terça-feira, 15 de novembro de 2022

Satsang | O Despertar da Kundalini | O que é o zazen? | Zazen na prática | Atma Vichara | Ramana Zen

A questão é a questão do zazen. Vai aqui um esclarecimento para vocês a respeito do que é o zazen. A pergunta é: o que é o zazen?

O zazen é uma prática, uma prática do zen-budismo, uma prática de meditação do zen-budismo. É possível você saber algo sobre o zazen, o aspecto verbal, teórico, lendo alguma coisa sobre isso ou ouvindo uma palestra sobre o assunto. Eu quero hoje tratar com você do zen, especificamente do zazen, numa relação próxima ao Despertar Espiritual.

Então, o assunto com vocês hoje é o zazen, Despertar Espiritual e o Despertar da Kundalini. Vamos ver a relação disso.

Primeiro, eu quero começar com uma pequena história. Conta-se a história de um mestre do zen que, numa determinada noite, teve um sonho e, nesse sonho, ele era uma borboleta voando, vendo toda a paisagem naquele voo, e a sua forma era a forma de uma borboleta. E a história conta que ele, ao acordar do sonho, começou a chorar. Os discípulos se aproximaram e disseram: “Mestre, por que você está chorando?”. Os monges se aproximaram dele e fizeram a ele essa pergunta, e ele disse: “Eu não sei quem eu sou. Essa noite não havia um homem, era uma borboleta que estava voando. Eu não tinha dúvida de ser quem eu era. Naquele belo voo, tudo eu via a partir dessa borboleta, e agora, estou aqui”.

E voltou a chorar... Eles disseram: “Mestre, por que você está chorando, afinal?” Ele disse: “Porque eu não sei mais… Eu sou um homem que sonha ser uma borboleta ou eu sou uma borboleta agora sonhando que sou um homem?”. E tocou em seu corpo e disse: “Afinal, quem eu sou?” Essa é uma história zen.

Eu quero mostrar a vocês um caminho para o Despertar da Kundalini, para o Despertar Espiritual, para o Despertar da Consciência. O caminho direto para Isso é o caminho do Zazen. Eu não falo da prática do zazen, a prática ritual, cerimonial, religiosa e filosófica do zazen, eu falo do sentido Real do Zazen.

A palavra zazen simplesmente significa “se assentar”. Apenas isso: se assentar. Então, zazen significa “se assentar”.

Não é se assentar e pensar, não é se assentar e imaginar, não é se assentar e se preocupar, não é se assentar e respirar de uma certa forma especial, não é se assentar e alterar o movimento natural da respiração, não é se assentar num espaço silencioso sem qualquer barulho para não ser internamente, psicologicamente, perturbado… Zazen é, simplesmente, se assentar.

Então, vamos descobrir hoje, de uma forma direta, aqui, juntos, o que é o Zazen. Aqui, eu já vou me referir a isso de uma forma um pouco diferente. Quero me referir não à prática do zazen. Você pode aprender a prática do zazen. Isso é valioso, isso é importante, sem dúvida. É claro que você terá que aprender alguns rituais, a forma específica de se assentar, a posição das mãos, etc. Então, há uma forma ritual, há uma forma cerimonial, há uma forma técnica de se fazer isso, mas não é disso que eu quero tratar com vocês. Eu não quero falar da prática do zazen, eu quero lhe mostrar o que é o Zazen prático. O que é o Zazen na prática? O Zazen na prática é estar assentado sem a mente, sem o passado, sem o futuro.

O zazen surgiu na China. Eles chamavam de “chan”. Quando veio para o Japão, eles chamaram chan, que é zen… zen em japonês. Então, essa escola do zazen surgiu na China e veio para o Japão e assumiu esse nome “zazen”, e se refere a essa coisa simples de se assentar. É apenas isso. Zazen significa “se assentar” – se assentar sem a mente, se assentar e adentrar a Meditação no Vazio, adentrar o Vazio, desaparecer no Vazio, ser o Vazio.

Não existe nada mais poderoso, nada mais direto para o Despertar Espiritual, para a Iluminação Espiritual, do que esse caminho direto do Zazen, que é estar assentado quieto.

Outro aspecto interessante no zazen é o koan, vocês devem ter ouvido falar disso. O koan é um diálogo que se trava entre o mestre e o discípulo, e uma questão sem solução lógica é apresentada.

Agora, percebam que coisa interessante nós temos aqui. Ramana Maharshi, o Sábio de Arunachala, trabalhou por mais de 50 anos, com aqueles que se aproximavam dele, como um mestre zen. Ninguém jamais disse isso! Ramana foi o maior mestre zen de todos os tempos, porque ele deu a todos o mais singular, profundo e simples de todos os koans. O koan de Ramana Maharshi era a sua prescrição para a meditação zazen, em seu formato. E o koan de Ramana era “quem sou eu?”.

As pessoas iam a ele e começavam a contar os problemas: “Meu marido foi embora”, “Meu filho morreu”, e ele permanecia em silêncio. E, quando abria a boca, dizia: “E quem é você?”. E a pessoa relatava algo sobre ela, sobre o que ela acreditava. Ele dizia: “Não, eu quero saber quem é você.”

Então, Ramana prescrevia esse koan: “Quem sou eu?”. Então, “quem sou eu?” é um koan! Não há uma resposta lógica para isso. Toda e qualquer resposta que você tenha não é real, nenhuma resposta que você tenha é real para “quem sou eu?”. Toda e qualquer resposta estará se baseando sempre no pensamento e não estará tratando ou se referindo à Verdade.

