quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Florescer da Kundalini. Presença Divina. Kundalini e Consciência. Real Meditação. Mestre Gualberto.

Muito bem! Aqui, o ponto está nesse Despertar Espiritual. O Despertar Espiritual é o Reconhecimento da sua Natureza Verdadeira, da sua Identidade Real. A ilusão é essa ignorância, a ignorância sobre quem verdadeiramente Você é.

Eu quero falar com você sobre esse Potencial para esse Despertar Espiritual. O Potencial é aquilo que está como que adormecido dentro de você. A ilusão reside nessa ignorância sobre quem Você é e no fato desse Potencial não se manifestar, não se apresentar. Esse Potencial é aquilo que alguns chamam de Kundalini.

Para a sua informação, a palavra Kundalini significa “enrolado como uma serpente”. É apenas isso, algo enrolado como uma serpente, a aparência de uma serpente enrolada – esse é o significado da palavra Kundalini. Esse Potencial Divino é algo presente aí, mas está como que adormecido, dormindo. Então, essa Energia, esse Potencial Divino dentro de você, está parecido com uma serpente toda enrolada, adormecida.

Nesse organismo, nesse corpo-mente, nesse mecanismo biológico, aí está este Poder, esta Energia, este Potencial Divino. Enquanto a ignorância se mantém, a ilusão se mantém, e essa “serpente” continua enrolada. Ela não se desenrola, ela não Despertou.

Então o que é, basicamente, Kundalini? Kundalini é essa Energia de Presença Divina em estado potencial, em estado adormecido. É interessante que você compreenda que, quando nos referimos à Kundalini, estamos nos referindo à Consciência, ao próprio Poder da Consciência, ao próprio Poder Divino que reside em Você, que mora em Você, que, na verdade, é Você!

A linguagem humana tem essa facilidade ou essa habilidade de dizer a mesma coisa usando palavras diferentes. Ramana diz que Kundalini é Consciência, e Consciência é esse Poder que, também, na Índia, é chamado de Shakti. Esse Poder é chamado Shakti. Assim, Kundalini, Consciência e Shakti se referem à mesma coisa: esse Potencial Divino em Você.

Eu tenho falado com vocês sobre a importância da Meditação. A Meditação é a chave que abre essa porta, destrava esse cadeado, abre esse segredo para você.

A base da sua Liberação nessa vida está no Despertar dessa Energia. Alguns chamam de “ativação dessa Energia” esse desenrolar dessa “serpente”, desse Potencial aí no corpo. A minha fala sobre Meditação com você é porque eu quero lhe mostrar que a única possibilidade para irmos além dessa condição de ilusão, de ignorância, é quando acontece uma mudança, é acontecendo uma mudança nesse organismo, nesse mecanismo. Então, é necessária uma mudança nesse corpo-mente para que você, em seu Estado Divino, em seu Estado Natural possa viver a Verdade que você nasceu para viver.

Eu estou falando de um Poder, que alguns chamam de Kundalini ou de Shakti Divina ou de Consciência, que está presente em tudo, em toda parte! Quando falamos do Universo, de toda a Manifestação, estamos falando desta Presença, desta Consciência, desta Shakti, estamos falando desse mesmo Poder. Esta Presença, que é Consciência, se desdobra nessa Manifestação e assume aquilo que a gente pode chamar por nomes e ter a percepção sensorial como formas. Quando você olha para aquele objeto chamado árvore, você deu um nome e ali você tem uma forma, mas a Verdade dessa árvore é a Verdade dessa Consciência.

É nesse sentido que Ramana diz que esta Presença Divina, que é a Consciência, que é Kundalini, está dentro do corpo humano e também fora dele. Então, esta Presença, que é Consciência, está em toda parte! Em uma árvore você tem essa Presença Divina, em um pássaro você tem essa presença Divina.

Desde pequenos, nós ouvimos expressões como “Deus está em toda parte”, mas ninguém nunca aprofundou isso para nós, e, basicamente, a visão do Sábio, do Ser Realizado, é que só há Deus!

Não é que Deus está em toda parte; na visão do Sábio, toda parte está em Deus, e as “não partes” também. Só há Deus! E essa Presença Divina está naquela árvore, está naquele pássaro pousado naquela árvore, está naquela nuvem de fundo, naquela paisagem, por detrás daquela árvore… aquela nuvem flutuando no céu por detrás daquela montanha, que também está detrás daquela árvore.

Então, diante de todo esse cenário, tudo o que você tem é essa Presença da Consciência, é essa Presença Divina, é esse Potencial Divino, é a Shakti Divina, o Poder Divino. O ser humano, diferente de uma árvore, carrega a condição psicofísica para se tornar cônscio deste Poder, desta Presença, desta Consciência. É isso que tem sido chamado de Iluminação Espiritual, o Despertar Espiritual, o Despertar da Consciência.

O ser humano carrega no seu corpo, nesse mecanismo, diferente de uma árvore, ele carrega dentro desse organismo, desse mecanismo, o Potencial de Realizar Deus nessa vida, de Realizar a Verdade nessa vida. Falando de uma forma diferente: de reconhecer esse Potencial Divino de uma forma atualizada aqui e agora. Isso é chamado de Liberação, Moksha, na Índia – a Liberação em vida, Você em seu Estado Divino, Você em seu Estado Natural.

