É bem interessante quando as pessoas usam expressões como "kundalini"; quando perguntam sobre como despertar a kundalini. A ideia que elas têm sobre essa expressão fica muito claro que estão associando a todo tipo de coisa de uma forma muito confusa, bastante desorientada.
Nós temos em nós a presença de uma Realidade que está presente, mas apesar de estar presente se mantém silenciosa, desconhecida, misteriosa: é a presença da Verdade da Realidade sobre Você, é a Realidade deste Ser; este Ser é a Realidade Divina. Os antigos sábios Indiano usavam a expressão "Kundalini" se referindo a esta Presença silenciosa, oculta, desconhecida em nós. Portanto, a expressão "Kundalini" é, na realidade, sinônimo da Presença Divina em cada um de nós.
Então, qual será a Realidade do Despertar da Kundalini? Será o despertar de poderes místicos, assim chamados, espirituais? Observe que esses poderes ainda estão associados a algum nível de realização pessoal. E qual é a verdade sobre a pessoa? Aqui estamos lidando com uma ilusão, porque a Verdade Divina de Ser, que é Kundalini, não é uma pessoa.
Nós nos vemos no tempo e no espaço como uma entidade presente separada da vida, para obter alguma coisa, para conquistar coisas. Essa é a ideia de realizar algo especial para si mesmo. Isso apenas nos dá especialismo, isso nos torna mais "alguém", além da "pessoa" que somos; agora somos especiais porque temos certas virtudes, certo poder, certa realização.
No entanto, a Verdade do Despertar Espiritual, do Despertar Divino, não é o despertar para alguém, não é o despertar de alguém, é ciência da Verdade; a Verdade que a pessoa não é real, a Verdade de que o sentido do "eu" é uma ilusão. Então, o que é, na verdade, o Despertar da Kundalini? É a Ciência de que há uma única Realidade aqui e agora se revelando; esta Realidade é a Realidade deste Ser. Não é alguém que despertou, não é alguém se tornando melhor, especial, virtuoso, ou poderoso.
Aquilo que nos aproxima da Verdade do Despertar, do Florescer deste Ser, é a Verdade sobre quem nós somos, é o reconhecimento disso. E há dois aspectos aqui. O primeiro é a verdade que somos no que demonstramos ser, no que parecemos ser. Como pessoas, nós vivemos sobrecarregados de problemas de desordem psicológica, de desordem emocional. Como pessoa, nós vivemos em estresse, com raiva, com medo, com ansiedade, com preocupações. Como pessoa, nós vivemos em um estado de isolacionismo, de separação.
Assim, a pessoa que somos consiste num conjunto de memórias que trazemos sobre nós mesmos. Portanto, a ideia de alguém presente é a ideia da pessoa que "eu sou". Portanto, o primeiro aspecto aqui, que uma vez visto, esclarecido, termina sendo descartado, é a ilusão do ego, a ilusão da pessoa. O segundo aspecto é a Ciência da Verdade, da Realidade Divina que aqui está presente, que não é a pessoa.
Então, há algo presente: é a Realidade de Ser. E também há algo se expressando aqui, nesse modelo que está se repetindo há milênios dentro desse contexto de história humana, e particularmente já há alguns anos, desde que nos entendemos por gente, desde que nascemos. Essa forma de representação de ser alguém é a vida do "eu", é a vida do ego. Portanto, a verdade sobre isso é o descarte dessa psicológica condição de mente que se repete, de mente que segue esse programa de cultura, de sociedade, de mundo.
Essa é a forma como o pensamento em nós está se repetindo, tendo por princípio, por base, o modelo da memória. Como podemos tomar ciência disso? A partir do estudo de nós mesmos, que é o que estamos propondo aqui para você: estudar a si mesmo, compreender a pessoa que você é. Não é você adquirindo conhecimento sobre si mesmo, é você tomando ciência sobre você. A ciência sobre você descarta a ilusão desse "você" que o pensamento estabeleceu, que o pensamento construiu.
Então, quanto mais ampla e profunda for a visão, mais esclarecida e lúcida for a percepção de si mesmo, estaremos diante da Verdade do Autoconhecimento; e é esse Autoconhecimento que liberta. A Liberdade aqui é a conclusão do "eu", é a finalização do "eu", é o término do "eu", dessa falsa identidade. Então, o Despertar Espiritual ou o Despertar Divino, a Iluminação Espiritual - os nomes são diversos para algo que está além das palavras -, esse algo que está além das palavras, é a Ciência da Verdade de que não há mais essa mente como nós conhecemos, dentro do conhecido.
Esse é o contato com a vida neste aprender sobre o Autoconhecimento. Se você dirige um carro é porque você aprendeu; se você fala um idioma fora a sua língua natal é porque você aprendeu; se você sabe algo é porque você aprendeu. Na verdade, na vida, tudo foi aprendido. Pode parecer curioso, mas você aprendeu a ver. Sim, porque quando você é um bebê, os olhinhos estão abertos, mas você não sabe ver. Você aprende a ver, a tomar ciência dos objetos, a ter percepção de detalhes na visão.
Então, o bebê aprende a ver; ele tem todo o potencial, toda a capacidade para enxergar, mas ele apenas está tomando ciência das formas, das cores; ele está em um aprendizado. Nesta aprendizagem, ele está aprendendo a ver. Nós aprendemos a escutar, nós aprendemos a caminhar, aprendemos a falar, aprendemos a mastigar, tudo na vida nós aprendemos.