Então, isso está dentro da prática do zazen. Mas notem: Ramana não tinha essa preocupação cerimonial, nem ritual, nem religiosa. Ele dava isso a todos! Nós aqui estamos fazendo um trabalho também nesse nível. Nós não estamos prescrevendo para você cerimônias, rituais, práticas religiosas… estamos colocando aqui para você a importância do Despertar da Kundalini, o Despertar desta Presença, desta Energia, capaz de operar uma mudança no corpo e na mente para o estabelecimento desse Real Natural Estado de Ser, que é o Estado de Consciência Pura, que alguns chamam de Iluminação Espiritual, e aqui estamos chamando de Despertar Espiritual.

Então, aqui, alguns assuntos estão sendo colocados para você, dentro dessa fala. Estou acabando de revelar para você que Ramana Maharshi foi o maior mestre zen de toda a história, fora do próprio Budismo zen.

O nosso trabalho juntos é atentarmos para Aquilo que somos aqui e agora. Então, eu digo também para você: apenas se assente, sem a mente. Reparem o quanto isso é simples, mas carrega uma profundidade de eficiência extraordinária. Apenas se assentar… Eu estou dizendo que a Real Meditação – a Real Meditação como eu tenho falado sempre nesses encontros – é aquilo que acontece a partir desse koan, o koan de Ramana Maharshi: “Quem sou eu?”. Então, as pessoas iam a Ramana e ele dizia: “Quem é você?”. Era como se ele dissesse “apenas fique quieto”, como ele sempre disse – “Se assente e fique quieto, e investigue isso”, exatamente como acontece no zen-budismo.

O mestre zen apresenta um koan para o discípulo, para o monge, e diz “olha, está aqui o seu koan, me dê a resposta. Se assente, apenas entre em zazen, apenas se assente e me dê a resposta”.

Então, o mestre dá um koan. Agora acabei de relatar aqui, também, uma história que, na realidade, é um koan. O mestre acorda naquele momento… naquele instante, ele acorda e chora. Ele está dando àqueles que estão à sua volta um koan quando diz: “Quem sou eu? Quem sou eu? Era uma certeza absoluta que havia em ser uma borboleta e, agora, não há mais certeza de nada! O que tem aqui: uma borboleta sonhando que é um homem ou é um homem que sonha ser uma borboleta? Quem sou eu?”.

O nosso trabalho juntos, notem isso, é irmos além da mente, porque apenas além da mente há uma não resposta, que é a real resposta. Então, o trabalho da Realização da Verdade sobre quem Você é, é um trabalho que acontece a partir de uma mudança, de uma transformação nessa estrutura que é o corpo e a mente, e essa transformação é simples, ela é natural, ela não requer rituais, ela não requer cerimônias, ela não requer práticas ascéticas, ela não requer qualquer coisa! A única coisa que se faz necessário é estar quieto, se assentar e permanecer quieto. Permanecer em seu Ser é permanecer quieto. Então, essa atenção sobre o movimento da mente lhe dá a Visão da Realidade do Vazio.

Então, notem: não importa se é no hinduísmo, se é no ioga, se é no budismo zen, há só um trabalho acontecendo… seja na meditação da kundalini yoga, seja na meditação zen, na prática do zazen, seja na prática da meditação contemplativa dos primeiros cristãos, os cristãos lá do primeiro século, dos 3 primeiros séculos… Essa arte da meditação era chamada “arte da contemplação”, o estado contemplativo. Você olha para a imagem dos santos e percebe que o olhar deles está num ponto fora do mundo. A gente percebe isso nas imagens até retratadas em pinturas antigas, encontradas… eles estão olhando para o Vazio. Não importa se o corpo está literalmente sentado ou em pé, mas existe essa Meditação no Vazio.

Então, o propósito do koan é lhe colocar nessa nova condição psicológica de ser, física de ser, no Vazio. Isso eu tenho chamado de Real Meditação. Diferente da prática da meditação, eu tenho chamado isso “Meditação Prática” e, agora, eu vou chamar, a partir desse momento, no lugar da prática do zazen, eu vou chamar isso “Zazen na prática” – apenas se sentar aí, sem a mente, sem o tempo psicológico, sem toda a confusão que a mente produz.

Vocês compreendem isso?

Aqui eu me refiro à Real Meditação, ao Zazen na prática. Ao permanecer nesse Espaço que é o Vazio, que é o Silêncio, que é Consciência, Você está no seu Natural Estado de Ser, e agora eu vou chamar esse Natural Estado de Ser de “o Real Estado Zen”.

As pessoas usam muito a expressão “fulano é zen”, “ele acordou tão zen”. O que elas querem dizer é que fulano está calmo, está relaxado, está tranquilo, não está estressado. Não é isso? “Fulano está tão zen hoje”, ou seja, ele não brigou com ninguém. Ele, geralmente, acorda “não zen”, aí agora, hoje, ele acordou zen.

Eu quero chamar agora esse Estado Natural – eu tenho chamado, nos últimos anos, “o Estado de Puro Ser, de Pura Consciência”, é assim que eu tenho chamado esse Estado –, agora eu vou chamar ele de Natural Estado Zen, o Real Estado Zen.

