quinta-feira, 12 de abril de 2018

Enquanto você não descobrir o amor em si mesmo...

Viver é uma arte! Assumir responsabilidade sobre si mesmo e ser feliz é uma arte. Quando você é verdadeiramente feliz, não está preocupado com o mundo, com ninguém! Na verdade, ninguém quer compartilhar dessa sua Felicidade. Então, você assume Isso e Deus se encarrega de trazer para sua proximidade somente aqueles que estão dispostos a viver essa Felicidade, a descobrir o “perfume” que Você tem. Você tem que ser livre, independente! Você não pode ser carente, necessitado, ficar buscando apreciação, reconhecimento, amor, amizade, companheirismo, cumplicidade… Estar só é Felicidade!
Eu vejo pessoas sofrendo de solidão, mas elas não estão sós, pois estão acompanhadas internamente de carências, de desejo de apreciação, de pessoas… Elas não estão, definitivamente, sozinhas. Eu estou só! Somente estando só, você descobre o Amor em si mesmo, e o Amor é uma doação. Eu sou Amor e estou doando Amor. Quem está perto de mim não está me dando nada; não tem ninguém me dando nada! Eu estou só, já “morri”, já perdi tudo! Como vou sofrer de solidão? Entenda o que é estar só: estar só é Amor!
Então, quando você vê as pessoas sofrendo de solidão, elas estão sofrendo de imaginação, do desejo de serem alguém para alguém, de terem outros para si mesmas. Elas são carentes, estão buscando coisas para preenchê-las e fazem algo para serem preenchidas: assistem a filmes, vão a parques, a baladas, ao teatro, associam-se a clubes… tudo para não ficarem sós. Mesmo assim, elas estão sós, no meio da multidão, mas é um “só” cheio de gente, profundamente povoado de carências e necessidades psicológicas.
Você está só, de fato, quando está livre do ego, deste falso “eu”; livre do mundo, de coisas, pessoas e da necessidade de estar em lugares. Aí, sim, você está só, então a Existência inteira se derrama e diz: “Eu estou com Você”. Assim, Você está entre as plantas, entre os animais e as pessoas… Você está cercado do Universo inteiro e ele está dentro de Você. No ego, este “estar só” é estar isolado, cheio de preferências e escolhas, de imaginações, de supostas necessidades e de carências psicológicas.
Os nossos pais e avós morreram em solidão. O Sábio não morre em solidão; Ele morre só, não em solidão. Eu não vivo em solidão, mas estou só. Estar só é ver a Verdade na ilusão. Eu estou sempre falando de você. Você tem que descobrir Isso, a beleza que é estar só. Por que as pessoas se casam, têm filhos? Por que, depois dos filhos, elas começam a desejar netos, e, depois que tem netos, começam a desejar bisnetos? Por que isso? Porque elas querem estar preenchidas, continuar se preenchendo em suas imagens prediletas. Tem imagem mais predileta do que um filho, depois um neto e depois um bisneto? Tudo para não ficarem sós. Então, as pessoas se casam, buscam companhia… mas elas têm companhia, mesmo? Você acha que têm? Observe: quando você está acompanhado, está realmente acompanhado? O outro sabe o que se passa aí dentro e realmente se importa com você? O outro sente a sua dor de “ser alguém”? Assim, você está só, mas é um “só” em solidão, na multidão; é um “só” desejando muito, muitos. Então, não há Liberdade. Enquanto você não descobrir o Amor em si mesmo, jamais vai receber Isso do mundo externo, jamais vai descobrir Isso na multidão.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial na cidade de Campos do Jordão, no Ramanashram Gualberto, em novembro de 2017. Acesse a nossa agenda e se programa para estar conosco: http://mestregualberto.com/agenda/agenda-satsang.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Conflito é sinal de resistência à Vida!

Todos os conflitos são sinais de resistência à Vida! Conflito na vida é resistência à Vida! A vida em conflito é sinal do “sentido de alguém” presente nesse experimentar. A vida, em si, não carrega conflito; a pessoa, em si, não vive sem conflito; a pessoa é esse “alguém” no experimentar.
Se não houver resistência, todas as vezes que você se deparar com a vida, não terá conflito. Quando não há resistência, não há conflito e, assim, Você é a Vida! Mas, todas as vezes que você se deparar com a vida e houver conflito, “você” será o conflito, nessa “vida pessoal”. Ou seja, o conflito é o sinal da presença da “pessoa”. Esse sentido de ser e ter, que é o que cria essa “minha mente”, esse “meu eu”, esse “mim mesmo”, é o sentido da vida que jamais deixa de carregar o conflito, porque “você” está lá, sempre resistindo ao que É, àquilo que acontece.
