Aqui nós estamos tendo um contato onde estamos comunicando algo para você. Agora, esse ato de comunicar, ou essa comunicação, requer, naturalmente, uma atenção de escuta, é isso que torna possível termos juntos uma compreensão daquilo que estamos tratando aqui com você. Esses assuntos que nós abordamos aqui não são assuntos tão simples, isso é algo que requer de cada um de nós um olhar bastante cuidadoso, para uma compreensão direta, vivencial disso, é quando ocorre uma real compreensão.
Você não tem a possibilidade de compreender algo quando daquilo você apenas se aproxima parcialmente. Se a gente se aproxima de algo para compreender é diferente de quando nós nos aproximamos para entender aquilo. Podemos apenas, superficialmente, ter uma aproximação de entendimento ou podemos ter uma direta compreensão. Aqui é colocado para você a beleza da compreensão, o entendimento não é suficiente.
Na vida, nós estamos lidando com assuntos muito complexos. Veja, os assuntos em si têm a complexidade da nossa mente, da nossa consciência, dessa consciência que temos, dessa mente que trazemos. Assim, o que nós pretendemos aqui juntos é participar ativamente. Essa participação ativa nos aproxima da compreensão.
Se eu tenho algo para lhe ensinar, eu preciso que você se coloque, naturalmente, à disposição de participar ativamente daquela situação. Repare que quando você se une a um profissional de alguma área, ele participa com você ativamente desse aprendizado que você tem. É natural que você interaja com ele de uma forma muito ativa; de outra forma você não irá aprender o que ele quer lhe passar, lhe comunicar.
Aqui nós estamos juntos para descobertas, para constatações, para tomarmos ciência de alguns assuntos de grande relevância para cada um de nós. A não ser que você não esteja, internamente, predisposto a essa visão, ela não acontecerá. É necessário que você internamente tenha uma predisposição para essa compreensão do que tratamos aqui com você, para esse aprendizado.
Aqui, aprender não é adquirir uma informação, um conhecimento, nem mesmo uma experiência, porque não estamos lidando com um assunto que é meramente técnico, como, por exemplo, uma profissão que se aprende. Aqui nós estamos aprendendo a aprender. Eu não posso lhe comunicar aquilo que eu sou, mas eu posso lhe comunicar como se aproximar de si mesmo para essa compreensão sobre quem é você.
Então, é isso que tratamos aqui com você quando tratamos desse aprender sobre o Autoconhecimento. Alguém não pode lhe dar o Autoconhecimento, alguém não pode lhe mostrar o Autoconhecimento; um livro não pode lhe ensinar isso, uma palestra não irá lhe mostrar o que é o Autoconhecimento. Autoconhecimento é a ciência da autorrevelação. Você toma ciência de si mesmo nesse aprender sobre você. Aqui o nosso trabalho juntos é lhe mostrar como acessar esse aprender.
Veja, na vida nós aprendemos tudo. Então, tecnicamente, nós sabemos fazer as coisas porque aprendemos. Você sabe dirigir um carro, você sabe andar de bicicleta, as coisas mais básicas na vida foram aprendidas, mas não sabemos aquilo que temos de mais básico na vida, que é a ciência da Verdade sobre quem nós somos.
Uma criança pequena já sofre de ansiedade, de angústia, já sofre de medo, e não ensinamos uma criança a lidar com isso. Não ensinamos porque não sabemos, porque estamos também sofrendo como essa criança sofre. No tempo do colégio, quando a sua borracha de apagar sumia ou a sua caneta desaparecia, você ficava irritado, aborrecido, enraivecido, porque aquilo tinha desaparecido. Isso gerava em você estados, desde uma leve apreensão, preocupação, até mesmo essa raiva.
Então, nós estamos sempre tendo contatos com estados internos emocionais, de sentimentos, que nos comunicam conflitos, desordem, sofrimento desde pequenos, e não sabemos lidar com isso. Nós, na verdade, não conhecemos como nós funcionamos, como nossa mente funciona.
Por que perder um lápis ou uma caneta nos enraivece, nos deixa furiosos? O que é esse sentimento? O que é essa fúria, essa raiva? O que é esse estado em nós? Talvez não seja exatamente esse, talvez seja o estado de medo, porque agora temos que justificar para os nossos pais o porquê perdemos a caneta, o lápis ou a borracha, e eles são criaturinhas também assustadas, carregadas também de raiva, então talvez tenhamos medo da raiva deles, e nem tenhamos espaço para nossa própria raiva. Mas o que é a raiva? O que é o medo? O que é esse sentimento de dor quando se perde as coisas?
