terça-feira, 1 de outubro de 2024

Autoconhecimento: como conhecer a si mesmo? Sinais do Despertar Espiritual. Crescimento espiritual.

O ser humano aprecia muito essa questão do mito. Você sabe, o mito é aquela história fantástica que tenta explicar alguma coisa a partir de uma narrativa bastante imaginativa, bastante criativa. Então, a verdade do mito é que ele é algo que o pensamento cria dentro da sua imaginação – e o ser humano gosta muito dos mitos.

Eu quero investigar com você aqui duas coisas que podem não parecer, mas são dois mitos dentro desse, assim chamado, conhecimento espiritual como nós conhecemos. Um deles é a questão desses sinais do Despertar Espiritual, de como as pessoas valorizam a busca, a procura ou a expectativa da espera de um ou mais desses sinais para aquilo que elas chamam de despertar espiritual.

O outro mito é a questão tão amplamente aceita dessa coisa chamada de crescimento espiritual. Notem que aqui estamos lidando com duas coisas ligadas, necessariamente, à presença do tempo.

Nós, como seres humanos, estamos em busca de alguma coisa fora daquilo que tem sido a nossa vida trivial, comum, e queremos realizar isso através de um contato de experiência incomum, extrafísica ou, assim chamada, espiritual. Um tipo de experiência tão rica e profunda que possamos dali sair com a certeza de que algo está acontecendo, que está havendo esse, assim chamado, despertar ou crescimento espiritual.

Vamos compreender uma coisa aqui. Quando nós estamos lidando com a Realidade Divina, com a Realidade de Deus, estamos lidando com Algo que está fora daquilo que o pensamento possa construir, idealizar e, portanto, alcançar pela imaginação. É isso que nós precisamos compreender.

Nós, geralmente, estamos à procura de uma experiência, sem investigar a natureza daquele que está nesta procura. Você não precisa de sinais do Despertar Espiritual, você não precisa de crescimento espiritual. Tudo, de fato, o que você precisa é tomar ciência da Verdade da Real Consciência que já está presente aqui. Isso não irá acontecer com uma experiência rica, profunda e maravilhosa, como o pensamento imagina e nem isso irá lhe trazer esse tão sonhado crescimento espiritual.

A Realidade do seu Ser é a Natureza de Deus e Isso já está agora, aqui. Então, não desanime ao ouvir que você não precisa de experiências, que você não precisa de sinais, que você não pode esperar, depender da ideia de um crescimento, assim chamado, espiritual. Aquilo que já está presente aqui é Aquilo que se Revela como sendo a Verdade do seu Ser.

Então é, na verdade, um mito, essa ideia de que através de uma experiência você irá alcançar o despertar espiritual. Não há você para alcançar e não há algo para ser alcançado. Você pressupõe a presença de uma identidade aqui, nesse instante, que irá passar por um processo de mudança, de transformação dentro de um contato com uma rica e profunda experiência que irá acontecer amanhã, e o resultado disso será o “despertar espiritual”, a “iluminação espiritual”: isso não é real. Não é real porque o sentido do “eu”, do “ego”, desse “mim”, dessa pessoa, não entra.

A verdade do Florescer do seu Ser, de sua Natureza Divina é o fim exatamente desse “eu”, desse elemento que passa por processos de ampliação, de fantásticas experiências, que pode passar por um processo de evolução ou crescimento. Esse elemento ainda é o ego, ainda é o “eu”. Toda a experiência é aquilo que você reserva dentro de você como uma lembrança, como uma recordação.

Notem como é interessante isso. Quando eu lhe peço para contar algo sobre a sua experiência, o que você tem para me contar, para me relatar é uma memória pela qual você passou, guardou no cérebro e agora nos conta essa memória. Então, quando você me traz essa memória, você está contando para mim ou para outros algo pelo qual você passou. Mas quem é esse elemento que passou por isso, que guardou essa memória?

Esse elemento em nós que guarda lembranças, que guarda memória, na verdade, é uma ideia, é um conceito. Nós temos a ideia de alguém presente tendo lembranças, guardando memórias, passando por experiências e falando sobre essas experiências. O que temos, na verdade, são essas experiências como memória, como lembranças voltando, de novo, como uma resposta do pensamento.

Quando você tem uma lembrança, o que está presente é só a lembrança. Mas existe a ideia desse “você” se lembrando. E, na realidade, uma lembrança é só um pensamento que volta do passado como uma memória, uma recordação, e sendo relatado de novo aqui. Então, através desse mecanismo da fala e desse trabalho do cérebro de trazer a lembrança, acontece o depoimento.

Então, você nos conta algo. Na verdade, esse contar algo apenas está acontecendo como um movimento do pensamento sendo colocado em palavras e podendo ser ouvido. Essa palavra pode ser ouvida, esse relato pode ser escutado, mas o que temos presente é só uma lembrança, uma memória. Nós não temos o experimentador. Nós não temos o experimentador. Esse experimentador é o sentido de um “eu” presente. Ele só surge quando a lembrança surge.

Assim, esse experimentador é a própria experiência. Quando a experiência é relatada, o experimentador está presente. O experimentador não é outra coisa a não ser essa experiência sendo relatada. Repare como é simples isso. Você não tem qualquer experimentador sem a lembrança de uma experiência. A lembrança de uma experiência traz a ideia, o pensamento de um experimentador que passou por aquilo, mas é só a lembrança que faz isso. Se não há lembrança, não existe o experimentador.

Portanto, esse sentimento de ser alguém que passou por algo no passado e que está aqui, agora, isso é uma imaginação do pensamento em razão da presença da memória, em razão da presença da lembrança. O ponto é: que valor isso tem? Que importância isso tem? Uma memória, uma lembrança, uma recordação, é uma experiência.

Toda experiência é algo pelo qual você já passou, mas você é esse experimentador que só aparece quando a memória surge, quando a lembrança surge. Então, quando a gente fala de experiências, a gente está falando de memória, de lembrança, de pensamento, algo que vem do passado. Mas estamos, vez após vez, confirmando a presença de alguém importante, porque passou por experiências. Esse alguém é só a ilusão de alguém e essa experiência é só a lembrança, é só a memória, algo que vem do passado, não tem qualquer importância.

Então, isso não tem nada a ver com o Despertar Espiritual. “Ah, mas eu passei por uma experiência muito rica, muito bonita, muito profunda, muito real”. O ponto é que ela não está aqui, agora. O que você tem aqui, agora é só uma lembrança dela. Como uma lembrança, ela não tem realidade no instante, no momento presente, e temos ainda esse elemento, que é o “eu”, esse “mim”, essa “pessoa”. Onde ela está? Onde está esse experimentador agora, aqui? Se o que temos é só uma memória, uma lembrança, algo que já foi, que já desapareceu.