Aqui, nós temos o Florescer desta Consciência, temos o Florescer da Kundalini, desse Potencial Divino. O que eu estou dizendo aqui dentro desta fala para vocês é que quando você vê uma cadeia de montanhas, ali está essa Consciência. Essa Presença está em toda parte, este Potencial Divino está em toda parte: está nos mares, nos desertos, nas montanhas, nos vales, nas florestas, nas matas… tudo é esta Presença, tudo é esta Consciência, tudo é esta Manifestação, tudo é esta Shakti Divina.

Então, Ramana diz “Kundalini, que é Consciência, está dentro e fora”, mas você, como ser humano, tem a capacidade, diferente de uma cadeia de montanhas, diferente dos desertos, dos mares, dos vales, você tem a possibilidade de, nessa vida, se tornar cônscio da Realidade do seu Ser, cônscio da Realidade de sua Natureza Essencial – Isso é Liberação!

É evidente que estamos falando de uma qualidade de Ser completamente diferente do ser humano na sua condição ordinária de vida. O ser humano carrega um intelecto muito avançado, comparado à capacidade intelectual, de lógica e… enfim, comparado aos animais, o homem se diferencia em muito de toda essa capacidade do animal para interagir com o seu meio ambiente, de uma forma racional, lógica, intelectual.

Mas esse Potencial Divino presente no homem – eu falo dessa Shakti, desse Poder, dessa Consciência – é o mesmo presente num pássaro… é o mesmo presente num pássaro. E quando você olha para um pássaro… você tem na natureza, em toda a Existência, a presença já natural desse Silêncio, enquanto você olha para o ser humano e percebe que a condição do ser humano, apesar de toda essa sua intelectualidade ou capacidade cognitiva, de lógica e de razão, etc., ele está em conflito, ele está em sofrimento, ele está vivendo em um estado de quase que completa insanidade. Na realidade, a base da existência dessa assim chamada “consciência humana”, nessa ilusão, nessa ignorância, é de insanidade.

O Despertar de sua Natureza Divina, o Florescer da Kundalini, é o Despertar desse Silêncio, desse mesmo Silêncio presente na natureza. Eu tenho falado sobre Meditação, e tudo o que eu disse até agora foi para colocar para você aqui a importância da Meditação. Essa mesma Presença de Silêncio em toda a natureza é algo tão impactante algumas vezes que você, às vezes, está em um determinado lugar e, impactado pelas montanhas, impactado diante do mar, ou quando o seu olhar se dirige para o céu e vê uma nuvem flutuando, diante de um céu azul, limpo, no fundo… o impacto desse Silêncio, desse Poder Divino, dessa Presença Divina tão natural em toda a Existência, em toda a natureza, às vezes é tão impactante que o sentido do ego, por alguns segundos, desaparece, e há como que uma voz silenciosa dentro de você e diz: “Uau!”. O sentido egoico se vai.

E eu tenho dito que a base de uma Real Meditação é a ausência do sentido egoico, a real ausência do sentido egoico aqui e agora. Não se trata de uma prática determinada, específica, técnica, para se obter Isso. E quando você está diante desse cenário, dessa paisagem desse momento, você está naturalmente em estado de Meditação, sem qualquer esforço, sem qualquer técnica, sem qualquer prática. Então, isso é aquilo que eu tenho chamado de Meditação Real, Guiada Meditação Real, e aqui guiada pelo Poder dessa própria Consciência que está em toda parte.

Você olha para um pássaro pousado num galho e, de repente, a sua mente vai embora, a pessoa vai embora. E aquele pássaro não está cantando um mantra para você, nem está lhe dando um exemplo de uma posição de ássana, não está lhe dando uma técnica de respiração, ele apenas está ali pousado naquele galho, e o seu olhar se dirige e a mente egoica desaparece. Por quê?

Porque você está diante da própria Shakti Divina, do próprio Poder Divino, você está diante da própria Consciência, que é a Kundalini. E ela, naquele momento, se move, ela tem um pequeno movimento, mas é suficiente para todo o sentido egoico desaparecer.

Aqui, nesse trabalho, quando eu falo para você da importância da Meditação, eu estou falando da importância de Ser, e repare: isso é natural. Você não precisa de uma escola para aprender a meditar. As crianças sabem do que eu estou falando. Você um dia foi criança e lembra que foi assim quando era criança. Você agora já é adulto, já é um senhor, uma senhora, e você tem a mesma vivência, nesse sentido, de qualquer um outro, sem qualquer aprendizado, porque isso é inato. O seu contato com a Realidade Divina, que é o seu Ser, é algo inato, já está aí. Então, Meditação é você já, aqui e agora, em seu Ser, em seu Natural Estado de Ser.

Não se pode ensinar Sabedoria, se pode Despertar para a Sabedoria. Não se pode ensinar Meditação, é possível Despertar para a Meditação. Não se pode ensinar a alguém a alcançar Deus, porque não se alcança Deus. Deus é Isso que está agora e aqui como o seu Natural Estado de Ser, e Isso não se aprende! Então, Meditação é a arte de Ser, e Real Meditação é essa expressão de Consciência de Ser.

Então, eu tenho falado às pessoas que se aproximam da importância da autoinquirição. Autoinquirição é aquilo que Ramana colocava como “quem sou eu?” Repare que quando você faz uma pergunta… “quem sou eu?”, não há uma resposta! Toda e qualquer resposta partindo de uma história é falsa, então você descarta, você fica com a pergunta, e, quando há só pergunta, não há pensamento sobre isso, e aqui está a resposta – na não resposta intelectual, verbal. Estamos diante Daquilo que é: o Silêncio, a Consciência.