Nada está acontecendo pelo fato de você estar presente. O que parece estar acontecendo é a Vida se expressando, e Ela não é pessoal, não é a presença deste “você” que determina, controla ou muda as coisas que acontecem. A presença desse “você” é a resistência; é a ilusão de uma “vida pessoal” na Vida única, na única Realidade, que é a Vida como Ela É. A ciência ou a arte da Felicidade, que é viver sem conflito, é viver a Vida como Ela É. Isso significa uma profunda confiança naquilo que acontece, como sendo Deus acontecendo, a Verdade acontecendo. Isso significa não ser importante, não resistir, não ser pessoal, ou seja, não ser o “experimentador” nessa experiência que é a Vida.
Todas as vezes que você estiver sofrendo, será a ilusão de alguém presente batendo de frente ou confrontando com aquilo que a Vida manifesta, com aquilo que Ela É! Não há nenhum sofrimento, conflito e problema, quando não há resistência, que é quando não há o “eu”, essa mente egoica, esse movimento separatista que cria essa dualidade “eu e a vida”, “eu e aquilo que acontece". Nessa separação, você tem o conflito, porque tem a resistência. O que eu estou dizendo é que viver sem ego é muito simples! Viver no ego é que é complicado, porque viver dessa forma requer muita coisa.
Para ser feliz, basta Ser! Para ser infeliz, basta ter qualquer coisa: ideias, crenças, conclusões, opiniões, julgamentos, comparações, objetos, pessoas, resistência. Você não precisa de nada para ser feliz, porque essa é a sua Natureza como Ser. Agora, você precisa de qualquer coisa para ser infeliz, porque essa não é a sua Natureza como Ser. Ser infeliz é a natureza da mente dualista, ilusória, do “sentido de alguém” presente, sempre tentando ajustar, reformar, consertar, controlar, determinar.
Não é simples isso? Estar nessa separação entre “você” e o que vai acontecer é conflito. Isso é ser uma “pessoa”, o que é uma ilusão, porque não há “pessoa”; há somente um movimento de pensamentos, crenças, opiniões, julgamentos e desejos, com os quais você se confunde, se identifica. Assim, você passa a existir separadamente, para “ser alguém”, e, é claro, para sofrer ‒ o ego não pode viver sem isso.
É por isso que eu encontro poucos interessados no que tenho para compartilhar. Todos querem ser alguém, ter, alcançar ou realizar algo; todos querem resistir! É como se estivesse faltando alguma coisa, agora, para serem felizes! A mente egoica cria isso, essa ilusão dessa “pessoa” que precisa de algo.
No dia em que não houver mais aí essa imaturidade, esse posicionamento, que é baseado nesse desejo de ser, ter, fazer, poder realizar algo ou chegar a algum lugar, a Existência toda se derramará! Quando você não mais deseja, nada mais lhe falta. A Verdade é a única forma de você ser, verdadeiramente, milionário, multimilionário; você não deseja nada, porque nada lhe falta. A maneira de ser pobre e profundamente miserável é tendo desejo. Os pobres querem ser ricos, os ricos querem ser milionários, os milionários querem ser multimilionários. Todos são pobres!
Nessa resistência, a pobreza se mantém. A pobreza é essa miséria, essa alienação de sua Verdadeira Natureza, que é Riqueza, Plenitude, Completude, Felicidade. Essa alienação é a verdadeira pobreza, a qual está em cima da resistência. O que está faltando? Qualquer coisa que esteja faltando torna você miserável… qualquer coisa! Não importa o quanto você é milionário ou bilionário, se tem algo faltando, você continua pobre, um pedinte. Porém, se você não tem desejo, você é um Príncipe, um Rei!
Depois que Buda deixou os seus três palácios e toda a sua riqueza, que o tornava miserável, ele passou a andar como um Rei. Depois que ele abriu mão de tudo e não era mais rei, não tinha mais os palácios, nem o reconhecimento público, tornou-se um verdadeiro Rei. Quando Acordou, foi além do desejo, e, então, passou a andar e viver como Rei. Ramana Maharshi também viveu como um Rei!
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial na cidade de Fortaleza, em Setembro de 2016. Acesse a nossa agenda e se programa para estar conosco: http://mestregualberto.com/agenda/agenda-satsang.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

O Conhecimento Real é vivencial

Estamos diante de algo do qual nada pode ser falado. Satsang é algo surpreendentemente inexplicável. A Verdade É ‒ é simplesmente assim. Nada pode ser dito sobre Isso. Então, esse encontro é um momento sem explicações; é um momento de revelação da Verdade, do Silêncio. Essa é a grandeza, a simplicidade e a singularidade de Satsang. Pode parecer muito estranho o que você escuta aqui, mas posso lhe garantir que, quanto mais você tenta conhecer sobre a Verdade, mais se distancia Dela, mais você fica dentro desse “sono”.