Então, nós temos que descartar essa ideia da necessidade de uma experiência, de passarmos por sinais do despertar. Por que quem é esse elemento que fica passando por esses sinais, se o Despertar Real é exatamente o fim do ego, o fim do “eu”, o fim desse elemento? Ele não tem importância, assim como as experiências também não têm qualquer importância, porque são apenas lembranças, que ficam no passado.

A Realidade do Despertar Espiritual, da Realização Divina é Aquilo que se Revela agora, aqui. Esse elemento presente não está, então não fica essa ideia de crescimento. Crescimento pressupõe a presença do tempo para uma entidade presente, para o “eu”. A Realidade do seu Ser está fora do tempo, portanto, não cresce nem diminui. A Realidade do seu Ser está fora do tempo, não faz parte do passado, nem dessa ideia do presente, nem do futuro, porque isso está dentro do tempo.

Apenas o pensamento nos fala sobre o tempo, sobre o que foi, sobre o que é e sobre o que será. Quando não há pensamento, só temos, nesse momento, a vida como ela é, sem qualquer descrição, sem qualquer experiência, sem qualquer experimentador, sem algum elemento presente para evoluir, para vir a ser, para alcançar, para chegar em algum lugar.

Reparem que tudo isso é apenas parte daquilo que o pensamento tem construído. E tudo que o pensamento faz é, a partir de memórias, lembranças, ideais, sonhos, desejos e projetos, se projetar na imaginação, criando todo o tipo de ideia a respeito de algo que quando está presente, nenhuma ideia fica. A Realidade do seu Ser não está nesse movimento, nem de experiências, nem de sinais, nem de crescimento.

Veja, se autoconhecer, o Autoconhecimento, esse “como conhecer a si mesmo” significa tomar ciência da ilusão de uma identidade presente que se confunde com esse movimento, que é o movimento do “eu”, nessa procura por experiências.

Nós eliminamos a questão do tempo quando eliminamos esse movimento, que é o movimento do pensamento nessa ideia de “eu fui, eu sou e eu serei”, e quando isso ocorre, não existe mais sinais para o Despertar, não existe mais essa ideia de crescimento espiritual. Assim, nos aproximamos daquilo que se passa nesse instante, o que são esses pensamentos, sentimentos, emoções, sensações, percepções.

Tomar ciência de todo esse movimento, que é o movimento do “eu”, desse “mim”, desse elemento que, na verdade, é um conjunto de memórias, de lembranças, de pensamentos, é descartar esse elemento de dualidade, de separação, que é esse pensador, esse experimentador, esse que vê, esse que observa a partir do passado, esse que está em busca de um objetivo, seja ele de um crescimento, assim chamado, espiritual ou de experiências mais ricas e profundas, assim chamadas, espirituais, ou aguardando esses, assim chamados, sinais do despertar.

O fim para essa condição psicológica é o Florescer de sua Natureza Divina. Então, a questão da Realização d’Aquilo que é Você em sua Natureza Real está quando essa condição psicológica, que é a identidade egoica, se dissolve; e quando ela se dissolve, se dissolvem com ela todos os problemas ligados, lincados a esse sentido egoico.

Então, o trabalho é real quando você toma ciência daquilo que está aqui e agora como sendo esse movimento, que é o movimento dessa egoidentidade, dessa ilusória identidade, desse sentido do “eu”, desse sentido do ego, desse que se move nesse movimento do pensamento, que é o movimento do tempo, que quer alcançar alguma coisa e que, também, quer se livrar de algumas outras coisas.

Aqui estamos lhe convidando a ter uma aproximação da Verdade da Real Meditação de uma forma vivencial, de uma forma prática. Isso é possível quando você tem uma visão clara da importância do Autoconhecimento, do valor do Autoconhecimento. Então, eu quero lhe convidar a se aprofundar nisso, tomar ciência disso, de como ter uma real aproximação da Verdade do Despertar Espiritual, da Realidade sobre Isso, da Verdade sobre Isso.

Junho de 2024
Gravatá-PE
Mais informações

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Autoconhecimento Supremo | Autoconhecimento na prática | Importância do Autoconhecimento

Aqui nós estamos vendo juntos, a partir de ângulos diferentes, a Verdade do Autoconhecimento. Refiro-me à vivência direta e compreensão clara desse Natural Estado de Ser, onde aquilo que é a Realidade de Deus se revela. Então, essa aproximação do Autoconhecimento – me refiro ao Autoconhecimento Supremo, à ciência do Autoconhecimento na prática –, revela esta Verdade, a Verdade do seu Ser, a Verdade sobre cada um de nós.

O ser humano passa uma vida inteira envolvido com os seus desejos, seus medos, suas razões, suas intenções, suas motivações. E o que há por trás de tudo isso? Um padrão de comportamento puramente egocêntrico.

Então, fica muito simples ter uma compreensão de que, enquanto esse padrão se repete, a condição psicológica em cada um de nós se mantém a mesma; e quando isso ocorre, não há esse encontro com aquilo que estamos buscando, com aquilo que estamos procurando. Até porque não sabemos bem o que é que estamos procurando na vida.

Há um impulso dentro de cada um de nós pela procura da felicidade, para termos um encontro com a felicidade, embora não saibamos o significado real disso. A representação intelectual e mental que temos disso é de realizações materiais. É por isso da importância do Autoconhecimento.

Uma aproximação da vida de forma real, de forma verdadeira, revela Aquilo que está além daquilo que a mente conhece e procura dentro dessa busca dela. Então, nós precisamos ter sempre uma aproximação muito clara a respeito da Verdade sobre nós mesmos nesse momento.

A compreensão de quem somos nesse instante revela a ilusão de uma identidade presente. O conhecimento dessa Verdade, que é a ciência dessa ilusão, traz o descarte para essa condição psicológica de ser alguém, de ser essa pessoa.

A pessoa é esse sentimento de ser, dentro da vida, do viver, da experiência, alguém: alguém que pensa, alguém que sente, alguém que faz, alguém que pode se livrar do que lhe faz sofrer, alguém que pode alcançar o que pode lhe dar satisfação, preenchimento, gratificação, realização. Tudo isso é visto nessa compreensão da Verdade sobre aquilo que nós somos, nesse instante.

Assim, a importância do Autoconhecimento é algo fundamental para cada um de nós. Então, esse é o nosso empenho dentro desses encontros. E a primeira aproximação disso deve ser, naturalmente, a aproximação da verdade de como internalizamos as experiências, como percebemos internamente aquilo que acontece a cada um de nós – essa representação interna que fazemos desse momento.

Acompanhe isso com muita clareza aqui, nesse instante, coloquem o coração para essa compreensão clara do que vamos colocar nesse instante, nesse momento. O seu modo de observar o que acontece, invariavelmente, é sempre a partir de uma representação interna de como você particularmente vê o mundo, vê as situações, os acontecimentos, os eventos da vida e, também, naturalmente, as pessoas com quem você se relaciona.

