terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Como meditar da maneira correta? Questões fundamentais da vida. Despertar. inteligência Espiritual.

É estranho ouvir isso, mas é exatamente assim. Você tem tudo na vida, mas você não tem isso. Então, você não tem nada.

Aqui eu me refiro a essa ciência de Deus, a esta ciência da verdade. A sua vida, como você vive, onde nela você se encontra como um elemento separado e a parte de tudo que ela é, de tudo que ela representa, é uma condição de ignorância, de psicológica ignorância, onde você está apenas dentro de um sonho particular, de mundo, de realizações, de conquistas, que já conquistou muito, conquistou tudo, se é que isso é possível. Conquistar tudo. Veja, isso tudo faz parte da sua imaginação, a imaginação de que você tem tudo, de que você realizou tudo, ou de que um dia irá realizar tudo que deseja realizar, sem a ciência da verdade sobre você.

Aqui a expressão é a ciência do Autoconhecimento. Aqui a expressão Autoconhecimento não é no sentido de um mero reconhecimento daquilo que é você. O reconhecimento daquilo que é você é um modelo de pensamento que você tem sobre quem é você.

É exatamente assim que a maioria das pessoas usam aí fora essa expressão. É exatamente assim, nesse sentido. É dessa forma.

A palavra Autoconhecimento, para elas, é o conhecimento de quem elas são. Se você pode conhecer quem você é, esse conhecimento que você tem sobre você é somente um reconhecimento mental, intelectual, uma imagem que você tem agora construída a respeito daquilo que você acredita ser, por ter uma descrição disso, uma análise sobre isso, avaliações e comparações sobre isso. Portanto, isso se trata apenas de mais uma imagem que o pensamento tem estabelecido, como sendo você.

Aqui, quando colocamos a expressão Autoconhecimento, estamos falando desta ciência da compreensão desse mim, desse "eu". Esta compreensão desse mim, desse "eu" é o descarte dele.

Então, a grande verdade do Autoconhecimento é a verdade de que não existe esse mim, esse "eu", esse alguém para se conhecer. Quando você entra fundo nesta compreensão de si mesmo, descobre que esse si mesmo é constituído de imagens, de ideias.

O que são essas ideias? Um conjunto de pensamentos da formação a um modelo, a um conceito, a uma ideia. A verdade sobre você sendo vista, a ciência desta verdade, é a compreensão de que esse você não é real. Há uma realidade presente nesse olhar.

Mas essa realidade desse olhar não é o olhar de alguém se vendo, de alguém se entendendo, de alguém se autoconhecendo. A presença desse olhar é a ciência da verdade. Esta ciência é a revelação da única coisa que importa na vida, que é a própria ciência da vida, onde temos presente a realidade de Deus.

Então, a única coisa real na vida é a realidade dela própria, nela mesma. Esta é a ciência do seu Ser, de sua natureza verdadeira, desta real consciência. Veja, não desta consciência que é a consciência da pessoa. Desta pessoa que realiza tudo, ou realizou tudo, ou está sempre realizando o que deseja, o que busca, o que quer realizar.

Aqui estamos com você descobrindo a ciência da verdade, daquilo que realmente está presente fora deste sonho, desta imaginação, desse pensamento que nós temos sobre a vida. Pensamento que temos sobre a vida é parte dessa ignorância que nós temos a respeito de quem nós somos.

A visão que você faz do mundo é a visão a partir da ideia de ser alguém no mundo. O que é uma fraude. O que é uma ilusão, um equívoco, um engano. Aqui com você nós estamos investigando essas inúmeras questões. Repare, agora, no início da fala, eu disse que você pode realizar tudo na vida.

Veja, isso é parte de uma imaginação. Enquanto o sentido do "eu", do ego, desse mim, enquanto essa ignorância prevalecer, que é a não compreensão da verdade sobre quem é você, você sempre terá questões, problemas. Então, essas diversas questões que temos não resolvidas, aqui estamos com você explorando essas questões, e essas questões, elas sempre estarão presentes enquanto a ignorância prevalecer, enquanto a ilusão prevalecer.

E a ilusão é esse sentimento de ser alguém. Observe, olhe, se aproxime e você irá perceber que você carrega um sentimento de separação. Você pode ter a crença em Deus, mas você se vê como um elemento separado dele. Essa crença é só algo que o pensamento também está produzindo.

A nossa vida, nesse padrão de ignorância, de ilusão sobre quem somos, é constituída de pensamentos. Então, você tem um pensamento sobre Deus, um pensamento sobre o outro, um pensamento sobre você. E esse elemento presente, que é o "eu", esse mim, esse você, carrega inúmeros problemas. E aqui estamos com você investigando essas diversas questões fundamentais da vida.

Uma dessas questões básicas, entre as inúmeras questões que temos, é exatamente essa: quem sou eu? Qual é a verdade sobre mim? Porque se não compreendo a verdade sobre mim, não compreendo a verdade sobre a vida. Enquanto não compreender a verdade sobre quem eu sou, não terei a verdade sobre quem o outro é, sobre o que é a vida, sobre o que é o viver. Se isso está presente exatamente dessa forma, a confusão está estabelecida. Essas questões da vida não estão resolvidas.

Então, a vida se constitui de problemas. Há um nível de insatisfação, de incompletude, de interna, psicológica infelicidade dentro de cada um de nós se expressando externamente em nosso mundo de relações com as diversas situações da vida e naturalmente na relação com o outro. Então nós temos inúmeras questões não resolvidas. Essas diversas questões da vida não foram solucionadas. Estados internos estão presentes e a maioria de nós nem mesmo suspeita da possibilidade de uma vida livre, realmente em paz, plena de amor, de felicidade, onde está presente uma profunda compreensão daquilo que é a vida, do que ela representa, do que ela significa.

Porque nós estamos envolvidos em um mundo subjetivo, em um mundo psicológico de pensamentos sobre a vida. O pensamento que nos tem sido dado pela história humana, pela cultura humana, pela sociedade humana, pelo mundo, é de que nós somos criaturas humanas, vivendo uma vida humana e tendo que, nesta vida, realizar coisas, conseguir objetivos, propósitos, sonhos, realizações diversas, para encontrarmos na vida, como seres humanos, a felicidade, a paz, o amor. Tudo isso é completamente ilusório.

Então, com base nesse princípio, estamos vivendo uma vida carregada de inveja, ambição, desejos, preocupações, medos, no contato direto com o outro, dentro desse interno nível de insatisfação, criando nesta relação com ele ou ela, todo tipo de confusão, todo tipo de complicação. Nós não compreendemos a verdade sobre quem somos, não sabemos a verdade sobre o outro, não sabemos a verdade sobre Deus. Aqui estamos tratando com você do despertar dessa inteligência espiritual, dessa nova forma, digo nova, mas desta inédita forma de aproximação da vida, sem esse elemento em nós, que faz uso de suas conclusões, deduções, especulações, crenças. Me refiro a esse elemento que é o elemento em nós do pensamento. Para avaliar a vida, para se situar com o outro nessa relação, para se posicionar em si mesmo. Portanto, qual é esse elemento que torna possível esta verdade do despertar da inteligência? Para que esta realidade, que é esta ciência divina, que é a ciência de Deus, se mostre? Bem, já tocamos na questão da importância do Autoconhecimento.

Está dentro desse Autoconhecimento um elemento fundamental, que é a ciência de Deus, se revelando pela meditação. Não existe nada mais precioso do que a arte da meditação. Então, quando algumas pessoas perguntam: como meditar da maneira correta? A real forma de aproximação da meditação é descobrindo como ir além do modelo do pensamento, desse modelo que temos do pensamento.

É por isso que nós precisamos investigar aqui o que é o pensamento, como ele acontece, como ele se processa dentro de cada um de nós. Você sabe por que você tem preocupações? Por que você carrega conflitos presentes dentro de desejos que se conflitam? Por que existem esses desejos conflituosos? Observe que você tem um desejo e tem um outro desejo contra aquele primeiro. Um desejo você tem de algo, você tem o desejo de alguma coisa, mas há dentro de você também um outro desejo que se contradiz, que luta contra aquele primeiro desejo.

Então nós carregamos conflito dos desejos. Nossos desejos são conflituosos. E por que é que isso está presente? Por que está presente o medo em suas diversas formas? Quando você tem um medo presente, esse medo é o medo de alguma coisa.

É sempre o medo relativo a alguma coisa. Mas esse medo está presente, observe, sempre quando um pensamento está presente sobre aquilo. Você não pode sentir medo sem a memória ou a lembrança de algo que lhe causa, que lhe provoca o medo.

Então, o medo está presente em razão também do pensamento, assim como os desejos que geram e produzem conflitos e contradições internas, de desordem emocional, onde há uma contradição interna entre o pensamento sobre aquilo que você deseja e um outro pensamento sobre uma outra coisa contrária àquela. É sempre o pensamento produzindo isso, assim como as preocupações. E por que tudo isso está presente? Porque você não sabe como o pensamento funciona.

E sem essa base da compreensão de como o pensamento se estabelece em você, como um elemento lhe impulsionando para ações, para falas, para comportamentos, sem a compreensão desse elemento em você que é o pensamento, nós não temos uma base real para a meditação. Portanto, o que é o pensamento? O pensamento é um elemento em você que surge em razão de memórias, de lembranças. Ao passar por uma determinada situação, essa situação, o cérebro registra isso.

Isso se torna depois uma memória, uma lembrança. Essa lembrança, quando volta, ela volta nesse formato, que é o formato do pensamento. E a nossa vida está centrada no modelo do pensamento.

Nós estamos constantemente sendo direcionados, conduzidos, movidos, impulsionados pelo pensamento. Então o que é olhar para o pensamento quando ele surge, e não se confundir com ele quando ele aparece? Em geral, quando ele aparece, ele já nos leva à ação, à expressão na fala, ou a um dado comportamento.

Então, nós estamos sempre agindo a partir do pensamento. O movimento do pensamento determina nossas falas, nossas ações, nossos comportamentos, orientados pelo pensamento, uma vez que o pensamento é esse elemento que vem do passado, que é a memória. Esse contato com a vida aqui, nesse instante, o que estamos tendo é um novo momento.

Mas essa forma de aproximação desse novo momento com base nesse passado, que é essa memória, nos coloca dentro de uma condição onde estabelecemos algum nível de conflito, de problema. Então, nós precisamos ter uma aproximação da presença da meditação. Uma vez que a meditação é o esvaziamento desse velho conteúdo de memória. É quando temos a presença da verdade da meditação que temos a presença da inteligência, que é essa habilidade de lidar com o momento sem o passado, sem a interferência desse modelo que é o modelo que vem do passado, que é o pensamento. Então, nós precisamos saber o que é meditar de forma correta. E a meditação, de uma forma correta, é aquela que está aqui e agora, quando você pode tomar ciência do pensamento, sem se envolver como sendo o pensador desse pensamento. Descobrir o que é olhar para o pensamento sem se envolver com ele é estar presente sem a presença do "eu". Veja, estamos diante de algo que não é tão simples, porque estamos já há muito tempo envolvidos com o modelo do pensamento, sendo levados pelo pensamento para falar, para agir, para se comportar, dentro das nossas relações. Porque, reparem, é sempre nas relações que acontece tudo. A vida acontece nesse instante em relações.

Nessas relações com objetos, com pessoas, com situações. Na própria relação ou nessas relações internas que temos com nós mesmos, que temos que lidar com sentimentos, com emoções, que geram estados internos, produzindo em nós comoções, emoções, sentimentos, sensações. Olhar para o pensamento quando ele surge, com toda a impressão que ele traz do passado, que é da memória, sem se envolver com isso.

Isso requer a presença de um olhar novo, desidentificado, onde não ocorre uma escolha, um gostar, um não gostar, esse querer ou não querer, esse confiar ou desconfiar do pensamento. Ele aparece e há esse olhar, há presente essa atenção. Veja, isso é algo agora aqui, nesse instante, no contato com o outro, no contato com esta ou aquela situação, evento ou acontecimento, nesse contato consigo mesmo. Então, nós temos uma aproximação da verdade sobre a meditação. A verdade sobre a meditação lhe aproxima de uma energia nova. Nesta energia está presente este novo cérebro que se aquieta, que silencia, porque há só o olhar, sem interferir, sem intervir, sem esse querer ou não querer, gostar ou não gostar.

