Nós temos uma noção equivocada da vida, de como ela se processa. Quando as pessoas querem descobrir o caminho para a Felicidade, para a Liberdade, para a Paz, para o Amor, elas têm essa noção do caminho como uma jornada. A ideia em nós é sempre de uma caminhada, e por isso nós precisamos de uma estrada, de uma jornada.
A ideia para nós sempre consiste dentro dessa noção de direção, de alcançar. Então, nós saímos de um ponto para outro. Toda a nossa experiência de vida, ao longo de todos esses anos de vida, nos mostrou que tudo aquilo que nós realizamos, nós precisamos do tempo para que isso se realize.
Tudo na vida, por exemplo, nós aprendemos. Nós estamos dentro de um constante aprender; aprendemos sobre tudo e, apesar disso, continuamos ainda sem saber, estamos sempre aprendendo. Então, nós reservamos dentro de nós uma clara noção da necessidade de aprender, e isso requer tempo. Então precisamos do tempo para aprender e do tempo para realizar.
Aqui eu quero, com você, investigar essa questão do Despertar Espiritual, da Iluminação Espiritual, e ver se também é assim aqui, se é verdade que precisamos do tempo. Veja, nós precisamos, sim, da arte do aprender, mas não desse aprender como nós conhecemos.
Para nós, aprender é algo que se sucede, que ocorre, que acontece quando passamos por experiências e reservamos, registramos essas experiências. Assim, existe um acumular de conhecimento e experiência. É assim que, em geral, lidamos com o "aprender" alguma coisa.
Aqui nós temos falado com você do valor do aprender. Precisamos, sim, dessa arte do aprender para o Despertar da Consciência, para a Iluminação Espiritual, mas nós temos que ter uma aproximação nova a respeito disso aqui, como sempre temos colocado.
Não se trata da pergunta de como alcançar a Iluminação Espiritual, como, em geral, as pessoas tratam essa questão. Notem que elas colocam a noção do tempo e dessa jornada, dessa caminhada em direção a esse propósito, em direção a esse objetivo.
Então, a noção é exatamente essa, que precisamos do tempo para alcançar alguma coisa, então nós precisamos do tempo para alcançar, também, a Iluminação Espiritual. Aqui estamos tratando com você desse Despertar, sim, dessa Iluminação Espiritual e desse aprender, mas de um novo aprender. Aqui, esse aprender consiste, nesse momento, em ver diretamente essa dada coisa, e dentro dessa própria visão, nesse "ver", uma ação ocorre, uma ação se processa.
Então, a verdade desse aprender aqui consiste em estarmos, momento a momento, tomando ciência daquilo que se passa nesse instante, aqui e agora, nesse momento. Então veja, assim sendo, nós eliminamos essa noção de tempo para alcançar e desse aprender acumulando informação, conhecimento e experiência.
Então, há uma forma nova de aprender, e é disso que estamos tratando aqui com você. Apenas nesse aprender o Despertar Espiritual ocorre, e ele não ocorre no tempo, ele ocorre nesse momento. Não se trata de uma experiência para se ter ou um conhecimento para se adquirir, se trata de descobrir, nesse instante, o fim para essa condição psicológica de ser um experimentador, de ser um pensador, de ser um observador, de ser alguém se movendo no tempo.
Observe que a noção de ser alguém que você tem é a noção de ser alguém numa jornada, numa caminhada. "Como alcançar a felicidade?" É muito comum perguntas que envolvem sempre a expressão "como", isso porque estamos condicionados na crença da necessidade do tempo, da necessidade da caminhada, da necessidade da jornada, da jornada do aprender acumulando, da jornada de ter experiências e com ela crescer, evoluir.
Nós precisamos rever isso, olhar de perto e perceber a ilusão desse condicionamento que nós recebemos. Não precisamos do tempo. Na verdade, aquilo que nós chamamos de tempo é só uma criação do pensamento. É o pensamento que tem construído essa noção de tempo para cada um de nós.
Todos os problemas que nós temos são problemas de desordem, que existem exatamente em razão da presença do tempo. Nós queremos resolver as questões que temos, são questões que nós criamos com base no pensamento. Essas questões são problemas. O pensamento tem construído esses problemas, criado essas questões, e queremos resolver isso com base no tempo. Mas o pensamento é o tempo.
Nós temos enfatizado isso e temos que ver, olhar, escutar, tomar ciência disso de uma forma muito direta para termos uma verdadeira aproximação do que estamos colocando aqui para você. O pensamento em nós nos fala do passado, ele nos fala do futuro, ele nos diz que não conseguimos o que nós queríamos conseguir, o que nós buscamos conseguir e nós não conseguimos.
O pensamento gera em nós, e esse pensamento é a memória reservada, guardada no cérebro, dentro de cada um de nós. Essa memória, essa lembrança, esse pensamento é o elemento que sustenta o tempo nos falando do passado, do que ontem nós não conseguimos. Esse elemento é o pensamento nos falando do que nós precisamos conseguir amanhã, e isso gera um sentimento de culpa e, também, de preocupação. Essa culpa e preocupação é a presença do medo, da ansiedade.
Portanto, os diversos estados internos de sofrimento psíquico que nós conhecemos estão presentes em razão da presença do pensamento, e esse pensamento está atrelado a esse tempo. Observe isso: sem esse pensamento, não existe o tempo. Sem o pensamento, não há o tempo, e sem o tempo, não há essa questão, não há esse problema.