A coisa é bastante complexa, porque tudo isso vemos a partir da forma como nós também nos vemos. Não temos uma compreensão de quem somos nesse instante, temos apenas uma imagem sobre aquilo que nós somos – porque é isso que temos de nós mesmos, uma imagem sobre quem nós somos.

Quando temos uma imagem sobre quem nós somos, o nosso contato com tudo isso é completamente falseado. Então, nós não temos uma visão da Realidade desse instante, desse momento. Não há em nossa vida a Verdade, a Sabedoria, a Compreensão, essa naturalidade de Ser, simplesmente Ser.

Veja o que estamos trabalhando aqui com você. A ideia de ser alguém – observe, tome ciência disso, compreenda diretamente isso e você irá perceber – é só uma imagem que você faz sobre quem você é, que falsifica completamente a experiência. Então, vamos com calma ver isso.

Por toda a nossa vida, por todos esses anos – vinte, trinta, quarenta, cinquenta anos, a idade que você tem – a forma como nos aproximamos da experiência é sempre a partir já de uma imagem que fazemos sobre quem nós somos. E como esse contato com a experiência é visto a partir desse experimentador, então nós trazemos esse experimentador, que é essa imagem que fazemos sobre quem nós somos

No contato com a experiência, nós adquirimos mais experiência, e essa experiência é aquilo que guardamos dentro de cada um de nós, nesse formato de lembrança, de memória, do que aquele momento representou para esse experimentador. Então, nós guardamos isso.

Assim, nós estamos sempre entrando em contato com o momento novo já com essa base de uma experiência passada. Então, a forma como cada um de nós passa pelas experiências é sempre a partir do crivo, da forma, do modelo já prefixado em nós, desse experimentador, dessa imagem que fazemos sobre quem nós somos, dentro daquele contexto.

O momento é novo, mas o experimentador é algo que vem do passado. O quadro, a situação é nova, mas aquele que entra em contato com essa experiência é essa autoimagem, que está abalizada no experimentador. Assim, todo o contato que temos com a vida, com as situações, as circunstâncias, as pessoas, os acontecimentos, os eventos, está sendo experimentado a partir dessa ótica, que é o "mim", o "eu", essa autoimagem, esse experimentador, esse alguém.

Então, o sentido de ser alguém na vida é o sentido de ser um experimentador dentro da experiência; e esse experimentador é esse elemento que vem do passado. Há uma separação entre aquilo que está aqui presente acontecendo e esse que está nessa experiência. Reparem como isso é bastante delicado.

É necessário ter uma compreensão direta de que o seu contato com ele, com ela, com essa ou aquela circunstância é um contato que já vem com um modelo prefixado do passado, desse centro, que é o ego. Por isso, naturalmente, temos o conflito, temos a contradição, temos o problema.

Não conhecemos, nesse momento, o novo, porque todo o contato que temos com esse momento não é o contato da ciência daquilo que está aqui, exatamente como isso é, o significado real disso. Estamos tendo um contato a partir desse fundo, desse padrão, desse modelo de reconhecimento que vem do passado.

O nosso trabalho juntos aqui está em constatar a Verdade da vida acontecendo nesse momento, sem esse passado, sem esse fundo. Esse fundo é o experimentador, é a autoimagem, é o “eu”, é o ego. O que estamos dizendo para você é que não há como realizar aquilo que procuramos sem tomar ciência da Verdade sobre isso.

E o que é que estamos procurando? O que estamos procurando é exatamente a vida acontecendo nesse instante, sem esse "mim", o "eu", o ego, esse experimentador, essa autoimagem. Assim, uma aproximação nova se tornará possível: a aproximação da vida como ela é, sem essa desfiguração que o pensamento em nós sustenta.

A forma como representamos o que acontece, como estamos dando significado, importância, valor, reconhecimento, aceitação, rejeição, tudo isso parte desse fundo que vem do passado. É o modo como, psicologicamente, esse sentido do "eu" assume esse momento.

Então, esse instante, aquilo tudo que ele representa, tudo isso que ele significa, não faz o menor sentido para esse centro, para esse "eu", porque ele o vê como deseja, ele tem expectativas, alvos, propósitos, objetivos. Então, esse padrão de comportamento em nós, nesse momento, é autocentrado, centrado no "eu", no ego.

Nossas ações são centradas nesse padrão que separa, divide, altera, colore a experiência. Há uma exigência desse ego. Reparem que tudo isso lhe afasta exatamente daquilo que, na realidade, todo ser humano está à procura. Todo ser humano está, na verdade, à procura de uma Completude de Ser.

Temos confundido essa busca real pela Verdade dessa Completude de Ser por uma busca de satisfações, de realizações, de objetivos diversos. Isso ocorre em razão desse fundo que trazemos, desse condicionamento interno que trazemos para esse momento.

O contato com a Realidade do seu Ser, o contato com a Realidade Divina, é o contato com esse momento, sem esse elemento que é o "eu", o "mim", o ego, nessa intenção de mudar, de alterar, de ajustar, de fazer com que esse momento representa para ele, para esse centro egocêntrico, alguma coisa que possa completá-lo.

E por que Autoconhecimento Supremo? Porque não se trata de uma ferramenta ou de um mecanismo que fazemos uso para realizar propósitos egocêntricos, que é exatamente o que fazemos nessa psicológica e interna confusão em que nós nos encontramos nessa relação com esse instante, com esse momento presente, com base nesse fundo psicológico, que é o "eu", o ego, essa autoimagem, esse experimentador.

Precisamos descobrir algo além disso, além dessa condição. E é isso que estamos propondo aqui para você. A Verdade de Deus, dessa Coisa indescritível, inominável, se Revela quando há essa Verdade do Autoconhecimento.

A aproximação real do Autoconhecimento é o fim desse sentido de um "eu" presente, que é esse centro ilusório, que se separa do momento presente, que se separa da experiência para ser esse experimentador, que está sempre acrescentando a esse momento algo dele, que vem do passado, e extraindo algo desse momento para ele, e assim mantendo sua continuidade dentro de uma ilusão.

Autoconhecimento é a forma real de nos aproximarmos da Realidade de Deus, da Realidade d’Aquilo que é inominável. Temos diversos nomes para Aquilo que está fora do conhecido, para Aquilo que está fora do tempo, mas estamos sempre colocando aqui para você em palavras, Aquilo que está além, naturalmente, das palavras. Então, é preciso sempre ter uma aproximação bem cuidadosa a respeito de tudo isso.

