O ponto é que: presos dentro dessa rotina - eu me refiro a essa rotina da continuidade desse padrão de pensamento que nós temos, que nós conhecemos - é algo como que impossível vivermos a verdade de uma cura para esses padrões internos de sofrimentos psíquicos. Nós precisamos descobrir o que é ter um contato novo com a vida que, nesse instante, está presente, aparecendo neste momento. Nós temos aqui, com você, discutido essas questões.
Há uma Verdade presente, e esta Verdade é a Real Consciência, a Realidade d'Aquilo que é Você em sua Natureza Divina, em sua Natureza Verdadeira. Isso permanece desconhecido. E é interessante dizermos isto aqui para você: esta Realidade Divina se Revela, mas ela não se Revela para se tornar conhecida por alguém, que é esse "eu"; ela se Revela como sendo a própria Vida em expressão, em Revelação. Nessa autorrevelação nós temos o fim da mente egoica, o fim dessa autoimagem, como eu tenho chamado, que é a pessoa.
Você e a autoimagem: é o nosso assunto aqui - entre outros. Em uma fala como essa, nós desenvolvemos com você diversos temas. Nós estamos aqui, por exemplo, nesta fala trabalhando, também, o fim da autoimagem, dessa autoimagem, que é a pessoa, que é você. Essa é a presença da mente, da mente conhecida, da mente presente em nós. A presença da mente é a presença do passado. Nós estamos vivendo no passado, permanecendo no passado.
É interessante a permanência do passado. A permanência do passado é a continuidade; uma continuidade em um tempo bem particular, bem especial, que é o tempo psicológico. A base da estrutura dessa consciência, que é a consciência da pessoa, desse "mim", é essa mente egoica; ela vive dentro de um modelo de tempo psicológico, então, de uma forma paralela, nós temos o tempo para o corpo. Nós envelhecemos com o passar dos anos.
Então, nós temos esse fenômeno, que é o tempo cronológico. Paralelo a esse tempo, nós temos esse tempo da continuidade do "eu" psicológico, dessa egoidentidade. Assim, jamais haverá uma cura para esse "eu". O que nós precisamos investigar aqui é a verdade sobre isto. O fato de que, psicologicamente, internamente, essa mente egoica não tem cura. Nós podemos tomar ciência da verdade sobre isto, e esta ciência da Verdade liberta.
A Libertação não é a cura. Quando você tem um paciente, ele pode ser tratado e recebe alta. Então, ele volta para casa depois que o médico lhe dá alta. O ego não é um paciente internado, sendo tratado e esperando, depois disso, a alta acontecer. Nós estamos lidando com um elemento presente que se sustenta no imaginário mundo do pensamento, da construção de ideias, opiniões, crenças, condicionamento, padrão de resposta, de memória, de lembrança: isto é o "eu", isto é o "ego". Não há cura para essa condição.
Sim, é possível a Liberação desse estado, desse quadro, dessa forma de ser; é quando temos o fim da autoimagem, o fim para essa egoidentidade. É uma suposta identidade presente e, no entanto, paradoxalmente, apesar disto, tendo uma vida muito particular e real - real, na verdade, dentro dos seus termos, dentro dos seus posicionamentos.
Nós estamos vivendo os nossos dias, envelhecendo em anos e, ao mesmo tempo, psicologicamente sustentando essa repetição, essa continuidade, essa rotina de interna condição psicológica de sofrimento, de contradição, de conflito, de desordem.
Os inúmeros desejos - boa parte deles contraditórios e conflituosos -, as inúmeras formas de medos, algo presente dentro de uma relação com a vida, com os acontecimentos, com as pessoas, com os próprios pensamentos que surgem dentro de cada um de nós, aqui temos a presença desses temores diversos: essa é a situação do "eu", do "ego", da "autoimagem".
Assim, ao longo dos anos vamos envelhecendo e a mente vai se tornando cada vez menos capaz, menor é a habilidade de olhar para o momento presente sem o passado. Assim, temos uma mente prisioneira, centrada no passado, sem liberdade. Não tratamos com você aqui da questão da cura para esse "eu", e, sim, do fim para essa egoidentidade. Investigar isto requer a presença de um perceber novo.
O que é o pensamento? Perceber o que é o pensamento é a base. O pensamento em nós é o elemento que está presente em razão da presença do passado; este passado é a memória em você, a psicológica memória que não se concluiu.
Nós podemos aqui dar um exemplo para você do que é o pensamento - porque essa é a pergunta: "O que é o pensamento?" Quando você me trata mal, você fere o meu "eu", o meu "ego", você me feriu. Não há uma separação entre eu e o meu ego, entre esse ferimento e o que eu sou aqui, nessa autoimagem. Portanto, você me tratou mal, é esta lembrança, é essa memória que surge como uma recordação de imagem, de pensamento e, também, de sentimento e emoção de frustração, de dor, de revolta, de raiva que tenho de você - essa é a presença do pensamento.