Essa pergunta se assemelha a uma outra aqui, que eu tenho falado aqui com vocês: “O que sou?” ou “Qual é o pensamento que vem?”. Quando você pergunta “qual é o pensamento que vem?”... Se eu lhe pergunto “qual é o pensamento que vem?”, você não tem resposta para isso. Qual será o seu próximo pensamento?

Você não tem resposta. Então, você entra diante de um estado inteiramente novo e desconhecido, fora da mente, fora de toda essa programação de pensar, sentir, imaginar, deduzir, concluir, explicar. Você está num estado semelhante àquele olhando aquele pássaro, olhando aquela cadeia de montanhas. O sentido do “eu” não está quando essa Presença, que é Consciência, que é essa Energia Poderosa Divina, está aí nesse organismo, nesse mecanismo assumindo por completo o corpo e a mente. Então, quando falamos de Iluminação Espiritual, Despertar Espiritual, Realização de Deus… Os nomes são diversos para esse Natural Estado de Ser que Você é aqui e agora, livre dessa insanidade, desse “mim”, desse “eu”, desse ego.

Poderia levar alguns minutos falando sobre isso, mas se faz desnecessário dizer que o estado de insanidade, que é o estado de ignorância, que é o estado de ilusão que a grande massa, que a grande maioria das pessoas vive, está vivendo, isso é infelicidade, isso é sofrimento.

Eu poderia passar alguns minutos apenas lhe lembrando que estado de infelicidade é esse da vida egoica, da insanidade da mente egoica, dessa insanidade da vida sem essa Realização Divina. Eu poderia, por exemplo, lhe lembrar que o ser humano é invejoso, ele é possessivo, ele é ciumento, ele é avarento, ele é ansioso, ele é tendencioso, ele tem tendência à depressão, ele vive em depressão; ele tem tendência a não se suportar e até a ataques de medos, de pânicos; ele tem tendência a dar cabo da própria vida em razão da profunda angústia de existir como uma entidade separada, vivendo no tempo e no espaço, como uma criatura que acredita ser alguém nessa experiência de existir.

Então, o estado do ser humano é – olhado mesmo, com honestidade –, um estado de insanidade, de loucura, de condição coletiva de loucura, de insanidade coletiva. Essa é a condição!

O Despertar da Verdade que Você é, é o fim para isso, é o fim para tudo isso. Eu estou falando do fim do medo, eu estou falando do fim do sofrimento. A inconsciência humana é de tal teor que nem ciência do nível de sofrimento você tem presente em sua existência, em sua vida, porque isso está tão abafado por tantas e diversas distrações que nem ciência de o quanto você sofre você tem. Não há consciência da ilusão em que se vive. A Verdade sobre o seu Ser, o Florescimento dessa Realidade Divina, é o fim dessa ilusão, é o fim dessa ignorância, quando há essa Natureza Divina que é Você em seu Ser...

Nesse sentido, você, como ser humano, diferente daquele pássaro que acaba de ser o seu Mestre da Meditação Guiada, o seu verdadeiro Guru do Estado de Ser – sua presença, o seu modo de ser, lhe apontou o seu Natural Estado de Ser –, diferente daquele pássaro, você tem isso: essa condição de Realizar Deus nessa vida e de ir além dessa condição, de ir além dessa ilusão, e isso ocorre em razão desta Verdade, do Florescimento do seu Ser, do Florescimento da Consciência, do Florescimento da Kundalini, o que não é outra coisa a não ser o Despertar para Si mesmo, o Despertar para Si próprio, o Despertar para a Realidade desse Ser que Você é. Você acordou para Si, acordou em Si, chegou de verdade a Si mesmo, e aqui está Deus! Esse é o seu encontro com a Realidade Divina! OK? Vamos ficar por aqui!

Agosto de 2022
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terça-feira, 15 de novembro de 2022

Satsang | O Despertar da Kundalini | O que é o zazen? | Zazen na prática | Atma Vichara | Ramana Zen

A questão é a questão do zazen. Vai aqui um esclarecimento para vocês a respeito do que é o zazen. A pergunta é: o que é o zazen?

O zazen é uma prática, uma prática do zen-budismo, uma prática de meditação do zen-budismo. É possível você saber algo sobre o zazen, o aspecto verbal, teórico, lendo alguma coisa sobre isso ou ouvindo uma palestra sobre o assunto. Eu quero hoje tratar com você do zen, especificamente do zazen, numa relação próxima ao Despertar Espiritual.

Então, o assunto com vocês hoje é o zazen, Despertar Espiritual e o Despertar da Kundalini. Vamos ver a relação disso.

Primeiro, eu quero começar com uma pequena história. Conta-se a história de um mestre do zen que, numa determinada noite, teve um sonho e, nesse sonho, ele era uma borboleta voando, vendo toda a paisagem naquele voo, e a sua forma era a forma de uma borboleta. E a história conta que ele, ao acordar do sonho, começou a chorar. Os discípulos se aproximaram e disseram: “Mestre, por que você está chorando?”. Os monges se aproximaram dele e fizeram a ele essa pergunta, e ele disse: “Eu não sei quem eu sou. Essa noite não havia um homem, era uma borboleta que estava voando. Eu não tinha dúvida de ser quem eu era. Naquele belo voo, tudo eu via a partir dessa borboleta, e agora, estou aqui”.