E o caminho direto, que é a Atma Vichara prescrita por Ramana... acabamos de descobrir que essa Atma Vichara tem, como princípio, um koan: “Quem sou eu?”. E a gente viu agora, esse mestre zen parece que ouviu Ramana de alguma forma. Ramana, se estivesse lá, diria assim: “É uma borboleta ou é um homem? Quem é você?”. E parece que ele ouviu até Ramana dizer isso, e agora ele mesmo se pergunta: “Quem sou eu?”. Começou a chorar…

É bonita essa questão do choro também. Poucos estão chorando por Isso, poucos estão chorando por essa resposta, muito poucos estão chorando por Isso, muito poucos estão percebendo que estão sonhando. Esse mestre está nos dando uma lição. Ele está desconfiado de um sonho. O grosso da humanidade, a massa, a grande maioria das pessoas não percebe que está num estado de sono e de sonho. É por isso que a expressão “o Despertar Espiritual”, “o Despertar da Consciência”, “o Despertar da Kundalini”, todas essas expressões procedem, são perfeitas!

A palavra Buda, vocês sabem, é “aquele que acordou”. Buda é “acordado”. Poucos estão chorando porque, primeiro, não desconfiam que estão sonhando. O ser humano não percebe que isso tudo aqui é um sonho, ele leva tudo muito a sério. Exatamente como ocorre quando você sonha: não sabe que está sonhando. Não saber que está sonhando, enquanto se sonha, é o que os sábios chamam de maya.

O ser humano vive numa condição psicológica de desordem interna, de confusão interna, de sono, de completa hipnose. Insciente de estar sonhando, ele não está incomodado, ele não está inquieto, ele não está chorando.

Aqueles que estão vindo a esse trabalho, a esse trabalho do Despertar da Kundalini, do Despertar Espiritual, é porque já perceberam que não sabem, já reconheceram que, de verdade, não sabem, e estão se fazendo a pergunta “afinal, quem sou eu?”.

Deparar-se com Aquilo que Você é, aqui e agora, só é possível quando você chora, quando há uma dor aí. Eu tenho falado para as pessoas a respeito da importância da Felicidade, mas elas já dizem “eu sou feliz”. Eu tenho falado para elas sobre a importância do fim da ignorância, e elas dizem “não, eu sou formada, eu tenho PhD em Química”, “eu tenho um doutorado em Física”. Elas não compreendem! Eu estou falando da ignorância sobre a Verdade do que elas são, a ignorância sobre elas. A pergunta é “quem é você?”, “quem sou eu?”. A resposta para isso está nesse encontro com a Realidade do seu Ser, do seu Natural Estado Zen, do seu Natural Estado de Consciência, o encontro com o seu próprio Ser.

Então, há um momento em que você vai sentir a dor. Nesse momento, você vai ser tocado pelo Poder desta Graça, desta Presença Divina, desse Amor Divino, e é nesse momento que você está pronto para receber um koan. Então, nesse momento, vai surgir – em meio a essas lágrimas, a essa dor – a desconfiança de que você está vivendo num estado, nesse estado, que é um estado comum a todos, num estado de sono, de inconsciência. Esse é o estado comum da humanidade. A não ser que você desperte e abandone o sono, o sonho continuará, e esse estado de sonho é o estado de ilusão, que é o estado do sentido de egoidentidade, que é o estado de separação entre você e Deus, entre você e a Felicidade Real, entre você e a Paz Real, entre você e o Amor Real, entre você e a Vida Real.

Então, esse é o nosso assunto aqui… e é só isso.

Julho de 2022
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quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Não lute contra a mente | Como me livrar do sofrimento?

Veja, toda luta é só resistência. Então, as pessoas vêm e dizem "como posso me livrar de todo esse sofrimento que a mente me impõe, que o pensamento, que o sentimento, que as recordações, que as lembranças terminam me impondo?".

Então, elas perguntam "como se livrar da mente?", "o que posso fazer para me livrar da mente?", "como lutar contra a mente?". Então, está aqui... Como lutar contra a mente? Não lute! O ponto é esse: não lute, não resista, não entre em atrito. Quando você faz isso, você se separa ideologicamente, vem essa ilusão do sentido de alguém que pode vencer. Vencer quem? Vencer a mente.

Então, nessa dualidade, o que, na verdade, está acontecendo é a mente se separando dela própria, em resistência, em luta. Isso, na verdade, é algo que fortalece ainda mais o sentido de separação e, naturalmente, a luta e o conflito.

Então, não lute contra a mente. Faça algo completamente diferente disso: acolha a mente. A mente se torna o inimigo quando há um combatente contra ela; aí o inimigo surge. Então, esse inimigo tem como base a resistência, tem como base o confronto. Essa é a base da luta! Então, o inimigo surge com essa base.

A minha recomendação é que você descubra a beleza de acolher o que vem, apenas se tornando cônscio, se tornando ciente, do que isso representa. Quando isso acontece, em razão da ausência de resistência, da ausência da separação, desse sentido de dualidade, nessa ausência de conflito, a mente, ou o que ela representa, pode se revelar, e, uma vez que ela se revele, ela volatiza. Então, esse pensamento, ou esse sentimento, ou essa história de memória, que ela traz, se desfaz, desaparece. E por que ela desaparece? Porque ela não tem outra realidade. A única realidade dessa aparição é memória, é uma simples memória.

Veja, pensamento é simplesmente pensamento, e memória é simplesmente pensamento. Isso não é Você, isso não é o seu Ser, isso não é sua Natureza Real, isso não é quem Você é. Então, você está apenas diante de uma aparição fenomênica, que vem e vai. Como ela não é Você e não está sendo energizada, alimentada pela resistência, pela luta, pelo conflito, ela se desfaz, desaparece.