Aqui o nosso propósito é a eliminação desse movimento, que é o movimento do "eu", que se mostra, nesse momento, como sendo o experimentador disso que aqui está se vendo como uma entidade separada e, naturalmente, interpretando, traduzindo, avaliando, julgando a experiência de acordo com seus desejos, de acordo com seus medos, com a sua intenção de fugir do que lhe desagrada, de encontrar mais satisfação e satisfação naquilo que lhe dá prazer. Tudo isso desaparece quando há essa Verdade da Revelação do seu Ser Real, dessa Realidade Divina, que está fora da mente egoica, que está fora desse modelo.

Junho de 2024
Gravatá-PE
Mais informações

terça-feira, 24 de setembro de 2024

Como me livrar do sofrimento? Observador e coisa observada. Como me livrar da ansiedade? Dualidade.

A beleza desses encontros é que aqui estamos explorando com você o assunto do fim para essa identidade presente, que é o "mim", o "eu", o ego. Nós temos, sim, a resposta para essa questão. Quando isso termina, quando o ego termina, quando o "eu" não está, quando esse sentido de dualidade, de separação, esse sentimento de você e o outro, você e o mundo, você e a vida, quando isso não está mais presente, temos a resposta para a pergunta “Como me livrar do sofrimento?” É a mesma resposta para a pergunta “Como me livrar da ansiedade?” Isso é o fim para esse sentido de separação.

O que é o fim para o sentido de separação? Veja, aqui está a revelação do fim do sofrimento, do fim da ansiedade, do fim do medo, o fim desse observador, que observa alguma coisa, que vê algo. Esse observador é aquele que vê alguma coisa separada dele e quer fazer algo com aquilo. Vamos esclarecer isso aqui para você.

Nós estamos tão habituados a viver nesse sentido de separação que temos dificuldade de ter uma aproximação de algo tão básico, tão simples como isso que estamos tratando aqui. Quando você vê algo, tem você e aquilo que está sendo visto. Então, a princípio, a ideia em nós é de uma separação entre o observador e a coisa observada. Do ponto de vista físico, essa é a ideia que fazemos da experiência que está aqui, neste instante.

Vamos olhar isso de perto, já que estamos investigando a natureza do sofrimento. Porque é isso que estamos fazendo aqui, estamos investigando a natureza, a estrutura, a base dessa condição de sofrimento humano, pois só assim podemos ir além desse sofrimento, tendo uma aproximação de investigação do que isso representa.

Quando você se depara com uma flor, ao olhar para aquela flor, o que você tem presente nesse momento, nesse primeiro segundo de encontro com o olhar, nesses um ou dois segundos, é só um contato. É um contato sem a separação entre você, como observador, e aquilo que está sendo observado. Há um contato, há uma visão. Não há esse ver a flor, há só uma visão. Isso pode durar um segundo, dois ou três segundos. No quarto segundo, um pensamento surge sobre a flor.

Quando surge um pensamento sobre a flor, e o pensamento é, por exemplo, “que flor bonita”, “uma flor dessa ficaria muito bonita no meu jardim”, quando algum pensamento surge no momento desse olhar, nesse instante surge a separação. Nessa separação, tem esse ver. Então, nesse momento, você está vendo a flor.

Você tem um pensamento sobre a cor, sobre a forma, sobre a ideia de um objeto. Você tem um pensamento sobre como seria interessante essa flor no seu jardim. Você tem o nome dessa flor, se você tem algum conhecimento botânico. Se você tem algum conhecimento sobre aquela imagem, que é a flor, você tem o nome dela. Se tem essa memória, você tem o nome. Nesse momento, tem você e a flor, então há esse ver.

Podemos descobrir esse instante livre desse ver? Podemos estar nesse instante apenas nesse olhar? O olhar a experiência que quer que esteja surgindo nesse momento, estar com isso no olhar, sem esse ver, sem alguém nisso. Então nós temos, pela primeira vez, um contato livre desse observador.

Então, o que é o observador? É aquele que vê. Quando você vê, você tem o nome, você tem algo para fazer com aquilo, você gosta, você não gosta. Há esse observador e a coisa observada, então nós temos essa separação, nós temos essa dualidade.

Repare, é assim que estamos lidando com a experiência do momento presente. Quando o momento presente se mostra e esse sentido de alguém surge para gostar, não gostar, para avaliar, comparar, aceitar, rejeitar, julgar esse instante, esse momento, essa experiência, então nós temos a dualidade, temos o observador e a coisa observada.

Veja como é importante isso. É aqui que temos presente todo o problema do ser humano. Ao lidarmos com as experiências, estamos lidando com as experiências a partir do observador, que é o experimentador.

Então, a experiência não é a experiência, ela é a experiência para "mim". Então há o sentido de alguém presente na experiência. Esse sentido de alguém é o experimentador. Há alguém presente nesse olhar, então não é um olhar, é alguém vendo. É assim que nós temos funcionado na vida.

Então você tem uma pergunta: “Como me livrar do sofrimento?” Se aproximando do sofrimento sem o observador; se aproximando do sofrimento sem o sentido de um "eu" para não gostar, para querer se livrar, para querer fazer algo com isso. Quando isso está presente, esse elemento, que é o "eu", o observador, está sabendo classificar a experiência.

Então, qual é a forma real de uma aproximação com a experiência? É isso que estamos tratando aqui com você. A forma real dessa aproximação é a aproximação sem o experimentador. Então, qual é a maneira real para nos livrarmos do sofrimento? É tomarmos ciência de que a experiência, dela podemos ter uma aproximação direta, sem esse fundo de gostar e não gostar.

Só há uma forma real de nos aproximarmos da experiência: é sem esse centro, sem esse "mim", sem esse "eu", sem esse observador, sem esse experimentador. Essa é a maneira real para uma aproximação do fim para o sofrimento. Observe que é particular esse gostar e não gostar. Observe que é particular essa experiência representar sofrimento ou não, aqui.

Sempre estamos particularizando a experiência, e quando particularizamos, ficamos nesse gostar e não gostar. Se é o não gostar que prevalece nessa particular experiência, isso é um problema. Se é o gostar nessa particular experiência, isso não é um problema. Então, reparem como o nosso ego, o nosso "eu", esse observador, esse experimentador, se situa na experiência.

Nós queremos tudo que possa nos dar prazer. Para nós, isso não é um problema, para nós, isso não é um sofrimento. Nós rejeitamos, rechaçamos, queremos nos livrar de tudo o que nos provoca dor. Para nós, isso é sofrimento.

Então, quando as pessoas perguntam “Como me livrar do sofrimento?”, elas estão perguntando: “Como posso me livrar de tudo o que me causa dor?” É como se elas dissessem: “Eu não tenho nenhum problema com o prazer, mas tenho um grande problema com a dor. Então a dor para mim é um problema, o prazer para mim não é um problema”.