E voltou a chorar... Eles disseram: “Mestre, por que você está chorando, afinal?” Ele disse: “Porque eu não sei mais… Eu sou um homem que sonha ser uma borboleta ou eu sou uma borboleta agora sonhando que sou um homem?”. E tocou em seu corpo e disse: “Afinal, quem eu sou?” Essa é uma história zen.

Eu quero mostrar a vocês um caminho para o Despertar da Kundalini, para o Despertar Espiritual, para o Despertar da Consciência. O caminho direto para Isso é o caminho do Zazen. Eu não falo da prática do zazen, a prática ritual, cerimonial, religiosa e filosófica do zazen, eu falo do sentido Real do Zazen.

A palavra zazen simplesmente significa “se assentar”. Apenas isso: se assentar. Então, zazen significa “se assentar”.

Não é se assentar e pensar, não é se assentar e imaginar, não é se assentar e se preocupar, não é se assentar e respirar de uma certa forma especial, não é se assentar e alterar o movimento natural da respiração, não é se assentar num espaço silencioso sem qualquer barulho para não ser internamente, psicologicamente, perturbado… Zazen é, simplesmente, se assentar.

Então, vamos descobrir hoje, de uma forma direta, aqui, juntos, o que é o Zazen. Aqui, eu já vou me referir a isso de uma forma um pouco diferente. Quero me referir não à prática do zazen. Você pode aprender a prática do zazen. Isso é valioso, isso é importante, sem dúvida. É claro que você terá que aprender alguns rituais, a forma específica de se assentar, a posição das mãos, etc. Então, há uma forma ritual, há uma forma cerimonial, há uma forma técnica de se fazer isso, mas não é disso que eu quero tratar com vocês. Eu não quero falar da prática do zazen, eu quero lhe mostrar o que é o Zazen prático. O que é o Zazen na prática? O Zazen na prática é estar assentado sem a mente, sem o passado, sem o futuro.

O zazen surgiu na China. Eles chamavam de “chan”. Quando veio para o Japão, eles chamaram chan, que é zen… zen em japonês. Então, essa escola do zazen surgiu na China e veio para o Japão e assumiu esse nome “zazen”, e se refere a essa coisa simples de se assentar. É apenas isso. Zazen significa “se assentar” – se assentar sem a mente, se assentar e adentrar a Meditação no Vazio, adentrar o Vazio, desaparecer no Vazio, ser o Vazio.

Não existe nada mais poderoso, nada mais direto para o Despertar Espiritual, para a Iluminação Espiritual, do que esse caminho direto do Zazen, que é estar assentado quieto.

Outro aspecto interessante no zazen é o koan, vocês devem ter ouvido falar disso. O koan é um diálogo que se trava entre o mestre e o discípulo, e uma questão sem solução lógica é apresentada.

Agora, percebam que coisa interessante nós temos aqui. Ramana Maharshi, o Sábio de Arunachala, trabalhou por mais de 50 anos, com aqueles que se aproximavam dele, como um mestre zen. Ninguém jamais disse isso! Ramana foi o maior mestre zen de todos os tempos, porque ele deu a todos o mais singular, profundo e simples de todos os koans. O koan de Ramana Maharshi era a sua prescrição para a meditação zazen, em seu formato. E o koan de Ramana era “quem sou eu?”.

As pessoas iam a ele e começavam a contar os problemas: “Meu marido foi embora”, “Meu filho morreu”, e ele permanecia em silêncio. E, quando abria a boca, dizia: “E quem é você?”. E a pessoa relatava algo sobre ela, sobre o que ela acreditava. Ele dizia: “Não, eu quero saber quem é você.”

Então, Ramana prescrevia esse koan: “Quem sou eu?”. Então, “quem sou eu?” é um koan! Não há uma resposta lógica para isso. Toda e qualquer resposta que você tenha não é real, nenhuma resposta que você tenha é real para “quem sou eu?”. Toda e qualquer resposta estará se baseando sempre no pensamento e não estará tratando ou se referindo à Verdade.

Então, isso está dentro da prática do zazen. Mas notem: Ramana não tinha essa preocupação cerimonial, nem ritual, nem religiosa. Ele dava isso a todos! Nós aqui estamos fazendo um trabalho também nesse nível. Nós não estamos prescrevendo para você cerimônias, rituais, práticas religiosas… estamos colocando aqui para você a importância do Despertar da Kundalini, o Despertar desta Presença, desta Energia, capaz de operar uma mudança no corpo e na mente para o estabelecimento desse Real Natural Estado de Ser, que é o Estado de Consciência Pura, que alguns chamam de Iluminação Espiritual, e aqui estamos chamando de Despertar Espiritual.

Então, aqui, alguns assuntos estão sendo colocados para você, dentro dessa fala. Estou acabando de revelar para você que Ramana Maharshi foi o maior mestre zen de toda a história, fora do próprio Budismo zen.

O nosso trabalho juntos é atentarmos para Aquilo que somos aqui e agora. Então, eu digo também para você: apenas se assente, sem a mente. Reparem o quanto isso é simples, mas carrega uma profundidade de eficiência extraordinária. Apenas se assentar… Eu estou dizendo que a Real Meditação – a Real Meditação como eu tenho falado sempre nesses encontros – é aquilo que acontece a partir desse koan, o koan de Ramana Maharshi: “Quem sou eu?”. Então, as pessoas iam a Ramana e ele dizia: “Quem é você?”. Era como se ele dissesse “apenas fique quieto”, como ele sempre disse – “Se assente e fique quieto, e investigue isso”, exatamente como acontece no zen-budismo.

