse ilusório “eu”, se torna possível esse Verdadeiro Autoconhecimento. É quando a mente e o coração se aquietam e a ilusão pode ser vista; e a ilusão é esse falso “eu”. Quando esse falso “eu”, que se passa por Você, por sua Realidade Divina, é descartado, a Realidade de Deus está presente.

Uma outra coisa interessante ligada a essa questão desse encontro – na verdade, dessa Constatação de Deus; não desse encontro no final de uma busca, mas sim dessa Constatação de Deus aqui e agora, nesse descarte do “eu” – é essa questão do perdão. Nós temos uma noção muito equivocada sobre quem nós somos, sobre quem é o outro e sobre quem é Deus. Então, o sentido de um “eu” presente tem a psicológica necessidade de perdoar o outro que o ofendeu.

Primeiro, ele se ofende e, depois, ele perdoa. Ele perdoa para ele se sentir bem com ele mesmo. Até porque, se ele tem um fundamento de vida religiosa, ele descobriu que precisa perdoar. Só que nós nunca nos perguntamos: quem é esse que perdoa quem? É o sentido de um “eu” presente que está magoado, ofendido, ferido, que teve a sua autoimagem tocada por ofensas verbais ou por algum tipo de ação violenta da parte do outro; é esse “mim”, esse “eu”, esse ego, que se propõe a perdoar para se sentir bem com ele mesmo e para ter uma imagem dele próprio recuperada.

Então, é sempre o sentido de um “eu” presente nessa ideia do perdão. Um “eu” que se ofende, um “eu” ferido, um “eu” magoado. Isso porque nós não sabemos quem somos, nem sabemos quem o outro é, nem sabemos da Realidade de Deus. A verdade é que quando o sentido de um “eu” não está presente, não existe um “outro” para ser ofendido ou para nos ofender; um “outro” para ser nosso inimigo ou para ser nosso amigo. Aquilo que está presente é a Realidade de Deus, que é o nosso próprio Ser, que foi constatada nesse encontro; não nessa busca de longos anos, mas nesse encontro, pela auto-observação, no Autoconhecimento, nesse contato real com a Verdadeira Meditação.

Essa Realidade de Deus constatada aqui é a Realidade do outro, é a Realidade de Deus. Então, quem fica para perdoar quem? Quem fica para se ofender, para se magoar? Então, eu quero convidá-lo a descobrir a Verdade de Deus aqui e agora, n’Aquilo que é Você. Isso é possível quando não há mais o buscador, o sentido de “alguém” no tempo procurando algo chamado “Deus”. O final desse sentido do “eu” é esse encontro. Nesse encontro, não existe mais “alguém” agora presente, para ficar ofendido com o “outro” e para sofrer com o “outro”, porque não há mais o “outro”.

A verdade, Gilson, é que existe, sim, essa possibilidade muito real de vivermos a Realidade da Consciência. Nessa Realidade da Consciência, que é a Verdade do Cristo, não fica amigos nem inimigos; não fica o perdão sete vezes nem setenta vezes sete. Aquilo que fica presente é a Verdade de “eu e o Pai somos um”. Quando há essa Realidade de “eu e o Pai somos um”, que é essa a Verdade dessa Consciência, que é o Pai – porque se o Pai está, não tem esse “eu”, e se o Pai está, não tem ninguém a quem perdoar –, Isso é a presença do Amor.

As pessoas usam a expressão “amor” sem compreender o que essa expressão significa, usam a expressão “perdão” sem compreender que, nessa expressão, tem “alguém” para perdoar. Quando há Amor, não existe o outro para você se dar a ele, para você se doar a ele. Há uma só Realidade presente, que é a Realidade de Deus. Essa Realidade de Deus não tem uma imagem para ficar magoada, ofendida, ferida, para sofrer agravos, para guardar imagens, lembranças, para se sentir angustiada, triste, com raiva do outro. Então, aquilo que está presente, quando o Amor está presente, é Amor.