Nós perdemos coisas materiais, mas também perdemos pessoas na vida, e nós não sabemos a verdade sobre o medo, por exemplo. O que é o medo? Nós não sabemos o que é o medo. Nós não nos conhecemos, não sabemos como nós funcionamos, por que sentimos o que sentimos, por que pensamos exatamente o que pensamos e fazemos exatamente o que fazemos, e não sabemos porque fazemos coisas pensando em outras coisas. A gente faz algo impulsionado pelo pensamento, mas é um pensamento em contradição com um outro pensamento de não fazer, e mesmo assim a gente faz.
Notem que os nossos estados internos são conflituosos já desde pequenos. Esses estados internos são os estados do "eu", do ego, desse sentimento de consciência, que é a consciência da pessoa, da pessoa que "eu sou". Depois você cresce e isso está presente nas relações mais próximas. Agora isso está presente na relação com o marido, com a esposa, com os filhos, com os colegas de trabalho. Você é funcionário de uma empresa e lá está estressado, preocupado, com problemas.
Nós temos problemas de todos os tipos. Sejam problemas internos, emocionais, porque você está com algum problema no relacionamento com a esposa e agora estressado no trabalho, ou problemas externos, como a necessidade financeira, a falta de dinheiro para comprar algo que você precisa. Então, a vida humana é carregada de problema e nela está presente essa questão do medo: o medo de ser demitido porque está estressado; o estresse porque está com problemas no relacionamento com a esposa; o estresse porque precisa de dinheiro para pagar alguma coisa e não tem aquele dinheiro, e o dinheiro que você ganha é pouco. Enfim, são inúmeros os problemas de todos os tipos.
Esse sentido de ser alguém presente na vida, na experiência, algo que nós trazemos já desde a infância, é algo do início até o fim dos nossos dias dessa forma. Assim, nós temos uma vida tediosa, aborrecida, chata, preocupada, estressada, ansiosa, deprimida, com problemas. Romper com isso é algo possível nessa vida quando descobrimos qual é a Vida Real para se viver.
A vida que estamos vivendo é a vida que nos foi dada culturalmente para viver, socialmente para viver, politicamente para viver, historicamente para viver, tradicionalmente para viver, porque os nossos pais também viveram assim, e os pais deles também. Qual será a verdade da vida quando essa vida como nós conhecemos não está mais presente?
Será possível aqui e agora tomarmos ciência daquilo que é a vida sem sofrimento, sem problemas, sem estresse, raiva, angústia, depressão, ansiedade, medo? Temos que investigar a natureza do medo. Repare que o medo é algo presente em todos esses estados que acabamos de descrever, então ele parece que percorre todos esses estados, como se fosse a linha do colar, o fio do colar, o fio das contas de um colar. O medo é algo que está sempre presente na vida.
O ser humano vive dentro desse padrão de medo. O medo está em tudo: o medo de perder, o medo por ter perdido, o medo de não alcançar, o medo de explicar, o medo de não ter, o medo de não conseguir. Nós temos o medo do futuro, nós temos o medo do passado. Nós temos o medo de ser descoberto por algo que fizemos ontem: é o medo do passado. Temos o medo de não sermos atendidos amanhã em uma necessidade que temos nesse momento. Então, o medo está presente o tempo todo.
E notem que o medo é companheiro da memória, do pensamento. Não existe qualquer medo possível para você sem o pensamento dizendo algo sobre aquilo. É quando o pensamento está presente que o medo está presente. Agora, aqui, nesse instante, sem o pensamento você não perdeu nada, sem o pensamento você não tem passado, sem o pensamento você não tem o futuro. Sem o pensamento você não pode adoecer, isso é o futuro. Sem o pensamento você nunca adoeceu, isso é o passado.
Repare que o pensamento é sempre a referência da presença do medo. Se há pensamento, há medo. E o medo está sempre relacionado com algo ou alguma coisa, algum acontecimento, algum objeto ou alguma experiência para esse elemento, que é esse "mim", esse "eu", esse sentimento de pessoa que você tem.
Será possível a vida livre do medo? Será possível a vida livre desse "eu"? Isso requer a presença do Autoconhecimento, isso requer a ciência da verdade sobre você, além dessa cultura de pessoa que você recebeu dentro desse contexto de humanidade. É isso que estamos propondo aqui para você, uma vida livre do ego, uma vida livre do "eu" e, portanto, uma vida do pensamento, livre do medo. Em alguns níveis o pensamento se faz necessário, em outros ele não só é desnecessário como é a base para essa confusão em que estamos vivendo essa vida que nós conhecemos.