O mestre zen apresenta um koan para o discípulo, para o monge, e diz “olha, está aqui o seu koan, me dê a resposta. Se assente, apenas entre em zazen, apenas se assente e me dê a resposta”.

Então, o mestre dá um koan. Agora acabei de relatar aqui, também, uma história que, na realidade, é um koan. O mestre acorda naquele momento… naquele instante, ele acorda e chora. Ele está dando àqueles que estão à sua volta um koan quando diz: “Quem sou eu? Quem sou eu? Era uma certeza absoluta que havia em ser uma borboleta e, agora, não há mais certeza de nada! O que tem aqui: uma borboleta sonhando que é um homem ou é um homem que sonha ser uma borboleta? Quem sou eu?”.

O nosso trabalho juntos, notem isso, é irmos além da mente, porque apenas além da mente há uma não resposta, que é a real resposta. Então, o trabalho da Realização da Verdade sobre quem Você é, é um trabalho que acontece a partir de uma mudança, de uma transformação nessa estrutura que é o corpo e a mente, e essa transformação é simples, ela é natural, ela não requer rituais, ela não requer cerimônias, ela não requer práticas ascéticas, ela não requer qualquer coisa! A única coisa que se faz necessário é estar quieto, se assentar e permanecer quieto. Permanecer em seu Ser é permanecer quieto. Então, essa atenção sobre o movimento da mente lhe dá a Visão da Realidade do Vazio.

Então, notem: não importa se é no hinduísmo, se é no ioga, se é no budismo zen, há só um trabalho acontecendo… seja na meditação da kundalini yoga, seja na meditação zen, na prática do zazen, seja na prática da meditação contemplativa dos primeiros cristãos, os cristãos lá do primeiro século, dos 3 primeiros séculos… Essa arte da meditação era chamada “arte da contemplação”, o estado contemplativo. Você olha para a imagem dos santos e percebe que o olhar deles está num ponto fora do mundo. A gente percebe isso nas imagens até retratadas em pinturas antigas, encontradas… eles estão olhando para o Vazio. Não importa se o corpo está literalmente sentado ou em pé, mas existe essa Meditação no Vazio.

Então, o propósito do koan é lhe colocar nessa nova condição psicológica de ser, física de ser, no Vazio. Isso eu tenho chamado de Real Meditação. Diferente da prática da meditação, eu tenho chamado isso “Meditação Prática” e, agora, eu vou chamar, a partir desse momento, no lugar da prática do zazen, eu vou chamar isso “Zazen na prática” – apenas se sentar aí, sem a mente, sem o tempo psicológico, sem toda a confusão que a mente produz.

Vocês compreendem isso?

Aqui eu me refiro à Real Meditação, ao Zazen na prática. Ao permanecer nesse Espaço que é o Vazio, que é o Silêncio, que é Consciência, Você está no seu Natural Estado de Ser, e agora eu vou chamar esse Natural Estado de Ser de “o Real Estado Zen”.

As pessoas usam muito a expressão “fulano é zen”, “ele acordou tão zen”. O que elas querem dizer é que fulano está calmo, está relaxado, está tranquilo, não está estressado. Não é isso? “Fulano está tão zen hoje”, ou seja, ele não brigou com ninguém. Ele, geralmente, acorda “não zen”, aí agora, hoje, ele acordou zen.

Eu quero chamar agora esse Estado Natural – eu tenho chamado, nos últimos anos, “o Estado de Puro Ser, de Pura Consciência”, é assim que eu tenho chamado esse Estado –, agora eu vou chamar ele de Natural Estado Zen, o Real Estado Zen.

E o caminho direto, que é a Atma Vichara prescrita por Ramana... acabamos de descobrir que essa Atma Vichara tem, como princípio, um koan: “Quem sou eu?”. E a gente viu agora, esse mestre zen parece que ouviu Ramana de alguma forma. Ramana, se estivesse lá, diria assim: “É uma borboleta ou é um homem? Quem é você?”. E parece que ele ouviu até Ramana dizer isso, e agora ele mesmo se pergunta: “Quem sou eu?”. Começou a chorar…

É bonita essa questão do choro também. Poucos estão chorando por Isso, poucos estão chorando por essa resposta, muito poucos estão chorando por Isso, muito poucos estão percebendo que estão sonhando. Esse mestre está nos dando uma lição. Ele está desconfiado de um sonho. O grosso da humanidade, a massa, a grande maioria das pessoas não percebe que está num estado de sono e de sonho. É por isso que a expressão “o Despertar Espiritual”, “o Despertar da Consciência”, “o Despertar da Kundalini”, todas essas expressões procedem, são perfeitas!

A palavra Buda, vocês sabem, é “aquele que acordou”. Buda é “acordado”. Poucos estão chorando porque, primeiro, não desconfiam que estão sonhando. O ser humano não percebe que isso tudo aqui é um sonho, ele leva tudo muito a sério. Exatamente como ocorre quando você sonha: não sabe que está sonhando. Não saber que está sonhando, enquanto se sonha, é o que os sábios chamam de maya.

O ser humano vive numa condição psicológica de desordem interna, de confusão interna, de sono, de completa hipnose. Insciente de estar sonhando, ele não está incomodado, ele não está inquieto, ele não está chorando.