Esse é o momento de viver essa Presença, senti-La, ter a Sua revelação, e não a explicação sobre Ela. Eu não sou um filósofo, um professor ou um pregador que você está ouvindo. Não existe nenhum caminho, nenhuma fórmula, nenhum método ou sistema para você conhecer Isso, para que Isso se revele a você. É possível você desaparecer Nisso, mas não “você” compreender Isso. Em outras palavras, Isso não é algo objetivo, que “você”, como um sujeito, pode conhecer. Você não pode segurar Isso em suas mãos e dizer: “Eu apanhei isso! Tenho isso aqui comigo, agora é meu!” ‒ isso não é possível!
Se você for a um professor de Advaita-Vedanta, ele lhe dará explicações, falará da natureza não dual da Existência, da natureza da Verdade… Então, ele lhe dirá que tudo já é o que é, que a Verdade é algo que está presente e que a sua verdadeira natureza é essa Verdade. Enfim, ele vai lhe dizer bastante coisa, dará a você muitas explicações, e, dessa forma, você terminará aprendendo sobre isso.
Aqui, nesses encontros, o que você faz é investigar a natureza da Verdade sobre si mesmo; não se trata de ter um conhecimento sobre Isso. Esse tipo de conhecimento é, também, parte da ignorância, porque é algo meramente teórico; são apenas palavras acumuladas, com as quais você cria um novo conhecimento. Na realidade, Consciência é Conhecimento, mas é um outro tipo de conhecimento. Não é o conhecimento de palavras, é o Conhecimento de Ser. Esse é o real Conhecimento da Verdade, o puro Conhecimento, que é Ser, Consciência, o qual não se trata de um conhecimento verbal, intelectual. Assim, você pode conhecer palavras, como: amor, verdade ou liberdade. Contudo, conhecer a palavra amor não significa conhecer o Amor; conhecer a palavra verdade não significa conhecer a Verdade; conhecer a palavra liberdade não significa conhecer a Liberdade, assim como conhecer a palavra Deus não significa conhecer Deus. Portanto, a palavra não é a coisa em si.
A Verdade é existencial, enquanto que o conhecimento da mente é não existencial, é verbal, teórico, conceitual. Então, aquilo que a mente conhece como verdade, liberdade, Deus e amor são somente palavras. Assim, ou você é Isso ou você fala sobre Isso. Percebem a diferença? Se você é Isso, então não é um professor, não é alguém que está falando sobre isso ‒ você está vivendo Isso! Se você é um professor, está apenas falando sobre Isso. Então, essa é a diferença clara entre o Sábio e o filósofo; entre Ser e meramente conhecer.
Quando há Amor, não há necessidade de palavras, como: “Eu amo você”. Quando há Verdade, não existe necessidade de explicações longas, lógicas, conceituais sobre Isso. A Verdade pode ser sentida, vivenciada; não pode ser conhecida, nem explicada. Na verdade, é possível se explicar a Verdade, mas assim Ela é destruída, já não está lá, porque Ela não está nas explicações, na fala. Quando eu digo que você pode sentir Isso, viver Isso, quero dizer que você pode estar presente Nisso, que Isso está presente em você, sendo Você! O que temos nesses encontros, como nos retiros, é a oportunidade de estar nesse direto “sentir”, de puramente Ser ‒ Isso é a Verdade, é o Amor, é a Liberdade! Isso é Deus!
Esse é o verdadeiro trabalho da Realização. Você não pode examinar Isso como algo que está do lado de fora. Esse “sentir” é o único Conhecimento possível, pois você não pode examinar Isso, que está somente dentro, como se fosse algo externo, do lado de fora. Esse “sentir”, esse Ser, é o único Conhecimento possível, o qual chamo de Conhecimento Real, que é Consciência. Então, esse Conhecimento Real, que é Ser, é a Sabedoria! O conhecimento que é entendimento e compreensão de palavras é pura ignorância, mas não é a bela Ignorância do Sábio; isso é mero intelectualismo e entendimento verbal, teórico. Então, esse conhecimento é verdadeira ignorância, e isso não representa Realização, porque não representa Consciência.