Então, uma qualidade nova de ação acontece, também de fala acontece, de comportamento acontece. Então, a verdadeira aproximação do despertar desta inteligência espiritual faz com que essas diversas questões fundamentais que temos na vida, de uma forma muito natural, desapareçam. Como questões elas são problemas. Mas em razão da presença desta inteligência, deste silêncio, desta quietude, desse olhar novo, onde está presente algo que não faz parte da mente como nós conhecemos, está presente.

Então, nesses encontros aqui, nós estamos descobrindo com você como isso se processa. Então, nós precisamos aprender a lidar com os pensamentos, com as emoções, com as sensações, com as percepções. E aprender a lidar com isso requer a presença desse silêncio, desta energia, desta ciência de nossas reações.

Então, a presença da verdadeira meditação, note que em nenhum momento nós lhe recomendamos ir para um lugar separado desse instante para meditar, a beleza do encontro com a meditação é que a meditação se revela nesse instante. Isso não requer a presença do querer, da vontade, da volição, que é esse movimento do "eu" ainda do meditador, para encontrar um lugar reservado para isso.

A meditação é real nesse instante, nesse momento. Isso está presente exatamente quando o meditador não está, quando o "eu", que é esse elemento, que carrega esse gostar e não gostar, esse querer e não querer, não está mais presente. Então, nós nos deparamos, notem, com a vida acontecendo, aqui e agora. Então, nesse contato com o marido, com a esposa, com a família, com o mundo, nesse contato com você mesmo, você descobre o que é lidar com a vida, com essa totalidade da vida, sem esse elemento que vem do passado. Esse elemento é o experimentador. É aquele que guarda todas essas experiências do passado.

E quando os pensamentos surgem nesse momento, ele interpreta, avalia, fica nesse querer, não querer, nesse gostar, nesse não gostar. Assim estamos eliminando desse momento esse elemento. Então, esta é a verdadeira base para a ciência que revela aquilo que está fora do conhecido, que é a verdade de Deus.

Uma vez presente isso, uma vez que você tenha uma profunda aproximação desse encontro com você mesmo, nesse instante está presente a revelação de que esse elemento não só é dispensável, como ele é disfuncional nesse instante. Quando você olha para alguém, nesse olhar, podemos ter a presença da meditação no olhar, deste silêncio, desta quietude, desta ausência do "eu", do ego, neste olhar. Ou podemos ter o velho e antigo movimento de inconsciência, de reação, algo que vem do passado, e está constantemente interferindo dentro das relações e criando problemas. Trazer para esse instante, para esse momento, a visão da vida, sem a particular visão do "eu", é essencial. Então, uma aproximação da verdadeira meditação é uma aproximação de si mesmo, nesse instante.

Observe que na vida tudo aquilo a que nos dedicamos, nos empenhamos, nos envolvemos, de uma certa forma, a maestria acontece. Quando você, de novo e de novo e de novo, se envolve com alguma atividade, veja, uma atividade técnica, profissional, tudo melhora, fica cada vez mais simples, mais natural. Em razão desta memória motora, desta memória muscular. Então se desenvolve e aprofunda esta habilidade naquele tipo de atividade.

Aqui estamos lhe convidando para algo muito, mas muito mais precioso. No entanto, notem, não estamos tratando de algo técnico e mesmo assim estamos lhe convidando para esta disposição de alerteza, de atenção sobre suas reações. Então, de uma forma natural, esse sentido de real consciência, de real presença, começa a assumir esse espaço em razão desta presença, de atenção, de consciência sobre essas reações. Aqui nós precisamos ter uma aproximação real de tudo isso, aplicada, dedicada, envolvida.

Veja, estamos diante da única coisa que importa na vida, que é a realização de Deus. Então, você pode, de verdade, realizar ou acreditar que realizou tudo lá fora. Sem esta realização, desta completude de ser, deste silêncio, desta vida em amor, em sabedoria, a condição será sempre aquela velha condição de sono, de sonho, de inconsciência.

Então, aqui estamos juntos lhe mostrando como isso se torna possível nesta vida. Nós temos aqui, sábado e domingo, esses encontros.

São encontros online, onde estamos aprofundando isso com você, lhe mostrando como isso se torna possível nesta vida. E, tendo naturalmente esse contato com o silêncio dentro desses encontros. Você tem aqui na descrição do vídeo o nosso link do WhatsApp para participar desses encontros online nos finais de semana. Além disso, temos encontros presenciais e também retiros.

Se isso é algo que faz algum sentido para você, fica aqui um convite, já deixe o seu like, se inscreva no canal, coloque aqui um comentário: sim, isso faz sentido. Ok? E a gente se vê. Valeu pelo encontro e até a próxima.

Dezembro de 2024
Gravatá-PE
Mais informações

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

O que é o pensar? O que é o pensamento? Aprender sobre Autoconhecimento. O que é o medo?

Aqui nós estamos tendo um contato onde estamos comunicando algo para você. Agora, esse ato de comunicar, ou essa comunicação, requer, naturalmente, uma atenção de escuta, é isso que torna possível termos juntos uma compreensão daquilo que estamos tratando aqui com você. Esses assuntos que nós abordamos aqui não são assuntos tão simples, isso é algo que requer de cada um de nós um olhar bastante cuidadoso, para uma compreensão direta, vivencial disso, é quando ocorre uma real compreensão.

Você não tem a possibilidade de compreender algo quando daquilo você apenas se aproxima parcialmente. Se a gente se aproxima de algo para compreender é diferente de quando nós nos aproximamos para entender aquilo. Podemos apenas, superficialmente, ter uma aproximação de entendimento ou podemos ter uma direta compreensão. Aqui é colocado para você a beleza da compreensão, o entendimento não é suficiente.

Na vida, nós estamos lidando com assuntos muito complexos. Veja, os assuntos em si têm a complexidade da nossa mente, da nossa consciência, dessa consciência que temos, dessa mente que trazemos. Assim, o que nós pretendemos aqui juntos é participar ativamente. Essa participação ativa nos aproxima da compreensão.

Se eu tenho algo para lhe ensinar, eu preciso que você se coloque, naturalmente, à disposição de participar ativamente daquela situação. Repare que quando você se une a um profissional de alguma área, ele participa com você ativamente desse aprendizado que você tem. É natural que você interaja com ele de uma forma muito ativa; de outra forma você não irá aprender o que ele quer lhe passar, lhe comunicar.

Aqui nós estamos juntos para descobertas, para constatações, para tomarmos ciência de alguns assuntos de grande relevância para cada um de nós. A não ser que você não esteja, internamente, predisposto a essa visão, ela não acontecerá. É necessário que você internamente tenha uma predisposição para essa compreensão do que tratamos aqui com você, para esse aprendizado.

Aqui, aprender não é adquirir uma informação, um conhecimento, nem mesmo uma experiência, porque não estamos lidando com um assunto que é meramente técnico, como, por exemplo, uma profissão que se aprende. Aqui nós estamos aprendendo a aprender. Eu não posso lhe comunicar aquilo que eu sou, mas eu posso lhe comunicar como se aproximar de si mesmo para essa compreensão sobre quem é você.

Então, é isso que tratamos aqui com você quando tratamos desse aprender sobre o Autoconhecimento. Alguém não pode lhe dar o Autoconhecimento, alguém não pode lhe mostrar o Autoconhecimento; um livro não pode lhe ensinar isso, uma palestra não irá lhe mostrar o que é o Autoconhecimento. Autoconhecimento é a ciência da autorrevelação. Você toma ciência de si mesmo nesse aprender sobre você. Aqui o nosso trabalho juntos é lhe mostrar como acessar esse aprender.

Veja, na vida nós aprendemos tudo. Então, tecnicamente, nós sabemos fazer as coisas porque aprendemos. Você sabe dirigir um carro, você sabe andar de bicicleta, as coisas mais básicas na vida foram aprendidas, mas não sabemos aquilo que temos de mais básico na vida, que é a ciência da Verdade sobre quem nós somos.

Uma criança pequena já sofre de ansiedade, de angústia, já sofre de medo, e não ensinamos uma criança a lidar com isso. Não ensinamos porque não sabemos, porque estamos também sofrendo como essa criança sofre. No tempo do colégio, quando a sua borracha de apagar sumia ou a sua caneta desaparecia, você ficava irritado, aborrecido, enraivecido, porque aquilo tinha desaparecido. Isso gerava em você estados, desde uma leve apreensão, preocupação, até mesmo essa raiva.

Então, nós estamos sempre tendo contatos com estados internos emocionais, de sentimentos, que nos comunicam conflitos, desordem, sofrimento desde pequenos, e não sabemos lidar com isso. Nós, na verdade, não conhecemos como nós funcionamos, como nossa mente funciona.

Por que perder um lápis ou uma caneta nos enraivece, nos deixa furiosos? O que é esse sentimento? O que é essa fúria, essa raiva? O que é esse estado em nós? Talvez não seja exatamente esse, talvez seja o estado de medo, porque agora temos que justificar para os nossos pais o porquê perdemos a caneta, o lápis ou a borracha, e eles são criaturinhas também assustadas, carregadas também de raiva, então talvez tenhamos medo da raiva deles, e nem tenhamos espaço para nossa própria raiva. Mas o que é a raiva? O que é o medo? O que é esse sentimento de dor quando se perde as coisas?

Nós perdemos coisas materiais, mas também perdemos pessoas na vida, e nós não sabemos a verdade sobre o medo, por exemplo. O que é o medo? Nós não sabemos o que é o medo. Nós não nos conhecemos, não sabemos como nós funcionamos, por que sentimos o que sentimos, por que pensamos exatamente o que pensamos e fazemos exatamente o que fazemos, e não sabemos porque fazemos coisas pensando em outras coisas. A gente faz algo impulsionado pelo pensamento, mas é um pensamento em contradição com um outro pensamento de não fazer, e mesmo assim a gente faz.

Notem que os nossos estados internos são conflituosos já desde pequenos. Esses estados internos são os estados do "eu", do ego, desse sentimento de consciência, que é a consciência da pessoa, da pessoa que "eu sou". Depois você cresce e isso está presente nas relações mais próximas. Agora isso está presente na relação com o marido, com a esposa, com os filhos, com os colegas de trabalho. Você é funcionário de uma empresa e lá está estressado, preocupado, com problemas.

Nós temos problemas de todos os tipos. Sejam problemas internos, emocionais, porque você está com algum problema no relacionamento com a esposa e agora estressado no trabalho, ou problemas externos, como a necessidade financeira, a falta de dinheiro para comprar algo que você precisa. Então, a vida humana é carregada de problema e nela está presente essa questão do medo: o medo de ser demitido porque está estressado; o estresse porque está com problemas no relacionamento com a esposa; o estresse porque precisa de dinheiro para pagar alguma coisa e não tem aquele dinheiro, e o dinheiro que você ganha é pouco. Enfim, são inúmeros os problemas de todos os tipos.

Esse sentido de ser alguém presente na vida, na experiência, algo que nós trazemos já desde a infância, é algo do início até o fim dos nossos dias dessa forma. Assim, nós temos uma vida tediosa, aborrecida, chata, preocupada, estressada, ansiosa, deprimida, com problemas. Romper com isso é algo possível nessa vida quando descobrimos qual é a Vida Real para se viver.

A vida que estamos vivendo é a vida que nos foi dada culturalmente para viver, socialmente para viver, politicamente para viver, historicamente para viver, tradicionalmente para viver, porque os nossos pais também viveram assim, e os pais deles também. Qual será a verdade da vida quando essa vida como nós conhecemos não está mais presente?

Será possível aqui e agora tomarmos ciência daquilo que é a vida sem sofrimento, sem problemas, sem estresse, raiva, angústia, depressão, ansiedade, medo? Temos que investigar a natureza do medo. Repare que o medo é algo presente em todos esses estados que acabamos de descrever, então ele parece que percorre todos esses estados, como se fosse a linha do colar, o fio do colar, o fio das contas de um colar. O medo é algo que está sempre presente na vida.

O ser humano vive dentro desse padrão de medo. O medo está em tudo: o medo de perder, o medo por ter perdido, o medo de não alcançar, o medo de explicar, o medo de não ter, o medo de não conseguir. Nós temos o medo do futuro, nós temos o medo do passado. Nós temos o medo de ser descoberto por algo que fizemos ontem: é o medo do passado. Temos o medo de não sermos atendidos amanhã em uma necessidade que temos nesse momento. Então, o medo está presente o tempo todo.