Então, não lute contra a mente. Repito: apenas se aproxime de uma forma amigável, e quando eu digo "se aproxime", não é um movimento que você faz, isso é um movimento que simplesmente acontece pela constatação. A direta abertura para essa constatação torna possível essa aproximação.

Aquilo que "você" é, ou aquilo que você representa naquele momento, precisa se revelar. Você precisa se tornar cônscio inteiramente disso. Então, esse é o fim da resistência, esse é o fim da luta. Talvez você diga que esse estado é algo desconfortável, mas é o estado que, naquele momento, essa identidade separada representa, e isso tem que ser visto, isso tem que ser acolhido, isso tem que ser "compreendido". Então, isso termina.

Em geral, o movimento é sempre o movimento de resistência ou o movimento de fuga. Ou você confronta para lutar, ou você foge. A gente pode tratar disso em algum outro momento. Aqui, eu quero tratar com você da importância de acolher.

Então, você nem foge, nem resiste, e sim descobre a importância de acolher, e acolher é observar sem se confundir, sem se embolar, sem se identificar com isso. É algo que você descobre pela experiência, pela própria auto-observação. Você começa a constatar e, com o tempo... Isso é algo que requer essa apreciação paciente, é algo que é feito, sim, momento a momento, ou deve ser feito de momento a momento, mas que, naturalmente, requer paciência e "tempo".

Uma vez que isso é feito, fica claro o que estamos dizendo aqui para você: que é possível se libertar da mente, sem resistência, sem luta contra ela. É simplesmente assim, simplesmente assim...

Fevereiro de 2022
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terça-feira, 8 de novembro de 2022

Satsang | A prisão da dualidade e a ilusão do "eu"

Olá, pessoal. Sejam bem-vindos a mais um encontro aqui em nosso canal. O assunto hoje nosso aqui é sobre a dualidade, a prisão que isso representa. Então, vamos falar sobre a prisão da dualidade, a mente dentro dessa prisão, a mente sendo a matriz dessa prisão. Afinal, o que é dualidade?

Dualidade é o sentido de separação, esse sentido de ser alguém que você tem, que você sente. Você jamais duvida disso, de sua identidade, e aqui a questão não é a dúvida da Realidade de Ser, eu falo da dúvida, do questionamento, dessa identidade particular de ser alguém. Deixa eu colocar isso mais claro para você.

O seu sentido de Ser é algo presente, é algo inegável. Você sente que É. Esse sentido de Ser é o sentido da própria Consciência, é o sentido da própria Existência. Esse é o sentido natural de Ser. Mas, fora isso, você carrega um outro sentido: é o sentido de ser alguém, e eu quero questionar isso aqui com você.

Quando aqui eu falo para você a respeito dessa problemática da dualidade, eu estou apontando para você a Verdade de que não existe você e a Vida, você e a Existência, você e Deus. Não existe tal coisa como uma identidade presente que pode se denominar "eu", "mim". Isso é uma ideia formulada pelo pensamento.

O seu sentido de Ser é natural, é o sentido de Ser da Consciência, mas essa Consciência não carrega o sentido de ser uma pessoa, um personagem, alguém que vive com uma identidade se separando do Todo, da Vida, da Existência. Isso é algo produzido pelo pensamento. Então, aqui nos deparamos com uma prisão. Então, o sentido de separação é esse sentido de dualidade – eu e você, você e o outro, você e a Vida, você e Deus, você e a Consciência. Não há tal coisa.

Aqui, nos deparamos com uma situação delicada, que é a situação da prisão autoimposta, na qual você se sujeita para viver se sentindo uma entidade separada. Naturalmente, quando há separação, existe medo. Você jamais teria medo, por exemplo, de adoecer; você jamais teria medo da velhice e medo da morte se não tivesse presente aí essa configuração, esse movimento dessa estrutura corpo-mente, essa configuração, essa programação... abalizados nessa mente dualista, nessa dualidade da mente egoica. Isso é uma prisão.

O que eu tenho para lhe dizer nesse encontro é que é possível ir além dessa prisão. E aqui eu quero colocar para você um pouco também a respeito desse princípio para se ir além dessa prisão. Para irmos além dessa prisão, é necessária a Verdadeira Compreensão, a Real Compreensão, a Divina Compreensão, a Compreensão que nasce do Despertar da Consciência, o que implica o Autoconhecimento. Assim, o Autoconhecimento lhe dá o princípio para o Despertar desta Consciência, porque, enquanto Ela está dormindo, o que prevalece é esse sentido de separação, esse sentido de dualidade, esse sentido de distanciamento entre O que Você é aqui e agora…

O pensamento cria uma ideia, uma imagem, uma formulação, uma história, uma narrativa, de tudo aquilo que se apresenta. A exemplo disso, nós estamos aqui nesse instante, aparentemente, numa comunicação entre dois. Não há comunicação entre dois, só há comunhão ou uma comunicação não dual. A ideia de que você está me vendo, de que você está me ouvindo, é – como eu acabei de colocar – uma ideia. Há o ver e há o ouvir, não há qualquer separação nessa experiência.

Quando você olha para uma árvore, não tem você e a árvore, tem a observação. Nessa observação, não há árvore nem você, não há objeto observado nem observador; é uma experiência única, só há uma única experiência. Sem a árvore, não existe o observador, e, se o observador não está, a árvore também não está, ambos aparecem juntos, e, quando eles aparecem juntos, eles desaparecem numa única experiência, chamada observação.