Uma vida livre, psicologicamente, do tempo é a Vida Real aqui, nesse instante, do seu Ser. É porque estamos vivendo nessa psicológica vida do "eu", que é a vida no pensamento, que é a vida no tempo, que estamos tendo questões, que estamos tendo problemas, que estamos vendo uma jornada, uma caminhada, algo para se obter no futuro, algo também do qual se livrar, que nós carregamos do passado.
Nós precisamos investigar essa questão do pensamento, de como ele se processa dentro de cada um de nós, e logo iremos perceber que ele se processa com base na memória; uma memória que não sabemos lidar com ela nesse instante e, portanto, ela se sustenta nesse formato do "eu", do "mim" do pensador. A pessoa como você se vê não é outra coisa a não ser um conjunto de lembranças, de memórias, de recordações, de pensamentos que não terminam, que não finalizam.
Quando você olha para si mesmo percebe, dentro da sua cabeça, toda a inquietude, todo esse modelo de pensamento inquieto, tagarela, repetitivo, descontrolado, o famoso pensamento intrusivo, as formas de ansiedade presente em razão do modelo do pensamento, a angústia, a depressão. Quando olhamos para dentro percebemos que somos seres humanos confusos, em desordem psicológica, não há serenidade, quietude, não há silêncio. O cérebro está sempre nesse movimento acelerado.
A condição psicológica da existência do "eu", desse 'mim", dessa "pessoa", é de ansiedade, preocupação. Os diversos problemas que temos estão presentes nesse modelo de pensamento não terminado, não acabado, nesse formato de memória. O pensamento está sempre projetando o futuro. Então existe o medo, porque existe esse futuro que o pensamento está, com base no passado, na lembrança, na memória, projetando; ele não quer que isso ou aquilo do qual ele ali se lembra.
Veja, o pensamento tem a lembrança, a recordação; essa lembrança, essa recordação é algo que ocorre no cérebro. O pensamento se projeta no futuro, com base nessa lembrança, e existe o temor, o medo. Então, com base no passado, nós temos o medo do futuro. A nossa condição psicológica de ser alguém, nesse modelo de pensamento não terminado, é de sofrimento.
Nós aqui estamos estudando isso, investigando a natureza do "eu", desse "mim". Nós temos colocado aqui para você o valor dessa aproximação, desse olhar direto para esse modelo de pensamento, que é o modelo de condicionamento, como o nosso cérebro está funcionando, como o nosso intelecto está preso a ele dentro desse condicionamento.
Podemos libertar o cérebro dessa condição, o intelecto dessa prisão de memória? Tomar ciência do movimento do "eu" é ir além desse "mim", desse ego. Os diversos problemas que temos estão presentes em razão dessa noção de tempo que o pensamento dentro de nós representa. Aqui estamos dizendo para você que é possível o fim para esse modelo de pensamento, isso é essa morte psicológica, desse sentido do "eu", do ego.
Se esse sentido do "eu", que é esse "mim", que vive dentro desse modelo psicológico de memória inacabada, dando continuidade a essa noção de tempo psicológico, termina, nós temos essa morte psicológica, o fim para essa condição psicológica de ser alguém, para a Realidade do seu Ser, para a Verdade d'Aquilo que está além desse sentido de pessoa, de egoidentidade. Então aqui, sim, está a resposta para a Felicidade.
Não se trata de, no futuro, como uma resposta para a pergunta "como alcançar a felicidade". Não se trata da felicidade no futuro, mas a ciência da Realidade desse instante, daquilo que está presente aqui quando esse "ego", esse "eu" psicológico, desapareceu.
Quando esse padrão de comportamento, de pensamento em que o cérebro está condicionado a viver, e esse intelecto preso a sustentar, a segurar, se há um fim para essa condição, nós temos um novo cérebro, uma mente quieta, um cérebro silencioso, a presença dessa ciência desse instante, a Realidade que está aqui e agora.
Essa é a Verdade do seu Ser, a Verdade da não dualidade, da não separação, onde a Presença da Realidade Divina, que é Você em seu Ser, está livre desse sentido do "eu", do ego e, portanto, livre desse tempo psicológico, desse pensamento psicológico, desse padrão comportamento egocêntrico, pessoal.
Há uma outra pergunta - repare, todas essas perguntas com base nesse "como", que se sustentam no tempo, se resolvem -: "Como lidar com o julgamento dos outros? Como lidar com os julgamentos?" O fim da ilusão do "eu" é o fim dessa autoimagem, dessa imagem que carrega o medo da rejeição, da comparação, da não aceitação, do julgamento do outro.
Aqui estamos trabalhando com você o fim do sofrimento psíquico, o fim dessa desordem emocional, o fim dessa ilusão de alguém que se sustenta nessa ilusória vida, sempre na procura de algo em um futuro que o pensamento idealiza. A Realidade Divina é a Realidade de Deus, e isso é Amor, Paz, Liberdade, Felicidade. Essa é a Natureza de Deus, essa é a Natureza do seu Ser.
Esse é o nosso assunto com você aqui. Além disso, temos encontros online que ocorrem nos finais de semana. Sábado e domingo estamos juntos, através de perguntas e respostas, aprofundando esses assuntos aqui com você. Então, um contato com a Meditação, com o Autoconhecimento é ter uma aproximação da Verdade da Revelação de Deus, da Revelação do seu Ser. Também temos encontros presenciais e, também, retiros.
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