Aqui nós precisamos também desse aprender, desse aprender sobre nós mesmos. O que difere é que esse aprender não requer memória. Todas as outras formas de aprendizagem requerem a presença da memória. Então, nós passamos pela experiência, registramos a experiência e adquirimos a memória. Essa memória agora é o conhecimento. Esse conhecimento assume uma forma de expressão, que é a presença do pensamento, da imagem, do quadro, da palavra, é a forma. Tudo isso representa a presença da memória.
Aqui, aprender sobre nós mesmos requer uma nova forma de aprender, o que representa um contato com a vida, neste momento, sem as conclusões, sem as avaliações, a ideias. Ideias, avaliações e conclusões são algo que vêm do passado, são algo que vêm da memória. Infelizmente, nós estamos sempre tendo um contato com a vida a cada momento sem a arte deste novo aprender, então, estamos sempre avaliando, julgando, comparando as experiências do momento com base no passado, e isso não é aprender sobre si mesmo.
O aprender sobre si mesmo requer um olhar para o momento permitindo que esse momento seja compreendido e se dissolva, então não fica registro, não fica memória, não fica conhecimento. E, no entanto, nós temos neste momento, neste novo aprender, que é o aprender sobre a Verdade daquilo que somos, a presença da compreensão, da compreensão da Vida.
Não é alguém tendo a compreensão da Vida, adquirindo uma compreensão da Vida, guardando uma compreensão da Vida, acumulando um conhecimento sobre a Vida. É a presença da compreensão, o despertar da própria Inteligência de lidar com o momento presente sem a interferência do passado, sem essas avaliações, conclusões, ideias e conceitos.
Percebam a beleza disso. Nesse encontro com o momento presente neste novo formato, neste aprender sobre nós mesmos, neste aprender sobre a Verdade de Ser, que é o aprender sobre o Autoconhecimento, nós temos aqui a presença da Meditação. A coisa mais importante na vida é a arte de Ser, sem qualquer ideia de vir a ser, sem qualquer crença de necessitar ser, de se tornar, de alcançar, de obter alguma coisa. Então nós descartamos a própria ideia desse Despertar da Kundalini como algo para se obter.
Aqui, esse Despertar é assumir a Verdade de Ser; este assumir a Verdade de Ser é a Ciência que se revela neste momento quando a memória perdeu a importância. Nós não precisamos do passado para lidar com a vida aqui e agora, só precisamos da Ciência desta Presença, desta Divina Inteligência.
Então, o que é Meditação? Qual é a Verdade da Meditação? O que ela é? Ela é a Presença da Vida se revelando neste aprender, aqui e agora, momento a momento. Então se revela, aqui e agora, neste momento, o seu real encontro com Deus, com o Divino, com a Vida, com a Verdade. Portanto, a resposta para a pergunta "como Despertar a Kundalini", se ela for bem compreendida, ela é a resposta para a pergunta "como encontrar Deus".
No entanto, no pensamento, as pessoas colocam isso no futuro, colocam Kundalini como um projeto, como algo para alcançar, como uma experiência mística, esotérica, espiritual, colocam a ideia de Deus como algo, também, no futuro, que irá ser encontrado a partir de uma experiência também espiritual ou esotérica, de prática de meditação.
Repare que aqui nós usamos essas expressões, mas com um sentido completamente diferente. Aqui, a Verdade da Meditação, a Real Meditação não é uma prática para alguém realizar. Não se trata de técnica ou prática, onde você dedica ali alguns minutos para silenciar a mente a partir da técnica, a partir do esforço, a partir da concentração ou de uma técnica de respiração. Não se trata de algo como um silêncio obtido por uma prática.
Aqui se trata da Revelação da Verdade deste espaço novo onde, sim, de fato, a mente silencia, o cérebro se aquieta e a Realidade Divina se revela aqui e agora. Esse é o real encontro com Deus. Não é alguém tendo um encontro com Deus, é a Realidade deste Ser, que é a Verdade Divina, se revelando neste momento.
Portanto, não existe qualquer separação entre a Verdade da Real Meditação, que é esta Ciência sobre a Verdade da Vida, que é esta Ciência da Vida aqui e agora se mostrando sem o sentido do "eu", e a Verdade desse encontro com Deus, o que também não é algo que se separa da Beleza do Despertar da Consciência. A Verdade desta Real Consciência, desta Divina Consciência, não daquilo que conhecemos, também, por consciência, que é a presença da mente egoica.
Assim, esta Real Consciência é a Realidade Divina, é a Realidade de Ser. Essa é a Presença da Kundalini. Então, há um novo cérebro, há uma nova mente, há um novo coração, há um novo modo de lidar com o mundo à sua volta, assim como com as pessoas, com as situações, assim como com tudo à sua volta, sem a ilusão de alguém presente se vendo separado de tudo isso, porque o sentido do "eu" não está mais, porque o sentido do ego se foi.
Então, a beleza do encontro com a Realidade Divina é a Ciência do Despertar da Kundalini. Não é a alguém que despertou a Kundalini, é a Verdade desta Realidade presente, que é a Verdade deste Ser. É o que nós estamos juntos aqui trabalhando nos finais de semana, sábado e domingo, em encontros online. Além dos encontros online, temos os encontros presenciais e, também, os retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui esse convite.
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