Então, podemos chamar de observação a não dualidade aqui e agora acontecendo. Essa não dualidade – porque não há "você", não há "eu"; não existindo "eu", não há "você". O que temos é a experiência única da observação. Isso vale também para ouvir. Se você escuta um pássaro, a ideia é que você está presente nessa experiência. No entanto, o som é o ouvir, o ouvir é o som, não há o experimentador – o ouvinte – e a experiência – o som. Essa divisão, essa dualidade, não existe. Ela não é nossa experiência real, isso é uma ficção, é uma ideia, é uma imaginação criada pelo pensamento.

Assim, o sentido de um "eu" presente na experiência não é real. Enquanto a fala acontece, existe o falar, mas não alguém falando; enquanto o som acontece, há o ouvir, não alguém ouvindo. Da mesma forma é com essa questão da observação: quando há observação, não há observador e coisa observada.

Agora, por que é interessante percebermos que isso é apenas ideológico, é uma crença? Porque isso quebra esse padrão de resistência, de manipulação, de tentativa de escapar daquela experiência e, quando isso não acontece, a prisão termina, porque a prisão do sentido de dualidade, de separação, só existe porque há essa ignorância a respeito da experiência presente aqui e agora, sem o experimentador.

Então, o que vale para essa questão da observação da árvore ou para essa atenção do som, nesse ouvir sem o ouvinte, da observação sem o observador, isso vale para compreendermos todo esse processo da egoidentidade. O ego não é real, esse sentido de alguém aqui presente não é real. Isso é muito, muito, muito importante!

O que eu estou afirmando é que a tristeza é uma experiência sem alguém triste, a alegria é uma experiência sem alguém alegre. O que quer que você esteja sentindo é o sentir, mas não tem "você". Isso é muito importante! Porque as pessoas dizem "eu gostaria ou eu preciso muito me livrar dessa tristeza, dessa amargura, dessa solidão, dessa dor, desse trauma…", e todo esse esforço apenas fortalece o sentido de alguém presente nisso. Aqui nós acabamos de pisar no terreno para o Despertar Espiritual, para a Iluminação Espiritual, para o fim dessa prisão da dualidade.

Se você já está aqui pela primeira vez ou se já assistiu outros vídeos e ainda não se inscreveu, se inscreve agora no canal, deixa aí o seu "like" e vamos trabalhar isso juntos. Valeu pelo encontro.

Junho de 2022
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terça-feira, 1 de novembro de 2022

Real Meditação | Como meditar? | Como alcançar a Iluminação Espiritual?

Meditação! O assunto é meditação. Do que se trata essa coisa chamada “meditação”? Meditação: o que de fato representa? Eu ouvi dizer que eu posso me sentar em um lugar, em um determinado momento, fechar os olhos e procurar acalmar a mente – de repente, ao som de uma música –, e assim eu posso relaxar e entrar em contato com meu “eu” mais íntimo.

Eu estou aqui citando aquilo que, de repente, você já ouviu sobre meditação, mas eu quero aprofundar um pouco mais isso. Eu quero trazer para você uma visão a respeito do que é Meditação.

Eu não estou falando a respeito de uma prática de meditação, mas da pura e direta Meditação, aquilo que eu tenho chamado de Real Meditação ou Meditação Real, esse contato direto com a Verdade do seu Ser aqui e agora, independente da postura que o corpo esteja assumindo. Você pode estar sentado, pode estar deitado, pode estar caminhando, pode estar comendo algo, falando com alguém, ao mesmo tempo que você está nesse contato com a Realidade da Vida como Ela é, o que representa o contato direto com a Verdade do seu Ser aqui e agora.

Ramana Maharshi chamava isso de Samadhi. Samadhi é Você em seu Ser, Samadhi é Você em seu Estado Natural, livre de todo esse peso psicológico desse falso centro, desse falso “eu”, desse “mim”, desse ego. Esse contato Consigo mesmo é a Constatação de que só há essa única Realidade presente, que é Consciência – isso é Meditação.

A aproximação direta Disso é quando o pensamento termina. Eu falo dessa condição psicológica aflitiva criada pelo pensamento, produzindo uma noção de tempo e espaço. Alguém aqui que viveu o passado, está vivendo o presente e irá viver o futuro – isso é uma crença.

O pensamento está produzindo uma ideia, um conceito, sobre o que está presente aqui e agora, além de nomes e de formas. O contato com o seu Ser, com a Verdade que Você é, é o fim do pensamento.

Eu quero lhe convidar para a libertação do pensamento, para ir além do pensamento, para se descobrir como Consciência pura, livre da mente egoica – isto é Meditação. Meditação é Você em seu Ser; Meditação é Você em seu Estado Divino, em seu Estado Natural; Meditação é Você em seu Estado Real.

O nosso trabalho juntos, dentro desses encontros chamados Satsang, é para o Despertar desta Verdade que somos aqui e agora. Satsang é o encontro com a Realidade, portanto Satsang é o encontro com a Meditação, é o encontro com a Verdade que Você é. Esse contato direto com O que Você é, é o fim do medo, é o fim do sofrimento, é o fim do pensamento, é o fim dessa condição onde toda aflição interna que você vem vivendo até hoje... ela já não está mais aí.

Até esse momento, você viveu essa condição, no entanto agora não está mais presente, porque aqui e agora sua Condição Real, que é Consciência, que é Meditação, colocou fim para essa condição de tempo psicológico, criado pelo pensamento.