Aqueles que estão vindo a esse trabalho, a esse trabalho do Despertar da Kundalini, do Despertar Espiritual, é porque já perceberam que não sabem, já reconheceram que, de verdade, não sabem, e estão se fazendo a pergunta “afinal, quem sou eu?”.

Deparar-se com Aquilo que Você é, aqui e agora, só é possível quando você chora, quando há uma dor aí. Eu tenho falado para as pessoas a respeito da importância da Felicidade, mas elas já dizem “eu sou feliz”. Eu tenho falado para elas sobre a importância do fim da ignorância, e elas dizem “não, eu sou formada, eu tenho PhD em Química”, “eu tenho um doutorado em Física”. Elas não compreendem! Eu estou falando da ignorância sobre a Verdade do que elas são, a ignorância sobre elas. A pergunta é “quem é você?”, “quem sou eu?”. A resposta para isso está nesse encontro com a Realidade do seu Ser, do seu Natural Estado Zen, do seu Natural Estado de Consciência, o encontro com o seu próprio Ser.

Então, há um momento em que você vai sentir a dor. Nesse momento, você vai ser tocado pelo Poder desta Graça, desta Presença Divina, desse Amor Divino, e é nesse momento que você está pronto para receber um koan. Então, nesse momento, vai surgir – em meio a essas lágrimas, a essa dor – a desconfiança de que você está vivendo num estado, nesse estado, que é um estado comum a todos, num estado de sono, de inconsciência. Esse é o estado comum da humanidade. A não ser que você desperte e abandone o sono, o sonho continuará, e esse estado de sonho é o estado de ilusão, que é o estado do sentido de egoidentidade, que é o estado de separação entre você e Deus, entre você e a Felicidade Real, entre você e a Paz Real, entre você e o Amor Real, entre você e a Vida Real.

Então, esse é o nosso assunto aqui… e é só isso.

Julho de 2022
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quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Não lute contra a mente | Como me livrar do sofrimento?

Veja, toda luta é só resistência. Então, as pessoas vêm e dizem "como posso me livrar de todo esse sofrimento que a mente me impõe, que o pensamento, que o sentimento, que as recordações, que as lembranças terminam me impondo?".

Então, elas perguntam "como se livrar da mente?", "o que posso fazer para me livrar da mente?", "como lutar contra a mente?". Então, está aqui... Como lutar contra a mente? Não lute! O ponto é esse: não lute, não resista, não entre em atrito. Quando você faz isso, você se separa ideologicamente, vem essa ilusão do sentido de alguém que pode vencer. Vencer quem? Vencer a mente.

Então, nessa dualidade, o que, na verdade, está acontecendo é a mente se separando dela própria, em resistência, em luta. Isso, na verdade, é algo que fortalece ainda mais o sentido de separação e, naturalmente, a luta e o conflito.

Então, não lute contra a mente. Faça algo completamente diferente disso: acolha a mente. A mente se torna o inimigo quando há um combatente contra ela; aí o inimigo surge. Então, esse inimigo tem como base a resistência, tem como base o confronto. Essa é a base da luta! Então, o inimigo surge com essa base.

A minha recomendação é que você descubra a beleza de acolher o que vem, apenas se tornando cônscio, se tornando ciente, do que isso representa. Quando isso acontece, em razão da ausência de resistência, da ausência da separação, desse sentido de dualidade, nessa ausência de conflito, a mente, ou o que ela representa, pode se revelar, e, uma vez que ela se revele, ela volatiza. Então, esse pensamento, ou esse sentimento, ou essa história de memória, que ela traz, se desfaz, desaparece. E por que ela desaparece? Porque ela não tem outra realidade. A única realidade dessa aparição é memória, é uma simples memória.

Veja, pensamento é simplesmente pensamento, e memória é simplesmente pensamento. Isso não é Você, isso não é o seu Ser, isso não é sua Natureza Real, isso não é quem Você é. Então, você está apenas diante de uma aparição fenomênica, que vem e vai. Como ela não é Você e não está sendo energizada, alimentada pela resistência, pela luta, pelo conflito, ela se desfaz, desaparece.

Então, não lute contra a mente. Repito: apenas se aproxime de uma forma amigável, e quando eu digo "se aproxime", não é um movimento que você faz, isso é um movimento que simplesmente acontece pela constatação. A direta abertura para essa constatação torna possível essa aproximação.

Aquilo que "você" é, ou aquilo que você representa naquele momento, precisa se revelar. Você precisa se tornar cônscio inteiramente disso. Então, esse é o fim da resistência, esse é o fim da luta. Talvez você diga que esse estado é algo desconfortável, mas é o estado que, naquele momento, essa identidade separada representa, e isso tem que ser visto, isso tem que ser acolhido, isso tem que ser "compreendido". Então, isso termina.

Em geral, o movimento é sempre o movimento de resistência ou o movimento de fuga. Ou você confronta para lutar, ou você foge. A gente pode tratar disso em algum outro momento. Aqui, eu quero tratar com você da importância de acolher.

Então, você nem foge, nem resiste, e sim descobre a importância de acolher, e acolher é observar sem se confundir, sem se embolar, sem se identificar com isso. É algo que você descobre pela experiência, pela própria auto-observação. Você começa a constatar e, com o tempo... Isso é algo que requer essa apreciação paciente, é algo que é feito, sim, momento a momento, ou deve ser feito de momento a momento, mas que, naturalmente, requer paciência e "tempo".

