Será que nós já investigamos isso? Será que já nos aproximamos de verdade disso para, por exemplo, investigar essa questão da ansiedade e medo, dessa, assim conhecida, ansiedade social? Por que, em nossas relações, sempre está presente algum nível de receio, de timidez, de insegurança? A verdade sobre isso é que, psicologicamente, nós estamos funcionando a partir de uma representação mental sobre quem nós somos e sobre quem ele ou ela é para mim.
A grande verdade sobre isso é que você e essa representação mental, que é essa autoimagem, são muito íntimos. Nós podemos dizer de uma forma muito clara isso aqui, e ao ser investigado, isso será claramente compreendido, o fato de que você é a autoimagem.
Apenas quando temos o fim da autoimagem, temos o fim para essa condição, para essa interna psicológica condição; ela está ocorrendo dentro de nós, e como tudo aquilo que nós somos internamente se expressa, dentro das nossas relações está presente essa forma de medo, essa forma de afastamento social, do convívio com outros.
A nossa interna condição nesse sentido da pessoa, nesse sentido do "mim", do "eu", é de sofrimento. Compreender a verdade sobre nós mesmos é irmos além dessa psicológica condição de condicionamento egoico, de condicionamento mental. E é isso que nós estamos, com você, aqui investigando, aprofundando para essa compreensão.
O elemento que cria toda essa condição interna de contradição, de conflito, de desordem e, naturalmente, de sofrimento em nós é a presença do pensamento. São os pensamentos presentes em você que estão lhe dizendo coisas sobre quem o outro é, sobre quem você é e sobre o que a vida representa. Você não teria a mínima condição de me reconhecer sem ter me visto antes, não teria a mínima condição de saber o meu nome se eu não tivesse lhe falado.
Quando você conhece alguém, nesse momento, você registra a imagem, o rosto, e registra também o nome dela, e isso agora é parte da memória, é parte da lembrança - você tem dela uma representação mental, e ela tem de você uma representação mental. Quando vocês se encontram, esse encontro não é um encontro separado da imagem que você tem dela e que ela tem de você; não há uma separação entre essas imagens, elas se encontram.
Haverá uma forma de nos aproximarmos do outro sem a psicológica imagem dele ou dela? Sim, nós precisamos da imagem do rosto, da lembrança do nome, mas aqui eu me refiro à psicológica imagem que eu tenho dele, que eu tenho dela. Na convivência com pessoas, é isso que nós temos feito, e nós temos feito isso em razão da presença de uma desatenção sobre as nossas experiências. É nessa desatenção sobre as nossas experiências que nós cultivamos dele ou dela o prazer e a dor.
Em todos os relacionamentos nós temos momentos aprazíveis e também ruins, momentos de prazer e momentos de dor, e nós estamos constantemente registrando tudo isso para futuros contatos. Nesses futuros contatos, nesses novos contatos, estamos sempre trazendo essa experiência passada para essas relações.
Ao se encontrar com uma pessoa, ela nunca é a mesma pessoa, ela já mudou - você já mudou e ela já mudou. Mas quando vocês se encontram, se encontram com base na experiência que guardaram um do outro. Nesse contato, estamos diante de um equívoco, de uma ilusória relação. Essa ilusória relação eu tenho chamado de relacionamento.
Em uma convivência com alguém durante cinco, quinze ou vinte anos, a sua certeza é a certeza de que você conhece ele ou ela; na verdade, o que você tem dele ou dela são todas essas experiências guardadas em você, nessa autoimagem que você tem sobre si mesmo. Esse acúmulo de imagens que você tem sobre ela se assenta nessa autoimagem, que é a imagem que você tem sobre quem você é.
Quando você se encontra com ele ou ela, a sua resposta é a resposta do passado. Assim são os nossos contatos, assim são as nossas relações, o que, na realidade, não representa a verdade da relação, representa a verdade do relacionamento entre imagens, entre crenças, nesse gostar e não gostar, nesse querer e não querer. Então, é inevitável a presença do medo, da contradição, do conflito e do sofrimento nessa convivência.
Assim estamos levando os nossos dias, vivendo uma vida inteira ao lado de alguém sem conhecê-la, sem o conhecer, porque nós também não nos conhecemos. Se você não sabe a verdade sobre si mesmo, não libera de si mesmo, também, essa autoimagem - a imagem que você construiu sobre quem você acredita ser.
Quando alguém lhe aborrece, está aborrecendo a imagem; quando alguém lhe entristece, está entristecendo a imagem; quando alguém lhe elogia, está elogiando a imagem. E a única coisa que você tem sobre quem você é é essa autoimagem. Essa é a condição de ignorância em que estamos vivendo no ego, como pessoas.