E notem que o medo é companheiro da memória, do pensamento. Não existe qualquer medo possível para você sem o pensamento dizendo algo sobre aquilo. É quando o pensamento está presente que o medo está presente. Agora, aqui, nesse instante, sem o pensamento você não perdeu nada, sem o pensamento você não tem passado, sem o pensamento você não tem o futuro. Sem o pensamento você não pode adoecer, isso é o futuro. Sem o pensamento você nunca adoeceu, isso é o passado.

Repare que o pensamento é sempre a referência da presença do medo. Se há pensamento, há medo. E o medo está sempre relacionado com algo ou alguma coisa, algum acontecimento, algum objeto ou alguma experiência para esse elemento, que é esse "mim", esse "eu", esse sentimento de pessoa que você tem.

Será possível a vida livre do medo? Será possível a vida livre desse "eu"? Isso requer a presença do Autoconhecimento, isso requer a ciência da verdade sobre você, além dessa cultura de pessoa que você recebeu dentro desse contexto de humanidade. É isso que estamos propondo aqui para você, uma vida livre do ego, uma vida livre do "eu" e, portanto, uma vida do pensamento, livre do medo. Em alguns níveis o pensamento se faz necessário, em outros ele não só é desnecessário como é a base para essa confusão em que estamos vivendo essa vida que nós conhecemos.

Aqui estamos juntos fazendo descobertas e isso requer essa comunicação e esse encontro de compreensão, o que requer esse estado de escutar aquilo que é colocado aqui. Esse real estado de escutar ocorre quando há Silêncio, quando há espaço em você para acompanhar uma fala como essa e ver o que estamos tratando aqui, colocando aqui para você.

Agora, é importante que você aqui nesse instante compreenda: esse ato de escutar a vida como ela acontece, de perceber suas reações quando elas surgem é algo que, nesse instante, é a grande lição que a vida lhe concede, que a vida lhe dá. Observar suas reações, observar seus pensamentos, seus sentimentos, observar aquilo que se passa com você nessa relação com objetos, com pessoas, com situações, observar como o pensamento funciona em você, apenas observar, se tornar ciente disso é poder romper com esse padrão, que é o padrão do medo.

É por isso que é fundamental aqui essa participação ativa. É necessário que você se coloque nesse escutar, nesse observar, nesse perceber a si mesmo quando surge um pensamento, um sentimento, uma emoção, quando algo é perdido, quando algo desagradável acontece. Trazer para esse momento esse olhar é ir além dessa psicológica condição de existência onde está presente essa forma de se repetir o tempo todo, de ser sempre a mesma pessoa - aquilo que aqui eu tenho chamado de condicionamento psicológico.

Nós estamos sempre reagindo da mesma forma às mesmas velhas situações, então, o sentido do "eu", o sentido do ego se repete. É por isso que nós temos mostrado aqui para você a beleza desse encontro com o modelo do pensar que está presente em cada um de nós. Nós precisamos descobrir o que é esse pensar, como você processa pensamentos ou como eles são processados em você.

Então, a verdade sobre o que é o pensar é a Liberação desse modelo, que é o modelo do pensamento nessa forma comum de vida. É por isso que nós temos aqui encarecido a importância desse aprender sobre nós mesmos, porque é esse aprender como você funciona, como a mente funciona, como o pensamento funciona.

Repare, a pergunta é: o que é o pensamento? Não sabemos. O que é pensar? Não sabemos. Então, nós estamos constantemente sendo levados para estados internos que desconhecemos, que estão sustentando em nós quadros de desordem emocional, de sofrimento psíquico. Assim, estamos, na vida, nessa particular vida do "eu", carregados de problemas, de situações não resolvidas.

Aqui nós estamos lhe propondo uma nova vida, uma Real Vida, uma Verdadeira Vida, que é essa Vida Divina, que é a Vida do seu Ser, d'Aquilo que é Você em sua Natureza Essencial, que nós desconhecemos, porque estamos vivendo uma vida assentada nesse modelo do "eu", nesse modelo do ego, que é o modelo do pensamento.

Observe, o pensamento tem um lugar, o pensamento tem um espaço, mas é só o espaço dele e, no entanto, ele está assumindo em nossas vidas um espaço irregular. A vida está agora, aqui acontecendo e nela há essa Beleza, essa Graça, essa Liberdade quando o sentido do ego, que é esse movimento do pensamento nessa inquietude, nesse formato de egoidentidade, não está mais presente. Então, precisamos saber o que é o pensamento e que espaço, que lugar real ele tem em nossas vidas, assim como o que é o pensar.

Observe que o pensar é um processo de reconhecimento de memória para um estímulo que surge aqui e agora, nesse momento. Veja, nós temos apenas esse processo e ele é algo mecânico. Não temos alguém nesse processo, e a crença é que você é aquele que pensa. A verdade sobre isso é que o pensamento é algo que nos acontece em razão de um estímulo e uma resposta, mas não existe esse elemento presente processando isso - me refiro a esse elemento que é o "eu".

Assim, esse sentimento de "eu", de pessoa presente na vida, na experiência, é a desordem, é a confusão. Aqui estamos, com você, investigando a ciência de Ser, a ciência da vida livre do "eu", livre do ego e, portanto, livre do pensamento e, naturalmente, livre de tudo aquilo que o pensamento tem criado e tem sustentado em nossas vidas. Podemos Realizar, sim, nesta vida, a Verdade sobre nós mesmos, a ciência de Deus.

Esses encontros que nós temos nos finais de semana, sábado e domingo, são encontros online para investigarmos isso juntos. Além disso, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ler é algo que faz algum sentido para você, fica aqui um convite.

Dezembro de 2024
Gravatá-PE
Mais informações

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

O que é pensamento? Aprender sobre Autoconhecimento. Autoconhecimento Atenção Plena. O que é vida?

Aqui, esses nossos encontros são para a descoberta de como estar atento, de como dar atenção para esse instante, sem colocar esse elemento que se separa do momento para fazer escolhas. E por que isso é fundamental? Porque é isso que traz a resposta para a pergunta: "o que é a vida?"

A vida é aquilo que acontece, e não aquilo que o pensamento diz que ela é; ela não é aquilo que o pensamento procura falar sobre ela, contar sobre ela. Esse momento agora, aqui, é um momento único. Não há espaço nesse momento para algo como o pensamento presente fazendo desse instante uma leitura.

Assim, se colocar, nesse instante, apenas para acompanhar aquilo que aqui está acontecendo é se posicionar nessa atenção para o momento. Nessa atenção para o momento, temos a Revelação da vida como ela é.

Repare que é quando o pensamento surge, que as ideias sobre como a vida deveria ser acontecem, não é quando você olha para a experiência e descobre o que é lidar com a experiência. É quando esse momento se transforma numa particular experiência para você que o seu contato com o momento é esse particular contato do pensamento sobre o que deveria ser. Nesse instante, não estamos diante de uma experiência como um puro experimentar, estamos diante de uma experiência para alguém. Vamos aprofundar isso aqui, com você, nesse momento.

É importante esse tipo de investigação aqui. Essa investigação é aquela que lhe aproxima da verdade sobre você. Então é muito importante, na vida, aprender. Nós não sabemos aprender. Nós conseguimos aprender algumas coisas na vida; na verdade, conseguimos aprender muitas coisas na vida, mas aprendemos, sendo muito honestos nessa colocação - e não se aborreça com o que eu vou dizer -, muitas coisas, mas muitas dessas coisas aprendemos mal e porcamente. E por quê? Porque o nosso coração não estava inclinado para esse aprender.

Aqui é importante você se dar conta da beleza, da importância dessa coisa extraordinária, que é aprender sobre si mesmo, que é aprender sobre o Autoconhecimento, porque essa é a base para uma vida em Amor, em Liberdade, em Felicidade, nessa ciência Divina, nessa ciência de Deus.

Aqui estamos com você nesse aprender sobre o Autoconhecimento, e isso requer desse momento uma aproximação nova. Em geral, nós temos muita dificuldade em aprender, sobretudo um assunto como esse, que envolve o fim dessa psicológica condição de condicionamento, onde estamos estabelecidos, já, durante toda a vida. Até porque esse aprender aqui requer o desaprender dessa confusão, dessa desordem, desses hábitos psicológicos, conflituosos e aflitivos que têm sido nossas vidas e com os quais já estamos muito habituados.

Reparem a dificuldade que temos, por exemplo, em ouvir alguma coisa. Nós ouvimos já com opiniões, com inclinações de gostar ou não gostar, de aceitar ou rejeitar, dizendo internamente "sim, eu concordo" ou dizendo "não, eu não concordo com nada disso". Reparem, é assim que, psicologicamente, estamos funcionando, e isso é algo como um condicionamento, como um processo mecânico de funcionamento. Nós não nos damos conta de nada disso, e tudo isso ocorre porque não aprendemos que esse momento é um momento de escuta, de atenção, de observação, exatamente para essas internas reações dentro de cada um de nós.

Então, essa é a ciência da aproximação do Autoconhecimento. Existe um elemento básico aqui para essa aproximação, e esse elemento básico é esse olhar, é esse escutar, é esse perceber, sem essas conclusões, opiniões, avaliações, crenças, sem esse gostar ou não gostar. A importância dessa aproximação nessa atenção, nessa Plena Atenção, que é só escutar, perceber, se dar conta, por exemplo, aqui da fala, isso requer um cérebro quieto, uma mente silenciosa, e a beleza disso é que quando isso está presente, nós estamos acessando em nós algo fundamental na vida, que é a presença da Inteligência.

Veja, há uma presença em você de extraordinária Inteligência. Nós não acessamos isso, porque não nos aproximamos desse estudo de nós mesmos, dessa visão da verdade de como nós funcionamos, o que requer a presença dessa atenção. Então, aqui, o assunto é a Verdade desta Atenção Plena e o Autoconhecimento. Aqui o assunto é a aproximação desse aprender sobre como nós funcionamos.

Todos nós, na vida, temos problemas. Não há problema na vida, há problema em nós. Nós somos a base, a referência para a vida com problemas. Não é a vida com problemas, é a particular vida desse sentido de alguém presente. Esse alguém está presente quando há essa não atenção para a vida como ela acontece, porque estamos sempre, com base na memória, no passado, reagindo ao momento presente, respondendo ao momento presente com base em uma reação que vem do passado. Veja como isso é delicado.

A vida está acontecendo agora, aqui, nos trazendo desafios. São desafios presentes, e esses desafios nos encontram, mas esses desafios são desafios quando encontram esse elemento em você que reage à vida como ela acontece. Então, a vida como ela acontece é um desafio para esse sentido do "eu" presente que se separa da vida para reagir ao momento presente, nesse pensamento, sentimento de gostar, não gostar. Essa é a ausência desse olhar, desse observar, desse "se dar conta" da vida como ela acontece.

Essa autodescoberta, esta autorrevelação de sua Natureza Essencial, de sua Natureza Divina, que ocorre com o Despertar dessa Inteligência, que é a Inteligência Espiritual, que é Inteligência de Deus em você, é algo presente quando você descobre o que é, nesse momento, apenas se aproximar dele sem esse experimentador, sem esse pensador, sem esse observador. Esse observador, experimentador, pensador é o elemento em você que você sente ser você e que, na realidade, é uma reação de memória, é um elemento que vem do passado e que tudo avalia, julga, compara, aceita e rejeita com base no pensamento.

Há uma Realidade presente, mas essa Realidade não está nesse pensador, nesse experimentador, nesse observador. E essa Realidade presente é aquela que se revela além desse "mim", desse "eu", dessa pessoa. É isso que estamos trabalhando aqui, com você, para essa constatação. A constatação disso é a Verdade da Presença da Real Meditação. Então, a Verdade sobre a Meditação é a presença da Realidade sem esse elemento que vem do passado.

Então, há um modo novo de se aproximar do momento presente, não mais tendo esse momento presente como uma experiência para o "eu", para esse "mim". Porque a grande verdade é que esse momento é um momento único, ele nunca aconteceu e ele jamais vai voltar a acontecer. Assim sendo, não podemos tirar daqui uma experiência, e é isso que o pensamento tem feito nesse velho modelo de consciência egoica, de consciência do "eu".

Nós estamos passando por momentos e transformando esses momentos em experiências para esse experimentador, em percepções para esse percebedor. Assim você tem do mundo à sua volta lembranças, imagens; você tem pessoas que você gosta e você tem pessoas que você não gosta; você tem amigos, você tem inimigos. Enquanto o sentido desse experimentador, pensador, observador, enquanto esse movimento, que é o movimento do "eu", do ego, desse "mim", estiver presente, todo esse contato com o momento será o contato de um experimentador adquirindo experiências, será o contato de um observador vendo coisas separadas dele mesmo, coisas das quais ele gosta e não gosta, pessoas que ele gosta e pessoas que ele não gosta.