O Amor, a única coisa que faz é dar a Si mesmo. Então, nesse sentido, o Real Perdão é o fim da ilusão de alguém para perdoar alguém. Então, vamos substituir a palavra “perdão” pela palavra “Amor”, e essa palavra “amor” pela palavra “Presença”, “Consciência”. Então, estamos diante da Realidade de Deus, que não tem inimigos, que não tem amigos, que não tem quem possa feri-Lo, ofendê-Lo, magoá-Lo. Isso é típico desse “eu”, desse “ego”. É ele que vive dentro desse modelo de ser ferido, magoado, ter raiva, guardar tudo aquilo e depois tentar se livrar de tudo aquilo para se sentir bem com ele mesmo. Sobretudo se ele tem por base ensinamentos religiosos, princípios dentro da religião.

A Verdadeira Religião, ou a verdadeira União com o Divino, é o fim do ego. Isso é Amor, Isso é Real Perdão, sem “alguém”; Isso é Real Compaixão, sem “alguém”; Isso é Real Bondade, sem “alguém”. Isso soa muito estranho para alguns de nós, mas, de fato, sem o ego os problemas desaparecem, o sofredor desaparece, o amigo e o inimigo desaparecem, aquele ofendido e o ofensor também desaparecem. Aquilo que temos presente é Deus, e Deus é a única Realidade do Amor. É isso!

GC: Olha, Mestre… são sem palavras, são revolucionárias, são indescritíveis essas falas do Mestre, esse Estado de Presença. Eu venho já acompanhando o Mestre há muitos meses e, no começo, eu nem percebia o quanto as falas do Mestre são completamente fora do tempo, fora de qualquer ideia de dualidade. E quanto mais eu me aproximo e estou contigo, eu vejo como é muito mais do que um conceito, esse conceito de não dualidade, ou esse conceito de “apenas Consciência”. E aí eu vejo quanto são extraordinárias, quanto são revolucionárias todas essas falas.

E claro que, para esta identidade presente, para este “eu” humano Gilson, este ego, afim da busca… ou seja, não tem nada a buscar, não tem nada a atingir. Esse que quer atingir, esse que quer alcançar – inclusive, “alcançar” a Realização de Deus ou a Iluminação Espiritual – é uma fraude! Como o Mestre bem disse: é alguém no tempo, uma identidade querendo se tornar algo, e o caminho não é esse. É só ver essa falsidade, não é, Mestre?

MG: Sim! Não há nada como alguém para se tornar alguma coisa, muito menos Deus! Esse “alguém” é uma ideia, é um conceito, é uma crença, é uma ilusão. É esse “alguém” que está assentado numa autoimagem – essa imagem produzida pelo pensamento, sustentada pelo pensamento – e tudo o que envolve essa autoimagem construída no tempo, na história, para esta suposta identidade.

Esse “eu” é uma suposta identidade presente! Esse “eu” está à procura de quê? De Deus. Esse “eu” está à procura de quê? Do perdão. Ele quer perdoar, ele quer amar, ele quer… só que ele não é real! Aqui, temos que partir de um princípio real, e o princípio real é: só há Deus! Nessa Realidade de que só há Deus, não há o “eu” que se separa como amigo, inimigo, que se separa como ofensor e ofendido, que separa como o santo e o profano, aquele que está em Deus e aquele que está fora de Deus… não há nada, absolutamente nada como isso.

Esse sentido do “eu” presente é uma fraude, é uma ilusão, é um conceito com o qual o “eu”, que é esse conjunto de imagens, tem se estabelecido no tempo. Então, esse “eu”, que é esse conjunto de imagens que acreditamos ser, que usa esse pronome “eu”, é aquele que está vindo do passado, está aqui no presente e caminhando para o futuro. E, nesse movimento, ele quer se tornar, ele quer realizar, ele quer chegar a algum lugar, e o lugar supremo para o “eu” ainda é a Iluminação Espiritual.