Aqui estamos juntos fazendo descobertas e isso requer essa comunicação e esse encontro de compreensão, o que requer esse estado de escutar aquilo que é colocado aqui. Esse real estado de escutar ocorre quando há Silêncio, quando há espaço em você para acompanhar uma fala como essa e ver o que estamos tratando aqui, colocando aqui para você.
Agora, é importante que você aqui nesse instante compreenda: esse ato de escutar a vida como ela acontece, de perceber suas reações quando elas surgem é algo que, nesse instante, é a grande lição que a vida lhe concede, que a vida lhe dá. Observar suas reações, observar seus pensamentos, seus sentimentos, observar aquilo que se passa com você nessa relação com objetos, com pessoas, com situações, observar como o pensamento funciona em você, apenas observar, se tornar ciente disso é poder romper com esse padrão, que é o padrão do medo.
É por isso que é fundamental aqui essa participação ativa. É necessário que você se coloque nesse escutar, nesse observar, nesse perceber a si mesmo quando surge um pensamento, um sentimento, uma emoção, quando algo é perdido, quando algo desagradável acontece. Trazer para esse momento esse olhar é ir além dessa psicológica condição de existência onde está presente essa forma de se repetir o tempo todo, de ser sempre a mesma pessoa - aquilo que aqui eu tenho chamado de condicionamento psicológico.
Nós estamos sempre reagindo da mesma forma às mesmas velhas situações, então, o sentido do "eu", o sentido do ego se repete. É por isso que nós temos mostrado aqui para você a beleza desse encontro com o modelo do pensar que está presente em cada um de nós. Nós precisamos descobrir o que é esse pensar, como você processa pensamentos ou como eles são processados em você.
Então, a verdade sobre o que é o pensar é a Liberação desse modelo, que é o modelo do pensamento nessa forma comum de vida. É por isso que nós temos aqui encarecido a importância desse aprender sobre nós mesmos, porque é esse aprender como você funciona, como a mente funciona, como o pensamento funciona.
Repare, a pergunta é: o que é o pensamento? Não sabemos. O que é pensar? Não sabemos. Então, nós estamos constantemente sendo levados para estados internos que desconhecemos, que estão sustentando em nós quadros de desordem emocional, de sofrimento psíquico. Assim, estamos, na vida, nessa particular vida do "eu", carregados de problemas, de situações não resolvidas.
Aqui nós estamos lhe propondo uma nova vida, uma Real Vida, uma Verdadeira Vida, que é essa Vida Divina, que é a Vida do seu Ser, d'Aquilo que é Você em sua Natureza Essencial, que nós desconhecemos, porque estamos vivendo uma vida assentada nesse modelo do "eu", nesse modelo do ego, que é o modelo do pensamento.
Observe, o pensamento tem um lugar, o pensamento tem um espaço, mas é só o espaço dele e, no entanto, ele está assumindo em nossas vidas um espaço irregular. A vida está agora, aqui acontecendo e nela há essa Beleza, essa Graça, essa Liberdade quando o sentido do ego, que é esse movimento do pensamento nessa inquietude, nesse formato de egoidentidade, não está mais presente. Então, precisamos saber o que é o pensamento e que espaço, que lugar real ele tem em nossas vidas, assim como o que é o pensar.
Observe que o pensar é um processo de reconhecimento de memória para um estímulo que surge aqui e agora, nesse momento. Veja, nós temos apenas esse processo e ele é algo mecânico. Não temos alguém nesse processo, e a crença é que você é aquele que pensa. A verdade sobre isso é que o pensamento é algo que nos acontece em razão de um estímulo e uma resposta, mas não existe esse elemento presente processando isso - me refiro a esse elemento que é o "eu".
Assim, esse sentimento de "eu", de pessoa presente na vida, na experiência, é a desordem, é a confusão. Aqui estamos, com você, investigando a ciência de Ser, a ciência da vida livre do "eu", livre do ego e, portanto, livre do pensamento e, naturalmente, livre de tudo aquilo que o pensamento tem criado e tem sustentado em nossas vidas. Podemos Realizar, sim, nesta vida, a Verdade sobre nós mesmos, a ciência de Deus.
Esses encontros que nós temos nos finais de semana, sábado e domingo, são encontros online para investigarmos isso juntos. Além disso, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ler é algo que faz algum sentido para você, fica aqui um convite.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe aqui o seu comentário