Assim, a nossa relação com a vida, nesse autocentramento, nesse sentido de alguém presente na experiência é uma condição de existência em isolacionismo, nessa separação. Então, estamos constantemente dando continuidade a esse elemento que vem do passado. E que elemento é esse que vem do passado? É a imaginação de uma entidade que tem amigos, que tem inimigos. Reparem as implicações disso.

As nossas relações - e a vida consiste de relações -com o mundo à nossa volta é uma relação que tem por princípio um elemento presente que tem coisas, que tem medo de perder coisas, que não tem coisas e desejo de ganhar aquelas coisas. Veja, não podemos ter qualquer coisa, nem podemos perder qualquer coisa, porque a grande verdade é que esse sentimento-pensamento "eu" é apenas uma ficção, uma imaginação de uma identidade presente que possui, que ganha e que perde, e, no entanto, é aqui que está presente essa vida do "eu", essa vida da pessoa como nós nos vemos na vida: sofrendo - sofrendo por coisas que está perdendo, sofrendo por coisas que não ganhou.

Assim, nesse sentido do ego, do "eu", nessa ilusão, nessa ficção de existência, de identidade separada da vida, o ser humano é possessivo, é ciumento, é invejoso, está apegado, carregado de ciúme, de inveja, os temores são diversos. Essa é a vida do "eu", essa é a vida do ego. Podemos romper com isso e ir além dessa psicológica condição de ilusória identidade presente na vida para a Real Vida, livre desse "mim"?

Aqui estamos lhe dizendo que a vida é o que acontece. Não há alguém presente na vida como ela acontece. Mas nós estamos criando a vida como ela deveria acontecer, poderia acontecer, como nós, no ego, nesse "eu", nessa autoimagem, nessa imagem que o pensamento tem construído sobre quem nós somos, estamos vendo a vida acontecendo. Aqui, com você, estamos trabalhando o Despertar de sua Natureza Divina, o Despertar da Verdade sobre você.

Então a presença desse olhar para o momento, desse escutar o momento, desse perceber o momento, sem a interferência do modelo do passado, que é esse "eu" fictício, que é esse "eu" ilusório, é a presença da atenção. Nesta atenção se revela a Verdade sobre o Autoconhecimento, que não é outra coisa a não ser o descarte dessa ilusão, de toda essa ilusão que tem sido a vida humana. É assim que o ser humano está vivendo, é assim que nós fomos educados para viver: uma vida ilusória, separada da Realidade da Vida Real, dessa Vida Divina.

Reparem as implicações disso tudo: toda essa bagunça, confusão, sofrimento, conflitos, contradições, os inumeráveis problemas e dificuldades que temos na vida estão todos centrados nessa ilusória identidade que se vê separada da vida, que se vê separada do outro, que se vê separada de Deus. Ter uma aproximação da vida nesse momento, como ela de fato é, como ela de fato acontece, sem esse sentido de alguém presente, que carrega essa ilusão de poder fazer, escolher, decidir, controlar, rejeitar, aceitar, é ter um contato com esse momento sem qualquer separação. Quando não há separação, não há desordem, não há confusão, não há sofrimento, não há conflito, não há problema.

Uma Vida em Bem-aventurança, uma Vida em Amor, uma Vida em Paz, uma Vida em Liberdade, uma Vida em ciência da própria Vida é a Real Vida em seu propósito, é a Real Vida Divina, é a Real Vida de Deus. Isso requer a Presença desse Silêncio, desse Espaço que se abre quando você, em seu Estado Divino, em seu Estado Natural, é a própria Presença da Meditação. Então, é isso que nós estamos investigando aqui com você. O que é a vida nesse instante? É a Verdade dessa ciência de Deus, que é Você em seu Estado Real, que é Meditação, nessa ausência do "eu", nessa ausência do ego.

É por isso que estamos juntos nesses encontros aprofundando e explorando isso com você. Nós temos encontros aqui nos finais de semana, onde estamos sábado e domingo trabalhando isso. Você tem aqui na descrição do vídeo o nosso link do WhatsApp para participar desses encontros online nos finais de semana. Fora esses encontros, nós temos os nossos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido para você, fica aqui um convite. Já deixe aqui o seu like, se inscreva no canal e coloque aqui nos comentários: "Sim, isso faz sentido". Ok? E a gente se vê. Valeu pelo encontro e até a próxima!

Dezembro de 2024
Gravatá-PE
Mais informações

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Como alcançar a felicidade? Como lidar com julgamentos? Como alcançar a Iluminação Espiritual?

Nós temos uma noção equivocada da vida, de como ela se processa. Quando as pessoas querem descobrir o caminho para a Felicidade, para a Liberdade, para a Paz, para o Amor, elas têm essa noção do caminho como uma jornada. A ideia em nós é sempre de uma caminhada, e por isso nós precisamos de uma estrada, de uma jornada.

A ideia para nós sempre consiste dentro dessa noção de direção, de alcançar. Então, nós saímos de um ponto para outro. Toda a nossa experiência de vida, ao longo de todos esses anos de vida, nos mostrou que tudo aquilo que nós realizamos, nós precisamos do tempo para que isso se realize.

Tudo na vida, por exemplo, nós aprendemos. Nós estamos dentro de um constante aprender; aprendemos sobre tudo e, apesar disso, continuamos ainda sem saber, estamos sempre aprendendo. Então, nós reservamos dentro de nós uma clara noção da necessidade de aprender, e isso requer tempo. Então precisamos do tempo para aprender e do tempo para realizar.

Aqui eu quero, com você, investigar essa questão do Despertar Espiritual, da Iluminação Espiritual, e ver se também é assim aqui, se é verdade que precisamos do tempo. Veja, nós precisamos, sim, da arte do aprender, mas não desse aprender como nós conhecemos.

Para nós, aprender é algo que se sucede, que ocorre, que acontece quando passamos por experiências e reservamos, registramos essas experiências. Assim, existe um acumular de conhecimento e experiência. É assim que, em geral, lidamos com o "aprender" alguma coisa.

Aqui nós temos falado com você do valor do aprender. Precisamos, sim, dessa arte do aprender para o Despertar da Consciência, para a Iluminação Espiritual, mas nós temos que ter uma aproximação nova a respeito disso aqui, como sempre temos colocado.

Não se trata da pergunta de como alcançar a Iluminação Espiritual, como, em geral, as pessoas tratam essa questão. Notem que elas colocam a noção do tempo e dessa jornada, dessa caminhada em direção a esse propósito, em direção a esse objetivo.

Então, a noção é exatamente essa, que precisamos do tempo para alcançar alguma coisa, então nós precisamos do tempo para alcançar, também, a Iluminação Espiritual. Aqui estamos tratando com você desse Despertar, sim, dessa Iluminação Espiritual e desse aprender, mas de um novo aprender. Aqui, esse aprender consiste, nesse momento, em ver diretamente essa dada coisa, e dentro dessa própria visão, nesse "ver", uma ação ocorre, uma ação se processa.

Então, a verdade desse aprender aqui consiste em estarmos, momento a momento, tomando ciência daquilo que se passa nesse instante, aqui e agora, nesse momento. Então veja, assim sendo, nós eliminamos essa noção de tempo para alcançar e desse aprender acumulando informação, conhecimento e experiência.

Então, há uma forma nova de aprender, e é disso que estamos tratando aqui com você. Apenas nesse aprender o Despertar Espiritual ocorre, e ele não ocorre no tempo, ele ocorre nesse momento. Não se trata de uma experiência para se ter ou um conhecimento para se adquirir, se trata de descobrir, nesse instante, o fim para essa condição psicológica de ser um experimentador, de ser um pensador, de ser um observador, de ser alguém se movendo no tempo.

Observe que a noção de ser alguém que você tem é a noção de ser alguém numa jornada, numa caminhada. "Como alcançar a felicidade?" É muito comum perguntas que envolvem sempre a expressão "como", isso porque estamos condicionados na crença da necessidade do tempo, da necessidade da caminhada, da necessidade da jornada, da jornada do aprender acumulando, da jornada de ter experiências e com ela crescer, evoluir.

Nós precisamos rever isso, olhar de perto e perceber a ilusão desse condicionamento que nós recebemos. Não precisamos do tempo. Na verdade, aquilo que nós chamamos de tempo é só uma criação do pensamento. É o pensamento que tem construído essa noção de tempo para cada um de nós.

Todos os problemas que nós temos são problemas de desordem, que existem exatamente em razão da presença do tempo. Nós queremos resolver as questões que temos, são questões que nós criamos com base no pensamento. Essas questões são problemas. O pensamento tem construído esses problemas, criado essas questões, e queremos resolver isso com base no tempo. Mas o pensamento é o tempo.

Nós temos enfatizado isso e temos que ver, olhar, escutar, tomar ciência disso de uma forma muito direta para termos uma verdadeira aproximação do que estamos colocando aqui para você. O pensamento em nós nos fala do passado, ele nos fala do futuro, ele nos diz que não conseguimos o que nós queríamos conseguir, o que nós buscamos conseguir e nós não conseguimos.

O pensamento gera em nós, e esse pensamento é a memória reservada, guardada no cérebro, dentro de cada um de nós. Essa memória, essa lembrança, esse pensamento é o elemento que sustenta o tempo nos falando do passado, do que ontem nós não conseguimos. Esse elemento é o pensamento nos falando do que nós precisamos conseguir amanhã, e isso gera um sentimento de culpa e, também, de preocupação. Essa culpa e preocupação é a presença do medo, da ansiedade.

Portanto, os diversos estados internos de sofrimento psíquico que nós conhecemos estão presentes em razão da presença do pensamento, e esse pensamento está atrelado a esse tempo. Observe isso: sem esse pensamento, não existe o tempo. Sem o pensamento, não há o tempo, e sem o tempo, não há essa questão, não há esse problema.

Uma vida livre, psicologicamente, do tempo é a Vida Real aqui, nesse instante, do seu Ser. É porque estamos vivendo nessa psicológica vida do "eu", que é a vida no pensamento, que é a vida no tempo, que estamos tendo questões, que estamos tendo problemas, que estamos vendo uma jornada, uma caminhada, algo para se obter no futuro, algo também do qual se livrar, que nós carregamos do passado.

Nós precisamos investigar essa questão do pensamento, de como ele se processa dentro de cada um de nós, e logo iremos perceber que ele se processa com base na memória; uma memória que não sabemos lidar com ela nesse instante e, portanto, ela se sustenta nesse formato do "eu", do "mim" do pensador. A pessoa como você se vê não é outra coisa a não ser um conjunto de lembranças, de memórias, de recordações, de pensamentos que não terminam, que não finalizam.

Quando você olha para si mesmo percebe, dentro da sua cabeça, toda a inquietude, todo esse modelo de pensamento inquieto, tagarela, repetitivo, descontrolado, o famoso pensamento intrusivo, as formas de ansiedade presente em razão do modelo do pensamento, a angústia, a depressão. Quando olhamos para dentro percebemos que somos seres humanos confusos, em desordem psicológica, não há serenidade, quietude, não há silêncio. O cérebro está sempre nesse movimento acelerado.

A condição psicológica da existência do "eu", desse 'mim", dessa "pessoa", é de ansiedade, preocupação. Os diversos problemas que temos estão presentes nesse modelo de pensamento não terminado, não acabado, nesse formato de memória. O pensamento está sempre projetando o futuro. Então existe o medo, porque existe esse futuro que o pensamento está, com base no passado, na lembrança, na memória, projetando; ele não quer que isso ou aquilo do qual ele ali se lembra.

Veja, o pensamento tem a lembrança, a recordação; essa lembrança, essa recordação é algo que ocorre no cérebro. O pensamento se projeta no futuro, com base nessa lembrança, e existe o temor, o medo. Então, com base no passado, nós temos o medo do futuro. A nossa condição psicológica de ser alguém, nesse modelo de pensamento não terminado, é de sofrimento.

Nós aqui estamos estudando isso, investigando a natureza do "eu", desse "mim". Nós temos colocado aqui para você o valor dessa aproximação, desse olhar direto para esse modelo de pensamento, que é o modelo de condicionamento, como o nosso cérebro está funcionando, como o nosso intelecto está preso a ele dentro desse condicionamento.