Então, a Iluminação Espiritual, o Despertar Espiritual, é o Reconhecimento da sua Verdade Divina, Daquilo que Você é. Então, o nosso assunto... aqui nós abordamos com você exatamente isso, nós exploramos esse assunto aqui com você, nós investigamos esse assunto aqui com você, nós aprofundamos esse assunto aqui com você: como Isso se torna possível, como Isso se realiza, como Isso se processa. O que é preciso para que Isso se realize? O que é preciso para que Isso aconteça?

Então, como alcançar a Iluminação Espiritual? Como constatar a Verdade do seu próprio Ser? Como assumir a sua Verdade Divina? Como meditar? Aqui, nesse “como meditar”, a única resposta é: Meditação. Meditação é assumir Isso, é assumir a Verdade desse “como meditar”. Não estamos falando de algo que requer tempo. Meditação não é algo que requer tempo, Meditação é algo que termina com a ilusão do tempo.

Veja, eu me refiro ao tempo psicológico, a esse tempo produzido pelo pensamento. Todo esse sentimento que você tem sobre quem você é, está nesse assim chamado “tempo psicológico”, nessa crença, nessa condição de egoidentidade. Isso não é a Verdade sobre quem Você é, Isso não é Você. Assumir Isso é Meditação, assumir a Verdade é Meditação. OK?

Maio de 2022
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quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Satsang | Atenção Plena (Mindfulness) | Despertar da Kundalini

Muito bem! Vamos lá, então…

Aqui, o ponto é que você jamais percebe com clareza isso: o fato de que esse pensamento, em você, te coloca dentro dessa condição de ausência, de não Presença, de não Percepção da Realidade. Aqui, o nosso empenho, o nosso trabalho juntos, é ficar com a Vida, com a Vida como Ela é, e você fica com a Vida como Ela é quando há Presença.

Presença é Consciência.... Presença é Consciência. Pensamento é inconsciência. É a presença desse movimento do pensamento que representa inconsciência, que é a não Presença do seu Ser, da sua Natureza Verdadeira, da sua Natureza Divina.

Assim, essa condição termina sendo a condição da contradição, porque há uma contradição entre o que a Vida é e aquilo que o pensamento diz que você é; entre o que a Vida apresenta e aquilo que o pensamento diz sobre o que a vida tem, sobre o que está presente. Aqui, toda a questão reside nisso: em Compreender a Verdade que está presente quando o pensamento não está.

O que eu posso te dizer sobre Isso é que é algo constatável por você; você constata Isso. Você, de uma forma direta, vivencia Isso quando esse contato com seu Ser se mostra evidente, e ele se mostra evidente aqui e agora, nesse momento presente, quando o sentido do pensador produzindo pensamentos não está mais. A Vida se revela como Ela é, e, como Ela é, não tem “você”.

O que eu tenho dito nesses encontros é que toda essa noção de “minha vida”... o resultado disso é a contradição, é o desejo, é o medo, é o sofrimento, é a alienação de si mesma, de si mesmo.

A base real da Revelação da Verdade de quem Você é reside em descobrir a real beleza de permanecer livre do pensamento. A inconsciência é uma só, mas ou ela é mais profunda, ou menos. Quanto maior a profundidade, quanto maior a intensidade dessa inconsciência, menos percepção você tem da presença do pensamento.

Então, o pensamento se apresenta sempre em 3 níveis. O primeiro deles é nessa absoluta, profunda e intensa inconsciência. Você não tem qualquer noção de que está sendo movido ou se movendo nesse pensar, por esse modelo de pensamento. É o pensamento que está presente e jamais diz “eu estou aqui”.

O segundo nível é aquele em que você percebe que tem algo errado com você. Então, o pensamento está aí e você começa a questionar a presença desse movimento: “Deve ter algo errado comigo. Por que estou pensando isso? Por que não posso fazer nada com relação a isso que estou pensando?”. Então, esse é o segundo nível. Todo ser humano, na razão dessa qualidade ou intensidade de inconsciência, vivencia o que estou dizendo aqui para vocês.

O terceiro nível é aquele onde o pensamento já não faz tanta questão de estar oculto. Quando eu digo “não faz tanta questão”, é que a sua inconsciência não é tão densa, tão profunda, então você consegue perceber que esse pensamento está aí. Nesse momento, você se depara com uma fala, com um livro, com alguém que lhe chama atenção para esse ponto e lhe diz: “Olha, você não é esse pensamento”.

Então, quando você já está nesse ponto, você está apto para começar a se autoinvestigar, porque, nesse momento, você começou a desacreditar no pensamento.

Primeiro, porque agora você consegue ver. Antes, você não conseguia ver que esse movimento de pensamentos dentro de você não era real. Quando eu digo “real”, é no sentido de “natural”. Ele não era natural! Agora, você consegue perceber que isso não é, realmente, natural. Até então, você tinha isso como seu “estado natural”.

Então, esses encontros que nós temos são para lhe mostrar isso: que a mente tem esse movimento dentro de você. Agora, esse movimento precisa ser visto. Visto e descartado! O movimento da “pessoa” é, basicamente, o movimento do pensamento.

Então, esse movimento de pensamento… ou ele está totalmente invisível, dentro de você, acontecendo, e você é uma pessoa dentro de uma qualidade específica de inconsciência, tão densa, tão profunda, que você jamais percebe, ou esse movimento do pensamento já aparece e você consegue ver algo, e começa a desconfiar que isso não é algo normal, para não dizer natural, em você.