A verdade é que o Despertar da Consciência, ou a Iluminação Espiritual ou a Realização de Deus é a Verdade quando o “eu” não está. E quando Isso está presente, que é o “não eu”, não fica esse tempo psicológico, esse “se tornar alguém”, esse “perdoar alguém” ou esse “buscar o perdão”. Tudo isso desaparece quando a Realidade do seu Ser floresce! Essa Realidade é a Não Separação, a Não Dualidade. Não é um conceito, não é uma ideia, é um fato! É um fato, estamos lidando com um fato: a verdade de que está tudo dentro dessa Realidade Divina. E todos os aspectos aparentemente fora d’Isso estão dentro de um sonho, que é o sonho que essa própria ilusória identidade está produzindo, sendo ela o sonhador de tudo isso: alguém para amar, alguém para perdoar, alguém como amigo, alguém como inimigo, alguém bom, alguém mau, alguém nascendo, alguém envelhecendo, alguém morrendo… Tudo isso está dentro desse aspecto dessa mente ilusória, dentro desse sonho – eu tenho chamado de “sonho de mundo” –, para esse sonhador, que, de fato, não existe. É isso! Eu sei que é bem estranho…

GC: Mestre, a gente até comentou em alguns videocasts anteriores sobre a questão da crença. Porque esses conceitos “só há Deus”, “eu sou uma ilusão”… o próprio ego, como o Mestre falou naquele videocast, o ego toma posse desses conceitos, por exemplo: “só há Deus”, “eu sei que tudo é Deus”, e ele fica repetindo esse conceito… e, novamente, ele fica nessa pegadinha, se agarrando ao conceito, em vez de investigar quem é que está repetindo isso, quem é que está falando isso, ou mentalizando isso. E acaba esse falso “eu”, essa falsa identidade, se perpetuando, agarrado em crenças. Por exemplo, uma crença – que não é um fato, porque ele não experiencia isso, mas ele tem a crença – é “só há Deus, a Não Dualidade”, “o que existe é a Unidade”… e não investiga.

MG: Agora você tocou num ponto importante. Falta um experimentar direto d’Isso. É necessário experienciar diretamente a Verdade de que a Realidade é Deus. Então, Isso é um fato! Vivenciar a Realidade de que não há o “eu” já é suficiente! Porque, se você se torna ciente do movimento do “eu”, totalmente cônscio dele, aqui e agora – e isso tem que ser feito aqui e agora – isso é experimental, isso é vivencial! Isso é experienciar diretamente que não há o “eu”. É quando você pode se tornar ciente de que só há Deus. Porque se o sentido do próprio “eu” desaparece, o “outro” também desaparece, o mundo como ele é visto desaparece.

Então, esse olhar que fica aí é o olhar de Deus para Deus. Esse ouvir que fica é o ouvir de Deus para Deus. Isso soa estranho demais, mas é literal! Só tem Deus presente, inclusive nesse corpo-mente, nesse sonho de mundo! Porque agora – Deus presente – isso é um sonho d’Ele! Não é o sonho da ilusão de um “eu” vendo coisas fora do lugar, e tentando consertar as coisas, e tentando amar, e tentando servir, e tentando perdoar, e tentando isso, e tentando aquilo, e tentando também encontrar Deus. Tudo isso desaparece quando Deus é a única Realidade aqui e agora, nesse ouvir, nesse falar, nesse olhar, nesse sentir. E ele certamente não carrega esse peso de um “eu” com uma imagem produzida pelo pensamento para ficar ofendido, magoado e para estar ainda num processo de procura de alguma coisa fora de si mesmo. É isso!

GC: Mestre, já está chegando o final do nosso tempo. Agradeço mais uma vez pela sua disponibilidade de estar aqui conosco. Para vocês que vêm acompanhando os encontros, temos a playlist com os outros encontros. Também pedimos para ajudar o canal dando um “like”. Para quem ainda não é inscrito, tanto no canal Luz Despertar como no canal do Mestre Gualberto, se inscreva para receber as notificações dos vídeos que vão sendo postados diariamente. E também façam comentários. O comentário ajuda o próprio algoritmo do Youtube a reconhecer que o conteúdo é relevante. E também fazendo perguntas, e aí a gente vai trazendo aqui para os próximos videocasts. Gratidão, Mestre! Gratidão!