Podemos libertar o cérebro dessa condição, o intelecto dessa prisão de memória? Tomar ciência do movimento do "eu" é ir além desse "mim", desse ego. Os diversos problemas que temos estão presentes em razão dessa noção de tempo que o pensamento dentro de nós representa. Aqui estamos dizendo para você que é possível o fim para esse modelo de pensamento, isso é essa morte psicológica, desse sentido do "eu", do ego.

Se esse sentido do "eu", que é esse "mim", que vive dentro desse modelo psicológico de memória inacabada, dando continuidade a essa noção de tempo psicológico, termina, nós temos essa morte psicológica, o fim para essa condição psicológica de ser alguém, para a Realidade do seu Ser, para a Verdade d'Aquilo que está além desse sentido de pessoa, de egoidentidade. Então aqui, sim, está a resposta para a Felicidade.

Não se trata de, no futuro, como uma resposta para a pergunta "como alcançar a felicidade". Não se trata da felicidade no futuro, mas a ciência da Realidade desse instante, daquilo que está presente aqui quando esse "ego", esse "eu" psicológico, desapareceu.

Quando esse padrão de comportamento, de pensamento em que o cérebro está condicionado a viver, e esse intelecto preso a sustentar, a segurar, se há um fim para essa condição, nós temos um novo cérebro, uma mente quieta, um cérebro silencioso, a presença dessa ciência desse instante, a Realidade que está aqui e agora.

Essa é a Verdade do seu Ser, a Verdade da não dualidade, da não separação, onde a Presença da Realidade Divina, que é Você em seu Ser, está livre desse sentido do "eu", do ego e, portanto, livre desse tempo psicológico, desse pensamento psicológico, desse padrão comportamento egocêntrico, pessoal.

Há uma outra pergunta - repare, todas essas perguntas com base nesse "como", que se sustentam no tempo, se resolvem -: "Como lidar com o julgamento dos outros? Como lidar com os julgamentos?" O fim da ilusão do "eu" é o fim dessa autoimagem, dessa imagem que carrega o medo da rejeição, da comparação, da não aceitação, do julgamento do outro.

Aqui estamos trabalhando com você o fim do sofrimento psíquico, o fim dessa desordem emocional, o fim dessa ilusão de alguém que se sustenta nessa ilusória vida, sempre na procura de algo em um futuro que o pensamento idealiza. A Realidade Divina é a Realidade de Deus, e isso é Amor, Paz, Liberdade, Felicidade. Essa é a Natureza de Deus, essa é a Natureza do seu Ser.

Esse é o nosso assunto com você aqui. Além disso, temos encontros online que ocorrem nos finais de semana. Sábado e domingo estamos juntos, através de perguntas e respostas, aprofundando esses assuntos aqui com você. Então, um contato com a Meditação, com o Autoconhecimento é ter uma aproximação da Verdade da Revelação de Deus, da Revelação do seu Ser. Também temos encontros presenciais e, também, retiros.

Novembro de 2024
Gravatá-PE
Mais informações

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Joel Goldsmith | Praticando a Presença | O que é o Autoconhecimento? | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal, estamos aqui para mais um videocast. Novamente, o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Mestre, hoje eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado "Praticando a Presença". Em um trecho desse livro, Mestre, o Joel faz o seguinte comentário: "Não busque harmonia ou saúde; nem mesmo Deus. Eles não podem ser encontrados, eles já são. Fique quieto". Nesse trecho, o Joel fala da inutilidade de buscar o que já é. Dentro desse assunto, o Mestre pode compartilhar a sua visão sobre o que é o Autoconhecimento?

MG: Gilson, Autoconhecimento é a compreensão de si mesmo. Nós não temos uma compreensão sobre quem nós somos, sobre aquilo que somos aqui, neste momento. Nós estamos constantemente em expressão, expressando aquilo que somos, mas não temos ciência disso. O pensamento em você, por exemplo, é algo que se processa de uma forma inconsciente, assim como o sentimento e a emoção. Nós não temos ciência de como o pensamento está se processando em nós. Nós temos pensamentos, mas não sabemos o que é o pensamento.

Nós temos sentimentos conectados também aos pensamentos. Portanto, o sentimento aparece em razão da presença de pensamentos e sensações que surgiram. Esse processo desencadeia também emoções, e nós desconhecemos isso. O fato é que não sabemos a verdade sobre quem nós somos, sobre aquilo que apresentamos ser, que demonstramos ser. Nós não temos uma visão de nós mesmos. A ausência dessa visão nos coloca na vida em um movimento de separação. A presença da mente em nós se separa do momento presente. O experimentador e a experiência se separam. O pensamento e o pensador se separam. A verdade sobre isso é que, nesse quadro, nós estamos vivendo na ignorância.

O Autoconhecimento é a clareza, a verdade sobre isso. E, quando temos essa base, algo surge; algo além desta inconsciência. Todo esse processo em nós é a presença da inconsciência. A presença da mente, como ela ocorre, como ela acontece, é na inconsciência. Nós temos dividido a mente em consciente e inconsciente. Aquilo que mais temos contato aqui na superfície é o consciente, e aquilo que temos menos contato, que são as camadas mais profundas e ocultas da memória... A presença da memória é a presença dessa mente, dessa consciência. Tanto a camada superficial, que nós chamamos de consciente, quanto as mais profundas da memória, que chamamos de mente inconsciente em nós, tudo isso se processa de uma forma inconsciente.

Nós não temos a ciência da verdade sobre a mente, sobre a consciência que reconhecemos presente em nós. Portanto, aprender sobre nós mesmos, explorar, investigar, aprofundar essa visão da verdade de como nós funcionamos, abre essa porta para a liberação da confusão, do sofrimento, da desordem e dos problemas que estão presentes em nossa vida. Nós precisamos de clareza. Toda a nossa relação com as pessoas, antes de termos a clareza sobre aquilo que somos, se mostra como confusão. Nós não podemos compreender o outro sem antes termos uma compreensão de nós mesmos. Nós não podemos compreender a vida como ela acontece sem antes compreendermos aquilo que nós somos. Nós nos vemos como um elemento separado da vida, em razão da ignorância, da não compreensão da verdade sobre nós mesmos. Nós nos vemos separados do outro. Isso está dentro da ignorância, da ilusão dessa visão particular. É assim que estamos vivendo nossos dias: na ignorância, na ilusão da pessoa.

Qual é a verdade sobre o "eu"? Qual é a verdade sobre esse "mim", a pessoa que "eu" sou? A descrição que tenho sobre quem "eu" sou são as memórias e lembranças daquilo que "eu" sei sobre mim mesmo. Mas o que "eu" sei sobre mim mesmo é apenas a presença do conhecimento sendo relatado, colocado em palavras. O conhecimento é a presença de ideias, de pensamentos presentes nesse cérebro, nessa mente. Mas o que são os pensamentos? O que são essas memórias? O que são essas lembranças? Elas não retratam a realidade daquilo que "eu sou". Elas apresentam uma ideia sobre aquilo que "eu acredito ser", "eu imagino ser".

A importância de se conhecer, a importância do Autoconhecimento, é ter uma visão de si mesmo para que a Real Verdade se revele. Porque a verdade que temos não é real, é a verdade construída pelo pensamento, estabelecida por um conjunto de crenças. É isso que demonstramos, é isso que parecemos, é isso que vivemos, sendo alguém. Mas não há esse "alguém". Esse "alguém" é uma ilusão.

Por que aqui nos ocupamos com esse estudo? Porque sem esse estudo não há Verdade em nossas relações. E a vida ocorre o tempo todo dentro de relações: nossas relações com as pessoas, nossas relações com situações, com acontecimentos, com eventos, nossas relações com nós mesmos... Nós desconhecemos a verdade sobre as relações. Nós não temos a ciência da Verdade Divina. Reparem a importância disso: aquilo que há de mais importante na vida é a Ciência de Deus. Nós temos crença, conceitos, teorias. Nós temos o que a religião nos deu sobre Deus, mas não temos a Verdade sobre a Realidade Divina, sobre Aquilo que é eterno, sobre Aquilo que aqui está presente, além desse sonho de existência humana, de existência pessoal.

O Autoconhecimento nos dá essa base para o florescer dessa Visão Divina, dessa Inteligência, dessa Real Percepção da Vida, da Realidade; da Realidade deste Ser, da Realidade d'Aquilo que Somos. A Verdade do seu Natural Estado Real de Ser - não desse estado comum de ser alguém, que é uma ilusão -, é o que nós estamos aqui aprofundando com você, tendo por base a presença do Autoconhecimento e o verdadeiro contato com a Ciência da Meditação, que é parte do Autoconhecimento.

GC: Mestre, nós temos uma pergunta de uma inscrita aqui no canal. A Vanessa fez o seguinte comentário: "Mestre, eu passo a vida buscando ser alguém melhor, mais espiritual, mais calma. Essa busca constante é uma forma de não aceitar quem eu sou agora? Como o Autoconhecimento se encaixa nisso?"

MG: Sim, esse é o ponto. Gilson, aqui o nosso condicionamento é de rejeição àquilo que aqui está presente, porque nós vivemos no campo das ideias. Nós desprezamos a realidade do momento em razão da valorização que damos às ideias. Assim, para nós, o que deveria ser é mais importante do que o que é. Nós não investigamos a verdade daquilo que está aqui presente. Nós temos o ideal do que deveria estar aqui, neste lugar. É por isso que nós queremos melhorar como pessoas.

Porque, sim, nós temos ciência da dor presente, mas não temos consciência do elemento presente nessa dor, que é a presença do "eu", que é a presença do ego. Então, a ideia é mudar como pessoa, é se transformar como pessoa, é se tornar uma pessoa diferente, é se tornar uma pessoa melhor. Nós temos que nos livrar da raiva, do medo, do ciúme, da inveja, mas tendo como princípio o ideal - o ideal do que nós deveríamos ser: "Eu não posso continuar tendo inveja, ciúme, medo, raiva. Eu tenho que mudar como pessoa". Você pergunta: "Onde é que o Autoconhecimento entra nisso?" O Autoconhecimento entra ali mostrando que não se trata do que deveria ser, mas sim da investigação daquilo que é, aqui e agora, neste momento. É nisso que consiste a possibilidade da real transformação, da real mudança. Não é a mudança para o que deveria ser, mas sim uma mudança para algo completamente diferente da ideia, da imaginação do que deveria ser.

Em geral, a forma como estamos lidando com aquilo que aqui se mostra é entrando em conflito com isso, porque nós projetamos o que deveria ser, nós idealizamos o que deveria ser, nós imaginamos o que deveria ser: "Eu não posso continuar sentindo raiva, medo e inveja. Eu não posso continuar deprimido, angustiado, triste. Eu tenho uma ideia do que eu deveria ser". A presença desse estudo de nós mesmos nos coloca em contato direto com o que está aqui. Então, sim, podemos investigar isso. A investigação, o estudo, o olhar, o perceber, é o que termina com esse modelo, com esse padrão. Não é a ideia de ser livre que nos liberta. É a investigação da verdade daquilo que aqui está presente que traz essa Liberdade, essa Liberação.

O Autoconhecimento é aquilo que nos permite ficar cientes daquilo que somos, sem qualquer ideia do que deveríamos ser. Isso requer a presença de uma atenção sobre as nossas reações. Essa atenção nos mostra o padrão do "eu", o padrão do ego, a forma como ele se separa do pensamento para rejeitar o pensamento que tem, ou para adotar o pensamento que tem, sendo o "eu", esse pensador. A pura observação - o olhar sem interferir com o que é - nos mostra algo além daquilo que demonstramos ser, que parecemos ser. Nos mostra algo além daquilo que somos, sem qualquer ideia ou imaginação do que deveria ser. Assim, eliminamos o conflito entre aquilo que somos e o que desejamos ser. E, quando isso é eliminado, o "eu" presente, o ego presente nessa separação, se dissolve. Então, algo se mostra além do "eu", além do ego.

Todo esse padrão de desejo de mudar, de esforço para mudar, de ideia para mudar, é um completo desperdício de energia. É ainda o movimento do "eu", é ainda o movimento do ego, se projetando no futuro para se livrar de alguma coisa. Aqui, eu volto a dizer: é a visão do momento, a atenção sobre as reações, que rompe com o padrão de repetição, de continuidade do movimento do pensamento, e também do sentimento e da emoção, onde a condição é a condição da dualidade desse "eu - "eu" e "não eu" -, dessa emoção para alguém, desse sentimento para alguém, desse pensamento para alguém.