Nós estamos vivendo no pensamento, tendo essa qualidade de memória desagradável - podemos estender isso para diversas outras formas de representações de dor emocional, psicológica. Mas também temos as memórias agradáveis, aprazíveis, deleitosas, felizes, que também essa autoimagem cultiva e sustenta em nós. É assim que estamos vivendo os nossos dias, mantendo essa rotina de continuidade da pessoa.
Esse cérebro está viciado em viver assim, no cultivo dessa história, que é só memória, que é só lembrança. Nós não sabemos morrer para isto, permitir que isso se dissolva, para um cérebro novo, que tenha esse frescor, essa Liberdade, essa ausência de história psicológica, de memória psicológica. O contato com o pensamento neste momento, com a experiência deste instante, quando não fica registro, nós temos um contato com a presença do pensar.
Quando você me ofende, e neste instante há uma completa Atenção sobre essas reações aqui, dentro deste corpo, deste cérebro, quando a palavra de ofensa chega, a presença dessa Atenção sobre essa reação é a presença de um contato com a Ciência da Meditação, com a Verdade da Revelação dessa reação e, portanto, estou conhecendo a mim mesmo. Não é o conhecimento de alguém tendo ciência de si próprio para mudar como uma pessoa muda, não é isso.
Aqui se trata da Ciência da Revelação do próprio "eu", e isso requer a presença de uma Inteligência, que aqui eu tenho chamado "a verdade do pensar". Quando colocamos a Verdade, a Inteligência, temos a presença do pensar. Não é de alguém pensando, é a presença da Ciência do que é o pensar.
Portanto, o que é o pensar? O pensar é a ciência de olhar com Inteligência para o pensamento, sem colocar no pensamento a presença do pensador. Quando temos a verdade sobre como nós funcionamos, estamos livres do pensamento, do sentimento, da emoção, da sensação, da percepção, porque estamos em um direto contato com a Totalidade da Vida, e não com a imaginação de uma particular identidade, que é essa autoimagem, que é essa consciência do "eu".
Portanto, este é o contato com a Real Consciência; ela não é pessoal, ela não está dentro desse tempo, que é o passado, estabelecido em nós pelo pensamento para tirar conclusões, avaliações, para ficar magoado, ofendido, ferido, para ter essa autoimagem arranhada. Portanto, isto requer um olhar para este momento, que é esse olhar do perceber.
Nós não sabemos perceber. Não há o perceber. A forma de aproximação em nós é de alguém percebendo. Estamos sempre colocando a proposta pessoal, particular, individualista dentro da vida como ela acontece. Então, não sabemos perceber. Perceber o que está acontecendo não requer alguém para tirar conclusões sobre isso, para fazer escolhas, para comparar, para julgar.
Quando alguém lhe ofende, só lhe encontra para lhe ofender porque não há o perceber. Se neste momento o perceber está presente, esse perceber é Atenção; Atenção sobre esse pensamento que surge dentro, o sentimento que aparece. A própria imagem é parte dessa particular visão de mundo que resiste, que luta e, portanto, se ofende, fica magoada. A presença desse perceber é a presença dessa Atenção, livre do passado.
Quando tocamos aqui, com você, na beleza deste encontro com a Meditação, não estamos colocando a Meditação como uma técnica terapêutica, como algo para lhe curar do ego. A Meditação é a visão da Realidade da Vida como ela acontece, é a Verdade que liberta. Volto a dizer: não é a cura dessa desordem psicológica que é a presença dessa mente egoica. É a Liberação, é a Libertação da ilusão dessa autoimagem, dessa egoidentidade a presença da Meditação.
Quando a mente for expurgada, esvaziada, liberada desse psicológico conteúdo de condicionamento, de história, de memória, de pensamento psicológico, de visão particular do mundo, do outro, de si mesma, temos a presença desse espaço. Neste espaço se Revela Aquilo que está além do "eu", que não está dentro desse contexto do conhecido: é Você livre desse "mim", desse "eu", dessa autoimagem, desse você como o pensamento diz ser você.
Portanto, nestes encontros aqui nós temos esse propósito: a plena Ciência disto, a real visão desta Verdade, da Verdade que Liberta, que traz essa Ciência de Deus, que é Amor, Felicidade, Compreensão, Sabedoria. Esses encontros on-line que nós temos aqui nos finais de semana - sábado e domingo - têm este propósito. Fora esses encontros, temos encontros presenciais e, também, retiros.
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