Então, já há uma pequena luz nesse túnel escuro de inconsciência. E, lá na frente, você já se depara com uma luz um pouco maior e, junto com essa luz, surge a pergunta: “Mas de onde está vindo isso? De onde vem, realmente, esse pensamento, porque…”. Aí, chega alguém, chega um livro, chega uma informação para você e diz: “Esse pensamento não é Você! Isso não é Você… não é Você. Não é Você que está fazendo, não é Você que está fabricando… isso é só um vício, um vício de pensar”.

Aqui, quando você vem a Satsang, eu lhe digo “esse vício de pensar é o modelo comum de insanidade e de inconsciência coletiva”. Todos vivem dentro desse modelo de profunda inconsciência, e, quando você chega aqui, eu digo: “Você não precisa viver assim, dentro dessa condição de inconsciência”. O ego, basicamente, é inconsciência.

É interessante dizer aqui também, para você, que isso determina como as pessoas são diferentes. No que uma pessoa é diferente de outra pessoa? Qual é a diferença entre uma pessoa e outra? É essa densidade de inconsciência, essa profundidade de inconsciência.

Algumas pessoas vivem de uma forma muito mais inconscientes do que outras. Mas, basicamente, todo sentido de “pessoa” presente na experiência aqui, nesse instante, nesse momento, representa inconsciência. Não há Consciência na “pessoa”.

A “pessoa” vive dentro de um movimento psicológico de tempo, criado pelo pensamento. Esse sentido de “pessoa” é alguém que se situa sempre no tempo. Ele parece estar presente; ele não está presente. Esse estado não está presente, é um estado que está variando entre presente, passado e futuro. Esse é o estado de inconsciência da mente egoica.

Aqui, a minha ênfase com você é nesta Atenção, nessa Plena Atenção. Uma vez que você não coloque Atenção aí, em si mesma, em si mesmo, você não tem a menor possibilidade de ir além dessa condição de mente egoica, de ir além dessa condição de inconsciência. A inconsciência formou a “pessoa”. A presença dessa Atenção, dessa Plena Atenção, é uma quebra dessa antiga condição de inconsciência, que representa o fim dessa ilusão, a ilusão de uma “pessoa” presente aqui e agora.

Tudo bem?

Essa Atenção sobre si, essa Plena Atenção sobre si mesma, sobre si mesmo, é o encontro com a Verdade do seu Ser, é a tomada de ciência sobre quem Você é, O que, basicamente, é Consciência. Você é Consciência! Talvez, você pergunte “e de onde vem essa inconsciência?”. Essa inconsciência é uma desatenção. Apenas isso: uma desatenção.

Essa desatenção sobre si mesmo estabeleceu essa condição de inconsciência, que é o padrão, basicamente, da mente, da mente egoica.

Eu quero lhe convidar a se Compreender, a ir além dessa condição, à Compreensão da Verdade sobre quem Você é; eu quero lhe convidar ao Despertar Espiritual. O Despertar Espiritual! Alguns chamam Isso também de “o Despertar da Consciência”. Também é uma boa expressão, porque não há como acontecer o Despertar Espiritual sem o Despertar da Consciência. Já que a Consciência está presente, mas a condição é de inconsciência, isso é sinal de que essa Consciência está como que adormecida.

Então, é necessário o Despertar Espiritual, e esse Despertar Espiritual é o Despertar da Consciência! O Despertar da Consciência é o fim para essa densa, profunda e expressiva inconsciência, que é o estado da mente egoica, com tudo o que isso representa, com tudo o que isso significa.

Então, reparem no que estamos tratando com vocês dentro de um encontro como esse chamado Satsang! Satsang significa encontro com a Verdade, encontro com a Realidade, o encontro com Aquilo que Você é. A coisa mais expressiva aqui para lhe dizer, dentro desse contexto, é que O que é, é Você, e Isso é a Vida, Isso é a Consciência, Isso é Amor, Isso é Paz, Isso é Felicidade.

Então, é preciso ir além dessa inconsciência, e você não vai além dessa inconsciência sem essa Atenção, sem esse olhar diretamente para si mesma, para si mesmo. Isso é algo que só é possível acontecer quando ocorre agora, aqui, nesse momento! Esse é o momento que você dá a si mesma, a si mesmo, para ir além dessa inconsciência, o que representa ir além dessa condição de pensamento. E é isso que eu quero colocar um pouquinho mais aqui pra você.

Não é natural essa condição desse movimento do pensamento, não é natural essa condição de inconsciência, não é natural essa condição de insanidade. Eu tenho chamado isso também de desordem psicológica. Essa condição de desordem psicológica, essa condição de insanidade humana, de insanidade coletiva, isso não é natural. Natural é Você em seu Ser, aqui e agora. Natural é esta Presença, este Estado de Presença, é Aquilo que aqui está, nesse instante, momento a momento.

A Visão da Vida como Ela é, como Ela se mostra, só se revela nesse Estado de Atenção Plena, quando não há qualquer separação entre você e a Vida como Ela é, entre você e a Vida como Ela se apresenta. Eu quero lhe mostrar o Poder da Real Meditação! A Real Meditação é essa aproximação da Verdade sobre quem Você é, aqui e agora, nesta Atenção Plena. Eu tenho enfatizado sempre isso.