MG: Ok, Gilson. Valeu pelo encontro! Tchau, pessoal! Até a próxima.

Abril de 2023
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quinta-feira, 1 de junho de 2023

Como praticar Atenção Plena | O ego é o seu inimigo? | Vedanta Ser Consciência Felicidade

“O ego é o seu inimigo”. Olhem que coisa curiosa… Isso é uma crença muito comum. Nós não investigamos isso, nós não constatamos por nós mesmos, nós não sabemos de uma forma direta, nós não vivenciamos isso, mas temos essa crença, temos essa conclusão. Afinal, o que é o ego?

As pessoas dizem: “O ego é o inimigo, o ego é o seu inimigo”. O que é o ego? Nunca entramos em contato direto com isso, nunca nos aproximamos diretamente do ego. Nós não sabemos o que é o ego; nós temos ideias, crenças sobre o ego. Nós não percebemos que, na realidade, tudo aquilo que expressamos como pensamento, sentimento, emoção e sensação está presente nesse corpo-mente em razão desse conceito, dessa crença: a crença em uma identidade presente.

Essa identidade se expressa. Nós é que estamos dando a essa identidade, a essa identidade egoica, a esse “eu”, a esse “mim” esse poder de expressão. Quando nós investigamos profundamente isso, olhamos para aquilo que somos agora e aqui, percebemos que essa identidade é aquela que se separa da experiência, se separa do pensamento, do sentimento, da emoção, para controlar isso.

Então, sim, o sentido do “eu”, do ego, é o inimigo. Se isso pode ser visto, isso pode ser descartado, então não há qualquer inimigo. O ser humano passa pela vida identificado com o sentido de uma identidade. Essa identificação com o pensamento, com o sentimento, com a emoção, com a sensação, com a percepção, nas relações com o outro, com o mundo, com a vida, se constitui uma ilusão, mas uma ilusão na qual nós temos assentado nossa vida, nossa existência, e isso se constitui, sim, contradição, conflito e sofrimento. É apenas nesse sentido que o ego é o inimigo.

Há em nós uma dualidade, o desejo de vir a ser algo diferente do que somos aqui e agora. O que quer que esteja se mostrando aqui e agora… Existe esse desejo, essa motivação, esse sentimento oculto para resistir a isso, para lutar contra isso que se mostra aqui e agora. Então, há essa dualidade interna.

Então, o sentido do ego é o sentido de uma identidade presente no viver, no falar, no ouvir, no sentir, na emoção, na sensação, no sentimento, e, enquanto essa dualidade permanecer, o sofrimento irá permanecer. O sofrimento se estabelece enquanto aquele que sofre está presente; é o sofredor que sustenta o sofrimento, é o pensador que sustenta o pensamento, é o raivoso que sustenta a raiva, é o medroso que sustenta o medo.

Essa não é a Verdade sobre o seu Ser, que é Consciência, que é Felicidade. Isso é direto da Vedanta. A sua Natureza Verdadeira é Ser-Consciência-Felicidade. O ser humano não vive assim porque ele não sabe o que é a Vida. O que nós chamamos de vida é esse contato que temos como pessoas, que acreditamos ser, com o mundo à nossa volta. O que chamamos de vida é a ilusão de um pensador presente, de um fazedor presente, desse “alguém” nesse sentir, nesse pensar, nesse falar, nesse agir – a isso nós chamamos de vida. Chamamos de vida essa relação desse “eu” com o meu: “eu e a minha casa”, “eu e os meus negócios”, “eu e os meus sonhos”, “eu e os meus desejos”, “eu e as minhas expectativas”, “eu e as minhas frustrações, minhas decepções”, “eu e os meus desejos”, “eu e os meus medos” – a isso nós chamamos de vida.