A verdade do contato com o momento presente, sem a separação entre o que está aqui e o que deveria estar aqui, é a presença da verdade da compreensão de nós mesmos. Como não há mais esse desperdício de energia, ela fica disponível para o fim da dualidade. Então, o hábito, o padrão, o vício da dualidade, aqui, no momento, é desfeito. Então, se torna presente um estado novo. Esse estado é um estado livre do "eu", e do "não eu", livre desse "alguém" com raiva, desse "alguém" com ciúme, desse "alguém" com medo. É a presença da Meditação que torna isso possível, em razão da visão presente neste "perceber a si mesmo" sem o passado. É nesse sentido que nós usamos aqui a expressão Autoconhecimento, a base para a Meditação.

GC: Mestre, nós temos outra pergunta de outro inscrito aqui no canal. O Rony fez a seguinte pergunta: "Qual é a diferença entre acordar para a vida e ter momentos despertos?"

MG: Observe que você fala de momentos despertos e acordar para a vida. Quando você tem o que você chama de momentos despertos, você está acordado ou ainda está sonolento? Observe que, quando você acorda... Repare nisso, Gilson, observe a pergunta. Quando nós acordamos à noite e não estamos inteiramente despertos, nós estamos sonolentos. Quando você está desperto, está desperto. Mas quando você está sonolento, você ainda não está desperto. Nós temos momentos à noite em que estamos sonolentos, mas não estamos despertos. Nós estamos entre o despertar e o sono. Assim, nós temos momentos sonolentos. No entanto, desperto é desperto. Aquilo que é a Verdade se mostra presente quando há o Despertar. Se não temos o Despertar, aquilo que se mostra, se mostra na sonolência. Vivendo no sentido do "eu", do ego, nós temos alguns momentos de sonolência onde temos breves vislumbres de algo além do sono, mas isso não significa o Despertar.

O Despertar é algo definitivo, enquanto que o estado de sonolência permite que algumas coisas você faça, mas sempre entre estar dormindo e estar acordado. Logo, você volta para o sono, porque o sono é o que predomina quando se está sonolento. Enquanto que o Estado Desperto, Aquilo que é Real, não é mais o sono, não é mais a sonolência. Esse é o seu Estado Natural, esse é o seu Estado Real. Assim, você pergunta qual é a diferença... A diferença é muito básica: ou estamos dormindo, ou estamos acordados. A sonolência está dentro do sono, e o Estado Acordado é o Estado Desperto. Essa é a diferença.

O que há de mais significativo na vida é a beleza do encontro com o Despertar, com o Estado livre do sono, dessa inconsciência que é a vida do "eu". A pessoa vive em estado de sono. A vida da pessoa é a vida em sonolência. Sim, você pode ter alguns vislumbres de algo além do mundo, além da mente, além do corpo, além do pensamento, mas, você está de volta de novo e de novo ao padrão de sono e, portanto, de inconsciência. O que lhe possibilita o Real Acordar, o Real Despertar, a Verdade do Despertar, é a ciência de como a mente funciona, como a consciência está presente em você. Nós temos o fim da consciência, para algo novo, indescritível, no Acordar, no Despertar. Portanto, há uma grande diferença. Na realidade, um grande abismo intransponível entre o estado de sono e o Natural Estado de Ser. É o que estamos vendo aqui com você, aprofundando aqui com você.

GC: Gratidão, gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais esse videocast.

E para você que está acompanhando o vídeo até o final e deseja realmente viver essas verdades, fica o convite para participar dos encontros intensivos de final de semana que o Mestre Gualberto proporciona.

Esses encontros são muito mais profundos e transformadores do que esses vídeos aqui no YouTube. Primeiro, porque o Mestre responde diretamente, ao vivo, às nossas perguntas.

E segundo, e mais impactante, é que, por o Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, ele compartilha um Campo de Presença à sua volta, e esse Campo é de Pura Força, Graça e Poder. E nesses encontros, a gente acaba entrando de carona nesse Campo de Presença do Mestre, nesse Campo de Energia. E, pegando essa carona com o Mestre, de maneira espontânea, sem nenhum esforço, entramos no estado meditativo, silenciamos nossas mentes, podemos ter uma visão real sobre nós mesmos e sobre os assuntos que são tratados aqui no canal.

Então, fica o convite. No primeiro comentário fixado tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros.

E, Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.

Setembro de 2025
Gravatá-PE
Mais informações

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Joel Goldsmith | A Interpretação Espiritual das Escrituras | Como vencer o medo? | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal, estamos aqui para mais um videocast. Novamente, o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Mestre, hoje eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado "A Interpretação Espiritual das Escrituras". Em um trecho desse livro, Mestre, o Joel faz o seguinte comentário: "Aquele que encontrou Deus não tem mais medo do homem ou das circunstâncias". Sobre esse assunto que o Joel Goldsmith comenta nesse trecho, sobre a questão do medo, o Mestre pode compartilhar a sua visão sobre como vencer o medo?

MG: Aqui, Gilson, a grande pergunta é essa: como vencer o medo? Mas notem uma coisa aqui fundamental: antes de perguntarmos sobre vencer algo, vencer alguma coisa, qual será a verdade sobre aquilo? Se você tem um inimigo e quer vencer, precisa vencer esse inimigo, você tem que tomar ciência de como ele atua, de qual é a capacidade que ele tem, como ele funciona. Você tem que estudar o seu adversário, se você quiser vencê-lo.

Aqui, nos deparamos com algumas coisas bastante curiosas. Do ponto de vista psicológico, os nossos adversários precisam ser estudados, mas não para serem vencidos, e sim para serem compreendidos. Nós precisamos compreender esses adversários. A compreensão desses adversários nos dá a vitória sobre eles. Não porque nós vamos vencê-los, mas porque esses adversários, do ponto de vista psicológico, são adversários que se estabeleceram presentes em nossas vidas, em nossas experiências, em razão da ignorância.

Portanto, o nosso grande adversário não são os adversários psicológicos que nós temos, como a inveja, o ciúme, o medo, a raiva, a cólera, a tristeza, a depressão, a ansiedade. Veja, são inúmeros os nossos "adversários psicológicos". Esses adversários, que nos causam sofrimentos psicológicos e desordens emocionais, não são os adversários que temos que vencer. Aqui, o real adversário é a presença da ignorância: não saber a verdade sobre você, sobre como a mente aí acontece.

A memória se estabeleceu. Os sentimentos surgem em razão dessas memórias. Como essas lembranças se sustentam? Sustentando estados internos, conflituosos, de sofrimento, que nós chamamos de adversários e que acreditamos que temos que vencer. Nós precisamos investigar isso, tomar ciência disso. Então, o nosso grande adversário aqui é a presença da ignorância. Nós estamos vivendo na ignorância a respeito de nós mesmos. Nós não temos ciência de como a mente se processa, de como ela acontece dentro de cada um de nós.

Então, nós temos que investigar a estrutura, a natureza, a base, o fundamento, o alicerce dessa condição psicológica presente em nós, que é a condição da ignorância. O que nos falta não é a vitória sobre os nossos adversários psicológicos, sobre aquilo que nos causa problemas, conflitos e sofrimentos internos. O que nos falta é a presença da visão sobre nós mesmos.

Então, a base é se conhecer, se estudar. Aprender sobre si mesmo. Aprender por que está em "mim" a mágoa, o ressentimento, a raiva, a dor da solidão; por que está em "mim" a presença do medo... qual é a verdade desse "mim", qual é a verdade sobre o medo e sobre aquilo que "eu" sou quando estou aqui no sentir - no sentir o medo, no sentir a raiva, no sentir a preocupação, a dor da solidão. Então, nós precisamos tomar ciência da verdade sobre o "eu", sobre esse "mim".

Então, é o fim da ignorância a real vitória sobre os problemas. Mas não é alguém tendo uma vitória sobre os problemas. É o fato de que os problemas existem em razão da presença da ignorância. Livres da ignorância, estamos livres dos problemas, o que inclui aqui a presença de todos esses "adversários internos". De outra forma, continuaremos sempre tendo que vencer, e de novo, e de novo, e de novo.

Repare que você já teve, durante esse seu tempo de vida, vinte anos, trinta, quarenta, cinquenta, sessenta anos. Ou você tem oitenta? Quantas vezes você já venceu estados internos de sofrimento? Mas, de fato, você os venceu? Ou eles estiveram aí por um tempo e desapareceram, e depois outros surgiram?

Então, nós estamos na vida, durante toda a nossa vida, lutando contra problemas, tentando vencer as dificuldades, os problemas, as desordens, os sofrimentos diversos, os conflitos, as inúmeras contradições internas. Esses estados de dor... o medo é apenas um. Na verdade, são inúmeros os medos. Então, a gente tem "o medo", mas inúmeros medos. Os nomes são diferentes, mas estamos lidando apenas com o medo.

E estamos lidando com o medo a partir de uma visão equivocada, onde está presente a presença do "eu" se separando do medo, para triunfar sobre ele, para vencer o medo. Esse é o quadro em que, psicologicamente, nós nos encontramos: de ignorância, de ilusão. Romper com isso, ir além da ignorância, é ir além do medo.

Não só do medo, mas de toda e qualquer forma de sofrimento. Uma vez que todo sofrimento tem a sua base, o seu alicerce, nessa ilusão do "eu", que é a presença do ego em nós. Essa é a raiz da ignorância. A raiz da ignorância consiste no sentido de alguém presente se separando do momento presente com o que ele está surgindo, com o que ele está se mostrando, com o que ele está se apresentando.

Então, aquilo com o que ele se mostra, com o que ele se apresenta, nos separamos. Este sentido de separação é o "eu", o ego, a raiz da ignorância. Investigar a natureza do pensador, do experimentador, da pessoa, deste mim, é ir além do medo.

Veja, não se trata de vencer o medo. Não se trata de superar o medo. Se trata de descobrir a Verdade que é a Vida aqui e agora, quando não há mais esse sentido do "eu", não há mais ignorância. Se não temos mais a presença da ignorância, há uma visão da Vida como de fato Ela é. E n'Ela está presente a Realidade Divina, a Realidade de Deus. A Vida é, na verdade, Você em sua Natureza Essencial. E n'Ela não há conflito, não há desordem, não há sofrimento.

A mente egoica é a presença do "eu", e esse "eu" é a raiz do sofrimento, porque ele é a base da ilusão. A ignorância presente é esse sentido de separação entre você e a vida, entre você e o outro, entre você e Deus. É isso que estabelece em nós uma condição interna de sofrimento, de medo.

É isso que nos coloca numa disposição equivocada: na ilusão de vencer um adversário que não está lá, de superar um adversário que não está do lado de fora. Esse adversário é a presença do pensamento, a presença do "eu", a presença do ego, a presença da ignorância.

Quando isso termina, há um sentir, um pensar e um agir aqui, neste momento, livre da ilusão. Como não temos mais o sentido de separação, não há mais o conflito, não há mais o medo, não há mais o sofrimento. Isso requer a presença do Autoconhecimento. Isso requer a Ciência da Verdadeira Meditação. Não daquilo que as pessoas aí fora chamam de meditação, mas a Real Meditação de uma forma vivencial, de uma forma prática no viver.

A ciência de suas reações é a liberação desse sentido do "eu", de todo esse movimento que é o movimento do ego. Então, a Realidade Divina se mostra além da mente, além dos conflitos, além do sentido de separação entre você e a vida, entre você e o outro, entre você e Deus.

Portanto, não é vencer o medo. É descobrir a Verdade da Vida sem o "eu", o fim do sofrimento, o fim da ilusão, o fim da ignorância. Ok?

GC: Mestre, nós temos uma pergunta de uma inscrita aqui no canal que fez o seguinte comentário: "Mestre, eu vivo com medo constante do futuro, da falta de dinheiro, de ficar doente. Como posso encontrar Deus para dissolver esses medos?"

MG: Reparem que coisa nós temos aqui. Nós temos, mais uma vez, a ideia. Essa é a coisa presente em nós, a confusão em que nos encontramos: a ideia de vencer os medos. Isso volta de novo, de novo e de novo. E aqui a sua proposta é encontrar Deus para vencer os medos.

Veja, há uma Realidade presente aqui e agora. Ela não é negligente. Ela não está ausente. Ela não está faltando. Ela está aqui agora. Essa Realidade é a Vida. Essa Vida é a Verdade Divina. Isso já está presente.