O que não percebemos aqui é que é a particular visão de um centro que se vê separado da experiência, que é o observador com essa sua coisa observada. Se ela é de prazer, esse observador quer mais. Se é de dor, quer menos ou quer se livrar por inteiro. Então, qual é a verdade do fim do problema? A verdade do fim do problema é a verdade do fim do "eu".

De uma forma prática, a maioria das pessoas, por não terem ciência da ilusão de ser uma pessoa dentro da experiência, o que elas têm feito ao longo de milênios de história da humanidade é procurar uma solução para o sofrimento ou procurar fugir do sofrimento.

A solução que buscamos é a solução temporária, paliativa daquela dor. E fugir do sofrimento representa também uma solução, naturalmente, paliativa e de tentativa de escapar da experiência também sem a compreensão do que a experiência representa.

Aqui nós temos que investigar isso. O fim para o sofrimento é também o fim para a ilusão do preenchimento, da satisfação que o prazer nos traz. Esse prazer nos traz preenchimento e satisfação nesse instante, mas, no momento seguinte, está esse prazer sendo negado. E quando esse prazer nos é negado, temos a dor. Então, aquilo que nós chamamos de prazer ainda carrega essa dor.

Assim, precisamos de uma compreensão do que é a experiência. Temos que ter uma visão do que é esse experimentador dentro da experiência, sustentando essa condição psicológica de separação, de dualidade entre o observador e a coisa observada.

Veja, tudo isso está acontecendo dentro de cada um de nós. Não tem nada lá fora nos causando sofrimento. Aquilo que nos causa sofrimento é esse sentido de dualidade presente dentro de cada um de nós, é esse sentido do observador tendo sua particular visão de mundo. Quando é de prazer, ele quer mais, quando é de dor, ele quer se livrar. Então, é exatamente assim que nós temos funcionado. Repare: tudo isso precisa ser compreendido.

“Como me livrar da ansiedade?” Reparem, queremos nos livrar da ansiedade, queremos nos livrar do medo, queremos nos livrar da depressão, queremos nos livrar do que nos causa dor, não percebemos o jogo interno de continuidade nesse modelo de dualidade presente em cada um de nós, de continuidade e busca do prazer. Essa busca do prazer, essa busca de continuidade no prazer ainda é uma forma de dor. Não percebemos que o elemento de dualidade e separação está presente.

O que nós vemos juntos aqui é o fim para esse modelo, o modelo da continuidade desse observador e dessa coisa que ele observa. Precisamos descobrir o que é esse Natural Estado de Ser, onde há uma ciência daquilo que está presente sem esse que observa. Esse que observa, que condena, compara, julga, quer mais ou busca mais, ou deseja mais. Assim, nós temos o fim para essa dualidade.

É no fim dessa dualidade, é no fim desse sentido de separação que temos o fim para todo problema, para toda confusão, para toda desordem emocional. É aqui que temos o fim para a ansiedade, o fim para a depressão, o fim para a angústia, o fim para esse sentido do "eu" presente, desse "mim", desse ego. Assim, temos um contato com a vida sem esse centro.

Então, como nos aproximamos disso? Tomando ciência desse movimento interno, de um pensador presente criando sobre a experiência uma ideia, uma avaliação, um julgamento, uma aceitação, uma rejeição. Então, é o pensamento que está sustentando esse modelo de separação.

É possível apenas olhar, tomar ciência da experiência, tomar ciência da experiência sem aceitar, sem rejeitar, sem buscar o prazer ou sem tentar fugir da dor; tomar ciência daquilo que está presente aqui, sem se separar. Notem, esse pensamento é algo que vem do passado, que avalia com base nas experiências passadas, de gostar, não gostar, de identificar isso como prazer ou como dor. Se nós temos o fim para o pensamento, temos o fim para o pensador, o fim para o observador.

Então, nesse contato se torna possível o fim para essa condição psicológica de sofrimento, de confusão, de desordem. A visão disso é a revelação do Autoconhecimento. O fim para essa condição psicológica, onde o sofrimento está presente nesse centro, que é o "eu", o esvaziamento disso é a Revelação do seu Natural Estado de Ser pura Consciência, pura Felicidade, Amor Real, que é Meditação.

Então, um contato com a vida como ela é, sem o sentido desse "eu", que é esse centro, que é esse observador, que é esse pensador, que é esse experimentador, a Verdade desta Revelação é a Verdade de Deus, é a Verdade do seu Natural Estado de Ser, que é a Consciência.

O que temos aqui é que a natureza do seu Ser é Felicidade, é Amor, é Paz, é a natureza da Verdade Divina. E não há sofrimento aí, porque não há essa ilusão, porque não há essa separação. Então, isso é a Verdade conhecida por Advaita, a Não separação, a Não dualidade. Temos a ciência d’Aquilo que é, quando o sentido desse "eu" que se separa não está mais presente.

Junho de 2024
Gravatá-PE
Mais informações

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

Importância do Autoconhecimento | Autoconhecimento Supremo | Autoconhecimento na prática | Advaita

Reparem o que estamos vendo juntos aqui quando tratamos com você da importância do Autoconhecimento: a Verdade d’Aquilo que é Você em seu Ser. Isso é a Realidade do Supremo, isso é uma Realidade Divina, é uma Realidade de Deus. Autoconhecimento Supremo não se trata de um mero conhecimento de si mesmo pela introspecção, pela análise ou fazendo uso de alguma outra técnica ou prática, na busca ou tentativa de uma melhoria como pessoa.

Não é disso que estamos tratando aqui. Estamos tratando da ciência da Bem-Aventurança Suprema, de sua Natureza Divina, dessa Verdade de Deus que Você é. Por isso aqui se trata do Autoconhecimento na prática, uma ciência direta da Verdade sobre esse movimento interno de pensar e sentir, que nos leva, naturalmente à ação, a toda forma de comportamento e direção na vida.

Um detalhe é que chamamos isso de “nossa vida”. Reparem, é aqui que se encontra todo o equívoco, desse sentido de alguém presente, na crença de que ele tem uma vida particular. Quando você usa as expressões "minha vida", “minha história”, “minha casa”, “minha família”, “meu país", você está, nesse momento, dentro de uma identificação com a experiência. Essa experiência é uma referência que vem do passado.

Essa experiência que vem do passado é a ideia de uma identidade numa relação direta com tudo aquilo pelo qual passou, viveu, experimentou. Isso dá formação a esse "eu". Esse "eu", portanto, é um centro. Em torno desse centro, todas as demais coisas, como parte de sua particular experiência, estão surgindo, aparecendo: “a minha casa”, “a minha família”, “o meu país”, “o meu mundo”, “a minha história”. Isso nos dá uma identidade.