Quando há Consciência, o verdadeiro Conhecimento está presente, e, então, a Verdade não pode ser ignorada. Nesse sentido, conhecer Deus é Ser Deus, pois não se trata de aprender sobre Deus. Também, não se trata de aprender sobre o Amor, a Verdade, a Liberdade, mas, sim, de ser esse Amor, essa Liberdade, essa Verdade. A Verdade está nesse Silêncio, nessa Consciência, nesse Amor, nessa Liberdade; não está nessas palavras.
Então, essa vivência é Consciência, algo que acontece dentro de você. Você não vai ouvir, ler, nem aprender sobre Isso. Há somente uma forma direta de vivenciar Isso, que é através da devoção e pelo Despertar na autoinvestigação — a autoinvestigação traz o Despertar dessa vivência direta e a devoção é aquilo que torna isso possível. Você não pode ler Isso nas escrituras, nem pode ouvir de alguém.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 5 de Fevereiro de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar, clique aqui.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Você não sabe nada sobre quem você é

Você não sabe nada sobre quem você é. O que você tem sobre si são crenças e elas não ajudam em nada, pelo contrário, só fortalecem o sentido de “alguém”. Por isso que não dá certo trabalhar esse Despertar sozinho; não tem nenhum trabalho sozinho! Você pode ler sobre Isso, ouvir um professor e até aprender essa coisa toda, mas isso não constitui um trabalho. O trabalho, sempre, é da Graça, desse Amor de Deus.
O que dissolve isso que aí está, é a verdade de que isso não está aí. Você se vê como uma egoidentidade, mas Deus não o vê assim. Você se vê como um pecador, um sofredor, uma “pessoa”, “alguém”, porém, a Consciência, a Graça, o Guru, não vê você assim.
Quando as pessoas iam até Cristo, ao Mestre, e apresentavam-lhe uma enfermidade, Ele as curava e lhes dizia: “Vá em paz e não se equivoque mais. Não peque novamente. Não se confunda mais com o corpo”. Ou seja, não se confunda com o experimentador na experiência do pecado. Ele não estava dando realidade ao pecado ou ao pecador; estava dizendo: não se confunda mais com isso.
Então, o que eu tenho a dizer a vocês todos é: relaxem… As coisas acontecem, mas, também, deixam de acontecer. O que não está sempre aí não pode aterrorizar você, não pode assustá-lo. Aquilo que é real está sempre aí e mantém-se como a Verdade, não é atingido jamais por qualquer coisa, porque não tem outra coisa a não ser a Verdade presente! Percebem a beleza da Realização de Deus, da Iluminação, do Despertar, ou como você queira chamar Isso.
Dá para acompanhar o que estou dizendo?
Eu não estou negando o que você sente aí. Não estou negando a sua experiência; estou dizendo: entre fundo nela! Descubra o que é que está por trás dessa, assim chamada, “experiência”. Assim, você vai descobrir que o fundo, o cerne, o coração dessa experiência é sem essa “pessoa” aí, sem um experimentador. Então, o fundo da experiência da dor é Amor. Por trás da mais profunda dor, decepção, frustração, não existe nenhuma dor, decepção ou frustração. Não tem “alguém” lá; não há experimentação na experiência. Isso quebra esse modelo de repetição, porque não há mais a crença na continuidade de uma falsa identidade no prazer — que, na verdade, é dor — de viver e repetir, vez após vez, o mesmo problema. Então, há um rompimento, uma quebra, uma solução de continuidade, um fim para isso, e isso não é trabalho seu.
Eu não estou lhes trazendo informações que vocês já adquiriram lendo livros advaitas, neoadvaitas, o Curso em Milagres, ou outras coisas. Ao me ouvir no coração, vocês verão que estou apontando para algo fora do conceito, da teoria. Portanto, basta ouvir; não capture e transforme isso em mais uma informação, em um conhecimento, porque, dessa forma, você ainda estaria dentro da dualidade, mas agora acreditando numa nova coisa.
O seu real escutar também está dentro do desconhecido. É somente o conhecido que reconhece palavras. Sempre que abro a boca é para dizer algo que está fora das palavras. Nesse momento, se você desiste, você se permite a cura. Contudo, o ego é muito ansioso, é parte do jogo dele querer a “Coisa”, e é por isso que ele se torna um especialista.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial na cidade de Fortaleza, em Dezembro de 2017. Acesse a nossa agenda e se programa para estar conosco: http://mestregualberto.com/agenda/agenda-satsang.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Eu não consigo parar de pensar, então, como posso ir além da mente?