Então, aqui, o primeiro ponto para ser investigado é que você não pode encontrar Deus. Ele é uma Realidade presente, mas não se mostra presente para o "eu", para o ego, para a pessoa. Portanto, livrar-se do medo requer a investigação da estrutura e da natureza do próprio medo.

Quando nós chegamos à raiz do medo, percebemos que a estrutura do medo, a raiz do medo, é a ignorância sobre quem nós somos, sobre a verdade sobre esse "mim", sobre esse "eu". Quando temos ciência disso, clareza, quando há uma precisão de visão, quando a Realidade se mostra, essa ignorância termina.

Isso é o fim da raiz da ignorância, que é a base do medo. Portanto, você não tem um encontro com Deus. Você tem uma revelação da Verdade de Deus aqui e agora, quando esse sentido do "eu" não está, quando essa "pessoa" não está mais presente.

Então, não temos mais o sentido de separação. A pessoa se vê como um elemento separado da vida, separado do outro, separado de Deus. Essa separação produz e sustenta as diversas formas de medo. O medo é, na verdade, a presença da ignorância.

Quando o pensamento está presente, se projetando no futuro, a partir da ilusão de alguém aqui, para viver um futuro ruim, desagradável, infeliz ou complicado, isso produz esse estado interno de sofrimento que nós chamamos de medo.

No entanto, esse estado está presente em razão da presença do pensamento projetando a partir da ideia também desse "eu", que também é a presença de um pensamento. Enquanto você estiver se vendo como alguém, como uma pessoa, estará sustentando sua existência psicológica no movimento do pensamento.

Essa existência psicológica, que é o movimento do pensamento, que se projeta no futuro de uma forma ruim, negativa, desagradável, é a presença do medo. Portanto, esse medo está presente em razão da ignorância.

A ciência da verdade sobre esse jogo do pensamento, criando esse pensador e o seu futuro, esse experimentador com a sua experiência do amanhã psicológico; ver esse jogo é se livrar da ignorância. Quando não há ignorância, a Realidade se mostra. A Realidade é a Verdade de Deus.

Assim, você não tem um encontro com Deus. Deus se revela quando o "eu" não está, quando o pensador, o experimentador, quando o modelo do pensamento, que é o modelo de condicionamento psicológico que trazemos, não está mais presente.

Portanto, a Verdade sobre Aquilo que é Você é a Verdade da Vida quando a ilusão não está, quando a ignorância não está. Então, não há mais medo, não há mais os medos diversos. Na realidade, toda e qualquer forma de sofrimento se dissolve.

A presença do sofrimento é a presença do sofredor, assim como a presença do pensamento é a presença do pensador, da experiência do experimentador.

Há uma Realidade aqui e agora presente, se revelando. É a Realidade deste Ser, é a Realidade sobre Você. É evidente que isso requer um trabalho, um trabalho em si mesmo, de um profundo envolvimento com essa autodescoberta, com essa clareza, com essa visão, com essa percepção.

Não é alguém tendo essa percepção, visão ou clareza. É a clareza aqui, em razão da presença dessa visão sobre si mesmo, que termina com o "eu", que termina com a ilusão da separação. Então, a Verdade está presente, a Verdade se revela, e Ela está aqui agora como a Suprema Felicidade, o Amor, a Liberdade. Ok?

GC: Mestre, nós temos outra pergunta de outro inscrito aqui no canal, que faz o seguinte comentário: "Mestre, como ter ciência do pensamento sem se confundir com ele?"

MG: Observe sua pergunta. A sua pergunta é como não se confundir com os pensamentos. Olha, Gilson, só há uma forma real para isso: é ficando ciente do pensamento. É necessário trazer para este momento um olhar, um perceber, uma atenção totalmente diferente da que, em geral, nós estamos tendo.

Em geral, quando você percebe, percebe para gostar ou não gostar, para aceitar ou rejeitar, para apreciar ou deixar de lado. Então, nós estamos sempre tomando uma posição no momento da percepção. É, na verdade, o percebedor presente. É uma percepção a partir de um percebedor.

Aqui, a percepção é o olhar, é o ficar ciente, é o tomar ciência sem interferir. Essa é a qualidade da percepção que lhe faz perceber o jogo do pensamento.

Por muito tempo, na verdade, durante toda a vida, quando um pensamento surge dentro de você, o que ele tem feito é lhe dar uma identidade por detrás dele. É isso que o pensamento tem feito. E isso está acontecendo assim há muito tempo.

Então, nós estamos viciados no modelo de ser alguém. Alguém pensando. Quando surge um pensamento em sua cabeça, há por detrás do pensamento já a sensação do pensador. Isso vem no pacote. É automático, é algo mecânico, inconsciente.

Então, estamos constantemente nos identificando com o pensamento, nos confundindo com o pensamento, quando gostamos ou não gostamos, quando queremos mais do pensamento ou não queremos ele conosco. Portanto, o vício, a força do hábito, é de continuar sempre afirmando a presença do pensador, do percebedor.

Aqui, o convite é trazer para este momento o olhar sem o observador, o perceber sem o percebedor. É trazer a ciência do pensar sem o pensador. Então, fica claro o jogo do hábito, do vício, da continuidade do "eu", da continuidade da "pessoa".

E, de imediato, algo acontece. Porque, mais uma vez, o jogo se mostra, mas não há mais alguém para se envolver no jogo. Não há mais alguém para se envolver com o jogo. Então, ocorre uma mudança nessa estrutura.

O modelo do pensamento em nós, do sentimento, da sensação, é colocando sempre, constantemente, alguém no processo, alguém se envolvendo. Esse alguém é o "mim", a pessoa.

Portanto, o que é esse olhar, perceber, ficar ciente? É o "se dar conta". Essa é a forma! Isso lhe dá uma clara visão de como se processa o movimento dos sentimentos, das emoções, das sensações, quando você está com ele ou ela, conversando com o marido, com a esposa, com o colega de trabalho, com alguém.

Isso lhe dá a percepção de suas reações, aqui e agora: o sentir, o que há por detrás do olhar, o que há por detrás do tom da voz que você emprega. Isso lhe mostra estados internos que você está tomando ciência deles aqui e agora, pela primeira vez - como ansiedade, ou preocupação, ou medo.

E basta esse olhar. Não é para interferir com isso, basta esse constatar. Então, uma energia nova surge: uma energia de atenção, de consciência, de presença. Isso transforma este momento em um momento de Meditação.

Não é mais aquele velho momento de inconsciência, de mecanicidade, de resposta automática, de memória, de reação, onde o sentido do "eu" está, onde o ego está envolvido, ali, sem qualquer ciência de como ele está acontecendo, de como ele se processa.

Nesse momento, é rompido esse padrão. Há um rompimento com o modelo do desejo, do medo, da escolha, da preocupação, da intenção de obter algo dele ou dela, ou de temer ele ou ela. Então, Algo agora está presente; esse Algo se revela como a presença da Meditação.

Há, sim, nesse instante, o fim para essa identidade, que é o pensador. Temos, então, a presença desta Liberdade, desta Ciência de Ser, desta Visão da Vida, livre do sentido do "eu", do sentido do ego, do sentido do pensador.

Assim, há um rompimento com o modelo do pensamento, assim como do sentimento, da emoção e da sensação, nesta liberdade de fluir com o momento, de fluir com o instante presente, sem alguém aqui, neste momento.

Então, a base é o Autoconhecimento, e o resultado é a presença da Meditação. Ok?

GC: Gratidão, gratidão, Mestre. Já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais este videocast.

E para você que está acompanhando o vídeo até o final e deseja realmente viver essas verdades, fica o convite para participar dos encontros intensivos de final de semana que o Mestre Gualberto proporciona.

Nesses encontros, além de o Mestre responder diretamente às nossas perguntas, acontece algo muito mais poderoso, muito mais transformador: pelo fato de o Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, ele compartilha um Estado de Presença, um Campo de Energia à sua volta.

E, nesses encontros, a gente acaba pegando uma carona nesse Campo de Presença do Mestre. E, pegando essa carona de maneira espontânea, sem nenhum esforço, entramos no estado meditativo. Podemos ter uma visão real dos assuntos tratados aqui no canal.

Então, fica o convite. No primeiro comentário fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já faz comentários aqui, trazendo perguntas para a gente trazer para os próximos videocasts.

Já dá o "like" no vídeo e também se inscreve no canal, se não for inscrito. E, Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.

Setembro de 2025
Gravatá-PE
Mais informações

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Joel Goldsmith | Coração do Misticismo | O que é a arte de meditar? Marcos Gualberto

GC : Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast. Novamente, o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença.

Mestre, eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado "Coração do Misticismo". Em um trecho desse livro, Mestre, o Joel faz o seguinte comentário: "O silêncio é a linguagem de Deus. Tudo o mais é má tradução". Sobre esse assunto, o Mestre pode compartilhar a sua visão sobre o que é a arte de meditar?

MG: Olha, Gilson, a presença da Meditação em nossas vidas é a coisa mais importante na vida. Porque, sem a presença da compreensão da Verdade sobre você, o que quer que você faça, pense, sinta, estará dentro de um modelo, de um padrão equivocado de mente egoica, de mente em dualidade, em separação.

Vamos esclarecer isso aqui para você: o pensamento em nós é um fundo de memória, de lembrança, de conhecimento, e nós estamos sempre atuando na vida a partir desse fundo. Mas, o modelo do pensamento em nós se processa a partir de um equívoco. Aqui, o equívoco é a ideia de alguém no controle do pensamento. Assim, nós temos a presença do pensamento e alguém no controle. Temos a presença de uma ação ocorrendo, e as ações em nós são impulsionadas também por pensamentos, assim como por sentimentos e emoções. E colocamos, nessa qualidade de ação, a ilusão também de alguém na ação, assim como na sensação ou na percepção.

Aqui, nos encontramos, nessa posição, dentro de uma visão ilusória, equivocada, porque não há alguém presente aqui, neste momento, na vida, como se a vida estivesse acontecendo para "mim". Veja, não existe tal coisa como "alguém e a vida". Temos somente a presença da Vida. É o pensamento em nós que sugere isso, que cria e sustenta a ideia em nós dessa coisa, de que estamos agora pensando, como estamos agora falando, ou ouvindo, ou sentindo, ou fazendo.

Aqui, temos a presença de um movimento: é o movimento da própria Vida, e a ilusão da ideia de alguém se movimentando e respondendo à vida. Isso é falso! É somente a Vida pulsando, acontecendo. Você não faz o coração bater, você não faz o pensamento surgir, você não faz uma emoção aflorar ou um sentimento acontecer. Tudo isso é a Vida em expressão.

Da mesma forma que quando você olha para o céu e não há chuva, e, de repente, o tempo muda e a chuva chega - e você não fez exatamente nada. é exatamente assim a Vida. Você não fez nada para aquela chuva acontecer, e agora ela está ali, surgindo, acontecendo, pelo tempo que ela decide acontecer. Depois, ela decide parar, e não há alguém nessa decisão. É um evento natural, algo Divino, que você não controla. Mas nós temos a ilusão de alguém aqui presente, tendo controle sobre a vida, tendo pensamentos, sentimentos, emoções, tendo certezas e dúvidas. É a sugestão do pensamento em você, criando a ilusão de alguém, fazendo a chuva, essa sua particular chuva, que você chama de "minha vida".

Então, o que é a arte da Meditação? É a ciência de olhar, é a compreensão para olhar, é a percepção sem o percebedor, é o olhar livre que o faz constatar a Vida como Ela acontece, sem a ilusão de alguém presente. Esse "alguém" está criando problemas. Esse "alguém" está sustentando avaliações, comparações, crenças, conclusões sobre a vida, sobre como ela acontece. E é por isso que a pessoa sofre.

Todo problema na sua vida está apenas na sua particular vida, na ideia de alguém que particularizou a experiência do viver. Nós temos o viver, mas não temos alguém no viver. Nós temos a Vida, mas não temos alguém na Vida. Então, a arte da Meditação o aproxima daquilo que temos de mais importante e fundamental, que é a presença de um olhar real para a Vida. É o olhar que o permite presenciar a chuva, tendo clara a certeza de que você não fez aquilo. Não é você que faz a chuva acontecer, nem pelo tempo que ela acontece, nem a faz parar quando deseja. Ela está ali.