Aqui, o que importa não são aulas sendo dadas. Você sabe que quando você vai ter uma aula, você entra dentro de um programa. Então, a estrutura de ensino é toda idealizada dentro de um projeto. Você aprende o passo A, depois o passo B, depois o passo C e, assim, você segue um roteiro e, assim, você tem o aprendizado. Aqui, a nossa ênfase não está em aprender alguma coisa, mas sempre em rever aquilo que é básico, porque é no básico que reside o Despertar da Sabedoria. Aqui, não se trata de aprender algo, mas se trata de acordar para algo que está aqui e agora, já, presente.

Então, quando falo com vocês sobre Real Meditação, quando falo com vocês sobre essa importância desta Atenção Plena – que é Mindfulness –, quando falo com vocês aqui da importância do Despertar desta Presença Divina – que é o Despertar da Consciência – ou quando falo com vocês sobre o Despertar Espiritual – e a relevância aqui sempre está nessa mudança para essa estrutura do corpo e da mente –, a nossa ênfase está Nisso, na Realização Daquilo que Você é, na Realização da Felicidade, na Realização do seu Ser.

Talvez, a sua dúvida seja “como Isso se torna possível? Por que alguns já estão vivendo Isso e outros não? Qual é o grande segredo para a transição dessa inconsciência para essa Plena Consciência, o que representa Amor, Paz, Liberdade, Felicidade e Cura ou Liberação completa de toda essa desordem psicológica, com todos os quadros que isso representa, com todos as patologias que isso representa? O que é o fim de toda essa insanidade? Onde está o segredo disso?”

Pois é… O segredo está no Despertar desse Poder que você traz dentro de você, que nasceu com você. E ninguém te revela isso – não dessa forma como eu estou te dizendo! Não há como você Realizar a Verdade sobre quem Você é se não houver uma mudança em toda essa estrutura física e psicológica.

Eu falo de uma mudança na própria estrutura cerebral. Krishnamurti dá a entender isso, fala um pouco sobre isso, sim. Outros também falaram. Então, na verdade, não é um grande segredo. É que eu estou colocando de uma forma mais ampla para você isso.

O Despertar da Realidade que você traz dentro de você, uma Realidade que você traz em Si mesmo… Você tem toda uma composição biológica, fisiológica, passível de uma mudança. Você nasce com esse potencial, mas isso não significa, necessariamente, uma atualização.

Então, você pode passar 30, 40, 70 anos da sua vida vivendo uma vida completamente identificada com a mente egoica, inconsciente da Verdade sobre quem Você é, e você pode se meter em diversas práticas místicas, esotéricas, espiritualistas, e nada disso, de verdade, representar uma mudança radical em tudo isso; e isso não significar, realmente, uma mudança, não ter um significado real, verdadeiro, representativo, para o fim dessa egoidentidade, com todo esse sofrimento que o ego representa, se não ocorrer uma mudança radical nessa estrutura corpo-mente, através do Despertar daquilo que a ciência da Yoga chama de Kundalini. É o Despertar de uma Energia presente em você que tem o Poder de criar uma alteração nesse corpo-mente.

É por isso que a palavra Kundalini, segundo a ciência da Yoga… Para Ramana, Kundalini é a própria Consciência. Sim, é a própria Consciência, mas eles usam a palavra Kundalini como um mecanismo para esse Despertar da Consciência.

Então, quando falamos de Kundalini aqui com vocês, estamos falando do Despertar da Kundalini. Eu passei muitos anos compartilhando desse Despertar Espiritual com pessoas à minha volta, mas elas nunca foram tão claramente informadas sobre isso, porque eu nunca fui tão claro quanto estou sendo agora; como eu vejo também muitos falando sobre Autorrealização e não tocam nisso.

Eu estou enfatizando isso porque eu vejo que isso é fundamental! É fundamental que você compreenda por que você pode passar muitos anos envolvido em diversas práticas espirituais, assim chamadas espirituais, e não haver qualquer mudança radical, fundamental, essencial nessa estrutura, nesse corpo-mente, e, portanto, o ego continua lá intacto, sem qualquer trabalho real, pelo menos nesse nível, o que definiria o fim para esse sentido de separação, para essa egoidentidade.

Então, a minha ênfase aqui com vocês é lhe mostrando a importância do Despertar da Kundalini. Nós temos um canal no YouTube e eu tenho falado sobre isso nesse canal.

Então, o nosso assunto aqui é a Realização da Verdade sobre quem Você é, e Isso é algo que ocorre em razão de uma mudança nesse organismo, nesse mecanismo. O seu cérebro tem que sofrer uma mudança, seu corpo tem que sofrer uma mudança, as próprias células do corpo têm que sofrer uma mudança, você tem que ser como que um “receptáculo” para o assentamento ou para o assentar desse Estado de Pura Consciência, desse Estado de Presença.

Isso traz esta mudança completa nesse organismo, nesse mecanismo, nesse corpo-mente, e isso representa o fim do pensamento! Sim… o fim do pensamento obsessivo, repetitivo, continuado, viciado, descontrolado, caótico, desordenado, perturbado, perturbador, que o ser humano tem. Isso é o fim da loucura coletiva, da maluquice coletiva, da insanidade coletiva, da desordem psicológica! Como vocês quiserem chamar isso.

O fato é que o Despertar da Kundalini, o Despertar desta Presença, desta Consciência, é o Despertar Espiritual, e Isso é o fim da ilusão, Isso é o fim do sofrimento, e esse é o grande segredo Daqueles que Realizaram Deus nesta vida e que, também, estão Realizando Deus agora, aqui, como vocês.

OK? É somente isso.

Julho de 2022
Gravatá-PE
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