Há o sentido de alguém presente dentro da experiência da vida. E esse alguém chama a vida de "minha vida, a “minha história”, o “meu mundo”, a “minha nação”, a “minha casa”, “meus bens”, “meu corpo". Qual será a Verdade d’Aquilo que é Você em sua Natureza Essencial, em sua Natureza Real?

A noção que temos é de termos nascido, de estarmos vivendo e, portanto, sendo alguém. E aqui nós estamos descortinando isso com você. Estamos juntos descortinando isso, aprendendo a arte de se aproximar desse olhar sobre quem nós somos, estudando a nós mesmos, percebendo que o movimento é esse presente em nós, que nos leva para essa ou aquela direção, para esse ou aquele modo particular de pensar, de sentir, de fazer as coisas. Quem sou "eu"?

Assim, o Autoconhecimento na prática é tomar ciência de tudo isso que se processa dentro de você. Há um movimento em nós, psicológico, interno: é o movimento do pensamento. O pensamento sempre se move de um pensamento para outro, de um pensamento para outro, de um pensamento para outro. Não há um único pensamento em você que se estabilize. O pensamento surge e, a seguir, surge um outro pensamento, depois surge um outro pensamento.

Há um movimento interno de pensamentos acontecendo, de sentimentos que acompanham esses pensamentos, de sensações que acompanham esses pensamentos, porque pensamento e sensação andam juntos, pensamentos e sentimentos também andam juntos. As emoções também acompanham esse modelo de pensar, que é esse processo de movimento do pensamento em nós. Não paramos para olhar para isso, para perceber como isso acontece.

Assim, temos uma ilusão: a ilusão de que alguém está pensando. Se aproxime disso. Não é você que determina o pensamento, ele acontece. Você não determina o sentimento, ele acontece. A emoção, ela acontece. A sensação, ela acontece. Então, o que quer que esteja acontecendo, é um movimento interno, psicológico, presente, mas não tem alguém. Mas temos a ilusão de alguém no controle. Aqui já nos aproximamos da compreensão sobre o que é o pensamento. Reparem a importância disso.

As pessoas perguntam como lidar com os pensamentos, porque elas querem se ver livres dos pensamentos que as importunam, que geram problemas para a vida delas, contradição, conflito e sofrimento. Isso é bem razoável, é bem natural. Se o sofrimento está presente, é natural que queiramos nos livrar dele. Mas aqui existe uma incompreensão a respeito dessa questão, e nós investigamos isso aqui com você: a questão do fim para o sofrimento e esse simples se livrar do sofrimento.

As pessoas querem se livrar do sofrimento na ideia de que elas podem se livrar do sofrimento, sem antes ter uma compreensão real daquilo. Não é uma compreensão intelectual daquilo que as faz sofrer, mas é uma compreensão real desse elemento presente que sustenta o padrão do sofrimento. Isso não é a libertação paliativa desse ou daquele sofrimento para um outro sofrimento surgir.

A compreensão disso é o fim para o sofrimento, porque é o fim para esse elemento no qual o sofrimento se abaliza e se estrutura, que é o "eu", o "mim", o ego. Então, nós não compreendemos a verdade sobre isso. Acreditamos ter o controle dos pensamentos, dos sentimentos, das emoções, das sensações, das percepções, e aqui o controle sobre sofrer ou não sofrer.

Tudo isso precisamos examinar, investigar. A autoinvestigação é, na realidade, o Autoconhecimento na prática. Investigar a natureza de nós mesmos, investigar todo esse processo. Porque, repare, é um processo. Esse sentido de um "eu", de uma entidade presente aqui, em nós, não é algo fixo, é um processo.

Você como pessoa não é a mesma pessoa o tempo todo. A cada instante você está mostrando uma face, um novo rosto, uma nova modalidade de ser. Então, estamos lidando com algo muito dinâmico. Esse sentido de um "eu" é algo muito dinâmico, tem essa vivacidade dinâmica.

Essa vivacidade, quando investigada, fica muito claro que é uma vivacidade que nasce do passado, porque o pensamento em você – esse movimento de um pensamento a outro, de um pensamento a outro – vem do passado. O sentimento é a mesma coisa, a emoção, o modo de avaliar, de julgar, de comparar o que quer que esteja acontecendo externamente ou internamente é algo que também vem do passado. Então essa é a vivacidade desse "eu", desse centro, desse ego, dessa pessoa.

A Revelação Divina, a Revelação Suprema, a Revelação da Verdade, e por isso a expressão “Autoconhecimento Supremo”, porque se trata do conhecimento da Verdade Divina que trazemos, mas que ainda não se revelou. Se revela quando há essa aproximação de nós mesmos de uma forma vivencial, prática, quando aprendemos a olhar para esse movimento interno.

A questão aqui é descobrir como realizar Isso: olhar sem esse centro, porque um pensamento é algo que vem do passado, mas você não está trazendo esse pensamento, ele está só aparecendo. Você não está trazendo porque você, como uma entidade separada, com um centro, um "eu", é, na realidade, uma imaginação do próprio pensamento. O que nós temos presente é um pensamento.

Tomar ciência desse pensamento, sem gostar ou não gostar, sem avaliar, sem julgar, sem comparar, sem dizer "sim", sem dizer "não". Tomar ciência de um pensamento quando surge é apenas olhar o movimento, que é o movimento do pensamento, do sentimento, quando surge, junto com o pensamento.

Veja, olhar a emoção quando surge com o pensamento, a sensação quando surge com o pensamento. Apenas olhar. Isso é ter uma aproximação do Autoconhecimento na prática, ao mesmo tempo que isso é esse contato com a Verdade da Meditação.

Olhar aquilo que vem do passado e, se é algo que vem do passado, é uma reação surgindo nesse momento, a algum nível de estímulo visual ou auditivo, ou mesmo interno. Quando surge esse estímulo, surge o pensamento, com a sensação, com a emoção.

Tomar ciência disso, sem colocar uma identidade para gostar ou não gostar, para julgar, avaliar, condenar, querer se livrar quando isso que surge é ruim, querer se apropriar e se agarrar quando isso que surge é bom. Apenas tomar ciência disso é Autoconhecimento.

Então, qual é a verdade desse Autoconhecimento na prática? Como tomar ciência da importância do Autoconhecimento? Se tornando cônscio de si mesmo, percebendo que quando você está ciente, essa ciência desse "você" é algo que ocorre e esse "você" desaparece. Veja como é singular isso, mas é algo que requer que você se aproxime disso de uma forma vivencial para ter uma compreensão.

Aqui se trata de que todo esse movimento é o movimento da mente, mas agora, nesse momento, a mente está se tornando cônscia dela mesma, ciente dela própria. E quando isso acontece, a mente se aquieta para olhar. Isso é ciência de Ser. Isso é consciência de Meditação, aqui e agora.