Uma vez que isso é feito, fica claro o que estamos dizendo aqui para você: que é possível se libertar da mente, sem resistência, sem luta contra ela. É simplesmente assim, simplesmente assim...

Fevereiro de 2022
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terça-feira, 8 de novembro de 2022

Satsang | A prisão da dualidade e a ilusão do "eu"

Olá, pessoal. Sejam bem-vindos a mais um encontro aqui em nosso canal. O assunto hoje nosso aqui é sobre a dualidade, a prisão que isso representa. Então, vamos falar sobre a prisão da dualidade, a mente dentro dessa prisão, a mente sendo a matriz dessa prisão. Afinal, o que é dualidade?

Dualidade é o sentido de separação, esse sentido de ser alguém que você tem, que você sente. Você jamais duvida disso, de sua identidade, e aqui a questão não é a dúvida da Realidade de Ser, eu falo da dúvida, do questionamento, dessa identidade particular de ser alguém. Deixa eu colocar isso mais claro para você.

O seu sentido de Ser é algo presente, é algo inegável. Você sente que É. Esse sentido de Ser é o sentido da própria Consciência, é o sentido da própria Existência. Esse é o sentido natural de Ser. Mas, fora isso, você carrega um outro sentido: é o sentido de ser alguém, e eu quero questionar isso aqui com você.

Quando aqui eu falo para você a respeito dessa problemática da dualidade, eu estou apontando para você a Verdade de que não existe você e a Vida, você e a Existência, você e Deus. Não existe tal coisa como uma identidade presente que pode se denominar "eu", "mim". Isso é uma ideia formulada pelo pensamento.

O seu sentido de Ser é natural, é o sentido de Ser da Consciência, mas essa Consciência não carrega o sentido de ser uma pessoa, um personagem, alguém que vive com uma identidade se separando do Todo, da Vida, da Existência. Isso é algo produzido pelo pensamento. Então, aqui nos deparamos com uma prisão. Então, o sentido de separação é esse sentido de dualidade – eu e você, você e o outro, você e a Vida, você e Deus, você e a Consciência. Não há tal coisa.

Aqui, nos deparamos com uma situação delicada, que é a situação da prisão autoimposta, na qual você se sujeita para viver se sentindo uma entidade separada. Naturalmente, quando há separação, existe medo. Você jamais teria medo, por exemplo, de adoecer; você jamais teria medo da velhice e medo da morte se não tivesse presente aí essa configuração, esse movimento dessa estrutura corpo-mente, essa configuração, essa programação... abalizados nessa mente dualista, nessa dualidade da mente egoica. Isso é uma prisão.

O que eu tenho para lhe dizer nesse encontro é que é possível ir além dessa prisão. E aqui eu quero colocar para você um pouco também a respeito desse princípio para se ir além dessa prisão. Para irmos além dessa prisão, é necessária a Verdadeira Compreensão, a Real Compreensão, a Divina Compreensão, a Compreensão que nasce do Despertar da Consciência, o que implica o Autoconhecimento. Assim, o Autoconhecimento lhe dá o princípio para o Despertar desta Consciência, porque, enquanto Ela está dormindo, o que prevalece é esse sentido de separação, esse sentido de dualidade, esse sentido de distanciamento entre O que Você é aqui e agora…

O pensamento cria uma ideia, uma imagem, uma formulação, uma história, uma narrativa, de tudo aquilo que se apresenta. A exemplo disso, nós estamos aqui nesse instante, aparentemente, numa comunicação entre dois. Não há comunicação entre dois, só há comunhão ou uma comunicação não dual. A ideia de que você está me vendo, de que você está me ouvindo, é – como eu acabei de colocar – uma ideia. Há o ver e há o ouvir, não há qualquer separação nessa experiência.

Quando você olha para uma árvore, não tem você e a árvore, tem a observação. Nessa observação, não há árvore nem você, não há objeto observado nem observador; é uma experiência única, só há uma única experiência. Sem a árvore, não existe o observador, e, se o observador não está, a árvore também não está, ambos aparecem juntos, e, quando eles aparecem juntos, eles desaparecem numa única experiência, chamada observação.

Então, podemos chamar de observação a não dualidade aqui e agora acontecendo. Essa não dualidade – porque não há "você", não há "eu"; não existindo "eu", não há "você". O que temos é a experiência única da observação. Isso vale também para ouvir. Se você escuta um pássaro, a ideia é que você está presente nessa experiência. No entanto, o som é o ouvir, o ouvir é o som, não há o experimentador – o ouvinte – e a experiência – o som. Essa divisão, essa dualidade, não existe. Ela não é nossa experiência real, isso é uma ficção, é uma ideia, é uma imaginação criada pelo pensamento.

Assim, o sentido de um "eu" presente na experiência não é real. Enquanto a fala acontece, existe o falar, mas não alguém falando; enquanto o som acontece, há o ouvir, não alguém ouvindo. Da mesma forma é com essa questão da observação: quando há observação, não há observador e coisa observada.

Agora, por que é interessante percebermos que isso é apenas ideológico, é uma crença? Porque isso quebra esse padrão de resistência, de manipulação, de tentativa de escapar daquela experiência e, quando isso não acontece, a prisão termina, porque a prisão do sentido de dualidade, de separação, só existe porque há essa ignorância a respeito da experiência presente aqui e agora, sem o experimentador.