O sentido de “alguém” presente nessa experiência é, basicamente, sofrimento – a isso nós chamamos de vida. Não sabemos o que é a Vida. Nossa aproximação é com base nesse elemento da experiência, conhecimento, memória, recordação, ação, posicionamentos… todos eles assentados na ilusão de uma identidade presente, que é o ego, que é o “eu”.

Não há uma identidade presente agora e aqui. Aquilo que formula a existência, que estabelece a existência dessa identidade é o equívoco, é a ilusão sobre quem – ou sobre o que –, na verdade, nós somos. A Verdade sobre o que nós somos, nós não temos; sobre quem de verdade somos, nós não temos.

A autoinquirição, que Ramana Maharshi chamava de Atma Vichara, é a aproximação desse “Atma”, desse “eu”. A direta observação desse movimento do “eu” é Atma Vichara. Trazer consciência para esse momento presente é descartar essa identidade que é o “eu”. Esse “eu” é o estado de inconsciência coletiva. O ser humano… ou ele está nessa inconsciência de uma forma superficial, ou de uma forma profunda.

Então, há essa inconsciência superficial e há essa inconsciência profunda. Essa inconsciência superficial é essa inconsciência que experimentamos no dia a dia. Essa inconsciência de falar, pensar, sentir, fazer, se relacionar, sem a percepção da Realidade de que não tem esse “eu” presente – essa é a inconsciência superficial. E há uma inconsciência mais profunda, mais aguda, é aquela que se apresenta em nós com quadros de sofrimento, apegos, desejos, medos. Esses medos têm diversos nomes: ansiedade, depressão, fobias...

Então, vivemos de uma forma inconsciente quando há essa identificação com o sentido do “eu” presente. Esse sentido do “eu” presente está em razão dessa inconsciência. Quando trazemos consciência para esse momento presente – e isso é possível quando há autoinquirição, autoinvestigação, uma aproximação de si mesmo através dessa Atenção, essa Plena Atenção, essa Atenção Plena sobre esse sentir, pensar, agir, ouvir, falar… Colocar Atenção neste momento, para aquilo que somos aqui e agora.

Como colocar em prática? Como praticar Atenção Plena? Notem, Atenção Plena é Presença de Consciência. Isso não é algo mecânico, não é algo técnico, não é algo habitual. Tudo aquilo que é habitual, técnico e mecânico é parte da inconsciência. Quando falamos de Atenção Plena, estamos falando em trazer luz sobre esse movimento do “eu” agora, aqui, neste instante.

Então, como praticar Atenção Plena? Eu diria que a Atenção Plena é, na prática, agora aqui. É aquilo que está presente quando há esse observar. Tudo o que você precisa é de interesse profundo, genuíno, verdadeiro interesse em se compreender, em se ver neste momento. E, quando isso é visto, esse “inimigo” desaparece, porque essa separação, que é o “eu” na experiência desaparece; e, quando isso desaparece, a experiência também desaparece.

O que eu estou dizendo é que, se há medo, é porque existe “alguém”. O medo não aparece sem estar em uma relação com o “eu”. O medo está sempre relacionado com alguma coisa. “Eu tenho medo do que pensam de mim” – então, tem esse “mim”, que é uma história, uma narrativa na cabeça das pessoas, e esse “eu”, o que as pessoas imaginam de “mim”, que é esse “eu”. Então, o “eu” e o medo, “eu” e a experiência, que é, aparentemente, a razão, a causa do medo.

Medo… “Eu ser abandonado”, “eu não ser aceito”, “eu não ser amado”, “eu ser rejeitado”, “eu e alguém falando mal de mim”... Essa relação de dualidade está presente sempre; é sempre o “eu” e o medo.

Então, a experiência do medo desaparece quando o experimentador do medo desaparece. Então, se “eu” desapareço, o medo, como uma experiência, desaparece. Não há nenhuma experiência sem o experimentador, assim como não há nenhum pensamento sem o pensador.