As pessoas têm falado sobre a meditação como uma prática, como uma técnica, como algo que você faz em alguns momentos do dia, ou reserva um momento à noite para se sentar em um lugar tranquilo, colocar uma música suave. As pessoas tratam da meditação como algo para alguém fazer. Elas chamam isso de prática de meditação. Sim, você pode entrar nesse modelo de prática de meditação, mas é você como alguém fazendo a meditação.

Aqui o convite é outro, é se tornar ciente desse "mim", desse "eu". Então uma Atenção surge, uma Presença surge, uma Consciência surge. Então, agora temos presente a mente, quieta, silenciosa, e a verdade dessa revelação desse padrão de identidade, que até então tem norteado sua vida, nossas vidas.

Olhar para todo pensamento, sentimento, emoção, sensação, quando isso ocorre, o cérebro se aquieta, a mente se aquieta e esse padrão de repetição, de continuidade, de movimento, cessa. Então, o pensamento para com esse movimento de continuidade, de um pensamento para outro pensamento, de um pensamento-sensação para um outro novo pensamento-sensação e assim por diante, porque essa Atenção sobre todo esse movimento da mente quebra esse padrão.

Esse padrão é o padrão da perpetuidade, da continuidade do "eu", da continuidade do ego. Então, o resultado real da Revelação é a constatação de que a única Realidade presente é a Realidade Divina, é a Realidade de Deus. É quando esse sentido do "eu" se desfaz, é quando essa estrutura egocêntrica perde sua relevância. Então há o desaparecimento do "eu" e sua Natureza Real se revela como Amor, como Paz, como Liberdade, como Felicidade.

Essa Natureza Real de Ser é Não dual, é aquilo que os sábios chamam de Advaita, é a natureza do seu Ser. Advaita significa “o Primeiro sem o segundo", é a Natureza Una, Única, a Natureza Real de cada um de nós, é a Natureza de Deus. Não esse padrão, esse modelo de continuidade dessa ilusória identidade, nesse seu movimento, que está dando continuidade a um modelo de tempo, algo que vem do passado, passa pelo presente, caminha para o futuro. Todo esse tempo é o tempo do próprio "eu", do próprio ego, da própria mente, do próprio pensamento. Isso é uma ilusão.

O pensamento está presente, o tempo está presente, a continuidade está presente. Quando o pensamento desaparece, esse modelo de continuidade de tempo se desfaz, porque ele não tem qualquer realidade fora desse padrão de pensamento, sentimento, emoção e sensação, tendo uma continuidade na ilusão de uma identidade presente. Isso é o fim da mente egoica. Então se revela Algo fora do conhecido: é a Realidade de Deus. É isso que alguns chamam de Despertar Espiritual, Despertar da Consciência, Iluminação Espiritual.

Junho de 2024
Gravatá-PE
Mais informações

terça-feira, 17 de setembro de 2024

Como lidar com ego ferido? | Atenção Plena: o que é? | Como meditar da forma correta? | Autoimagem

Nós temos alguns questionamentos bastante curiosos. Um deles é como lidar com o ego ferido. A ideia que a pessoa tem é que ela tem como aprender a lidar com o ego do outro quando ele está magoado, ofendido, chateado, aborrecido ou ferido de alguma forma. Então, a gente quer descobrir como lidar com o outro quando ele está no ego, quando ele está inteiramente identificado com o ego.

Reparem de onde nós partimos, notem a confusão presente dentro de cada um de nós. Na vida, aquilo que se faz presente nesses contatos de relacionamento são relações que se assentam em ideias, quadros, fotografias, imagens que um tem do outro. Mas ao olhar para o outro parece que o outro está com o ego ofendido, ferido, magoado, aborrecido, chateado, e nós queremos aprender a lidar com isso. Queremos entrar em um bom acordo, em uma boa negociação. Mas quem somos nós dentro dessa relação, senão, também, uma outra autoimagem?

A pessoa tem uma imagem sobre quem ela é, sobre quem ela acredita ser, e ela está chateado, mas nós temos uma imagem sobre quem nós somos, sobre quem acreditamos ser, e nessa crença de ser alguém melhor ou estando bem, melhor que ela, eu posso ajudá-la se eu aprender como fazer isso. Quem é esse "eu"? Também uma autoimagem. Apenas uma autoimagem que também se ofende, se magoa, se entristece, se aborrece, se chateia.

Assim, nossas relações são relações que ocorrem entre imagens. Relações entre imagens são encontros entre pensamentos, uma vez que a imagem que você tem sobre quem você é é um conjunto de memórias, lembranças, recordações, pensamentos. Então, aquele que "eu" sou se encontra com você como você é. Mas como você é e como "eu" sou, isso é um encontro entre pensamentos, que vêm do passado.

Você não tem um só pensamento que não seja o resultado do passado. Portanto, você não tem qualquer ideia sobre você que não venha do passado e qualquer ideia sobre o outro que não venha do passado. Então, um encontro como esse nós chamamos de relação, mas, na verdade, o que estamos tendo é um relacionamento. Não há uma relação real. Essa relação é um relacionamento entre imagens, que são pensamentos, que vêm do passado.

Notem como nós funcionamos psicologicamente. Reparem que isso é fundamental para a Liberação, nesta vida, dessa condição de egocentrismo, de egoidentidade, de prisão nessa ilusão de separação entre você e a vida, entre você e Deus, naturalmente, entre você e o outro, porque o que temos são pensamentos se encontrando, imagens negociando. É isso que nós chamamos de vida, de relações.

Será possível termos uma vida real? Uma vez que essa vida, como nós chamamos, é algo que está dentro do contexto do movimento dessa consciência comum a todos, que é a consciência do "eu", que é a consciência do ego, que é essa autoimagem tendo consciência. Nós chamamos de consciência a presença dessa autoimagem em reconhecimento. Nós usamos expressões e nunca investigamos o que estamos dizendo.

Quando você diz que está consciente ou quando você diz “eu tenho consciência”, o que você está dizendo? O que você está dizendo, na verdade, é que há um movimento de pensamento aí reconhecido. É isso que chamamos de consciência. Você está sempre consciente do que se lembra, do que recorda. Você passa por experiências, guarda essas experiências como memória, tem a lembrança, a recordação e chama isso de consciência.

"Eu tenho consciência de quem eu sou”. Que verdade há nisso? A única verdade de que tudo que o pensamento tem sobre quem ele é é a imagem que ele faz dele mesmo. Isso não é a Verdade da Consciência, é estar consciente. Nesse estar consciente, existe o pensamento presente e a ideia de um ser consciente por detrás da memória, da lembrança, do pensamento. E agora estamos vendo que isso não é verdade, porque esse pensamento não é outra coisa a não ser esse ser consciente.