Então, o que vale para essa questão da observação da árvore ou para essa atenção do som, nesse ouvir sem o ouvinte, da observação sem o observador, isso vale para compreendermos todo esse processo da egoidentidade. O ego não é real, esse sentido de alguém aqui presente não é real. Isso é muito, muito, muito importante!

O que eu estou afirmando é que a tristeza é uma experiência sem alguém triste, a alegria é uma experiência sem alguém alegre. O que quer que você esteja sentindo é o sentir, mas não tem "você". Isso é muito importante! Porque as pessoas dizem "eu gostaria ou eu preciso muito me livrar dessa tristeza, dessa amargura, dessa solidão, dessa dor, desse trauma…", e todo esse esforço apenas fortalece o sentido de alguém presente nisso. Aqui nós acabamos de pisar no terreno para o Despertar Espiritual, para a Iluminação Espiritual, para o fim dessa prisão da dualidade.

Se você já está aqui pela primeira vez ou se já assistiu outros vídeos e ainda não se inscreveu, se inscreve agora no canal, deixa aí o seu "like" e vamos trabalhar isso juntos. Valeu pelo encontro.

Junho de 2022
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terça-feira, 1 de novembro de 2022

Real Meditação | Como meditar? | Como alcançar a Iluminação Espiritual?

Meditação! O assunto é meditação. Do que se trata essa coisa chamada “meditação”? Meditação: o que de fato representa? Eu ouvi dizer que eu posso me sentar em um lugar, em um determinado momento, fechar os olhos e procurar acalmar a mente – de repente, ao som de uma música –, e assim eu posso relaxar e entrar em contato com meu “eu” mais íntimo.

Eu estou aqui citando aquilo que, de repente, você já ouviu sobre meditação, mas eu quero aprofundar um pouco mais isso. Eu quero trazer para você uma visão a respeito do que é Meditação.

Eu não estou falando a respeito de uma prática de meditação, mas da pura e direta Meditação, aquilo que eu tenho chamado de Real Meditação ou Meditação Real, esse contato direto com a Verdade do seu Ser aqui e agora, independente da postura que o corpo esteja assumindo. Você pode estar sentado, pode estar deitado, pode estar caminhando, pode estar comendo algo, falando com alguém, ao mesmo tempo que você está nesse contato com a Realidade da Vida como Ela é, o que representa o contato direto com a Verdade do seu Ser aqui e agora.

Ramana Maharshi chamava isso de Samadhi. Samadhi é Você em seu Ser, Samadhi é Você em seu Estado Natural, livre de todo esse peso psicológico desse falso centro, desse falso “eu”, desse “mim”, desse ego. Esse contato Consigo mesmo é a Constatação de que só há essa única Realidade presente, que é Consciência – isso é Meditação.

A aproximação direta Disso é quando o pensamento termina. Eu falo dessa condição psicológica aflitiva criada pelo pensamento, produzindo uma noção de tempo e espaço. Alguém aqui que viveu o passado, está vivendo o presente e irá viver o futuro – isso é uma crença.

O pensamento está produzindo uma ideia, um conceito, sobre o que está presente aqui e agora, além de nomes e de formas. O contato com o seu Ser, com a Verdade que Você é, é o fim do pensamento.

Eu quero lhe convidar para a libertação do pensamento, para ir além do pensamento, para se descobrir como Consciência pura, livre da mente egoica – isto é Meditação. Meditação é Você em seu Ser; Meditação é Você em seu Estado Divino, em seu Estado Natural; Meditação é Você em seu Estado Real.

O nosso trabalho juntos, dentro desses encontros chamados Satsang, é para o Despertar desta Verdade que somos aqui e agora. Satsang é o encontro com a Realidade, portanto Satsang é o encontro com a Meditação, é o encontro com a Verdade que Você é. Esse contato direto com O que Você é, é o fim do medo, é o fim do sofrimento, é o fim do pensamento, é o fim dessa condição onde toda aflição interna que você vem vivendo até hoje... ela já não está mais aí.

Até esse momento, você viveu essa condição, no entanto agora não está mais presente, porque aqui e agora sua Condição Real, que é Consciência, que é Meditação, colocou fim para essa condição de tempo psicológico, criado pelo pensamento.

Então, a Iluminação Espiritual, o Despertar Espiritual, é o Reconhecimento da sua Verdade Divina, Daquilo que Você é. Então, o nosso assunto... aqui nós abordamos com você exatamente isso, nós exploramos esse assunto aqui com você, nós investigamos esse assunto aqui com você, nós aprofundamos esse assunto aqui com você: como Isso se torna possível, como Isso se realiza, como Isso se processa. O que é preciso para que Isso se realize? O que é preciso para que Isso aconteça?

Então, como alcançar a Iluminação Espiritual? Como constatar a Verdade do seu próprio Ser? Como assumir a sua Verdade Divina? Como meditar? Aqui, nesse “como meditar”, a única resposta é: Meditação. Meditação é assumir Isso, é assumir a Verdade desse “como meditar”. Não estamos falando de algo que requer tempo. Meditação não é algo que requer tempo, Meditação é algo que termina com a ilusão do tempo.

Veja, eu me refiro ao tempo psicológico, a esse tempo produzido pelo pensamento. Todo esse sentimento que você tem sobre quem você é, está nesse assim chamado “tempo psicológico”, nessa crença, nessa condição de egoidentidade. Isso não é a Verdade sobre quem Você é, Isso não é Você. Assumir Isso é Meditação, assumir a Verdade é Meditação. OK?

Maio de 2022
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