Agora, olha que coisa interessante: a ideia é que eu estou produzindo o pensamento e, aqui, eu estou dizendo que o pensamento… é ele mesmo que se separa para ser o pensador. Então, nós temos o pensamento e o pensador. Quando você tem um pensamento em sua cabeça, não há um pensador; é só um pensamento. Se você não colocar esse pensador, que é aquele que quer fazer algo contra esse pensamento ou a favor dele… se você não colocar esse pensador, esse pensamento desaparece. Todos os pensamentos funcionam assim: eles aparecem e desaparecem.

Notem que todos os pensamentos que ficam grudados em você, agarrados em você, é porque existe uma resistência interna de uma identidade lutando contra aquilo ou apreciando e agarrando aquele pensamento. Então, você dá uma identidade a essa experiência, que é o pensamento, quando você rejeita o pensamento ou quando você se identifica com o pensamento, mas é o próprio pensamento que está criando essa identidade. Isso precisa ser visto. Quando você observa isso, nessa Atenção Plena, isso desaparece.

As pessoas querem romper com esse padrão de inquietude psicológica, de tagarelice mental. Os pensamentos são obsessivos, eles são repetitivos, eles são negativos, eles produzem, trazem junto com eles, sentimentos, emoções, lembranças… e as pessoas querem se ver livres disso. Mas elas não compreendem que resistir a isso, lutar contra isso, tentar fazer algo, só fortalece esse modelo, essa condição, porque isso dá uma identidade a essa experiência.

Estamos juntos aqui?

Pode parecer um pouco estranho isso. Talvez você esteja ouvindo isso pela primeira vez. Você tem que assistir mais! Assista novamente a essa fala, a esse vídeo. Nós temos aqui em nosso canal uma playlist sobre a Real Meditação; é a Meditação correta, a forma real de nos aproximarmos de nós mesmos.

Então, quando você se aproxima pela autoinquirição e pela auto-observação, por essa Real Meditação, que é ter acesso a isso através dessa Plena Atenção, você quebra esse modelo. Então, essa experiência do medo se desfaz, porque não há mais esse “eu”, não há mais essa dualidade. Essa experiência do pensamento, nesse formato acelerado, obsessivo, tagarela, inquieto, se desfaz, porque não há mais uma identidade presente.

Então, esse contato consigo mesmo, com a verdade desse “mim”, desse “eu”, sem lutar, sem resistir, sem se confundir, apenas observar cada pensamento que surge, cada sentimento que surge, cada emoção, cada experiência que surge, sem colocar uma identidade presente nisso, apenas observar… isso desfaz por completo esse modelo de identificação egoica, de inconsciência. Então, há um fim para essa inconsciência superficial ou para essa inconsciência mais profunda, essa que se apresenta com esses quadros de infelicidade, ansiedade, depressão, medo, fobias… e tudo mais se desfaz, porque todo esse conteúdo da consciência egoica está sendo visto.

Aquilo que está mais consciente e inconsciente está sendo percebido nessa Atenção Plena, sem uma identidade presente. Isso é Real Meditação, isso é Real Constatação da Verdade do seu Ser, Consciência e Felicidade. Então, não existe esse “inimigo”, esse “mim”, esse “eu”, esse ego.

Esse é o trabalho que estamos fazendo aqui juntos, dentro desse canal: lhe apresentando a oportunidade de ir além do ego, além desse “mim”, desse “eu”, ir além desse “inimigo”, além desse sentido egoico. A Realização d’Isso é a Realização de Deus, a Realização da Verdade sobre Você, sobre quem é Você. Isso é possível aqui e agora.

Portanto, esse é o assunto aqui em nosso canal. Se isso é algo que faz sentido para você, deixa aí o seu “like”, se inscreve no canal… Quero lembrar: nós temos encontros on-line e, também, encontros presenciais e, também, retiros, onde podemos trabalhar isso juntos. OK?

Aqui fica o convite e até o próximo encontro.

Dezembro de 2022
Gravatá-PE
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