A beleza do encontro com a Meditação requer a presença de uma profunda compreensão de como, na ilusão, o pensamento em nós está estabelecendo crenças, estabelecendo ideias, tirando conclusões, nos dando sugestões. A visão direta disso é a Clareza, é a Lucidez, é a presença da Inteligência, que nos liberta da ilusão de alguém, que nos permite a Vida ser o que Ela é, sem alguém presente. Assim, temos na presença dessa visão direta da Vida, a revelação da Ciência Divina. Isso é Meditação. Ou nós continuamos da mesma forma que estamos vivendo nossos dias, ou assumimos a Realidade dos dias, sem alguém, presente nessa experiência. Então, o experimentar é a Vida fluindo, acontecendo aqui e agora, momento a momento.

A presença da arte da Meditação requer Autoconhecimento, requer a investigação da natureza do "eu", da estrutura e natureza do pensador, do experimentador, do observador, para o descarte dessa ilusão. Quando ela é descartada, porque há um espaço novo agora, em razão de um esvaziamento desse velho conteúdo - que é o conteúdo da memória, do conhecimento, das experiências, dos registros, de todo esse histórico do "eu", do ego, que é, basicamente, pensamento -, quando temos um esvaziamento para esse histórico, temos um espaço novo e, nesse espaço novo, se revela Aquilo que é indescritível, Aquilo que está além do pensador, além do pensamento, além do "eu".

Portanto, a arte da Meditação é a arte do viver. Esse "viver a vida" não é alguém vivendo, é a Vida em expressão. Lidar com os pensamentos, os sentimentos ou as emoções é como estamos lidando também com a chuva. Você não se envolve diretamente com o que acontece quando a chuva ocorre. Você fica naquilo que é razoável, simples e prático para não se molhar. Você se protege da chuva. Lidar com pensamentos requer a presença de uma Inteligência para não se confundir com pensamentos, e não criar uma identidade por detrás do pensamento. Essa identidade é o "eu", o ego. É isso que temos feito. Esse é o nosso equívoco, a nossa confusão mental, o nosso sofrimento. A razão por detrás do medo, da ansiedade, da depressão, da angústia, das preocupações e de todo sofrimento humano reside na ilusão de alguém por detrás do pensamento, por detrás do sentimento ou da emoção, fazendo escolhas, tomando resoluções, acreditando no poder de agir, de interagir com o momento presente. Esse alguém se separa da própria Vida e acredita poder controlar: controlar os pensamentos, os sentimentos, as emoções e tudo mais.

Então, nós estamos vivendo na ignorância porque nos falta a arte da Meditação, nos falta a presença do Autoconhecimento, de uma visão em Sabedoria, de uma percepção em Lucidez, de um sentir em Verdade o momento presente. Atender a Vida não é algo para alguém. Atender a Vida é algo para a Inteligência. Algo que está presente, sendo Você, em sua Natureza Essencial, quando o ego não está, quando a mente, em sua confusão, já não está mais presente. Por isso, nós precisamos descobrir o que é a Vida sem o "eu", a Vida sem a mente, a Vida sem o ego, a Vida sem o passado. Então, há uma Clareza no olhar, no sentir, no agir, no perceber, no interagir com ele ou ela, porque o ego não está.

Assim, a arte da Meditação revela Deus, revela Aquilo que é Real, aquilo que é Eterno.

GC: Mestre, nós temos uma pergunta de uma inscrita aqui no canal, que fez o seguinte comentário: "Mestre, eu tento meditar, mas minha mente não para por um segundo. Fico frustrada e acabo desistindo. Estou fazendo algo errado?"

MG: Repare, você diz: "Eu tento meditar". Na presença da Meditação, não há alguém - como acabamos de colocar aqui agora, na primeira parte, na primeira resposta. A Verdade da Meditação é o momento se revelando como ele é. Assim, o que nós temos aprendido aí fora sobre Meditação é algo equivocado, porque eles nos dizem que nós temos que meditar, e meditar é afastar os pensamentos e se concentrar em um pensamento só, ou visualizar um globo azul, ou visualizar uma bola azul, ou respirar de uma certa forma, sentado, de uma determinada maneira, em um lugar silencioso. Portanto, aquilo que nos ensinam como técnica ou prática de meditação é algo mecânico, é algo para alguém fazer.

Nós não precisamos fazer aquilo que já está aqui pronto. Você não se envolve para fazer. Se alguém lhe apresenta um bolo, um bolo de chocolate, ele está pronto. Ele é colocado diante de você, você não tem nada para fazer, a não ser comer o bolo. A presença da Meditação é a Ciência de Deus. Essa Ciência de Deus já está aqui. A única coisa que você pode fazer é desfrutar dessa Presença Divina assumindo a Verdade do seu Ser, que é a própria Ciência de Deus. Isso é comer o bolo. Mas, as pessoas se dedicam a técnicas e práticas, e depois ficam frustradas, porque elas não compreenderam a verdade de que a Meditação, como a chuva, acontece. A Meditação também está aqui acontecendo, momento a momento. Não está acontecendo para alguém. Esse é o problema. Você não pode estar na Meditação. Não existe, na Verdadeira Meditação, alguém meditando, como as pessoas tentam fazer. A presença da Meditação não requer esforço, porque não é algo - volto a dizer -, não é algo que você faz, é algo que acontece quando o espaço está presente.

Então, o que nós precisamos para a Ciência de Deus, que é a Ciência da Meditação, que já está aqui, se revelar? O que nós precisamos para que isso se revele é a base, e a base é o olhar, o perceber, o tomar ciência de nossas reações. Portanto, o Autoconhecimento é o que nos dá a base para a revelação da Meditação. Portanto, o que nos dá a base para comer do bolo que já está aqui - que é a Ciência Divina, que é a Ciência de Deus - é o Autoconhecimento. Atentar, tomar ciência das nossas reações, a cada instante, a cada momento. Ficar ciente do pensamento. Um pensamento surge, tome ciência dele. Um sentimento aparece, tome ciência do sentimento. Quando uma emoção surgir, fique ciente da emoção. Não negligencie isso. Acompanhe, olhe para isso. Não se envolva, não se comprometa, não entre em um padrão de gostar ou não gostar. Apenas olhe, observe, fique ciente. Então, com a base do Autoconhecimento, se revela a Ciência de Deus, se revela esse bolo aqui, se revela aquilo que aqui está presente, como sendo o Amor, o Silêncio, a Liberdade, a Felicidade deste Ser, que é Você em sua Natureza Real.

Quando você fala de um esforço, quando você fala da dificuldade, que termina levando você a desistir, tanto esse esforço quanto a dificuldade e essa desistência, aí está presente o sentido de alguém fazendo a coisa ou tentando fazer a coisa, e até desistindo de fazer. Lá está alguém. Nós temos inúmeros vídeos aqui lhe mostrando. Nós temos uma playlist aqui no canal lhe mostrando que a Verdade da Meditação é a ausência do meditador, do observador, do experimentador. Isso não é algo que requer esforço, concentração, técnica. Todo envolvimento com técnica, esforço ou prática é para obter algo. Aqui, não se trata de obter, não se trata de alcançar. Aqui, se trata do constatar, desse "tomar ciência" d'Aquilo que aqui está presente se revelando como sendo a Verdade Divina. Essa é a Presença da Meditação, essa é a Presença de Deus.

Então, esqueça absolutamente tudo o que você aprendeu, jogue tudo fora. Se você, de fato, quer se aproximar da Real Meditação, se aproxime de Satsang. A palavra "Satsang" significa o encontro com a Verdade. Nós temos encontros on-line ocorrendo nos finais de semana. Entre no Zoom e participe. Nós temos encontros presenciais, temos retiros. Isso requer um profundo envolvimento com essa entrega à Verdade do Autoconhecimento. E é o que nós estamos trabalhando aqui com você. Ok?

GC: Mestre, nós temos outra pergunta, de outra inscrita aqui no canal que fez o seguinte comentário: "Sinto que vivo no piloto automático. Pode falar mais sobre o condicionamento?"

MG: Gilson, o movimento da mente é o movimento automático. E por que é automático? Porque é um movimento aprendido, e que se repete vez, após vez, após vez. Assim são os processos internos dentro de cada um de nós. Aquilo que nós chamamos de mente não é outra coisa a não ser um movimento de repetição, de continuidade, de automanutenção do passado. A presença do pensamento é a memória. É o passado. Olhe para a sua cabeça! Você está constantemente tendo pensamentos. De onde estão vindo esses pensamentos? Da memória. E o que é esta memória? É o reforço do passado. Mas repare, o passado não está aqui. Ele não tem qualquer importância e, no entanto, o pensamento está valorizando o passado o tempo todo, dentro da sua cabeça. E por que o pensamento faz isso? O pensamento faz isso para sustentar a continuidade de uma suposta identidade, que faz com que você acredite ser você. E por que o pensamento faz isso? O pensamento faz isso, porque ele está sustentando a ideia, em você, de alguém presente pensando. Esse alguém presente pensando é o "eu", é a pessoa que você acredita ser.

Então, reparem o jogo, reparem o truque, a grande pegadinha do pensamento. Tudo que ele faz é se manter nesse automatismo, nesta mecanicidade. Portanto, aquilo que nós chamamos de consciência é a presença do pensamento nos falando de algo. Repare, é o que nós chamamos de consciência. Quando é que você tem consciência? Não é quando se lembra? Quando você tem a lembrança, você tem consciência. É isso que nós chamamos de consciência. Agora, esta consciência, que é lembrança, é, na verdade, apenas movimento de pensamento. E esse movimento de pensamento é automático. Esse automatismo nos mostra que aquilo que nós chamamos de consciência é, na realidade, inconsciência completa. Mecanicidade. Automatismo.

Nós precisamos, sim, de ciência sobre as nossas reações. Esta ciência sobre as nossas reações é Real Consciência. Nós não temos real consciência, nós estamos apenas respondendo reativamente, ou seja, a partir da memória, a partir do passado, dentro do automatismo. Você pergunta: "Como podemos romper...?" A sua investigação é para romper com esse automatismo. Tome ciência do automatismo. Esta ciência requer a presença de uma atenção completa, profunda, real, verdadeira, aqui e agora, sobre cada pensamento, sentimento, emoção, sensação. Descobrir como acompanhar com real exatidão, com real precisão, com profundidade, cada ocorrência, cada acontecimento, interno ou externo: olhar, escutar, perceber esta reação. Isso é trazer ciência para o momento presente. Não é para fazermos algo contra isso, mas é para apenas constatar isso. Quando você começa a se tornar ciente de suas reações, percebe o jogo do pensamento. Percebe o movimento da inconsciência. Percebe que suas reações são mecânicas, e automáticas. Então, há uma quebra desta velha condição. Isso porque, neste momento, a mente silencia, o cérebro se aquieta e há uma percepção direta da realidade do momento. E, neste momento, não há mais esse "eu". Então, nesse instante, todo o automatismo se dissolve, porque ele se assenta no padrão da inconsciência, da repetição, da não-observação, da não-atenção.

Portanto, todo o automatismo presente nesse modelo do "eu", do ego, é, na verdade, desatenção. Essa é a inconsciência desta consciência egoica. O que põe fim a essa condição é o olhar, o perceber. É o que traz esta Plena Atenção para o momento. Então, rompemos com o sentido do "eu", com o sentido do ego. Temos, assim, uma aproximação neste Autoconhecimento da Verdade da Meditação, da Ciência da Meditação, que revela aquilo que está além da mente, além do "eu", além do ego e, portanto, além da inconsciência e do automatismo da mente, desta mente egoica. Ok?

GC: Gratidão, gratidão, Mestre. Já fechou nosso tempo. Gratidão por mais esse videocast. E para você que está acompanhando o vídeo até o final, e deseja realmente viver essas verdades, fica o convite para participar dos encontros intensivos de final de semana que o Mestre Gualberto proporciona. Nesses encontros, que são muito mais profundos do que esses vídeos aqui no YouTube, acontece algo muito poderoso, que é por o Mestre já viver nesse estado Desperto de Consciência, Ele compartilha um campo de presença à sua volta. E, nesses encontros, a gente acaba entrando de carona nesse campo de presença do Mestre, que é puro Poder e Graça. E, pegando essa carona com o Mestre, de maneira espontânea, sem nenhum esforço, aquietamos nossas mentes, entramos no estado meditativo e podemos ter um vislumbre, de fato, do que são essas Verdades. Então, fica o convite. No primeiro comentário fixado tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o like no vídeo, se inscreve no canal. E, mais uma vez, Mestre, gratidão pelo videocast.

Agosto de 2025
Gravatá-PE
Mais informações

Compartilhe com outros corações