Vejam como é simples isso, e isso é algo que sempre nos escapa. Nós não temos ciência dessa inconsciência que é viver nesse movimento do pensamento, o pensamento se reconhecendo, e estamos chamando isso de consciência. Como podemos tomar ciência de tudo isso? Autoconhecimento.

Aquilo que você compreende, você está livre. Se você não compreende, você não está livre. Se você compreende o medo, isso é o fim do medo. Se você compreende a inveja, isso é o fim da inveja; do ciúme, é o fim do ciúme. Então, quando as pessoas se perguntam como lidar com o ego ferido, precisam antes compreender como o ego funciona. Mas não é o ego do outro, é o seu próprio ego. A gente vê o ego no outro, mas quem é esse que está vendo o ego no outro?

O Despertar da Consciência Real é a Verdade da Revelação de que esse sentido do "eu", do ego, presente, esse "mim", é uma ilusão. Então, não se trata de como lidar com o ego ferido do outro. Se trata de tomar ciência da ilusão desse estado de isolacionismo, de separatividade, de egocentrismo, de autointeresse, de ilusão que eu faço sobre esse "eu" que sou, que acredito ser, aqui.

Agora nós entramos em uma outra questão. Como podemos lidar com isso? Tendo uma visão direta de como meditar de forma correta. Reparem, agora temos a resposta aqui para uma pergunta que é feita: “Como meditar de forma correta?” Compreenda, a Meditação não é uma ferramenta da qual você

se utiliza para encontrar paz, quietude, silêncio, relaxamento e tranquilidade.

As pessoas têm usado ou têm procurado usar a meditação como uma ferramenta para o estresse, para a ansiedade, para a angústia, para lidar com algumas fobias. Então, elas terminaram estudando técnicas de meditação, práticas de meditação, com esse propósito. Aqui, quando falamos ou usamos o termo Meditação, estamos falando de outra coisa. Estamos falando do encontro com a Verdade do Silêncio, mas de um Silêncio de uma qualidade totalmente diferente da qualidade do silêncio que alguém consegue através de uma técnica ou prática meditativa.

Você pode silenciar a mente, aquietar a mente, encontrar um determinado silêncio. Na verdade, você irá se deparar com um estado de estupor, de transe quando faz uma técnica. Aprende a respirar, a entoar um mantra, se senta de pernas cruzadas. Aqui estamos tratando com você da Verdade da Meditação, da Meditação que revela o Silêncio. Mas não é um silêncio que você encontra por uma técnica, por uma prática. Não é o silêncio que se revela quando você obriga o cérebro, através de um modelo, técnica ou prática de quietude, a se aquietar.

Aqui se trata de um Silêncio que nasce naturalmente quando o sentido do "eu", do ego, não está presente. Então, sim, o cérebro se aquieta, a mente se aquieta, o Silêncio está presente e há Algo agora, aqui, presente se revelando, além do conhecido: é a Realidade do seu Ser, é a Realidade de Deus.

No entanto, compreenda: isso só se torna possível quando, primeiro, aprendemos a ter uma aproximação do Autoconhecimento. E esse Autoconhecimento é olhar, ver, perceber, de uma forma nova, o que quer que esteja aqui acontecendo, porque o elemento, que é o "eu", o ego, não está presente. Então, o que é Autoconhecimento? É a aproximação direta daquilo que aqui está, sem esse elemento que se separa para fazer algo com isso que aqui se mostra.

E qual é a base para o Autoconhecimento? Auto-observação, aprender a arte de olhar o pensamento, o sentimento, a emoção, uma sensação que surge nesse instante, uma percepção desse momento. Isso no dia a dia, momento a momento. Não em horas específicas do dia, mas enquanto você caminha, conversa com alguém, lida com uma dada coisa.

Trazer consciência para esse instante, se tornar ciente de toda e qualquer reação psicológica, assim como também física: os seus gestos, o seu tom de voz, a linguagem, as palavras, o que quer que você esteja presente nesse momento, sendo visto. Não é para alterar, mudar, modificar, ajustar, consertar ou fazer algo com o que está sendo visto. É ver, e isso é visto sem alguém vendo. Então, o movimento interno do "eu", do ego, esse movimento que vem do passado, que de dentro sempre vem reagindo, não entra.

Olhar para aquilo que aqui está presente nesse momento, sem um pensamento, uma intenção, uma razão, um desejo, apenas olhar, se tornar ciente desse instante, o que é que você está surgindo nesse momento. Assim nós temos presente a Verdade da auto-observação, que é a revelação do Autoconhecimento, porque tudo o que se mostra aqui é visto sem o sentido de alguém para fazer algo com isso.

Então, nesse momento, há uma aproximação real da ciência da Meditação. A mente silencia, o cérebro se aquieta, o sentido do "eu", desse "mim", que sustenta essa dualidade, tudo isso se desfaz aqui, neste instante. Então, estamos diante da Revelação da Vida como ela é, como ela acontece.

Então, como meditar de forma correta? Tomando ciência daquilo que aqui está presente. Nesse contato com o marido, um olhar livre da imagem; com a esposa, um olhar livre da imagem que você tem dela. Você não tem, agora, qualquer imagem da pessoa com quem você está lidando. Nesse instante, estamos diante de uma real relação e não de um relacionamento centrado na imagem. Então não temos um choque entre pensamentos.

Experimente isso: olhar como que pela primeira vez. Você irá perceber que isso não é nada fácil, porque o movimento antigo do "eu", do ego, que é o movimento dessa autoimagem, sempre entra. Isso requer a presença de uma Atenção. Veja, não se trata de um esforço para estar atento, se trata de um interesse simples, natural, para olhar sem a imagem, sem o passado, sem trazer de volta esse movimento interno, que é o movimento do "eu", do ego. Nesse instante, você elimina a autoimagem. Livre dessa autoimagem aí, você fica livre da imagem que você faz dele ou dela, ou do mundo à sua volta.

A Meditação é algo que está aqui, nesse instante, quando o "eu" não está, a autoimagem não está, o ego não está, todo esse movimento de consciência egoica perdeu a importância. Podemos viver a vida assim, livre desse sentido de separação? Então, nesse momento, não existe mais o ego ferido, porque o sentido do "eu", do ego, não está presente. Livre da ilusão dessa autoimagem, você está livre nesse contato com ele ou com ela, também sem a imagem dele ou dela.

Então, essa é a resposta para a pergunta: “O que é essa Atenção Plena?” A Atenção Plena é a ciência da Verdade deste Ser quando a mente não está, quando o ego não está, quando a ilusão da separação não está presente. Estamos diante da Realidade da Vida acontecendo aqui e agora. E nesta Atenção Plena se revela essa Verdade, que está além do conhecido, além da mente, além do corpo, além desse "eu" e desse você. Então temos a Realidade da Não separação, da Não dualidade.

Junho de 2024
Gravatá-PE
Mais informações

Compartilhe com outros corações