A proposta, nesse trabalho, é ir além da mente, embora haja uma grande confusão sobre o que isso significa realmente. Existe, por exemplo, a preocupação com a necessidade de parar de pensar, porque, para muitos, ir além da mente é isso. Então, existe sempre aquela pergunta: “Eu não consigo parar de pensar, então, como posso ir além da mente?” Essa é uma dúvida muito comum. Na realidade, esse pensar não pode ser parado. Compreendam: não é que esse movimento não possa parar, ele não pode “ser parado”. Percebam a diferença.
Então, essa preocupação de fazer parar o pensamento, é uma preocupação do próprio pensamento; percebam a clara diferença disso. Realização é o seu Estado Natural, além da mente, portanto, além do pensamento, mas você não pode parar o pensamento ‒ isso é algo que precisa ficar muito claro para você, dentro desse trabalho. Você pode tocar em algo bastante importante, estando nesse trabalho, se compreender que a mente pode parar, mas você não pode pará-la; que o pensamento pode parar, mas você não pode pará-lo. Ou seja, é possível estar além da mente, nesta não-mente, e isso acontece quando não há mais esse movimento do pensamento; é muito sutil essa diferença. Quando não há mais o pensar, a não-mente está. Porém, você não chega a essa não-mente parando de pensar, pois não é um trabalho da mente acabar com a própria mente, destruí-la.
Muitos estão tentando isso, por exemplo, em todo tipo de prática de meditação, mas, na verdade, por detrás dessa prática está a mente tentando destruir a “mente”. Ramana chamava isso de “o ladrão, vestido de policial, tentando capturar o ladrão”. Então, eu quero tranquilizar você sobre essa questão de tentar parar a mente: não faça qualquer esforço para parar o pensamento, pois isso é um esforço da própria mente, do próprio ego. Não é necessário praticar nenhuma ação contra a mente, porque isso seria a mente lutando contra ela mesma; você dividindo a mente em duas (uma é o “policial” e a outra é o “ladrão”).
Não tente parar a mente! A única coisa que você pode fazer é ficar quieto e observar! Isso não requer nenhum esforço e é algo muito simples: você apenas para e observa, e deixa a mente maluca solta; não faça nada contra a mente, nem faça nada a favor dela. Não fique a favor nem contra a maluquice que se passar na sua cabeça, pois tudo são pensamentos, e eles não são seus; nem a cabeça é sua, ela é do corpo. A cabeça pertence ao corpo e os pensamentos pertencem à mente, porém, você é essa Consciência, onde surgem o corpo, com a cabeça, e a mente, com os pensamentos.
Eu sei muito bem qual é o problema que acontece com você e vou lhe contar agora. Você já decidiu que existe algo errado com a mente e, então, ficou contra ela, tornou-se inimigo dela. Entretanto, foi aí que você foi capturado pela própria mente. Então, às vezes você diz “Eu não suporto mais esses pensamentos”, como se esse estado não fosse o próprio pensamento “nervoso” dizendo isso. Mas, quem está dizendo isso? Assim, a mente se separa e ela, agora, quer matar a “mente”, e você fica nesse jogo ‒ essa é a dualidade, em que há uma separação: um pensamento querendo matar outro; um sentimento querendo destruir outro.
Realização é fruto da Consciência! Na Consciência não há separação, dualidade, nem há mente. Então, nesse Estado, você apenas assiste à mente, e não há nada errado com ela. Às vezes, pela manhã, você olha para o céu, o vê cheio de nuvens, mas não diz que tem alguma coisa errada com ele; não reclama do céu porque ele está cheio de nuvens. Você não diz: “Eu quero que essas nuvens todas desapareçam, para ficar somente o céu azul”. Os pensamentos são como as nuvens que, às vezes, aparecem no céu, nesse “céu” que é a Consciência, e, quando você apenas fica quieto e observa, essa observação é como um vento suave, que começa a varrer o céu e as nuvens começam a se dissipar.
Então, reparem no que eu disse: o pensamento pode desaparecer, parar, mas você não pode fazê-lo desaparecer, parar. Não é o seu esforço que vai fazer isso, porque esse esforço ainda é o pensamento “nervoso”, é o movimento do próprio pensamento. Estou lhe falando sobre a arte de permanecer desidentificado da mente, deixar a mente e sua maluquice desaparecerem naturalmente, sem esforço. Olhe com profunda reverência, não seja um lutador. Apenas assista! Permaneça destacado, desidentificado, distante, apenas observando. A boa notícia é que, quanto mais profundamente você observa, mais profunda é a sua Consciência; o “céu” fica limpo e o “sol” brilhando, maravilhoso! Essa é a forma de lidar com a mente e, então, toda a Vida se torna transparente, sendo Ela a própria Consciência!
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 07 de Março de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar, clique aqui.

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