Será possível descobrir a vida livre dessa autoimagem? O que será a vida livre do ego, livre do "eu", livre desse "mim"? Isso requer um olhar para aquilo que se passa conosco neste instante, neste momento; requer uma profunda compreensão das nossas reações quando somos desafiados a responder a partir dessa memória, dessa lembrança, dessa imagem. Então, sim, podemos nos livrar da ansiedade, podemos nos livrar do medo.
Um contato com o outro, quando é real, na verdade da relação - não no relacionamento, mas na verdade da relação -, não há medo. Então, não existe mais essa ansiedade social quando você compreende a Verdade sobre você, quando libera de você mesmo essa representação mental que carrega do outro, que carrega da vida, que carrega de si mesmo, a ideia de alguém. É a presença dessa ideia de ser alguém, é a forma como o pensamento está estabelecendo em você essa construção mental que está sustentando o medo; é algo típico do ego, é algo típico do "eu".
Precisamos nos aproximar da vida sem o passado, sem essas memórias e lembranças de tudo que temos vivido com ele ou ela para, de fato, termos um contato com ele ou ela sem a imagem dele ou dela, como também de nós mesmos. Isso é Liberação nesta vida, isso é o fim da autoimagem, isso é o fim do "eu", isso é o fim do ego.
A pergunta é: como isso se torna possível? Tendo uma compreensão do que é o pensamento, que lugar tem o pensamento em sua vida e que lugar ele não deve ocupar. Ele não pode ocupar esse espaço, que é o espaço da quietude, que é o espaço do silêncio, o espaço onde a mente está livre do passado, dessa continuidade de repetição de modelo de pensamento psicológico.
É desse pensamento psicológico que precisamos nos livrar. Então haverá um espaço de quietude, de silêncio. Um espaço se abre em você para essa visão da vida como ela acontece aqui e agora, neste instante, sem o passado. Enquanto estivermos carregando essa mente presa a esse velho modelo de repetição de pensamento, de continuidade de pensamento, de ocupação com pensamentos, estaremos cultivando essa autoimagem, sustentando essa imagem que eu tenho dele ou dela. Isso ocorre porque não sabemos olhar para o pensamento.
Qual é a verdade sobre o pensamento? O que é o pensamento? O pensamento é essa memória que vem do passado. Quando você aprende a lidar com ele ou ela, trazendo Atenção, nesse instante, para o pensamento quando surge, o sentimento quando aparece, o que quer que esteja surgindo nesse contato, quando isso é visto a partir desse olhar em Atenção - Atenção é a presença de um olhar livre do passado -, quando olhamos e nesse olhar fica apenas a presença do olhar, sem essa identidade no olhar, que vem do passado, não há registro, não há imagem, não há essa continuidade desse padrão de pensamento psicológico dentro da relação.
Nós não sabemos olhar sem o "eu", olhar sem o ego, olhar sem a autoimagem. Precisamos descobrir como isso acontece, como isso, nesse instante, se torna possível, e se torna possível quando você descobre o que é olhar, apenas olhar. É que constantemente nós estamos olhando para concordar ou discordar, para gostar ou não gostar.
Quando alguém lhe elogia, nesse instante, a quem isso atinge? Essa autoimagem! Então, nesse momento, esse "eu", esse ego, essa autoimagem se sente lisonjeada; mas quando é criticada, ela também se sente tocada pela irritação, pela raiva, pela frustração, revolta. Essa é a presença do medo, essa é a presença da ansiedade.
Quando você coloca Atenção nesse instante para olhar, nesse momento, nesse olhar, esse sentido do observador desaparece, desse experimentador desaparece, desse pensador desaparece, dessa autoimagem desaparece; e isso requer a presença do Autoconhecimento, desse olhar livre do "eu", livre desse "mim", livre do passado.
Por isso, nós precisamos aprender a verdade dessa aproximação desse instante, desse momento presente, sem as conclusões, avaliações, imaginações, ideias sobre o que esse momento representa, sobre quem ele é, sobre quem ela é, sobre quem eu sou. Isso requer um cérebro quieto, silencioso, uma mente livre de pensamentos, de avaliações, de comparações e julgamentos.
O elemento fundamental que torna isso possível para essa visão do Autoconhecimento é a presença dessa Atenção sobre como a mente está acontecendo aqui e agora, para cada onde nós. É isso que nós estamos aqui, com você, aprofundando, trabalhando. Uma vida livre do passado é uma vida livre do modelo do pensamento psicológico, dessa forma de pensamento que constrói essa identidade, que constrói essa autoimagem, que é esse sentido do "eu" presente.
Portanto, nos nossos encontros aqui, estamos, com você, tomando ciência disso, como trazer para esse momento a presença dessa Atenção, dessa Plena Atenção sobre as nossas reações, para irmos além dessa autoimagem, para a direta compreensão da vida aqui e agora, livre do "eu", livre desse "mim", livre dessa pessoa.
Aqui, nesses encontros on-line nos nossos finais de semana, nós estamos aprofundando esse assunto com você. Fora isso, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite.
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